11 de abr de 2016

A degeneração da Lava-jato

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=295

A degeneração da Lava Jato deu cobertura ideológica ao reacionarismo embutido nas manifestações de junho de 2013. Com o sucesso e retroalimentação de público e de mídia, em 2015, a equipe investigativa cresceu em ousadia até a frustrada tentativa de prisão clandestina do ex-presidente Lula, em 4 de março de 2016. As dúvidas sobre a competência dos advogados ou cumplicidade de outras instâncias judiciárias com os alegados abusos dos Procuradores, da Polícia Federal e do juiz Sergio Moro foram superadas pela reação da esquerda à mal contada história do depoimento do ex-presidente no aeroporto de Congonhas. A decisão kamikaze de grampear a conversa de Presidente Dilma Roussef com o ex-presidente Lula e divulga-la por canal de televisão historicamente associado a todos os golpes e tentativas de golpe de Estado, provocou unânime repúdio das correntes de esquerda, agora com a adesão de liberais democratas ao movimento de denúncia da partidarização da Lava Jato. O movimento reacionário nas ruas e associações arrefeceu, não obstante a vergonhosa e temporã, embora não inédita ajuda da seção nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, e o continuado vazamento seletivo de depoimentos sem confirmação segura, delações controversas e reportagens pré-condenatórias. A Lava Jato foi despida por seus operadores, despidos a si próprios e, finalmente, desnudou-se o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, abrigando entre os “indícios convergentes” de seu parecer negando o direito da Presidente Dilma Roussef nomear e o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva ser nomeado ministro-chefe da Casa Civil, precisamente a escuta ilegal e divulgação inominável que havia, antes, dubiamente criticado. Foi mais um “indício convergente” ao estoque já robusto de todos os “indícios convergentes” de que os operadores da Lava Jato, supervisionados ou quiçá liderados pelo Procurador Geral, haviam subordinado a investigação à estratégia golpista da oposição derrotada e seus boletins midiáticos. Pois foi da catadupa de interpretações e ilações altamente polêmicas de seus soldados, que o Procurador Rodrigo Janot pescou e sancionou a acusação, perfilhada pelo Legislativo, de que a Presidente Dilma Roussef cometeu crime de responsabilidade por tentativa de obstruir a Justiça. Realmente, era só o que faltava!

Segundo a denúncia do PSDB, a nomeação do ex-presidente Lula visava impedir sua prisão com base em alegadas provas colhidas pelos Procuradores. Rodrigo Janot engoliu e quer que todos engulam essa, mas não deu explicação para o fato de que, não obstante a suspensão pelo ministro Gilmar Mendes do ato presidencial que, supostamente, visava proteger o ex-presidente, este continue livre, leve e solto, fazendo política e ajudando a derrotar o golpismo. Justo o que a presidente Dilma sempre disse que era o objetivo da nomeação. Estando a Justiça virginalmente desobstruída, valha o oximoro, por que cargas d’água, então, Lula permanece solto se não porque, vasculha daqui, dali e dacolá, os derrotados justiceiros de Janot não conseguiram “indícios convergentes” de crime algum? Onde está o efeito a ser obtido pela negação da causa (obstrução da Justiça), que seria a prisão do ex-presidente? Já não digo Hegel e Marx, mas morreram Aristóteles e Kant? E a dialética jurídica de que se orgulham os constitucionalistas, vai patrocinar essa barbaridade? Se o parecer do Procurador recomendasse negação de eventual pedido de habeas corpus, caso o ex-presidente Lula caísse na armadilha do aeroporto de Congonhas, em 4 de março, a narrativa de agora não faria sentido porque não seria necessária. Por onde se demonstra, contra-factualmente, que se trata, agora, de um sofisma.

A nomeação de Lula para ministro da Casa Civil buscava impedir o arbítrio de fanáticos, saídos das páginas de Os Miseráveis, de Vitor Hugo, e incorporar a experiência e argúcia de extraordinário líder político às tratativas contra o golpe, agora assim reconhecido a cada dia por novos contingentes de brasileiros. Só absoluta insensibilidade e vocação para a desordem justificam, nessa corrida em busca da racionalidade contra o desatino, congratular-se com uma investigação que, degenerada, ameaça transformar-se em organização merecedora do qualificativo de criminosa ao apresentar como defesa a prisão de certo número de vilões, incomparavelmente inferior ao número de degradações públicas de inocentes e de incontáveis assassinatos de caráter.
Leia Mais ►

A aula de jornalismo de Glenn Greenwald na entrevista com Lula

Jornalismo como deve ser: Greenwald com Lula
Disse ontem que a entrevista de Mírian Dutra por Mariana Godoy foi uma lição de mau jornalismo.

É com satisfação que digo agora que a entrevista de Lula por Glenn Greenwald foi o oposto: uma aula magna de jornalismo. (Aqui, em português.)

Greenwald não deixou de fazer uma única pergunta indigesta a Lula. Foi firme, foi sereno, foi respeitosamente altivo. Falou quando tinha que falar, ouviu quando tinha que ouvir, contrapôs quando tinha que contrapor.

Greenwald é americano radicado no Brasil, onde mora com seu companheiro. É um jornalista de esquerda, e tem prestígio mundial. Já levou um Pulitzer, o maior prêmio global de jornalismo.

Greenwald se colocou também quando achou que devia. Por exemplo, ao falar da imprensa brasileira.

Para um americano como ele, é chocante ver o comportamento da mídia. Três famílias “muito ricas”, sublinhou ele, sabotam a democracia e se dedicam a defender seus interesses – os da plutocracia.

Greenwald não consegue entender como isso pode acontecer numa sociedade razoavelmente avançada como o Brasil.

Parte da responsabilidade deve ser atribuída ao próprio PT de Lula, que em doze anos de poder jamais ousou enfrentar a tirania das empresas jornalísticas, numa tentativa de conciliação que se provou desastrosa e, talvez, suicida.

Ano após ano, com monotonia chocante, Lula primeiro e Dilma depois continuaram a prática de antecessores de inundar de dinheiro público Globo, Abril, Folha e demais grandes empresas de jornalismo.

O caso mais absurdo é o da Globo: 500 milhões de reais ao ano em propagandas federais, mesmo com audiências declinantes e um jornalismo brutalmente deformado e deformador, como notou Greenwald em sua entrevista a Lula.

Não é exagero dizer que o exército de jornalistas antidemocracia da Globo, e não só dela, foi paradoxalmente financiado pelo PT.

Este tópico não foi abordado na entrevista, e é uma pena.

Um outro instante em que o entrevistador quase pediu socorro ao entrevistado para entender uma aberração brasileira disse respeito a Eduardo Cunha.

Como explicar a um estrangeiro, perguntou Greenwald, que um corrupto contra o qual pesam provas tão esmagadoras continue na presidência da Câmara e lidere algo tão dramático quanto um processo de impeachment?

Cunha, é certo, foi protegido por políticos como Aécio, pela mídia, pela Lava Jato de Moro e, se não bastasse tudo isso, pela Justiça: o STF o viu, de braços cruzados, fazer horrores, mesmo depois de conhecidos seus crimes de corrupção.

Dados todos estes descontos, é certo também que faltou mobilização popular para afastar e prender Cunha.

Os movimentos sociais que recentemente saíram às ruas contra o golpe não se dedicaram a varrer Cunha da vida pública. Tivessem se mexido como agora, e Cunha estava na cela.

Lula não conseguiu explicar convincentemente a Greenwald a invulnerabilidade de Eduardo Cunha.

Ninguém consegue explicar. E ninguém consegue entender.

Um ladrão pode ocupar a presidência da República, caso o golpe passe.

É uma possibilidade real e aterradora, e contra ela os brasileiros têm que se bater epicamente nesta semana vital para o destino da democracia.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

O voto dos deputados na Comissão do Impeachment



38 - Deputados Golpistas - 58%

Alex Manente PPS - SP
Benito GamaPTB - BA

Bruno Araújo PSDB - PEsuplente
Bruno Covas PSDB - SP

Carlos Sampaio PSDB - SP
1º vice-presidente

Danilo Forte PSB - CE

Eduardo Bolsonaro PSC - SP

Elmar Nascimento DEM - BA

Eros Biondini PROS - MG

Evair de Melo PV - ES

Fernando Bezerra Coelho Filho PSB - PE
3º vice-presidente

Fernando Francischini SD - PR

Jerônimo Goergen PP - RS

Jhonatan de Jesus PRB - RR

Jovair Arantes PTB - GO
relator

Júlio Lopes PP - RJ

Jutahy Junior PSDB - BA

Laudívio Carvalho SD - MG
suplente

Leonardo Quintão PMDB - MG

Lúcio Vieira Lima PMDB - BA

Luiz Carlos Busato PTB - RS

Marcelo Aro PHS - MG

Marcelo Squassoni PRB - SP

Marco Feliciano PSC - SP

Marcos Montes PSD - MG

Mauro Mariani PMDB - SC

Mendonça Filho DEM - PE

Nilson Leitão PSDB - MT

Osmar Terra PMDB - RS

Paulinho da Força SD - SP

Paulo Abi-Ackel PSDB - MG

Paulo Maluf PP - SP

Rodrigo Maia DEM - RJ

Rogério Rosso PSD - DF
presidente

Ronaldo Fonseca PROS - DF

Shéridan PSDB - RR

Tadeu Alencar PSB - PE

Weliton Prado PMB - MG

27 - Deputados Legalistas - 42%

Aliel Machado Rede - PR

Arlindo Chinaglia PT - SP

Bacelar PTN - BA

Benedita da Silva PT - RJ
suplente

Chico Alencar PSOL - RJ

Édio Lopes PR - RR

Flavio Nogueira PDT - PI

Henrique Fontana PT - RS

Jandira Feghali PCdoB - RJ

João Marcelo Souza PMDB - MA

José Mentor PT - SP

José Rocha PR - BA

Júnior Marreca PEN - MA

Leonardo Picciani PMDB - RJ

Orlando Silva PCdoB - SP
suplente

Paulo Magalhães PSD - BA

Paulo Teixeira PT - SP

Pepe Vargas PT - RS

Roberto Britto PP - BA

Silvio Costa PTdoB - PE

Valtenir Pereira PMDB - MT

Vicente Cândido PT - SP

Vicentinho Júnior PR - TO

Wadih Damous PT - RJ

Weverton Rocha PDT - MA

Zé Geraldo PT - PA
Leia Mais ►