31 de mai de 2016

As “relações carnais” dos golpistas


Tudo parece, hoje em dia, andar cada vez mais depressa. Que o diga, entre tantos outros, o presidente da Republica golpista e interino, Michel Temer. Ainda não faz três semanas que ele assumiu o posto usurpado no Palácio do Planalto e já começam a ser feitas perguntas do tipo: “Será que seu governo já deu errado?” Os motivos dessa dúvida construída em tempo recorde estão, aparentemente, na súbita constatação de que Temer não tem legitimidade para governar, além de ser incapaz de resolver com um golpe único e certeiro a crise econômica do Brasil e do mundo. Foi o que se viu na semana passada, quando ele anunciou seu pacote de medidas econômicas.

O presidente mal tinha acabado de falar e analistas sem o rótulo de chapa-branca e quem mais tenha tido oportunidade de dar opinião séria expediam sentenças sumárias de condenação ao conteúdo, à forma e à eficiência das medidas anunciadas. Mesmo assim, são iniciativas que ainda não respondem ao que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, disse quando anunciou oficialmente que seu correligionário, Aloysio Nunes (PSDB-SP), será o líder do governo no Senado: aproximar o governo da agenda tucana. Temer já havia anunciado que entre as suas prioridades no Congresso estavam duas pautas do PSDB — o projeto de novas regras de governança para os fundos de pensão e estatais, de viés privatista, e a proposta que tira a exclusividade da Petrobras nos leilões do pré-sal.

“Relações carnais” com Washington

Temer vai se aproximando cada vez mais do tucanato, respondendo a uma espécie de ultimato na linha de que ou ele faz muito depressa um novo pacote, e desta vez ainda mais neoliberal, ou o seu governo está morto. Algo que ajude a criar o ambiente psicológico que atribua a crise ao governo temporariamente afastado pelo impeachment golpista e ao prolongado ciclo da crise mundial, com suas quedas concretas da produção e do consumo e, sobretudo, a depredação do mercado de trabalho — a crise é tragicamente real para quem perdeu o emprego e não pode marcar uma reunião no BNDES para discutir a reestruturação de seu capital com a professora e presidente da instituição, Maria Silvia Bastos Marques.

Uma a linha já totalmente definida pelo tucanato no governo golpista, com José Serra à frente das relações exteriores, vai desligando rapidamente as conexões do Brasil com os polos emergentes da economia mundial para voltar a alinhar-se em “relações carnais” a Washington, como pregou o chanceler argentino Guido di Tella no auge da histeria neoliberal na América do Sul, e com a banca multilateral e a Wall Street. Contudo, neste que é descrito como o pior momento da economia moderna os polos repudiados por Serra mostram que neles nunca houve um número tão grande de gente vivendo livre da pobreza — 2,5 bilhões de pessoas nos países emergentes, como lembrou a revista The Economist.

Teste de perguntas e respostas

No Brasil, especialmente, o avanço é notável. Pela primeira vez em 500 anos de história, os não-pobres — ou seja, os que chegaram aos degraus iniciais da chamada “classe média” — são a clara maioria da população. Quando o ciclo progressista engrenou, não havia um entendimento satisfatório do que essas mudanças significavam, mas era indiscutível que o Brasil ingressara numa era de avanços. Muitas empresas começaram a operar com a cabeça na nova realidade que se formava. A Petrobras, por exemplo, anunciou a aceleração do ritmo de construção de refinarias, investimentos que realizaria com seus recursos e sua capacidade de obter crédito; não fez isso por ser estatal, mas por uma lógica de negócio segundo a qual o mercado continuaria querendo comprar gasolina e óleo diesel. Tudo em meio à farsa do “mensalão”. Mas aí veio a “Operação lava Jato”. E veio o golpe.

Para ter uma ideia de como será para a economia brasileira, na vida real, o governo golpista pode ser útil a aplicação de um modesto teste de perguntas e respostas:

O dólar vai continuar valorizado para estimular as exportações?

A inflação se manterá no mesmo patamar em que esteve durante os últimos treze anos?

É possível ter certeza de que o governo golpista não vai elevar os juros a patamares de Fernando Henrique Cardoso e Pedro Malan caso a inflação recomece?

Os investimentos privados na economia, tanto nacionais como estrangeiros, vão aumentar nos próximos anos, em comparação com o volume registrado nos governos de Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff?

As propostas de mudanças na legislação trabalhista e previdenciária, jogando o peso da crise nas costas dos trabalhadores, serão abandonadas?

Os índices de redução do desemprego, de concentração de renda e de miséria vão continuar caindo?

Para responder ao teste pode-se escolher entre um cenário bom e um cenário ruim — ou, eventualmente, alguma coisa no meio, que, no fim das contas, acaba também sendo ruim. Se a resposta para a maioria dessas perguntas for sim, ninguém precisa ficar estressado: o Brasil será melhor que o de hoje. Se a maioria das respostas for não, temos o cenário ruim — e põe ruim nisso. A escolha entre essas duas hipóteses é livre. O que não é possível, mesmo com toda a boa vontade do mundo, é achar que pode dar certo um governo incapaz de responder positivamente a maior parte das questões expostas na lista sugerida.

Mistura de rancor e arrogância

Os fatos objetivos disponíveis até agora não dão motivos lógicos para se cravar respostas “sim” nesse teste. A menos que os mais fieis aliados de Temer revelem com ações concretas, e desde já, que abandonaram a visão que têm há anos da economia brasileira e mudaram de maneira radical o seu entendimento a respeito de como construir um país mais próspero e mais justo, todos os problemas centrais que o Brasil tem agora continuarão a se agravar. É só uma questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde, provavelmente mais cedo, as realidades vão começar a cobrar decisões objetivas do novo governo — e aí se verá qual governo, de verdade, o golpe construiu. A trilha atual revela que os golpistas serão mais ou menos o que tem sido desde sempre — e o que se pode esperar é a “desconstrução”, para usar uma palavra da moda, dos governos Lula e Dilma.

Ao longo dos últimos treze anos, os tucanos e todos os seus aliados mais representativos vêm tentando demonstrar que Lula e Dilma foram os piores governantes que a humanidade já conheceu desde Calígula — tudo o que eles fizeram foi 100% errado, não havendo nada, absolutamente nada, de certo, do primeiro ao último dia dos seus mandatos. Essa é a maneira como os golpistas procedem com qualquer ponto de vista diferente do seu, numa mistura de rancor, arrogância e falta de educação que serve de prévia para o que pode vir por aí. Infelizmente, é doença que não tem cura. Faz parte do DNA da direita — e não há Rede Globo que consiga mudar isso. Como não mudaram de ideologia, é lógico que vão lidar com as principais questões do país de maneira exatamente oposta à que foi adotada por Lula e Dilma.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
Leia Mais ►

A verdade sobre o 'Bolsa Família'

Os jornais trazem nesta terça-feira, 31 de maio, informações sobre uma auditoria do Ministério Público Federal no Programa Bolsa Família. Mais uma vez, a auditoria parece ter sido feita com bases em premissas erradas e leva a conclusões equivocadas sobre o programa.

Os fatos precisam ser conhecidos.

Desde 2005, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), responsável pela gestão federal do Bolsa Família, realiza, rotineiramente, o cruzamento do cadastro do programa com outras bases de dados, para identificar inconsistências. O procedimento vem sendo permanentemente aperfeiçoado, incorporando outras bases de dados, novas tecnologias e metodologias mais complexas.

As bases de dados que o Ministério Público Federal diz ter utilizado já foram e vêm sendo objeto de cruzamentos do próprio MDS, de outros ministérios e órgãos de controle, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Em relação às “fraudes” identificadas pela referida auditoria, vale destacar:
1- Os casos de pessoas falecidas são tratados desde 2012 utilizando a base nacional de óbitos, o Sisobi. Mais recentemente, o cruzamento tornou rotina automatizada no sistema de pagamentos de benefícios, operado pela Caixa. Qual o sentido de divulgar agora algo completamente superado há quatro anos? Dar margem para manchetes de que mortos recebem Bolsa Família? Vale ressaltar que a morte de um indivíduo não torna a família inelegível ao programa. Ao contrário, há situações em que o falecimento torna a família ainda mais vulnerável.
2- Em relação à doação para campanha eleitoral e propriedade de empresas, não existe impedimento legal para que um beneficiário do Bolsa Família realize doações ou seja proprietário de microempresa. Na averiguação feita a partir dos indícios levantados pelo TCU em 2010, os casos identificados não se confirmaram, mas indicaram a existência de outras fraudes: beneficiários sendo usados por terceiros para compra de bens, ou contratados para fazer campanhas para candidatos, registrados incorretamente como doadores de campanha. Ou seja, não era fraude no Bolsa Família, mas crime eleitoral.
3- No caso de beneficiários sem CPF, é preciso esclarecer que o documento só é obrigatório para os titulares do benefício. Sua ausência não implica recebimento indevido de recursos. Recentemente, o TCU fez avaliação e identificou casos residuais de duplicidade de CPF entre os beneficiários, que já estão sendo tratados por meio da rotina anual de atualização cadastral do Bolsa Família.

Este conjunto de informações mostra que o cruzamento entre bases de dados deve ser feito de forma criteriosa. Até porque os cadastros não têm a mesma qualidade e atualidade de informações, incorrendo em erros de interpretação sobre a situação das famílias.

Por isso, ao avaliar a divulgação da referida auditoria, que usa bases de dados dos anos de 2013 e 2014, é importante lembrar alguns aspectos.

O levantamento resulta em posições simplistas e preconceituosas contra o público do Bolsa Família, revelando desconhecimento sobre os critérios e sobre a legislação do programa. Desconsidera, ainda, o trabalho realizado pelo próprio MDS, TCU e CGU nos últimos anos.

Tais conclusões equivocadas poderiam ser evitadas se, antes da exposição midiática, a equipe técnica responsável pela gestão do programa tivesse sido procurada para discutir os "achados".

O levantamento é frágil. É mais uma tentativa de desconstrução do programa do que uma denúncia de fraude concreta ou linha de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle.

Antes de sair do MDS, lancei o processo de atualização cadastral das famílias para 2016, uma espécie de malha fina do Bolsa Família. Esse procedimento foi iniciado em 29 de abril, baseado na Instrução Operacional 79 do MDS. As famílias identificadas passaram a ser convocadas a comparecer às prefeituras para atualizar informações no Cadastro Único.

É preciso reiterar um aspecto importante. O Bolsa Família é um patrimônio nacional. Não pode ser atacado de maneira irresponsável. É assustador que o governo provisório e o ministro interino do MDS tenham uma reação aos “achados” do Ministério Público Federal sem tentar esclarecer os fatos, sem nem mesmo ouvir os próprios técnicos do ministério. É um desrespeito a servidores premiados por organismos internacionais, mundo afora, pela gestão correta e exemplar do Bolsa Família que atende a 46 milhões de brasileiros. Esses servidores são um exemplo de dedicação, prestando serviços de qualidade à população.

As informações divulgadas pela imprensa sobre supostas fraudes no Bolsa Família prestam um desserviço ao Brasil, desconhecendo um valoroso trabalho que mantém 13,9 milhões de famílias brasileiras fora da extrema pobreza.

Tereza Campelo é ministra do Desenvolvimento Social do Governo Dilma Rousseff.
Leia Mais ►

Lula enquadra Procurador linguarudo

Conselho considera que Santos Lima tem que ser investigado


Dos advogados do Presidente Lula:

O Conselho Nacional de Justiça reconheceu que a conduta do procurador da república Carlos Fernando Lima deve ser examinada, encaminhando o caso para a Corregedoria Nacional, no âmbito do próprio CNMP.

A Corregedoria Nacional irá analisar se Carlos Lima antecipou juízo de valor e realizou prejulgamento ao conceder entrevistas a meios de comunicação, mesmo após os procedimentos investigatórios envolvendo o ex-Presidente Lula terem sido remetidos ao STF, em 22/03/2016, e colocados em segredo de justiça por determinação do Ministro Teori Zavascki.

O pedido de providências formulado pelos advogados do ex-Presidente teve por objetivo impedir a ocorrência de novas antecipações de juízo de valor em relação às investigações não concluídas, tendo em vista o princípio da presunção de inocência previsto na Constituição Federal e reforçado por diversos Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Na sustentação oral realizada perante os membros do CNMP, foi lembrado que o Comitê de Direito das Nações Unidas já decidiu em algumas oportunidades que "autoridades públicas devem absterem-se de prejulgar o resultado de julgamentos, incluindo abster-se de realizar declarações públicas afirmando a culpa do acusado (CCPR/C/106D-2120/2911 - Vladislav Kovalec et al v. Bielorússia).

Lula não é réu e tampouco sofreu qualquer condenação criminal.

Cristiano Zanin Martins

No CAf
Leia Mais ►

Ministro do STF, Fux é alvo de pedido de impeachment


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux foi alvo de um pedido de impeachment protocolado no início da tarde desta terça-feira (31) no Senado.

O documento foi apresentado por um grupo de cinco advogados, com base no artigo 41º da Lei 1.079, de 1950, que regula os crimes de responsabilidade, segundo o qual qualquer cidadão pode denunciar ministros do Supremo Tribunal Federal.

Os autores da petição são Adriana Reis Albuquerque de Menezes, Carlos André Studart Pereira, Carlos Marden Cabral Coutinho, Pablo Bezerra Luciano e Vilson Marcelo Malchow Vedana.

De acordo com um servidor da Secretaria-Geral da Mesa, o pedido será disponibilizado na íntegra no site da Casa após sua leitura no plenário.

O funcionário não soube informar o teor da petição, mas disse que o o documento será encaminhado para o departamento jurídico do Senado, que irá formular um parecer para embasar a decisão do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Segundo o artigo 52 da Constituição Federal, "compete privativamente ao Senado processar e julgar" os integrantes da mais alta Corte do país.

Além do presidente da República, estão sujeitos a processos de impeachment de acordo com a Lei 1.079, o procurador-geral da República, ministros de Estado, ministros do STF governadores e secretários de Estado.

Em abril, outro ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, também foi alvo de pedido de impeachment. O pedido foi arquivado por Renan.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do STF informou ainda não ter conhecimento da representação contra Fux.

Gustavo Maia
No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

Indiciamento do presidente do Bradesco: mais problemas para Temer e Meirelles


Não podia vir em pior hora para o governo Temer o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Trabuco.

Sonegar ou “elidir” (versão cult da sonegação, feita com auxílio de escritórios de advocacia) não é nenhuma novidade para bancos.

Muito menos as demoradíssimas discussões no Conselho Admnistrativo da Receita Federal, onnde a polícia diz que Trabuco tentou dar um “jeitinho” num débito de R$ 3 bilhões.

Nem é dos maiores, segundo publicou, em agosto passado, o Congresso em Foco:

Os bancos Santander e Itaú são responsáveis pelas maiores dívidas em discussão no Carf. Em um dos casos, a filial brasileira do Banco Santander S.A. negocia 24 processos de execução fiscal junto à União. Ao todo, a instituição financeira foi autuada em R$ 27,3 bilhões pela Receita Federal. O segundo maior devedor  é o Itaú Unibanco Holding .S.A., que contesta um total de R$ 22,8 bilhões.”

Não é difícil imaginar “quanto vale o show” com dívidas deste tamanho.

O mercado financeiro vai botar as barbas de molho, imaginando se vai ter “japonês” para seus executivos também.

E piora um pouco mais a relação com um governo que sabe que tem desejo, mas não tem poder de protegê-lo.

E, depois das gravações pulando de um lado pro outro, ninguém vai meter a mão nesta cumbuca rica

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Veja sofre protesto virtual; link de matéria da revista diz que ela mente


A imagem que você vê acima é print screen de matéria publicada no portal da revista Veja. Foi feito às 17 horas e 17 minutos de 31 de maio de 2016.

O link da matéria diz que é falsa informação contida no título de matéria que acusa o presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

Em geral, os links de postagens na internet são formados pelo título do que foi publicado. Nesse caso, o link diz o seguinte:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/titulo-falso-a-ordem-veio-de-cima

Se você for um dos felizardos que ler este post pouco após ser publicado, terá oportunidade de dar boas rizadas com o protesto virtual de que Veja foi alvo.

Pode ser um hacker que fez a brincadeira, ou pode ser algum funcionário que não concorda com o jornalixo que a Veja produz

O fato é que, por volta das 17 horas desta terça 31 de maio, essa é a notícia mais lida no portal, apesar de que todos já sabem que Veja mente.

Clique aqui para ir à página com o título hilariante, se já não tiver sido apagado pela Veja.

veja 3

No Blog da Cidadania
Leia Mais ►

Fora Temer em versão Beethoven


Leia Mais ►

Esperando a bola da vez


Não importa sobre o que conversaram Michel Temer e o procurador-geral Rodrigo Janot nesta segunda-feira. Ou melhor, não importa o que dirão ter conversado. Vai ver que foi também sobre orçamento do Ministério Público, assunto do TSE que levou Gilmar Mendes ao Jaburu em pleno sábado.  Acabou-se o tempo das aparências. Para quê, depois dos grampos amigos de Sergio Machado?  Encontros à parte, claro está que o governo interino de Temer,  prisioneiro do gravador, já deve estar esconjurando o risco de ser chamado de provisório num certo futuro.

Depois da queda do segundo ministro em 17 dias, sobem as apostas em Brasília sobre quem será a bola da vez. Palpites não faltam. Faça o seu que eu tenho o meu.  Os defensores da ordem sem progresso já reclamam de vazamentos seletivos para atingir apenas ministros de Temer. Mas quem vaza (quem é mesmo?) pode apenas escolher a ordem.  Machado gravou a sua turma, a do PMDB, logo a de Temer.  Não deve ter ficado nos já revelados  Renan, Jucá, Sarney e o ministro caído da Transparência, Fabio Silveira.

Tem gravação com Temer? Esta é a outra pergunta que assusta uns e excita outros. Tenha ou não tenha, o gravador ameaça a votação de agosto no Senado, para condenar Dilma e efetivar Temer como presidente.  Primeiro porque alguns senadores já questionam o voto pelo impeachment depois das confissões de que ele foi inventado para conter a Lava Jato e “estancar a sangria” de caciques. Se sobrarem cinco é muito, disse Machado, que sabe das coisas.  Depois,  porque Renan Calheiros vai se tornando cada vez mais uma incógnita. Reiterou em nota ontem que não indicará ninguém para o governo. Não negou nem admitiu ter indicado Silveira mas escreveu que estará fora, para preservar a independência do poder que representa. Opa! Isso é grave para o Planalto. Dilma ouviu esta conversa antes e deu no que deu.

O resto, o governo vai cavando. Uma briga aqui, outra ali, medidas impopulares a caminho da Câmara, e tome rejeição interna e externa. Afinal, quando é mesmo que os institutos de pesquisa vão aferir a aprovação ao Governo. Está demorando um pouco. Alô, Ibope e Datafolha, precisando de pesquisadores?

Tereza Cruvinel
Leia Mais ►

Em discurso contundente, Dilma aponta: “É um governo de homens brancos, velhos, ricos e machistas”

“É um governo neoliberal em economia, e ultraconservador no social e na cultura, e em tudo mais. Sem sombra de dúvida, o golpe tem dois motivos. Um é parar a Lava Jato, o outro é impedir que nós continuemos com a nossa política de inclusão social”, afirmou a presidenta em evento na UnB. Confira os principais trechos e o vídeo com a íntegra da fala de Dilma

A presidenta Dilma Rousseff foi recebida por uma multidão na noite desta segunda-feira (30), na Universidade de Brasília (UnB), em noite de lançamento do livro A Resistência ao Golpe de 2016. Em seu discurso, ela foi contundente em relação ao governo Temer, que chamou de ilegítimo, fez referência aos áudios vazados envolvendo algumas das principais figuras do PMDB e expôs os principais motivos para o processo golpista, na sua avaliação.

“Esse é um golpe que se torna diferente pelo fato de que ele não interrompe o processo democrático, ele corrói o processo democrático, ele desgasta o processo democrático”, afirmou. “É isso que caracteriza um ‘golpe frio’, se a imagem de uma árvore sendo cortada por um machado é muito exemplar e simbólica da ditadura militar, a árvore democrática sendo destruída por um parasita é o exemplo desse golpe. Por isso nós temos que lutar dentro da democracia contra ele, temos que usar a democracia contra esse golpe”, disse.

A presidenta fez referência aos áudios gravados por Sérgio Machado com os senadores os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), e também com o ex-presidente José Sarney. “Como todos os outros golpes, ele detesta, odeia ser chamado de golpe, porque, ao ser chamado assim, seu caráter absolutamente contrário à Constituição e às regras democráticas surge. Eu comentava hoje com o Zé Eduardo Cardozo que tem um silêncio constrangedor quando se fala do meu afastamento. Nas gravações também têm um silêncio estarrecedor. As gravações que dizem tanto não gravam nenhuma frase que diz respeito a seis créditos suplementares ou ao Plano Safra. Não há uma única palavra em todas as gravações a esse respeito”, lembrou, referindo-se aos motivos que fundamentam o seu pedido de impeachment. “Mas há uma farta conversa a respeito de evitar que a sangria os atinja, que seus crimes sejam desvendados, que aquilo que foi feito e foi objeto de práticas irregulares, ilegais, corruptas, seja desmascarado e por isso tenho que ser afastada.”

Segundo a presidenta, contudo, não é apenas o acobertamento da corrupção que justificaria o processo do golpe. “Não acredito que o golpe seja só pra isso, ele tem outro sentido, mas aí não são as conversas gravadas que desvendam esse mistério. São as conversas, as entrevistas, as declarações do governo provisório, interino e ilegítimo. São essas falas em que eles declaram, mesmo que depois se desdigam, é esta a chave do que é o sentido desse golpe”, sustentou. “É a primeira fala de que o SUS não cabe no orçamento, então vamos criar planos privados de saúde, alijar uma parte da população do acesso à saúde e ao atendimento. Falam assim: ‘não vamos contratar mais médicos estrangeiros’, significa tirar de uma só penada 11 mil médicos cubanos no Brasil, num grande preconceito contra médicos cubanos, porque eles vão para os lugares remotos, para as periferias das grandes cidades, para os lugares mais afastados. Falam que o Minha Casa Minha Vida não vai mais atender a população de baixa renda, a chamada faixa 1 que ganha até 1,8 mil reais porque são contra subsídios. Ora, se não vão atender a faixa 1, onde está 80% do déficit habitacional no Brasil, não atenderão nenhum pobre nesse país. E se são contra subsídios são contra que os recursos de orçamento, que derivam de tributos cobrados da população, sirvam para pagar a imensa dívida social desse país com a população que nada tem.”

Dilma foi dura em relação à composição do ministério do governo provisório. “O grave, para nós, mulheres, é que é um governo de homens brancos, velhos, ricos, machistas e isso está claro na visão que se tem sobre a presença das mulheres no primeiro escalão do governo. Nós temos que chegar aos 50%, não chegamos, o máximo q e atingimos foram oito mulheres no primeiro escalão, mas, pela primeira vez, mulheres dirigiram aquilo que não se dirigia,como a Petrobras, a Caixa Econômica”, apontou. “É um governo neoliberal em economia, e ultraconservador no social e na cultura, e em tudo mais. Sem sombra de dúvida, o golpe tem dois motivos. Um é parar a Lava Jato, o outro é impedir que nós continuemos com a nossa política de inclusão social.”

Sobre o momento do golpe, a presidenta ressaltou o papel da crise econômica, que traria uma questão oculta. “Por que isso, por que agora? Toda crise implica numa questão séria, que cada um de nós tem que pensar. Não existe crise sem conflito de distribuição de riqueza, na expansão do ciclo econômico não tem, o conflito não é tão visível. O que está em questão é a velha história do pato, só que o pato aqui está claro, quem secularmente tem sido pato é o povo desse país”, disse Dilma, ressaltando o papel da mídia estrangeira na caracterização do processo do golpe. “Acredito que a imprensa internacional foi muito importante uma vez que ela não estava envolvida no jogo político, foi importante em caracterizar politicamente o que o Brasil estava vivendo. A imprensa internacional deu uma grande contribuição, mas não foi ela que deixou patente e claro que se tratava de um golpe, foram os próprios golpistas gravados.”

Dilma conclamou mais uma vez a resistência. “É com coragem que nós vamos vencer, é essa nossa arma. Eles têm um conjunto de armamentos sofisticados, têm a grande imprensa, tiveram o apoio de alguns segmentos empresariais, de uma parte do parlamento brasileiro — nós não podemos esquecer que o Eduardo Cunha está cada dia mais vivo. Eles têm tudo isso. O que é que nós temos? A nossa consciência. Nós sabemos porque lutamos e é isso que transforma nossa energia e nossa força.”

Confira abaixo o vídeo com o discurso completo



No Fórum
Leia Mais ►

O editorial COVARDE do Estadão. Ou: uma vez golpista, sempre a favor da censura

A capa do Estadão após o golpe de 1964: “democratas” ontem e hoje
Os leitores democráticos que porventura O Estado de S.Paulo ainda possui devem ter tido um déjà vu neste domingo, 29 de maio, ao se depararem com os editoriais do vetusto jornal da família Mesquita. Quem, como eu, não lê mais jornais impressos por não se sentiu representado por uma mídia que só reflete os interesses da elite ficou enojado. Em dois dos editoriais publicados, o Estadão comete um grave atentado à liberdade de imprensa e de expressão, ao vituperar contra jornalistas e blogueiros que não coadunam com o pensamento de extrema-direita do veículo e da parcela da sociedade que ele representa. A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) têm a obrigação de se pronunciar.

Em vez de mirar sua metralhadora em direção a líderes políticos ou outros donos de jornais, o Estadão alveja trabalhadores do jornalismo, a quem chama de “delinquentes”. Chega a citar no editorial o nome do repórter norte-americano radicado no Brasil Glenn Greenwald, um contundente crítico do golpe parlamentar, apoiado pela imprensa nativa, que arrancou uma presidenta legitimamente eleita do poder. O objetivo do editorial é claro: como fez em 1964, adular e defender com unhas e dentes a “legitimidade” do governo de Michel Temer, que as reportagens, artigos e entrevistas de Greenwald têm colocado sob suspeição perante o mundo dito “civilizado”. Como se falasse em nome do governo, o jornal se mostra preocupado com a tarefa árdua que terá o Itamaraty para limpar a imagem dos golpistas lá fora.

Mais: de maneira covarde, o Estadão lança mão da pérfida estratégia de usar o termo “ativista” para se referir a Greenwald, abrindo uma brecha à sua expulsão do País, já que a lei proíbe a estrangeiros o envolvimento na política nacional. Não custa recordar que, em abril, pouco antes do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, a Federação Nacional dos Policiais Federais soltou uma estranha nota “lembrando” aos estrangeiros esta proibição. O jornal parece querer repetir, assim, a insidiosa campanha feita nos anos 1950 contra um jornalista “mal nascido” que ousou desafiar os milionários donos da mídia no Brasil: Samuel Wainer, não por coincidência “acusado” de ser estrangeiro e que teve seu jornal, Última Hora, perseguido até a ruína.

O jornal dos Mesquita também arremeteu contra um colega de Greenwald no site The Intercept, apenas por ter cumprido seu papel como jornalista: “apertou”, como qualquer bom repórter faria, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA sobre as circunstâncias questionáveis em que se deu o impeachment de Dilma e o apoio do governo de Barack Obama a um possível complô de corruptos para derrubar uma presidente honesta, como ficou explícito após a divulgação de conversas telefônicas dos políticos investigados pela Lava-Jato que arquitetaram o golpe, com o beneplácito da mídia.

Não satisfeito, em outro editorial, Blogueiros chapa branca, o Estadão ataca os blogueiros de esquerda que estiveram reunidos em Belo Horizonte, com a presença da presidenta Dilma. Em um texto que parece escrito não por um editorialista sério, mas por um blogueiro da Veja, o jornal teve a pachorra de escrutinar cada ponto do documento saído do encontro para espinafrá-lo. A diatribe contra os blogueiros deixa patente dois fatos inegáveis: o pouco apreço dos Mesquita pela liberdade de expressão e o incômodo que a mídia alternativa está representando para a meia dúzia de famílias que detém a “grande” imprensa no Brasil e para o golpe que ela apóia. A mídia hegemônica já não é a única voz e nem a mais difundida; por isso vão tentar nos calar.

De forma hilária, o Estadão, que se tornou uma espécie de Assessoria de Comunicação (Ascom) à paisana do governo ilegítimo de Michel Temer, chama os blogueiros de “chapa branca”. Como chapa branca, se somos oposição desde o primeiro minuto do governo provisório? Quem está cotidianamente bajulando Temer são os jornalões, a começar pelo Estadão e por O Globo. “Chapa branca” é quem se posiciona a favor de um governo. Não cabe mais este epíteto aos blogueiros e jornalistas de esquerda, e sim a quem usa inclusive editoriais para puxar o saco descaradamente do atual ocupante do cargo. A famosa frase de Millôr que eles repetiam contra nós (“jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”) foi revogada desde que Temer chegou ao poder.

Seria estarrecedor, não fosse previsível, assistir aos mesmos veículos que se queixavam das “tentativas de censura” do PT por defender a democratização dos meios de comunicação no país, insultar jornalistas independentes, que não têm por trás de si nada além do talento e do público que conquistaram com seu trabalho honesto. É surreal ver os mesmos jornais que criticavam Lula por seu desprezo em relação à imprensa burguesa lançarem petardos furiosos contra reles blogueiros, cuja existência não deveria nem sequer perturbar meios de comunicação centenários. Ou o fracasso lhes subiu à cabeça?

Em 2010, quando ainda era presidente, Lula criticou a “grande” imprensa que sempre o perseguiu por “se comportar como partido político” e foi alvo de uma raivosa nota da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), o órgão patronal dos veículos de comunicação. “O papel da imprensa, convém recordar, é o de levar à sociedade toda informação, opinião e crítica que contribua para as opções informadas dos cidadãos, mesmo aquelas que desagradem os governantes”, dizia o texto da ANJ. Pelo visto, o Estadão acha que esta premissa não cabe a jornalistas e blogueiros que não estejam na folha de pagamentos da mídia golpista.

Não se pode esquecer que o jornal dos Mesquita só deixou de apoiar a ditadura militar, da qual foi entusiasta de primeira hora, quando passou a sofrer, ele mesmo, censura. Como, desta vez, parece pouco provável que os golpistas se voltem contra seus parceiros, restou ao Estadão o papel ultrajante de sugerir censura e caça às bruxas a jornalistas e blogueiros de oposição.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
Leia Mais ►

Golpes, mídia, cultura e dominação


Para se entender o capítulo “mídia” das conspirações que levaram aos golpes de 1964 e 2016, é preciso recuar uns 70 anos.

No pós-guerra, montados em dinheiro num volume jamais visto aqui, os americanos vieram às compras. Inicialmente, associaram-se a Assis Chateaubriand, que lhes pareceu versão latina e engraçada do self-made-man de sua mitologia empresarial: deram-lhe o suporte tecnológico necessário à implantação da televisão e conviveram por bom tempo com a loucura administrativa dos Diários Associados.

A ocupação de espaços culturais teve lances sutis e outros violentos. O mais agressivo destes foi o estrangulamento da nascente indústria cinematográfica paulista, montada em grandes estúdios (Vera Cruz, em São Bernardo do Campo; Maristela, no bairro paulistano de Jaçanã) com o aproveitamento de pessoal técnico deslocado pela guerra em países da Europa, notadamente a Itália: as distribuidoras americanas retiveram a distribuição internacional dos filmes, área que monopolizavam. e pressionaram os distribuidores locais para que fossem mal programados no mercado interno.

Uma operação de relações-públicas que envolveu várias formas de suborno de jornalistas promoveu a crítica negativa mesmo para obras excelentes. Anselmo Duarte, autor e diretor de O pagador de promessas, Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França (único filme brasileiro a ter esse prêmio, até hoje). Jamais se recuperaria da campanha de desmoralização e descrédito montada contra ele.

O avanço sobre as agências de publicidade resultou quase automaticamente da invasão de marcas americanas em setores que mais programam publicidade: indústrias alimentícias, produtos de higiene, cosméticos e eletroeletrônicos. Em 1964, a maioria das agências já pertencia a empresas americanas ou a grupos locais a eles associados.

As gravadoras musicais foram todas compradas. Os novos donos suprimiram os tradicionais catálogos de carnaval e meio-de-ano e impuseram, além de gravações de sucesso nos Estados Unidos, uma enxurrada de melodramáticos boleros mexicanos Os compositores locais recuperaram algum espaço, lentamente, incorporando novos componentes — até o sotaque — a seus trabalhos, aproximando o samba-canção do bolero (sobretudo na fase da fossa — Dolores Duran, Antônio Maria), ou recriando laboriosamente o samba com acento de jazz, na bossa-nova que, afinal, se consagrou como gênero internacional.

As histórias em quadrinhos tinham um passado de criação local, de inspiração principalmente francesa, com heróis infantis ingênuos como Reco-reco, Bolão e Azeitona, criados por Luís Sá em 1931 e que protagonizavam suas aventuras na revista Tico-Tico. A liquidação dessa concorrência ingênua começou com o rápido êxito de tiras americanas traduzidas pela Editora Brasil-América, Ebal (com heróis como Superman), logo seguida pela Editora Globo, de Roberto Marinho, com as tiras importadas do Gibi e do Globo Juvenil. Essas publicações, que atingiam circulação gigantesca, foram rapidamente superadas quando Victor Civita, americano de Nova York, obteve contrato de exclusividade dos heróis de Walt Disney para sua Editora Abril, que fundara nove anos antes, em 1950.

Marinho recebeu o golpe sem reclamar. Bom publisher, mau editor, admirava as estratégias comerciais da mídia americana; empregou-as (do estilo gráfico à ênfase nos temas locais e comunitários) no vespertino carioca que herdou do pai, Irineu. No pós-guerra, mostrou-se dedicado cliente da expansão americana no Brasil. Prestou serviços memoráveis no processo que levou ao suicídio de Getúlio Vargas e à superação de seu projeto nacionalista. Com área de influência restrita ao Rio de Janeiro — onde circulava O Globo e era ouvida a Rádio Globo — recebia atendimento secundário até que se configurou a doença neurológica de Assis Chateaubriand, no começo dos anos 1960, e ele criou o condomínio dos Diários Associados, em que os americanos, por bom senso, não confiavam.

Imediatamente após o golpe de 1964, que tanto ajudou a promover, Marinho firmou um contrato de parceria com a Time (na época, Time-Life) que lhe permitiu montar emissora de televisão no Rio e — importante para ele — em São Paulo, mercado até então impenetrável.

A invasão americana no pós-guerra foi muito bem recebida pela elite paulista, oriunda do ciclo do café, sempre disposta a se vingar da derrota do levante de 1932 (a chamada “revolução constitucionalista”) e combater o projeto nacional de Getúlio Vargas, a quem culpava pela perda posição hegemônica que mantinha na República Velha (até a revolução de 1930). A intelectualidade orgânica acantonada na Universidade de São Paulo e a oligarquia do estado encontraram nos americanos o modelo do liberalismo capitalista “moderno” que poderia rejuvenescer seu projeto político. Em ambiente ainda provinciano, em que pontificava O Estado de São Paulo, o espírito era — e seria sempre — de franca colaboração.

Nílson Lage
No Tijolaço
Leia Mais ►

ContextoLivre entra em seu Ano - VIII


Obigado a tod@s pelo incentivo e participação.

Vamos em frente porque a luta continua!

Há um ano registramos aqui:


Hoje registramos:



Obrigado a você!
Leia Mais ►

Onde foram parar as pesquisas do Datafolha e do Ibope?

Desaparecidas
Onde foram parar as pesquisas?

Na campanha movida contra Dilma pela imprensa, elas foram um elemento vital. Datafolha e Ibope produziam pesquisas em larga quantidade, e elas iam imediatamente dar nas manchetes de jornais, telejornais e o que mais for. Colunistas das grandes empresas jornalísticas — os chamados fâmulos dos patrões — se regozijavam em repercuti-las.

O público mais influenciado por Globo, Folha e congêneres — os analfabetos políticos ou midiotas — babava agarrado aos números.

E eis que elas sumiram.

Por uma razão: interessava à imprensa minar Dilma. E agora interessa proteger Temer.

Conheço de dentro o mundo dos Marinhos e dos Civitas. Suspender pesquisas é uma coisa que os patrões podem combinar com meia dúzia de telefonemas.

É um momento delicado para os golpistas enfrentarem os resultados certamente péssimos para Temer. Senadores podem achar mais conveniente bater em retirada do golpe caso fique claro que os eleitores desprezam Temer e seu governo de corruptos.

Bastam apenas três votos para que o afastamento de Dilma seja revisto e Temer enxotado.

Os barões detestariam isso. Temer representa o livre acesso deles ao dinheiro público. Publicidade federal, financiamentos do BNDES, este tipo de coisa e outras mais.

Lembremos que Temer colocou Maria Sílvia na presidência do BNDES. No passado, cerca de dez anos atrás, ela foi contratada pela Globo para defender que o BNDES socorresse (sempre com recursos do contribuinte) as empresas de mídia, então quebradas.

Se Temer estivesse brilhando, estaríamos engolindo pesquisas sobre pesquisas na imprensa.

O silêncio agora diz o que a ausência de levantamentos esconde.

Nestes dias, a Folha escreveu num editorial que Gilmar Mendes deveria ao menos preservar as aparências.

Lindo isso. Há anos, Gilmar debocha da sociedade — e da civilização — ao se comportar como um torcedor de arquibancada na suprema corte sem que a Folha jamais falasse nada.

Mas agora ela pediu cuidado pelo menos com as aparências. Ela deveria olhar para o espelho e dizer o mesmo a si própria.

A supressão das pesquisas do Datafolha é apenas mais um sinal de que a Folha passou a fazer propaganda política conservadora nos últimos anos — e não jornalismo.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Pânico no PMDB com delação de filho de Sérgio Machado

Expedito Machado Neto, filho caçula do ex-presidente da Transpetro, fechou acordo de colaboração após ter sido identificado como operador financeiro da cúpula do PMDB do Senado pela Lava Jato

Antonio Cruz/Agência Brasil
O filho caçula de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, decidiu, assim como o pai, fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Expedito Machado Neto, conhecido também como Did, decidiu colaborar depois de a Operação Lava Jato tê-lo identificado como operador financeiro da cúpula do PMDB do Senado.

As delações do pai e do filho já foram homologadas por Teori Zavascki, relator dos processos relativos à Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Pelo acordo, ambos terão que devolver os recursos públicos apropriados indevidamente. Segundo o MP, que ainda não terminou de quantificar o total que será ressarcido, os “valores são surpreendentes”, conforme relato do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois da delação firmada pelo Ministério Público com Sérgio Machado, responsável pelas gravações de diálogos com os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), e também com o ex-presidente José Sarney, parte da cúpula do PMDB temia que Did também fizesse o acordo de colaboração. Ele é controlador de um fundo de investimentos em Londres e seria o responsável pelo controle financeiro dos recursos do grupo.

No Fórum
Leia Mais ►

A mensagem popular é clara: Fora com os usurpadores!

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=359

O governo interino de Michel Temer age com a truculência de força de ocupação em território estrangeiro: desconsidera a história local, subverte os laços de solidariedade e cancela as políticas aprovadas coletivamente. Mesmo um governo de oposição eleito segundo as regras do jogo evita bagunçar a vida da comunidade, e não só porque os padrões de relacionamento entre o poder público e os grupos da sociedade estão incorporados ao cálculo de futuro das pessoas. A prudência recomenda reconhecer que são vocacionadas para o fracasso as tentativas de apagar completamente os vestígios dos antecessores. O custo seria elevadíssimo, a fraude descomunal e o desmascaramento certo. Explicam-se, portanto, as idas e vindas das autoridades interinas, a atabalhoada adoção de políticas antes anunciadas pelo governo destituído e a pirraça de renomear o que já existe. Baratas tontas enfurecidas e míopes. Acresce o comprovado envolvimento em traficâncias da maioria dos mandachuvas interinos, com previsão de que não causará surpresa se o próprio presidente precário vier a ser exposto como estrela da turma. Tudo depende da capacidade dos líderes da Lava-Jato e outros figurões de continuar filtrando o resultado de delações, batidas espetaculares e conduções coercitivas. Até agora os golpistas têm conseguido levar a vida na flauta, sorridentes, deputados, senadores e ministros, embora o júbilo proporcionado pelo sucesso do assalto esteja sendo substituído, em todos, por caras de paisagem.

O impacto farsesco contamina o Supremo Tribunal Federal, obrigado a empenhar monumental esforço para emprestar ração modestíssima de autenticidade a deliberações de teor antecipado em editoriais intimidantes. Não há como disfarçar a repetida coincidência entre o desempenho do judiciário e o interesse de apressados golpistas. Nem escapa ao conhecimento da opinião pública a voracidade rentista da corporação, embaralhando tratativas constitucionais com irrefreável apetite salarial e por benesses colaterais. Destituído de solenidade crível, a teatralidade das sessões e a linguagem pedantemente rococó, quando não francamente charlatanesca (em despacho, o juiz Sergio Moro registra sua “cognição sumária”, pois aos iniciados não sucedem pedestres “primeiras impressões”), são como cartas de amor, embaraçosamente ridículas. Sem a inocência do lirismo de Fernando Pessoa, contudo.

Nada se sustenta. Podem os interinos tentar seduzir a audiência com promessas de executar um salto mortal triplo, sem rede, mastigar sem hesitação lápides fúnebres e beber seis taças de mercúrio cromo. Tirante a irrelevância das fanfarronadas, nem essas são honradas por usurpadores. Cabe aos eleitores afanados de seus direitos recusar-lhes obediência, interpelar a infalibilidade do Supremo Tribunal Federal por infidelidade constitucional e manter o democrático escracho, forma de coação moral dentro da legalidade, até que os usurpadores renunciem ou saiam eleitoralmente derrotados em 2016 e 2018. Pactos laterais constituiriam assassinato pelas costas ao enorme contingente de brasileiros que, desde logo, sublevou-se contra o golpe parlamentar.
Leia Mais ►

Promotoria aponta desvios de R$ 14 mi no governo Anastasia em Minas


Investigação deflagrada a partir da Operação Aequalis culminou nesta segunda-feira, 30, com a prisão do ex-presidente do PSDB de Minas, Nárcio Rodrigues, ex-secretário de Ciência da gestão do relator do impeachment de Dilma no Senado

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) investiga a suspeita de desvio de ao menos R$ 14 milhões dos cofres do Estado de Minas Gerais entre 2012 e 2014, durante a gestão Antonio Anastasia (PSDB-MG), atualmente senador e relator do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado.

A suspeita é de que o valor tenha sido desviados da construção e dos projetos da “Cidade das Águas”, desenvolvida no município de Frutal (MG) pela Fundação Hidroex, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais.

A investigação veio à tona com a deflagração da Operação Aequalis, que apura o envolvimento de agentes públicos ligados ao estado de Minas Gerais e empresários, brasileiros e portugueses, no esquema de desvio de recursos públicos. A operação levou à prisão temporária de seis pessoas, incluindo o ex-secretário de Ciência Tecnologia e Ensino Superior e também ex-presidente do PSDB em Minas, Nárcio Rodrigues.

Além dele também foram presos, Alexandre Pereira Horta (engenheiro do Departamento de Obras Públicas de Minas Gerais), Luciano Lourenço dos Reis (funcionário da CWP Engenharia Ltda), Maurílio Reis Bretas (sócio administrador da CWP Engenharia Ltda) e do português Hugo Alexandre Timóteo Murcho (Diretor no Brasil da multinacional portuguesa Yser e da empresa Biotev Biotecnologia Vegetal ltda.). Os presos foram conduzidos à Penitenciária Nelson Hungria, na região metropolitana de Belo Horizonte. Dois investigados foram presos em flagrante por posse de arma de fogo e munições. Ainda estão foragidos outros investigados, entre eles o presidente do grupo econômico multinacional português Yser, Bernardo Ernesto Simões Moniz da Maia.

Ao todo, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão, nos municípios mineiros de Belo Horizonte, Frutal, Uberaba, Conselheiro Lafaiete e São João Del Rei terra natal de Aécio Neves e de seu avô Tancredo Neves, e, ainda, em São Paulo. O material apreendido foi guardado em 84 sacos lacrados, contendo documentos, computadores, aparelhos celulares e mídias digitais.


As investigações foram conduzidas pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Frutal e pelo Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (GEPP). O objetivo da operação foi colher provas sobre a prática dos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações foram intensificadas no segundo semestre de 2015, a partir da conjugação de esforços com a Controladoria-Geral do Estado que encaminhou ao Ministério Público relatórios apontando o desvio de recursos públicos. Até o momento, não há indícios do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro.

Também apoiaram a operação o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberaba, a Coordenadoria de Crimes Cibernéticos (Coeciber) e o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet). Participaram do planejamento e da coordenação da operação nove promotores de Justiça. O cumprimento dos mandados foi realizado com o apoio de 37 servidores do MPMG, 140 policiais militares de Minas Gerais, 22 policiais militares de São Paulo, 15 policiais civis e oito auditores e gestores da Secretaria da Receita Estadual.

A reportagem entrou em contato com o PSDB de Minas, mas ainda não obteve retorno.

Com a palavra, a assessoria de Antônio Anastasia:

“O senador Antonio Anastasia não tem conhecimento dos fatos que levaram à operação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais na manhã desta segunda-feira (30/05).

Ele defende que quaisquer denúncias devam ser rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes e julgadas na forma da Lei.”

Fausto Macedo
No Estadão
Leia Mais ►

Dois senadores já admitem rever voto pelo impeachment

Romário
Em meio à crise política que atinge o governo interino de Michel Temer, que, em 19 dias desde a posse, já teve que afastar dois ministros flagrados em grampos telefônicos tentando barrar a operação Lava-Jato, os senadores Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO), que votaram pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, admitem agora a possibilidade de rever seus votos no julgamento final, que deve ocorrer até setembro. A virada desses dois votos, caso se concretize e os demais votos se mantivessem, seria suficiente para evitar a cassação definitiva da petista. O Senado abriu o processo de impeachment com o apoio de 55 senadores e, para confirmar essa decisão no julgamento de mérito, são necessários 54 votos.

Romário não descarta que os novos acontecimentos políticos provocados pelos grampos do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, mudem seu voto. O senador do PSB votou pelo afastamento de Dilma, mas diz que “novos fatos” podem influenciar seu voto no julgamento definitivo.

— Meu voto foi pela admissibilidade do impeachment, ou seja, pela continuidade da investigação para que pudéssemos saber se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade. Porém, assim como questões políticas influenciaram muitos votos na primeira votação, todos esses novos fatos políticos irão influenciar também. Meu voto final estará amparado em questões técnicas e no que for melhor para o país — disse Romário ontem.

No PSB de Romário, no Senado, cresce a tese em defesa da realização de novas eleições. Esse argumento, de nem Temer nem Dilma, pode ser usado para reverter votos contra Dilma na Casa. Entre os líderes dos partidos aliados de Michel Temer, há uma preocupação com os erros sucessivos e que as crises políticas afetem a votação do impeachment.

O PT vai usar, na defesa de Dilma na comissão do impeachment, a conversa de Machado com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em que o então ministro do Planejamento diz que a aprovação do impeachment de Dilma poderia “estancar a sangria”. A interpretação é que o objetivo do impeachment era interromper as investigações da Lava-Jato, que atinge vários integrantes da cúpula do PMDB.

Já Acir Gurgacz assegurou a seu partido, segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, que mudará sua posição e votará contra o impeachment desta vez. Por conta disso, o Diretório Nacional do PDT adiou ontem decisão sobre uma punição disciplinar aos senadores do partido. Ainda de acordo com Lupi, o senador Lasier Martins (PDT-RS) pretende manter seu voto favorável ao afastamento de Dilma.

— O Acir vai votar contra (o impeachment), ele mandou por escrito — disse Lupi.

Procurado, Gurgacz afirmou que ainda não tem posição fechada:

— O que eu coloquei é que a admissibilidade (do impeachment) era uma necessidade, porque a população estava cobrando a discussão. O mérito é outro momento, estamos avaliando. Entendo que não há crime de responsabilidade fiscal por causa das pedaladas (fiscais), mas a questão é mais pela governabilidade, pelo interesse nacional.

O Diretório Nacional do PDT expulsou ontem o deputado Giovani Cherini (RS) por ter votado a favor da abertura do processo. Apesar de também terem apoiado o afastamento de Dilma, outros cinco deputados receberam uma punição praticamente simbólica, a suspensão por 40 dias.

Parecer da Comissão de Ética do PDT apontou como agravantes do caso Cherini o fato de ele ter supostamente feito campanha contra a orientação partidária, ter tentado virar outros votos no partido, e ter dado declarações a favor do impeachment.

Foram suspensos os deputados Sérgio Vidigal (ES), Flávia Morais (GO), Mário Heringer (MG), Subtenente Gonzaga (MG) e Hissa Abrahão (AM).

— O fechamento de questão é uma coisa, a decisão sobre quem não cumpriu é outra. É legítima qualquer decisão (do diretório) — disse Lupi, irritado, ao rebater crítica de um integrante do partido, que defendia a expulsão dos seis deputados, já que o PDT havia fechado questão contra o impeachment.

No Extra
Leia Mais ►

Xadrez dos vetores Lava Jato e Procurador Geral


O chanceler José Serra consegue transformar em feito diplomático até visita a Cabo Verde. E tira da geladeira até projetos tipo Alca, que já foram arquivados há tempos, inclusive nos Estados Unidos.

Ontem, em Paris, defendeu o chamado “semi presidencialismo”, colocando mais uma pedra que confirma nosso quebra-cabeças “Xadrez do PMDB jogado ao mar” (http://migre.me/tYGjw).

As discussões no post permitiram trazer mais clareza a um dos pontos nebulosos do nosso xadrez: as relações entre a Lava Jato e a Procuradoria Geral da República.

As três forças vetoriais da Lava Jato

Ao contrário da Polícia Federal — entregue às mãos inertes do então Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo — o Procurador Geral da República Rodrigo Janot seguiu à risca os ensinamentos do delegado Paulo Lacerda para não perder o controle sobre operações nacionais, tipo Lava Jato.

Foi Lacerda quem definiu o modelo de atuação, sincronizando ações em vários estados, envolvendo de delegados e investigadores a técnicos da Receita e procuradores.

Para impedir abusos, as operações eram planejadas em Brasília, com o superintendente estadual da PF sendo recebido pela direção da PF. Colocavam à sua disposição os melhores recursos e ajudava-se no planejamento da operação.

A condução dos trabalhos era do estado, mas sob supervisão e ajuda permanente da direção geral da PF. Nessa relação de confiança, a direção exercia a liderança e os filtros do processo.

Esse modelo foi aplicado por Janot na Lava Jato. Montou uma Força Tarefa incumbida de dar suporte à operação, inclusive na cooperação internacional. Ao mesmo tempo que garantia o sucesso da operação, a FT atuava como agente moderador de eventuais exageros e como agente indutor da orientação da cúpula.

Como bem colocou o leitor, que assinou Onkoto (http://migre.me/tYGEh):

“Acredito que o movimento dos jovens turcos do MPF em Curitiba seja movido por um messianismo/sebastianismo de querer limpar do quadro poíitico nacional os maus políticos. E eles encontraram no PGR o mentor ideal. Me parece que os procuradores e o PGR, embora alinhados, tenham agendas distintas”.

 “Veja o caso do garoto propaganda dos procuradores. Seu discurso, atitudes e ações demostram um claro objetivo de limpeza ética, e mais, ele acredita estar fazendo a coisa certa. (...) Já o PGR deve ter encontrado nesta turma os agentes perfeitos para a sua agenda pessoal, mas não concorda plenamente com a extensão da limpeza.”. (...)

Por isso tudo, acredito em três vetores distintos, com agendas próprias, que se somam (vetorialmente) na operação LJ (os procuradores paranaenses, o juiz Sergio Moro e o PGR). Até quando estarão juntos? Boa pergunta. Veja que já aconteceu algumas rusgas entre eles três. O pessoal do PR, juiz e MP, sabem muito bem das falcatruas passadas dos outros partidos além do PT, e eu pollyanamente acredito que eles querem acabar com todos eles. E também acredito que o PGR assim deseja, mas até um certo limite que preserve parte do PSDB. Os outros? que sejam lançados ao mar.

O que se pode esperar? 1) qual o limite a ser imposto pelo PGR? Curitiba vai se contentar com esta limitação? até quando o grupo MPPR (eles não se destacam muito individualmente) vai suportar o ego do juiz? E a PFPR, com seus DPFs e mini-egos corporativos? “

O Supremo Tribunal Federal

Também no Supremo há um conflito de forças, sufocado pela inibição de alguns magistrados referenciais com a virulência da campanha do impeachment.

Até algum tempo atrás, Gilmar Mendes reinava absoluto, influenciando seus pares com seu conhecimento e sua truculência. A truculência, aliás, foi refreada apenas quando encontrou pela frente uma virulência maior, em Joaquim Barbosa.

Ainda hoje, é nítida a influência de Gilmar sobre o decano Celso de Mello e sobre Dias Toffoli, um pouco menos sobre Luiz Fux. Como é nítido um certo temor que infunde nas Ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber. Restava Marco Aurélio fazendo um contraponto individual; e Ricardo Lewandowski, preso ao ritual do cargo.

A influência passou a se diluir com a entrada de novos Ministros, especialmente Luís Roberto Barroso, expansivo, erudito, e Teori Zavascki, fechado e sólido, que fortaleceram o estilo de Lewandowski, com seu apego às normas e a discrição exigidas pelo cargo.

Parecia que o Supremo tinha encontrado seu equilíbrio. A retórica bufante de Gilmar passou a ecoar cada vez menos na casa.

Aí eclode a campanha do impeachment, impulsionada pela Lava Jato. O clima pesado, os ataques de blogs de direita, as campanhas opressivas dos veículos de mídia, e até as sessões de escracho, promoveram mudanças no comportamento dos Ministros.

Alguns deles — como Celso de Mello e Carmen Lúcia — pegaram a bandeira e saíram desfilando pela avenida, saudando as arquibancadas. Outros — como Luiz Facchin e Luis Roberto Barroso — se intimidaram com o clima de linchamento. Logo depois de um escracho na frente de sua casa, foram notadas mudanças no comportamento do próprio Teori. Restou Marco Aurélio e seu contraponto solitário.

Em particular, os Ministros reconheciam os abusos da Lava Jato. Em determinado momento, após o vazamento das conversas de Dilma com Lula, pintou até a possibilidade de uma reação contra os abusos, sendo conduzida por Lewandowski, Teori, Fachin, Barroso e Marco Aurélio, os juízes mais propensos a não se curvar ante o efeito-manada alimentado pela mídia. Mas, àquela altura, o golpe já tinha se tornado quase irreversível.

E aí o Supremo amarelou. Passou a se escudar cada vez mais numa falsa isenção, de não pretender judicializar temas políticos — mesmo quando os temas exigiam uma análise jurídica.

A tarefa de segurar as pontas da Lava Jato acabou sendo conferida a Gilmar Mendes, um Ministro que não se guia pelos limites de comportamento e de isenção que deveriam marcar um Ministro do Supremo.

Hoje em dia, a não ser a parcialidade ostensiva de Gilmar e Toffoli, o Supremo parece se guiar pela linha de menor desgaste. Por decisão da maioria, abdicou de qualquer protagonismo maior, encolhendo de uma maneira assustadora.

Os cenários possíveis

É nesse terreno fluido, tanto do lado do Ministério Público quanto do Supremo, que deverão acontecer os próximos episódios.

Conforme descrito ontem, a ideia do PSDB de Serra será aprofundar a aliança tácita com o Ministério Público, proceder a uma razia sobre o Congresso, deixando de pé apenas o que o Ministro da Defesa Raul Jungman classifica de “parcela regeneradora”; empurrar o tal do semipresidencialismo goela abaixo dos eleitores e contar com as Forças Armadas para conter resistências populares.

Resta saber como se resolverão os possíveis conflitos da Lava Jato com o PGR quando a operação avançar sobre o território tucano. E como se comportará o Supremo quando a Lava Jato e o PGR lançarem sua ofensiva final sobre a Câmara.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Até Noblat admite: Dilma caiu por conspiração da elite política


O jornalista Ricardo Noblat, colunista do Globo que, antes mesmo dos áudios de Romero Jucá, já havia dito que a lógica do impeachment era blindar políticos corruptos em relação à Lava Jato (leia aqui), disse, nesta segunda-feira, que a presidente Dilma Rousseff foi vítima de uma conspiração política.

"Sejamos francos: políticos com medo de serem presos conspiraram, sim, para derrubar a presidente Dilma. Um governo fraco, autor de graves erros, daria vez a um governo de “salvação nacional”, encabeçado pelo vice Michel Temer, capaz de tirar o país do atoleiro econômico", escreveu ele na coluna Por mais rigor da Justiça.

"E assim, suspeitos ou acusados de corrupção poderiam salvar-se mediante um acordo que freasse o avanço da Lava-Jato. Que tal? Nada de estranho. Nem mesmo de absurdo. Os donos do poder, fossem eles políticos ou não, sempre souberam construir acordos e preservar a própria pele em detrimento da moral e da Justiça. Por extensão, também suas fortunas e posições na hierarquia social", prosseguiu Noblat.

Sua coluna não menciona em nenhum momento as "pedaladas fiscais" — pretexto oficial para o afastamento de Dilma. Ou seja: como disse Jucá, tudo não passou de uma conspiração para "parar essa porra" e "estancar essa sangria", numa referência à Lava Jato.

No 247
Leia Mais ►

Aécio queima a língua com Nárcio Rodrigues


Leia Mais ►