21 de mar de 2016

“Pato Skaf” vai implodir a Fiesp!


Já apelidado de “Pato Skaf”, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) resolveu transformar a sede que abriga a entidade na Avenida Paulista em quartel-general dos golpistas. O letreiro luminoso do suntuoso prédio já exibiu o slogan “Renúncia Já” e nos últimos dias passou a ser ainda mais direto: “Impeachment”. Na marcha organizada por grupelhos fascistas no último domingo (13), a associação patronal distribuiu balões e carregou um enorme boneco do “Pato” — a figura usada pelos sonegadores de impostos para criticar a carga tributária do país. Na sexta-feira (18), durante a manifestação contra o golpe, a sede abrigou a equipe da TV Globo. Durante a semana, a Fiesp ainda distribuiu filé mignon para os fascistas mirins que acamparam diante do seu prédio.

Paulo Skaf — ou melhor, “Pato Skaf” — é um famoso oportunista político. Ele já foi denunciado várias vezes, inclusive por empresários menos serviçais, por utilizar os recursos financeiros da entidade para os seus projetos eleitoreiros. Ele já concorreu duas vezes em São Paulo — para prefeitura da capital e para o governo do Estado — e sempre levou uma surra das urnas. Apesar da forte exposição na mídia, inclusive em comerciais institucionais da Fiesp — o que é crime — e das malas de dinheiro da entidade para comprar cabos eleitorais, ele nunca conseguiu passar sequer para o segundo turno das eleições. Rejeitado pelas urnas, ele virou um golpista convicto e doentio. Empresário sem empresa, ele não faz nada pelo setor industrial e apenas usa a associação como seu palanque pessoal.

Seguindo nesta cavalgada, “Pato Skaf” ainda vai implodir a Fiesp. Já há muita gente questionando quem financia o suntuoso prédio da Avenida Paulista e seus luxuosos serviços. Se o dinheiro tiver sua origem no chamado Sistema S — que é mantido pelos trabalhadores —, a utilização desta estrutura é criminosa. Se os recursos das suas frustradas campanhas eleitorais também tiveram esta fonte, o presidente da Fiesp deveria ir para a cadeia. Segundo relato do jornal Valor, na quinta-feira (17) a entidade ofereceu almoço para cerca de dez fascistas que acamparam em frente ao prédio. Quem bancou a comilança dos “coxinhas”? Os empresários paulistas concordam, na sua totalidade, com o estímulo ao ódio e ao golpismo explícito? Os críticos seguirão calados e cúmplices?

Segundo matéria da Folha, publicada nesta semana, “Skaf é filiado ao PMDB e concorreu ao governo do Estado em 2014. Ele é ligado ao vice-presidente Michel Temer, que assume a Presidência caso Dilma seja afastada por impeachment. Desde que passou a se envolver mais diretamente na política, Skaf passou a ser visto com reserva por parte do empresariado”. Nenhum industrial vai falar nada, vai esperar que a Fiesp seja incendiada pelo oportunista que a preside? É certo que as atitudes de Paulo Skaf não negam a triste história desta entidade. No golpe de 1964, ela também foi um biombo dos conspiradores. Já durante a ditadura militar, alguns empresários da Fiesp assistiram às sessões de tortura nas masmorras do regime e financiaram organizações terroristas, como a temida Operação Bandeirantes (Oban). É esta a sina da entidade representativa do maior centro industrial do Brasil?

Altamiro Borges
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Dramas da vida real

INTERVENÇÃO MILITAR JÁ! Opa, peraí…..




No Jesus Manero
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Rosa Weber vai declara-se impedida de julgar as ações de seu ex-assessor Moro?


O Ministro Luiz Fachin declarou-se impedido de julgar o habeas corpus impetrado pelos advogados de Lula simplesmente por ser amigo de um deles.

Regra que não valeu, como já se disse, para Gilmar Mendes, que é chefe da advogada que pleiteou e obteve a ordem para impedir a nomeação de Lula e lançá-lo de volta às garras de Sérgio Moro.

Com o impedimento de Fachin, novo “sorteio” e agora o caso vai para as mãos na Ministra Rosa Weber, que convocou o Juiz Sérgio Moro para ser seu assessor durante um ano na Ação Penal 470.

Será que Sua Excelência dar-se-á por impedida pelas suas notórias ligações com o homem cuja legalidade ou ilegalidade dos atos está no cerne da decisão que deverá tomar?

Aliás, para ficar em Brasília, Moro quis manter o cargo de professor que ocupa na Universidade Federal do Paraná, exigindo, para isso, que a faculdade de Direito marcasse suas únicas três ou quatro aulas semanais nos dias e horários que ele quisesse, inclusive passando a abrir aos sábados.

Neste episódio, no qual Moro recorreu à Justiça e perdeu — quando não era herói, perdia — produziu-se um documento — a resposta ao pedido de informações feito a Universidade pela Justiça — que ajuda a compreender um pouco o espírito “morista”. Reproduzo uma parte do que pode ser lido, na íntegra, aqui.

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Fernando Brito
No Tijolaço
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Os sócios da crise

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=278

Virou senha de cidadão bem pensante comentar política iniciando com críticas ao governo Dilma Rousseff. Pois bem, a crise aqui instalada não resultou de ideológica “nova matriz econômica”, de existência restrita aos discursos do governo e da oposição. Batiam boca sobre a mesma versão do mundo. Enquanto isso, no primeiro mandato, o governo lançava ambicioso projeto de investimento em áreas estratégicas da infraestrutura, recebendo entusiásticos aplausos da FIESP. Idem em relação à agricultura, então com apoio parlamentar da presidente da Confederação Nacional da Agricultura, atual ministra Katia de Abreu. Foram anunciados e defendidos às claras pelo governo como medidas destinadas a garantir emprego e crescimento em cenário internacional altamente adverso. Centrais sindicais e pessoas gradas manifestaram irrestrita solidariedade ao governo, e se havia queixa, neste lado, era quanto ao que estimavam timidez das iniciativas. Gostariam do mesmo, só que em doses mais elevadas. A invariável resposta governamental mencionava a necessidade de atentar para as contas públicas e os riscos inflacionários. Esta Segunda Opinião ficaria muito surpresa se demonstrassem o contrário, mas de modo mais convincente do que os grampos do juiz Sergio Moro.

Um dos instrumentos lançados, a renúncia fiscal, foi fantástico sucesso de crítica e de público. A expectativa governamental centrava-se na criação de folga para redução de preços, sustentando o mercado interno e, portanto, o nível de emprego, e talvez residual aumento na taxa de investimento. Sendo o nosso empresariado o que é, não houve uma coisa nem outra, somente a engorda da taxa de lucro, o que, somado ao crédito relativamente fácil (outra política pública canonizada pelo sistema bancário), contribuiu decisivamente para o endividamento atual das famílias. É primário reconhecer que o comprometimento dos orçamentos familiares não se encontraria no elevado patamar atual, houvesse sido a política bem sucedida. Qual foi o parceiro que roubou no jogo?

Exemplos não faltariam, mas é necessário registrar que a oposição não deixou de combater todas as iniciativas do governo, sempre, como é de praxe, prevendo que fracassariam, piorando a situação econômica do País. Contava com excepcional aliada, que garantiam estar superada: a grave crise internacional que, desde 2008, devora reputações de políticos e de brilhantes economistas, administradores, executivos e burocratas do setor público e do setor privado. Basta assumir posição de responsabilidade; não é casual que a taxa de substituição de governos e de executivos nos grandes conglomerados privados nunca, ao que parece, tenha sido tão elevada. Os novos não costumam esquentar as cadeiras, contudo.

Por aqui gritava a oposição por ortodoxia, a mesma que desmontou as sociais-democracias nórdicas, criou um mercado de trabalho de segunda classe na Alemanha, mantem a Inglaterra, a França e a Itália na corda bamba, desmoralizando sucessivos governos, e paralisa o FED, banco central americano, que simplesmente não sabe se aumenta ou não aumenta os juros. Ninguém faz ideia do que está por vir. Não obstante, face a dificuldades internas crescentes e cenário internacional instável (eis que a China, plaft, levou um tombo, apavorando nada menos do que os Estados Unidos) a oposição, no mundo da lua, continuava em samba de uma nota só: ortodoxia. E o que foi o Joaquim senão a oposição em versão educada? O que tem a oposição a oferecer se não mais, muito, muito mais do mesmo? Dispensada a empáfia faminta por poder dos economistas entrevistáveis, o que resta do blá, blá, blá? Nada que não tenha sido feito. Ou seja, o agravamento da situação econômica do País não resultou de desmesurada incompetência de Dilma Rousseff, nem dos ridículos desvios de função listados na lamentável, errada e medíocre nota da OAB-federal, mas da ineficácia das políticas de inclinação keynesiana, mais o avassalador fracasso da política ortodoxa do primeiro ano do segundo mandato e, fique claro como crime antipopular, a sabotagem sistemática da oposição ao governo e sua propaganda subversiva de quebra da normalidade democrática.

Não me venham falar em crítica de Dilma Rousseff que ainda não tenho tempo para isso. É necessário derrotar os que querem derrubar ilegalmente o governo para que possamos discutir com boa fé e humildade como o ajudamos a encontrar alternativas à grande crise a que o voraz capitalismo financeiro levou o mundo. Isso não é tarefa para golpistas.
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Fachin dá-se por impedido no HC de Lula; já Mendes faz comício no STF


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, sorteado para ser o relator de um habeas corpus protocolado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se declarou suspeito para julgar o caso. Fachin explicou que tem relação pessoal com uma das pessoas que assinaram a ação.

“Declaro-me suspeito com base no art. 145, I, segunda parte, do Código de Processo Civil, c.c. o art. 3º do Código de Processo Penal, em relação a um dos ilustres patronos subscritores da medida.”, justificou Fachin.

Se Fachin impedir-se porque é ou foi amigo de advogado de parte, depois de tantas décadas de carreira jurídica, terá de fazê-lo dezenas ou centenas de vezes no tribunal.

Já Gilmar Mendes, claro, não se declarou impedido de julgar a causa patrocinada  pela diretora de seu instituto privado de Direito. Portanto, ao menos em tese, sua subordinada.

A ética, portanto, gagueja e treme.

E não é inédito falar o que já se disse naquele plenário, que os canalhas são ousados.

A democracia tem defensores trêmulos; o golpe tem mastins ferozes.

O pobre povo brasileiro não tem patronos.

Restou-lhe um, acossado, perseguido, vitimado por uma monstruosa campanha de incriminação.

Ricardo Lewandowski, presidente do STF, vai redistribuir o processo.

Mais um dia — mais quantos dias — de país sobressaltado, a esperar para saber se um juiz local, num transbordamento de atitudes, vai executar seus desígnios, enquanto os éticos titubeiam.

Enganam-se, porém, os que acham que a ousadia é monopólio dos canalhas.

Se a Justiça não ampara o Direito, é torta como é o injusto.

E os justos não podem aceitar o injusto sem lutar, porque assim canalhas também serão.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ganhos da Globo com dólar revelam o lado lucrativo da Lava Jato

Receita com publicidade cai 6%, mas lucro da empresa dos Marinho sobe 30%. Destaque para operações no mercado financeiro, sobretudo com dólar

Protesto na mansão sem dono em Paraty, que não é notícia na Globo,
cujos acionistas têm o que comemorar
Mídia Ninja
A Globo Comunicações e Participações divulgou seu balanço de 2015. A receita vinda dos anúncios despencou 6,1% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o lucro líquido da empresa aumentou astronômicos 30%. Motivo? Operações no mercado financeiro, sobretudo com o dólar.

O fato coloca os responsáveis por vazamentos da Lava jato, no mínimo, em desconforto. Pois os vazamentos e pirotecnia da operação tem causado reboliço nas cotações do dólar e da Bolsa — e o Grupo Globo, que recebe vazamentos em primeira mão, lucrou muito com o dólar.

Vamos desenhar um cenário: uma empresa jornalística qualquer passa a ter acesso antes de todo mundo a vazamentos que afetam a cotação do dólar. Sabe antes de outros investidores que o dólar vai subir ou descer quando publicar tais vazamentos. Se essa informação sair da redação antes de ser publicada e for parar nas mãos de quem opera o dinheiro da empresa com dólar, estaremos diante do uso de informação privilegiada.

É ganhar dinheiro tão fácil como roubar o doce de criança.

Virou um bom negócio investir na cobertura na Lava jato e operar no mercado financeiro. Os lucros podem ser potencializados controlando-se o que publica ou não, o momento de soltar as notícias, o tamanho do sensacionalismo, sempre de olho no efeito sobre as cotações.

O vazamento de informações protegidas, se feito por funcionário público, já é por si só crime de violação de sigilo funcional. Se usado como troca de vantagens indevidas, outro crime se consuma. Se usado para obter lucros, ainda que por terceiros, através da manipulação do mercado ou uso de informações privilegiadas, a coisa ganha dimensões bem piores.

Voltando à Globo, a Lava Jato parece que virou um grande negócio da emissora. Não para aumentar a audiência e anunciantes — ambos estão em queda. Mas para obter lucros no mercado financeiro, sem precisar vender anúncios.

Sem investigação, de nada se pode acusar. Mas crimes de vazamento são fatos que ocorreram indiscutivelmente. Falta investigar e descobrir a autoria e motivação. E, como já dissemos em nota anterior, já passou da hora de investigar se está ocorrendo a prática criminosa de inside information, ou seja, informação sigilosa vazada clandestinamente, sabe-se lá por quem, para investidores saberem de antemão a hora de comprar e de vender dólar e ações, fazendo fortunas em poucas horas.

Curiosamente, em escala bem menor do que o lucro obtido com o dólar, a Lava Jato também ajuda a cortar custos nas empresas jornalísticas através de demissões. Fornece “gratuitamente” conteúdo. As pautas que deixaram de ser produzidas por jornalistas demitidos são preenchidas por textos jurídicos da Lava jato, sejam os divulgados por ofício, sejam os vazados clandestinamente. O trabalho dos procuradores, policiais e juízes — remunerado com dinheiro público — substitui a mão de obra para empresas jornalísticas a custo zero. Para os patrões. Bom para os empresários da mídia corporativa, ruim para os trabalhadores que perdem seus empregos. E, no mínimo, suspeito para o contribuinte, que acredita estar bancando uma estrutura republicana...

Balanço

Balanco
Para a TV Globo manter a mesma performance financeira de 2014, considerando a inflação medida pelo IGP-M, teria de ter uma receita líquida de R$ 13,14 bilhões em 2015. Teve de R$ 11,16 bilhões. Encolheu 15,1%.

Em termos nominais, mesmo sem considerar a inflação, a TV Globo perdeu R$ 730 milhões na receita líquida de um ano para o outro.

O Grupo Globo, que inclui as outras empresas, como a programadora de TV por assinatura Globosat, teria de ter a receita líquida de R$ 17,96 bilhões em 2015 para manter a performance do ano anterior. Teve R$ 16,04 bilhões. Encolheu 10,7%.

Sem considerar a inflação, o Grupo Globo perdeu R$ 204 milhões na receita líquida em 2015.

As demissões fizeram os custos operacionais caírem R$ 50 milhões, de R$ 7,11 bilhões em 2014 para R$ 7,06 bilhões.

Mesmo com o encolhimento na receita, o lucro líquido cresceu quase 30%, ajudado pelas aplicações financeiras em dólar e pelos juros mais altos.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil


Surfando a onda de crescente popularidade na sua cruzada contra a corrupção, o juiz Sérgio Moro avançou até ultrapassar todos os limites.

O Brasil vive o auge de sua mais grave crise política desde a redemocratização. O clima de tensão favorece a circulação de boatos sobre a perspectiva de prisão iminente do ex-Presidente Lula, que teve sua nomeação para a Casa Civil sustada pelo ministro Gilmar Mendes. O governo anunciou que entrará com recurso contra essa decisão, mas por ora o ex-Presidente continua vulnerável às ações do juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato.

A tensão tende a se refletir nas ruas, até então tomadas por protestos a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff e manifestações de índole abertamente fascista, que culminaram no ato de domingo dia 13, o maior até o momento. Entretanto, a resposta da esquerda, na última sexta-feira (18/3), demonstrou uma capacidade de reação que acirra o grau de polarização social.

Importa aqui notar a singularidade do processo de desestabilização política, liderada justamente por juízes, os que mais deveriam zelar pela serenidade.

Sérgio Moro já vinha sendo acusado de agir arbitrariamente ao utilizar a prisão preventiva de vários acusados como forma de coagi-los a aceitar a delação premiada. As críticas tendiam a ser menosprezadas porque, para a opinião pública, eram uma forma de proteger poderosos empresários, executivos da Petrobras e colaboradores do PT, até então intocáveis.

Surfando a onda de crescente popularidade na sua cruzada contra a corrupção, o juiz avançou até ultrapassar todos os limites: primeiro, no dia 4 de março, no episódio do abuso na condução coercitiva do ex-Presidente Lula para depoimento – pois esse recurso só se aplica em caso de resistência ao mandado judicial –, depoimento estranhamente realizado no posto da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, o que levantou suspeitas sobre a intenção de conduzi-lo, já preso, a Curitiba, sede da Lava Jato; e agora, com a flagrante ilegalidade do vazamento de conversas telefônicas entre a presidente Dilma Rousseff e Lula, logo após o anúncio de que o ex-Presidente seria nomeado para a Casa Civil.

A ilegalidade do ato é indiscutível por dois motivos: porque um juiz de primeira instância não poderia grampear as ligações da Presidente a não ser com autorização do Supremo Tribunal Federal; e porque a ligação em questão foi feita já quando esse mesmo juiz havia determinado a suspensão das escutas a Lula. Portanto, obviamente não poderia divulgá-la.

Mas não é só: “Moro não quebrou o sigilo telefônico apenas de Roberto Teixeira, advogado do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também do telefone central da sede do escritório dele (...). Com isso, conversas de todos os 25 advogados da banca com pelo menos 300 clientes foram grampeadas, além de telefonemas de empregados e estagiários da banca”.

Tal é o grau do descalabro a que chegamos. Mas, como em Hamlet, há um método nessa loucura. Quem o apontou foi o professor de Direito Geraldo Prado: Moro “sabia que mesmo o mais tolerante Ministro do STF não concordaria em aproveitar em processo algum uma interceptação telefônica ilícita”. Contava, então, que a revolta de grande parte da opinião pública constrangesse o tribunal a acolher esse tipo de prova, bem de acordo, aliás, com o que o Ministério Público Federal do Paraná propôs numa campanha iniciada em março do ano passado. A medida vinha disfarçada sob o eufemismo de “ajustes nas nulidades penais” e assim foi noticiada pela imprensa. O alerta para o significado da proposta partiu de uma fonte alternativa e especializada: o site Consultor Jurídico.

Prado anota que, como previsto, a divulgação das gravações foi feita “sem qualquer juízo crítico acerca da ilegalidade, centrando-se no tom das conversas e não na violação da intimidade”. Este também foi o comportamento do juiz Celso de Mello, decano do STF, ao contestar o desabafo de Lula, que, em outro telefonema, acusava a Suprema Corte de estar “totalmente acovardada”.

A decisão de Gilmar Mendes de sustar a nomeação de Lula, sob o argumento de que se tratava de uma manobra do governo para “blindar” o ex-Presidente contra um provável pedido de prisão preventiva a ser expedido por Moro, foi uma ironia da história, providencialmente assinalada pelo jornalista Janio de Freitas em seu artigo deste domingo (20/3): Mendes beneficiou-se do mesmo tipo de recurso quando era advogado-geral da União e o então Presidente Fernando Henrique Cardoso assinou medida provisória dando-lhe status de ministro, o que lhe garantia foro especial contra ações judiciais em primeira instância. Nesta mesma edição da Folha de S. Paulo, Bernardo Mello Franco dedica sua coluna ao controverso juiz, que “deveria se dizer suspeito por falta de isenção para julgar o assunto, muito menos sozinho”, já que discursara contra a nomeação de Lula em sessão anterior da Corte. Mas o que esperar de um magistrado cuja atuação lhe rendeu “o apelido de ‘líder da oposição’ no STF”?

Sylvia Debossan Moretzsohn
No Público
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A Dieta do Fascismo e o tênue brilho da razão

http://www.maurosantayana.com/2016/03/a-dieta-do-fascismo-e-o-tenue-brilho-da.html


A Agência Espacial japonesa lançou, há poucos dias, o Telescópio Astro-H, destinado ao estudo do espaço profundo, por meio da captação de raios-x.

Trabalhando a uma temperatura próxima do zero absoluto, as diferentes câmeras do Hitomi, ou “pupila” como também é conhecido, são capazes de identificar fontes extremamente distantes e tênues de raios X, e separar a sua luz em um espectro, semelhante a um arco-íris, identificando os fótons que a compõem, por meio da variação de sua temperatura individual, permitindo o estudo de estruturas supermassivas, como aglomerados de galáxias, e eventos de alta energia, como buracos negros.

Se dispuséssemos de um instrumento com acuidade semelhante para detectar, no universo político e empresarial brasileiro um brilho tênue de razão e equilíbrio, no caótico buraco negro marcado pelo radicalismo, a cegueira e a rápida sucessão de acontecimentos — muitos deles propositadamente fabricados — destes tempos confusos e sombrios, é possível que ele tivesse captado, no início desta semana, as observações feitas pelo empresário Eli Horn, fundador do Grupo Imobiliário Cyrela, após um evento organizado por sua empresa sobre as perspectivas para o Brasil e a importância do empreendedorismo.

Afirmando, em entrevista ao jornal Valor Econômico, estar otimista com a economia — sua empresa faturou mais de 3 bilhões de reais no ano passado — e que a “crise atual é pequena e faz parte da vida”, Horn deu a entender que é preciso negociar, e que a solução para a atual crise política é a realização de um acordo entre todos os partidos, que tenha como objetivo o “bem do país”.

“Tem que haver um acordo político — afirmou — e se os políticos quiserem, é possível fazê-lo. É só querer do fundo do coração.”

As afirmações de Elie Horn são um lampejo de razão, em um país dividido pela ambição, o egoísmo e a conspiração, caminhando celeremente para o abismo, em um momento em que parte daqueles que possuem mandato eletivo se lançam, desesperadamente, à derrubada do governo, sem perceber que há uma terceira força, descontrolada e radical, em ascensão, que se baseia e se alimenta da antipolítica e da sabotagem da governabilidade, e aposta na destruição da democracia como a conhecemos para entregar a tutela do Estado a castas sem voto, que agem colocando a lei a serviço de seus interesses, por meio da força discricionária do personalismo e do arbítrio.

Tudo isso — não se iludam aqueles que acham que o Brasil amanhecerá um mar de rosas no day after de um eventual impeachment — seguindo uma estratégia contínua, permanente, coordenada, que está voltada para a conquista do poder, e que não será afrouxada, ou abandonada, se o PT for afastado do governo federal.

Ainda mais razão tem Elie Horn, em suas palavras, quando as ruas estão tomadas e ocupadas, como já ocorreu em praças de países que se autodestruíram, como o Egito, a Síria, a Líbia, a Ucrânia, por multidões desatinadas, verdadeiras colchas de retalho, que não dispõem de outro consenso que não o do ódio e já começam a agredir não apenas transeuntes ou cidadãos que não se curvam aos seus gritos e à sua vontade — convocando pela internet grupos de “bombados” imbecilizados para fazer isso — como qualquer um que delas se aproxime, reservando o culto da personalidade para “mitos” que se travestem, justamente, de “antipolíticos” e que se situam, até mesmo pelas “limitações” técnicas de seus cargos, teoricamente à margem do contexto “político”.

Nas manifestações contra Dilma, um casal foi espancado, na quarta-feira, dia 16.

E um menino de 17 anos de idade quase foi linchado na quinta-feira em que a direção da FIESP mandou publicar anúncios coloridos de página inteira, com o apelo, em letras garrafais de RENÚNCIA JÁ, provavelmente dirigidos à Presidente da República.

A mesma quinta-feira em que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ordenou, em uma cena digna de um filme de Fellini, que seus elegantes garçons servissem filé mignon, torta e purê de batatas aos líderes das forças antidemocráticas e anti-petistas acampadas em frente à sua sede da Avenida Paulista.

Como cidadãos e empresários, talvez tivesse sido melhor que os dirigentes da FIESP dessem ouvidos a ponderações como a do colega Eli Horn, proprietário da Cyrela, em vez de se deixar seduzir pela malta acampada em seus portões.

Até porque, apesar dos anúncios e do repasto, quando o Presidente da Federação, Paulo Skaf, saiu à rua, com alguns assessores, para tentar cantar, horas depois, o hino nacional entre os manifestantes, ele também foi escorraçado aos gritos, e teve que voltar, correndo, para o abrigo e a segurança de sua instituição, assim como ocorreu com outras autoridades e personalidades, como o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, e o próprio Senador Aécio Neves e o Governador Geraldo Alckmin, também expulsos, no domingo, da Avenida Paulista, pela multidão.

A esperança é que esses episódios — principalmente os espancamentos ocorridos na principal via pública do país — abram o ouvido dos surdos e os olhos dos cegos, e contribuam, didaticamente, no universo político e do empresariado, e no que resta de bom senso na opinião pública, para o entendimento de uma verdade histórica simples e cristalina:

Como as feras do Coliseu Romano e certos cães, quando enfermos ou enfurecidos, o fascismo é, por natureza, desatado e incontrolável, e se nutre de ignorância, ódio, preconceito, truculência e sangue.

Sangue como o do menino espancado por um numeroso bando de covardes na Avenida Paulista — por mais que se tente bajulá-lo, e alimentá-lo, com suculentos steaks de filé mignon.
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Rede Golpe

Guardo exemplar da Folha de São Paulo de 14/07/1996, portanto antes da parceria do jornal Valor,
onde provava a existência de paraíso para sonegadores..
O golpe tem nome, CNPJ, endereço, três irmãos na lista da Forbes, histórico de ataques à democracia, parceria com ditadores, manipulação de eleições, manipulação de informação e debates para favorecer caçador de Marajás, programa para mostrar o que é bom para os seus, que havia capturado mediante o esconderijo da amante na Espanha, e compadrio nos vazamentos seletivos e silêncio com os envolvidos com narcotráfico.

O editorial mais famoso de todos os tempos no Brasil saudava a chegada da ditadura de 1964 com as seguintes palavras:
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
De fato, os grupos que apoiaram a ditadura viveram dias gloriosos. Cresceram e se multiplicaram na mesma proporção das vidas ceifadas nos DOI-CODI da vida. O regozijo era tanto que até peruas eram emprestadas para que os corpos torturados, estuprados, dilacerados fossem jogados nas valas clandestinas do Cemitério de Perus. E é fácil de identificá-los; não aprenderam a viver na democracia. O golpe é sempre latente. A principal filial, a mais identificada com a matriz do golpismo, acaba de falir em Santa Cataria. É a mesma que teve apreensão de jornais na democracia, porque tentava, na véspera de eleições favorecer o cavalo do comissário. Nunca havia sido molestada na ditadura, mas sofrera revés por não ter trocado o chip… Matriz e filial, com a captura do então chefe do Executivo Federal, foram salvas, respectivamente, pelo BNDES e pelo Banco do Brasil. Ah, sem contar o presentinho, por bom comportamento, que o cavalo do comissário deu de presente, a CRT.

O dinheiro sonegado das copas de 2002 e 2006 foram usados para comprar estatuetas, criar institutos de captura (Innovare), insuflar o ódio, esconder 450 kg de informações que estavam num heliPÓptero. As denúncias de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, pela matriz e suas filiais, se avolumaram ao longo do tempo. Onde estão as instituições responsáveis pela apuração? Fazendo parceria, na lavagem!

Manipulação de eleições com fartura de faturas: a primeira tentativa de fraudar o processo democrático deu-se em 1982, no famoso Escândalo da Proconsult. O grupo tentou fraudar a contagem de votos para Leonel Brizola para colocar no governo do Rio de Janeiro um cupincha ou capacho. Não há hierarquia entre estas palavras e aquele que pretendiam beneficiar. Pior, reincidiu em pelo menos mais duas oportunidades: na manipulação do debate de 1989, para favorecer, vejam só, outro NaPÓleão! Depois, em 1994, para beneficiar o amante da funcionária, vazaram, via Parabólica, o lema que os identifica: "Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde." Mostrar o que é bom para eleger o capturado, esconder o que prejudicaria o faturamento do BNDES para salvar os negócios. O vazamento seletivo, como mostraram as Parabólicas, está no DNA. O poder deles é tanto que se fizerem um exame de DNA vão conseguir provar que seus candidatos são filhos de outros….

A democracia é fatal à serpente como sol aos zumbis. Sem os dutos de dinheiro público para irrigar a “fatura”, a fartura desaparece. A solução é simples: mostra o DARF!

A Rede Golpe não pôs o ovo da serpente, é A serpente!

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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Em vídeo do DCM, Mírian Dutra diz que mostrará pagamentos de FHC via Brasif


Citada na entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Estadão, a jornalista Mírian Dutra deu um depoimento exclusivo ao repórter Joaquim de Carvalho. Disse que espera ser chamada para depor na Polícia Federal e entregar os documentos que comprovam como o ex-presidente usou a Brasif para enviar pensão alimentícia para o filho, que morava na Europa com ela.



Joaquim de Carvalho
No DCM
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Nas escutas, juristas se revelam mais moristas do que o próprio Moro


Começo o texto dando spoiler: Moro confessou a ilegalidade do grampo da conversa de Dilma e Lula. Mas os juristas, cegamente, recusam-se a acreditar no próprio Moro.

Sigo. Vejamos a seguinte declaração: "O juiz resolve crises do cumprimento da lei. O princípio da imparcialidade pressupõe uma série de outros pré-requisitos. Supõe, por exemplo, que seja discreto, que tenha prudência, que não se deixe se contaminar pelos holofotes e se manifeste no processo depois de ouvir as duas partes (...). O Poder Judiciário tem que exercer seu papel com prudência, com serenidade, com racionalidade, sem protagonismos, porque é isso que a sociedade espera de um juiz".

Quem disse isso foi o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Se encaixa perfeitamente ao comportamento do Poder Judiciário (e do Ministério Público Federal) no episódio que chamei de “Morogate”. Juízes e procuradores não devem ser protagonistas. Não misturar moral, política com o nosso produto sagrado, o Direito. Afinal, somos juristas e não políticos. Nem filósofos morais. Nem teólogos.

Na sequência, leiamos este texto:

“Insta assinalar, por oportuno, que o juiz deve estrita
fidelidade à lei penal, dela não podendo se afastar a não
ser que imprudentemente se arrisque a percorrer, de
forma isolada, o caminho tortuoso da subjetividade que,
não poucas vezes, desemboca na odiosa perda da
imparcialidade. Ele não deve, jamais, perder de vista a
importância da democracia e do Estado Democrático de
Direito. EMENTA DO ACORDÃO DA OPERAÇÃO SATHIAGRAHA – HC 149.250 - SP - Rel. Min. Adilson Macabu.”

Bem, o assunto, inexoravelmente, só poderia ser o Morogate. O país em polvorosa. Quarta, dia 16, o país passou por um furacão. Acertei na mosca já nas primeiras horas de quinta-feira. Acertei quando dei entrevista a jornais e rádios brasileiros e estrangeiros, dizendo que estávamos em face de um ato criminoso, representado pela gravação e divulgação da conversa de Dilma e Lula. Fi-lo à ConJur (ainda na quarta, leia aqui), à BBC de Londres, ao jornal Público, de Portugal, à Folha de S.Paulo, ao jornal O Globo e à Rádio Bandeirantes. Hoje sei que acertei. E tenho a meu favor a confissão feita por um dos protagonistas, o juiz Sergio Moro, dizendo que, efetivamente, a interceptação da conversa entre Lula e Dilma tinha sido... irregular (ler aqui). Ele disse “irregular”. Mas eu afirmo: ilícita. Ilegal.  Mas, mesmo confessando o erro, manteve a versão de que agira certo em divulgar (o famoso evento 133 — “não havia reparado antes no ponto, mas não vejo relevância” — genial, não? O juiz federal não havia reparado que tinha em mãos uma prova ilícita, mas não via “relevância” nisso...).

Vamos, então, acertar os ponteiros, de forma racional, pondo os pingos nos “is”:
  • Antes do meio dia de quarta, Moro determinou o fim das interceptações. É fato. Logo depois, a Policia Federal foi comunicada. Há documentos. É fato.
  • Depois das 13h, Dilma liga para Lula. Esta conversa foi gravada. É fato. E enviada para Moro. É fato. Que liberou geral para os veículos de comunicação. É fato.
  • Mais tarde, Moro, acuado, confessa que o grampo foi “irregular” (sic). É fato.
  • Então, pela lei, Moro divulgou um produto de crime. Por que? Simples. Elementar. Porque a Polícia Federal cometeu o crime do artigo 10 da Lei 9.296 que diz que é crime punido de 2 a 4 anos quem faz intercepção sem ordem judicial. É fato.
  • O que Moro não fez e deveria ter feito? No momento em que recebeu o conteúdo do grampo, deveria ter remetido o produto do crime cometido pela PF ao MPF. É fato.
  • O juiz Sergio Moro, sabedor de que estava em suas mãos uma prova ilícita (que ele confessou ser “irregular”) assumiu o risco de ser enquadrado no artigo 325 do Código Penal (Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação). Além disso, violou no mínimo 6 artigos da Resolução 59 do CNJ, mas especialmente o artigo 17.
  • Também não poderia ter divulgado as intercepções feitas com autoridades com foro especial. Quando entra alguém no grampo com um foro que não é do juiz que determinou, cessa tudo o que musa canta e um valor mais alto se alevanta: no caso, remessa ao STF, em face de Jaques Wagner (para falar só dele – aliás, quem era o grampeado? Wagner ou o presidente do PT? Bom, Wagner não podia ser... Então foi Rui Falcão; mas a PF grampeou o presidente de um partido sem que esse fosse investigado?). Nem falo do caso de Dilma, porque neste caso, o próprio juiz admite que foi irregular (sic). Basta ver que a Operação Castelo de areia (ler aqui) foi anulada... Justamente por causa de um grampo ilícito. A Sathiagraha também (HC 149.250 – SP). Frutos da árvore envenenada, eis o nome da tese.  Só que, aqui, a coisa é mais grave.
  • Outra “irregularidade” (para usar a linguagem de Moro) cometida por ele: divulgou conversa privada (sigilo profissional) do ex-presidente com seu advogado. Não esqueçamos que o sigilo profissional está resguardado como cláusula pétrea, artigo 5º, incisos XIII e XIV da CF, verbis: “XIII — é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.
  • No limite, vou dar de barato que a PF não teve “culpa” de ter grampeado a conversa de Dilma, sendo a culpa da companhia telefônica (sempre essas companhias...). Mas isso apenas poderia descaracterizar o dolo da PF (como disse, a culpa poderia ser do estagiário da Claro, da Vivo ou da TIM). Mas uma coisa é fato: irregular, ilícita ou o nome que se dê a ela, a escuta jamais poderia ter sido divulgada. Simples assim. Um mais um é dois. Só o personagem Humpty Dumpty é que consegue provar que é 3.
  • Há ainda que se apurar a participação do Ministério Público no episódio. Parece que o PGR disse que, embora concordasse com a divulgação, não sabia que a escuta de Dilma era irregular. Hum, hum. A ver, portanto. De todo modo, agora ele já sabe.
  • E vou fechar com o que disse o ministro Marco Aurélio (ver aqui):  Ele [Moro] não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado e foi objeto, inclusive, de reportagem no exterior. Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional. O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação” (grifei). Se o ministro Marco Aurélio me permitir, acrescento um “Bingo”!
Paro por aqui. De fato, o Brasil precisa mostrar que ninguém está acima da lei. Nem Lula, nem Dilma... nem Sergio Moro e nem o MPF. E nem o STF. Leis que governem os homens... e não homens que governem as leis. Eis o lema de Honório Lemes, gaúcho da cepa.

Isso tudo é grave. Como graves são os fatos políticos. Concordo. Só que a CF proíbe prova ilícita. Lembremos das pataquadas do delegado Protógenes. Não fui eu que inventei isso. Preocupa-me também a comportamento dos advogados (e demais carreiras) que aplaudem os atos ilícitos.

Torcer é uma coisa. Falar juridicamente, é outra. Advogados importantes que sofrem no dia a dia as vicissitudes do autoritarismo de membros do judiciário e do Ministério Público apoiam o uso de grampos ilícitos. Ideologicamente, neste caso, optaram por aplaudir o descumprimento das leis e da CF. Pior: são mais moristas que o próprio Moro. Afinal, ele reconheceu que a escuta da conversa entre Lula e Dilma foi “irregular”.  Nem quiserem ler o que Moro disse. Isso é fato. Ele é quem os desmentiu.

Quando aconteceu o episódio, falei à uma Rádio: como um jurista por vezes acusado — de forma apressada — de ser originalista (conservador, apegado à letra da Constituição — coisa que, por vezes, desagrada à esquerda e à direta), estou dizendo — e tenho dezenas de obras provando essa linha de raciocínio — que ao jurista não deve importar as cores partidárias quando aprecia um determinado fato jurídico (não político ou moral). Vou dar um exemplo candente: Lembram de minha opinião sobre os embargos infringentes no mensalão (ler aqui)? Contra centenas de juristas, sustentei que não eram cabíveis. Levei o maior pau por isso. Segundo boas fontes — embora eu não possa acreditar nisso — se naquele momento havia alguma chance de ir ao STF (havia uma vaga aberta), ali elas se esfumaçaram. Não me importa o custo a pagar por ser coerente. Por isso é que posso, hoje, dizer que “violação a CF é violação a CF”. Não importa por quem. Violação à lei é violação à lei. Ninguém está acima dela. Como disse dia desses, “sou constitucionalista, mas sou limpinho”, se me permitem uma blague neste momento tão grave. E sobre interceptações escrevi no mesmo ano em que a lei entrou em vigor (As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais, Livraria do Advogado, com capa desenhada pela minha filha — ver aqui)

Hoje, no Brasil, ser revolucionário é pregar a legalidade. Por isso, chegamos ao ponto de que talvez uma boa dose de positivismo exclusivo (ler aqui http://www.conjur.com.br/2016-fev-25/senso-incomum-hermeneutica-positivismo-estado-excecao-interpretativo) cairia bem para impedirmos que a lei seja substituída por juízos morais e políticos.

Uma palavra final: esperava um veemente protesto da Ordem dos Advogados do Brasil não somente contra o que Dilma e Lula falaram, mas, também e fundamentalmente, contra a quebra da legalidade envolvendo um chefe de Estado de um país de 200 milhões de habitantes. A OAB viu apenas a parte que lhe interessa. Relembro como a OAB se comportou em 1964:

"No dia 7 de abril de 1964, o Conselho Federal da OAB realizou uma sessão ordinária. Era a primeira após o golpe de estado que depusera alguns dias antes o Presidente João Goulart. A euforia transborda das páginas da ata que registrou o encontro. A euforia da vitória, de estar ao lado das forças justas, vencedoras. A euforia do alívio. Alívio de salvar a nação dos inimigos, do abismo, do mal. Definindo todos os Conselheiros como "cruzados valorosos do respeito à ordem jurídica e à Constituição", o então Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/OAB, Carlos Povina Cavalcanti, orgulhoso, se dizia "em paz com a nossa consciência".  (Clique aqui para ler)

O julgamento é dos leitores.  Ah, dirão: mas Lula e Dilma devem ser punidos; eles merecem cair, banidos, afastados, chicoteados etc.  Só que para isso não se pode fazer grampos ilegais. Podemos concordar ao menos nisso, preclara comunidade jurídica? Ou os fins justificam os meios?

E, além de tudo, não quero crer que o judiciário, a OAB, o MPF possam ser coniventes com claras violações da lei. E que achem bonito que um juiz que poste no seu facebook coisas como "ajude a derrubar a Dilma e volte a viajar para Miami e Orlando. Se ela cair, o dólar cai junto". E o mesmo juiz, em segundos — literalmente — anula um ato da Presidente. Proferiu rapidamente a decisão e voltou para a passeata. É bonito isso? Temos que definir: o que é Direito, o que é política e o que é moral. Se a moral e a política podem corrigir o Direito, minha pergunta é: quem vai corrigir a política e a moral?

Peço a todos os juristas que pensem no amanhã. O que hoje escrevemos e dizemos pode nos ser cobrado. Já vi tanta gente fazendo discursos apopléticos — e olha que sou macaco velho em congressos e simpósios — defendendo a Constituição e que agora os vejo dizendo: “os fins justificam os meios”, “os fatos falam por si” e coisas do gênero. Prova ilícita? Ah — o que é uma transgressãozinha à lei e à Constituição, quando um valor maior se alevanta? E eu invoco o Conselheiro Acácio: as consequências vêm sempre depois!

Post scriptum 1: Li um manifesto belíssimo defendendo a legalidade a constitucionalidade do Estado Democrático de Direito...a ssinado pelo Conselho Federal dos Psicólogos (ler aqui - http://segundaopiniao.jor.br/nota-do-conselho-federal-de-psicologia-sobre-o-momento-atual/ ). No primeiro momento, achei que era da OAB. Mas não era. Talvez no futuro tenhamos que contratar psicólogos (nos dois sentidos). Ou ler de novo a peça Henry VI, de Shakespeare, em que o personagem Dick afirma: Let’s kill all the lawyers.  E eu acrescento: and call the psychologists.

Lenio Luiz Streck é jurista, professor de direito constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do Escritório Streck, Trindade e Rosenfield Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
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O petismo e o antipetismo na classe média paulistana

Os jovens e os maduros, os ricos e os pobres — antagônicos. A classe média paulistana não é necessariamente antipetista. Está dividida entre o apoio e a oposição ao PT. Mas com um claro viés de renda e idade.


A Folha de São Paulo em suas edições de 14 de março e 20 de março de 2016 fez um belíssimo trabalho traçando os perfis dos manifestantes a favor e contra o governo.

Pena que o golpismo que apequena a sua redação tenha a feito desperdiçar um trabalho tão bom.

Uma insinuação maldosa

A matéria de 20 de março traz como manchete uma insinuação maldosa: “Em SP, 15% dos manifestantes em ato pró-Dilma eram funcionários públicos”.

A insinuação de uso da máquina administrativa é clara, assim como a tentativa de desmerecer quem lá compareceu para defender o governo federal. Óbvio que a Folha não declara se os funcionários eram estaduais do governo do PSDB ou federais e municipais do governo do PT. Deixa que o preconceito faça o serviço sujo.

manifestações de março funcionalismo

Pois bem, tanto na manifestação de domingo contra o governo federal quanto na manifestação a favor, na sexta-feira, houve a presença de funcionários públicos em maior proporção do que a que tem na população. Na população, segundo a Folha, há uma proporção de 3% de funcionários públicos. Na manifestação a favor do governo Dilma a Folha levantou a presença de 15% de funcionários públicos. Ocorre que na manifestação contra o governo Dilma a Folha estimou a presença de 5% de funcionários públicos. Claramente há uma diferença muito grande entre 15% e 5 %, mas em ambos os casos a presença é maior do que na população em geral.

Mas como explicar a desproporção entre 5% contra Dilma e 15% a favor?

Poderíamos dizer simplesmente que funcionários públicos são mais politizados e apoiam o PT.

Mas não, basta uma análise dos dados da própria Folha sobre o perfil dos participantes estratificado por renda para perceber-se que o funcionário público de alto escalão e alto salário esteve na manifestação dos contra e o funcionário público comum esteve na manifestação dos que são a favor. E este último, por óbvio, representa um contingente muito maior.

Os jovens e os maduros, os ricos e os pobres

Feito esse preâmbulo, qual o perfil dos que são a favor de Dilma e dos que são contra?

Não há dúvida, são distintos.

A favor estão os mais jovens e as pessoas de classe média a baixa. Contra, as pessoas de classe média e alta e os mais velhos.

77% dos contra têm mais de 36 anos e 40% tem mais de 50 anos. 48% dos que apoiam o PT têm menos de 35 anos e 74% tem menos de 50 anos.

manifestações de março idade

63% dos contra têm renda de mais de 5 salários mínimo e 13% têm renda acima de 20 salários mínimos.

A favor de Dilma e do PT, 44% ganham até 5 salários mínimos e 72% ganham até 10 salários mínimos.

manifestações de março renda

E esse é um dado muito interessante, a classe média paulistana não é necessariamente antipetista, se divide entre o apoio e a oposição ao PT. Mas com um claro viés de renda e idade.

A Folha parece não ter perguntado aos que apoiam o PT qual a etnia a que se filiam. Entre os antipetistas, 77% se declararam brancos.

O apedeuta e o doutor

Quando se estratifica os participantes por escolaridade, talvez surja o dado mais interessante de todos. Não há diferença alguma entre o perfil do contra e do a favor. Todos têm boa formação acadêmica. A grande maioria, curso superior.

manifestações de março escolaridade

Talvez seja uma característica paulistana, a escolaridade de média acima. Mas é sempre possível que as pessoas de baixa escolaridade não estejam entendendo o que está em jogo ou simplesmente não tenham se motivado com ele.

De qualquer sorte, é o único estrato social que não se fez presente contra ou a favor. Em um quadro polarizado, eis talvez um público a ser conquistado.

Contrassenso e consequências eleitorais

O perfil traçado pela Folha mostra que, pelo menos em São Paulo, os contra são pouco significativos como contingente eleitoral. Mais uma vez, vai se comprovando que o antipetismo é a voz grossa dos poucos.

Porém, em uma cidade reconhecida pelo seu antipetismo, isso é um contrassenso. Um contrassenso com enorme potencial eleitoral para o grupo que decifrá-lo.

PS: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Por que a Globo é golpista…


1 — PORQUE TROCOU O JORNALISMO PELA PROPAGANDA NAZISTA: a Globo usa táticas nazistas de propaganda para manipular a verdade. O ministro da Propaganda do Reich de 1933 a 1945, Joseph Goebbels, dizia: “de tanto repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade”, ou seja: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A Globo, por deter a maior audiência do Brasil, usa seus veículos para criar a “verdade que lhe interessa”. Manipula fatos, esconde manifestações contrárias a sua ideologia e usa uma concessão pública não a favor do interesse público e a favor da verdade como estabelece a concessão de um canal de tevê, e sim a favor dos seus interesses e da sua verdade.

2 — PORQUE CRIA ARTIFICIALMENTE FATOS PARA TUMULTUAR O PAÍS: ardilosamente, a Globo usa táticas grosseiras para confundir o telespectador e jogar a opinião pública contra quem ela quer. Repete, repete (Goebbels…) uma série de gravações ilegais, que nada de ilegal revelam, criando artificialmente uma impressão (tevê é basicamente uma impressão do que fica registrado) que ali existe algo de errado. E, na sua tática de propaganda nazista, usa o videografismo, as artes na tela, para aumentar a impressão. Usa de fundo das gravações a mesma arte que caracteriza a cobertura da Lava jato, onde aparecem os dutos sujos de petróleo, parecidos com canos de esgoto, estabelecendo uma falsa ligação entre dois fatos.

3 — PORQUE É CRIMINOSAMENTE PARCIAL NAS COBERTURAS “JORNALÍSTICAS”: na sua lógica de propaganda nazista, a Globo usa os fatos como bem quer e sempre a serviço do golpe. Planeja suas coberturas “jornalísticas” (propaganda nazista) de modo a repetir a sua verdade. Exemplo: se a manifestação é de direita, é o “Brasil”; se é pela legalidade, “defensores de Dilma e Lula” vão às ruas. Se alguém é contra o golpe aparece na edição como petista; se for a favor do golpe é uma pessoa responsável ou um brasileiro “revoltado”. Nas recentes manifestações de rua, cobriu até meia dúzia de gatos pingados em uma esquina qualquer desde que eles fossem contra o governo; já grandes manifestações contra o golpe como Porto Alegre (60 mil pessoas nas ruas) sequer foram mostradas ou apenas notinhas jogando sempre pra baixo o número de manifestantes. Quando na rua pessoas portam cartazes ofensivos contra as autoridades, a imagem é em close, bem pertinho e com áudio; quando é contra o golpe, não existe close nem áudio. Cabe aqui citar, porque bombou nas redes sociais, o post da artista Leandra Leal: “GloboNews estou trabalhando e assim como domingo e ontem queria acompanhar as manifestações, cadê a cobertura ao vivo?”

4 — PORQUE USA UMA CONCESSÃO PÚBLICA PRA INSUFLAR GOLPE CONTRA OS PODERES CONSTITUÍDOS: nos últimos meses a Globo transformou-se na maior propagandista das manifestações golpistas, insuflando o golpe, chamando as pessoas às ruas e manipulando. Interrompe a programação normal e seus jornalistas (jornalistas?) fazem apelos: “é cedo, ainda não tem muita gente, mas dá tempo pra vir, venham…”. Como agora, quando meia dúzia acampa na calçada em frente à Meca dos golpistas de São Paulo, a FIESP, mostra e diz que este número vai crescer… É que o governo foi democraticamente eleito por 55,4 milhões de votos, portanto, as ruas têm ter muita gente contra, ou, pelo menos, aparentar…. Cabe aqui citar o jornalista Glenn Greenwald, do The Guardian, que denuncia a tentativa de golpe no Brasil.

“Ao contrário da descrição romantizada e mal informada (para dizer o mínimo) do Chuck Todd e Ian Bremmer de protestos sendo levantados “pelo Povo”, esses são, na verdade, incitados pela mídia corporativa intensamente concentrada, homogeneizada e poderosa …, mídia corporativa brasileira age como os verdadeiros organizadores dos protestos e como relações-públicas dos partidos de oposição. Os perfis no Twitter de alguns dos repórteres mais influentes (e ricos) da Rede Globo contém incessantes agitações anti-PT. Quando uma gravação de escuta telefônica de uma conversa entre Dilma me Lula vazou essa semana, o programa jornalístico mais influente da Globo, Jornal Nacional, fez seus âncoras relerem teatralmente o diálogo, de forma tão melodramática e em tom de fofoca, que se parecia literalmente com uma novela distante de um jornal, causando ridicularização generalizada nas redes.

Para se ter uma noção do quão central é o papel da grande mídia na incitação dos protestos: considere o papel da Fox News na promoção dos protestos do Tea Party. Agora, imagine o que esses protestos seriam se não fosse apenas a Fox, mas também a ABC, NBC, CBS, a revista Time, o New York Times e o Huffington Post, todos apoiando o movimento do Tea Party. Isso é o que está acontecendo no Brasil: as maiores redes são controladas por um pequeno número de famílias, virtualmente todas veementemente opostas ao PT e cujos veículos de comunicação se uniram para alimentar esses protestos”.

5 — PORQUE DEFENDE ILEGALIDADES PARA INSUFLAR O GOLPE: na sua decisão irresponsável de trocar o jornalismo pela propaganda golpista, a Globo não abre sequer espaço para discutir a legalidade de vários episódios, atropelando a ética jornalística (cadê a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, cadê a Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas?). No caso do grampo de um presidente da República ser vazado sem autorização da Suprema Corte, silêncio.. porque interessa ao golpe confundir. Veicular repetidamente (Goebbels…) uma conversa entre presidente e ex-presidente, mesmo que não contenha ilegalidade, ajuda a criar a “impressão” de ilegalidade quando, em verdade, ilegal foi o ato. Tem divulgado há meses gravações ilegais, vazamentos seletivos e com falas editadas e manipuladas. Cabe aqui lembrar que o professor titular de Direito Penal da USP, Sérgio Salomão Shecaira, afirmou, na noite de quinta (17), que o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, cometeu um crime ao divulgar os grampos envolvendo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff e deve ser preso. Em uma fala repleta de críticas ao judiciário, ele participou, ao lado de outros juristas de ato em defesa da democracia, realizado em São Paulo, na Faculdade de Direito da USP.

6 — ESCONDE DA OPINIÃO PÚBLICA A ILEGALIDADE DE SEUS ALIADOS PARA NÃO PREJUDICAR O GOLPE EM MARCHA: como a Globo abandonou o jornalismo para fazer propaganda ilegal do golpe, nada mais natural do que esconder as ilegalidades de quem está do seu lado ou a seu serviço. Caso do ex-presidente FCH, que salvou a Globo com empréstimos do BNDS, e cujo noticiário envolvendo o escândalo de mandar dinheiro para o exterior usando uma empresa que recebeu dele uma concessão para explorar aeroportos sumiu. Caso de todos os escândalos envolvendo o trensalão, merenda escolar etc. de seu aliado golpista Geraldo Alckmin, o governador que liberou as catracas do metrô no dia da manifestação golpista (já pensou se um governador petista fizesse algo parecido?). E a proteção ao candidato a presidente derrotado que até hoje não se conformou e, de modo revanchista, está ajudando a criar o clima de guerra civil no Brasil. Não vou nem falar de questões pessoais, só destacar a denúncia de parcialidade envolvendo o “casal do Aécio” na Globo de Brasília, formado por Andreia Sadi (jornalista que cobre as manifestações contra o golpe com ar sério e as golpistas com sorriso), da GloboNews, e Paulo Celso Pereira, coordenador de política do Globo em Brasília. o Pereira é primo do Aécio, passa tudo que os repórteres levam a ele para o primo, seu padrinho de casamento com a repórter Andreia.

7 — PORQUE USA NOTÓRIOS ACUSADOS DE CORRUPÇÃO PARA ATINGIR SEUS OBJETIVOS: um deles é o Cunha, presidente da Câmara, que por artimanhas apoiadas pela Globo mantém seu processo de cassação parado há cinco meses no Conselho de Ética e quer votar em um mês o processo ilegal (por não ter nenhum crime) de impeachment da presidenta Dilma. Porque usa acusados como Delcídio, execrado e que, agora, virou moço bom ao dar entrevistas com mentiras que serão repetidas (Goebbels…) à exaustão. Porque usa bandidos acusados o Paulinho da Força, réu no Supremo por desvios no BNDS, que diz em gravação “que tem muita gente para financiar o impeachment”. Ao invés de, jornalisticamente, investigar, ignora porque não faz jornalismo para mostrar fatos ao povo brasileiro. E deixa livre, por enquanto, 61% dos deputados federais escolhidos a dedo para formar a Comissão do Impeachment, públicos que receberam doações das empresas da investigadas na Lava jato, ou seja: 40 dos 65 deputados. Assim que eles conseguirem o que a Globo quer, serão dispensados…

8 — PORQUE ESCONDE (POR APOIAR) O CLIMA DE GUERRA CIVIL NO BRASIL: o papel de uma organização que detém uma concessão pública deve ser o bem-estar da população e a defesa das instituições democraticamente constituídas, em resumo, defender a ordem constitucional, mas a Globo golpista trata com desdém os sinais do fascismo e da guerra civil em curso no País: sedes do PT são invadidas, pichadas e atacadas; sedes de organizações sindicais como CUT são atacadas; a polícia dos golpistas invade locais onde são organizadas reuniões públicas e legais; pessoas contrárias ao golpe estão sendo agredidas por usarem roupas vermelhas e defenderem a DEMOCRACIA. A história vai cobrar…

9 — PORQUE, PASMEM, NO FUNDO A GLOBO DEFENDE O GOLPE PRA SOBREVIVER: a Globo é golpista porque coloca o Brasil no momento mais grave de sua história, coloca em risco a democracia, não só para impor sua ideologia de direita, não só para defender o capital financeiro internacional, não só para entregar as riquezas do País como petróleo (e ficar como sempre com as migalhas…), por trás de todo processo tem um objetivo escondido: manter-se viva. Em 2007, ano em que o processo de sonegação da Globo foi subtraído da Delegacia da Receita Federal em Ipanema, Rio de Janeiro, a emissora teve as cinco principais concessões do grupo vencidas – São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília e Distrito Federal. A Globo tinha sido autuada por crime contra a ordem tributária, por deixar de recolher o imposto de renda relativo à compra do direito de transmissão da Copa do Mundo de 2002. Seu débito, incluindo juros e multa, era à época de 615 milhões de reais. Apesar de devedora, a TV Globo teve as cinco concessões renovadas por um período de quinze anos (até 2022). Qual o medo da Globo?

O que aconteceu na Venezuela, onde o ex-presidente Hugo Chávez não renovou a concessão da RCTV golpista. A Globo tem medo de que mais um governo popular não renove sua concessão. Por isso, com apoio dos empresários, políticos fascistas travestidos de democratas e especuladores financeiros internacionais e organismos de espionagem norte-americanos, provoca o caos no Brasil para conseguir sobreviver. Quem sabe daqui alguns anos, a Globo faça novo editorial, como fez há pouco, se desculpando por ter apoiado o golpe militar e a Ditadura instalada em 1964.

Lutar contra a Globo é defender a democracia e evitar a guerra civil.

Caco Schmitt, jornalista que cita a jornalista Hildegard Angel: “serviçais do golpe não merecem ser chamados de jornalistas”.
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