30 de mai de 2016

Envolvidos confessaram... E o Papa Francisco condenou o “golpe suave”



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Xadrez do PMDB jogado ao mar


Primeiro, alguns flashes da estrutura de poder no país e de suas derivações para o jogo político-partidário.

Desde a redemocratização, apenas dois partidos se tornaram alternativas efetivas de poder, o PSDB e o PT. Os demais — PFL/DEM e PMDB — sempre se comportaram como partidos secundários que ajudavam a construir a base parlamentar de apoio ao governo.

Mesmo com a perda de dimensão eleitoral, por falta de alternativas o PSDB se manteve o partido com melhores ligações com as estruturas máximas de poder: o poder econômico paulista, os grupos de mídia, o Judiciário e o Ministério Público (que, a partir da liberdade concedida pelos governos do PT, tornou-se poder de fato), além das relações internacionais.

O PMDB representa apenas poderes regionais e uma malta que emergiu do Brasil profundo no bojo das distorções criadas pelo sistema de coligações partidárias.

Quando se menciona um Alto Comando do processo do impeachment, pensa-se necessariamente em setores do PSDB ligados a FHC-Serra, na Procuradoria Geral da República, na Globo e em parte do Supremo Tribunal Federal (STF) influenciado por Gilmar Mendes.

Este é o eixo central.

Entendido esse ponto, ganham lógica informações aparentemente contraditórias — como a continuação dos vazamentos e as ameaças da Lava Jato sobre personagens que tiveram papel ativo na derrubada de Dilma, além da defenestração de Aécio Neves.

A Lava Jato não vai parar. Ou melhor, só irá parar quando bater no centro de poder do PSDB.

Entra-se agora na segunda fase do jogo, que consiste em impedir a volta de Dilma e, ao mesmo tempo, jogar ao mar as lideranças do PMDB que participaram do golpe.

Os fatores condicionantes do jogo político

Primeiro, vamos a um balanço dos fatores que condicionarão os cenários políticos:

Fator 1 — Derretimento da legitimidade do governo interino.

A cada dia que passa mais se amplia a perda de legitimidade. Longe de refletir a inexperiência inicial de um governo novo, a sucessão de desastres políticos mostra a prepotência de uma horda de bárbaros que ainda não entendeu o tamanho do país.

Fator 2 — O derretimento da banda peemedebista do grupo de poder.

Parte relevante do desgaste se deve aos Ministros suspeitos do governo interino. Sem fatos novos, não haverá como o governo interino conviver com a narrativa cada vez mais sólida de que o golpe visou blindar o grupo de poder. O fato das investigações estarem centradas nessa banda apenas é elemento central do nosso cenário final.

Fator 3 - Dificuldades no Legislativo com a base política heterogênea.

Como resultado da não conquista da credibilidade, haverá dificuldades de monta em aprovar o pacote de maldades planejado pelo Ministro da Fazenda Henrique Meirelles. No início, parecia que as resistências seriam contra a mudança de regras na Previdência. Mais rapidamente do que o previsto, está caindo a ficha do Congresso sobre os impactos da desvinculação orçamentária sobre saúde e educação.

A retirada dos subsídios para as faixas de baixíssima renda do MCMV (Minha Casa Minha Vida) foi uma sinalização eloquente da falta de mínimo verniz político e social da área econômica do governo interino. Por dez mil réis escancaram a bocarra anti-social em cima do setor mais vulnerável da sociedade.

Fator 4 — A ofensiva seletiva da Lava Jato e da mídia, com o uso de gravações.

Está nítido que o pacto para conter a Lava Jato passa pelo Ministro Gilmar Mendes. Mas o leão não se contentou com a carne fresca dos petistas. O próximo prato será das lideranças peemedebistas e de parlamentares da base.

(Nos comentários, o leitor que assina Onkoto traz uma ótima análise para completar o entendimento sobre o momento)

Fator 5 — a inviabilização de Aécio Neves.

Aécio Neves nunca teve papel relevante junto ao Alto Comando. Faltavam-lhe fôlego, envergadura política, capacidade de análise e de formulação. Seu trunfo era o recall das eleições de 2014. As sucessivas menções em delações e a inacreditável blindagem penal garantida por Gilmar Mendes, na prática inviabilizaram sua candidatura pela exposição de seu passado político — mesmo que seja penalmente blindado. Tornou-se dispensável. Esse fato tem desdobramentos nas estratégias do Alto Comando, na medida em que deixa o PSDB sem candidato competitivo para novas eleições.

Fator 6 — a possibilidade de reversão do impeachment.

A imagem de Dilma Rousseff está passando pelo estágio do terceiro perdão. Trata-se de um fenômeno característico do mercado de opinião, a reavaliação dos ídolos caídos. No poder, o estilo seco de Dilma era lido como arrogância; apeada do poder por um golpe, passa a ser visto como altivez. Dilma ainda é beneficiada pela comparação com o esquema de poder que ascendeu. Mas não lhe garante a governabilidade, caso caia o impeachment.

As alternativas políticas

Os cenários abaixo não se baseiam em informações objetivas, mas em indícios e deduções. Logo, precisam ser relativizados.

No momento, vê-se duas estratégias políticas sendo esboçadas, ainda de forma embrionária.

Alternativa 1 — adiamento das eleições de 2018 e ampliação do golpe com o judiciário

Junte e consolide as seguintes informações que apareceram esparsamente na mídia.

1. Reunião de Temer com o general Sérgio Etchegoyen, Gabinete de Relações Institucionais (GSI) e os três comandantes militares.

Até agora não foi dada uma explicação lógica para esse encontro. 

2. Entrevista do novo Ministro da Defesa desqualificando o Congresso e defendendo a Lava Jato até "as últimas consequências".

É a retórica que se enquadra nessa noção de golpe parlamentar com aval do judiciário (http://goo.gl/CZJd6w).

Na entrevista, Raul Jungman (PPS, partido auxiliar do PSDB) diz que “o Congresso chegou no fundo do poço”. O que explica um Ministro de um governo que diz depender desesperadamente do Congresso desancar dessa forma o parlamento?

No decorrer da entrevista, aparece uma lógica clara. Jungman enfatiza a posição legalista das Forças Armadas e diz que nada pode ser fora da Constituição.

Na sequência, define a Constituição de 1988 como "a Constituição do Ministério Público, das prerrogativas do Poder Judiciário e de um aumento inédito da autonomia da Polícia Federal em relação à política".

Diz que qualquer crise tem que passar pelo Congresso. Mas espera que a Lava Jato faça uma limpeza na casa para que a "parcela regeneradora" do Congresso ajude o presidente interino a tirar o país da crise.

Alguma dúvida? Sendo tudo feito dentro da lei, inclusive a inabilitação ou até prisão de Lula, caberá às Forças Armadas garantir a ordem e a Constituição.

3. Encontro noturno entre Gilmar Mendes e Michel Temer

Não há tema administrativo que justifique encontros noturnos, em fins de semana e fora do ambiente de trabalho e do regiustro na agenda, entre um presidente interino, provável réu de processos no STF, e um Ministro do Supremo que, nos últimos dias, empenhou-se em bloquear investigações da Lava Jato, justamente contra Aécio Neves.

Até agora, Gilmar tem sido o goleiro para impedir qualquer gol da Lava Jato que fuja do script por ele defendido.

Esse conjunto de evidências amplia a possibilidade de uma estratégia visando permitir ao PSDB assumir o governo Temer — pelo afastamento da banda do PMDB — e trabalhar pelo adiamento das eleições de 2018.

Ou — o que é mais provável — pela implantação do chamado semiparlamentarismo, como lembrou o comentarista PauloBr.

Alternativa 2 – eleições gerais

Em função do desastre inicial do governo Temer, das ousadias antissociais, do atrevimento em promover mudanças constitucionais sendo apenas interino, e da recuperação da popularidade de Dilma, há a possibilidade do impeachment ser derrubado na votação final do Senado.

O maior empecilho é a constatação de que Dilma poderá recobrar o cargo, mas é quase impossível que recobre as condições de governabilidade. Ela não tem interlocução mínima com nenhum dos centros de poder, nem com o STF, com o MPF, com setores empresariais e com o Congresso.

Dificilmente ela conseguiria produzir um cenário minimamente factível sobre o que seria seu governo, em caso de queda do impeachment.

A única maneira de derrotar o golpe seria levantar a bandeira das eleições gerais. Não se trata de desejo, proselitismo, mas de avaliação do cenário político e das possibilidades de Dilma.

Seria a maneira mais objetiva de desarmar o golpe e permitir uma retomada do jogo político, com a decisão voltando novamente para os eleitores, já que até o Supremo parece ter se esquecido do princípio básico da Constituição de que "todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".

Luís Nassif
No GGN
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Bomba da Lava Jato explode no colo de Temer


Está difícil eleger a pior má notícia que Michel Temer recebeu nesse fim de semana. Quando eu me preparava para escrever a respeito da bomba que caiu em seu colo com as novas revelações dos grampos de Sérgio Machado que o "Fantástico" divulgou ontem, me deparei com a informação de que ele colocou dois imóveis no valor de 2 milhões de reais em nome de seu filho Michelzinho, de sete anos, que, embora seja aparentemente legal, pode ser entendida como uma evidente manobra para esconder patrimônio, pois ele declarou à Receita patrimônio de apenas 800 mil reais.

Por uma dessas ironias do destino, tanto a bomba do "Fantástico" quanto a do Riocentro foram detonadas por dois senhores de sobrenome Machado.

A do capitão Wilson Dias Machado, destinada a provocar um atentado no show de Primeiro de Maio e que explodiu, sem querer no dia 30 de abril de 1981 em seu colo, tinha por finalidade abalar o governo do general Figueiredo; a de ontem, detonada por Sergio Machado com a finalidade de incriminar seus amigos é mais um petardo que abala o governo provisório, ao comprometer, numa tacada só, mais um ministro do governo provisório; o presidente do Senado e vice de Temer e o próprio Temer, que chegou onde chegou com a decisiva colaboração de Renan e que nomeou o ministro que caiu em desgraça e, tudo indica, deverá cair ainda hoje. O destino de Renan não será diferente já que, além de ser flagrado em manobras para obstruir a Lava Jato, ficamos sabendo que está envolvido com o doleiro Alberto Yousseff.

O ilustre desconhecido Fabiano Silveira que no dia do grampo integrava o Conselho Nacional de Justiça e hoje é o ministro da Transparência (parece piada) surge nos grampos não só orientando Renan a se defender, mas no papel de seu emissário para espionar a Lava Jato.

Renan se entrega ao dizer que está preocupado com a doação de 400 mil reais que recebeu da Transpetro e, para piorar ainda mais o quadro, o ex-presidente e seu apadrinhado, Sergio Machado, suposto autor do grampo, que fez a tal doação para a sua campanha, tranquiliza-o informando que os recibos foram providenciados pelo doleiro Alberto Youssef. "Youssef [Alberto] cuidou disso", diz Machado no grampo. O doleiro teria providenciado recibos, mas no valor total maior, de R$ 800 mil.

Como é público e notório que Youssef só entra em ação quando é necessário fazer um trabalho sujo, ninguém pode ficar tranquilo com esse tipo de tranquilizante. É a prova definitiva de que a doação era fraudulenta.

Não há como supor que Renan continue na presidência da Senado, tão explosivo é o teor das gravações. Ele terá que renunciar, pela segunda vez em sua carreira, "para se defender", como se costuma justificar a retirada estratégica nos casos de envolvimento em casos como o seu.

Mas não é só. É previsível que seja aberto contra ele (ou a seu desfavor, como está na moda dizer) um processo de cassação no Conselho de Ética por quebra de decoro e que o STF o libere para ser interrogado em Curitiba.

Em outras palavras, Renan, que até ontem era considerado por muitos o bam-bam-bam da política brasileira, é mais uma carta fora do baralho de Temer.

É evidente que o ministro da Transparência também vai cair. Embora seu papel fosse importante para a turma, ele mesmo, por ser inexpressivo, não será um desfalque tão grande assim, mas, ao ser desmascarado ele expôs o presidente provisório, pois ficou claro que ele foi nomeado não para investigar o que acontece de errado no governo e sim para ajudar Temer e seus amigos na árdua missão de driblar a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato.

Foi um fim de semana de pesadelo para Temer. No sábado à noite ele se encontrou com o ministro Gilmar Mendes, atual presidente do TSE, o que não pegou bem, não só porque encontros fora de expediente são sempre suspeitos, mas porque o TSE analisa atualmente o processo de cassação da chapa Dilma-Temer. Encontro esquisito, esse.

Antes mesmo da bomba do Fantástico, já havia indicações seguras de que a Globo não morre de amores por Temer. O primeiro sinal surgiu no dia da reunião em que ele deu um tapa na mesa, logo depois de anunciar, bem ao seu estilo, que uma das coisas que "talvez" venha a fazer será tomar 100 milhões emprestados do BNDES. Nessa mesma noite, enquanto as imagens da reunião eram exibidas na Globo News, Merval Pereira foi taxativo ao declarar que ele não poderia fazer aquilo, a constituição não permite.

O segundo sinal surgiu ontem à noite, no programa Painel, no momento em que a âncora Renata Lo Prete afirmou que erram os que tentam comparar o governo Temer ao de Itamar; mais apropriado seria compará-lo ao de Sarney.

Levando-se em conta que o governo Itamar foi bem sucedido e o de Sarney um estrondoso fracasso e que as opiniões de Merval e de Lo Prete, longe de serem pessoais, expressam o pensamento do diretor de Jornalismo da Globo e, em última análise, da família Marinho, conclui-se que a maior emissora do país não está disposta a ajudar Temer na mesma medida em que atrapalhou Dilma, quando convocou a população a ir às ruas, que foi o álibi de deputados e senadores para aprovarem a primeira fase do impeachment.

Tenho impressão que a postura da Globo é a resposta à nomeação de Marcos Pereira para o ministério da Indústria, Comércio e Desenvolvimento. Ele não é apenas um estranho no ninho, sem nenhuma qualificação para esse cargo, mas um empregado de Edyr Macedo, fundador do partido que preside e dono da Rede Record, com a qual a Rede Globo mantém uma batalha de vida ou morte no ibope. Talvez tenha sido o mais fatal dos muitos erros de Temer ao formar seu governo improvisado, pois governar sem a Globo a seu favor é possível, mas com a Globo contra é arriscadíssimo.

Isso não quer dizer, necessariamente, que a Globo tenha saudades da presidente Dilma, mas significa que não vai ajudar Temer no segundo tempo do impeachment, o que já é um trunfo para ela, cuja popularidade só cresce desde que foi deposta, passando de 18% a 33% de aprovação, mais um bom motivo para a Globo manter-se neutra: enquanto o ibope da ex-presidente cresce, o do presidente provisório desce.

Aqui entre nós, nenhum aliado do governo afastado poderia ter provocado tantos estragos ao seu sucessor ilegítimo quanto os grampos de Sergio Machado e uma Rede Globo mordida. Com que cara os senadores vão alegar, no segundo tempo da votação, sem corar, que o impeachment se fundamenta nas pedaladas fiscais e no Plano Safra diante de tantas evidências de que se tratou de uma conspiração contra a Lava Jato?

A pior notícia para Temer é a próxima.

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão", "O domador de sonhos" e "Dragonfly" (lançamento setembro 2016).
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Chanceler argentina critica política externa de Serra


A chanceler argentina Susana Malcorra, que se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, na semana passada, criticou a reorientação da política externa brasileira.

"A Argentina está aberta para conversar, mas não queremos que novidades repentinas impactem a oportunidade que temos agora com a UE", disse Malcorra, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

"Não podemos ficar mudando de modelo de uma hora para outra. O mundo respeita a previsibilidade e a continuidade das políticas", afirmou ainda. A declaração foi feita diante da proposta do ministro interino de flexibilizar o Mercosul.

Segundo ela, alterações nesse sentido precisam ser feitas com "prudência", "pausadamente" e que "não há urgência".

No 247
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Conflito de interesses nas Comunicações levanta suspeita junto ao MPF

“Afinal de contas, o que esperar de representantes das teles controlando o Plano Nacional de Banda Larga?”, questiona Theo Rodrigues

O MPF-RJ recebeu, nesta segunda-feira, representação da sociedade civil contra nomeação de Temer no
Ministério das Comunicações
Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, no Estado do Rio de Janeiro, o cientista político Theófilo Rodrigues encaminhou, nesta segunda-feira, ao Ministério Público Federal (MPF), um questionamento que aponta conflito de interesses na nomeação de nomes ligados aos empresários junto ao Ministério das Comunicações. Theo Rodrigues questiona:

Larissa e Theo Rodrigues, coordenadores do Barão de Itararé-RJ, com o recibo do MPF
Larissa e Theo Rodrigues, coordenadores do Barão de Itararé-RJ, 
com o recibo do MPF

“Afinal de contas, o que esperar de representantes das teles controlando o Plano Nacional de Banda Larga?”

Segundo o documento “caso não sejam revogadas as nomeações, teremos a efetivação mais nítida daquilo que a sabedoria popular compreende como ‘a raposa cuidando do galinheiro”.

Leia, adiante, a íntegra do ofício ao MPF:

Ao Ministério Público Federal
(Procuradoria da República no Rio de Janeiro),
Exmo. Sr. Procurador de Justiça.

O novo secretariado anunciado pelo ministro Gilberto Kassab no ministério das comunicações configura um grave crime de conflito de interesses (Lei nº 12.813/2013) pela identificação que possui com as principais empresas do setor.

Afinal de contas, o que esperar de representantes das teles controlando o Plano Nacional de Banda Larga?

Já na Secretaria de Radiodifusão, responsável pelas políticas para televisão e rádio, foi anunciada Vanda Bonna Nogueira. A nova secretária é conhecida por ter sido advogada da NET e do SBT.

A Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) trata de situações que configuram conflito de interesses envolvendo ocupantes de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal e traz os requisitos e restrições a ocupantes de cargo ou emprego que tenham acesso a informações privilegiadas. Estão submetidos ao regime desta lei não apenas os ministros, mas também os que possuem cargos de DAS 5 ou 6, caso dos secretários mencionados.

Caso não sejam revogadas as nomeações, teremos a efetivação mais nítida daquilo que a sabedoria popular compreende como “a raposa cuidando do galinheiro”.

Afinal de contas, o que esperar de representantes das teles controlando o Plano Nacional de Banda Larga?

O que esperar de representantes das TVs na implementação do Canal da Cidadania e da TV Digital?

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé solicita que o MPF investigue a situação e impeça tais nomeações em defesa do interesse público.

Rio de Janeiro, 30 de maio de 2016.

Theófilo Rodrigues
No Correio do Brasil
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Greenwald versus os barões da mídia

O casal Greenwald e Miranda: combatendo o bom combate
O jornalista Glenn Greenwald é um tipo raro de homem que pode ser qualificado como exército de um homem só.

Isso ficou particularmente claro no embate entre ele e toda a imprensa brasileira pela narrativa no plano internacional dos acontecimentos que levaram à derrubada de Dilma.

Greenwald ganhou. Por nocaute.

Por um motivo: ele é uma voz ouvida e admirada em todo o mundo ao contrário do que acontece com a provinciana mídia nacional.

Coube a Greenwald liquidar com as falácias que chegavam ao exterior pelos veículos dos Marinhos, Civitas, Frias e Mesquitas. Bastou uma entrevista sua à CNN em que ele descreveu o golpe como ele é.

Quase que simultaneamente, seu companheiro David Miranda publicou um texto extraordinário no Guardian britânico.

Pronto. Num lado e no outro do Atlântico, foram jogadas luzes sobre a conspiração plutocrata que levou um bando de corruptos para o Planalto.

É sorte para o Brasil que Greenwald tenha optado há onze anos pelo Rio de Janeiro por seu amor por Miranda. Isso lhe deu um conhecimento sobre o país e sua mídia que fez agora toda a diferença.

Numa entrevista a Lula, ele disse jamais ter visto uma mídia tão partidária, parcial e portanto desonesta quanto a brasileira. No Twitter, chamou o JN de uma piada depois de sugerir que Bonner pusesse um bigode para narrar, como fizera com Lula e Dilma, os diálogos de Jucá com Machado.

Greenwald é odiado pelos barões da imprensa e seus fâmulos que se fantasiam de jornalistas por duas razões. A primeira é que, ao contrário deles, é uma referência internacional. A segunda é que ele representa valores opostos aos defendidos pelo que ele acertadamente chama de mídia plutocrática brasileira.

Greenwald se bate por uma sociedade igualitária, justa, em que um pequeno grupo de poderosos não esmague imensas levas de desvalidos.

Não surpreende que os Mesquitas estejam agora defendendo a expulsão de Greenwald do Brasil. Ao longo de sua história, os Mesquitas sempre estiveram por trás das causas mais devastadoras para o avanço da sociedade brasileira. Conspiraram, como agora, para os golpes de 1954 e 1964.

São tão bons para conspirar e tão ruins para jazer jornalismo que estão perpetuamente insolventes, mesmo com todo o dinheiro público e todos os privilégios fiscais que, como toda a mídia, caem sobre seus colos ineptos. (Até hoje a imprensa tem reserva de mercado e desde sempre é isenta de impostos na compra do papel com que imprime seus jornais e revistas.)

Onde estão os Mesquitas e seus companheiros de mídia plutocrática, estão coisas nocivas à sociedade. Por eles, seremos sempre uma República de Bananas, e nunca uma Escandinávia.

Se há alguma justiça mesmo num país cuja suprema corte parece a plutocracia togada, Greenwald não será expulso e nem sua voz suprimida entre os brasileiros.

No futuro, quando os historiadores escreverem sobre os tristes dias de 2016, Greenwald estará entre as mais vivazes, lúcidas e justas referências.

Quanto à narrativa criminosa dos Marinhos, Civitas, Frias e Mesquitas, ela estará onde já está tudo que estas famílias disseram em golpes plutocratas passados.

No lixo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Devassa ordenada por Temer pode frustrar planos de cortes no funcionalismo

Ao levantar total de cargos comissionados ocupados por indicação de partidos, governo interino descobre que PSDB ocupou mais espaço nos governos de Lula e Dilma que partidos como o PDT, aliado desde sempre

Ocupação de cargos nos poderes da República é especialidade de Aécio, que inchou o governo de Minas entre
2003 e 2010
Em mais um dos seus espasmos revanchistas desde que chegou à presidência de forma indireta e biônica, Michel Temer ordenou ao ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), um levantamento dos cargos ocupados por filiados do PT no funcionalismo federal, incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas deve ter ficado surpreso com a quantidade de servidores indicados por partidos que se alinharam ao golpe contra o governo Dilma.

Por si só, a ordem não passa de mais uma "cortina de fumaça", um fato político criado para desviar o foco do escândalo das gravações que expuseram ao país e ao mundo trechos de conversas entre o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) — até então o homem forte do governo Temer — e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB), sugerindo o uso do impeachment como forma de tirar Dilma do governo para conter as investigações da Lava Jato, prestes a atingir alguns dos principais "chefões" peemedebistas.

Além disso, ao receber de sua equipe o relatório solicitado pelo interino, Vital provavelmente levou um susto, já que o levantamento mostrou que o PSDB, mesmo sendo o maior partido de oposição, ocupa a terceira posição entre os partidos com mais cargos de confiança e comissionados sob o governo do PT.

A turma de Aécio, FHC, Aloysio Nunes, Cássio Cunha Lima, Carlos Sampaio etc tem mais espaço no governo Dilma (com 9,64% de filiados empregados) do que o PDT (6,56% ), aliado do PT desde que o partido assumiu a presidência, em 2003, que tem 6,56%. Segundo o relatório, o PT ocupa 13,6% dos cargos comissionados disponíveis nos três poderes da República. O PMDB, 10,9%.

Portanto, antes de os correligionários tucanos falarem em ‘boquinha’ no governo do PT, é bom saber que o PSDB, mesmo na oposição, sempre ocupou grande número de cargos políticos dentro do governo do PT.

Além disso, os números sobre a presença do PT no governo federal ficam muito abaixo do que resultou dos oitos anos de governo Aécio em Minas Gerais. Dados publicados no jornal O Estado de S. Paulo em 2011, mostraram que, com Aécio Neves (PSDB), os tucanos comissionados no governo estadual cresceram 30,9% durante o período, passando de 268,4 mil cargos ocupados em novembro de 2003, para 351,5 mil em novembro de 2010.

Tetos de vidro

Escalado por Temer para investigar a gestão petista, Vital do Rêgo, que já foi senador pelo PMDB da Paraíba, é investigado na operação Lava Jato (leia documento). O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques Azevedo afirmou em sua delação premiada que Vital e o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso desde abril, pediram R$ 30 milhões como “contribuição especial” a um “grupo de políticos”, em junho de 2014.

A propina, paga em forma de doações eleitorais, seria para que Marques Azevedo não fosse convocado para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras, que tinha Rêgo como presidente e Argello como vice.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Operação Aequalis prende secretario de Anastasia e mira esquema de financiamento de campanhas do PSDB

Nárcio Rodrigues (PSDB) foi um dos presos pela força-tarefa do Ministério Público, Polícia Federal e Rotam. Operação mira esquema que teria financiado campanhas do PSDB

Segundo fontes da investigação, há provas de que Rodrigues se valeu de contratos relacionados ao projeto Hidroex para captar recursos ilícitos para campanhas eleitorais do PSDB em 2012 e 2014.

A Polícia Militar e o Ministério Público Estadual de Minas Gerais deflagraram na manhã desta segunda (30) uma operação que cumpre 16 mandados. Entre os alvos então o ex-secretário de infraestrutura do governo Anastasia e ex-presidente do PSDB de Minas Nárcio Rodrigues, que foi levado para a sede o Ministério Público em Belo Horizonte.

Rodrigues teve decretada prisão temporária de cinco dias. Segundo fontes da investigação ouvidas pela Folha, há provas de que o tucano se valeu de contratos relacionados ao projeto Hidroex para captar recursos ilícitos para campanhas eleitorais do PSDB em 2012 e 2014.

Também foram cumpridos mandados em Frutal, no Triângulo Mineiro, cidade natal do tucano que funciona como sua base eleitoral, São Paulo e Belo Horizonte.

A Operação foi batizada de Aequalis, e significa 'igualdade', em latim.

Nárcio é visto como homem forte de Anastasia e também do senador Aécio Naves (PSDB-MG), chegando a despontar como um dos principais interlocutores quando foi deputado federal e Aécio governador de Minas.

'VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA'




Na votação da aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, o deputado Caio Nárcio (PSDB-MG), filho de Rodrigues, votou pelo afastamento da presidente Dilma citando a honestidade do pai.

"Por um Brasil aonde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não eram possibilidade, eram obrigação", disse Caio antes de votar a favor do impeachment. O deputado encerrou a fala com a citação: "Verás que um filho teu não foge à luta".

Caio Nárcio acompanhou o pai até a dese do Ministério Público na manhã desta segunda. Até o momento que teve contato com a reportagem, o tucano não tinha nenhum advogado atuando em sua defesa.


Caso Hidroex

No  dia 30 de abril, o Ministério Público de Minas Gerais havia instaurado inquérito civil para apurar irregularidades em obras públicas no município de Frutal, no Triângulo Mineiro, durante gestão do então governador Antonio Anastasia (PSDB), atualmente senador.

A investigação,  estava sob responsabilidade do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e seguia em sigilo.

Reportagem da “Folha de S.Paulo” na edição do dia 29 de abril mostrou que uma auditoria realizada pela Controladoria Geral de Minas apontou corrupção, desvios e mau uso de dinheiro público na construção do complexo “Cidade das Águas”, centro de pesquisa e gestão em recursos hídricos instalado na cidade.

A controladoria auditou amostra de R$ 37,7 milhões da obra, 16% dos R$ 230 milhões do projeto. Dessa parte, os danos aos cofres públicos chegaram a R$ 18 milhões, 48% do investigado. As irregularidades incluem pagamentos indevidos a empresas por serviços não prestados ou em desacordo ao contratado, superfaturamento, não entrega de equipamentos, armazenagem e controle inadequado e restrição à competitividade de licitações.

No Amigos do Presidente Lula
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Temer e Gilmar se unem para tentar salvar o golpe


Na tarde do dia 28 de maio, o presidente-usurpador Michel Temer interrompeu seu descanso na residência em São Paulo e, portanto, a convivência com a “bela, recatada e do lar” esposa Marcela [como diz a revista Veja] e com o filho Michelzinho, para antecipar o regresso a Brasília.

Estaria tudo normal não fosse o dia 28 de maio um sábado e se, além disso, o presidente-usurpador tivesse compromissos de governo em Brasília no próprio sábado e no domingo.

O problema, contudo, é que Michel — como é chamado na intimidade pela corja golpista — regressou a Brasília, ao que se sabe, exclusivamente para se reunir com o ex-Advogado-Geral da União do FHC, o tucano Gilmar Mendes, na noite de sábado.

Gilmar Mendes, como se sabe, é um integrante de outro Poder de Estado — ele é juiz do STF, apesar de não reunir os atributos necessários para ser juiz da Suprema Corte, e de colecionar atitudes que justificariam seu impedimento no cargo. Atualmente, ele é Presidente do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral — realidade também difícil de entender.

Além disso, a partir de terça-feira Gilmar presidirá a Segunda Turma do STF, justamente aquela que julgará a maior parte dos políticos investigados pela Lava Jato — por coincidência, a maioria deles pertencente ao PMDB, ao PP e ao PSDB, corruptos que foram decisivos para a perpetração do golpe de Estado e que são fundamentais para a sustentação do governo usurpador, cada vez mais desmoralizado.

O encontro entre um presidente do País — mesmo sendo de um governo golpista — e um integrante de outro Poder de Estado, sempre é acompanhado de mínima solenidade e formalidade. Do ponto de vista institucional, o encontro deveria ser entre os titulares dos poderes Executivo e Judiciário, e não entre o titular-usurpador do Poder Executivo e um mero integrante do Poder Judiciário.

Michel e Gilmar sabem perfeitamente que o Judiciário é presidido pelo juiz Ricardo Lewandowski, que é quem responde institucionalmente pelo Judiciário. Como não trataram de assuntos institucionais, o encontro entre Michel e Gilmar assumiu um caráter exclusivamente político. E, em função disso, aqui começa o grave problema desse encontro.

O mundo inteiro sabe que Michel Temer assumiu como presidente-usurpador porque uma quadrilha enlameada em corrupção tomou de assalto o Poder com o golpe de Estado contra a Presidente Dilma. Um golpe que foi perpetrado através do processo de impeachment sem fundamento constitucional, “comandado por um bandido chamado Eduardo Cunha”, como reporta a imprensa internacional. Essa quadrilha assaltou o Estado para fazer um grande acordo nacional de impunidade para toda a bandidagem.

Além disso, Temer responde juntamente com a Presidente Dilma no processo ficcional aberto por Gilmar Mendes, que quer recusar a prestação de contas da campanha eleitoral de 2014 para cassá-la sem nenhuma base fática e legal.

Na últimas semanas, a vida dos golpistas ficou insustentável. Não somente devido às revelações das conversas gravadas, que comprovam a conspiração contra o mandato legítimo da Presidente Dilma, mas também porque o povo brasileiro se insurge cada vez mais nas ruas contra o retrocesso que está sendo imposto pelos usurpadores, que sabem que precisam de um governo ilegítimo para impor o programa neoliberal selvagem que jamais conseguiriam aprovar nas urnas.

É crescente a percepção, no seio do povo brasileiro, de que o governo usurpador está inviabilizado, em função dos sucessivos escândalos que o cercam.

Quando da posse, este governo feito 100% testesterona e 0% de pigmento, era 75% Lava Jato. Hoje, o governo usurpador se aproxima da unanimidade: é um governo 100% Lava Jato, a começar pelo conspirador-mor — só falta a força-tarefa revelar as conversas do Sérgio Machado com o Michel Temer, que comandava o PMDB quando o presidente da Transpetro roubava para o esquema deles.

O governo usurpador de Michel Temer tem o cheiro podre de Eduardo Cunha e de Gilmar Mendes. O golpe usurpador começou a ruir, por isso a reunião de última hora entre os dois conspiradores, desesperados em tentar salvá-lo.

Jeferson Miola, Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial
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Gilmar Mendes, Temer e três versões diferentes para um mesmo encontro

gilmar mendes temer 

E se o Presidente de um Tribunal Superior se encontrasse, às pressas, com um investigado, em agenda extra-oficial, em plena noite de sábado?

E se esse juiz ao ser questionado sobre o motivo do encontro apresentasse três versões diferentes?

E se o visitado estivesse envolvido em uma suspeita de conspiração contra a presidente da República, eleita pelo voto da maioria da população, com o objetivo de encerrar investigações sobre um mega escândalo de corrupção?

Ora, em qualquer país sério a sociedade exigiria respostas muito convincentes e, caso não surgissem, o juiz seria afastado de suas funções ou, pelo menos, impedido de se manifestar em matéria de interesse do visitado.

Mas, estamos no Brasil, né?

E Gilmar Mendes não apenas não precisa explicar pra ninguém o que foi fazer no Palácio do Jaburu na noite de sábado, como pode, ainda, tranquilamente, apresentar três versões diferentes sem que nada ocorra.

Um escárnio!

É a República da desfaçatez!

Vinícius Wu
No Fórun
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Pequena biografia de um grande patife

O personagem é Gilmar Mendes, ou como o trata o PHA, Gilmar Dantas.

Não há cronologia porque o período de pilantragem é muito extenso, assim como também se trata de um relato muito resumido, fatos que demandariam um longo estudo, digno de uma tese de doutorado.

# Gilmar nasceu em Diamantino, MT, em 1955, de família abastada e com vários membros na advocacia e na política; seu pai foi da Arena, apoiou o golpe militar e foi prefeito da cidade, o que pode justificar o ódo violento que Gilmar tem dos pobres, das minorias e de todos os que defendem essas camadas mais vulneráveis socialmente;

# Gilmar foi assessor e um ardoroso defensor de Fernando Collor, mesmo quando era evidente que o ex-presidente não tinha o mínimo respeito pela Constituição nem pela moralidade do serviço público (Correio da Cidadania);

# Gilmar também assessorou Nelson Jobim, no escritório deste, na iniciativa de tentar anular a demarcação de terras indígenas, e em duas ações foi derrotado no STF;

# Quando Jobim era Ministro da Justiça os latifundiários voltaram à carga, e Gilmar prepara então um decreto que foi assinado pelo presidente Cardoso concedendo uma indenização aos invasores de áreas indígenas que tinham sido obrigados a recuar das invasões (Cardoso insiste sempre que seu governo foi honesto e que “não sabe de nenhuma falcatrua”. Zomba cinicamente da memória do povo.);

# em 31/08/2001 o presidente Cardoso (é assim que Clinton se refere a seu “político de estimação”), através da MP 2316-37, confere à AGU o status de ministério, desta forma blindando Gilmar contra possíveis ações do MPF (e uma mão lava a outra);

# Gilmar já era sócio-proprietário do Instituto BrasilAntecedentesiense de Direito Público na época em que chefiava a AGU, o que era vedado pela Lei Orgânica do Ministério Público;

# segundo a revista Época, em 2002, ainda como chefe da Advocacia Geral da União, Gilmar pagou com dinheiro da mesma a importância de R$ 32.400,00 para que seus auxiliares fizessem curso no instituto de sua propriedade;

# em 2002 Gilmar concedeu liminarmente (nas RCLs 2.138 e 2.186) a prerrogativa de foro privilegiado, mesmo após terem deixado o cargo de ministros, a José Serra, Pedro Malan e Pedro Parente (as blindagens que acertou com FHC), situação que vigorou por 14 anos, sendo cassada apenas em 15/03/2016 (e o que fez o STF neste tempo todo?);

# logo após a proposição de Cardoso em encaminhar à análise do Senado a nomeação de Gilmar para o STF, choveram críticas ao ato. Exemplificamos com palavras do famoso jurista e professor Dalmo de Abreu Dallari. “Gilmar é figura conhecida na comunidade jurídica, não só por ocupar o cargo de advogado-geral da União, mas, sobretudo, por suas reiteradas posições contrárias ao Direito, à Constituição, às instituições jurídicas e à ética que deve presidir as relações entre personalidades públicas” (vê-se isso permanentemente nas sessões do STF pelas agressões e ofensas a seus colegas da corte, de profissão e mesmo a qualquer pessoa que lhe desagrade. É famosa a altercação com Joaquim Barbosa, como também uma recente com Lewandowsky). Continua o Dr. Dallari: “Um fato importante e ocultado pelo presidente Cardoso é que em razão de ofensas anti-éticas Mendes está sendo processado criminalmente, o que o impede de ser indicado para membro do STF”. Nada aconteceu e, como Cardoso tinha maioria no Senado, Gilmar passou na sabatina e foi nomeado para o STF em 20 de junho de 2002;

# Gilmar está denunciado como envolvido no caso do “mensalão tucano”, tendo recebido a importância de R$ 185 mil do esquema, conforme denúncia documentada e em posse da PF de Minas, entregue pelo criminalista Dino Miraglia Filho, advogado da modelo Cristiana Ferrera, também ligada ao esquema e assassinada num flat em Belo Horizonte (Portal Metrópole);

# Gilmar rouba de sua própria empresa, fazendo um excesso de retiradas para cobrir festas e jantares (sic). Processado por seu sócio, o ex-procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, consegue que o processo tramite em segredo de justiça. Faz acordo para a suspensão do processo, pagando R$ 8 milhões, conseguido com um empréstimo bancário. (capa da revista Carta Capital, coluna de Elio Gaspari e jornal O Globo);

# Gilmar tinha intensa ligação com o corrupto ex-senador Demóstenes Torres (que posava por paladino da ética) e, por meio dele, também com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, flagrados em escutas da PF na “Operação Monte Carlo” (mais de 300 conversas em um ano). Em mais um ato ridículo do Congresso com respeito à CPI aberta em abril de 2013 para investigar a operação, o relatório com mais de 4 mil páginas do deputado Odair Cunha, do PT/MG, que indiciava 46 pessoas, foi desprezado, e um relatório alternativo do deputado Luiz Pitiman do PMDB/DF, de duas páginas, sem indiciar ninguém, foi aprovado. (Globo, G1);

# Gilmar viajava com Demóstenes num jato fretado por Carlinhos Cachoeira (Portal Metrópole);

# numa das gravaçõe da PF entre Demóstenes e Cachoeira, o primeiro informa ter acertado que Gilmar puxaria para o STF uma ação contra a Celg (Companhia Energética de Goiás) e que conseguiria um redução de metade do valor devido. Pesquisando o site do STF, descobrimos que em 15/08/2011, na reclamação constitucional ajuizada pela Celg, Gilmar, monocraticamente, reconhece a mesma e julga procedente, determinando a remessa dos autos da Justiça de Goiás para o STF;

# a revista Carta Capital revela em 2009 que o instituto de Gilmar presta serviços a vários órgãos públicos, com ingerência lobística do proprietário, tendo faturado mais R$ 3 milhões no período;

# Gilmar pediu indenização por danos morais contra a revista Carta Capital, representado por advogados de seu instituto, que foi negada pela juíza da 34ª Vara Cível de São Paulo;

# Guiomar Mendes, mulher de Gilmar, se aposentou e foi trabalhar no escritório de Sérgio Bermudez no Rio de Janeiro, advogado de Daniel Dantas (informação de Mônica Bergamo na Folha de São Paulo);

# Gilmar deu dois habeas corpus para soltar o banqueiro Daniel Dantas quando preso na operação Satiagraha;

# entre 2009 e 2011, dos 608 mil reais gastos pelo STF com esposas dos ministros (que beleza!), 437 mil foram gastos com viagens da mulher de Gilmar, 20 delas ao exterior (R$ 22 mil por viagem);

# Gilmar gosta de viajar, e no dia 23 de junho foi a Belo Horizonte, sozinho, no helicóptero do grande amigo Aécio (na realidade o aparelho é do governo de Minas e não se presta ao uso de pessoas estranhas ao mesmo, mas amigo é para estas coisas);

# o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (estado de Gilmar e de toda a sua família, de advogados e juízes), José Riva, é o corrupto considerado o maior ficha-suja do país, respondendo a mais de 100 ações por corrupção e improbidade, só uma delas de 60 milhões de reais por desvios em compras em papelaria, e Gilmar concedeu liminar para soltá-lo;

# Gilmar também deu habeas corpus para o médico Roger Abdelmassih em dezembro de 2009, após apenas 4 meses de prisão, o qual tinha uma pena de 278 anos por abuso sexual no consultório em pacientes sedadas — o criminoso fugiu para o exterior logo após o HC;

# Gilmar é campeão de habeas corpus polêmicos, e, além dos já citados concedidos aos corruptos Dantas e Riva e ao psicopata Abdelmassih, foram agraciados, entre outros, Maluf, filhos de Maluf, Celso Pitta, Naji Nahas;

# Gilmar votou no STF (o único) a favor da doação de empresas para as campanhas eleitorais, depois de segurar o processo por um ano, o qual já tinha nove votos contrários;

# Gilmar votou contra a lei de Ficha Limpa;

# quando filiados do PT fizeram uma coleta para pagar multas dos condenados no “mensalão”, Gilmar declarou achar esquisito os valores aparecerem logo e questionou se não seria lavagem de dinheiro, ofendendo assim milhares de cidadãos (ofender e agredir é a postura comum de Gilmar), manifestação imbecil por quem demonstra não ter grau de cultura compatível com o cargo e desconhecer um dos mecanismos de defesa descritos por Ana Freud, no caso o denominado PROJEÇÃO, mecanismo no qual a pessoa projeta em outro(s) seus defeitos (eduquim em 04/02/2014);

# na recente festa de aniversário de Kátia Abreu, Gilmar — sem a compostura própria que deveria ter um ministro do STF, descontrolado e aos berros (alcoolizado?) — chamou Lula (ausente) de bêbedo e o advogado Kakay de comunista (colunista Ilimar Franco, o Globo).

Vou parar por aqui porque começo a ter uma sensação de náusea. Muito nojo. Depois de digitar tudo isso, vejo que há ainda na minha mesa inúmeras folhas de registros que extraí da Internet. A biografia é enorme. Há muita coisa recente, que talvez eu use num próximo artigo. Mas fico pensando, estupefato, como é que tanta patifaria pode ter sido cometida por um sujeito que ocupa uma cadeira na mais alta corte da justiça do meu país. É inacreditável. É inconcebível. Será que todos os jornais citados, todas as revistas, os sites, os blogs, os dados do próprio STF mentem? E seus pares, o que sentem com a presença de Gilmar entre eles? Se a imprensa e toda a área jurídica sabem desses fatos, o que fazem a respeito os demais ministros? Nada? Por quê? Há que existir uma explicação! E o presidente do STF, que é também o presidente do Conselho Nacional de Justiça, o que faz? Desde que Gilmar foi empossado tivemos vários presidentes: Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie, o próprio Gilmar, Cézar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e agora Ricardo Lewandowsky. Todos são responsáveis por esta excrescência e têm uma dívida com a nação. Só resta ao Brasil, agora, uma atuação de Lewandowsky. Cumplicidade, respeito, medo? E pensar que está nas mãos de Gilmar os destinos da pátria, pela decisão de quem assumirá a presidência da república: Dilma ou Temer. Triste país, triste Brasil, triste pátria. Se Lewandowsky lavar as mãos só restará o povo na rua, principalmente os jovens e as mulheres, para o sacrifício inevitável, para a doação do próprio sangue em face da corrupção do Poder Legislativo e a inércia do STF.

Mareu Soares
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Nunca dantes o Supremo foi tão pequeno


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Servidores protestam contra ministro golpista

Servidores impedem entrada de ministro da Transparência e pedem sua demissão

Flagrado em conversa orientando Renan e Machado a se defenderem na Lava Jato, Fabiano Silveira é alvo de manifestação de funcionários da CGU. Para entidade, ele não tem condições de comandar órgão que zela pela transparência e pelo combate à corrupção

Servidores lavaram a fachada e, depois, se dirigiram ao nono andar,
onde fica o gabinete do ministro, para novo protesto
O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, é alvo de protestos desde o início desta segunda-feira (3) em Brasília. Um grupo de servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) impediu a entrada em seu gabinete do ministro, flagrado em conversa gravada orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava Jato. O carro dele foi cercado por manifestantes assim que chegou à sede da CGU. Ele acabou deixando o local. Em seguida, os servidores lavaram a fachada do prédio. Neste momento, eles lavam o nono andar, onde fica a sala do ministro. Também cobrando a saída de Fabiano Silveira, representantes da CGU em 22 estados anunciaram que vão deixar seus cargos caso ele não seja demitido.

Em nota divulgada nesta manhã, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon) pede a saída de Fabiano Silveira da nova pasta, criada em substituição à CGU.

“O Sr. Fabiano Martins Silveira, ao participar de reuniões escusas para aconselhar investigados na operação Lava Jato, bem como ao fazer gestões junto a autoridades e órgãos públicos a fim de apurar denúncias contra seus aliados políticos ‘demonstrou não preencher os requisitos de conduta necessários para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública e pelo combate à corrupção’”, afirma o comunicado assinado por Rudinei Marques, presidente do Unacon Sindical.

Além de cobrar a exoneração imediata de Fabiano Silveira, o sindicato também pede a revogação da medida provisória assinada pelo presidente interino Michel Temer que criou o Ministério da Transparência, alterando a estrutura da CGU.

O diálogo entre Fabiano Silveira e Renan foi gravado na residência oficial do Senado em 24 de fevereiro, quando o atual ministro era conselho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro também fez recomendações a Machado sobre como ele deveria se comportar diante de uma medida cautelar, conforme revela reportagem do Fantástico.

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CGU tem entrega de cargos em massa em protesto contra ministro

Chefes de 23 representações estaduais da CGU e outros 200 ocupantes de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) anunciam a entrega de seus cargos para pressionar a saída de Fabiano Silveira. Servidores farão marcha até o Planalto para cobrar a demissão do ministro



Em protesto contra o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, chefes de 23 representações estaduais da Controladoria-Geral da União (CGU) e outros 200 ocupantes de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) anunciaram a entrega de seus cargos nesta segunda-feira (30). Eles afirmam que não trabalham com o novo ministro e cobram a imediata saída de Fabiano, flagrado em conversa gravada orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava Jato.

Os nomes dos chefes demissionários foram lidos em um carro de som durante o protesto que barrou a entrada de Fabiano no ministério e promoveu uma lavagem, com água e sabão, na fachada da CGU e no nono andar, onde fica o gabinete do ministro. Um grupo de servidores da CGU cercou o carro de Fabiano e o impediu de entrar na sede do ministério. Cerca de 200 pessoas, segundo a Polícia Militar, ocupam a entrada do prédio, localizado no Setor de Autarquias Sul. Os manifestantes devem sair daqui a pouco em marcha até o Palácio do Planalto para cobrar a demissão de Fabiano.

Em nota divulgada nesta manhã, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom) pediu a saída imediata de Fabiano Silveira. “O Sr. Fabiano Martins Silveira, ao participar de reuniões escusas para aconselhar investigados na operação Lava Jata, bem como ao fazer gestões junto a autoridades e órgãos públicos a fim de apurar denúncias contra seus aliados políticos ‘demonstrou não preencher os requisitos de conduta necessários para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública e pelo combate à corrupção’”, afirma o comunicado assinado por Rudinei Marques, presidente do Unacom Sindical (leia a íntegra).

Além de cobrar a exoneração imediata de Fabiano Silveira, o sindicato também pede a revogação da medida provisória assinada pelo presidente interino Michel Temer que criou o Ministério da Transparência, alterando a estrutura da CGU. Outro ponto reivindicado pelos sindicalistas é a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC 45/2009) que dá “soberania” à CGU para investigar e apresentar laudos. Embora tenham conseguido o apoio de todos os líderes partidários. chegoua ficar em primeiro lugar nalista de prioridades.renan negou e disse que a pauta era muito corporativista e não botou

O diálogo entre Fabiano Silveira e Renan foi gravado na residência oficial do Senado em 24 de fevereiro, quando o atual ministro era conselho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro também fez recomendações a Machado sobre como ele deveria se comportar diante de uma medida cautelar, conforme revela reportagem do Fantástico. Funcionário de carreira do Senado, Fabiano é considerado indicação de Renan para o ministério.

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O golpe sem disfarces

A despeito do esforço midiático para despistar a plateia, as conversações grampeadas confirmam o complô e apontam seus autores

As forças parlamentar e judiciária, unidas no golpe, correm o risco de
separar-se. Na encruzilhada, com quem ficariam a casa grande e
a mídia nativa?
As conversas gravadas por Sérgio Machado, e até o momento divulgadas pela Folha de S.Paulo, imprimem novo ritmo e novo rumo à manobra golpista que afastou Dilma Rousseff e entregou o governo interino a Michel Temer, o arguto professor de Direito Constitucional que rasga a Constituição.

Na semana passada permitia-me prever a provável separação entre o poder togado e o poder parlamentar, unidos pelo e no golpe. A hipótese agora se fortalece, e a confirmação vem da própria mídia nativa. Não folheava os jornalões desde a aprovação do impeachment pela Câmara e a partir de segunda 23 passei a ler suas sessões políticas.

Na terça, elegia-se Romero Jucá a bode expiatório e como questão central apontava-se o “pacto” aventado na conversa entre Machado e o ex-ministro para estancar a sangria desatada da Lava Jato.

A verdade factual sacramenta outra evidência, ao alcance da compreensão até do mundo mineral: ocorrido em março passado, o fatídico diálogo é, em primeiríssimo lugar, a prova irrefutável do golpe em marcha, e apresenta inclusive as forças envolvidas na trama. Ali se estabelece a premissa indispensável ao propósito do “pacto”, derrubar Dilma.

Perguntei aos meus estupefactos botões como haveria de revidar o poder togado à ameaça do poder parlamentar. Mais, de que lado ficariam a casa-grande e a mídia nativa. Antes que respondessem, Temer entra em cena e joga a carta do pacote econômico do ministro Meirelles, o homem de todas as estações, a quem certamente não faltou a colaboração de José Serra.

De quem recordo uma frase retumbante, pronunciada na cozinha da minha casa, durante a campanha eleitoral de 2002, enquanto jantávamos um risotto ai porcini: “Eu sou muito mais de esquerda do que o Lula”.

Pois na tarde de terça os economistas do governo interino, vendilhões do País, firmaram a rendição ao mais cruel neoliberismo, a doença que uma centena de multinacionais, especuladores e rentistas impõe ao mundo para condenar à miséria a larga maioria e enriquecer mais e mais uma ínfima minoria. Comedida, a mídia de quarta celebra em manchetes o corte de gastos prometido pelo pacote e deixa em segundo plano a sua essência nefasta.

Convoco novamente os botões: por quê? Parece óbvio que uma súbita dúvida assola a casa-grande. O caminho do golpe tenderia a bifurcar-se, e a encruzilhada exige meditação profunda ao tornar possível, quem sabe provável, uma escolha. Temer e o Congresso ou Moro e o Supremo? A leitura dos jornalões induz os botões a acentuarem a gravidade do momento e a dificuldade da opção.

Na quarta, a Folha coloca em manchete o anúncio do corte dos gastos do governo e relega um novo diálogo dos idos de março, entre o mesmo Machado e Renan Calheiros, a uma chamada modesta na primeira página e relato na quarta. Soletram os botões: mais uma conversação edificante para confirmar o golpe, o pavor da Lava Jato de quem tem culpa em cartório e o envolvimento do Supremo na grande tramoia urdida contra o Brasil.

A terceira conversa gravada, entre machado e José Sarney, a menos significativa, revela apenas a intenção do ex-presidente de livrar Machado do julgamento de Moro, ao mexer pauzinhos não declinados.

CartaCapital preocupa-se com o destino do País brutalmente desigual e pratica o jornalismo com honestidade e fidelidade canina à verdade factual. Fato é que o governo Lula representa a quadra mais feliz na história do Brasil em termos de paz e bem-estar interno e prestígio internacional.

A lição de Faoro: só a deliberação constituinte
recompõe a ordem constitucional em colapso
Foto: Adriana Lorete
O ex-metalúrgico soube implementar um começo de política social e promover uma política exterior independente. Contou com uma conjuntura mundial favorável, e este é fato, assim como é fato que o PT no poder se portasse como todos os demais partidos.

Dilma Rousseff não tem o carisma e o extraordinário tino político de Lula e cometeu erros graves de pontos de vista variados. Em boa parte manteve, porém, as políticas sociais do antecessor, ao meio de uma situação econômica cada vez mais adversa. Além disso, trata-se de uma cidadã correta, corajosa e muito bem-intencionada. Talvez um tanto ingênua, murmuram os botões.

Ouço-os, a despeito do tom opaco: seria bom saber como reagiu às razões de João Roberto Marinho, chamado em Palácio para escutar queixas em relação à constante agressividade global, sempre disposta a inventar, omitir e mentir.

Sustentou então o herdeiro do nosso colega Roberto não mandar nos seus empregados jornalistas, livres de propalar o que bem entendem, e, de resto, não ter condições de impedir o efeito manada na direção do golpe. Que fez a presidenta? Caiu das nuvens? Respondeu à altura a tamanha desfaçatez? De todo modo, como se deu que pudesse esperar por outro comportamento?

Cabem mais interrogações: que disse Dilma ao chamar o presidente do STF para discutir as posições do Supremo na perspectiva do golpe e ouvir a reivindicação de aumento de salário? A situação se apinha de dúvidas e incógnitas. Por exemplo. Os efeitos do pacote econômico, bastante agradáveis para a casa-grande, são altamente daninhos para um povo acostumado há tempo a manifestar sua insatisfação por ruas e praças.

Outra incógnita diz respeito ao inter do processo de impeachment, a prever no espaço máximo de 180 dias a sessão definitiva do Senado, presidida pelo ministro Lewandowski, não se sabe se já premiado pelo invocado aumento.

Na entrevista a CartaCapital da edição passada, a presidenta afastada referia-se à possibilidade de conquistar seis votos no Senado, de sorte a invalidar a maioria que a afastou. De fato, basta reverter dois votos em relação ao resultado da primeira sessão. A chance não teria crescido diante dos últimos, surpreendentes eventos?

Há quem volte a falar em eleições gerais antecipadas, quem sabe para outubro de 2017. Solução sensata demais para ser viável. Ideal mesmo, declaram soturnamente os botões, seria refundar o Brasil, tão favorecido pela natureza e infelicitado fatalmente por uma dita elite, prepotente, arrogante, hipócrita, corrupta, egoísta e incompetente. Ah, sim, ignorante. E movida a ódio de classe.

Abandono-me ao devaneio ao imaginar a convocação de uma Constituinte finalmente exclusiva. E me vem à memória a lição de Raymundo Faoro, contida em um dos seus livros mais recentes, A Assembleia Constituinte – A legitimidade recuperada.

Comenta Faoro a crença de que “só revoluções vitoriosas podem convocar Constituintes”. E emenda: “Na verdade, sempre que há crises ou colapso de uma ordem constitucional, ela só se recompõe pela deliberação constituinte, a deliberação constituinte do povo, se democrático o sistema a instituir”.

Mino Carta
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LASA denuncia o Golpe no Brasil


“A LASA denuncia o atual processo de impeachment em curso no Brasil como antidemocrática e encoraja os seus membros a chamar a atenção do mundo para os precedentes perigosos que este processo estabelece para toda a região. Esta moção foi aprovada pelo comitê executivo da Associação de Estudos Latino Americanos e agora será votado por seus membros em um plebiscito.”



Mídia Ninja
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Operação prende ex-secretário de Antonio Anastasia em BH

Nárcio Rodrigues (PSDB) foi um dos presos pela força-tarefa do Ministério Público, Polícia Federal e Rotam

operação
Operação aconteceu em um prédio do Anchieta
Uma operação do Ministério Público (MP), em parceria com a batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) da Polícia Militar e a Polícia Federal, é realizada nesta segunda-feira (30) na região Centro-Sul de Belo Horizonte, em Frutal, no Triângulo Mineiro, e em São Paulo.

Os mandados de prisões temporárias partiram da comarca de Frutal. Entre os seis presos, está o político Nárcio Rodrigues (PSDB), ex-presidente do PSDB de Minas e ex-secretário de Estado na gestão de Anastasia (PSDB), entre 2011 e 2014. Além do tucano, o empresário Maurício Reis Bretas foi detido na capital. Em São Paulo também foi realizada uma prisão, mas a identidade do investigado não foi divulgada.

Nárcio Rodrigues foi levado ao prédio da Promotoria de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público estadual, onde está sendo ouvido na manhã desta segunda-feira (30). Ele já se encontrava no local às 9h50.
Nárcio Rodrigues foi alvo de operação conjunta nesta segunda-feira
A reportagem tentou contato com a defesa de Nárcio Rodrigues, mas ele não foi localizado no escritório de advocacia e não atendeu o celular.

A assessoria de imprensa do MP confirmou a operação, com busca e apreensão, mas não passou mais detalhes. A Polícia Federal ainda não se manifestou. A Rotam apenas confirmou a operação conjunta, mas não quis dar mais detalhes.

Busca e apreensão na Cidade Administrativa

Durante a operação, um mandado de busca e apreensão foi cumprido na Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, na cidade Administrativa. A assessoria de imprensa da secretaria confirmou que o mandado foi cumprindo no 10º andar, em um escritório da empresa Hidroex. No entanto, ainda não há informações do que foi levado. A assessoria ficou de se manifestar assim que tiver um posicionamento do MP.

Larissa Veloso / Carolina Caetano
No O Tempo
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Mais um ministro do governo golpista de Temer que deverá cair


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