11 de mai de 2016

Serenamente dizemos ao lado do povo: ‘vai ter luta’


Há anos as elites conservadoras acalentam isso que agora estão prestes a impor à nação brasileira: um golpe de Estado para implantar a plena vigência do projeto conservador excludente que as urnas rejeitam desde 2002 e a Constituinte de 1988 rechaçou, então, a contrapelo da ascensão neoliberal no mundo.

O que se planeja, à revelia do escrutínio popular, encerra danos duradouros e representa o almejado repto dos mercados à Constituição Cidadã, nunca digerida pelas elites econômicas locais e internacionais.

Inclui-se no repertório dos usurpadores do cargo de uma Presidenta mandatada por 54 milhões de votos, a determinação de restringir ou eliminar direitos sociais, previdenciários e trabalhistas assegurados na Carta magna; desvincular despesas obrigatórias com saúde e educação; dissolver pilares da CLT em nome de um simulacro de livre negociação, sob taxas de desemprego ascendentes; alienar o que restou de patrimônio público, com destaque para o pré-sal e os bancos estatais; revogar políticas indutoras da industrialização, a exemplo do conteúdo nacional, que faz do pré-sal, talvez, o derradeiro e mais consistente impulso industrializante desde Vargas, em termos de potencial tecnológico e de inovação e, o corolário desse assalto ao futuro: escancarar o mais valioso ativo do país, seu mercado interno, em benefício de uma assimétrica agenda de livre comércio, que reserva ao Brasil o papel de sorvedouro da capacidade excedente nos parques manufatureiros globais.

O suposto que isso injetará equilíbrio fiscal e devolverá a inflação ao sacrossanto’ centro da meta’ dissimula o verdadeiro polo gravitacional do golpe: devolver as famílias trabalhadoras e os assalariados em geral, ao posto subalterno que sempre ocuparam na equação econômica excludente do conservadorismo para o país.

Para isso é preciso elidir as urnas e golpear as salvaguardas constitucionais.

Porque são elas, historicamente, que civilizam o mercado, impedem a ganância de impor sua supremacia ao destino dos povos e preservam a sorte das nações da instabilidade intrínseca ao automatismo das manadas capitalistas.

Essa é a essência profunda do movimento golpista que não por acaso unificou os interesses plutocráticos locais e internacionais em abusada investida contra a lei, a ordem democrática e agora se prepara para garrotear os direitos da população.

Quantas instalações fabris, quantas vagas de emprego qualificado, quantas famílias assalariadas sobreviverão ao plano dos guardiões do interesse rentista, que não reservam uma linha sequer ao mais estéril dos gastos públicos: os juros da dívida interna, que este ano consumirão cerca de 8% do PIB, mais de 90% do déficit ou R$ 50 bilhões ao mês?

A sorte da população, desta e das futuras gerações, está em jogo.

A renúncia ao papel do Estado na agenda do desenvolvimento dobra a aposta na racionalidade dos livres mercados. Aquela que desde 2008 submete povos e nações à mais grave e prolongada crise do capitalismo, desde 1929.

A cortina de fumaça do combate à corrupção é apenas isso: um pé de cabra operado pelo cinismo midiático, encarregado de fraudar e interditar o debate dos verdadeiros — e graves — desafios da luta pelo desenvolvimento em nosso tempo.

Toda sabotagem ao segundo governo Dilma, desde a virulenta campanha contra a sua reeleição, que prosseguiria após a vitória, praticamente impedindo-a de exercer o mandato — mesmo quando erroneamente cedeu aos mercados em busca de indulgência — visava o desfecho que agora se esboça.

O golpe visa colocar o país de joelhos, incapaz de outro desígnio que não render-se integralmente à lógica segundo a qual, à população brasileira não cabe no orçamento federal feito de arrocho, não de justiça tributária; de recessão, não de crescimento; de penalização dos mais pobres, não de redução da pança rentista.

É contra isso que se luta hoje nas ruas, nas estradas, nas praças, nos locais de trabalho, nas universidades de todo o Brasil

Nós, intelectuais, estudantes, artistas, e ativistas políticos do #Fórum21 — braço de reflexão e de formulação da frente popular em formação na sociedade — temos a responsabilidade pública de declarar nosso engajamento na resistência em marcha.

Vivemos horas decisivas com o ar empesteado de avisos sombrios ecoados das sombras do golpismo através de seus mensageiros na usina de propaganda midiática.

As grandes conquistas dos brasileiros aos direitos da civilização e da democracia social estão prestes a ser obliteradas. Mas a alma da nação, seus trabalhadores, sua juventude, a classe média democrática, sua inteligência e sua arte resistirão.

Não podemos subestimar o que vem pela frente.

Esgotou-se um capítulo do crescimento brasileiro.

Outro precisa ser construído.

O #Fórum21 conclama seus integrantes, o mundo acadêmico, os intelectuais o povo brasileiro a cerrarem fileira ao lado da democracia nessa empreitada.

Não apenas para resistir à usurpação de um agrupamento ilegítimo e sem voto que se autoproclamou detentor de um poder que a sociedade não lhe concedeu.

Mas para fazer dessa resistência a fonte da repactuação entre a riqueza e o potencial de nosso país e o potencial e riqueza do nosso povo.

Significa, entre outras coisas, levar a círculos cada vez mais amplos da população a verdadeira natureza do embate que apenas começa e vai se acirrar.

O embate entre uma sociedade para 30% de sua elite, ou a árdua construção de uma verdadeira democracia social no Brasil.

Serenamente dizemos aos senhores do agrupamento ilegítimo que ora pisoteia a soberania da urna para instalar a lógica da ganância na vida da nação: vai ter luta, porque não travá-la seria renunciar à esperança em nós mesmos, na nossa capacidade de construir um Brasil soberano, próspero e mais justo para os nossos filhos e os filhos e netos que um dia eles terão.

Não temos medo de exercer a cidadania contra a usurpação.

Os integrantes do #Fórum21 já decidiram em qual margem se postarão nesse embate histórico: na dos interesses do povo brasileiro. Engaje-se também nessa luta, apoiando esse manifesto com sua assinatura.


São Paulo, outono de 2016

Assinam o Manifesto

Sócios do Fórum 21:

Adriano Duarte
Alexandre Padilha
Altamiro Borges
Aluisio Almeida Schumacher
Amarildo Ferreira Júnior
Andre Kaysel Velasco Cruz
André Roberto Machado
Andrea Loparic
Andrei Korner
Anivaldo Padilha
Antonio David Cattani
Antonio Edson Costa da Silva
Antonio Ernesto Lassance de Albuquerque Júnior
Ari Loureiro
Arlete Moyses Rodrigues
Aryosvaldo José de Sales
Aurea Mota
Breno Altman
Bruno Felipe Alves de Lima
Bruno Pinheiro Silva
Camila Agustini
Carlos Alberto Almeida
Carlos Alberto D. Macedo
Carlos Augusto de Amorim Cardoso
Carlos Neder
Cecília Brito
Cilaine Alves Cunha
Cynara Mariano
Diva Maria Ferlin Lopes
Dodora Arantes
Eduardo Fagnani
Eduardo Matysiak
Eduardo Zanatta de Carvalho
Eliana Benassuly Bogéa Bastos
Eliane Silveira
Eric Nepomuceno
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fábio José Bechara Sanchez
Fábio Konder Comparato
Fabio Venturini
Felipe Braga Albuquerque
Fernando Kleiman
Fernando Milman
Fernando Morais
Flavio Scavasin
Flavio Wolf Aguiar
Gentil Corazza
Gilberto Bercovici
Gilberto Maringoni
Gilnei José Oliveira da Silva
Gilvan Müller de Oliveira
Gonzalo Bérron
Guilherme Santos Mello
Jamil Pedro Corssi
João Bertoldo
João José de Souza Prado
Joaquim Calheiros Soriano
Joaquim Ernesto Palhares
Jocimar Anunciação
José Antonio Moroni
José Antonio Moroni
José Carlos da Silva Gomes
José Luiz Del Roio
José Machado
Ladislau Dowbor
Laura Tavares
Laurindo Lalo Leal Filho
Ligia Duarte
Loureci Ribeiro
Lucas Baptista de Oliveira
Luiz Gonzaga Belluzzo
Magda Barros Biavaschi
Marcela Pelizaro Soares da Silva
Marcelo Bento Juliatti
Marcia Jaime
Marcio Pochmann
Marcus Vinicius Scanavez Almeida
Maria Alice Vieira
Maria Aparecida de Oliveira
Maria Auxiliadora Arantes
Maria Chalfin Coutinho
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arronchellas
Maria Inês Nassif
Maria José da Silva Aquino Teisserenc
Maria Luiza Bierrenbach
Maria Noemi Araujo
Maria Rita Loureiro
Maria Victória Benevides
Marina Andrioli
Mario Augusto Jakobskind
Munir Lutfe Ayoub
Murilo Grossi
Najla Nazareth dos Passos
Najla Passos
Orlando Médici Junior
Osvaldo Peres Maneschy
Paula Martins
Paulo de Tarso Carneiro
Paulo Kliass
Paulo Kliass
Paulo Roberto Salvador
Pedro Paulo Zahluth Bastos
Pedro Rafael Lapa
Pedro Rossi
Raissa Martins Lourenço
Raúl Burgos
Reginaldo de Moraes
Renato Balbim
Renato Travassos
Ricardo Luiz de Miranda Valle
Ricardo Musse
Róber Iturriet Avila
Roberta Suelen Rodrigues Alves
Rodrigo Octávio Orair
Rodrigo Octávio Orair
Ronaldo Küfner
Rosa Maria Marques
Rubem Leão Rego
Rubia Mara Zecchin
Sara Müller Gorban
Sebastião Velasco
Sergio Miletto
Silvia Carla Sousa Rodrigues
Silvio Caccia Bava
Tais Ramos
Tarso Genro
Tarson Nuñez
Terezinha de Oliveira Gonzaga
Thelma Lessa
Thiago Perpétuo
Venício A. de Lima
Venício Lima
Vera Lucia Bazzo
Verônica Marques Tavares
Vinicius de Lara Ribas
Vinícius Haubert da Rocha
Wagner Nabuco
Walquíria Leão Rego
ZCarlos Ferreira
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Impeachment ou golpe: paixão e ódio

A grande novela nacional está se desenrolando com enorme emoção e lances de paixão e ódio desenfreados. Há uma discórdia profunda na sociedade, porque ela, hoje, instigada pela mídia do capital, toma partido nesta disputa de forma acirrada. Mas não perguntem o que está em disputa, pois vão lhe responder que é o combate à roubalheira, o que surpreende. Porque se deseja trocar quem facilitou todas as investigações sobre a roubalheira identificada por quem está ao lado de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Valdir Raupp, todos citados na Lava-Jato.

Discute-se, de forma emocionada, como se estivessem se defendendo de ataques pessoais. Não há o benefício da dúvida para os adversários. Só faltam lutas físicas serem iniciadas, quando a racionalidade terá claudicado por completo. Trata-se de um triste momento da vida nacional em que a cordialidade e a educação foram subtraídas. O principal ponto de discórdia é se a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade e, com isso, se deve ou não sofrer o impeachment. Contudo, a questão é bem mais complexa. Os exaltados se pegam em especificidades, como é o caso das pedaladas, mas na verdade existe uma luta acirrada pelo poder, que desrespeita os votos dos eleitores dados para a presidente em 2014.

Confundem tudo e, no calor da discussão, dizem que ela é também uma má gestora e é neste exato instante que confundem impeachment com recall. Enfim, o que está em jogo é o país continuar sendo democrático ou não. Neste caso, aprovar o impeachment significa rasgar a Constituição. Nego-me a discutir “pedaladas” por ser um tema irrelevante e, além disso, quero que atire a primeira pedra o presidente que não as fez. Se quisermos nos entender, falando sem paixão, ninguém, no Brasil, tem dúvida que Dilma é uma pessoa honesta. É também corajosa. Podem a acusar, e eu permanecerei calado, de ser irascível, turrona e pouco amável. Por outro lado, Temer já deu demonstração de ser traiçoeiro e foi citado também por delator. A diferença importante com relação a eles, além do grupo palaciano de cada um ser ou não composto de delatados, são seus projetos. Busco transmitir esta diferença de projetos, que é a causa para a mídia estar manipulando a população. A exacerbação de ânimos é muito conveniente para os manipuladores que não querem que as diferenças dos projetos sejam identificadas pelo povo.

Temer, candidato do grande capital, mormente o estrangeiro, unanimidade na mídia convencional corrupta e tendenciosa, tem um programa neoliberal, cujo nome merecia ser “uma ponte estreita em que nem todos chegarão no futuro”. Isto porque fará um governo de exclusão social, basicamente para os ricos e retirará conquistas sociais. Dilma terá o governo que nós conhecemos: ela deu grandes privilégios aos rentistas, como o Temer também dará, às empresas privadas de energia elétrica, às montadoras de carro. Mas, diferentemente do Temer, não “focará” os beneficiários do Bolsa Família, que é um programa de prolongamento de vidas, e continuará tocando outros programas sociais, como o que acaba com a sina do filho do pobre ter que ser pobre, formando uma casta onde os nascidos nela não conseguem se livrar. Com o acesso à universidade para os filhos dos pobres, este círculo vicioso é interrompido.

Na verdade, o julgamento da presidente Dilma representa o embate dos dois projetos de país e das alternativas de evolução para a sociedade brasileira. As pedaladas são mero pretexto para o grupo sem grande compromisso social chegar ao poder. Nunca é inoportuno dizer que os seres humanos têm valores diferentes, enxergam o mundo de formas diferentes e anseiam sonhos diferentes. Assim, podem ser diferentes quanto ao julgamento de qual candidato a presidente é melhor, na hipótese de irem rasgar a Constituição. Mesmo assim, poderiam ser magnânimos e reconhecerem que a democracia é um bem maior, que vale ser preservada. Mas, vamos ser realistas e reconhecer que Temer não tem esta magnanimidade. Poderiam chegar também a uma proposta de consenso, melhor para a sociedade, apesar do estupro à Constituição, que é a eleição para presidente já. De novo, Temer e seu grupo de delatados não a aceitam.

No entanto, nossa mídia corrupta e entreguista, de posição única, manipula a sociedade para chegar ao golpe em curso por uma causa bem maior, escamoteada com perfeição. A invasão do Iraque, capitaneada pelos Estados Unidos, com o apoio de Reino Unido, Austrália e Polônia, em março de 2003, justificada como luta contra o governo Saddam Hussein, que possuía armas de destruição em massa e apoiava terroristas, significou a derrubada de um regime, que não fazia nada do que fora alardeado, a desorganização total do país e a entrega da sua reserva de petróleo, avaliada por baixo em 115 bilhões de barris, a quarta reserva mundial, às empresas petrolíferas privadas ocidentais. A guerra do Iraque custou aos Estados Unidos mais de 2 trilhões de dólares e deu acesso a esta reserva, ou seja, grosso modo, cada barril iraquiano custou aos Estados Unidos em torno de US$ 17, além do acesso à reconstrução do país pelas construtoras estadunidenses, pagas com os royalties do petróleo entregues ao Iraque.

O assalto ao Pré-Sal, pela sua grandiosidade, pode justificar a inundação de recursos em grupos de mídia, inclusive nas nascentes mídias alternativas de direita, em movimentos ditos “sociais” de direita, que buscam atrair participantes para suas manifestações, em compra de votos de congressistas e de consciências de lideranças corruptas, enfim, abrindo o caminho para o golpe e, em seguida, para o Pré-Sal ser entregue às petrolíferas privadas ocidentais. Mas, tudo isto só funciona com o amalgama da mídia monotemática. Os agentes corruptores dos brasileiros ansiosos para serem cooptados devem ser a CIA, a NSA e as próprias empresas petrolíferas. Por mais que elas estejam gastando muito dinheiro no Brasil visando, no curto prazo, o golpe, o barril de petróleo do Pré-Sal sairá para elas ainda muito atrativo.

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia
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"Nóia" : Onde Enfiar o Ódio?


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#GolpistasDay


Guardem bem essas informações e vamos compara-las daqui a 180 dias


"Informação! Antes que o "novo governo" meta a mão! Hoje, 11 de Maio de 2016, dia da consumação do Golpe contra Dilma, temos os seguintes dados a respeito da economia brasileira:

1) As reservas internacionais líquidas do Brasil são de US$ 376,3 bilhões (eram de apenas US$ 16 bilhões em 2002).

Elas superam, com folga, toda a dívida externa do país, que é de US$ 333,6 bilhões.

Assim, o Brasil é credor externo líquido em US$ 42,7 bilhões.

2) O Brasil é credor do FMI:

3) A dívida pública líquida é de 38,9% do PIB (era de 60,4% do PIB em 2002).

4) Os investimentos externos produtivos (IED) no Brasil foram de US$ 78,9 bilhões nos últimos 12 meses (Abril 2015 a Março 2016), sendo equivalentes a 4,56% do PIB;

5) O Brasil tem o 7º maior PIB mundial (era o 13º em 2002);

6) A Renda per Capita é de US$ 10.000 (era de US$ 2.500 em 2002);

7) A taxa de inflação está despencando e deverá fechar, segundo o Banco Central, perto do teto da meta em 2016, ficando próxima de 6,5% no acumulado do ano. Para 2017, já se prevê uma taxa de inflação perto do centro da meta (de 4,5%);

8) O salário mínimo é de R$ 880,00, equivalente a cerca de US$ 250 (era de US$ 55 em 2002);

9) O déficit externo, em transações correntes, está em 2,39% do PIB, no acumulado de 12 meses (terminado em Março de 2016), e continua caindo rapidamente;

10) O Superávit comercial foi de US$ 19,7 bilhões em 2015, já acumulou US$ 14,5 bilhões em 2016, sendo que estimativas apontam que o mesmo poderá chegar a US$ 50 bilhões neste ano.

Os golpistas querem meter as mãos nas nossas reservas internacionais e entregar nossas riquezas aos bilionários de plantão!!!

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Faleceu o Prof. Adriano Benayon


O Prof. Adriano Benayon do Blog Desenvolvimentistas, faleceu hoje as 17h45.




Comentário publicado neste blog:

Reconhecimento do Mérito e agradecimento ao Professor Adriano Benayon do Amaral

A Universidade do Mérito, representada pelos professores, servidores e apoiadores agradecem e reconhecem o Mérito pela dedicação e relevantes serviços prestados pelo Professor Benayon, que, doravante, não mais estará fisicamente em nosso convívio.

O Professor Benayon dedicou sua vida aos estudos e proposições em prol do Brasil e do mundo. Se destacou, de maneira notável e surpreendente no campo da economia, da diplomacia e da política.

Exerceu, por competência e com legitimidade, diversos cargos na administração pública – diplomata de carreira, assessor legislativo nas duas casas do Congresso Nacional. Professor na Universidade de Brasília e na Universidade do Mérito.

Foi professor e autor de estudos inéditos na área econômica, com destaque para a obra Globalização versus Desenvolvimento, nesse livro o Professor Benayon revela para o mundo, de forma histórica, científica e surpreendente, a formação e as engrenagens de atuação do sistema capitalista, consorciado com a oligarquia política internacional, que submetem e impõem à população do mundo um modus vivendi pautado no sofisma da escassez de recursos e, consequentemente, mantém o Povo na miséria.

Por esse serviço relevante – conscientização política e econômica da humanidade – os artigos e manifestações do Professor Benayon sempre incomodaram os maus gestores e seus aliados, que podem agora, estar pensando que calaram uma voz. Ledo engano, pois as lições deixadas pelo Professor Benayon continuarão presentes até que a Justiça Social seja conquistada pelo Povo.

O Professor Benayon tinha estilo próprio, atuante, lúcido, franco e bem humorado. Pela prática constante das artes orientais, de exercícios e alimentação saudável ele era jovial, atlético e muito disposto, logo, incrível o diagnóstico que vitimou seu corpo físico.

E mais, em razão de tantas qualidades, competências e humanismo demonstrados pelo Professor Adriano Benayon, era natural que houvessem, além dos reconhecimentos e agradecimentos, houvessem também, invejas e cobiças – inclusive materiais, nutridas por revoltosas e inconformadas pessoas que ainda estão em frequências baixas e involuídas, próximas e distantes, que valorizam o ter e ignoram o Ser. Para essas pessoas pedimos, e, tenhamos misericórdia.

Muitíssimo grato Professor Adriano Benayon, pela Luz do conhecimento, por ter servido com humanismo, pela sua amabilidade e gentileza. Agradecemos, também, à sua dedicada Esposa Maria Moura, carinhosamente chamada, por ele, de Lia; que certamente continuará a difundir a obra e o legado deixado pelo já saudoso Professor Adriano Benayon. Nossa eterna Gratidão !!!

Edimar Miguel da Costa

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Kennedy Alencar entrevista Michel Temer


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Era uma vez um país corrupto

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8609

Era uma vez…

Num distante ponto do planeta, um país chamado Pau.

Dominado por uma elite branca corrupta, Pau nunca quis saber de igualdade.

Majoritariamente negro, Pau tem um senado com 80% de homens brancos.

Dos 81 senadores, 47 já foram ou são investigados por algum tipo de malfeito.

Todos eles votam contra a corrupção.

Pau é um lugar diferente.

Até uma social-democracia mequetrefe, baseada numa dose de assistencialismo e noutra de compromisso com os ricos, parece comunismo puro aos olhos dos conservadores de Pau.

Depois de alguns anos de pequena redistribuição de renda, a elite de Pau foi para o pau.

Arranjou um pretexto para derrubar a presidente do país.

Que pretexto? A corrupção. Assunto por demais conhecido dos donos de Pau.

Durante a sua última longa ditadura militar, a corrupção foi resolvida do modo genial e definitivo: a imprensa foi proibida de falar dela. Num passe de mágica, deixou de existir.

E foi assim que corruptos derrubaram, sob acusação de corrupção administrativa, a presidente.

Fizeram isso com ajuda da velha mídia, sempre presente em golpes, que convenceu a parte mais crédula da população de algo incrível: nunca teria havido tanta corrupção em Pau.

Para confundir e assustar os incautos, a oposição e a mídia sacudiram três espantalhos: corrupção, comunismo e incompetência. Pavimentaram a passagem para o futuro com material do passado.

A presidente foi afastada por ter praticado tudo que seus opositores sempre fizeram.

Só que não valia mais.

O passado tinha sido anistiado.

O presente virara crime.

A mudança da regra aconteceu no momento mais conveniente para a oposição, que, no julgamento da presidente, atuou – com objetividade, neutralidade e isenção – como acusador e juiz.

Em Pau, presidente é julgado jurídica e politicamente. Mas não é preciso provar o crime que se imputa ao acusado se ele for presidente da República. Em crimes comuns, sim.

Outra regra de ouro de Pau é a seguinte: a parte que se considerar lesada pode recorrer à Suprema Corte, que se julga tudo, até o lugar onde deve sentar cada um, menos o mérito da questão.

Mérito é coisa tão importante que não cabe recurso.

Se A, a parte interessada, diz tal coisa e B, a parte acusada, discorda, basta que A tenha maioria para vencer. Não cabe análise pela corte suprema da validade das alegações de A.

E foi assim que Pau se tornou uma das mais adiantadas repúblicas democráticas do planeta.

Uma das poucas onde golpe atende pelo nome de impeachment.

Em Pau, república presidencialista, derruba-se presidente por voto de desconfiança, como no parlamentarismo, mas não se convoca nova eleição. Assume o vice conspirador.

Pau é um lugar barroco.

Um híbrido de todas as coisas que não funcionam em outros lugares.
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Renan, você cometeu mais crimes que ela

A culpa não é do Presidencialismo


O presidente do Senado, Renan Calheiros, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (11), antes da sessão em que o Senado dará o Golpe na presidenta Dilma Rousseff. Na conversa com os jornalistas, Renan afirmou ser Parlamentarista.

Como argumento, o senador citou a dificuldade do Presidencialismo em garantir o exercício do Poder a quem foi democraticamente eleito pelo voto popular.

Como se sabe, Renan, a culpa não é do Presidencialismo. A culpa é dos Golpistas!

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A Democracia Brasileira Sofrerá um Duro Revés com a Posse de um Inelegível e Corrupto Neoliberal


Em 2002, o Partido dos Trabalhadores (PT), de centro-esquerda, chegou à presidência depois da expressiva vitória de Lula da Silva sobre o candidato de centro-direita do PSDB (ao longo do ano de 2002, os “mercados” ficaram indignados com a mera possibilidade de vitória do PT). O PT permaneceu no poder quando Lula, em 2006, foi reeleito com outra expressiva vitória contra um candidato diferente, também do PSDB. Os inimigos do PT pensaram que teriam sua chance de acabar com o partido em 2010, quando Lula não podia mais disputar as eleições por limites legais, mas suas esperanças foram esmagadas quando a sucessora escolhida por Lula, a anteriormente desconhecida Dilma Roussef, ganhou com uma vantagem de 12 pontos, do mesmo candidato do PSDB que foi derrotado por Lula em 2002. Em 2014, os inimigos do PT investiram enormes quantias de dinheiro e recursos para derrotá-la, acreditando que ela estaria vulnerável e que finalmente teriam encontrado um candidato bem-aventurado no PSDB, mas perderam novamente, dessa vez numa eleição apertada, quando Dilma foi reeleita com 54 milhões de votos.

Em resumo, o PT ganhou quatro eleições nacionais consecutivas – a última há apenas 18 meses. Seus oponentes tentaram vigorosamente derrotá-lo nas urnas e fracassaram, em grande parte por conta do apoio que o PT tem entre os pobres e os trabalhadores no Brasil.





Então, se você é um plutocrata dono dos maiores e mais influentes meios de comunicação, o que você faz? Você ignora a democracia por completo — afinal, ela segue empoderando candidatos e políticas que o desagradam — explorando seus meios para incitar distúrbios e depois implantar um candidato que jamais seria eleito por conta própria, mas que seguirá fielmente sua agenda política e ideologia.

Isso é exatamente o que o Brasil fará hoje. O Senado brasileiro votará à tarde a admissibilidade do processo de Impeachment iniciado na Câmara, que resultará no afastamento automático da Presidente Dilma até o fim do julgamento.

Seu sucessor será o Vice-Presidente Michel Temer, do PMDB. Ele está submerso em corrupção: foi acusado por delatores de envolvimento em um esquema ilegal de compra de etanol, acaba de ser considerado culpado, e multado, por irregularidades nos gastos de campanha, e enfrenta a possibilidade de ficar inelegível por 8 anos. Ele é profundamente impopular: apenas 2% dos brasileiros o apoiariam como presidente, e quase 60% querem seu impeachment. Mas ele servirá fielmente aos interesses dos ricos do Brasil: ele está planejando indicar executivos do Goldman Sachs e do FMI para controlar a economia e instalar uma equipe neoliberal sem nenhuma representatividade (composta em parte pelo mesmo partido — PSDB — que perdeu quatro eleições seguidas para o PT).

Nada disso é uma defesa do PT. Este partido – como o próprio Lula reconheceu em entrevista concedida a mim — está cheio de casos de corrupção. Dilma falhou como presidente em aspectos cruciais, e é extremamente impopular. Por muitas vezes se alinharam e serviram às elites do país em detrimento dos mais pobres, que são sua base de apoio. O país está sofrendo com a economia e em muitos outros aspectos.

Mas a solução para isso é vencê-los nas urnas, não simplesmente removê-los e colocar em seu lugar alguém mais conveniente aos interesses dos ricos. Apesar dos danos que o PT está causando ao país, os plutocratas e seus jornalistas-propagandistas e a corja de bandidos em Brasília que arquitetam essa farsa são muito mais nocivos. Eles estão literalmente destruindo a democracia do quinto maior país do mundo.

Mesmo a The Economist — que é hostil aos mais moderados partidos de esquerda, odeia o PT e quer a renúncia de Dilma — denunciou o impeachment como um “pretexto para a deposição de uma presidente impopular” e apenas duas semanas atrás alertou que “o que é alarmante é que aqueles que estão trabalhando pela remoção dela são, em muitos aspectos, piores”. Antes de se tornar um agente ativo de sua própria ascensão, o próprio Temer disse, no ano passado, que “o impeachment é impensável, geraria uma crise institucional. Não tem base jurídica em nem política.”

A maior fraude é o fato de que as elites da mídia estão justificando tudo isso em nome da “corrupção” e da “democracia.” Como alguém com um mínimo de razão pode acreditar que se trata de “corrupção” quando estão prestes a instalar na presidência alguém muito mais implicado em problemas de corrupção que a pessoa que está sendo removida, e quando as facções que estão ascendendo ao poder são indescritivelmente corruptas? E se estivessem realmente preocupados com a “democracia”, por que também não impedem Temer e convocam novas eleições, deixando os eleitores decidirem quem deve substituir Dilma? A resposta é óbvia: novas eleições provavelmente resultariam em uma vitória de Lula ou outros candidatos que não os agradam, por isso seu maior temor é deixar que a população brasileira decida quem vai governa-la. Essa é a própria definição de destruição da democracia.

Para além da óbvia importância global deste assunto, a razão pela qual eu dediquei tanto tempo e energia escrevendo sobre estes eventos é porque tem sido espantoso — e irritante — assistir ao desenrolar dos acontecimentos, particularmente a forma pela qual os meios dominantes de comunicação, dominados por um pequeno grupo de famílias muito ricas, sufocam qualquer pluralidade de opinião. Ao invés disso, como disseram os Repórteres Sem Fronteiras neste mês: “De maneira pouco velada, os principais meios de comunicação do país incitaram o público a auxiliar na derrubada da Presidente Dilma Rousseff. Os jornalistas que trabalham para estes grupos estão claramente sob influência dos interesses privados e partidários, e esses conflitos permanentes de interesses estão em óbvio detrimento da qualidade de suas reportagens.”

Como alguém que vive no Brasil há 11 anos, tem sido inspirador e revigorante assistir a um país de 200 milhões de pessoas se livrar dos grilhões de 21 anos de uma ditadura militar de direita (apoiada pelos EUA e pelo Reino Unido) e amadurecer para se tornar uma jovem e vibrante democracia, e prosperar sob ela. Constatar como isso pode ser rápida e facilmente revertido – eliminando todos os valores da democracia mantendo apenas seu nome – é ao mesmo tempo triste e assustador. É também uma lição para todos que, em países do mundo todo, ingenuamente presumem que as coisas continuarão como estão e que a estabilidade e o progresso estão garantidos.

Na semana passada, eu falei no Democracy Now por cerca de 10 minutos sobre o porquê eu acho que esses eventos no Brasil são tão significantes:

(clique em CC para ativar as legendas em português)



Glenn Greenwald
No The Intercept
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O Brasil não acaba nesta quarta-feira…

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/05/11/o-brasil-nao-acaba-nesta-quarta-feira/

secundaristas

A não ser que algo absolutamente tsunâmico venha a acontecer Dilma será afastada hoje do cargo de presidenta da República e será substituída pelo golpista Michel Temer. Será o fim de mais um episódio da série Brasil, mas não o fim dessa história.

Já na quinta feira começa um novo episódio, cujo título não será Golpe e Conspiração, mas que contará o destino de um governo ilegítimo, que terá de compor com o que há de pior na política brasileira e que enfrentará uma resistência cidadã que tende a crescer de maneira digital e não analógica.

Essa turma que vaza cartas e áudios com ensaios do discurso do golpe sabe como desestabilizar governos. É expert em manhas e artimanhas palacianas. Conta com a midiazona inteira para construir narrativas destrutivas. Mas a partir de agora terá de lidar com um país muito diferente do que entregou em 2003.

Um país que sabe que o Estado pode ser indutor de desenvolvimento social. Que conheceu o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, cotas nas universidades, o ProUni, os Pontos de Cultura, o Mais Médicos, o Luz pra Todos e tantos outros programas que mudaram milhões de pessoas de andar na pirâmide social.

Esses programas fizeram com que garotos que tinham oito anos em 2003 e hoje estão com 21 possam viver de forma muito diferente do que seus pais ousaram sonhar.

Essa garotada também está conectada. Conversa em lista de whatsapp sobre música, futebol, baladas e política. E de algo uma forma ainda só assistiu esse episódio que deve se encerrar hoje.

Até porque o Brasil vive uma crise econômica e a uma instabilidade política de grandes proporções. E isso piorou muito a vida do povo nos últimos dois anos.

Muitos desses garotos perderam empregos, outros nem conseguiram arrumar e muitos outros estão vendo pais, mães, irmãs, primos, vizinhos etc. na mesma situação.

E enquanto isso acontece há uma força bruta que lhes diz que isso só vai se resolver se ela cair.

Que só há possibilidade de amanhã se Dilma, Lula, o PT e essa quadrilha de corruptos forem varridos do mapa.

Muito por conta disso, essa juventude, em sua imensa maioria, não foi às ruas em atos de resistência ao golpe. Mas também não foui pedir a cabeça de Dilma.

Ela ficou assistindo.

Até porque ao que parece o que o destino lhe reserva não é um papel secundário, mas de protagonista.

É neste novo episódio da obra Brasil que se inicia amanhã que este novo ator, que já se insinua nas ocupações das escolas públicas, deve surgir forte.

Em geral é assim. O novo episódio já começa nos últimos capítulos do ciclo anterior.

E o episódio que virá será o da juventude classe D e C conectada. Ela escreverá boa parte da história da resistência.

Não tenho dúvida disso.

Essa juventude não aceita um governo liberal. Ela quer mais Estado. Mais educação e saúde pública de qualidade, mais programas de inclusão, mais possibilidades para disputar melhores empregos, mais equipamentos de cultura, mais áreas de lazer, mais consumo etc.

Por mais contraditório que possa parecer, mesmo achando que tudo que consegue é fruto da sua batalha individual, ela não tem nada de neoliberal.

E por isso era muito difícil construir uma consciência coletiva para esse imenso novo grupo social na sustentação de um governo. Mas isso pode vir a acontecer agora nas lutas de resistência.

Esse é o fato novo que pode desestabilizar muito mais rapidamente do que muitos ousam imaginar o governo Temer.

A combinação das lutas dos setores clássicos da esquerda com essa ação distribuída e com jeito de não organizada da molecada tende a ser imbatível.

Principalmente se Temer optar pela porrada como forma de garantir a ordem.

Na sociedade conectada em redes e onde cada pessoa com um celular é um mídia, a porrada tem se mostrado o melhor combustível para ampliar movimentos mundo afora.

Por isso, o jogo não está jogado e não é tão simples como pode parecer para alguns.

O impeachment de Dilma é uma quebra institucional caríssima para a nossa democracia, mas também pode significar o nascimento de algo novo.

É preciso apostar nisso, mesmo em meio a tudo que virá. E que promete ser pra lá de bruto.

É preciso tentar buscar compreender melhor o novo que começa a brotar.

Muitas vezes é no anoitecer que a gente entende melhor o que foi o dia e o que ele produziu. E que pode se preparar melhor para o outro dia que virá.

É quase certo que vivemos o fim de um ciclo de 13 anos da nossa história. Mas não estamos vivendo o fim história.
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Nem Sempre a Maioria é Sábia

Hitler tinha o apoio absoluto da maioria do povo alemão
Os regimes políticos sobre os quais se baseia a nossa Sociedade é reflexo exato das nossas crises emocionais, da nossa incapacidade de sermos racionais, e de desejos carnais desesperados por Poder e Ganância.

Certa vez uma atriz francesa me disse que se o povo francês não desejasse a Alemanha jamais ocuparia a França. Ocupou pela omissão do povo. Enquanto patriotas lutavam e resistiam a maioria pensava em trabalhar e ganhar o pão de cada dia, mesmo que o pão tivesse gosto amargo do nazismo.

Nos sistemas políticos o que hoje é verdade e consagração, amanhã é mentira e vergonha. Em 1934 o regime nazista alemão cassou a nacionalidade alemã de Albert Einstein. Isto não mudou nem um átomo nas suas descobertas, na sua busca científica. Vergonha para o governo alemão nazista.

Corroborando o que me disse a amiga francesa, na data de hoje, em 1936 a Alemanha realizou um plebiscito, e 99% dos eleitores aprovaram o regime nazista. O regime nazista não é fruto de um louco apenas. É fruto da loucura de toda a sociedade alemã da época. A maioria absoluta. O que nos leva a meditar que por ser maioria, certas escolhas nem sempre podem estar certas.

A massa é facilmente manipulável, sobretudo em tempos de crise se “salvadores” acenam a ela com a possibilidade de mais prosperidade e fartura.

A mesma massa que apoiava Mussolini aplaudiu que ele e sua amante fossem linchados e pendurados de cabeça pra baixo até a morte.

E assim seguimos nós, à mercê dos interesses gananciosos de políticos inescrupulosos, servindo de bucha de canhão para manobras políticas que nem imaginamos, mas que estão acontecendo no Brasil e em todo o mundo enquanto lemos este artigo.

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O golpe, a resistência e as esquerdas


Está claro que o governo golpista de Michel Temer começa frágil. Primeiro, porque os personagens que o cercam têm imagem péssima e capivaras gigantes na Justiça. E, em segundo lugar, porque o vice golpista colocará em ação um plano ultra-liberal, na linha do adotado por Macri na Argentina; só que fará isso sem ter recebido o aval das urnas.

Esse plano provocará desarranjo social, instabilidade, fragilizará os trabalhadores e os mais pobres. Já sabemos disso. Mas o povo que assiste a tudo, desconfiado, ainda não se deu conta.

Ouço algumas pessoas, ligadas aos movimentos sociais e a partidos de esquerda, dizendo que esse quadro favorece uma reação imediata nas ruas — para deslegitimar Temer. Minha impressão é de que, bem ao contrário, Temer conta com essas ações (fechamento de ruas e estradas, ocupações de prédios públicos e propriedades privadas) para construir a legitimidade de que necessita.

O que quero dizer? Que a narrativa buscada pelo governo Temer será a de que “baderneiros” ligados ao PT buscam obstaculizar a nova “unidade nacional”. As ações de rua da esquerda, quanto mais virulentas forem, mais fornecerão a Temer o álibi de que necessita: “temos um inimigo, uma quadrilha que foi desalojada do poder e que se recusa a aceitar a derrota”. Essa será a narrativa. A Globo e suas sócias minoritárias no oligopólio midiático saberão construir essa narrativa. Já começaram, aliás.

No Judiciário e no aparato de Estado, veremos ações de repressão, intimidação, perseguição. Caminhamos para uma semi-democracia. Ou uma quase-ditadura — no estilo colombiano: as instituições funcionam, mas a esquerda e os movimentos populares organizados são expurgados.

Reparem que o secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Morais, cotado para ser Ministro da Justiça do governo golpista, dá a senha: chamou de “ações guerrilheiras” os protestos desse dia 11 de maio.

Outros exemplos: a Policia Federal deteve um grupo de mulheres pró-Dilma que se dirigia a Brasília porque elas se manifestaram dentro do avião na viagem; e grupos fascistas invadiram escolas ocupadas no Rio para expurgar a esquerda que ousa protestar contra o descalabro da educação fluminense.

Isso é o que nos espera nos próximos meses. Um “choque de ordem”, baseado em abusos de autoridade e fascismo social.

Risco de isolamento

Pensei muito se deveria escrever este texto, porque poderia parecer uma nota de desânimo no momento em que é preciso resistir. Mas sinto-me na obrigação de dizer o que vejo: nos próximos meses, a esquerda e os democratas em geral ficarão minoritários. O maior risco que corremos é o de isolamento social.

A mesma máquina midiática que criou a narrativa (vitoriosa, pelo que vemos) de que uma organização criminosa tomou de assalto o país passará, a partir de agora, a operar em outro diapasão: a “quadrilha” de desordeiros não quer deixar o Brasil seguir seu curso.

Percebam que o 17 de abril (com a infame votação do “em nome da minha família”, “em nome de deus”) foi o dia em que se mostrou — sem véu — a ideologia hoje vitoriosa no Brasil. A ideologia da ordem. E essa narrativa foi meticulosamente construída…

Em março de 2015, no estouro da boiada da direita, vocês se lembram qual era a frase pronta repetida pelos repórteres da Globo ao cobrir as manifestações: “milhares de famílias, em ordem, protestam contra o governo do PT e contra a corrupção.”

Famílias em ordem x corrupção petista. Esse é o resumo da ópera.

O próprio lulismo, como já ressaltado por André Singer, opera dentro da ordem. Amplos setores que votaram em Lula e Dilma são conservadores. Queriam (e querem) melhorias dentro da ordem, até porque a liderança da classe trabalhadora lhes ofereceu esse programa.

Reparem que são relativamente pequenos os grupos que saíram às ruas nos últimos dias (em atos que considero heróicos e necessários) para denunciar o golpe Temer/Cunha/Globo/PSDB. Não há muita gente disposta a enfrentar o golpe na rua em ações “radicais”. Por enquanto, esse é o quadro.

Há setores na esquerda que apostam nessa estratégia: atos fortes, ainda que pequenos, para logo atrair as massas à resistência. Temo que esse tipo de ação esteja em completo desajuste com tudo que significou o lulismo nos últimos 15 anos. E temo que esse tipo de ação possa aprofundar o isolamento social da esquerda e dos movimentos sociais.

Será que a massa trabalhadora compreende essa sintaxe dos pneus queimados e das estradas fechadas?

Estou longe de ter a resposta definitiva.

O que percebo é que MST, CUT e demais centrais sindicais, ao lado de PT e PCdoB, são tudo que Temer e seus operadores da lei e da ordem querem ver nas ruas nos próximos meses. Será fácil carimbar essas manifestações como “desordens”, lançando esse povo no gueto dos “desesperados” e desalojados do poder.

O que não quer dizer, evidentemente, que devam se ausentar das ruas…

O melhor caminho para enfrentar o governo golpista, imagino eu, é apostar em ações descentralizadas, criativas, comandadas por jovens e mulheres. Ações que obriguem Temer e as PMs nos estados a botar seus dentes de fora. Ações pautadas em temas concretos, e que mostrem o que significará na vida prática de cada um esse golpe à democracia.

Teremos que fazer isso e ao mesmo tempo ter energia e muita solidariedade para enfrentar a onda de perseguições, difamações e violência que se abaterá sobre todo o campo popular e democrático.

Serão dias difíceis, como sabemos.

E talvez a maior de todas dificuldades seja: como defender o legado da (centro)esquerda que tivemos até aqui (o lulismo, com suas conquistas e sua sintaxe baseada nos acordos institucionais), ao mesmo tempo em que construímos uma nova esquerda – menos institucional, mais voltada às ruas, às redes e aos movimentos horizontais que pipocam Brasil afora?

Faremos isso tudo em meio a uma grave crise da democracia, com o discurso religioso e policialesco a dominar o cenário.

Qual papel de Dilma? E o de Lula?

Certamente são importantes, assim como o da Frente Brasil Popular e dos partidos e sindicatos. Mas isso tudo Temer e a Globo já botaram na conta. Vão partir pra cima dessa turma já conhecida.

O curinga na manga será a construção de novos movimentos sociais. Populares e de esquerda, mas não necessariamente “petistas”. É daí que poder vir a novidade mais consistente. Contra ela, toda a força e a virulência de Temer e das PM pode se transformar em fraqueza.

Esse é o cenário que vejo.

O Brasil entra num novo ciclo. Temer parece hoje ter pouca força pra se consolidar. Se errarmos muito, ele pode construir sua legitimidade a partir de nossos erros. Mas se o surpreendermos, toda força midiática e judicial não será capaz de evitar a construção (em 6 meses, 2 anos ou 10 anos) de um novo ciclo de esquerda no Brasil.

Haverá resistência! Agora e sempre. De muitas formas.

P.S.: Os golpistas que nos atacam nas ruas e nas redes dizem que estamos desesperados porque “perdemos a boquinha”. Deixem que pensem assim. Não sabem que a maioria dos que lutam do lado de cá está acostumada a travar longas batalhas, com persistência e confiança num futuro mais justo para o Brasil e o Mundo. Esse não é o primeiro governo golpista que vamos enfrentar e derrotar.

Rodrigo Vianna
No Blog do Miro
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O golpe prova que as instituições brasileiras são mesmo um lixo

O circo do sim na Câmara: uma droga
Uma das descobertas mais doídas desta crise: as instituições brasileiras são uma droga.

Marcelo Rubens Paiva usou uma palavra mais precisa: uma “merda”. Isso depois que o eminente juiz Dias Toffoli, numa das sentenças mais estúpidas destes tempos, afirmou que falar em golpe era “ofender” as instituições nacionais.

Como qualquer coisa, instituições não são algo abstrato. Elas são a soma de pessoas. Em meus dias de jornalismo de negócios, jamais esqueci uma frase de um mestre em administração. “As empresas não são mais e nem menos do que a soma das pessoas que as compõem.”

Isso quer dizer: uma empresa é inovadora se as pessoas que trabalham nela são inovadoras. Uma empresa é íntegra e transparente se as pessoas que trabalham nelas são íntegras e transparentes. E uma empresa é corrupta se as pessoas que trabalham nela são corruptas.

A mesma regra se aplica à perfeição para as instituições. Elas não são nem mais e nem menos do que a soma das pessoas que as compõem.

Examinemos as instituições brasileiras. Tivemos a chance de conhecê-las em profundidade, por conta da presente crise.

Comecemos pela Câmara. A melhor expressão dela se deu na tragicômica sessão em que os deputados federais aprovaram o impeachment, sob o comando de Eduardo Cunha.

Droga é uma palavra amena para descrever a Câmara. O Brasil virou piada mundial graças aos deputados. “Pela primeira vez na vida senti vergonha de ser brasileiro”, disse Dráusio Varella.

Passemos agora ao Senado. É onde você encontra, ou deveria encontrar, figuras como Aécio e Zezé Perrella. Aécio é aquele homem que construiu uma pista particular com dinheiro público em Minas. É também a personagem central no esquema de propinas de Furnas. É ainda um homem tão sem caráter que não hesitou, quando governador, em carrear dinheiro público em anúncios para as rádios da família.

Perrella é o dono do helicóptero em que foi encontrada meia tonelada de base de cocaína. A ficha de Perrella, amigo do peito e de time de Aécio, já era suja por negócios obscuros relativas a vendas de jogadores quando era presidente do Cruzeiro.

Perrella, numa prova incontestável da fragilidade das instituições, escapou impune do caso do helicoca. A mesma Polícia Federal que fez tanto barulho em torno de pedalinhos se reduziu a um silêncio colossal diante de doses industriais de cocaína.

Também a Polícia Federal não passa no teste das instituições, portanto.

Vamos agora aos pomposos senhores de capa que se homiziam na Suprema Corte. É impossível respeitar uma corte em que esteja alguém como Gilmar Mendes, um juiz dedicado a fazer política e não Justiça.

O bom juiz é aquele que você não sabe como vai votar. Imparcial, ele decide pelos melhores argumentos que avalia a cada caso.

Gilmar é o oposto. Você sabe exatamente como ele vai votar. A plutocracia tem nele um aliado de todas as horas e de todas as causas. Os progressistas sabem que Gilmar sempre estará contra eles.

Consideremos, agora, Teori, uma figura chave no golpe que se iniciou quando Eduardo Cunha aceitou um pedido de impeachment para se vingar do PT, que não lhe deu a cobertura cobrada para evitar o risco de cassação por múltiplos atos de corrupção.

Teori recebeu de Janot um pedido para que afastasse Cunha no dia 15 de dezembro de 2015. Só foi se mexer mais de quatro meses depois, quando Cunha já pudera fazer tudo que seu extraordinário arsenal de trapaças permite.

Teori alegou tempo. O pedido chegou, lembrou ele, às vésperas do recesso judiciário.  Segundo a lógica de Teori, os juízes não poderiam, portanto, suspender suas importantíssimas férias diante de um caso que trata da deposição de uma presidente da República.

O STF, como tudo, não é também nem mais nem menos do que a soma das pessoas que o compõem. De Toffoli a Gilmar, de Celso de Mello a Fucs, para não falar em Teori, o panorama é desolador.

Resta, ainda, a imprensa, no capítulo das instituições. Bem, as famílias Marinho, Civita e Frias falam por si sós.

Tudo isso posto, não há como fugir da constatação de que nossas instituições são uma droga. Não fossem, não estaríamos assistindo agora a um assalto à luz do sol de mais de 54 milhões de votos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Informativo Paralelo: A Democratização da Mídia


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Stédile: o Papa é contra o Golpe!

Não dá para confiar num Judiciário que tem o Gilmar Mendes!

Juíza Kenariki e Letícia Sabatella entregam ao Papa as cartas contra o Golpe
O Conversa Afiada entrevistou, por telefone, nessa terça-feira, 10/maio, Joao Pedro Stédile, líder do MST, que realizou protestos contra o Golpe, hoje, em todo o país.

Stedile descreve a audiência que promoveu com o Papa Francisco I para tratar do Golpe e a critica do Papa a esse Golpe das “forças do capital”, na expressão dele.

Ele descreve as quatro propostas políticas que os movimentos populares avaliam para o que fazer depois do Golpe.

Ele considera que, no momento, o trabalhador ainda não foi para as ruas.

Foram para as ruas os trabalhadores organizados.

Quando sentirem na pele os efeitos do programa neoliberal do Temer, aí, os outros trabalhadores vão para as ruas.

O problema de encontrar uma saída política é o tempo, diz ele: conseguir alcançá-la até 2018.

Stédile observa que os partidos políticos, como o PT, perderam a capacidade de mobilizar as ruas e, hoje, humildemente, se submetem a seguir os movimentos sociais.

Leia a integra da entrevista ou ouça:



PHA: Eu vou entrevistar João Pedro Stédile, líder do MST. Seria possível você descrever que atividades foram feitas hoje pelo Movimento dos Sem Terra em todo o país ?

Stédile: O MST, assim como outros movimentos da Via Campesina, diversos movimentos da Frente Brasil Popular, sindicatos da CUT e da Central de Trabalhadoras do Brasil desenvolvemos uma jornada nacional de paralisação de atividades e protestos contra a votação no Senado que deve afastar a Presidenta Dilma. É uma maneira de alertarmos a população e empresários em geral de que eles podem controlar os parlamentares, mas não controlam a produção e a sociedade em geral.

Esse movimento, você acredita, como me disse o Boulos, é apenas o começo?

Eu acho que há um sentimento na sociedade de indignação contra essa hipocrisia do impeachment e, por enquanto, quem está se mobilizando são as parcelas organizadas da classe trabalhadora. Eu acredito que, devagar, outras parcelas se envolverão em mais mobilizações, assim que começar o governo ilegítimo do Temer, que vai implementar um programa neoliberal e vai afetar os interesses da classe trabalhadora. A classe trabalhadora ainda não se deu conta do temporal que vem por aí. Quando ela se der conta, acho que as mobilizações vão se ampliar em todo o país. Nesse sentido, o que aconteceu hoje é apenas um sinal.

Você diria que, com essa movimentação de hoje, houve uma unidade dessas forças políticas que pretendem contestar ou evitar que o Golpe se concretize?

Eu acho que, nos últimos meses, houve um processo de unificação das forças populares, que estão presentes da Frente Povo Sem Medo e na Frente Brasil Popular, mas, sobretudo, houve uma unidade com setores como intelectuais, artistas, juristas, igrejas cristãs e de matriz africana. Na semana passada, entregamos ao Renan [Calheiros, presidente do Senado] e ao presidente [do STF] Ricardo Lewandowski três volumes com mais de 320 abaixo-assinados com milhões de assinaturas contra esse processo de impeachment. Eu acho que entre as forças ativas da sociedade há uma unidade grande contra o Golpe.

Como você descreveria a posição dos partidos? Como você descreve a posição do PT nesse momento?

Acho que os partidos estão acompanhando o que as forças populares estão se manifestando. Os partidos, de maneira geral, perderam a capacidade de mobilização por si só. Eu vejo até como uma posição bastante humilde deles que reconhecem que as únicas forças capazes de fazer frente ao Golpe são as mobilizações de ruas, já que, nos últimos anos, os partidos priorizaram apenas as eleições e o Parlamento. Não resta outro caminho aos partidos a não ser se somarem às forças populares.

O senador João Capiberibe, o PCdoB e o senador Requião encaminharam a proposta de novas eleições. Seja através de um plebiscito para convocar eleições ou convocar eleição já. Qual a posição do MST?

A posição do MST é semelhante à de todos os movimentos populares. Nós fizemos um debate e a nossa avaliação foi: colocar esse tema agora na agenda política era se antecipar aos desdobramentos do Congresso. Deveríamos, primeiro, esgotar todos os recursos para evitar o Golpe. Isso significa tentar impedir a destituição da Presidenta no Senado, depois teremos 120 dias para que o Lewandowski coordene os debates no Senado sobre a questão do mérito que até agora não foi julgado. Se nós tivermos 28 senadores, poderemos barrar o Golpe. E, na pior das circunstâncias, nós ainda teremos o recurso do mérito no STF. Nós já deixamos explícito a Lewandowski que vamos recorrer da decisão. Já nomeamos o doutor Marcello Lavenère para ser o nosso advogado no STF. Passado esse processo, consolidado do Golpe, aí os movimentos populares buscarão uma outra saída política e que essa outra saída devolva ao povo o direito de escolher representantes.

São elas:

Primeira: o PCdoB defende a ideia de levantarmos um abaixo-assinado em que reivindicasse ao Congresso o direito de fazer um plebiscito para antecipar apenas as eleições presidenciais.

Segunda: é uma proposta que está no Senado, já passou por duas comissões, em que pedíamos ao Congresso convocar um plebiscito formal para que a população decida se é a favor da convocação de uma Assembleia Constituinte para uma reforma política. Nesse caso, a população decidiria.

Terceira: é a proposta que, na coalização das entidades democráticas, capitaneadas pela CNBB e OAB, elas entraram com um projeto de lei, capitaneado pela Luiza Erundina, que implanta propostas de reforma política. Ele já está na Câmara, tem adesão de 182 deputados, e o projeto, sem si, implanta a reforma política, entre elas o direito de a população auto-convocar plebiscitos. Hoje, como se sabe, plebiscitos só podem ser convocados pelo Congresso.

Esse projeto da deputada Erundina não prevê também o recall?

Sim, mas o recall é pela forma de plebiscito. Então, por exemplo, se a população está insatisfeita com o governador Alckmin, um determinado número de assinaturas entra com uma proposta no Judiciário para que o Judiciário convoque o plebiscito revogando o mandato do Alckmin. Aí, a população vota. Isso funcionaria para prefeitos, vereadores, deputados e Presidentes da República.

Porém, parte dos movimentos prefere que a reforma política seja feita por uma Assembleia Constituinte exclusiva, pois ampliaria os poderes e incluiria reformas no Poder Judiciário. E todos estão vendo que não dá para confiar no Judiciário. Mesmo na mais alta corte os ministros se comportam como bancadas partidárias, ou alguém tem duvida de que o Gilmar Mendes faz parte da bancada dos tucanos no STF.


E a quarta proposta é uma PEC, essa que o Requião assinou, que convoca eleições gerais.

Agora, Amorim, o problema que temos é de calendário. Por mais que a gente agilizasse, seguindo o rito atual que há no Congresso e no calendário político, dificilmente teríamos algum tipo de eleição antecipada, revogatória ou reforma política antes das eleições de 2018.

A não ser que houvesse, nos próximos meses, com o agravamento da crise econômica de um eventual governo Temer de tal forma que as massas fossem para as ruas e que isso pressionasse o Congresso para que ele optasse por uma das medidas de uma forma mais rápida. Para esse ano, o calendário é muito apertado.

Você já conversou sobre esse assunto com o seu amigo o Papa Francisco I?

É bom que você tenha feito a pergunta. Ontem, a nosso pedido, o Papa Francisco recebeu duas emissárias dos movimentos populares que são contra o Golpe. Ele recebeu às 18h a Letícia Sabatella e a doutora, desembargadora e juíza Kenarik Boujikian [da Associação de Juízes pela Democracia]. Elas eram portadoras de duas cartas: uma do Marcello Lavenère (leia abaixo), que explicou o Golpe, e uma outra dos movimentos populares em que apelamos ao Papa, já que não adianta apelar ao Congresso nem para o STF. Pelo que conversei com a Kenarik, ela me disse que o Papa foi receptivo e está acompanhando passo a passo a situação política aqui, que teria consequências imediatas na Argentina, prometeu escrever uma carta à Presidenta Dilma e rezar, já que ele tem a ponte com o verdadeiro Supremo, para que ele apele às forças espirituais para que não deixe as forças do capital implementarem esse Golpe.

Vocês não foram se queixar ao bispo. Foram direito ao Papa.

Claro. Antes, estivemos com Dom Leonardo, secretário-geral da CNBB, e ele está apreensivo, mas achamos que deviamos ir direito ao Papa. Assim, como outros movimentos têm conversado direto com os orixás. Todos estão prometendo ao Temer que se ele continuar nesse caminho o inferno um dia o esperará.

Você conseguiria oferecer aos navegantes do Conversa Afiada o teor dessa carta que os movimentos ofereceram ao Papa?

Posso te oferecer a do Lavenère, já que a outra é de cunho pessoal.

Kenariki e Letícia deixam a audiência no Vaticano
Leia a carta que Marcelo Lavenère entregou ao Papa:

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