3 de jun de 2016

Machado diz que pagou mais de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney

Em depoimento, ex-presidente da Transpetro diz que presidente do Senado recebeu R$ 30 milhões

Eles
O ex-senador Sérgio Machado disse, numa série de depoimentos após fechar acordo de delação premiada, que arrecadou e pagou mais de R$ 70 milhões desviados da Transpetro para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), para o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), entre outros líderes do PMDB. Segundo Machado, a soma mais expressiva, R$ 30 milhões, foi destinada a Renan, o principal responsável pela indicação dele para a presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobras e maior empresa de transporte de combustível do país.

Renan indicou Machado para a presidência da Transpetro em 2003, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o manteve apoio para a permanência dele no cargo até ano passado, mesmo depois de ter sido acusado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, de receber propina. Sarney também recebeu uma soma significativa, conforme a contabilidade do ex-presidente da Transpetro. Machado disse que repassou aproximadamente R$ 20 milhões para o ex-senador durante o período que esteve à frente da estatal.

Romero Jucá, que ficou uma semana como ministro do Planejamento do governo do presidente interino Michel Temer, foi destinatário de quantia similar a de Sarney, cerca de R$ 20 milhões. Machado também disse que abasteceu também contas dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Jáder Barbalho (PMDB-PR). As acusações de Machado são consideradas devastadoras. O ex-presidente da Transpetro falou sobre as somas repassadas aos padrinhos políticos dele e, como se não bastasse, indicou os contratos e os caminhos percorridos pelo dinheiro até chegar aos destinatários finais.

Jailton de Carvalho
No Globo
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Inaptidão de Serra para Relações Exteriores contraria até a lei brasileira

Ministro pode estar entre os próximos dos assessores do interino Michel Temer a cair por não se enquadrar nas exigências físicas e mentais determinadas para o cargo

Serra, interino do Itamaraty: em menos de um mês, tropeços
diplomáticos e dúvidas sobre adequação ao cargo
Antes de tudo, lembremos o que diz a Lei 8.112/1990, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Diz a lei:

Art. 5º. São requisitos básicos para investidura em cargo público:

(...)

VI - aptidão física e mental.

Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial.

Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo.

Pois bem. Em 2002, ao tentar convencer o sindicalista Luiz Antônio de Medeiros a apoiá-lo em sua candidatura à presidência, o senador licenciado José Serra (PSDB-SP) disse para ilustrar a urgência com que tratava o momento: "Será agora ou nunca. Estou com 60 anos e sei que minhas energias e chances são agora. Vi o Montoro acabar o governo 'gagá', aos 70 anos".

Para quem não se lembra ou não sabe, o ex-governador São Paulo Franco Montoro, um dos fundadores do PSDB, era conhecido apenas por suas "montorices": lapsos de memória durante entrevistas ou falas de improviso, trocando nomes de pessoas, sem maiores consequências nas decisões de governo, que se saiba.

A idade em si não é problema para a maioria das pessoas. Muitas continuam brilhantes em suas profissões até o fim da vida. Mas esse não parece ser o caso do atual ministro das Relações Exteriores.

Em recente entrevista ao jornal Estadão, já como titular interino da pasta, Serra foi perguntado sobre o escândalo mundial da espionagem eletrônica pela NSA (agência de segurança sacional dos Estados Unidos) tendo o governo brasileiro como alvo, ao lado do governo de outros países. Sem vacilar, o ministro respondeu: "NSA, o que é isso?", demonstrando ignorância sobre o principal contencioso recente de seu ministério. Falha bem mais grave do que qualquer lapso de Montoro.

Em 2012, Serra trocou o nome do próprio país. Durante entrevista na televisão, travou o constrangedor diálogo com o jornalista Boris Casoy:

Serra: "O Brasil chama (sic) Estados Unidos do Brasil (...)"

Casoy: "Não. O Brasil não chama Estados Unidos do Brasil."

Serra: "Mudou?"

Casoy: "República Federativa do Brasil."

A título de comparação, Montoro nunca chegou ao ponto de trocar o nome do estado de São Paulo pelo ancestral "Capitania de São Vicente".

Parece e é comédia escolher justamente para chanceler alguém que troca o nome do próprio país. Mas esse é o padrão Temer de escolha de seus ministros interinos.

Como se não bastasse, em visita recente a Paris, Serra foi impaciente e discutiu com uma jornalista francesa. Não para debater o mérito de questões diplomáticas mas, como se estivesse em uma campanha eleitoral, queixou-se de uma matéria produzida pela jornalista para a Radio France sobre manifestações de brasileiros residentes em Paris contra ele. Conduta completamente imprópria para quem responde pela diplomacia.

Outra "caduquice" de Serra, ou seja, dificuldade de compreensão da realidade à sua volta, é pedir estudos de custos, com a clara intenção de fechar embaixadas na África e na América Latina. Em vez de cumprir a missão que a diplomacia exige dele, quer aplicar seus conhecimentos econômicos neoliberais adquiridos no pensamento único de corte de custos.

Só que nem governos neoliberais cortam custos onde isso significa perda de fatia no comércio mundial e na geopolítica. E fechar embaixadas fará empresas brasileiras perderem exportações para concorrentes de outros países. Além disso, o Brasil perderá aliados na hora em que precisar de votos de cada país em defesa de nossos interesses e de nossa visão de mundo nos fóruns multilaterais. Até o falecido banqueiro Olavo Setúbal, ultraliberal sócio-presidente do banco Itaú, quando foi chanceler no governo José Sarney reatou relações diplomáticas com Cuba.

Serra produz o primeiro caso no mundo de diplomacia de uma potência que decide encolher voluntariamente. Todas as outras potências fazem uma diplomacia expansionista para abrir novos mercados e conquistar adesões de votos na ONU para seus interesses.

E tem mais. Serra também desqualifica os fóruns multilaterais. Já fez declarações beligerantes à Unasul, à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e — a mais grave — questionou a relevância da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde a diplomacia brasileira tem conquistado grandes vitórias, resultado de um trabalho de persistência.

Atitude insana, comparável a um general entregar deliberadamente um de seus quartéis mais fortificados ao inimigo.

A ênfase de Serra apenas no orçamento do Itamaraty transparece o desejo de fazer das Relações Exteriores trampolim para o Ministério da Fazenda, repetindo os passos de Fernando Henrique Cardoso no governo Itamar Franco, e que acabaram por levá-lo à Presidência. Lembra a célebre frase de Marx: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda, como farsa".

A hostilidade de Serra a países vizinhos da América do Sul e Central também revela alienação da realidade por parte do chanceler. Justamente países que são os principais mercados de produtos industrializados brasileiros. Em vez de dialogar e procurar serenar os ânimos, Serra faz o contrário. Se o tucano não for rapidamente exonerado, é questão de tempo para aparecem resultados desastrosos na balança comercial com esses países. A China, os EUA, a Alemanha, o Japão, a Espanha e outros agradecem o estrago que o chanceler interino fará nas exportações brasileiras, com conseqüente perda de empregos no Brasil.

Mas os problemas não acabaram. Se Serra desconhece o que é a NSA, parece ignorar que, segundo o FMI, desde 2014 a China tem o maior PIB do mundo medido pelo poder de paridade de compra. Ou seja, a produção de bens e serviços na China já é maior do que nos Estados Unidos, apenas os preços ainda são defasados, maiores nos Estados Unidos. Por essa mesma métrica, o PIB da Índia é maior do que o do Japão, o da Rússia equipara-se ao da Alemanha, e o do Brasil ultrapassa com folga o do Reino Unido e o da França, se aproximando do da Alemanha.

Os Brics já compõem as maiores economias mundiais em termos de produção e têm agendas de desenvolvimento mais próximas entre si e com mais sinergia. Qualquer chanceler brasileiro em sã consciência, pragmático e independentemente de ideologia, priorizaria as relações com as potências dos Brics em ascensão. Mas Serra não parece dispor desta consciência.

Até agora a política externa interina é a cara do golpe e do governo interino: a de uma gigantesca república de bananas.

Outra inaptidão de Serra para o cargo é que ele tem problemas com fuso horário até quando não sai do Brasil, já que é notória e declarada sua ojeriza em acordar cedo e trabalhar no período da manhã, tendo hábitos notívagos. Durante a campanha presidencial de 2010, após bater boca com Miram Leitão em uma entrevista para a rádio CBN, ele disse que era impossível estar de bom humor após ter de acordar cedo.

Imagine os efeitos em seu humor se tiver que fazer uma viagem à China ou ao Japão. Pode vir a criar até mesmo uma crise diplomática. Além disso uma intensa agenda de viagens que o cargo exige pode levar o tucano ao hospital, devido aos efeitos do jet lag.

Por todos este fatos, causa estranheza que ninguém, sejam parlamentares de oposição ao golpe, sejam membros do Ministério Público Federal, sejam representantes da sociedade civil, ainda tenha invocado a Lei 8.112/1990.

Em circunstâncias normais, isso nem seria preciso, pois governos eleitos legitimamente e com compromissos com a Nação colocam gente qualificada na chefia do Itamaraty. Mas esse governo interino é resultado de um golpe, de uma conspiração. E ministérios foram distribuídos para atender interesses pessoais de políticos golpistas e não aos interesses nacionais. Por isso não vivemos circunstâncias normais.

Pelos prognósticos passados é grande a chance de uma ação pedindo exame de aptidão física e mental de José Serra para exercício do cargo, com base na referida lei, cair nas mãos do ministro do STF Gilmar Mendes e ser arquivada.

Mas o pedido da ação, além de legítimo é também um ato político suficiente para denunciar o quanto o interino é inadequado ao cargo. Quem se habilita a defender a nação, não só das "montorices" de Serra, mas sobretudo dos estragos na política externa?

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Procura-se: Um manifestante que seja contra a corrupção


O poeta e escritor francês Honoré de Balzac dizia que "os costumes são a hipocrisia de uma nação". Acho que essa frase vale mais do que nunca para nós, brasileiros.

Não acredito em generalização, claro. Não somos todos nós os hipócritas. Pelo menos os hipócritas da vez. E sim eles, os "manifestantes contra a corrupção".

Sim, talvez você faça parte desse grupo. Capaz que você nem imagine o quão hipócrita é, por apenas ter servido como massa de manobra de interesses mesquinhos de um grupo bem específico.

Mas, talvez você saiba da sua hipocrisia, e não tenha a menor vergonha de admiti-la.

De qualquer forma, foram alguns os milhões de brasileiros que ocuparam as ruas desde o ano passado para protestar contra a corrupção - e consequentemente pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Veja bem: a impopularidade de Dilma era algo que quase partia do senso comum do brasileiro. A diferença se encontra nos motivos e causas que geraram tal indignação.

Por exemplo, as classes C, D e E não gostavam de Dilma não por achar ela culpada de toda a corrupção denunciada pela Lava Jato. Eles não aprovavam seu governo por justamente não ter dado continuidade aos programas e avanços do governo Lula. O ajuste fiscal, a perda de consumo, tudo isso foi um reflexo de sua impopularidade com a classe trabalhadora.

Já vocês, os "manifestantes contra a corrupção", pouco se importam com o ajuste fiscal. Terceirização, privatização e corte em programas sociais é visto como algo positivo por boa parte daquela massa confusa que ocupou as ruas.

Digo boa parte porque não são todos assim em sua totalidade. Como disse acima, talvez você seja "manifestante contra a corrupção", mas também tenha sido parte de uma massa de manobra bem articulada.

Faço esse texto porque não ouço panelas batendo. Não vejo manifestantes com a cara pintada e a bandeira do Brasil nas ruas.

Muito menos congressistas irritados com a corrupção na frente das câmeras, e a abraçando antes de dormir longe dos holofotes.

Pelo menos 7 dos novos ministros indicados por Michel Temer estão sendo investigados pela Justiça. Alguns até mesmo são investigados pela Polícia Federal na operação Lava Jato.

Nem por isso o grupo fascistoide Revoltados On Line fez protesto na frente da casa desses novos ministros - assim como o fizeram quando Lula foi quase indicado para o Ministério da Casa Civil por Dilma.

E o senador Aécio Neves? O ministro do STF, Gilmar Mendes, em menos de 24 horas, aceitou os argumentos do tucano e seus advogados, suspendendo as investigações sobre Aécio no caso de Furnas.

Resolvi fuçar a página dos liberais do Movimento Brasil Livre. Nenhuma postagem sobre.

NENHUMA. NENHUMA NOTA. NADA.

Pensei em pegar um cartaz e escrever em letras garrafais: PROCURA-SE O MANIFESTANTE CONTRA A CORRUPÇÃO. Onde ele foi parar?

A resposta é mais simples do que você imagina.

Nunca existiu nenhuma campanha popular contra a corrupção. A corrupção nada mais é do que o instrumento de grupos políticos pré-estabelecidos em um sistema corrupto para atacar seu rival, geralmente da situação (governo). Quando o cenário muda de lado, é a vez desse grupo político se defender das acusações.

A corrupção faz parte de um sistema que concilia partidos políticos com os interesses de multinacionais e empresas privadas, aceitando doações generosas para campanhas políticas.

E meu amigo, nenhum desses que estão no novo governo defendem o fim do financiamento privado. Nem os fascistoides do Revoltados Revolts. Nem os liberuxos do MBL. Nem mesmo o Temer, oras.

"Mas, primeiro derrubamos a Dilma, agora iremos derrubar o restante".

Não, amigo. Não vão não.

Esses grupos que organizaram os protestos contra Temer já fazem campanha em defesa de seu novo governo. Talvez porque enquanto vocês torravam no sol durante a mega-ultra-manifestação na Avenida Paulista, esses caras que lideram tais grupos estavam ali nos bastidores, negociando cargos e ganhos em cima de tudo isso.

É diferente de 2013.

Em 2013 não havia lideranças. Não era preciso três carros de som gigantescos para colocar milhões de pessoas na rua. Muito menos era preciso protestar só nos domingos - pelo contrário, era todo dia, toda noite, toda madrugada se for preciso.

Ainda dá tempo de negar essa hipocrisia, e entender o jogo como funciona.

Antes que seja tarde. Não é preciso "temer".

Francisco Toledo
No GGN
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E se um amigo de Lula, e não de Aécio, fosse o maior captador da Lei Rouanet?

Aécio, Accioly e Calainho em seu elemento
Quando Michel Temer matou o MinC para ressuscitá-lo dias mais tarde, os artistas se mobilizaram e causaram barulho suficiente para o interino, como de costume, voltar atrás.

Na campanha de difamação da classe, coxinhas tiraram do bolso uma velha arma para xingar cantores, atores e quejandos de vagabundos: a Lei Rouanet.

Segundo o raciocínio primário da turma, todos eles, sem exceção, eram sustentados pelo estado. Todos petralhas comunistas marxistas vendidos.

Se soubessem ler, ou se a indignação não fosse seletiva ou fruto de más intenções, ficariam frustrados com a lista dos vinte maiores captadores.

Fausto Macedo, no Estadão, informa que o delegado Eduardo Mauat, da Polícia Federal, abriu inquérito sobre os maiores recebedores. Mauat não falou quais as suspeitas que estão sendo apuradas ou a linha de investigação.

O nome que aparece em primeiro lugar, com mais de 21 milhões de reais capturados em 2015, não é o de José de Abreu, Letícia Sabatella ou Chico Buarque, mas da Aventura Entretenimento, que tem como sócio Luiz Calainho.

E Calainho, veja você, é amigo do peito de Aécio Neves.

No site oficial, está lá que a empresa “nasceu em 2008 com um sonho: ser a maior produtora de musicais de alto padrão do mercado brasileiro”.

“Nestes últimos anos, foram mais de 2400 apresentações de altíssimo nível técnico e artístico, formando e capacitando talentos em várias áreas: atores, músicos, bailarinos, técnicos, diretores, produtores e teatros. (…)”.

A Aventura é a grande responsável pela febre dos musicais no país. Atualmente, estão em cartaz com uma biografia de Elis Regina escrita por — adivinhe — Nelson Motta (petralha!! Risos, como diria a finada Playboy). Já montaram uma de Chacrinha, entre dezenas. É um fenômeno do teatro.

Calainho contou ao Globo que hoje comanda uma holding com um faturamento de 120 milhões de reais anuais. O perfil no jornal, uma inacreditável baboseira laudatória, conta que ele encosta em toda planta “porque acredita que o Homem e a natureza sejam uma coisa só”.

Lançou um livro de auto ajuda chamado “Reinventando a Si Mesmo”. Um ex-colega conta que “a maneira de ele apresentar os produtos fugia do convencional, ele se apresentava junto do produto, vendia a si mesmo também.” Calainho se define: “Quando eu falo, inspiro, não proponho comportamentos nem regras”. Etc. Enfim, quem precisa de Chaplin?

O artigo só não menciona a antiga amizade com Aécio, banhada e cultivada nas milenares praias cariocas. Ele é frequentador do apartamento de 250 metros quadrados do presidente do PSDB no Leblon, uma galera da qual ainda fazem parte Luciano Huck, Álvaro Garnero e Alexandre Accioly.

Calainho é chegado de Aécio desde os bons e velhos tempos em que o tucano governava Minas e passava os finais de semana no Rio de Janeiro.

Uma reportagem da Istoé de 2006 relata que o neto de Tancredo mandou um email a ele e Accioly, “companheiros de noitada”, garantindo que não se afastaria deles para preservar a imagem porque “a amizade era mais importante que a política”. Costumavam passar o réveillon na casa de Luciano Huck em Angra dos Reis.

É óbvio que Luiz Calainho não pode e não deve ser criminalizado a priori por utilizar um recurso que, em tese, está ao alcance de qualquer cidadão. Mas sempre cabe aquela pergunta sobre a investigação da Rouanet: e se ele fosse amigo do Lula?

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Kiko Nogueira
No DCM
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TRE confirma inelegibilidade de Temer por oito anos


Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo envia certidão à zona eleitoral do peemedebista informando que presidente em exercício está enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter feito doação eleitoral acima do limite permitido por lei

O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) está inelegível pelos próximos oito anos, de acordo com certidão expedida ontem (quinta, 2) pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O tribunal enviou à zona eleitoral do peemedebista um documento para constar no sistema da Justiça eleitoral que o vice-presidente não é mais um “candidato ficha limpa”. As informações são do site Conjur, especializado em assuntos jurídicos, e foram confirmadas pelo Congresso em Foco no TRE-SP.

Temer foi condenado em novembro de 2015 por ter feito doações acima do limite legal na campanha eleitoral de 2014. Na ocasião, Temer doou R$ 100 mil e, de acordo com a decisão, extrapolou o limite previsto na legislação para pessoas físicas, de 10% do rendimento bruto auferido no ano anterior ao da eleição — que foi de R$ 839,92 mil em 2013.

A certidão, porém, não gera qualquer problema para que Temer exerça o cargo de presidente em exercício ou de vice-presidente, para o qual já foi eleito. Será um obstáculo apenas para uma futura candidatura caso queira concorrer nas próximas eleições.

Em entrevista ao Conjur, o advogado eleitoral que representa Temer no TSE, Gustavo Bonini Guedes, afirmou que considera a certidão do TRE “tecnicamente errada”. “Ele não foi condenado à inelegibilidade, ele foi condenado por doação acima do limite legal. A inelegibilidade pode ou não ser uma consequência dessa condenação, mas isso quem vai dizer é o juiz que analisar o pedido de registro de candidatura”, afirma.

Segundo o advogado, a condenação por doação acima do limite legal tem como pena apenas o pagamento de multa. “Não se pode condenar alguém à consequência da pena, só ao que está escrito”, disse ao portal.

Despacho

De acordo com a reportagem de Pedro Canário, a certidão publicada nessa quinta-feira é uma praxe do tribunal, definida em regra interna para se adequar à Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). De acordo com o despacho, toda vez que alguém é condenado em segundo grau pela Justiça Eleitoral, deve constar de seu cadastro eleitoral que ele é inelegível.

Segundo o Conjur, o documento traz a seguinte referência sobre Temer: “Certidão de que, nesta data, em cumprimento ao despacho normativo proferido pelo Presidente nos autos do Recurso Eleitoral  1901-88.2011.6.26.0000, foi transmitida mensagem eletrônica à 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, para o comando do ASE 540 – inelegibilidade no Sistema ELO em nome de Michel Miguel Elias Temer Lulia”.

inelegibilidade

No Cafezinho
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Michel Temer atola

A progressiva, inexorável deterioração do governo interino que, para bem do Brasil, haveria de ser realmente provisório

O Michel é Eduardo Cunha, diz num dos
“grampos” o senador Romero Jucá
Lá se foram os 31 dias de maio, 19 deles sob a vigência do governo provisório de Michel Temer, iniciado no dia 12 deste mesmo mês. Nesse período, curtíssimo período, a administração do vice-presidente ganhou marcas notórias. A mais visível delas é o ressurgimento de um reacionarismo exasperado imposto pela base do Congresso. Mais precisamente, pelo emergente e poderoso “baixo clero”.

Essa é a linha divisória traçada entre a presidenta Dilma Rousseff e o vice Michel Temer.

A presença dela no governo abafava, tanto quanto possível, a influência conservadora do Congresso. Dilma impunha, em contraposição à maioria adversária, pautas atentas mais diretamente às questões sociais.

Na votação do impeachment na Câmara, ela pagou o preço por isso.

Com Temer, a roda passa a girar ao contrário. Ele segura a batuta. Muitas coisas, porém, são sopradas das coxias para o “maestro” por Eduardo Cunha, figura carimbada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro.

O governo temporário está atolado em problemas e em dilemas. Acovardado, joga todos os erros na conta de Dilma. Impiedosamente, mira sua fúria nos programas sociais. Desnorteado. Zureta. Suspeito.

As revelações despejadas das gravações clandestinas, produzidas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, expuseram a intensidade das relações promíscuas entre integrantes dos Três Poderes. Diálogos revelados pelos “grampos” de Machado comprovam com poucas palavras a trama do golpe, até agora vitorioso, para afastar Dilma e sufocar a Operação Lava Jato.
Renan Calheiros
A maior contribuição para as campanhas de Calheiros veio de Sérgio Machado
Foto: Geraldo Magela
Por mais de 12 anos Machado abasteceu com dinheiro, muito dinheiro, as eleições das figuras mais importantes do PMDB. Mas atendia prioritariamente a Renan Calheiros, hoje presidente do Senado.

Essa corrupta barafunda projetou a cúpula do partido com Temer, Renan, Cunha e Jucá, entre outros, que têm sob controle a força majoritária do Congresso.

Michel Temer, presidente em exercício, acomoda-se bem a essa velha situação acondicionada em nova embalagem.

“O Michel é Eduardo Cunha”, diz num dos “grampos” o senador Romero Jucá, primeiro degolado do governo provisório. Oficialmente, Jucá perdeu o posto de ministro. Informalmente, mantém ainda forte influência junto ao provisório presidente da República.

Há um mar de lama controlado pelo PMDB. Sob as ordens dos peemedebistas funciona a força majoritária do Congresso, por sinal, o mais reacionário dos últimos 50 anos da República. Em poucas palavras, essa grande maioria repudia a luta ambiental, reage aos movimentos sociais e se lixa para os direitos humanos. Talvez até torça para que os indígenas saiam definitivamente de cena. Indícios existem nesse sentido.

O Diário Oficial da União do dia 2 de junho publicou a nova estrutura do Ministério do Esporte. Foi para o espaço a Coordenação-Geral de Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais e Diversidades.

É mais um ataque aos projetos de inclusão social. Nesse caso, a secretaria foi extinta. Os indígenas sobrevivem.

Maurício Dias
No CartaCapital
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A Globo mete a mão no dinheiro público até pela Rouanet


Um ministro de Geisel uma vez disse o seguinte num despacho para seu chefe: “Os jornais não vivem e nem sobrevivem sem o governo”.

Isto, segundo ele, era uma arma poderosíssima que a administração Geisel devia usar em sua relação com a imprensa.

Roberto Marinho, disse ainda o ministro, era mestre em pedir “favores especiais” a Geisel por conta do apoio que dava à ditadura.

Tudo isso está no livro Dossiê Geisel, feito com base em documentos pessoais de Geisel doados à Fundação Getúlio Vargas.

Lembrei dessas coisas todas ao ver a lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet em 2015. Ali não estavam os artistas sempre acusados pelos analfabetos de mamar na Rouanet, como Chico e Zé de Abreu.

Mas a Globo estava, pela Fundação Roberto Marinho.

Abaixo, a lista de quem foi mais favorecido pela Rouanet:

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Mais que uma empresa, a Globo é uma máquina de meter a mão no dinheiro dos contribuintes. Este é sem dúvida seu maior talento. Às fórmulas clássicas — publicidade oficial, financiamentos de bancos como BNDES, vendas de livros e assinaturas de jornais e revistas — a Globo acrescentou novidades, nos últimos anos, como a sonegação de impostos.

E até a Rouanet passou a ser utilizada para transferir recursos do pobre contribuinte brasileiro para os Marinhos.

Não foi dito que projetos da Fundação RM foram financiados pela Rouanet. Mas a pergunta é inevitável: a Globo precisa de mais esta mamata? A família mais rica do Brasil não pode abdicar da Rouanet para que sobre dinheiro para artistas que não tenham a fortuna dos Marinhos?

É sempre assim.

Na era FHC, uma gráfica nova — e ruinosa — da Globo foi bancada pelos contribuintes, pelo BNDES. Não foi um empréstimo: foi uma cusparada na sociedade, autorizada por FHC. Imagine se o Banco da Inglaterra enchesse de dinheiro Murdoch de libras para uma nova gráfica? Thatcher sairia do túmulo.

A inépcia gerencial da Globo — mesmo com tantos privilégios esteve várias vezes insolvente — se explica na voracidade com que se atira a recursos públicos. Você não pode ser bom em tudo. E se você desenvolve excelência em mamar dinheiro público provavelmente não terá tempo para se aprimorar em outras coisas.

E então você vai atrás de cada real público que esteja a seu alcance. Por exemplo, os reais da Rouanet.

Paulo Nogueira
No DCM
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Cerveró revela orientação da Petrobras para contratar empresa de filho de FHC (+ vídeos)

O ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró contou, em sua delação premiada, que houve orientação da presidência da estatal para contratar uma empresa ligada ao filho de Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República.

O caso teria ocorrido por volta do ano 2000 a partir de um pedido de Philipe Reichstul, que comandava a companhia. A PRS Energia, pertencente ao filho do tucano, Paulo Henrique Cardoso, se juntou à Petrobras naquele período para gerir a Termorio, maior termoelétrica de gás do país, que custou US$ 715 milhões.

Ele disse aos investigadores que o fato contrariou o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que mediava a contratação da empresa espanhola Union Fenosa e acreditou que o negócio seria fechado com a usina, mas foi surpreendido pela escolha da proposta oferecida por Paulo Henrique.

No Fórum








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Bancada Evangélica, Secundaristas e Pensamento Anti-Jurídico


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Secretária de Temer faz parte de “articulação criminosa”, diz PGR (+ vídeo)

Segundo PGR, ex-deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) usava ONG fantasma para desviar dinheiro de emendas parlamentares de convênio com Ministério do Turismo


A escolhida pelo golpista Michel Temer para assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a ex-deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), além de ter opiniões polêmicas sobre aborto em caso de estupro, é suspeita de desviar R$ 4 milhões de suas emendas parlamentares, em 2011.

A investigação do Ministério Público Federal aponta Pelaes como integrante de uma “articulação criminosa” e o relatório da Procuradoria-Geral da República (PGR) dá mais detalhes da suspeita de envolvimento dela no esquema desmantelado pela Operação Voucher.

“Toda essa articulação criminosa contou com a participação da deputada federal Fátima Pelaes, que constantemente se reunia com servidores do Ministério do Turismo para agilizar a liberação das verbas do convênio”, diz o documento da PGR.

Pelaes aparece no escândalo ligado a uma ONG fantasma que havia celebrado convênio com o Ministério do Turismo dois anos antes. As investigações estão em andamento e os sigilos fiscal, bancário e telefônico da secretária foram quebrados.

De acordo com a investigação, Pelaes indicou uma ONG fantasma chamada Ibrasi para receber R$ 4 milhões de suas emendas para promover o turismo no Amapá. Depoimentos apontaram a ex-deputada como beneficiária de parte do dinheiro.

“É razoável supor que o objeto inicial da celebração do convênio era o desvio e a apropriação dos R$ 4 milhões. A parlamentar teria ainda escolhido as pessoas que ministrariam os cursos oferecidos no âmbito do convênio, que aparentemente sequer foram realizados”, diz a Procuradoria.



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Band rompeu com Temer?


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Aecím, a Papuda te espera!

Um dia Furnas ia pegar ele (e todo o PSDB)!

Reprodução: Carta Capital
A casa caiu, playboy !

Excelente reportagem de Henrique Beirangê na Carta Capital desta semana descreve os passos da iminente proscrição de Aecím da vida publica — para se dedicar à privada.

O Torquemada do impeachment, aquele que não aceitou a derrota, vai acabar na Papuda.

Beirangê antecipou a decisão que está hoje no PiG: até Gilmar — até-o-Gil-mar!, se-nho-res! — autorizou o Supremo a julgar o Aecím, diante do parecer do Janot — até-o-Ja-not!, se-nho-res!

O Brasil assistirá, fascinado, o Supremo abrir a Lista de Furnas!

Em homenagem à imerecidamente longa carreira do Aecím, o Conversa Afiada a divulga, com entusiasmo!

Note, amigo navegante, quem encabeça a Lista: ele, o "Padim Padre Cerra", que, breve, seguirá os passos do Aecím...


PHA
No CAf
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Xadrez do desmanche nacional


Se algum historiador ou cientista político quiser um estudo de caso porque países seguidamente perdem as janelas de oportunidade abertas pela história, debruce-se sobre o Brasil.

Durante um breve período de tempo o país conquistou avanços inéditos. Avançou nas formas de participação popular nas políticas públicas, definiu uma nova estratégia diplomática, inovou em políticas sociais, industriais, na diplomacia comercial.

No período Dilma foram abandonadas várias dessas iniciativas. Faltava à presidente dimensão política para entender o alcance tanto da diplomacia quanto das formas de participação.

Deixou de lado, mas não desmontou as políticas recebidas. Esta é a diferença central em relação ao interino Michel Temer.

Mesmo sendo interino, o governo Temer está promovendo o maior desmanche de políticas públicas da história. É uma nuvem de gafanhotos avançando sobre qualquer grama à vista, em uma demonstração tão ostensiva de despreparo e prepotência que lembra as mais atrasadas republiquetas latino-americanas.

A montagem de políticas públicas é trabalho de ourivesaria. Envolve segmentos sociais e econômicos, definição de práticas, consolidação de valores, de conceitos, abertura de canais de participação. Foi graças a esse trabalho pertinaz que o país manteve a continuidade nas políticas de saúde, com a apropriação da pasta por sanitaristas a partir da Constituinte; que avançou na educação, na diplomacia, graças à continuidade de sucessivos governos.

De repente, entra um novo governo que se aboleta no poder e não dispõe de quadros minimamente preparados sequer para entender os pontos centrais de cada área.

Nem o Ministério do governo Sarney conseguiu acumular tal dose de ignorância bruta. Ministros da Educação sem um pingo de conhecimento sobre a área; chanceler totalmente jejuno em questões diplomáticas; Ministro da Casa Civil empenhado em destruir qualquer organização que tenha o cheiro do governo anterior.

Desmanche na Educação

O Fórum Nacional de Educação (FNE) foi um enorme avanço em políticas públicas. Junta representantes de todos os setores, de sindicatos de professores a ONGs do setor privado. Logrou uma mobilização ampla na Conferência Nacional de Educação de 2010, mais de 800 mil pessoas definindo um conjunto de metas em todas as áreas da educação.

Mal chegou ao cargo, o novo Ministro da Educação Mendonça Filho mandou demitir todos os funcionários da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) e oito da Secretaria Executiva.

Nem se preocupou em saber para quê servia a Secretaria, qual a relevância do FNE. De uma penada, desmontou uma estrutura central para os avanços da educação brasileira.

Fez mais. Hoje em dia há um trabalho grandioso de educação inclusiva, que colocou na rede pública cerca de 800 mil alunos com alguma forma de deficiência. Mendonça acaba de demitir todo o departamento que cuidava disso e anunciar a volta das crianças para o redil das APAEs (Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais), cuja Federação se transformou em um enorme sorvedouro de dinheiro público e cuja pedagogia (com exceção de poucas APAEs, como a de São  Paulo) foi condenada nos principais fóruns pedagógicos internacionais.

Na reunião com Eduardo Barboza, o líder da Federação, Mendonça assegurou que "agora o MEC voltará a ser de vocês". Ao longo da última década, a Federação das APAES tornou-se o maior sorvedouro de verbas públicas não fiscalizadas, praticando a antipedagógico do confinamento de crianças com deficiência.

Correção: A nova Secretaria de Pessoas com Deficiência, Ivana Farina, é defensora da educação inclusiva e técnica bastante conceituada junto ao movimento.

Desmanche na diplomacia

Levou anos para que a diplomacia brasileira assumisse um protagonismo maior no cenário global. Foram décadas de trabalho profícuo, de montagem de alianças no cipoal sutil e sofisticado da diplomacia internacional, onde entram as ligações com os países vizinhos, as relações com os Estados Unidos, as estratégias para consolidar o papel do Brasil no mundo, nas instituições multilaterais, e a maneira a aproveitar da melhor forma possível esses avanços diplomáticos.

Nos últimos anos, o país logrou colocar um representante na OMC (Organização Mundial do Comércio), outro na UNCTAD, na crise de 2008 liderou blocos relevantes, o G20, os países exportadores agrícolas, os BRICs. Enfim, ganhou uma dimensão e um protagonismo que não se via desde a Operação Panamericana, no governo JK.

Aí José Serra assume a chancelaria. Criticava-se muito em Dilma o voluntarismo, a maneira de interferir e travar temas sobre os quais não tinha nenhum conhecimento mais aprofundado. Perto de Serra, Dilma é um poço de racionalidade e flexibilidade.

Para se mostrar decidido, Serra toma qualquer decisão que passe à sua frente, mesmo sem ter a menor ideia sobre as consequências. Faltam-lhe conhecimentos básicos sobre diplomacia e, menos ainda, sobre estratégias diplomáticas.

Passou a tocar diplomacia de ouvido, repetindo bordões sobre acordos bilaterais, sem entender que a própria posição do país nos organismos multilaterais fortaleceria sua posição nas negociações bilaterais.

Bastou o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, chamar sua atenção para a possibilidade de atuar nas duas frentes, para Serra pegar a borduna e bater na mesa, como um punk de periferia. Na mini reunião ministerial da OMC, acusou a instituição de enfrentar o imobilismo, falhar em derrubar os subsídios e barreiras sanitárias e fitossanitárias. E sinalizou que o Brasil poderia “tomar outros caminhos”.

Serra regurgitava impropérios contra a OMC e os jornais divulgavam o fato da China ter-se transformado no maior comprador de carne bovina brasileira. Motivo, o extenso trabalho de derrubada das barreiras fitossanitárias empreendido pelo governo Dilma, através da Ministra da Agricultura Kátia Abreu. E não apenas na China, mas em todo o mundo.

Enquanto Serra submetia os demais ministros presentes ao encontro a um esforço ingente para disfarçar o choque com tal demonstração de ignorância, nos bastidores seus assessores diziam para os jornalistas não levar a sério a bazófia: não haveria hipótese de desligamento da OMC. Vai discutir subsídio agrícola onde? Na Mooca? No Ceasa?

Não apenas isso. Não conseguiu entender a importância da África para o país, o espaço que se abre para o agronegócio e para as construtoras brasileiras.

Desmanche na EBC

A maneira como o Ministro-Chefe da Casa Civil Eliseu Padilha investiu contra a EBC é a demonstração cabal de que a lei... ora a lei.

Graças ao Ministro Dias Toffoli, a lei foi restabelecida. E é surpreendente a maneira como foi recebido o voto de Toffoli. Em qualquer circunstância, seria mais do que óbvio, visto que o interino recorreu a uma Medida Provisória para intervir em uma fundação cuja autonomia é garantida por lei.

Mas os tempos são tão bicudos, é tão precário o conceito de segurança jurídica, que a decisão de Toffoli configurou-se um ato de coragem e a primeira prova da independência do Supremo em relação ao governo interino.

No final do dia, corriam os boatos que, em represália, Padilha faria Temer encaminhar um projeto de lei propondo a extinção da EBC.

A segurança jurídica

A desenvoltura com que o governo interino se lançou na missão de destruir tudo o que lembrasse o governo de fato é a demonstração mais cabal da insegurança jurídica do país e da anomia absoluta do Supremo.

O novo normal jurídico criou um arremedo de civilização, um retrocesso como não se imaginaria alguns anos atrás.

1.     Tira-se uma presidente da República por questões orçamentárias, atropelando tudo o que é previsto na Constituição.

2.     Um interino assume e desmonta toda uma estrutura pública sem ao menos se ter a certeza de que permanecerá além dos 180 dias do interinato.

3.     Procuradores e delegados transformam os inquéritos em julgamentos políticos, selecionando as vítimas e vazando informações antes mesmo que a defesa dos acusados seja comunicada.

4.     Um Ministro do Supremo — Gilmar Mendes — manifesta diuturnamente suas preferências políticas, decide de acordo com suas convicções políticas, sem ao menos manter a congruência de seus próprios votos, e nada ocorre. Não é declarado suspeito.

Não tem como evitar um profundo sentimento de vergonha quando se observa a que foram reduzidas as instituições brasileiras.

Luís Nassif
No GGN
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Fenaj - Chapa 2 - Representante de Santa Catarina


Fábio Reis é jornalista, atuando no oeste do estado, e representa Santa Catarina na chapa de oposição à FENAJ - Hora de Reagir - Chapa 2. Fábio tem visceral atuação no movimento social e é um jornalista de luta. Pedimos seus voto na eleição que acontece nos dias 19, 20 e 21 de julho.

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Ex-editor do JN ataca Merval Pereira e diz que ele faz “trabalho sujo” de O Globo ao publicar denúncia sem base factual

A manchete de O Globo é baseada em nove linhas do ficcionista Merval Pereira; Temer demonstra “transparência” na capa da Folha: o governo interino tem medo de perder votos no Senado
Trabalho Sujo

Merval Pereira é um poço sem fundo

O Globo precisava de alguém que se dispusesse a escrever a notícia que sustentaria a manchete de hoje, segundo a qual o “esquema da Petrobras pagou despesas pessoais de Dilma”, mas como não tinha esta informação para publicar em seu noticiário factual, teve de fazer uso de Merval Pereira.

Ele publica, então, em nove linhas, de um único parágrafo, no meio da coluna, que haveria “indicações” de que “trocas de e-mails não rastreáveis” entre envolvidos na compra da refinaria de Pasadena revelariam que o Conselho de administração da Petrobras, que era presidido por Dilma Rousseff na época, teria arcado com algumas despesas pessoais dela [PS do Viomundo: acréscimo do trecho da coluna de Merval feito por nós].
Já existem documentos em posse da Procuradoria-Geral da República que revelam que a presidente afastada, Dilma Rousseff, tinha conhecimento do teor das negociações envolvendo interesses políticos na compra da refinaria de Pasadena, antes da reunião do Conselho de Administração da Petrobras que aprovou o negócio.

Os envolvidos na venda de Pasadena trocavam mensagens em uma rede de e-mails do Gmail que não era rastreável, pois as mensagens ficavam sempre numa nuvem de dados, sem serem enviadas. Numa dessas mensagens, na véspera da reunião decisiva, há a informação de que “a ministra” já estava ciente dos arranjos dos advogados.

Em outras mensagens, há informações sobre pagamentos de itens pessoais da presidente pelo esquema montado na Petrobras, como o cabeleireiro Celso Kamura, que viajava para Brasília às custas do grupo. Cada ida de Kamura custava R$ 5 mil. Há também indicações de que um teleprompter especial foi comprado para Dilma sem ser através de meios oficiais, para escapar da burocracia da aquisição.
Repito: um parágrafo, nove linhas, no meio da coluna, sem fonte — e para o Globo isto é suficiente para uma manchete de duas linhas e corpo 70 no alto da primeira página.

Captura de Tela 2016-06-03 às 11.51.33O GLOBO MORDE E ASSOPRA, MAS A MAIORIA DOS LEITORES SÓ VÊ A MORDIDA

Primeiro O Globo diz o que está no subtítulo:

“Depoimento indica que presidente afastada sabia de propinas”.

Depois, no texto, recua, informando que, na verdade, o que o delator Cerveró disse no interrogatório é que se permitiu deduzir que Dilma “deveria saber que políticos do PT recebiam propina da Petrobras.”

E acrescenta O Globo, derrubando de vez sua edição manipulada:

“No entanto, Cerveró pondera que não teve conhecimento de nenhum pedido de propina feito por Dilma. ‘Que o declarante supõe que Dilma Rousseff sabia que políticos do Partido dos Trabalhadores recebiam propina oriunda da Petrobras; que, no entanto, o declarante nunca tratou diretamente com Dilma Rousseff sobre o repasse de propina, seja para ela, seja para políticos, seja para o Partido dos Trabalhadores. Que o declarante não tem conhecimento de que Dilma Rousseff tenha solicitado, na Petrobras, recursos para ela, para políticos ou para o Partido dos Trabalhadores’, diz a delação.”

Na abertura da matéria, que sustenta o título, O Globo trata como novidade algo que Cerveró já disse há dois anos: que Dilma teria conhecimento de todos os dados do contrato de compra da refinaria de Pasadena, o que ela e os demais membros do conselho de administração sempre negaram, denunciando que os executivos da Petrobras esconderam do Conselho cláusulas desfavoráveis à estatal.

FILHO DE FHC NO PETROLÃO

O mesmo Cerveró que admite que apenas deduziu que Dilma deveria saber das propinas na Petrobras, mas ressalva que nunca ouviu falar ou soube de algo a respeito envolvendo a presidenta, é bastante especifico e taxativo quando diz que ele próprio participou de uma trama para beneficiar a empresa do filho de FHC.

História que faz lembrar que Cerveró, tido como protetor do PT na estatal, chegou lá e começou a operar na era tucana. O ‘petrolão’, portanto, não começou em 2003, como disse Pedro Parente, ao tomar posse da Petrobras, mas no governo do qual ele participou antes de sua experiência golpista atual.

Mário Marona, foi editor-chefe do Jornal Nacional nos anos 90/2000
No Viomundo



SOBRE A MANCHETE DE ‘O GLOBO’

A respeito da manchete do jornal O Globo desta sexta-feira, 3 de junho — “Esquema da Petrobras pagou despesas pessoais de Dilma” — a Assessoria de Imprensa da Presidenta Dilma Rousseff esclarece:

É completamente descabida e sem fundamento as informações divulgadas pelo jornalista Merval Pereira. Jamais, em tempo algum, qualquer despesa pessoal da Presidenta Dilma Rousseff foi paga por esquemas ilícitos ou provenientes de corrupção.

Mais uma vez, há uma tentativa de atingir a honra da Presidenta com o objetivo de manipular a opinião pública para facilitar a tramitação do processo de impeachment. Diante da acusação de golpe recorrem às armas da mentira e da calúnia.

Vamos aos fatos.

A contratação do cabeleireiro Celso Kamura foi feita em 2010, quando o profissional passou a prestar serviços, mediante contrato com a produtora, para a campanha de eleição da Presidenta Dilma Rousseff. Isto ocorreu quatro anos após a operação de aquisição pela Petrobras de 50% das ações da Refinaria de Pasadena.

Em 2014, Celso Kamura foi contratado novamente, e de forma oficial e registrada, para a prestação dos mesmos serviços durante a campanha da reeleição.

Entre 2011 e 2015, por ocasião de pronunciamentos oficiais da Presidenta Dilma Rousseff, o profissional prestou os mesmos serviços, sendo pago pela produtora responsável.

Nesse período, Celso Kamura foi contratado pela própria Presidenta para serviços particulares, sendo remunerado pessoalmente por ela. Estão em poder da Presidenta os comprovantes de pagamento devido aos deslocamentos (São Paulo ou Rio de Janeiro para Brasília) e aos serviços prestados por Celso Kamura.

TODAS AS DESPESAS PESSOAIS DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA TÊM ORIGEM COMPROVADA.

Espanta que o jornal O Globo dê divulgação a informações duvidosas e mentirosas. A Assessoria de Imprensa da Presidenta sequer foi procurada.

Para finalizar, a Presidenta Dilma Rousseff anuncia que tomará as providências devidas na Justiça para reparar todas as acusações difamatórias e caluniosas que foram contra ela proferidas.

ASSESSORIA DE IMPRENSA

PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
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Globo se desespera e ataca Dilma com denúncia mirabolante de Merval


O jornal O Globo desta sexta-feira emitiu sinais de desespero com uma eventual reversão do processo de impeachment no Senado.

Só isso explica uma manchete tão mirabolante como a de hoje. Escrita por Merval Pereira, que troca o papel de editorialista pelo de jornalista investigativo, ele "informa" que desvios na compra da refinaria da Pasadena, nos Estados Unidos, teriam servido para pagar despesas como o cabeleireiro da presidente Dilma Rousseff, Celso Kamura.

Não tem pé nem cabeça – e só revela que o risco de uma virada política no Brasil é real.

Leia, abaixo, a "reportagem investigativa" de Merval, que ganhou a manchete do Globo:

Já existem documentos em posse da Procuradoria-Geral da República que revelam que a presidente afastada, Dilma Rousseff, tinha conhecimento do teor das negociações envolvendo interesses políticos na compra da refinaria de Pasadena, antes da reunião do Conselho de Administração da Petrobras que aprovou o negócio. 

Os envolvidos na venda de Pasadena trocavam mensagens em uma rede de e-mails do Gmail que não era rastreável, pois as mensagens ficavam sempre numa nuvem de dados, sem serem enviadas. Numa dessas mensagens, na véspera da reunião decisiva, há a informação de que “a ministra” já estava ciente dos arranjos dos advogados.

Em outras mensagens, há informações sobre pagamentos de itens pessoais da presidente pelo esquema montado na Petrobras, como o cabeleireiro Celso Kamura, que viajava para Brasília às custas do grupo. Cada ida de Kamura custava R$ 5 mil. Há também indicações de que um teleprompter especial foi comprado para Dilma sem ser através de meios oficiais, para escapar da burocracia da aquisição.

No 247
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Show de Vergonha da PM de São Paulo


Policial é flagrado ROUBANDO carteira de manifestante enquanto o prendia! A ação ocorreu na última quarta-feira (1) em ação truculenta da polícia de Alckmin (PSDB) que deteu 6 trabalhadores — enforcou e surrou uma mulher, pisoteou na cabeça de outro, além de deixar diversas pessoas feridas com tiros de balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta — em ato do MTST — Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto que culminou na ocupação do hall do prédio da Presidência da República de São Paulo e da Avenida Paulista.



No Mídia Ninja
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Ator Guilherme Weber mita na Globo


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Governo do salve-se quem puder


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Telefonema Pro Michel - Temp.01 Ep.01


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