13 de mai de 2016

A mensagem inconsistente de Temer, político sem votos, tônus vital e liderança


O golpista e usurpador Michel Temer dirigiu-se à nação na tarde desta quinta-feira, 12 de maio, dia da ignomínia nacional. Sem votos, mostrou também que não tem mensagem.

Certa está a presidenta Dilma por ter dito no seu magnífico pronunciamento, horas antes, que o país está diante de uma injustiça e uma traição.

As palavras claudicantes, entre ademanes e engasgos do ocupante interino do Planalto, foram reveladoras.

Com linguagem cifrada, para esconder suas reais intenções, o usurpador disse que adotará política macroeconômica para tranquilizar o mercado, anunciou privatizações, arrocho fiscal, reforma antidemocrática do Estado, reforma trabalhista, reforma previdenciária, e, embora anunciando que manterá os programas sociais, deixou entrevisto que promoverá alterações regressivas na gestão dessas políticas.

Usando os símbolos que mais correspondem às tradições do predomínio das classes no poder, proclamou “ordem e progresso” como marcas de seu governo. Nada a ver com reverência cívica ao pavilhão nacional. Mas um sinal de que fará valer o que compreende como ordem, no inevitavel enfrentamento que fará aos movimentos sociais. Preparemo-nos para a repressão, que inevitavelmente redundará em confrontos.

O chefe de governo interino apresentou o seu novo ministério. Nenhuma mulher, nenhum negro. Uma expressão da misoginia e do racismo próprios dos reacionários contumazes que dominam este país há mais de cinco séculos. Quase a terça parte dos integrantes do novo gabinete são inquinados em processos de corrupção. Os dois terços restantes são notórios fisiológicos e aproveitadores. Todos são representantes do grande capital monopolista-financeiro, das oligarquias mais reacionárias, do imperialismo estadunidense e europeu. Dentre os integrantes da equipe ministerial há trânsfugas, que até ontem juravam lealdade à presidenta Dilma e são o exemplo mais rematado do caráter de partidos como PMDB, PSD, PP e PSB. Há ainda caciques renomados do PSDB em posições de mando em áreas estratégicas, o que prenuncia o rumo perigoso que a nação vai trilhar, de submissão aos planos neocolonialistas dos potentados internacionais.

Michel Temer fez um chamamento pela volta do país à normalidade e pela união nacional em torno do seu governo. Palavras que caem no vazio, como arar no mar. Ilegítimo, fruto de um golpe, engendrado com manhas, artimanhas, manobras nos recantos esconsos de hotéis e palácios brasilienses, em conluio com representantes do capital monopolista-financeiro, o novo governo não será reconhecido pelas forças progressistas e organizações dos movimentos democráticos e populares, trabalhistas, juvenis, femininos e todas as demais entidades sociais.

Oposição sistemática, dura, contundente, irreconciliável é o que o golpista e usurpador terá de enfrentar. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo serão os pontos de convergência da organização, mobilização e consciência democrática e progressista do país.

Mistificador, o político paulista explorou ao final da sua pálida mensagem a religiosidade de setores da população para justificar a aliança espúria que entabulou com igrejas pentecostais retrógradas.

A primeira mensagem, inconsitente, do ocupante interino do cargo de presidente revelou um homem sem tônus vital nem capacidade de liderança. Serviu apenas para desnudar um farsante, com quem não haverá espaço para diálogo.

A salvação nacional que anunciou aproxima-se mais de uma catástrofe, da desagregação e do caos.

Fora!

José Reinaldo Carvalho, Editor de Resistência (www.resistencia.cc), membro do Comitê Central, Comissão Política e Secretariado nacional do PCdoB
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O surto dos jornalistas da Globo com o editorial do New York Times a favor de Dilma


Um editorial do New York Times desta sexta feira 13 de maio defende a realização de novas eleições aqui e dá uma traulitada, mais uma de uma boa série, no golpe.

O título, em tradução livre, é “Tornando pior a crise política no Brasil”.

Dilma está pagando um preço “desproporcionalmente alto” por má conduta administrativa. Muitos de “seus mais ardentes detratores são acusados de crimes mais graves” e políticos “que orquestram sua deposição foram associados a um grande esquema de propina e outros escândalos”.

A liderança dela é considerada “péssima” e “abaixo do esperado”. Mas as pedaladas fiscais, usadas como base da acusação, foram “uma tática que outros líderes brasileiros utilizaram no passado sem sofrer grande escrutínio”.

A saída “é provável, já que 55 dos 81 senadores brasileiros votaram a favor de seu afastamento”. Com isso, ficará mais fácil retomar a política usual do pagamento de propinas.

Embora Dilma e seu partido tenham “se afundado nos últimos meses”, o PT ainda conta com “um apoio considerável, particularmente entre os milhões de brasileiros que saíram da pobreza nas últimas duas décadas”.

“Os senadores que saboreiam a saída de Dilma devem lembrar que a presidente foi eleita nas urnas duas vezes”, diz o texto.

É uma análise correta, sóbria e criteriosa do que é, ainda, o melhor jornal do mundo. Mas que despertou a ira de jornalistas da Globo e do Estadão. São os pitbulls da versão pseudo legalista, latindo a cada vez que a história que tentam emplacar é desmoralizada na Europa e nos EUA.

Golpistas não gostam de ser chamados de golpistas. Canalhas não gostam de ser chamados de canalhas. A falta de decoro e de noção desse pessoal chegou a um ponto em que resolveram dar aulas de jornalismo ao Times.

Jorge Pontual, correspondente da GloboNews que vem dando vexame há semanas (o último foi numa comparação muito doida de Dilma com Hitler que ele tentou, sem sucesso, corrigir), escreveu no Twitter que “New York Times defende Dilma em editorial”.

A colega Lúcia Guimarães foi para cima numa espécie de surto psicótico.

“É de enfurecer a repetição descerebrada de que a fraude fiscal equivale ao que FHC e Lula fizeram”, replicou. A ex-colega de Saia Justa Monica Waldvogel pontuou que “a conclusão é doidona” (?!?).

A certa altura, Lúcia resolveu iluminar o pessoal do NYT questionando em inglês o artigo. Se deu ao trabalho de colar um gráfico da Folha de S.Paulo. Obviamente, foi ignorada.

Lúcia vive em Nova York. É uma ex-produtora do Manhattan Connection que, após a morte de Paulo Francis, por uns tempos deu pitacos no fim do programa. Escreve uma coluna que ninguém lê numa publicação cada vez menos lida, o Estadão.

Mora no Twitter, onde é como um pato velho se sacudindo no meio de um lago: só barulho. É fanática, autoritária e lelé a ponto de traduzir o discurso de posse de Michel Temer.

Mais do que isso, é um símbolo do partidarismo escrachado da mídia brasileira, que conta com gente como ela para tentar dar um verniz institucional e democrático a um governo vagabundo e sem voto.

A narrativa do golpe está consolidada. Se você não é cínico, estúpido, maluco ou de má fé, não consegue achar normal um sujeito como Cunha presidindo um processo de impedimento e um Michel Temer no poder. Tentar vender outro peixe malcheiroso tem gerado esses momentos de pagação de mico.

Agora, é o tal negócio. O pessoal deve olhar para o João Roberto Marinho respondendo matéria do Guardian na caixa de comentários e pensar: bom, já que o patrão faz essa zona e mente aí numa boa, por que não eu, é ou não é?

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Kiko Nogueira
No DCM
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Dr. Janot, Temer deu foro especial a envolvidos na Lava Jato: não vai impedir?

No dia 7 de abril, em uma mudança de posição radical, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que anulasse a nomeação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro chefe da Casa Civil do governo Dilma Roussef. Ele não aceitou a explicação de que Lula foi convocado para ajudar Dilma. Alegou que a indicação visava apenas dar ao ex-presidente o foro especial, para não ser investigado pelo juiz Sérgio Moro

Onze dias antes, em 28 de março, Janot se manifestara de forma totalmente inversa, ainda que com uma tese esdrúxula juridicamente falando: foi favorável à nomeação de Lula, mas recomendava a permanência da investigação contra ele na 13ª Vara Federal de Curitiba, a do juiz Sérgio Moro. Como se sabe, pela Constituição, ministro de Estado não pode ser julgado por magistrado da primeira instância.

Sua mudança de posição pode ter derivado de dois fatores. O primeiro a pressão interna dos seus colegas, favoráveis a que o ex-presidente fique por conta das deliberações de Moro situação na qual, muitos apostam, que ele acabará preso preventivamente. Mas também pode ter pesado o rancor pessoal que Janot passou a ter desde que soube que nos telefonemas do ex-presidente, gravados por ordem de Moro, Lula reclamou da ingratidão do procurador-geral, que por ele foi nomeado duas vezes para o cargo.

O fato é que para modificar sua posição, Janot respaldou-se nas gravações de uma conversa de Lula e a presidente Dilma, divulgadas irregularmente por Moro que depois desculpou-se perante o Supremo. Na interpretação do procurador-geral, a ligação comprovava que a posse foi antecipada visando apenas evitar que Lula viesse a ser atingido por alguma ordem de prisão de Moro.

O curioso foi o procurador-geral endossar a tese de que o julgamento pelo Supremo a que Lula passaria a ter direito, é mais tranquilo do que o do juízo de primeiro grau. Se isso fosse verdade, políticos que estavam para ser julgados pelo STF não teriam renunciado ao mandato para verem seus processos descerem à primeira instância e assim ganharem tempo. Afinal, decisões do Supremo são praticamente irrecorríveis.

Independentemente de qualquer coisa, o presidente interino Michel Temer nomeou dois ministros que também estão envolvidos na Lava Jato e eram investigados por Moro e agora terão que ser investigados pelo ministro Teori Zavascki.
Gedel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) cujos nomes estão relacionados ao escândalo, não tinham direito a foro especial. Apesar das suas nomeações, o procurador-geral não se manifestou, tampouco ameaçou impedi-las. Ou seja, usou de dois pesos e duas medidas. Com Lula não podia. Com os atuais não tem problema.
Conforme mostrou o jornal Extra desta sexta-feira, 13 — Temer inicia governo com mais citados na Lava Jato em ministérios do que o de Dilma —, apesar de Temer anunciar que a Lava Jato não sofrerá mudanças — “tornou-se referência e deve ter prosseguimento contra qualquer tentativa de enfraquece-la” —, no seu ministério há mais envolvidos na investigação do que no ministério que saiu com Dilma Rousseff.

A diferença mais gritante, porém, é que hoje o Palácio do Planalto é ocupado por um presidente interino que foi citado nas investigações como tendo recebido R$ 5 milhões, como denunciou Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados. Já a presidente afastada pelo golpe de um impeachment sem que houvesse crime de responsabilidade, jamais teve seu nome envolvido em episódios como este.

Em sua defesa, o então “vice-presidente decorativo” apresentou à Folha de S, Paulo, em 19 de dezembro do ano passado, “extrato de cinco doações da OAS ao PMDB declaradas à Justiça Eleitoral entre maio e setembro de 2014, totalizando valor semelhante ao citado por Pinheiro, ou R$ 5,2 milhões“, diz o jornal na reportagem Em mensagem, Cunha cita repasse de R$ 5 milhões a Michel Temer. O detalhe destacado pelo mesmo jornal é que pela denúncia de Cunha, o pagamento foi de R$ 5 milhões redondos e feito de uma unica vez, não em parcelas. Um conflito de versões.

Relatório da Polícia Federal indicava que Marcelo Odebrecht envolvia José Serra no escândalo, mas o nome do então senador e hoje ministro, foi tampado. O JornalGGN depois mostrou como se confirmava que era de Serra o nome riscado. Reprodução do JornalGGN
Relatório da Polícia Federal indicava que Marcelo Odebrecht
envolvia José Serra no escândalo, mas o nome do então
senador e hoje ministro, foi tampado. O JornalGGN depois
mostrou como se confirmava que era de Serra
o nome riscado.
Reprodução do JornalGGN
O Extra relaciona oito ministros envolvidos, na Lava Jato. Já a revista CartaCapital fala que Sete ministros de Temer são citados na Lava Jato.

A diferença entre um e outro está no nome de José Serra, o novo ministro das Relações Exteriores. O jornal o cita, a revista o ignora.

Na verdade, o nome de Serra apareceu em anotações de Marcelo Odebrecht, como constava do Relatório de Análise de Polícia Judiciária Nº 417 Do: APF Wiligton Gabriel Pereira, divulgado pelo Jornal GGN, em 22 de julho de 2015 na reportagem José Serra e a Veja aparecem nas anotações de Marcelo Odebrecht.

CartaCapital fez um resumo das acusações de cada um dos sete ministros que a revista relacionou, que reproduzimos abaixo:

Romero Jucá (PMDB-RR) – Planejamento, Desenvolvimento e Gestão

O senador Romero Jucá, que vai assumir o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, está na lista de investigados que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início de 2015.

Jucá foi citado por delatores como beneficiário de um esquema de desvio na estatal. Em depoimento à Polícia Federal em fevereiro deste ano, o senador admitiu que pediu a Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, doações para a campanha de seu filho, Rodrigo Jucá (PMDB), que foi candidato a vice-governador de Roraima.

Em depoimento de delação premiada, Pessoa afirmou ter dado R$ 1,5 milhão ao PMDB de Roraima, em 2014. O empreiteiro disse, ainda, que entendeu que o pagamento estava relacionado à contratação da UTC, pela Eletronuclear, para obras da usina nuclear de Angra 3. Romero Jucá nega e atribui a doação ao “trabalho que desempenha como senador”.

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - Secretaria de Governo

Mensagens apreendidas pela Operação Lava Jato sugerem que o ex-ministro de Lula, ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e ex-deputado federal Geddel Vieira Lima usou sua influência para atuar em favor dos interesses da construtora OAS.

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) – Turismo

Ministro do Turismo do governo Dilma, Alves volta à pasta menos de dois meses depois de deixar o cargo. O peemedebista é suspeito de receber propina do dono da OAS, Léo Pinheiro, em troca de favores no Legislativo.

A investigação é baseada em mensagens apreendidas no celular de Pinheiro. Em algumas delas, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cobra Pinheiro por doações à campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte. Para Janot, os pagamentos são, na verdade, propina.

Mendonça Filho, Raul Jungmann, Bruno Araújo e Ricardo Barros

Os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Raul Jungmann (PPS-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Ricardo Barros (PP-PR), que vão assumir os ministérios da Educação, Defesa, Cidades e Saúde, respectivamente, são citados na famigerada lista da Odebrecht apreendida pela Polícia Federal na sede da construtora, em março, durante a 23ª fase da Lava Jato.

A lista foi tornada pública e depois colocada sob sigilo, mas os investigadores ainda não sabem se os nomes que constam nela receberam doações legais, ilegais envolvendo recebimento de propina ou dinheiro de caixa dois.

Marcelo Auler
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O golpe usou a toga


O Judiciário e o Ministério Público não barraram as ofensas contra a democracia porque eram parte da conspiração

A estratégia do golpe institucional, com papel ativo do baixo clero do Legislativo e de instâncias judiciárias (o juiz de primeira instância Sérgio  Moro e o Supremo Tribunal Federal), e ação publicitária dos meios de comunicação tradicionais (TV Globo e a chamada grande imprensa)  começou a ser desenhada no chamado Escândalo do Mensalão. Um ano antes das eleições presidenciais que dariam mais um mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país foi sacudido por revelações de que o PT usara  dinheiro de caixa dois de empresas para pagar as dívidas das campanhas das eleições municipais do ano anterior, suas e de partidos aliados. O tesoureiro do partido, Delúbio Soares, era o agente do partido junto a empresários e a uma lavanderia que até então operava com o PSDB de Minas, a agência de publicidade DNA, de Marcos Valério. Delúbio tornou-se réu confesso. Outro dirigente do partido, Sílvio Pereira, foi condenado por receber um Land Rover de presente de um empresário.

Anderson Riedel/ VPR

Em torno do episódio — crime de captação de caixa dois pelo partido que está no governo e recebimento de presentes em troca de favores — se iniciaria a maior ofensiva institucional contra um partido político jamais ocorrida em períodos democráticos do país. Toda a máquina midiática tradicional foi colocada a serviço de provar — com fatos amplificados, versões ou falsificações — que o governo de Lula estava corroído pela corrupção, que o PT aparelhara a máquina pública para auferir ganhos desonestos para o partido ou para os seus aliados, que o governo corrompera os aliados — ironia das ironias, os “corrompidos”, os partidos da base aliada, eram o PMDB, o PTB, o PP, o PR…. — com mesadas para os parlamentares, destinadas a garantir as maiorias em plenário necessárias para aprovar matérias de interesse do Executivo. O termo “mensalão” foi criado nessa jogada de marketing, destinada a transformar um escândalo de caixa dois, no qual todos os partidos estavam envolvidos (a lavanderia de Marcos Valério não tinha restrições ideológicas à adesão de qualquer um deles), em um modo peculiar de corrupção do PT, a compra direta do parlamentar, sem que em nenhum momento houvesse sido provado o pagamento regular a deputados e senadores da base aliada. Afinal, o dinheiro da lavanderia de Marcos Valério foi direto para o caixa dois de outros partidos políticos, no período pós-eleições municipais — e o “denunciador” do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, chegou a confessar, quando se viu em tribunal, que  dinheiro era para pagamento de dívidas de campanha.

Para ser corrupção, todavia, era preciso que se caracterizasse o dinheiro do caixa dois como originário dos cofres públicos. O Ministério Público, então presidido pelo procurador Antônio Fernando de Souza, hoje advogado do deputado tardiamente afastado da presidência da Câmara, Eduardo Cunha, inventaria a ficção de um dinheiro desviado da empresa Visanet pelo diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto. A Visanet era uma empresa privada, do grupo internacional Visa, e esse dinheiro foi tratado indevidamente como produto de desvios do Banco do Brasil, estatal, num julgamento na maior instância judiciária do país, que não poderia se dar ao luxo de um erro deste tamanho. Pizzolatto não tinha autonomia para assinar uma única ação de marketing sozinho. A “prova” que Souza apresentaria contra ele, aceita pelo relator Joaquim Barbosa, do STF, foi assinada por outras três pessoas e submetida a um comitê, e depois à diretoria de um banco – a ação publicitária, ao final, fora autorizada por mais de uma dezena de pessoas. Não existia possibilidade de que Pizzolatto tivesse desviado o dinheiro:  para isso, teria que ter mais de dez cúmplices, e ainda assim atuaria sobre dinheiro privado, que não era do Banco do Brasil.

O Supremo Tribunal Federal, nas vésperas da eleição de 2014, julgou midiaticamente o caso e perpetrou barbaridades jurídicas nunca antes vistas na história desse país. O relatório do ministro Joaquim Barbosa transformou um crime de captação de caixa dois em desvio de dinheiro público, e jogou as provas de que o dinheiro definitivamente não havia sido desviado do Banco do Brasil para um inquérito paralelo. Por fim, decretou segredo de Justiça. Sequer os advogados de defesa tiveram acesso a elas. Também não tiveram acesso a provas da origem do dinheiro lavado por Marcos Valério: a transferência de fartos recursos do caixa de um empresário interessado em decisões de governo (que não foram tomadas, inclusive por oposição do ministro José Dirceu, condenado sem provas), repassados aos partidos da base aliada. O empresário em questão chegou a aparecer no início do escândalo na mídia e sumiu como um fantasma das páginas dos jornais e dos inquéritos policiais e judiciais.

Com a opinião pública dominada por uma campanha diária de nove anos, o STF legitimou sua decisão de avalizar as conclusões de Barbosa, acatou o estranho instrumento do “domínio do fato” e, a partir disso, a pretexto de ouvir a voz das ruas, aceitou as barbaridades que seriam praticadas pelo Ministério Público e pela justiça de primeira instância na Operação Lava Jato, nos últimos três anos.

O STF transformou um crime de caixa dois em crime de corrupção, de formação de quadrilha, etc. etc. sem provas. Dos réus que foram condenados, alguns cometeram crimes, mas não os que os levaram para a prisão; outros eram inocentes de quaisquer crimes e foram condenados assim mesmo. Poucos foram condenados por crimes que efetivamente cometeram. A Agência DNA foi punida por atuar como lavanderia do PT e dos partidos aliados, mas tardiamente responsabilizada pelo Mensalão do PSDB (que vai deixar todos os implicados soltos até a prescrição do crime, o mesmo que levou o PT e seus aliados à cadeia). O deputado José Genoíno, então presidente do PT, foi preso por um empréstimo efetivamente feito pelo partido e quitado no prazo estipulado em contrato. Dirceu foi eleito o vilão nacional e encarcerado — e de novo encarcerado no Lava Jato — sem nenhuma prova contra si. E Pizzolatto, depois de uma fuga sensacional, amarga cadeia porque, junto com um comitê de dezenas de pessoas, autorizou uma campanha publicitária do Banco do Brasil paga pela Visa Internacional. Alguns membros do mesmo comitê respondem a um processo na primeira instância que está esquecido na gaveta de um juiz da capital federal.

Desde então, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal se constituem em peças fundamentais nas articulações contra os governos petistas, iniciadas em 2005 e que tiveram desfecho no golpe institucional deste 2016. Eduardo Cunha e Michel Temer não existiriam sem a cumplicidade das duas instituições e a inexplicável ingenuidade do PT: o mesmo partido que em determinado momento se dispôs a jogar com as armas da política tradicional, indo à cata de dinheiro de caixa dois das empresas para financiar campanhas eleitorais, não entendeu a natureza da elite que o financiava, nem a impossibilidade de acordo com a política tradicional e com instituições de vocação conservadora que mantiveram seu perfil conservador e corporativo, apesar de seus membros terem sido majoritariamente escolhidos pelos presidentes petistas. O PT não entendeu que jogava as suas fichas, a nível institucional, numa política de conciliação de classes num quadro onde as próprias políticas do governo davam as bases para uma acirrada luta de classes, que se tornou explícita quando o golpe começou a mostrar sua cara. Essa foi uma contradição inerente aos governos petistas. Na campanha eleitoral de 2014, a presidenta Dilma Rousseff venceu no segundo turno porque rapidamente as forças de esquerda se articularam em torno dela, em reação à onda de comoção criada pela direita, que se utilizou do clima proporcionado pelo julgamento político levado a termo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) poucos meses antes do início do processo eleitoral, no chamado caso do mensalão; e pela entrada em cena do juiz de primeira instância Sérgio Moro que, aproveitando-se das licenças jurídicas a que se permitiu o STF em 2013, fez o seu próprio tribunal político, fechando o cerco ao PT por um esquema de corrupção na Petrobras que — basta ler com atenção as delações premiadas – era enraizado na empresa e mantinha em diretorias protegidos de partidos que estavam aliados aos governos petistas depois de 2002, mas igualmente aos governos anteriores, do PSDB e do PMDB e do governo Collor.

Já são 11 anos de massacre, com armações com grande similaridade. O Ministério Público encontra um escândalo qualquer e começa a investigar, considerando provas basicamente de um lado. Sem consistência para pedir um inquérito, vaza os dados para um órgão de imprensa, que os publica como grande escândalo, desconhecendo o fato de que as provas não existem. Imediatamente, a matéria do jornal, baseada em vazamentos do próprio MPF, vira o indício que o MPF usa para pedir ao juiz — a Moro, ou ao STF, ou a algum outro  — para abrir o inquérito. No caso de Moro, seguem-se prisões sem base legal e coações à delação premiada. Chovem no Youtube reproduções de interrogatórios presididos pelo próprio juiz Moro onde ele deixa claro ao interrogado — normalmente um velho com problemas de saúde — que será libertado apenas se delatar; e de advogados protestando contra ele por não considerar sequer uma prova apresentada pela defesa antes de condenar um implicado. Nesses vídeos, é claro que Moro está investido da intenção de condenar antes de ouvir a defesa. Para ele, não existem inocentes em um campo político. No outro campo político, suas intenções são dóceis. O justiceiro é bastante permissivo com o campo político da direita.

Nada justifica que um juiz de um tribunal de exceção sobreviva numa democracia com amplos poderes, acima daqueles que a Constituição lhe confere, sem a aquiescência da maior instância judiciária. Moro existe e faz o que quer porque o sistema jurídico está contaminado pelo partidarismo. Moro não existiria sem um Barbosa que o precedesse. Moro não existiria sem o ministro Gilmar Mendes, que impunemente transformou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em palanques contra os governos do PT. Não existiria sem o ministro Dias Toffoli, que se tornou moleque de recados de Mendes; sem a tibieza das duas ministras mulheres; sem o conservadorismo ideológico de Teori Zavascki (que contamina o seu discernimento jurídico); sem a falsa objetividade jurídica de Celso Melo; sem a frouxidão de Edson Fachin; sem a excessiva timidez de Ricardo Lewandowisk. A Justiça não evitou o golpe porque é parte do golpe. O Ministério Público não reagiu ao golpe porque era um dos conspiradores.

Maria Inês Nassif
No Bem Blogado
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Editorial do New York Times: Piorando a crise política do Brasil


Horas depois dos senadores votarem esmagadoramente para colocá-la sob julgamento por uma suposta trapaça financeira, a Presidenta Dilma Rousseff, do Brasil, denunciou a tentativa de seu impeachment como um golpe.

“Posso ter cometido erros, mas eu nunca cometi crimes”, disse Rousseff. Isso é controverso, mas Rousseff está certa ao questionar os motivos e a autoridade moral dos políticos que querem derrubá-la. A presidenta brasileira, que foi reeleita em 2014 para um mandato de quatro anos, tem sido uma política medíocre e uma líder decepcionante. Mas não existem evidências de que ela abusou de seu poder para ganho pessoal, enquanto muitos dos políticos que orquestraram seu afastamento vêm sendo implicados em um enorme esquema de propina e em outros escândalos. 

A Suprema Corte Brasileira determinou, na última semana, que Eduardo Cunha, um legislador veterano que liderou o esforço para expulsão de Rousseff, deveria deixar o cargo para ser julgado por acusações de corrupção. O vice-presidente Michel Temer, que assumiu o comando do país nesta quinta, pode se tornar inelegível para concorrer a cargos por oito anos porque as autoridades recentemente o castigaram por violar os limites de financiamento de campanhas.

Rousseff é acusada de uso de dinheiro de bancos públicos para encobrir déficits orçamentários, uma tática usada por outros governantes no passado sem atrair muito escrutínio. Muitos suspeitam, contudo, que o esforço para destituir Dilma tem mais a ver com a sua decisão de permitir que os promotores avancem nas investigações de corrupção da Petrobras, a companhia estatal de petróleo. O escândalo maculou mais de 40 políticos, incluindo líderes do partido de Rousseff, o PT.

O Brasil está se recuperando da sua pior recessão desde 1930, e a crise política agora está minando a fé na saúde de sua jovem democracia. Para agravar estes problemas, o governo está lidando com o surto do vírus Zika pouco antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

As recentes investigações, que expuseram a elite governante podre, indignaram os brasileiros. Se o mandato de Dilma for interrompido, os brasileiros devem ser permitidos a eleger um novo líder imediatamente. Uma nova eleição pode ser realizada em breve caso o Tribunal Eleitoral, que vem investigando as alegações de que o dinheiro do escândalo da Petrobras infiltrou-se na campanha de Dilma em 2014, invalide sua vitória. Alternativamente, o Congresso poderia aprovar uma lei convocando uma eleição antecipada.

Se Dilma não conseguiu gerir o país de maneira eficaz, os senadores que saboreiam a sua saída devem se lembrar que a presidenta foi eleita duas vezes. O Partido dos Trabalhadores ainda tem um apoio considerável, especialmente entre os milhões que tirou da pobreza durante as últimas duas décadas.

A confiança em Dilma e em seu partido pode ter submergido nos últimos dois meses. Mas Dilma está preparada para pagar um preço desproporcionalmente alto para o erro administrativo, enquanto vários de seus detratores mais ferrenhos são acusados de crimes mais escandalosos. Eles podem perceber que grande parte da ira focada nela será, em breve, redirecionada a si próprios.

Traduzido por Marina Lang
O original pode ser lido aqui
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A História vai fazer justiça


Vídeo produzido pela UBES

A história vai fazer justiça.

Você já imaginou como estará a história do país daqui há 20 anos?

(Roteiro e edição: Ana Petta, Paulo Celestino e Rafael Minoro).


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Em menos de 24h, Brasil dá a maior guinada à direita desde 1964



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Recepção ao golpista Mendonça Filho no ministério da Educação


Recepção ao golpista Mendonça Filho por servidores da cultura no auditório do Ministério.

Mendonça Filho, durante sua apresentação, é recebido por servidores da cultura com vaias, manifestações com cartazes e com o grito: “O MinC não cabe aqui, o MinC é grande e não dá pra extinguir”.



Mídia Ninja
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Suplente do ministro da Saúde na Câmara está preso por estupro e cárcere privado

Ele
O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) foi nomeado ministro da Saúde no governo Temer — e seu suplente já pode assumir a cadeira dele na Câmara. Ou quase. Na verdade, o suplente de Barros é o deputado Osmar Bertoldi, do DEM, da coligação que elegeu o governador Beto Richa (PSDB) em 2014. E Bertoldi está preso desde fevereiro — teve um habeas corpus negado na terça-feira pela Justiça do Paraná.

Bertoldi foi preso em 24 de fevereiro passado, em Balneário Camboriú (SC), depois de ser reconhecido e denunciado à PM catarinense. Ele teve a prisão decretada por cinco crimes, entre eles, estupro, agressão e cárcere privado da ex-noiva. Ela fez uma série de denúncias ao Ministério Público paranaense, incluindo a de que ele teria oferecido dinheiro em troca de seu silêncio. O deputado suplente responde por acusações baseadas na Lei Maria da Penha e no Código Penal. A ex-noiva relatou na época que os maus-tratos aconteceram porque ela resolveu desmanchar o noivado.

Foto publicada por Tatiana, a ex-noiva, no Facebook, na época das agressões, em 2015
Foto publicada por Tatiana, a ex-noiva, no Facebook,
na época das agressões, em 2015
Foto: Facebook / Reprodução

Em seu perfil no Facebook - onde posta diversas fotos em manifestações pro-impeachment e também ao lado do candidato Aécio Neves, em 2014 - ele chegou a fazer um pronunciamento, em dezembro, dois meses antes de ser preso.

Beroldi (D) com Aécio, durante a campanha de 2014 no Paraná
Beroldi (D) com Aécio, durante a campanha de 2014 no Paraná
Foto: Facebook / Reprodução
Em uma das postagens, Beroldi aparece em uma reunião com o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, sobre a CPI da Petrobras.
Reunião de Beroldi com Moro, quase um ano antes dele ser preso pelas agressões à ex-noiva
Reunião de Beroldi com Moro, quase um ano antes dele ser preso pelas
agressões à ex-noiva
Foto: Facebook / Reprodução
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado federal José Carlos Araujo (PR-BA), disse que, em liberdade, Beroldi até poderia tomar posse.

— Com a posse do ministro, vai haver o chamamento. Se ele não comparecer e responder, assume o segundo suplente. Como está preso, parece óbvio que ele não assumirá. A questão de foro privilegiado nem precisa ser discutida.

No entanto, ele segue preso na cidade de Pinhais, no interior do Paraná. O segundo suplente é o professor Sérgio de Oliveira (DEM), que deve assumir o cargo caso Beroldi não tenha sucesso em sair da prisão.

Gustavo de Almeida
No Extra
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Nota do Levante Popular da Juventude


NÃO AO GOLPE, FORA TEMER!

O Levante Popular da Juventude não reconhece Michel Temer como presidente do Brasil, mesmo que interinamente. O processo que o colocou, hoje, nessa posição se construiu com base em um Golpe de Estado, com manobras articuladas por setores do judiciário, da grande mídia e do parlamento.

Um Golpe concretizado com o apoio das elites econômicas de nosso país, mas também com a convivência das potências estrangeiras. Que escancara o descompromisso com o povo, por parte dos personagens que compuseram essa articulação golpista. Construíram uma narrativa, leviana e superficial, que contou com apoio irrestrito dos meios de comunicação, meios esses que entraram nas casas dos brasileiros para iludi-los de que este era um caminho legal e uma alternativa certeira. Qual seja, a das “pedaladas ficais” como se fossem crimes de responsabilidade, quando em verdade não o são.

Nossa frágil e jovem democracia, que sequer teve tempo para depurar-se das heranças da ditadura militar, foi golpeada. Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e aliados, rasgaram assim a constituição, romperam com o pacto democrático estabelecido com a Constituinte de 1988.

Procuraram dessa forma se isentar de qualquer responsabilidade e afastar de si a pecha de golpistas. Uma tarefa malfadada, graças a mobilização nas ruas, encabeçada pela Frente Brasil Popular, e por nós engrossada, que fincou na testa e na história desses bandidos.

Os mesmos ratos que há três semanas pularam do barco que dirigiam conjuntamente com a Presidenta Dilma, voltam agora do esgoto, para entregar o barco ao comando dos países imperialistas.

Todo esse panorama mostra que de conciliações não se vive por muito tempo. As elites não aguentam, quando não são somente os seus interesses atendidos.

Neste momento, afirmamos que o Levante Popular da Juventude opta pelo caminho do enfrentamento. Cada pauta que se levantar contra nossos jovens, que tirar direitos dos trabalhadores, que pisar em nossas mulheres e que encarcerar ainda mais nossos negros e negras, que criminalizar a comunidade LGBT, serão denunciadas e enfrentadas com as nossas ferramentas. Sabemos que serão muitas afrontas, maiores e mais fortes do que já enfrentamos até hoje.

Nunca, enquanto organização, tivemos que lidar com uma ofensiva neoliberal como a que se inicia, mas isso não nos assusta, nos fortalece.

Hoje, somos muitos, somos o povo, somos a diversidade do Brasil. Somos os sujeitos que enfrentam a violência da polícia militarizada, a realidade do sucateamento da educação de Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR), Fernando Pezão (RJ) entre outros.

Enfrentamos o que sobrou de torturadores da ditadura, através de escrachos, sem nem um pingo de medo. Afrontamos os golpistas com escrachos sem recear nada, entre eles, o hoje ilegítimo presidente Michel Temer, expulsando-o de SP.

A nossa vocação é para a luta. Nosso leito de lutas iniciou-se do povo indígena, que lutou contra a espoliação europeia, do povo negro que resistiu e derrotou a violência da escravidão e dos senhores de engenho, da juventude que de armas empunhadas ousou enfrentar e derrotar a ditadura militar. Por isso, sabemos lutar e mais, sabemos lutar e nos organizar!

Somos a juventude que ousa lutar!

Daqui em diante só temos um compromisso: com a luta e a deposição desde governo ilegítimo. Cada escola, universidade, bairro, praça pública deverá transformar-se em uma trincheira de luta contra o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer e aliados.

Não somos de baixar a cabeça pra ninguém!
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Meirelles corta promessa de Temer pela metade. E vai cortar de novo, aguarde


Michel Temer disse ontem que a reforma da Previdência não afetaria direitos adquiridos.

Insere-se no capítulo “Rolando Lero” de sua fala, até porque não poderia afetar, legalmente. Coisa que qualquer acadêmico de direito sabe.

Hoje, Henrique Meirelles já começou a tirar o dourado da pílula.

Vai ter, como é óbvio, idade mínima.

Ah, mas é com regra de transição.

Alô, já tem.

O fator 95/85 vai transitar, progressivamente, para 100/90.

O que dá 60 anos para um homem que começa a trabalhar aos 20, se não falhar um mês.

Isso já tem.

Idade mínima que desconsidere tempo de serviço é castigo aos mais pobres, que começam a trabalhar mais cedo.

E é isso o que virá, podem escrever.

O “mercado” quer corte já na Previdência.

O que mais disse Temer? Que não haveria aumento de impostos, não é?

E hoje Meirelles disse que ia cortar as isenções tributárias.

Talvez Temer — que, segundo O Globo, sempre teve dificuldades com a matemática — não entenda que, quando se tem de pagar um imposto que não se pagava ou se pagava com desconto, é o mesmo que pagar mais imposto?

Com a Dilma, era pagar o pato.

Agora é “bondade”.

Meirelles, com Lula, tinha limites.

Agora, quem tem limites é Temer, que não tem força para dizer não ao seu Ministro da Fazenda.

Se disser: “ah, isso eu não quero, Henrique”, vai ouvir: “não quer, mas vai, Michel”.

É preciso fazer um curso de hipocrisia para entender a política brasileira.

Fernando Brito
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Novidades do Temer

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8613

A mídia internacional não tem o mesmo entusiasmo da brasileira sobre a queda de Dilma

Até o jornal francês de direita, Le Figaro, espinafrou: “O que está acontecendo no Brasil no momento é o maior paradoxo: a presidente Dilma Rousseff foi destituída por deputados e senadores, dois terços deles envolvidos em casos de corrupção em relação aos quais as acusações contra a presidente parecem pecados venais”.

Definitivamente a imprensa estrangeira não compreende este país.

Em 30 anos, o PMDB emplaca o terceiro presidente da República sem ganhar eleição.

É uma especialidade brasileira como o samba.

Michel Temer tomou posse em nome do novo e da moralização.

Em nome do novo, empossou como ministros Sarney Filho, Romero Jucá e cia.

Sete ministros citados na Lava Jato.

Alguns que faziam parte do governo Dilma até a semana passada.

Gilberto Kassab na Ciência e Tecnologia.

Vem Nobel por aí.

O Dem na educação.

Vai ter aula de moral e cívica?

A cultura reduzida a departamento.

Tudo parece mais ágil.

No STF, Gilmar Mendes autorizou investigação contra Aécio Neves e, menos de 24 horas depois, voltou atrás. Foi um surto de Waldir Maranhão. O Brasil está mais leve. O novo sempre vem.

O ministério de Temer não tem negros nem mulheres.

Só machos brancos dominantes.

Há quem considere normal e diga: chega de política de gênero.

O estilo agora é secos e molhados.
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Direita volver


A posse de Michel Temer deve marcar a mais brusca guinada ideológica na Presidência da República desde que o marechal Castello Branco vestiu a faixa, em abril de 1964. Após 13 anos de governos reformistas do PT, o país passa ao comando de uma aliança com discurso liberal na economia e conservador em todo o resto. O eleitor não foi consultado sobre as mudanças.

O cavalo de pau fica claro na escalação do ministério, que sugere desprezo à representação política das minorias. Ao substituir a primeira presidente mulher, Temer montou uma equipe só de homens, o que não acontecia desde a era Geisel. Os negros também foram barrados na Esplanada.

O Ministério da Educação foi entregue ao DEM, partido que entrou no Supremo contra as ações afirmativas. A pasta do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família, acabou nas mãos de um deputado do PMDB que já se referiu ao benefício como uma "coleira política".

Para a Justiça, Temer escolheu o secretário de Segurança de São Paulo. Ele assume com explicações a dar sobre violência policial e maquiagem de estatísticas de criminalidade.

A fauna do Planalto também mudou radicalmente em poucas horas. Além dos políticos que restaram ao seu lado, Dilma Rousseff se despediu cercada por gente de esquerda, como sindicalistas, ex-presos políticos e militantes de movimentos sociais.

A chegada de Temer encheu o palácio de representantes da direita brucutu do Congresso, como os deputados Alberto Fraga e Laerte Bessa, da bancada da bala, e o ruralista Luis Carlos Heinze, que já se referiu a quilombolas, índios e homossexuais como "tudo que não presta".

Depois do pronunciamento de estreia, o presidente interino se reuniu a portas fechadas com líderes religiosos e parlamentares evangélicos. Estavam presentes os pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano, que defendem ideias como o projeto da "cura gay". Eles voltaram para casa entusiasmados com o novo regime.

Bernardo Mello Franco
No fAlha
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O caso Gilmar & Aécio simboliza a nova era

Eles sorriem e o país chora
Não foi necessário mais de um dia para que se confirmasse o óbvio.

Todo o alarido da plutocracia não era contra a corrupção. Era contra o PT. Contra a esquerda.

Primeiro veio a informação em que seu ministério, um verdadeiro mausoléu dos horrores, Temer incluiu sete investigados na Lava Jato.

Deu-lhes, assim, foro privilegiado.

Num dos últimos capítulos da campanha sem tréguas contra Dilma, a nomeação de Lula foi tratada pela mídia plutocrática como um escândalo. O STF contribuiu para tornar ainda pior a situação de Dilma ao suspender a indicação de Lula.

E agora?

Nada, nada, nada. E ainda nada.

É o Brasil destes tempos: a lei, as regras, os rigores, as cobranças não são para todos. A direita pode tudo.

Tão simbólica disso quanto os setes anões morais do ministério foi a atitude de Gilmar Mendes diante do pedido de novas investigações sobre o envolvimento de Aécio no caso Furnas.

Gilmar Mendes, há muito conhecido como líder do PSDB no STF, rechaçou o pedido, nascido da delação de Delcídio.

O DCM fez uma investigação especial sobre Furnas. Aécio é personagem central no esquema de assalto ao dinheiro público através desta estatal.

Veja aqui o vídeo do DCM.

Nunca ninguém — a começar por Aécio — foi punido por causa do que foi dito acima: a direita pode tudo. A imprensa fechou os olhos, em sua cumplicidade crônica. E a Justiça não se mexeu.

Furnas merece um parêntese. Em sua delação, Delcídio afirmou que foi ali que Eduardo Cunha começou a se vingar de Dilma. Dilma, segundo ele, acabou com a farra dos corruptos em Furnas. Um pau mandado de Cunha foi afastado por ela para moralizar a empresa. E então Cunha iniciou o que culminaria na aceitação do infame pedido de impeachment: a retaliação.

Esta é República dos Plutocratas, inaugurada na quinta por Michel Temer. O usurpador disse que já é hora de a imprensa parar de falar em crise. Na mesma linha, Moro pediu calma à sociedade. Tolerância diante da corrupção.

Pausa para gargalhar.

Como se Temer e Moro tivessem que pedir este tipo de coisa. A mídia plutocrática vai transformar prontamente o inferno artificial que era o Brasil sob o PT num paraíso ainda mais fajuto que será o Brasil sob o amigo Temer.

A corrupção vai sumir do noticiário. A Lava Jato nunca mais merecerá as coberturas estrepitosas da era Dilma e PT. E os midiotas, ou analfabetos políticos, não se sentirão empurrados a ir para as ruas gritar contra a corrupção e nem a bater panelas caras.

Bem-vindos à República dos Plutocratas.

Paulo Nogueira
No DCM
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Feliz Sexta-Feira 13


Feliz Sexta-Feira 13, Michel Temer.  É o que desejariam nomes notáveis que, tempos atrás, nas urnas e no parlamento, ajudaram a forjar o velho MDB para enfrentar um regime parido por um golpe. É o que deve lhe augurar, esteja onde estiver, a ala dos Autênticos da sigla. Entre eles, Chico Pinto que, por denunciar um governo espúrio, o do chileno Augusto Pinochet, foi jogado numa cadeia. E mais Alencar Furtado, Lysâneas Maciel, Freitas Diniz, Getúlio Dias, Fernando Lyra e outros 17 deputados. Que defendiam a democracia e não sua ruptura para acomodar os próprios interesses.  Nenhum deles carrega a pecha de traidor. Nenhum transformou a antiga sigla de Ulysses Guimarães num valhacouto de velhacos. Nenhum jamais perfilou com o golpismo.

Feliz Sexta-Feira 13, senhores donatários das capitanias hereditárias da mídia. São os votos de meio milhão de brasileiros investigados sob o arbítrio, dos 50 mil que foram presos, dos 11 mil acusados, dos 10 mil torturados, dos cinco mil condenados, dos 10 mil exilados, dos 4.862 cassados, dos presidentes de 1200 sindicatos afastados, dos 475 mortos e desaparecidos, daqueles que escreveram milhões de palavras censuradas, dos autores de milhares de livros, filmes, peças, programas de TV, jornais, revistas e outras publicações mutiladas ou aniquiladas. Vocês, de novo, venceram. Agora sem tanques. Mas, de novo, sem voto.

Feliz Sexta-Feira 13, bravo Judiciário e particularmente bravíssimos ministros do Supremo Tribunal Federal. Tratem imediatamente de abrir as portas da corte para receber o Ungido. Sigam o exemplo sadio de 1964, quando o seu então presidente, Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa, correu a organizar uma recepção nos salões do STF para o marechal Castello Branco. Na ocasião — como agora — aquele colegiado de luminares considerou o golpe legal, a democracia intocada e, sobretudo, o rito preservado. Ah, o rito, onde estaríamos sem ele? Poderíamos até cair num governo ilegítimo! Parabéns!

Feliz Sexta-Feira 13, indômita Ordem dos Advogados do Brasil. Talvez o lendário Heráclito Fontoura Sobral Pinto que, católico e anticomunista, defendeu o ateu e comunista Luiz Carlos Prestes em 1936, discordasse da conduta da OAB em 2016. Talvez. Seria difícil para um anticomunista defensor de comunistas entender o respaldo da Ordem à deposição da presidente, atendendo mais à postura de classe do que qualquer outra coisa. Porém, o presidente do Conselho Federal da OAB em 1964, aplaudiria o destemor da atual gestão. Na época, Carlos Cavalcanti saudou “os homens responsáveis desta terra” que aboliram “o mal das conjuras comuno-sindicalistas”. Por certo, louvaria a reprise do feito memorável de 1964 como mais uma façanha a ser introduzida nos anais da OAB. Palmas!

Feliz Sexta-Feira 13, valoroso Congresso Nacional. Embora sem o brilho, o charme, a malícia e o algo mais da pedagógica e inolvidável votação da Câmara naquele 17 de abril mágico  — que já ingressou na História do Brasil como uma das noites mais esplêndidas do firmamento nacional  — o Senado também prestou seu tributo à arte do entretenimento pátrio. Que mensagem enviaria a um parlamento que enalteceu a tortura e os torturadores – além da mamãe, do papai, da vovó, da cunhada, do cachorro e do periquito da família – um ex-integrante daquele mesmo parlamento, o deputado Rubens Paiva? Aquele Rubens Paiva que, num feriado do verão carioca de 1971, foi arrancado da sua família por seis homens e arrastado para o DOI-Codi para nunca mais ser visto? Que foi chacinado e morto e teve seus restos mortais jogados ao mar?

Feliz Sexta-Feira 13, intrépidos colunistas, comentaristas, articulistas, comunicadores e demais valentes serviçais do patronato midiático. Foi uma tarefa e tanto nos últimos 14 anos, principalmente nos dois mais recentes. Para alguns, deve ter valido a pena ceder todos os orifícios da alma à concupiscência do sinhôzinho e do seu modo de perceber o país, o mundo e a vida. Um jornalista mais brilhante e menos sabujo, embora também golpista, como Carlos Lacerda, reconheceria relevância artística na obra de seus pupilos: a edificação do golpe, tijolo por tijolo num desenho lógico. Menos pela formosura da frase, mais pela sua malignidade. Menos pela veracidade, mais pela fábula. Menos pela concisão, mais pela avalanche. Mas descansem um pouco, rapazes e raparigas, velhotes e velhotas. Há trabalho pesado à espera. Agora, a pauta de vocês é converter Michel Temer em estadista. Boa sorte. Vão precisar.

Ayrton Centeno
No RS Urgente
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Wikileaks: Michel Temer era informante do governo americano


Não venham me dizer que estou inventando coisas!

Sei que parece teoria da conspiração, papo de esquerdista maluco, mas não posso fazer nada.

Não fui eu que disse.  Foi o Wikileaks. Hoje.

A organização divulgou, em seu twitter, nesta noite de quinta-feira, um micropost em que acusa o "presidente interino" Michel Temer de ser informante do governo americano.

Observe que o Wikileaks chama o impeachment de Dilma Rousseff pelo que ele é: um golpe parlamentar.

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Os bilhetes diplomáticos não mostram, a meu ver, nada explosivo. Seria exagerado chamar Michel Temer de "informante da CIA", por exemplo. Ele não valia tanto para a CIA.

O Wikileaks o chama apenas de "informante da embaixada americana". O que é a mesma coisa de ser chamado de "informante do governo americano", visto que as informações que ele fornece são remetidas imediatamente para órgãos estratégicos do governo dos Estados Unidos.

Os bilhetes não são classificados, ou seja, não são secretos, mas contém informações que devem ser usadas apenas entre as autoridades do governo americano.

Temer subsidia o Cônsul Geral de São Paulo com informações, de fato, sensíveis, sobretudo partindo de um aliado político do governo brasileiro. Ele faz, por exemplo, críticas pesadas ao governo Lula, dizendo que ele investia muito em programas sociais... E menciona a possibilidade do PMDB construir uma candidatura própria.

O atual presidente interino, já então presidente do PMDB, diz outra coisa perigosa a se dizer a um membro do ultra-conservador serviço de inteligência do governo americano, como são quase todos os cônsules, em especial os de São Paulo e Rio: Temer afirma que Lula daria uma  forte guinada à esquerda em seu segundo governo. Um aliado do governo afirmar isso a um agente da inteligência norte-americana é uma irresponsabilidade!

Coisa de traíra mesmo.

Temer estava entregando estratégias políticas internas ultrasensíveis, em vocabulário alarmante, a uma autoridade do serviço de inteligência de uma potência altamente agressiva e bélica como os Estados Unidos!

Outra parte que revela o caráter traiçoeiro de Temer é quando aborda os esquemas de corrupção do PT e não lembra ao cônsul que o seu próprio partido é o mais corrupto de todos. Manchar a imagem do partido aliado, numa reunião secreta com o embaixador americano, não me parece uma postura leal e digna.

Os bilhetes do Wikileaks não provam que Michel Temer estivesse na folha de pagamento da CIA, mas revelam um traidor contumaz, um traidor de seus aliados no Brasil e, portanto, um traidor também dos interesses nacionais.

Há um capítulo, inclusive, que o funcionário do serviço secreto americano, que resenha o bilhete, dá um título irônico às falas de Michel Temer: "With Allies Like This . . . "

Que significa: "Com um aliado como esse..."

Os mexicanos diriam, ironicamente: muy amigo!

O funcionário, naturalmente, ficou chocado com a falta de cuidado de Michel Temer, em revelar tão abertamente, tão loquazmente, a um representante de governo estrangeiro, a discórdia surda, crescente, entre PT e PMDB.

A NSA, pelo jeito, não tem muito o que fazer por aqui: os nossos políticos vazam, voluntariamente, informações sensíveis ao governo americano. Se vazam de graça, não posso dizer.

Links dos dois bilhetes vazados:



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Telegrama 1
PMDB CHIEF AFFIRMS PARTY'S POSITION AS POWER BROKER BUT BALKS AT PREDICTING PRESIDENTIAL RACE
Date: 2006 June 21, 16:05 (Wednesday)
Original Classification:
UNCLASSIFIED,FOR OFFICIAL USE ONLY
Current Classification: UNCLASSIFIED,FOR OFFICIAL USE ONLY
Locator:
TEXT ONLINE
TAGS: BR - Brazil | ECON - Economic Affairs--Economic Conditions, Trends and Potential | PGOV - Political Affairs--Government; Internal Governmental Affairs | PINR - Political Affairs--Intelligence
Concepts: -- Not Assigned --
From: Brazil São Paulo
To: Argentina Buenos Aires | Bolivia La Paz | Brazil Brasilia | Brazil Recife | Brazil Rio De Janeiro | Chile Santiago | Department of Commerce | Department of Labor | Department of the Treasury | National Security Council | Paraguay Asunción | Secretary of State | United States Southern Command (Miami) | Uruguay Montevideo
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(C) SAO PAULO 623; (D) BRASILIA 1136;
(E) SAO PAULO 573 AND PREVIOUS; (F) SAO PAULO 30
SENSITIVE BUT UNCLASSIFIED - PLEASE PROTECT ACCORDINGLY
-------
SUMMARY
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1. (SBU) Michel Temer, President of the Brazilian Democratic
Movement Party (PMDB), believes President Lula has done a masterful
job of disassociating himself from the political corruption scandals
that have crushed some of his closest advisers. He also has
effectively expanded social programs to earn the loyalty and support
of Brazil's lower-middle and lower classes. At the same time,
Lula's opponent, Sao Paulo ex-Governor Geraldo Alckmin, suffers from
a lack of charisma and a failure to have left a visible mark in five
years at the helm of Brazil's largest state. Nevertheless, Temer
declines to predict what will happen in this race, except to say it
will go to a second round, in which "anything can happen." He
confirmed that his own party will not run a candidate for president
and will not ally with either Lula's Workers Party (PT) or the
opposition Brazilian Social Democracy Party (PSDB), at least not
before the second round. However, the PMDB will win the governors'
races in at least ten and possibly as many as fifteen states, and
will again have the largest bloc in both the Senate and the Chamber
of Deputies, so that "whoever wins the presidential election will
have to come to us to get anything done." END SUMMARY.
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LULA'S SLEIGHT OF HAND
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2. (SBU) In a June 19 meeting with Consul General (CG) and Poloff,
Michel Temer, Federal Deputy from Sao Paulo, offered his assessment
of the balance of forces for the presidential election. Though
anything can still happen -- he has seen candidates overcome much
greater disadvantages than Alckmin currently faces, and win -- it is
clear that President Lula is in a strong position. Temer
dispassionately analyzed how Lula had seen his Chief of Staff and
the entire leadership of his party disgraced, and prominent
Congressional members of his party dragged through scandal, and had
emerged personally more or less untouched. This was partly because
other political parties -- Temer mentioned the PSDB and the Liberal
Front Party (PFL) but not his own PMDB, though his comment could
just as easily apply to them -- had, at different times, been
involved in affairs akin to the PT's infamous "mensalao" bribery
scheme, and were thus not eager to expose the PT's misdeeds to the
fullest.
3. (U) It was also because Lula had such a strong bond with the
people, the so-called C, D, and E classes - i.e., the lower-middle
and lower classes. Many in these strata, in Temer's view, believe
that Fernando Henrique Cardoso (FHC) had robbed the poor and given
to the rich, while Lula robs the rich and gives to the poor. Lula
has expanded the "Bolsa Familia" program from 6.5 million families
in 2004 to 8.7 million in 2005 to 11 million families this year, or
(assuming two children per family) roughly 44 million Brazilians.
This, combined with the increase in the minimum wage, the rise of
the Real against the US dollar, and the fall in the price of certain
basic food staples, make the poor much better off. Paradoxically,
many of the rich, especially bankers and other major financial
players, have also benefited from Lula's policies.
4. (SBU) It is the middle class that has suffered from both an
increasing tax burden and the loss of professional-level jobs. In
SAO PAULO 00000689 002 OF 004
truth, Temer continued, it is difficult to be optimistic about
Brazil's economic future. The fact of 11 million families eligible
for Bolsa Familia handouts implies a minimum of 44 million people in
abject misery in Brazil. He described a recent event he had
attended sponsored by the Institute for Industrial Development
Studies (IEDI), where Minister of Development, Commerce, and
Industry Luiz Fernando Furlan delivered an upbeat speech. When
challenged by a member of the audience with a few hard questions and
statistics, Furlan, who has himself been at times a tough critic of
the GoB's economic policies, was at pains to respond. Brazil faces
serious challenges in fostering growth, stimulating productivity,
attracting investment, improving infrastructure, and reducing
inequality; however, Lula's sleight of hand has made many voters all
but unaware of these growing problems.
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ALCKMIN'S LACK OF CHARISMA
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5. (SBU) Meanwhile, Alckmin is simply stuck. Temer believes that
since inheriting the governorship from Mario Covas in 2001, Alckmin
has provided honest, decent, competent government to Sao Paulo.
However, in a country that relishes superlatives, he did not
champion any great works, and his accomplishments are not visible.
Alckmin is not personally aggressive or charismatic and is not given
to showmanship, so he didn't leave a distinctive mark on the state.
By way of comparison, Orestes Quercia (ref C), Governor of Sao Paulo
from 1987 to 1990, was a controversial (many say corrupt) figure,
but he definitely left his mark on the state in the many streets and
highways and prisons and hospitals he built. (COMMENT: The same
might be said of colorful, and reportedly equally corrupt, former
Mayor and Governor Paulo Maluf. END COMMENT.) Former President
Cardoso was another example of a politician who had charisma. But
let's wait and see what happens, Temer suggested. Wait until after
the World Cup, which could impact on the voters in a variety of
different and not easily predictable ways, depending on the result.
Wait until the government-subsidized television advertising begins.
It will be "a great war" on the airwaves, and it opens up
innumerable possibilities for the underdog.
6. (U) Temer, a former Sao Paulo state Secretary for Public
Security, was not certain whether Alckmin would suffer as a result
of the recent violence on the streets and in the prisons of Sao
Paulo (ref E) perpetrated by the criminal gang First Capital Command
(PCC). Some of his public criticism of his successor, Governor
Claudio Lembo, had been unfortunate and not good for his image. But
only time will tell how this situation plays out.
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LULA'S TURN TO THE LEFT?
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7. (SBU) CG asked what a second Lula term would look like, assuming
he is re-elected. Unlike some of our interlocutors, Temer believes
Lula may take a more radical (i.e., populist) approach during a
second term. The recent incident in which radicals from the
Movement for the Liberation of the Landless (MLST) stormed the
Chamber of Deputies (ref D) and committed acts of vandalism was a
harbinger of things to come. The group's leader, a member of the
PT's Executive Committee, had on many occasions over the years been
seen at Lula's side. The PT had suspended him, but had taken no
further action and did not appear particularly upset over the
episode, Temer noted.
8. (SBU) Lula, in Temer's view, was a trade unionist who had done
well for himself, who, once re-elected, might finally begin to heed
his friends on the left. Very possibly he would let himself be led
SAO PAULO 00000689 003 OF 004
away from the orthodox macro-economic policies that have dominated
his first term. (COMMENT: Some other observers have also pointed to
the GOB's expansion of social spending in recent months as an
indication that Lula is drifting left. Thus far, however, this
spending seems in line with the pump-priming measures of most
incumbents seeking re-election. While Temer sees Lula's campaign
pitting "rich versus poor" as a sign of things to come in a second
term, many analysts who have followed Lula's career characterize him
as a "cultural conservative" who is unlikely to succumb to the
radical leftist/populist temptation. A more worrisome, and more
likely, scenario is a second-term Lula government that lacks the
policy direction, political will, and working majority in Congress
required to push through essential economic and political reforms.
END COMMENT.)
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PMDB - A HOUSE (STILL) DIVIDED
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9. (SBU) Turning to his own party's fortunes, Temer confirmed
reports that the PMDB will not run its own candidate for President,
and will not enter into a formal alliance with either the PSDB or
the PT. Any of these options at the national level, he explained,
would damage the party's chances in some of the states because the
"verticalization" rule remains in effect during the 2006 elections.
The recent ruling by the Superior Electoral Tribunal (TSE), which
would have tightened even further the rules governing party
alliances (ref B), was probably correct, Temer averred, even though
it would have been disastrous for the PMDB. If you're going to
require parties to replicate their national alliances at the state
level, it makes perfect sense to go a step further and say that
parties that don't run or formally support presidential candidates
may not ally at the state level with parties that do. Nevertheless,
as the head of a party whose lifeblood is coalition-building at the
state level, Temer was relieved when the TSE reversed itself within
48 hours, and he looked forward to the 2010 elections when the
Constitutional amendment abolishing the "verticalization" rule
altogether would enter into force.
10. (SBU) If the presidential election goes into a second round, as
Temer is sure it will, the PMDB may at that point throw its support
to one side or the other. The PMDB remains split almost evenly
between the pro- and anti-Lula groups. The former seeks alliances
with the PT and hopes for several Ministries in Lula's second
administration. Temer, who is anti-Lula, was highly critical of the
pro-Lula faction and commented wryly over some of the party's
internal contradictions and divisions. Renan Calheiros, President
of the Senate, is the leader of the PMDB's pro-Lula faction; yet, in
his home state of Alagoas (northeast), the PMDB will support the
PSDB's gubernatorial candidate, Senator Teotonio Vilela. Another
pro-Lula leader is Senator (and former President) Jose Sarney, but
his daughter, PFL Senator Roseana Sarney, will be running for
Governor of Maranhao (also in the northeast) with PMDB support
against a PT candidate. Temer outlined the situation state by
state, ending with Sao Paulo. The PSDB, he noted, badly wants an
alliance with the PMDB, but they want to choose the PMDB candidate
to be Jose Serra's running mate. This issue will be resolved within
the week, since the PMDB holds its state convention on June 24. The
party will not hold a national convention June 29 as originally
planned, since all its issues at the national level were resolved at
a preliminary June 11 caucus.
11. (SBU) Temer, who himself had strongly favored fielding a PMDB
presidential candidate (ref F), noted that by relinquishing this
ambition, the PMDB stands to win the governors' races in ten or
perhaps even fifteen states, and will again have the largest blocs
in both the Senate and the Chamber of Deputies. Thus, whichever
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party wins the Presidency will inevitably have to seek an alliance
with the PMDB in order to govern. Temer spoke caustically of the
Lula administration's miserly rewards for its allies in the PMDB.
They give the job of Minister to a PMDB loyalist, but no real
control over the Ministry; thus, he can't accomplish anything. In
contrast, Temer believes that in return for joining a governing
alliance, the party should be given control over a sector of the
economy, agriculture, say, or health, and full responsibility for
operating that sector, and should receive full credit or blame for
the successes and failures in that sector. (COMMENT: Left unsaid,
of course, is that the sort of control Temer envisions would also
give the PMDB, and other allied parties, the opportunity to advance
their political patronage goals at the taxpayers' expense. The
PMDB, which is Brazil's largest political party, is already
well-known as a vehicle for patronage. END COMMENT.)
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COMMENT
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12. (SBU) Temer was more charitable in his assessment of Alckmin's
campaign and his performance as Governor than Alckmin's own PSDB
colleague, Andrea Matarazzo (ref A). Nevertheless, Temer's critique
hits home: Alckmin may perform in the coming months, but so far he
simply has not connected at any level with the electorate. Lula's
job performance, on the other hand, may be open to question, but his
ability to communicate with and relate to the average Brazilian is
unsurpassed. Temer is correct that whichever candidate wins will
need to turn to the PMDB for support in governing. The real problem
is that the PMDB has no ideology or policy framework that it could
bring to the task of formulating and implementing a coherent
national political agenda. Despite the party's illustrious history
as the guiding force that led Brazil from military dictatorship to
democracy, the PMDB, which now holds the balance of political power,
has devolved into a loose coalition of opportunistic regional
"caciques" who for the most part - and there are exceptions - seek
political power for its own sake. Such a party is hardly suited to
the task of providing political direction, which would be
particularly important in a post-election alliance with Lula's
rudderless PT. END COMMENT.
13. (U) This cable was coordinated/cleared with Embassy Brasilia.
MCMULLEN
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Telegrama 2
PMDB LEADER PONDERS PARTY'S ELECTORAL OPTIONS
Date: 2006 January 11, 14:02 (Wednesday)
Original Classification: UNCLASSIFIED,FOR OFFICIAL USE ONLY
Current Classification: UNCLASSIFIED,FOR OFFICIAL USE ONLY
TAGS: BR - Brazil | ETRD - Economic Affairs--Foreign Trade | PGOV - Political Affairs--Government; Internal Governmental Affairs | PINR - Political Affairs--Intelligence
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Content
1. (U) Sensitive but Unclassified - protect accordingly.
2. (SBU) Summary: Federal Deputy Michel Temer, national
president of the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB),
believes that public disillusion with President Lula and the
Workers' Party (PT) provides an opportunity for the PMDB to
field its own candidate in the 2006 presidential election.
However, party divisions and the lack of a compelling choice
as a candidate could force the PMDB into an alliance with
Lula's PT or the opposition PSDB. If Lula's polling numbers
do not improve before the PMDB primaries in March, Temer
said his party might nominate its own candidate. This would
still allow the party to forge an alliance with the PT or
PSDB in a runoff, assuming that the PMDB candidate fails to
make the second round. Given its centrist orientation, the
PMDB may hold the balance of votes between the two opposing
forces. It is also likely to remain a force at the local
and state level. Temer believes it has a chance to win as
many as 14 gubernatorial races. End Summary.
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With Allies Like This . . .
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3. (SBU) Michel Temer, a Federal deputy from Sao Paulo who
served as president of the Chamber of Deputies from 1997
through 2000, met January 9 with CG and poloffs to discuss
the current political situation. Lula's election, he said,
had raised great hope among the Brazilian people, but his
performance in office has been disappointing. Temer
criticized Lula's narrow vision and his excessive focus on
social safety net programs that don't promote growth or
economic development. The PT had campaigned on one program
and, once in office, had done the opposite of what it
promised, which Temer characterized as electoral fraud.
Worse, some PT leaders had stolen state money, not for
personal gain, but to expand the party's power, and had thus
fomented a great deal of popular disillusion.
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PMDB Perceives an Opening
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4. (SBU) This reality, Temer continued, opens an
opportunity for the PMDB. The party currently holds nine
statehouses and has the second-highest number of federal
deputies (after the PT), along with a great many mayoralties
and city council and state legislative seats. Polls show
that voters are tired of both the PT and the main opposition
party, the Brazilian Social Democratic Party (PSDB). For
example, a recent poll showed former governor (and PMDB
state chairman) Orestes Quercia leading in the race for Sao
Paulo state governor.
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Divisions Dog the Party
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5. (SBU) Asked why the PMDB remains so divided, Temer said
the reasons were both historical and related to the nature
of Brazilian political parties. The PMDB grew out of the
Brazilian Democratic Movement (MDB) under the military
dictatorship, which operated as an umbrella group for
legitimate opposition to the military dictatorship. After
the restoration of democracy, some members left the PMDB to
form new parties (such as the PT and PSDB), but many of
those who remained now act as power brokers at the local and
regional level. Thus the PMDB has no real unifying national
identity but rather an umbrella organization for regional
"caciques" or bosses. Temer noted that the PMDB is not the
only divided party. Although there are 28 political parties
in Brazil, most of them do not represent an ideology or a
particular line of political thinking that would support a
national vision.
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SAO PAULO 00000030 002 OF 003
PMDB Primaries Set for March
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6. (SBU) Temer confirmed press reports that he is seeking
to move the March 5 primary date to a date later in the
month. (Note: March 31 is the deadline for executives and
Ministers to resign their offices if they plan to run for
public office. End Note.) There will be some 20,000
electors, he said, including all PMDB members who hold
electoral office (federal and state deputies, governors,
mayors, vice-governors and -mayors, and other elected
municipal officials) as well as delegates chosen at state
conventions.
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Lula's Numbers Will Drive PMDB Strategy
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7. (SBU) If, between now and the primary, the Lula
government's standing in the polls improves, it is still
possible the PMDB will seek an electoral alliance with Lula
and the PT, Temer said. If not, the PMDB will run its own
candidate. So far, Rio de Janeiro ex-governor Anthony
Garotinho has been working the hardest, reaching out to the
whole country in search of support. But there is resistance
to him from within the PMDB, in part due to his populist
image, in part because there appears to be a ceiling to his
support. Germano Rigotto, governor of Rio Grande do Sul
(reftels) is a possible candidate, though he is still not
well known outside the south. Nelson Jobim, a judge on the
Supreme Federal Tribunal (STF) who has announced his
intention to step down, is another possibility; however, he
can't campaign until he leaves the Tribunal, and he may not
have time to attract the support necessary to win the
primary.
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PMDB's Fallback - PT or PSDB in Second Round
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8. (SBU) Temer was confident that despite its current
division, the PMDB will unite for the election, whether in
support of its own candidate or in alliance with another
party. If it runs a candidate who fails to make it to the
second round, the party will seek to negotiate an alliance
with one of the two finalists. He noted that the PMDB had
supported the government of PSDB former president Fernando
Henrique Cardoso, and said there should be a "re-fusion" of
the two parties into a permanent grand alliance. The PMDB
would have no problem with either Sao Paulo Mayor Jose Serra
or Sao Paulo state governor Geraldo Alckmin, who are
competing for the PSDB nomination. In 2002, the PMDB
supported Serra against Lula.
9. (SBU) Asked about the party's program, Temer indicated
that the PMDB favors policies to support economic growth.
It has no objection to the Free Trade Area of the Americas
(FTAA). It would prefer to see Mercosul strengthened so as
to negotiate FTAA as a bloc, but the trend appears to be
moving the other way.
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Comment: PMDB As Power Broker?
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10. (SBU) For now, the PMDB is keeping its options open.
Though Temer didn't mention it, the party's leadership is
waiting to see whether the "verticalizacao" rule will remain
in force for the 2006 elections. This rule, decreed by a
2002 decision of the Supreme Electoral Tribunal (TSE),
dictates that electoral alliances at the national level must
be replicated in races for governors and federal deputies.
The Senate passed a measure repealing the rule, and the
lower chamber is expected to vote on it shortly, with
prospects uncertain. There is also a legal challenge to the
rule pending which the TSE will likely take up in February.
The PMDB wants to know the rules of the game before deciding
on possible alliances, since most observers believe that a
SAO PAULO 00000030 003 OF 003
PMDB presidential candidate would not fare well under the
current system of "verticalizacao." Temer appeared open to
the possibility of an alliance with either the PT or the
PSDB, or to a stand-alone PMDB candidate. Given its
centrist orientation, the PMDB may hold the balance of votes
between Lula's PT and the opposition PSDB, and thus bears
watching closely in the months ahead. End Comment.
11. (U) Biographic Note: Michel Miguel Elias Temer Lulia
has served as federal deputy from Sao Paulo since 1987,
except for a two-year period (1993-94) when he was Secretary
for Public Security in the Sao Paulo state government. He
studied at the University of Sao Paulo and earned a
Doctorate in Law from the Catholic University of Sao Paulo.
From 1984 through 1986 he was the state's Prosecutor
General. He served as the PMDB's leader in the Camara de
Deputados 1995-97 and as President of the Camara 1997-2000.
He was national president of the PMDB 2001-03 and 2004-
present.
12. (U) This cable was cleared/coordinated with Embassy
Brasilia.
McMullen

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