13 de mar de 2016

Lula no governo?

Todas as condições estão dadas para ex-presidente, no Executivo, conduzir o país à retomada do crescimento com distribuição de renda, apoio político e legitimidade popular. Tudo que a direita não quer

Poucos temas atuais apontam para eventuais superações da conjuntura em que o país está preso há tanto tempo, girando em falso, sem conseguir sair do labirinto, como a possibilidade de que Lula entre para o governo da Dilma. Convidado por ela, que não se importa de que ele poderia virar um “super ministro”, a possibilidade passou a ser tema de discussão na esquerda. A direita repudia imediatamente, comprovando que foi pega desprevenida e que poderia deslocá-la dos termos com que ela age na conjuntura atual.

Contra essa possibilidade se situam argumentos como o de que ele pareceria fugir das acusações do Judiciário para se abrigar no foro privilegiado do ministério, assim como o de que ele abandonaria sua mulher e filho que, sem as mesmas prerrogativas, poderiam pagar pela sanha vingativa de promotores que o perseguem abertamente hoje.

Inclui-se também o argumento de que ele poderia ser arrastado pelo fracasso do governo e se queimasse como líder político.

Nessa lógica de argumento, Lula deveria enfrentar as acusações nas condições atuais, as contornaria ou até seria preso, mas terminaria se desvencilhando delas.

Essa linha de pensamento encontra argumentos opostos. Primeiro, em que, indo para o governo, Lula não deixaria de responder às acusações que lhe são feitas, mas responderia diretamente ao STF, libertando-se do que a maioria aceita que é uma perseguição política de promotores. Além de que ele manteria sua capacidade de falar, instrumento fundamental, que ele perderia totalmente e passaria a ter sua imagem pública linchada caso fosse preso.

Indo para o governo, Lula enfraqueceria a Lava Jato, no que ela evidentemente tem de perseguição a ele. Ao mesmo tempo, fortaleceria o governo e enfraqueceria o impeachment.

Fortaleceria o governo por aumentar sua capacidade de articulação política, a de intermediação com a esquerda e os movimentos sociais, com setores do empresariado. Além de ter alguém que assuma o discurso do governo e que pode, também, de dentro do próprio governo, contribuir para adequações fundamentais na política econômica, que hoje não encontra nenhum tipo de apoio para se sustentar.

Além disso, no governo, Lula assumiria realmente o papel de um super ministro, como menciona Dilma, dando coerência e consistência às ações governamentais. Preencheria o perigoso vazio que o governo tem deixado e que tem sido ocupado pela oposição, tanto partidária, quanto midiática.

Quanto ao argumento sobre os destinos do governo se este fracassar, mesmo sem Lula dele participar, o ônus cairá sobre si e sobre o PT. Trata-se, portanto, muito mais do que proteger o ex-presidente das arbitrariedades de promotores e da Polícia Federal, de fortalecer o governo e colocá-lo em condições de superar positivamente a crise atual.

Dilma reiterou o pedido de que Lula participe do governo e colocou ênfase em que se orgulharia muito de que ele aceite o convite. Todas as condições estão dadas para que ele componha o alto escalão do Executivo e possa conduzir o país para a retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, com apoio político e legitimidade popular.

Emir Sader
No RBA
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Claúdio Pracownik, da foto da babá, foi vice-presidente da Brasif, empresa que bancou amante de FHC



Cláudio Pracownik, cuja foto com sua esposa, a babá e os dois bebês viralizou nas redes sociais no dia de hoje é vice-diretor de Finanças do Flamengo.

Mas não só.

Ele também é sócio diretor do Banco Brasil Plural.

Mas antes disso, Pracownik foi  membro do Conselho de Administração da Terra Brasis Resseguros, sócio e diretor executivo da Ágora Corretora e do Banco Pactual, além de Vice-Presidente Financeiro das Empresas Brasif e Diretor de Operações do Banco Santander Brasil, Banco Bozano-Simonsen e Banco Meridional.

A Brasif é a empresa que, segundo Miriam Dutra, ex-amante de Fernando Henrique Cardoso, lhe pagou durante quatro anos 3 mil dólares por mês para ficar “exilada” na Espanha.

Miriam Dutra diz que durante aquele período não trabalhou para a empresa.

A Brasif também é a empresa que teve todos os documentos queimados num incêndio em Contagem, há três dias antes da eleição, conforme publicado neste blogue.

As informações para este post foram coletadas neste site do Flamengo.
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Basta!


Basta de governos de esquerda, em todas as esferas, seguirem financiando, com milhões de reais de patrocínio, grandes corporação de comunicação que atuam como partidos políticos antidemocráticos com uma agenda vinculada aos negócios do grande capital nacional e internacional, especialmente nos setores financeiro, imobiliário, de telecomunicações e do agronegócio.

Basta de sindicatos de esquerda seguirem financiando programas de grandes corporações de comunicação e divulgando peças publicitárias em horários nobres de televisão destes grupos e em espaços nobres de seus jornais e rádios, sob o argumento de que é preciso “chegar à toda a base da categoria”. Esse método de comunicação é ineficaz, fortalece o que deveria ser enfraquecido e enfraquece o que deveria ser fortalecido.

Basta de parlamentares e dirigentes de esquerda, em todas as esferas, procurarem manter “relações privilegiadas” com formadores de opinião dessas grandes corporações de comunicação, alimentando uma relação promíscua de informações privilegiadas, futricas internas ou paroquiais e entrevistas especiais que fortalecem o que deveria ser enfraquecido e enfraquece o que deveria ser fortalecido.

Basta de os escassos veículos de comunicação de esquerda ou com uma pauta independente seguirem sendo tratados, na melhor das hipóteses, sob a rubrica da “ajuda” por parte daqueles que deveriam tratar a comunicação como uma questão absolutamente estratégica. Sem uma estrutura de comunicação forte, qualificada e profissionalizada, não há como enfrentar minimamente a potentíssima máquina que opera do outro lado.

Baste de tratar a comunicação como um tema separado de cada entidade, cada uma cultivando a sua horta, o seu jornal, o seu site, as suas contas nas redes sociais, o seu aparato próprio de comunicação, sem uma estratégia de caráter mais amplo e articulado para tratar das (muitas) questões que são disputadas diariamente na sociedade.

Basta de considerar, na prática, as grandes corporações de comunicação como algo dissociado da agenda do grande capital e de seus braços políticos.

Basta de reconhecer a pertinência de todas essas questões, mas seguir empurrando com a barriga a construção de soluções mais consistentes para as mesmas.

Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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“Filhos da puta”: Aécio e Alckmin são vaiados na Paulista



Kiko Nogueira
Imagens: thevideos11
No DCM
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Uma análise preliminar dos protestos


Se não houver alguma sinalização em direção aos “não mobilizados”, tende a ser mantida a passividade, exatamente, no seio da base social que apoiou Lula e Dilma na última década. E aí, o que prevalecerá é a mobilização da Avenida Paulista

1. Os protestos são expressivos, obviamente, e não devem ser minimizados de forma precipitada. Porem, não houve mudança no perfil social dos manifestantes. A base social do impeachment segue a mesma;

2. Tirando os trogloditas e os irracionais, a direita organizada tem consciência da necessidade de ampliar o espectro de apoio ao impeachment;

3. Os estrategistas da direita sabem que interromper a normalidade institucional apenas com base na mobilização da classe média é um risco.

4. Eles podem consumar o golpe mesmo assim? Podem! Mas ninguém garante estabilidade ao próximo governo nesses termos. Essa é a questão chave em relação aos protestos.

5. Todos sabemos que o impeachment não será decidido, somente, nas ruas. As ruas falam sobre sua legitimidade. E o perfil segue o mesmo de antes: é a classe média tradicional quem está indo às ruas. Diversas pesquisas foram realizadas a respeito do perfil dos manifestantes. Não é necessário reproduzi-las aqui.

6. Portanto, a grande questão não é saber se os protestos foram maiores ou menores hoje. A questão é se ampliaram socialmente. E isso não ocorreu;

7. O povo pobre segue assistindo pela TV. O problema é que não vamos mobilizá-los com a atual orientação de governo.

8. Lembremos da Venezuela. Chávez foi deposto e as favelas desceram em peso exigindo sua volta. Aqui não vai ocorrer isso… Por que o governo não deu motivos. Pelo menos, por enquanto.

9. Se não houver alguma sinalização em direção aos “não mobilizados”, tende a ser mantida a passividade, exatamente, no seio da base social que apoiou Lula e Dilma na última década. E aí, o que prevalecerá é a mobilização da Avenida Paulista. Mas, claro, nem tudo se resolve com base no humor e cores das rua.

Vinicius Wu
No Fórum
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Riocentro

A cadela do fascismo, como profetizou Bertold Brecht, está sempre no cio.

E se o ovo da serpente fascista chocou é porque as instituições que deveriam zelar pelo respeito às leis falharam. Onde estavam a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário que deixaram passar batido o atentado do Riocentro? Neste caso não há sequer a desculpa da lei de anistia, porque foi cometido depois da referida lei. O que prova que nossas instituições também estão impregnadas de autoritarismo excludente.

Se nossas instituições tivessem funcionado para punir os ditadores e seus crimes, inclusive as empresas que apoiaram o golpe e com ele se locupletaram, os fascistas que hoje engrossam a marcha dos zumbis pensariam duas vezes antes saírem do armário.

É por isso que, em pleno século XX, seres vivos com diplomas universitários ousam defender golpe militar e ditadura. A cadela do fascismo perdeu o pudor e trepa no meio da rua com uma matilha de cães raivosos. O suprassumo do despudor é que vestem camisas padrão FIFA com escudo da CBF. Entidades que dispensam maiores comentários em relação ao que há de pior em termos corrupção.

Tinha decidido abandonar este blog, depois de mais de vinte anos de luta na internet, para não me deixar contaminar pelo mesmo ódio com que atacam. Não há o mínimo de racionalidade. É só ódio. Ódio de perdedor intoxicado. Todas as pessoas com quem converso repetem o mesmo discurso surrado da Rede Globo. Ficam apopléticas quando ouvem razões que não saem dos meios golpistas. Qualquer pensamento fora do autorizado pelas cinco irmãs (Veja, Folha, Estadão, RBS & Rede Globo), desnorteia e só não mordem porque a boca já está cheia de baba.

Até a bispos da Igreja Católica resolveram se despirem da batina para insuflarem o ódio.

Eu que fui seminarista por seis anos vejo com muita tristeza que o demônio também comunga e veste batina. Diante de tanto sacrilégio, é uma lástima que não exista inferno. Caronte teria muito trabalho atravessando o caronte com sua barca repleta de pessoas que usaram o nome de Deus para blasfemarem. Conspurcam a fé com práticas fascistas.

No livro Batismo de Sangue do Frei Beto, que li quando ainda era seminarista, fica-se sabendo que o Bispo de Porto Alegre à época, D. Vicente Scherer, era um dos dedos dura da repressão. O mesmo que depois foi esfaqueado no Bairro Medianeira por meninos que assediava sexualmente.

Se os golpistas de 1964 continuam ativos é porque ninguém fez nada para puni-los. Em quase dezesseis anos de governo a esquerda continuou se conspurcando com a Rede Globo. Ninguém se importou em fazer com que a golpista perdesse a concessão pública. Pior, continuam jorrando publicidade para um grupo que sempre se locupletou, por todas as formas possíveis com o dinheiro público. A parceria no caso Miriam Dutra x FHC é apenas a cereja do bolo.

Pior do que os fascistas que saem dos armários como hienas são as pessoas que deveriam zelar pelo respeito às leis e às instituições públicas mas se aliam aos violadores. Como na Síndrome de Estocolmo, as vítimas da ditadura não se cansam de, iguais às mariposas, entrarem no cio toda vez que veem um holofote.

Os milhares de crimes impunes da ditadura é o estrume do qual brotam os fascistas que hoje querem derrubar exatamente uma pessoa sobre a qual não pesa uma vírgula de acusação, e que foi a grande vítima da ditadura, Dilma. Tudo para proteger verdadeiros toxicômanos, e toda sorte de corruptos que, não fosse seu governo republicano, ainda posariam de varões de Plutarco.

Os midiotas que compram por verdade o discurso golpista dos assoCIAdos do Instituto Millenium é uma manada de bovinos que se deixam amadrinhar por uma égua também no cio, a Rede Globo.

Como na fábula da rã e do escorpião, o golpismo é da natureza da Rede Globo. Além da sonegação, claro…

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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Não vai ter golpe


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Moro e militares viram heróis da classe média na tela da Globo

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/37840/



O esquenta para as marchas golpistas começou nas páginas dos jornais paulistas. No decadente Estadão, um editorial mais violento do que o de 1964 criticava neste domingo os petistas, definidos como “quase marginais”, chamou sindicalistas de “turma de boas-vidas” e disse que seguidores de Lula são “desesperados” que atuam contra “a maioria de brasileiros honestos”.

O Estadão se esquece que os honestíssimos Aécio, Agripino, Aloysio, Eduardo Cunha e Alckmin foram derrotados nas urnas em 2014? O jornal se perde em seu delírio decadente. O texto é claramente o arreganho autoritário de um pitbull desdentado que ainda se leva a sério.

Kataguri na Folha: o power ranger do golpe
Kataguri na Folha: o power ranger do golpe
Na Folha, havia chance de garimpar algum humor. O impoluto Elio Gaspari dividia espaço com o jovial Kim Kataguri, na turma de analistas. Gaspari defendeu a Constituição e chamou de golpe o “semi-parlamentarismo” proposto por PMDB/PSDB, mas não se conteve e propôs a derrubada imediata da chapa Dilma/Temer para que se convoque nova eleição.

Em suma, Gaspari fez o papel do semi-golpista. Já Kataguri não decepcionou: foi imbecil por inteiro. Usou o desenho animado dos power rangers (isso mesmo!!) como referência para o delírio golpista que escorria das páginas do jornal.

Mas vamos ao que interessa: o “esquenta” promovido pela Globo na manhã de domingo, mais uma vez, não decepcionou.

Os herdeiros de 1964 mostram as caras no Rio
Os herdeiros de 1964 mostram as caras no Rio
Logo cedo, a GloboNews usou uma espécie de “lente de aumento” para que não surgissem na tela os vazios que ainda eram evidentes no gramado em Brasília.

Depois, deu voz para sua turma de repórteres bem ensaiados. O discurso de “milhares de famílias, marchando em paz contra a corrupção e o PT” (como se PT e corrupção fossem uma coisa só) dessa vez ganhou um adendo: “muitas pessoas trazem faixas em apoio ao juiz Sérgio Moro”.

A tabelinha Globo/Moro ficou mais evidente que nunca.

Nas telas e nas fotos enviadas pela web não faltavam as faixas de apoio a um golpe militar. Mas Moro era dominante: um herói de direita, impoluto, que a direita constrói passo a passo. Um homem já perigoso para a democracia — justamente porque não se submete a ela.

Em Salvador, a Globo foi obrigada a usar imagens fechadas porque mais uma vez havia minoria de brancos e ricos na orla.

Em Brasília, por volta de 11h30, ainda eram evidentes grandes vazios no gramado em frente ao Congresso. Mas a quantidade de manifestantes parecia igualar os primeiros protestos de março de 2015.

Recife e Maceió ganharam destaque na tela. De novo, eram manifestações de brancos e ricos, na orla dominada por prédios da oligarquia nordestina. Os repórteres chutavam números: “15 mil em Maceió”, contradizendo a imagem que mostrava 2 mil ou 3 mil pessoas marchando no bairro dos ricaços alagoanos.

Em BH, a tradicional família mineira foi pra rua em número pouco superior ao das manifestações anteriores.

O contra-ataque veio pelo céu
O contra-ataque veio pelo céu
O ponto fora da curva parecia ser o Rio de Janeiro, onde claramente (pelas imagens abertas da orla de Copacabana) a manifestação levou mais gente às ruas do que em março/agosto/dezembro de 2015.

A Globo interrompia seu programa de Esporte a cada dez minutos para fazer o “giro pelo Brasil”. Alex Escobar, aquele mesmo que Dunga certa vez cobriu de palavrões numa coletiva da seleção, fazia cara de inteligente ao falar da “luta contra a corrupção”. Depois, voltava ao normal.

O efeito lente de aumento da GloboNews: aumentamos o que nos interessa...
O efeito lente de aumento da GloboNews: aumentamos o que
nos interessa…
Na Globo News, o esforço da comentarista era emocionante ao narrar as imagens de Brasilia: “a diferença dessa manifestação é que agora os políticos querem aparecer nas ruas, pra disputar o dia seguinte do impeachment”; ou então “vai-se aproximando a hora de decidir o que será do poder depois que Dilma cair”.

É a tentativa de criar uma narrativa do “inevitável”.

Nenhuma palavra sobre o envolvimento de Temer e Aécio na Lava-Jato. Nada. A Globo nitidamente tem pressa.

Tudo isso era apenas o “esquenta” para o grande ato golpista: a passeata na avenida Paulista em São Paulo. Sim, a expectativa era de uma multidão pelo menos igual à que tomou as ruas um ano atrás.

Olho pra tela, e depois vejo pela janela vizinhos na rua vestidos de amarelo. Ao meio-dia, a turma do “chega de PT” já estava se preparando para a marcha.

A previsão é de “1 milhão de pessoas nas ruas”, berra o secretário de segurança (?) de Alckmin (aquele mesmo que lança a PM contra sindicalistas, aproveitando o clima de “prende e arrebenta” que o Estadão e a Globo tentam criar). Não cabe 1 milhão na Paulista. Mas isso é apenas um “detalhe”. A narrativa já está criada.

O dia 13, até as 12h, não trouxe nada de novo: é o arreganho golpista da classe média que pretende produzir um novo 1964, em que a farda será substituída pela toga.

A tranquilidade com que a Globo e os jornais paulistas tratam um golpe contra a democracia deve ser o grande combustível para que a reação aconteça no próximo dia 18. Sem cobertura da mídia, sem PM, sem editoriais — não importa.

O dia 18 pode ter menos gente do que o dia 13 golpista. Não importa. Mas os setores organizados precisam mostrar aos jornais golpistas, aos Kataguris/power rangers, à Globo e à classe média odienta que o golpe não será um passeio no parque.
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La tentación energética brasileña: "EE.UU. conoce el rol estratégico de las reservas de Petrobras"

Los escándalos que salpican a políticos y empresas brasileñas en distintos casos de corrupción en Petrobras y la ley que retira su monopolio sobre las reservas del presal no es una coincidencia.


El politólogo y secretario político nacional de las Brigadas Populares de Brasil, Pedro Otono, explica en un artículo para el canal Univisión titulado "Petrobras y el presal, la carta brasileña", y que reproducimos a continuación, la importancia que para Brasil tiene el control gubernamental de las reservas energéticas, codiciadas por otros grandes jugadores del tablero geopolítico energético mundial.

Petrobras es la empresa más grande de Brasil, responsable de la investigación, explotación, transformación y distribución del principal recurso energético en la actualidad: el petróleo. Pero su importancia va más allá de los hidrocarburos: la compañía estatal también gestiona la mayoría de las patentes brasileñas registradas y tiene un rol significativo en la construcción naval y en el desarrollo y fabricación de maquinaría pesada. Petrobras no es una empresa común, es un instrumento estratégico para la economía y el desarrollo del Brasil.

Las aguas marinas del litoral sudeste brasileño guardan reservas de hidrocarburos en rocas calcáreas situadas bajo un estrato de sal de gran espesor, llamado 'capa presal'. En el polígono de explotación de la capa de presal han descubierto reservas de petróleo y gas de aproximadamente 40.000 millones de barriles y se estima que hay 176.000 millones no descubiertos.
"Hay una variable importante en este juego geopolítico: los BRICS, que se han configurado como condicionante mundial de la OTAN; una importante preocupación para Washington"
Esta reserva equivale a cinco años de consumo mundial del recurso, con una ventaja extra: su costo de extracción es de 8 dólares, muy por debajo del costo medio de la producción mundial. No hay duda de que el presal es un recurso abundante y estratégico y, por ello, codiciado.

Los escándalos actuales que involucran a políticos y empresas brasileñas en casos de corrupción en Petrobras, al mismo tiempo que ingresa en el orden de votaciones del Congreso Nacional un proyecto de ley que retira el monopolio de la estatal petrolera sobre las reservas del presal, no parecen ser apenas coincidencias. Hay algo moviéndose más allá de las atenciones de la prensa.


La reserva de petróleo del presal podrá financiar el desarrollo económico y social brasileño, posibilitando la superación de problemas sociales estructurales. En este sentido, fue creado en 2010 el Fondo Social del Presal con el objetivo de usar recursos de las reservas de hidrocarburos para garantizar con prioridad el financiamiento de la educación y la salud en Brasil.

En la disputa de poder internacional, la dimensión energética se destaca. Al fin y al cabo, el acceso a fuentes de energía como el petróleo es determinante para el proceso de industrialización y desarrollo de cualquier nación. El condominio imperialista (euro-estadounidense), liderado por Estados Unidos y materializado en la OTAN, sabe del rol estratégico de las reservas energéticas — como el presal brasileño — en la correlación mundial de fuerzas.

Hay una variable importante en este juego geopolítico: los BRICS (Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica), que se han configurado como condicionante mundial de la OTAN; una importante preocupación para Washington: se trata de países que no forman parte de la OTAN; poseen factores estratégicos importantes, como reservas de petróleo (Brasil, Rusia); armas atómicas (Rusia, China e India); población y fuerza de trabajo abundantes (China, India, Brasil y Rusia); son industrializados y tienen gran potencial para el consumo interno.

Así que los BRICS son una alianza potencialmente fuerte y pueden condicionar seriamente el poder político mundial concentrado en las naciones del Atlántico Norte.

El Gobierno brasileño, frente a la actual crisis política, no prioriza las relaciones con sus socios internacionales, sean los BRICS o la Unasur (Unión de las Naciones Sudamericanas), lo que lo expone a las presiones de los países centrales, en especial los Estados Unidos.

La postura brasileña no solo pone en riesgo el patrimonio y los intereses nacionales; también contribuye al debilitamiento de los gobiernos progresistas de Latinoamérica. Basta ver la omisión o el desprecio por la situación sensible en Venezuela, Bolivia y Argentina.

En resumen, el control estatal y nacional del presal va en contra de los intereses geopolíticos del Atlántico Norte. El monopolio que Petrobras mantiene sobre las reservas del presal es una herramienta importante de desarrollo nacional y de ejercicio de poder real en la geopolítica.

Aliado a la enorme ventaja en términos energéticos, una posible relación estrecha de cooperación internacional con los otros BRICS — en especial Rusia, antagonista declarada —, y China, principal competidor económico de Estados Unidos —, ofrece buenas condiciones para que Brasil y Latinoamérica tengan posibilidades de asumir una postura independiente en las relaciones internacionales.

Estos intereses internacionales en el presal se materializan en el proyecto de ley que se tramita en el Congreso Nacional y propone eliminar el monopolio de Petrobras para explotar las reservas de ese tipo de hidrocarburos. Más aún, las denuncias de corrupción que involucran recursos de Petrobras, empresas y políticos, no tienen como objetivo defender la moral y la legalidad, sino, principalmente, crear un contexto favorable a la privatización de la estatal petrolera y poner fin a la soberanía energética brasileña.

No RT
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Henfil revisitado ou revisitando‏

Do profético Henfil dos anos 80, com atualização para 2016... (as respostas do personagem coadjuvante se mantem inalteradas ainda hoje)


De página da Comunidade Henfil, com reformulação de texto minha sem permitir permissão à Comunidade, mas com benevolência do Henfil.

Recebido por email. (autor desconhecido)

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Serenata

O Último Romântico escreve poemas para a mulher amada. Às vezes, pede ajuda aos amigos do bar.

– O que rima com “primavera”?

Os amigos acham graça do Último Romântico, mas ajudam.

– Tenta “quimera”.

– “Quimera”. Boa.

– Você sabe, claro, que esta será a última vez na história do mundo que alguém rima “primavera” com “quimera”.

– Não importa!

Às vezes, os amigos gozam do Último Romântico.

– “Amor” rima com? Não vale “flor”, que eu já usei.

– Isopor.

– Horror.

– Bolor!

O Último Romântico não liga para a gozação. Põe seus poemas em envelopes que manda para sua amada, quase que diariamente.

– Sua amada, alguma vez, respondeu uma carta sua?

– Nunca. Mas o amor tem que ser assim. Dilacerante. Se não for dilacerante não é amor. Eu morro de amor todos os dias.

– Ninguém mais morre de amor.

– Pois deveriam.

– A última vez que alguém morreu de amor no Brasil foi nos anos 50 e suspeita-se que foi intoxicação alimentar.

– Pois não sabem o que estão perdendo.

Um dia, o Último Romântico chegou no bar empolgado com uma ideia. Faria uma serenata para a mulher amada. Os amigos o acompanhariam? Ninguém se entusiasmou.

– Serenata, cara?

– Exato. À moda antiga. Debaixo da sacada dela. Minha voz não é das piores. Só preciso de acompanhamento.

Todos olharam para o Pires, o único da turma que tocava violão.

– E aí, Pires. Vai encarar?

O Pires hesitou, depois disse:

– Topo.

– Você sabe Carinhoso? – perguntou o Último Romântico.

– Arranho.

O Último Romântico e o Pires chegaram ao prédio onde morava a amada, no meio da noite. Primeira constatação: o prédio não tinha sacada. O Último Romântico sabia qual era a janela da amada? Só sabia que era no oitavo andar. O jeito seria fazer a serenata pelo interfone. Mas qual dos dois apartamentos do oitavo andar era o da amada?

– Como é o sobrenome dela? – quis saber o Pires, consultando o painel de moradores ao lado do portão.

– E eu sei?

– Um dos moradores do oitavo se chama Susuki. Sua amada é japonesa?

– Não. Aperta o outro botão.

Depois de um longo tempo, ouviu-se uma voz feminina sonolenta:

– Quem é?

O Último Romântico só teve tempo de começar a cantar “Meu coração...”, quando chegaram os assaltantes.

Luís Fernando Veríssimo
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Em Nota, Dilma condena violência contra sede da UNE e pede apuração sobre ação da PM em sindicato

A presidenta Dilma Rousseff divulgou, neste domingo (13), a seguinte nota à imprensa:

“É intolerável a violência cometida por vândalos  que neste sábado atacaram a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Trata-se de uma ação violenta, que confunde o debate político saudável e democrático com a disseminação  do ódio. Como venho afirmando à imprensa, ações que constituam provocação, violência e vandalismo prestam enorme e preocupante desserviço ao Brasil.

Lutamos por muitos anos para o restabelecimento da ordem democrática, para o funcionamento adequado das instituições e para o pleno exercício do direito à expressão e a manifestação política. O que se viu na sede da UNE, no entanto, foi um gesto de intimidação gratuita e uma afronta a democracia, e deve ser repudiado por todos aqueles que acreditam numa nação livre e democrática.

 Os mesmos princípios democráticos devem ser defendidos em relação ao episódio ocorrido na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema, na sexta-feira à noite. É preciso que o governo de São Paulo apure com rigor o ocorrido e as motivações para a ação de policiais armados durante uma plenária em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Que os fatos sejam plenamente esclarecidos”.

 Presidenta Dilma Rousseff
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A Marcha dos Aloprados

Batman, um aloprado sempre presente nos protestos
Viralizou no Twitter a hashtag #MarchaDosCorruptos. Não acho que seja esta a melhor expressão para designar os protestos pelo impeachment.

Marcha dos Aloprados reflete melhor o espírito da coisa, em minha opinião.

É certo que corruptos consagrados como Aécio e FHC estão por trás das manifestações, insufladas por companhias de mídia que sonegam, mentem, conspiram contra a democracia e escondem casas paradisíacas em praias que tornaram criminosamente particulares, para ficar apenas em algumas de suas boas ações.

Mas o típico manifestante é o aloprado — aquele ser que encarna características do ludibriado, do analfabeto político e do midiota.

Ele acha que o que sai na imprensa é verdade. Não faz ideia de que por trás das pseudonotícias estão os Marinhos, ou os Civitas, ou os Frias — e seu exército de colunistas e editores pagos para reproduzir o gangsterismo jornalístico dos patrões. São os pequenos, minúsculos, venais Lacerdas destes nossos tempos.

Ontem e hoje, os aloprados são presa fácil para a palavra corrupção. É com ela que são enganados e conduzidos como rebanho descerebrado para protestos como os de amanhã.

“Corrupção”, mesmo que partida de corruptos despudorados como Eduardo Cunha, sempre funcionou.

Eduardo Cunha virou ídolo de aloprados graças a suas denúncias, aspas, de corrupção. Não fossem as autoridades suíças, que documentaram sua roubalheira, ele certamente seria um dos líderes dos protestos e, talvez, presidente da República em 2018.

Getúlio foi levado ao suicídio pela campanha do Mar de Lama, tramada por réplicas dos conspiradores de hoje. Jango foi derrubado da mesma forma. E agora, com o mesmo expediente sinistro e idênticos propósitos, os filhotes dos golpistas querem matar uma jovem democracia que não chegou sequer aos 30 anos.

Para tanto, eles contam com os aloprados que vestirão a camisa da honrada CBF e clamarão pelo golpe em sua imbecilidade tonitruante.

Não fossem manipulados, eles entenderiam que uma coisa, absolutamente legítima, é protestar contra um governo. Macri, nem bem assumiu, já enfrenta manifestações enormes contra sua gestão.

Outra coisa, intolerável, é marchar por um golpe que significaria a destruição de 54 milhões de votos.

“Ah, o governo está paralisado”, estão argumentando cabeças do golpe como Aécio.

Ora, ora, ora.

Desde que saíram os resultados, Aécio não faz outra coisa que não impedir Dilma de governar. No apogeu de sua louca cavalgada, ele se juntou a Eduardo Cunha em nome do “combate à corrupção”.

Nada, numa democracia, é pior que o mau perdedor, e você pode comprovar isso com as atitudes de Aécio — e de tantos políticos da oposição. Inclui-se aí FHC, o homem que comprou a reeleição, pagou com dinheiro público à Globo para esconder a amante e agora posa de estadista virtuoso.

Mas o canalha maior é mesmo Aécio. Com seu cinismo, demagogia e sua falta de caráter demolidora, ele dividiu ainda mais um país já tão dividido. A história haverá de dar a ele o papel que merece. Lacerda é o Corvo, como o apelidou Samuel Wainer. Aécio será um Abutre, ou coisa parecida.

O aloprado dança nas mãos de corruptos que fingem combater a corrupção enquanto a praticam alucinadamente à sombra, protegidos pela mídia amiga e cúmplice.

É ele, o aloprado, que veremos em profusão nos protestos. Preste atenção nas imagens. Você, se tiver olhos bons, notará os cordões com os quais ele é manobrado por espertalhões.

Mas ele, em sua estupidez desumana, não sente e não enxerga nada.

Paulo Nogueira
No DCM
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Você não sabe de nada – uma carta a Kim Kataguiri


Kim, você gosta dos Power Rangers, mas sabe quem foi National Kid?

Eu sei.

E não porque entenda especialmente bem de seriados infantis japoneses, mas porque tenho 56 anos. Devo ser um pouco mais velho que seu pai – minha filha caçula é sete anos mais velha que você.

Kim, você não sabe de nada.

“Desde que tomei consciência de minha própria existência e do mundo a meu redor, o PT está no poder”.

Kim, o PT está no governo federal desde 2003. E não tem culpa de você ser tão jovem.  E o PSDB está no governo de São Paulo desde Mario Covas, em 1995. Um ano antes de você nascer. Todos legitimamente eleitos pelo voto popular. Na prefeitura paulistana já tivemos de tudo que é partido, hoje, o PT, no governo anterior era o DEM.

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Artigo primeiro, parágrafo único da nossa Constituição de 1988.

Ainda bem que o PT em quem votei a partir de 2002 e o PSDB em quem votei pela última vez em 1994 estão no poder. Que fiquem onde estão até 2018. Que o povo decida então quem serão seus sucessores, que os eleitos tomem posse e que governem pelo poder do povo.

A democracia brasileira estará preservada.

“Minha geração precisa viver a democracia. Ela nunca experimentou nada além da ditadura da propina implantada pelo PT”.

Kim, você não sabe de nada.

Principalmente não sabe o quanto custou a democracia que você vive e crê que não existe porque sempre a viveu.

A democracia brasileira nem sempre houve e na história deste país não houve por mais tempo do que houve. A que vivemos hoje custou muito caro.

E você, quando escreve para um jornal e este publica suas adolescências temporãs ou quando empunha um microfone em cima de um carro de som, deve respeito e reverência aos que, antes de você, com dor e sangue, com a vida, quebraram o grande silêncio.

“Um silêncio de martírios, um silêncio de prisão. Um silêncio povoado de pedidos de perdão. Um silêncio apavorado com o medo em solidão. Um silêncio de torturas e gritos de maldição. Um silêncio de fraturas a se arrastarem pelo chão”.

Muitos dos que sofreram o fala esses versos, pelos quais Vinícius de Moraes foi punido, eram tão jovens quanto você. Mas não todos. Outros eram velhos. Outros homens e mulheres com filhos de colo. A ditadura os destroçou a todos, a verdadeira ditadura não tem compaixão de ninguém.

Você desrespeita a todos eles quando se julga uma vítima de uma ditadura que nunca a viveu porque é herdeiro da democracia.

Kim, você não sabe de nada.

Pergunte a Aloysio Nunes, o velhinho com ar de ensandecido que estará com você exercendo o direito de protesto que a democracia atual lhes confere. Ele sabe o que é lutar pela democracia e ser chamado de terrorista. Sobre o que é ter que se exilar, pergunte a José Serra, estará ao lado limpando as mãos com álcool em gel. E sobre o que é ser torturado barbaramente, mesmo sendo uma menina de 19 anos, pergunte a presidente Dilma Rousseff, da próxima vez que você estiver em Brasília.

Sobre a época em que se impediam manifestações populares à bomba, pergunte ao Bolsonaro.

Agora, se você perguntar a mim, direi que durante a ditadura, a verdadeira ditadura, eu era menino de escola. E que aprendi a marchar antes de ter aprendido a resolver equações do primeiro grau.

O uniforme — calça cinza chumbo e camisa branca com o distintivo da escola à altura do peito do lado esquerdo, sapatos e meias pretos. Para as meninas, saia cinza chumbo (saia, não calça comprida nem bermuda e muito menos shortinho), meias três-quartos brancas e sapatos pretos.

Éramos colocados todos em filas para sermos vistoriados antes de entrarmos em aula. Um imbecil passava entre as filas que formávamos e conferia o uniforme completo, inclusive a cor das meias, e o comprimento dos nossos cabelos. Em caso de cabelos que tocassem as orelhas, os nossos pais eram formalmente advertidos. Das meninas era cobrado que as saias estivessem abaixo dos joelhos e as meias à altura das canelas. Essa era a escola pública.

Um dia, a professora de português propôs que escrevêssemos um jornalzinho. Teve de passar pela censura do diretor e jamais circulou.

Tínhamos 12 anos.

Quando votei pela primeira vez para presidente da República, eu era já era casado e com filhos na escola.

Kim, você não sabe de nada.

Você não sabe o que foi “o sufoco”. Os anos de chumbo foram mais do que uma série que você assiste em canais de reprises de TV a cabo.

Kim, você nunca assistiu a uma aula de moral e cívica. Nunca viu professores tomando cuidado com as frases que usassem nas aulas de História. Nunca assistiu programas infantis na televisão onde meninos da sua idade respondessem perguntas sobre o general presidente Médici e recebessem prêmios. Você sabe quem foi o general presidente Médici?

Kim, você não sabe de nada.

Não vou aqui tecer comentários sobre os governos Lula, deixo-os para as dezenas de milhões de brasileiros que foram resgatados da miséria. E que, para seu desagrado, Kim, votam no PT e o reelegem consecutivamente há quatro eleições. É da democracia. O povo é sábio, Kim.

Lula é um herói da minha geração.

“Infeliz a nação que necessita de heróis”.

Você é de uma geração sem heróis. Você é feliz e não sabe, Kim.

Aliás, Kim, você não sabe de nada.


PS1: para os que sabem que a adolescência é um período de confrontamentos, inclusive a adolescência democrática de um povo, ”Nossa geração sobreviveu”, de Kim Kataguiri.

PS2: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Consertos Gerais e Poesia
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Transfiguração

O inédito espetáculo de empresários graúdos como Marcelo Odebrecht sendo condenados à prisão tem dois significados colaterais, um retroativo — o reconhecimento tardio da razão que tinha o senador Pedro Simon quando lutava sozinho, em Brasília, para que se punissem os corruptores junto com os corruptos — e o outro uma condenação, também tardia, do capitalismo à brasileira. Simon queria acabar com uma anomalia, a corrupção sem corruptores, ou a corrupção com um lado só. Não teve apoio e sucesso porque sua ideia contrariava hábitos nacionais que vinham desde que o Cabral botou o pé na praia, certamente antes de existir o PT. Nosso capitalismo de compadres foi sempre feito de conluios e cartéis, licitações arranjadas, favores comprados e outros vícios do compadrio. (Nunca é demais lembrar as imortais palavras do Rubens Ricúpero quando não sabia que o microfone estava aberto: “É tudo bandido”) Mérito do Moro, que resolveu ser um Pedro Simon consequente, e azar do PT, que foi se meter na farra dos compadres justamente quando chegou a polícia. Se o objetivo da Operação Lava-Jato é moralizar os costumes empresariais do país ou pegar o Lula de qualquer jeito, não interessa. O fato é que, no processo, ela nos proporciona este exemplo quase eucarístico de transfiguração. O que era usual virou pecado. O sonho de Pedro Simon se realiza.

Sobre a hipótese de toda essa produção ser só para pegar o Lula e inviabilizar sua candidatura em 2018, recomenda-se a leitura da coluna do Janio de Freitas na “Folha de S.Paulo” desta quinta. Escreve o colunista que, num país sério, as circunstâncias da ida coercitiva do Lula a Congonhas, os vazamentos da operação, o suposto avião pronto para levar Lula para a prisão etc. estariam sendo investigados, restando a pergunta “por quem?” Janio de Freitas também se refere ao fato de um dos delegados na operação Congonhas ser um dos citados numa reportagem de “O Estado de S.Paulo”, publicada no início da Lava-Jato, sobre a troca de e-mails entre delegados contendo insultos a Dilma e Lula e elogios ao Aécio. Uma matéria da qual, como tantas outras nestes tempos misteriosos, nunca mais se falou.

De qualquer maneira, a velha história de que no Brasil só ladrão de galinha vai preso não vale mais. Odebrecht também vai preso. A diferença é que o ladrão de galinha não pode delatar outros ladrões de galinha para diminuir sua pena.

Luís Fernando Veríssimo
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O risco fica

Os que mais exibem susto e medo, e recuam com apelos à tolerância dos apoiadores de Lula e Dilma, nas ruas de hoje, são os que mais incitaram a atitudes de ódio e provocação, de desafio e humilhações. O juiz Sergio Moro despertou, sem pretendê-lo, certa altivez em um lado e covardia no outro. Dilma, o governo e a direção petista tiveram a difícil sensatez de pedir que a massa dos provocados se contenha, de preferência, em casa.

Mas nada é garantido.

Nem o melhor êxito dos apelos e providências contra o confronto alteraria a pior probabilidade perceptível: o que for evitado hoje está propenso a ocorrer adiante, a se manterem os atos arbitrários que suscitam sentimentos de perseguição e revolta nos lulistas e suas redondezas. A perplexidade provocada pela torrente de insinuações, acusações e "suspeitas" despejada pelos meios de comunicação contra Lula e família, dia a dia, foi substituída por ânimos que aos atacantes pareciam extintos. Caso se contenham hoje, não quer dizer que voltaram a amortecer-se.

No decorrer do século passado, e já desde o anterior, o Nordeste e sua pobreza eram considerados a área susceptível de um incidente capaz de espalhar-se pelo país. Essa expectativa transfere-se para São Paulo, que se vê como a cidade mais desenvolvida da América Latina. E não é do anel de pobreza e miséria à sua volta que vem o risco. É dos bairros da riqueza e da classe média, em mais uma demonstração de que dinheiro e desenvolvimento verdadeiro não são sinônimos.

O óbvio

Primeiro, uma estranheza: o símbolo da Unesco, extensão da ONU, como signatária de uma "nota pública" emitida por entidades de representação empresarial. Depois, a afirmação, no texto de protesto contra violências sofridas por jornalistas no Brasil:

"É equivocado o pensamento daqueles que creem que os veículos de comunicação são protagonistas do processo político."

A quem a Abert, a Abratel, a Aner, a ANJ, associações representativas das empresas de comunicação, e mais a Unesco pensaram iludir? Há milhares de estudos, pesquisas e documentos sobre a influência dos meios de comunicação nos processos políticos nacionais e ainda nas relações internacionais. Muitos desses trabalhos foram feitos com apoio ou por iniciativa da Unesco.

Ser "protagonista do processo político" não é um mal por si só. O problema é o "como": contribuindo para aprimorar o processo e a exercício da cidadania, ou deturpando-o com inverdades, exageros, facciosismo. Ou seja, sem ética.

Falas

O promotor Cassio Conserino, que pediu a prisão de Lula, já foi processado por dano moral e por isso condenado a indenizar um dos seus presos, solto como todos os outros do mesmo inquérito. O juiz federal Sergio Moro e o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima correm risco de processos semelhantes. Já há uma representação contra Moro, apresentada ao Conselho Nacional de Justiça pelo Sindicato dos Advogados de São Paulo: o juiz insinuou, sem sequer indício factual ou pericial, que o advogado Roberto Teixeira poderia ter "forjado assinaturas", em documentos de compra do sítio em Atibaia. Nisso, disse que o advogado é capaz de falsificações.

Moro e Lima são dados como autores de insinuações e "suspeitas", em público, não confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Haja poupança.

Em tempo: muito interessante, de fato, a amistosa visita-palestra do juiz Sergio Moro ao Lide, do João Doria acusado de corrupção eleitoral por colegas do próprio PSDB, além de uma testemunha.

Janio de Freitas
No fAlha
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Rede Globo mente e censura defesa de Lula — assista

http://www.institutolula.org/jjj

O Jornal Nacional da Rede Globo mentiu na edição deste sábado, e isto não surpreende.

A VERDADE: A reportagem do Jornal Nacional NÃO PROCUROU  a assessoria do Instituto Lula, na quinta-feira (10 de março) para comentar  a denúncia dos procuradores do MP de São Paulo contra o ex-presidente LULA.

A MENTIRA:  A mensagem de e-mail exibida no Jornal Nacional deste sábado é de um repórter da GloboNews, e não do JN ou de qualquer outra redação da REDE GLOBO. 

A PROVA DA MENTIRA:


Ao reproduzir parcialmente o e-mail deste jornalista, a REDE GLOBO apagou deliberadamente o logotipo da GLOBONEWS, para enganar o público.


Os contatos entre a assessoria de Imprensa do Instituto Lula e a redação do Jornal Nacional sempre foram feitos diretamente. 

É degradante que a REDE GLOBO utilize o nome de um profissional da Globo News para montar a farsa que foi ao ar no JN deste sábado.

O mesmo vale para as mensagens enviadas à assessoria de imprensa dos advogados de Lula, e que não mencionavam reportagem no Jornal Nacional sobre a denúncia do MP. 

O que o Jornal Nacional tentou fazer na edição deste sábado foi lançar uma cortina de fumaça sobre as mentiras e gravíssimos erros cometidos na edição de quinta-feira.

2) Os advogados do ex-presidente Lula preparam as medidas judiciais cabíveis diante da recusa da REDE GLOBO  em atender ao Direito de Resposta e para reparar as novas ofensas dirigidas neste sábado ao ex-presidente Lula.

3) A solicitação de Direito de Resposta do ex-presidente Lula foi feita nos termos da lei, tempestivamente, como se pode confirmar na carta dos advogados, que está anexada a esta nota.

A reportagem de quinta-feira é parcial e caluniosa porque, ao longo de 9 minutos de reportagem, o ex-presidente Lula foi acusado 18 vezes (sem fundamento e sem resposta) pela prática de 10 diferentes crimes, foi alvo de 9 ofensas e 2 calúnias, a mais grave e desrespeitosa, quando o repórter comparou Lula a um traficante de drogas, calúnia que extrapola até mesmo as leviandades contidas nos autos da denúncia.

4) O texto de resposta do ex-presidente Lula à Rede Globo não tem ironias nem se alonga em comentários críticos ao jornalismo da Rede Globo, como alegou a emissora para censurá-lo. 

O texto tem 950 palavras. Na reportagem de 10 de março, o apresentador Willian Bonner, o repórter José Roberto Burnier e os promotores José Carlos Blat e Cássio Conserino utilizaram 1.085 palavras para — sem provas e sem defesa — ofender, difamar e caluniar o ex-presidente, sem qualquer respeito ao equilíbrio jornalístico.

O que Lula aponta na resposta censurada é a parcialidade do Jornal Nacional — veiculado por uma concessionária de serviço público — que não respeitou nem seus direitos nem o direito do público à informação correta.

O que a Rede Globo chamou neste sábado de “ironias” são as duras verdades que a emissora se recusa a ouvir.

5) A truculenta reação da REDE GLOBO a uma solicitação de Direito de Resposta, apresentada nos termos da Lei, expõe mais uma vez a extrema dificuldade desta emissora em lidar com os princípios democráticos que norteiam a liberdade de imprensa, e que deveriam ser observados com rigor numa CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO.

Entre estes princípios estão o equilíbrio editorial,  o respeito ao contraditório, o rigor na apuração, o juízo imparcial da notícia e a serena humildade diante dos fatos.

Na parte de sua resposta que foi censurada, Lula recorda que a REDE GLOBO levou 30 anos para pedir desculpas ao povo brasileiro por ter apoiado o golpe 64, praticando um jornalismo de um lado só ao longo de duas décadas.

O jornalismo arrogante, de um lado só, voltou às telas do Jornal Nacional neste sábado, por meio de um dos porta-vozes daqueles tempos sombrios. Esta é uma noite para lembrar que as ditaduras, sejam as políticas, sejam as midiáticas, cedo ou tarde chegam ao fim.

LEIA AQUI A RESPOSTA DO EX-PRESIDENTE LULA AO JORNAL NACIONAL:

“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, e minha mulher, Marisa Letícia, não somos e nunca fomos donos de nenhum apartamento tríplex no Guarujá nem em qualquer outro lugar do litoral brasileiro.


Meu patrimônio imobiliário hoje é exatamente o mesmo que eu tinha ao assumir a presidência da República, em janeiro de 2003: 


O apartamento onde moro com Marisa, e onde já morávamos antes do governo,  e o rancho “Los Fubangos”, um pesqueiro na represa Billings. 


Ambos adquiridos a prestações. Também temos dois apartamentos de 70 metros quadrados que Marisa recebeu em permuta por um lote que ela herdou da mãe.


Tudo em São Bernardo do Campo. Tudo registrado em nosso nome no cartório e na declaração anual de bens. 


Esta é a verdade dos fatos, em sua simplicidade: entrei e saí da Presidência da República com os mesmos imóveis que adquiri ao longo da vida, trabalhando desde criança, como sabem os brasileiros.


Não comprei nem ganhei apartamento, mansão, sítio, fazenda, casa de praia, no Brasil ou no exterior. 


Jamais ocultei patrimônio nem registrei propriedade particular em nome de outras pessoas. 


Nunca registrei nada em nome de empresas fictícias com sede em paraísos fiscais, artifício utilizado por algumas das mais ricas famílias deste País para fugir ao pagamento de impostos.


As informações sobre o patrimônio do Lula — verdadeiras, fidedignas, documentadas — sempre estiveram à disposição do Ministério Público e da imprensa, inclusive da Rede Globo.


Estas informações foram deliberadamente ocultadas do público na reportagem do Jornal Nacional que apresentou as acusações do Ministério Público de São Paulo.


Eu não fui procurado pela Globo para apresentar meu ponto de vista. Ninguém da minha assessoria foi procurado. O direito ao contraditório foi sonegado. 


Alguém se apropriou indevidamente do meu direito de defesa.


Não é a primeira vez que isso acontece e certamente não será a última.


Mas eu fiquei indignado ao ver minha mulher e meu filho sendo retratados na televisão como se fossem criminosos.


Mesmo na mais acirrada disputa política — e o jornalismo não está acima dessas disputas — nada justifica envolver a família, a mulher, os filhos, como ocorreu nesse caso.


Fiquei indignado porque, ao longo de 9 minutos, o apresentador William Bonner e o repórter José Roberto Burnier me acusaram 18 vezes de ter cometido 10 crimes diferentes; sem nenhuma prova, endossando as leviandades de três membros do Ministério Púbico de São Paulo. 


Reproduziram ofensas, muitas ofensas, a partir de uma denúncia que sequer foi aceita pela juíza. E ainda por cima, denúncia de um promotor que já foi advertido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, porque atuou fora da lei neste caso.


A Rede Globo me conhece o suficiente para fazer uma avaliação equilibrada das acusações lançadas por aquele promotor, antes de reproduzi-las integralmente pelas vozes de William Bonner e Roberto Burnier. 


A Rede Globo recebeu, desde 31 de janeiro, todas as informações referentes ao tríplex, com documentos que comprovam que nem eu nem Marisa nem nosso filho Fabio somos donos daquilo. É uma longa e detalhada nota, chamada “Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa”. 


Cheguei a abrir mão do meu sigilo fiscal e anexei a esta nota parte de minha declaração de bens.


Quando divulgamos este documento esclarecedor, o Jornal Nacional fez uma série de matérias tentando desqualificar o que estava dito lá. Duvidaram de cada detalhe, procuraram contradições, chegaram a distorcer uma entrevista do meu advogado.


Quanta diferença...


Na reportagem sobre a denúncia do procurador, nada foi questionado. Tudo foi endossado e ratificado como se fosse absoluta verdade.


A Rede Globo sempre poderá dizer que estava apenas “retratando os fatos”, “prestando informações à sociedade”,  “cumprindo seu dever jornalístico”.


Só não vai conseguir explicar ao povo brasileiro a diferença gritante de tratamento: quando acusam o Lula, é tudo verdade; quando o Lula se defende, é tudo suspeito.


Em 40 anos de vida política, aprendi a lidar com o preconceito, com a inveja e até com o ódio político. 


Mas não me conformo, como ex-presidente desse imenso país chamado Brasil, não posso me conformar de ser comparado a um traficante de drogas, como aconteceu no final da reportagem.


Essa comparação ofensiva, injuriosa, caluniosa, não está nos autos da denúncia do Ministério Público. 


Não sei quem decidiu incluir isso na reportagem, mas posso avaliar seu caráter.


Se esta mensagem está sendo lida hoje na Rede Globo é por uma decisão da Justiça, com base na Lei do Direito de Resposta, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado.


Esta lei garante que a Liberdade de Imprensa seja realmente um direito de todos e não um privilégio daqueles que detém os meios de comunicação.


É ela que nos permite enfrentar a ocultação de informações, a sonegação do contraditório, a falsidade informativa, a lavagem da notícia.


Estes vícios foram sistematicamente praticados pelos grandes veículos de comunicação do Brasil durante a ditadura e fizeram tão mal ao País quanto a censura, que abolimos na Constituição de 1988.


A Rede Globo levou mais de 30 anos para pedir desculpas ao País por ter apoiado a ditadura, praticando um jornalismo de um lado só. Graças à lei do Direito de Resposta, não tenho de esperar tanto tempo para responder às ofensas dirigidas a mim e a minha família no Jornal Nacional.


Eu não estou usando este direito de resposta para me defender apenas, e a minha família. É para defender a democracia, o estado de direito e a própria liberdade de imprensa, que só é verdadeira quando admite o contraditório e respeita a verdade dos fatos. 


Quando estes princípios são ignorados, em reportagens como aquela do Jornal Nacional, o maior prejudicado não é o Lula, é cada cidadão e a sociedade, é a democracia”.


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA





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Pânico no Jornal Nacional para evitar Direito de Resposta de Lula


Na edição deste sábado do Jornal Nacional, apresentado por Alexandre Garcia e Sandra Annenberg, a Globo sinalizou estar com medo de ser condenada a conceder direito de resposta ao ex-presidente Lula (confira abaixo).



No fim da edição, os apresentadores disseram que a Globo foi surpreendida por um pedido de direito de resposta apresentado pelos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins.

Em seguida, tentaram demonstrar que têm feito uma cobertura equilibrada sobre o ex-presidente Lula, sempre buscando ouvir o outro lado. Além disso, atacaram o documento apresentado pelos advogados.

Aparentemente nervoso, Garcia disse que a Globo não é parte das investigações sobre Lula e apenas noticia fatos — como se o grupo empresarial dos Marinho não estivesse engajado, há mais de dois anos, na destruição da imagem do ex-presidente, o que contribui para o clima de ódio reinante no País e desperta, em setores do Judiciário, uma síndrome de celebridade. Garcia também disse que a Globo continuará a fazer o seu trabalho, "sem nada a temer". 

O advogado Cristiano Martins, que não viu a reportagem, disse que o pedido de direito de resposta foi muito bem formulado e demonstra as agressões rotineiras que têm sido feitas pela Globo ao ex-presidente Lula. Ele também afirmou que um direito de resposta é um instrumento previsto em lei e que jamais pode ser considerado uma tentativa de intimidação, até porque a Constituição brasileira consagra a liberdade de expressão, mas também os direitos de pessoas atingidas por campanhas opressivas dos meios de comunicação.

Aparentemente, a Globo teme repetir um vexame histórico da emissora, quando se viu forçada a ler o direito de resposta concedido a Leonel Brizola. Relembre:



No 247
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