12 de abr de 2016

A pergunta que Greenwald não fez a Lula

Greenwald não admira a mídia nacional
Não poderia ser melhor a análise do excelente jornalismo americano Glenn Greenwald sobre a imprensa brasileira.

É chocantemente desonesta.

Ela não faz jornalismo, notou ele na entrevista com Lula. Ela faz propaganda contra o governo.

Quer dizer: seus donos fazem, eles que são um pequeno grupo entre as famílias mais ricas do país.

Quem vive no Brasil pode não ter noção de quanto é desonesta a mídia. Você pode se acostumar com um bode na sala, se conviver muito tempo com ele.

Mas para quem tem outras referências, como é o caso de Greenwald, é uma coisa realmente espantosa.

Trabalhei muitos anos na Abril, e alguns na Globo. Só fui notar com clareza o caráter maligno de ambas ao viver em Londres. A distância me permitiu ver o horror indecente que marca as companhias jornalísticas brasileiras.

Na Inglaterra, você não vai encontrar nenhum jornal ou revista que faça nada parecido com a imprensa brasileira. Nos Estados Unidos, idem. Em nenhuma sociedade avançada, é tolerada uma conduta criminosa como a da mídia do Brasil.

Numa entrevista ao DCM, um juiz sueco disse que para ele era simplesmente impossível pensar que um político na condição de Eduardo Cunha poderia estar em outro lugar que não fosse atrás das grades.

Da mesma forma, é impensável você imaginar em países mais civilizados uma imprensa como a brasileira.

Quem primeiro abandonou o jornalismo para se dedicar à propaganda disfarçada foi a Veja.

Ela fracassou. Está quebrada e perdeu por inteiro o respeito e a credibilidade. Ninguém mais a leva a sério, tantos os disparates que cometeu. A Veja é um morto que caminha.

Mesmo assim, ela acabou sendo seguida pelo resto da mídia. As demais revistas semanais, Época e IstoÉ, viraram subVejas. Toda semana elas se esforçar por dar furos sensacionais que mudarão a República, e que terminam invariavelmente no merecido esquecimento.

A adesão mais espetacular ao antijornalismo veio do Jornal Nacional. O JN é hoje uma Veja eletrônica. Aumenta ou inventa denúncias contra Lula e o governo, esconde qualquer coisa positiva e por aí vai: perdeu completamente o pudor.

O Jornal Nacional é tão aloprado, editorialmente, quanto a Veja.

Me surpreende que os donos não percebam este movimento de autodestruição. Mas não seria exatamente uma novidade. Na Abril, presenciei a derrocada editorial da Veja, e em várias conversas de alerta que tive com Roberto Civita percebi que ele não notava o fogo que grassava na imagem e na credibilidade da revista.

A propaganda mais sutil é a da Folha. Ele abriga uma pequena cota de progressistas para fingir pluralidade, mas o espaço inteiro fora das colunas é dedicado a bater, bater e bater em qualquer coisa parecida com esquerda.

O que Greenwald provavelmente não saiba é que essa mídia abjeta vive do dinheiro público. Anúncios, financiamentos de bancos estatais, compras de livros e assinaturas: são numerosas as formas como o dinheiro do contribuinte vai parar nas companhias jornalísticas.

Ele também não deve saber que nos anos do PT no poder os recursos públicos continuaram a jorrar para as famílias Marinho, Civita e Frias.

Se soubesse, ele teria incluído na entrevista a Lula esta pergunta: “Mas como o senhor continuou a dar tanto dinheiro para esta mídia que conspira abertamente contra a democracia?”

Paulo Nogueira
No DCM
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Aliança pelo Brasil


A estupidez da burguesia ao ressuscitar a luta de classes no país

A burguesia paulista, apoiada na grande mídia, ressuscitou a luta de classes no Brasil. Ela a terá. O único líder que, por sua autenticidade e representatividade junto às massas, poderia manter alguma forma de conciliação de classes no país é Lula. Entretanto, o genial procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não quer que Lula desempenhe esse papel. Com um desses atos de suprema inteligência política, ele ficou contra a presença do ex-presidente no governo Dilma. Ou seja, Lula tem que ser destruído, assim como Dilma e o PT.

Isso seria mais fácil na base de prisões arbitrárias em massa e campos de concentração. Alguns o querem. Mas, para tanto, seria necessário um alto grau de passividade entre as vítimas. Como os judeus da Alemanha nazista, elas deveriam assumir uma atitude passiva sempre na esperança de que o mal maior não os atingiria, e aos seus. Creio que os nossos sem terra, os sem teto, os favelados, os trabalhadores e trabalhadoras que se consideeram espoliados pela burguesia, e pelo menos parte das Forças Armadas não se colocarão como guardiães e serviçais dos poderosos.

Claro, ainda há tempo de evitar o pior. As votações decisivas do impeachment ainda estão por vir. Há muitos parlamentares indecisos na Câmara e no Senado. A Fiesp, líder da luta de classes em nome do patronato, terá de pensar duas vezes antes de desembolsar completamente os R$ 500 milhões que reservou para comprar o impeachment, parte dos quais já foi direcionada para a grande mídia. De repente, porém, ela esbarra num parlamentar honesto que acabaria por denunciá-la. Além disso, em tempos de Lava Jato, ninguém está completamente tranquilo com dinheiro de corrupção. Quem viver verá!

Num de seus discursos inflamados, Lula afirmou que era o único capaz, se quisesse, de incendiar o país. Acrescentou imediatamente que não faria isso porque é um homem de paz. Um desses promotores idiotas tomou a afirmação como uma ameaça à ordem. Entretanto, não só não é uma ameaça à ordem como também não é uma bravata. Se quisesse, Lula poderia efetivamente incendiar o Brasil. Ele não quer, e é bom que não queira. Mas não pensem que, numa situação de injustiça e exploração extremada, ele, fora do poder, venha a segurar a revolta dos de baixo contra as classes de cima.

J. Carlos de Assis - Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.
No GGN
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Hitler também achava que ia ganhar


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Vale o vazado? Temer imporia ‘muitos sacrifícios’ e calaria sobre corrupção

Michel Temer e a foto que ele tenta derrubar da parede
Foto Kleyton Amorim/UOL
No ensaio de discurso para a eventual iminência de se tornar presidente da República, Michel Temer pronunciou três vezes a palavra “sacrifícios”.

“Muitos sacrifícios”, enfatizou, na gravação distribuída por celular (aqui).

É o cenário que espera os brasileiros caso Dilma Rousseff venha a ser deposta por meio de impeachment.

Sabe quantas vezes apareceu a palavra “corrupção” no áudio conhecido ontem?

Nenhuma.

Se vale o vazado, um possível governo Temer sacrificaria a vida dos cidadãos — como sempre, sofreriam mais os mais pobres.

E deixaria para trás o tema da corrupção. Mais propriamente, o combate a ela.

Num aspecto, o dos sacrifícios, inexistiria maior novidade em relação ao segundo mandato de Dilma (Dilma-Temer, a rigor).

A presidente impõe sacrifícios a quem, por 12 anos (2003-2014), conseguiu amenizar a miséria e a pobreza atávicas.

O que o vice aspirante a titular indica é que apertará ainda mais o arrocho impiedoso que atende pelo eufemismo de “ajustes”.

O silêncio sobre a corrupção representaria regressão se comparado a Dilma, que reiteradamente trata do assunto.

Temer não citou a Operação Lava Jato.

Seria falar em corda na casa de enforcado. Os líderes da conspiração pelo impedimento de Dilma são investigados, suspeitos, denunciados ou réus em processos de corrupção.

Eis a receita do “governo de união nacional” almejado por Michel Temer: “muitos sacrifícios” e o esquecimento da corrupção que maltrata o Brasil.

O discurso apressado do vice pode ser observado de várias maneiras.

É uma pena que seu conteúdo, tão revelador, venha sendo minimizado.

Mário Magalhães
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Em ato pela democracia no RJ, Lula critica peemedebistas e a imprensa


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Furacão 2000 defende Dilma Rousseff na orla de Copacabana

É a primeira vez que a galera do furacão 2000 se posiciona politicamente e decide descer o morro.
Burguesada da zona sul já está se borrando de medo. Vai ferver.
Rio - A Furacão 2000 vai pela primeira vez à orla de Copacabana. E não se trata de um simples baile funk, mas de um ato contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. No domingo, dois carros de som serão responsáveis por mobilizar o povo contra o que a organização chama de “golpe”.

Rômulo Costa, fundador da Furacão 2000 e idealizador da manifestação, explica que a expectativa é colocar mais de 100 mil pessoas na orla. Para isso, conta com a presença maciça dos moradores de comunidades próximas, como Rocinha, Vidigal, Pavão Pavãozinho e Cantagalo.

A fim de convocar os residentes de regiões mais afastadas da Orla, Costa tem uma ideia ambiciosa: negociar a liberação, durante um certo período de tempo, das catracas da Supervia e do Metrô Rio. Não há, porém, nada confirmado nesse sentido, assim como no que diz respeito aos MC’s que estarão no ato. “Teremos uma reunião amanhã (hoje) à noite para definir e liberar o nome deles”, esclarece.

Fã do ex-presidente Lula, Costa rechaça as críticas ao petista, principalmente a preocupação alheia com os bens do político. “Ele tinha que morar em um prédio de dez andares na Vieira Souto, por tudo o que já fez pelo país”, opinou.

O principal alvo do funkeiro é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “Temos um presidente ilegítimo para comandar o processo. O paraíso fiscal do Cunha, no Rio, é a Assembleia de Deus”, acusa Costa, que, apesar de evangélico e frequentador da Igreja Universal, tece fortes críticas ao modo como as igrejas são conduzidas, com isenção de impostos. “E os evangélicos de Brasília não me representam”, concluiu.

No O Dia
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Aliel diz que grupo marcou reunião com Temer e perguntou o que ele queria


Aliel Machado foi a grande surpresa da comissão de impeachment. O deputado chegou a dizer que votaria pelo impeachment, mas na hora, parecendo até emocionado, votou contra. Em entrevista exclusiva ao blog, diz que estava dividido: por motivos políticos, acha que deveria votar a favor. Por razões jurídicas, era contra. O que o levou a decidir foi o medo de dar uma “falsa legitimidade a Temer” e ajudar Cunha a se livrar da cassação.

Veja declaração em vídeo que o deputado gravou após a sessão:



Aliel diz que foi procurado por pessoas ligadas a Temer que perguntaram “o que ele queria, do que precisava”. Eduardo Cunha disse que ele nem andaria mais em Ponta Grossa. “Talvez nem deputado eu volte a ser. Mas estou tranquilo, sou jovem, posso trabalhar em outra área. Mas nunca tinha sentido muita tristeza, dias antes da votação. Porque eu tentava arranjar justificativa para votar a favor e não conseguia”, disse.

Veja a entrevista:

Quantas mensagens o sr. recebeu no celular desde ontem?

Ah, não sei. Botei no modo avião meu celular. Agora é um momento de muita paixão dos dois lados. De muito ódio,muita raiva. E as pessoas não têm uma percepção, têm uma ideia que puseram na cabeça e colocaram como objetivo. E com todo o respeito que tenho pela posição das pessoas, acho que não é assim. mas estou recebendo muitas mensagens, inclusive muitas favoráveis.

O sr. parece ter mudado de ideia em cima da hora. O que aconteceu?

Eu estava com muita dúvida. A parte política me dizia para fazer uma coisa e a parte jurídica me dizia para fazer outra, na minha cabeça. E estava com  muita dúvida. Se fosse escolher eu me absteria. Mas é um voto morno. Ia me abster na comissão e no plenário. Mas se abster no plenário ia parecer que eu estava ajudando o governo, que eu não tinha coragem. Quando o partido tomou posição pela admissibilidade eu pensei: “arranjei uma desculpa, vou votar com o partido”. Cheguei a dizer para a Record que a admissibilidade não decidia. E a cada  minuto a gente vendo as coisas acontecerem. E teve duas coisas que me tocaram bastante. Um vídeo do Bolsonaro, antigo, e a gravação do Temer no final da tarde.

E quanto eu percebi, mesmo sendo oposição, o processo jurídico de fato — fui presidente da Câmara de Ponta Grossa, lidei muito com orçamento — e juridicamente não tem crime de responsabilidade na peça. Por mais que o contexto seja grave, por mais que esteja praticamente comprovado o desvio de campanha, meu medo era dar uma legitimidade que não existe para o Temer assumir a Presidência. É ajudar o Cunha, que com a entrada do Temer tenho certeza absoluta que se livra da cassação. Tem um acordo com os partidos. E isso me tocou bastante.

O que está na rua, esse movimento de indignação, essas pessoas que não aceitam a corrupção, isso não pode parar. E eu acredito que não vai parar, vai fortalecer as investigação. Ao contrário do PT nunca achei que é golpe. Falei no meu discurso que o PT errou e vai pagar, está pagando. Tem muita gente presa. E acho que tem que ir pra cadeia mesmo. Agora o voto era sobre aquele relatório. Pedalada fiscal sequer existe um termo jurídico. Não é crime. Eu sei que lá na frente vai ser dito que esse não era o caminho legal. E quem está buscando a legalidade quer que o Brasil supere isso com maturidade. E eu não me senti à vontade para votar em algo ilegal.

O sr. acha que essa decisão prejudica sua candidatura a prefeito em Ponta Grossa?

Eu não pensei na eleição. Se pensasse na eleição votaria pelo impedimento. Mas eu seria só mais um. Prefiro não ser só mais um. Lá em Ponta Grossa teve deputado estadual que foi à rua pelo impeachment, isso é oportunismo. Estou de consciência limpa. Se a consequência do que fiz ajudar, ótimo. se for pensar só em eleição não acaba com a corrupção, não vai ser justo. Não é a primeira vez. Sou deputado e me colocaram como pré-candidato a prefeito pelas pesquisas. Se eu mudar isso eu perco a minha essência. Eu fiz 61 mil votos me Ponta Grossa. Nunca ia ser deputado se não fosse por Ponta Grossa. Mas não estou traindo meus princípios. Talvez nem deputado eu volte a ser. Mas estou tranquilo, sou jovem, posso trabalhar em outra área. Mas nunca tinha sentido muita tristeza, dias antes da votação. Porque eu tentava arranjar justificativa para votar a favor e não conseguia.

A gente sabe que o governo está tentando conseguir votos. O sr. foi procurado?

Fui procurado pelos dois lados, pelo Temer e pelo governo. Por deputados. E falei: “estou indeciso, minha decisão vocês só vão saber na hora”. E me ligavam durante esses dias: “Olha, vem aqui, vamos conversar, você não quer falar com o Temer?” “Não”, falei, “acho que não”. “Não, fale com ele.” Chegaram a marcar reunião pra mim. Ontem [segunda] me mandaram: “O sr. pediu uma reunião com o Temer, ele vai lhe atender agora”. “Não, não não. Eu não pedi reunião nenhuma. Eu não vou.” Antes da votação. E do governo alguns deputados do governo, não o Palácio. Do Paraná, inclusive. O Enio veio conversar comigo. Disse que sabe que eu sou oposição, mas que é muita grave. Eles sabem que eu entrei com ação no tribunal pedindo cassação da chapa, digo que a Dilma e o Temer não têm mais legitimidade de ficar. Que tinham que renunciar. Eles me veem meio como o PSol aqui… Mas teve só conversas de parceiros, que vinham me perguntar.

Mas o Temer está articulando assim tão abertamente?

Vergonhoso. E de fato está fazendo. Ele foi para o Rio de Janeiro conquistar os deputados do PMDB. E foi para outros estados. E quem está operacionalizando isso para ele é o Cunha. Eu tive uma conversa com o Cunha na semana passada. Porque eu fui na sala dele porque tinha um grupo querendo entrar no plenário e ele não autorizava. Fiquei puto da cara e fui lá. O Cunha falou: “Você não vai mais andar em Ponta Grossa. O Temer vai ser presidente, você vai ver. Ele estava numa reunião com o Paulinho da Força e o Rodrigo Maia do DEM. Eles coordenando, articulando e chamando os líderes partidários, os deputados, convencendo. O Mendonça Filho veio me pedir, do DEM: “Você tem que ser a favor”. Vários deles. Os caras que estão a favor do impeachment estão montando o governo com o Temer, eles vão assumir o comando de tudo. DEM, PSDB, todos esses caras. É o jogo aqui.

Mas chegaram a oferecer algo?

Não, nenhum dos dois lados. Não iam fazer. Como eu não tinha tomado decisão ficava mais difícil, acho. Falaram que iam ajudar, que o governo ia atender, o que que eu queria. “O que que você quer? O que que você acha que você precisa, pra te ajudar? Você é candidato a prefeito, tem que votar a favor e tal…” Isso o pessoal do Temer, né? Mas não chegaram a me oferecer nada. O governo nem me procurou.

Com isso o sr. já adiantou seu voto no plenário?

Sou contra.

O partido se mostrou surpreso com seu voto. O sr. acredita que haverá punição?

Que punição? O partido liberou os deputados. Eu consultei os filiados no Paraná e deu 40% das pessoas da Rede contra o impeachment no Paraná. Mas o resumo é que o que me preocupa é o programa do Temer e dar força para o Cunha. E outra coisa: dos 38 deputados que votaram pelo impeachment, 35 têm processo na Justiça. É essa turma que está defendendo.

Rogério Galindo
No Caixa Zero
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O discurso da presidenta Dilma: Os golpistas têm chefe e vice chefe assumidos


(...)

Os golpistas têm chefe e vice chefe assumidos. Um é a mão, não tão invisível assim, que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o processo de impeachment. O outro esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse.

Cai a máscara dos conspiradores. O Brasil e a democracia não merecem tamanha farsa.

O fato é que os golpistas que se arrogam a condição de chefe e vice chefe do gabinete do golpe estão tentando montar uma fraude para interromper, no Congresso, o mandato que me foi conferido pelos brasileiros.

(...)


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Wadih Damous: Globo mente ao insinuar que não queremos combater a corrupção (+ vídeo)


O padrão de indignidade, de mentiras e de distorção da verdade por parte da grande imprensa brasileira é fato sabido e consabido.

Domingo passado eu fui mais uma vítima dessa indignidade.

O programa Fantástico, da TV Globo, apresentou reportagem cuja tese era de mostrar que no Congresso Nacional há parlamentares que apresentam projetos de lei com objetivo de colocar obstáculos no combate à corrupção.

Usou como exemplos dois projetos de lei de minha autoria. Um deles assegura a presunção de inocência, que é norma constitucional e o outro tenta aperfeiçoar a figura da delação premiada, adequado-a aos direitos e garantias fundamentais.

É mentirosa a insinuação da TV Globo de que não queremos o combate à corrupção. Queremos sim, mas na forma da Constituição e da lei. Quem não quer é exatamente a TV Globo, que nesse momento se acumplicia com o que há de mais corrupto no país a favor de um golpe de estado, como é de sua tradição. Um combate sério à corrupção envolverá a própria TV Globo. É só a Operação Lava Jato abandonar a sua parcialidade e a sua seletividade e investigar a fundo a tal Mossack Fonseca, empresa conhecida por operar lavagem de dinheiro e firmemente relacionada com a TV Globo.

Estamos examinando a hipótese de direito de resposta.

Posteriormente o assunto será retomado, com a íntegra da entrevista e outras informações para enriquecer o debate. PS: um agradecimento especial à equipe do PT na Câmara, que fez a gravação na íntegra da entrevista, contribuindo, assim, para que outra versão da fala fosse possível de ser publicada.

Para conhecer os projetos, acesse:





No Viomundo
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Em Brasília, não existe acaso; tudo é ardilosamente planejado

De bobo e de anjo, Michel Temer nada tem. Portanto, ele não
se engana, planeja.
Foto – site Republica dos Bananas.
Acredite quem quiser que Michel Temer errou ao usar o WhatsApp e, sem querer, vazou o discurso que preparou para o caso de a Câmara dos Deputados, no próximo final de semana, aprovar a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O vice-presidente pode ser tudo — falso, interesseiro, dissimulado. Só não é bobo. Se o fosse, não estaria aonde está hoje. É verdade que ele se considera um “vice-decorativo”. Agora, porém, conquistou a pecha de “vice-golpista”.

Mesmo que a oposição consiga 342 votos para recomendar ao Senado a abertura de um processo de impeachment, isto não significa que haverá impedimento da presidente. Logo, não existe razão para o vice anunciar à nação que está preparado para ocupar o cargo. Se a admissibilidade do processo passar, ele ainda continuará na função de “vice-decorativo”. Portanto, longe da cadeira que almeja.

Se hoje já não é certo que a Câmara admita o processo — a oposição sabe que não tem ainda o número de votos necessários — mais difícil ainda é prever se e quando os senadores aceitarão processar a presidente, condição sine qua non para o afastamento dela e a ascensão de Temer. Logo, discurso algum seria necessário, ou cabível, nos próximos dias.

Na Lapa, milhares de pessoas reuniram-se para ouvir Lula e gritar que “não vai ter golpe”.
O recado que ele alega, com um cínico sorriso nos lábios, ter sido fruto de um erro, tudo indica, foi bem planejado, por ser necessário.

Embora trancado no palácio Jaburu e no gabinete de vice, no Anexo II do palácio do Planalto, político experiente, ele deve estar bem informado do que se passa nas ruas. Como o que aconteceu na noite desta segunda-feira (11/04) no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.

Ali,como mostraram televisões (TV Brasil, em especial), mídias alternativas e o próprio Tijolaço na reportagem Um mar de gente na Lapa, 38 ratos em Brasília. Quem vencerá?, do qual reproduzimos a foto acima, uma multidão se reuniu não apenas para ouvir Luiz Inácio Lula da Silva, mas para demonstrar mobilização para evitar o golpe via impeachment. Da mesma forma que estão conscientes de que não pode haver impedimento da presidente por não existir crime de responsabilidade contra ela, os manifestantes não acreditam em um governo de Temer.

A corroborar minha tese de que tudo foi ardilosamente planejado, Mônica Bérgamo — a quem devo parte do meu primeiro Prêmio Esso — publica na sua coluna desta terça-feira (12/04), na Folha de São Paulo, duas notas interessantíssimas:. Uma abre a coluna, a outra vem mais abaixo:
Temer planeja lançar campanha pró-impeachment nas redes sociais

“Michel Temer (PMDB-SP) deve se reunir nesta terça (12) com assessores para discutir campanha nas mídias sociais a favor do impeachment patrocinada pelo PMDB. Uma das ideias é a de divulgar ainda mais o áudio em que o vice-presidente fala como se o impedimento já tivesse sido aprovado, e que foi distribuído na segunda (11) a um grupo de parlamentares da legenda pelo próprio vice, por WhatsApp”.

(…)

“A TABELA

Os aliados de Temer calculavam que, no domingo, o impeachment contava com 321 votos no plenário da Câmara. Ainda faltariam 21 para sacramentar o afastamento de Dilma”.
Eleitores de Lula e Dilma, ou mesmo aqueles que neles não votaram mas dos seus governos se beneficiaram ou por eles foram conquistados, sabem que Temer assumindo — e, junto, os partidos atualmente na oposição — boicotará, ou mesmo eliminará, conquistas promovidas pelos governos petistas. Certamente irá dizer da necessidade de cortar gastos do governo para garantir superavit fiscal. Será a volta do neoliberalismo, em que políticas sociais são massacradas em favor do pagamento de juros de dívidas, muitas delas duvidosas.

Ainda que se diga que nas praças estão apenas militantes petistas — o que nem sempre pode se considerar verdade — as mobilizações crescem e motivam a militância, justo nos dias que antecedem a decisão da Câmara admitir ou não que a presidente deve sofrer o impeachment.
A mobilização, portanto, pode levar à pressão junto aos parlamentares, inclusive com cobranças da manutenção das políticas sociais conquistadas. Temer tenta barrar isto.
Se o impeachment não passar, a oposição irá apostar suas fichas no
trabalho do ministro Gilmar Mendes, que estará na presidência do TSE,
 para cassar a chapa Dilma/Temer. Caindo um, caem os dois.
Única chance — O vice-presidente sabe que sua chance de assumir é esta. Caso não passe o impeachment de Dilma, a oposição, com o beneplácito e a cooperação do futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, jogará suas fichas na cassação da chapa Dilma/Temer.

Apelarão para as delações premiadas da Operação Lava Jato nas quais empreiteiros “confessam” ter feito doações à campanha da presidente com recursos, provenientes de superfaturamento e/ou propinas pagas para conquistarem obras públicas. Não é algo fácil de provar — que o dinheiro das doações está diretamente ligado às maracutaias. Mas, caindo um, caem os dois.

Conhecendo-se Gilmar Mendes como se conhece, o mais provável é que ele tente levar essa discussão e o julgamento do caso para o ano de 2017 pois, assim, ele garante ao próximo presidente a eleição indireta, por este Congresso que todos nós conhecemos. Única chance palpável hoje de os tradicionais partidos oposicionistas — PSDB, DEM, PPS e o próprio PMDB — conseguirem retornar ao Palácio do Planalto. Independentemente do nome que apresentarem, como mostrou a última pesquisa Datafolha.

Portanto, a Temer interessa, nestes próximos dias, evitar que a oposição perca votos no plenário da Câmara. Ele sabe que não adianta preparar discurso antes de garantir os votos. Como se constata pelo teor do “discurso vazado” — que pouparei aos leitores reproduzir, mas aos interessados indico a reportagem do JornalGGN de Nassif — Temer se diz governo de salvação nacional em áudio antecipado — o que ali está é um desmentido a todos que o acusam de ser uma ameaça às conquistas sociais. Acreditará nele quem quiser, mas a sua cartada é justamente para evitar perda de votos por pressão popular e tentar conquistar os que lhes faltam.

Com isso, fez uma jogada de risco em busca de salvar a admissão do impeachment, primeiro passo para sonhar com a cadeira de presidente da República, a qual, pelo voto, jamais conquistaria. Mas, ao mesmo tempo, sabe que a pecha de golpista lhe acompanhará pelo resto da vida. Pode, inclusive, estar antecipando sua aposentadoria. Acontecendo, só lhe restará se dedicar à mulher Marcela.

* Uma satisfação aos leitores. Este artigo começou a ser escrito na noite de segunda-feira (11/04) mas o sono e o estresse falaram mais alto e eu tive que deixar para terminar nesta manhã de terça-feira(12/04). Isso me possibilitou incorporar ao mesmo as notas da brilhante  e bem informada Mônica Bérgamo, publicada na Folha de São Paulo.

Marcelo Auler
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Xadrez nas eleições no plenário e o novo lance da Lava Jato


No curto período em que ajudei na implantação do Datafolha, logo após ter pedido demissão da Secretaria de Redação da Folha, calhou a votação das eleições presidenciais indiretas.

Montei uma pesquisa diferente para analisar os votos.

O pesquisador deveria ser um repórter experiente, com bom conhecimento sobre os parlamentares. Ele iria a cada um e perguntaria seu voto sobre as diretas:

( ) Tancredo

( ) Maluf

Na própria cédula faria sua avaliação sobre o parlamentar:

( ) confiável

( ) não confiável.

Em cima desses dados, levantados pela repórter Letícia Borges, fizemos várias tabulações:

1. Votação simples, sem avaliação

2. Todos os eleitores não confiáveis de Tancredo votando em Maluf; todos não confiáveis de Maluf mantendo o voto.

3. Todos os eleitores não confiáveis de Tancredo mantendo o voto e os não-confiáveis de Maluf votando em Tancredo.

Nas três simulações, dava Tancredo.

O jornal embatucou um pouco, acabou colocando o estudo como segunda manchete e o risco da aposta foi meu, assinando a matéria.

No decorrer do dia, no entanto, o próprio QG de Maluf, chefiado por Calim Eid, de certa forma acabou confirmando os dados.

Tem-se agora, um quadro similar, no qual há um elemento central que não dá para contabilizar antecipadamente: o efeito manada.

A influência do processo de votação      

A dificuldade das projeções se prende aos seguintes fatores:

1.    O voto envergonhado.

O voto a favor do governo é fundamentalmente ideológico. O deputado que vota contenta sua base. Mas existem inúmeros votos envergonhados, de deputados que querem votar com o governo (por simpatia ou interesse) e não podem se expor para seus eleitores.

2.    O voto de manada.

Grande parte dos indecisos seguirá a manada: quer ficar a favor do voto vencedor. Se a apuração começa pelo sul, o efeito manada favorecerá o impeachment, na medida em que aponte mais votos a favor. Se começar do norte, nordeste, o anti-impeachment.

3.     Os indecisos.

O indeciso é o deputado que pesa a relação custo-benefício entre o desgaste com o eleitorado e as benesses de ser governo. É o mais suscetível de ser cooptado pelo governo.

4.    O fator abstenção

Para o governo derrubar o impeachment, basta tirar 171 votos, que pode ser em votos contra ou em abstenção. A abstenção é uma das maneiras do voto envergonhado.

As análises das consultorias

Uma das principais consultorias apresentava os seguintes dados:

De forma detalhada mostra que, de 39 votos indecisos, o impeachment precisaria conquistar 26 para conseguir quórum. Ainda não passa, e o Cunha sabe disso — diz o consultor. Exatamente porque sabe, quer controlar o processo de votação, começando pelo sul.

O detalhamento dos votos confirma algumas avaliações do governo:

1.    O PSD de Kassab e Afif não agrega votos.

Dos 36 deputados, apenas 5 são contrários ao impeachment.

2.    O PSOL está fechado contra o impeachment.

3.    O PDT tem 6 deputados considerados indecisos, mas com propensão de votar a favor do governo.

4.    Dos chamados médios partidos, que poderiam recompor a base de apoio, PP, PR e PTB votam majoritariamente a favor do impeachment.

O fator PGR/Lava Jato

A agenda jurídica do Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot e da Lava Jato continua em plena sintonia com a agenda política do impeachment:

1.    A Lava Jato abriu uma operação contra o ex-senador Gim Argello.

2.    A PGR solicitou ao STF abertura de investigação contra Renan Calheiros, no âmbito da Operação Zelotes, mas tendo como ponto de apoio o mesmo Gim Argello.

Abre-se uma pinça, portanto, para espremer Renan quando o processo de impeachment chegar ao Senado.


Luís Nassif
No GGN
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Temer, Cunha e a ética golpista

Se Temer imaginou posar de estadista e se apresentar como o homem capaz de unir a Nação neste momento, apressando-se em trair a presidenta e tentando sentar-se na cadeira antes que ela dela se levante, compõe com Cunha a dupla sem ética ou moral perfeita a conduzir o país ao inferno que se seguirá.



Imagem: Tiago Toh
Acabamos de conhecer o resultado da votação do impeachment de Dilma Rousseff pela comissão da Câmara dos Deputados. Os 38 a favor e 27 contrários já eram esperados.

Resta agora acompanhar os debates que se iniciarão na sexta-feira (15) e terminarão em votação nominal no domingo (17).

Algumas coisas a destacar.

O resultado da votação da comissão não chegou aos dois terços necessários para derrubar a presidenta. Logicamente se se transpuser esta proporção para domingo, que é o que vale, quando os golpistas precisarão garantir 342 votos, a oposição será derrotada.

Além disso, pelas contas feitas pela mídia e pela própria oposição faltam mais de 20 votos para que o processo vá para o Senado.

Porém, enquanto os golpistas de Cunha comemoravam o resultado da votação, aonteceram dois fatos que podem definitivamente pender para Dilma no domingo.

O ato com Lula realizado em frente aos Arcos da Lapa, em defesa da democracia, convocado pela Frente Brasil Popular, com a presença de vários artistas e intelectuais, dentre eles, Chico Buarque teve presença recorde de público. Este ato e mais o de domingo deverão demonstrar a todo o país e também aos deputados que o golpe não será aceito.

Não pensem que a classe média que saiu às ruas com suas camisas oficiais da seleção, com sua renda média, sua cútis branca e unhas bem cuidadas representam a massa da população brasileira.

Esta, embora tivesse sua vida melhorada em uma década, é majoritariamente morena, de baixa renda e não saiu às ruas porque reconhece os avanços dos governos Dilma e Lula. São professores e alunos de escolas estaduais que apanham de policiais, empregados do mésticos (em cada casa de paneleiro há sempre pelo menos um), parentes e amigos de negros da periferia que morrem todos os dias nas mãos das polícias militares, torcedores dos times que protestam com faixas nos estádios, crianças que ficam sem merenda, etc..

Esperemos que os deputados mais sensatos, menos inclinados a aventuras políticas e mesmo os que receiam perder bases eleitorais em seus estados, se sensibilizem com a possibilidade do país entrar em convulsão social, caso Dilma caia, mesmo sem ter cometido crimes. O recado está sendo e será dado no domingo.

Mas outro fato ocorreu, este de leitura um pouco mais complexa.

O vice presidente, Michel Temer teve uma gravação sua de cerca de 14 minutos vazada não se sabe se intencionalmente ou não.

Nessa sua fala, Temer já se posiciona como mandatário supremo da Nação e até já adianta, mesmo que de maneira um pouco velada, algumas medidas de seu futuro governo como privatizações, sacrifícios da população e outras.

Embora garanta que não interromperá programas sociais (para ele o Bolsa Família durará ainda alguns anos), não há como confiar nas palavras de um traidor. Afinal, traidor trai.

Não se sabe o que Temer pretende com esse áudio.

Se foi um vazamento não proposital, ficam claras aqui sua soberba e seu mau caráter.

Não há como prever a reação da população e até mesmo da opinião da classe média que deseja o fim do governo Dilma.

Não há como não voltar àquele ano de 1985 quando FHC, líder nas pesquisas de opinião à prefeitura de São Paulo e munido de grande vaidade e soberba, chegou a se sentar na cadeira de prefeito e posar para fotos dos jornais. A população ficou indignada e deu seu voto a Jânio Quadros que, ao assumir, perante a imprensa desinfetou a cadeira.

Se as pessoas que verdadeira e ingenuamente acreditavam que tudo era por causa do combate à corrupção, resolverem repudiar a atitude de Temer e juntarem-se ao movimento que defende a democracia, no domingo teremos a maior manifestação de que já tivemos notícia e o golpe será definitivamente enterrado.

Agora, se Temer vazou propositalmente o áudio, não há como saber o que ele pretende.

Como ingênuo e neófito ele não é, em alguma coisa ele pensou.

Porém, se ele imaginou posar de estadista e se apresentar como o homem capaz de unir a Nação neste momento, apressando-se em trair a presidenta e tentando sentar-se na cadeira antes que ela dela se levante, acaba de fazer uma trapalhada (como aquela carta) e dar um tiro no próprio pé.

De qualquer forma, aos 75 anos, Michel Temer, que poderia passar esquecido pela História como um vice presidente apagado, o que seria bom para ele, será lembrado como um golpista, mentiroso e traidor.


Afinal, se Joaquim Silvério dos Reis não traísse Tiradentes, seu nome não constaria nos livros de História.

Aqui, matéria com o áudio de Temer

Fernando Castilho
No Análise e Opinião
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Folha de S. Paulo: enviesamento, manipulação e ficção

No intrincado e sensível “xadrez” da política nacional, num jogo jogado mais intensamente desde o começo de 2014, o monopólio da imprensa tradicional vem oferecendo exemplos robustos de enviesamento, manipulação e ficção. Sim, embora este último seja território exclusivo das artes, o jornalismo-ficção da Folha de S. Paulo tende a ocupar um destaque nesse rol que remete aos primórdios da Jornalismo e da profissão, em 1609.





Há uma semana, o diário paulista defendeu em editorial de Capa (ed. 03/042016), a renúncia dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto (Dilma Rousseff e Michel Temer). O editorialista reconhecia, pela primeira vez, que “embora existam motivos para o impedimento, até porque a legislação estabelece farta gama de opções, nenhum deles é irrefutável”. Na ausência de provas irrefutáveis, a Folha investiu na “renúncia”; como não há hipótese de isso acontecer, registrou, quatro dias depois (edição de 07/04/2016) qual a nova agenda e horizonte que deve guiar sua cobertura: a anulação das eleições pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Concomitante a mais um vazamento seletivo da Lava Jato, das dezenas à profusão, a Folha tascou em sua manchete: “Empreiteira afirma ter financiado campanhas de Dilma com propina” (veja imagem). A prova? Bem isso é mero detalhe, basta a palavra do delator: “A informação consta da delação premiada do ex-presidente da empresa Otávio Marques de Azevedo e foi sistematizada por ele em uma planilha apresentada à Procuradoria-Geral da República” (Fonte: http://migre.me/ttWS0).

Ora, os dados disponíveis no TSE, abertos à consulta pública, indicam que a Andrade Gutierrez doou aos partidos, nas Eleições 2014, um total de R$ 62,6 milhões. Os partidos que receberam acima de R$ 1 milhão foram, pela ordem: PSDB (26,1 milhões); PT (14,6 milhões); PMDB (12,6 milhões); PSB (2,5 milhões); PR (1,7 milhão); PTB (1,3 milhão) e DEM (1,3 milhão). No entanto, esse levantamento não está na reportagem, tampouco outro levantamento possível — a doação individualizada por candidato. Como separar o dinheiro “sujo” (fruto de propina) de recursos “legais”? Questão de fé...

De volta ao começo, 1609...

“Por muitas décadas, o jornalista foi essencialmente um publicista, de quem se esperavam orientações e interpretação política (...). O que importava mesmo era o artigo de fundo, geralmente editorial”, escreve o professor e pesquisador Nilson Lage na obra “A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”. O professor se refere à imprensa dos primeiros tempos, no começo do século XVII, em Estrasburgo e Londres, berço da nascente sociedade industrial.

O vagar errático e antidemocrático da Folha de S. Paulo, sob o olhar político de quem a dirige hoje, confirma esse “percurso do acidente”: em 1964 a empresa se posicionou da mesma forma e apoiou, desde o primeiro momento, o golpe militar que levou o país a quase 30 anos de retrocesso político. O jornal até se apresentou, a partir do movimento das Diretas Já, como “democrático, plural e de rabo preso com o leitor”. Esse tempo é passado. Importa agora depor Dilma Rousseff, a qualquer preço, nem que isso signifique a ruptura do Estado Democrático de Direito.

Senão como entender a Capa da edição de 08/04, cuja manchete é um primor de manipulação, já avançando celeremente para o território da literatura: “60% da Câmara diz ser favorável ao impeachment” (veja imagem). Quando V. Excia, o leitor, vai conferir o texto, depara-se com a seguinte informação: “Foram ouvidos 291 deputados, do total de 513”. A mágica está numa “metodologia” inaplicável nesse tipo de sondagem e o próprio texto denuncia a fraude: “Todos os 513 deputados e 81 senadores que compõem o Congresso Nacional foram contatados pelo Datafolha por telefone. Foram ouvidos 291 deputados e 68 senadores, e os resultados foram ponderados segundo as bancadas dos partidos, com o pressuposto de que a filiação é uma variável importante na definição do voto” (Fonte: http://migre.me/ttZ2V).

Claro como água de poço sem poluição: como só ouviu 291 dos 513 deputados federais, ou seja apenas 56% daqueles que votarão na admissibilidade ou não do impeachment da Presidente da República, não há nenhum fundamento estatístico e/ou metodológico que sustente tal afirmação. Alegar “filiação partidária” como variável para “totalizar” a intenção de votos num quadro pleno de “infidelidade” partidária é zombar da inteligência do público.

Oh, sim, os números foram produzidos pelo infalível instituto de pesquisa do Grupo Folha, o Datafolha...

Avançando para a ficção...

O limite entre Jornalismo e literatura, do ponto de vista das teorias fundantes, sempre foi balizado pela diferença conceitual entre verdade e verossimilhança. O primeiro, estaria no DNA do jornalismo como forma de conhecimento social; já o segundo, que remete à “Poética” do filósofo grego Aristóteles, é pedra angular da criação literária.

Rompendo barreiras e “inovando”, a Folha de S. Paulo avançou inegavelmente para este espaço, o da ficção. Basta ler e tentar entender a manchete da edição de 09/04, sábado: “Queda no preço da energia e crise fazem inflação recuar”.

Um rápido exame no texto, no primeiro parágrafo (lide) encontramos a explicação precisa: “A inflação medida pelo IPCA, índice oficial do país, caiu pela metade em março, com a baixa do preço da energia elétrica no mês, resultado da mudança da bandeira tarifária da conta de luz de vermelha para amarela. (...) Trata-se do menor índice para o mês de março desde 2012 (0,21%)” (Fonte: http://migre.me/ttXsP).

O/a caríssimo/a leitor/a não encontrará, em nenhuma linha do texto, qualquer menção ao fator “crise” como freio à inflação. A reportagem principal do Caderno Mercado (assinada pelo jornalista Brunos Villas Bôas) é equilibrada, analítica e de excelente qualidade — e está completamente dissociada da manchete.

O jornalista consegue, por exemplo, explicar ao leitor leigo em economia o impacto da redução da tarifa de energia elétrica, insumo essencial em qualquer sistema produtivo: “A principal contribuição para a desaceleração da inflação veio da conta de luz, que teve deflação de 3,41%. O motivo foi a mudança da bandeira tarifária da conta de luz, que passou de vermelha para amarela. Sozinho, o item energia elétrica ajudou a reduzir em 0,13 ponto percentual a inflação no mês”.

Este caso lapidar explicita que a Folha apresenta o mesmo fato (queda da inflação) a partir de dois locais de fala totalmente distintos: o do repórter, que foi a campo, apurou, pesquisou os dados, ouviu fontes especializadas e fez seu relato intelectualmente honesto e equilibrado; e o do editor de Capa, mais realista e reacionário que seu patrão, e produziu uma manchete que não tem sustentação nos fatos, mas apenas na ficção e na narrativa pró-impeachment (ou seria pró-golpe?).

Para abrir a semana decisiva do calendário político — a sessão da Câmara que deve votar o impeachment está marcada, em princípio, para o dia 17 de abril, próximo domingo — a Folha recorre ao velho truque da sondagem de opinião feita pelo Datafolha.

A “pesquisa” é, na realidade, um estudo não probabilístico (por cotas e conveniência), que parte de um pressuposto falso: a de que haveria prova inconteste de crime de responsabilidade por parte da Presidente Dilma Rousseff. Na ficção metodológica do Instituto Datafolha, “foram realizadas 2.779 entrevistas em 170 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos”. Nenhum instituto de pesquisa, no país, tem a lista de eleitores do Tribunal Superior Eleitoral, portanto é totalmente falso falar em “margem de erro” ou “grau de confiança”. Simples assim.

O resultado traduz, em números, a vitória dos setores de oposição ao atual governo, dentre os quais podemos incluir a mídia monopolista: “61% defendem o impeachment de Dilma, e 58%, o de Temer” (veja imagem).

Na hierarquia da informação enviesada, o parceiro Eduardo Cunha merece um registro bem secundário, na mesma Editoria (Poder): “Três em cada quatro brasileiros defendem cassação de Eduardo Cunha”. Nenhuma chamada na Capa, nenhum editorial em defesa da “moralidade e contra a corrupção”. Afinal, o ainda presidente da Câmara é réu no Supremo Tribunal Federal e contra ele há provas “incontestes” de corrupção (para usar uma expressão da própria Folha).

No momento em que se vislumbra um desenlace, pelo menos para esse processo de impeachment (Cunha anunciou que se não passar vai “admitir” outros tantos que recebeu), é importantíssimo refletir sobre o papel que o monopólio de mídia cumpriu no sensível e complexo cenário político.

Para além do ativismo político, a meu juízo, totalmente avesso ao que seria seu compromisso público, a imprensa (a partir das ações dos principais grupos — Editora Abril, Folha, Estadão, Band, Globo etc.) cumpre um temerário papel cujo legado, à democracia e às próximas gerações de jornalistas pode ser devastador, do ponto de vista da credibilidade do Jornalismo e da profissão. A ver os desdobramentos mais profundos dessa contenda que tem na imprensa um jogador destacado, linha de frente, no time pró-impeachment.

Samuel Lima, Professor do Departamento de Jornalismo da UFSC; pesquisador do objETHOS e do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO/UFSC).
No Manuel Dutra
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Como será o dia seguinte caso a traição de Temer triunfe

Sem noção
O pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado.

É uma das minhas frases favoritas. O autor é Machado de Assis.

Ela se aplica à perfeição ao áudio vazado em que Michel Temer festeja, antecipadamente, a vitória do golpe.

Em si, é uma infâmia, um despropósito, uma manifestação de pequenez.

Publicado, o vídeo é ainda pior: é o símbolo da traição de um homem que conseguiu com ele disputar com Eduardo Cunha o título de pessoa mais desprezível da República.

Temer além de tudo é um sem noção.

Ele acha que terá qualquer chance de conciliar os brasileiros? De promover um governo de salvação, do alto de sua majestosa insignificância?

Se sim, não é um caso apenas de traição, mas também de insanidade mental.

Imagine que o golpe afinal vingue.

Temer não terá um minuto de trégua. Os golpistas receberão, em dobro, tudo o que fizeram para atormentar Dilma e impedi-la de governar.

Todos sabem a capacidade do PT como oposição. Tanto mais depois de ser roubado descaradamente.

E a militância, como se comportará?

Greves, protestos se espalharão imediatamente pelo país. Importante: não serão apenas os petistas que sairão às ruas. Todos os progressistas que nas últimas semanas se ergueram contra o golpe farão o mesmo.

Em sua descomunal miopia, Temer talvez imagine que o apoio da Globo e da mídia vá garantir-lhe governabilidade.

Só que a perda de influência da imprensa tradicional é um dado da vida. O Jornal Nacional passou semanas massacrando Lula e eis que, em vez de incinerado, ele surgiu na liderança na corrida presidencial.

Como a Veja, o JN, de tanto abusar da ingenuidade de seus telespectadores, passou a ser acreditado apenas por um grupo limitado. Não convence mais ninguém porque sua credibilidade, como a da Veja, desceu a zero.

Não vai adiantar Temer abrir os cofres públicos para a Globo, o que certamente ocorrerá. A Globo não terá como melhorar sua vida.

É previsível que ocorram choques nas ruas. Policiais militares de todas as partes baterão em manifestantes, mas isso só multiplicará a raiva e a revolta.

Marco Aurélio Mello, um dos raros focos de luz nesta imensa escuridão em que se transformou o país, alertou para o pior. A polícia, incapaz de pacificar o país, pode ser substituída pelos militares.

E então o país poderia voltar a 1964.

É uma distopia brutal, mas não há como ignorá-la.

O mais provável — se o golpe vingar — é que diante do quadro de caos total sejam chamadas eleições presidenciais imediatamente.

E então Temer será forçado a enfrentar as urnas, como um vampiro que enfrenta o sol.

Temer se recolherá, para sempre, ao monturo da história como o bufão traidor que falou em salvar o país sem conseguir sequer salvar a si próprio da miséria e do desprezo eternos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dez revelações que vazaram a partir do áudio de Temer

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/04/11/dez-revelacoes-que-vazaram-a-partir-do-audio-de-temer/

O áudio vazado de Temer é importante não apenas como documento histórico deste momento da vida nacional, mas também porque é revelador da alma e do caráter do vice-presidente. Segue a lista de dez características de Temer que ele revela:

1 – Temer é mentiroso: Essa é primeira coisa que fica clara. O áudio não vazou, foi vazado. Era uma ação de risco, mas tinha objetivos claros. Dizer para o povão que não vai acabar com os programas sociais e para o empresariado que vai lhes entregar a reforma da previdência o fim da CLT. E fazê-lo aparecer com tempo generoso no Jornal Nacional.

2 – Temer é oco: Seu discurso é um amontoado de frases emendadas e baseadas no senso comum do entreguista padrão. Não tem a profundida de uma xícara de café.

3 – Temer é cínico: Sua entrevista para explicar o vazamento demonstra sua estatura moral. Ele conta com detalhes algo que não ocorreu, da mesma forma quando vazou a carta enviada a Dilma.

4 – Temer é conspirador: Um vice-presidente com algum padrão de decência não ficaria disputando votos no plenário para derrubar sua companheira de chapa. Se recolheria, porque o que está acontecendo não é uma eleição, mas uma cassação.

5 – Temer é ardiloso: Ele sabe que se a votação do impeachment fosse hoje, ele não passaria na Câmara. E por isso criou um fato para tentar mostrar a alguns setores, principalmente empresariais, que topa entregar tudo para eles.

6 – Temer é entreguista: Quando diz que vai trazer investimentos externos para o Brasil, ele abre a porta para a privatização do Pré-Sal. E esse talvez seja o sinal mais claro e menos direto do áudio vazado.

7 – Temer é malandro: Ao começar o vídeo falando como se o impeachment tivesse sido aprovado na Câmara ele construiu o argumento para dizer que tinha errado no envio do áudio.

8 – Temer é Globo: A edição do Jornal Nacional foi tão escandalosamente previsível que não deixou dúvida alguma de como esse jogo entre o vice-presidente e a emissora foi combinado. (assista abaixo)

9 – Temer é arrogante: Pela segunda vez o vice-presidente trata a população brasileira como imbecil. Vaza carta e áudio e faz de conta que foi vazado.

10 – Temer é Cunha e vice-versa: Todas as características anteriores e mais algumas que prefiro não listar aqui dão clara dimensão de quem é Michel Temer. É um Cunha com mais verniz. Um golpista que faz pose.

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Wagner sugere que Temer renuncie caso impeachment seja derrotado na Câmara

Para o ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidência, o vice-presidente assumiu o papel de patrocinador do golpe e o clina ficará insustentável para ele depois de a conspiração ser derrotada


O ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner, disse que, após o vazamento do áudio em que o vice-presidente Michel Temer fala como se o processo de impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara dos Deputados, só restaria a ele renunciar, caso os deputados não deem prosseguimento à denúncia.

De acordo com Wagner, Michel Temer se precipitou ao fazer a gravação, e teria intenção de vazar propositalmente a mensagem de voz.”[Temer] macula sua própria história, rasga a fantasia e assume papel que antes poderia estar escondido, de patrocinador do golpe. Não me consta que ele tenha bola de cristal. [Na] votação de domingo, ele pode ficar desmentido e um pouco sem saída. Uma vez desmentido, só restaria renúncia”, afirmou Wagner.

O ministro conversou com jornalistas após a comissão especial do impeachment na Câmara aprovar, por 38 votos a 27, o relatório favorável ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Wagner, “depois de assumir a conspiração, uma vez derrotada [a conspiração], vai ficar um clima insustentável”.

Paulo Victor Chagas
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