16 de mar de 2016

Os aúdios dos grampos que o golpista Moro autorizou no telefone de Lula

























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O que Lula disse e desesperou o Moro


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Nota à Imprensa


Tendo em vista a divulgação pública de diálogo mantido entre a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre esclarecer que:

1 – O ex-Presidente Lula foi nomeado no dia de hoje Ministro-Chefe da Casa Civil, em ato já publicado no Diário Oficial e publicamente anunciado em entrevista coletiva;

2 – A cerimônia de posse do novo Ministro está marcada para amanhã às 10 horas, no Palácio do Planalto, em ato conjunto quando tomarão posse os novos Ministros Eugênio Aragão, Ministro da Justiça; Mauro Lopes, Secretaria de Aviação Civil; e Jaques Wagner, Ministro-Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República;

3 – Uma vez que o novo ministro, Luiz Inácio Lula da Silva, não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse coletiva, a Presidenta da República encaminhou para sua assinatura o devido termo de posse. Este só seria utilizado caso confirmada a ausência do ministro.

4 – Assim, em que pese o teor republicano da conversa, repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República.

5 – Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
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É a Dilma ou é a Globo — Urgente


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Pela Legalidade Democrática — Ato ao vivo

 Transmissão encerrada 

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O xadrez do estado policial, no D+


Vamos ao nosso balanço pós-crise

A rigor, manifestações servem apenas para o exercício da catarse e para expor o verdadeiro tamanho de alguns personagens públicos, jornalistas, políticos.

O efeito de fato é sobre a perspectiva futura do eleitorado. Nesse sentido, as manifestações são eficientes por demonstrar capacidade de mobilização contra o governo e as esquerdas em geral.

Mas é apenas um fator.

O que se discute hoje em Brasília é mais amplo do que a votação em 2018: é disputa de poder real, atual, do momento e as expectativas de poder a partir de 2018.

Vamos a um pequeno rescaldo dos fatos do momento.

Fato 1 – O D+ do impeachment.

Não há consenso sobre o dia seguinte de um eventual impeachment.

Há um enorme conjunto de interrogações no ar, o que dificulta o pacto pró-impeachment.

A maior parte das alternativas degola Dilma e leva junto o vice-presidente Michel Temer. Se Lula conseguir apresentar uma alternativa minimamente viável, ainda pode segurar o PMDB.

Chama a atenção o fato de, na delação do senador Delcídio do Amaral, nenhum procurador ou delegado ter manifestado a mais remota curiosidade sobre o papel de Gregório Preciado – ligado ao senador José Serra – nas relações com empreiteiros. Como se recorda, Preciado foi expressamente mencionado por Delcídio no grampo armado por Bernardo Cerveró – o filho de Nestor – que serviu de base para a prisão do senador.

Fato 2 – Lava Jato e o estado policial.

É ilusória a ideia de que o afastamento de Dilma ou a prisão de Lula faria cessar o jogo político da Lava Jato. Pelo contrário, se derrubarem a Bastilha do poder presidencial, conseguirão implantar definitivamente o estado policial no país. Pois não haverá mais força institucional capaz de detê-la. Se ousarem recuar, perdem toda a base de apoio da malta.

Os episódios das últimas semanas revelaram que intenção da Lava Jato é implodir qualquer forma de acordo político, mesmo que signifique jogar o país em uma guerra interna e em uma depressão econômica.

São vários os indícios.

Indício 1 - As manifestações de domingo corroborando a ideia de que o movimento atual é contra o sistema político em geral. E a visão redentorista de que resolvendo a questão da corrupção, todas as soluções aparecerão por si.

Indício 2 – as pregações do procurador Deltan Dallagnol, dando outra leitura para a Itália pós-Mãos Limpas. Segundo ele, houve a eleição de Berlusconi e a paralisação da operação não porque jogou a economia da Itália no fundo do poço, mas porque a Mãos Limpas não cuidou de impedir os acertos políticos posteriores. Ou seja, para limpar definitivamente o país da corrupção e implantar a paz dos cemitérios, a Lava Jato tem que ir além da derrubada do atual governo.  O adversário é toda a classe política.

Indício 3 – O acirramento da perseguição a Lula, pela Lava Jato, que está em Curitiba; o vazamento do grampo em Aloizio Mercadante e da delação de Delcídio, que estão em Brasília. Alguma dúvida?

Indício 4 – em maio do ano passado, o Ministro Teori Zavascki suspendeu os mandados de prisão determinados por Sérgio Moro e requisitou os processos para analisa-los. No dia seguinte, o site da revista Veja divulgou matéria na qual dizia que um investigado da Lava Jato tinha apoiado Zavascki nas eleições para a diretoria do Grêmio. Naquela mesma tarde, Zavascki reviu sua posição (veja nos anexos pdf da matéria de Marcelo Auler da Carta Capital). O mesmo ocorreu com o Ministro Luís Roberto Barroso. Após um voto corajoso sobre os ritos do impeachment, foi alvo de ataques através das redes sociais, sobre um apartamento adquirido por sua esposa em Miami, em operação perfeitamente legal. No momento seguinte, reescreveu sua biografia voltando pela supressão da terceira instância nos processos.

A estratégia de grampear um Ministro de Estado é apenas mais um passo na escalada da Lava Jato, depois que atravessou o Rubicão. Lateralmente, há uma estratégia de intimidação de quem ousar ficar na frente.

Fator 3 - Lula. 

Se fosse pensar exclusivamente no seu processo, seria mais prudente a Lula não aceitar o cargo. Sendo Ministro, o caso vai para o STF (Supremo Tribunal Federal) e não haverá instâncias de apelação.

Politicamente, não há outra saída.

Não se tem um desafio fácil pela frente.

No formato mais rápido, o rito do impeachment leva 45 dias. Nesse período, Lula precisará apresentar ao PMDB um cenário minimamente confortável, que precisa incluir uma estratégia econômica, que não pode ser conservadora a ponto de agravar a recessão, nem fiscalmente imprudente.

O Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, tem em mãos algumas alternativas interessantes de retomar investimentos em saneamento com participação da iniciativa privada, em cima do encontro de contas com Estados e Municípios. O padrão Dilma, no entanto, é o receio de que um respiro mais forte e a água entrar pelo nariz. Talvez com Lula chegando, possa ser rompida a inércia.

O acordo com o PMDB só será selado se Lula demonstrar que o governo Dilma se tornou economicamente viável.

Há alguns fatos a favor. Nas últimas semanas surgiram no ar indícios de recuperação da economia e de redução do ímpeto inflacionário. Não se sabe até que ponto a Lava Jato conseguirá abortar essa recuperação, com as bombas dos últimos dias.

Fator 4 – Eugênio Aragão e o STF.

Se não pararem com a escalada da Lava Jato, não haverá estabilização possível.

Tem-se um quadro curioso.

O PGR Rodrigo Janot montou uma Força Tarefa absolutamente confiável, com total integração e afinidade política entre os procuradores escolhidos e os delegados da Polícia Federal.

Fora da Lava Jato, no entanto, há uma animosidade crescente entre procuradores e policiais, devido à tentativa da Polícia Federal em conquistar autonomia financeira e administrativa.

Aragão é um procurador eminentemente legalista. Mesmo tendo assumido a defesa do governo, em algumas ocasiões, conta com o amplo respaldo das associações de procuradores. E, na condição de Ministro da Justiça, passa a ser o comandante de fato da Polícia Federal.

A total perda de controle na Lava Jato - com grampos em Ministros do governo, ataques a Ministro do STF, truculência na invasão de residências e na decretação de prisões - é um fator potencial a mais para reagrupar forças jurídicas e políticas, antes que sobrevenha o caos.

Não tenho elementos suficientes sobre a habilidade política de Aragão, sobre o nível atual das suas relações com Janot, ou mesmo sobre sua posição em relação à Lava Jato para formular qualquer prognóstico. Nos debates e na defesa de ideias, mostrou-se uma fortaleza de coerência e de responsabilidade institucional. O jogo político exige mais, habilidade, visão estratégica. Aí, é esperar para ver.

A questão central é que sem uma ação orquestrada e responsável, passando pelo STF, que limite as estripulias da Lava Jato, não haverá normalização política e econômica possíveis.

Cenário de estabilização

O cenário de estabilização política e econômica passa pelas seguintes etapas, de difícil execução:

1.   Lula conseguindo reagrupar a base de apoio com o PMDB. O PSDB caindo na real sobre os riscos do estado policial.

2.   O STF colocando um freio na escalada da Lava Jato. Nos próximos dias a Lava Jato, juntamente com a Globo, jogará tudo – inclusive ameaças à família de Lula – para abortar qualquer tentativa de acordo.

3.   A perspectiva de recuperação da economia não ser novamente abortada pela estratégia da Lava Jato.

Há uma possibilidade, ainda que pequena, de reverter o jogo.

Luís Nassif
No GGN
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Acabou a blindagem do PIG?

Documentos revelam que doleiro abriu conta secreta da família de Aécio Neves em Liechtenstein


Época obteve acesso aos papéis, apreendidos em operação da PF. Conta foi citada por Delcídio do Amaral, na delação homologada no STF, e está sendo investigada pela PGR na Lava Jato — anos atrás, MP chegou a arquivar o caso, sem apurá-lo



Na manhã do dia oito de fevereiro de 2007, um comboio da Polícia Federal atravessou sem alarde a avenida Rui Barbosa, no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Estacionou próximo ao portão de abóboda dourada do edifício residencial Murça, no número 460. Desembarcaram dos carros agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, a unidade da PF encarregada de investigar esquemas de lavagem de dinheiro. Bateram à porta de um dos confortáveis apartamentos do décimo-terceiro andar. Um casal de senhores atendeu, atônito. Não havia engano: era atrás deles que a PF estava. O octogenário Norbert Muller e sua mulher, Christine Puschmann, eram suspeitos de comandar uma das mais secretas e rentáveis “centrais bancárias clandestinas” do país. Vendiam aos seus clientes um serviço que, por aqui, só eles podiam oferecer: a criação e manutenção, no mais absoluto sigilo, de contas bancárias no LGT Bank, sediado no principado de Liechtenstein, o mais fechado de todos os paraísos fiscais do mundo. Naquela manhã de fevereiro, tanto no apartamento do casal Muller quanto no escritório deles, os agentes e delegados da PF encontraram as provas de que precisavam.

Graças à organização minuciosa de Norbert Muller, havia pastas separadas para cada um dos clientes — apenas nos arquivos do apartamento, a PF localizou 75 nomes. Cada pasta apreendida continha extratos bancários de contas, procurações, cópias de passaporte do cliente, contratos, correspondências de Muller com o banco LGT, anotações de valores. Época obteve cópia — na íntegra e com exclusividade — dos papéis apreendidos e da investigação da PF. Havia ali pastas com nomes de advogados, médicos, empresários, socialites, funcionários públicos, um ex-deputado e até um desembargador do Rio recém-aposentado. Havia ali, especialmente, uma pasta-arquivo amarela, identificada pela PF nos autos de busca e apreensão pelo número 41. Nela, o doleiro Muller escrevera, a lápis, a identificação “Bogart e Taylor”. Era o nome escolhido por Inês Maria Neves Faria, mãe e sócia do senador Aécio Neves, do PSDB de Minas, então presidente da Câmara dos Deputados, para batizar a fundação que, a partir de maio de 2001, administraria o dinheiro da conta secreta 0027.277 no LGT.


Na terça-feira (15), tantos anos depois, veio a público a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul, que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Nela, entre muitas outras denúncias, Delcídio cita a conta em Liechtenstein. Aos procuradores, o senador disse que fora informado "pelo ex-deputado federal José Janene, morto em 2010, que Aécio era beneficiário de uma fundação sediada em um paraíso fiscal, da qual ele seria dono ou controlador de fato; que essa fundação seria sediada em Liechtenstein". Delcídio diz que não sabe dizer ao certo, mas que "parece que a fundação estaria em nome da mãe ou do próprio Aécio Neves; que essa operação teria sido estruturada por um doleiro do Rio de Janeiro". Delcídio disse não saber se há relação entre essa fundação e as acusações que fez ao tucano — entre elas, de ser beneficiário de propinas em Furnas e de ter agido para interferir nas investigações da CPI dos Correios, da qual o petista foi presidente, em 2006. Janene era um dos líderes do esquema em Furnas, segundo as investigações.

Foi a primeira vez que uma testemunha da Lava Jato citou em público o que os investigadores da Procuradoria-Geral da República investigam sigilosa e discretamente. Os procuradores que trabalham ao lado de Rodrigo Janot apuram a participação de Aécio nos esquemas citados por delatores, em especial o de Furnas. Pediram colaboração internacional, junto às autoridades de paraísos fiscais, para averiguar se contas como a associada ao senador em Liechtenstein foram usadas para o recebimento de propinas. Já descobriram, informalmente, que vários políticos brasileiros foram pagos em contas secretas em paraísos fiscais europeus. Aguardam o compartilhamento oficial dessas evidências. Marcelo Miller, um dos procuradores que atuaram no caso do doleiro Norbert Muller, integra a força-tarefa da PGR.

Aécio acabara de assumir a Presidência da Câmara dos Deputados quando a conta em Liechtenstein foi aberta. De acordo com os documentos apreendidos pela PF, ela poderia ser movimentada por Inês Maria e por Andréa Neves, irmã de Aécio. Segundo os papéis, Aécio não estava autorizado a movimentar a conta da fundação no banco LGT. Era, no entanto, seu beneficiário, de acordo com um documento apreendido pela PF e conhecido como “By Law”. Trata-se de um documento sigiloso, cujas cópias estão disponíveis apenas para os signatários e seus advogados — e que nem sequer é registrado perante as autoridades de Liechtenstein. O beneficiário, ou membro, de uma fundação tem direito a receber bens e dinheiro dela. Uma cláusula do By Law da fundação Bogart & Taylor especificava que, no caso da morte de Inês Maria Neves, Aécio herdaria a fundação e, com isso, o direito de movimentar livremente a conta no LGT. Ele, a mãe e a irmã são sócios em diversos outros empreendimentos, entre eles uma rádio e duas empresas de participação, de acordo com documentos da Junta Comercial de Minas Gerais.

A investigação da PF confirmou que nem Inês Maria, nem Andréa, nem Aécio declararam a existência da conta e da fundação Bogart & Taylor à Receita Federal ou ao Banco Central, como determina a lei. Nenhum dos outros clientes de Muller havia declarado também. Em tese, cometeram os crimes de evasão de divisas, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. Procurados por Época, nem Aécio nem Inês Maria quiseram dar entrevista. Por meio de seus advogados, a família Neves confirmou que os documentos apreendidos são verdadeiros e que Inês Maria pretendia criar a fundação Bogart & Taylor em Liechtenstein para destinar recursos à educação de seus netos. Mas afirmam que a conta secreta no LGT foi aberta “sem conhecimento” da família. E permaneceu aberta por seis anos “à revelia” — até a operação da PF naquela manhã de fevereiro de 2007. Numa das notas enviadas a Época, os advogados da família Neves afirmam: “Em 2001, assessorada pelo seu marido, o banqueiro Gilberto Faria, a Sra. Ines Maria pensou em criar uma fundação no exterior para prover os estudos dos netos. Foram feitos contatos com o representante de uma instituição financeira, no Brasil, e a Sra. Ines Maria encaminhou ao representante as primeiras documentações. Em função da doença de seu marido (Gilberto Faria morreria em outubro de 2008), os procedimentos foram interrompidos, e a fundação não chegou a ser integralmente constituída. A Sra. Ines Maria nunca assinou qualquer documento autorizando a abertura de conta bancária e nunca realizou remessa financeira para a mesma”.

Após a revelação do depoimento de Delcídio, a assessoria de Aécio divulgou nota reafirmando, em essência, o que seus advogados haviam informado a Época. Omitiram, porém, que a conta só foi declarada após a batida da PF na casa do doleiro. Acrescentaram que o MPF no Rio e, ano passado, a própria PGR arquivaram investigações sobre o caso. É verdade. Omitiram, no entanto, que não houve investigação em nenhuma das duas instâncias. Numa, os procuradores disseram ser inviável apurar a existência da conta, em razão da proteção assegurada por Liechtenstein; noutra, a mais recente, a PGR limitou-se a seguir burocraticamente o que os procuradores no Rio já haviam dito. Ao arquivar o pedido de investigação, a PGR, no entanto, ressaltou que ele poderia ser reaberto mediante o surgimento de mais provas - como a delação de Delcídio e o avanço na colaboração da Lava Jato com autoridades de paraísos fiscais.

O segundo beneficiário

Indepedentemente do desenrolar da investigação na Lava Jato, um exame atento dos documentos da pasta amarela permite levantar sérias dúvidas sobre as declarações apresentadas por Aécio e seus advogados.Os papéis contradizem a versão de que a conta foi aberta "sem conhecimento da família" de Aécio e que permaneceu aberta "à revelia" dela. A pasta amarela guardava toda a papelada usada para abrir a conta. Havia cópia do passaporte de Inês Maria, assinaturas dela nos contratos com o LGT e procurações a Muller. Havia também páginas de extrato da conta. Em 2007, havia US$ 32 mil de saldo. Como são poucos os extratos apreendidos, não há como saber quanto dinheiro foi movimentado – nem quem fez depósitos ou saques. Na pasta, havia ainda numerosos faxes trocados entre Muller e um grupo de advogados ligados ao LGT, sediados em Vaduz, capital de Liechtenstein, com quem Muller mantinha parceria para facilitar contatos com o banco. Havia, por fim, os documentos de criação da fundação Bogart & Taylor, titular da conta no LGT. A criação da fundação, um tipo de entidade jurídica destinada a administrar patrimônios, estabelece uma camada extra de anonimato ao cliente. Uma coisa (a conta) não existe sem a outra (a fundação). Trata-se de uma precaução comum em Liechtenstein, também seguida por outros clientes de Muller.

Os documentos revelam que as tratativas para abrir a conta secreta começam em abril de 2001. Não se sabe quem da família de Aécio procura Muller — nem por quê. Naquele momento, apesar das declarações dos advogados de Aécio, Muller já é um personagem conhecido no mundo dos negócios clandestinos cariocas. Não é um "representante de uma instituição financeira". É um doleiro, conhecido também da PF, que o havia processado por crimes contra o sistema financeiro e fraude cambial em casos dos anos 1990. No dia 26 de abril, surge o primeiro registro formal da abertura da conta (todos os documentos em alemão obtidos por Época foram vertidos ao português por um tradutor juramentado). Muller envia um detalhado fax aos advogados de Liechtenstein que, em parceria com ele, cuidavam das contas secretas da clientela brasileira. O assunto: “Nova fundação Bogart and Taylor”. Em anexo ao fax, seguem os documentos de abertura da Bogart & Taylor e, também, da conta bancária dessa fundação. “Hoje eu recebi da proprietária US$ 21.834,00 a título de capital e peço que me informe por fax o endereço para o qual deve ser transferido o dinheiro”, escreve Muller. Ele é claro quanto à administração do dinheiro: “A fundação deve abrir uma conta no Banco LGT Bank em Liechtenstein AG, e ambas as pessoas inscritas no cartão de assinaturas deverão poder assinar”. Assinar, nesse caso, significa o poder de movimentar a conta. As pessoas autorizadas são Inês Maria e Andréa.

Três dias depois, em 29 de abril, Muller envia mais documentos da família Neves a Liechtenstein. Conta detalhes das tratativas com Inês Maria: “Gostaria de informar que a proprietária quer substituir ‘and’ por ‘&’. Por favor, faça esta alteração. Em anexo, encaminho o estatuto que acertei com ela na data de hoje. Peço a gentileza de informar se esta minuta pode ser aceita. Na quarta feira visitarei a proprietária novamente, para colher a assinatura”. No dia seguinte, a advogada Daniela Wieser, uma das parceiras de Muller em Liechtenstein, confirma o recebimento dos papéis: “A fundação está sendo criada na data de hoje, e espero todos os documentos de volta até a metade da semana que vem. Por favor, envie ainda o endereço e a data de nascimento da cliente (eventualmente por fax), e uma cópia autenticada do passaporte”. Daniela Wieser informa a conta (0400130AH) no LGT que deverá receber os recursos para a criação da Bogart & Taylor. Essa conta pertencia à Hornbeam Corporation, era administrada pelo grupo de Muller – e, noutras investigações da PF, já aparecera metida em transações ilegais com doleiros brasileiros. Não há comprovantes da origem dos dólares repassados pela família de Aécio ao doleiro Muller. Mas é certo que eles chegaram à conta secreta no LGT por meio de uma conta usada para lavar dinheiro.

Em 7 de maio de 2001, prossegue a troca de documentação entre Muller e seus contatos em Liechtenstein. A advogada Daniela pede, por fax, mais informações sobre Inês Maria: “Por favor, me informe por fax a profissão da cliente e de seu ex-marido, pois necessito destas informações para a Hornbeam (a empresa de Muller, cuja conta abasteceria a conta da família Neves em Liechtenstein)”. Muller responde no mesmo dia: “A cliente (Inês Maria) administra seu próprio patrimônio. O ex-marido (Gilberto Faria) é um industrialista com diversas empresas, além de acionista de um grande banco (Bandeirante)”. No mesmo dia, Muller envia os documentos necessários para a criação da Bogart & Taylor: cópia autenticada do passaporte de Inês Maria, procuração assinada por ela e os estatutos da fundação.

O estatuto, assinado por Inês Maria, prevê que ela teria a liberdade de distribuir o dinheiro em nome da Bogart & Taylor como quisesse. Segundo o estatuto, cria-se a Bogart & Taylor com um patrimônio inicial de 30 mil francos suíços. Noutro documento, uma espécie de procuração, Inês Maria delega a Muller, por meio de uma das companhias dele, a Domar Fiduciary Management, com sede em Liechtenstein, o poder de administrar a Bogart & Taylor e o dinheiro dela. No mesmo documento, assinado pela mãe de Aécio, especifica-se que a Bogart & Taylor abrirá conta no LGT, que os recursos dessa conta serão geridos em dólares americanos – e que a conta poderá ser movimentada por Inês Maria e Andréa. Ou seja, nada indica que tenha sido uma operação "sem conhecimento da família". Muller aparece como contato da Bogart & Taylor, com a seguinte ressalva: “(Contactar) Apenas em casos de extrema necessidade”. Semanas depois, Muller viaja a Liechtenstein. Encontra-se em Vaduz com os advogados que cuidam das contas no LGT. Recolhe as assinaturas deles, os recibos do LGT e, logo depois, traz a papelada ao Brasil. Guarda-as na pasta amarela.

LGT, um banco de lavagem

Quatro anos após a abertura da conta, os advogados ligados a Muller pedem que Inês Maria assine mais papéis. Agora, a família Neves demonstra cuidado. Em 16 de março de 2005, Muller explica aos advogados, por fax, por que Inês Maria não quer assinar os documentos restantes: “A proprietária (Inês Maria), por ocasião de minha visita no dia de ontem, declarou que ela não quer assinar nenhum documento no Brasil. (…) Se a assinatura das declarações que me foram enviadas tiver que ser de imediato, ela prefere fechar a fundação (...) Em poucos meses, ela (Inês Maria) estará em Paris e me prometeu informar a data da viagem e o local de permanência em Paris, para que o senhor possa enviá-la os documentos para assinatura”.

Meses depois, em 17 de novembro do mesmo ano, nada mudara. Por fax, Muller reforça aos advogados que Inês Maria prometera resolver as pendências somente quando estivesse fora do Brasil. “Infelizmente, a senhora (Inês Maria) ainda não assinou o formulário ‘declaração’. Ela sempre diz que pretende resolver essa pendência tão logo esteja em Paris. Mas seu esposo está atualmente doente e se encontra em cadeira de rodas, de forma que ela não pode viajar”, escreve Muller. Diante da demora de Inês Maria em assinar os papéis, ele parece resignado: “Continuarei tentando colher a assinatura dela, mas não tenho muitas esperanças”.

No dia em que a PF apreendeu os papéis na casa de Muller, a conta de Inês Maria no LGT registrava saldo de US$ 32.316,12. Dois meses após a operação da PF, Inês Maria finalmente “cancelou os procedimentos de criação da fundação”, nas palavras de seus advogados. De onde saiu o dinheiro depositado por Muller na conta de Liechtenstein? Os advogados dizem que Inês Maria pagou, embora não identifiquem a origem dos recursos nem forneçam comprovantes: “Ao longo de seis anos, o Sr. Norbert cobrou duas vezes, em 2001 e em 2005, da Sra. Ines Maria, honorários e taxas para a criação da fundação. O valor total dos dois pagamentos, feitos em moeda nacional, no Brasil, correspondeu, na época, a cerca de US$ 30 mil, uma média anual de US$ 5 mil. Em 2007, após protelar por anos a assinatura dos documentos faltantes, tomou a iniciativa de encerrá-lo para evitar que se mantivesse indefinidamente em aberto”.

Abrir uma conta em Liechtenstein e declará-la ao governo seria tão inusitado que não há registro público disso. O BC não pôde informar a Època o total de recursos enviados por brasileiros a Liechtenstein — uma informação que costuma ser pública. O montante, diz o BC, é tão pequeno que revelá-lo ameaçaria o sigilo bancário dos poucos remetentes. O LGT, que pertence à família real de Liechtenstein, é conhecido, no sistema financeiro internacional, como um porto tranquilo para dinheiro de origem duvidosa. Em fevereiro de 2009, dois anos após a operação da PF, Heinrich Kieber, um funcionário do LGT, fez cópia completa dos documentos de 1.400 contas hospedadas no banco. Vendeu-as aos serviços secretos da Alemanha e da Inglaterra – dois dos países com maior número de correntistas, que maior prejuízo haviam tido com a sonegação de impostos. Seguiram-se extensas investigações e a maior operação de combate à evasão fiscal nos dois países. Os dados foram compartilhados com outros países prejudicados, como França, Espanha, Itália, Grécia, Suécia, Áustria, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Canadá e Estados Unidos. Houve investigações em todos e prisões na maioria. Até a Lava Jato, o Brasil não pedira acesso aos dados.

Num depoimento ao Senado americano, ainda em 2009, Kieber deu detalhes de como clientes são orientados pelo LGT a proceder, de maneira a enganar as autoridades. “O LGT orientava seus clientes a não contar a ninguém sobre a existência dessas entidades (fundações), incluindo advogados ou familiares que não fossem beneficiários do patrimônio mantido no bancos suíços”, afirmou Kieber. “As relações humanas podem não terminar bem, e o cliente se transformar em vítima de alguma chantagem.” Outra orientação, nas palavras de Kieber: “Não ligue para o LGT de casa, não ligue de casa nem do trabalho. Use apenas telefones públicos”. De acordo com o Kieber, o LGT só usava telefones celulares da Suíça e da Áustria, para dificultar o rastreamento das autoridades. Ele informou também que o LGT não se comunica com seus clientes por e-mail. “O fato de os clientes do LGT não precisarem do dinheiro escondido para despesas rotineiras ajuda a não ser detectado.”

A central bancária paralela

De posse do material recolhido e analisado pela PF, e ciente também das revelações do ex-funcionário do LGT, o Ministério Público Federal decidiu não aprofundar as investigações. Em 20 de abril de 2009, os procuradores Fábio Magrinelli e Marcelo Miller ofereceram denúncia apenas contra os três integrantes da família do patriarca Muller, que morrera recentemente: a viúva dele, Christine Puschmann (segundo os procuradores, ela assumira os negócios do marido) e duas de suas filhas, Christine Muller e Ingrid Muller. “A denunciada Christine Puschmann, agindo em conjunto com seu companheiro Norbert Muller, fez operar uma verdadeira instituição financeira informal, mas suficientemente estruturada, gerindo recursos de terceiros em larga escala. As atividades eram desenvolvidas com a captação, intermediação e aplicação de divisas pertencentes a seus clientes, pessoas físicas majoritariamente residentes no Brasil, em especial a partir da administração de contas mantidas no exterior, mais precisamente no LGT Bank, sediado em Liechtenstein, e no UBS Bank, sediado na Suíça, em notórios paraísos fiscais”, escreveram os procuradores. Eles afirmam que a família Muller atuava como uma espécie de “central bancária paralela”. Abriam e movimentavam contas em paraísos fiscais, sacavam dinheiro, depositavam dinheiro — e até distribuíam cartões de crédito, de modo a facilitar os gastos cotidianos dos clientes.

Segundo a denúncia, o material apreendido pela PF na casa de Muller, aliado aos diálogos telefônicos interceptados no decorrer da investigação, revela a existência de “mais de uma centena de contas vinculadas ao LGT Bank e ao UBS Bank que eram administradas pelo casal”. “Tem-se que a identificação das contas e de seus titulares a partir dos elementos carreados aos autos, todos harmônicos e complementares entre si, evidencia a dimensão do esquema ilícito posto em prática por Norbert Muller e Christine Puschmann, revelando a perenidade da sistemática, o longo lapso temporal em que executada, a expressividade dos valores envolvidos (…), tudo realizado à margem da fiscalização das autoridades brasileiras, sempre com o cuidado de se manter a clandestinidade dos negócios”, afirmam os procuradores.

E quanto aos clientes? Os procuradores acharam melhor transformar o caso de cada um num processo separado. A depender da cidade de residência do investigado, encaminharam fragmentos de provas a diferentes procuradores, que tiveram autonomia para decidir que providências tomar. Essa estratégia produziu resultados incoerentes com a denúncia do MP contra Christine Puschmann. Em Porto Alegre, os procuradores resolveram pedir a Liechtenstein acesso às contas dos investigados. No Rio de Janeiro, onde mora a maioria dos clientes, diferentes procuradores ofereceram diferentes entendimentos sobre como proceder, apesar de analisar iguais evidências. Houve casos de denúncia. E houve casos de pedido de arquivamento. Foi o que aconteceu com a família Neves.

Em 23 de fevereiro de 2010, o procurador Rodrigo Poerson — dez meses após seus colegas de andar na Procuradoria da República do Rio acusarem Muller de operar uma “central bancária paralela” — assinou despacho em que pede o fim das investigações sobre a conta da fundação Bogart & Taylor. (O MPF se recusou a fornecer cópia do parecer; Época teve que obter o documento na Justiça.) Nele, em três páginas, Poerson acolheu integralmente os argumentos da defesa de Inês Maria. E disse ser inviável conseguir a colaboração de Liechtenstein. Ele desconsiderou os documentos assinados por Inês Maria, que previam a abertura da conta, e a própria natureza das fundações em Liechtenstein — para criar uma fundação, é necessário depositar 30 mil francos suíços numa conta aberta em nome dela. Diante do parecer de Poerson, em 26 de fevereiro de 2010 o juiz federal Rodolfo Hartmann, do Rio de Janeiro, não teve opção senão arquivar o processo. Ele fez a ressalva de que, se o Ministério Público tentasse conseguir mais provas, reabriria a pasta amarela.
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Delcídio Amaral é um Judas ou uma Madelena arrependida?


Seja qual for a conclusão, a atitude do senador é um retrato histórico do combate político brasileiro entre forças progressistas e conservadoras.

As razões que levaram o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) a fazer a delação premiada em termos tão comprometedores para meio mundo são ainda desconhecidas. A versão panfletária da Folha de S. Paulo é de que ele se diz “um profeta do caos”, rechaçando os rótulos de vilão e de bandido. No mundo da realidade, não é possível dar razão a ele: quem faz acordo com bandidos não passa de bandido. Delcídio se aliou à torpe revista Veja na ação combinada com a “Operação Lava Jato” do juiz Sérgio Moro para jogar jornalismo marrom no ventilador golpista, ligado 24 por dia.

O grampo do conluio mídia-Lava Jato no ministro Aloizio Mercadante, que repetiu o figurino usado no filho do delator Nestor Cerveró, produziu uma peça grotesca, que fez os golpistas correrem até a janela, colocar a cabeça para fora e agradecer aos céus, aos brados, por essa nova oportunidade de atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff. Essa troca de pele de Delcídio — na verdade ele sempre foi um tucano vestido de petista — reforça as bravatas, o discurso fácil, o denuncismo estéril da mídia.

A jogada é espalhar cascas de banana

A tática é óbvia: fazer o campo governista gastar mais energia preciosa em bate-bocas fúteis e tentar levá-lo para longas caminhadas por becos sem saída. Ao mesmo tempo, desviar o país daquilo que realmente importa: lutar para o seu desenvolvimento, sanar suas mazelas sociais, gerar mais prosperidade e qualidade de vida para todos. A direita tem em conta que os ventos do ciclo Lula-Dilma sopram em direção oposta ao seu rumo e luta para fugir da segunda divisão do campeonato político. Por isso, abandonou o jogo democrático e incita a torcida a invadir o campo institucional — papel sem dúvida bem desempenhado pela mídia.

No centro do alvo estão os êxitos desse ciclo que fazem a direita olhar para frente e ver um cenário bem diferente daquele deixado por ela em 2002. Ou seja: os golpistas têm a convicção de que, no jogo limpo da sucessão presidencial em 2018, apesar da mídia o projeto de país que vem de 2002 se apresentará com força. A fim de evitar esse confronto democrático, a jogada é espalhar cascas de banana pelo caminho e armar emboscadas para resolver já, pela via golpista, o que deveria ser resolvido no término do mandato da presidenta Dilma Rousseff.

A oposição tem consciência de que num debate aberto e num processo político dentro das regras democráticas a maioria da população vai recobrar a percepção de um Brasil bem diferente daquele país alquebrado, em vários sentidos, por uma ditadura militar e por governos neoliberais que geraram desencanto cívico, estagnação econômica, debate político primitivo, corrupção institucionalizada em todos os níveis e baixa auto-estima em ser brasileiro. Há um projeto em curso como seguramente não temos desde Juscelino Kubitscheck. Há uma civilização se construindo, como só acontece em lugares que passam tempo consistente respirando os ares do debate democrático, refletido, e de consideração pelos anseios populares.

Outro lado da fronteira democrática

Essa é uma grande coisa para a situação e uma péssima informação para a oposição. Por isso, a direita não deixa o jogo ser jogado. Ao invés de termos onze jogadores vigiados por um juiz apenas, rigoroso, imparcial, que conheça o seu lugar e só apite quando e onde se fizer necessário, temos onze juízes enlameados da cabeça aos pés vigiando o mesmo jogador. Além dos vigaristas que povoam a mídia, entraram em campo promotores, delegados, procuradores, juízes e até artistas especializados na arte da canelada e da luta-livre circense.

Sobre o motivo — seja ele qual for — de Delcídio Amaral ter aderido a essa tática de jogo, há duas considerações a serem feitas. A primeira é a natureza do processo político brasileiro. Não há dúvida de que o Partido dos Trabalhadores (PT) paga o preço de não ter se protegido contra gente desclassificada como esse senador, agora também delator. A segunda é que a direita tenta se limpar criando um manto de fealdade para cobrir o cenário político brasileiro e emergir como a salvadora da pátria.

É preciso considerar que a direita sempre caminhou pelo outro lado da fronteira democrática para golpear qualquer projeto de país de corte nacional, por meio do conluio e da negociata. Eles não podem simplesmente jogar o jogo porque o escopo ideológico que lhe corre nas veias já há muito está superado pela história. O que há do seu lado no espectro político são oligarquias e forças golpistas que compõem duas faces de uma mesma moeda nada razoável e sem nenhuma chance de gerar um Brasil melhor. A direita tenta fugir dos rótulos — como o de golpista — que, não por coincidência, lhe caem bem.

Desenvolvimentistas de verdade

Seu projeto tem que prever a existência de perdedores, de um exército de excluídos, como forma de garantir seus privilégios. No âmbito político, o que para a o povo é considerado corrupção para os conservadores são apenas hábitos seculares. Para a direita, os sistemas democráticos não podem funcionar a contento porque se funcionassem eles definhariam a maior indústria brasileira, que perpassa todos os níveis de sua atuação, e atinge inclusive, acredite, o seu e o meu dia a dia: a da corrupção, do esquema, do caixa dois. Os conservadores instauraram por aqui, há muitas gerações, o império da gambiarra.

Não convém, para eles, que a democracia seja alargada. Onde impera a democracia de massas, os líderes da administração pública só chegam a seus cargos pelo voto do cidadão. No Brasil da direita, quando essa regra prevalece são enviados para Brasília, por meio das urnas dominadas pelo poder econômico, traficantes de drogas, estelionatários, mandantes de assassinatos, lavadores de dinheiro. Verdadeiros Manchas Negras e Irmãos Metralha — e alguns Superpatetas — posam de vestais, protagonizando situações tragicômicas, excruciantes, de desesperador ridículo. Gente habituada ao tráfico de influência e à falta de transparência dos acordos fechados entre quatro paredes fala de “ética” como valor inegociável. Um escárnio!

Com atitudes como essa de Delcídio Amaral, no entanto, fica difícil enunciar a crítica a tudo isso. Afinal, aquilo que a esquerda sempre considerou maus hábitos passou a ser visto, pelo menos por uma parte da sociedade, como um feixe de tradições políticas de difícil remoção. Mas um governo preocupado em integrar os excluídos, planejando os investimentos de forma organizada e privilegiando as áreas básicas, tem moral para promover a ampliação da democracia e buscar a equalização de duas grandes necessidades brasileiras: sermos desenvolvimentistas de verdade, no âmbito da economia; e solidários, humanistas de verdade, no trato das questões sociais. É por aí que virá a vitória do povo nessa guerra suja deflagrada pela direita golpista.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
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Como Delcídio do Amaral se vingou de Mercadante


A íntegra da delação premiada de Delcídio do Amaral mostra o que, efetivamente, o ministro da Educação e nome de confiança de Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante, disse ao assessor do parlamentar, José Eduardo Marzagão, e as conclusões e interpretações que ele mesmo teve para os investigadores da Lava Jato.

Espontaneamente, Delcídio entregou a gravação das conversas entre seu assessor e o ministro ao Ministério Público Federal, sem que os investigadores solicitassem ou questionassem esclarecimentos sobre o fato.

A delação de Delcídio, neste ponto, inicia-se com o parlamentar explicando porque tem "atritos políticos" com Mercadante. Citou, então, o caso do senador José Sarney, em que a bancada do PT orientou o voto de seus parlamentares pelo arquivamento de pauta e que Mercadante mudou a postura e votou pelo prosseguimento das investigações.

Delcídio também recuperou em sua memória de conflitos com o ministro que, durante a CPI dos Correios, da qual era presidente, Aloisio Mercadante havia comparecido uma única vez, apenas "para tentar livrar sua propria responsabilidade pelo fato de Duda Mendonça ter feito sua campanha e estar, ao mesmo tempo, envolvido no contexto das investigações do Mensalão", na sua opinião.

Em seguida, afirmou que esse conflito foi o que fez com que sua esposa negasse a tentativa do ministro de entrar em contato com ele. Na versão de Delcídio, com a suposta negativa, Mercadante teria procurado o seu assessor, Eduardo Marzagão, nos dias 1, 9 e 28 de dezembro do último ano, enquanto Delcídio estaria preso. 

O conteúdo da conversa entre os dois — que podem ser verificadas na gravação vazada para a imprensa — e a interpretação do senador foram: 

(01) Mercadante pediu "calma" a Delcídio, por meio de seu assessor, e pediu que avaliasse "muito bem a conduta a tomar, diante da complexidade do momento crítico". Como forma de consolo, o ministro disse ao senador que "em pouco tempo o problema seria esquecido e que tudo ficaria bem".

Em delação aos investigadores, Delcídio interpretou que a mensagem "a bem da verdade era no sentido do depoente não procurar o Ministério Público Federal para, assim, ser viabilizado o aprofundamento das investigações da Lava Jato". 

(02) O assessor de Delcídio comentou, em uma das conversas, que Delcídio e sua família estavam gastando dinheiro com advogados e, por isso, colocando imóveis à venda. Mercadante respondeu que sobre o pagamento de advogados, o senador poderia contar com o PT, por meio de uma empresa, para pagar os honorários.

Delcídio concluiu que "este é o modus operandi do PT". Que "a propósito da contratação de escritórios de advocacia ao tempo do Mensalão, acredita que o PT bancou a defesa dos correligionários envolvidos".

(03) Mercadante, em determinada situação, mostrou a confiança que tem da presidente Dilma Rousseff, afirmando que "se ela tiver que descer a rampa do Planalto sozinha, eu descerei ao lado dela".

O gesto foi entendido por Delcídio que: "Aloisio Mercadante agiu como emissário da Presidente da República e, portanto, do governo". 

(04) Em outro episódio, Mercadante afirmou que se Delcídio resolvesse colaborar com o Ministério Público Federal e com o Poder Judiciário, receberia uma "responsabilidade monumental" por ter sido "um agente de desestabilização".

O senador disse ter achado "estranha esta afirmação" e concluiu que foi uma "ameaça velada à vista de possível recrudescimento da crise política".

(05) Mercadante salientou a Delcídio do Amaral que o deixava "à vontade para decidir o que achasse melhor".

Mas, "na percepção do depoente [Delcídio]", isso "reforçava a intenção" de Mercadante de fazer o senador "permanecer em silêncio". 

* * *

Ao final, o senador disse que concluiu achar melhor firmar o acordo de delação premiada porque "conhece o governo por dentro" e, por isso, "não sentiu qualquer firmeza nas promessas de solidariedade e de ajuda política que, eventualmente, receberia". O parlamentar cumpriu a promessa de vingança que anunciou, em dezembro do ano passado, ao não receber ajuda do PT.

Chegou a dizer que "se fosse outro o Governo", ele "poderia pensar de modo diferente" e não aceitar a delação.

Patricia Faermann
No GGN
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Lula assume ministério da Casa Civil


A presidenta da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro de Estado chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

Assumirá o cargo de ministro de Estado chefe da Casa Civil o ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Assumirá, ainda, o cargo de ministro de Estado chefe da Secretaria de Aviação Civil, o deputado federal Mauro Ribeiro Lopes.

A presidenta da República presta homenagem e agradecimento ao Dr. Guilherme Walder Mora Ramalho pela sua dedicação.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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A íntegra da conversa de Mercadante com Marzagão


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Rogério Correia explica as denúncias que envolvem Aécio Neves

'Marcos Valério precisa falar o que sabe sobre Aécio e mensalão tucano', diz Rogério Correia


As denúncias levantadas há anos pelo deputado estadual Rogério Correia, (PT-MG) sobre o mensalão tucano e as propinas que Aécio Neves recebia de Furnas, lentamente estão sendo confirmadas. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) acusou Aécio de ter recebido propina no esquema de corrupção em Furnas. A declaração foi feita em delação premiada homologada nesta terça-feira 15 pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. A repórter Marilu Cabañas conversou com o deputado federal Rogério Correia que dá mais informações sobre a corrupção que envolve Aécio e políticos do PSDB.



No RBA
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Aécio, finalmente, “virá ao caso”, Dr Janot?


Publica a Folha, à noite:

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve passar a ser investigado formalmente na Operação Lava Jato depois de ter sido acusado de receber propina na delação premiada do senador Delcídio do Amaral.

Hexadenunciado, será que o rapaz terá de responder sobre alguma coisa?

Ou vai ser “arquivado” de novo?

Embora pela quinta vez Aécio tenha sido citado como recebedor  de “propina de Furnas, empresa de economia mista subsidiária da Eletrobras”, diz a Folha que o que vai pegar é uma suposta manipulação da CPI de Furnas, para que o Banco Rural “ajeitasse” extratos bancários.

Se os meios de comunicação dessem às acusações a Aécio 5% do destaque das que dão a Lula, o senador mineiro não teria saído correndo do ato dos coxinhas, domingo, na paulista, sob vaias.

Teria saído de maca, sob escolta policial.

O problema é que o golpismo de Aécio e do PSDB não permitiram, até agora, a percepção de que também eles serão engolidos pela avalanche linchatória.

Há jeito de esconder muito, mas não de esconder tudo.

Engana-se Aécio se crê que a mídia lhe dará cobertura total.

Ela se preserva e, se não der para segurá-lo, ela o joga ao mar.

Não é indispensável, é útil.

Se não for, resta o Alckimin.

Ou o Serra.

Ou o Moro.

Ou, até, o Bolsonaro, em último caso.

Pois não lhe serviu o Collor, em 89?

Os “meninos da direita” são descartáveis, em um ano constroem um novo.

Tem vários na fila, esperando pelo lugar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O Cacareco golpista

O rinoceronte Cacareco era totalmente apartidário. Não tinha a menor intenção política, sequer de conquistar fama ou de ser bajulado. Pelo contrário, aquela gente curiosa que se enfileirava na frente de sua jaula só o irritava.

Apesar dessa aversão ao público, o Cacareco recebeu mais de 100 mil votos quando, em 1959, o jornalista Itaboral Martins lançou sua candidatura à Câmera Municipal da maior cidade do país, São Paulo. No total, os candidatos do partido mais votado naquele pleito não somaram 95 mil.

Como todo rinoceronte, o Cacareco não enxergava bem. Mas esta não foi a única limitação que o impediu de tomar pose, apesar de eleito pela ampla maioria dos eleitores paulistanos, em sufrágio democrático.

A vitória do Cacareco ocorreu graças à consciência paulistana do baixíssimo nível dos candidatos da época. Se o domingo, 13 de março de 2016, fosse uma eleição e somente aos da classe média popularmente identificada como de “coxinhas” fosse permitida a escolha de candidato, como tanto desejam, sem dúvida o juiz Sérgio Moro teria sido eleito à presidência do Brasil não só pelos de São Paulo, mas do país inteiro.

Não seria exatamente um voto Cacareco, como o dos paulistas em 1959, pois lá o eleitorado tinha consciência da necessidade de anular o voto em sinal de protesto ao então líder político do estado, Adhemar de Barros, e todos os demais candidatos. Mas assemelha-se na manifesta aversão da massa preparada por FHC para ser fritada pela mídia, contra os políticos em geral.

O problema é que na ausência do recheio os coxinhas escolheram um cabo eleitoral como Cacareco. No entanto, há tempo para a mídia prepará-lo e dará muito menos trabalho do que se teve para preparar o Caçador de Marajás. Só que enquanto Cacareco o rinoceronte, digo policial, ou melhor, juiz federal pode provocar efeitos imprevisíveis como a expulsão de Alckmin e Aécio das ruas.

E não se pode duvidar que o mesmo acontecesse com o próprio FHC se não fosse suficiente precavido para evitar arroubos intempestivos como os da dupla nasal, Pinóquio e Aspirador, que levaram os coxinhas a agirem como se em 59 os eleitores do Cacareco ameaçassem Itaboral Martins por ter criado o símbolo de protesto contra os políticos da cidade.

Sérgio Moro é o Cacareco da inconsciência política e não apenas de paulistanos, mas dos coxinhas do Brasil inteiro. E isso fica evidente quando apontados os demais indicados como principais concorrentes do Cacareco. Digo, do curitibano.

Cabeça a cabeça, correm na raia pelo segundo lugar o Ronaldo Caiado e o Jair Bolsonaro, candidatos de “altíssimo” nível. Um por somente considerar dignas de serem estupradas mulheres padrão revista Playboy, e o outro por apoiar o retorno da escravidão no Brasil.

Nenhum exagero! Ronaldo Caiado votou contra a PEC 57-A que criminaliza a prática da escravidão abolida pela Princesa Isabel em 13 de Maio de 1888. Além dos que preferem o Brasil anterior ao século XIX, há os que dão preferência ao Brasil anterior ao próprio Brasil, lá dos tempos dos hunos e outros bárbaros que ao invadir uma aldeia iam estuprando as mulheres que julgavam merecer tal “honra”, aos padrões Playboy e dentro dos conceitos de gostosas da época.

Geralmente bem cuidadas e produzidas ao modelo contemporâneo, talvez mães, irmãs e filhas destes eleitores sejam o oferecimento ao grande líder Bolsonaro, como já foi costume naqueles velhos tempos.

De eras mais recentes e menos exigente, Caiado se contenta com estupros de mucamas em senzalas.

Apesar de expulso da Av. Paulista e das denúncias da Lava Jato “não virem ao caso” segundo o rinoceronte, digo, o juiz Sérgio Moro; Aécio Neves, que completou a quina em delações premiadas ainda disputa um longínquo 3º lugar com o presidente da Argentina, Maurício Macri.

Pode parecer absurdo querer transferir ao Brasil o presidente que assumiu o cargo no país vizinho em janeiro, mas lembrando de que Dilma assumiu o mandato para o qual foi eleita também em janeiro de 2015 e em março do mesmo ano passado já a queriam depor, dá para se entender a lógica da imediatista consciência política coxinha.

Consciência trimestral, despertou-se em junho de 2013, três meses após as pesquisas de opinião pública apontarem aprovação recorde para o governo de Dilma Rousseff. E foi às ruas para evitar a reeleição que não consegue admitir.

Quanto ao Aécio ser mantido na raia apesar de expulso da Av. Paulista, também é compreensível, pois apesar de vestígios fósseis indicarem que a prática do tráfico de drogas, pelo menos para consumo próprio, provir desde os tempos da Idade da Pedra; muitos dos coxinhas têm consciência da maior presteza dos serviços de entrega por via aérea, através de aeroportos clandestinos ou por helicóptero.

Mas quem parece ter abandonado definitivamente o páreo pela memória coxinha foi o ex-juiz Joaquim Barbosa. Ninguém se lembrou de seu nome! Foi abandonado pela mídia em Miami, refúgio internacional de tiranos, contrabandistas, terroristas de direita; escroques em geral que por uma razão ou outra se preferem esquecidos.

Que a memória coxinha se limita ao cotidiano midiático e 3 meses sem divulgação tira qualquer um do hit parede, todos sabem; mas por quais motivos repentinamente a mídia tirou Barbosa dos flashes e manchetes é uma incógnita. Estarão guardando-o para quando o carnaval chegar?

Haverá ainda mais carnaval?

Por falar em carnaval, dessa vez não teve desfile de mulher pelada?!!! Quais serão as mais estupráveis para o eleitorado do Bolsonaro: as do La Licorne da Boca do Luxo de São Paulo ou as da aeróbica “Fora PT”, ao estilo das coristas do Domingão do Faustão?

E ainda há quem não reconheça a complexidade da dialética coxinha!!!

Apesar de tudo do que maldosamente falam dos coxinhas, desta vez comprovaram apurada consciência crítica e mandaram o Geraldo Alckmin pro brejo. Desculpem o deslize, quem vai pro brejo é a vaca. Alckmin apenas teve se recolher ao coxo. Se demorasse mais um pouquinho iria coxeando, atingido pelos próprios paulistas que o elegeram ao governo do estado sequestrado pelo PCC para espancar adolescentes na desocupação de escolas e pobres do Pinheirinho em defesa de interesse de megaespeculador, sem água para o banho e de verbas desviadas nas obras do metrô.

Terá sido pelos mesmos desvios das verbas do metrô paulistano que coxinhas também se esqueceram do José Serra? Ou foi pela sensibilidade do animal, digo, do cavalo, ou melhor, do candidato que se assusta até quando atiram bolinha de papel na pista?

Outra grande ausência no páreo da preferência eleitoral dos coxinhas foi a do Michel Temer. Diga-se de passagem, uma injustiça! Afinal a cavalo dado não se olha os dentes. Mas o que importa se a mula manca? Até o ainda há pouco grande favorito Eduardo Cunha, pior que azarão está mais por baixo do que coco do cavalo do bandido! Digo, do PT, que no bang-bang coxinha ocupa a função de assaltantes do cofre da nação, apesar de FHC ter sido quem o repassou com saldo negativo.

Mas não há dúvida de que o grande “mocinho” da temporada é o Sergio Moro, embora esteja prestes a perder seu fiel escudeiro índio, digo, japonês, pela intransigência de um Juiz do STF que não aceitou recurso da defesa no processo de Newton Ishii como contrabandista.

O Supremo não percebe que isso de contrabando não interessa à consciência política coxinha! Importante é caçar corruptos.

Do PT, claro! Se liberarem o Paulo Roberto Costa, sem dúvida terá apostas de coxinha. Tudo depende do trato da mídia e se for da vontade da grande sonegadora de impostos Globo, até Alberto Youssef poderá concorrer. Nem que seja correndo por fora como correu para a Petrobras depois de julgado pelo mesmo Sérgio Moro por operacionalizar os 80 milhões de dólares desviados do BANESTADO.

Qual foi o “bicho” pago em 2002 para liberar Youssef à corrida para o esquema montado por Roberto Costa depois de colocado na diretoria da estatal em 1995 por FHC, não interessa à consciência política coxinha. O que querem é Moro cruzando o disco final e o PT posto pra fora do governo.

Estão aí, novamente, todas as apostas no impeachment para atender a torcida das multidões de coxinhas. Com ou sem recheio, as massas preparadas por FHC e enroladas pela mídia são um peso considerável para o processo aberto pelo Cunha pelo impeachment da Dilma e para os rinocerontescos arremedos coercitivos do Moro contra Lula.

Resta saber quais são os favoritos do restante da população, pois por mais coxinhas nas ruas não é fácil justificar prisão coercitiva por pedalinhos e apartamentos triplexmente esclarecidos.

Por mais dificuldades de locomoção, por menos dinheiro para confecção de bonecos, michês de pornô-política, contratação de astros de rock decadente e outras atrações; sem essa gente os coxinhas não servem nem para lavar o prato em que comem. E de uma coisa podem estar certo, terão de engolir comida escarrada por muito tempo.

É o que dá ser míope como um rinoceronte e eleger cacarecos golpistas contra a manifestação democrática dos trabalhadores nas urnas.

Raul Longo
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Delação de Delcídio ainda está longe de ser provada

FHC estava no Planalto quando o tucano Delcídio era diretor da Petrobrás: ele narrou corrupção na compra da
P-36, que afundou, e na atuação do empresário Efromovich
Lemos com atenção toda a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, que hoje deixou o PT.

O senador é a síntese do tucano-petismo ao qual nos referimos seguidamente: todos os escândalos iniciados no governo de FHC sobreviveram e às vezes floresceram sob o governo Lula.

Sanguessugas, vampiros, mensalão, petrolão…

Não foi falta de aviso de uma tendência do PT, que tentou barrar a filiação de Delcídio, como denunciamos aqui.

Sem moralismo: o incentivo está na necessidade do financiamento de campanha, com as sobras dirigidas ao enriquecimento pessoal.

A delação do senador nos fez lembrar de um episódio que vivemos na Globo: a denúncia de que policiais rodoviários federais do Rio cobravam propina de motoristas que eram parados e descobertos com irregularidades em seus automóveis ou documentos, num posto de uma rodovia que cortava o estado.

A reportagem foi ao ar, com imagens de motoristas que deixavam o dinheiro para que fosse recolhido pelos policiais.

Porém, na Justiça, os acusados contestaram: argumentavam que não havia imagens dos policiais recolhendo o dinheiro da propina. Da última vez que tivemos notícia do caso, os acusados esperavam absolvição e pretendiam processar a emissora em busca de indenização. Alegavam que nunca foram filmados recolhendo o dinheiro e, portanto, não havia prova material do pagamento de propina.

Nosso ponto: na Justiça, diferentemente do jornalismo investigativo, é preciso mostrar a cadeia de provas que une o motorista corruptor ao policial corrupto: o dinheiro ou a vantagem precisa passar direta ou indiretamente entre um e outro.

Na delação de Delcídio, isso claramente não acontece. Foram acrescentadas “provas” para corroborar a delação de Delcídio, mas até agora são bastante frágeis: agendas, viagens realizadas pelo senador, etc.

Explicamos: Delcídio diz que teve uma conversa com a presidente Dilma nos jardins do Alvorada, destinada à nomeação de um juiz que soltaria réus da Lava Jato.

Porém, fica a palavra dele contra a dela. A não ser que fosse exibida uma gravação de áudio do encontro, mesmo que os dois tenham de fato se reunido na data e hora mencionadas pelo delator, isso não significa absolutamente nada.

Podem ter conversado sobre o que Delcídio denunciou, ou sobre bicicletas e gatos.

Isso não vale apenas para Lula ou Dilma. Vale também para as denúncias de Delcídio contra Aécio Neves ou Fernando Henrique Cardoso.

O presidente do PSDB teria pedido ao senador Delcídio um tempo para “maquiar” os documentos enviados pelo Banco Rural à CPI dos Correios, de forma a livrar aliados do tucano.

Esta declaração não vale absolutamente nada, a não ser que a Polícia Federal requisite novamente os dados do banco e os compare com aqueles oferecidos à CPI.

Se de fato houver discrepância, será batom na cueca.

Também não dá para sustentar a versão de Delcídio segundo a qual Aécio teria recebido propinas através da estatal Furnas.

É preciso requisitar formalmente a delação premiada do operador Nilton Monteiro, que está disposto a colaborar com autoridades federais.

Nilton, que foi preso por agentes ligados a Aécio durante a campanha eleitoral de 2014, é capaz de fornecer o mapa da mina para todos os esquemas de financiamento tucano através de caixa dois em Minas Gerais, inclusive a famosa lista de Furnas do diretor de Engenharia da estatal Dimas Toledo, que incrivelmente sobreviveu no cargo depois que Lula ascendeu ao Planalto. Foi, mesmo, uma indicação de Aécio a Lula?

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Da mesma forma, Delcídio apenas forneceu indícios de um prejuízo de U$ 270 milhões à Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando ele era tucano e diretor da Petrobras (veja documentos acima). Por valores de hoje, seria cerca de R$ 1 bilhão, sem considerar a inflação.

Como poderia agir a Polícia Federal neste caso? Fazendo uma devassa na vida de Joel Rennó, German Efromovich e na empresa Marítima.

Além disso, seria preciso analisar as relações dos acusados por Delcídio ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Não havendo provas, é puro disse-me-disse de Delcídio.

Que fique claro: isse vale para o PT ou para o PSDB.

Luíz Carlos Azenha
No Viomundo

Leia também: Na íntegra, a delação premiada de Delcídio do Amaral
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Vaiada pelos golpistas, oposição perde o controle e agride


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