17 de mai de 2016

Como Temer e Cunha construíram o Golpe contra 54 milhões de votos

Ao menos, desde setembro, o vice-presidente e o presidente da Câmara conspiram para assumir os principais cargos da República


Não restam muitas dúvidas sobre o caráter golpista de Temer e sua turma. A cada dia fica mais evidente sua ganância inescrupulosa para derrubar Dilma e assumir a presidência. Mas não devemos nos enganar pensando que se trata de uma atitude apenas oportunista, ou seja, que ele está aproveitando a oportunidade que o destino lhe trouxe. Longe disso. Temer e Cunha têm articulado a própria chapa presidencial, para assumirem os maiores cargos do país, há mais tempo do que nossa relapsa memória nos alerta. E trata-se de uma articulação entre os três poderes, a grande mídia — televisiva e escrita — e até a autoria do pedido de impeachment.

Explico-me.

Em 29 de outubro de 2015, o PMDB, liderado por Temer [1], lançou um programa próprio de metas governamentais chamado “Uma ponte para o futuro” [2]. Em uma leitura atenta percebe-se que é uma evidente ruptura com o governo Dilma e um anúncio de sua “candidatura indireta” ao cargo da presidência. Havia apenas um obstáculo: Dilma é a presidenta, legitimamente eleita.

Eduardo Cunha “resolveu” o problema em apenas as trinta e quatro dias, 02/12/2015, quando deu início à derrubada de Dilma, acolhendo e deferindo um pedido de impeachment de autoria de Helio Bicudo, Reale Júnior e Janaina Paschoal [3]. Esta última, inicialmente tratada como acessório decorativo do trio, porém, se demonstrou peça-chave no processo.

Se nos atentarmos em como se deu a construção do pedido de impeachment aceito por Cunha, veremos que o primeiro pedido foi protocolado em 01 de setembro de 2015 [4] e em quarenta e cinco dias, 15/10/2015, protocolaram um segundo pedido de impeachment [5]. Em seu pronunciamento [6] sobre o acolhimento do segundo pedido e consequente abertura do processo, Cunha se enrolou na explicação, e, ao que tudo indica, o pedido do trio teve tratamento diferenciado e privilegiado, no que se refere ao tramites da Casa.[7]

Se observasse os prazos defendidos por ele mesmo, Cunha deveria ter indeferido o primeiro pedido do trio no final de outubro [8]. No entanto, no final de outubro, como já dito, os holofotes deveriam estar no plano de governo de Temer, “Uma Ponte para o futuro”. Além do mais, a oposição e a grande mídia criaram uma enorme expectativa popular no pedido elaborado pelo trio, não poderiam, então, “queimar essa bala”. Indeferir um pedido deles seria uma derrota simbólica, mesmo que apresentassem um novo em seguida, como fizeram.

A manobra, do “rei das manobras”, portanto, foi deixar o primeiro pedido guardado na sua gaveta por mais de noventa dias, aguardando pacientemente o novo pedido que ele, enfim, aceitaria. O qual, conhecendo Cunha como já conhecemos, deve ter recebido assessoria dos seus advogados. Do mesmo modo como aconteceu na elaboração do relatório da comissão de impeachment [9], votado há poucos dias.

O plano “Uma ponte para o futuro” elaborado pelo Temer foi intensamente divulgado pela grande mídia. O jornal nacional, por exemplo, apresentou uma reportagem de cinco minutos sobre ele. [10]  Na narração, a reportagem afirmou que
o documento é uma ruptura do PMDB com o atual modelo econômico do governo. Ele traz uma mensagem clara: o PMDB tem um caminho próprio e daqui pra frente vai segui-lo. Mesmo que entre em choque com as propostas do governo.”
Esta mesma reportagem afirmou que o PMDB não apresentou o plano previamente à presidenta Dilma. Precisa mais para explicitar o caráter golpista desse plano? Como é possível, em um cenário democrático, o vice-presidente elaborar um plano de metas governamentais e não apresentar e dialogar com a presidenta antes de divulga-lo publicamente?

Em 31 de outubro, o jornal O Globo publicou editorial elogiando o plano de Temer [11].  A revista Veja [12] estampou Temer em sua capa, na edição de 14 de novembro, com a manchete “O plano Temer – Como o vice-presidente e seu partido se preparam para assumir caso Dilma caia”.  É importante ressaltar que, nessa altura, sequer havia processo de impeachment aberto, Cunha deferiu o processo dezoito dias depois.

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Capas de revistas com Michel Temer de julho de 2015 a abril de 2016
Nesse meio tempo, não podemos ignorar que um processo de cassação do mandato de Cunha foi protocolado pelo PSOL — em 13 de outubro — e aceito pela comissão de ética da Câmara em 3 de novembro. Exatamente no interim do lançamento da chapa Temer-Cunha pelo PMDB, por meio do plano “Uma ponte para o futuro”. O presidente da Câmara, então, uniu o útil ao agradável quando abriu o processo de impeachment de Dilma. Retaliou o PT por ter votado favoravelmente ao seu processo de cassação, como havia anunciado que faria [13], e deu o pontapé inicial da sua escalada à vice-presidência.

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Jornais registram ameaças de retaliação de Cunha.
Uma quinzena antes desta abertura, o PMDB realizou o Congresso da Fundação Ulysses Guimarães, onde o plano “Uma ponte para o futuro”, de Temer, foi apresentado e discutido por membros do partido.

A Rede Globo deu destaque em sua programação com reportagens que salientaram a recepção que Temer recebeu por meio de gritos de “impeachment já” e “Brasil para frente, Temer presidente!” [14].

Cunha, apesar de vaiado, fez um duro discurso defendendo que o PMDB se distanciasse, visando uma posterior saída inevitável do governo [15]. Podemos concluir que o presidente da Câmara, com a imagem já desgastada com denúncias de corrupção, assumiu o “trabalho sujo” da chapa, com vistas a preservar a imagem de Temer. Estava óbvio o desembarque do PMDB do governo, mas um vice-presidente não poderia liderar tal processo sem ser chamado de golpista, principalmente, quando nem processo de impeachment havia ainda.

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No centro da mesa, Moreira Franco, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Foto: Diretório Nacional
Na segunda-feira, 30 de novembro, dois dias antes de Cunha abrir o processo de  impeachment, Temer declarou a revista Exame que caberia ao presidente da Câmara aceitar de impeachment.
“Isso é uma decisão dele. Vamos esperar para ver”
Afirmou Temer, ao ser questionado se ele acreditava que Cunha aceitaria um dos pedidos de impeachment que ainda estão sendo analisados na Câmara dos Deputados. O vice-presidente, que está no cargo de presidente em exercício até Dilma voltar de Paris, tem se mantido afastado da articulação política do governo. Temer disse, no entanto, que conversou com o presidente da Câmara, mas que Cunha não teria tratado de impeachment. [16]

Evidentemente, Temer sinalizou para Cunha e para as forças aliadas o que deveria acontecer nos próximos dias.

Pedido de impeachment aceito, cinco dias depois, Temer se vê sem explicação para sua carta à presidenta ter vazado à imprensa [17]. A repercussão não foi a esperada, pois a carta revelou um vice-presidente ressentido por questões pequenas, sem apresentar qualquer preocupação com as questões fundamentais do país. Bem distante do Temer que escreveu “Uma ponte para o futuro”. Mas se engana quem pensa que foi uma atitude mal calculada dele. Como vimos, ele está há meses em marcha para derrubar Dilma, mas não poderia, simplesmente, escancarar suas garras. Esse serviço cabe ao Cunha. Temer, portanto, optou fazer o sonso e vazar sua carta melindrosa. Com isso, revelou que estava rompendo com Dilma, mas manteve a “pele de cordeiro”, de vice decorativo e magoado.

No mesmo dia em que a carta “vazou”, Temer se reuniu, a portas fechadas, com empresários da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) para apresentar seu plano de governo “Uma ponte para o futuro” [18]. Percebe-se, portanto, qual será a prioridade de um eventual governo dele. Os trabalhadores e os mais pobres, certamente, não serão.

Com a decisão do STF acerca do rito do impeachment, em 18 de dezembro, Cunha teve seus planos iniciais frustrados e se viu obrigado a adiar o processo para o início do ano legislativo [19].

Neste meio tempo, Temer, acompanhado de Moreira Franco e Eliseu Padilha, iniciou sua campanha nacional rumo à presidência, no que chamou de “Caravana da unidade” [20]. O vice-presidente percorreu as cinco regiões do país com intuito de apresentar e discutir seu plano de governo [21]. Enquanto isso, Cunha fazia o “trabalho sujo” na Câmara, viabilizando uma comissão favorável ao impeachment, assim como os votos necessários para aprovar o processo.

No final de fevereiro, o PMDB lançou mão de programas televisivos gratuitos em cadeia nacional para anunciar o plano Temer e fazer duras críticas ao governo Dilma. Reparem que há uma boa dose de hipocrisia esquizofrênica no partido que discursa como se não compusesse o governo e como se Temer não fosse vice-presidente. A respeito disso, quando questionado, Temer dizia que quando estava discutindo o plano “Uma ponte para o futuro” era o Temer, presidente do PMDB, não era o Temer, vice-presidente da República [22]. Notem que não há limites éticos e racionais para esse sujeito, em sua ganância pelo poder.

Não foi a primeira vez, em 2015, que o PMDB usou a cadeia nacional televisiva para desenvolver seu plano de tomada do governo. Em 29 de setembro, um mês antes do “Plano Temer” ser lançado, o partido exibiu um programa de dez minutos, no qual, em clima de luto, criticou o governo e se colocou como a salvação do país, por meio do “redentor”, Michel Temer.

Por favor, assista para ter a dimensão da campanha golpista desse partido:



Exatamente seis meses depois dessa propaganda, em 29 de março, o PMDB se retira do governo federal oficialmente, em uma decisão por aclamação realizada em menos de cinco minutos, com ameaças de expulsão a quem desobedecer, com exceção de Temer, obviamente, que está agarrado a cadeira de vice, apenas esperando para dar o bote na cadeira de Dilma.

Atentem-se aos detalhes das datas. Em exatos seis meses o PMDB colocou seu plano golpista em seis etapas:

29/09

Propaganda televisiva contra o governo

29/10 Lançamento do plano “Uma ponte para o futuro”
02/12 Abertura do Impeachment (29/11 foi um domingo, e Cunha em seu pronunciamento disse que queria ter anunciado na segunda, dia 30/11)
29/01 Início da “Caravana da Unidade”
24/02 Propaganda televisiva anunciando “Uma ponte para o futuro”
29/03 PMDB se retira do governo Dilma

Tal cronograma lhe parece obra do acaso? Não está evidente que há um plano metódico e inescrupuloso com o objetivo de tomar o poder de Dilma? Uma campanha golpista que quer colocar a chapa “Temer – Cunha” na presidência e vice-presidência?

Agora, pensemos, se lançaram um vídeo partidário de dez minutos com quase todos os políticos da legenda em 29 de setembro, desde quando esse plano golpista não está sendo conspirado por Temer, Cunha e aliados? Se há , evidentemente, um cronograma de ações golpistas, desde quando ele tem sido traçado? Eu arriscaria dizer que desde que Dilma foi reeleita.

Diante desses fatos, não devemos nos enganar com a esperança de que Cunha será afastado e preso. Cunha é peça fundamental nesse golpe e sua anistia está, desde o início, garantida, caso contrário, ele não estaria fazendo parte desse processo. Ele ocupará a vice-presidência e, tenho a enorme suspeita, de que vislumbra ocupar a própria presidência ainda este ano [23].

Voltando ao Temer, ele se licenciou da presidência do PMDB em 7 de abril, colocando um fim na sua hipocrisia esquizofrênica de uma hora ser presidente do PMDB e em outra ser o vice-presidente da República; para dar início a uma pior.

Quatro dias depois, 11 de abril, um áudio dele é vazado, no qual ele afirma que houve uma votação significativa a favor do impeachment e se coloca praticamente como o presidente, no lugar de Dilma. Detalhe, a votação em plenária ocorreria em seis dias. Mais uma vez ele teria sido descuidado? Mais um vazamento estabanado? Obviamente que não. Temer mandou o recado à Câmara e, ao mesmo tempo, a sociedade. E, de novo, se escondeu na “pele do cordeiro”, dizendo que foi um engano, que se tratava de um ensaio privado para uma eventual necessidade.

Temer é um lobo. Uma fera sedenta por poder e tem dilacerado todos os princípios éticos e democráticos para ocupar a presidência do Brasil. Cunha é um zumbi inescrupuloso, que cultivou uma horda de deputados, que lhe obedecem cegamente. São perigosos, traiçoeiros, conspiradores e estão a meio passo de assumirem os cargos mais importantes do Brasil.

Esta é a chapa presidencial que os autores do pedido de impeachment esperam que assuma o governo do país. Ou você já viu algum deles criticarem Temer ou Cunha com a mesma veemência que fazem contra os petistas? Pelo contrário, no dia que Cunha acolheu o pedido de impeachment deles, deram declarações, [24]no mínimo, contraditórias como:
“Não foi coincidência. Foi uma chantagem explícita, mas Cunha escreveu certo por linhas tortas”, disse o ex-ministro da Justiça. (Reale Júnior)
“Eu já não esperava mais que isso acontecesse e estava pensando sobre quais providências poderíamos tomar para não passar em branco. Mas o Cunha, enfim, despachou. Ele não fez mais do que a obrigação.” (Helio Bicudo)
“Independentemente do que norteou a ação, temos que reconhecer que foi um ato muito importante para o país. Como muito provavelmente ele [Cunha] vai sair do cargo, eu vejo isso como um último ato de benevolência. Estou triste pelo país estar nessa situação, mas feliz por pelo menos encontrado um caminho constitucional para sair disso.” (Janaina Paschoal)
Janaina Paschoal também defendeu Temer, recentemente, isentando o vice-presidente das pedaladas que ele assinou e afirmou que Temer é o vice, tem que assumir”.
Temer e Cunha também são a chapa que o grande empresariado tem financiado econômica e simbolicamente, por meio das mobilizações pró-impeachment. Já parou para pensar que “algum pato” teve que pagar as despesas desses eventos?

Temer e Cunha também são a chapa que o PMDB e a grande mídia querem nos enfiar goela abaixo, junto com um plano de governo que não merece o nome que tem, pois deveria chamar “uma ponte para o passado.

Um passado que nós, brasileiras, rejeitamos. Um passado de miséria e fome. Um passado sem direitos trabalhistas. Um passado sem políticas para educação e para saúde. Um passado em que a corrupção não era investigada. Um passado de impunidade. Um passado onde se governavam apenas para os ricos e ignoravam os pobres, os negros, as mulheres, os LGBTS e todos os subalternos.

Repudiamos Temer. Repudiamos Cunha. Repudiamos o plano “Uma ponte para o futuro”.

Não aceitamos que digam que os eleitores de Dilma também elegeram Temer, pois Dilma foi eleita com um plano de governo que em nada tem a ver com esse “Plano Temer”. O Brasil não elegeu o “Plano Temer”, portanto, não aceitará Temer como presidente.

Não aceitamos golpe contra nossa inteligência, muito menos, contra nossa democracia

[1] http://pmdb.org.br/digital/moreira-franco-fala-sobre-a-proposta-uma-ponte-para-o-futuro/

[2] http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2015/10/RELEASE-TEMER_A4-28.10.15-Online.pdf

[3] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,eduardo-cunha-aceita-pedido-de-impeachment-contra-dilma-rousseff,10000003662

[4] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,fundador-do-pt-protocola-pedido-de-impeachment-de-dilma,1754394

[5] http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/bicudo-e-reale-protocolam-novo-pedido-de-impeachment-e-evitam-falar-sobre-cunha

[6] https://www.youtube.com/watch?v=5urUCeZ26JM

[7] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-pede-para-bicudo-refazer-pedido-de-impeachment-ate-a-proxima-semana,1762019

[8] http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-10/cunha-indefere-mais-cinco-pedidos-de-impeachment

[9] http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/advogado-de-confian%C3%A7a-de-cunha-auxiliou-jovair-arantes-em-relat%C3%B3rio-1.1274671

[10] http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/10/pmdb-divulga-documento-com-criticas-e-propostas-economicas.html

[11] http://oglobo.globo.com/opiniao/bases-para-um-amplo-acordo-nacional-contra-crise-17930664

[12] http://veja.abril.com.br/multimidia/video/o-plano-temer

[13] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1714020-em-retaliacao-a-pt-cunha-ameaca-deflagrar-impeachment-de-dilma.shtml

[14] http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/11/liderancas-defendem-que-pmdb-nao-se-atrele-programa-do-pt-e-tenha-voz-propria.html

[15] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-diz-que-nao-houve-vaias-contra-ele-em-evento-do-pmdb,10000002204

[16] http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cabe-a-cunha-decidir-sobre-impeachment-diz-temer

[17] http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/12/leia-integra-da-carta-enviada-pelo-vice-michel-temer-dilma.html

[18] http://www.valor.com.br/politica/4345794/em-evento-fechado-temer-expoe-empresarios-propostas-para-economia

[19] http://g1.globo.com/politica/processo-de-impeachment-de-dilma/noticia/2015/12/supremo-muda-rito-do-impeachment-entenda-o-que-acontece-agora.html

[20] http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2016/02/Web-Movimento-251.pdf

[21] http://pmdb.org.br/noticias/caravana-da-unidade-com-temer-moreira-e-padilha-continua-percorrendo-o-brasil/

[22] http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/10/pmdb-divulga-documento-com-criticas-e-propostas-economicas.html

[23] Pretendo discorrer sobre isso em uma próxima oportunidade.

[24] http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/cunha-escreveu-certo-por-linha-tortas-diz-reale-junior-sobre-impeachment

Thais Moya
No Jornalistas Livres
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O protesto de Cannes é devastador para a imagem do governo Temer

De Cannes para o mundo: é golpe
Os golpistas levaram meses para consumar seu crime contra a democracia. Mas poucos dias bastaram para a completa, absoluta, irrevogável desmoralização do golpe.

É um marco, neste processo fulminante, o que acaba de ocorrer no festival de cinema de Cannes. A mensagem épica antigolpe que a equipe do filme brasileiro Aquarius correu instantaneamente o Brasil e o mundo nos sites e nas redes sociais.

O grupo, no qual estava incluída a estrela do filme, Sônia Braga, posou segurando cartazes em inglês e francês que denunciaram ao planeta o caráter do golpe.

Um dos cartazes dizia: “O Brasil não é mais uma democracia”.

Vídeos e fotos do protesto de Cannes viralizaram imediatamente nas redes sociais. Dilma, nelas também, agradeceu a solidariedade.

O fato é que o golpe perdeu o que se poderia chamar de duelo de narrativas, e isso é o princípio do seu fim.

A Globo e a oposição liderada pelo PSDB fracassaram miseravelmente na tentativa de transformar uma quartelada parlamentar e jurídica num ato de “salvação nacional”.

Essa narrativa mentirosa, cínica, ridícula foi atropelada pela narrativa real: foi um golpe da plutocracia.

Os fatos se impuseram. O domínio das notícias, em 2016, já não pertence às grandes empresas de comunicação. Elas podem muito, mas não o suficientemente para deter a internet.

A internet é maior que todas elas juntas.

Os brasileiros sabiam muito bem que era um golpe. O que de certa maneira surpreendeu foi a rapidez com que a comunidade internacional também soube.

Um papel primordial, aí, coube ao jornalista americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil e reconhecidamente um dos mais brilhantes repórteres do mundo.

Numa entrevista para a CNN, Greenwald chamou o afastamento pelo que é: golpe. Logo depois, David Miranda, namorado de Greenwald, publicou um artigo no Guardian devastador para os golpistas.

Já entrou para a antologia do antijornalismo a resposta que o dono da Globo João Roberto Marinho deu ao Guardian. JRM quis desmentir que era golpe, mas não convenceu ninguém, e ainda levou uma tréplica matadora de Miranda.

O confronto de versões entre Greenwald e JRM foi vital para que triunfasse a narrativa real, a do golpe de Estado. Era previsível: quem é mais ouvido e mais respeitado no mundo, Greenwald ou JRM?

Logo a seguir outras publicações estrangeiras, entre as quais o NYTimes, considerado o melhor jornal do mundo, reforçaram a tese golpista.

Os destruidores da democracia contribuíram para que seus argumentos não florescessem. Cenas da grotesca sessão da Câmara que aprovou o impeachment foram vistas em toda parte.

Vistas as coisas em retrospecto, é possível dizer que ali a narrativa da plutocracia estava destinada a sucumbir.

A equipe de “notáveis” de Temer foi outro choque de realidade para os observadores internacionais. Homens brancos, velhos e ricos, boa parte dos quais vinculada a denúncias fortes de corrupção — ao contrário de Dilma.

Uma mulher honesta afastada por homens desonestos: numa linha, é isso que aconteceu no Brasil. E esta é a narrativa vencedora.

O governo Temer é um embaraço de proporções planetárias. Está tecnicamente morto. Não é respeitado nem pelos analfabetos políticos que, manipulados pela mídia plutocrática, vestiam a camisa da CBF e iam para as ruas pedir o fim da corrupção.

Sem noção do ridículo, Temer diz que quer pacificar os brasileiros. Ora, isso só vai acontecer quando ele for devidamente enxotado do Planalto.

Paulo Nogueira
No DCM
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Por que o governo Temer acabou

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/05/17/por-que-o-governo-temer-acabou/

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Temer, o ilegítimo, já entrou para a história como ex-presidente da República mais trapalhão e obtuso desde a democratização.

E olha que tivemos Collor, mas ao menos o caçador de marajás teve votos. Temer também, mas apenas 367. E a história dirá como foram amealhados.

Mas este post não se dedicará a falar dos motivos que garantiram a tomada de poder pela turma de Temer, o ilegítimo, mas se dedicará a explicar seu obituário.

Temer pode até ficar na presidência, mas não será presidente.

Nunca, em tão poucas horas no cargo, um chefe de governo anunciou tantas medidas impopulares sem ter qualquer popularidade. Temer está provando que é muito pior do que o pior dos seus detratores podia imaginar.

Nomeou ministros notavelmente medíocres e alguns notavelmente corruptos.

Um anunciou que vai dar de ombros pra eleição do MP e que vai nomear para Procurador Geral da República qualquer um da lista tríplice e não o mais votado.

Outro quer fechar as embaixadas do Brasil na África e no Caribe e tentou peitar representantes de organismos internacionais.

Um terceiro acaba de anunciar que assumiu o ministério da Saúde para acabar com o SUS.

Um outro fala de recriar a CPMF, aumentar a CIDE, fazer uma reforma radical na Previdência e na legislação trabalhista.

Ainda tem os cortes no Bolsa Família e o aumento das parcelas do minha Casa Minha Vida para faixa de renda mais pobre.

E a autorização para cobrar mensalidade em universidades públicas, além de cortes em todos os tipos de bolsa.

E a transformação do BNDES no banco das privatizações.

E acabou com o MinC, o Ministério das Comunicações e o Ministério das das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, além de não ter nomeado nenhuma mulher e nem negros para o primeiro escalão.

Não tem como dar certo.

Essa agenda não tem nem 10% dos votos numa disputa eleitoral.

Aécio fugiu dela como o diabo da cruz. Alckmin e Serra idem. E o primeiro colocou até uma camisa com logos de todas as estatais para mostrar o quão nacionalista era.

O Brasil não aceitará esse programa ultraliberal sendo implementado na marra e a partir de um golpe.

Por isso o governo Temer está terminando antes de começar.

Já é um desastre interno e externo. E vai levar às ruas mais gente do que as maiores manifestações contra Dilma até as Olimpíadas.

Nos Jogos, passará um vexame histórico e sua imagem de golpista se consolidará no exterior.

O governo Temer acabou.
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Um problema chamado Israel

Bolsonaro recebendo o batismo no fétido e super-poluido rio Jordão, que o governo de Israel transformou num
esgoto a céu aberto
Obama esteve em Israel e falou um monte de bobagens.

Não satisfeito, foi até a Cisjordânia para um encontro com o presidente Abbas. Mais bobagens.

Se houvesse sinceridade nessas idas-e-vindas de Obama e seus garotos-de-recados, ele teria de se concentrar em apenas um problema.

Que resolveria todos os demais.

E que problema é esse?

O problema israelense.

Pois ao contrario do que muita gente pensa, a questão palestina não tem nada a ver com qualquer tipo de problema.

Os palestinos sempre viveram na Palestina.

Os palestinos não invadiram a Europa. Foram os europeus que invadiram a Palestina.

Portanto, se problema existe, ele foi criado e recriado pelos europeus, que passaram a se denominar israelenses.

E, por favor, não confundam os israelenses com os judeus.

Nenhuma relação.

Vejamos o que diz a História.

Vamos resumir.

Os hebreus( os que vieram de fora) invadiram a Palestina vindos do Egito( Moisés) e do Iraque(Abraão).

E com eles trouxeram uma religião e um deus jeová, que, nas palavras de bakunin, “de todos os bons deuses adorados pelos homens, foi certamente o mais ciumento, o mais vaidoso, o mais feroz, o mais injusto, o mais sanguinário, o mais despótico e o maior inimigo da dignidade e da liberdade humanas”.

Os hebreus conseguiram converter muitos palestinos.

E a Palestina continuou chamando-se Palestina.

Depois de inúmeras invasões, a Palestina, mesmo ocupada e colonizada, continuou com o nome de Palestina.

Durante a ocupação romana, e com o cristianismo, os hebreus, que permaneceram na Palestina, converteram-se ao cristianismo.

Nem todos, é verdade, mas a grande maioria.

Estes passaram a se denominar palestinos cristãos.

Mais tarde, com a propagação do islamismo, os palestinos hebreus, que haviam se convertido ao cristianismo, tornaram-se muçulmanos.

Nem todos, é verdade.

A Palestina, então, passou a ser habitada por muçulmanos, cristãos e judeus.

Com ampla maioria de muçulmanos.

A Palestina enfrentou inúmeras invasões, mas continuou Palestina.

De maioria muçulmana, com pequena porcentagem de cristãos e numero menor ainda de judeus.

Todos vivendo harmoniosamente.

E não podia ser diferente, porque no fundo, no fundo, judeus, cristãos e muçulmanos rezam para o mesmo deus, com 3 nomes diferentes.

E a Palestina, cuja História é anterior a todos os deuses, sempre foi conhecida pelo nome de Palestina.

Seus habitantes, sejam eles judeus, cristãos ou muçulmanos, são palestinos, assim o era também um de seus filhos mais ilustres, Jesus Cristo.

E a ninguém cabe ignorar que a Palestina foi o berço do cristianismo.

E a ninguém cabe ignorar também que a religião judaica considerou e continua considerando Jesus Cristo um farsante.

E a ninguém cabe ignorar também que os cristãos perseguiram os judeus por mais de dois mil anos.

E onde os judeus foram buscar abrigo?

Junto aos muçulmanos, com os quais viveram harmoniosamente até a criação do Estado de Israel.

E não satisfeitos em invadir e ocupar uma terra que não lhes pertence, os euro-invasores-sionistas querem, porque querem, apagar a Palestina do mapa.

Mas a História é implacável.

Quer se goste ou não, se os babilônios, assírios, romanos, otomanos e ingleses não conseguiram apagar a Palestina do mapa, não serão os euro-sionistas-invasores a consegui-lo.

Ou alguém duvida?

Georges Bourdoukan
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Wanderley e a espiral de violência que se prenuncia


Em 1962, o jovem Wanderley Guilherme dos Santos escreveu um texto premonitório prevendo o golpe de Estado — que ocorreria dois anos depois.

Quais as diferenças substanciais entre o Brasil de 1962 e o de 2016? Foi  a primeira pergunta que lhe fiz no Brasilianas de ontem à noite.

Sua resposta foi objetiva: são dois países completamente diferentes. O de 1962 tinha 6 milhões de eleitores; o de 2016 115 milhões, constituindo uma das maiores democracias do planeta.

O de 1962 não tinha sociedade civil, movimentos populares. Em determinado momento, Wanderley foi conhecer as míticas Ligas Camponesas. E constatou que eram praticamente inexistentes, servindo apenas como álibi para a direita utilizar o fantasma do comunismo.

Hoje em dia, o país está coalhado de organizações sociais, movimentos populares, sociedade civil. Politicamente, centro-oeste, norte, parte do Nordeste se integraram ao mercado de consumo, de opinião e político.

Mesmos os chamados partidos nanicos têm uma função civilizatória relevante, ao integrar na política partidária os grupos dos cafundós do país, que antes resolviam suas questões a bala ou a facadas.

Aliás, Wanderley tem uma opinião bastante singular sobre esses grupos e sobre os políticos religiosos. Constatou ele que esses políticos têm muito mais afinidade com seu meio e com seus eleitores do que os políticos de centros mais avançados.

Na opinião de Wanderley, a representação política é eficiente no plano municipal, um pouco menos no plano estadual e quase inexistente no plano federal, conforme se pode conferir no episódio dantesco da votação do impeachment na Câmara,

Mas faltam pesquisas para mostrar como a atuação desses políticos, no plano nacional, é percebida por seus eleitores no plano municipal.

O grande problema da corrupção política está nas matérias analisadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diz ele. É o sistema eleitoral, com suas possibilidades de coligações e de venda de horários gratuitos que abiu espaço para a corrupção. O financiamento de campanha sempre se dá pelo caixa 2, diz ele. Mas a roubalheira não está no financiamento em si, na empresa que dá e no partido que recebe. O problema é o que acontece no decorrer desse processo, na passagem pelas várias mãos, permitindo golpes de enriquecimento pessoal.

Quando se pergunta se a democracia está ameaçada pelos novos tempos, sua resposta é rápida: a democracia foi derrubada no processo de afastamento de Dilma.

Wanderley não tem dúvidas de que nos próximos meses haverá uma escalada de violência. Os movimentos sociais e demais setores não aceitarão perdas, retornar ao patamar anterior, e o governo insistirá nesse jogo. A cada movimento de um lado haverá a reação do outro, em um crescendo incontrolável até que chegue a um grau de temperatura que será resolvido de outras maneiras.

Não tem ilusões quanto a possibilidade de um pacto que reduza o ódio e permita uma travessia mais calma porque, para ele, a única figura externa capaz de mediar os conflitos seria Lula. Mas ele foi imprudentemente massacrado pelas forças políticas. Não existe no horizonte nenhuma figura pública que possa preencher esse vácuo.

É igualmente pessimista em relação ao futuro da política. Para ele, a queda do Muro de Berlim foi o sinal definitivo do início de uma nova idade média, com a predominância do individualismo exacerbado, da busca do sucesso individual. Não se ilude muito com a militância dos secundaristas, com seus propósitos nobres. Acha que à medida que foram crescendo, os apelos para o sucesso individual se sobreporão aos princípios da solidariedade.

Luís Nassif
No GGN
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MPF pede suspensão de inquérito policial contra professora da UFMG

A PF instaurou uma investigação contra a professora, de nacionalidade italiana, sob a justificativa de que ela estaria envolvida com a militância política, violando o Estatuto do Estrangeiro


Considerando que a Polícia Federal instaurou investigação “abusiva” contra uma professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) por suposto envolvimento na militância política, o Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte impetrou nessa segunda-feira (16) habeas corpus na Justiça Federal pedindo a imediata suspensão do inquérito policial. No entendimento do MPF, a instauração da sindicância tem natureza política e configura ato ilegal.

De nacionalidade italiana, Maria Rosaria Barbato mora há oito anos no Brasil e é professora concursada da UFMG, onde ministra aulas na Faculdade de Direito. No início de março, a Polícia Federal abriu inquérito para investigá-la a partir de uma denúncia anônima que alegava que Maria Rosario estaria envolvida com a militância de partidos políticos e participando de atividades partidárias e sindicais, em uma suposta violação ao Estatuto do Estrangeiro.

Para o MPF, a investigação policial contraria preceitos fundamentais da Constituição e carece de justa causa. “Da análise dos autos, não se verificam indícios, mínimos que sejam, da ocorrência de fato tipificado como crime na legislação penal brasileira”, diz o texto enviado à Justiça Federal.

Em sua análise, o MPF se baseou no artigo 5º da Constituição, que assegura isonomia de tratamento entre brasileiros e estrangeiros residentes no país, garantindo liberdade de manifestação do pensamento e de convicção político-ideológica. Segundo o MPF, a Constituição de 1988 não recepcionou certos dispositivos do Estatuto do Estrangeiro, sancionado durante o regime militar, que procuravam controlar o exercício da vida política do estrangeiro. Para o MPF, a investigação causa um constrangimento ilegal à professora.

“Uma investigação instaurada com base em textos incompatíveis com o regime democrático estabelecido pela Constituição sem dúvidas só pode ser abusiva”, argumenta o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Edmundo Antonio Dias Netto Junior, um dos signatários do habeas corpus. Segundo o procurador, o MPF tomou conhecimento do caso por meio de colegas do Ministério Público do Trabalho.

“Já está demonstrado que ela tem todo o direito de manifestar seu pensamento ou posição política e de reunir-se em qualquer foro, inclusive em reuniões sindicais”, disse o procurador. Na peça, o MPF pede inclusive dispensa à professora de comparecer a interrogatório agendado para julho.

Colega de Maria Rosaria na UFMG, o professor Hermes Vilchez Guerrero contou que inicialmente a professora ficou apreensiva por não estar entendendo o que havia feito de errado, mas que depois se tranquilizou. “O próprio MP impetrar habeas corpus demonstra o absurdo da suposta acusação. Foi uma denúncia anônima mandada covardemente que não tem o menor fundamento jurídico”, afirmou.

Nessa segunda-feira, o reitor da UFMG, Jaime Ramírez, e o diretor da Faculdade de Direito, Fernando Jayme, receberam a professora Maria Rosaria para lhe prestar solidariedade institucional. Procurada pela reportagem, a Polícia Federal informou apenas que não comenta investigações em curso, mas não respondeu se dará prosseguimento ao inquérito.

Luiza Muzzi
No O Tempo
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A manipulação de conteúdos em 100 capas da Veja


Veja como a maior revista do país faz para manipular a população e contribuir para o pensamento hegemônico da mídia nacional. As estratégias para derrubar os inimigos são sórdidas e pode até derrubar uma Presidente da República.

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Melhor e Mais Justo: Para onde vai a democracia?


Para onde vai a democracia?

Um dia muito triste.

Dia de ruptura na democracia brasileira.

Dia em que a maioria do Senado Federal rasgou a Constituição e pisoteou a soberania popular, aprovando a abertura do processo fraudulento de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que está afastada por até 180 dias.

Quantas mãos sustentam e estão sujas de golpe?

Quantos lavaram as mãos?

E quantas mãos acolhem e defendem a democracia?

Este é o assunto do Melhor e Mais Justo.​





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É possível derrubar o governo golpista


Em poucos dias os golpistas que assaltaram o governo já mostraram suas garras. Não pretendem deixar pedra sobre pedra em termos de políticas sociais e conquistas civilizatórias.

Com esse objetivo, a Esplanada dos Ministérios foi invadida pelo que há de mais desqualificado, corrupto e fétido na política nacional.

O problema para Temer e sua quadrilha é que muita gente capturada pelo massacre midiático diário, que até apoiava a saída de Dilma, começa a perceber que foi enganada e que seus direitos estão prestes a virar pó.

Enquanto as condenações da mídia estrangeira e dos governos de outros países aos golpistas brasileiros cresce a cada dia, aumentando seu isolamento na cena  internacional, o movimento de resistência democrática já pode ser considerado um fenômeno de força e disseminação.

Espontaneamente ou de forma mais organizada, não há um dia sequer em que as ruas não sejam tomadas por jovens, mulheres, negros, trabalhadores e LGBTs em protestos contra o golpe. Shows de música são interrompidos pelo gritos de "Fora Temer" e "Fora golpistas", ao mesmo tempo em que artistas, ativistas da cultura e intelectuais renomados se revoltam contra o fim do Ministério da Cultura.

Para surpresa dos golpistas, a entrevista de Temer no Fantástico da Rede Globo acabou saudada por um barulhaço de protesto em todas as capitais e mais de 300 cidades do Brasil.

Vale registrar um fato político de grande importância: o jogo está virando até em tradicionais redutos dos coxinhas, como os bairros da Zona Sul do Rio, nos quais foram fortes os protestos contra Temer na noite deste domingo.

O não reconhecimento do governo por parte dos movimentos sociais, centrais sindicais (CUT e CTB) e partidos do campo da esquerda apontam os caminhos da luta permanente nas ruas, da insubordinação e da sublevação como essenciais para impedir o governo golpista de impor sua pauta lesa-povo e lesa-pátria.

Seja por estar no DNA dos miseráveis que invadiram o Palácio do Planalto, seja porque os financiadores do golpe cobrarão suas faturas, vem aí a mais infame tentativa de liquidar os direitos do povo e vender "tudo o que for possível", conforme admite o "gerente de vendas" do governo, o famigerado Moreira Franco.

Nesse balcão de negócios, eles esperam encher as burras de dinheiro, faturando 127,8 bilhões de reais com as privatizações da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, Correios, Infraero, Eletrobras, IRB e Banco da Amazônia.

Contudo, com o crescimento vertiginoso da reação popular, existem fundadas esperanças de que os fariseus sejam atirados à latrina da história e submetidos à execração publica, antes que consumem esse crime contra o Brasil.

Bepe Damasco
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Cannes contra o Golpe — assista


Equipe do filme brasileiro Aquarius, de Kleber Mendonça Filho e indicado à Palma de Ouro, posou para as fotos oficiais do festival com cartazes contra o golpe no país. Veja o vídeo:

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O pior ainda está por vir

O ator Wagner Moura fala tudo sobre o governo golpista

"Escrevi essa resposta-texto para jornalistas do Estado e da Zero Hora que queriam minha opinião sobre a extinção do Minc. O Zero Hora vai dar. O Estado se recusou."


A extinção do Minc é só a primeira demonstração de obscurantismo e ignorância dada por esse Governo ilegítimo. O pior ainda está por vir. Vem aí a pacoteira de desmonte de leis trabalhistas, a começar pela mudança de nossa definição de trabalho escravo, para a alegria do sorridente pato da FIESP, que pagou a conta do golpe.

Começaram transformando a Secretaria de Direitos Humanos num puxadinho do Ministério da Justiça. Igualdade Racial e Secretaria da Mulher também: tudo será comandado pelo cara que no Governo Alckmin mandou descer a porrada nos estudantes que ocuparam as escolas e nos manifestantes de 2013. Sob sua gestão, a PM de São Paulo matou 61% a mais. Sabe tudo de direitos humanos o ex-advogado de Eduardo Cunha, o senhor Alexandre de Moraes.

Mas claro, a faxina não estaria completa se não acabassem com o Ministério da Cultura, que segundo o genial entendimento dos golpistas, era um covil de artistas comunistas pagos pelo PT para dar opiniões políticas a seu favor (?!!!). Conseguiram difundir essa imbecilidade e ainda a ideia de que as leis de incentivo tiravam dinheiro de hospitais e escolas e que os impostos de brasileiros honestos sustentavam artistas vagabundos. Os pró-impeachment compraram rapidamente essa falácia conveniente e absurda sem ter a menor noção de como funcionam as leis (criadas no Governo Collor!) e da importância do Minc e do investimento em Cultura para o desenvolvimento de um país. É muito triste tudo. Ontem vi um post em que Silas Malafaia comemorava a extinção "do antro de esquerdopatas", referindo-se ao Minc. Um negócio tão ignóbil que não dá pra sentir nada além de tristeza. Predominou a desinformação, a desonestidade e o obscurantismo.

Praticamente todos os filmes brasileiros produzidos de 93 para cá foram feitos graças à lei do Audiovisual. Como pensar que isso possa ter sido nocivo para o Brasil?! Como pensar que o país estará melhor sem a complexidade de um Ministério que cuidava de gerir e difundir todas as manifestações culturais brasileiras aqui e no exterior? Bradar contra o Minc e contra as leis (ao invés de contribuir com ideias para melhorá-las) é mais que ignorância, é má fé mesmo. E agora que a ordem é cortar gastos, o presidente que veio livrar o Brasil da corrupção e seu ministério de homens brancos, com sete novos ministros investigados pela Lava Jato, começa seu reinado varrendo a Cultura da esplanada dos Ministérios... Faz sentido. Os artistas foram mesmo das maiores forças de resistência ao golpe. Perdemos feio.

Acabo de ler que vão acabar também com a TV Brasil. Ótimo. Pra que cultura? Posso ouvir os festejos nos gabinetes da Câmara, nos apartamentos chiques dos batedores de panela, na Igreja de Malafaia e na redação da Veja: "Acabamos com esse antro de artistazinhos comprados pelo PT! Estão pensando o que? Acabamos a mamata da esquerda caviar! Chega de frescura! Viva o Brasil!" Trevas amigo... E o pior ainda está por vir.
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Nóia e o OcupaCultura


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Dia da Terra Palestina


Evento realizado na Universidade Federal de Santa Catarina com as palestras de Tali Feld Gleiser, jornalista e ativista BDS, e Hasan Félix, antropólogo e escritor. Participação também do médico e poeta Yasser Jamil Fayad.

Realização coletiva de: Desacato, Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestinos, Contexto Livre, Núcleo Catarina do Barão de Itararé, Pobres e Nojentas e UFSC à esquerda.




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Zaffaroni se pronuncia contra o golpe no Brasil


Opinião do juiz argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, integrante da Corte Interamericana de Direitos Humanos para Clacso TV.

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O papel da comunicação pública numa sociedade democrática


O VerTV deste domingo, 15 de maio, foi transmitido ao vivo de São Paulo e Brasília. No programa, um debate com os nossos convidados sobre o papel da comunicação pública numa sociedade democrática.

No Brasil, o sistema público de radio e televisão é garantido pelo Artigo 223 da Constituição Federal, funcionando ao lado dos sistemas privado - formado pelas emissoras comerciais - e do sistema estatal, controlado diretamente pelo governo. O sistema público é autônomo em relação aos governos e a iniciativa privada, sendo controlado pela sociedade através de conselhos curadores. Funcionam assim as maiores empresas públicas de comunicação do mundo, como a BBC inglesa, a NHK do Japão, RTP portuguesa, PBS dos Estados Unidos e as TV públicas da França, Alemanha e Canadá, entre muitas outras.

Para debater o papel da comunicação pública no Brasil e no mundo nós convidamos Renata Mielli, Secretária-Geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e Coordenadora do FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação; Teresa Otondo, jornalista, pesquisadora em Comunicação e autora do livro "Televisão Pública na América Latina: para quê e e para quem?"; Vinicius Romanini, jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e Rita Freire, jornalista, presidente do Conselho Curador da EBC. Em Brasília estão a jornalista Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e Gésio Passos, funcionário da EBC e diretor do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal".

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Carta aberta ao presidente interino Michel Temer


Senhor presidente da República em exercício,

Na noite de 19 de fevereiro de 2008, o senhor foi um dos 336 deputados que aprovaram a Medida Provisória 398, depois convertida na Lei 11.652/2008. Como presidente indicada da futura Empresa Brasil de Comunicação, cuja criação a MP autorizava, estive à frente das articulações e acordos no Congresso para sua aprovação, empenhando minha credibilidade profissional no compromisso de instituir um sistema público de comunicação independente e democrático, traduzindo a previsão do artigo 223 de nossa Constituição, de que houvesse complementaridade entre sistemas de radiodifusão privado, público e estatal. Conversamos sobre o projeto na época e o senhor, compreendendo sua natureza democrática, deu-lhe o seu voto. Em seu partido, apenas três entre 76 deputados votaram contra.  Recordo aquela passagem nesta madrugada em que vejo no Diário Oficial um decreto seu exonerando o atual diretor-presidente da EBC, Ricardo Melo, ao arrepio da lei que ajudou a aprovar.  

A lei aprovada com seu voto, senhor presidente, ao assegurar um mandato de quatro anos ao diretor-presidente da EBC,  buscou preservar a independência dos canais públicos em relação às mudanças na superestrutura do poder político. Com o mesmo objetivo instituiu um Conselho Curador encarregado de supervisionar a programação e o conteúdo de tais canais,  composto por 15 representantes da sociedade civil, quatro do Governo, dois do Congresso Nacional e um dos empregados. E ainda uma Ouvidoria independente para recolher e encaminhar críticas, queixas e denúncias de eventuais distorções apresentadas vindas da sociedade.

O decreto publicado no Diário Oficial de hoje exonera o diretor-presidente Ricardo Melo, nomeado em 2 de maio,  invocando o artigo 19 da Lei 11.652, que se refere expressamente ao mandato ignorado. E cita ainda o Decreto 6.689/2007, que ao instituir os estatutos da empresa, diz no inciso I que a nomeação é prerrogativa do presidente da República. Mas ignora, propositalmente, o parágrafo segundo do inciso II, que diz: “ É de três anos o prazo de gestão da Diretoria Executiva, exceto o Diretor-Presidente, que terá mandato de quatro anos, permitida a recondução “. Esta flagrante violação legal não atenta contra a pessoa do diretor. Atenta contra a independência que a lei buscou garantir ao sistema brasileiro de comunicação pública, protegendo seu principal gestor de pressões políticas que desvirtuariam sua finalidade.

Cumpri o meu mandato entre 2007 e 2011 sem nunca ter sofrido pressões do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem do governo da presidente Dilma Rousseff (no qual presidi e empresa por apenas dez meses)  para direcionar os conteúdos de tais canais. Valer-se deles para favorecer, perseguir ou manipular seria trair os fundamentos da comunicação pública e os compromissos firmados com a sociedade e com o Congresso na luta pela aprovação da lei em 2007.  Os dirigentes que me sucederam também preservaram estas diretrizes.  Agora mesmo, na conjuntura de acirrada luta política que resultou em sua investidura, os canais da EBC garantiram a pluralidade abrindo espaço para atores dos dois polos da disputa, bem como para pensadores, cientistas políticos e analistas com distintas visões do processo.

A implantação do sistema público de comunicação, inspirado em modelos sedimentados nas melhores democracias do mundo, não foi uma invenção aparelhista do PT, do ex-presidente Lula ou de seu ex-ministro Franklin Martins, que foi exemplar na observância da natureza da empresa. A EBC foi decorrência de um forte movimento da sociedade, que reuniu jornalistas, radialistas, artistas, acadêmicos, produtores culturais e toda a cadeia do audiovisual brasileiro em defesa de sua criação. Ao receber a Carta de Brasília, documento final do Fórum da TV Pública,  o então presidente Lula comprometeu-se com sua criação e, juntamente com o Congresso, proporcionou a sua concretização. Trata-se, pois, de uma conquista de nossa jovem democracia, agora ameaçada pelas notícias de que seu governo pretende rebaixar os canais públicos à condição de serviços de comunicação governamental, começando pela exoneração  que atropela o mandato.

Não integro a direção da EBC desde 2011 e só muito recentemente passei a prestar serviços à empresa como entrevistadora do programa Palavras Cruzadas e comentarista eventual. Mas, pelo papel que tive em sua gênese, tenho o dever histórico de protestar contra esta violação da lei que é o marco garantidor de um sistema realmente público.  Esta lei, aprovada com seu voto, manda que a programação, complementar à das mídias privadas ou estatais,  tenha natureza essencialmente informativa, cultural e formadora da cidadania, observando a diversidade da sociedade. Diversidade cultural, étnica, regional e política. Manda que atente para os esquecidos por outros meios e para os que não têm voz. É isso que vem sendo feito nos últimos oito anos pela EBC, embora muito ainda falte para sua plena consolidação.

Num grande esforço de funcionários e gestores, a TV Brasil foi implantada nos primeiros 40 dias de meu mandato e passou a compor o sistema juntamente com as rádios Nacional e a Agência Brasil de Notícias, já existentes.  Enfrentamos, eu e os que estivemos à frente do projeto em sua fase inicial, preconceitos e incompreensões, a diuturna oposição dos meios privados, a carência de infraestrutura e de canais disponíveis no espectro analógico. Apesar disso, o projeto vingou e avançou nos últimos oito anos, deparando-se agora com a mais grave ameaça à sua sobrevivência como coisa pública.

E o governo, sendo seu maior (mas não único) financiador, fica privado de atendimento?, perguntou-se muito na época da votação da MP.  A lei trouxe resposta. Previu que a nova empresa  iria incorporar a antiga Radiobrás, agência de comunicação governamental. E assim reservou também à EBC a tarefa de prestar serviços de comunicação ao Governo Federal. Entre eles a gestão da TV NBR, esta sim, canal governamental, a produção do segmento do poder Executivo da Voz do Brasil, a transmissão de atos oficiais e semelhantes. Para dar conta desta tarefa, em esfera que não se confundisse com a gestão dos canais públicos, criamos a Diretoria de Serviços. Através de um contrato com a extinta SECOM/PR, esta unidade passou a atender todas as demandas do Palácio do Planalto, ministérios e outros órgãos federais. Tais serviços, entretanto, não podem ser confundidos com os canais públicos.

Senhor presidente: a sociedade reconhece a TV Brasil e os canais EBC como coisa sua. E protestará contra a destituição do diretor-presidente ao arrepio da lei, não para defender um direito subjetivo dele. O que está em causa é a inobservância da lei e a preservação de um direito difuso da sociedade brasileira, o direito a uma comunicação pública complementar e independente, asseguradora da expressão da diversidade e da pluralidade, característica das sociedades democráticas.

Foi isso que a Câmara dos Deputados aprovou naquela noite, com o seu voto. Não o renegue aniquilando a comunicação pública. A EBC é capaz, com seus recursos humanos e sua infraestrutura, de geri-la sem deixar de atender às demandas de seu governo através da instância específica.

Tereza Cruvinel
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Temer rasga a lei e tira Ricardo da EBC

Ah, essa segurança jurídica...


Clique aqui para ver que só mesmo na porrada o Temer poderia tirar o Ricardo Melo da EBC.

Ao arrepio da Lei 11.652/2008 foi exonerado o diretor-presidente da EBC:


No CAf
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Voz a Temer, Os Immundos contra o Golpe


Os blogueiros e ativistas digitais Luiz Skora, Sérgio Bertoni, Polaco Doido e Generoso Machado compuseram no último sábado 2 canções para Os Immundos, a banda de blogueiros formada durante a organização do #2Paranablogs e que naquele encontro fez sua estréia mundial! :-P

Voz a Temer
Letra: Sérgio Bertoni, Lili Skora e Polaco Doido
Música: Luiz Skora e Generoso Machado

Sem um tiro
Nem revolução
Dei belo golpe
Acabou a corrupção

A classe média
viu na televisão
e acreditou
No futuro da nação

Sem um tiro
Nem revolução
Dei belo golpe
No futuro da nação

A classe média
viu na televisão
e acreditou
Acabou a corrupção

Meu sinistério
só branquela pica grossa
tudo ficha suja
negada
ceis tão tudo na roça

Tem tanto investigado
no meu governo golpista
o PCC nomeou advogado
Pro ministério da Justiça

Sem um tiro
Nem revolução
Dei belo golpe
No futuro da nação

A classe média
viu na televisão
e acreditou
Acabou a corrupção

Sem um tiro
Nem revolução
Dei belo golpe
Acabou a corrupção

A classe média
viu na televisão
e acreditou
No futuro da nação



No ParanáBlogs
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No Brasil já ecoam panelas e “Fora Temer”. Mundo afora, críticas e deboche


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