1 de mai de 2016

Dilma no 1º de maio em São Paulo


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Geometria

Por que certas coisas sem importância aderem à nossa memória como craca num casco velho? Uma vez o Barão de Itararé foi visitar meu pai. Não sei se já se conheciam ou se conheceram-se então. Eu devia ter uns doze anos, o suficiente para saber quem era o Barão de Itararé e para não querer perder um minuto da conversa. E no entanto, só o que me lembro daquele dia foi o Barão descrevendo como se abotoava uma camisa:

- Abotoa espera um pouquinho, abotoa espera um pouquinho, abotoa espera um pouquinho...

Eu sei, a lembrança não está à altura do grande humorista, que deve ter dito coisas memoráveis. Mas o que ficou foi isso. Abotoa espera um pouquinho, abotoa espera um pouquinho, abotoa espera um pouquinho. E o pior é que, até hoje, quando fecho uma camisa, repito mentalmente as palavras do Barão.

- Abotoa espera um pouquinho, abotoa espera um pouquinho, abotoa...

* * *

E aquelas músicas que não nos saem da cabeça? Geralmente são músicas ruins, que você tenta abafar pensando numa música boa. Em vão. A música reincidente volta sempre. Às vezes você nem sabe que música é. Onde foi que eu ouvi isso, meu Deus? Será que eu mesmo inventei e não consigo parar de me atormentar com ela, numa espécie de suicídio auricular? Sempre imaginei que um sintoma de loucura irreversível é a pessoa não parar de ouvir o Bolero de Ravel na sua cabeça, o tempo inteiro.

Nós não nos conhecemos. Tive uma prova disso quando comecei a estudar num “high school” americano e me vi em território nunca explorado na minha experiência prévia de estudante brasileiro, principalmente na área da matemática. Dois mais dois também eram quatro nos Estados Unidos, mas fora isso eu estava perdido, incapaz de acompanhar os trabalhos de aula. Tudo agravado pela minha timidez e meu horror congênito a escola, qualquer escola, americana ou brasileira.

Até que um dia.... Completei um trabalho de geometria e, ao entregar o trabalho para a professora notei que era o primeiro a fazer isto e que os outros demonstravam dificuldade em terminar o que eu completara em poucos minutos. A professora elogiou meu trabalho e dali em diante, sempre que precisava de alguém para mostrar no quadro negro a solução que escapara a todos os outros, chamava: “Mr.Verissimo...”

O mistério dessa historia é que eu não sabia que sabia geometria. Tinha uma vaga lembrança de estudar geometria no Brasil, mas nada que me transformasse, milagrosamente, naquele mestre na matéria. A geometria, em mim, era inata, um dom. Deixei de ser o estrangeiro que não compreendia nada e passei a ser requisitado para dar cola aos colegas. De onde saira aquela sabedoria, aquela familiaridade com hipotenusas e ângulos? Eu não tinha a menor ideia.

Anti-climax. Depois que deixei o “high school” e pelo resto da minha vida, nunca mais precisei usar a geometria.

Luís Fernando Veríssimo
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O trio do Temer foge do voto

Não vencem uma eleição há dez anos!

Engraçado: Wellington, Geddel e Padilha estão mais perto da cadeia do que da urna
Letícia Fernandes, de O Globo, publica comovente hagiografia do trio “mais próximo” do vice, que “não vence uma eleição há dez anos”!

É uma descrição da imaculada, pura, virginal carreira de Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima, que vivem mais perto da cadeia do que da urna eletrônica.


Wellington concluiu seu mandato de deputado federal em 2006.

Depois disso, ousou cometer um fato inusitado na História das Eleições em supostas democracias: ele foi candidato a prefeito de Niterói, foi para o segundo e desistiu de disputar o segundo turno.

Sabia que ia tomar uma surra impiedosa.

O Padilha tem uma larga experiência no Executivo: foi prefeito de Tramandaí.

Em 2010, não se candidatou a Senador, quando, sabia, ia tomar uma surra como a que esperava o Wellington em Niterói.

E o Geddel Vieira Lima, perseguido por epítetos implacáveis que os baianos lhe aplicam, foi candidato a governador da Bahia e levou uma surra do Jaques Wagner.

Tentou ser senador e tomou outra surra, agora do Otto Alencar, que reuniu 56% dos votos.

São uns perdedores irremediáveis.

Sem falar no Temer.

Elegeu-se deputado federal em São Paulo com toda a máquina do PMDB nas mãos, e conseguiu apenas 99 mil votos, em 2006.

E foi para a Câmara em último lugar na chapa do partido.

Por isso que eles querem o Golpe.

Porque, pelo voto, não chegariam lá!

E é por isso que as eleições, com plebiscito ou com PEC, se realizarão brevemente, como prevê a Vox Populi.

Porque esse Governo da Globo, do Geddel, do Wellington, do Padilha e do Temer não tem legitimidade para assinar um convênio com a Fundação Roberto Marinho.

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Vox Populi: cresce rejeição da população a Temer e ao golpe

Segundo pesquisa encomendada pela CUT, três em cada quatro brasileiros viram a sessão da Câmara que aprovou processo de impeachment contra Dilma e 56% reprovaram conduta dos deputados

São Paulo – Nova pesquisa CUT/Vox Populi avaliou o sentimento dos brasileiros depois que a Câmara dos Deputados aprovou, no dia 17 de abril, a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. O processo foi encaminhado para análise do Senado. Para 32% o Brasil vai piorar se o vice-presidente Michel Temer assumir no lugar de Dilma; 29% acreditam que o desemprego vai aumentar; 34% preveem piora em relação aos programas sociais; e 32% acreditam que perderão direitos trabalhistas.

A avaliação negativa de Temer ficou em 62% (era 61% na pesquisa anterior). O percentual dos que não consideram que o golpe é a melhor solução para o país aumentou para 66%, contra 58% do levantamento realizado entre 9 e 12 de abril.

A maioria não acredita que a vida vai melhorar no caso do Senador aprovar o processo e Temer assumir: 33% acham que nada vai mudar no Brasil, 36% consideram que nada vai mudar em relação ao desemprego e o mesmo percentual em relação a programas sociais e 35% em relação a direitos trabalhistas.
Como o Brasil avalia a performance dos deputados

O Brasil parou para assistir à votação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados no último 17 de abril: 76% acompanharam integralmente ou em parte, 23% não viram o espetáculo (2% não responderam).

Mais da metade das pessoas não gostou do que viu. A performance dos deputados, mal preparados e com falas medíocres e ofensivas, como a do Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que elogiou um torturador, foi julgada de forma negativa por 56% dos que assistiram a transmissão – 37% consideram o comportamento dos deputados péssimo e 19% ruim.
Avaliação dos senadores

Os brasileiros estão divididos quanto à capacidade dos senadores de avaliar o processo de impeachment. Para 33%, os senadores são mais bem preparados dos que os deputados; 25% acham que os senadores são tão preparados quanto os deputados; 22% consideram que nem senadores nem deputados são preparados; e 7% acham que os senadores são menos preparados. Não souberam ou não quiseram responder 14% dos entrevistados.

Apenas 20% dos entrevistados acreditam que o Senado o Senado não vai aprovar o impeachment, enquanto 70% pensam que sim.
Eleições diretas

Para 61% dos entrevistados, o melhor para o Brasil é fazer eleições diretas ainda este ano. Para 21%, o melhor é a presidenta Dilma permanecer no cargo; 11% acham que é melhor Temer assumir; e 7% não sabem ou não souberam responder.

A pesquisa CUT/Vox Populi foi realizada entre os 27 e 28 de abril. Foram entrevistadas 1.523 pessoas em 97 municípios.

Com informações de Marize Muniz, da CUT

Acompanhe apresentação. Em alguns slides, a soma não equivale a 100% porque os números foram arredondados.


No RBA
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¡No Pasarán! — Canciones de guerra contra el fascismo [1936-1939]


01. El quinto regimiento
02. Los campesinos
03. A las barricadas
04. Coplas de la defensa de Madrid
05. Las compañías de acero
06. Adelante brigada internacional
07. Canción del frente unido
08. Camarada Hans Beimler
09. El Valle del Jarama
10. El joven de Alacalá
11. Nuestra bandera
12. Canto nocturno en las trincheras
13. ¿Qué será?
14. Ya sabes mi paradero
15. Cookhouse: El fogón del campamento
16. El paso del Ebro
17. Los soldados del pantano
18. Canción de Bourg Madame

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O Jogo dos Sete Erros – 1964-2016


STF

Golpe de 1964

Na madrugada do dia 2 de abril, o Presidente do STF, Álvaro Ribeiro Moutinho da Costa, normalizou o golpe ao dizer que a tomada do poder pelos militares e a derrubada do Presidente João Goulart, eleito pelo voto popular, estavam de acordo com a Constituição, além de ter comparecido à posse de Ranieri Mazzili, então Presidente da Câmara que passou a ocupar provisoriamente a Presidência da República. A afirmação e a atitude desse juiz não resistiram ao exame mais básico sobre o que dizia a Constituição de 1946. Jango estava em solo nacional quando o Congresso declarou vaga a Presidência da República, logo o cargo não havia sido abandonado como afirmaram. Após Castello Branco assumir a presidência, Moutinho da Costa afirmou que se fazia necessária em momentos de crise a relativização das garantias e dos princípios democráticos.

Golpe de 2016

Na noite do dia 20 de abril, no Jornal Nacional, o Ministro decano do STF, Celso de Mello, secundado pelos Ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, afirmou que o processo de “impeachment” da Presidente da República Dilma Roussef, eleita pelo voto popular, estava perfeitamente de acordo com a Constituição. A afirmação desses Ministros é contrariada pelo que diz a Constituição de 1988, que prevê a possibilidade da deposição do Presidente da República pela via do impedimento apenas se ele houver praticado crime de responsabilidade. Dilma não praticou crime de responsabilidade. O atraso no repasse aos bancos públicos de recursos do Tesouro Nacional (“pedaladas”) não configura conduta criminosa, nem crime orçamentário, nem crime à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal e muito menos crime de responsabilidade. Em entrevista dada ao Estadão após a aprovação do processo de impedimento de Dilma Roussef pela Câmara dos Deputados, o ex-Ministro do STF Carlos Ayres Britto afirmou que em meio à crise política o país vive um momento de “pausa democrática” para que o país possa se reorganizar, uma espécie de “freio de arrumação” afirmou o ex-Ministro.

CONGRESSO NACIONAL

Golpe de 1964

No dia 2 de abril de 1964 o Presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli declara vaga a presidência da República mesmo o Presidente João Goulart estando em território nacional e mesmo não tendo Jango renunciado à Presidência. No dia 11 de abril, o Marechal Castello Branco é eleito Presidente da República pela via do voto indireto praticado pelo Congresso Nacional, obtendo 361 votos favoráveis, com 72 abstenções, 37 ausências e 5 votos contrários. Tais fatos revelam que o golpe civil-militar também revestiu-se do caráter de um golpe parlamentar, na medida em que o Congresso Nacional violou flagrantemente a Constituição de 1946 ao chancelar a deposição de um Presidente eleito pelo voto popular, sem a ocorrência de nenhuma das causas previstas no texto constitucional para sua deposição e, em seguida, promoveu eleições indiretas para Presidente da República sem que houvesse qualquer previsão constitucional neste sentido.

Golpe de 2016

No dia 2 de dezembro de 2015 o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha aceitou pedido de impedimento contra a Presidente Dilma Rousseff. Contudo, o pedido não apresentou a existência da prática de crime de responsabilidade por parte da Presidente, única causa prevista na Constituição de 1988 como justificativa para o seu impedimento. O pedido foi aceito como vingança, pois ocorreu momentos depois que os deputados do PT declararam que votariam contra o Presidente da Câmara na Comissão de Ética da casa legislativa. No dia 17 de abril de 2016 ocorre sessão plenária de votação do parecer favorável, aprovado pela Comissão Especial constituída, ao impedimento da Presidente. O pedido é aprovado pela Câmara com 367 votos a favor, 137 contra, 7 abstenções e 2 ausências. Nas manifestações dos parlamentares para justificar o voto pouco se tratou da acusação da prática de crime de responsabilidade pela Presidente. O que a esmagadora maioria dos deputados disseram foram homenagens a membros da família, acusações de corrupção à Presidente (não mencionadas no pedido cuja aceitação se votava) e até homenagens a notórios torturadores da ditadura civil-militar, espetáculo que chocou a sociedade, até mesmo aqueles favoráveis à deposição da Presidente. A aprovação do pedido na Câmara representou o momento culminante para o afastamento da Presidente pelo Senado Federal, tornando-o praticamente irreversível sob o ponto de vista político. O golpe ainda em curso, portanto, tem um caráter inegavelmente parlamentar.

MÍDIA

Golpe de 1964

Ao longo do ano de 1964, antes que o golpe de Estado fosse dado, Roberto Marinho conspirava com políticos, empresários e militares golpistas e seu Jornal O Globo, assim como quase todos os outros jornais da grande mídia (e entre eles a Folha de São Paulo e o Estadão, além de revistas como O Cruzeiro, de Assis Chateaubriand), estampava sucessivas manchetes que incitavam ao golpe. O Editorial do dia 2 de abril de 1964 festejou o golpe de Estado sob o argumento de que se salvava a democracia e se tratava de movimento apartidário, com apelos para que o Congresso votasse com rapidez as medidas necessárias, como a eleição indireta para Presidente e que tudo transcorria de acordo com a Constituição e com a legalidade. Roberto Marinho continuou conspirando com os líderes do golpe para que o mandato de Castello Branco fosse prorrogado e as eleições de 1965 canceladas. Em editorial do dia 31 de agosto de 2013, o Jornal O Globo reconhece que foi um erro ter apoiado o golpe de 1964, ainda que no mesmo texto procure justificar o seu erro.

Golpe de 2016

 Ao longo do ano de 2016, antes que o golpe de Estado fosse dado, João Roberto Marinho conspirava com políticos, empresários, procuradores e juízes golpistas e seu Jornal O Globo estampava sucessivas manchetes e editoriais de apoio ao golpe parlamentar, assim como fizeram também quase todos os jornais da grande mídia (e entre eles a Folha de São Paulo, o Estadão e a Revista Veja) . A Rede Globo de Televisão teve papel decisivo e protagonista por meio principalmente dos seus programas de notícias e jornalismo. O Jornal Nacional dedicou edições inteiras para noticiar e analisar vazamentos seletivos e escutas ilegais enviadas diretamente pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato. Também deu destaque para investigações ainda em andamento do Ministério Público Federal voltadas contra o Ex-Presidente Lula, seu partido e o governo da Presidente Dilma, ao mesmo passo em que dava pouco espaço e importância às denúncias e delações envolvendo empresários que apoiavam a oposição e políticos da oposição, entre eles o candidato do PSDB derrotado em 2014, Aécio Neves. Construiu-se um trabalho em equipe entre MPF, Judiciário Federal e a mídia golpista (em especial a Rede Globo, mas também com participação adesiva da Rede Bandeirantes, da Record e, em menor medida, do SBT). O auge do espetáculo midiático ocorreu na noite de 16 de março quando Moro envia grampos ilegais feitos na própria Presidência da República diretamente à Rede Globo de Televisão, contendo conversas particulares e privadas que são expostas à execração pública em pleno Jornal Nacional, que passa a estimular a população de Brasília a invadir o Palácio do Planalto. O crime praticado por Moro é ignorado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo STF, contentando-se este último com um simples pedido de desculpas. A Rede Globo não admite que seja um golpe a deposição da Presidente em 2016 e não reconhece que sua cobertura é tendenciosa e parcial. Serão precisos mais 49 anos para reconheça o seu erro?

FORÇAS DE SEGURANÇA

Golpe de 1964

O alto oficialato das Forças Armadas, alguns nomeados diretamente pelo Presidente João Goulart, conspiram contra o próprio governo do qual fazem parte. A facção militar antigetulista assume a hegemonia e praticamente anula o chamado “dispositivo militar” com o qual Jango poderia contar, e que se revela inoperante e incapaz de conter a traição interna ao governo eleito no seio das Forças Armadas. Os tanques são colocados nas ruas e o golpe parlamentar obtém a segurança das armas para prosseguir.

Golpe de 2016

Amplos setores da Polícia Federal, em trabalho conjunto com o Judiciário e o Ministério Público Federal, levam adiante Operações de investigação, prisões e de execução de mandados de busca e apreensão que se voltam prioritariamente contra o próprio governo da Presidente eleita e seu Partido, assumindo  explicitamente um viés seletivo apoiado basicamente em delações de corrupção obtidas a partir de provisões provisórias sem prazo para acabarem, além de praticarem inúmeras ações ilegais e irregulares como vazamentos para a imprensa, prisões baseadas em indícios frágeis e escutas ilegais. O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, então comandante da Polícia Federal, revela-se incapaz de coibir tais abusos e ilegalidades e esconde-se atrás de um discurso pretensamente republicano, indo no mesmo sentido o STF, que convalida todos os atos da Operação Lava Jato.  Os policias e delegados responsáveis por essas Operações abrangidas pela Lava-Jato anunciam em redes sociais sua filiação política à oposição derrotada nas urnas. As caminhonetes da Polícia Federal e seus agentes são colocados nas ruas e o golpe parlamentar obtém a segurança do Estado policialesco e autoritário para prosseguir.

MOVIMENTOS DE CLASSE MÉDIA

Golpe de 1964

Setores da classe média brasileira, estimulados pela Igreja, empresários e meios de comunicação, vão às ruas pedir a deposição do Presidente eleito. Tais mobilizações ficaram conhecidas pelo nome de “Marchas com Deus, pela Família e pela Propriedade” e receberam farto financiamento de empresários brasileiros, em especial da FIESP, de empresários estadunidenses e do próprio governo dos Estados Unidos, através do IPES e do IBAD, institutos de fachada que serviam como canal de financiamento para parlamentares,  para propagandas e filmetes exibidos na televisão e nos cinemas, para centenas de programas de rádio e para as marchas de classe média, todos contrários ao governo João Goulart. O perfil das pessoas que compunham essas marchas eram de pessoas brancas, com educação formal completa e de nível de renda médio a alto. As principais bandeiras empunhadas por esses manifestantes, além da saída de João Goulart,  eram o combate à corrupção, ao comunismo e o apelo à intervenção das Forças Armadas.

Golpe de 2016

Setores da classe média brasileira, estimulados por empresários e meios de comunicação, vão às ruas pedir a deposição da Presidente eleita. Tais mobilizações procuraram explicitamente reeditar as “Marchas com Deus, pela Família e pela Propriedade” e receberam farto financiamento de empresários brasileiros, em especial da FIESP, e de milionários estadunidenses como os irmãos Koch, financiadores da organização “students for liberty” e empresários que atuam na exploração de óleo, gás e refino do petróleo. Tal financiamento se deu especialmente através de organizações como o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua. O perfil das pessoas que compunham essas marchas era de pessoas brancas, com educação formal completa e de nível de renda médio a alto. As principais bandeiras empunhadas por esses manifestantes, além da saída de Dilma Rousseff,  era o combate à corrupção, ao comunismo e o apelo à intervenção das Forças Armadas.

PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Golpe de 1964

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os EUA manteve estreito contato com as Forças Armadas brasileiras provendo treinamento militar e formação com base na Doutrina de Segurança Nacional, buscando igualmente transmitir técnicas de tortura e interrogatório e estratégias de guerra interna para combater o comunismo. Os EUA atuou também financiando ações golpistas internas, via IPES e IBAD, já que o governo João Goulart  empreendia medidas que batiam de frente com os interesses estadunidenses, como limitação de remessa de lucros das empresas estrangeiras situadas no país, legislação protecionista ao trabalhador e à atividade sindical, alinhamento comercial com a China, e ampliação do monopólio da Petrobrás. Os EUA enviaram tropas e navios à costa brasileira para apoiar o golpe de Estado caso o Presidente João Goulart decidisse reagir com as forças que lhe eram fiéis. E por fim, os EUA foram o primeiro país a reconhecer o governo usurpador instalado após o golpe de Estado.

Golpe de 2016

Desde pelo menos 2009, os EUA manteve estreito contato com setores do judiciário e do ministério público federal do Brasil, incluindo o juiz Sergio Moro e procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato, provendo treinamento e formação em torno do combate à corrupção e de medidas de “contra-terrorismo”, buscando transmitir técnicas de negociação de delações, interrogatórios e outras práticas que relativizam os direitos e garantias fundamentais dos investigados, no melhor estilo “law & order”. Por meio de convênios de cooperação internacional entre o MPF e o governo dos EUA, documentos relacionados à Operação Lava Jato são compartilhados. Os EUA também atuaram financiando grupos dissidentes ao governo Dilma Rousseff, já que este  empreendia medidas que batiam de frente com os interesses estadunidenses, como a manutenção da exclusividade ou preferência da Petrobrás para explorar o pré-sal, e o alinhamento comercial e político a países como China e Rússia, com os quais criou uma alternativa de financiamento e hegemonia internacional, juntamente com a Índia e a África do Sul, conhecida como os BRICS.  Os EUA também realizou, por meio do programa NSA denunciado por Edward Snowden, ampla espionagem de emails e comunicações envolvendo todo o governo brasileiro e em particular a Presidência da República.

GOVERNO DEPOSTO   

Golpe de 1964

O governo do Presidente João Goulart possuía um amplo programa de reformas sociais para diminuir a desigualdade no país. Batizado de “Reformas de Base” o programa visava realizar a Reforma Agrária, limitar a remessa de lucros de empresas estrangeiras no Brasil, ampliar o monopólio da Petrobrás, garantir o direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente, legalizar o Partido Comunista, implementar programas nacionais de alfabetização com formação para a cidadania, facilitar o crédito para a aquisição da casa própria, valorizar o magistério e o ensino público em todos os níveis, promover a reforma fiscal para a carga tributária ser distribuída de forma mais justa, proporcional e igualitária, ampliar o acesso ao crédito aos pequenos e médios produtores, e nacionalizar os serviços de energia elétrica, refino do petróleo e químico-farmacêutico. O pretexto para o golpe foi a ofensa à hierarquia militar quando Jango apoiou pleito de militares da Marinha de baixa patente por direitos básicos como o de poder se casar sem necessitar de autorização do superior hierárquico. Tal pretexto não estava previsto na Constituição de 1946 como causa legítima de deposição do Presidente eleito.

Golpe de 2016

O governo da Presidente Dilma Rousseff deu continuidade a um extenso programa de políticas públicas populares que vinham dos governos Lula e também do seu primeiro mandato, e que eram relativas a programas de distribuição de renda mínima, ações afirmativas de cotas para negros e indígenas nas Universidades, crédito para estudantes de baixa renda poderem cursar o ensino superior privado, valorização do magistério e ampliação de vagas no ensino superior, aumento de quantidades e valores de bolsas de estudos,  ampliação de escolas técnicas, programas de facilitação do crédito para camadas de baixa renda adquirirem a casa própria, acesso ao crédito para pequenos e médios produtores, ampliação do número de médicos em localidades carentes, valorização de inúmeras pautas vinculadas aos direitos humanos, garantia da exclusividade ou preferência da Petrobrás na exploração do pré-sal, combate a propostas de terceirização do trabalho e ampliação dos direitos trabalhistas dos empregados domésticos. O pretexto para o golpe foi a prática das já referidas “pedaladas fiscais”. Tal pretexto não está previsto na Constituição de 1988 como causa legítima de deposição da Presidente eleita.

Neste jogo, os erros são poucos e as semelhanças são muitas, e revelam que o Brasil não soube fazer a sua transição democrática, tendo apenas adormecido e adiado problemas e conflitos mal resolvidos que retornaram no golpe de 2016 no mesmo mês de abril e 52 anos depois do golpe de 1964. 

PS: O apoio da Ordem dos Advogados do Brasil aos golpes de 1964 e 2016, embora seja outra grande semelhança com pouquíssimos erros, não será incluído neste jogo, pois é uma maneira de refletir o desprezo e a insignificância com que a iniciativa da OAB foi tratada pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um dos mais destacados artífices do golpe de 2016.  

Agradeço à minha mulher Maria Tereza Flores Pereira, Doutora em Administração de Empresas pela UFRGS e Professora Adjunta da Escola de Administração da UFRGS, pela inestimável ajuda na organização das ideias e na revisão do texto.

José Carlos Moreira da Silva Filho
No O Cafezinho
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Fora, Cunha!

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P.S.: Fora, Cunha!

Fábio Porchat
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Miss Bumbum

Não é de duvidar que, como tudo hoje em dia, a questão acabe no Supremo Tribunal Federal. Os jornais têm chamado a esposa do atual ministro do Turismo Alessandro Teixeira, Milena Santos, de “ex-Miss Bumbum”, referindo-se a um título recebido por ela em Miami, em 2013. Nada de errado em ser “Miss Bumbum”.

A ex-modelo Milena é bonita, tem um corpo bonito e, a julgar pelas suas fotos publicadas, mereceu o título. Mas sabe-se pouco sobre o título. Ele é conferido todos os anos ou vale, por exemplo, por quatro anos ou mais?

Milena é realmente uma ex-Miss Bumbum ou uma Miss Bumbum em exercício, detentora legitima do título até que seja escolhida sua substituta? E como é feita a escolha da Miss Bumbum? Há uma votação democrática, é possível reverter a eleição por algum mecanismo legal ou extralegal?

Insistindo em chamar Milena de “ex-Miss Bumbum”, a imprensa não estaria se precipitando, temerariamente, inclusive desrespeitando a vontade dos eleitores do bumbum? Alguém pode ser “ex” antes do tempo? Eu gostaria de ouvir a opinião do Gilmar Mendes a respeito.

Noveleiro

Amigo meu dizia que seu sonho era pegar uma doença nada grave, mas que o obrigasse a ficar de repouso em casa. Ou então ser preso, também por nada muito grave, mas com a garantia de ter muito tempo ocioso. Tudo para poder terminar de ler o “Grande sertão: veredas”.

Não se brinca com a saúde, claro, e muito menos com o lamentável sistema carcerário brasileiro, mas entendi o que ele queria dizer. Uma questão de saúde tem me obrigado a ver mais televisão do que eu costumava — e o resultado é que virei noveleiro.

Eu já tentava ver tudo que o Luiz Fernando de Carvalho fazia, e não apenas por solidariedade de xará. O que ele está fazendo no “Velho Chico” ultrapassa tudo que já fez na TV — com a possível exceção de “Os Maias”.

Ele é incapaz de um enquadramento que não seja perfeito, e teve também o talento de escolher um elenco perfeito. Confesso que me atrapalhei um pouco no começo da história. Eu pensava que tudo se passava no século XIX, até que apareceu um Aero-Willys em cena. E vez que outra surge uma morena nova que ninguém sabe de onde saiu, mas é sempre bem-vinda. E até agora ninguém explicou o guarda-roupa do Antonio Fagundes. Mas fora isso, perfeição.

Depois vem o “Liberdade, liberdade”, um folhetim cativante feito com técnica de cinema, e com um cuidado incomum com cada detalhe. E, como no caso do “Velho Chico”, um elenco extraordinário. Dirigido por Vinícius Coimbra. E esse, de onde saiu?

Luís Fernando Veríssimo
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A CLT com Temer: 7 a 1 vai ser pouco (narração Juca Kfouri)


Listamos sete (dos vários) projetos de lei prejudiciais aos trabalhadores que, num governo Temer, vão ter mais chance do que nunca de serem aprovados - sem ninguém para vetá-los na reta final.

Acha que tá ruim agora? #vaipiorar

(Juca Kfouri cedeu sua narração gratuitamente para este vídeo, que também não recebeu dinheiro ou patos infláveis de nenhum partido ou organização para ser realizado)

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1º de maio: Vargas não morreu!


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1º de maio com Dilma e Lula - ao vivo

 Transmissão encerrada 

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Fim e começo

Temer, o verbo, é uma obrigação cívica à vista do que se pode esperar dos citados, quase todos, para compor um governo Temer, o nome. A voracidade com que os oportunistas se lançam em disputa por um bom pedaço do governo só se equipara, em despudor, à ostensiva incitação desse ataque felino como expediente do próprio Temer — um modo de se fazer visto como presidente.

Michel Temer está tão entregue a três ou quatro pessoas como esteve em sua longa presidência do PMDB. Combinação de fraqueza natural e pose artificial, Temer deu oportunidade e cobertura a que as piores correntes internas proliferassem no partido, situação da qual Eduardo Cunha e o mercantil PMDB da Câmara são dois dos vários efeitos. Foi a fraqueza, aliás, a razão das suas reeleições na presidência. Não haveria motivo para esperar algo diferente de Temer na passagem de uma presidência para outra. Até por já estar constituída, de sua parte e à sua volta, a mesma situação.

Albert Fishlow, o mais conceituado dos brasilianistas, e agora uma das muitas vozes internacionais que a imprensa brasileira não divulga, tem uma visão a ser anotada: "O impeachment não será o fim da crise. Será o começo".

Temer, o verbo por causa do nome, pelo que será dado ao Brasil é como um estigma, uma sina. Uma tristeza sempre repetida.

Os preocupados

O procurador Deltan Dallagnol dá notícia da preocupação na Lava Jato, da qual é coordenador, com a visão de que "a mudança de governo e mesmo a Lava Jato [são] meio caminho contra a corrupção. Não concordamos com essa visão. A corrupção não é privilégio do partido A ou do partido B".

A preocupação se justifica e fica bem que integrantes da Lava Jato a tenham. Mas pede um complemento. Não sendo a corrupção exclusividade de um ou de outro, não seria o caso de a Lava Jato interessar-se também pela corrupção do outro? Os doleiros informantes da Lava Jato não serviram só ao "partido A". E as empreiteiras não atuaram apenas durante governos do mesmo "A".

O complemento não precisa ser verbal. É mesmo preferível que seja em atos.

Os companheiros

As mutantes atitudes do PSDB quanto a participar de um governo Temer diferem das demais: a par da questão de cargos, é a eleição presidencial de 2018 que determina as decisões peessedebistas.

A recusa inicial à participação foi lançada por Aécio Neves porque José Serra já buscava sua inclusão no ministério, falavam até na Fazenda, e isso poderia pô-lo em vantagem para sair candidato do PSDB. Advertido de que Serra quer ser ministro, mesmo se dividindo o PSDB, Aécio recuou. O racha complicaria sua pretensão eleitoral.

José Serra começou posto na Fazenda, caiu para a Saúde, daí para a Educação e agora foi parar nas Relações Exteriores. No ministério, nada mais distante do eleitorado. A mudança que prejudica Serra está ligada à sua disputa com Aécio pela candidatura.

A vingança

Eduardo Cunha foi o fator decisivo para haver o processo de impeachment. Ao aceitar um dos pedidos, vingava-se em Dilma da posição do PT, no Conselho de Ética, por sua destituição da presidência da Câmara.

A situação de Eduardo Cunha como denunciado no Supremo Tribunal Federal agravou-se muito nos últimos dias. A haver um governo Temer, o presidente da Câmara se torna uma espécie de seu vice, como primeiro na linha de sucessão. E no Supremo emerge a tese de que tal condição é inaplicável a um réu criminal, justificando sua destituição pelo tribunal.

Ou seja: Eduardo Cunha faz de tudo no Conselho de Ética para não cair, mas o processo de impeachment, que deslanchou por vingança, o põe na iminência da destituição.

Janio de Freitas
No fAlha
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