18 de abr de 2016

Por que o Sen. Aloysio Nunes foi a Washington um dia depois da votação do impeachment?


A CÂMARA DOS DEPUTADOS do Brasil votou a favor da admissibilidade do impeachment da presidente do país, Dilma Rousseff, encaminhando o processo de afastamento para o Senado. Em um ato simbólico, o membro da casa que deu o voto favorável nº 342, mínimo para admitir o processo, foi o deputado Bruno Araújo, mencionado em um documento que demonstra que ele teria recebido fundos ilegais de uma das principais empreiteiras envolvidas no atual escândalo de corrupção do país. Além disso, Araújo pertence ao partido de centro-direita PSDB, cujos candidatos perderam quatro eleições seguidas contra o PT, de esquerda moderada, partido de Rousseff, sendo a última delas há apenas 18 meses atrás, quando 54 milhões de brasileiros votaram pela reeleição de Dilma como presidente.

Esses dois fatos sobre Araújo sublinham a natureza surreal e sem precedentes do processo que ocorreu ontem em Brasília, capital do quinto maior país do mundo. Políticos e partidos que passaram duas décadas tentando — e fracassando — derrotar o PT em eleições democráticas encaminharam triunfalmente a derrubada efetiva da votação de 2014, removendo Dilma de formas que são, como o relatório do The New York Times de hoje deixa claro, na melhor das hipóteses, extremamente duvidosas. Até mesmo a revista The Economist, que há tempos tem desprezado o PT e seus programas de combate à pobreza e recomendou a renúncia de Dilma, argumentou que “na falta da prova de um crime, o impeachment é injustificado” e “parece apenas um pretexto para expulsar um presidente impopular. ”

Os processos de domingo, conduzidos em nome do combate à corrupção, foram presididos por um dos políticos mais descaradamente corruptos do mundo democrático, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (em cima, ao centro) que teve milhões de dólares sem origem legal recentemente descobertos em contas secretas na Suíça, e que mentiu sob juramento ao negar, para os investigadores no Congresso, que tinha contas no estrangeiro. O The Globe and Mail noticiou ontem dos 594 membros da Câmara, “318 estão sob investigação ou acusados” enquanto o alvo deles, a presidente Dilma, “não tem nenhuma alegação de improbidade financeira”.

Um por um, legisladores manchados pela corrupção foram ao microfone para responder a Cunha, votando “sim” pelo impeachment enquanto afirmavam estarem horrorizados com a corrupção. Em suas declarações de voto, citaram uma variedade de motivos bizarros, desde “os fundamentos do cristianismo” e “não sermos vermelhos como a Venezuela e Coreia do Norte” até “a nação evangélica” e “a paz de Jerusalém”. Jonathan Watts, correspondente do The Guardian, apanhou alguns pontos da farsa:
Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. “Pelo amor de Deus, sim!” declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.
É muito provável que o Senado vá concordar com as acusações, o que resultará na suspensão de 180 dias de Dilma como presidente e a instalação do governo pró-negócios do vice-presidente, Michel Temer, do PMDB. O vice-presidente está, como o The New York Times informa, “sob alegações de estar envolvido em um esquema de compra ilegal de etanol”. Temer recentemente revelou que um dos principais candidatos para liderar seu time econômico seria o presidente do Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme.

Se, depois do julgamento, dois terços do Senado votarem pela condenação, Dilma será removida do governo permanentemente. Muitos suspeitam que o principal motivo para o impeachment de Dilma é promover entre o público uma sensação de que a corrupção teria sido combatida, tudo projetado para aproveitar o controle recém adquirido de Temer e impedir maiores investigações sobre as dezenas de políticos realmente corruptos que integram os principais partidos.

OS ESTADOS UNIDOS têm permanecido notavelmente silenciosos sobre esse tumulto no segundo maior país do hemisfério, e sua postura mal foi debatida na grande imprensa. Não é difícil ver o porquê. Os EUA passaram anos negando veementemente qualquer papel no golpe militar de 1964 que removeu o governo de esquerda então eleito, um golpe que resultou em 20 anos de uma ditadura brutal de direita pró-EUA. Porém, documentos secretos e registros surgiram, comprovando que os EUA auxiliaram ativamente no planejamento do golpe, e o relatório da Comissão da Verdade de 2014 no país trouxe informações de que os EUA e o Reino Unido apoiaram agressivamente a ditadura e até mesmo “treinaram interrogadores em técnicas de tortura.”

epa04149938 Legislator Jair Bolsonaro, who supports the dictatorship, participates in a session held at Chamber of Legislators in Brasilia, Brazil, 01 April 2014. Brazilian Chamber of Legislators abruptly stoped the session in rejection of the 50 year anniversary of the military coup at the moment that Bolsonaro wanted to start his speech. Members of Parliament jeered at him and turned their backs in way of protest.  EPA/FERNANDO BIZERRA JR. (Newscom TagID: epalive129917.jpg) [Photo via Newscom]
Dep. Jair Bolsonaro
Photo: Fernando Bizerra/EPA/Newscom
O golpe e a ditadura militar apoiadas pelos EUA ainda pairam sobre a controvérsia atual. A presidente Rousseff e seus apoiadores chamam explicitamente de golpe a tentativa de removê-la. Um deputado pró-impeachment de grande projeção e provável candidato à presidência, o direitista Jair Bolsonaro (que teve seu perfil traçado por The Intercept no ano passado), elogiou ontem explicitamente a ditadura militar e homenageou o Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe de tortura da ditadura (notavelmente responsável pela tortura de Dilma). Filho de Bolsonaro, Eduardo, também na casa, afirmou que estava dedicando seu voto pelo impeachment “aos militares de ’64”: aqueles que executaram o golpe e impuseram o poder militar.

A invocação incessante de Deus e da família pelos que propuseram o impeachment, ontem, lembrava o lema do golpe de 1964: “Marcha da Família com Deus pela Liberdade.” Assim como os veículos de comunicação controlados por oligarquias apoiaram o golpe de 1964, como uma medida necessária contra a corrupção da esquerda, eles estiveram unificados no apoio e na incitação do atual movimento de impeachment contra o PT, seguindo a mesma lógica.

Por anos, o relacionamento de Dilma com os EUA foi instável, e significativamente afetado pelas declarações de denúncia da presidente à espionagem da NSA, que atingiu a indústria brasileira, a população e a presidente pessoalmente, assim como as estreitas relações comerciais do Brasil com a China. Seu antecessor, Lula da Silva, também deixou de lado muitos oficiais norte-americanos quando, entre outras ações, juntou-se à Turquia para negociar um acordo independente com o Irã sobre seu programa nuclear, enquanto Washington tentava reunir pressão internacional contra Teerã. Autoridades em Washington têm deixado cada vez mais claro que não veem mais o Brasil como seguro para o capital.

Os EUA certamente têm um longo — e recente — histórico de criar instabilidade e golpes contra os governos de esquerda Latino-Americanos democraticamente eleitos que o país desaprova. Além do golpe de 1964 no Brasil, os EUA foram no mínimo coniventes com a tentativa de depor o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em 2002; tiveram papel central na destituição do presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide em 2004; e a então Secretária de Estado, Hillary Clinton, prestou apoio vital para legitimar o golpe 2009 em Honduras, apenas para citar alguns exemplos.

Muitos na esquerda brasileira acreditam que os EUA estão planejando ativamente a instabilidade atual no país com o propósito de se livrar de um partido de esquerda que se apoiou fortemente no comércio com a China, e colocar no lugar dele um governo mais favorável aos EUA que nunca poderia ganhar uma eleição por conta própria.

EMBORA  NÃO TENHA surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria, uma viagem aos EUA, pouco divulgada, de um dos principais líderes da oposição brasileira deve provavelmente alimentar essas preocupações. Hoje — o dia seguinte à votação do impeachment — o Sen. Aloysio Nunes do PSDB estará em Washington para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norteamericanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.

O Senador Nunes vai se reunir com o presidente e um membro do Comitê de Relações Internacionais do Senado, Bob Corker (republicano, do estado do Tennessee) e Ben Cardin (democrata, do estado de Maryland), e com o Subsecretário de Estado e ex-Embaixador no Brasil, Thomas Shannon, além de comparecer a um almoço promovido pela empresa lobista de Washington, Albright Stonebridge Group, comandada pela ex-Secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright e pelo ex-Secretário de Comércio de Bush e ex-diretor-executivo da empresa Kellogg, Carlos Gutierrez.

A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright Stonebridge Group afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.

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O Senador Aloysio Nunes (esquerda) com o presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (direita) e o Senador José Serra
(Foto: Marcos Alves/Agencia O Globo, via AP Images)
Nunes é uma figura da oposição extremamente importante — e reveladora — para viajar aos EUA para esses encontros de alto escalão. Ele concorreu à vice-presidência em 2014 na chapa do PSDB que perdeu para Dilma e agora passa a ser, claramente, uma das figuras-chave de oposição que lideram a luta do impeachment contra Dilma no Senado.

Como presidente da Comissão de Relações e Defesa Nacional do Senado, Nunes defendeu repetidas vezes que o Brasil se aproxime de uma aliança com os EUA e o Reino Unido. E — quase não é necessário dizer — Nunes foi fortemente apontado em denúncias de corrupção; em setembro, um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, um executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.

A viagem de Nunes a Washington foi divulgada como ordem do próprio Temer, que está agindo como se já governasse o Brasil. Temer está furioso com o que ele considera uma mudança radical e altamente desfavorável na narrativa internacional, que tem retratado o impeachment como uma tentativa ilegal e anti-democrática da oposição, liderada por ele, para ganhar o poder de forma ilegítima.

O pretenso presidente enviou Nunes para Washington, segundo a Folha, para lançar uma “contraofensiva de relações públicas” e combater o aumento do sentimento anti-impeachment ao redor do mundo, o qual Temer afirma estar “desmoraliz[ando] as instituições brasileiras”. Demonstrando preocupação sobre a crescente percepção da tentativa da oposição brasileira de remover Dilma, Nunes disse, em Washington, “vamos explicar que o Brasil não é uma república de bananas”. Um representante de Temer afirmou que essa percepção “contamina a imagem do Brasil no exterior”.

“É uma viagem de relações públicas”, afirma Maurício Santoro, professor de ciências políticas da UFRJ, em entrevista ao The Intercept. “O desafio mais importante que Aloysio enfrenta não é o governo americano, mas a opinião pública dos EUA. É aí que a oposição está perdendo a batalha”.

Não há dúvida de que a opinião internacional se voltou contra o movimento dos partidos de oposição favoráveis ao impeachment no Brasil. Onde, apenas um mês atrás, os veículos de comunicação da mídia internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, os mesmos veículos agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma.

Temer, em particular, estava abertamente preocupado e furioso com a denúncia do impeachment pela Organização de Estados Americanos, apoiada pelo Estados Unidos, cujo secretário-geral, Luis Almagro, disse que estava “preocupado com [a] credibilidade de alguns daqueles que julgarão e decidirão o processo” contra Dilma. “Não há nenhum fundamento para avançar em um processo de impeachment [contra Dilma], definitivamente não”.

O chefe da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, da mesma forma, disse que o impeachment é “um motivo de séria preocupação para a segurança jurídica do Brasil e da região”.

A viagem para Washington dessa figura principal da oposição, envolvida em corrupção, um dia após a Câmara ter votado pelo impeachment de Dilma, levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país. E isso revela muito sobre as dinâmicas não debatidas que comandam o impeachment, incluindo o desejo de aproximar o Brasil dos EUA e torná-lo mais flexível diante dos interesses das empresas internacionais e de medidas de austeridade, em detrimento da agenda política que eleitores brasileiros abraçaram durante quatro eleições seguidas.

ATUALIZAÇÃO: Antes desta publicação, o gabinete do Sen. Nunes informou ao The Intercept que não tinha mais informações sobre a viagem dele à Washington, além do que estava escrito no comunicado de imprensa, que data de 15 de abril. Subsequente à publicação, o gabinete do Senador nos indicou informação publicada no Painel do Leitor (Folha de S. Paulo, 17.04.2016) onde Nunes afirma — ao contrário da reportagem do jornal — que a ligação do vice-presidente Temer não foi o motivo para sua viagem a Washington.

Traduzido por: Beatriz Felix, Patricia Machado e Erick Dau
Foto em cima: deputados brasileiros celebram depois de atingir os votos suficientes para autorizar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, no Congresso em Brasília, 17 de abril de 2016.

Glenn Greenwald | Andrew Fishman | David Miranda
No The Intercept
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O xadrez do dia da ressaca e a geopolítica mundial

Quadro de curto prazo.

Neste momento, nos círculos próximos à presidente, incumbidos da avaliação de cenário, o quadro de curto prazo que se vê é o seguinte:

1.    Baixa perspectiva de reverter o impeachment no Senado.

A esta altura, provavelmente o presidente do Senado Renan Calheiros já está em negociações com Michel Temer. É pequena a probabilidade de reverter a votação no Senado.

2.    Baixa perspectiva de reverter no STF (Supremo Tribunal Federal).

Após a demonstração de músculos de Eduardo Cunha na Câmara, é baixa a probabilidade de o Supremo tomar qualquer medida que reverta a decisão do impeachment. Não agirá se não for provocado. E, se provocado, a cautela se sobreporá a qualquer outra visão.

3.    Voz das ruas.

Há uma possibilidade pequena de reversão do impeachment dependendo exclusivamente da voz das ruas. Por vozes da rua se entenda, também, os manifestos e a indignação pelo não cumprimento dos dispositivos constitucionais no processo de impeachment.

4.    Lava Jato

Por outro lado, Lava Jato e a Procuradoria Geral da República já gastaram toda sua munição para inviabilizar o mandato de Dilma. Seu objetivo agora é inviabilizar a candidatura de Lula 2018. Provavelmente não mexerão na caixa de marimbondo do Congresso, ainda mais com Cunha armado com quase 2/3 da Câmara e com o recurso do vazamento diário de factoides já esgarçado pelo excesso de uso.

Hoje vazaram mais documentos da Andrade Gutierrez contra Lula e nada encontraram contra Aécio Neves - que o mundo sabe ser o parceiro preferencial da empresa.

Apesar do pessimismo palaciano, não minimize o problema da falta de legitimidade do processo de impeachment. O processo é tão clamorosamente ilegal, com tanta repercussão internacional, que não se deve eliminar a possibilidade de uma intervenção do STF.

O desempenho de Dilma Rousseff na entrevista coletiva de ontem — com um discurso sereno, firme e histórico — mostrou uma dimensão pública até agora imprevista da presidente, se apresentando como a defensora impávida da democracia. Um grande momento!

Uma saída alternativa seria o PT e Dilma encamparem a ideia das eleições gerais. É uma bandeira que tenderá a conquistar aliados dos dois lados, na mídia e nos grupos do PSDB contrários a José Serra.

Mesmo assim, para para passar exigirá a aprovação no Senado e na Câmara. E não consta que Cunha e seus aliados abrirão mão facilmente do poder conquistado.

O cenário mais provável, por enquanto, será a tentativa de Michel Temer-Eduardo Cunha de assumir e tentar consolidar seu poder, em um quadro de amplo descrédito político, com manifestações de rua, ceticismo em relação à sua capacidade de montar um programa econômico minimamente consistente. E, na outra ponta, o crescimento da bandeira das diretas já.

A tentativa Temer

O peixe vendido para Michel Temer, visando estimulá-lo em sua aventura golpista, foi de que sua mera posse daria um choque de credibilidade na economia, com os seguintes desdobramentos:

·      Com a posse, imediatamente haverá uma valorização dos ativos (ações e outros ativos internos) e uma depreciação do dólar.

·      Haveria um rápido trabalho de tentar convencer os investidores externos a voltar a investir. O choque de credibilidade consistiria em neutralizar o sistema de partilha da Lei do Petróleo e abrir espaço para um amplo programa de privatização e de flexibilização dos direitos sociais.

·      Por sua vez, essa guinada liberal levaria os grandes grupos a conseguir a adesão da mídia até 2018 quando, então, Temer se candidataria à reeleição.

Faltou combinar com os russos.

O próprio comportamento do mercado no chamado D+1 é uma comprovação da fragilidade da solução Temer. Nem o dólar caiu, nem a Bolsa subiu.

A primeira dificuldade é a própria falta de legitimidade de Temer, uma unanimidade negativa maior do que Dilma, fato que certamente pesará na hora de definir as prioridades das políticas públicas e tentar aprovar as pautas impopulares no Congresso.

Para contornar a falta de legitimidade, terá que proceder a uma ampla distribuição de cargos, benesses e medidas provisórias em um quadro de crise econômica e de exacerbação moralista contra o presidencialismo de coalizão.

Será curioso analisar a maneira como os brilhantes deputados, que votam em nome da sua cidade, dos seus pais, filhos, netos e avós, de Deus e dos contadores endossarão medidas impopulares. Aprovar medidas impopulares de Temer e Cunha ensejará tanto patrulhamento quanto votar contra o impeachment. Principalmente quando cair a ficha que a substituição de governo não mudou a realidade econômica.

Aliás, para quem defende o voto distrital, pode conferir — no BBB da votação da Câmara — o registro mais puro de um congresso dividido em deputados com visão estreita de seus respectivos distritos.

Se optar por demagogia — como reduzir drasticamente o número de ministérios — emperrará ainda mais a máquina pública.

Mesmo com as ferramentas da Presidência, terá enorme dificuldade em administrar as alianças.

Tome-se o caso de Aloysio Nunes — que viajou correndo para os Estados Unidos para se encontrar com lobistas e grupos internacionais. Um dos cacifes perante Temer será a capacidade de convencer o capital internacional. Esse convencimento é fundamental para que o golpe seja aceito internacionalmente e para que se crie um ambiente favorável aos novos investimentos.

A ida de Aloysio é uma maneira de seu mentor, José Serra, ganhar cacife nas negociações com Temer, visando ocupar um papel central no seu Ministério. Dependendo do espaço aberto a Serra, Temer colocará em risco a aliança com o PSDB.

Ora, para investimentos de longo prazo, o capital exige segurança jurídica. Como poderá oferecer segurança jurídica um governo que assumiu o poder dentro de um golpe, impopular, com uma base de apoio fragmentada e sequiosa e acossado pela Justiça?

Outro nó será com a mídia. Ela entra no governo Temer como uma das coparticipes do golpe. Qual será seu comportamento? No imaginário do Olimpo da comunicação de massa — que tem peso na formação de opinião do cidadão médio — há um enorme contingente de celebridades e semideuses que se colocou contra o golpe.

A aposta no impeachment foi enorme risco de imagem para os grupos de mídia. A condescendência com Temer poderá ser o tiro fatal contra sua credibilidade. Por outro lado, como abrir mão dos acenos das verbas publicitárias?

Um preâmbulo sobre a geopolítica mundial

Em casos recentes de disputa política em vários padrões, nota-se a repetição de um mesmo padrão de operações jurídico-policiais:

1.    Contra os acusados, o levantamento de indícios em investigações internacionais, frutos da cooperação internacional entre Ministérios Públicos e judiciário.

2.    O uso exaustivo da mídia para operações nas quais o álibi jurídico serve para promover assassinatos políticos. O espetáculo recorre desde a conduções coercitivas até a prisões temporárias. O MP não logra levantar provas contra os acusados, mas, no decorrer das investigações, provoca-se o maior dano possível à sua imagem.

3.    Ampla seletividade na escolha de alvos, preservando os aliados.

Brasil

A Lava Jato assesta a mira no ex-presidente Lula, move uma perseguição implacável, conduz coercitivamente, ameaça de prisão, vaza depoimentos e grampos. Até agora, não levantou uma prova sólida sequer contra ele, mas a reiteração da campanha derrubou seis índices de popularidade.

Na outra ponta, o adversário Aécio Neves aparece em várias delações e levantam-se provas sólidas de existência de contas em paraísos fiscais. Contra ele, nada acontece.

Portugal

Marcação cerrada sobre o ex-primeiro ministro português José Sócrates. Meses e meses de investigações, com cobertura midiática diária. Invasão de residência, decretação de prisão preventiva por 9 meses (!), busca de ativos que comprovariam a corrupção.

Depois de dois anos de investigação, nem o Ministério Público nem a Autoridade Tributária lograram apresentar publicamente nenhum dos “fortes indícios” que apregoavam dispor para condenar Sócrates. (http://migre.me/tybc5). No momento, o procurador incumbido do caso solicitou mais prazo de investigação. Mas há certo consenso de que o máximo que se conseguirá será a condenação política de Sócrates.

Na outra ponta, no chamado escândalo dos submarinos — de suborno praticado por empresas alemãs com autoridades portuguesas — houve condenação na Alemanha, mas o caso foi abafado em Portugal, apesar de envolver o ex-primeiro-ministro João Manuel Durão Barroso (http://migre.me/tybuA) (http://migre.me/tybvX) (http://migre.me/tybxE).

Do jornalista português Fernando Reis:

ˆO poder judicial persegue politicamente a esquerda, como aconteceu com o Sócrates, sem factos nem provas e poupa a direita como aconteceu no chamado caso dos submarinos, em que houve condenações por corrupção na Alemanha e em Portugal saíram impunes o ex-ministro da Defesa Paulo Portas e o ex-primeiro Ministro Durão Barroso. E mesmo que não venha a haver acusação, o julgamento de Sócrates já foi feito na praça pública, através de sistemáticas e cirúrgicas fugas de informação do ministério público para a comunicação social, principalmente para o jornal Correio da Manhã, que aqui faz o papel da Globoˆ.

Argentina

Em relação a Cristina Kirchner, o Ministério Público argentino baseou-se em informações sobre contas offshore para acusa-la de lavagem de dinheiro e de manipulação com dólares. Mesmo jogo feérico, de intimação para depoimentos ao juiz e a mobilização da população para apoia-la (http://migre.me/tybGw).

No centro do processo, obviamente a disputa política entre ela e o novo presidente argentino Maurício Macri — cujo nome apareceu em contas do Panama Papers.

As declarações de Cristina sobre a diferença de tratamento com Macri, cabem como uma luva na diferença do MPF, no tratamento dispensado a Lula e Aécio:

“Imaginem o que aconteceria se houvessem encontrado contasoffshore em meu nome, no nome de minhas irmãs, minha mãe, meu pai? Isso demonstra claramente que os argumentos [contra ela] têm um só objetivo: acabar com os direitos adquiridos durante os 12 anos de meu Governo”. “Vamos pular, quem não pula tem conta no Panamá”, as pessoas cantavam.

Momento de meditação

À vista da enorme complexidade do momento, os desdobramentos geopolíticos, as implicações internas, os movimentos de massa, exigindo análises complexas e sofisticadas, é interessante conferir a ideologia da Lava Jato.

Em um dos momentos épicos da Lava Jato, o procurador evangelizador Deltan Dallagnol visitou o movimento Cristãos contra a Corrupção teve uma visão:

“Neemias quando viu a cidade sem muros identificou o problema. A primeira reação de Neemias foi ter compaixão, Neemias chorou. Em seguida, Neemias jejuou e orou. A igreja já fez isso? Então, o que Neemias fez em seguida? Neemias agiu. Neemias vai ao rei e assume uma posição sacrificial, correndo risco de vida e diz ao rei que quer reconstruir os muros de sua cidade. Se nós queremos mudar o sistema, nós precisamos continuar orando, assumir uma posição clara, propor e apoiar medidas e projetos que contribuam nesse sentido” (http://migre.me/tydnV).

E os pastores presentes à capela do Seminário ficaram de pé para orar por Deltan e pelo fim da corrupção no Brasil.

Qual a diferença entre o procurador e os deputados que invocaram o nome de Deus na votação do impeachment? Apenas o fato de que Deltan tem um mestrado em Harvard. E a comprovação de que nem as luzes de Harvard são capazes de penetrar na ignorância crassa, tumular, plantada em algum momento da história brasileira pela Inquisição e pela superstição religiosa, e que atravessa séculos de camadas arqueológicas para se consolidar nas profundezas do imaginário nacional.

Quando, no final do jogo, o principal acusado torna-se o todo-poderoso do país, ameaçando tirar do cargo uma presidente honesta, nem Deus para conseguir explicar para o pastor as consequências de seus atos.

Luís Nassif
No GGN
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A "Multa-Bomba" de 7 bilhões

http://www.maurosantayana.com/2016/04/a-multa-bomba-de-7-bilhoes.html


Finalmente, depois de meses de pressão desumana, gestapiana, sobre o empresário Marcelo Odebrecht, o juiz Sérgio Moro levou-o a julgamento, condenando-o — baseado não em provas de sua participação direta, mas na suposição condicional de que um empresário que comanda uma holding com mais de 180 mil funcionários e que opera em mais de 20 países tem a obrigação de saber de tudo que ocorre nas dezenas de empresas que a compõem — a 19 anos e quatro meses de prisão.

Não satisfeito com a pena, e com a chantagem, que prossegue — já que o objetivo é quebrar a moral do réu — um dos poucos que não se dobraram à prepotência e ao arbítrio — com o aceno ao preso da possibilidade de “fazer delação premiada a qualquer momento”, os responsáveis pela Lava-Jato, na impossibilidade de provarem propinas e desvios, ou a existência de superfaturamento da ordem dos bilhões de reais alardeados aos quatro ventos desde o princípio da operação, pretendem impor ao grupo Odebrecht uma estratosférica multa “civil” que pode chegar a R$ 7 bilhões — mais de 12 vezes o lucro da empresa em 2014 — que, pela sua magnitude, se cobrada for, deverá levá-lo à falência, ou à paralisação destrutiva, leia-se sucateamento, de dezenas de obras e de projetos, a maior parte deles essenciais, estratégicos, para o futuro do Brasil nos próximos anos.

Com a imposição dessa multa, absolutamente desproporcional, da ordem de 30 vezes as quantias que a sentença afirma terem sido pagas em propina pela Odebrecht, por meio de subsidiárias situadas no exterior, a corruptos da Petrobras que já estão, paradoxalmente, soltos, o juiz Sérgio Moro — e seus colegas do Ministério Público de uma operação que deveria se chamar “Destrói a Jato” — prova que não lhe importam, em nefasto efeito cascata, nem as dezenas de milhares de empregos que ainda serão eliminados pelo grupo Odebrecht, no Brasil e no exterior, nem a quebra de milhares de acionistas e fornecedores do grupo, nem a paralisação das obras com que a empresa se encontra envolvida neste momento, nem o futuro, por exemplo, de projetos de extrema importância para a defesa nacional, como os submarinos convencionais e o submarino nuclear brasileiro que estão sendo fabricados pela Odebrecht em parceria com a DCNS francesa, ou o míssil ar-ar A-Darter, que está sendo construído por sua controlada Mectron, em conjunto com a Denel sul-africana, além de outros produtos como softwares seguros de comunicação estratégica, radares aéreos para os caças AMX e produtos espaciais.

Considerando-se que se trata de uma decisão meramente punitiva, ao fazer isso o juiz Moro age, no comando da Operação Lava Jato, como agiria o líder de uma tropa de sabotadores estrangeiros que colocasse, diretamente, com essa sanção — e uma tremenda carga de irresponsabilidade estratégica e social — centenas de quilos de explosivos plásticos no casco desses submarinos, ou nos laboratórios onde ficam os protótipos desse míssil, sem o qual ficarão inermes os 36 aviões caça Gripen NG-BR que estão sendo desenvolvidos pelo Brasil com a Saab sueca.

Que não tenha ele a ilusão de que essa sua sanha destrutiva esteja agradando às centenas de técnicos envolvidos com esses projetos, ou aos almirantes da Marinha e brigadeiros da Aeronáutica que, depois de esperar décadas pela aprovação desses programas, estão vendo-os sofrer a ameaça de serem destruídos técnica e financeiramente de um dia para o outro.

Como um inútil, estúpido, sacrifício, um absurdo e estéril tributo da Nação — chantageada e manipulada por uma parte antinacional da mídia, que não tem o menor compromisso com o futuro do país — a ser realizado no altar da vaidade de quem parece pretender colocar toda a República de joelhos, até que alguém assuma a responsabilidade de impor, com determinação, bom senso e respeito à Lei e à Constituição Federal, limites à sua atuação e à implacável, imparável, destruição, de alguns dos principais projetos e empresas nacionais.

Enquanto isso, para ridículo do país e divertimento de nossos concorrentes externos, nos congressos, nos governos, na área de inteligência, nas forças armadas de outros países, milhares de tupiniquins vibram, nos bares, na conversinha fiada do escritório, nos comentários que agridem e insultam a inteligência nas redes sociais, com a destruição de um dos principais grupos empresariais do Brasil, deleitando-se com a perda de negócios e empregos, e com a sabotagem e incompreensível inviabilização de algumas de nossas maiores obras de engenharia e de defesa, mergulhados em uma orgia de desinformação, hipocrisia, manipulação e mediocridade.

Mesmo que Marcelo Odebrecht venha a aceitar, eventualmente, fazer um acordo de delação premiada, nenhum jurista do mundo reconheceria, moralmente, a sua legitimidade.

Não se pode pressionar ninguém, a fazer acordos com a Justiça, para fazer afirmações que dependerão da produção de provas futuras. Assim como não se pode confundir o combate à corrupção — se houver corruptos que sejam julgados com amplo direito de defesa e encaminhados exemplarmente à cadeia, estamos cheios de gente com contas na Suíça solta e sem contas na Suíça atrás das grades — com a onipotente destruição do país e de milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: se a situação fosse contrária, e um juiz norte-americano formado no Brasil e “treinado” por autoridades brasileiras, a quem propôs, por mais de uma vez, sua “cooperação”, estivesse processando um almirante envolvido com o programa nuclear norte-americano, e influindo no destino de todo um programa de submarinos, da construção de um novo submarino atômico, e do desenvolvimento de um míssil ar-ar para a US Air Force, a ponto de a empresa norte-americana responsável por ele ter de ser provavelmente vendida a estrangeiros, ele teria chegado, à posição em que chegou, em nosso país, o juiz Sérgio Moro?

Ou já não teria sido denunciado por pelo menos parte da imprensa dos Estados Unidos, e chamado à razão, em nome da segurança e dos interesses nacionais, por autoridades — especialmente as judiciais — dos Estados Unidos?

O único consolo que resta, nesta nação tomada pela loucura — lembramos por meio destas palavras, que quem sabe venham a ser transportadas, em bits, para o amanhã — é que, sob o olhar do tempo, que para todos passará, inexorável, a História, magistrada definitiva e atenciosa, criteriosa e implacável, vigia, registra e julga.

E cobrará caro no futuro.
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A dança dos votos


VIRADA DE CASACA QUE PREJUDICARAM O GOVERNO

PR:

Partido orientou a votar contra. Mas dos 40 deputados, 26 votaram a favor.

Adelson Barreto (SE)

Alexandre Valle (RJ)

Alfredo Nascimento (AM)

Anderson Ferreira (PE)

Bilac Pinto (MG)

Cabo Sabino (CE)

Capitão Augusto (CE)

Christiane Yared (PR)

Delegado Edson Moreira (MG)

Delegado Waldir (GO)

Giácobo (PA)

Dr João (RJ)

Jorginho Mello (SC)

Laerte Bessa (DF)

Luiz Claudio (RO)

Luiz Nashimori (PR)

Magda Molfatto (GO)

Marcelo Álvaro Antônio (MG)

Marcio Alvino (SP)

Maurício Quintella (AL)

Miguel Lombardi (SP)

Milton Monti (SP)

Paulo Feijó (RJ)

Paulo Freire (SP)

Remídio Monai (RR)

Tiririca (SP)

PDT:

Partido orientou votar contra. Dos 19 deputados da bancada, 6 votaram a favor.

Giovani Cherini (RS)

Flávia Morais (GO)

Hissa Abrahão (AM)

Mário Heringer (MG)

Sergio Vidigal (ES)

Subtenente Gonzaga (MG)

VIRADAS DE CASACA QUE AJUDARAM O GOVERNO

PMDB:

Partido orientou votar a favor. Dos 67 deputados, 7 votaram contra e 1 se absteve.

Celso Pansera (RJ)

Elcione Barbalho (PA)

João Marcelo Souza (MA)

Leonardo Picciani (RJ)

Marcelo Castro (PI)

Simone Morgado (PA)

Valtemir Pereira (MT)

PP:

Bancada orientou a votar a favor. Dos 45 deputados, 4 votaram contra

Macedo (CE)

Roberto Brito (BA)

Ronaldo Carletto (BA)

Waldir Maranhão (MA)

PROS:

Bancada orientou a votar a favor. Dos 6 deputados, 2 votaram contra

George Hilton (MG)

Odorico Monteiro (CE)

PSB:

Bancada orientou a votar a favor. Dos 32 deputados 3 votaram contra.

Bebeto (BA)

César Messias (AC)

Janete Capeberibe (AP)

PSD:

Bancada orientou a votar a favor. Dos 37 deputados 8 votaram contra.

Antônio Brito (BA)

Domingos Neto (CE)

Fernando Torres (BA)

Fábio Mitidieri (SE)

Irajá Abreu (TO)

José Nunes (BA)

Paulo Magalhães (BA)

Sérgio Brito (BA)

PT do B:

Bancada orientou a votar contra. Dos 3 deputados, 2 votaram a favor

Cabo Daciolo (RJ)

Luis Tibé (MG)

PTB:

Bancada orientou a votar a favor do impeachment. Dos 20 deputados, 6 votaram contra.

Adalberto Cavalcanti (PE)

Arnon Bezerra (CE)

Capitão Fábio Abreu (PI)

Paes Landim (PI)

Pedro Fernandes (MA)

Zeca Cavalcanti (PE)

PTN:

Bancada orientou a votar a favor do impeachment. Dos 12 deputados, 4 votaram contra

Aluísio Mendes (MA)

Bacelar (BA)

Jozi Araújo (PA)

Ricardo Teobaldo (PE)

SEM VIRADA DE CASACA

DEM:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PC do B:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou contra.

PMN:

Partido liberou bancada. Um voto a favor e outro contra.

PHS:

Partido orientou votar a favor. Dos 7 deputados da bancada, 1 votou contra.

PMB:

Um deputado. Votou a favor conforme orientação da bancada.

PPS:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PRB:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PSC:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PSDB:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PSL:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

PSOL:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou contra.

PT:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou contra.

PV:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

Rede:

Partido liberou o voto. Dos 4 deputados, dois votaram a favor e dois contra.

Solidariedade:

Toda bancada seguiu orientação do partido e votou a favor.

Werbeth Ferreira
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Os golpistas que entram na lata de lixo da História — II


André Abdon - PP -
Golpista

Cabuçu Borges - PMDB - AP
Golpista

Janete Capiberibe - PSB - AP
Legalista

Jozi Araújo - PTN - AP
Legalista

Marcos Reategui - PSD - AP
Golpista

Professora Marcivania - PCdoB - AP
Legalista

Roberto Góes - PDT
Legalista

Vinicius Gurgel - PR - AP
Abstenção - Legalista

Arnaldo Jordy - PPS - PA
Golpista

Beto Faro - PT - PA
Legalista

Beto Salame - PP - PA
Abstenção - Legalista

Delegado Éder Mauro - PSD - PA
Golpista

Edmilson Rodrigues - PSOL - PA
Legalista

Elcione Barbalho - PMDB - PA
Legalista

Francisco Chapadinha - PTN - PA
Golpista

Hélio Leite - DEM - PA
Golpista

Joaquim Passarinho - PSD - PA
Golpista

José Priante - PMDB - PA
Golpista

Josué Bengtson - PTB - PA
Golpista

Júlia Marinho - PSC - PA
Golpista

Lúcio Vale - PR - PA
Legalista

Nilson Pinto - PSDB - PA
Golpista

Simone Morgado - PMDB - PA
Legalista

Wladimir Costa - SD - PA
Golpista

Zé Geraldo - PT - PA
Legalista
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Os golpistas que entram na lata de lixo da História — I



Abel Mesquita - DEM - RR
Golpista

Carlos Andrade - PHS - RR
Golpista

Edio Lopes - PR - RR
Legalista

Hiran Gonçalves - PP - RR
Golpista

Jhonatan de Jesus - PRB - RR
Golpista

Maria Helena - PSB - RR
Golpista

Remídio Monai - PR - RR
Golpista

Shéridan - PSDB - RR
Golpista

Afonso Hamm - PP - RS
Golpista

Afonso Motta - PDT - RS
Legalista

Alceu Moreira - PMDB - RS
Golpista

Bohn Gass - PT - RS
Legalista

Carlos Gomes - PRB - RS
Golpista

Covatti Filho - PP - RS
Golpista

Danrlei de Deus Hinterholz - PSD- RS
Golpista

Darcísio Perondi - PMDB - RS
Golpista

Giovani Cherini - PDT - RS
Golpista

Heitor Schuch - PSB - RS
Golpista

Henrique Fontana - PT - RS
Legalista

Jerônimo Goergen - PP - RS
Golpista

João Derly - REDE - RS
Golpista

José Fogaça - PMDB - RS
Golpista

José Otávio Germano - PP - RS
Golpista

Jose Stédile - PSB - RS
Golpista

Luis Carlos Heinze - PP - RS
Golpista

Luiz Carlos Busato - PTB - RS
Golpista

Marco Maia - PT - RS
Legalista

Marcon - PT - RS
Legalista

Maria do Rosário - PT - RS
Legalista

Mauro Pereira - PMDB - RS
Golpista

Nelson Marchezan Junior - PSDB - RS
Golpista

Onyx Lorenzoni - DEM - RS
Golpista

Osmar Terra - PMDB - RS
Golpista

Paulo Pimenta - PT - RS
Legalista

Pepe Vargas - PT - RS
Legalista

Pompeo de Mattos - PDT - RS
Abstenção - Legalista

Renato Molling - PP - RS
Golpista

Ronaldo Nogueira - PTB - RS
Golpista

Sérgio Moraes - PTB - RS
Golpista

Carmen Zanotto - PPS - SC
Golpista

Celso Maldaner - PMDB - SC
Golpista

Cesar Souza - PSD - SC
Golpista

Décio Lima - PT - SC
Legalista

Esperidião Amin - PP - SC
Golpista

Geovania de Sá - PSDB - SC
Golpista

João Paulo Kleinübing - PSD - SC
Golpista

João Rodrigues - PSD - SC
Golpista

Jorge Boeira - PP - SC
Golpista

Jorginho Mello - PR - SC
Golpistas

Marco Tebaldi - PSDB - SC
Golpista

Mauro Mariani - PMDB - SC
Golpista

Pedro Uczai - PT - SC
Legalista

Rogério Peninha Mendonça - PMDB - SC
Golpista

Ronaldo Benedet - PMDB - SC
Golpista

Valdir Colatto - PMDB - SC
Golpista
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