1 de abr de 2016

Ousemos!

 Imperdível 


É chegada a hora de os autênticos democratas de centro, de centro esquerda e de esquerda unirem-se e avaliarem a oportunidade de promoverem, por sua própria iniciativa, uma profunda reformulação partidária no Brasil.

É o momento, de os autênticos democratas de centro, de centro esquerda e de esquerda considerarem a possibilidade de realizar a fusão dos partidos comprometidos com a preservação da democracia e das conquistas sociais e econômicas construídas ao longo das últimas décadas no Brasil.

Que todos os democratas autênticos de centro, de centro esquerda e de esquerda se unam em uma ampla, mas coerente frente político-ideológica, livre das mazelas das tradicionais organizações partidárias brasileiras e sem que nenhuma corrente política pretenda exercer hegemonia sobre as demais, abandonando práticas que têm marcado a atuação dos atuais partidos, principalmente de esquerda e centro-esquerda brasileiros, o que os têm isolado continuamente.

Reúnam-se trabalhistas históricos e contemporâneos, liberais democratas, socialistas democráticos e social democratas. Convoquem-se os integrantes autênticos do PDT, do velho MDB, os dissidentes do atual PMDB, do PTB, do PT e dos demais partidos da base governista de Dilma Rousseff.

Revivendo a mística do trabalhismo histórico brasileiro, que criou a Petrobras e iniciou o processo de desenvolvimento econômico e social autônomo no país, atrevo-me a sugerir que esta frente político-ideológica atue de forma horizontal, sem caciquismos e sem personalismos, e adote como denominação a sigla MTBR ou MTBU ou seja, Movimento Trabalhista Brasileiro Renovado ou Movimento Trabalhista Brasileiro Unificado.

Será esta uma forma ousada e honesta de compor maioria congressual, evitar o impeachment da atual presidente da República e, passado o furacão, governar o país sem que novos sobressaltos golpistas imobilizem o governo. É preciso construir uma base política e parlamentar firmada em compromissos político-programáticos, extinguindo o toma-lá-dá-cá, o fisiologismo e a compra de apoios, corriqueiros no "presidencialismo de coalizão" e de transação que nos assola.

Os momentos das grandes crises são também os momentos propícios para as grandes decisões e para se dar início à construção de novos e renovados processos políticos e sociais.

Superar a crise em que o país se encontra hoje exige coragem, humildade e disposição para construir um novo pacto de entendimento. Ousemos, pois!

Benedito Tadeu César, Cientista Político e professor aposentado da UFRGS
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O Waterloo de Sérgio Moro

Achava que podia voar e se esborrachou: Moro
Achava que podia voar e se esborrachou: Moro
Está claro agora que Sérgio Moro enfrenta seu Waterloo.

Ele acreditou na Globo e achou que poderia voar. Só que se espatifou.

A contundente derrota que ele sofreu ontem no SFT na questão dos grampos foi um marco na mudança de sua imagem.

O juiz superstar de quem ninguém ousava falar por ele parecer simbolizar a luta contra a corrupção ficou para trás. Em seu lugar emergiu a figura de um juiz partidário, descontrolado e sócio da Globo na aventura macabra de destruir a democracia pelas vias jurídicas.

Moro cruzou as fronteiras do tolerável ao impor a Lula um depoimento coercitivo sem qualquer propósito que não fosse produzir um espetáculo circense na mídia.

Foi aí que vozes insuspeitas de petismo ou esquerdismo começaram a questioná-lo fortemente, o que não ocorria até então. Começava o que em inglês se chama de backlash – o refluxo dos elogios a Moro.

O juiz Marco Aurélio Mello se destacou aí. Depois de explicar didaticamente a aberração cometida por Moro ao coagir alguém sem antes convidá-lo a depor, Marco Aurélio zombou da miserável justificativa apresentada pelo ofensor.

Moro afirmou que agiu para “proteger” Lula. “Este tipo de proteção eu não quero para mim”, disse ele. Brasileiro nenhum quer.

O segundo passo em falso de Moro veio dias depois, quando grampeou e vazou para a Globo conversas telefônicas de Lula, algumas delas com Dilma.

Mais uma vez, não houve motivo nenhum que não fosse o de provocar alarido e o de levar inocentes úteis a acharem que Lula cometera mais um crime.

Pouco tempo depois, o próprio Moro confirmou isso ao dizer que Lula parecia saber que estava sendo grampeado pelo teor dos áudios gravados.

O que Moro disse é que nada do que se gravou de Lula era incriminador. Ora: por que, então, divulgar? Para posar de herói, para constranger Lula, para ajudar no golpe, ou por todas estas alternativas?

Fico com a última hipótese.

A imprensa silenciou, como era de esperar. Mas o STF, pelas mãos do ministro Teori, deu um basta a Moro.

Chega, passou do limite, acabou a farra: foi este o sentido do gesto de Teori de retirar Lula das mãos, ou garras, de Moro e reprovar categoricamente os grampos.

Moro foi intimado a explicar a invasão telefônica por Teori, e apresentou um pedido de desculpas tão patético quanto o de Lobão para Chico.

O desprezo com que as “escusas”, para usar a palavra pomposa de Moro, foram recebidas ficou patente na sessão de ontem do STF.

Teori foi seguido por todos os seus colegas, excetuado Gilmar, que estava numa viagem em Lisboa por motivos golpistas.

Fora dos círculos jurídicos, o ator Wagner Moura — sem nenhuma conexão com o petismo — disse o que muitos pensam mas poucos ousam dizer. Moro, segundo ele, se comporta como promotor, e não como juiz. E parece não ter noção da monstruosidade que é se deixar fotografar ao lado de políticos do PSDB.

Numa palavra, Moro cansou. Deu.

O Moro tal como se tornou conhecido, um colosso do bem, está morto.

Começou o caminho de volta rumo ao que ele é: um juiz provinciano cuja visão de justiça é atacar um lado só.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dia da Terra Palestina é homenageada com palestras e debates na UFSC

Dia da Terra Palestina em Florianópolis

Feche os olhos e imagine a sua casa sendo invadida, você e sua família inteira expulsa do lugar onde sua família cresceu. De repente vocês viraram refugiados perambulando por outros países, procurando emprego. Do nada todos têm passaportes para todos os países do mundo, menos para voltar para casa. Iam aceitar isso?

Em resumo, é este sentimento de injustiça que reúne palestinos em todas as partes do mundo para relembrar a data 30 de março de 1976, em que o governo israelense anunciou o confisco de territórios árabes para construção de novas colônias e cidades judaicas. A Palestina já passou por 80 invasões no último século e seu povo se mantém resistente e unido. Por este motivo, diversos refugiados estão espalhados ao redor do planeta.

Em respeito à luta do povo palestino, várias entidades promoveram palestras e debate ontem, no Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina, às 18h. O jornalista Raul Fitipaldi falou em nome do Portal Desacato.info, o site pretende ser parceiro de todas as lutas da comunidade palestina no Brasil. O psicólogo Allan Kenji, do coletivo UFSC à Esquerda comentou que não é fácil organizar um encontro assim nesta casa (UFSC) e que falar em solidariedade nos tempos atuais é muito difícil, tanto pelo caráter humanitário quanto de enfrentamento às repressões.

A socióloga Silvinha intermediou a primeira mesa, entre o antropólogo cubano Hasan Félix e a jornalista Tali Feld Gleiser. Silvinha, que também é representante do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino, explicou que a Palestina tem o mesmo tamanho do estado brasileiro Sergipe, porém com uma população muito maior. Assim como a Faixa de Gaza é do tamanho de Florianópolis, com densidade demográfica muito superior.

Hasan Félix explanou sobre a questão, disse que não é problema só da Palestina, “é um perigo para todos no mundo”. Ambos os lados, sionistas e palestinos têm simpatizantes, porém ao afirmar que, “ somos todos palestinos não é porque estamos usando uma identidade que não é nossa; significa que somos os excluídos, somos todos haitianos, somos todos brasileiros, somos todos Amarildo. O problema é o mesmo”. A resistência palestina é impressionante, ao usar pedras para se defender de fuzis do quarto mais preparado Exército do mundo. Além da expropriação de terras, acontece o apartheid, a colonização e a ocupação com muita violência.

Tali, também diretora-geral do Desacato.info, dedicou a palestra também aos refugiados sírios que estão na Grécia, assim como os palestinos que já cansaram de ser expulsos de casa. Ela conta que são mais de 5 milhões de palestinos em diáspora (migrantes), sendo que a minoria pode voltar a passeio. A jornalista é judia e desde o primeiro bombardeio que soube, percebeu que havia mais coisas por trás das invasões.

“Então fui para a Palestina conhecer. Foi onde comecei meu livro. Estar do lado dos excluídos é muito difícil. Fui até chamada de traidora por parentes, mas o preço que pago é pequeno perto do que o povo palestino vive”, afirma Tali Feld Gleiser.

O médico Yasser Jamil lançou seu livro “Nosso verbo é lutar: Somos todos Palestinos”, e adiantou alguns aspectos sobre sua redação. A sua temática coloca a Palestina no centro do debate e não cita nenhum nome israelense. O jornalista Raul Longo acrescentou que a maior parte da mídia mundial é controlada por famílias sionistas. O líder da comunidade palestina Kader* Othmann falou que desde 1948, quando foi criado o Estado de Israel sobre a Palestina, o povo sobre invasões e só passou a celebrar o Dia da Terra em 1976, como forma de resistência à ofensiva de Israel, tanto no aspecto geográfico quanto patriótico. “A Palestina luta para ser um estado livre, independente e pelo direito de seus cidadãos voltarem para casa”, afirma o líder da comunidade local.

Todas as falas foram registradas pela equipe do Portal Desacato e em breve estarão disponíveis.


Ana Carolina Peplau Madeira
No Desacato
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Resposta acachapante de Raúl Castro a Obama sobre “presos políticos”


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Comentaristas globais sentem o fim do golpe


Comentaristas desinformados batem cabeça. Sentiram que o golpe fracassou...

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Breno Altman: Operação Lava Jato esculacha Constituição

Envovido na chamada Operação Carbono 14, parte da 27ª fase da Lava Jato, o jornalista Breno Altman publicou um relato de sua intimação. No texto, o editor do Opera Mundi detonou a arbitrariedade das investidas do juiz Sergio Moro, a quem Altman atribui a criação de um regime de exceção no país. O jornalista também denunciou o que seriam os reais objetivos da cruzada judicial e midiática em curso no país: destruir a esquerda e, em especial, o Partido dos Trabalhadores. Ao que parece, as mídias alternativas e os blogueiros fazem parte deste pacote. O Barão de Itararé expressa, por meio desta nota, solidariedade a Breno Altman.

Leia na íntegra o relato do jornalista:

Operação Lava Jato esculacha Constituição

Fui surpreendido, na manhã de hoje, com a notícia de que a Policia Federal havia comparecido à minha casa, em São Paulo, com um mandado de condução coercitiva e outro de busca e apreensão.

Tinha viajado a Brasília para participar de atividades da Jornada Nacional pela Democracia, que ontem reuniu duzentas mil pessoas apenas na capital do país.

Atendendo a orientação dos próprios agentes federais, compareci à sede brasiliense da instituição. Meu depoimento foi tomado durante cerca de uma hora, em clima cordial e respeitoso.

Minhas declarações sobre a investigação em curso, no entanto, poderiam ter sido tomadas através de intimação regular, com data e horário determinados pelas autoridades. O fato é que jamais tinha recebido qualquer convocação prévia para depor.

Aliás, assim foi procedido com demais depoentes do inquérito que envolve meu nome: nenhum deles tinha sido levado a depor sob vara, até esta sexta-feira, respeitando norma legal que estabelece coerção somente para quem foge de comparecer a atos judiciais ou oferece risco à ordem pública.

Só posso reagir com indignação ao regime de exceção que o juiz Sérgio Moro resolveu estabelecer para alguns dos intimados da chamada Operação Carbono 14.

Infelizmente não é novidade. O atropelo de garantias constitucionais é a prática predominante do magistrado Sérgio Moro e de procuradores que atuam em sua corte.

Desde a condução coercitiva do ex-presidente Lula, tem ficado mais claro aos brasileiros que a Lava Jato faz da intimidação, do espetáculo e do arbítrio suas principais ferramentas de intervenção.

Sob a bandeira de combate à corrupção, trata-se de investigação seletiva e contaminada, cujo objetivo derradeiro é a derrocada do governo da Presidenta Dilma Rousseff, a interdição do ex-presidente Lula e a criminalização do Partido dos Trabalhadores.

Depois das multitudinárias concentrações de ontem e da revogação de decisões arbitrárias do juiz Moro pelo Supremo Tribunal Federal, era de se esperar que a República de Curitiba revidasse. Seu papel principal, afinal, é fabricar fatos que alimentem os meios de comunicação alinhados à oposição de direita.

Sou apenas mais um dos alvos deste tornado antidemocrático.

Não foi apresentada, durante o interrogatório, qualquer prova ou indício de meu eventual envolvimento no caso investigado, de suposto empréstimo ao empresário Ronan Maria Pinto.

A falta de solidez na inquirição também se revela, por exemplo, pelas perguntas que diziam respeito às atividades de antiga editora da minha propriedade, fechada há quase vinte anos, com indagações até sobre o tipo de livros que publicávamos, e à doação eleitoral de dois mil reais que fiz, em 2006, a Renato Cinco, então candidato a deputado estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro.

O que importava, afinal, era a criação de fato político que realimentasse tanto a Operação Lava Jato quanto a ofensiva por um golpe parlamentar contra a presidente da República.

Apesar de ultrajado em meus direitos de cidadão, continuarei à disposição da Justiça e confiante que, mais cedo ou mais tarde, retornaremos à plena vigência do Estado de Direito.

Mas minha situação pessoal é de pouca relevância. Como jornalista e militante das causas populares, tenho a obrigação de denunciar o esculacho ao qual nossa Constituição e nossas leis têm sido submetidas.

Estou orientando meus advogados a entrarem com uma ação no Conselho Nacional de Justiça contra o juiz Sergio Moro, pela ilegalidade de minha condução coercitiva, em decisão prenhe de ilações e especulações.

O Brasil não pode aceitar que um estado policial se desenvolva nas entranhas de nossas instituições democráticas.
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Depois de ‘Não Somos Racistas’, Ali Kamel deveria escrever ‘Não Somos Golpistas’

Um novo bestseller para Kamel
É divertida e ridícula ao mesmo tempo a campanha da Globo para tentar convencer os incautos de que a empresa não está promovendo um golpe.

A Globo quer cassar 54 milhões de votos a todo custo, mas isso, segundo ela, não é golpe.

O pior golpista é o que diz que o golpe não é golpe. É o caso da Globo.

Nem sequer criativa ela é. Primeiras páginas do Globo da época do golpe de 1964 que têm circulado nas redes sociais mostram uma extraordinária semelhança com as primeiras páginas do Globo de hoje.

É sempre o mesmo blablablá miserável para justificar a agressão à democracia. Na versão 2016, o golpismo da Globo inclui patetices como um diretor da empresa, Erick Bretas, se fantasiar de Sérgio Moro no Facebook.

Estou escrevendo tudo isso porque tenho uma sugestão para a Globo neste esforço de parecer boazinha, movida por bons propósitos.

É esta.

Ali Kamel, seu principal executivo de jornalismo, poderia escrever um livro chamado ‘Não Somos Golpistas’.

Uns dez anos atrás, Kamel lançou um livro que poderia qualificá-lo para a Academia Brasileira de Letras, ao lado de gênios como Merval e FHC.

O título poderia passar por algo do Sensacionalista, mas é real: ‘Não Somos Racistas’.

Kamel ganhou críticas entusiasmadas de seus amigos na mídia. A revista Época, por causa do livro, deu a Kamel um lugar na lista das 100 pessoas mais influentes do Brasil.

Com sua formidável visão, Kamel provou que, sim, não somos racistas. Não matamos negros. Não estimagtizamos negros. Não tratamos negros como cidadãos de segunda categoria.

Não somos racistas. Ponto. Exclamação.

Li o livro, uma coleção de artigos publicados no Globo. Você pode adivinhar a quem o autor reverenciou na apresentação. A algum líder negro que ajudou na causa? Não exatamente. Os salamaleques foram endereçados aos patrões, os formidáveis Marinhos.

Kamel não pratica apenas o jornalismo patronal. Pratica também a literatura patronal.

Com toda a credibilidade angariada com o livro verdade sobre o racismo no Brasil, ele poderia voltar à carga, desta vez para demonstrar que na Globo não somos golpistas.

Merval, em seu livro sobre o Mensalão, convidou um juiz do STF para fazer o prefácio, Ayres Britto. Foi uma prova irretorquível de que a Globo não tem conluio com a Justiça, e sim uma parceria literária.

Kamel poderia fazer o mesmo. Minha recomendação é que o juiz escolhido para o prefácio seja Gilmar Mendes, exemplo de magistrado equilibrado, imparcial, sereno, justo.

‘Não Somos Golpistas’ tem tudo para se tornar mais um best-seller na vida de Kamel.

No futuro, quando a posteridade analisar a trajetória imaculada da Globo, o livro servirá para iluminar os pesquisadores.

Ficará claro que, assim como não somos racistas, a Globo não é golpista.

Vou encomendar meu exemplar caso minha ideia seja adotada.

Não somos golpistas.

Paulo Nogueira
No DCM
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O PMDB que assusta Barroso assusta o Brasil. Por ele e pelo que é certo que viria depois


Na conversa do ministro José Roberto Barroso com estudantes de Direito gravada (virou moda) e divulgada ontem pelos jornais, este se mostra assustado com a cena que viu, na reunião do diretório do PMDB onde se gritava “Temer Presidente”.

‘Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder?’

Como todo mundo viu a foto, coloco outra, bem recente (de janeiro) da convenção que escolheu os personagens que assustam Barroso, inclusive os que se esconderam da foto atual.

Ministro, com todo o respeito, há coisa mais assustadora,  que deriva da imagem que o assusta.

É que, como sabe o senhor, o governo que eventualmente emergisse dali não sobreviveria ao STF, pela situação em que se encontra o “general da banda podre” que deslustra a imagem.

Ou, ao contrário, o STF não sobreviveria a um governo saído dali.

Numa ou noutra hipótese, a institucionalidade da vida brasileira estaria quebrada ou por um fio.

Não posso ter a pretensão de ensinar latim ao ministro: ele sabe de onde vem o que se acha tenebroso.

Ele sabe que vem de trevas.

Mas posso, talvez, ilustrá-lo em biologia.

É que nas trevas não vivem apenas os monstros que tememos.

É que só nelas se desenvolvem um bichinho bem asqueroso, uma larva que tira da escuridão seu próprio nome: o tenébrio.

É o “bicho da farinha”, como o povão o conhece.

Mas o senhor precisa refletir: será que o papel do Supremo é só olhar a forma de um julgamento político por um suposto crime de de responsabilidade? Indiferente ao fato de haver, sequer, base para que se diga existir o tal crime?

Pode prevalecer um entendimento como que que o senhor Sidney Sanches emitiu falando aos jornais: “É um julgamento feito por políticos, é muito diferente do processo judicial, não precisa de provas nem fundamentação. O voto é sim ou não. Se o STF interferir, é invasão de competência”.

Eu, que não sou jurista, fico com a máxima popular: Direito é bom-senso e algo que “ não precisa de provas nem fundamentação” não é julgamento, é arbítrio puro.

Ministro Barroso: as trevas dependem de que quem aceite que as luzes se apaguem.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Jornal do Golpe 31/03


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Protestos contra a Globo preocupam anunciantes


A sucessiva multiplicação de palavras de ordem, faixas e cartazes contrários ao Grupo Globo nas manifestações populares a favor da democracia e a rejeição estampada nas redes sociais — inclusive expressada por artistas contratados — começa a preocupar anunciantes. O temor de algumas companhias é que este movimento possa crescer e expor ao risco as suas marcas e o consumo dos seus produtos.

A sistemática cobertura a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff e o noticiário envolvendo o ex-presidente Lula acenderam o sinal de alerta nas direções de marketing de grandes empresas.

Numa reunião fechada realizada ontem no fim da tarde, em São Paulo, e que o SRZD teve acesso ao resultado final, dois presidentes que representam os interesses de companhias que estão entre os 30 maiores anunciantes do Brasil, seis vice-presidentes de empresas de áreas diversas que atuam em higiene e limpeza, setor automotivo e varejo decidiram encomendar uma análise a uma agência internacional de acompanhamento de postagens na internet para avaliar os humores dos consumidores em relação aos produtos e serviços dos patrocinadores.

A ideia é que o estudo seja concluído em até 90 dias. E o parecer se restringirá às marcas que já anunciam nos veículos do Grupo Globo.

Um dos executivos chegou a desabafar: "Todos respeitamos a Globo pelo seu profissionalismo e pela larga vantagem sobre os demais órgãos de comunicação, mas o jornalismo está manipulando de forma criminosa e já há movimentos nas redes sociais pressionando nossos consumidores a não comprarem os produtos que produzimos. Assim não dá. Isso não pode crescer". A fala causou um certo mal estar no ambiente. O silêncio enigmático dos demais sinalizou concordância com a análise e a preocupação de como criar uma alternativa publicitária ao maior meio de comunicação do Brasil.

A Globo, por sua vez, já se manifestou oficialmente, várias vezes, no sentido de que apenas informa os fatos políticos com isenção. E que não é geradora dos acontecimentos políticos e econômicos que noticia.

Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Roberto Parizotti/CUT
Manifestações do dia 31 de março de 2016. Fotos: Reprodução/Mídia Ninja
Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Eduardo Magalhães

Sidney Rezende
No SRZD
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Requião expõe racha no PMDB: 'Governo Temer seria desastre igual ao de Dilma'


O senador paranaense Roberto Requião está no PMDB há mais de 30 anos, desde a época do MDB, e foi pela sigla deputado, governador do Paraná e prefeito de Curitiba. Hoje, diante da saída do partido da base aliada, diz não reconhecer o PMDB em que entrou, considera a reunião de terça-feira "uma piada" e reprova Temer no poder: "sem proposta, seria um desastre igual ao que está sendo o da Dilma".

Para Requião, o partido não pode sair do governo, porque nunca entrou efetivamente. "Ele (o PMDB) nunca se sentiu representado."

Duro crítico do plano batizado de Uma Ponte para o Futuro, prévia do que seria um governo Temer na área econômica, o senador afirma que as medidas causariam a "maior crise social da história do Brasil".

O plano de reformas liberais inclui relaxamento de leis trabalhistas, privatizações, concessões e custos salariais menores. "É uma espécie de protocolo dos sábios do mercado", diz.

Isolado no partido, não pensa em se desfiliar. "Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?"

Leia os principais trechos da entrevista:

O senhor esteve na reunião da terça-feira (que decidiu pela saída do PMDB do governo)?

Não, o Paraná não compareceu à reunião.

Como avalia a saída do partido?

Em primeiro lugar, a saída de um partido do governo é uma coisa normal no sistema democrático. Mas, tudo isso tem que ter um pressuposto: por que vamos sair? O que queremos ao sair? O que propomos para o país? Não vi nada nisso. Vi na mesa o (Eduardo) Cunha, o (Eliseu) Padilha e o (Romero) Jucá comandando uma reunião em que não sei quem votou, porque não havia identificação de eleitores, foi por aclamação. Logo não se pode nem saber se era o PMDB que estava lá.

E não há nenhuma proposta alternativa, pelo contrário. O Jucá é o porta-voz de um documento que se chama Uma Ponte para o Futuro, que é uma espécie de protocolo dos sábios do mercado. É mais radical do que toda a operação fiscal do (ex-ministro da Fazenda) Joaquim Levy, que beneficia o capital especulativo e prejudica duramente o trabalho. É pior do que o que se propôs para Grécia, Itália, Portugal e Espanha. Mas esse documento não é do partido.

Ele não pode ser considerado uma proposta?

Claro que não. Não tem proposta. Esse documento foi levado a uma reunião nacional da Fundação Pedroso Horta (órgão de formulação política do PMDB) e foi rejeitado. Nem puseram em votação porque havia uma rejeição absoluta da base partidária.

Não entendo o que significa sair do governo. Por quê? Para quê? Propondo o quê? Digo isso com conforto, porque me manifesto contra a política econômica do governo desde o primeiro dia.

Na sua visão, o Ponte para o Futuro seria pior do que a política econômica do governo?

Seria um verdadeiro horror e é uma contradição com a história do PMDB. O documento base do PMDB é Esperança e Mudança. É um documento de retomada do desenvolvimento, de ativamento das garantias sociais. É o Estado social, do meio ambiente, do respeito às leis trabalhistas, que protege o trabalho interno.

Esse (Ponte para o Futuro) nem o FMI faria tão ruim. Nos coloca numa situação de primarização da economia.

Quais suas principais críticas em relação ao documento?

Ele não é para ser colocado num contexto de disputa eleitoral para o povo brasileiro. É para o mercado, para os banqueiros, porque ele teria uma rejeição absoluta no país. Agora o PMDB sai do governo. E tem mais ainda: será que o PMDB já foi governo? Acho que não foi.

Se o PMDB estivesse no governo, se os ministros da Dilma representassem o partido, a convenção não sairia do governo, os ministros teriam o controle da sigla, estariam representando suas bases. Mas o partido nunca se sentiu representado. Como sete ministros não têm influência alguma? Porque não eram ministros do partido. O meu PMDB nunca foi governo. Isso foi um produto de um acordo congressual.

Então, para o senhor, o PMDB não está representado no documento e nem na reunião?

O PMDB que conheço não estava representado nisso e muito menos nesse documento. O PMDB poderia sair do governo, claro que poderia. Monta convenções no Brasil inteiro, formula uma proposta e diz: olha, o governo da Dilma está indo por um caminho neoliberal que não satisfaz os caminhos traçados ao longo da nossa história. Mas esse pessoal estava fazendo exatamente o contrário.

Mas o senhor é a favor da saída do governo dadas as atuais circunstâncias?

Não. Sou favorável à mudança da política econômica do Brasil. Não posso falar em sair do governo porque nunca entrei.

Como vê a posição de Michel Temer hoje?

Ele não foi à reunião (de terça-feira). A carta dele (à presidente Dilma Rousseff, que veio a público em dezembro) mostra que ele se sentia isolado, que não era parte de nada, não era parte das discussões econômicas. Isso é fato.

Para o senhor, a saída do PMDB aumenta as chances de um impeachment?

Não acho que uma coisa tem a ver com a outra. O impeachment legal é o julgamento de um crime de responsabilidade. E não houve esse crime. Não é uma questão de acreditar ou não: não houve.

E eu sou contra a política econômica da Dilma, talvez eu seja o maior opositor dentro do Congresso. Esse crime de responsabilidade atinge o comportamento de 16 governadores do Brasil. Tem algum impeachment contra eles, que fizeram a mesma coisa?

Como vê a campanha pró-impeachment?

É uma jogada de quem perdeu eleição, e do capital financeiro, que quer comandar o Brasil. Dentro do Congresso propõem o fim das estatais, transformá-las em sociedades anônimas; propõem colocar limite no endividamento - se os Estados Unidos tivessem limite para o endividamento teriam fechado na última crise.

É um pacote que marcha paralelamente à derrubada do governo da Dilma: a entrega do petróleo; a liquidação da Petrobras; corte de investimentos do Minha Casa Minha Vida... (sendo que) a maior indústria brasileira é a construção civil. Está caminhando a entrega do país. E, do meu ponto de vista, há um autismo social da Dilma. Ela não está enxergando nada, está repetindo políticas liberais: primeiro o Joaquim Levy, depois trocado pelo Barbosa.

Como avalia a política econômica?

(Dilma) está perdidíssima. O Levy era uma sinalização para o mercado, que levou a um arrocho fiscal e fez o governo perder completamente seu apoio sindical. Foi minando suas bases. E quem votava a favor de todos os erros da Dilma no Congresso? O PMDB e o PSDB. A favor do Levy, a favor das bobagens do Barbosa.

É uma posição contraditória?

Claro! Acho que, em defesa da democracia, a Dilma tinha que terminar seu mandato.

O senhor falou em ameaça à democracia. Acha que os caminhos que estamos percorrendo na política arriscam o sistema democrático?

(Os caminhos) são imprevisíveis. Há uma campanha amplíssima de desmoralização, em parte merecida, da política e dos políticos. Isso pode abrir espaço para vir um super-herói, dependendo das circunstâncias, da direita ou da esquerda.

Quem seria esse super-herói?

Pode vir um Bolsonaro, um general salvador. Por isso prefiro que as coisas sejam resolvidas dentro do processo democrático. Sérgio Moro, por exemplo. Achava um sujeito extraordinário no começo do seu trabalho, mas extrapolou os limites do direito.
Sem o trabalho dele e dos procuradores, nós não saberíamos de nada. Só que são juízes e não percebem a utilização de seus exageros para a dominação do capital financeiro sobre o país. Eles estão sendo instrumentalizados e (ficam) satisfeitíssimos pela própria vaidade. Agora, o trabalho deles é muito bonito.

Mas é questionável?

Porque está atropelando espaços do garantismo jurídico. Acho que o Moro é quem menos acredita na Justiça no Brasil. Porque ele provoca esses vazamentos para pressionar o Supremo Tribunal Federal. Mas Moro tem que ver o que aconteceu primeiro com Weimar (república estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial), que, num esforço moralizante, só punia os progressistas e a esquerda. E deu margem para o surgimento do Hitler. O que aconteceu na Itália quando surge o Berlusconi. Quer dizer, estão embalados pela sua visão paladina e estão abrindo espaço para a direita brasileira.
Não quero que parem. Mas não podem passar do limite legal.

Quais seriam esses limites? A condução coercitiva do Lula?

Não. A condução coercitiva foi um espetáculo para a mídia, não foi um ato de justiça. O vazamento dos grampos é uma tentativa de comoção nacional. O limite é da razoabilidade, que a lei estabelece. Como é que você joga na mídia uma conversa pessoal de um presidente com um ex-presidente, que é seu amigo? Quando não tem nada a ver com o processo. Fui um entusiasmado incentivador no começo. Mas estão provocando um conflito social que não podem segurar. E outra coisa: o país não está debatendo nada. Tudo está vindo embalado na movimentação moralizante.

E o diálogo dentro do PMDB?

O PMDB não discute. Sou da bancada do Senado e ela não se reúne. Há uma ausência de projeto.

Isso vem se intensificando nos últimos anos?

O PDMB tem documentos magníficos. (A falta de diálogo) Foi parte da captura do PMDB pelos empregos, pela fisiologia, com a parte corrompida do PT. É o que eu digo: se esse pessoal que está no ministério é PMDB, por que não tinha um apoio no diretório nacional? Chegaram pelos acordos com o PT. Há uma vontade de poder, com um projeto capenga. A "Ponte para o Futuro" causaria a maior crise social da história do Brasil.

Como seria um governo do PMDB?

Acho que, sem uma proposta, seria um desastre igual ao está sendo o da Dilma. O Temer deveria estar pensando no Brasil e ele está capturado por aquele pessoal da extrema direita. Ideologicamente, ele está capturado, está bancando esse projeto louco. Ele é vice-presidente da República e está pensando no poder. Ele acredita que aquele seja um projeto nacional, mas não é, é um desastre nacional.

Estamos no caminho de uma crise. Com Temer, sem Temer, com Dilma, sem Dilma e não há um projeto nacional. A reunião do PMDB foi uma piada. Saímos do governo e não tiveram coragem para colocar em discussão a Ponte para o Futuro, porque acho que, mesmo lá naquela farsa, não passava. Aquilo foi uma piada. E terminou com Padilha, Jucá e Cunha de mãos dadas para cima, para o alto e para a glória. Não é o PMDB em que eu entrei, muito tempo atrás.

O senhor pensa em desfiliar-se?

Eu não! Acho que a briga é dentro do partido. Sou uma frente de resistência, desde que nasci. Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?

Ingrid Fagundez
No BBC Brasil
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O estranho conceito de “força” do Exército de José Serra


Participando do Semi-Golpe de Lisboa, a vergonhosa e fracassada conspiração promovida pela empresa de Gilmar Mendes em Portugal, José Serra disse hoje, segundo a BBC, que “uma intervenção militar só não aconteceu nos dias atuais porque o Exército não tem mais a força política de antigamente.”

Serra tem uma visão ainda “banana republic” do papel das Forças Armadas.

A força que elas têm de ter — e deveriam ter muito mais — é a força militar, porque seu papel é a defesa nacional, não a política.

Os militares brasileiros, em mais de um governo chefiado por gente da caserna, viram como a obsessão pela política foi danosa a isso, embora vez por outra os governos militares — corretamente — tenham investido em alguma independência em tecnologia bélica.

Curioso que, quando se fale no Exército dos EUA, da França, da Inglaterra — para não entrar no terreno pantanoso de regimes que não simbolizam a democracia convencional — ninguém se preocupa em discutir sua “força política”, por que será?

Força política dos militares é fazer com que os governos lhes forneçam meios de equipar-se, de terem desenvolvimento operacional e tecnológico que não as tornem meros enfeites, mas vetores capazes de projetarem-se onde a soberania do país estiver ameaçada ou vulnerável.

A outra política, por definição, divide. E divisão, entre os militares, é — paradoxalmente — uma unidade de tropas sob comando único.

O Exército, como a Marinha e a Aeronáutica, têm muitos — e entre seu melhores — oficiais que compreendem que imiscuir-se no jogo político é importar a cizânia para dentro das organizações militares.

Claro que se preocupa, como é seu dever aliás, com situações de conflito interno, E justamente por isso não deixa de estar atento a quem as provoca.

Políticos, como o senhor Serra, não devem trazer o nome do Exército para a política, a não ser para que ela lhes garanta os recursos para, dentro da realidade do país, qualificar-se como escudo da Nação.

Do contrário, é expô-lo à divisão que há na política.

O que representa apoio aos militares, e seus líderes sabem muito bem, não são uma dúzia de transtornados que pedem que coloquem  um tenente em cada repartição pública.

Estamos, pela primeira vez em um século, vendo o Exército se portar como a uma força de todos, não de uma facção ou, muito menos, de si mesma.

Se José Serra tivesse uma visão um pouquinho mais generosa das instituições, veira que não podem nunca voltarem-se contra a pária aqueles que são “por ela armados”, como está no hino do Exército.

O Exército, ao contrário do que diz Serra ao afirmar que “se o Exército brasileiro ainda tivesse a força que tinha naquele momento, não tenha dúvida de que já teria tido uma militarização no país” está muito mais forte.

Inclusive em relação aos que o querem usar politicamente.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Chico Buarque: “Não, de novo não!”; veja o vídeo


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O Homem Morcego, o garoto de Krypton, os EUA e o controle do entrerenimento

http://www.maurosantayana.com/2016/03/o-homem-morcego-o-garoto-de-krypton-os.html


O recorde batido por Batman x Superman no Brasil, de maior bilheteria arrecadada em um fim de semana de estreia — quase 35 milhões de reais — com um roteiro abaixo de crítica e direito, nas filas intermináveis, a adultos vestidos de camisetas com desenhos de morcego e crianças a partir de 12 anos com roupas de super-homem, não é apenas o símbolo da indigência cultural e intelectual de parte de uma classe média que reclama da crise, mas gasta mais de 100 reais para comprar três ingressos e um “combo” de pipoca com refrigerantes de máquina, para lotar até a última poltrona os cinemas de shopping, correndo o risco — dependendo do lugar — de passar calor ou ser mordido por mosquitos, ou pegar uma conjuntivite com óculos 3D tão sebosos quanto janelas de fábrica.

Pode-se alegar que se trata, apenas, de uma diversão “leve”.

Mas não o é.

Do ponto de vista da comunicação de massa, essa “conquista” conforma, também — com a mistura de heróis da Marvel e da DC Comics com as cores da bandeira dos EUA, e as alusões de sempre a terroristas e agentes do governo norte-americano, e a descendentes de ex-moradores da Cortina de Ferro — uma celebração ao sucesso da América do Norte em produzir entretenimento superficial, artificial e rasteiro, e em fechar o ciclo do controle desse entretenimento — e da involução mental de gerações — com o domínio das grandes cadeias internacionais de cinemas, do conteúdo dos blockbusters nelas exibidos, dos canais de TV a cabo — sempre os mesmos, com os mesmos filmes e séries, em qualquer lugar do mundo — e dos softwares de computação e de busca e exibição de conteúdo, por meio de empresas como Microsoft, Google, Youtube e Netflix, por exemplo.

Junte-se a isso o domínio do armazenamento e do fluxo de informações pessoais, privadas e empresariais com o controle dos grandes cabos oceânicos — que quase sempre passam por território norte-americano — e o monitoramento de agências como a NSA e as grandes redes de TV aberta — o Brasil é emblemático neste caso — que têm de defender o american way of life para continuar dispondo de acesso a filmes e séries Made in USA — e percebe-se como é ingente a luta por oferecer alguma alternativa autóctone, do ponto de vista cultural e histórico, às populações de cada país e de cada região do mundo, e como são essenciais mecanismos que, com todos os seus defeitos, tornem possível disputar minimamente essa luta injusta e desigual de David contra Golias, como a tão criticada Lei Rouanet, os editais da ANCINE, ou o Fundo Setorial Audiovisual, que teve uma importante vitória, no início deste mês, quando o Supremo Tribunal Federal suspendeu liminar que desobrigava as grandes operadoras de telecomunicações — graças ao governo FHC, em sua maioria controladas por capital estrangeiro — de pagar a taxa do Condecine — destinada ao financiamento de produções nacionais de cinema e televisão — cuja arrecadação, neste ano, pode chegar a 1 bilhão de reais.

O controle do universo do entretenimento pelos EUA não drena apenas bilhões de dólares gastos por dezenas de milhões de brasileiros, a cada vez que eles vão ao cinema, pagam sua internet, compram um produto multinacional anunciado na TV aberta, veem um vídeo em um site de streaming, ou pagam a mensalidade da TV a cabo.

Ele também limita a imaginação, a capacidade de criação e de realização de gerações de lobotomizados e fecha a porta, a milhões de jovens, do entendimento real do mundo que os cerca, justamente na fase da vida em que se processa a sua formação, abrindo caminho — como diria a direita — para a implantação de “ideologias exógenas”, e para o culto a símbolos nacionais e a instituições — como as forças armadas — de outros países, em um processo de permanente, contínua, lavagem cerebral.

São coisas assim, aparentemente anódinas, que ajudam a explicar porque cada vez mais pessoas que até algum tempo atrás eram apenas imbecis simples, padrão 1.0, estão se transformando rápida e repentinamente, em imbecis-fascistas, babosos e pavlovianos, com a mesma velocidade de propagação viral geométrica com que multidões de figurantes atacados por mortos-vivos se contaminam, logo depois de serem mordidos, e se transformam — correndo para estraçalhar com os dentes em riste quem quer que surja à sua frente — nos ensanguentados e pavorosos zumbis dos filmes norte-americanos.
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Hoje 1º de abril, aniversário do golpe de 1964 apoiado pela Globo, tem manifestação

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Mesmo ausente, Globo se torna a principal protagonista da manifestação na praça da Sé

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Os repórteres da Globo não circulavam entre a multidão.

Ou, se o fizeram, foi de forma disfarçada.

Havia cartazes variados: contra Aécio, Alckmin e o juiz Sérgio Moro.

Um único lembrava a morte de Vladimir Herzog pela ditadura militar, cuja missa foi celebrada na Catedral da Sé.

O tema mais presente na manifestação desta tarde/noite na praça da Sé, em São Paulo, foi a emissora da família Marinho.

O famoso refrão contra a Globo só foi menos ouvido que o “não vai ter golpe — e vai ter luta”.

Havia cartazes feitos à mão e impressos. Dezenas deles. Um orador se referiu à emissora como a “central do golpe”.

E, não é para menos.

A manipulação noticiosa continua acelerada.

Como o jornalista Leandro Fortes denunciou, hoje, em seu Facebook:

O Globo Esporte mostrou a imagem de três idiotas com nariz de palhaço que invadiram o treino do Palmeiras com uma faixa louvando Sérgio Moro para xingar a presidenta Dilma. Mas não mostrou a faixa levantada ontem, no Mané Garrincha, pelas torcidas do Flamengo e do Vasco contra o golpe e pela democracia no Brasil. Essa gente não pode vencer.

As faixas a que ele se refere são estas:

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No Viomundo
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