15 de abr de 2016

Defesa de Cardozo no covil da câmara


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O pronunciamento do dep. Henrique Fontana


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Por que o golpe de Estado no Brasil deve falhar


O analista de geopolítica internacional Pepe Escobar escreve: "Como uma metáfora do estado avançado de putrefação que assola todo o sistema político de uma das principais nações do Sul Global, nada chega perto do que está prestes a acontecer no Brasil."

O líder notoriamente corrupto da câmara baixa do Parlamento Brasileiro, Eduardo Cunha — titular de 11 contas suíças ilegais, indicado na documentação do Panamá e indiciado no Supremo Tribunal Federal — tem agendada uma votação em plenário crucial sobre a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff para este próximo domingo. Domingo, tradicionalmente, é o dia em que a esmagadora maioria dos brasileiros relaxa assistindo a futebol na TV.

Cunha também tentou definir as regras do jogo; a chamada iria começar com os estados do sul mais ricos, que são mais favoráveis ao impeachment — um eufemismo para a mudança de golpe, o culminar da estratégia de guerra híbrido suave implantado desde o início pelos suspeitos sempre aliados com a oligarquia, as elites brasileiras.

Este procedimento de votação agora mudou — irá alternar estados do norte e do sul — para criar uma onda no plenário da Câmara no sentido de impeachment, permitindo assim a entrada gloriosa de outro bandido, o atual vice-presidente Michel Temer. De qualquer forma, a magnífica peça da dupla deve produzir Temer como presidente e Cunha como vice.

A corrida em direção à farsa de domingo foi monopolizada pela mídia mainstream, controlada por quatro famílias, pretendendo criar uma inevitabilidade do impeachment. E, no entanto, todas as apostas estão fora. A oposição à Rousseff, cada vez mais desesperada, não arregimentou todos os dois terços necessários dos traidores no momento da votação na Câmara. A questão deve, então, ser encaminhada ao Senado. E a Suprema Corte também deve pronunciar-se sobre se Rousseff cometeu um “crime de responsabilidade”. Ela está sendo acusada de truques de contabilidade que supostamente deturpou o estatuto fiscal do governo, algo que todo presidente brasileiro tem feito, para não mencionar líderes em todo o mundo. Em paralelo, grandes vertentes da sociedade civil estão agora se mobilizando para garantir que o golpe será derrotado no Congresso e nas ruas.

Esta saga não tem nada a ver com corrupção, supostamente o principal motivo. É tudo oportunismo político sujo. O plano do conspirador vice-presidente Michel Temer foi revelado através de um vazamento de áudio no noticiário noturno do império Globo. O ângulo era criar um clima positivo no sentido do impeachment, com Temer já atuando como presidente e posicionando-se como o portador pródigo (e facilitador) de boas notícias.

Temer em seguida passou a ultrapassagem da mídia, afirmando que, sim, ele está qualificado para a presidência. Se o movimento de impeachment for derrotado, ele deve permanecer como vice-presidente. Ele insiste que não há golpe, enquanto abominando a possibilidade de uma nova eleição geral, porque isso representaria uma “ruptura constitucional”. Macbeth? Não, apenas um oportunista paroquial humilde. Então, onde está Lula em toda essa confusão?

Gleen Greenwald conduziu uma extensa entrevista com o ex-ícone político presidente, onde ele defende o governo. Compare-o com a vista da cidade de Londres, para qual, é claro, isso não é um golpe. O que importa é o bem-estar dos “investidores estrangeiros”, como se o governo brasileiro tivesse a obrigação em primeiro lugar em relação a eles. Bem, é factível. Mesmo com Rousseff não acusada de qualquer delito, ao contrário do mote do Congresso farsa que quer derrubar seu governo. Dos 65 membros da comissão do Congresso farsa que votaram no impeachment, 35 dos 38 votos dos que votaram a favor estão sendo investigados por corrupção.

A maior parte da sociedade civil, liderada por movimentos sociais e universidades e círculos de intelectuais, se posicionaram com força sobre o golpe. Com uma nuance crucial, eles estão atrás de Lula, pessoalmente, não o Partido dos Trabalhadores, que é de fato contaminado pela corrupção.

Os grandes interesses industriais/bancários concentrados em São Paulo — estado mais rico do Brasil e superpotência econômica do país — apoiados pela maioria dos meios de comunicação agora mudam-se para o centro, com o lema “Não Dilma e nenhum Temer”, já concentrados nas eleições de 2018. No entanto, o que já aconteceu no tabuleiro de xadrez em constante evolução foi a dizimação dos ex-social-democratas, o PSDB.

Esses comparsas de Wall Street/City of London só podem contar com a Lava Jato e as investigações relacionadas com o escândalo e a influência de CEOs de grandes empresas com sede em São Paulo. Seu santo padroeiro é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ex-desenvolvimentista social, “Príncipe dos Sociólogos”, que virou um mero paperboy das elites. Ele conseguiu alienar tanto os sociais-democratas quanto os direitistas estridentes.

Sim, isso é tudo sobre as eleições de 2018, porque o impeachment significa, em poucas palavras, a reversão judicial através de um golpe branco do resultado de 2014, quando Rousseff foi reeleita. No entanto, todas simulações recentes revelam que Lula ainda tem chance para 2018, embora sua percentagem de rejeição popular permaneça elevada. Por mais que emerja como o grande conciliador, estes números vão ser revertidos.

O governo de Rousseff, nos últimos dias, conseguiu organizar uma base um pouco minimalista capaz de impedir o impeachment, mas ainda incapaz de assegurar a governabilidade. Pelo menos o Supremo Tribunal agora parece estar finalmente inclinado a examinar os méritos jurídicos do processo de impeachment. O que é certo é que o império da Globo, no último trecho, vai torcer o voto no sentido do impeachment. É assim que o complexo judicial/mídia funciona.

A Operação Lava Jato é o remix brasileiro da década de 1990 com a Operação Mãos Limpas da Itália. O juiz Gherardo Colombo, que fez parte da Operação Mãos Limpas, visitou o Brasil e explicou o que aconteceu a seguir: a investigação correu para baixo, porque o cidadão italiano médio ficou desmotivado com a divulgação de escândalo após escândalo.

Esta nova luz sobre a Operação Lava Jato de tentar incriminar Lula por todos os meios foi a gota d´água que pôs a nu para a maioria o “Brasil profundo”, o fato incontestável de uma “luta contra a corrupção” altamente politizada. A bola está agora com o procurador-geral. Ou ele se posiciona como um partidário humilde ou com um Ministério Público necessariamente imparcial. Isto poderá implicar “salvar” Rousseff, mas ao mesmo tempo pode manchar o capital político de Lula.

Para o Supremo Tribunal, agora é mais do que óbvio que eles devem autorizar uma ação legal contra Cunha, tendendo pelo afastamento inevitável como presidente da Câmara. Até mesmo o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, apelidou-o de uma farsa surrealista, “o mundo de cabeça para baixo” e de tentar afastar um presidente honesto que sempre favoreceu a luta contra a corrupção. O “segredo” de toda a conspiração parlamentar — alheia para a mídia corporativa ocidental — é que esses bandidos que votarão pelo impeachment no domingo tentam, por todos os meios, escapar das garras da Operação Lava a Jato.

Em meio a esse bando é difícil encontrar uma saída pacífica. Supondo que o movimento pelo impeachment seja aprovado na Câmara, o Senado poderia ter até 11 de maio para, finalmente, entregar seu veredito. Rousseff seria então automaticamente suspensa por até 180 dias, durante os quais a presidente será julgada. Missão cumprida?

Pepe Escobar, jornalista investigativo independente
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Moro: tirar Dilma não é solução


O juiz federal Sérgio Moro, da Vaza Jato, disse ontem (14), em Curitiba, que tirar Dilma Rousseff não é a solução para o país.

A declaração do magistrado ocorreu em palestra na Associação Médica do Paraná.

Segundo Moro, não adianta mudar governo pensando que resolve problema de corrupção.

O juiz dissecou o funcionamento da “corrupção sistêmica” e citou o exemplo da operação Mãos Limpas na Itália, que possibilitou o surgimento de Silvio Berlusconi e o consequente afrouxamento das leis e das penas aos corruptos.

Para Moro, a sociedade civil tem que se mobilizar caso contrário não haverá solução para a corrupção no Brasil e no mundo.

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Deputado diz que golpe é previsto na Constituição — assista


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#PrecisamosFalarSobreTemer!


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Os magos e o monstro

http://www.maurosantayana.com/2016/04/os-magos-e-o-monstro.html


Dizem que, certa vez, querendo derrotar um adversário, um grupo de magos e de aspirantes a magos – entre eles havia numerosos aprendizes de feiticeiro – reuniu-se para construir uma criatura monstruosa, que pudesse destroçar, impiedosamente, o inimigo.

– Vamos fazer uma cauda longa e forte, coberta de espinhos – disse um deles.

– E uma boca imensa como um precipício, com duas fileiras de dentes de tubarão, tamanho X-G – disse outro.

– E seis patas, longas como lanças e grossas como porretes, que possam perseguir e acuar qualquer um que esteja se vestindo com as cores deles – afirmou o terceiro.

– Cada uma com 12 garras, afiadas e curvas, como espadas de sarracenos – reforçou mais um.

– Tudo isso unido, por este tronco aqui – sugeriu outro – grosso como o de um rinoceronte.

– Coberto com escamas em lâminas, que cortem como cacos de vidro – propuseram outros, que tinham acabado de chegar ao encontro.

E durante meses os magos assim procederam.

Além de detalhes físicos, inúmeros, foram acrescidos à receita condenáveis sentimentos, que iam sendo reunidos para alimentar, na fase final, o monstro por via intravenosa, já que ele, como um abominável frankenstein canídeo, ressonava, roncando, no pátio do castelo, esperando o dia em que despertaria completamente, como a Bela Adormecida.

Por isso, no caldeirão em que fervia a poção que era injetada, como um soro fétido, no monstro, por mil agulhas espalhadas pelo corpo, se juntaram o ódio mais virulento, as mentiras mais descaradas, o preconceito mais arrogante, a violência mais sádica, a ignorância mais teimosa, a manipulação mais descarada e a mais cínica hipocrisia.

Nesse afã, passaram-se dias, semanas.

Até que, meses depois, em um crepúsculo lento e friorento, os magos se reuniram nas arquibancadas do pátio do castelo, para acordar, finalmente, a estranha criatura.

Para isso, um mago anão, equilibrista, subindo ousadamente sobre o rabo do monstro, percorreu lenta e solenemente o seu tronco, e, escalando sua cabeça, aproximou-se do focinho repugnante e disforme, para soprar, precedido pelo som de trombetas, em suas ventas, com um canudo feito de despachos judiciais, manchetes de jornal e capas de revista, o vapor azulado da existência.

Passaram-se então alguns segundos, de ansiedade e expectativa, em que se poderia ouvir o zumbido de um inseto.

E no instante em que o monstro se levantou, resfolegando como o cão dos infernos, foi como se a terra tivesse, súbita e violentamente, estremecido.

A massa da gigantesca criatura balançou-se, de um lado para o outro, como uma montanha, atirando, sobre uma arquibancada mais alta, o anão-mago que havia lhe soprado a vida.

E quando, abrindo os olhos em chamas, ele escancarou a espantosa bocarra, mostrando a garganta escura e profunda como um poço, emoldurada pelas longas fileiras de dentes, de onde explodiu, como uma bomba, o poderoso trovão de seu rugido, fazendo com que todo mundo saísse correndo, desabaladamente, ainda ouviu-se, desesperado e agudo, um grito lancinante:

– Ih! Ih! Corre, macacada, corre!

A gente se esqueceu de colocar a coleira!

Se tivesse acesso a um pequeno livro de contos morávios da segunda metade do medievo, que comprei em um velho sebo em Praga, que me inspirou o início deste texto, certamente parte da oposição e do próprio PMDB teriam pensado duas vezes antes de agir como os magos e os seus aprendizes, e optar, uns de forma planejada, outros de maneira crescente e intuitiva, por incentivar e cevar, com a velha, surrada, manipulada bandeira do combate à corrupção de sempre, o monstro da antipolítica, e por abandonar o calendário eleitoral normal para embarcar em um jogo suicida de encarniçado perde-perde do qual, como se pode ver também pelas últimas pesquisas, todos, ou quase todos, sairão exangues, feridos e derrotados, e em situação muito pior do que a que estavam antes.

Nos últimos anos, e principalmente nos últimos meses, da Copa do Mundo para cá, muita gente insistiu em empurrar, radical, emotivamente, a população e a opinião pública contra o governo, como se disso dependesse a salvação do país.

E o que se conseguiu foi criar uma grande massa de brasileiros, equivalente hoje a cerca de 20% da população, que nutre o mais profundo desprezo pela política, pelo Congresso, pelos partidos, pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Poder Executivo, e que não tem – e não quer ter – a menor ideia de como funciona um regime democrático ou o presidencialismo de coalizão.

Uma turba que, da defesa da tortura, da ditadura, do assassinato de adversários políticos, ao anseio de uma democracia direta feita na base da porrada e do porrete, exercida pela força, a pressão e a violência, exibe os mais esdrúxulos devaneios e delírios, tendo como únicos pontos de união um anticomunismo tosco e anacrônico, o ódio ao estado, o desprezo pelo Brasil e por suas conquistas e preconceitos de todo tipo e que só aceita – até agora – a liderança de dois personagens desequilibrados pelo ego e pela ambição, que representam, a médio prazo, um imponderável, incalculável, extremado risco para a sobrevivência da democracia e das instituições.

O PT, de sua parte, embora não possa ser incluído no “círculo mágico” a que nos referimos, fez, paradoxalmente, quase todo o possível para o crescimento dessa receita fascista.

Alimentou, com bilhões de reais, uma mídia parcial, seletiva, inimiga, quando, até mesmo usando o sábio pretexto da austeridade, poderia ter evitado fazê-lo, suspendendo, ou limitando à publicidade legal obrigatória, toda a propaganda paga do governo.

Abandonou, sem nenhuma estratégia que pudesse impedi-lo, os espaços aparentemente “neutros” e de maior “audiência” da internet para a direita, e, depois, para a extrema direita, permitindo que, sem nenhuma reação em contrário, eles se tornassem o principal caldo de fermento de uma malta ignorante, violenta, hipócrita, manipulada e burra, parte dela oriunda de um público que as próprias políticas sociais do Partido dos Trabalhadores havia levado a ter acesso, por meio da inclusão digital, a computadores, tablets, celulares e conexões de rede.

Não estruturou um discurso claro, baseado em dados simples, em nada cabalísticos, do PIB, dívida pública, carga tributária, que pudesse desmentir teses estapafúrdias como a de que quebrou o Brasil nos últimos 13 anos, ou de que sucateou as Forças Armadas, quando lançou o maior programa de aparelhamento da área de defesa dos últimos 500 anos.

Alguns de seus dirigentes se entregaram à aceitação de pequenos, perigosos e absolutamente desnecessários “favores” – não ilegais, mas moral e politicamente discutíveis – e outros personagens se entregaram a operações de “consultoria”, prestadas não apenas a empresas brasileiras – coisa totalmente compreensível, no apoio por exemplo, à exportação de serviços e equipamentos nacionais – mas também a companhias multinacionais, algumas delas – não necessariamente por influência do PT, mas em seus governos – beneficiadas, nos últimos anos, por “perdão” de impostos e empréstimos bilionários, lembrando, nessa aproximação, o que ocorria nos governos neoliberais e entreguistas anteriores.

A oposição tem perdido apoio e intenção de votos com o discurso geral de judicialização e criminalização da política, na mesma proporção em que seus membros são acusados de corrupção, quase que exatamente com os mesmos pretextos, jogadas e subterfúgios – principalmente a transformação de doações legais em ilegais e delações premiadas negociadas em troca da liberdade mesmo que provisória de detidos – que antes se utilizavam apenas contra membros do PT e da coalizão governista.

O Congresso também perdeu como um todo, institucionalmente, bastando para isso ver a quantidade de membros do legislativo processados pela justiça – incluídos os presidentes da Câmara e do Senado – ou apenas no âmbito da Operação Lava-Jato, como é o caso, por exemplo, da composição da própria Comissão que aprovou, em primeira votação, por maioria simples, o impedimento da Presidente da República.

A Operação Lava-Jato, insuflada pela oposição no início, e pela mídia conservadora durante todo o tempo, e o esporte nacional de acuar e inviabilizar o governo, aprofundaram o efeito da crise econômica internacional, arrebentando com a governabilidade e com a economia e quebrando milhares de brasileiros, que, até mesmo por isso, estão se afastando também da política tradicional, “seduzidos”, como sempre, por novos e velhos paraquedistas que dizem que não são “políticos”.

Quanto ao PMDB, se nem os magos e seus aprendizes conseguiram se aproximar da criatura que geraram – por hora disposta a ganhar afagos e festas de apenas duas pessoas, o Juiz Sérgio Moro e o Capitão Jair Bolsonaro, que se aproximam, perigosamente de 16% dos votos;

Se a malta fascista que está nas ruas, criada com o leite amargo do ódio e o pão de ló da criminalização e desconstrução da política que a oposição e a imprensa amassaram com o rabo, não aceita sequer a presença do PSDB partidário em suas manifestações, das quais já expulsou Aécio e Alckmin, nem a do Presidente da FIESP – que foi cantar o hino nacional e por pouco não saiu tosquiado, ou melhor, pagando o pato;

Nem a do “líder” dos Revoltados Online, que apesar de travestido de fascista, foi acusado de comunista e de “estar a soldo do senador Aécio Neves” porque tentou fazer um alerta à turba de “homens de bem” e teve que sair sob proteção policial da Avenida Paulista;

De onde o PMDB “recém-dissidente” tirou a ideia, ou melhor – aos gritos de “Fora PT” no Congresso – a ilusão, de que seria tratado de forma diferente por aqueles que se convencionou chamar de “coxinhas”, ou pelo judiciário, ou pela “imprensa”, após ficar mais de uma década apoiando e participando da coalizão governista?

Será que esse partido não sabe que dificilmente o Vice-Presidente Michel Temer deixará de ser a bola da vez em uma longa fila de impeachments?

Bom ou mau, o PT tinha um acordo com o PMDB. A imprensa, o Judiciário, os “mercados” não têm nenhum.

Ainda esta semana, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o empresário Francisco Deusmar, dono da rede de farmácias Pague Menos, com 830 lojas no país, disse que, em caso de impeachment, seria melhor que o Vice-Presidente da República não assumisse.”Tem que ser como no futebol – afirmou – o time está perdendo? Muda a Comissão Técnica toda.

E o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, lembrou que não dá para saber que tipo de apoio teria um eventual governo Michel Temer.

Se haverá eleições daqui a seis meses, para que quebrar as regras do jogo?

Para que romper a aliança – mesmo que frágil – de uma coalizão já existente, para tentar, sem nenhuma garantia de êxito, se aliar subalternamente (pela pressão) a todo tipo de adversários, que não têm por você a menor simpatia ou respeito?

O que é melhor, atravessar o rio em conjunto com o grupo com que, ao menos aparentemente, se estava enfrentando, até mesmo por imposição do campo adversário, as mesmas vicissitudes e desafios?

Ou substituir regras democráticas previsíveis, periódicas, pelo imponderável “pega pra capar” de uma destrutiva briga de foice no escuro – e ser usado como boi de piranha para tirar as castanhas do fogo para sabe se lá quem chegar ao poder, pisando por cima do seu pescoço?

Os ministros do PMDB que permaneceram no governo recusaram-se a queimar suas naves, como Agathocles nas praias de Cartago.

Ao romper com Dilma, por sua vez, outro lado do PMDB lançou-se à travessia – que promete ser longa e não isenta de desafios – de uma espécie de Rubicão caboclo.

E um terceiro grupo, nacionalista e legalista, tende a manter-se – provavelmente em defesa de suas respectivas biografias – por convicção, contra o impeachment.

Esquecendo-se das conveniências de curto prazo, que nem sempre são boas conselheiras, em Política e na História, por maiores sejam a pressa e as dúvidas eventuais, no lugar de ficar com o senso comum é sempre melhor ficar com o bom senso.

Senão, corre-se o risco de morrer como o escorpião que picou a rã – que lhe dava carona – no meio do rio.

O futuro dirá se foi por estratégia, por “natureza” (como fez o artrópode da fábula) ou estultice.
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Delator aponta propina de R$ 52 milhões em 36 parcelas a Eduardo Cunha


Em 14 páginas, o empresário Raul Pernambuco Júnior narra com detalhes encontro com o presidente da Câmara para combinar como seriam feitos pagamentos no exterior

Delator afirma que pagou propina a Eduardo Cunha no exterior.
Delator afirma que pagou propina a Eduardo Cunha no exterior.
Em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, na Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, entregou aos investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05 em propinas supostamente pagas ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014.

Segundo o empreiteiro, empresas relacionadas às obras do Porto Maravilha, no Rio, deveriam pagar R$ 52 milhões ou 1,5% do valor total dos Certificados de Potencial de Área Construtiva (Cepac) a Eduardo Cunha. A parte que caberia à Carioca era de R$ 13 milhões.

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O maior repasse ocorreu em 26 de agosto de 2013 no valor de US$ 391 mil depositados em conta do peemedebista no banco suíço Julius Baer. Em 2011 foram quatro depósitos, somando US$ 1,12 milhão. Em 2012, Eduardo Cunha recebeu só dessa fonte outros US$ 1,34 milhão divididos em seis depósitos. A tabela revela que em 2013 o deputado – que ainda não exercia a presidência da Casa -, foi contemplado com mais seis depósitos, totalizando US$ 1,409 milhão. Já em 2014, Eduardo Cunha recebeu outros seis depósitos que somaram US$ 804 mil.

A tabela com o caminho das propinas é dividida em duas partes.

“Em relação a primeira tabela, que totaliza US$ 3.984.297,05 tem certeza de que foram destinadas a contas apontadas pela deputado Eduardo Cunha; que em relação a segunda tabela, no valor total de US$ 696 mil, é altíssima a probabilidade de que também eram valores destinados a contas indicadas por Eduardo Cunha, por todo o trabalho investigativo que fizeram, em especial porque não fizeram pagamentos deste tipo a outras pessoas e, também, pelo valor das transferências”, afirmou o empresário.

“Em nenhum momento Eduardo Cunha lhe disse que as contas eram de titularidade dele, mas tem certeza de que todas estas contas foram indicadas pela deputado Eduardo Cunha; que tampouco o depoente chegou a perguntar a Eduardo Cunha sobre o titular das referidas contas.”

Em 14 páginas, o empresário Raul Pernambuco Júnior narra com detalhes encontro com o presidente da Câmara para combinar como seriam realizados pagamentos no exterior. Raul Pernambuco Júnior descreveu uma reunião no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio, que, segundo ele, teria ocorrido entre junho e julho de 2011, época da aquisição das Cepac’s pelo Fundo de Investimento do FGTS.

“O depoente não estava presente, mas seu pai e um executivo da Carioca de nome Marcelo Macedo estiveram presentes a esta reunião; que após esta reunião, o depoente foi chamado pelo seu pai; que seu pai lhe comunicou que Léo Pinheiro, da OAS, e Benedicto Junior, da Odebrecht, na reunião do Hotel Sofitel, comunicaram que havia uma solicitação e um ‘compromisso’ com o deputado Eduardo Cunha, em razão da aquisição, pela FI-FGTS, da totalidade das CEPAC’s”, declarou.

O empreiteiro detalhou. “Que o valor destinado a Eduardo Cunha seria de 1,5% do valor total das Cepac’s, o que daria em tomo de R$ 52 milhões devidos pelo consórcio, sendo R$ 13 milhões a cota parte da Carioca; que este valor deveria ser pago a Eduardo Cunha em 36 parcelas mensais; que seu pai disse ao depoente que cada uma das empresas “assumiria” a sua parte diretamente com Eduardo Cunha.”

À Procuradoria, o delator contou que o primeiro pagamento no Israel Discount Bank para Eduardo Cunha ocorreu em 10 de agosto de 2011, no valor de US$ 220.777,00. Raul Pernambuco Júnior relatou que houve uma dificuldade do Banco de seu pai para efetuar a transferência, em razão do banco destinatário.

Segundo o delator, Marcelo Macedo não participou especificamente desta conversa entre ele, seu pai e os representantes da OAS e da Odebrecht. Raul Pernambuco Junior disse que a Carioca, na época não tinha contato com Eduardo Cunha. O empreiteiro afirmou que ele e seu pai foram apenas “comunicados” pela Odebrecht e pela OAS sobre o “compromisso”.

“Como cada empresa deveria acertar os valores diretamente com Eduardo Cunha, o pai do depoente pediu que este procurasse referido parlamentar para acertar os pagamentos; que o contato telefônico de Eduardo Cunha foi repassado ao depoente por Benedicto Junior, a pedido do depoente; que foi passado ao depoente um numero de rádio Nextel”, afirmou.

O delator contou aos procuradores da Lava Jato que entrou em contato com Eduardo Cunha e marcaram uma primeira reunião. Raul Pernambuco Júnior disse não se recordar se o encontro se deu no escritório político do deputado, no centro do Rio, ou na Câmara, em Brasilia, ‘mas acredita que tenha sido no escritório político’. O empresário afirmou acreditar que a reunião tenha ocorrido no início de agosto de 2011.

“Indagado sobre a descrição do escritório político de Eduardo Cunha, respondeu que se trata de um escritório com decoração mais antiga, que tem uma antessala, com uma recepcionista; que, além disso, havia dois sofás, em seguida um corredor, com duas salas; que nestas salas havia uma secretária mais alta e um assessor do deputado; que este assessor era uma pessoa mais velha, com cerca de 60 anos, acreditando que fosse um pouco calvo, possuindo cabelo lateral; que nunca conversou, porém, nenhum assunto com tais pessoas; que mais à esquerda tinha a sala do deputado Eduardo Cunha, com uma mesa antiga, de madeira maciça, com muitos papeis em cima; que acredita que o escritório fique no 32° andar.”

De acordo com Raul Pernambuco Júnior, durante a reunião, ele perguntou ‘sobre o “compromisso” estabelecido e, inclusive, o valor, o que foi confirmado por Eduardo Cunha’. O empresário disse que ele e o pai não queriam que o dinheiro passasse “por dentro da empresa”, para ser o mais reservado possível. O delator contou que questionou Eduardo Cunha ‘sobre a possibilidade de estes pagamentos serem feitos em contas no exterior’.

“Eduardo Cunha disse que não haveria problema nenhum e, neste momento, ele indicou a primeira conta em que deveria ser efetivado o pagamento”, relatou Raul Pernambuco Júnior.

“Eduardo Cunha passou a conta em um papel, com os dados já digitados; que se lembra bem deste primeiro pagamento, porque o Banco indicado por Eduardo Cunha era denominado Israel Discount Bank; que não sabia se este banco era realmente em Israel; que já ficou estabelecido, inclusive, o valor do primeiro pagamento; que, dividindo o valor total devido pelo número de parcelas, o valor de cada parcela era de cerca de R$ 360 mil.”

O empreiteiro disse que a reunião deve ter durado cerca de 30 minutos, ‘oportunidade em que se conheceram melhor’. Raul Pernambuco Júnior afirmou que ‘até então não se conheciam ou ao menos não se recorda de tê-lo conhecido pessoalmente’.

“O depoente disse nessa reunião a Eduardo Cunha que seria impossível fazer depósitos mensais; que o depoente disse a Eduardo Cunha que fariam depósitos com periodicidade irregular; que esta impossibilidade de realizar depósitos mensais decorria da precaução que seu pai tinha em dar as ordens bancárias para o exterior; que o pai do depoente normalmente dava tais ordens aos gerentes das contas no exterior pessoalmente, seja em viagens que seu genitor fazia ao exterior ou, ainda, quando o gerente vinha ao Brasil; que não sabe se seu pai enviava ordens por outro meio de comunicação à distância, como fax ou e-mail.”

O delator continuou. “A pedido de seu genitor, o depoente solicitou uma reunião com Eduardo Cunha, por meio da secretária do depoente; que a secretária do depoente, de nome Sheila Oliveira, entrou em contato com a secretária do deputado Eduardo Cunha e, em seguida, enviou um e-mail para o depoente, questionando qual seria a “pauta para a reunião”; que o depoente respondeu o e-mail afirmando que “Ele está a par. Só avisa q sou eu””, declarou. Segundo o delator, este e-mail é datado de 16 de agosto de 2011.

Raul Pernambuco Júnior disse que a reunião ‘foi efetivamente marcada e realizada, não se recordando ao certo onde’.

“Nesta reunião, ocorrida provavelmente entre final de agosto e início de setembro, perguntou a Eduardo Cunha se haveria a possibilidade de mudar o banco e indicar uma conta na própria Suíça; que Eduardo Cunha concordou e disse não haver problemas; que Eduardo Cunha, no mesmo ato, já indicou a conta Esteban Garcia, no banco Merryl Lynch Bank, na Suíça; que a partir daí todos os depósitos para Eduardo Cunha foram na Suíça”, declarou. “Se estabeleceu que se houvesse necessidade de alteração do banco, isto deveria partir do deputado Eduardo Cunha; que, de qualguer forma, em toda oportunidade em que iriam fazer os pagamentos, o depoente ligava ou se encontrava com Eduardo Cunha para perguntar se “mantínhamos o mesmo endereço”.”

O delator narrou ainda que por uma ou duas vezes, as contas no exterior eram enviadas por Eduardo Cunha para ele, em envelopes lacrados e sigilosos, para a filial da Carioca em São Paulo, ‘contendo os dados da conta e códigos de transferência’.

A defesa de Eduardo Cunha foi procurada pela reportagem nesta quinta-feira, 14, mas ainda não se manifestou. O espaço está aberto para o presidente da Câmara.

Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho
No Estadão
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Mensagem de Lula aos deputados sobre o impeachment



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Temer e Cunha também estavam no mensalão do Dem



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O STF acabou se tornando um par perfeito para Eduardo Cunha

Plenário do STF: os juízes deram as bençãos para Cunha
O STF é uma espécie de par perfeito para Eduardo Cunha, como se viu ontem nos julgamentos finais de liminares do governo antes da votação de domingo.

Cunha está promovendo um golpe por vingança. Queria que o governo o ajudasse a escapar das consequências de seus múltiplos atos corruptos.

Os suíços documentaram suas contas secretas, que ele negara nesta mesma Câmara que quer desalojar Dilma.

Repito: os suíços, e não Moro, o juiz de um lado só.

Testemunhas variadas se uniram em narrar as ameaças brutais de paus mandados de Cunha para evitar que ele fosse mencionado nas delações premiadas. Até famílias foram ameaçadas.

Neste rol de horrores, Cunha chegou a se declarar usufrutuário dos milhões na Suíça, como se isso não equivalesse a dono, numa brutal bofetada na sociedade brasileira.

Foram dias, semanas, meses desde que os suíços escancaram o psicopata que é Eduardo Cunha.

E nada, e nada, e nada.

Ele pôde se movimentar na Câmara na maior tranquilidade, quer para retardar com sucessivos truques o processo que deveria cassá-lo, quer para apressar o impeachment à sua maneira.

Não vou nem falar aqui dos gastos de sua mulher e sócia Claudia no exterior.

Mas este homem, que até os extremistas de direita acabaram renegando depois de conhecidas suas falcatruas, é tratado pelo STF como se fosse um cidadão comum, honrado, seguidor das regras e dos bons costumes.

Ontem, nas sessões, minudências patéticas do processo de impeachment foram destrinchadas em sonolentos pareceres sem que se atentasse para a essência do caso: um corrupto psicopata armando a destruição da democracia brasileira.

Os juízes seguravam a Constituição e citavam alíneas e incisos que pretensamente dariam todo o direito ao “eminente presidente da Câmara” Eduardo Cunha de eliminar 54 milhões de votos e criar uma convulsão social no país que ninguém sabe como vai terminar.

Guy Fawkes, o britânico que se insurgiu contra Jaime I há 500 anos, disse uma frase notável quando o rei lhe perguntou por que agira de uma forma tão extremada.

“Situações extraordinárias exigem ações extraordinárias”, respondeu Fawkes, ícone hoje de ativistas em todo o mundo com sua célebre máscara usada no filme V de Vingança.

Os juízes pareciam estar tratando de uma causa banal em cujo centro está um cidadão acima de qualquer suspeita.

Duas exceções merecem ser destacadas.

Lewandowski combateu o bom combate. Numa imagem notável, disse que no domingo corremos o risco de ver atiradas ao ar as penas de um travesseira sem que ninguém saiba aonde vão parar.

Ele mostrou noção da gravidade do assunto. Ou alguém acha que os golpeados — sobretudo os movimentos sociais que redespertaram nas últimas semanas — vão ficar sentados e aceitar o assalto à democracia à luz do sol?

Da mesma forma, o PT na oposição vai facilitar a vida de Cunha e Temer em nome da salvação nacional?

Só votos consagram um governo. Mas são os votos dos cidadãos, e não os de um Congresso inteiramente corrompido pelo dinheiro.

Fora Lewandowski, deve-se aplaudir de pé Marco Aurélio de Mello, o juiz conservador que se revelou um foco de imensa luz nas trevas que tomam o Brasil nestes tempos.

Mello jamais deixou de ter em mente a sujeira que está por trás das ações de Cunha, e lutou como pôde para que o STF não as chancelasse.

Mas, como um todo, ficou claro na noite de ontem que o STF não vale o dinheiro que se cobra aos contribuintes para sustentá-lo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Jean Wyllys explica as razões para ser contra este impeachment


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O governo Temer não existirá


A partir de segunda-feira (18), o Brasil não terá mais governo. Na democracia, o que diferencia um governo do mero exercício da força é o respeito a uma espécie de pacto tácito no qual setores antagônicos da população aceitam encaminhar seus antagonismos e dissensos para uma esfera política. Esta esfera política compromete todos, entre outras coisas, a aceitar o fato mínimo de que governos eleitos em eleições livres não serão derrubados por nada parecido a golpes de Estado.

É claro que há vários que dirão que o impeachment atual não é golpe, já que é saída constitucional. Nada mais previsível que golpe não ser chamado de golpe em um país no qual ditadura não é chamada de ditadura e violência não é chamada de violência. No entanto, um impeachment sem crime, até segunda ordem, não está na Constituição. Um impeachment no qual o "crime" imputado à presidenta é uma prática corrente de manobra fiscal feita por todos os governantes sem maiores consequências, sejam presidentes ou governadores, é golpe. Um impeachment cujo processo é comandado por um réu que toda a população entende ser um "delinquente" (como disse o procurador-geral da República) lutando para sobreviver à sua própria cassação é golpe. Um impeachment tramado por um vice-presidente que cometeu as mesmas práticas que levaram ao afastamento da presidenta não é apenas golpe, mas golpe tosco e primário.

Temer agora quer se apresentar como líder de um governo de "salvação nacional". Ele deveria começar por responder quem irá salvar o povo brasileiro dos seus "salvadores". Seu partido, uma verdadeira associação de oligarquias locais corruptas, é o maior responsável pela miséria política da Nova República, envolvendo-se até o pescoço nos piores casos de corrupção destes últimos anos, obrigando o país a paralisar todo avanço institucional que pudesse representar riscos aos seus interesses locais. Partido formado por "salvadores" do porte de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney, Sérgio Cabral e, principalmente, o próprio Temer. Pois nunca na história da República brasileira houve um vice-presidente que conspirasse de maneira tão aberta e cínica para derrubar o próprio presidente que o elegeu. Em qualquer país do mundo, um político que tivesse "vazado" o discurso no qual evidencia seu papel de chefe de conspiração seria execrado publicamente como uma figura acostumada à lógica das sombras. No Brasil de canais de televisão de longo histórico golpista, ele é elevado à condição de grande enxadrista do poder.

Mas não havia outra chance para tal associação de oligarcas conspiradores. Afinal, eles sabem muito bem que nunca chegariam ao poder pela via das eleições. Esta Folha publicou pesquisas no último domingo que demonstravam como, se a eleição fosse hoje, Lula, apesar de tudo o que ocorreu nos últimos meses, estaria à frente em vários cenários, Marina em outros. O eixo central da oposição golpista, a saber, o PSDB, não estaria sequer no segundo turno. Temer, que deveria também ser objeto de impeachment para 58% da população, oscilaria entre fantásticos 1% e 2%. Estes senhores, que serão encaminhados ao poder a partir de segunda-feira, têm medo de eleições pois perderam todas desde o início do século. Há de se perguntar, caso fiquem no poder, o que farão quando perceberem que poderão perder também as eleições de 2018.

Os que querem comandar o país a partir de segunda-feira aproveitam-se do fato de o país estar em uma divisão sem volta. Eles governarão jogando uma parte da população contra a outra para que todos esqueçamos que, na verdade, são eles a própria casta política corrompida contra a qual todos lutamos. Diante da crise de um governo Dilma moribundo, outras saídas, como eleições gerais, eram possíveis. Elas poderiam reconstituir um pacto mínimo de encaminhamento de antagonismos. Mas apelar ao poder instituinte não passa pela cabeça de quem sempre sonhou em alcançar o poder por usurpação.

Diante da nova realidade que se anuncia, só resta insistir que simplesmente não há mais pacto no interior da sociedade brasileira e que nada nos obriga à submissão a um governo ilegítimo. Nosso caminho é a insubmissão a este falso governo, até que ele caia. Este governo deve cair e todos os que realmente se indignam com a corrupção e o desmando devem lutar sem trégua, a partir de segunda-feira, para que o governo caia e para que o poder volte às mãos da população brasileira. Àqueles que estranham que um professor de universidade pública pregue a insubmissão, que fiquem com as palavras de Condorcet: "A verdadeira educação faz cidadãos indóceis e difíceis de governar". Chega de farsa.

Vladimir Safatle
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O dia da vingança chegou

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8515

O jornal New York Times diz que uma gangue vai julgar Dilma.

O francês Le Monde afirma que Michel Temer é um especialista em intrigas palacianas.

The Guardian fala em ruptura institucional.

Quando FHC doou dinheiro, no Proer, para salvar bancos privados a direita não pediu sua queda.

Dilma cometeu o crime de mandar banco público adiantar dinheiro de programa social.

Aí é grave.

O PT cometeu muitos crimes. Atolou-se na corrupção.

Mas o seu crime mais grave, do ponto de vista da oposição, foi um dia ter apontado o dedo para os outros e gritado: “Corruptos!” Se tivesse entrado no clube sem moralismo, não seria cobrado e poderia roubar.

O agravante são as três vitórias consecutivas do PT e a possibilidade de uma quarta.

Defesa do petismo corrupto?

Nada mais simplificador.

Ataque ao moralizador associado a uma gangue.

Fora todos! Seria mais justo.

Quem se alia com Eduardo Cunha não merece confiança.

O interesse pelo combate à corrupção é mínimo.

A vibração é com outra coisa: chegou o dia da vingança contra o petismo no governo.

Dia de revanche contra cotas, bolsa-família, pobre em avião, Minha casa Minha vida e outras migalhas.

Eduardo Cunha é o instrumento da cleptocracia que esfrega as mãos.

A mídia prepara-se para emplacar mais um golpe.

Dilma será julgada por uma coisa e condenada por outras.

Impeachment é o instrumento legal que permite a um tribunal político condenar o presidente da República sem provas. Estamos no falso parlamentarismo ou no presidencialismo de mentirinha. O impeachment será um voto de desconfiança. O STF vai lavar as mãos? Marco Aurélio Mello será o único ministro capaz de se opor ao militantismo de Gilmar Mendes e ao medo dos demais? As ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber só dizem “acompanho o relator”.  Ao menos não se pode mais acusar os ministros indicados pelo PT de petismo. Toffoli foi fagocitado por Gilmar. Facchin morre de medo de ser chamado de governista. Vota todas contra Dilma. A “julgabilidade” do STF é um só um palavrão.

No domingo, tudo começará em alto estilo com o voto de Abel Galinha.

Na sequência, centenas de investigados por corrupção tentarão derrubar uma presidente que não é ré em qualquer processo judicial e em relação à qual não se provou qualquer ato de desonestidade.

A verdade precisa ser dita.

Eu poderia vibrar. O PT vai se ferrar. O PT já me ferrou.

Mas tenho um compromisso com a minha consciência.

Só digo o que penso a ser verdade.

A verdade está na capa do New York Times.

Uma gangue vai julgar Dilma!
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Promotoria de NY afirma que Maluf continua na lista da Interpol

Entre outras denúncias, ele é acusado de ter lavado nos Estados Unidos US$ 12 milhões desviados das obras da Avenida Água Espraiada, atual Avenida Roberto Marinho, quando era prefeito da capital paulista

De acordo com a informação confirmada ontem (14) pela Promotoria de Nova York, o deputado federal e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP-SP) continua na lista dos criminosos mais procurados de todo o mundo pela Interpol. O recado foi repassado ao promotor do Ministério Público de São Paulo, Silvio Marques.

As autoridades norte-americanas ainda não sabem dizer por que Maluf foi retirado. É possível que tenha sido uma estratégia para que o parlamentar viajasse ao exterior sem ser capturado, mas seu nome ainda estava na relação privada da polícia. Foi o gabinete do deputado quem informou que ele não pertencia mais à lista da polícia internacional há um mês e meio.

Paulo Maluf é acusado de ter lavado nos Estados Unidos US$ 12 milhões desviados das obras da Avenida Água Espraiada, atual Avenida Roberto Marinho, quando era prefeito da capital paulista (1993-1996). O processo não pode prescrever enquanto ele não se apresentar à justiça. O mandado de prisão do Ministério Público norte-americano foi expedido em 2007 e ele foi incluído na lista da Interpol em 2010.

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