5 de jun de 2016

Jarbas Passarinho e a História


Um homem viveu 96 anos. Exerceu algum cargo no regime democrático de 1946 e depois uma multidão de cargos importantes na ditadura. Deve ter amado, odiado, sido injusto e talvez justo.

Mas, disso tudo, o que fica é uma frase:

"Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência", que ele dirigiu ao ditador Costa e Silva, quando o ministério debatia a edição do Ato Institucional 5, em 1968, "o golpe dentro do golpe".

O que indica que devemos ter cuidado com o que fazemos.Às vezes, uma vida se resume numa frase péssima.

Mas isso não teria acontecido se ele não tivesse comandado a repressão, sobretudo em relação aos estudantes e às universidades. Certamente, muitos jornalistas de hoje estudaram nos tempos do Decreto Lei 477 e do ministro Passarinho. Foi a memória que lhes ficou.

Pensar no lugar que a História lhe reserva seria interessante, para alguns políticos.

Renato Janine Ribeiro
No Esquerda Caviar

Leia também: “Às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência”
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95% rejeitam abrir pré-sal e, para 90%, início de Temer foi péssimo


Uma nova pesquisa 247, realizada em parceria com a Netquest, uma das principais empresas do mundo de pesquisas online do mundo, revela que as primeiras medidas do governo provisório de Michel Temer são amplamente rechaçadas.

Uma delas é abertura do pré-sal a empresas estrangeiras, já defendida por Pedro Parente, novo presidente da Petrobras, que disse apoiar a medida e também falar em nome da companhia. Nada menos que 96% dos entrevistados são contra essa medida, enquanto apenas 3% a apoiam e 1% não tem opinião a respeito.

Os percentuais são parecidos em outras questões. Por exemplo, 95% condenam a fixação de um teto para gastos com saúde e educação, enquanto apenas 4% são a favor e 1% não tem opinião a respeito.

Sobre desvincular as aposentadorias do salário-mínimo, 95% são contra, 3% a favor e 2% não têm opinião.

Em relação à aprovação do presidente interino Michel Temer, 90% consideram sua administração péssima, enquanto 7% a veem como ruim, 1% como bom e 1% como excelente.

Para 97% dos entrevistados, os áudios de Romero Jucá comprovariam uma conspiração por trás do impeachment.

Ao todo, foram realizadas 4.113 entrevistas únicas, com cadastro dos internautas por CPF, evitando duplicidades nas respostas e abrangendo todas as regiões do País.

Esta foi a segunda pesquisa 247/Netquest. Leia aqui os resultados da primeira. Confira, abaixo, as tabelas da nova pesquisa:


No 247
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EBC responde ao Jornal Nazional


A EBC em nota do Jornal Nacional

Ontem (2/6), a EBC foi citada no Jornal Nacional, da TV Globo. Não foi uma notícia a propósito do sistema público de comunicação, mas sobre uma decisão judicial que contrariou a determinação do presidente interino, Michel Temer, de trocar o comando da Empresa Brasil de Comunicação-EBC.

Certamente, muitas pessoas ainda não tinham ouvido falar na EBC até aquele momento. Talvez até mesmo o apresentador do telejornal tenha se referido à empresa pela primeira vez, assim como o editor que redigiu a nota que ele leu: “O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou o retorno do jornalista Ricardo Melo à presidência da EBC, a empresa de comunicação do governo federal…”.



Não, Willian Bonner, a EBC não é a empresa de comunicação do governo federal. A EBC é uma empresa do Estado brasileiro, gestora dos veículos públicos de comunicação. A EBC não é do governo federal, mas de toda sociedade brasileira. É a face pública e mais recente do sistema de comunicação do país, conforme estabelecido na Constituição.

Diferentemente da comunicação privada e da estatal, o papel da comunicação pública é oferecer mecanismos para debate acerca de temas de relevância nacional e internacional; fomentar a construção da cidadania, a consolidação da democracia e a participação na sociedade, garantindo o direito à informação, à livre expressão do pensamento, à criação e à comunicação; cooperar com os processos educacionais e de formação do cidadão; apoiar processos de inclusão social e socialização da produção de conhecimento. Esses são alguns dos deveres da radiodifusão pública, explicitados na lei que, ao criar a EBC, cumpre um preceito constitucional de complementaridade do sistema, instituindo a sua última parte — a comunicação pública, ao lado da comunicação privada e da estatal, já consolidadas de longa data. É um direito da sociedade brasileira.

Mas ninguém pode cobrar um direito que não sabe que tem. Essa é a situação que atravessa hoje a comunicação pública no Brasil. Pública, repito. Não a comunicação estatal, mas aquela que a constituição garante ao cidadão brasileiro, como forma de equilibrar o histórico e excessivo poder de formação da opinião pela comunicação privada, cujos objetivos privilegiam interesses econômicos, comerciais. Mas poucos sabem ou se interessam em saber. A comunicação pública também não se confunde com a comunicação estatal, que tem canal próprio de prestação de contas ao cidadão sobre os atos do governo federal. O nome da emissora de televisão que presta esse serviço é NBR; e no rádio, todos sabem, é a Voz do Brasil, que atende aos três poderes.

À exceção dos abnegados que historicamente lutam pela democratização da comunicação, a população brasileira, em larga maioria, jamais se deu conta de que a Constituição de 88, batizada Constituição Cidadã, contemplou, em seu nome, um direito fundamental que está na base dos demais direitos, o direito à comunicação e à informação voltadas exclusivamente para o interesse público. Esse desconhecimento, em parte, é também responsável pelo sono de 20 anos da parte pública do sistema na Carta Magna. Por insistência daqueles mesmos abnegados, foi criada a EBC, para gerir os veículos do sistema público – TV Brasil, TV Brasil Internacional, oito rádios públicas, uma radioagência e uma agência de notícias, a Agência Brasil.

Quando a mídia convencional refere-se a quanto o sistema público custa aos cofres da União, fala-se apenas na TV Brasil, acusando-a de ser cara e de não dar “Ibope”. Não se sabe — ou não interessa saber — o papel que as rádios públicas cumprem ao levar informação aos mais distantes lugares do Brasil, onde à mídia privada não interessa ir, do ponto de vista econômico e comercial. Ignoram o importante papel da Agência Brasil, do qual se valem até mesmo os jornalões para dar suas notícias. Esses veículos não têm a menor intenção de competir com a mídia privada em seu território de negócios. Mas sim, a mídia pública quer competir pela atenção do público — não como consumidor, mas como cidadão. E isso não tem sido fácil.

A TV Brasil, por exemplo, nasceu em um contexto inóspito, quando as TVs comerciais já estavam estabelecidas há quase 60 anos. As universidades, por óbvio, formavam profissionais para atuar nesse grande mercado. Ainda hoje, outros abnegados lutam para que uma disciplina em comunicação pública se torne obrigatória no currículo da graduação em comunicação. A TV pública tem apenas oito anos e reconhece suas fragilidades.

No entanto, jamais cometerá erros que atentem contra a cidadania, como tantas vezes testemunhamos na programação de outras emissoras; não tentará convencer o público de meias verdades ou incitá-lo a práticas que ferem a dignidade humana. Na comunicação pública não se verá mulheres usando seus corpos para vender cervejas e outros produtos; jamais se verá a erotização da infância para conquistar audiência nas tardes de domingo. A TV pública vai ter que aprender a conquistar audiência sem se desviar de seus princípios. Um longo caminho para quem tem apenas oito anos, se comparado aos 94 de uma BBC.

Para que a comunicação pública se consolide, é preciso que a sociedade a reconheça como um direito que não se troca por controle remoto. Mas enquanto a emissora líder de audiência descrever a EBC como “empresa de comunicação do governo federal”, o público poderá se ver tentado a jogar fora a criança com a água suja da bacia.

Até a próxima!

No ValePensar
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A música do golpe


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A ausência de pesquisas revela o que a imprensa tenta esconder

Onde este tipo de coisa foi parar?
Domingo era o dia do macarrão na casa da mãe e das pesquisas Datafolha e Ibope. O macarrão permanece, mas e as pesquisas, cadê elas?

Aprendemos mais uma coisa na campanha sangrenta da mídia contra Dilma. Você encomenda e dá pesquisas quando elas são convenientes. E as suprime quando elas são inconvenientes.

Lembremos George Orwell, o jornalista e escritor britânico autor de clássicos como 1984 e Fazenda dos Animais: “A imprensa é propriedade de homens ricos dedicados a tratar de forma desonesta assuntos de seu interesse.”

Isso na Inglaterra de Orwell. Imagine no Brasil dos Marinhos, Civitas, Frias e Mesquitas.

A ausência barulhenta de pesquisas mostra, no entanto, o que os barões da imprensa e seus fâmulos nas redações tentam esconder: a opinião pública vê o golpe como golpe. Rejeita Temer e seu ministério de corruptos. E passou a ver Dilma sob outro ângulo: o de vítima de uma conspiração de homens desonrados interessados na manutenção de suas mamatas e na impunidade de suas roubalheiras ancestrais.

Não fosse isso, você pode ter certeza: estaríamos engolindo pesquisas sobre pesquisas em favor do golpe e de Temer, e contra Dilma.

Meia dúzia de telefonemas trocados entre os donos das companhias jornalísticas resolvem qualquer questão. Mais ou menos assim:

“Otávio?”

“Hmm.”

“Aqui João. Minhas pesquisas estão uma desgraça. E as suas?”

“Também.”

“Melhor não dar. Certo?”

“Perfeito.”

“Otávio?”

“Hmm.”

“Não tô gostando do Jânio.”

“Dos meus progressistas cuido eu, João.”

Levantamentos desfavoráveis a Temer virtualmente matariam o golpe. Senadores que votaram pelo sim pensariam duas, três vezes antes de repetir a escolha na votação definitiva para não se queimarem perante o eleitorado.

O impeachment se deu na falácia, criada pela imprensa, de que a população toda clamava pela saída de Dilma.

Os fatos logo mostraram que não é assim. Golpistas são esculachados em toda parte, e Dilma virou uma superstar, aplaudida onde quer que apareça.

Outra ilusão forjada pela mídia girou sobre o “combate à corrupção”. Mas Temer e equipe imediatamente deixaram claro, até para midiotas, que a real corrupção reside nos golpistas.

É dentro destas circunstâncias que você deve entender a ausência de pesquisas. Elas certamente contariam o que a imprensa não quer que a sociedade saiba.

Paulo Nogueira
No DCM
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Letícia Sabatella, na Globo, condena o golpe — assista

No programa “Altas Horas”, a atriz voltou a desmentir o boato de que teria recebido recursos da Lei Rouanet, criticou o discurso de ódio da direita e, sobre o processo de impeachment, reafirmou: “é golpe”


A atriz Letícia Sabatella, que em outras ocasiões já se posicionou contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, voltou a expressar sua opinião sobre o tema em sua participação, na madrugada deste domingo (5), no programa “Altas Horas”, da TV Globo.



De acordo com a atriz, seu posicionamento é motivado por um “princípio de verdade e de democracia”, que por isso se coloca contra o que classifica como um golpe.

“Pela luta da democracia e pelo direito de falar, de não se calar, eu me posiciono. É um momento muito conturbado mesmo, é um momento que, se der tudo certo, será maravilhoso pela discussão fomentada, e ela é necessária. A gente precisa cada vez mais do nosso exercício de cidadania preservado, o nosso direito de cidadãos a votar, a ter o voto respeitado, ao projeto de governo eleito respeitado”, disse.

Em uma de suas intervenções no programa, Sabatella voltou a desmentir os boatos de que teria recebido recursos da Lei Rouanet, criticou o discurso de ódio da direita e afirmou reconhecer “a importância deste governo”.

“Eu sou oposição a muitas coisas desse governo, do governo Dilma, do PT, desde a época do projeto de Transposição [do Rio São Francisco], mas eu vejo a importância desse governo e a legalidade que deve ser preservada, ele tirou milhões de pessoas da pobreza e da miséria. Não acho legítimo esse processo do impeachment, o quanto foi armado, o quanto foi um golpe”, pontuou.

No Fórum
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O Porta-aviões BNDES

http://www.maurosantayana.com/2016/06/o-porta-avioes-bndes.html


Na falta do que fazer, alguns segmentos da plutocracia brasileira, que tem proventos gordos — em muitíssimos casos, de mais que o dobro do Presidente da República — e que, ao contrário de nós, trabalhadores comuns e empreendedores, conta com estabilidade no emprego, insiste em dar lições aos "políticos" e meter-se, sem um voto reles de quem quer que seja, a administrar indiretamente o país.

Enfurecidos, ideologicamente, com o Estado que os alimenta — desde que não se mexa em seu salário, carreiras e privilégios — eles querem agora “diminuir” e ajudar a arrebentar com o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, um dos maiores símbolos do poder brasileiro — vejam, bem, da Nação, e não apenas do Estado nacional.

Esse é o caso da provável aprovação, pelo órgão de fiscalização da União, do pretendido repasse de 100 bilhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao Tesouro, aprovado pelo governo interino, para supostamente serem usados na “diminuição” da dívida pública.

Isso, em um momento em que a SELIC está altíssima, e se acaba de obter, paradoxalmente, autorização do Congresso, para um aumento de mais da metade desse valor — 58 bilhões de reais — para os salários do próprio Congresso e do funcionalismo público.

E em que se está procedendo também, à criação, pelo Legislativo, de 14.000 novos cargos na administração federal.

Ora, quando uma nação está em crise — um mote já há tanto tempo quase monocórdico, e a principal razão citada pelo discurso de parte da mídia no apoio ao afastamento do governo anterior — é preciso incrementar, e não baixar, os recursos disponíveis para a produção e a infraestrutura.

Logo, se há dinheiro para o funcionalismo, não se pode diminuir o valor destinado aos milhares de pequenos e médios empresários que dependem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para tocar seu negócio e às grandes empresas que têm acesso a financiamento dessa instituição a fim de desenvolver — gerando, ou mantendo, milhões de empregos — o atendimento ao mercado interno e à exportação, cujo superavit tem crescido fortemente neste ano.

Ainda há homens probos e nacionalistas no PMDB, partido que protagonizou a luta pela redemocratização e que, bem ou mal, esteve ao lado do PT na administração federal nos últimos anos.

Essa conversa fiada de endividamento público — que sustentou a tragédia da privatização e da desnacionalização da economia brasileira nos anos 90, com a duplicação, em oito anos, da dívida líquida, a diminuição do PIB e da renda per capita em dólar, segundo números do Banco Mundial — e o aumento da carga tributária, é hipócrita e recorrente.

E sempre omite — convenientemente — que o país acumulou de 2002 para cá, com a colaboração também do PMDB que já estava no governo, e do próprio Ministro Henrique Meirelles, mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, fora os 40 bilhões também em moeda norte-americana pagos para liquidar a dívida com o FMI.

O propalado deficit de 150 bilhões de reais deixado pelo governo Dilma, aumentado pela soma de compromissos a pagar nos próximos anos, representa — embora o PT e o PMDB, seu aliado nessa conquista, de forma incompetente não o digam — apenas cerca de 10% da quantia que o Brasil possui em moeda norte-americana, como quarto maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver — lembramos mais uma vez, no site oficial do tesouro USA: http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt

Mas, isso, a parcela da mídia conservadora, entreguista e parcial, que agora ataca, incessantemente, as grandes obras realizadas nos últimos anos com aporte e financiamento do BNDES, não o diz.

Como não diz — para a informação da malta que constitui seu público, radical, ignorante e tosca — que o BNDES é uma instituição muitíssimo bem administrada, que deu lucro de 6.2 bilhões de reais no ano passado, de 8.5 bilhões de reais em 2014, de 8,15 bilhões de reais em 2013, de mais de 8 bilhões de reais em 2012, de 9 bilhões de reais em 2011, de 9.9 bilhões de reais em 2010.

Esses resultados, não contam?

Sem falar nas centenas de bilhões de reais emprestados no período, que deram, origem a um incalculável número de empregos e de negócios, movimentando toda a economia do país.

Uma estratégia que foi fundamental para evitar que a crise mundial de 2008 — que, de certa forma, ainda não acabou — não nos alcançasse violentamente antes. E imprescindível, também, do ponto de vista geopolítico, para projetar o “soft power” brasileiro para fora de nossas fronteiras, ajudando na expansão de grandes empresas nacionais no exterior, que agora também estão sendo destruídas, pela mesma plutocracia, por absoluta ausência de bom senso e de visão estratégica, e manifesta e deletéria arrogância.

O Brasil do Dinheiro, e os “burrocratas” — que existem, sim, com todo o respeito pelo conjunto dos funcionários públicos brasileiros — da nova aristocracia “concursista” nacional — bons em pagar cursinho, mas não em entender o país, a História, e as disputas geopolíticas internacionais — precisam compreender que um banco de fomento como o BNDES — que chegou a ser o maior do mundo nesta década — é um instrumento de poder e de persuasão tão forte quanto um submarino atômico ou um porta-aviões — se houvesse uma belonave desse tipo que pudesse ser vendida pelo preço que vale o banco — ou os 100 bilhões de reais que está se alegando que precisam ser “devolvidos” ao Tesouro Nacional.

Tanto é que não existe, no grupo das dez maiores economias do planeta, entre as quais voltamos a nos incluir na última década nenhum país poderoso que não possua — vide o Eximbank, dos EUA, o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão — o seu próprio BNDES, ou que tenha alcançado a posição que ocupa, no concerto das nações, sem um igualmente forte e poderoso banco — estatal — de fomento e de desenvolvimento.

Se banco estatal fosse sinônimo de incompetência, as maiores instituições do mundo não pertenceriam ao estado — verifiquem o ranking: http://www.relbanks.com/worlds-top-banks/assets, e os três maiores bancos do planeta não seriam de um país comunista, a República Popular da China — e a Caixa Econômica Federal não teria acabado de ultrapassar o Itaú esta semana, passando a figurar, logo depois do Banco do Brasil, como a segunda maior instituição bancária brasileira.

Por mais que se tente convencer os incautos do contrário, bancos particulares visam, antes de mais nada, o lucro. Enquanto bancos públicos visam — ou deveriam visar, sempre, se os deixassem trabalhar em paz — o desenvolvimento de seus países, e crescem, principalmente no varejo, porque fazem empréstimos de menor valor e menor risco, e portanto, mais democráticos — a custos menores, para seus tomadores.

Mas uma vez, o Brasil do Dinheiro, dos grandes comerciantes, agrícultores, pecuaristas e fabricantes, e de seus filhos que eventualmente entraram para a plutocracia graças à valorização das carreiras de Estado propiciada pela visão estratégica e republicana de governos que aprenderam a desprezar e odiar, apoiados pelo mesmo PMDB que está no poder atualmente, precisam aprender a viver com — e a respeitar — o Brasil do Futuro: o Brasil dos interesses estratégicos e perenes da Pátria e do povo brasileiros; o Brasil das grandes hidrelétricas; das gigantescas plataformas de petróleo; dos caças supersônicos; dos submarinos convencionais e atômicos; das bases de submergíveis; das rodovias de alta velocidade; das ferrovias, como a norte-sul, que já une Anápolis, em Goiás, a Itaqui, no Maranhão; das hidrovias; dos cargueiros aéreos militares; de aceleradores de partículas, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron; a maior parte, obras que foram realizadas nos últimos anos, com apoio do partido que está agora no governo — lembramos mais uma vez — e o financiamento do próprio BNDES.

O Brasil do Futuro, dos blindados, dos mísseis de saturação, dos novos rifles de assalto que disparam 600 tiros por minuto, da terceira maior usina hidrelétrica do mundo — que recentemente começou a operar na Amazônia — não pode nem deve depender de bancos privados — cujo objetivo primordial é o lucro e não o fortalecimento da pátria — para financiar esse tipo de projeto.

Projetos estratégicos — que podem eventualmente, até atrasar e até aumentar de preço — como ocorre em outros países — têm que ser vistos como etapas necessárias, mesmo que nem sempre bem sucedidas — do processo de fortalecimento nacional.

Ou quanto a plutocracia brasileira acha que foi jogado “fora” em dinheiro pelos Estados Unidos, com financiamento público, em tentativas fracassadas, até que eles conseguissem chegar à Lua, ou desenvolver armas atômicas, ou sua primeira frota de submarinos ou de bombardeiros estratégicos, ou o computador e a internet?

E no financiamento do New Deal, um projeto, antes de mais nada, social, que tirou os EUA da Grande Depressão, em que estava mergulhado desde o início da década de 1930?

Ou alguém ainda acha que os EUA vão destruir, algum dia, suas principais empresas — todas ligadas ao esforço de defesa e com o complexo industrial-militar — e interromper seu projeto de hegemonia, por causa de conversa fiada de falsos fiscalistas e monetaristas, pseudo-escândalos de corrupção, ou contos da Carochinha como o da Operação Mãos Limpas — cujo êxito está sendo históricamente desmentido por outra operação, que investiga o escândalo da Mafia Capitale, de 10 bilhões de euros, na Itália?

Os militares da reserva, os industriais e os empresários brasileiros, os trabalhadores, os milhares de empreendedores que possuem um Cartão BNDES, e que sabem muitíssimo bem a diferença das taxas de financiamento cobradas por esse banco e aquelas da banca privada — e os proprios funcionários da instituição e das empresas em que ela possui participação — precisam mobilizar-se para fazer ampla campanha em defesa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, começando com um manifesto-slogan, com o tema de "não toquem no BNDES".

O Brasil não pode permitir que o desmonte dos pilares estratégicos que sustentam e podem fazer avançar o projeto de desenvolvimento nacional, comece logo por nosso maior banco de fomento, sem o qual não teríamos nos projetado para a nossa área de influência — a África e a América Latina — e ainda estaríamos relegados a ser um país apenas, e eminentemente, agrícola e servil.

Querem — e nossos concorrentes estrangeiros iriam vibrar se isso ocorresse — afundar o porta-aviões da economia brasileira.

E cabe aos setores mais responsáveis e organizados da sociedade civil, em nome também de nossos filhos e netos, se organizar e lutar, para evitar que isso ocorra.

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Como é o processo de formação do midiota

Esse é, basicamente, o processo de formação do midiota: dá-se a ele a ração diária de meias-verdades, e ele acha que se tornou uma pessoa bem informada


Sabe como funciona?

Um articulista ouve uma fonte e, sem checar a veracidade do fato, publica que determinada autoridade repassou propina de uma empresa para pagar o cabeleireiro.

A pessoa acusada não é ouvida.

O texto é impulsionado para as redes sociais pelo sistema de tecnologia multiplataforma da empresa de comunicação, e quando a pessoa atingida reage, demonstrando que se trata de uma mentira, você já leu no Facebook e aquele anão moral que apresenta um noticiário na emissora de grande audiência faz piadinhas a respeito do assunto.

Algumas horas depois, a pessoa cuja honra foi atingida anuncia que vai entrar com uma ação na Justiça, e o veículo posta uma nota minúscula apresentando o que se chama de “o outro lado”.

Mas você não lê o “outro lado”, porque a mídia tradicional já escolheu um lado para você há muito tempo. Além disso, a versão original parece mais de acordo com o que você pensa.

Esse é, basicamente, o processo de formação do midiota: dá-se a ele a ração diária de meias-verdades, e ele acha que se tornou uma pessoa bem informada.

E, como se sabe, duas meias verdades costumam compor uma mentira inteira.

Daí, o midiota vai conversar com outros midiotas, que confirmam suas convicções, e assim se consolida a visão de mundo que acaba por determinar muitas das decisões que toma no dia-a-dia.

É dessa forma que você passa ao largo das questões nacionais mais importantes.

Não se pode acusar um midiota de desonestidade intelectual, porque para que isso se configure, é preciso que haja alguma atividade intelectual.

E, como já demonstraram importantes pensadores consagrados, o que se passa, na comunicação de massa, é um processo de convencimento baseado na repetição de ideias, sem necessariamente haver um vínculo delas com a realidade.

Essas mensagens são mais efetivas quanto menos reflexão crítica for produzida pelo receptor.

A narrativa e o discurso da mídia tradicional no Brasil não se vinculam há muito tempo aos pressupostos do jornalismo de qualidade.

Tudo isso se presta a um objetivo: a manipulação.

Assim, com os olhos vendados, você é levado a apoiar políticas públicas que, no fim das contas, serão contrárias ao seu interesse.

Por exemplo, a pauta do Congresso Nacional se encheu de propostas que haviam sido engavetadas, algumas das quais ameaçam remeter o arcabouço legal do País a um atraso de décadas.

Direitos arduamente conquistados podem ser relativizados, ou, como gosta de dizer a mídia, “flexibilizados”.

O bombardeio de notícias negativas serve para convencer você de que, infelizmente, essa é a única maneira de combater a crise econômica.

E você acaba agindo contra seus próprios interesses.

No tempo em que os grandes jornais ainda competiam entre si, ou seja, antes de se juntarem numa espécie de partido político informal, o antigo “Estadão” divulgou uma série de anúncios para dizer que a concorrente, a Folha de São Paulo, enganava seus leitores.

Vale a pena ver de novo.

Só que agora vale para todos eles.



Luciano Martins Costa
No Blog do Miro
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O xadrez da manipulação dos fatos e das leis


A base de toda sociedade democrática é a informação. Sobre a base da informação, formam-se os conceitos. Dos conceitos nascem os pactos. Os pactos se consolidam em leis. Das leis, derivam os contratos. É esse ciclo que garante a convivência civilizada de opostos, as eleições, a alternância de poder e a construção da democracia, impedindo abusos, selvageria.

Essa é a expressão final do termo segurança jurídica.

Hoje em dia, vive-se um estado de exceção no país, porque esta cadeia foi corrompida. A corrupção de informações e conceitos tornou-se tão ampla e disseminada, que criou-se um novo normal jurídico, onde a exceção tornou-se regra. 

Ponto de partida — a era dos factoides soltos

A primeira trinca no sistema de informações ocorreu com o pacto entre os grupos de mídia, proposto por Roberto Civita, da Editora Abril, inspirando-se no australiano-americano Rupert Murdock.

Os princípios do pacto eram a formação do cartel e, sem contraditório, a disseminação de todo tipo de factoide, de notícias falsas, por mais inverossímeis que fossem, acreditando no poder sempiterno da repetição. 

Ali encerrou-se um ciclo de mídia em que houve relativa competição entre os veículos, relativo respeito à informação, relativo acatamento das teses legitimadoras, impedindo a disseminação de notícias falsas.

Sem o apoio de uma fonte diária de fatos, o modelo era alimentado pela parceria com organizações criminosas, como a de Carlinhos Cachoeira, com a indústria de dossiês associada, que emerge com o caso Lunus de José Serra e que torna-se elemento central da disputa política brasileira.

As eleições de 2006 e 2010 marcaram o coroamento dessa excrescência. A busca de factoides a qualquer preço gerou as peças símbolos do período: a escandalização da tapioca comprada com um cartão corporativo pelo Ministro dos Esportes Orlando Silva. Ou a denúncia de que um servidor da Casa Civil havia comprado os serviços de vinte bailarinas e bailarina era um tipo de vaso ornamental para flores.

Segundo passo — o julgamento do mensalão.

Com o mensalão, o sistema ganha musculatura, porque o julgamento passou a garantir um fluxo continuado de fatos com viés claro. 

A ênfase inicial no julgamento deveu-se à tática de competir com a geração de fatos da CPMI de Carlinhos Cachoeira que expunha as parcerias da mídia com organizações criminosas. 

Em pouco tempo o fato AP 470 se sobrepôs ao fato CPMI de Cachoeira. E a mídia descobriu a eficácia da parceria com o sistema judicial, explorando episódios que garantissem um fluxo diário de fatos.

Ali houve a primeira contaminação, a primeira quebra grave no sistema judicial, fundando-se em uma notícia falsa como peça central de um julgamento relevante. 

Esqueça-se o petismo e o antipetismo, as polêmicas em torno de José Dirceu, a malandragem pouco sutil de Pizolatto, e concentre-se no fato: todo o julgamento baseou-se em uma informação falsa: o desvio de R$ 75 milhões da Visanet. Os próprios funcionários do Banco do Brasil que detestavam Pizolatto asseguraram que jamais ocorreu o tal desvio. 

Posteriormente, a Lava Jato escancarou o gigantesco processo de propinas da Petrobras. Mas a AP 470 se baseou em uma mentira.

A informação falsa foi a peça central da acusação, aventada pelo Procurador Geral Antônio Fernando de Souza, endossada pelo grupo de procuradores que trabalhou no processo e acatada pelo ex-procurador Ministro Joaquim Barbosa e pelo pleno do Supremo.

Como foi possível um fato de tal gravidade ter sobrevivido à tantos filtros? E como foi possível deixar de lado o laudo da Polícia Federal sustentando que a maior parte dos recursos de Marcos Valério foi bancado pelo grupo Opportuniy, do banqueiro Daniel Dantas?

Ali ficou claro que a Corte Maior havia se rendido às paixões políticas. E as análises colegiadas não serviam de filtro às narrativas do Procurador Geral. Pouco depois de deixar a PGR, aliás, Antônio Fernando assumiu um escritório de advocacia que conquistou um mega-contrato da Brasil Telecom, de Dantas. 

Dali em diante, todo o sistema de informações do país entrou em curto-circuito. Mídia, partidos políticos, agentes do Estado, juízes passaram a tratar o fato de forma utilitária, adaptando-o às suas preferências partidárias, adulterando-o se necessário através do recurso da manipulação de ênfases e de interpretações.

Antes, à falta de fluxo constante de notícias, os grupos de mídia esfalfavam-se em factoides sem nenhuma verossimilhança. Com o julgamento do mensalão, descobriu-se o que os golpistas de 1954 sabiam: a base de toda ação desestabilizadora consiste em um evento, com geração diária de fatos e com o controle das versões pelos grupos hegemônicos de mídia. Foi assim na CPI da Última Hora, com Vargas. Foi assim na AP 470.

Terceiro passo — A campanha negativa a partir de 2012. 

Valeram-se desde as falsas ênfases (enfatizar o fato negativo irrelevante para ocultar o positivo relevante) até as falsificações de notícias. No dia da inauguração da arena do Corinthians, a manchete de um jornal foi sobre a falta de sabonete nas pias do banheiro.

Ora, nos Estados Unidos houve o fenômeno mãe, o caso FoxNews, de Murdock. Mas as instituições dispunham de anticorpos, seja no jornalismo referencial de outros veículos, como o New York Times, seja no próprio processo de formação de opinião do Parlamento e do Judiciário. No Brasil todos os grandes veículos embarcaram no mesmo jogo do antijornalismo.

O grande problema foi quando o desvirtuamento das informações atingiu o sistema jurídico. Não apenas os fatos, mas os conceitos passaram a ser deturpados. E a parcialidade da Justiça abriu sua bocarra, através de Gilmar Mendes.

Quarto passo — o fator Gilmar Mendes.

Nenhum outro personagem foi tão daninho à ordem jurídica e ao sistema de informações quanto Gilmar Mendes. No início, meio sutil, depois escancarando sua parcialidade, mostrou seguidamente à opinião pública que a lei, ora a lei, é apenas um instrumento para legitimar a vontade do julgador. Vai perder uma votação? Basta pedir vista por tempo indeterminado. É "inimigo"? O peso da condenação. É "aliado"? A defesa por todos os meios, jurídicos e jornalísticos. O mesmo garantista que interrompeu a Satiagraha se tornou o mais iracundo acusador em operações contra “inimigos”.

A parcialidade criou uma pedagogia negativa, para o público uma demonstração da parcialidade do julgador, abrindo campo para que outros operadores da lei juiz, procurador ou delegado passassem a exercer o subjetivismo em favor de suas preferências pessoais.

Quinto passo — a Lava Jato

Chega-se, finalmente, ao ápice desse modelo na Lava Jato, com o uso disseminado  dos vazamentos, praticados em inquéritos sob sigilo em Curitiba, na Procuradoria Geral da República e no Supremo Tribunal Federal, devidamente amarrados com a agenda do impeachment.

Nesse momentos, instaura-se o novo normal. Não interessam as coletas de provas, indícios, evidências: vale a versão publicada. Não interessa o processo jurídico: vale o julgamento midiático. Todos os vazamentos têm objetivos políticos claros e exibição de músculos por parte de seus autores. E abandona-se definitivamente a presunção da isenção para perseguições políticas ostensivas.

Sexto passo — a campanha do impeachment

A campanha do impeachment é mera consequência dos passos anteriores. E se tornou a comprovação mais acabada do desvirtuamento de fatos e de conceitos.

Agora não são mais procuradores e delegados transformados em editores de jornais, nem deputados paleolíticos com seus gritos guturais e seus rituais selvagens. São também juristas, Ministros do STF, ex-presidente que aderem ao jogo, ou se eximindo ou assumindo de público a constitucionalidade do golpe, em um momento em que todos os fatos são transmitidos em tempo real para o mundo. Por seis decretos de remanejamento de despesas, jogam-se no lixo 54 milhões de votos e assumem interinos, sem mandato popular, comportando-se como conquistadores espanhóis empenhados em destruir a civilização anterior.

É nesse momento que o processo de desconstrução dos fatos, de livre criação de narrativas, ainda que inverossímeis, definem a nova cara institucional do país, o novo normal, trazendo de volta o fantasma da insegurança jurídica. 

A reação instintiva das ruas

E aí ocorre um fenômeno interessantíssimo.

Em que pese todo fogo de barragem dos grupos de mídia, todo o poder de disseminação de versões, de boatos, de factoides, a narrativa do impeachment constitucional não pegou.

Agora, nas ruas, não estão mais as massas tangidas por um sentimento difuso de descontentamento com a crise política, com a falta de perspectivas e com os erros da presidente.

Os manifestantes não são meramente petistas, movimentos sociais, mas também grupos dos mais distintos, segmentos dos mais diversos que entenderam, seja pelos debates na Internet, seja por intuição, a importância da legalidade, do cumprimento das leis, da Constituição, os riscos de retrocesso, muito mais do que a erudição sem consequências de Ministros do Supremo, a exibição de músculos do Procurador Geral, o sebastianismo de procuradores evangélicos e a truculência de delegados barras-pesadas, todos armados até os dentes com instrumentos de poder de Estado.

É essa a grande batalha nacional, onde Dilma ou Temer se tornaram símbolos, muito mais do que protagonistas. Fora do poder, Dilma ganhou uma dimensão simbólica que jamais teve antes em seus tempos de presidente, nem quando gozava de índices elevados de popularidade, muito menos quando atropelou as esperanças populares, após as eleições de 2014.

A batalha do impeachment tornou-se definitivamente a luta da civilização contra a barbárie, dos fatos contra as manipulações, da democracia, ainda que imperfeita, contra o assalto ao poder.

E, dessa avalanche, surge finalmente o melhor do Brasil: a moçada que descobriu a nova política, não mais atrelada a partidos, mas a bandeiras.

O Brasil moderno está em plena efervescência. Não sei se a ponto de derrubar o castelo de manipulações erigido nos últimos anos, mas certamente para confrontar o atraso em um ponto qualquer do futuro.

Luís Nassif
No GGN
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Grupos divulgam lista com golpistas candidatos à prefeituras



O preço chega em forma de lista negra. E ele é composto por nomes de políticos, da Câmara Federal e do Senado, que votaram a favor da ruptura democrática para beneficiar o projeto político de Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, entre outros. A lista foi divulgada por militantes da Frente Brasil Popular. Os parlamentares, orientados por bancadas ou caciques políticos, garantiram o espetáculo deprimente dos 367 votos na Câmara Federal, em 17 de abril, ou os 54 do Senado no dia 11 último. Candidatos a prefeituras das mais diversas cidades, poderão ser lembrados na hora da eleição. Veja quem são os deputados e senadores.

Eles integram legendas como PSB, PP, PRB, PR, PPS, PMDB, PSDB, DEM, PDT, PROS, SD, PSC, PTB e PHS. Uma verdadeira sopa de letrinhas. A razão maior da divulgação da lista não é a contrariedade ao direito do voto, mas a submissão a um modelo político que fez chegar ao poder parlamentares com a ficha suja. Desde acusações de crimes financeiros a delitos contra a vida.

A lista não contempla todos os nomes de políticos que votaram a favor do golpe parlamentar, mas apenas dos que tem se apresentado como candidatos nas próximas eleições municipais.

Valadares Filho (PSB) Aracajú/SE

Jorginho Mello (PR) Balneário Camburiú/SC

Arnaldo Jordy (PPS) Belém/PA

José Priante (PMDB) Belém/PA

Eros Biondini (PROS) Belo Horizonte/MG

Laudivio Carvalho (SD) Belo Horizonte/MG

Marcelo Álvaro Antônio (PR) Belo Horizonte/MG

Rodrigo de Castro (PSDB) Belo Horizonte/MG

Rodrigo Pacheco (PMDB) Belo Horizonte/MG

Abel Mesquita Junior (PHS) Boa Vista/RO

Hiran Gonçalves (PP) Boa Vista/RO

Jhonatan de Jesus (PRB) Boa Vista/RO

Shéridan (PSDB) Boa Vista/RO

Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) Campina Grande/PB

Tereza Cristina (PSB) Campo Grande/MS

Paulo Foletto (PSB) Colatina/ES

Geovania de Sá (PSDB) Criciúma/SC

Jorge Boeira (PP) Criciúma/SC

Professor Victório Galli (PSC) Cuiabá/MT

Luciano Ducci (PSB) Curitiba/PR

Tampinha (PSD) Curral de Dentro/MT

Geraldo Resende (PMDB) Dourados/MS

Washington Reis (PMDB) Duque de Caxias/RJ

Moroni Torgan (DEM) Fortaleza/CE

Ronaldo Martins (PRB) Fortaleza/CE

Vitor Valim (PMDB) Fortaleza/CE

Delegado Waldir (PR) Goiânia/GO

Fábio Sousa (PSDB) Goiânia/GO

Giuseppe Vecci (PSDB) Goiânia/GO

Jovair Arantes (PTB) Goiânia/GO

Thiago Peixoto (PSD) Goiânia/GO

Eli Corrêa Filho (DEM) Guarulhos/SP

Jouscelino Filho (DEM) Imperatriz/MA

Altineu Côrtes (PMDB) Itaboraí/RJ

Alexandre Valle (PR) Itaguaí/RJ

Anderson Ferreira (PR) Jaboatão/PE

Fabio Garcia (PSB) Jangada/MT

Efraim Filho (DEM) João Pessoa/PB

Wilson Filho (PTB) João Pessoa/PB

Marco Tebaldi (PSDB) Joinville/SC

Carmen Zanotto Lages/SC

Marcelo Belinati (PP) Londrina/PR

Cícero Almeida (PMDB) Maceió/AL

JHC (PSB) Maceió/AL

Alfredo Nascimento (PR) Manaus/AM

Conceição Sampaio (PP) Manaus/AM

Hissa Abrahão (PDT) Manaus/AM

Marcos Rotta (PMDB) Manaus/AM

Pauderney Avelino (DEM) Manaus/AM

Silas Câmara (PRB) Manaus/AM

Beto Rosado (PP) Mossoró/RN

Fábio Faria (PSD) Natal/RN

Felipe Maia (DEM) Natal/RN

Rafael Motta (PSB) Natal/RN

Sergio Zveiter (PMDB) Niterói/RJ

Jony Marcos (PRB) Nossa Senhora do Socorro/SE

Simão Sessim (PP) Nilópolis/RJ

Carlos Henrique Gaguim (PTN) Palmas/TO

Gonzaga Patriota (PDB) Petrolina/PE

Danrlei de Deus Hinterholz (PSD) Porto Alegre/RS

Derly (Rede) Porto Alegre/RS

Onyx Lorenzoni (DEM) Porto Alegre/RS

Lindomar Garçon (PRB) Porto Velho/RO

Mariana Carvalho (PSDB) Porto Velho/RO

Daniel Coelho (PSDB) Recife/PE

Duarte Nogueira (PSDB) Ribeirão Preto/SP

Indio da Costa (PSD) Rio de Janeiro/RJ

Pedro Paulo (PMDB) Rio de Janeiro/RJ

Marcelo Crivella (PRB) Rio de Janeiro/RJ

Romário (ex-jogador) (PSB) Rio de Janeiro/RJ

Edinho Araújo (PMDB) Rio Preto/SP

Heuler Cruvinel (PSD) Rio Verde/GO

Marcio Marinho (PRB) Salvador/BA

Francisco Chapadinha Santarém/PA

João Paulo Papa (PSDB) Santos/SP

Toninho Pinheiro (PP) São Joaquim de Bicas/MG

Eliziane Gama (PPS) São Luis/MA

João Castelo (PSDB) São Luis/MA

Dr. Jorge Silva (PHS) São Matheus/ES

Celso Russomanno (PRB) São Paulo/SP

Marta Suplicy (PMDB) São Paulo/SP

Paulo Maluf (PP) São Paulo/SP

Marco Feliciano (PSC) São Paulo/SP

Moses Rodrigues (PMDB) Sobral/CE

Rodrigo Martins (PSB) Teresina/PI

Marcos Montes (PSD) Uberaba/MG

Odelmo Leão (PMDB) Uberlândia/MG

Tia Eron (PRB) Vera Cruz/BA

Max Filho (PSDB) Vila Velha/ES

Carlos Manato (SD) Vitória/ES

Lelo Coimbra (PMDB) Vitória/ES

No Conexão Jornalismo
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Odebrecht teria denunciado propinas para grupos de mídia

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/06/05/grupos-de-midia-constarao-da-delacao-de-odebrechet/


A grande surpresa da delação premiada de executivos da Odebrecht, incluindo a do seu presidente afastado, Marcelo, pode ser a implicação de grupos de mídia no roteiro de corrupção e de pagamentos de propinas.

A Odebrecht teria financiado vários projetos midiáticos, principalmente produtos especiais que não guardariam relação nenhuma com a sua atividade, a partir de acordos realizados com políticos e partidos para que aqueles meios de comunicação lhe garantissem apoio eleitoral.

Profissionais da área sabem que quando um produto desses chega sem muito justificativa e é apoiado por uma grande empresa que tem relação com governos, a linha editorial terá de se adaptar ao gosto do freguês.

Que não é a empresa patrocinadora, mas o governo que fez a ponta para que o patrocínio ocorresse.

Até o momento, porém, nenhuma empresa investigada na Lava Jato teria revelado essa parte do esquema de pagamento de propinas.

O grupo Odebrecht decidiu fazê-lo por conta dos ataques duros que sofreu desses mesmos grupos durante o tempo que se negou a fazer o acordo de delação premiada.

Há o risco, porém, de que esse capítulo, um dos mais reveladores da investigação e da relação promíscua da mídia com a corrupção política, vir a ser excluído da delação final.

Alguns procuradores estariam fazendo pressão para que a empreiteira desistisse de tratar do tema, alegando falta de provas mais contundentes. Mas o verdadeiro motivo é o receio de que isso provoque a ira da mídia contra a Operação Lava Jato.

O fato é que as notas fiscais desses grupos de comunicação para empresas da Lava Jato e que têm contrato com governos seriam, segundo pessoas que tiveram acesso a delação da Odebrecht, parte do esquema de legalização de caixa 2 e do pagamento de propinas.

Seriam compra de apoio editorial sem a necessidade do uso da propaganda oficial.
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“Às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência”

11 de janeiro de 1920 - 05 de junho de 2016





http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/as-favas-senhor-presidente-com-os-escrupulos-de-consciencia/

1 de março de 2009

Não sei se você já ouviu esta frase aí em cima. No dia 13 de dezembro de 2008, completaram-se quatro décadas, desde que o governo dos generais mandou às favas os escrúpulos, e decretou o AI-5. Foi o golpe dentro do golpe. A ditadura sem pudor, escancarada. Sem escrúpulos.

A frase foi dita por Jarbas Passarinho (na época, Ministro do Trabalho de Costa e Silva), durante a reunião que decretou o Ato Institucional, em 13 de dezembro de 68. Eu já tinha lido sobre a frase algumas vezes. Mas, uma coisa é ler, outra é ouvir, da boca de quem a proferiu. Alguns meses atrás, eu fui entrevistar o Passarinho, pra uma série de reportagens que fizemos no Jornal da Record, sobre “1968 – O Ano que Mudou o Mundo.”

O ex-ministro é hoje um senhor alquebrado, que anda com dificuldade. Atencioso, camarada, Passarinho não faz o estilo militar durão. A gente acaba simpatizando com ele. Enquanto Passarinho descrevia o clima da época, eu refletia sobre a fragilidade de todos nós: o homem poderoso, capaz de mandar às favas os escrúpulos, hoje é um velhinho de quem a gente quase sente pena.

Na conversa, ele repetiu a frase. Nós botamos isso na edição da matéria. E reproduzimos o áudio da reunião em que Costa e Silva e os ministros mergulharam o Brasil em noite profunda e duradoura. Não sei se o impacto é grande para o telespectador. Pra mim, foi enorme. Na hora em que Passarinho repetiu a frase de 40 anos atrás, esqueci que ele está velho, esqueci que o tempo passou, e quase tive vontade de gritar: “Não, não!” Tive vontade de voar no pescoço dele...

Mas, meus “escrúpulos de consciência” falaram mais alto. Disfarcei a raiva, controlei-me e segui a entrevista.

Esse tumulto todo me atordoou um pouco. Tumulto provocado pelo fato de, num primeiro momento, simpatizar pessoalmente com aquele homem que ajudou a construir uma ditadura perversa no Brasil. Tumulto aumentado pelo fato de, no minuto seguinte, sentir raiva dele. Tudo bem, o Passarinho, pelo que se sabe, não foi torturador, não é um assassino cruel. Mas, abriu caminho para que outros assassinos fizessem o serviço. Isso tudo passou pela minha cabeça em 30 segundos, enquanto Passarinho falava, e a câmera registrava tudo.

Esse pequeno tumulto interior, minhas emoções contraditórias: nada disso entrou na reportagem. Ou melhor, não entrou explicitamente. Porque, na edição final, ficou claro o que o AI-5 significou para o país.

Se o jornalista deve – sempre – fazer um esforço para escutar as várias partes envolvidas num acontecimento, não pode se iludir com o discurso da “neutralidade” que muitos tentam vender como a marca da profissão. Neutralidade não existe. Isso é besteira. É uma forma ideológica de mascarar os intereses envolvidos na produção e reprodução das notícias (depois, voltarei a esse tema, lembrando reflexões do grande Cláudio Abramo sobre o assunto).

Como ser “neutro” diante do AI-5?

Posso – e devo – ouvir personagens como Passarinho e Delfim Neto (outro que assinou o AI-5), abrindo espaço para que eles expliquem suas razões ao público. Mas, não posso aceitar o que eles fizeram. Tenho posições claras, como cidadão e como jornalista (espero que na reportagem sobre o AI-5 isso tenha ficado claro).

Por isso, não tenho problema nenhum em afirmar com todas as letras:

“às favas, senhores leitores, com qualquer escrúpulo de neutralidade”.
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Dora

Lembrança remotíssima: Dorival Caymmi na nossa casa. Naquela época, pré-televisão, pré-cadeias de rádio, os artistas viajavam e faziam programas nas rádios locais. O apresentador do programa normalmente prefaciava cada música com um pequeno texto poético, insuportável. Depois de um desses programas numa rádio de Porto Alegre, Caymmi foi visitar meu pai, que tinha reunido um grupo de amigos para recebê-lo. Caymmi levou o violão e cantou.

Lembro-me de alguém que o tinha ouvido no rádio comentar: ele tem a cara da voz. Aquela cara não podia ter outra voz, aquela voz não podia ter outra cara. Nunca ouvi voz parecida — até conhecer outro baiano, o João Ubaldo Ribeiro. Diziam que a voz do João Ubaldo era plágio da voz do Caymmi. E o João Ubaldo também cantava muito bem. Segundo ele, só não cantava profissionalmente para não humilhar o conterrâneo.

Lembrança não tão remota (só 52 anos): Lúcia e eu num sítio em Araras emprestado ao jovem casal para sua lua de mel pelo escritor Vianna Moog. Durante toda a nossa estada no sítio, a eletrola só tocou um long-play. Do Caymmi. Faixa mais repetida: “Dora”. A rainha do frevo e do maracatu.

Todos nós temos algumas frases musicais guardadas no peito. Um arquivo de frases musicais perfeitas, que se carrega até com um certo ciúme de proprietários. Qual é a frase musical definitiva do Caymmi? Para muitos é o “oh insensato coração, por que me fizeste sofrer”, de “Só louco”. Para outros, é o “e assim adormece esse homem que nunca precisa dormir pra sonhar”, de “João Valentão”. Eu escolho a frase musical declaratória sem igual do Caymmi ,“os clarins da banda militar, tocam para anunciar, que a sua Dora agora vai passar...”

Cinquenta e dois anos. Além da eletrola e do long-play, aquele também era tempo de golpe (o militar, lembra?) iminente e incertezas mudas. Mas nos nossos poucos dias no sítio de Araras os clarins não pararam de tocar.

Luís Fernando Veríssimo
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Tempo de avanços

Michel Temer só anda em marcha a ré, nos recuos diários, mas outros avançam por ele. Avançam nos direitos alheios, avançam contra princípios e leis, avançam nos truques, malandragens e golpinhos em benefício próprio ou do seu grupo.

As notícias de que a dúvida assedia senadores pró-impeachment alarmaram parte da imprensa, que voltou ao ataque a Dilma, e levaram à criação de novos golpinhos pelos governistas. Encurtar o prazo do processo no Senado, como pretendido por Michel Temer, é um casuísmo indecente. E indicativo de que o governo prevê estar incapaz, em setembro, de se aguentar.

Na mesma linha é a atitude do relator Antonio Anastasia, comandado de Aécio Neves (PSDB-MG), que rejeitou a inclusão, nos elementos de defesa, das gravações e delação de Sérgio Machado. Seriam "estranhas ao objeto deste processo", diz ele. Trata-se de processo de impeachment e as falas gravadas tratam, em grande parte, do impeachment. Há toda a pertinência em figurarem na acusação ou na defesa. A recusa de Antonio Anastasia é uma arbitrariedade, pessoal e processual, e restringe o direito de defesa. Em linguagem mais à altura anã da atitude, é um golpe baixo.

"Eu acho" é o verbo e o tempo verbal mais apreciados pelos brasileiros. Serve para muito mais do que expor opinião. "Eu acho que tem que ser assim" é definitivo, não opina. E assim aparece em muitas das frases de Romero Jucá (PMDB-RR) que propõem "um pacto" para "delimitar" a Lava Jato "até aqui", e sustar no ponto em que está "a sangria" do meio político.

No Senado articula-se, porém, a limitação de "achar" ao sentido de opinião, para derrubar o pedido de Conselho de Ética para Jucá. Ambos também do PMDB, o presidente do Conselho, João Alberto Souza (MA), e Renan Calheiros (AL) são os patronos da nova lexicologia. Por "achar" que Nestor Cerveró devia fugir, uma fuga que não resultaria em "delimitação" da Lava Jato, Delcídio do Amaral foi cassado pela unanimidade do Conselho de Ética.

A propósito de Romero Jucá, a Lava Jato, rápida na prisão de Delcídio, não se distingue muito do Senado. Mas tem novidades próprias, em uma de suas especialidades. Condicionar o acordo de delação premiada de Marcelo Odebrecht à disposição do seu pai de "também falar" é uma forma brutal de coerção. O envolvimento de familiares é um método muito ao gosto das ditaduras, e foi prática comum na ditadura militar. Não é necessário invocar a Alemanha nazista, portanto, para atestar a indignidade desse método.

Por sua recusa, até há pouco, a admitir a delação premiada, Marcelo Odebrecht é mantido preso há um ano. Pode-se compreender que a Lava Jato queira ouvir também o ex-presidente Emílio, responsável pelos maiores saltos de crescimento e capacitação do grupo empresarial, hoje operando em muitos países. Mas, para ouvi-lo, pôr em suas mãos a liberdade ou a prisão do próprio filho, é moralmente inadmissível.

A outra novidade não está no método, já conhecido. Está em sua persistência, já com mais de dois anos. O possível acordo de delação premiada do presidente da OAS foi suspenso porque Léo Pinheiro nega qualquer papel de Lula na reforma do apartamento e nas obras do sítio. Estas, pedidas por Paulo Okamotto, e aquela decidida pela empreiteira, sem que houvesse venda. Ou Léo Pinheiro diz o esperado pelos interrogadores ou não haverá delação premiada, porque a Lava Jato não crê no que está dito. Se, contudo, há descrença, é uma razão a mais para investigar –o que a Lava Jato pouco faz ou nem faz– e não para coerção.

Como complemento desse ambiente que começa no Congresso e termina na arbitrariedade ou na cadeia, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, diz esperar dos funcionários que não apoiem o governo de Temer "a dignidade de pedir suas exonerações". O ministro talvez não saiba que os servidores públicos federais são da União, não dos governos. Alheios à versão Temer: ame-o ou deixe o emprego.

Janio de Freitas
No fAlha
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O chilique da direita com a entrevista de Dilma


A jornalista Monica Bergamo, da Folha,  entrevistou Dilma e ninguém a chamou de “chapa-branca” por isto.

Em qualquer lugar do mundo, uma presidente afastada num processo tumultuado politicamente seria notícia e personagem de entrevistas a TVs, jornais e revistas.

Aqui, salvo a solitária exceção de Bergamo, não.

A Folha anunciou a disposição do presidente  reintegrado da TV Brasil de realizar o jornalismo que a grande mídia não quer fazer, por evidente razão política: a condenação de Dilma ao silêncio.

Foi o que bastou para agitar a matilha da direita.

“Como é que vão deixar aquela mulher falar?” é o complemento do “como é o que vão deixar aquela mulher viajar/” e, até, como se viu hoje, “o como é que vão deixar aquela mulher comer?

O site O antagonista, onde a presença de Diogo Mainardi dispensa maiores explicações sobre sua natureza, partiu para a figuração de uma operação de guerra.

Publica, às 15 horas, que “Ricardo Melo dá novo vexame. Ricardo Melo está na redação da EBC. Aos berros, exige passagem aérea de São Paulo para Brasília para que Luís Nassif entreviste Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, amanhã, às 17h”.

Ocorre que, como você pode ver no cartão de embarque reproduzido acima, Melo estava acabando de chegar em São Paulo, vindo de Brasília.

Os “meninos” da direita da direita, que não cabem nem na Veja, estão nervosos, à beira de um ataque de nervos.

Por que será?

Fernando Brito
No Tijolaço
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