20 de abr de 2016

O que Aloysio Nunes foi vender nos Estados Unidos? A Petrobrax?



De quem é o ASG Group?



O que faz o ASG Group?

Diplomatas comerciais
Falamos línguas dos negócios e do governo, traduzindo oportunidades e riscos em benefícios e recompensas.

Uma rede mundial
Com sede em Washington e nas capitais de todo o mundo, os assessores de ASG fornecer insights sem precedentes e de alto nível de aconselhamento estratégico e bom senso.

Desbloquear os mercados globais
Vamos além portas de abertura, trabalhando ao lado de nossos clientes para ajudar a navegar mercados desafiadores, resolver problemas e implementar estratégias para a gestão de risco. 

Quem representa o ASG no Brasil?

Rubens Barbosa é um conselheiro sênior da AlbrigthSG, onde ele aconselha os clientes de todo o Brasil e nas Américas, com base na sua experiência como embaixador do Brasil para os EUA e Reino Unido (governo FHC). Durante seus muitos anos de experiência diplomática, o embaixador Barbosa é especialista em gestão econômica, comercial e assuntos comerciais e levou centenas de missões de negociação.

Ele representou a República Federativa do Brasil em Washington, DC e no Tribunal de St. James, em Londres. Embaixador Barbosa também serviu como presidente da Associação de Café-Países Produtores.

Atualmente, ele trabalha como consultor de empresas e é presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o interlocutor líder entre indústria e governo na capital do Brasil.

Ele ocupou uma variedade de cargos de topo do Ministério das Relações Exteriores, incluindo o de secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda do governo brasileiro; Representante brasileiro Permanente à Associação Latinoamericana de Integração (ALADI); Subsecretário-Geral para a Integração Regional, Comércio e Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores; e como Coordenador da Seção Brasileira do Mercosul, o Mercado Comum do Sul.

O embaixador Barbosa publica regularmente artigos e ensaios e é o autor de quatro livros. Ele é membro do conselho de administração da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e da empresa CSU (administradora de cartão de crédito).

Ele obteve o grau de Mestre da London School of Economics.

O embaixador Barbosa está baseado em São Paulo, Brasil.
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Vídeo emocionante: vai ter luta!

Acampamento pela democracia vai se espalhar!





Do Mídia Ninja
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João Pedro Stédile no Espaço Público


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STF pode mudar decisão do Congresso sobre impeachment, diz especialista


Para André Ramos Tavares, 43, professor titular de direito econômico da USP e professor de direito constitucional na PUC-SP, o pedido pelo impeachment de Dilma usa "os mesmos argumentos do dia seguinte às eleições" e seu mérito pode, sim, ser apreciado pelo Supremo Tribunal Federal.

Em sua avaliação, um processo de impedimento que seja mera contagem de votos dos parlamentares não é o que a Constituição prevê e torna-se, assim, um golpe, afirma o professor em entrevista à Folha, por telefone.

A opinião de Tavares contra o impeachment não vem de alinhamento automático com a esquerda. Pelo contrário, o professor e parecerista é inclusive autor de um livro em coautoria com o advogado Ives Gandra da Silva Martins e com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, dois conhecidos críticos do governo.

Leia, abaixo os principais trechos da entrevista.

* * *

Qual a sua opinião sobre o impeachment?

Sou completamente contrário. Parece-me que são os mesmos argumentos do dia seguinte às eleições. Parte da população está descontente, mas as eleições foram limpas. Considero a crise apenas um exercício de discordância política, não de que a presidente cometeu crimes. O impeachment requer posição técnica, e caminha tudo muito rápido, sem discutir, isso não é bom para o país.

Vemos uma situação de perplexidade. De um lado, uma oposição agressiva por um impeachment; de outro, um partido do governo mirando a Presidência sem o voto democrático. Essa não poderia ser a pauta do partido. Em que lugar do mundo é possível um governo que não é governo, um partido que rompe sem renunciar à Vice-Presidência!?

O pedido contra Dilma se baseia principalmente na questão das pedaladas fiscais. Qual a sua avaliação?

Em primeiro lugar, se o crime ocorreu no mandato anterior, a lei não permite que seja usado para fins de responsabilização política. Além disso, o correto para esse tipo de situação é o julgamento pela via da prestação de contas, em que o Tribunal de Contas da União faz análise técnica e emite parecer opinativo. O plenário do Congresso julga as contas em seguida.

Não pode haver confusão: as contas dela de 2015 ainda não foram julgadas. São coisas distintas, como um tem rito específico exclusivo previsto na Constituição, o impeachment é inadequado.

Muitos dizem que o impeachment é um golpe. O que o senhor acha disso?

Vou te responder de uma forma bem clara. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha [PMDB-RJ], recentemente disse que desde 2009 o PMDB já sinalizava para rompimento com o PT. Oras, então não deveriam ter composto a chapa. Não é possível o partido sair sem o vice-presidente renunciar. Aí, sim, configura-se um golpe. Só há impeachment se não houver governo. O oportunismo é que gera um golpe. Temos problemas a resolver na legislação, não é possível ter uma chapa eleitoral que leve a esse cenário.

A alegação de golpe em andamento refere-se ao que efetivamente está acontecendo, não ao instituto em si. Há uma inversão da defesa. Em geral presume-se que o cidadão é inocente, o que no caso seria a presunção de legitimidade do governo eleito, e precisam ser produzidas provas contra ele, não ele provar sua inocência. Abriram um processo de impeachment sem investigações, sem provas. O governo sabe que não há elementos materiais para impeachment.

O Supremo Tribunal Federal poderia avaliar o mérito do processo de impeachment?

Na tomada de decisões pode haver vícios. O Supremo deveria examinar o mérito. Ele pode com certeza atuar se a decisão final pelo impeachment não tiver base substancial na Constituição. A falta de provas leva à nulidade do processo.

Não há ato que não possa ser levado ao STF se violar a Constituição. O tribunal já interveio em questões congressuais, chegou a intervir na edição de medidas provisórias, que cabiam ao Executivo. Temos um Estado mais consciente do Estado Constitucional. Vale para o processo ou para o mérito do impeachment, a qualquer tempo. O Judiciário vai desagradar alguma parte da população. Qualquer decisão terá leitura política, isso não é novidade, mas essa não é a razão pública da Constituição.

Qual seria a saída para a atual crise político-jurídica?

Creio que a saída para a crise do impeachment seria o PMDB adotar de vez a legalidade. O que está aí corre o risco de ter governo sem base no Congresso. O partido tem uma responsabilidade muito grande com o país, e gostaria que isso fosse mais bem assumido. Se o vale-tudo continuar, afetará o PMDB; nessa toada atual, as operações anticorrupção alcançarão todos os partidos.

A solução passa pelo PMDB e pelo Judiciário. O Judiciário não vai poder se eximir de tomar decisões desagradáveis para alguma parte da população, em conformidade com regras preestabelecidas.

Como o senhor analisa as decisões da operação Lava Jato até o momento?

A Operação Lava Jato é muito importante, no sentido de resgatar dinheiro público e identificar corruptos e corruptores. Erros vão acontecer e aconteceram, mas não é possível tolerar novas posturas que são o fim do Estado de Direito. A divulgação indevida de conversas, por exemplo, foi absolutamente ilegal.

É importante que a sociedade acompanhe o Judiciário, mas esse não pode criar novos poderes apoiado em legitimidade social. A Lava Jato aplica a lei com muito rigor. Pergunto: isso vai valer daqui para a frente para a sociedade como um todo ou só para casos de corrupção de um governo X? É preciso melhorar o direito, mas duvido que isso venha a ocorrer.

RODRIGO RUSSO
No fAlha
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A luta contra o golpe continua

Nova fase da luta em defesa da democracia


Vamos continuar a luta contra o golpe!

A Frente Brasil Popular, reunida nesta quarta-feira, dia 20 de abril, reafirma que não aceitará o golpe tramado por forças antidemocráticas, antipopulares e antinacionais que aspiram por retomar o governo federal à revelia das urnas, impondo um modelo econômico baseado na restrição dos direitos trabalhistas, dos programas sociais e da soberania nacional.

A votação na Câmara Federal, que denunciamos como fraude forjada pelos barões da corrupção, da plutocracia e da mídia, demonstrou que não havia qualquer crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma Rousseff. A declaração dos deputados e deputadas, em nome de Deus e da família, com menções machistas, homofóbicas e racistas, foi só uma forma de camuflar a ruptura constitucional que estava sendo aplicada.

A Frente Brasil Popular conclama a sociedade brasileira a continuar nas ruas com atos, paralisações e manifestos e também continuar a organização dos comitês em defesa da democracia e contra o golpe nos municípios, escolas, universidades e categorias profissionais.

Convidamos também todos os movimentos e entidades do campo democrático a construir uma grande jornada contra o golpe no dia 1º de maio, com grandes concentrações por todo o país.

Orientamos igualmente à organização imediata de atividades regionais e setoriais que expressem a repulsa do mundo da cultura, do trabalho e da democracia contra o impeachment.

Demandamos à presidenta da República que prontamente reorganize seu ministério, com representantes das forças partidárias e sociais que conformam a resistência democrática. Este novo governo está chamado a adotar medidas emergenciais que protejam a renda e o emprego dos trabalhadores.

Não descansaremos um só minuto antes que o golpismo seja derrotado e o país possa retomar o rumo da normalidade constitucional. Não reconheceremos qualquer governo que tem origem no desrespeito e desprezo da legalidade democrática, inevitavelmente caracterizado pela ilegitimidade e o arbítrio.

Como em outros momentos difíceis da história brasileira, o povo estará à altura do desafio de derrotar os inimigos da Constituição e da democracia.

São Paulo, 20 de abril de 2016.

Frente Brasil Popular
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Fidel Castro fala de morte em discurso do Partido Comunista de Cuba


“É um esforço sobre-humano dirigir qualquer povo em tempos de crise. Sem eles [os dirigentes], as mudanças seriam impossíveis. Em uma reunião como esta, aos mais de mil representantes escolhidos pelo próprio povo revolucionário, que a eles delegou sua autoridade, significa a maior honra que receberam na vida, e a isso se soma o privilégio de ser revolucionário que é o resultado de nossa própria consciência.

Por que eu me tornei um socialista, de forma mais clara, por que eu me tornei um comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por aqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despossuídos uma vez que eles foram privados de todos os bens materiais que proporcionam o trabalho, talento e energia humana. Desde quando o homem vive neste dilema, ao longo do tempo, sem limite. Eu sei que vocês não precisam dessa explicação, mas talvez alguns dos ouvintes.

Falo simplesmente para que se compreenda melhor que não sou ignorante, extremista, ou cego, ou que não adquirida a minha ideologia por conta própria estudando economia.

Eu não tive preceptor, quando era um estudante de direito e ciência política, naquelas em que eles tem um grande peso. Desde que tinha ao redor de 20 anos, gostava de esportes e de escalar montanhas. Sem preceptor para me ajudar no estudo do marxismo-leninismo; não era mais do que um teórico e, é claro, tinha total confiança na União Soviética. A obra de Lenin seria ultrajada após 70 anos de revolução. Que aula de história! Podemos dizer que não devem transcorrer outros 70 anos para que ocorra outro evento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grande Revolução Social, [como a] que significou um grande passo na luta contra o colonialismo e seu ajudante, o imperialismo.

Talvez, no entanto, o maior perigo agora pairando sobre a terra deriva do poder destrutivo das armas modernas que poderia minar a paz no mundo e tornar impossível a vida humana na superfície terrestre.

As espécies desapareceriam como os dinossauros desapareceram, talvez não haveria tempo para novas formas de vida inteligente ou talvez o calor do sol cresça até fundir todos os planetas do sistema solar e seus satélites, como muitos cientistas reconhecem. Se certas, as teorias de vários deles, que não são leigos ignorantes, o homem prático deve aprender mais e se adaptar à realidade. Se a espécie sobrevive a um espaço de tempo muito maior, as gerações futuras saberão muito mais do que nós, mas primeiro terão que resolver um grande problema: Como alimentar os milhares de milhões de seres humanos cujas realidades inevitavelmente colidem com os limites para a água e os recursos naturais que necessitam?

Alguns ou talvez muitos de vocês se perguntem onde está a política neste discurso. Acreditem, eu tenho vergonha de dizer isso, mas a política está aqui nestas palavras moderadas. Esperemos que muitos humanos se preocupem com essas realidades e não continuem como nos dias de Adão e Eva a comer maçãs proibidas. Quem vai alimentar as pessoas famintas da África sem a tecnologia na ponta dos dedos, sem chuva, sem barragens, sem depósitos subterrâneos cobertos por areias? Veremos o que dizem que os governos que quase em sua totalidade subscreveram os compromissos climáticos.

Devemos martelar constantemente sobre estas questões e eu não quero me extender além do essencial.

Devo, em breve, cumprir 90 anos, eu nunca teria pensado em tal ideia e isso nunca foi o resultado de um esforço, foi capricho da sorte. Logo serei, já como todos os demais. A todos nós chegará nossa vez, mas ficaram as ideias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se você trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e nós devemos lutar incansavelmente para obtê-los. Para nossos irmãos da América Latina e do mundo, devemos transmitir que o povo cubano vencerá.

Talvez seja a última vez que fale nesta sala. Eu votei em todos os candidatos apresentados para consulta pelo Congresso e agradeço ao convite e a honra de que me escutem. Felicito a todos, e, em primeiro lugar, ao companheiro Raúl Castro por seu magnífico esforço.

Empreenderemos a marcha e aperfeiçoaremos o que devemos melhorar, com a máxima lealdade e força unida, como Martí, Maceo e Gómez em marcha imparável.

Fidel Castro Ruz
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A miséria moral dos golpistas está simbolizada num ex-ministro de Dilma

Bandeou-se para os golpistas rapidamente: Traumann
Uma das maiores demonstrações da miséria moral do golpe e dos golpistas está num ex-ministro de Dilma, Thomas Traumann.

Thomas se bandeou em plena batalha.

Uma foto em que ele é flagrado se esgueirando por Brasília ao lado de Michel Temer é uma das melhores imagens do caráter traiçoeiro dos usurpadores.

Conheci Thomas quando dirigi a Editora Globo. Ele era chefe da sucursal do Rio da revista Época.

Dadas suas limitações, que lhe custaram o cargo na Época, estranhei quando Dilma o nomeou para um cargo tão importante quanto o comando da Secretaria das Comunicações, a Secom.

A Secom controla as bilionárias verbas publicitárias do governo. Um dos mais espetaculares erros do PT no poder residiu exatamente na Secom: os governos petistas não a moralizaram. Continuaram a financiar, numa ação suicida, as empresas de jornalismo que se dedicaram abertamente a sabotar a democracia.

Apenas para a Globo, que comanda o golpe, o PT continuou a passar 500 milhões de reais por ano em propaganda.

Repetidas vezes o DCM apontou esta aberração. Não apenas por razões de inteligência: ninguém é obrigado a financiar quem pretenda assassiná-lo.

Mas, sobretudo, por razões técnicas. As mídias tradicionais já decaíam velozmente por conta da internet e mesmo assim o governo continuou a abarrotá-las de dinheiro público como se ela, a internet, não existisse.

No momento em que o mercado anunciante em geral já destinava cerca de 20% de seu orçamento ao mundo digital, porcentual que só cresce, as grandes estatais do governo ficavam em menos de 1%.

Não foi um monumental disparate apenas do ponto de vista gerencial. Fora isso, você estava anunciando para um público — o das grandes corporações jornalísticas — que abomina qualquer coisa vinculada às estatais sob o PT.

Numa entrevista que concedeu no último domingo ao DCM em Brasília, uma figura de relevo da administração petista, Gilberto de Carvalho, lamentou pungentemente o equívoco suicida do PT na gestão das verbas publicitárias.

Num mundo menos imperfeito, as verbas publicitárias do governo seriam limitadas a serviços de interesse público.

Defendemos, mais de uma vez, que elas fossem reduzidas drasticamente com uma ferramenta executiva chamada orçamento base zero. Você, com ela, pára de alimentar gastos inercialmente a cada orçamento e define suas despesas a partir do zero.

As melhores companhias do mundo fazem isso.

Em seu curto tempo na Secom, Traumann não fez rigorosamente nada do que deveria fazer para melhorar um departamento tão vital do governo.

Sob ele, as grandes corporações continuaram a se abarrotar de recursos públicos.

Ele sequer encaminhou discussões. Conhecendo-o como conheço, afirmo que ele sequer sabia os problemas que tinha, quanto menos as soluções.

Como Thomas chegou à Secom é, também, um indicativo da inépcia de Dilma em escolher pessoas brilhantes, ou ao menos competentes.

Me dizem que foi Franklin Martins quem o sugeriu. Como tenho Franklin na conta de um homem talentoso, não consigo acreditar.

Já que Thomas agora milita no golpe, você pode deduzir que também os golpistas são ruins em montar equipes.

É um alento para os que lutam contra o golpe.



Paulo Nogueira
No DCM
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Delação contra Cunha é homologada


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Os tais isentões e o verniz democrático do golpe


Um golpe não é. Ele vai sendo. Exatamente por isso que a disputa deste momento é tão ou mais importante do que a corrida pelos votos da semana passada cujo ápice foi a noite de domingo. O que está em jogo agora é a narrativa dos acontecimentos, o que vai ficar para a história.

Uma parte do jornalismo está escandalizada com o fato de Dilma Rousseff ter denunciado que o Brasil vive um golpe de Estado. E que a atitude de seu vice foi de conspiração e traição.

Há uma agonia em relação a essa tese por quem participou desse processo eivado de ilegalidades. Porque se ela prevalecer seus atores terão para sempre tatuadas em suas testas e em suas vísceras a marca dos conspiradores.

Da mesma forma que um golpe não é, ele vai sendo, essa marca também não surge assim tão rapidamente. Ela vai aos poucos se cristalizando até se tornar algo enorme. Os que ainda hoje conseguem disfarçar, verão aos poucos histórias reveladas que não lhe permitirão dizer que tal processo foi democrático.

A disputa simbólica sobre os dias de hoje é mais importante do que o próprio rumo que nossa história vai tomar nos próximos meses, porque a possibilidade de o governo Temer-Cunha ser um fiasco é tão grande que amanhã muitos dirão que sabiam da tragédia, mas que não havia outro caminho.

É preciso repetir à exaustão que não há crime e que não há qualquer tipo de responsabilidade da presidenta que possa vir a justificar um impeachment. Que o que se fez foi pegar a primeira tese disponível na prateleira do golpismo para buscar uma justificativa que pudesse ser utilizada para destituí-la.

A tentativa de legalizar o crime que está sendo cometido contra a democracia nesta ação kafkiana promovida por uma justiça seletiva e uma mídia sem nenhum tipo de limite ético, no entanto, não se dá apenas pelo discurso da direita clássica.

Há uma turma que se comportou neste processo como se houvesse uma disputa e não uma ruptura institucional.

Esses são tão ou mais perigosos.

Quem mandou a moça andar de vestidinho curto? Quem mandou a Dilma se misturar com essa gente?

A culpabilização da vítima na política não é diferente de em outros campos.

Jango foi por muito tempo tratado como responsável pelo golpe de Estado que o Brasil viveu em 64. Não eram poucos os que diziam na década de 70 e 80 que se não fosse pela sua incapacidade de reação os militares não teriam implementado a ditadura.

Allende era tratado quase como um traidor por parte de uma suposta esquerda no Chile e só nos últimos anos que foi tendo sua história e dignidade resgatada.

Hoje como ontem haverá gente que buscará nos equívocos políticos governamentais a justificativa para o golpismo. Suas análises que parecem simplistas vão ganhando força no senso comum e criam um muro de legalidade para o que precisa ser denunciado.

E vão transformando todos as disputas globais e toda as forças que atuam para que uma ruptura dessa magnitude possa vir a ser operada num país com a importância do Brasil apenas num jogo de sete erros.

A narrativa desses dias precisa ser disputada com todas as forças e para todos os lados. Não só para derrotar o discurso da direita clássica, mas também o de uma direita envergonhada que se utiliza da fantasia da isenção.

Na prática, a narrativa midiática precisa mais dessa novidade sociológica que veio a se denominar de “isentões,” para aliviar a sua barra, do que da de falcões a lá Bolsonaro e sua tropa.

Sem os tais isentões ficaria muito mais difícil disfarçar. É essa gente que garante verniz democrático ao que está acontecendo no Brasil.

Renato Rovai
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What the fuck?


Os caipiras da mídia local estão em polvorosa com a avaliação dos jornalistas estrangeiros sobre o golpe contra Dilma Rousseff, perpetrado pelos jecas da Câmara dos Deputados.

Para início de conversa, todos chamam o processo pelo nome certo: golpe.

Além disso, tratam abertamente da indigência moral e profissional da mídia que apoiou o marginal Eduardo Cunha na estratégia do dia 17 de abril.

Agora há pouco, me mandaram um vídeo de uma repórter gaguejante da Globo News reclamando que os correspondentes estrangeiros estão muito presos à questão jurídica!

Imagina, como é que jornalistas podem se apegar a um detalhe tão ridículo como esse?

Leandro Fortes
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“República de bananas”: a imprensa internacional deu ao golpe o nome que ele tem

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A tentativa de Michel Temer de iniciar uma “ofensiva” no exterior contra a percepção de que não somos uma república de bananas fracassou antes de começar.

O senador Aloysio Nunes, do PSDB, pau mandado de Temer, foi a Washington para explicar a situação. Havia tomado uma invertida de Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, OEA, e de Ernesto Samper, Secretário Geral da União de Nações Sul-Americanas, Unasul.

Almagro afirmou não ver “fundamento” para o impeachment. “Se houvesse uma acusação bem fundamentada, como houve em outros casos no Brasil, então perfeito. Mas isso não existe e é muito desonesto apresentar nesses termos”.

“Vamos explicar que no Brasil as instituições funcionam e os direitos são respeitados, ao contrário do que petistas vêm dizendo”, falou Aloysio. Ele teria encontros com um subsecretário e outros membros do governo americano.

O problema é que não são só “petistas” dizendo. A iniciativa dos Trapalhões já dá, de cara, uma dimensão do que se pode esperar. É tarde demais para tirar da lata de lixo o esquema. Lá fora, a história já está sendo contada como ela é.

Se Temer e sua turma podem contar com a imprensa brasileira, isso não ocorre com a imprensa internacional. Correspondentes e analistas europeus e americanos fizeram o que a grande mídia brasileira não faz: apuraram os fatos e os publicaram.

O resultado é uma desmoralização do impeachment, de seus autores e, por extensão, do país.

Christiane Amanpour, da CNN, realizou uma bela matéria sobre a votação do domingo, tendo como convidado especial o sempre lúcido Glenn Greenwald — o mesmo Greenwald que, na entrevista com Lula, se declarou “chocado como as Organizações Globo, Veja, Estadão, tão envolvidos no movimento contra o governo, defendendo os partidos da oposição.”.

A edição espanhola do “El País” falou em “circo” e deu a manchete “Deus enterra a presidente do Brasil”. A revista alemã Der Spiegel deu o título de “A insurreição dos hipócritas” para a matéria em que lembrou que o Congresso usou meios “constitucionalmente questionáveis” para colocar o “avariado navio Brasil” numa “robusta rota de direita”.

Segundo o Guardian, temos uma Câmara “hostil e manchada pela corrupção”. “O ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, o deputado de extrema direita do Rio de Janeiro, dedicou seu voto a Carlos Brilhante Ulstra, o coronel que comandou a tortura do DOI-Codi durante a era ditatorial”, e levou “uma cusparada do deputado de esquerda Jean Wyllys”, lê-se.

Antes disso, o “seminário” de Gilmar Mendes em Lisboa já havia sido esvaziado de autoridades portuguesas e alvo de reportagens e artigos contundentes e certeiros do jornal Público.

A lista inclui a Economist, o New York Times, o Los Angeles Times. Em qualquer lugar do mundo, parlamentares corruptos e desqualificados não estão em posição de julgar uma presidente que não cometeu crime. Ponto.

O golpe paraguaio só encontra justificativa em malabarismos da lógica com as elianes, mervals, reinaldos, jabores etc.

Nessa hora, surge entre muitos deles o oposto do complexo de vira-latas: a soberba (que, no final das contas, é a mesma coisa, dois extremos que se tocam).

Eliane Cantanhêde, do Estadão e da GloboNews, deu bandeira no dia 19. No Twitter, Eliane atacou os correspondentes: “eles ficam no Rio e em SP, sujeitos às versões pop e longe das múltiplas visões de país que se concentram em Brasília.”

Sabe-se lá o que são “versões pop”. Segundo Eliane, eles devem se estabelecer não nas duas maiores cidades do Brasil, mas na capital. Eliane acredita tanto nisso que nem ela mora lá. Caio Blinder dá lições para Greenwald. Caio Blinder.

É o mito grego de Procusto. Bandido que vivia numa floresta, ele mandou fazer uma cama com as medidas exatas de seu corpo, nem um milímetro a mais.

Quando capturava alguém na estrada, ele amarrava a pessoa àquele móvel. Se fosse maior, cortava o que estava sobrando. Se menor, espichava até caber.

A imprensa brasileira faz isso com o noticiário do impedimento: tem de caber na narrativa. As publicações do estrangeiro estão dando ao golpe o nome que ele tem. Ninguém, muitos Michel Temer e seus cúmplices, vai mudar isso agora.

Kiko Nogueira
No DCM
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Como jornalistas estrangeiros observam o golpe


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A vergonha dos jornalistas do golpe diante dos seus colegas estrangeiros


Comentei, ontem, que a imprensa brasileira, na frase concisa de Xico Sá, está desarvorada porque a imprensa estrangeira percebe o golpe de estado, que ela teima em esconder.

A colunista da “massa cheirosa”, Eliane Cantanhêde, também o percebeu.


O PT e o governo estão ganhando a guerra da comunicação com o mundo. Jornais importantes das Américas e da Europa vêm encampando a tese de que ocorre um “golpe de Estado” no Brasil, apesar de o impeachment da presidente Dilma Rousseff estar seguindo todos os trâmites legais, com votação na Câmara, agora no Senado, supervisão do Supremo Tribunal Federal e direito a transmissão ao vivo pela TV de todos esses passos do processo.

Transmissão ao vivo, muito bem. Mas  o que se viu nas transmissões ao vivo? “Alô mamãe”? ‘Por meus filhinhos”? “Para a minha namorada’?

Tens uma palavrinha sobre isso, que todo mundo viu, Eliane? Ou “não vem ao caso” e “podemos tirar, se achar melhor”.

Vai ela adiante:

São três os pontos aos quais a imprensa internacional recorre para desqualificar o impeachment de Dilma: não estaria caracterizado o crime de responsabilidade; o comando do processo é do PMDB e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ambos envolvidos em denúncias de corrupção; e a acusação de que, caso o vice Michel Temer venha a assumir a Presidência, ele iria sabotar a Lava Jato. Esta última versão foi admitida, incrivelmente, até pelo prestigiado jornal The Guardian, de Londres.

Incrivelmente, Eliane? “Tás brincando?”, como no bordão do personagem de Chico Anysio? Bastam os recortes aí da ilustração do post, não é?

Pedro Zambarda, no Diário do Centro do Mundo dá conta do esforço de outro rapaz do golpe na mídia, Diego Escosteguy para convencer os jornalistas estrangeiros de que o golpe não é golpe.

Não adiante. O circo da Câmara todo mundo viu, e na cabeça de qualquer jornalista estrangeiro aquilo que se viu foi tão escrachado que não tem como ser entendido de outra forma.

Aliás, não só na cabeça de jornalistas de fora, não. Também na dos brasileiros.

A diferença é que muitos não podem e alguns não querem dizer que o circo foi o circo do horror golpista.

Têm ainda este microscópico pudor da vergonha do criminoso.

Fernando Brito
No Tijolaço
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The coup is on the table: a patrulha de jornalistas brasileiros sobre correspondentes internacionais


Uma blogueira de um grande jornal de São Paulo foi uma das pessoas que comentou sobre a patrulha com correspondentes internacionais: “reparei que o editor-chefe da [revista] Época tem tuitado sobre o impeachment em inglês. São mesmo vários tuites. Alguém sabe do que se trata?”.

Ela comentava sobre Diego Escosteguy, que tenta vender seu peixe em inglês desde março deste ano. “Dilma e seu grupo estão acusando políticos brasileiros, juízes, promotores e jornalistas estarem armando um golpe. Isso é mentira”, escreveu.

Desespero de causa diante da ampla condenação do golpe no exterior? Sim. E ele não está sozinho nisso.

Escosteguy, Caio Blinder e Eliane Cantanhêde estão na linha de frente do exército que quer emplacar sua versão do impeachment na imprensa internacional. Glenn Greenwald tem sido a vítima predileta desse pessoal.

Entre outras matérias sobre o golpe, seu site Intercept falou de uma viagem do senador tucano Aloysio Nunes até Washington depois da votação do impeachment para tentar reverter a opinião internacional. Greenwald também foi até o programa de Christiane Amanpour da CNN.

“A arenga CNN do Greenwald continua, pontificando sobre plutocracia no golpe contra Dilma. Ele está indignado com as coisas e eu com ele”, disse Blinder. “Mais um dos meus jornais favoritos me decepciona. Em editorial, El País diz que impeachment não resolve nada”.

Os correspondentes internacionais acabaram reagindo. Jan Piotrowski, da revista Economist, escreveu: “Já fui acusado de ser desde paraquedista até papagaio da agenda neoliberal de Londres”.

Mauricio Savarese, brasileiro que trabalha para a Associated Press (AP) no Rio de Janeiro, respondeu: “A nova onda agora é afirmar que correspondentes internacionais não entendem sobre Brasília porque eles estão de férias no Rio de Janeiro”.

Uma das “acusações” é a de que eles não moram em Brasília. “Nem todos nós moramos fora de Brasília”, disse Anna Edgerton, correspondente da agência americana Bloomberg na capital.

Simon Romero divulgou uma reportagem do New York Times com duas opiniões sobre o impeachment de Dilma Rousseff. O jornalista Alex Cuadros, que passou pela Bloomberg, afirma que o problema do PT no poder é profundamente político. O jornal americano também ouviu a economista Laura Carvalho, que defende que o processo é um golpe de Estado.

“Acho muito curioso que as pessoas que detêm a narrativa da crise no Brasil lamentem não deterem a narrativa da crise lá fora. Quanta arrogância. Correspondentes viajam mais pelo Brasil do que os que vivem de disputar café da manhã com autoridade em Brasília. Sabem do que escrevem. Todo mundo comete erros e ninguém é perfeito. Mas esse ataque contra os correspondentes é inaceitável. Eles podem publicar uma ou duas reportagens equivocadas. Mas toda a cobertura deles é errada? Todos estão cobrindo errado? Isso é impossível”, resumiu Mauricio Savarese da AP em sua conversa com três correspondentes no Twitter.

Para o jornalista, os repórteres internacionais são chamados de maneira errada de “pró-Dilma” quando só estão apurando as informações que são interessantes ao público.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Repórteres Sem Fronteiras volta a denunciar monopólio midiático no Brasil


O novo relatório da organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), uma das mais respeitadas no mundo no campo da análise sobre liberdade de imprensa, voltou a denunciar a situação no Brasil.

O Brasil caiu seis pontos no ranking de liberdade de imprensa, segundo a instituição, de 99 em 2015 para 105 em 2016.

Em 2013, a entidade já havia denunciado o Brasil como "o país dos 30 Berlusconis", num relatório especial sobre o país, no qual apontava a existência de um cenário de oligopólio.

O relatório atualizado volta a tocar no assunto, denunciando a concentração dos meios de comunicação no Brasil em mãos de poucas famílias, a maioria delas ligadas a oligarquias políticas.

Além disso, o Brasil é um país perigoso, principalmente para blogueiros.

Diferentemente da mídia, que não deu atenção aos casos, a RSF denuncia os recentes assassinatos de blogueiros, incluindo o caso do blogueiro mineiro, Evany José Metzker, que teve sua cabeça decepada.

Em dezembro último, a RSF faz outra denúncia. Dois blogueiros assassinados no nordeste do país: Israel Gonçalves Silva, 37 anos, em Pernambuco; e Orislandio Timóteo de Araújo, também com 37 anos, no Maranhão.

Hoje, a instituição apresentará seu novo relatório em evento na Casa Pública, sede da Agência Pública, às 10 horas, Botafogo, Rio de Janeiro.

O Barão de Itararé, instituição que reúne blogueiros, e do qual este blogueiro faz parte, discute o envio de uma nova denúncia à RSF, para explicar que o oligopólio da mídia brasileira é o principal articulador do golpe de Estado em curso.

É importante denunciar ainda, junto à RSF, que esses "30 berlusconis" tem uma liderança, um grande "berlusconi", a Globo, que sozinha é maior do que os 29 outros e detêm propriedades cruzadas que atingem os mercados de jornal impresso, revistas, livros, tv, rádio, cinema e distribuição, além das ramificações em inúmeros ramos da economia: seguros, imóveis, etc.

Miguel dio Rosário
No Cafezinho
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Aliados de Cunha podem ameaçar Temer para salvar deputado


Aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, podem usar a ameaça de abrir de um processo de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer para evitar a cassação do mandato de Cunha. O objetivo é que Temer não faça nenhum interferência no processo do Conselho de Ética, e que ele também não dê declarações desfavoráveis sobre o presidente da Casa.

Segundo o Estadão, apesar de não existir nenhum atrito entre Cunha e Temer, aliados do parlamentar recomendam que ele tenha uma "carta na manga" para pressionar o vice em caso de necessidade. 


Ameaça a Michel Temer é "plano B" de Eduardo Cunha para se salvar

Aliados do presidente da Câmara exigem que o vice-presidente não faça qualquer tipo de interferência no processo que tramita no Conselho de Ética

Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já têm a receita para pressionar o vice-presidente Michel Temer a cumprir compromissos firmados para a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eles pretendem manter a ameaça de apoiar a abertura de um pedido de afastamento contra o vice.

O principal objetivo dos aliados de Cunha é evitar a cassação do mandato dele. Para isso, contam com a ajuda do vice. Exigem que Temer não faça qualquer tipo de interferência no processo que tramita no Conselho de Ética. Esperam, sobretudo, que ele não dê nenhuma declaração desfavorável ao presidente da Câmara.

Segundo aliados de Cunha, sempre que Temer for questionado sobre o assunto, deverá dar uma resposta padrão: "Trata-se de um assunto interno da Câmara". Por ora, não há atritos entre Cunha e Temer. Muito pelo contrário. Os dois se falam por telefone diariamente e, pelo menos uma vez por semana, almoçam ou jantam juntos.

O presidente da Câmara ainda não tem nenhuma queixa contra o correligionário. E confia no vice. No entanto, conforme O Estado de S. Paulo apurou, aliados de Cunha recomendaram que ele tivesse "uma carta na manga" para pressionar Temer caso seja necessário. Um dos defensores da ideia é o deputado Paulinho da Força (SD-SP).

A ideia surgiu há duas semanas, mais especificamente quando Cunha discutiu com seus aliados a necessidade de pressionar do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a reverter a obrigatoriedade de instalação de uma comissão especial para o impeachment de Temer. A decisão liminar (provisória) foi concedida pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello. No dia 5 de abril, ele aceitou um mandado de segurança apresentado pelo advogado Mariel Marley Marra, de Minas Gerais, que questionara o arquivamento do pedido de impeachment contra Michel Temer.

Em dezembro passado, Cunha havia arquivado o pedido de afastamento contra o vice. Temer é acusado de ter assinado, como presidente em exercício, decretos suplementares ao Orçamento - um dos motivos que justificaram a acusação de crime de responsabilidade contra Dilma Rousseff. Ao analisar o caso, o presidente da Câmara concluiu que os decretos de Temer foram assinados antes da revisão da meta de julho de 2015 e os de Dilma, depois. Por esse motivo, ele concluiu que a presidente teria cometido crime de responsabilidade e o vice, não.

Para Marco Aurélio, o presidente da Câmara não deveria ter se manifestado sobre o mérito do caso, apenas sobre seus aspectos formais, por isso determinou que Cunha instalasse a comissão para analisar o impeachment. A decisão do ministro do STF deixou Cunha enfurecido. Imediatamente, ele resolveu recorrer à Suprema Corte. Contudo, nas últimas semanas, não insistiu no caso, depois que foi alertado por aliados que um pedido de impeachment contra Temer poderia ser usado para pressionar o vice.

Cunha e Temer atuaram juntos nas estratégias de aprovar o impeachment de Dilma. O presidente da Câmara cuidou da formação da cúpula da comissão especial até a conquista dos apoios dos partidos na reta final da votação em plenário. Ao lado de Cunha, teve atuação expressiva o deputado André Moura (PSC-SE).

Já pelo lado de Temer, a missão ficou com o ex-ministro Eliseu Padilha, um de seus aliados mais próximos. No dia da votação do impeachment, os dois visitaram as lideranças dos partidos juntos numa demonstração clara de parceria.

No GGN
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Às urnas, cidadãos

Quem escreveu a partitura do Golpe

Delacroix, "A Liberdade guia o povo", Museu do Louvre
Como todo empreendimento bem-sucedido o Golpe tem muitos autores.

A Rede Globo e seus anões no PiG.

A Vara do Moro.

O Supremo, desde o mensalão.

A Procuradoria Geral da República, desde o mensalão.

A Polícia Federal sem chefe.

Os empresários que roubam até pato de plástico.

O PMDB.

Ao vencedor as batatas, enquanto o eleitor não se manifestar.

E o maior derrotado foi o cidadão brasileiro.

(Enquanto não voltar a votar.)

E quem escreveu a partitura para a orquestra Golpista?

O governo trabalhista.

Quem não enfrentou o Golpe?

Com medo da Globo?

O Governo Dilma e seu inepto Ministro da Justiça — só ela o contrataria para Advogado Geral... — achavam que o objetivo do Moro era combater uma corrupção que não subiria a rampa do Palácio.

Dura lex sed lex no cabelo só Gumex, disse o Ministro da Justiça quando o José Dirceu foi enforcado no domínio do fato.

O Moro não quer acabar com a corrupção, mas com o Lula.

O Governo acreditou em "republicanismo", ao escolher ministros e procuradores.

Porque se iludiu com a suposta Democracia brasileira.

Uma "democracia" que consegue conviver com a Globo — e sua fidedigna expressão, o Bolsonaro, que também apoiou a ditadura.

Vamos com calma, amigo navegante: quem anistiou o Ustra não foi Bolsonaro.

Foi o Supremo!

O Governo contribuiu com o Golpe também ao ganhar a eleição e aplicar o programa derrotado — para a perplexidade dos eleitores que ganharam a eleição.

Vamos falar sério: o Golpe já houve.

E o que houve foi um recall não escrito.

A Câmara dos Deputados é resultado da deslavada aplicação de dinheiro empresarial na eleição.

Mas, ela também reflete, em parte, o sentimento do eleitor.

A galera não queria o Golpe mas também não queria a Economia da Dilma.

A galera não estava feliz com a Petrobras pós-Gabrielli.

O Governo trabalhista — esse e o do Lula — escreveu essa partitura.

A questão não é Moral.

A Dilma não roubou nem pedalou.

Na Petrobras se rouba desde os imaculados tempos do General Geisel — o Ministro Ueki poderia discorrer sobre isso com minuciosos detalhes.

O Golpe não precisou se reunir nas catacumbas do Fasano, com a Madre Superiora, para articular o Golpe, em nome de Deus.

O Golpe caminhou solto, cada ator de seu lado e, todas as noites, intocada, financiada  com verbas públicas, todas as noites a Globo dava coerência aos movimentos aparentemente autônomos.

A Globo regia.

E o Governo escrevia a partitura do que a Globo tornava lógico, articulado, como se fosse a Filarmônica de Berlim.

Assistimos a uma sinfonia inacabada.

Sem a genialidade de Schubert.

Às urnas, cidadãos!

Em tempo: sobre a contratação do para Advogado Geral, não precisava ir longe. Bastava consultar o Daniel Dantas para saber que ele não ganha uma mísera causa. Aqui e na Itália.

Paulo Henrique Amorim
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JB fica chocado com a falta de modos no golpe; e olha que a Economist nem notou o PMB


Tem um certo tratamento, que é uma tentativa de desvalorizar, de diminuir, de colocar como sendo a mulher uma pessoa que não tem força para resistir à pressão, a mulher como um ser frágil. Isso é um absurdo e eu me rebelo contra isso. Dilma Rousseff, Palácio do Planalto, encontro com mulheres na rampa

O show de horrores e misoginia de domingo ainda teve outros capítulos. Dentre os deputados que não puderam comparecer a votação está Clarissa Garotinho, grávida de 35 semanas e que saiu de maca da última seção. A cada vez em que era citada recebia vaias. Uma mulher com 35 semanas de gestação não pode e não deve pegar avião por um motivo bem simples: a segurança do bebê que ela está quase parindo. Os homens não foram vaiados ou hostilizados. E isso em um plenário em que a maior parte dos votos foram justificados com o “pela minha família”. Carol Patrocinio, no HuffPost Brasil

Captura de Tela 2016-04-20 às 03.13.23Joaquim Barbosa está chocado. Faltaram modos ao golpe jurídico-midiático do último domingo. Barbosa expressou sua opinião em uma série de tuites. Ele, para decepção de muitos fãs, é contra o impeachment.

A ironia é que, com sua destemperada atuação de juiz-promotor durante o caso do mensalão, o ex-ministro assentou as bases do histrionismo judicial caçador de bruxas que hoje impede qualquer brasileiro de vestir vermelho nas ruas.

Se Barbosa era um show no tribunal, o herdeiro espiritual dele, o juiz Sérgio Moro, elevou o espetáculo a um novo patamar: a cenografia inclui homens fortemente armados e a constante vigilância dos helicópteros da Globo, que promove e vive do show desinformador.

Aos olhos gringos, estamos em profunda decadência: eles, que sempre nos associaram à brilhante Carmen Miranda, ficaram bem menos impressionados com o espetáculo do Paulinho da Força, que com uma das mãos coçava as partes no plenário, domingo, enquanto empunhava com a outra o cartaz sexista e misógino Tchau Querida.

Há uma clara associação entre a cena e uma estatística.

A média mundial de mulheres nos parlamentos federais é de 22%, chegando a 41% nos países nórdicos, passando pelos 27% das Américas, 25% da Europa, 18% dos estados árabes e chegando aos 11,5% do Brasil.

Entendeu, Barbosa? Dilma é você, de saias.

Nós também lamentamos que o Brasil tenha se tornado motivo de deboche com a vitória do Golpe dos Ladrões.

Menos pelas piadas da mídia internacional, já que muitas são derivadas do desejo não expresso de nos condenar como indignos de qualquer protagonismo internacional.

O que nos envergonha de verdade é o imenso fosso na percepção de um mesmo fato pelos correspondentes internacionais e pelos jornalistas brasileiros. Muitos destes condenam a forma do golpe, mas não o golpe; uma derrubada de Dilma com a mesma falta de argumentos, mas preservando a dignidade do rito, seria aceitável.

Aqui se observa a grande contradição entre os defensores do golpe com modos e a necessidade dos grandes roteiristas, cenógrafos e marqueteiros da patacoada: os donos da mídia.

Como sabemos, não foi por acaso que Eduardo Cunha marcou o show para um domingo, dia em que milhões estão em casa.

O espetáculo, embora grotesco para os olhos de fora, não foi resultado do acaso.

Toda aquela encenação era necessária para esconder a falta de argumentos diante dos milhões de brasileiros cuja vida política se dá através das emissoras de TV. Os cartazes, os cânticos, a gritaria, os bonecos — era tudo para não tratar o problema de forma racional, com ponderação de pós e contras, pensando no melhor rumo a seguir.

Não, o resultado estava pre-determinado e o show tinha o objetivo de mascarar que ele nasceu de um gol com a mão.

Nada neste golpe, aliás, tem sido por acaso. A tela dividida nas TVs, com o voto seguido de vibração popular, foi o grande momento confirmador — por isso era preciso tirar o som das vozes discordantes, introduzir repórteres quando elas se manifestavam, esconder as multidões que não interessavam.

O objetivo era construir o consenso entre a classe média e a grande maioria silenciosa, para a qual o repórter famoso, o palhaço e o deputado são todos celebridades, apenas com capacidades distintas na hora de dar cambalhota.

Em vez do debate politizador, uma contagem literalmente regressiva.

Se vivemos num simulacro, que pelo menos seja divertido:


Pelo aniversário de minha neta

Pelos fundamentos da Cristandade

Por Bruno e Felipe

Pelos maçons do Brasil

Para os produtores rurais, porque se eles não plantarem não haverá almoço nem jantar

Contra a proposta de mudança de sexo de crianças em idade escolar

Para acabar com as vantagens de ser desempregado ou vagabundo

Pela Congregação Quadrangular

Pelos velhos e as crianças

Pelo fim da dependência do Bolsa Família

Para minha mãe Lucimar

Pela Renovação Carismática

Pelos médicos brasileiros

Para acabar com a CUT e seus líderes

Pelo amor ao País

Pelo fim do escândalo da Petrobras e daqueles que lucraram com ele

Pela República de Curitiba

Em memória do meu pai

Por Campo Grande, a morena mais adorada do Brasil

Pelo controle das armas

Porque comunismo é o que ameaça este País

Para o povo pioneiro e sem medo de Rondônia

Pela BR 429

Por todos os corretores de seguros

Para minha filha que vai nascer, Manoela

Para minha mãe de 93 anos de idade que está em casa

Em homenagem ao fundador de minha cidade

Pela paz em Jerusalém

Para o melhor estado, Tocantins

Pela minha mãe, que está lutando pela sua vida

Pelo setor que gera riqueza, o agronegócio

Para o meu filho Breno e a amada Polícia Militar de São Paulo

Pelos militares que assumiram o poder em 1964

Para que a gente não se torne vermelho como a Venezuela e a Coreia do Norte

Para o meu pai de 78 anos que me ensinou a palavra de Deus

Para Sandra, Erica, Vitor, Jorge e meu neto que vai nascer

Para o meu estado de São Paulo, governado nos últimos 20 anos pelos políticos honestos de meu partido (risos generalizados)

Para minha mulher e filha, meu melhor eleitorado

Um tributo às minhas verdadeiras riquezas, minhas filhas

Por um fim aos coroneis

Para os soldados das Forças Armadas que agora são aposentados sem salário

Em lembrança a meu pai Roberto Jefferson

Para Carlos Alberto Ustra, o terror da Dilma

Para os sem teto que dormem na rua, nascem na rua, morrem na rua

Para que o governo defenda outra vez a nação de Isael

Pela ciência e tecnologia

Pela minha mulher Mariana e minha pequena filha Mariana

Contra a ditadura bolivariana

Pelos caminhoneiros

Por homens livres e honestos

Pela honra do povo de Minas Gerais

Pela Cançao Nova e pelos brasileiros dependentes de drogas

Pela minha tia Eurides, que cuidou de mim quando eu era pequena

Para você, mãe

Pelas tradições libertárias de Minas Gerais

Esquedi de citar meu filho, para voce, Paulo Henrique, beijo

Pelo hospital do câncer

Em tributo às vitimas da BR 251

Pela honra da bandeira de Minas Gerais

Sou líder da maioria, não sou líder da minoria

Se serve de consolo ao Joaquim Barbosa, fique tranquilo: os britânicos da Economist passaram batido pelo Partido da Mulher Brasileira, cujo único parlamentar é homem.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Ponte para o Retrocesso

Análise da proposta do PMDB para a Economia brasileira


O documento do PMDB, que sistematiza sua proposta para a economia brasileira, inicia-se apresentando seus objetivos: “Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos”.

Assim, a proposta do programa seria 1 — Preservação da economia brasileira, 2 — Viabilizar o desenvolvimento, 3 — Devolver ao estado a capacidade de executar políticas sociais, 4 — Combater a pobreza e criar oportunidades para todos. Como dizem, no papel cabe tudo. O enunciado de intenções é bonito e óbvio, mas o que o PMDB propõe realmente?

Depois deste enunciado, o documento faz um rápido esboço do desempenho tradicional da economia brasileira, de crescimento médio em torno de 2,5% do PIB ao ano — média histórica — e a necessidade de buscar um profundo ajuste fiscal para a retomada deste patamar.

Chamo atenção para o termo ajuste fiscal. Ajuste fiscal deveria ser apenas a adequação da despesa pública à arrecadação. No entanto, este conceito sempre está carregado de uma forte opção política. A adequação da despesa à arrecadação das receitas pode ser feita por meio de cortes nas despesas ou por aumento da carga tributária ou venda de ativos. Normalmente é feita uma combinação. Os ajustes fiscais no Brasil têm sido feitos normalmente com corte nas despesas sociais, arrocho e aumento da carga tributária dos setores mais vulneráveis, além de inflação. Também as privatizações com a venda de ativos (empresas públicas) têm servido para gerar receitas, apesar de a médio e longo prazo terem significado renúncia de receita. O que é muito evidente nestes processos de ajuste é quem sai ganhando e quem sai perdendo. Isto depende de quem toma as decisões. Normalmente, e é o caso desta proposta do PMDB, são poupados e beneficiados os setores empresariais, com a desculpa da necessidade do aumento da produtividade nacional e de criar recursos privados para investir no crescimento. Invariavelmente os setores populares de trabalhadores são “chamados” a entrar com sacrifícios via redução de salários e benefícios.

O documento segue com críticas à situação vigente, como por exemplo; os “excessos de novos programas sociais, o aumento dos servidores e os investimentos públicos...“ sem especificar exatamente o quê.

Cita que, no entanto, o desequilíbrio é estrutural e que serão necessárias modificações na lei e na Constituição: “... teremos que mudar leis e até mesmo normas constitucionais, sem o que a crise fiscal voltará sempre, e cada vez mais intratável, até chegarmos finalmente a uma espécie de colapso.”

Em seguida, acenam para o desequilíbrio fiscal, como sendo o mais grave problema brasileiro, pese a alta carga impositiva de 36% do PIB, o que impede o aumento dos impostos, apesar de contraditoriamente a nossa carga tributária estar abaixo da Alemanha, próxima a da Inglaterra e dos Estados Unidos. Mas argumentos numéricos impressionam, não?

O documento reconhece que os aumentos da carga tributária “...se devem a novos encargos atribuídos ao Estado pela Constituição, muitos deles positivos e virtuosos, na área da saúde, da educação e na assistência social.”

Outra coisa: “nós tornamos norma constitucional a maioria das regras de acesso e gozo dos benefícios previdenciários, tornando muito difícil a sua adaptação às mudanças demográficas. ”

As afirmações anteriores são muito importantes, pois, apesar de parecerem corretas do ponto de vista técnico, elas têm uma forte carga político-ideológica. Elas pressupõem que saúde, educação, assistência social e direitos previdenciários constitucionais são os culpados dos desequilíbrios fiscais. Por aqui podemos ver quais serão as propostas do PMDB. Como a Constituição garante o crescimento para a saúde, educação, assistência social e previdência social, esta introdução vai servir para fundamentar o corte nos direitos constitucionais e previdenciários, além do fim das regras atuais de reajustes do Salário Mínimo. Alguma dúvida? Vamos seguir a leitura.

PRÉ CONCLUSÃO: Devido as obrigações legais e constitucionais crescentes e à rigidez orçamentária, a economia encontra-se em um impasse.

Necessita então: “...uma ação forte e articulada, que conduza a um conjunto de reformas nas leis e na constituição...”, (qual ação? Que tipo de reforma? Será que o documento anuncia?).

Em seguida o documento começa a delinear as propostas:

1 — Primeiro um orçamento real, objetivo, sem vinculações, ou seja:

“Para isso é necessário em primeiro lugar acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação, em razão do receio de que o Executivo pudesse contingenciar, ou mesmo cortar esses gastos em caso de necessidade, porque no Brasil o orçamento não é impositivo e o Poder Executivo pode ou não executar a despesa orçada.”

Entenda-se: corte nas despesas com saúde e educação. Sintomático que os dois primeiros programas a serem cortados pela proposta do PMDB são exatamente a prioridade do povo brasileiro; saúde e educação.

A todos que hoje estão insatisfeitos com a precariedade da saúde e educação brasileira, fiquem atentos para os cotes que o PMDB se propõe a fazer.

Outra proposta que vem logo a seguir: “Outro elemento para o novo orçamento tem que ser o fim de todas as indexações, seja para salários, benefícios previdenciários e tudo o mais”.

Entenda-se; acabar com os reajustes de Salário Mínimo equivalentes ou superiores à inflação; fim da recuperação das aposentadorias, redução dos benefícios e arrocho salarial. Significa a volta do famoso ARROCHO, tão praticado em tempos passados.

Vejam a beleza que é este parágrafo: “Quando a indexação é pelo salário mínimo, como é o caso dos benefícios sociais, a distorção se torna mais grave, pois assegura a eles um aumento real, com prejuízo para todos os demais itens do orçamento público, que terão necessariamente que ceder espaço para este aumento. Com o fim dos reajustes automáticos o Parlamento arbitrará, em nome da sociedade, os diversos reajustes conforme as condições gerais da economia e das finanças públicas.” Ou seja, o PARLAMENTO vai decidir sobre os ajustes aos benefícios sociais, em nome da sociedade.

Adicionalmente o programa propõe que um comitê, a cada ano avaliará a continuidade ou não de cada programa orçamentário, podendo acabar com o que considerar obsoleto. Quem será este comitê tão poderoso? Além disso propõe uma Autoridade Orçamentária que terá poder sobre o orçamento público (será uma espécie de parlamentarismo de contrabando?). Aqui a sociedade deve ficar atenta. O que o PMDB está propondo na verdade é um superpoder para o Parlamento decidir sobre as questões orçamentárias. Isso significa que o os Deputados e Senadores terão muito maior poder em decidir aonde alocar os recursos públicos e o Governo Federal, seja ele qual for, ficara ainda mais subordinado às Vossas Excelências

E segue o documento bordando a questão previdenciária: “...é preciso ampliar a idade mínima para a aposentadoria, de sorte que as pessoas passem mais tempo de suas vidas trabalhando e contribuindo, e menos tempo aposentados”. O documento propõe aposentadoria com limites mínimos de 65 anos para os homens e 60 para as mulheres..., mas não é só... propõe também a total desindexação dos benefícios com o Salário Mínimo. “Além disso, é indispensável que se elimine a indexação de qualquer benefício ao valor do salário mínimo. O salário mínimo não é um indexador de rendas, mas um instrumento próprio do mercado de trabalho.” Qualquer aposentado sabe o que isto significa... em poucos anos sua aposentadoria se desvaloriza e tende à redução drástica de seu poder aquisitivo, aumentando suas necessidades no momento em que mais precisa de recursos para sobreviver. No mínimo é um mecanismo de total perversão com os aposentados e pensionistas. O documente cinicamente orienta à diminuição da “renda” dos benefícios públicos (obviamente não os dos senhores parlamentares).

Basicamente estas são as propostas da Ponte para o Futuro. Em seguida o documento analisa a questão do endividamento público brasileiro e, apesar de chegar a dizer que a dívida pública brasileira está em torno de 67% do PIB, sendo que as dívidas dos Estados Unidos, França Inglaterra,  Itália e o Japão são maiores que o PIB, considera que o crescimento da dívida é grave e que os juros que pagamos é um dos maiores do mundo. No entanto, consideram que é imprudente mexer no atual mecanismo da dívida e nas taxas de juros.

Considero que neste ponto, tratam de não afetar os interesses do capital financeiro, criando instabilidade ao dizer que teremos que revisar os altos juros praticados pelo Banco Central e as repercussões na Economia Brasileira. Outra questão não abordada são as reservas brasileiras que atualmente andam em torno de 1 trilhão e meio de reais e que poderiam aliviar os déficits de nossa economia.

O documento sintetiza da seguinte forma a proposta “para um futuro próximo podemos supor que a inflação vai perder força naturalmente em função da contratação da demanda agregada e da contenção dos gastos públicos. Por este lado, é possível que os juros possam cair a partir de 2016.”. ISTO É SIMPLESMENTE ARROCHO — Que ninguém se iluda que o PMDB está preocupado com a vida dos brasileiros.

Além de falar explicitamente em sacrifícios e sofrimentos para a população brasileira, o documento explicita que: “um novo ciclo de crescimento deverá apoiar-se no investimento privado e nos ganhos de competitividade do setor externo, tanto do agronegócio, quanto do setor industrial.” Ou seja, maiores sacrifícios para o povo e maiores lucros para o agronegócio e o setor industrial. Isto explica o interesse da FIESP no GOLPE.

Cinicamente, depois de elencar uma série de objetivos condizentes com sua proposta de flexibilização de direitos e favorecimento do capital, o documento convida candidamente a população a fazer parte deste sonho.

É necessário advertir, não se iludam, este sonho do PMDB, serve ao o capital, mas será um verdadeiro pesadelo para os assalariados, aposentados, pensionistas, servidores, pequenos empresários, estudantes, camponeses, em suma, para o conjunto da população trabalhadora brasileira. Resta saber se combinaram o jogo conosco. Os tempos mudaram e, seguramente a população brasileira não aceitará de bom grado essa reversão de expectativas.

Quem tiver alguma dúvida, leia a íntegra do documento “ UMA PONTE PARA O FUTURO”, que na verdade é UMA PONTE PARA O RETROCESSO.

Luiz Fenelon
Economista – CORECON - DF
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Derrota de quem?


Apenas olhe para ontem e veja com quem você esteve na Câmara dos Deputados.

Ouça o discurso daquelas pessoas que disseram "sim", vislumbre a indigência de suas posições,  as falas desarrumadas de cretinos com fitas verdes e amarelas, símbolo de um patriotismo senil.

Preste atenção na voz embargada daqueles e daquelas canalhas, daquela gente corrupta escondida sob o manto da hipocrisia, por Deus, pela família, pela netinha que ainda não nasceu.

Ouça a cantilena do passado, dos políticos forjados na fisiologia, no desvio de verbas, no crime de mando, no servilismo a coroneis, no desprezo pela coisa pública.

Sinta — e ainda é possível sentir — o quão repugnante é presenciar a usurpação pura e simples da democracia por um bando de estafetas da política paroquial mais baixa, anões morais comandados, cinicamente, por um amoral banhado pela sujeira da corrupção.

Ouça os tambores das tropas fascistas que ressoaram quando o nome de Brilhante Ustra foi citado, uma besta fera que enfiava as próprias filhas no porão para brincar com mulheres recém-torturadas, a fim de gozar de suas reações.

Coloque-se, ainda que por um instante, no lugar de Dilma Rousseff, uma mulher que sequer foi julgada pelos erros que essa mesma gente alega que ela cometeu.

Uma mulher honesta, íntegra, julgada por um covil chefiado por um corsário da política.

Uma mulher que foi julgada pelo que representa, e não por aquilo que fez ou deixou de fazer.

Uma mulher que, entre outras coisas, acabou perseguida por isso mesmo.

Por ser mulher.

Agora, abra os olhos nessa manhã de segunda-feira, e me diga:

Quem foi derrotado?

#ALutaContinua

Leandro Fortes
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