12 de mai de 2016

Muitos que festejam hoje vão chorar amanhã

Manipulados pela imprensa golpista, alguns "midiotas" buzinaram seus automóveis e bateram panelas ao tomarem conhecimento do resultado da votação do Senado na manhã desta quinta-feira (12), que aprovou — por 55 votos a favor e 22 contra — o afastamento temporário da presidenta Dilma Rousseff. Muitos dos que festejam hoje, porém, deverão estar se lamentando nas próximas semanas ou meses. É que eles rapidamente perceberão que o golpe não visou apenas estuprar a frágil democracia nativa. O seu maior objetivo é promover um brutal retrocesso no Brasil, impondo um novo projeto de nação com menos direitos para os trabalhadores e para os setores médios da sociedade.

No caso dos assalariados "midiotizados", a vitória dos golpistas representará uma destrutiva ofensiva contra os direitos trabalhistas. A terceirização selvagem das atividades fins atingirá várias categorias, inclusive as do topo da pirâmide social, que hoje gozam de férias, décimo terceiro salário e outros direitos conquistados com muitos anos de luta. Os que não forem vítimas da terceirização direta serão atingidos pelo golpe do "negociado sobre o legislado", que visa exatamente anular os direitos fixados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Desemprego, arrocho salarial e precarização trabalhista fazem parte do programa "Ponte para o futuro" — ou "pinguela para o passado" — dos vitoriosos de hoje no Senado. A elite empresarial, que apoiou o golpe, cobrará a fatura com pressa e intensidade.

Já no caso dos trabalhadores que estão à beira da aposentadoria, o impeachment de Dilma resultará na ampliação da idade mínima para o gozo deste direito. Segundo próprio noticiário da mídia privada, a reforma da Previdência Social esta será uma das prioridades do governo ilegítimo do Judas Michel Temer. Editoriais dos imprensa e documentos das entidades patronais exigem rapidez na imposição desta medida "impopular". As pessoas de cabelo branco que foram às ruas gritar pelo "Fora Dilma" rapidamente perceberão que cavaram a sua própria sepultura como escravos do trabalho, como oprimidos que servem aos opressores.

Até entre os pequenos e médios empresários e os tais "empreendedores" haverá choradeira daqui a poucos dias. As medidas de estímulo ao crédito e de concessão de subsídios, que nos últimos anos visaram aquecer o mercado interno de consumo para minimizar os efeitos da grave crise econômica, deverão ser anuladas ou reduzidas no esforço da "austeridade fiscal" - que serve apenas para manter os lucros dos banqueiros. Em síntese, os "midiotas" que hoje festejam o golpe logo perceberão que foram massa de manobra das elites empresariais. A choradeira será patética. Alguns até tentaram esconder que participaram desta conspiração, que apoiaram o "golpe dos corruptos". Mas será tarde!

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Temer em si não é nada!

Depois da Privataria Tucana, a Privataria do Moirelles!


O primeiro discurso de Michel Temer como presidente interino do Brasil foi doloroso, cheio de clichês e com citação ao "livrinho" de Dutra, um dos mais reacionários e entreguistas presidentes do Brasil.

"O Executivo executa, o Legislativo legisla e o Judiciário julga", disse em seu discurso de posse, horas após o Senado aprovar o Golpe na presidenta eleita Dilma Rousseff.

Temer citou a intenção de privatizar, tranquilizar os mercados e promover a democracia da eficiência.

O que já se sabia foi confirmado em seu discurso de posse: Michel Temer não é nada. É um PUFT!

Leia Mais ►

Gregório Duvivier denuncia o golpe à televisão portuguesa


Leia Mais ►

E Gilmar suspende investigação sobre Aécio em Furnas


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, havia autorizado inquérito para investigar o senador tucano, Aécio Neves, do PSDB-MG, em suspeitas de corrupção na estatal Furnas. A autorização durou algumas horas e, cai por terra.

O ministro suspendeu nesta quinta-feira, dia 12, a coleta de provas na investigação aberta sobre Aécio, candidato derrotado nas eleições de 2014. O tema é uma série de citações sobre supostas irregularidades em Furnas. Gilmar interrompeu tudo e, na mesma decisão, enviou de volta o inquérito para Rodrigo Janot, procurador-geral da República, para que faça uma reavaliação.

A autorização foi feita na quarta, dia 11, em que ele disse que poderiam abrir inquérito sobre Aécio, atendendo a pedido do próprio Janot. Este pedido tem por origem as investigações da Lava Jato, e apura esta suposta prática de corrupção e lavagem de dinheiro a partir de desvios em Furnas, uma das maiores subsidiárias da Eletrobrás.

Em sua ordem de volta a Janot, Gilmar suspendeu a realização de diligências na investigação, levando em conta as informações fornecidas dando conta de que receberia propinas por intermédio de Dilmas Toledo, ex-diretor de Furnas, com dinheiro desviado em contratos com empresas terceirizadas.

A defesa alegou que a investigação já havia sido arquivada por Teori Zavascki, relator da Lava Jato, por se basear apenas em declarações de Alberto Youssef, o doleiro, que teria somente ouvido falar do envolvimento do senador em Furnas, mas sem conhecimento pessoal de fatos.

Ainda segundo a defesa, a abertura do inquérito só aconteceu em razão da delação do ex-senador Delcídio do Amaral, que relatou a mesma suspeita sobre o senador Aécio, candidato derrotado nas eleições de 2014 à presidência da República.

A defesa disse também que Delcídio afirmou não saber "quem são os operadores do esquema e como os repasses" eram feitos. Daí afirmaram que Delcídio teria relatado que, em viagem de avião, afirmou ao ex-presidente Lula, que Aécio Neves "pediu" por Toledo. A defesa alegou ainda, que mesmo que seja comprovado que Delcídio viajou com Lula, isso não demonstra o conteúdo da conversa entre ambos.

No GGN
Leia Mais ►

Como vai ser o noticiário da mídia plutocrática daqui por diante

Waack será todo sorrisos pós-golpe
A partir de hoje você vai ver um Brasil paradisíaco na mídia. Um país alegre, risonho, próspero, florescente.

E imaculado, livre de toda corrupção.

É a etapa final do trabalho sujo, e tragicamente bem sucedido, realizado pelas grandes companhias jornalísticas para derrubar Dilma e a democracia.

Os donos escolhem cuidadosamente o que dar e o que não dar em seus jornais, revistas, rádios, telejornais. E isso é claramente transmitido para editores, comentaristas, colunistas.

Desde que o PT ascendeu ao poder, em 2003, a escolha foi clara. Publicar, com imenso destaque, apenas coisas ruins. Inventar e amplificar, se for o caso. E esconder, ignorar boas notícias.

Casos de corrupção, apenas quando se trata dos alvos. Os barões da imprensa sabem como este tema — a corrupção — comove a classe média. Torna-a perfeita para ser manipulada, manobrada e, paradoxalmente, corrompida, cheia de ódio e preconceitos.

Na Copa do Mundo de 2014, isso se viu quando a classe média, nos estádios, gritava histericamente insultos para Dilma. Também se viu copiosamente nas manifestações pelo golpe. Ou nas redes sociais.

A mesma receita da mídia plutocrática foi utilizada, com terrível sucesso, antes. Em 1954, a vítima foi Getúlio Vargas. Em 1964, João Goulart.

A segunda parte, consumado o golpe, é tão óbvia e suja como a primeira. Você transforma o inferno artificial num paraíso ainda mais artificial.

O general Medici, um dos presidentes da ditadura militar, definiu isso magistralmente, num rasgo de sinceridade desconcertante.

O mundo estava em chamas. O Brasil, mais ainda. Mas, notou Medici, você ligava no Jornal Nacional e um universo mágico se abria diante de seus olhos. Só havia coisas boas para noticiar. Éramos felizes, extremamente felizes. De mentirinha.

É o que vai ocorrer outra vez agora. Os mesmos apresentadores da Globo que se esmeraram tanto em caretas nos últimos anos, como William Waack, agora serão só sorrisos.

Claro que o paraíso fabricado não será gratuito. As empresas jornalísticas vão cobrar caro do novo governo essa miragem. Dinheiro público na forma de anúncios e financiamentos do BNDES vai jorrar na Globo, Abril, Folha etc.

Tire o dinheiro público e as empresas de mídia não são, rigorosamente, nada.

Mas haverá, em 2016, uma diferença em relação às vezes anteriores. Em 1954 e em 1964, não havia internet. A voz única e avassaladora era a da imprensa plutocrática.

Agora, nos sites independentes você encontrará a informação de verdade. Com o crescimento da internet, mais e mais pessoas se livrarão da tirania da imprensa oligárguica e primitiva com seus meios anacrônicos como jornais e revistas impressos.

Mesmo a televisão, que se imaginava capaz de resistir por muito tempo à internet, é hoje universalmente considerada como uma mídia em declínio acelerado.

Há, portanto, esperança.

Um sábio do passado, diante de uma batalha ganha pelas forças do mal, proferiu uma frase que se mostrou profética e eternizou. “O vencedor está perdido.”

O mesmo vale agora.

O golpe afinal venceu. Mas o vencedor está perdido.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Tatuagem

Li que as pessoas estão removendo suas tatuagens. Um especialista no assunto informa que em 2015 houve um aumento de 40% em procedimentos de remoção, em relação a 2014. O especialista não arrisca nenhuma interpretação sociológica do fato, só diz que o “boom” de tatuagens removidas, hoje, equivale ao “boom” de tatuagens feitas há alguns anos, quando todo o mundo queria ilustrar seu corpo de algum modo, fosse com uma singela florzinha atrás da orelha ou com uma cena épica, talvez uma reprodução do Grito da Independência, cobrindo até a sola do pé.

Algumas razões para apagar tatuagens são fáceis de adivinhar. Uma “Sou sempre tua, Roberto” na nuca de uma moça que brigou com o Roberto e vai casar com o Luizão é compreensível. Algumas tatuagens envelheceram, outras caíram de moda. Serpentes, dragãozinho na coxa, etc. Mas acho que há outros significados nessa reação às tatuagens. Os últimos anos no Brasil despertaram uma certa desconfiança do aparentemente perene, do que parecia certo e acaba se revelando um engano. Está implícita, na tatuagem, uma necessidade de certezas. Mas que certeza resiste à descoberta de que todo o mundo é corrupto, que nem o PT é o que parecia ser? 

O declínio das tatuagens começou em 2014, segundo o tal especialista. Não por acaso, o ano dos 7 x 1, quando a última certeza brasileira se esfarelou.

Tornozelo.

Entreouvido em Brasília. Dois políticos se cruzam na rua e concordam que precisam se encontrar para conversar, talvez um jantar. Um diz pro outro:

– Minha tornozeleira eletrônica entra em contato com a sua!!

Papo vovô.

Nossa neta de 8 anos, Lucinda, andava só de meia dentro de casa. A avó dela alertou:

– Você pode escorregar.

E ela:

– Escorregar faz parte da vida.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Temer toma trote de argentinos e acredita falar com Macri ao telefone

O dia começou mal para o Golpista Michel Temer. De acordo com o diário argentino Perfil.com, Temer recebeu uma ligação-trote da rádio El Mundo, que se passava pelo presidente Mauricio Macri que o felicitava por sua "ascensão".

— Muchas Gracias, presidente. Yo quiero luego visitarlo en Argentina." Afirmou Temer ao falso Macri no telefone.

Confira o áudio completo e o diálogo transcrito em espanhol:


No Midia Ninja | Oximity
Leia Mais ►

O Brasil não anoitecerá: Nota da UNE sobre afastamento de Dilma Rousseff


A madrugada de 11 para 12 de maio de 2016 virou com a impressão de ter sido mais enevoada do que as outras deste outono. Ao determinar o afastamento da presidenta da República legitimamente eleita Dilma Rousseff por meio do golpe de um processo apodrecido de impeachment, o Senado Federal aprofunda a ferida aberta na democracia nacional já no fim das eleições presidenciais de 2014, quando perdedores decidiram, à força, sair vencedores da disputa das urnas. É o movimento para remover, sob quaisquer condições, um projeto popular e progressista de desenvolvimento que passou a priorizar as camadas historicamente excluídas das políticas públicas nacionais.

As sombras que começaram a se forjar no início de 2015, com as primeiras manifestações que trouxeram o discurso da defesa da ditadura militar, transformaram-se em uma jornada sem precedentes da intolerância e do autoritarismo desde o fim do regime, em 1985. Cresceram com a progressão de um pedido absurdo de impedimento presidencial sem os devidos crimes de responsabilidade que a lei exige. Atingem dimensão preocupante neste momento em que o golpe conseguiu a retirada da presidenta por até 180 dias e permite ao vice-presidente Michel Temer assumir sorrateiramente a cadeira presidencial como um vulto esgueirando-se para onde não foi convidado.

Enganam-se, no entanto, aqueles que imaginam que os movimentos populares e democráticos da sociedade brasileira assistirão com passividade ao teatro detestável de conspiradores e saqueadores da ordem democrática. A União Nacional dos Estudantes, representante dos milhões de universitários e universitárias do país e uma das mais antigas instituições da vida pública nacional anuncia que não reconhecerá o governo de Michel Temer. Em cumprimento estrito da Constituição Federal de 1988, conquistada após a morte de tantos que lutaram contra o regime de exceção que a precedeu, a UNE tem o dever de reportar-se como presidenta da República somente àquela que é de fato a presidenta da República: Dilma Vana Rousseff.

Ainda que o golpe busque repetir a história de 1964, retirando os tanques e metralhadoras de seu roteiro e incluindo togas e gravatas, não conseguirá acuar a voz das ruas. Nos últimos meses, cresceu no país a articulação inédita de movimentos organizados de trabalhadores, juventude, camponeses, lutadores por moradia, mulheres, negros, LGBT, coletivos de cultura e comunicação de todas as partes que formam a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. A coalizão democrática dessas forças engendrou a semente de um núcleo poderosíssimo de resistência ao golpe, com força imensamente superior à dos movimentos que tentaram resistir à ditadura iniciada em 1964.

Não haverá, portanto, um minuto sequer de trégua concedido aos inimigos do povo. Estaremos nas ruas, nas universidades, nas redes sociais, em todos os espaços alcançáveis em que possamos deixar a denúncia da grave lesão sofrida pelo país. Foi com esse espírito que crescemos e nos multiplicamos nos últimos anos, com manifestações que ultrapassaram a marca dos milhões de brasileiros, com atos públicos de norte a sul, acampamentos de resistência, ocupações, comitês universitários, atividades culturais, ações estratégicas de comunicação e a gestação espontânea de milhares de núcleos de defesa da democracia, a maior parte formada pela juventude.

Não pensem os golpistas que o Palácio do Planalto os pertence. A UNE, que teve muitos de seus militantes torturados e mortos na luta democrática desta nação, não concede a Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros trapaceiros o direito de rasgar a carta magna das leis nacionais sobre seus corpos. Não passarão. Podem tentar fingir, para o conjunto da sociedade, que estão do lado certo, mas terão que disputar essa versão com a nossa militância na praça pública. Não tememos, tampouco, que neste processo tentem nos prender ou nos matar, pois, como o diz o ditado, se o fizerem, voltaremos em milhões. Somos hoje jovens de todas as origens, estudantes filhos das famílias ricas ou da periferia que chegaram à universidade por meio do avanço dos programas sociais, do Prouni e do Fies, da reserva de vagas, da expansão do ensino superior. Representamos a transformação de um país que não aceitará retrocessos.

A noite de 11 para 12 de maio não será como a de primeiro de abril de 1964. Não deixaremos o Brasil submergir frente a sua própria soberania. Não estaremos imóveis, não nos calaremos, reuniremos a força, a motivação, a sensibilidade, a determinação e a criatividade que foram capazes de nos fazer vencer em momentos bem mais dramáticos do que este na história brasileira. Preparem-se golpistas. Aqui está presente o movimento estudantil. O Brasil não anoitecerá mais uma vez.

União Nacional dos Estudantes
12 de maio de 2016
Leia Mais ►

Nota da Frente Brasil Popular


Ao Povo Brasileiro

A maioria do Senado Federal, ao aprovar a admissão do processo de impeachment contra a presidente da República, capitulou diante do golpe das oligarquias contra a Constituição, tornando-se cúmplice de flagrante ruptura da ordem democrática.

O voto popular foi usurpado por parlamentares dispostos a tomar de assalto o poder político. Agindo à revelia das urnas, fazem parte da coalizão de forças conservadoras que se formou para estabelecer um governo ilegítimo, a serviço dos grandes grupos econômicos locais e internacionais.

A abertura do processo contra a presidente Dilma Rousseff, ora responsável por seu afastamento provisório, não passa de uma farsa: sem crime de responsabilidade configurado, representa apenas recurso ao arbítrio para impor pesados retrocessos aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.

As intenções dos golpistas estão declaradas a céu aberto: arrochar salários, acabar com a política de valorização do salário mínimo, cortar gastos com programas sociais, eliminar direitos civis, privatizar empresas estatais, reduzir investimentos públicos, anular despesas constitucionais obrigatórias com saúde e educação, abdicar da soberania nacional diante dos centros imperialistas.

Para cumprir este programa antipopular e antinacional, não hesitarão em ir além do golpe institucional em curso, adotando medidas de criminalização e repressão contra a resistência democrática, os movimentos sociais e os partidos progressistas.

A Frente Brasil Popular conclama os trabalhadores da cidade e do campo, os intelectuais e artistas comprometidos com a liberdade, a juventude e as mulheres a rechaçar, em todos os locais de estudo, trabalho e moradia, este atentado contra a democracia.

Estaremos todos unidos sob a palavra de ordem “Fora Temer”: somente haverá paz quando o governo for restituído a quem recebeu mandato constitucional consagrado pelas urnas.

O golpe será derrotado nas ruas e nas instituições. Continuaremos pressionando os Senadores até o dia da votação final. Permaneceremos exigindo que o STF se manifeste sobre o mérito do Impeachment. Concomitantemente defenderemos as conquistas sociais e reagiremos contra a agenda antipatriótica dos usurpadores.

Mais uma vez em nossa história, o povo brasileiro tem a missão, com suas próprias mãos, de reconduzir o país ao Estado de Direto e ao regime democrático.

Brasília, 12 de maio de 2016.
Leia Mais ►

Não há crime perfeito






Leia Mais ►

Declaração da Presidenta Dilma Rousseff ao ser afastada


Leia Mais ►

Pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff — A democracia é o lado certo


Aos brasileiros que se opõem ao golpe, independentemente de posições partidárias, faço um chamado: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz.

Leia Mais ►

O momento crucial

Foram muitos os fatores contribuintes para este episódio sórdido da antidemocracia, mas um só momento crucial criado pela própria Dilma Rousseff. Os outros momentos determinantes, dois ou três, foram elaborações típicas da mente de Eduardo Cunha. Ficou lá atrás, e nunca esclarecido por Dilma, o fato que demarcou o fim de muitas coisas, o fim do modo como era vista, o fim de suas possibilidades de ação política, até o fim do governo.

Ainda hoje não se sabe o que ocorreu entre Dilma e o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, um tanto antes ou pouco depois da reeleição. A reportagem decente não percebeu a importância do assunto, e os jornalistas da ficção estavam com abundância de temas. Mas a confrontação de duas pessoas exaltadas a se cobrarem de atos e de culpas teve consequências: a saída de Mantega, sob uma justificativa familiar, mas com o tratamento presidencial de descaso, e a substituição, como todas, sob pressões políticas.

Dilma contornou as pressões com uma nomeação de surpresa. Mas escolher Joaquim Levy, tão identificado com o neoliberalismo que até colaborara com a campanha de Aécio Neves, equivaleu a comunicar à oposição que a presidente estava em pânico com a situação econômica. Sem corrupção dentro do governo, nada poderia dar mais munição aos opositores do que problemas econômicos, não importando a sua dimensão real. Nem que dispusesse de soluções Joaquim Levy poderia adotá-las, imobilizado pela barragem política que associou Eduardo Cunha e Aécio Neves, o tático e o incentivador.

Dilma traiu-se, perdeu-se, traiu o eleitorado e perdeu a companhia dos defensores de um Brasil menos desigual, menos entregue a uma claque de riqueza e improdutividade, e um pouco mais decente. Desde então, foi uma presidente à mercê da oposição. Por sorte sua, oposição conduzida por gente medíocre. Mas nem isso lhe valeu. Sua ação política foi pior que a dos opositores.

Dilma é uma técnica que se supõe também política. Presunção comum entre técnicos, sem igual na área econômica. Suas opções políticas foram ruins como regra. As equipes palacianas de sua escolha criaram uma Presidência lerda, sem criatividade e iniciativa, politicamente míope.

Se, porém, isso explica o governo aturdido com o cerco oposicionista — o parlamentar e o de imprensa/tv/rádio —, não leva a entender a entrega definitivamente desastrosa da Fazenda a Levy — claro que não por ser o sóbrio Joaquim Levy. Ainda hoje Dilma precisa lutar contra o efeito desmoralizante desse ato. Mas nem sequer esboçou uma explicação, no entanto devida: por que a inversão, por que um ministro neoliberal, por que Levy? Absoluta falta de percepção política, sem dúvida. O provável cálculo de uma sedução do poder econômico que, afinal, se voltou contra a feiticeira. E mais, é provável que mais, silenciado e nem por isso esquecido.

Dilma Rousseff errou muito. Mas nem a soma dos seus erros pode justificar a fúria incivilizada que Aécio Neves desfechou logo depois de derrotado pelas urnas, para derrubada do governo legítimo. A par dos erros, o governo Dilma levou a avanços significativos contra problemas sociais. Aí já se notam recuos deploráveis. Por efeito do quase ano e meio de degradação econômica desde o início do segundo mandato, com a ação destrutiva da oposição e a inoperância do governo, forçada em grande parte.

Mas os que tomam o poder não trazem correções. São figurinhas fáceis. Vêm buscar o que deixaram de ter. E dar mais aos que não deixaram de ter mais mesmo nos governos de Lula e Dilma.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Análise de Stanley Burburinho

Uma reflexão, a direita tá rachada e como nós da esquerda, temos que provocar as contradições e levar o PSDB para a lata do lixo da história, veja está análise do companheiro Stanley Burburinho


O que penso. Posso estar enganado: o PSDB encomendou e pagou pelo golpe, mas não levou, se enfraqueceu, começaram as brigas internas (ontem no Senado, Tasso, aliado de Aécio, quase saiu no tapa com Serra, que tem Aécio como desafeto), não tem candidato forte para 2018, predeu a presidência da República que pretendia com o golpe, virou minoria no Senado e na Câmara e ficará estigmatizado para sempre como golpista. O tiro saiu pela culatra. O PSDB e seus aliados, incluindo a Globo, são os grandes perdedores do golpe que pode ter sido tiro no próprio pé dos tucanos. Poderá ser o fim do PSDB que sempre fez tudo para acabar com o PT.

No final do golpe, o PMDB ficou com a presidência da República, com a presidência do Senado e com a presidência da Câmara. O PSDB ficou sem nada e não tem forças para derrotar o PMDB. Os golpistas não contavam com o fator Cunha que domina mais de 2/3 dos 513 deputados e grande parte dos senadores. Qualquer presidente que entrar agora será refém de Cunha e sua turma no Congresso.

A partir de hoje, a Globo pisará em ovos com o PMDB que ela sempre bateu. A Globo sabe que quem concede, renova e cassa concessão de mídias é o Senado e não o presidente da República. A Globo também sabe que as concessões de todos os veículos de mídia da Globo começam a vencer em 2018 até 2022. Eis um dos motivos do medo da Globo do Lula se reeleger em 2018. O que impede o PMDB do Senado a qualquer momento colocar em votação a cassação da concessão da Globo? Nada. Se o PMDB fizer isso, com certeza, contará com o apoio dos senadores do PT e seus aliados e o PSDB, que será minoria, nada poderá fazer.

O Procurador-Geral, Rodrigo Janot, chefe do MPF, que bateu muito no PMDB e no Cunha, também pisará em ovos, a partir de hoje, quando tratar com o PMDB. O PGR sabe que só o Senado poderá destituí-lo e o PMDB tem maioria e poderá contar com a ajuda do PT e seus aliados. O PSDB não poderá fazer nada para impedir.

O MPF, que bateu muito no PMDB e no Cunha, também pisará em ovos com o PMDB a partir de hoje porque sabe que, a qualquer momento, o PMDB pode resolver exumar a PEC37, projeto de um petista do Maranhão, que retira o poder de investigação dos MPs e deixa somente com as polícias, que foi adquirido durante as manifestações de junho de 2013, com a derrubada da PEC37 que teve enorme apoio da Globo.

Outra coisa: se o deputado Waldir Maranhão renunciar da presidência da Câmara, Cunha já tem o candidato substituto. O PSDB nada poderá fazer.

Qual a chance do PSDB derrotar o PMDB na eleição para o novo presidente da Câmara? Somente se o PSDB pedir ajuda ao PT e seus aliados e formar maioria para derrotar o PMDB na Câmara. E se o PMDB não quiser abrir mão da presidência da Câmara? Terá que pedir ajuda ao PT e seus aliados para formar maioria e derrotar o PSDB. E, por incrível que pareça, o próximo presidente da Câmara poderá não ser do PMDB nem do PSDB, mas poderá ser do PT ou de algum partido aliado do PT

O PMDB ou Cunha poderão, a qualquer momento, colocar em votação o pedido de impeachment de Temer, conforme solicitado pelo Marco Aurélio de Mello do STF. Temer será refém de Cunha e terá que ignorar a Globo e o PSDB. Se isso ocorrer, Temer, além de ser refém de Cunha, teria o PT ou algum aliado do PT, na presidência da Câmara para engavetar todos os projetos dele.

Gilmar Mendes, que desde ontem é o novo presidente do TSE poderá cassar o mandato de Temer? Sim, mas não fará isso. Se fizer isso ainda em 2016, haverá eleição direta e o serrista Gilmar não vai querer ver Aécio, desafeto de Serra, concorrendo aproveitando o recall da eleição presidencial de 2014. Então Gilmar poderá deixar para 2017? Sim, mas também não fará isso porque sabe que depois de 2016, a eleição será indireta e, por ter maioria, o PMDB fará o novo presidente do Brasil indiretamente e são grandes as chances de ser alguém indicado por Cunha. Para evitar que o PDMB faça o novo presidente via eleição indireta, o PSDB precisará da ajuda o PT e seus aliados para formar maioria. Por outro lado, para o PMDB eleger o novo presidente via eleição indireta, precisará da ajuda do PT e seus aliados para formar maioria.

Muita gente estranhou o fato de ontem Gilmar Mendes ter aberto inquérito para investigar Aécio, presidente do PSDB. Claro. Aécio é desafeto de Serra, grande amigo de Gilmar. O PSDB e seus apoiadores sabem que o enfraquecimento do PSDB, em grande parte, é devido à infantilidade de Aécio. Querem se livrar dele porque, ao que tudo indica, a carreira política de Aécio acabou. Ele não consegue votos em MG, seu estado natal, nem no RJ, onde mora. Serra é o candidato da velha mídia e dos EUA porque é entreguista. Já vimos na velha mídia matérias atacando os tucanos Aécio e Alckmin, mas nunca vimos nada atacando o tucano Serra. Vimos Aécio e Alckmin serem vaiados na manifestação da direita na av Paulista, mas Serra não foi vaiado.

Nos próximos 180 dias, até a votação final no Senado, veremos muita gente arrependida com o golpe, sem falar no povo. Não estranhe se na votação final, os golpistas, liderados pelo PSDB e com apoio da velha mídia, desistirem do golpe e votarem a favor de Dilma permanecer no cargo. Se isso não acontecer, quanto mais tempo os golpistas ficarem no poder, até 2018, se queimarão mais ainda e o PSDB e a velha mídia serão culpados pelo povão. Se isso acontecer, o PT retornará fortalecido. Temer já começou a fazer um monte de besteiras. Empresários de SP já disseram que Temer está jogando a eleição de 2018 no colo de Lula.

Com o fim das doações de empresas para campanhas políticas, o PSDB e o PMDB vão passar apertado nas próximas eleições. O PT tem militância que doará. Até hoje eu nunca vi um militante do PMDB. O PSDB tem militantes, mas poucos filiados e que doariam.

O Lewandowski do PSDB disse que o STF poderá analisar o mérito do golpe travestido de impeachment, bastando ser provocado pelo PT. Por que o PT ainda não provocou o STF? Sacou?
Leia Mais ►

A Democracia foi golpeada


Leia Mais ►