25 de mar de 2016

Irmãos Koch: Partido mais secreto do mundo torra R$ 2,5 bilhões para implantar o ultraliberalismo


Um colega que estranhou a repentina força do liberalismo entre jovens brasileiros afirmou: quem sabe em 20, 30 anos, a gente vai descobrir o que realmente aconteceu. Imediatamente eu me lembrei da Operação Brother Sam, lançada pelos Estados Unidos em 1964: em caso de guerra civil, sustentaria os golpistas com armas e combustível.

Arrastei comigo para leitura uma edição recente da New York Review of Books e fiquei estupefato com o artigo A Nova Marca dos Irmãos Koch.

Eu desconhecia o lançamento do livro Dark Money: The Hidden History of the Billionaires Behind the Rise of the Radical Right, da repórter Jane Mayer.

É o mais completo relato, até hoje, de como um grupo de bilionários dos Estados Unidos, coordenado pelos irmãos Koch, montou um partido secreto que, pasmem, vai gastar U$ 889 milhões no ciclo eleitoral em andamento nos Estados Unidos (próximas eleições para a Casa Branca e o Congresso). A liderança do partido se reúne secretamente em resorts de luxo, conta com 107 escritórios e 1.200 funcionários em tempo integral. Isso é três vezes mais que o Comitê Nacional Republicano.

Bill McKibben, o autor da resenha do livro, resume: “Eles [os Koch] talvez sejam as figuras não eleitas mais importantes da História dos Estados Unidos”.

Não vou estragar a leitura de vocês. Farei um resumo rápido.

A fortuna dos Koch teve origem, pasmem, na União Soviética de Stalin, onde Fred Koch implantou um sistema para refinar petróleo que ele mesmo havia inventado. Ao se expandir, ele passou a frequentar a Alemanha de Hitler. Tornou-se um admirador a ponto de escrever, em 1938: “Tenho a opinião de que os únicos países sensatos do mundo são a Alemanha, o Japão e a Itália, simplesmente porque trabalham e trabalham duro”.

Fred foi um dos onze fundadores da John Birch Society, uma organização de extrema-direita dos Estados Unidos.

Dos quatro filhos de Fred, Charles foi o que seguiu mais de perto as ideias e os passos do pai. Ele estabeleceu uma rede política que serve aos interesses dos bilionários, embora nunca admita isso publicamente.

Muitos são, como a família Koch, envolvidos em negócios ligados à exploração de petróleo, carvão e gás.

A militância se concentra em algumas áreas:

1. Combater a interferência do governo em seus negócios, que causam graves danos ao meio ambiente;

2. Combater as teorias sobre o aquecimento global e, com isso, qualquer campanha por regulamentação;

3. Combater os impostos sobre os mais ricos.

Embora se apresentem como defensores da liberdade e da autonomia individual, na verdade “a ideologia deles é acima de tudo benéfica para os seus negócios”.

Diz o autor da resenha que quase todos os bilionários da rede organizada pelos irmãos Koch ganharam muito dinheiro com contratos governamentais e nunca rejeitaram os subsídios que, publicamente, dizem combater.

Os irmãos Koch organizaram uma rede de institutos de pesquisas e ONGs que fazem avançar seus interesses sem que os adversários políticos se dêem conta: Americans For Prosperity, Charles Koch Institute, Institute for Humane Studies, Cato Institute e muitos outros.

A ideia é conquistar uma militância política que, muitas vezes sem saber, está defendendo pontos-de-vista políticos que favorecem os interesses dos bilionários norte-americanos.

Em 2010, os Koch colocaram cerca de U$ 200 milhões em grupos ativistas “independentes”, mas alinhados ao Partido Republicano. Ajudaram o partido a ganhar 63 cadeiras no Congresso.

Também foram fundamentais para a eleição de 675 deputados estaduais, que terão a tarefa crucial de redesenhar os distritos eleitorais dos Estados Unidos. Isso vai facilitar a vida dos candidatos republicanos.

Assim, os irmãos Koch e sua rede bilionária de doadores é responsável pela guinada à direita dos republicanos e por definir uma agenda política muito próxima de seus interesses econômicos.

No campo não eleitoral, uma das grandes vitórias foi a campanha que levou a Suprema Corte a remover os limites para doações das grandes corporações. Segundo o livro, foi fruto de um longo trabalho de militância de bastidores financiado pelos Koch.

O livro joga luz num império de organizações de fachada que cultiva o sigilo. Fã e promotor do liberalismo dos austríacos Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, Charles Koch escreveu um artigo sobre como um grupo da periferia do sistema poderia chegar ao poder, surpreendendo outros atores políticos.

“De maneira a não despertar críticas indesejadas, como a organização é controlada e dirigida não deve ser motivo de publicidade”, definiu.

PS do Viomundo: Este assunto nos chama especialmente a atenção depois que uma certa Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, que tem entre seus componentes o movimento Vem Pra Rua, foi ao Congresso pedir “a rejeição à taxação de grandes fortunas e impostos sobre heranças, pautas que não constavam entre as reivindicações” apresentadas anteriormente, segundo o Estadão.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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O apelo homossexual do fascismo de Bolsonaro

Bolsomito no meio de seus seguidores: só meninos
Algumas coisas chamam a atenção na legião de seguidores de Jair Bolsonaro, o deputado que emergiu com mais força depois do último protesto antigoverno.

A primeira, óbvia, é o fanatismo. Bolsomito, como eles chamam, é incorruptível, infalível, inteligente, a encarnação do profeta.

A segunda é a truculência. Eles gostam de porrada, eles rejeitam qualquer crítica, eles xingam o que vêem pela frente, especialmente se as vítimas forem mais fracas.

A terceira, e esta é a mais interessante, é que são todos homens. Não propriamente homens — meninos. Há raríssimas fãs do sexo feminino.

Os rapazes idolatram o jeito de ele falar, a boca torta num esgar que fica mais estranho quando ele está nervoso, o jeito de ele andar, o jeito dele ser. Bolsonaro gosta de ficar entre esses machos e os machos gostam de estar com Bolsonaro.

A cada artigo sobre ele no DCM, essa meninada aparece aos magotes, revoltadíssima com qualquer coisa que conspurque a imagem de seu ídolo, e descrevendo um sujeito imaculado de alma e corpo.

Ele é um pop star do extremismo político, o homem dos sonhos para garotos plenos de testosterona. “Eu amo ele, sim!”, escreveu um bolsonarista em resposta a um artigo, no meio de ofensas pesadas.

Bolsonaro exerce um intenso apelo homoerótico sobre seu eleitorado. É o fascínio homossexual do fascismo, disfarçado sob a homofobia.

Os jihadistas de JB gostam de ficar entre si, de se amassar nos eventos do mito. Eles suam e se roçam e gritam em louvor ao chefe. Dispensam namoradas e esposas. Parte é misoginia, mas outra parte enorme é vontade mesmo de estar apenas entre homens exaltados.

Após a guerra, a parafernália nazifascista foi adotada por praticantes do sado masoquismo. Artistas embarcaram nisso. David Bowie, em sua fase gay no início dos anos 70, chegou a colecionar uniformes de oficiais da SS e foi preso na Polônia com eles.

Os membros da Escola de Frankfurt descreveram um “tipo de personalidade homossexual” entre os nazifascistas. As tendências de submissão masoquistas desse tipo o tornaram vulnerável ao apelo sedutor da causa.

Na Alemanha de Hitler, uma elite de homens firmemente unidos entre si e aduladores de um deus de bigode esquisito era a condição necessária para uma nação forte, pura, honesta e viril.

Segundo a professora Elizabeth D. Heineman, era o “Mannerbund” — que pode ser traduzido como “coletivo do sexo masculino” —, a união homens disciplinados física e mentalmente, sem distrações femininas, transformando seus laços profundos uns com os outros e com seu líder em potência. O eventual sexo entre eles era considerado um vínculo a mais.

É evidente que não há problema algum no hemoerotismo dos bolsonaristas. Ninguém tem nada a ver com isso. A questão é a histeria homofóbica deles e como esse caldo é transformado em virulência, intolerância e ditadura.

Bolsonaro, seus mancebos e o país que querem salvar só têm a ganhar quando se aceitarem como são.

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Kiko Nogueira
No DCM
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Um imbróglio em Lisboa


Quem se lembrou de uma coisa destas? Admitamos que o seminário “luso-brasileiro” que vai decorrer na Faculdade de Direito de Lisboa já estava programado antes da crise desencadeada pela golpaça político-judicial em curso no Brasil. Se assim for, há uma questão a que falta responder: como é que se lembraram de marcar um seminário sobre o futuro constitucional do Brasil (e de Portugal, olha só) para o 52º aniversário do golpe que derrubou um presidente eleito e instaurou uma ditadura militar? Como não há coincidências na vida, ou fugiu o pé para o chinelo ou é uma declaração de guerra com um atlântico pelo meio. Presumo que seja o chinelo.

Também não lembraria a ninguém que o vice-presidente brasileiro, e primeiro potencial beneficiário da eventual deposição de Dilma Roussef, escolha sair do país por uns dias precisamente quando o seu partido, o PMDB, tomará a decisão de sair do governo e se juntar aos parlamentares derrubistas. Mas é isso que anuncia o programa do evento. Pior, acrescenta outros pesos-pesados da direita, estes do PSDB, José Serra e Aécio Neves, sendo que o primeiro não estava previsto no programa original. O que os levaria a levantar voo do Brasil para se limitarem a conspirar por telefone?

Só haveria uma razão, procurarem um endosso internacional para as suas diligências, fazerem-se fotografar ao lado das autoridades de Portugal. Se era esse o objectivo, fracassou. Os serviços do Presidente português anunciaram que a agenda não lhe permite ir ao seminário e até o ex-primeiro ministro Passos Coelho se pôs de fora.

O detalhe da exclusão de Passos acrescenta ainda algum picante à história, dado que o Público revela que “já Jorge de Miranda garante que a presença do ex-primeiro-ministro levantou dúvidas quanto à pertinência académica do seu contributo”. Excelente: o seminário era de tão alta qualidade que os organizadores se esqueceram de consultar a “pertinência académica” do “contributo” dos oradores que convidaram. Passos deve estar reconhecido por mais esta. Paulo Portas, que também foi anunciado para o encontro, mantém-se mais discreto e, adivinho, de fora do imbróglio. Resta saber se Maria Luís Albuquerque, anunciada no Brasil como professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, abrilhantará o encontro com a sua presença.

Ficando deserto de autoridades, o seminário limitar-se-á então, se ainda se vier a manter com tantos abandonos, a uma conversa entre juristas e políticos brasileiros sobre a graça do golpe que está a decorrer. Suponho que só a TAP agradecerá a cortesia.

Nota (16.30, dia 24): o vice-presidente do Brasil cancelou a sua viagem. O benefício da TAP com o evento será mais reduzido.

Francisco Louçã
No Público
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Aécio disse a verdade sobre dinheiro que recebeu. Mas, falta saber: empresas que doaram R$ 60 milhões desde 2010 serviram de fachada para a Odebrecht?

O post da equipe de Aécio no Facebook e a sede de empresas que doaram uma enormidade, na Baixada
Fluminense
No conjunto de documentos apreendidos no apartamento do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, da empreiteira Odebrecht, três páginas chamam especialmente a atenção: é uma planilha impressa com o registro de doações de altos valores feitas por empresas de nomes e atividades modestas: a Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda. e a Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda.

Citado na contabilidade paralela da empreiteira, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, disse que as doações em nome dele e do PSDB foram legais e estão declaradas à Justiça Eleitoral. Fato.

Porém, uma consulta ao Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral mostra algo espantoso: juntas, a Praiamar, a Leyroz e sua sucessora, a Rof Comercial Impex Eireli, doaram mais de R$ 60 milhões a partidos e candidatos nas eleições de 2010, 2012 e 2014.

A pergunta é óbvia: as empresas serviram apenas de fachada para doações que, na verdade, partiram dos cofres da Odebrecht? Só a investigação da Polícia Federal poderá determinar.

Curiosamente, a Praiamar e a sucessora da Leyroz dividem endereço na rua Silva Fernandes, 184, no Parque Duque, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Uma sede modestíssima para quem jogou tanto dinheiro na política.

O senador Aécio Neves, em uma postagem no Facebook, admitiu ter recebido R$ 1.696.000,00 da Leyroz em 2010, quando foi candidato ao Senado.

Naquele ano a empresa fez doações a outros candidatos tucanos: José Anibal, Arthur Virgílio, Jutahy Magalhães Junior, Antero Paes de Barros, Antonio Duarte Nogueira Jr. e Bruno Araújo. Tudo com recibo e declarado.

A Leyroz também colocou dinheiro nas campanhas de José Serra ao Planalto (R$ 1,2 milhão) e Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo (R$ 600 mil).

Uma pergunta que não cala: por que uma empresa de Duque de Caxias, no Rio, doaria a um candidato a governador de São Paulo e a um político que pretendia se eleger deputado federal por Pernambuco?

No total, em 2010, a empresa de Duque de Caxias deu mais de R$ 4,5 milhões ao PSDB, cerca de 25% de suas contribuições eleitorais daquele ano.

Já a Praiamar doou mais R$ 1.300.000, 00 às campanhas do PSDB em 2010. Na lista do TSE, foram R$ 24 mil para o candidato ao Senado Aécio Neves, R$ 100 mil para o candidato ao governo paulista Geraldo Alckmin e R$ 300 mil para o postulante tucano ao Planalto, José Serra.

As doações eleitorais das empresas seguiram um patamar estranho.

A Leyroz doou mais de R$ 25 milhões em 2010, caiu para cerca de R$ 8 milhões em 2012 e desapareceu em 2014.

Já a Praiamar saltou de R$ 7 milhões em 2010 para cerca de R$ 21 milhões em 2012.

Nas eleições de 2014, a Leyroz foi substituída pela Rof Comercial Impex Eireli, com o mesmo CNPJ. Supostamente é uma empresa de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios.

Porém, o valor das doações das duas empresas caiu vertiginosamente naquele ano: juntas, a Praiamar e a Comercial Impex doaram “apenas” R$ 3,3 milhões a candidatos e partidos.

Registre-se que nas três eleições as empresas doaram democraticamente a candidatos e comitês de vários partidos.

Quem poderá desfazer o mistério em torno das empresas acima citadas? Simples: o executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa, que fazia o meio-de-campo entre a empreiteira e políticos. Por que planilhas com os nomes de duas delas estavam em seu poder?

Da mesma forma, dirigentes da Leyroz poderão dizer às autoridades qual o interesse tinham na eleição de tantos deputados, senadores e governadores em 2010, ou de vereadores em Viamão, Santana do Livramento, Esteio e outras cidades do Rio Grande do Sul, em 2012. Vai ser interessante acompanhar os depoimentos.

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No Viomundo
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O real significado da inclusão de Moro na lista da Fortune

Deslumbrado com uma lista de uma revista semimorta
Um dos traços mais cômicos da imprensa nacional é seu provincianismo.

Basta qualquer publicação americana ou inglesa dar qualquer coisa e é um barulho de colocar tapa-ouvidos.

Agora é a vez de darem triunfalmente uma lista de líderes internacionais da revista americana Fortune segundo a qual Moro, o homem dos grampos criminosos, aparece na 13ª colocação.

Duvido que algum editor saiba o que é a Fortune. Ou o que foi.

Sei, porque a li devotadamente toda quinzena em meus vários anos de diretor de redação da Exame, nos anos 1990.

A Fortune, revista de negócios, fazia parte do chamado Big Three. Eram as três maiores publicações de negócios dos Estados Unidos e do mundo: Fortune, Forbes e Business Week. Eram referências para qualquer executivo de qualquer parte, e de jornalistas que como eu militavam na área.

Todas elas foram varridas pela internet. Há muitos anos agonizam. Foram muito, já não são nada.

Ninguém as lê, ninguém as cita, ninguém as leva a sério. Exceto a imprensa brasileira, quando conveniente, como no caso de Moro.

Acompanhei o declínio de cada uma delas, por razões sentimentais e profissionais.

Lembro-me de uma conversa que tive, em meados da década de 2000, com Roberto Civita. Ele não conseguia entender como uma revista como a Business Week acabara de ser vendida por UM dólar.

Claro que era UM dólar e mais as dívidas, mas mesmo assim foi um golpe para RC, até porque ele viu ali um destino possível, se não provável, para suas revistas.

A Forbes teve também um destino melancólico. Era uma caricatura do que fora quando o capital chinês a comprou da família Forbes. A Forbes vegeta por aí, em sua irrelevância avassaladora.

A Fortune é um caso parecido. Seus donos, do grupo Time Warner, tentaram se desfazer dela e das demais revistas da corporação, mas não encontraram quem comprasse.

Desprezada na própria empresa, rejeitada pelo mercado, ignorada pelo público, a Fortune é um zumbi editorial.

Não vale absolutamente nada — a não ser, como agora, para que a imprensa brasileira possa promover Moro.

Ele próprio pareceu deslumbrado com a notícia de que estava em 13º lugar numa lista da qual ninguém quer saber. Gabou-se, segundo o amigo Globo, de estar na frente de Bono.

Isso me lembra o dia já distante em que fui a uma cidadezinha remota fazer uma palestra sobre jornalismo. Apareci na coluna social do jornal da cidade. “O importante jornalista Paulo Nogueira nos honra com sua visita”.

A diferença é que eu ri.

A imprensa nacional, seus leitores lobotomizados e o próprio Moro levam a sério

Paulo Nogueira
No DCM
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Mico internacional: Embaixada da Itália desmente capa da Veja sobre Lula

Em sua mais recente manchete de capa, a revista inventou que o ex-presidente teria um “plano secreto” de pedir asilo à Itália como forma de evitar a prisão; embaixada do país europeu divulgou nota desmentindo todas as informações, inclusive a foto que foi utilizada

Depois de ter inúmeras reportagens desmentidas por pessoas e empresas no Brasil, a revista Veja foi, nesta sexta-feira (25), acusada pela Embaixada da Itália de divulgar informações inverídicas.

A capa da revista divulgada nesta quinta-feira (24) trás a seguinte manchete: “O plano secreto de Lula para evitar a prisão: pedir asilo à Itália e deixar o Brasil”.

Na reportagem, os jornalistas da revista da editora Abril afirmam que o ex-presidente estaria conversando com diplomatas italianos pois sua família teria dupla cidadania no país, o que facilitaria o pedido de um asilo sob a alegação de perseguição política.

Não durou nem 24 horas para que a resposta da Embaixada, divulgada por meio de nota, viesse à tona.

Confira abaixo a nota traduzida:


“Em relação à matéria “O plano secreto” publicada na última edição da revista Veja, a Embaixada da Itália declara:

1. As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do Embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas.

2. Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o Embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente. O Embaixador Trombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático.

3. Na conversa telefônica citada, foi dito ao jornalista que não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes.”
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Arquivo da Odebrecht acusa MP de proteger políticos

Análise da companhia diz que empreiteiras e outros fornecedores da Petrobras foram achacados desde a década de 1990 para financiar projetos de poder

Documento situa empreiteiras como vítimas da classe política
Um documento apreendido pela Polícia Federal no escritório da empreiteira Odebrecht, no Rio de Janeiro, durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, acusa procuradores do Ministério Público Federal (MPF) de proteger políticos com mandato para não perder a alçada das investigações e dos julgamentos em curso. A análise, feita para consumo interno da companhia, diz que os procuradores “querem julgar rapidamente os empresários como os responsáveis pelas mazelas da corrupção no país, tornando-se heróis da pátria, julgando somente uma parte do problema, como se esta fosse causa principal”.

E deduz: “Talvez porque considerem que a verdadeira causa, que será julgada pelo STF, vai acabar em pizza”.

O documento com sete páginas e sem assinatura é parte de um exame mais extenso sobre a situação geral das empreiteiras. O texto acusa o MPF de adotar uma “interpretação corporativa e leviana, que só aborda um lado da questão” da corrupção no país. Disponibilizada pelo juiz Sérgio Moro, a peça não tem data ou timbre da Odebrecht. Junto com extratos bancários e uma lista com nomes de centenas de políticos de 24 partidos que receberam ajuda financeira da companhia, o texto foi resgatado no escritório de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, diretor da Odebrecht, e faz parte do item 8 do auto de apreensão 195/2016.

A análise cita fatos recentes da crise política e acusa o trabalho da Lava Jato de ser uma “distorção da realidade”, e não “a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve”. Escrito para servir de defesa das empreiteiras, o documento acusa os procuradores do caso de atribuir “à organização do esquema de corrupção às empreiteiras, não ao governo, tratando financiamento de partidos políticos como uma consequência, não como origem e objeto central do esquema de corrupção”.

O texto considera uma boa iniciativa do MPF a criação do site específico para informar à população sobre suas atividades no combate à corrupção por meio da Lava jato. Mas alerta que “seria necessário aprofundar as investigações antes de, apressada e superficialmente, contar mentiras no site”. A análise considera as empreiteiras vítimas dos políticos: “Definitivamente, as informações já disponíveis, aí incluídas as delações premiadas, indicam que não foram as grandes empresas de construção de engenharia industrial as responsáveis iniciadoras da corrupção na Petrobras”.

Capa do documento com a análise da Odebrecht
Sem citar nomes ou partidos, a peça também faz uma análise da atuação das empreiteiras desde a década de 1980. Alega que o Estado desempenhava o papel central de investidor nos grandes empreendimentos na área de infraestrutura e na implantação da base industrial do país. A análise diz que o planejamento e os projetos executivos eram de responsabilidade do Estado, que priorizava os investimentos, definia as políticas e subsídios para cada setor e os orçamentos. Segundo o documento, imperava “a irresponsabilidade fiscal na execução dos contratos”. Na década de 1990, ainda segundo o texto, o processo de privatização de alguns segmentos destinou às empresas a elaboração de projetos executivos, o que transformou as construtoras em empreiteiras de obras e responsáveis por todas as fases da obra, com exceção da licitação.

Desmando e conivência

A análise, na verdade um reforço da defesa das empreiteiras, diz que a Petrobrás adotou o modelo de farm out, delegando a terceiros os investimentos que a estatal precisaria fazer, mas não dispunha de recursos. O documento elogia o rigor das áreas técnicas da petrolífera e a qualidade dos seus executivos. A estatal, segundo o texto, sempre pode “impedir a formação de cartéis de fornecedores, de projetistas e de empreiteiros”. O material acusa a companhia de ser conivente com os desmandos descobertos agora na Lava Jato.

“Não dá para acreditar que grandes empresas concorrentes pudessem iniciar uma cartelização pura a ponto de subjugar uma empresa do porte da Petrobrás, sem o seu conhecimento e a sua vontade”, diz outro trecho do material.

Para justificar seu entendimento, a análise apreendida na Odebrecht alega que a relação das empresas concorrentes e fornecedoras da Petrobrás não é amistosa e que a competição entre elas é bastante acirrada, além da capacidade de julgamento da área de engenharia da companhia com profissionais experientes, sérios e isentos. “É a Petrobrás que licita. É ela que decide a quais empresas serão enviadas as Cartas Convites”, diz o texto.

Documento é apócrifo
O documento alega que os casos investigados pela Operação Lava Jato “nasceram, em certas áreas da Petrobrás, do achaque, da concussão, de empresas prestadoras de serviços e fornecedoras que, evidentemente aceitaram praticar o sobre-preço em benefício de agentes públicos, políticos e seus partidos, com a participação de doleiros para a lavagem do dinheiro”.

A análise lembra que a corrupção, ao contrário do que diz o site dos procuradores da Lava Jato, não teria nascido das empreiteiras, e sim na estatal. “Ao contrário, tais empresas, com longa tradição de prestação de serviços à Petrobrás, dentro da maior lisura, forçadas a contribuir para projetos de poder, começaram a aceitar participar de práticas criminosas para poder conquistar contratos e cobrar seus recebíveis”, acrescenta o documento.

Em nota encaminhada à reportagem, procuradores da Lava Jato diz desconhecer o documento. “A Força Tarefa Lava Jato não tem conhecimento sobre este documento e seu teor. Contudo, no site da operação (www.lavajato.mpf.mp.br) podem ser encontradas todas as informações sobre as investigações, a deflagração das fases e oferecimento de denúncias desde o início dos trabalhos, no ano de 2014. A evolução das investigações levou ao desvelamento do esquema de corrupção primeiramente frente aos núcleos de operadores financeiros (doleiros) e, posteriormente, avançando até chegar aos núcleos de agentes públicos (ex-diretores), núcleos de empresários e, por fim, de agentes políticos. O site é atualizado conforme o avanço das investigações”, explicou o órgão.

A assessoria de imprensa da empreiteira Norberto Odebrecht não se pronunciou sobre o documento. Já os procuradores da Operação Lava Jato foram procurados para comentar o assunto, mas ainda não deram retorno aos contatos.

No Congresso em Foco
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O aviso da Força Tarefa à Odebrecht: ou denuncia Lula, ou vão para o tronco


A matéria do Estadão, repetida em diversos portais, é claríssima, apesar da vergonha dos redatores que não lhe puseram o título óbvio.

“Promotores pedem a cabeça de Lula como condição de acordo com a Odebrecht”.

O resto — só um “restinho”: Aécio, Serra, Sarney, Renan, Cunha, Cabral, Pezão, Alckmin e os outros 300 que aparecem na estranhíssima lista, ao que parece guardada para ser oferecida no momento preciso — não vem ao caso.

Ao que parece, a mesma condição que teria sido dada ao pai de Marcelo Odebrecht pela Globo, segundo o Diário do Centro do Mundo, quando este procurou a Suprema Corte da mídia:

‘Fala para o Marcelo entregar o Lula que a gente ajuda.’

O desespero desta gente é dramático: não há negócios que comprometam Lula, não há papéis que comprometam Lula, não há contas secretas no exterior ou offshores que comprometam Lula.

Então precisam de uma arrancada palavra que comprometa Lula, algo tão incrível quanto um Presidente da República ter entregue uma refinaria de bilhões, um navio-sonda de bilhão, obras de centenas de milhões em troca de uns pedalinhos, uma reforma de cozinha, um puxadinho num sítio, e depois que deixasse o Governo.

Mesmo esquecendo Lula por um momento, é inacreditável o que se faz com uma das únicas empresas brasileiras de projeção mundial, por dançar a mesma música que dança há meio século de convivência com a política brasileira, que era, certamente, tangida por anjos até 2002.

Esqueçamos também, por um instante apenas, as questões políticas: que valor pode ter uma “delação” cujos termos são determinados por aqueles que têm o poder de querer ou não transigir, reduzir ou eliminar penas?

“Se não dedurar fulano, nada feito”!

O MP e Moro, nesta Semana Santa, estão dispostos a soltar Barrabás, centenas deles, para levar Lula à cruz.

Sem ter nenhuma simpatia por empreiteiros, registro meu respeito a este rapaz, Marcelo Odebrecht, torturado com a prisão “preventiva” durante nove meses, até agora inúteis para se se tornasse um Judas.

Em tudo o que ele vier a dizer, agora, haverá a indelével marca da tortura psicológica, coisa de meganhas brutais que dizem: “fala o que eu quero ou vou te fazer mofar na cadeia”,

E o fizeram, sob o beneplácito de cortes superiores que se revelaram incrivelmente inferiores diante da “opinião que se publica”.

Daniel Dantas, por mandar oferecer propinas a policiais, foi solto em um dia.

O estuprador Roger Abdelmassih, antes foragido, foi solto por decisão de Gilmar Mendes.

Agora, numa perversão macabra, exige-se que um preso até há pouco sem condenação — e condenação na Vara de Moro é quase automática — entregue a cabeça de Lula, a menos que queria mofar eternamente na cadeia e ver seu império empresarial destruído.

Pode-se esperar muito da “colaboração ” da Odebrecht, menos a sinceridade.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Globo deturpa notícia para tentar justificar o golpe após repercussão internacional — assista


Após uma repercussão negativa na imprensa internacional, que em grande número de veículos vê a democracia brasileira ameaçada por um golpe parlamentar, o Jornal da Globo e o Jornal Nacional exibiram uma mesma reportagem, pela primeira vez, na defensiva em relação ao processo de impeachment.

Esta semana publicações como o Der Spiegel (Alemanha), BBC (Inglaterra), El País (Espanha), Público (Portugal), The Guardian (Inglaterra), Página 12 (Argentina) e até mesmo a rede de televisão Al-Jazeera, entre outras, denunciaram a ameaça contra a democracia brasileira. 

Mesmo no Brasil vem crescendo o entendimento de que o processo conduzido por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com o apoio do DEM e PSDB, partidos cada dia mais atolados em esquemas de corrupção, é um golpe parlamentar. Esta semana, o ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira disse  que considera o processo de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff um “golpe branco”. Segundo ele, a crise atual repete as que antecederam as quedas dos ex-presidentes Getúlio Vargas e de João Goulart.

Para combater o crescimento desse entendimento, a reportagem do Jornal Nacional tentou justificar o impeachment deturpando o discurso dos que consideram o atual impeachment como um golpe.

A reportagem da Globo afirmava que a presidente Dilma Rousseff ou qualquer pessoal que compara o atual impeachment como golpe estava se referindo à prerrogativa constitucional do impeachment e não ao processo originado nas ‘pedaladas fiscais’ e  promovido por parlamentares acusados de corrupção e da própria base governista.



Daí, sem qualquer constrangimento, a Globo entrevistou o ministro do Supremo, Dias Toffoli, perguntando: o impeachment é golpe? O ministro, obviamente, respondeu que impeachment está previsto na Constituição.

Assim também fizeram com relação à ministra Carmem Lúcia, também do Supremo. Ela respondeu corrigindo o repórter que havia afirmado que Dilma Rousseff disse que impeachment é golpe. “Eu tenho certeza que a presidente deve ter dito que, é que se não se cumprir a Constituição, poderia haver algum desbordamento. O que não pode acontecer, de jeito nenhum, é um impeachment sem a observância das regras constitucionais”.

Traduzindo: se a Constituição for desrespeitada, e esse é o entendimento, impeachment é golpe. Veja a reportagem.

Veja alguns links de notícias internacionais:

1- A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil – Publico – Portugal

2- Golpe frio no Brasil – Der Spiegel – Alemanha

3- Juiz Moro pode ter ido longe demais – The Economist – Inglaterra

4- Juízes justiceiros que sonham com Watergate – El País – Espanha

5- The Listening Post (Full) – Dilma Rousseff’s Watergate – Al Jazeera – Emirados Arábes

6- O Brasil perante o abismo – El País – Espanha

7- Os deslizes do juiz Sérgio Moro – The Huffington Post – Estados Unidos

No Carta Campinas
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Por que os patrões querem o golpe?

O golpe na democracia brasileira viria para quebrar de vez este movimento de crescimento de lutas classistas e de conquistas de direitos.


Como num cassino macabro, os grandes grupos financeiros estão especulando e apostando abertamente no fim da democracia brasileira. Como se noticiou no UOL, no jargão do mercado, a partir das manifestações pró-impeachment do dia 13 de março e da avaliação de um iminente desmoronamento da coalizão governista no Congresso Nacional, o “cenário-base” que prevê a derrubada do governo Dilma estaria na ordem de possibilidade de 65 % a 75 % entre os analistas de grandes instituições de consultoria financeira. O dólar flutua para baixo e as bolsas para cima, ao sabor das especulações.

Provavelmente, os analistas internacionais e nacionais de mercado diminuíram estes percentuais nos últimos dias diante da escala grandiosa das manifestações do dia 18 de março em favor da legalidade democrática, das turbulências e ilegalidades flagrantes que ameaçam a legitimidade da Operação Lava-Jato e de uma renovada iniciativa do governo Dilma na organização da resistência parlamentar (ver posições críticas ao golpe do presidente do Senado, o racha iminente do PMDB, a disputa voto a voto na comissão parlamentar que fará a primeira votação sobre a aceitação ou não do pedido de impeachment).

O fato é que, após o editorial do New York Times do dia 18 de abril, o The Economist dá uma capa em favor do afastamento da presidente eleita do Brasil. Não há mais dúvida que o capital financeiro internacional, com sua força geo-política, está apoiando e organizando o golpe na democracia brasileira.

Não é preciso se valer aí de nenhuma hipótese especulativa de conspiração. Nestes tempos de espetacularização da política, os golpistas não apenas deixam pistas, mas produzem símbolos midiáticos em série. Armínio Fraga — o ex-ministro da Fazenda de Aécio Neves — apareceu em Brasília como o terceiro personagem de um almoço que reunia Serra e Gilmar Mendes.

Em um artigo publicado nesta mesma Agência Carta Maior, em dezembro de 2014, “Um escândalo chamado Armínio Fraga”, documentávamos a presença deste homem de Wall Street e do grande banco norte-americano JP Morgan como orgânico a toda estratégia do PSDB nas eleições. O PSDB havia migrado definitivamente da condição de um partido da Avenida Paulista para Wall Street, organizando um novo programa radical neoliberal de guerra aos direitos sociais e de privatização do setor público brasileiro. Em março de 2014, Emy Shayo, analista do JP Morgan, havia coordenado uma mesa entre publicitários conservadores brasileiros com o tema “Como desestabilizar o governo Dilma?”. No momento decisivo do final do primeiro turno das eleições de 2014, foi novamente o JP Morgan quem organizou um seminário de grandes banqueiros de Wall Street para ouvir Fernando Henrique Cardoso e sua diretiva de apostar as fichas em Aécio Neves e não em Marina Silva para a disputa do segundo turno.

Foi apenas em 1981, dezessete anos após o golpe militar, com o trabalho de René Armand Dreifuss, no livro “1964: A conquista do Estado ( Ação política, poder e golpe de classe)”, apoiado em ampla documentação resultante de pesquisa em arquivos norte-americanos, que o caráter classista do golpe de 1964 foi ao centro das análise. Ele documentou as relações entre o IPES/IBAD e os lobbies de financiamento americano para a eleição de deputados golpistas desde 1962 até a campanha de desestabilização final do presidente Jango Goulart. Certamente, as ilusões pecebistas sobre a existência de uma burguesia nacional progressista dificultaram e retardaram este entendimento.

Hoje, para derrotar o golpe é preciso denunciar centralmente o seu caráter patronal. A Fiesp, a Firjan, as Federações do Comércio de São Paulo, a Associação Brasileira da Indústria Eletrônica e Eletrodomésticos ( Abinee), entidades empresariais do Paraná, Espírito Santo, Pará e muitas redes empresariais estão já em campanha aberta pelo fim da democracia no Brasil.

Por que o capital financeiro e, cada vez mais, os grandes empresários brasileiros estão movendo e se movendo em direção ao golpe?

Três razões

A primeira razão está bem enunciada no documento do Dieese sobre o balanço das greves em 2013, uma dinâmica que prosseguiu em grandes linhas até o final de 2014. Enquanto todos os olhos estavam voltados para as espetaculares manifestações de ruas de junho de 2013, estava se registrando o maior ciclo grevista de luta dos trabalhadores por seus direitos desde que a série histórica se iniciou em 1978. Se em 2012 havia ocorrido em todo o país 877 greves, em 2013 esta dinâmica saltou para 2050 greves!. O número de horas paradas que havia sido de 86.921 em 2012, saltou para 11.342 horas paradas em 2013, envolvendo dois milhões de grevistas. Pelo acompanhamento do Dieese, 80 % dos movimentos grevistas obtiveram êxito! A forte ampliação do número de grevistas, de greves e horas paradas, na avaliação do documento do Dieese, correspondia a um desbordamento do centro para a periferia, das categorias tradicionalmente mais organizadas para aquelas com menor tradição grevista, em um quadro de menor desemprego e maior formalização do mercado de trabalho.

O golpe na democracia brasileira, viria, então, quebrar de vez este movimento ascensional de lutas classistas e de conquistas de direitos. A “eleição” de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, sob pressão do mercado financeiro, revelou-se um instrumento instável, insuficiente e inseguro. Seria preciso, por o governo do Brasil, com sua força, seu poder repressivo e seu poder de agenda em choque frontal com o movimento classista democrático dos trabalhadores.

A segunda razão está didaticamente exposta em um documento do Diap, assinado por Antônio Carlos Queiroz. Ele elencou cinqüenta projetos de lei anti-trabalhadores e anti-populares, racistas e machistas, em andamento no Congresso Nacional que, em seu conjunto, desorganizam todo o sistema de direitos democráticos previstos na Constituição de 1988 e acumulados pelas lutas dos movimentos sociais desde então.

Entre eles, na Câmara Federal, a terceirização total das relações de trabalho, a prevalência do negociado sobre o legislado e o impedimento do empregado demitido reclamar na Justiça do Trabalho seus direitos. Até a legislação que coíbe o trabalho escravo seria adulterada! No Senado, a regulamentação e retirada do direito de greve dos servidores públicos, a privatização das empresas públicas, a independência do Banco Central. Estão previstas, a desvinculação dos recursos orçamentários de porcentuais obrigatórios para a saúde e a educação pública, a desindexação do reajuste anual do salário-mínimo em relação à inflação e ao crescimento do PIB, a desindexação do piso dos benefícios previstos previdenciários e assistenciais do valor do salário-mínimo. Seria iniciado, então, um novo ciclo de arrocho salarial e de destruição das políticas públicas no Brasil.

A terceira razão é de ordem geo-política e econômica e diz respeito à política externa soberana do Brasil, à política para os Brics, à posição da Petrobrás no mercado mundial de petróleo, ao peso do Brasil no recente ciclo progressista e distributivo das democracias na América Latina. O golpe viria criar uma nova época de domínio norte-americano na América Latina, impondo um novo cerco à revolução cubana em crise. Ao mesmo tempo, trilhões de dólares do patrimônio do Estado brasileiro seriam colocados à disposição da rapina do capital financeiro internacional.

Como alerta Antônio Carlos Queiroz, seria necessário após o golpe criminalizar o movimento sindical brasileiro em larga escala, mais além dos movimentos sociais. Não se aplica um programa tão radicalmente anti-popular sem doses maciças de violência.

A assembléia dos quatro mil operários da Ford contra o golpe, em São Bernardo do Campo, e a bela e decisiva reunião de Lula com lideranças sindicais, de todo o país, de sete centrais brasileiras, neste dia 23 de março vem estabelecer um novo marco na luta classista democrática contra o golpe dos patrões.

Juarez Guimarães
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Bresser-Pereira no Espaço Público


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Como votam os membros da Comissão da Câmara

Basta um voto dos indecisos


Este quadro sobre a tendência de voto na comissão que analisa o impeachment (ver abaixo) foi produzido pelo Diap. O levantamento, segundo o assessor parlamentar em Brasilia, foi feito em consultas com os parlamentares, um por um.

Basta um dos quatro indecisos nao querer o impeachment, para que seja derrotado na Comissão.

E olha que essa Comissão foi montada, em boa parte, pelo grande estadista Eduardo Cunha.

No plenário, a posição do Governo é muito mais confortável.

No plenário, basta o Governo conseguir 171 votos num total de 513 deputados.

Numa votação de cara aberta.

E se o Governo ganhar?

Como ficam os valentes Golpistas?

Porque, como diz o Conversa Afiada, eles não têm os votos — nem líderes!


Informações Legislativas – 21 de março de 2016

Cronograma do Impeachment na Câmara dos Deputados

Data                 Evento

18/03 — Início da contagem do prazo de 10 sessões para que a presidente apresente sua defesa na Comissão da Câmara

25/03 — Feriado (não há sessão)

01/04 — Último dia do prazo de 10 sessões para a presidente apresentar sua defesa

08/04 — Apresentação do parecer do relator e possível pedido de vista

12/04 — Votação do parecer na Comissão e encaminhamento à Mesa da Câmara

13/04 — Leitura e publicação do parecer no Diário da Câmara

15/04 — Inclusão do parecer na Ordem do dia após 48 horas de sua publicação

20/04 — Discussão e votação do parecer do relator no plenário da Câmara. Se rejeitado, o pedido é arquivado. Se aprovado o processo, segue para o Senado.

Posicionamento dos deputados
Partido Contra o Impeachment A favor do impeachment Indefinido
PMDB Leonardo Picciani (PMDB-RJ)
João Marcelo Souza (PMDB-MA)
Washington Reis (PMDB-RJ)
Valtenir Pereira (PMDB-MT)
Leonardo Quintão (PMDB-MG)
Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)
Osmar Terra (PMDB-RS)
Mauro Mariani (PMDB-SC)

PT Zé Geraldo (PT-PA)
Pepe Vargas (PT-RS)
Arlindo Chinaglia (PT-SP)
Henrique Fontana (PT-RS)
José Mentor (PT-SP)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Vicente Candido (PT-SP)
Wadih Damous (PT-RS)


PSDB
Bruno Covas (PSDB-SP)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Jutahy Junior (PSDB-BA)
Nilson Leitão (PSDB-MT)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Shéridan (PSDB-RR)

PP Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Paulo Maluf (PP-SP)
Roberto Britto (PP-BA)
Jerônimo Goergen (PP-RS)
Júlio Lopes (PP-RJ)

PR Maurício Quintella Lessa (PR-AL)
Édio Lopes (PR-RR)
José Rocha (PR-BA)
Zenaide Maia (PR-RN)


PSD Rogério Rosso (PSD-DF)
Paulo Magalhães (PSD-BA)
Júlio César (PSD-PI)
Marcos Montes (PSD-MG)

PSB
Fernando Coelho Filho (PSB-PE)
Bebeto (PSB-BA)
Danilo Forte (PSB-CE)
Tadeu Alencar (PSB-PE)

DEM
Mendonça Filho (DEM-PE)
Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Elmar Nascimento (DEM-BA)

PTB Jovair Arantes (PTB-GO)
Luiz Carlos Busato (PTB-RS)
Benito Gama (PTB-BA)
PRB

 Jhonatan de Jesus (PRB-RR)
Marcelo Squassoni (PRB-SP)
SD
Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força) (SD-SP)
Fernando Francischini (SD-PR)

PSC
Eduardo Bolsonaro (PSC-SP)
Pastor Marco Feliciano (PSC-SP)

PROS
Eros Biondini (PROS-MG)
Ronaldo Fonseca (PROS-DF)

PDT Flavio Nogueira (PDT-PI)
Weverton Rocha (PDT-MA)


PSOL Chico Alencar (PSOL-RJ)

PTdoB Silvio Costa (PTdoB-PE)

REDE

Aliel Machado (REDE-PR)
PSOL Chico Alencar (PSOL-RJ)

PMB

Welinton Prado (PMB-MG)
PHS Marcelo Aro (PHS-MG)

PTN Bacelar (PTN-BA)

PEN Junior Marreca (PEN-MA)

PCdoB Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

PPS
Alex Manente (PPS-SP)
PV
Evair de Melo (PV-ES)
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Tomando No Cunha


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Camila Lanes, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas


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Marilena Chauí no Tuca


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Deputado Paulo Pimenta denuncia acordo de 13 pontos dos golpistas


O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) acaba de publicar no seu perfil do Twitter um acordo de 13 pontos que, segundo ele, faria parte do roteiro do golpe. Entre outras coisas, Pimenta diz que os defensores do impeachment teriam acertado a ampliação do STF para 15 cadeiras e a retirada da Lava Jato das mãos de Sérgio Moro. Segue ponto a ponto.


























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¿Chávez asesinado por su asistente personal? EE.UU. trata de cubrir sus huellas en el caso

Actualmente el exguardia de Chávez se encuentra en EE.UU. bajo protección federal y da testimonios en una amplia gama de temas que implican a varias figuras del Gobierno venezolano.


La abogada, escritora e investigadora Eva Golinger ha cuestionado repetidamente las circunstancias sospechosas que rodean la muerte del expresidente de Venezuela, Hugo Chávez. "La enfermedad cancerosa de la que Chávez sufrió fue inusualmente agresiva y sospechosa, y cada día se convierte más en una evidencia de que es posible que Chávez fue asesinado", escribe Golinger en su blog para RT. "Todo lo que Washington estaba tratando de lograr durante el gobierno de Hugo Chávez hoy en día se está realizado en su ausencia", añade, refiriéndose a los posibles autores de la muerte del líder bolivariano.

La periodista también presta atención a una de las personas más cercanas a Chávez, el asistente personal, Leamsy Villafaña Salazar, y sus posibles vínculos con la muerte del exmandatario, que se hacen más y más evidente con "solo saber que uno de sus edecanes más cercanos durante años, quien estuvo a solas con él y quien le llevaba su comida, su café, su agua, hoy es un testigo protegido en Estados Unidos". "Las acciones ocultas de Leamsy Salazar y su íntima colaboración con las agencias de inteligencia de Washington pronto se darán a conocer", afirma la investigadora.

Mientras tanto, en su artículo para la Fundación de la Cultura Estratégica el periodista y escritor Nil Nikandrov se ha adentrado en el tema de la relación entre la inteligencia estadounidense y exguardia de alto rango venezolano y su rol en la muerte de Chávez.

Datos escasos sobre la vida y el servicio del exguardia

El periodista señala que su nombre fue rara vez mencionado en los medios de comunicación, mientras que el expresidente estaba vivo. Debido a la naturaleza de su trabajo Leamsy Villafaña Salazar evitaba la publicidad, no le gustaba ser fotografiado y siempre trataba de permanecer en las sombras. Chávez lo consideraba un agente confiable, incorruptible y un oficial bolivariano profesionalmente entrenado.

Por extraño que parezca, se sabe muy poco acerca de la figura de Salazar, y los datos disponibles en su mayoría provienen de las fuentes estadounidenses. De acuerdo con ellas, el exmilitar nació en 1974 en la capital venezolana. Después de la secundaria ingresó en la academia naval, de donde se graduó en 1998. En 1999, Salazar fue elegido para ser un guardia de honor presidencial, luego Salazar se convirtió en un asistente personal de Chávez. Después del intento del golpe de Estado del 2002, Salazar fue inesperadamente mandado a una base naval en la provincia de Punto Fijo (Estado Falcón), pero en 2006 Chávez ordenó su regreso a sus antiguas funciones en el equipo de seguridad.

Tras la muerte de Chávez, Salazar proporcionaba seguridad al presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello. No obstante, el debate sobre las causas de la muerte del exmandatario y sobre los personajes que podrían estar involucrados en el caso hizo a Cabello dudar de su persona y pedir al Ministro de Defensa transferirlo a otro puesto.

La fuga a EE.UU.

En algún momento durante este período Salazar se casó con su segunda esposa, Anabel Linares Leal, graduada de la academia militar del país. Durante un tiempo Anabel trabajó con las cuentas financieras de las Fuerzas Armadas de Venezuela en el Banco Bicentenario, que sugiere que ella tenía acceso a información secreta sobre las compras de armas en el extranjero. Los recién casados ​​solicitaron a las autoridades venezolanas el permiso para viajar a la República Dominicana para su luna de miel. No obstante, desde la capital dominicana, Santo Domingo, la pareja de improviso se dirigió a España de donde un avión especial que pertenece a la Administración estadounidense para el Control de Drogas (DEA, por sus siglas en inglés) llevó a Salazar y su familia a EE.UU.

Narrando la historia de Salazar, los medios internacionales, por su parte, aseguran que mientras Chávez estaba vivo, él fue un fiel "comprometido bolivariano", pero después de su muerte Salazar había decidido romper con el "régimen", por lo que había llevado a cabo negociaciones secretas con la DEA durante 13 meses, no solo para organizar su fuga, sino también para obtener ciertas promesas con respecto a su propia seguridad, así como la de su esposa e hijos. Cabe señalar que ninguna fuente menciona la participación de la CIA en el caso, solo la de la DEA. La razón de ello, de acuerdo con Nikandrov, es muy clara: la CIA es una agencia de espionaje, y cualquier indicador de posibles lazos secretos de muchos años con esta "oficina de sicarios" podía poner en peligro la vida de Salazar, sabiendo que el Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (SEBIN) investigaría la posibilidad de su participación en el asesinato de Chávez.

Colaboración con la inteligencia de EE.UU.

Ahora la pareja vive en EE.UU. bajo protección federal, y da testimonios en una amplia gama de temas, principalmente en la supuesta "participación" de varias figuras del gobierno bolivariano en el tráfico de drogas, incluidos los líderes militares. El periodista señala que mucho antes de que Salazar realizara su fuga de Venezuela, las agencias de inteligencia estadounidenses habían comenzado a plantar información falsa en los medios de comunicación acerca de la existencia de un denominado Cártel de los Soles, que supuestamente era dirigido por Diosdado Cabello y un grupo de generales venezolanos. El político, por su parte, fue comprometido como medida preventiva, ya que las agencias de inteligencia estadounidenses lo vieron como el más probable sucesor de Chávez. Así, inmediatamente después de su fuga, Salazar fue reclutado en esta campaña de difamación contra Cabello.

Mientras tanto, los medios de comunicación proestadounidenses hacen todo lo posible para pasar por alto las preguntas que inevitablemente surgen acerca de la participación de Salazar en los preparativos para el asesinato de Chávez, afirmando que no puede haber ninguna duda de que fue un fiel servidor de la República Bolivariana e idolatraba a Chávez hasta que se enteró de los supuestos vínculos de los altos cargos del país con el tráfico de drogas.

Sin embargo, la investigación realizada por el SEBIN plantea dudas acerca de la 'rectitud impecable' de Salazar. Incluso su madre ha admitido que el trabajo en la guardia presidencial pesaba sobre él, pero su hijo no tenía ninguna prisa en distanciarse de Chávez, porque el principal empleador de Salazar era otra persona que insistió estrictamente en seguir ejerciendo sus funciones.

Intentos de EE.UU. para cubrir las huellas

El experto señala que el 'zumbido' de los informes en los medios proestadounidenses sobre "tráfico de drogas" de los líderes de Venezuela se hace cada vez más fuerte. De acuerdo con Nikandrov, el plan ideado por la inteligencia de EE.UU. es claramente evidente: distraer a la opinión pública mundial del hecho de que Salazar es el candidato más probable para haber matado a Chávez. Mientras tanto, las agencias oficiales (y no oficiales) en Venezuela están recolectando evidencia de las actividades criminales de Salazar, sus encuentros clandestinos con representantes de la CIA y la DEA, y la posibilidad de que él dio la información a los estadounidenses sobre los itinerarios de viajes del presidente, así como el material biológico que pertenecía a Chávez.

Los estadounidenses, por su parte, están haciendo todo lo posible para impedir este trabajo, asegura Nikandrov. Así, por ejemplo, la oficina de la CIA en Madrid (España) ha fabricado un escándalo que rodea al personal de la Oficina del Agregado de Defensa de Venezuela, acusándolo de espionaje a miembros de la oposición. Pero, por supuesto, de acuerdo con el periodista, su problema real es muy distinto: la amenaza de revelaciones escabrosas sobre el asesinato de Chávez.

Mientras tanto, las autoridades venezolanas han decidido ofrecer una recompensa económica para cualquier información específica acerca de las personas que pudieron coordinar y ejecutar el asesinato del exlíder bolivariano.

No RT
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Delator cita FHC, Nardes, irmã de Aécio e até o Itaú


Uma reportagem da jornalista Bela Megale (leia aqui), publicada nesta sexta-feira, traz trechos da delação premiada que vem sendo negociada pelo ex-deputado Pedro Corrêa, personagem com mais de 40 anos de vida parlamentar.

Se vier a ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal, ela trará muitos transtornos à oposição. Segundo Corrêa, o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, recebia mesada de José Janene, ex-deputado do PP. Nardes, responsável pelo famoso parecer das "pedaladas fiscais", no qual se ancora o impeachment, também foi deputado pelo PP.

"Corrêa lembra que, quando Nardes foi nomeado ministro do TCU, em 2005, foi destruído um recibo que comprovava o pagamento da propina. Era, segundo Corrêa, um recibo de valor 'baixo', algo entre R$ 10 mil e R$ 20 mil", diz Bela Megale.

Corrêa também mencionou a irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG). "O pernambucano também apresentou uma lista de operadores de propina e incluiu o nome de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e uma de suas principais assessoras, como a responsável por conduzir movimentações financeiras ligadas ao tucano", informa a jornalista.

Em outro trecho espinhoso para a oposição, ele menciona que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comprou a emenda da reeleição, com o apoio de pesos-pesados do PIB nacional, como o banqueiro Olavo Setúbal, já falecido, ex-dono do Itaú.

"Olavo Setubal dava bilhetes a parlamentares que acabavam de votar, para que se encaminhassem a um doleiro em Brasília e recebessem propinas em dólares americanos", diz o anexo da delação.

Segundo a reportagem, os fatos narrados por Corrêa são vistos como "uma crônica política" que ajudará a completar lacunas de outras colaborações.

No 247
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