4 de mai de 2016

"Brasil comete suicídio político", diz historiadora da Sorbonne

Debate sobre a crise política no Brasil: da esquerda para a direita, Gabriel Zacarias, Laura de Mello e Souza,
Juliette Dumont e Frédéric Pagès.
RFI/Adriana Moysés

Para a historiadora Juliette Dumont, do Instituto de Altos Estudos sobre a América Latina (Iheal), da universidade parisiense Sorbonne Nouvelle, o provável afastamento da presidente Dilma Rousseff "vai fragilizar o Brasil e prejudicar, durante muitos anos, a credibilidade do país no cenário internacional". "O Brasil cometerá um suicídio político", se o Senado aprovar o pedido de impeachment de Dilma, opina a pesquisadora.

A atual crise política revelou que "as forças conservadoras ainda estão muito presentes e existe um movimento importante contra o que o Partido dos Trabalhadores (PT) representa", disse a historiadora. Ela reconheceu que há evidências de que o PT está envolvido em corrupção, mas recordou que foi nos governos de Dilma e do ex-presidente Lula que a Polícia Federal teve mais liberdade de investigação. "Espero que o voto no Senado não seja a farsa que foi o voto na Câmara", acrescentou. Dumont mediou um debate organizado nesta quarta-feira (4) pelo Movimento Democrático 18 Março (MD18), grupo de estudantes brasileiros e europeus que tem denunciado um "golpe" institucional no Brasil.

Especialista em relações internacionais, a historiadora da Sorbonne considera que a credibilidade do Brasil está profundamente abalada. Segundo Dumont, a votação do pedido de impeachment "deu uma imagem patética" da Câmara. "Eu acho que o Brasil vai levar muitos anos para corrigir os danos que foram feitos ao país no exterior, a começar na própria América Latina."

Para dar um exemplo das consequências da devassa política, ela cita que o Brasil estava muito perto de conquistar a tão sonhada cadeira de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. "Demorou muitos anos, mas, enfim, o país tinha conseguido o apoio dos vizinhos latino-americanos, o que era uma grande novidade", afirma. "Como o Brasil terá força para continuar a defender seus interesses nos fóruns internacionais ou na Organização Mundial do Comércio (OMC) se a democracia está em risco", questiona Dumont.

"O Brasil voltou a ser aquele país que não é sério e leva tempo para combater esses esteriótipos em política internacional", diz. Na opinião da historiadora, nem com eleições antecipadas ou com uma reforma política o Brasil se recuperará a curto prazo. "A lógica do jogo é essa, credibilidade exige um esforço diplomático enorme e isso leva tempo", conclui.

Novas eleições não resolvem problema de renovação dos políticos

Dumont não acredita que o país esteja preparado para enfrentar uma nova eleição presidencial ainda este ano, como desejam 60% dos brasileiros, segundo pesquisas. "A classe política precisa de renovação e o debate está muito polarizado. Antes, os políticos brasileiros devem se dar conta do mal que estão causando ao país no exterior", destacou Dumont.

Cerca de 50 pessoas assistiram ao debate realizado na sede da central sindical CFDT, em Paris. Também fizeram parte da mesa Laura de Mello e Souza, uma das maiores especialistas em história moderna do Brasil, filha do sociólogo Antonio Candido, o músico francês Frédéric Pagès, estudioso do Brasil, a jornalista da Globonews Elizabeth Carvalho, correspondente em Paris, além de estudantes brasileiros atualmente fazendo mestrado ou doutorado em universidades francesas.

"O que mais dá medo é o retrocesso", diz professora

O que mais preocupa Laura de Mello e Souza é o retrocesso que o Brasil está vivendo e as profundas lacunas na área da educação. Ela fez uma retrospectiva histórica de momentos de ruptura e de avanços da sociedade brasileira no último século e considera que o país dá, nesse momento, "um grande passo atrás", ao afastar do poder uma presidente eleita com 54 milhões de votos.

"O problema mais grave na sociedade brasileira são as desigualdades sociais. Nós negamos as desigualdades o tempo todo e a elite deixou de se preocupar com a educação. O mais terrível é que mesmo os partidos de esquerda não conseguiram enfrentar as desigualdades", constata a historiadora da USP. Mello e Souza reside em Paris há dois anos e dá aulas de História do Brasil na Sorbonne.

As nomeações de evangélicos para postos ministeriais no eventual governo de Michel Temer representam um risco extremamente grave para o país, adverte. "Os pastores evangélicos possuem canais de rádio e TV e fazem lavagem cerebral em uma população sem conhecimentos", lamenta.

Cobertura da imprensa francesa é criticada

O papel da mídia brasileira na desestabilização do governo Dilma esteve em destaque no debate e respingou na imprensa local. O músico francês Frédéric Pagès criticou a forma superficial como a imprensa francesa tem coberto a crise. Ele condenou particularmente as coberturas dos jornais Libération, de esquerda, e do Le Monde, "com manchetes acusatórias ao ex-presidente Lula". "A mídia francesa tem feito títulos baseados em rumores e publicado textos sem profundidade analítica", afirmou. Pagès criticou ainda o silêncio dos líderes europeus em relação aos ataques à presidente Dilma, uma chefe de Estado democraticamente eleita.

O estudante Daniel Garroux, doutorando em Teoria Literária, também desaprova a cobertura superficial das publicações francesas. Ele assinalou que os correspondentes no Brasil pecam não só pela parcialidade, mas também pela falta de aprofundamento no tratamento das informações. "Outro dia, o Libération disse que a presidente Dilma já tinha sido afastada. Eles nem se preocupam em checar as informações mais básicas dessa narrativa", argumentou. O estudante lamentou a ausência de reportagens sobre as manifestações contra o impeachment na imprensa francesa. "Elas têm acontecido quase diariamente, em várias regiões do país, e isso não é revelado pelos jornais", disse.

Adriana Moysés
No rfI
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Resposta do Ex-Presidente Lula ao Jornal Nacional


Íntegra da resposta de Lula à Rede Globo, que se negou a ler, no Jornal Nacional, sSe resumindo a trechos selecionados.

“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, e minha mulher, Marisa Letícia, não somos e nunca fomos donos de nenhum apartamento tríplex no Guarujá nem em qualquer outro lugar do litoral brasileiro.

Meu patrimônio imobiliário hoje é exatamente o mesmo que eu tinha ao assumir a presidência da República, em janeiro de 2003:

O apartamento onde moro com Marisa, e onde já morávamos antes do governo,  e o rancho “Los Fubangos”, um pesqueiro na represa Billings. Ambos adquiridos a prestações. Também temos dois apartamentos de 70 metros quadrados que Marisa recebeu em permuta por um lote que ela herdou da mãe.

Tudo em São Bernardo do Campo. Tudo registrado em nosso nome no cartório e na declaração anual de bens.

Esta é a verdade dos fatos, em sua simplicidade: entrei e saí da Presidência da República com os mesmos imóveis que adquiri ao longo da vida, trabalhando desde criança, como sabem os brasileiros.

Não comprei nem ganhei apartamento, mansão, sítio, fazenda, casa de praia, no Brasil ou no exterior.

Jamais ocultei patrimônio nem registrei propriedade particular em nome de outras pessoas.

Nunca registrei nada em nome de empresas fictícias com sede em paraísos fiscais, artifício utilizado por algumas das mais ricas famílias deste País para fugir ao pagamento de impostos.

As informações sobre o patrimônio do Lula — verdadeiras, fidedignas, documentadas — sempre estiveram à disposição do Ministério Público e da imprensa, inclusive da Rede Globo.

Estas informações foram deliberadamente ocultadas do público na reportagem do Jornal Nacional que apresentou as acusações do Ministério Público de São Paulo.

Eu não fui procurado pela Globo para apresentar meu ponto de vista. Ninguém da minha assessoria foi procurado. O direito ao contraditório foi sonegado. Alguém se apropriou indevidamente do meu direito de defesa.

Não é a primeira vez que isso acontece e certamente não será a última.

Mas eu fiquei indignado ao ver minha mulher e meu filho sendo retratados na televisão como se fossem criminosos.

Mesmo na mais acirrada disputa política — e o jornalismo não está acima dessas disputas — nada justifica envolver a família, a mulher, os filhos, como ocorreu nesse caso.

Fiquei indignado porque, ao longo de 9 minutos, o apresentador William Bonner e o repórter José Roberto Burnier me acusaram 18 vezes de ter cometido 10 crimes diferentes; sem nenhuma prova, endossando as leviandades de três membros do Ministério Púbico de São Paulo.

Reproduziram ofensas, muitas ofensas, a partir de uma denúncia que sequer foi aceita pela juíza. E ainda por cima, denúncia de um promotor que já foi advertido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, porque atuou fora da lei neste caso.

A Rede Globo me conhece o suficiente para fazer uma avaliação equilibrada das acusações lançadas por aquele promotor, antes de reproduzi-las integralmente pelas vozes de William Bonner e Roberto Burnier.

A Rede Globo recebeu, desde 31 de janeiro, todas as informações referentes ao tríplex, com documentos que comprovam que nem eu nem Marisa nem nosso filho Fabio somos donos daquilo. É uma longa e detalhada nota, chamada “Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa”.

Cheguei a abrir mão do meu sigilo fiscal e anexei a esta nota parte de minha declaração de bens.

Quando divulgamos este documento esclarecedor, o Jornal Nacional fez uma série de matérias tentando desqualificar o que estava dito lá. Duvidaram de cada detalhe, procuraram contradições, chegaram a distorcer uma entrevista do meu advogado.

Quanta diferença…

Na reportagem sobre a denúncia do procurador, nada foi questionado. Tudo foi endossado e ratificado como se fosse absoluta verdade.

A Rede Globo sempre poderá dizer que estava apenas “retratando os fatos”, “prestando informações à sociedade”,  “cumprindo seu dever jornalístico”.

Só não vai conseguir explicar ao povo brasileiro a diferença gritante de tratamento: quando acusam o Lula, é tudo verdade; quando o Lula se defende, é tudo suspeito.

Em 40 anos de vida política, aprendi a lidar com o preconceito, com a inveja e até com o ódio político.

Mas não me conformo, como ex-presidente desse imenso país chamado Brasil, não posso me conformar de ser comparado a um traficante de drogas, como aconteceu no final da reportagem.

Essa comparação ofensiva, injuriosa, caluniosa, não está nos autos da denúncia do Ministério Público.

Não sei quem decidiu incluir isso na reportagem, mas posso avaliar seu caráter.

Se esta mensagem está sendo lida hoje na Rede Globo é por uma decisão da Justiça, com base na Lei do Direito de Resposta, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado.

Esta lei garante que a Liberdade de Imprensa seja realmente um direito de todos e não um privilégio daqueles que detém os meios de comunicação.

É ela que nos permite enfrentar a ocultação de informações, a sonegação do contraditório, a falsidade informativa, a lavagem da notícia.

Estes vícios foram sistematicamente praticados pelos grandes veículos de comunicação do Brasil durante a ditadura e fizeram tão mal ao País quanto a censura, que abolimos na Constituição de 1988.

A Rede Globo levou mais de 30 anos para pedir desculpas ao País por ter apoiado a ditadura, praticando um jornalismo de um lado só. Graças à lei do Direito de Resposta, não tenho de esperar tanto tempo para responder às ofensas dirigidas a mim e a minha família no Jornal Nacional.

Eu não estou usando este direito de resposta para me defender apenas, e a minha família. É para defender a democracia, o estado de direito e a própria liberdade de imprensa, que só é verdadeira quando admite o contraditório e respeita a verdade dos fatos.

Quando estes princípios são ignorados, em reportagens como aquela do Jornal Nacional, o maior prejudicado não é o Lula, é cada cidadão e a sociedade, é a democracia”.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
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Por unanimidade, Tribunal mantém multa de R$ 80 mil a Temer

Tribunal Regional Eleitoral conclui que vice-presidente fez doação acima do limite legal na campanha de 2014


Em uma votação unânime, o Tribunal Regional Eleitoral de São paulo (TRE-SP) condenou na tarde desta terça-feira, 3, o vice-presidente da República, Michel Temer, a pagar multa de R$ 80 mil por ter feito doações acima do limite imposto pela legislação eleitoral na campanha de 2014, na qual o peemdebista concorreu na chapa da então candidata Dilma Rousseff.

A decisão confirma a condenação em primeira instância. A assessoria de Temer afirmou que o vice vai recorrer da decisão.

De acordo com a representação, Temer declarou rendimento de R$ 839.924,46 em 2013, e doou R$ 100.000,00 na campanha de 2014. O valor representa 11,9% do que declarou o vice. A legislação eleitoral estabelece que o limite de doações em 10% do valor declarado pelo doador no ano anterior.

No julgamento, Ministério Público queria elevar a multa, aplicada no mínimo legal – cinco vezes o excedente – para o valor máximo, ou seja, 10 vezes o valor doado acima do limite. O relator do processo, juiz Silmar Fernandes, entendeu que a sanção aplicada “é suficiente para repreender a conduta ilícita, em atenção aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e isonomia”.

Segundo o magistrado, “o excedente doado (R$ 16.007,55) corresponde a 19,09% do limite legal que poderia ter doado (R$ 83.992,45)”. A legislação estabelece que que doações acima do limite legal acarretam multa no valor de cinco a dez vezes a quantia excedente.

Valmar Hupsel Filho e Mateus Coutinho
No Estadão
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Espaço Público recebe o advogado Carlos Araújo


O entrevistado do Espaço Público desta terça-feira (3/5) é uma das pessoas mais próximas da presidente Dilma Rousseff. O advogado trabalhista Carlos Franklin Paixão de Araújo, três vezes deputado estadual pelo PDT do Rio Grande do Sul, foi casado com Dilma, além de ter militado ao lado dela na resistência à ditadura militar de 1964. Pais da procuradora do Trabalho Paula Rousseff Araújo e avós de Gabriel, 5 anos, e Guilherme, nascido no começo deste ano, eles mantêm o companheirismo.

A parceria começou em 1969. Dilma tinha 21 anos, nove menos que Carlos. A história dos dois resistiu à prisão e à tortura a que ambos foram submetidos pelo regime de exceção. Superou, ainda, a separação do casal, em 2000. Foi com a autoridade de quem tem tanta proximidade com a presidente da República que o advogado previu em entrevista a um jornal gaúcho, cerca de nove meses atrás, quando a crise começava a agravar-se, que ela, “pela experiência de vida e de luta, não irá se abalar”.

Carlos Araújo reconhecia a insatisfação popular. “Há motivos para protestar, para sair nas ruas, para dar contra o governo.” O medo do desemprego e da perda de direitos foi uma das razões citadas por ele. “Mas isso é uma coisa, outra é querer impor o impeachment, como quer o Aécio Neves. Isso não é regime democrático”, acrescentou. Avaliou, ainda, que “inventar uma coisa artificial a todo custo, para motivar a queda da presidente e ter eleições imediatas” é desrespeitar “as regras do jogo”.

Com o processo de impeachment aprovado pela Câmara e em andamento no Senado Federal, o Espaço Público vai atrás das atuais avaliações do confidente de Dilma sobre o momento político e a própria presidente. O programa é ancorado pelo jornalista Paulo Moreira Leite, com a participação de Florestan Fernandes Júnior.

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Campello: proposta do PMDB tira 36 milhões de pessoas do Bolsa Família

'Travessa Social' deixa quase 16 milhões de jovens abaixo dos 15 anos fora do programa

Ministra Tereza Campello recebe blogueiros

Em pouco mais de uma década, o Brasil deixou de ser o país da fome e passou a exportar tecnologia social para enfrentá-la. Passou a ser referência para o mundo. Em 2014, saímos pela primeira vez do Mapa Mundial da Fome da ONU. Nossas crianças estão mais fortes, se desenvolvendo melhor, estudando (e na série certa para a idade!) e comendo bem. O futuro está sendo construído agora!

É sobre esses resultados, a transformação na vida da população mais pobre e o futuro dos programas sociais que a ministra Tereza Campello conversa com blogueiros.

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Wadih Damous deixa o mandato na Câmara dos Deputados

Após se destacar pela sua postura combativa durante o processo de impeachment, deputado deixa Câmara com o retorno de Fabiano Horta ao Congresso


Lutar contra retrocessos institucionais, em defesa da legalidade democrática, da justiça social e dos direitos dos advogados. Essas foram as bandeiras que levaram Wadih Damous (PT-RJ) à assumir a cadeira de deputado federal titular em maio de 2015.

Em uma conjuntura política extremamente difícil, Wadih Damous esteve incansável na defesa da democracia e do mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff diante de uma oposição irresponsável, que optou pelo caminho de inviabilizar o governo e promover uma crise política sem precedentes.

“Devo dizer que foi um período muito difícil, aqui na Câmara nós sabemos que é um nível político, ideológico, moral e ético rebaixado, mas de qualquer maneira valeu a pena, porque eu combati o bom combate. É o que eu sei fazer de melhor, combater o bom combate. Então, nesse sentido, foi gratificante. Foi gratificante conviver com os companheiros da bancada do PT, com eles aprendi muito, e foram muito solidários comigo”, disse Wadih em vídeo realizado ao vivo ontem, na Câmara.(assista abaixo)

Ao assumir um papel protagonista na luta contra o golpe, não seria errado dizer que foi o suplente mais relevante da história da democracia brasileira, mesmo com pouco tempo no parlamento. Apresentou, ainda, o total de 6 (seis) projetos de lei com objetivo de corrigir distorções legislativas no âmbito dos Direitos Humanos e na defesa da advocacia.

“Procurei também defender os interesses maiores da advocacia, apresentei projetos de lei que interessam de perto ao nosso exercício profissional, enfim, procurei fazer aquilo que me pediram pra fazer, aquilo que me julgava capaz de fazer”, disse.

Sua postura séria e comprometida, bem como sua energia nos intensos debates travados dentro da Câmara dos Deputados logo conquistaram admiradores nos mais diversos cantos do país. Por isso, mesmo fora do mandato Wadih continuará empenhado no papel de unir a esquerda no Rio de Janeiro e lutará pela conquista de mais direitos e mais democracia para o Brasil.

Wadih deixa a Câmara desejando ao deputado Fabiano Horta um ótimo retorno.


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Um golpe dos donos de escravos no Brasil?

A revista americana The Nation destaca que entre os grupos que buscam promover o golpe, há um pouco discutido: o das empresas que lucram com a escravidão.


The Nation, a revista mais antiga dos Estados Unidos, fundada em 1865, e uma das mais bem conceituadas por sua seriedade, publica artigo devastador sobre interesses por trás do golpe em curso no Brasil.

Um golpe dos donos de escravos no Brasil?

Entre os opositores da combatida — e ameaçada de perder o cargo — presidente do Brasil, Dilma Rousseff, existe um grupo com interesses comuns que se pensava haver perdido seu poder político há cerca de um século: os donos de escravos. Há alguns dias um artigo no The New York Times, que documentou os muitos crimes dos políticos envolvidos no processo de impeachment, disse o seguinte acerca de Beto Mansur, um ardoroso deputado em sua oposição ao Partido dos Trabalhadores (ou PT): “Ele é acusado de manter 46 trabalhadores em suas fazendas de soja no Estado de Goiás em condições tão deploráveis que os investigadores disseram serem eles tratados como escravos modernos.”

A escravidão não é, claro, o principal eixo de conflito entre o governo do PT e seus opositores. Outros — incluindo Mark Weisbrot, Glenn Greenwald, David Mirada, Andrew Fishman, Gianpaolo Baiocchi, Ben Norton e Dave Zirin — documentaram os muitos e diferentes interesses de classe e de status que se aliaram, usando o bordão da “anti-corrupção” tanto para desviar a atenção de sua própria venalidade como para começar a reversão das políticas levemente redistribucionistas do PT, que vem governando o Brasil desde 2003 . Quando se menciona a escravidão, isto é geralmente feito como uma herança. O Brasil importou mais africanos escravizados que qualquer outra nação americana, e foi o último país do hemisfério a abolir a instituição, em 1888. Como é o caso das nações historicamente fundadas sobre o colonialismo e a escravidão, a política econômica federal do PT, orientada para o alívio da pobreza e redução da desigualdade, tem um viés racial. Isto era verdade em 1964 quando um governo levemente reformista foi derrubado em um golpe (como minha colega da MYU, Barbara Weinstein, escreve em seu maravilhoso novo livro The Color of Modernity: São Paolo and the Making of Race and Nation in Brazil — A Cor da Modernidade: São Paulo e a Formação da Raça e da Nação no Brasil). E é verdade hoje, 56 anos depois.

Mas, na verdade, a escravidão ainda existe no Brasil, na Amazônia (como escrevi em Fordlândia, com base nesta investigação da Bloomberg), e cada vez mais nas plantações de soja do interior. A escravidão moderna é, como um funcionário do Ministério do Trabalho o declara, uma "parte essencial da economia globalizada, orientada para a exportação, sobre a qual o Brasil prospera." Os trabalhadores são coagidos quer por meios violentos, quer por força de seus débitos a fornecer trabalho sem compensação e forçados a suportar as condições mais desumanas. Eles forjam ferro-gusa para alimentar a indústria de aço do Brasil, colhem soja, derrubam florestas tropicais, cortam cana-de-açúcar e servem como empregadas domésticas.

Uma das primeiras coisas que o governo do PT fez quando assumiu em 2003, depois que Luiz Inácio Lula da Silva alcançou a presidência, foi criar uma “lista suja” de “centenas empresas e empregadores individuais que foram investigados por fiscais trabalhistas e descobertos como usuários de escravos. Os empregadores nesta lista estão impedidos de receber empréstimos do governo e têm restrições colocadas sobre as vendas de seus produtos." O PT também intensificou os esforços para "emancipar "os escravos modernos:" Em 2003, um plano nacional de erradicação do trabalho escravo atualizou a legislação e introduziu um sistema de procuradores e juízes do trabalho. "Entre 2003 e 2015," o governo resgatou 44.483 trabalhadores do que chama "condições análogas à escravidão."

A "lista suja", juntamente com outras iniciativas abolicionistas do PT, provocou uma reação por parte daqueles interesses econômicos que lucram com a escravidão moderna. No final de 2014, a Suprema Corte do país, que tem apoiado decididamente os que desejam o impeachment da Dilma, emitiu uma liminar contra o Ministério do Trabalho para que este suspendesse o lançamento de uma nova lista de donos de escravos. A decisão foi tomada para favorecer a associação dos proprietários e construtoras do Brasil. E muitos desses interesses, incluindo políticos ruralistas como Beto Mansur, encontram-se entre aqueles que pressionam para a queda de Dilma e a destruição do PT. O principal grupo de lobby da agro-indústria brasileira, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, que apoia a derrubada de Dilma, tem se oposto à "lista suja" há anos. Uma investigação feita pelo Repórter Brasil, uma ONG que combate o trabalho forçado, revela que os partidos políticos por trás do impeachment (incluindo o Partido do Movimento Democrático do Brasil, o partido de Eduardo Cunha, o líder do Congresso da Câmara dos Deputados do Brasil e que organizou o impeachment) são aqueles que receberam a maior parte das doações políticas de empresas que lucraram com o trabalho escravo.

Os lucros produzidos pelo trabalho escravo no Brasil são relativamente insignificantes se comparados à riqueza dos principais promotores da crise política: as elites ligadas às finanças, à energia, à mídia e à industria. Mas a luta em torno da escravidão no Brasil revela o que em última análise está em jogo no conflito. Muitos dos políticos agora que procuram derrubar Dilma ficaram espetacularmente ricos ou representam outros que se enriqueceram espetacularmente durante os bons tempos da primeira década dos mandatos do PT, aproximadamente de 2003 a 2013, durante os dois termos de Lula e o primeiro da Dilma. No entanto, eles jamais aceitaram a ideia de que deveriam subordinar seus interesses particulares ao projeto maior do PT, a despeito do fato de que foi este projeto — incluindo uma leve redistribuição — que impulsionou o consumo interno e os tornou espetacularmente ricos. A exportação de soja explodiu sob o governo do PT, dando origem a toda uma classe de barões no interior, alguns dos quais, incluindo homens como Mansur detêm assentos no Congresso. E apesar dos esforços agressivos do PT para erradicar a escravidão moderna, o trabalho forçado na verdade aumentou sob seu governo, na medida em que cresceram as indústrias que utilizaram trabalho forçado, entre as quais eles a da soja, a do etanol e a do açúcar.

A escravidão, conquanto relativamente pequena frente ao quadro maior do mercado de trabalho do Brasil, representa a fina borda de um princípio mais amplo: o direito das elites brasileiras de explorarem os seres humanos e a natureza tão implacavelmente quanto o desejarem. Como já está amplamente divulgado, a presidente eleita duas vezes no Brasil está hoje prestes a ser afastada do cargo, o que pode acontecer logo na primeira semana de maio. Sua destituição pode ser chamada de muitas coisas, entre elas um golpe da mídia e um golpe constitucional. Pelo menos em parte, ela é também um golpe dos donos de escravos.

Veja o texto original em inglês:

Traduzido por Anivaldo Padilha
Greg Grandin - The Nation
No Carta Maior
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Zezé Perrella, a batata assou!

Justiça apreende o helicoca!


Juiz da 1ª vara federal criminal de Vitória, ES, determinou a preferência na tramitação do processo referente à apreensão de 445 kg de cocaína, em uma operação da polícia federal que interceptou um helicóptero de propriedade de empresa da família do senador Zezé Perrela, no momento de seu pouso em uma propriedade rural localizada no município de Afonso Claudio, interior do Espírito Santo.

 

A decisão do juiz foi provocada por um requerimento protocolado pelo grupo de trabalho jurídico da Frente Brasil Popular capixaba (FBP/ES), com base no artigo 5º, incisos XXXIV, “a” e LXXVIII da Constituição Federal.

Assinaram o documento o PCdoB, CTB, CUT, Casa da América Latina “Liberdade e Solidariedade” (CALLES), Federação dos Servidores Públicos Municipais do Estado do Espírito Santo (FETAM/ES), Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais no Estado do Espírito Santo (SINTESES), Judiciários Progressistas e Advogados em Defesa da Democracia, entidades que fazem parte da Frente Brasil Popular no Espírito Santo.

Estiveram presentes no ato do registro do requerimento, Ronaldo Barboza, presidente Estadual do PCdoB; Antônio Fernando Moreira, advogado que elaborou a proposta de requerimento aprovada no GT Jurídico da FBP, Fernanda Tardin, presidenta da CALLES e; Iracema Pompermayer, advogada e sindicalista, que de pronto despachou no requerimento, determinando o acolhimento do pedido de preferência.

O caso “helicoca” se reveste de imensa gravidade, não apenas por ter sido uma das maiores apreensões de drogas da história do combate ao trafico de entorpecentes no Brasil, mas por envolver no transporte da cocaina uma aeronave de propriedade de uma empresa da família Perrella e que foi conduzida por um piloto que na época estava lotado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no gabinete do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PTB).

O inquérito e o processo que resultaram dessa apreensão de quase meia tonelada de cocaína tiveram curso sumário e, no mínimo, esdrúxulo, uma vez que em uma rapidez incomum, inocentou os Perrella e o proprietário do terreno onde aterrissou e foi apreendido o helicóptero no Espírito Santo. Restaram quatro réus, todos “peixes pequenos” e respondendo em liberdade.

O caso aponta para um desfecho lamentável, que mesmo que haja punição, recairá sobre aqueles que talvez sejam os que tenham menor responsabilidade por essa operação cinematográfica de trafico de cocaína, que pela quantidade da droga transportada, valor envolvido (em torno de 50 bilhões de reais) e características da operação, só pode ter sido organizada por dirigentes graduados de um desses carteis que controlam o tráfico internacional atacadista de entorpecentes.

Há muita coisa nebulosa nessa história que corre o risco de jamais ser desvelada e permitir que insuspeitos infratores da lei continuem transitando impunemente em meio a homens e mulheres de bem, às vezes até alçados à condição de ilibados representantes do povo.

O acolhimento do pedido de preferência tem um significado da maior importância, uma vez que demonstra a sensibilidade do juiz em reconhecer a relevância dos fatos que envolvem o caso, ainda mais quando vemos o senador Zezé Perrella — inocentado no caso, mas ligado à propriedade do helicóptero por intermédio de empresa da família — compondo a comissão do Senado responsável pelo relatório que apontará a admissibilidade ou não de abertura do processo de julgamento da presidenta Dilma no Senado, que poderá determinar seu afastamento definitivo da presidência da república, por intermédio de um golpe parlamentar travestido de constitucionalidade.

Claudio Machado é secretário estadual de comunicação do PCdoB/ES
No Vermelho



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O recado semiótico dos donos da mídia

A Idade Média voltou: Queimem as mulheres! Queimem as bruxas!

É o recado semiótico dos donos da mídia.


Celso Vicenzi
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Mascarenhas sobre Golpe: Senado também erra


Nesta terça-feira (3), durante reunião de trabalho da Comissão Especial do Impeachment, o professor de Direito Processual Penal Geraldo Luiz Mascarenhas Prado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), definiu como "inepta" a denúncia por crime de responsabilidade contra a Presidenta Dilma Rousseff.

Ao comentar os decretos de suplementação orçamentária sem prévia autorização legislativa, o jurista afirmou que, na eventualidade do acolhimento do pedido de afastamento de Dilma, a razão para isso seria o fato de ela ter aceito pedido da Justiça (militar, eleitoral e do Distrito Federal) com esse objetivo.

Na sua interpretação, se for para seguir tudo o que está na denúncia, seria possível responsabilizar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, e a ministra do Superior Tribunal de Justiça Nancy Andrighi, que participaram da reunião do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

"Por que a presidente e não eles, já que qualquer tipo de ilação, qualquer tipo de especulação ligando uma pessoa a outra vale como vínculo de coautoria? Senhores, isso é um delírio", disse.

Para, depois, continuar: "Não basta que todos os senadores resolvam votar pelo impeachment da presidente se não há crime de responsabilidade. Se um consenso se produz no Senado de que há crime sem ter, ele viola a Constituição", defendeu Mascarenhas Prado.

De acordo com o professor, muitas vezes a "sedução da decisão que parece acalentar o espírito da maioria gera situações que não estão sob nosso controle".

Prado relembrou o ano de 1964, quando o presidente Senado à época declarou vaga a cadeira da Presidência da República. Em 2013, um projeto de resolução do Senado anulou a decisão do presidente da Casa em 1964.

"Isso restabelece simbolicamente o mandato de João Goulart. Mas eu não tenho nada a falar para a família de Vladimir Herzog, preso, torturado e morto pela ditadura, porque essa resolução não ressuscitou Herzog", declarou.

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A confessada divisão de tarefas entre os “poderes”: Cunha cuida de Dilma, STF de Lula


O Globo publica hoje, candidamente, que o Supremo vai esperar a queda de Dilma para não ter de julgar o ato de nomeação de Lula, há quase dois meses, para a chefia da Casa Civil.

“A tendência é o Tribunal adiar o julgamento até Dilma deixar o cargo, com o processo de impeachment. Dessa forma, a nomeação não seria mais uma questão a ser analisada pelo Judiciário, porque a presidente não estaria mais no comando. O caso chegou a ser pautado no último dia 20, mas os ministros do STF avaliaram que o melhor era mesmo adiar a decisão até a definição sobre o processo de afastamento da presidente.”

Tradução simples e direta. O Tribunal concedeu a Gilmar Mendes o direito de cassar os direitos políticos de Lula, tornando-o “inomeável” para cargo público.

Porque decisão de qualquer ministro do STF, por conta de uma esdrúxula decisão tomada há dois anos, não é mais passível daquilo que a Constituição prevê contra a ação arbitrária de qualquer autoridade: o habeas-corpus. Qualquer autoridade, exceto um ministro do Supremo.

Assim, graças a esta — como se vê agora — conveniente prevaricação — ou destas, porque também não examinou o pedido de afastamento de Eduardo Cunha.

Uma Corte, está a se notar, absolutamente técnica e apolítica.

Fernando Brito
No Tijolaço
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As explicações ridículas de Lewandowski sobre a omissão do STF

De onde menos se espera é que não sai nada mesmo: Lewandowski
Não esperem nada do Supremo.

Foi em essência esta a mensagem que um grupo de vinte parlamentares progressistas ouviram de Ricardo Lewandowski, presidente do STF, num encontro ocorrido nesta terça.

Com alguma esperança, eles levaram a Lewandowski uma lista de razões pelas quais Eduardo Cunha deveria ser afastado de suas funções de presidente de Câmara.

Entraram na conversa com alguma esperança de ganhar algumas luzes de Lewandowski. Algum calor. Receberam sombras e jatos de frio siberiano, tudo isso na linguagem empolada dos eminentes ministros do Supremo.

Lewandowski disse a eles que o STF é “garantista”. Não. Não é garantista no sentido de impedir que um corrupto sem qualquer escrúpulo faça horrores para destruir a democracia. Não é garantista para proteger o voto de mais de 54 milhões de brasileiros.

É garantista, nas atuais circunstâncias, na seguinte acepção: deixar que Eduardo Cunha faça o que quiser. Está incluído aí dar um jeito para ser aprovado na Câmara o aumento do Judiciário.

Lewandowski usou também na conversa uma expressão em latim que, na prática, significa lavar as mãos.

O caso é interna corporis, afirmou. É uma questão interna da Câmara. Isso quer dizer que Cunha pode fazer o que quiser, porque o Judiciário não se mete em política.

Um dos presentes à conversa definiu com precisão essa fala. “Ele deve estar pensando que somos idiotas.” Sim. É acintoso falar que a Justiça não se mete nas questões políticas quando um juiz como Gilmar Mendes usa a toga para fazer militância política fantasiado de magistrado. Ou quando um procurador geral diz, sem prova nenhuma, que Dilma devia saber do Petrolão.

Lewandowski desprezou as evidências esmagadoras contra Eduardo Cunha. “O papel aceita tudo”, afirmou.

Ora, ora, ora.

E as contas secretas provadas pelas autoridades suíças? Está tudo documentado. Foi entregue de bandeja para as autoridades brasileiras.

E o perjúrio — mentira criminosa — de Cunha ao dizer sob juramento na Câmara, antes que os suíços o desmascarassem, que não tinha conta nenhuma no exterior?

E a expressão que Cunha utilizou, acuado, para tentar justificar as contas que deveriam levá-lo à cadeia: usufrutuário?

Não é apenas o papel que aceita tudo. A covardia aceita ainda mais. Ou a omissão. Ou a conivência. É difícil saber onde se encaixa a atitude do STF perante Cunha: covardia, omissão ou conivência. Pode ser também uma mistura das três coisas.

Lewandowski deu uma esmola, uma espórtula, uma migalha aos parlamentarem que conversaram com eles: elogiou sua postura cidadã. E disse que vai levar o documento que lhe foi passado ao relator do caso Cunha no STF: Teori, o gatilho mais lento do planeta. Ainda em 2015 Teori recebeu da Procuradoria Geral um documento que pedia o afastamento de Cunha.

Nada fez, e nem seus colegas. O STF sequer se pronunciou sobre a qualidade das acusações do procurador. Nos últimos dias, com o país em chamas, os juízes encontraram tempo para deliberar sobre pipocas no cinema.

É um circo. O golpe é um grande circo. Você teve o circo da Câmara. Agora tem o circo do Senado. E como garantista de ambos há o circo do Supremo, no qual os palhaços usam capas e se escondem por trás de latinismos como interna corporis.

Paulo Nogueira
No DCM
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Solidaridad con blogueros brasileños


En el actual contexto que vive Brasil, con un golpe parlamentario-mediático en marcha contra la presidenta Dilma Rouseff, está convocado el Quinto Encuentro Nacional de Blogueros progresistas y activistas digitales.

O Encontro Nacional de Blogueiros progressistas e ativistas digitais nasceu em 2010. Este ano, o evento ocorre na cidade de Belo Horizonte, nos dias 20, 21 e 22 de maio. É um esforço imenso para uma entidade como o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que agrega centenas de comunicadores de todo o Brasil, organizar este encontro sem grandes recursos. Nós blogueiros, jornalistas independentes e ativistas digitais produzimos uma comunicação livre de amarras mercadológicas, que aposta no jornalismo cidadão, dando voz e vez a grupos sociais que são historicamente criminalizados pela mídia tradicional, que nos cotizamos num proceso colaborativo para produzir reportagens investigativas de interesse local, regional e nacional.

Precisamos de apoio para atender às caravanas de estudantes de jornalismo de vários estados brasileiros que se esforçam para cotizar ônibus que garanta a sua participação no evento e, igualmente, não contam com recursos.

Nosso intuito neste crowdfunding aqui na plataforma Catarse é fornecer transporte e alimentação para esse público ávido por debater o direito à comunicação e a democratização da mídia no Brasil.

Ajude-nos nesta tarefa!


Iroel Sánchez
No La Pupila Insomne
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O pirulito do golpe

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=331

Ainda não coube à minha geração interromper o padrão que, desde Deodoro da Fonseca e seu espirro ditatorial, impediu que sequer uma geração republicana se livrasse das intervenções autoritárias, civil ou militar. De Deodoro segue-se a geração nascida com a República, chegando, aos 31 anos, a Artur Bernardes, que governou o país sob um estado de sítio e repressão aos movimentos reivindicatórios operários, de 1922 a 1926. A turma de brasileiros que escapou ao sítio de Bernardes, por acaso de nascimento, passará, porém, boa parte de sua vida adulta em regime getulista que, se ditadura explícita só de 1937 a 1945, nunca esteve constitucionalmente constrangido desde a revolução de outubro de 30. A geração de 45 não herdou melhor sorte, forçada a suportar o miasma ditatorial consagrado como revolução redentora pelo jornalismo de DNA pervertido, legisladores prostitutos, tribunais de rabo entre as pernas e intelectuais a frete, de 1964 a 1985.

Eis que de supetão, para enjoo da boa fé democrática da população, confirma-se a praga: aí estão juízes e outros guardiões da lei, obcecados pela caça ao ex-presidente Lula, a buscar petistas embaixo da cama, como se fazia em busca de anarquistas na Primeira República e, depois de 45, de comunistas. Com o aplauso espumante dos derrotados nas eleições, propaganda garantida pelo real monopólio de comunicação do sistema Globo, o apoio da coalizão entre políticos ressentidos ou comprados ou reacionários, e, claro, a solicitude dos intelectuais explicadores, venais alguns e autoritários finalmente fora do armário, violentam-se mais uma vez as práticas democráticas e consuma-se o golpe.

Uma boa teoria conspiratória dispensa conspirações, confiante na coordenação espontânea dos conspiradores. Basta um afoito Procurador anunciar a descoberta de indícios de remota conexão entre este ou aquele político progressista para que manchetes e panelas compareçam ao linchamento público. O juiz Sergio Moro menciona uma presunçosa “cognição sumária”, contrabando linguístico de reles “impressão”, para antecipar sentenças discriminatórias e obesas de ilações sem fundamento “fático”, transcritas, não obstante, como sermões bíblicos pelos previsíveis folhetins. Em apoio ao disfarce de democracia que reivindicam, convocam-se os ritos da lei e o vocabulário pernóstico do juízo trivial que deseja passar por ciência. Em vão. Chama-se ditadura da maioria a esse massacre de direitos por via parlamentar e juizados de arrabalde. É golpe: o golpe da minoridade eleitoral.

Se o que se esboça nas ruas, estradas, universidades e prédios públicos, se transformar de fato em sublevação civil pela legalidade democrática, desta vez o usufruto da usurpação de poder não terá gosto tão doce quanto o de um pirulito infantil dos golpes anteriores.
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Dilma já governa com a rua e resistirá se a rua se organizar

Hoje a palavra organizar virou sinônimo de resistir; assim como rua se tornou equivalente ao verbo lutar


A história apertou o passo no país e quem não entender isso será atropelado pela velocidade dos acontecimentos.

Esse é um tempo em que jornais de hoje amanhecem falando de um remoto mundo de ontem; tempo em que a tergiversação colide com a transparência; tempo em que nenhum discurso faz mais sentido dissociado da tríade: ‘rua’, ‘resistência’ e ‘organização’.

As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front.

De um lado, os interesses da maioria da população; de outro, a coalizão da escória parlamentar com o rentismo e a classe média fascista.

No arremate desse enredo a mídia insufla a venezuelanização do Brasil.

Não é sugestivo do lugar da Folha na história que a edição desta 2ª feira, por exemplo, mostre Paulinho Boca festejado pelo 'povo' e Dilma cercada por uma mosca?

Dilma fez no 1º de Maio do Anhangabaú o melhor discurso de sua vida.


Sim, Dilma incendiou um ato que começou morno e sem a presença de Lula. Como explicar essa mutação que passou batida aos petizes da mídia pautados no Anhangabaú para alimentar o golpe — de moscas, se possível — e não para fazer jornalismo?

A explicação está no acirramento de um conflito que Lula, Dilma, o PT e todas as forças progressistas e democráticas resolveram encarar de frente, pelo simples fato de que não fazê-lo seria trair o país, o povo e, sobretudo, a esperança na construção de uma democracia social na oitava maior economia do mundo e principal referência da luta pelo desenvolvimento no ocidente.

Todo o discurso da Presidenta Dilma irradiou esse discernimento de que o seu governo e mais que ele, o projeto que ele expressa só tem futuro se tiver o desassombro de ser defendido na rua.

Foi isso que Dilma fez ao levar seu governo à rua do 1º de Maio e lá anunciar um aumento médio de 9% para o Bolsa Família, ademais de reafirmar a prorrogação do Mais Médicos por três anos, corrigir a tabela do IR e adicionar mais 25 mil contratações à linha do Minha Casa vinculada à autoconstrução.

Dilma afrontou assim o martelete midiático do ‘país aos cacos’ , que lubrifica a sociedade para a resignação diante do arrocho embutido na tese do golpe ‘saneador’.

Dilma fez mais que isso ao acusar a sabotagem paralisante contra o seu governo, por parte dos interesses que, derrotados quatro vezes no jogo democrático, resolveram destruir a urna e pisotear seus escombros para chegar ao poder.

A propaganda do jornalismo embarcado sonega esse traço central da encruzilhada brasileira: a ofensiva golpista não é uma consequência da crise; ela é a crise em ponto de fusão.

Em outras palavras, ao contrário do que solfejam os violinistasdo golpe, não existe uma ‘macroeconomia responsável’ (a do arrocho) que vai tirar o Brasil da espiral descendente.

O que existe é um acirramento da luta de classes, a exigir uma repactuação política do país e do seu desenvolvimento. Algo que a plutocracia, a mídia, a escória e o fascismo decidiram elidir por meio do golpe e através dele impor a sua agenda à nação.

‘Eu vou resistir’, disse Dilma ovacionada pela multidão no Anhangabaú que teve o privilégio de participar desse pontapé da resistência de uma Presidenta que passou a governar na rua, pela rua, com a rua.

Esse é o requisito para mudar a correlação de forças e destravar as verdadeiras reformas de que a sociedade e o desenvolvimento necessitam.

A saber: reforma política, para capacitar a democracia a se impor ao mercado; reforma tributária, para buscar a fatia da riqueza sonegada à expansão da infraestrutura e dos serviços; reforma do sistema de comunicação, para permitir o debate plural dos desafios brasileiros — que são poucos, nem se resolvem sem ampla renegociação do desenvolvimento.

Quem rumina desalento diante do gigantismo dessa tarefa menospreza o salto histórico percorrido nos últimos meses.

Há exatamente um ano, um outro comício do dia do trabalhador organizado no mesmo Vale do Anhangabaú foi igualmente desdenhado pelo noticiário — e mesmo por uma parte da esquerda.

Foi tratado como mero evento retórico.

Um ano depois, as ruas do Brasil já não dormem mais.

Um ciclo de grandes mobilizações de massa está em curso no país.

Respira-se a expectativa dos campos de batalha no amanhecer do confronto.

A engrenagem capitalista puro-sangue escoiceia o chão do estábulo. Aguarda os cavalariços do golpe que vem lhe trazer a liberdade para matar.

A chance de que o embate resulte em uma sociedade melhor depende da determinação progressista — acenada no discurso de Dilma — de assumir a rédea das forças xucras do mercado, para finalmente domá-las a favor do povo e da nação brasileira.

O golpe tornou quase inevitável isso que o ciclo do PT sempre adiou em favor de soluções acomodatícias e avanços incrementais.

A natureza ferozmente excludente de sua lógica revela os limites estreitos e irredutíveis de uma parte da elite brasileira, da qual a mídia se fez porta-voz.

No 1º de Maio do ano passado, Lula — ausente nesse por recomendação médica — lembrou que a primeira universidade brasileira só foi construída em 1920.

Quatro séculos depois do descobrimento.

Em 1507, em contrapartida, 15 anos depois de Colombo chegar à República Dominicana, Santo Domingo já construía sua primeira universidade.

Tome-se o ritmo de implantação do metrô em São Paulo, em duas décadas de poder tucano.

Compare-se a extensão duas vezes maior da rede mexicana, ou a dianteira expressiva da rede argentina e da chilena.

O padrão não mudou.

Lula criou 18 universidades em oito anos. A elite levou 420 anos para erguer a primeira e Fernando Henrique Cardoso não fez nenhuma.

Há lógica na assimetria.

Para que serve uma universidade se não faz sentido ter projeto de nação; se a industrialização será aquela que a ALCA rediviva permitir e se o pre-sal deve ser entregue à Chevron?

O que Lula estava querendo dizer ao povo do Anhangabaú, então, tinha muito a ver com algo que agora assume nitidez desconcertante nos ‘planos’ do golpismo.

O desenvolvimento brasileiro não pode depender de uma elite que dispensa ao destino da nação e à sorte do seu desenvolvimento o mesmo descompromisso do colonizador em relação aos povos oprimidos.

Uma elite para a qual a soberania é um atentado ao mercado não reserva qualquer espaço à principal tarefa do desenvolvimento, que é civilizar o mercado para emancipar a sociedade e, portanto, universalizar direitos.

Reinventar a soberania no Brasil do século XXI, portanto, implica vencer o golpe e seu projeto de terceirização do Estado e do patrimônio nacional aos mercados.

A devastação do mundo do trabalho e a supressão da cidadania social é a lógica que move o golpismo e os homens-abutres que frequentam seu bazar de ministérios.

O que a elite preconiza nos salões onde se negocia o botim é de uma violência inexcedível em regime democrático e muito provavelmente incompatível com ele.

É como se uma gigantesca engrenagem cuidasse de tomar de volta tudo aquilo que transgrediu os limites de uma democracia tolerada por ser apenas formal, mas que o ciclo iniciado em 2003, com todas as suas limitações, desvirtuou em direção a um resgate social transgressivo para o gosto da elite brasileira.

No lugar disso, o que se pretende instituir agora é um paradigma de eficiência feito de desigualdade ascendente. A Constituição Cidadã de 1988 será retalhada. Programas e políticas sociais destinados a combater a pobreza e a desigualdade de oportunidades serão eviscerados. O que restou da esfera pública, privatizado. A riqueza estratégica do pré-sal e o impulso industrializante contido na exigência de conteúdo nacional serão ofertados no altar dos ditos livres mercados (ou Chevron).

A ambição implica regredir aquém do ciclo de redemocratização que subverteu o capitalismo selvagemente antissocial da ditadura. Como disse Dilma no 1º de Maio: lutamos hoje para preservar tudo o que conquistamos com a redemocratização; mas também tudo o fizemos antes para ter a democracia de volta’.

A petulância chega a tal ponto que na véspera deste 1º de Maio, Michel Temer afagou a bancada ruralista com uma promessa obscena: o golpe revisará todos os decretos de desapropriação de glebas para reforma agrária e demarcações de áreas indígenas assinados por Dilma nos últimos meses.

O confronto é aberto.

Não será vencido só com palavras.

No 1ºde Maio de 2015, o presidente da CUT, Vagner Freitas chamou para a frente do palco dirigentes da Intersindical e da CBT; chamou Gilmar, do MST; chamou Boulos, do MTST, e outros tantos; e através deles convocou quase duas dezenas de organizações presentes.

Vagner apresentou ao Anhangabaú, então, a unidade simbólica da esquerda brasileira, fixada em torno de uma linha vermelha a ser defendida com unhas e dentes: a fronteira dos direitos, contra a direita.

Premonitória, sua iniciativa, já não basta mais para deter uma violência que agora marcha ostensivamente para sua consumação.

A defesa da agenda progressista hoje implica, ademais da unidade das direções, promover a capilaridade da resistência popular.

Comitês de resistência da vizinhança; comitês de resistência nos locais de trabalho; comitês profissionais e sindicais; comitês de amigos; comitês de mães de alunos; comitês por escola...

Sobretudo, urge dotar essa capilaridade de uma prontidão articulada, exercida por uma efetiva coordenação da frente progressista nascida no 1º de Maio de 2015.

Hoje para afrontar o golpe; amanhã para vencer uma nova disputa presidencial, essa rede da legalidade é a tarefa inadiável dos dias que correm.

Por uma razão muito forte: sem ela o próximo 1º de Maio talvez encontre o Vale do Anhangabaú cercado por tropas de um golpe vencedor.

O Brasil será aquilo que a rua conseguir que ele seja.

Quando o extraordinário acontece na vida de uma nação é inútil reagir com as ferramentas da rotina.

Hoje a palavra organizar é sinônimo de resistir, assim como o substantivo ‘rua’ tornou-se equivalente ao verbo lutar.

As lideranças populares não podem desperdiçar o significado histórico dessa mutação

As ruas do Brasil já não dormem mais, cabe às lideranças dota-las de sonhos reais.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Nota sobre a antecipação de juízo da PGR sobre Lula

http://www.institutolula.org/nota-sobre-a-antecipacao-de-juizo-da-pgr-sobre-lula

A peça apresentada pelo Procurador-Geral da República indica apenas suposições e hipóteses sem qualquer valor de prova. Trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso.

O ex-presidente Lula não participou nem direta nem indiretamente de qualquer dos fatos investigados na Operação Lavajato.

Nos últimos anos, Lula é alvo de verdadeira devassa. Suas atividades, palestras, viagens, contas bancarias, absolutamente tudo foi investigado, e nada foi encontrado de ilegal ou irregular.

Lula sempre colaborou com as autoridades no esclarecimento da verdade, inclusive prestando esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República.

O ex-presidente Lula não deve e não teme investigações.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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