4 de jun de 2016

Busca de nexo político


Acontecimentos políticos do país, com fortes repercussões econômicas e na esfera do poder, estão merecendo melhores explicações. Sinto-me, muitas vezes, assediado por versões grotescas dos fatos. Ouço a cantilena de pessoas que são repassadoras de informações da Globo, Folha, Veja, Época, CBN e outros canais de mídia do capital, a dizer coisas do tipo: “Tudo ocorre porque governos gastaram mais do que conseguiam arrecadar. Então, criaram déficits públicos e, como não há mais a possibilidade de tomar empréstimos, passa-se a dar pedaladas e a pegar dinheiro em bancos públicos”. Argumentos como este são ouvidos em diversos lugares.

Tudo se resume em definir prioridades para onde o dinheiro público deve ir. Se vai para beneficiar os mais ricos, como no caso do Proer, ou os mais carentes, como o Bolsa Família. Por exemplo, não há um canal de mídia que proponha a auditoria da dívida como forma de descobrir se ocorreram fraudes no seu cálculo e, dependendo do resultado, diminuir o pagamento das parcelas de juros. O Equador fez auditoria da sua dívida e encontrou erros que a reduziram em 70%.

A alternativa única daqueles que são vassalos dos donos de papéis do governo brasileiro é retirar recursos dos programas sociais para pagar os juros da dívida, mesmo discurso da Globo et caterva. Henrique Meireles se subordina, como bom vassalo, também a este pensamento. Eles não se importam se tais juros carregam suor e sangue de brasileiros. Estes juros são intocáveis, como um décimo primeiro mandamento de Deus.

Em compensação, os neoliberais simplesmente não falam da inclusão social que ocorreu nos governos petistas. São 36 milhões de pessoas que saíram da linha da miséria, além de outro tanto, que não eram miseráveis e ascenderam a níveis superiores. Deveria ser considerada como um “roubo” a ineficiência dos governantes anteriores a Lula, que não propiciaram esta ascensão. Ou seja, eles furtaram dos miseráveis melhorias na condição de vida. Quando se fala aos neoliberais sobre a inclusão social dos governos petistas, eles argumentam que Fernando Henrique foi o criador do Bolsa Família, como tergiversação para iludir eventuais ouvintes inocentes, pois os tucanos não promoveram inclusão social significativa.

É louvável a busca para descobrir os roubos que existiram no país. É criticável a tendência de se buscar criminalizar só o PT, quando, por exemplo, atos altamente comprometedores aconteceram na Petrobrás, na administração do presidente Fernando Henrique Cardoso. Sobre este tema vale a pena ler o artigo “Em defesa da Petrobrás”, que está no site do Clube de Engenharia. Como já é lugar comum, o governo deste presidente foi blindado contra qualquer acusação, muitas das quais eram possíveis casos verdadeiros, pelo “seu” procurador geral Geraldo Brindeiro.

Entretanto, os humanos, que na verdade são estações repetidoras da Globo, não cansam de dizer que o governo Lula foi o mais corrupto do país. Quem diz isto não pode estar falando sério. Para se afirmar tal coisa, seria necessário saber quanto roubo ocorreu em cada governo brasileiro passado. Isto não existe! Quem rouba busca esconder o malfeito. Os que querem ser iludidos, porque têm esperança de virem a fazer parte da elite ou são simples adoradores dela, acreditam, por exemplo, que o governo Fernando Henrique Cardoso é o paradigma da retidão.

No entanto, imaginem todas as privatizações sendo realizadas “no limite da irresponsabilidade”. Mas como o judiciário e a mídia divulgam seletivamente os erros do PT, nos últimos tempos, não é de se estranhar o ódio criado na sociedade ao partido. Contudo, o roubo fazia parte da política nacional, inclusive porque dele provinham os recursos pagos a congressistas que chantageavam o Executivo para a aprovação de projetos colocados por este poder. Quiçá, agora, o roubo seja reduzido e o Congresso moralizado.

Quando houver provas sobre roubos praticados, quem roubou deve sofrer as penalidades da lei. Mas a tese do “domínio do fato” afronta o princípio da presunção da inocência, porque é sempre usada quando não há provas irrefutáveis. Pela presunção da inocência, é preferível errar livrando um criminoso a penalizar um inocente. No entanto, na situação absurda de não prevalecer este princípio, que façam a tese prevalecer indiscriminadamente e se leve para a cadeia também o Fernando Henrique. Para ele, bastaria um julgamento, cuja tramitação deve ser menos demorada, o da compra de votos para a reeleição, pois para testemunhar existe um réu confesso, o ex-deputado Ronivon Santiago, e um delator da Lava-Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa.

Cito alguns enigmas políticos não bem decifrados, para mim. Quais são as forças políticas internas e externas que querem o impeachment e com quais intuitos? Supondo que o governo Dilma seja extinto, qual será a missão do Temer, depois de abocanhar o poder? Por que razão forças, tanto de direita quanto de esquerda, estão querendo fazer eleição direta para presidente já?

Com relação ao primeiro enigma, as forças políticas são a oligarquia interna, exploradora da massa trabalhadora, e as corporações estrangeiras, que querem se apoderar dos lucros proporcionados pelo mercado brasileiro e dos nossos recursos naturais, em especial, o Pré-Sal. Em outras palavras, querem continuar retirando parcela do fruto do trabalho da sociedade e parcela dos recursos naturais do país. Ou seja, querem voltar a dominar a sociedade brasileira, dominação esta que não estava tão bem assentada nos governos petistas.

O objetivo do governo Temer é dar um choque neoliberal na nossa sociedade, com extinção ou redução de programas de alto impacto social, como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Fies, o Pronatec, o sistema de cotas e outros. O capital não dá trégua. Merece alertar que os péssimos ministros, aos olhos da esquerda, que Temer escolheu, são os ideais para impor o programa neoliberal e antissocial pretendido.

No entanto, a implantação deste programa está sendo caótica. Não escolher uma mulher e um negro no seu primeiro ministério foi um erro. Diminuir o status da Cultura, do Desenvolvimento Agrário e de outros órgãos, assim como juntar Ciência, Tecnologia e Inovação com Comunicações, chega a beirar a estupidez. Não haverá ministro que consiga se aprofundar em todos os temas deste novo Ministério.

O capital insistirá em impor as teses liberais na economia, enquanto existir a humanidade, pois os seres gananciosos sempre existirão. O antídoto contra estes seres prejudiciais ao conjunto da espécie é a conscientização política e não é por outra razão que o governo Temer já busca modificar o currículo estudantil, retirando as cadeiras de sociologia e filosofia e restringindo o ensino de história e biologia. Temer cutuca os movimentos sociais com a mesma vara curta que se cutuca temerariamente a onça.

Neste momento, parte da direita está querendo tirar Temer, após a defenestração da Dilma, exatamente pelos erros políticos citados, que possivelmente continuarão a acontecer. Os erros já ocorridos chegam ao ponto de Dilma ameaçar o resultado da próxima votação do impeachment no Senado, reconduzindo-a à presidência, apesar de todo apoio da mídia. Irão querer comprar o voto de eventuais senadores corruptos, se existirem, para garantir a perda de Dilma nesta próxima votação.

Assim, parte da direita quer eleição direta para os cargos de presidente e vice-presidente, mesmo que a última vacância se dê na segunda metade do mandato da chapa. Porque, se for na primeira metade, a própria Constituição já prevê que haja eleição direta para tais cargos. Notar que a Carta Magna prevê também eleição indireta pelo Congresso dos dois cargos, no caso da vacância do vice-presidente ocorrer na segunda metade do mandato. Esta opção não é aceita pela própria direita, que tem medo do nascimento de um novo Temer, produto fisiológico das bancadas majoritárias do Congresso: as da bala, do boi, da Bíblia, dos planos de saúde, da educação privada e outras. A sociedade também não quer eleição indireta, por lembrar a ditadura.

Para que a segunda vacância ocorra, em qualquer época, é necessário que Temer renuncie, o que não é garantido, haja vista o que este senhor fez por uma perspectiva esdrúxula de poder. A bem da verdade, existe também a possibilidade de o TSE julgar o processo de impugnação da chapa Dilma e Temer, hoje em tramitação, os afastando. Este pode ser um instrumento para retirada de Temer.

Entretanto, a direita não quer eleição direta com Lula presente por medo de perder. Para resolver a questão, o juiz Moro tem a incumbência de criminalizar Lula para tirar seus direitos políticos. Além disso, o PT precisa ser definido como organização criminosa para perder seu registro como partido e, assim, retirar a possibilidade de um Haddad, por exemplo, vir a substituir Lula como candidato à presidência. Chamam esta possibilidade de golpe dentro do golpe. Contudo, creio que estão esquecendo Roberto Requião em outro partido, pois o PMDB nunca dará legenda a ele, ou Ciro Gomes.

Minha grande estranheza é ver integrantes da esquerda também proporem eleições diretas já. Se existir algum senador, correligionário da presidente, com dúvida com relação à próxima votação no Senado, não por achar que ela cometeu crime de responsabilidade, mas por ter cometido erros na economia, eticamente não deve expressar seu desejo de eleição direta.

A presidente cometeu erros (sim!), sendo o último deles o de aceitar o projeto de lei 131 do José Serra, emendado por Romero Jucá, que permite a entrada das petrolíferas estrangeiras no Pré-Sal como operadoras. Contudo, votar a favor do retorno de Dilma é certamente a melhor opção. Não se pode comparar os erros dela com o desastre que seria o governo Aécio. Além do mais, teve grandes acertos também, principalmente nas áreas social e de relações internacionais.

Por último, lembro que não se deve interromper, nunca, regras estabelecidas pela Constituição em cima dos acontecimentos, por se tratar de casuísmo. Não se pode confundir a sociedade, que precisa cada vez votar melhor, e para aprender, através de tentativa e erro, precisa de constantes votações nas épocas constitucionalmente previstas.

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania
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O Colapso de Credibilidade de Michel Temer – Agora inelegível por oito anos

Desde o começo, ficou evidente que o processo de impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff, tinha como objetivo principal o fortalecimento dos verdadeiros ladrões de Brasília, permitindo assim que impeçam, obstruam e ponham fim às investigações da Operação Lava Jato (além de imporem uma agenda neoliberal de privatizações e austeridade extrema). Apenas 20 dias após assumir o poder, provas irrefutáveis do envolvimento do Presidente interino Michel Temer em escândalos de corrupção vieram à tona. Dois ministros interinos de seu gabinete composto apenas de homens brancos, incluindo o Ministro da Transparência, foram forçados a abandonar seus cargos depois do aparecimento de gravações secretas em que conspiram visando obstruir as investigações nas quais se encontram envolvidos, assim como 1/3 dos ministros do gabinete interino.


Mas os alarmantes níveis de corrupção de seus ministros têm por vezes servido para encobrir o envolvimento do próprio Temer. O interino também se encontra envolvido em diversas investigações de corrupção. Agora condenado formalmente por violações de leis eleitorais, encontra-se por oito anos impedido de se candidatar a qualquer cargo público. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, estado do presidente interino, publicou uma certidão formal que o declara culpado e impedido de se candidatar a qualquer cargo público por ter se tornado um candidato “ficha suja”. Temer foi condenado por doações acima do limite de campanha permitido por lei.

Em meio a intrigas, corrupção e irregularidades no governo “interino”, as violações da lei não são a mais grave transgressão de Temer. Mas ainda assim revelam de forma evidente a fraude antidemocrática que a elite brasileira tenta perpetrar no país. Em nome da corrupção, a presidenta eleita democraticamente foi afastada e substituída por alguém que, apesar de não estar impedido por lei de assumir cargos públicos, encontra-se por oito anos impedido de se candidatar ao cargo que exerce no momento.


Apenas algumas semanas atrás, o impeachment de Dilma parecia inevitável. Até então, toda a atenção da mídia oligárquica brasileira era dirigida exclusivamente à presidenta. Mas gradualmente as atenções se voltaram para quem estava organizando o processo de impeachment, para quem se fortaleceria e para seus motivos reais.

Então, tudo mudou. Agora, o impeachment de Dilma, embora ainda seja provável, não parece mais ser completamente inevitável. O Globo, informou na semana passada que dois senadores anteriormente favoráveis ao afastamento da presidenta, já admitem rever seus votos por conta das gravações recentemente publicadas dos ministros de Temer. Além disso, a Folha de S.P. ontem também noticiou que diversos senadores estudam a mudança de seus votos. É importante observar que os meios de comunicação brasileiros pararam de publicar pesquisas de opinião sobre a popularidade de Temer e sobre o impeachment de Dilma.

Enquanto isso, a hostilidade a esse ataque à democracia cresce tanto no Brasil, quanto no exterior. Os protestos contra Temer têm crescido e se intensificado. Mais de vinte deputados britânicos revelaram que consideram o impeachment um golpe. Mais de trinta deputados do Parlamento europeu reivindicaram o fim das negociações comerciais com o governo “interino” brasileiro por considerá-lo ilegítimo. O grupo anticorrupção Transparência Internacional anunciou que interromperia os diálogos com o novo governo até que a corrupção fosse eliminada dos novos ministérios. Em uma reportagem sobre a demissão do Ministro da Transparência nesta semana, o New York Times descreveu-a como “mais uma derrota para um governo que parece se atrapalhar em sucessivos escândalos poucas semanas depois de Temer substituir Dilma Rousseff.”

The incumbent president, Michel Temer, during inauguration ceremony of the presidents of public banks and Petrobras, in Planalto Palace, in Brasilia, capital of Brazil, on 1 June 2016. Fearing used the event to take stock of the first days of his interim government and highlight the "scenario" in which he found the country after the departure of President Dilma Rousseff. Photo: ANDRE DUSEK/ESTADAO CONTEUDO (Agencia Estado via AP Images)
Photo: Agencia Estado/AP
Mas nada explica melhor a perigosa farsa que as elites brasileiras tentam impor à população do que o líder por eles escolhido ser impedido de se candidatar ao cargo que acabou de assumir, devido a uma condenação judicial. Não se trata apenas da destruição da democracia no quinto país mais populoso do mundo, tampouco da imposição de uma agenda de privatizações e ataque aos pobres para benefício da plutocracia internacional. Trata-se do fortalecimento de operadores corruptos – desrespeitando as regras democráticas – cinicamente conduzido em nome da luta contra a corrupção.

* * *

Ontem, em um evento no Rio de Janeiro com David Miranda e Nathalie Drumond, fui perguntado — como sempre sou nestes eventos — sobre o possível envolvimento dos Estados Unidos na mudança do governo. Abaixo, um vídeo com 4 minutos de minha resposta:



Glenn Grenwald
No Intercept
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Ciro Gomes: "Michel Temer é testa de ferro de Eduardo Cunha"


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Os comandantes da venda da reeleição de FHC estão de volta com Temer


Ao iniciar esta série de reportagens, em janeiro deste ano, a emenda que alterou a Constituição e permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso era um assunto que, para alguns, deveria estar confinada aos livros de história. Mas eis que, trazido o assunto à baila, começaram a surgir notícias inéditas.

A emenda foi comprada, com a participação de um grupo de grandes empresários, entre eles o dono do Banco Itaú, Olavo Setúbal, segundo denunciou o ex-deputado Pedro Corrêa, um dos líderes da Câmara dos Deputados na época, hoje prisioneiro da Operação Lava-Jato.

Dezessete anos depois, os vencedores de então, que alteraram a Constituição e instituíram a reeleição, voltaram ao centro do poder, ao aprovar no mesmo Congresso Nacional o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Michel Temer é um caso à parte. Foi governo sob Fernando Henrique Cardoso e também sob Lula e Dilma, mas, antes de assumir a presidência da República, o grande salto que havia dado na política foi a eleição para a presidente da Câmara dos Deputados em 1997. Para chegar lá, o compromisso que assumiu foi aprovar a emenda da reeleição.

E ele pagou a fatura logo no começo. Um dos seus primeiros atos na presidência da Câmara foi colocar a emenda para votação em segundo turno — ela há havia sido aprovada na gestão de Luís Eduardo Magalhães.

Confirmada em segundo turno, a emenda foi para o Senado, onde também foi votada duas vezes. No dia da aprovação em definitivo, com a consequente promulgação, Temer e o senador Antônio Carlos Magalhaes, presidente do Senado, lideraram uma comitiva de líderes partidários que atravessou a pé a Praça dos Três Poderes e foi até o Palácio do Planalto para entregar uma cópia da emenda.

Era um gesto simbólico, já que, em casos de emendas constitucionais, o presidente da República não tem papel algum. Não sanciona nem veta, apenas cumpre. Com esse gesto, entretanto, Temer e ACM pareciam dizer: missão cumprida.

ACM morreu e Temer chegou ao topo da política brasileira. Com ele, outros comandantes da emenda que traz o carimbo “comprada” também chegaram lá — ou voltaram ao poder com o impeachment de Dilma.

Mendonça Filho, o autor do projeto de emenda constitucional, hoje é ministro da Educação, e Aloysio Nunes Ferreira, na época deputado pelo PMDB, foi indicado líder do governo Michel Temer no Senado.

Geddel Vieira Lima, ministro-chefe da Secretaria de Governo, foi um dos articuladores da aprovação da emenda na Câmara dos Deputados, que teve o apoio de Henrique Alves, atual ministro do Turismo, e Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente.

No Senado, um dos defensores da emenda foi José Serra, atual ministro das Relações Exteriores. No dia da votação da emenda que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi à tribuna rebater a denúncia de que houve compra de votos.

“Se algum senador sabe de alguma compra de votos no Senado, deve se manifestar agora”, disse, em tom de desafio. Ninguém se manifestou.

Naqueles dias, até Fernando Henrique Cardoso admitia o mercado de votos no Congresso. Ele tinha o costume de registrar um diário, num gravadorzinho, com mensagens que eram transcritas por assessores.

Os registros estão sendo transformados em livro. No segundo volume de “Diários da Presidência – 1997-1998”, que acaba de lançar, Fernando Henrique admite que houve compra de votos, mas faz a referência de maneira vaga e terceiriza responsabilidades. “Certamente não há envolvimento do governo federal”, escreveu.

“Renunciaram os dois deputados mais acusados na questão do Acre — diz ele —, boatos de que haveria gravações sobre Roraima também, até pode ser, porque essa gente toda é mais ou menos equivalente nas práticas de mercadejar votos”, escreve. Na narrativa de Fernando Henrique Cardoso, nenhuma referência Olavo Setúbal.

“Certamente não há envolvimento do governo federal (e Olavo Setúbal?), mas há envolvimento de um lado e do outro, de partidários da tese da reeleição e contrários nos estados referidos. Na verdade, também do setor malufista. Dizem até que houve mais barganha pelo lado do Maluf”, escreveu. “No fundo, são alguns malandros que ficam sujando os nomes das instituições”, registrou.

Nas gravações do Senhor X (em seu Diário, Fernando Henrique já sabia que era Narciso Mendes, “um bandido”), que escancaram o esquema da compra de votos, outro deputado influente do governo Temer, linha de frente do impeachment, aparece como aliciador de deputados para voto favorável à emenda da reeleição.

Trata-se de Pauderney Avelino, do DEM do Amazonas. Em gravações clandestinas bem mais recentes, do ex-senador Sérgio Machado com Renan Calheiros, Pauderney aparece de novo. Machado, também ele um expoente da emenda da reeleição, na época senador pelo PSDB, hoje enroladíssimo na Lava Jato, está gravando a conversa, sem que Renan saiba. Machado comenta, a propósito do destaque que a mídia dá à articulação de Pauderney Avelino pela impeachment de Dilma:

— Como que você tem cara de pau, Renan, aquele cara Pauderney que agora virou herói. Um cara mais corrupto que aquele não existe, Pauderney Avelino.

Renan assente:

— Pauderney Avelino…

A escandalosa aprovação da emenda da reeleição não é o único traço que distingue os novos governantes do Brasil. A relação privilegiada com a Rede Globo de Televisão também é digna de registro.

Um deputado federal me contou que, quando da cassação do deputado Sérgio Naya, estava presente numa reunião com Temer, então presidente da Câmara, e Geddel Vieira Lima, líder do governo.

Ninguém defendia Naya, naqueles dias pós-desabamento de um prédio construído por ele no Rio de Janeiro, mas alguns diziam que não havia um fato ligado ao mandato para justificar a cassação. Temer e Geddel encerraram a discussão com uma frase definitiva, dita por um deles, o deputado não lembra exatamente quem, pois os dois falavam a mesma coisa:

— Nós vamos cassar sim, e vamos cassar porque a Globo quer.

A Globo já mantinha um funcionário em Brasília para cuidar exclusivamente do Congresso, diretor de relações institucionais (lobista). Foi esse diretor que, segundo o mesmo deputado, vetou em 1995 a nomeação de um deputado evangélico do PMDB para presidir a Comissão de Comunicação da Câmara.

“A Globo temia que o deputado fizesse o jogo do Edir Macedo (bispo da Universal do Reino de Deus, dono da Record, em grande ascensão no mercado de televisão da época)”, conta o deputado. Fez-se mais uma vez a vontade da família Marinho.

Dois anos depois, a Câmara dos Deputados votou a Lei Eleitoral, a mesma em vigor, e, sob a liderança de Temer e Geddel, incluiu um artigo a pedido do lobista da Globo: as TVs ganharam crédito tributário para compensar o horário eleitoral.

De gratuito, o horário eleitoral só tem o nome: quem paga a conta é o cidadão brasileiro, na forma de renúncia fiscal por parte do governo.

Desde que a Lei Eleitoral entrou em vigor, o montante de que as empresas de rádio e televisão, concessionárias de um serviço público, desfrutaram, na forma de benefício fiscal, passa da casa dos dois bilhões de reais. Tudo a ver.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bateu na Globo... não vem ao caso

Moro foge de Rouanet como fugiu dos Panamá Papers!

Montagem baseada no original do Estadão

Moro barra ofensiva da PF sobre os 100 maiores da Lei Rouanet

O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mandou anular nesta sexta-feira, 3, o pedido da Polícia Federal ao Ministério de Transparência e Gestão para levantar os 100 maiores receptadores/captadores de recursos via Lei Rouanet, divulgado pelo Estado nesta manhã.

(…)

A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor, em 1991. A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para as empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite, por exemplo, que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.

No CAf
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O prontuário de mentiras da equipe de Veja contra Lula

http://www.institutolula.org/o-prontuario-de-mentiras-da-equipe-de-veja-contra-lula

Cinco jornalistas assinam texto de capa da revista Veja dessa semana, que recicla pseudo-acusações mentirosas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Três assinam a matéria, mais dois nomes aparecem no pé, como repórteres. Os cinco jornalistas têm histórico de mentiras publicadas contra Lula. Quatro deles estão sendo processados pelo ex-presidente, por terem publicado notícias falsas que atingem a reputação do ex-presidente.  O quinto adotou condutas ilegais contra familiares de Lula, registradas em boletim de ocorrência policial. 

Robson Bonin, um dos que assinam a matéria, inventou em março deste ano que o ex-presidente teria procurado o embaixador italiano para obter asilo político. A matéria era uma ficção absurda, desmentida pelos fatos e pela Embaixada Italiana (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2016/03/25/embaixada-desmente-veja-sobre-asilo-a-lula-na-italia.htm), e errou até na fotografia do embaixador: total descompromisso com a verdade e com o bom jornalismo. 

O ex-presidente apresentou queixa-crime contra Bonin e Daniel Pereira, outro que assina o texto dessa semana, em  julho de 2015, por se utilizarem desde aquela época de uma inexistente delação premiada de Léo Pinheiro para atacar a honra de Lula. Ou seja, faz quase  11 meses que Veja repete a mesma ladainha apresentada na matéria desta semana como "novidade" (http://www.institutolula.org/lula-aciona-a-justica-contra-mentiras-de-veja ). As informações da Veja contrastam com as da Folha de S. Paulo publicadas essa semana, que indicam justamente o contrário, ou seja: a delação da OAS teria "travado" como forma de pressão para uma delação direcionada contra o ex-presidente: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1776913-delacao-de-socio-da-oas-trava-apos-ele-inocentar-lula.shtml  

Outro que assina o texto é Thiago Bronzatto. Ele é processado por Lula desde maio de 2015, quando assinou matéria mentirosa na Época contra o ex-presidente (http://www.institutolula.org/lula-solicita-reparacao-de-danos-morais-contra-a-revista-epoca). Nem a revista nem Bronzatto jamais corrigiram as várias mentiras apontadas no texto “As sete mentiras da capa de Época sobre Lula” (http://www.institutolula.org/as-sete-mentiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula). Além disso, Bronzatto mentiu em contatos com a assessoria de imprensa do Instituto Lula sobre a origem de documentos durante a apuração de outra matéria da Época que também manipula informações (http://www.institutolula.org/o-lado-escuro-do-outro-lado-no-jornalismo-sensacionalista-de-epoca). Bronzatto foi, por fim, interpelado judicialmente em outubro de 2015, por outra matéria caluniosa contra o ex-presidente publicada na Época. Com esse currículo, trocou o semanário da editora Globo pelo semanário da editora Abril.

Ulisses Campbell e Hugo Marques assinam no pé do texto como repórteres da matéria. Marques foi interpelado judicialmente por Lula também em outubro de 2015 (http://www.institutolula.org/lula-interpela-jornalistas-a-explicar-calunias-na-justica). E Campbell é protagonista de um episódio sui generis em fevereiro de 2015, quando inventou uma mentira sobre um inexistente sobrinho de Lula em coluna da edição local da Veja em Brasília. Flagrado na mentira, tentou se aproximar da família de Lula usando nomes falsos e invadiu um condomínio em Sorocaba dizendo ser vendedor de livros. Campbell fugiu do local quando foi chamada a Polícia Militar para apurar a invasão da residência. Mais informações sobre o episódio, devidamente registrado em boletim de ocorrência, podem ser lidas aqui: http://www.institutolula.org/familia-de-frei-chico-registra-boletim-de-ocorrencia-contra-reporter-da-veja. A edição local da revista Veja Brasília na época reconheceu que Campbell mentiu e pediu desculpas aos leitores e parentes do ex-presidente (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/171903/Veja-admite-que-mentiu-e-pede-desculpas-a-Lula.htm). Mas a edição nacional não pediu desculpas.

O histórico de Veja e a ausência de rápidas respostas da Justiça diante da publicação sistemática, por alguns jornalistas, de mentiras, calúnias e difamações contra Lula permite que a certeza de impunidade oriente a conduta de setores partidarizados da imprensa, pra promover perseguições políticas. Esse tipo de conduta prejudica  o debate público, o jornalismo brasileiro, a democracia e a própria liberdade de expressão.
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Torturem os fatos até eles confessarem o que eu quero. Ou Merval foi pago com a sonegação da Globo?


Inacreditável.

Ontem, Merval Pereira disse que tinham encontrado “na nuvem” cibernética mensagens que indicariam que a Odebrecht teria pago Celso Kamura, cabeleireiro que cuidou de Dilma durante as campanhas eleitorais e, algumas vezes, em caráter particular.

Dilma e o próprio Kamura se manifestaram dizendo que (a) durante as campanhas ele foi contratado pela produtora Pólis, responsável pelas gravações da candidata e (b) quando os serviços foram particulares Dilma os pagou. Ambos dizem que têm os contratos, recibos e notas fiscais.

Pensa que Merval se deu por vencido?

Coisa nenhuma.

A manchete de O Globo, neste momento, sustenta que “empreiteiros” o pagaram, porque — vejam o raciocínio! — como João Santana, dizem os investigadores, teria recebido dinheiro da Odebrecht e a empresa de Santana pagou o salário do cabeleireiro, então a Odebrecht pagou o cabeleireiro.

É o mesmo que eu dizer que, como a Globo sonegou impostos e isso acabou virando aquele famoso processo que sumiu, levado — dizem — por uma funcionária da Receita que, sem mais nem porque, resolveu colocá-lo na bolsa e como a Globo pagou o salário de Merval, então, Merval foi pago com dinheiro da sonegação.

Tá bom assim, Merval? Se vale lá, vale cá também, não é? Não, ninguém pode dizer isso desta maneira, tornando você cúmplice de um crime.

Ah, mas afirmações absurdas com a gente doem e com os outros são jornalismo, não é?

Acontece que, como escreveu ontem o Mário Marona, precisavam de alguém para escrever o que, de outra forma, seria só lixo.

Tanto que o resto da imprensa não deu a menor bola para a “descoberta” do acadêmico, toda feita com  declarações anônimas. A própria materia de hoje diz que “o colunista Merval Pereira mostrou que documentos em posse da Procuradoria-Geral da República revelam pagamentos de itens pessoais de Dilma pelo esquema montado na Petrobras, como as idas de Celso Kamura a Brasília, que custavam R$ 5 mil cada.”

Merval não mostrou documento algum, apenas alegou que existiriam.

E, dando com os burros n’água, não tiveram a honradez de se corrigirem e nem sequer a esperteza do gato, que enterra certas coisas que faz…

Insistem, porque é clássica a frase de que o papel aceita tudo e contam que a justiça brasileira, diante da Globo, trema de medo e não puna este tipo de difamação.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O Judiciário manda

A Polícia Federal substitui os tanques no projeto de poder da turma togada

Exemplos gritantes: o indiciamento de Trabuco e a
negação do acordo de delação de Pinheiro
O Poder Judiciário ergue o tom de voz, pretende mostrar a que veio e aonde quer chegar no mesmo momento em que o poder parlamentar, em cujas sedes o golpe progrediu até o afastamento de Dilma Rousseff, complica-se com as gravações de Sérgio Machado e as reações ao pacote do ministro Meirelles. Sem contar a ameaça iminente das delações da Odebrecht e de Machado Júnior.

E aí se encaixa o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e de mais dois altos executivos da instituição, e outros seis cidadãos pretensamente envolvidos em uma trama criminosa.

O caso do Bradesco é exemplar da situação em que o golpe em marcha mergulha o País. O banco tem uma tradição digna e sempre foi válido suporte da indústria brasileira. Este enredo mostra que no Brasil os corruptos levam a melhor contra quem não se deixa corromper.

Os fiscais nativos não são flores de orquidário, isto é do conhecimento até do mundo mineral. Desta feita, decidiram achacar o Bradesco por razões que não excluem a chantagem, a ponto de se prontificarem a sugerir a entrada em cena de certo grupo de lobistas, capacitados a encontrar uma solução favorável a todos, com exceção do próprio Fisco e do cofre do Estado.

O Bradesco rejeitou a sugestão, mas os fiscais voltaram à carga: exigiam uma multa de 3 bilhões de reais. O banco propôs um acordo ao Carf, foi negado por 6 a 0.

Ao contrário do alegado pelo indiciamento da Polícia Federal, habilitada a tanto pelo Ministério Público, Trabuco nunca participou de encontros com os lobistas, tampouco se dispôs a usar-lhes os préstimos.

Inclino-me a crer que incomodam togas e polícia as boas relações que o presidente do Bradesco mantém com Luiz Inácio Lula da Silva. Foi quem, aliás, sugeriu a Dilma, logo após a reeleição, chamar Trabuco para o Ministério da Fazenda.

Há mais a exibir o açodamento do Poder Judiciário, que hoje substitui os tanques de outrora pelas indômitas e obedientes coortes da Polícia Federal. Assume a ribalta o costumeiro Sérgio Moro, que se nega a selar acordo de delação com Léo Pinheiro, presidente da OAS.

Por quê? Simples, simples demais. Porque Pinheiro insiste em inocentar Lula nos casos da reforma do fantasmagórico triplex na praia dos farofeiros e do sítio de Atibaia cercado pela favela. Cabe, desta vez, invocar até a memória do mundo mineral: o ex-presidente preferiu não ficar com o triplex e a OAS poderá vendê-lo a quem se dispuser a passar seus fins de semana em meio a piqueniques na areia.

Quanto ao sítio, não há cartório em que se prove ser propriedade dos Lula da Silva, e Pinheiro tem todo o direito de afirmar que a reforma, de pouca monta, foi presente de amigo.

Fatos deste naipe afirmam a força de que se sente investido o Poder Judiciário, e, no comando da política brasileira, o juiz curitibano. Consta que, ciente dos riscos a cercá-lo, o presidente interino Michel Temer se prepara a tecer loas à Lava Jato no seu próximo discurso, para reparar os estragos provocados pelos grampos de Sérgio Machado, de gravador escondido no bolso do paletó.

Uma história mal contada - ou, como confiar no propagandista da Folha?

Uma peça encenada em São Paulo no teatro do Tusp pela Companhia do Latão, O Pão e a Pedra, refere-se a um episódio da greve dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema em 1979. Por dois dias, o presidente do sindicato, Luiz Inácio da Silva, melhor conhecido como Lula, teria abandonado os companheiros por dois dias enquanto a ditadura investia contra os grevistas.

O assunto empolga um dos propagandistas que com suas colunas enfeitam a Folha de S.Paulo, Mário Sérgio Conti. Trata-se de alguém habilitado a esquecer o fato em proveito da sua versão. Não assisti à encenação e me limito a transcrever a seguinte passagem do texto de Conti: “Reapareceu (Lula) para, contra o ímpeto dos grevistas, fazer com que voltassem às fábricas e engolissem um acordo danoso”.

A revista IstoÉ que então eu dirigia, dedicou mais de uma capa às greves de São Bernardo e Diadema em 1978, 79 e 80. Nas duas primeiras paredes, Lula negociou com os patrões com o apoio dos seus comandados. Situações que tais impõem concessões recíprocas em busca do acordo.

Não consta que o de 1979 tenha sido danoso, de fato a popularidade do presidente do sindicato não arrefeceu. No ano seguinte, chegou ao auge. A repressão foi feroz com o emprego de brucutus, helicópteros de guerra, tropa de choque armada até os dentes.

A greve só terminou com a prisão de Lula, que logo mais acabaria enquadrado na chamada Lei de Segurança Nacional.

Não sei quais similitudes a peça pretende expor com a situação que vivemos desde a reeleição de Dilma Rousseff. A Companhia do Latão tem fama de competente e engajada no melhor sentido. Inconfiável, certamente, é o propagandista da Folha.

Mino Carta
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A mesquinharia infinita de Temer ao negar comida a Dilma

Monstro moral
Nada como o poder para revelar a alma de alguém.

Considere Temer.

Ele mandou interromper a comida para Dilma e assessores no Palácio do Alvorada, conforme conta a Folha neste sábado.

A informação foi confirmada pelo Planalto. Depois, provavelmente por receio da repercussão, Temer devolveu a comida a Dilma.

Isso se chama mesquinharia, ruindade, canalhice.

Enquanto Temer se arrastou na obscuridade da vida política, estes traços eram desconhecidos. Bastou, aos 75 anos, chegar ao poder, ainda que pelas portas dos fundos, para que seu caráter se revelasse na imensidão do abismo moral.

Entende-se agora por que numa conversa gravada um íntimo de Temer disse que ele é homem de Cunha.

Ele já vinha numa escalada.

Uma de suas primeiras providências quando aparelhou a EBC com um pau mandado de Cunha, Laerte Rimoli, foi proibir o uso da palavra presidenta. Foi uma demonstração soberba de pequenez infinita.

(Na EBC, foi lindo ver justiça devolver a EBC ao jornalista Ricardo Melo, tirado de lá irregularmente por Temer. Tão bonito quanto isso foi ver a remoção de Rimoli, um pseudojornalista formado pelo que há de mais sórdido: a escola Globo e a escola Cunha. Na Câmara, onde dirigiu sob Cunha a tevê dos deputados, Rimoli censurou descaradamente progressistas que criticavam seu chefe.)

São conhecidas, fora tudo, as dificuldades que Temer impõe a quem queira visitar Dilma em seu refúgio. Mesmo assim, senadores como Crisóvam Buarque e Romário superaram as barreiras e foram conversar com ela, nos últimos dias. Caso os dois mudem de voto, conforme se especula, Dilma estará perto da vitória na votação final do Senado.

Temer, com suas mesóclises obsoletas e sua inexcedível capacidade de recrutar corruptos para seu ministério de notáveis, parece no Planalto um cadáver que já vai cheirando mal.

Há que enterrá-lo e devolver o poder a quem de direito — a candidata que levou 54 milhões de votos há muito pouco tempo, e a quem Temer negou comida.

Paulo Nogueira
No DCM
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O ódio emburrece os mesquinhos


Ontem à noite eu já escrevi aqui sobre a estupidez de Michel Temer em achar que ganha apoio promovendo retaliações mesquinhas contra a vítima de sua usurpação, Dilma Rousseff, com as restrições a seus deslocamentos.

Hoje, a Folha mostra que a burrice é pior, mais desmedida.

Cortar o abastecimento da residência oficial, coisa que — é óbvio — vai durar poucas horas, é outra daquelas ações que só deixa mesmo feliz gente do tipo pitbull.

O que conseguiu?

Uma chamada destacada na Folha e em outros sites dizendo que mandou cortar a comida de Dilma Rousseff?

Acha que ganha alguma coisa com isso?

Ao contrário, como escreveu-se aqui, ontem, vai deixando que ela fique com o lugar de vítima e ele o de algoz.

Essa crua realidade que os discursos empolados do juridiquês tentam esconder.

E olhe que o senhor tem muita sorte de que Dilma não seja chegada a demagogias, senão segunda-feira tinha uma entrega de quentinhas no Alvorada.

Já pensou que imagem, seu Temer?

O senhor é “das antigas”, sabe que o Brigadeiro perdeu uma eleição ganha por conta daquela história de que não precisava dos “votos dos marmiteiros”…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Cai o terceiro ministro de Temer: Osório, da AGU


Mantendo a média de um demitido por semana, o governo provisório de Michel Temer perde, neste sábado, seu terceiro ministro, que se soma aos já degolados Romero Jucá (PMDB-RR), do Planejamneto, e Fabiano Silveira, da Transparência.

Trata-se de Fábio Medina Osório, nomeado para a Advocacia-Geral da União, e cuja demissão foi anunciada neste sábado pelo jornalista Jorge Bastos Moreno, colunista do Globo e porta-voz informal do governo provisório de Michel Temer.

São dois os motivos: (1) na base área de Brasília, ele tentou dar uma carteirada para conseguir um jato da Força Aérea Brasileira para viajar a Curitiba num jatinho da FAB; (2) o governo o responsabiliza pela lambança ocorrida na EBC, com a demissão ilegal do presidente Ricardo Melo e a nomeação também ilegal do jornalista Laerte Rimoli, que iniciou um desmonte na empresa, interrompido por decisão do ministro Dias Toffoli.

Além disso, Osório também se indispôs com a advocacia ao abrir sindicância contra o antecessor José Eduardo Cardozo; com sua degola, ele se soma ao senador Romero Jucá (PMDB-RR) e a Fabiano Silveira, demitidos do Planejamento e da Transparência.

Leia, abaixo, a nota de Moreno:
Queda a jato


Há ministros caindo por causa da Lava-Jato. Mas tem um que deverá cair nas próximas horas por causa de um jato. Isto mesmo: um jato.


Trata-se de Fábio Osório, advogado-geral da União, que provocou um fuzuê ao tentar embarcar esta semana para Curitiba, na Base Aérea. Negado o pedido, Osório deu uma carteirada nos oficiais da Aeronáutica, dizendo ter status de ministro de Estado.


A confusão chegou ao gabinete do presidente.


Para complicar ainda mais a situação de Osório, Temer descobriu que Tóffoli só revogou a decisão de demitir o presidente da EBC nomeado por Dilma porque o advogado-geral da União, que deveria fazer a defesa do governo, estava nessa fatídica viagem a Curitiba.


Agora, até o padrinho do advogado, o ministro Eliseu Padilha está pedindo sua cabeça ao presidente.

No 247
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Ministro dos Esportes nomeia filho de Wando, condenado por tentativa de homicídio

Vanderley Alves Reis Júnior, filho do cantor Wando,
é assessor especial do ministro dos Esportes, 
Leonardo Picciani (PMDB)
O filho do cantor Wando, Vanderley Alves dos Reis Júnior, conhecido como Vandinho Pitbull, foi nomeado nesta sexta-feira (3) como assessor especial do Ministério dos Esportes, comandado pelo deputado federal licenciado Leonardo Picciani (PMDB). A nomeação foi publicada pelo Diário Oficial da União e confirmada pela assessoria de imprensa do ministério. Vandinho, que já foi condenado na Justiça do Rio de Janeiro por porte ilegal de armas, de drogas e dupla tentativa de homicídios, vai receber um salário de R$ 11,2 mil para acompanhar Picciani em agendas fora do ministério e para "recolher e dar encaminhamento" a demandas.

Vanderley é um dos três filhos de Wando, morto após uma parada cardíaca em fevereiro de 2012. Em 1999, Vandinho, que era empresário, se viu envolvido em uma briga e foi acusado de atirar contra dois seguranças de um posto de gasolina. No tiroteio, ele foi o único ferido, atingido por um tiro no pé direito.

Entre 2004 e 2005, ele foi julgado duas vezes pelo 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. No primeiro julgamento, ele foi condenado a 10 anos de prisão. No segundo, sua pena foi reduzida a dois anos e quatro meses de reclusão.

Em 2009, enquanto cumpria a pena no regime semi-aberto, Vandinho teve a prisão novamente decretada por ter ficado mais de um mês sem se apresentar à Casa do Albergado Crispim Ventino, onde tinha que passar a noite.

Após ser considerado foragido, ele se apresentou à Justiça para cumprir o restante de sua pena. De acordo com a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Rio de Janeiro, Vandinho está em liberdade desde 1º de abril de 2010.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério dos Esportes, Vandinho já atuava como assessor pessoal de Picciani durante a passagem do ministro na Câmara dos Deputados. "O sr. Vanderley Alves dos Reis Júnior trabalha com o ministro Leonardo Picciani há alguns anos, inclusive na Câmara dos Deputados", disse a assessoria do ministério por e-mail.

Ainda segundo a assessoria de imprensa do ministério dos Esportes, o ministro não se sente "constrangido" por trabalhar com Vandinho.

"O ministro não se sente constrangido com o trabalho desempenhado pelo sr. Vanderley. Os fatos ocorreram há cerca de 20 anos, ele cumpriu sua pena e ninguém pode ser condenado pelo resto da vida", disse a assessoria por e-mail.

Leandro Prazeres
No Uol
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O nocaute em Muhammad Ali


Muhammad Ali morre aos 74 anos. Uma das personalidades mais singulares e eloquentes de seu tempo, o tricampeão mundial e campeão olímpico excedeu os limites do boxe, lutou contra o racismo e combateu injustiças


O tricampeão mundial e campeão olímpico de boxe Muhammad Ali morreu na noite desta sexta-feira (03) em Phoenix, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por um porta-voz da família, Bob Gunnell, e compartilhada nas páginas oficiais de Ali. O corpo será enterrado em Lousville, cidade natal de Ali, e numa uma entrevista coletiva neste sábado serão informados os procedimentos do funeral.

O ex-boxeador de 74 anos estava internado desde a quinta-feira em decorrência de problemas respiratórios. Foi a última de diversas internações pelas quais passou o norte-americano nos últimos anos por problemas como pneumonia e infecção urinária. Há mais de três décadas ele sofria de mal de Parkinson, e suas aparições públicas estavam cada vez mais raras.

Medalhista de ouro nos Jogos de Roma-1960, em sua única participação olímpica, Ali logo tornou-se pugilista profissional. O primeiro de seus três títulos internacionais foi conquistado em 1964. Ele terminou a carreira com 56 vitórias, 37 delas por nocaute, após 61 lutas.
Lenda

Como pugilista, o americano teve suas lutas mais famosas chamadas de “Rumble in the Jungle” – contra George Foreman em Kinshasa, capital do Zaire (hoje chamado de República Democrática do Congo), em outubro de 1974



– e “Thrilla in Manila” ante Joe Frazier, nas Filipinas. Ambas foram realizadas depois do auge físico do boxeador, que nem sempre teve esse nome.



Nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, cidade do estado americano de Kentucky, em 17 de janeiro de 1942 e teve uma carreira amadora de sucesso, coroada com uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960, na categoria dos meio-pesados.

Foi após a Olimpíada que Clay se profissionalizou e teve rápida ascensão entre os pesados. Em apenas três anos, realizou 19 lutas e venceu 15 delas por nocaute. Seu primeiro cinturão veio no combate seguinte, contra Sonny Liston, por nocaute técnico. A luta ocorreu em fevereiro de 1964.

Na revanche, em maio de 1965, não havia mais Cassius Clay, mas Muhammad Ali. O pugilista recebeu seu nome muçulmano após integrar o grupo religioso chamado Nação do Islã, do qual fazia parte Malcom X, ativista que é creditado como seu mentor político.

O sucesso profissional continuou enquanto suas polêmicas fora dos ringues cresciam. Em oposição à Guerra do Vietnã, se recusou a integrar o exército dos Estados Unidos, foi sentenciado à prisão por cinco anos e suspenso do boxe por três anos pelo estado de Nova York em 1967.

Ali não chegou a ser detido, pois pagou fiança e aproveitou o tempo afastado do esporte para viajar pelo país criticando a guerra e lutando contra o racismo em palestras e em universidades diversas.

Liberado para lutar em 1970, Muhammad Ali sofreu sua primeira derrota como profissional no 32ª confronto da carreira, o primeiro contra o também invicto Joe Frazier. O evento ficou conhecido como “A luta do século” e definido por decisão unânime a favor de Frazier, que encarou Ali em outras duas ocasiões, perdendo ambas.

Os títulos mundiais, revogados após a suspensão, só foram recuperados por Ali no “Rumble in the Jungle” e mantidos até setembro de 1977, quando ele foi derrotado por Leon Spinks por decisão dividida. Ali ainda conseguiu reaver seus cinturões em revanche com Spinks em setembro de 1978. Uma aposentadoria temporária foi anunciada, porém interrompida para mais duas lutas, duas derrotas que encerraram a carreira do pugilista com um cartel de 56 vitórias e cinco derrotas (somente uma por nocaute).
Parkinson

Os anos tomando socos não foram gentis com Ali, que já sofria com tremores das mãos e dificuldade na fala pouco antes da sua aposentadoria. Sinais de que o Mal Parkinson diagnosticado anos depois tinha se manifestado anteriormente. A doença foi debilitando-o gradualmente, mas até o início dos anos 2000 o ex-pugilista era visto com certa regularidade em aparições públicas.

A mais significativa foi nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Em segredo, a organização elegeu-o para acender a pira olímpica, mantendo-o fora até do último ensaio da cerimônia de abertura. Para a surpresa e emoção dos milhares presentes Estádio Olímpico de Atlanta, fora quem acompanhava pela televisão, Ali apareceu com a tocha em mãos, recebeu a chama e, com tremores agudos nas mãos, ergueu-a e usou-a para concluir o evento.

Atlanta não foi a última Olimpíada em que o ex-atleta deu as graças. Em Londres-2012, muito mais frágil fisicamente, Ali participou novamente da abertura como parte de um grupo de dignitários que acompanharam a bandeira olímpica ao palco da cerimônia. Ele estava acompanhado de sua quarta esposa, Lonnie, com quem se casou em 1986 e teve um filho adotivo. O ex-boxeador também teve quatro filhos com sua segunda esposa, Khalilah, duas filhas com a terceira, Veronica, e outras duas de relacionamentos extraconjugais.



No Pragmatismo Político
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Contra golpe, a chance de Lewandowski


Os desafios e impasses desta  difícil etapa de nossa  história política colocaram nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski uma decisão verdadeiramente crucial para o destino da  democracia brasileira.

Encarregado, pela Constituição, de assumir a presidência do julgamento de Dilma Rousseff pelo Senado Federal, caberá a Lewandowski assegurar o respeito ao pleno direito de defesa,  princípio fundamental que serve de linha divisória entre o Estado Democrático de Direito e as lamentáveis versões de Estado de Exceção construídas ao longo da história humana, numa sequencia deprimente de excrescências político-jurídicas que nem vale a pena mencionar aqui.  

Até há pouco celebrado como abrigo de uma das mais recentes e progressistas democracias construídas com sacrifícios reconhecidos na segunda metade do século XX, o Brasil corre o risco imediato de transformar-se num vexame político internacional, uma anacrônica república de bananeira, regressiva e atrasada. Tudo vai depender do tratamento que for conferido ao mandato de uma presidente que recebeu 54,5 milhões de votos em outubro de 2014  e agora corre o risco de ser afastada definitivamente do seu posto em função de uma manobra de bastidores, um arranjo sórdido às costas do eleitorado, para dar posse a um grupo de aventureiros sem lastro popular e princípios que se modificam ao sabor das próprias conveniências.

Não cabe ao presidente do STF, naturalmente, definir se Dilma deve ser considerada culpada das acusações que lhe tem sido feitas — as mesmas que, se forem levadas a sério, já deveriam ter sido partilhadas pelo sucessor ora interino, e assim julgado na mesma hora e lugar. No momento devido, a decisão sobre Dilma caberá aos 81 senadores, diz a Lei Maior. Também será partilhada, indiretamente, pelos mais de 100 milhões de eleitores que, até o momento final, terão o direito inalienável de tentar influenciar no resultado, como é natural em toda democracia digna desse nome.

Cabe ao presidente Ricardo Lewandowski assegurar que se cumpra o ritual capaz de assegurar uma decisão onde as partes tenham direito ao contraditório, no qual o espetáculo midiático   não venha a substituir a indispensável serenidade para uma decisão decente, fundamentada em fatos e provas — e não num circo de propaganda e pirotecnia.

Esta é, na verdade, a ameaça real sobre o julgamento de Dilma: o risco de uma sabotagem deliberada da democracia. Sem provas, seus adversários enfrentam o risco de não reunir votos para levar o plano até o fim. Por isso têm pressa, mesmo num plenário de um numeroso plantel de farrapos morais. Se a legislação prevê o prazo máximo de 180 dias para o julgamento, uma maioria conjuntural formada na Comissão Especial do Impeachment acaba de aprovar um prazo ridículo de 60 dias. Se a previsão era dar palavra a 40 testemunhas, o que se pretende agora é reduzir os depoimentos para 16. Não vamos nos enganar.

Aquilo que pode parecer economia de tempo na verdade é uma forma de supressão de direitos. Tenta-se impedir o debate, o esclarecimento, a dúvida. Não é difícil entender por que. Assistimos a uma corrida contra o tempo, a uma tentativa de sufoco, um esforço para proteger a versão do cirquinho midiático, na qual cada vez menos gente acredita, como você comprova ao falar com seu vizinho, perguntar no ônibus, discutir no almoço — sem falar na mídia séria, que atende pelo nome de New York Times, The Guardian, El País, Le Monde, Spiegel e, infelizmente, sinal dos tempos, é mercadoria mais fácil de encontrar em língua estrangeira. A verdadeira causa da pressa é o medo de uma avalanche, o desmascaramento, revelador como os grampos em que os espertalhões de ar moralista durante  o dia confabulam à noite para safara-se de crimes e responsabilidades.  

Basta olhar para as manifestações que servem de sinal para a vontade simples das pessoas do povo, que ninguém convoca, nem dirige — apenas se manifesta. É útil perguntar às mulheres qual a causa de seu descontentamento. Aos artistas, por que estão indignados. Aos jovens, particularmente estudantes, por que se revoltam. Aos negros, por que estão inquietos. Aos trabalhadores, por que voltaram a se mexer. Aos funcionários, por que promovem insurreições para livrar-se de ministros ineptos.

Não estamos falando de uma denúncia vulgar contra uma acusada comum, mas da principal nação da América do Sul, que hospeda a sétima economia do mundo, com o poder de gerar influencias — saudáveis ou nocivas — toda vez se movimenta, numa direção ou outra. O mais recente ciclo de ditaduras sul-americanas, na década de 1960, não teve início no Brasil, mas numa quartelada contra um governo eleito do Peru. Mas foi a partir da tenebrosa experiência brasileira, a segunda pela ordem cronológica, que a onda se ampliou, para se tornar um pesadelo de duas décadas, decorado por cadáveres sem conta.  

 Basta olhar para o mapa de 2016 para reconhecer que o mesmo jogo de dominó começa a ruir, com a infinita dor de toda tragédia que atinge a vontade das maiorias.

 A reconstrução de cada passo da crise que colocou as instituições brasileiras a beira de um abismo aponta para várias responsabilidades. O papel da oposição, incapaz de aceitar uma derrota nas urnas, é essencial. Também não se pode diminuir a atuação do próprio governo Dilma, incapaz de oferecer respostas coerentes ao longo do segundo mandato. Como negar a atuação nefasta de um Congresso que entregou-se ao comanda de uma liderança como a do suíço Eduardo Cunha?

Mas é justamente em situações desse tipo, quando incompetências se somam e se multiplicam, que a Justiça pode mostrar seu lugar e seu papel. É muito razoável  esperar que atue assim, numa postura que nada tem a ver com heroísmo, mas com a capacidade de, humildemente, reconhecer as próprias responsabilidades e assumir um lugar que, com frequência, está chamado a desempenhar um papel em que se mostra insubstituível.  

Há dez anos no Supremo, com um diploma pela Escola de Sociologia e Política além de todas as graduações e doutorados de Direito, Lewandowski foi colocado, aqui e agora, diante do olhar sempre misterioso da História de um povo. Não é novato na experiência. No início do julgamento da AP 470, ocorrido logo após sua entrada no STF, cunhou uma frase inesquecível, ao dizer numa conversa pelo telefone que os jornais e revistas haviam colocado "uma faca no pescoço" de juízes que examinavam o caso.

Capaz de assinar sentenças duríssimas, não temeu confrontar-se com Joaquim Barbosa quando julgou necessário. Denunciou a aprovação de penas agravadas artificialmente e  demonstrou seu apreço pelo princípio de todos são inocentes até que se prove o contrário ao aceitar o pedido de embargos formulados pela defesa, numa conjuntura em que era mais cômodo engrossar o coro que transforma cada recurso em chicana e manobra indecorosa pela impunidade.

Num país às voltas com medidas saneadoras da vida pública, Lewandowski foi ministro que soube encaminhar, em demorada decisão no STF, a proibição de contribuições eleitorais de empresas, matéria prima da corrupção política.

Quando faltam dois meses para o fim de seu mandato na presidência do STF,  Lewandowski enfrenta a situação que irá definir seu lugar na vida dos brasileiros. As tristezas e dificuldades do Brasil de 2016 lhe deram a responsabilidade de escolher entre civilização e barbárie. É uma grande chance.

Paulo Moreira Leite
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OAS e Odebrecht apontam 5% de propina para Aécio


Alvo de novas investigações no Supremo Tribunal Federal relacionadas ao mensalão mineiro e ao escândalo de Furnas, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, será atingido em cheio pela nova safra de delações premiadas, de acordo com reportagem da revista Veja deste fim de semana.

Aécio é o nome mais surpreendente das delações de Marcelo Odebrecht, da empreiteira que leva seu nome, e Léo Pinheiro, da OAS. No caso da Odebrecht, que aponta 13 governadores e 36 senadores, Aécio será acusado de receber, por fora, recursos para a sua campanha presidencial de 2014.

"A Odebrecht também pagou por fora despesas da campanha presidencial dele, exatamente como fizera com Dilma", diz um advogado da empreiteira, em trecho da reportagem.

Em relação à OAS, as acusações são mais graves. Léo Pinheiro afirmou que o líder tucano levou 5% dos recursos da construção da Cidade Administrativa de Belo Horizonte, a nova sede do governo mineiro.

"A OAS formou um consórcio com Odebrecht e Queiroz Galvão para tocar um lote de obra. Segundo Pinheiro, a OAS pagou a Aécio Neves 5% do valor recebido pela obra. Disse que propina era entregue por um operador da empreiteira em dinheiro vivo a um intermediário do tucano", diz a reportagem.

A reportagem também aponta acusações contra o ex-presidente Lula, assessores da presidente Dilma Rousseff e integrantes do governo Michel Temer.

No 247
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Mino Carta: "O que fará Dilma caso volte?"


"Na eventualidade do retorno, Dilma poderia propor um plebiscito para tentar entender quais são as necessidades e as demandas do povo brasileiro", analisa o diretor de Redação, Mino Carta, ao se questionar sobre as medidas que presidenta afastada possa tomar, caso ela volte ao cargo. Assista.

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Quais as chances de Dilma voltar?

As circunstâncias mudaram desde que o Senado a afastou
Quais as chances de Dilma voltar?

No momento do afastamento pelo Senado, elas pareciam zero. O triunfo do golpe e dos golpistas tinha ares de definitivo.

Era a percepção generalizada.

Mas aí entrou em cena uma coisa chamada realidade. Temer desde o primeiro dia se revelou uma desgraça. Prometeu um ministério de notáveis e entregou uma equipe de nulidades sobre as quais pesavam e pesam fortes suspeitas de corrupção em alta escala.

O símbolo maior disso foi Jucá, que se pode qualificar de chave de cadeia com seu bigode caricato e seu passado nebuloso.

A presença no novo governo de homens ligados a Eduardo Cunha — como seu advogado — contribuiu também para reforçar a imagem de uma conspiração de corruptos para afastar uma mulher honesta que levou o combate à roubalheira a níveis inéditos.

Ficou demonstrado que o real poder por trás da administração usurpadora era Cunha, e não o decorativo Temer.

As conversas gravadas por Sérgio Machado destruíram o que restava de credibilidade dos golpistas. E acrescentaram oficialmente um novo elemento no complô antidemocracia: a participação do STF.

O decano do golpe, FHC, depois que foi enxotado de uma palestra em Nova York sobre democracia na América Latina, evocou o STF para dar legitimidade ao impeachment.

Arremessado o STF na lama, nem isso sobrou. Passaram a ser entendidas aberrações como a demora de quatro meses do ministro Teori para acatar o pedido de afastamento de Eduardo Cunha.

Cunha teve todo o tempo do mundo para comandar o impeachment na Câmara como se fosse um homem probo, justo, puro.

Houve ainda, antes que Temer se instalasse no Planalto, um fato capital para que o golpe fosse desmascarado: a infame sessão da Câmara dos Deputados em que corruptos abraçados à bandeira nacional gritaram um sim estridente sob as mais ridículas alegações.

Aquela sessão se tornou mundialmente conhecida pelo horror cômico que foi e virtualmente enterrou o golpe antes que ele fosse consumado.

Novos governos, isto é básico, necessitam do que se chama de “choque positivo” para espalhar otimismo na sociedade. Um clássico “choque positivo” na história moderna foi dada, no Reino Unido, por Tony Blair. Virou referência internacional. Blair avisou que não retomaria práticas trabalhistas que haviam se tornado obsoletas e ruinosas.

Lula, em 2003, deu seu “choque positivo” ao dizer que respeitaria os contratos — coisa que aliás Temer não está fazendo — e não nacionalizaria o que fora privatizado. O mercado, que estava inquieto, se acalmou, e Lula pôde colocar em prática, sem maiores obstáculos, seus programas sociais inovadores.

Pois bem. Temer produziu um formidável “choque negativo”. Não poderia haver errado mais. Logo mostrou por que sempre foi um nanico na política nacional.

Não colocou sequer uma mulher em seu ministério. Quando finalmente preencheu a Secretaria da Mulher, foi com uma evangélica que condenava o aborto mesmo em casos de estupro.

No capítulo das mesquinharias, mandou demitir o garçom do Planalto e retirar o tratamento de “presidenta” de Dilma na EBC por meio do interventor que colocou lá, Laerte Rimoli, outro homem de Cunha. (O STF reconduziu nesta semana, provisioramente, Ricardo Melo ao comando da EBC, em mais uma entre tantas derrotas de Temer.)

Tudo isto posto, Temer é quase que um homem morto que anda. Parece estar colado na testa de sua administração: corrupta.

Tudo isto para dizer o seguinte. Poucos dias se passaram desde a sessão do Senado que tirou provisoriamente Dilma, mas a percepção sobre o impeachment se alterou completamente.

Desconte os senadores que votariam e votarão contra Dilma em quaisquer circunstâncias, de Caiado a Aécio.

Mas e os que votaram sim porque, naqueles dias, achavam que Temer iria abafar, sob a proteção da Globo e da mídia em geral? Eles certamente não contavam, além de tudo, com a reação popular ao golpe.

Penso, especificamente, em Cristovam Buarque. Reafirmar o voto pelo impeachment na sessão inicial do Senado foi uma coisa. Repetir o gesto agora é outra coisa. Você se expõe à execração geral, e corre o risco de passar para a história como um fâmulo da plutocracia, sem contar os berros de golpista a que você estará condenado onde quer que esteja.

Os senadores como Cristovam Buarque não são muitos. Mas são em número suficiente para que um impeachament que parecia inevitável seja revogado.

E não há nada que Temer possa fazer para melhorar a imagem de seu governo — porque é inepto, vacilante, sem carisma e, se não bastasse tudo isso, come na mão de Eduardo Cunha.

Aos que alegam que Dilma não teria mais como governar, a resposta é simples: tem muito mais que Temer, com a diferença que carrega mais de 54 milhões de votos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Torquato Jardim pode ser o próximo ministro a cair: por declarações semelhantes, Cid Gomes não resistiu ao cargo — ouça


O novo ministro do MINTRAFICO (Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle), Torquato Jardim, deu uma série de declarações polêmicas, segundo áudio que pode ser conferido na matéria do Estadão, num Congresso sobre ciência política e direito eleitoral no Piauí, evento do qual foi palestrante, realizado em meados de Maio.



Entre as falas controversas, o ex-TSE disse que no congresso o bloco chamado de Centrão — formado por treze partidos e que possui, aproximadamente, 220 deputados — foi montado “em nome da corrupção e safadeza”, além de dizer, também, que os partidos políticos nacionais são “balcões de negócio”.

Bom, eu, um mero cidadão comum, achei um máximo as declarações do Torquato e concordo com boa parte do áudio que escutei que reproduzem as falas dele. Todavia, podem ter pessoas que não gostem muito das declarações e peçam a cabeça do mais novo ministro do governo usurpador.

É o caso dos deputados federais, que convocaram Cid Gomes após uma declaração semelhante e exigiu a saída dele do governo, logrando êxito, pois o politico cearense pediu demissão logo após as explicações (que viraram acusações históricas, diga-se de passagem) no parlamento.

Para recordar, o irmão do Ciro Gomes falou para estudantes numa universidade do Pará que o legislativo “tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que, quanto pior, melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, aprovarem as emendas impositivas” [não falou mentira nenhum, convenhamos. Deveria ganhar o Óscar da honestidade de 2015].

E o curioso é que o ministro da educação hoje, Mendonça Filho (DEM-PE), foi quem convocou o Cid, ex-MEC, para dar explicações no plenário da câmara acerca da declaração.

Será que Mendonça deseja que seu companheiro de governo vá ao legislativo explicar a expressão - talvez mais forte que a de Gomes - que partidos do centrão construíram uma bancada de corrupção e safadeza? Será que a base aliada de Eduardo Cunha, ou do Temer, que não aceitou ser chamada de achacadora vai se dar bem com a alcunha de corrupta?

Nada como esperar um dia após o outro.

Hoje é sexta-feira, e o paredão do BBB Temer está no ar, com toda a possibilidade de fazer sua próxima vítima. Jucá e Silveira, talvez não coincidentemente, deixaram de trabalhar numa terça-feira, dia de eliminação.

Tá certo que está difícil escolher quem eliminar: tem secretária que é investigada pela PGR e ministro do turismo com “indícios bastente seguros” contra. Tudo leva a crer num paredão triplo.

Aguardaremos as cenas do próximo capítulo.

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)
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