28 de abr de 2016

Gravação mostra procuradores da "lava jato" tentando induzir depoimento

Ameaçar testemunhas com o intuito de influenciar o resultado de uma investigação criminal configura crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal, já decidiu o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. No entanto, é difícil imaginar qual é o possível desfecho quando a atitude é do próprio Ministério Público Federal.

Ameaças veladas, como “se o senhor disser isso, eu apresento documentos, e aí vai ficar ruim pro senhor”, que poderiam estar em um filme policial, foram feitas em plena operação “lava jato”. E em procedimento informal, fora dos autos.

O cenário é uma casa humilde no interior de São Paulo. Quatro procuradores batem à porta e, atendidos pelo morador — que presta serviços de eletricista, pintor e jardinagem em casas e sítios—, começam a questionar se ele trabalhou no sítio usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se conhece um dos donos do imóvel, o empresário Jonas Suassuna. Ao ouvirem que o homem não conhecia o empresário nem havia trabalhado no local, começam o jogo de pressões e ameaças:

Procurador: Quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas...

Interrogado: Dessas... Sobre o quê?

Procurador: Sobre, por exemplo, o senhor já trabalhou no sítio Santa Barbara?

Interrogado: Não trabalho.

Procurador: O senhor já conheceu o senhor Jonas Suassuna?

Interrogado: Nunca... Nunca vi.

Procurador: O senhor já fez algum pedido pra ele em algum lugar?

Interrogado: Nem conheço.

Procurador: Então, por exemplo, aí eu te apresento uma série de documentações. Aí fica ruim pro senhor, entendeu?

A conversa foi gravada pelo filho do interrogado, um trabalhador da região de Atibaia. Os visitantes inesperados eram os procuradores do Ministério Público Federal Athayde Ribeiro Costa, Roberson Henrique Pozzobon, Januário Paludo e Júlio Noronha.

Nas duas gravações, obtidas pela ConJur, os membros do MPF chegam na casa do “faz tudo” Edivaldo Pereira Vieira. Sutilmente, tentam induzi-lo, ultrapassando com desenvoltura a fronteira entre argumentação e intimidação, dando a entender que dizer certas coisas é bom e dizer outras é ruim.

Na insistência de que o investigado dissesse o que os procuradores esperavam ouvir, fazem outra ameaça velada a Vieira, de que ele poderia ser convocado a depor e dizer a verdade.

Procurador: É a primeira vez, o senhor nos conheceu agora, e eventualmente talvez a gente chame o senhor pra depor oficialmente, tá? Aí, é, dependendo da circunstância nós vamos tomar o compromisso do senhor, né, de dizer a verdade, aí o senhor que sabe...

Interrogado: A verdade?

Procurador: É.

Interrogado: Vou sim, vou sim.

Procurador: Se o senhor disser a verdade, sem, sem problema nenhum.

Interrogado: Nenhum. Isso é a verdade, tô falando pra vocês.

Procurador: Então seu Edivaldo, quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas...

Investigado ou testemunha

Ao baterem à porta de Vieira, um dos procuradores diz: “Ninguém aqui tá querendo te processar nem nada, não”.

No entanto, o nome de Pereira Vieira aparece na longa lista de acusados constantes do mandado de busca e apreensão da 24ª etapa da operação “lava jato”, que investiga se o ex-presidente Lula é o dono de sítio em Atibaia, assinado pelo juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Ao se despedirem, deixando seus nomes e o telefone escritos a lápis numa folha de caderno, os membros do MPF insistem que o investigado escondia algo e poderia “mudar de ideia” e decidir falar:

Procurador: Se o senhor mudar de ideia e quiser conversar com a gente, o senhor pode ligar pra gente?

Interrogado: Mudar de ideia? Ideia do quê?

Procurador: Se souber de algum fato.

Interrogado: Não...

Procurador: Se você resolver conversar com a gente você liga pra gente, qualquer assunto?

Interrogado: Tá.

Ouça trechos da gravação:



Marcos de Vasconcelos
No Conjur
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Carta a Moreira Franco, o angorá que mia aos poderosos, sobre vandalismo


Senhor Moreira Franco, o senhor vai ao Estadão dizer que seria “vandalismo” negar ao governo golpista que o senhor integrará, na condição de íntimo auxiliar do Joaquim Silvério dos Reis que o assumirá, os dados e documentos oficiais.

Como tudo o que o senhor diz, isso é falso. O senhor, que já foi ministro várias vezes — de não sei quantos governos, pois onde houver uma teta lá estará Moreira Franco pendurado — sabe que isso é impossível: todos estes dados são, hoje, informatizados e suas chaves de acesso não pertencem só aos ministros, mas a vários funcionários, quando não são de acesso público.

O que vai dispensar qualquer homem público decente, que não tenha funções permanentes no Estado, de, por razões éticas, morais e até de pudor, de tocar em sua mão traiçoeira e olhar sua máscara de falsidade.

Não tente, portanto, empurrar conspirações para o lado de Dilma Rousseff, que pode ter muitos defeitos políticos, mas certamente não tem o caráter degradado de quem, em sua vida política, já bajulou desde o marxismo da AP até as botas de cavalaria do General Figueiredo, servindo ao centrão do Sarney, à afetação de FHC, até que se pendurou em Lula e na própria Dilma que agora apunhala.

O conspirador é o senhor.

Aliás, em matéria de boicote, lembro muito bem, como integrante do governo Brizola, que este deu à sua equipe todas as informações, quando o senhor se elegeu cavalgando a mentira do Plano Cruzado — e ainda assim só porque Brizola foi proibido pelo seu amigo Sarney de ir à TV. Atitude que o senhor não teve quando, quatro anos depois, foi escorraçado pelo povo carioca e  fluminense.

Fui eu um dos que organizou a solenidade de posse e, se não fosse a correção absoluta do pessoal do Cerimonial e da Casa Militar, todos funcionários dignos e honestos, nem isso poderia ter transcorrido bem.

De qualquer forma, folgo em dizer que a sua ausência preencheu uma lacuna na festa popular da posse de Brizola.

Não se faça de vítima, senhor Moreira Franco, porque o senhor não é. Ao contrário, é um homem que só sugou poder em sua vida, desde que foi o “genro do genro” (de Amaral Peixoto, casado com Alzirinha Vargas, filha de Getúlio) até agora, quando é o “mordomo do mordomo”.

Brizola o chamava de gato angorá, não só por sua cabeleira, mas pela sua incrível capacidade de miar e ronronar docemente aos poderosos.

Não é a primeira vez que o senhor faz isso e há gente, como eu, que o sabe bem.

O senhor e a Globo acusavam Brizola de ligações com o jogo do bicho, mas quem recebia os bicheiros em coquetel no Palácio Guanabara era o senhor. Se quiser me processar por isso, porque não processou o jornalista Marcos Sá Correa, que o escreveu há 25 anos, sem desmentido.

Antes, o senhor havia demagogicamente prometido acabar com a violência em seis meses, mas o que se viu foi que estava dentro do seu palácio, o senhor Nazareno Barbosa, mentor de um dos mais dramáticos casos de sequestro no Rio, o do publicitário Roberto Medina.

Não há vandalismo algum, a não ser dos que se preparam, como o senhor, para vandalizar as conquistas do povo brasileiro, como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a correção necessária das aposentadorias.

Estes, sim, são vândalos e entre eles está o senhor.

Um dia, o povo brasileiro terá o prazer de escorraçá-lo, como já escorraçamos nós, do Rio de Janeiro, e especialmente nós, de Niterói, onde vivo e o senhor não pode por os pés.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Dilma afirma à CNN que irá lutar até o fim em defesa de seu mandato e da democracia

Em entrevista exclusiva, presidenta explicou que a baixa popularidade do governo não é suficiente para o impeachment e ressaltou que não cederá à pressão dos adversários. Assista ao vídeo


A presidenta Dilma Rousseff recebeu no Palácio do Planalto, ontem (27), a âncora da CNN International Christiane Amanpour. Em entrevista exclusiva, ela fez uma análise sobre a atual situação da política brasileira e a possibilidade de ser afastada pelo processo de impeachment em curso. Dilma explicou que a baixa popularidade de seu governo não é suficiente para o impedimento.

“No Brasil, um país com sistema presidencialista, assim como os Estados Unidos, ninguém pode ser levado a um processo de impeachment por impopularidade porque impopularidade é cíclica. Todos os presidentes ou primeiros-ministros da Europa que tiveram taxas de desemprego de 20% teriam que sofrer processo de impeachment porque também tiveram profundas quedas na popularidade”, afirmou à rede norte-americana.

A presidenta se disse vítima de uma injustiça e ressaltou que não cederá a pressão dos adversários. “Mais do que acreditar que irei sobreviver, irei lutar para sobreviver. Não somente pelo meu mandato, mas lutarei porque defendo o princípio democrático que governa a vida política no Brasil”. A íntegra da entrevista com Dilma Rousseff foi ao ar nesta quinta-feira (28) pela CNN, às 15h (horário de Brasília).







No Fórum
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Pérez Esquivel causa alboroto en el Senado brasileño al denunciar golpe de Estado (+ Fotos y Video)

El Premio Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel, habla en el Senado de Brasil.
Foto: @PrensaPEsquivel.
El premio Nobel de la Paz, el argentino Adolfo Pérez Esquivel, advirtió sobre la posibilidad de un golpe de Estado en Brasil durante un discurso este jueves en el plenario del Senado en Brasilia, provocando la indignación de varios legisladores opositores.

“En este momento hay grandes dificultades de un posible golpe de Estado” similar a lo que ocurrió “en otros países del continente como Honduras y Paraguay, [donde] se utilizó la misma metodología”, dijo el luchador argentino por los derechos humanos a los senadores brasileños.

Indignados, senadores de la oposición pidieron que el discurso sea eliminado de las notas taquigráficas.

El Premio Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel, irrita a opositores brasileños al denunciar intento de Golpe de Estado en el Senado de ese país. Foto: @PrensaPEsquivel.
El Premio Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel, irrita a opositores brasileños al denunciar intento
de Golpe de Estado en el Senado de ese país.
Foto: @PrensaPEsquivel.
“No se puede aceptar que un ciudadano extranjero diga en una de las casas del Congreso Nacional que hay un golpe en el país”, aseguró visiblemente irritado el diputado opositor Pauderney Avelino, líder de la bancada del partido DEM que impulsa el impeachment.

El Senado debe decidir en la segunda semana de mayo si separa a la presidenta Dilma Rousseff del cargo por hasta 180 días mientras se realiza un juicio de destitución en su contra. Los sondeos indican que ya hay suficientes votos para suspenderla.

Presidenta brasileña, Dilma Rousseff, recibe en Brasilia al Premio Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel. Foto: @PrensaPEsquivel.
Presidenta brasileña, Dilma Rousseff, recibe en Brasilia al Premio Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel.
Foto: @PrensaPEsquivel.
“Vengo a Brasil trayendo la solidaridad y el apoyo de mucha gente en América Latina y la mía personal para que se respete la continuidad de la Constitución, del derecho del pueblo a vivir en democracia”, dijo a los senadores el Nobel de la Paz 1980, premiado por su defensa pacífica de la democracia y los derechos humanos frente a las dictaduras militares de la región.

“Espero que salga lo mejor de este recinto en bien de la democracia” y de Brasil, concluyó.



No CubaDebate
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PCdoB na TV: Todos às ruas para defender a democracia


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Teori levará ao STF afastamento de Cunha


O minstro Teori Zavasck, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, anunciou nesta quinta-feira que levará ao plenário da corte o pedido de afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O motivo: como presidente da Câmara, ele se encontra na linha sucessória e seria, na prática, o vice de Michel Temer.

A lei, no entanto, diz que o presidente da República não pode exercer o cargo caso seja alvo de denúncia no STF.

"Esse assunto precisa ser examinado. Eu vou levar ao plenário", disse Teori.

Responsável principal pelo golpe parlamentar cometido contra a presidente Dilma Rousseff, Cunha já apareceu como beneficiário de diversas contas no exterior.

Além disso, dias atrás, o lobista Fernando Soares afirmou ter pago R$ 4 milhões em espécie a ele.

O STF, por sua vez, vinha sendo criticado por sua omissão em relação a Cunha, especialmente depois da sessão de 17 de abril, que envergonhou o Brasil diante do mundo.

Numa das acusações, relacionada à Carioca Engenharia, Cunha foi acusado de receber propinas de mais de R$ 50 milhões.

No 247
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Lindbergh destrói, ponto a ponto, a fala de Reale Júnior


Em fala na Comissão do Impeachment, Lindbergh aponta os inúmeros erros conceituais e jurídicos da denúncia, expõe a fragilidade da apresentação de Miguel Reale Júnior e desafia: "o senhor confunde tudo. Confunde 2015 com 2014. Fala em crime fiscal no maior ajuste da história do país. O senhor não quer o impeachment só da Dilma; quer o impeachment de Keynes e a criminalização de qualquer política anticíclica! Até o FMI está revendo suas posições. É uma loucura!"


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Como um colunista da Economist lacrou a discussão em torno da parcialidade da mídia brasileira

Exemplo de tendenciosidade
“O partidarismo da mídia deu peso para a imprensa internacional.”

Esta frase encerra a resistência cínica e patética que a mídia brasileira e seus vassalos querem opor à verdade de que as empresas jornalísticas nacionais são brutalmente parciais.

Quem a pronunciou foi o especialista em América Latina da Economist, Michael Reid, responsável pela coluna Bello.

Citei no DCM diversas vezes a Economist como exemplo de uma revista conservadora que deveria ser seguida no Brasil.

É de direita — mas não briga com os fatos, como diz Reid.

Acrescento eu: a imprensa brasileira faz mais que brigar com os fatos, a rigor. Omite, distorce, manipula. Cria um mundo paralelo através do qual defende seus interesses — os da plutocracia.

A Economist — que li ao longo de todos os anos em que militei no jornalismo de negócios — procura convencer seus leitores à base de ideias. A mídia nacional tenta ludibriar seu público à base de mentiras.

Esta a diferença essencial.

Há um outro acréscimo que deve ser feito à fala de Reid, publicada na BBC Brasil — este sim um site pluralista.

A parcialidade da imprensa brasileira abriu um espaço extraordinário aos sites independentes, como o DCM e tantos outros. Várias vezes refleti como teria sido mais árdua a trajetória do DCM em sociedades com mídia plural. No Reino Unido, teríamos que disputar leitores de centro-esquerda com o Guardian, para ficar num caso.

O público de centro, centro-esquerda e esquerda foi sendo progressivamente afastado da mídia tradicional.

A Veja foi pioneira nisso. A revista se tornou influente e maciçamente lida com a fórmula oposta à de hoje.

Desde que o PT subiu ao poder, a Veja virou um panfleto desprezível de direita. Perdeu completamente o respeito e a credibilidade ao se encher de pseudojornalistas como Mainardi e Azevedo.

Sobraram entre seus leitores apenas os fanáticos antipetistas.

A Veja deveria ser um caso a não ser seguido no universo da mídia, tal os estragos que sua postura provocou entre um imenso contingente de leitores.

Mas — numa prova da inépcia das grandes empresas jornalísticas, tocadas por herdeiros e dependentes visceralmente de dinheiro público e não de seus talentos gerenciais — virou modelo.

A Globo é hoje a Veja por outros meios. Seu Jornal Nacional poderia perfeitamente ser editado pelos jornalistas da Veja.

Foi neste ambiente que o consagrado jornalista americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil, se declarou chocado com o que ele chama de “mídia plutocrática”.

Como fundador e editor de um site independente, desde cedo vi o espaço que havia no mercado brasileiro de notícias para quem fosse uma alternativa à parcialidade do conteúdo produzido pelas famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita.

Estas famílias falam abusivamente de mercado sem praticá-lo. Não vivem e nem sobrevivem sem dinheiro público, ou por meio de publicidade ou por meio de financiamentos do BNDES, para ficar apenas em duas fórmulas de bater a carteira do povo.

Nenhuma delas fala disso, mas são beneficiadas até hoje, por incrível que pareça, por um sistema arcaico de reserva de mercado que as protegeu da concorrência estrangeira e perpetuou suas deficiências administrativas.

Mas em sua cegueira invencível, em sua obtusidade editorial Globo, Abril, Folha etc acabaram abrindo espaço para sites que não fazem da mentira a razão de sua existência e, como disse Reid, para publicações estrangeiras que não brigam com os fatos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Vem aí o "Informativo Paralelo" na "Outra Rádio"


Chegou a hora da Outra Rádio!

O Portal Desacato continua avançando em sua parceria com ABRAÇO-SC. Neste domingo 1º de Maio, 10h, no Portal Desacato, no sítio da ABRAÇO e neste blog, em homenagem aos Trabalhadores, apresentamos nosso programa de rádio semanal, o primeiro de uma grade que irá se construindo aos poucos: INFORMATIVO PARALELO. Ele vem se somar ao quadro 'Desacato Passa Revista' que desde 2015 se apresenta semanalmente no Jornal dos Trabalhadores.

Apresentado pela jornalista Patrícia Krieger, com a participação de Elaine Tavares, Raul Fitipaldi, as reportagens de Márcio Papa, Cláudia Weinman, Izabel Fávero e José Carlos Ferreira, do Barão Catarina, a locução de Gabrielle Schardosin, a Direção de Thiago Iessim; todos sob a Direção Audiovisual de James Pereira e a Direção Geral de Jornalismo de Tali Feld Gleiser, 'Informativo Paralelo' vai desconstruir as "verdades" da mídia monopólica.

Depois da apresentação no Dia dos Trabalhadores, o programa lançará episódios semanais todas as quartas-feiras, às 10h da manhã, no Portal Desacato e no sítio da ABRAÇO-SC, a partir do dia 11 de maio.

Nos acompanhe em mais este desafio. Venha junto!
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O supremo confirma: a Lava Jato o afrontou no inquérito contra Lula

Através de uma reportagem de Patrícia Faermann, do JornalGGNLava Jato afrontou STF adiantando inquérito contra Lula — fontes que a jornalista ouviu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) confirmaram o que dissemos aqui, na segunda-feira (25/04): Além de afrontar o STF, Lava Jato antecipa nova condenação de Dirceu. Ou seja, a divulgação de detalhes do Inquérito contra o ex-presidente Lula foi um desrespeito a decisão do plenário do STF que avocou os inquéritos contra o ex-presidente.

Pelo que apurou Patrícia com suas fontes no STF, “o erro da equipe da Lava Jato — mais especificamente, ao que tudo indica pelo teor dos documentos, o vazamento partiu de integrantes da Polícia Federal — foi de, realmente, afrontar decisão do STF. O vazamento, em si, não pode ser considerado, uma vez que os autores do vazamento estão protegidos pelo anonimato garantido pelo jornal”,  Mas, ao vazarem, se denunciaram:
“(…) o erro foi de, com o vazamento, comprovar que a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba deu sequência às investigações, tendo possivelmente finalizado um inquérito a ser apresentado ao MPF. Erraram, ainda, ao anteciparem que “já teriam provas suficientes”, sem respeitar o devido processo legal na decisão que compete ao Supremo de averiguar quem julgará o caso e, consecutivamente, quais procuradores (MPF ou PGR) ficariam responsáveis pelo prosseguimento, ou não, do inquérito, transformando-a, ou não, em uma denúncia“, diz a reportagem.
A jornalista também fala de um erro meu aqui no blog. Reconheço-o, peço desculpas ao leitor, mas sinceramente, assim como a fonte dela e/ou ela, acho que foi de menor importância. Desconhecia que o inquérito não estava sob segredo de Justiça. O ministro Teori Zavascki decretou o sigilo em tudo o que se referia às escutas telefônicas que o juiz Sérgio Moro autorizou nos telefones utilizados pelo ex-presidente e depois suspendeu o sigilo. Com isso, divulgou, inclusive, uma conversa de Lula com a presidente Dilma, o que foi considerado ilegal por vários juristas, uma vez que a presidente tem direito a foro especial e Moro não tem poderes para autorizar a divulgação. Eu entendi que os inquéritos contra Lula também estavam sob sigilo. Errei. Acho, porém, de menor importância, perto do erro da Força Tarefa que serviu para mostrar que eles sim, descumpriam ordens do Supremo.

ornaGGN confirma no supremo que Força Tarefa afrontou aquela corte.Considero apenas que a jornalista e/ou sua fonte, equivocou(aram)-se ao apontar(em) a Polícia Federal como autora do vazamento. Com esta análise, ela conclui que os repórteres do Estadão, que publicaram a reportagem no sábado (no blog)  e no domingo (no jornal impresso), erraram ao falarem que haverá denúncia:
“Mas, em diversos momentos a reportagem adianta-se que a força-tarefa já teria “provas para levar o petista a banco dos réus por envolvimento no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras”. Nesse sentido, o jornal pulou três outras etapas do processo: inquérito, denúncia e, somente se aceita pela Justiça, a ação com réu.”
Na minha interpretação, o vazamento partiu da Procuradoria da República, isoladamente ou com a Polícia Federal. Por isso, inclusive, afirmam que Lula será denunciado, quer pelo MPF no Paraná, ou pelo Procurador Geral da República (PGR), em Brasília, caso o Supremo admita que sua posse como ministro e o processo fique no foro especial, até ele perder ou sair do cargo. Na matéria, afirmei:
A reportagem anuncia ainda como certa a denúncia contra Lula por envolvimento no “esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás”. (…) A partir de informações da Força Tarefa em Curitiba, a notícia garante que a denúncia ocorrerá, independentemente da decisão do STF determinando se compete à procuradoria em Brasília ou em Curitiba, processar o ex-presidente. Ou seja, procuradores do Paraná — da primeira instância — praticamente estão ditando o que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, fará caso o Supremo determine que o processo corra por aquela corte“.
Para não afrontar a Lei Orgânica da Magistratura que impede ao juiz “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério” . o ministro Zavascki não se manifestou sobre a matéria do Estadão e o vazamento promovido pela Força tarefa. Através de sua assessoria, remeteu ao JornalGGN a íntegra do seu despacho sobre as gravações divulgadas por Moro. É nele que avoca os inquéritos.

Seja como for, já há a certeza de que a Força Tarefa de Curitiba atropelou o Supremo. Resta esperar pelo que vai acontecer. Tanto a corte pode tentar se impor, diante desta afronta, como pode silenciar-se e se deixar desmoralizar. Aguardemos.

Marcelo Auler
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Ministério Público de SP manda mulher de deputado do DEMo devolver R$ 30 milhões

Na Câmara, Eli Corrêa Filho, votou a favor do impeachment e ainda argumentou que estava votando contra a corrupção



A Justiça paulista determinou nesta quarta-feira (27) que uma empresa de propriedade da mulher do deputado federal Eli Corrêa Filho (DEM-SP) devolva, em 48 horas, R$ 30 milhões que havia obtido em um processo de desapropriação relativo a obras do trecho norte do Rodoanel.

A Dersa e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), órgãos do governo do Estado, questionam os valores de perícia judicial de um terreno de propriedade da Empreendimentos Imobiliários Quadra de Ás, que tem entre seus sócios Francislene Assis de Almeida Corrêa.

Inicialmente, o Estado fizera uma oferta inicial de R$ 5 milhões pela área, que a empresa questionou em juízo. A 1ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos determinou que nova perícia fosse feita por perito judicial da região; dessa vez, chegou-se ao preço total de R$ 37 milhões.

Sem que a decisão fosse publicada, a Justiça de Guarulhos autorizou a empresa Quadra de Ás a resgatar 80% desse valor maior –um procedimento que o Tribunal de Justiça considerou incorreto em novembro de 2015, mas que só agora foi reconhecido em primeira instância.

Com base em casos similares, o Ministério Público instaurou inquérito civil e procedimento investigatório criminal para apurar um suposto esquema de superfaturamento em desapropriações do trecho norte do Rodoanel.

Os desvios podem chegar ao valor de até R$ 1,3 bilhão. As investigações se concentram em perícias no trecho da obra na região de Guarulhos, cidade em que Eli Corrêa Filho concorrerá à prefeitura.

Em nota, a Dersa, o DER e a Procuradoria Geral do Estado afirmam que "esperam que os valores abusivos apurados pelos peritos judiciais e que foram depositados em juízo atendendo a determinações judiciais retornem aos cofres públicos o mais breve possível".

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Profissão de fé no jornalismo

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8569

Emito opiniões todos os dias. Trabalho com isso. Para cada texto, recebo duas mensagens opostas. A primeira me parabeniza pela isenção. A segunda me critica pela tendenciosidade. Quem me elogia pela isenção, comemora o fato de que nossas opiniões coincidem. Quem me critica pela tendenciosidade, lamenta que a minha opinião não coincida com a sua. Jamais fui chamado de parcial por quem estava de acordo com a minha opinião. Jornalista precisa ter lado. Um lado a ser escolhido a cada novo assunto. O lado do jornalista deve ser sempre o da verdade segundo a sua consciência e a clareza dos fatos.

Em debates, donos da verdade esperam que os jornalistas sirvam apenas para passar a palavra e ler os comerciais. Contrariados, dão carteiraços. Toda vez que o discurso de autoridade é brandido, o melhor argumento está com a vítima dessa fúria normativa. Jornalista deve ser neutro, objetivo, isento e imparcial? Jornalista deve ser independente. Não ter compromisso. Outro dia, recebi uma mensagem enigmática ou paradoxal. Ainda estou tentando entender o seu sentido.

– Queremos que a sua opinião seja neutra.

Opinião precisa ser consistente, convincente, honesta e firme. Não se pode esperar, no entanto, que uma opinião convença quem dela discorda por princípio ou interesse. Uma vez, chamado de parcial, mudei de opinião, adotando o contrário do que havia dito, só para testar a coerência da audiência.

Meu interlocutor então exclamou:

– Muito bem, agora sim o senhor está sendo imparcial.

Jornalista independente não se deixa impressionar pelo clamor das massas. Elas facilmente optam pelo olho por olho e dente por dente. Jornalista independente exige do Estado procedimentos racionais e tem coragem de comprometer-se saindo da zona de conforto.

Numa palestra, fiz a pergunta padrão para colher boas respostas.

– Qual o papel do jornalista?

– Nenhum – respondeu um guri com ar de nerd.

– Como?

– Agora, professor, é tudo virtual.

Papel de jornalista é contrariar o senso comum quando este esconde, por trás das aparências, quase sempre enganadoras, alguma verdade mais profunda e incômoda. Acontece até de o homem de bem pensar mal. O jornalista tem a obrigação de compreendê-lo na sua indignação moral ou na sua dor pessoal e, feito isso, buscar, como princípio universal, algo menos contingente e imediato. Jornalista que só dá o que é esperado, querendo agradar sem provocar choques de percepção, não cumpre o seu papel essencial: descobrir o que está encoberto pelas racionalizações, erros, mentiras e manipulações.

Um jornalista neutro é o sonho de todos que se sentem incomodados com opiniões contrárias às suas. Ouvi esta recomendação:

– Contra ou a favor do impeachment?

– Contra se não houver prova de um crime de responsabilidade.

– O seu papel é ser neutro.

No dia seguinte, a mesma pessoa falava com um colega:

– Contra a favor do impeachment?

– A favor.

– Parabéns. A sua opinião é essencial para o nosso país.

Neutralidade é o nome que se dá a qualquer tentativa de neutralização de opiniões das quais não se gosta. Pura retórica. Ou, noutra perspectiva, uma estratégia ardilosa de silenciamento.

Um grito na contramão.
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Emocionado, Jô critica ataques a José de Abreu e Chico Buarque — assista


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Ensino


Escola: substantivo feminino; estabelecimento público ou privado destinado a ensino coletivo. Mas, na prática, local onde você tem o primeiro contato com maconha, começa a fazer sexo com pessoas nada a ver por carência e autoafirmação e sofre bullying, que te obriga a pagar terapia por toda sua vida adulta.

Elenco:
Bianca Byington
Fabio Porchat
Gregorio Duvivier
Gustavo Chagas
Gustavo Cesca
Luis Lobianco
Victor Meyniel
Wallison Santos

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A segunda vítima

Era improvável que a Dilma usasse alguns dos poucos minutos da sua participação na conferência sobre o clima nas Nações Unidas para falar no golpe que ameaça seu governo, mas o pânico se instalou mesmo assim. Ela iria denegrir a pátria diante do mundo! Houve uma mobilização geral para contestar o ainda não dito. Os ministros do Supremo Celso de Mello e Gilmar Mendes se apressaram a declarar que, ao contrário do que a Dilma poderia dizer na ONU, o impeachment em curso estava longe de ser um golpe. Estranho açodamento de quem, cedo ou tarde, terá que julgar questionamentos jurídicos do que está ou não está acontecendo no Brasil. Mas não importava a inconfidência espontânea dos magistrados, importava a negação do que a Dilma diria. Antes que ela dissesse.

O Senado mandou o senador Aloysio Nunes atrás da Dilma, com a missão de rebater o que ela falasse, fosse o que fosse. E a Câmara, que não tinha dinheiro para pagar a passagem de uma testemunha de acusação do Eduardo Cunha na sua Comissão de Ética, subitamente encontrou uns trocados no bolso de outra calça e mandou dois deputados a Nova York, também para desmentir a Dilma. Não se sabe exatamente o que os dois fariam, se Dilma pronunciasse a palavra “golpe”. Pulariam das suas cadeiras e gritariam “Mentira!”? Começariam a cantar o Hino Nacional para abafar a voz da traidora? Nunca saberemos. Dilma não disse o que todos temiam que ela dissesse. Depois, em particular e para jornalistas, falou em golpe à vontade. Mas na ONU, diante do mundo, frustrou a expectativa de todos. O pânico foi em vão. Os dois deputados brasileiros teriam sido barrados na entrada do plenário da ONU, mas isto eu não sei se é verdade. Teria sido um final adequado para a farsa.

Dizem que a primeira vítima de uma guerra é sempre a verdade. Se for assim, a segunda vítima é, certamente, o senso do ridículo.

Luís Fernando Veríssimo
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Alguma coisa digna

O veto da Lava Jato à hipótese de ser o advogado Antonio Mariz de Oliveira escolhido para o Ministério da Justiça, na eventualidade de um governo Michel Temer, é um passo significativo. O grupo da Lava Jato torna explícito seu envolvimento participativo na política. E o eleva das ações políticas artificiosas, revestidas de aparentes justificativas judiciais ou operacionais, para a ação direta. E já no nível alto das influências concorrentes. Papel próprio das forças propriamente políticas (aí incluídos os meios de comunicação).

É necessário reconhecer que o grupo da Lava Jato não forçou o avanço sobre o território impróprio. Foi-lhe ofertado o caminho livre. Depois encontrou as linhas fronteiriças já abertas. E, acima de tudo, o exemplo supremo do Supremo Tribunal Federal, em que se multiplicam os ministros a adotarem atitudes políticas, não mais restritos a quem ali o faz sem limite algum.

A restrição extremada a Mariz de Oliveira provém, ao que explicou o procurador Santos Lima, da assinatura do advogado na carta pública em que muitos de sua classe criticaram determinados procedimentos da Lava Jato, reconhecidos como excessos no uso do poder judicial. Não há restrição à moral ou à ética profissional de Mariz de Oliveira. A recusa é à sua opinião, e opinião tanto pessoal como de advogado com longa experiência.

Consiste a rejeição, portanto, em negação à liberdade de pensamento e de opinião. Assegurada, ao menos em teoria, pela Constituição da República que os procuradores da própria devem defender na totalidade.

Mariz de Oliveira foi posto sob suspeição, nem tão velada, de possíveis prejuízos à Lava Jato, se ministro a que a Polícia Federal está afeta. Nesse sentido, o veto contradiz o coordenador da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, que há pouco mais de uma semana dizia não haver possibilidade de que sua operação seja perturbada, qualquer que venha a ser a solução da crise política.

À parte a presunção, que concebe a Lava Jato como mais um poder independente no país, Dallagnol desconheceu o que talvez seja o período mais desonroso da Procuradoria-Geral da República. É a passagem, por sua chefia, do procurador Geraldo Brindeiro, consagrado no cognome de engavetador-geral da República: sumiu com todos os pedidos e inquéritos necessários no governo Fernando Henrique, que por isso mesmo o reconduziu ao cargo.

O risco para a Lava Jato ou para seus desdobramentos existe, e isso não é novidade. Tanto que de lá veio o reconhecimento de que os governos de Lula e de Dilma permitiram plena liberdade à operação, "ao contrário de governos anteriores", nas palavras de Santos Lima. Mas a maneira de prevenir ou combater limitações à ação investigatória e judicial legítima não é exceder das funções e deveres de conduta, nem, em última instância, o autoritarismo contra o direito de pensamento e opinião.

Alguma coisa digna precisa sobreviver à crise.

A escolha

Sem prejulgar o trabalho do senador Antonio Anastasia, que a depender de capacidade pode fazê-lo com excelência, é imprópria a sua escolha para relator da comissão que apreciará o pedido de impeachment no Senado. À parte a razão regimental lembrada pela senadora Vanessa Grazziotin, não há ninguém mais ligado entre os senadores do que Anastasia e Aécio Neves. É notório que a administração do governo mineiro de Aécio foi conduzida por Anastasia. Que, a confirmá-lo, bastou-se apenas com a continuidade ao assumir como sucessor.

O Senado não é a Câmara. Tem vários capazes de bem conduzir a relatoria. E não acentuariam o perigoso racha nacional em caso de atos ou deduções polêmicas.

(Tranquilize-se: não serei mais um a citar a mulher de César)

Janio de Freitas
No fAlha
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