12 de mar de 2016

Argumentar racionalmente é a saída

Este post é uma tentativa de mostrar outra perspectiva àqueles que se encontram compreensivelmente perdidos em meio a tanto barulho. Não é voltado para aqueles que só sabem responder com "chola mais", "acabou a mortadela?" e similares, pois estes já se fecharam ao diálogo há muito tempo. O post é, enfim, para os MUITOS que são bem intencionados, veem o massacre da mídia todo dia e acham sinceramente que a manifestação do dia 13 é "apartidária", "contra a corrupção".

Ontem à noite, a PM de SP invadiu a sede de um sindicato que fazia ato em apoio a Lula; hoje, a sede da UNE amanheceu pichada. Houve também ameaça de incêndio contra o Instituto Lula e sedes do PT e do PCdoB foram atacadas em BH e SP.

Já estamos vivendo o fascismo.

O curioso é que os fascistas, numa inversão estratégica, afirmam que esquerda é que é violenta. Pois não estou vendo ataques ao Instituto FHC ou às sedes do PSDB e do DEM. (E NEM QUERO.)

Por outro lado, qual é a saída? Eles partiram para a violência e adotaram todas as táticas de intimidação possíveis, além de aralisarem o governo ao se recusarem a votar qualquer coisa no congresso que não seja o impeachment. A mídia, em paralelo, ataca a esquerda (e só ela) o tempo inteiro, transformando qualquer besteira em "evidências gravíssimas", ao passo que evidências gravíssimas contra a direita são tranformadas em trivialidades e esquecidas.

Não, a violência não é a saída. Mas a passividade também não. A esquerda não tem a visibilidade que a mídia oferece, mas não pode ficar invisível.

Pois bem: a oposição adora dizer que governa "responsavelmente" e que o "bem do país é sua prioridade". Mas não é isso que demonstra: que responsabilidade é essa que a leva a parar o país porque perdeu nas urnas? Graças à crise política, o país está parado. E aí a oposição diz que é porque o governo não age.

Ora, ora, ora. Vamos recapitular, então? Depois de perderem nas urnas, o PSDB e Aécio:

1) Disseram que houve fraude. Auditoria do próprio partido concluiu o oposto.

2) Pediram recontagem de votos. Depois voltaram atrás.

3) Pediram a cassação da chapa vencedora. Depois trocaram de estratégia.

4) Ajudaram a eleger Eduardo Cunha para a presidência da Câmara por saber que ele se opunha ao governo.

5) Passaram a lutar por impeachment.

6) Voltaram a tentar a cassação da chapa vencedora quando o impeachment perdeu força.

7) Desanimaram do impeachment no final do ano.

8) Na volta do congresso, decidiram reativar o impeachment.

9) Anunciaram que não votarão em mais nada antes de aprovarem o impeachment.

10) Passaram a tentar viabilizar o PARLAMENTARISMO (pois têm maioria no congresso e passariam a governar o país.).

11) Disseram que Dilma tem que renunciar para acabar com a crise política. Crise que eles mesmos criaram.

12) Anunciaram apoio formal à manifestação pelo impeachment.

Em resumo: para o PSDB, fazer oposição é tentar derrubar o governo eleito. Como disse um leitor no twitter, "o PSDB é a mãe no supermercado que deixou um filho na fila do TSE e outro na fila da Câmara. Onde andar mais rápido ele passa."

E por que insistem em pedir renúncia? Porque sabem que, constitucionalmente, não têm base para derrubar Dilma.

Mas será que eles acham que Dilma saindo tudo ficará numa boa? Dilma não é Collor. Este não tinha apoio ALGUM na população. Ora, se o povo não se calou nem quando os militares estavam torturando e matando, iria agora se calar diante de um golpe "branco"?

E então surgem alguns dizendo "Estamos vivendo a maior crise econômica da nossa História!".

É mesmo?! Ok, vamos ver se é:

O governo FHC apelou TRÊS vezes para o FMI (http://bit.ly/21opPXm ) Em cada vez, FMI fez exigências que foram contra o interesse do povo e que foram atendidas pelo governo. A inflação no governo FHC NUNCA esteve "sob controle". Ao contrário, ela vinha SUBINDO quando ele saiu (http://bit.ly/21opZOr). O governo FHC abriu ZERO universidades públicas em 8 anos. E cogitaram fechar as federais. Na gestão FHC, a telefonia teve reajuste de 580%. Não, não é erro de digitação: QUINHENTOS E OITENTA. (http://bit.ly/21oqbNM).

O BNDES, no governo FHC, serviu para cobrir um rombo colossal nas contas da GLOBO, como comprovou o TCU (http://bit.ly/21oqzvB). Aliás, sob FHC, o BNDES deu 579 MILHÕES à Globo. Todas as outras concorrentes, JUNTAS, receberam apeans 229 milhões.

"Ah, mas NUNCA houve tanta corrupção quanto sob o PT!"

É mesmo, jovem?

A privataria tucana custou 100 BILHÕES ao país. O escândalo do Banestado, sob gestão tucana, custou 42 BILHÕES ao país. O do banco Marka, outros 2 bilhões. O Trensalão tucano, 570 milhões.

Aliás, nem o esquema na Petrobrás foi obra do PT. Ele já operava na era FHC. Sabe quem disso isso? O PRÓPRIO FHC: http://bit.ly/1R2uSbY

Mas sabem por que eles tentam dizer que a manifestação de amanhã é "contra a corrupção"? Porque esta é SEMPRE a tática pra derrubar governos. Fizeram a MESMA coisa com Getúlio em 54. Fizeram a MESMA coisa no Chile. Fizeram a MESMA coisa com Benazir Bhutto no Paquistão. A mídia e a direita insuflando a população contra um governo democraticamente eleito é uma das táticas mais velhas de golpismo. Vejam o documentário Manufacturing Consent. E A Revolução Não Será Televisionada.

Então sejamos francos. A luta não é "contra a corrupção". O propósito é derrubar o governo. Simples assim.

O mesmo Alckmin que vai sair amanhã pra protestar contra a corrupção é do governo do MERENDÃO e do TRENSALÃO.

O mesmo Serra que vai sair amanhã pra protestar contra a corrupção é aquele em cuja gestão surgiu a máfia das ambulâncias (sanguessugas).

O mesmo Aécio que vai sair amanhã pra protestar contra a corrupção é aquele em cujo governo os aviões do estado eram táxi de celebridade e em cuja gestão a verba publicitária para as empresas de sua família eram colossais. O do aeroporto na fazenda do tio.

Acabar com a corrupção? Não me façam rir. No governo PSDB, o procurador engavetava tudo. A PF não tinha verba nem independência. Nada era investigado; ninguém era punido.

E é por isso que o Noblat, jornalista que vem servindo quase como porta-voz do golpismo, tuitou ontem que é preciso derrubar logo Dilma antes que a Lava-Jato chegue em outros políticos.

Mas, por favor, não acreditem em mim. Vão até o Google e confirmem tudo o que falei. E então, com honestidade intelectual, reflitam sobre o que expus aqui.

Eu ainda acredito que argumentar racionalmente é a saída.

Pablo Villaça
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Defesa de Delcídio diz que é falsa delação contra Dilma


NOTA DE ESCLARECIMENTO

Sobre os fatos e documentos divulgados pela revista “Isto é”, em data de 11/03/2016, versando sobre suposta colaboração processual do Senador Delcidio do Amaral Gomez, temos a esclarecer o seguinte:

O conteúdo da matéria não é verdadeiro e os documentos que a ilustram não são autênticos, pois não tem conexão com depoimentos ou manifestações do Senador Delcidio. Portanto, não podem, e não devem, ser considerados como idôneos à configurar provas ou indícios contra qualquer pessoa;

Repudiamos a espetacularização criminosa e indecente da investigação federal, em matéria que mescla mentiras e maledicências, com a finalidade deliberada de envenenar consciências e estimular na sociedade um ambiente de apreensão. Fomentando, ainda, o descrédito das Instituições, atingindo a honra e a imagem das pessoas;

Divulgar fatos e expor pessoas, de forma tão irresponsável, não contribui em nada para o esclarecimento da verdade.

Deste modo, tomaremos as medidas judiciais e legais, para restaurar a verdade.

Antonio Augusto Figueiredo Basto
Advogado do Senador Delcídio do Amaral Gomez


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A ordem democrática se rompe: o cerco nas ruas e nas instituições

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/a/

Essa gente se engana se pensa que o golpe jurídico-midiático vai ser um passeio no parque. Não será. Todos pagarão preço alto, inclusive aqueles que hoje usam a violência simbólica (Globo/Veja et caterva) e a força jurídica para humilhar e destruir os adversários.

Já não é mais possível dizer que estamos a um passo do rompimento da ordem democrática. O rompimento já aconteceu.

Há algumas semanas, escrevi aqui sobre esse “1964 em câmera lenta”. E o quadro se consolida.

PM cerca sindicatos: a esquerda está em minoria,
mas PSDB teme reação até dia 18
Em São Paulo, capital reaça do Brasil, a PM comandada pelo governador Alckmin (PSDB) cercou sindicatos de trabalhadores desde sexta-feira. A Globo e a Veja atacam sem nenhum limite. Guerra de extermínio, para matar a esquerda e os movimentos sociais — estejam ou não alinhados a Lula.

Ao contrário de 1964, o cerco não é comandado pelo Exército — que está quieto. Mas pela burocracia de Estado. Juízes, policiais federais, parcelas do Ministério Público Federal e das promotorias nos estados oferecem à classe média raivosa uma narrativa de “combate aos corruptos”.

1964 foi feito contra a corrupção e contra a esquerda. Nesse ponto, nada mudou. Mas os métodos são mais sofisticados.

Difícil explicar para setores mais moderados que há um golpe jurídico em curso, com apoio midiático; ou um golpe midiático, com apoio jurídico. Difícil porque surge sempre a pergunta: “mas um golpe? eles são apenas policiais e procuradores combatendo a corrupção”.

É a narrativa de que “o braço da lei não perdoa ninguém” (essa ideia devo à jornalista Laura Capriglione, formulada durante uma conversa angustiada sobre os rumos do país).

Claro que os setores organizados de esquerda e quem conhece a história do Brasil sabem bem do que se trata: combate à corrupção? Com Aécio (o senador do “terço de Furnas” e das 5 delações) e Alckmin (merendão e trensalão) comandando as massas de classe média?

Mas o fato é que essa narrativa de “braço da lei contra o partido dos corruptos” vem avançando, e atinge o ápice nesse fim-de-semana com a marcha de 13 de março.

As revistas semanais, a Globo e outras tvs servem a esse discurso, tornando “natural” que o combate à corrupção se faça apenas contra um partido e um setor da sociedade. A esquerda psolista e marineira não percebeu isso antes. Espero que agora perceba: não é o PT apenas que eles querem destruir…

Mas é evidente também que a aposta do governo Dilma, ao romper com a base popular que poderia fazer sua defesa, cria uma situação dramática.

Dilma apostou tudo na governabilidade “institucional”, digamos assim. E nos afagos ao “mercado”. Ficou sem apoio nas ruas, e não ganhou nada nos mercados e instituições.

Dilma entregou poder a Renan/PMDB do Rio, para enfrentar a ala do PMDB que desejava impeachment já em 2015. Pois agora é Renan, empoderado por Dilma na negociação do Pré-Sal, quem acerta os detalhes para o desfecho do golpe.

A PM cerca os sindicatos em São Paulo, a classe média vai pra rua, e o PMDB dá um prazo de 30 dias pra decidir a saída do governo. São 30 dias para acertar os ponteiros com os tucanos.

Em 1964, Jango caiu quando o PSD abandonou o governo e se uniu à UDN, isolando os trabalhistas. É exatamente o movimento que se repete: a UDN (tucanos) atrai o PSD (temer e seus garotos) para o ataque final.

Eles estão com pressa. Precisam derrubar Dilma e parar a Lava-Jato antes que a investigação (via STF) chegue (já chegou) a Aécio, Renan e Temer.

A essa altura, há quatro fatores que podem interromper o cerco e frear a escalada golpista:
  • Lula, no governo ou nas ruas, comandar a resistência e reagrupar o que resta de movimentos organizados dispostos ao combate (a direita faz cálculos pra saber se é melhor mantê-lo livre ou preso, qual situação seria menos danosa ao golpe);
  • a Lava-Jato, via STF, trazer novas revelações que podem desmoralizar os golpistas (Moro não o fará, porque ele integra a inteligência do golpe institucional; mas Teori mostra que não pretende poupar tucanos e peemedebistas)
  • a esquerda ir pras ruas e mostrar de forma decidida que não aceitará a colombianização do Brasil (na Colômbia, há uma combinação de autoritarismo, exclusão das esquerdas do jogo político e ataque aos direitos — tudo disfarçado sob o manto da “normalidade” institucional);
  • a direita cometer novos “erros” que comprometam seu avanço.
Esse último ponto é o que chamo de “o imponderável de Almeida”.

A ação do MP de São Paulo foi claramente um erro do lado de lá. A petição dos 3 patetas — inepta, absurda — escancara a escalada autoritária travestida de legalidade.

A direita erra, por sua arrogância.

Temer errou com sua carta chorosa, Moro errou na condução coercitiva de Lula, o MP-SP errou esta semana com a petição dos 3 patetas. Alckmin erra usando a truculência da PM. Erram porque acreditam na miragem de que haja “um país inteiro a favor de derrubar o PT, seja de que jeito for”.

A realidade não é bem essa.

Há maioria do povo, sim, inconformada por Dilma ter abandonado o programa vitorioso em 2014. E há a direita de classe média, insuflada pela mídia e por Moro.

O segundo grupo fará qualquer coisa pra derrubar o governo e prender Lula. Acha que está liberado para o vale-tudo. Mas o primeiro grupo, ao ver o abuso do segundo, pode compreender o que há em jogo.

Contemos com a capacidade da direita de escancarar seus métodos.

A direita — que cerca sindicatos e persegue (com PF e procuradores) um ex-presidente e todos aqueles que estão com ele — vai mostrar sua cara nos próximos 30 dias. Vamos ajudar a expor esse rosto sombrio.

Eles entraram numa guerra total. Estão mais fortes. Mas em posição de força muitos exércitos cometem erros. É com isso também que podemos contar, na defesa da democracia.

Mas não sejamos ingênuos. A situação é muito favorável a um golpe institucional, pela direita.

O que nos anima é que a história dá voltas. Um ataque truculento agora, ainda que amparada pela legalidade, deve ser enfrentado de forma firme.

Os movimentos sociais e a esquerda podem até perder essa batalha agora. Mas travá-la é fundamental, porque logo adiante esse governo de direita que pretende se implantar no Brasil vai mostrar seus limites.

Essa gente se engana se pensa que o golpe jurídico-midiático vai ser um passeio no parque. Não será.

Todos pagarão preço alto, inclusive aqueles que hoje usam a violência simbólica (Globo/Veja et caterva) e a força jurídica para humilhar e destruir os adversários.

A resistência será longa, devemos olhar para longe. Lutar agora — mesmo em minoria — significa mostrar que estamos vivos e que não aceitamos o desmonte do Brasil, dos direitos sociais, do Estado nacional.
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Dilma: País Democrático


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Para além do apartamento na Avenue Foch: a vida de FHC em Paris

FHC nos arredores da Avenue Foch, em Paris
Fotos Antonio Ribeiro
Em abril de 2003, a revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, publicou uma reportagem sobre um personagem e um lugar que viraram quase sinônimos um do outro: Fernando Henrique Cardoso e Paris.

O ex-presidente falou sobre sua vida na capital francesa, inclusive dando detalhes do apartamento na Avenue Foch, endereço dos ricos e de poderosos com Idi Amin Dada.

Nestes dias em que o “triplex do Lula no Guarujá” e “o sítio do Lula em Atibaia” não saem do noticiário, é cada vez mais curioso notar como nenhuma sobrancelha nunca se levantou por causa do apê.

A repórter da VT (onde eu trabalhava como redator chefe na época) contou como foi a aparição de FHC para a reunião que rendeu a reportagem: “Ele chegou ao almoço num Mercedes, com motorista, vindo da piscina perto de seu apartamento. Tomamos vinho, ele comeu alcachofras de entrada, raia como prato principal e ovos nevados de sobremesa. Nada de gravata, apenas uma camisa esporte sobre o casacão que tirou ao entrar.”

Na matéria, ele diz o texto que depois repetiria em ocasiões diversas: o imóvel era emprestado de sua amiga Maria do Carmo Abreu Sodré, que o herdou do pai, Roberto de Abreu Sodré, ex-governador de São Paulo.

Mas a história dá uma enrolada a partir daí.

Maria do Carmo era casada com o empresário Jovelino Carvalho Mineiro Filho. Nos anos 70, Jovelino fez mestrado na Sorbonne e conheceu Paulo Henrique Cardoso. “O conheci como amigo do Paulo Henrique e nos tornamos grandes amigos”, disse ele sobre FHC.

“Ele assistiu umas aulas minhas na década de 1970, creio”, contou o ex-presidente. “Ele funciona basicamente como líder rural”. É uma definição, na melhor das hipóteses, simplista.

Em 2000, Itamar Franco, então governador de Minas Gerais, mencionou a associação de FHC com Jovelino na fazenda Córrego da Ponte, em Buritis, na Istoé. “Essa fazenda tem algum mistério”, disse Itamar. “Muito complicada essa transação imobiliária. Metade pertence a um homem chamado Jovelino Mineiro e a outra metade pertence aos filhos de Fernando Henrique.”

Jovelino foi acusado de ser grileiro pelo MST no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, região repleta de terras devolutas. Em 1995, a Camargo Corrêa construiu um aeródromo particular em Buritis, concluído em menos de 3 meses.

Jovelino era pau pra toda obra. Em 2002, ajudou Fernando Henrique, no final do segundo mandato, a arrecadar fundos para seu instituto. A revista Época publicou um relato de como foi o convescote em Brasília com a presença de executivos das maiores empreiteiras:

“Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$ 150 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack — ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas —, FHC aproveitou para passar o chapéu. Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$ 7 milhões”.

Mais: ”O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior (sic) do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais.”

Conflito de interesses? Tráfico de influência? Alguma outra dessas acusações que estão na moda?

Em depoimento a Joaquim de Carvalho, no DCM, a jornalista Mirian Dutra afirmou que o apartamento está no nome de Jovelino, mas o dono é seu ex-namorado. “Ele é um operador dele”, diz Mirian.

Jovelino é um laranja ou apenas um sujeito generoso e desapegado? Como anotaria o juiz Moro, evidentemente se referindo a Lula, há aí um “possível envolvimento criminoso”. Possível, que fique bem claro. Jamais saberemos.

Eis a Paris de Fernando Henrique Cardoso, o homem cujo apartamento não pertence a dele.

Por oito anos, Fernando Henrique Cardoso governou um país, morou num palácio e foi servido por dezenas de empregados. Assim que tudo terminou, ele quis férias. E, com todos os recantos do mundo a seu dispor, escolheu aquele em que é obrigado a arrumar a própria cama — “É horrível”, admite —, a levar as camisas para a lavanderia, toma bronca quando deixa a louça suja acumular e não é reconhecido nas ruas. O ex-presidente do Brasil escolheu Paris.

(…)

A familiaridade com a França vem dos tempos de aluno da Universidade de São Paulo, quando vários professores eram franceses; foi aprofundada nos três períodos em que morou em Paris entre os anos 60 e 70; e é atualizada pelos amigos. “Aqui não sou turista, não me sinto na obrigação de conhecer nada. Por isso, agora que posso, sou um flâneur”, diz. 

(…)

Basicamente, o que ele faz em Paris é, como bom ex-professor de sociologia, ler e, como bom político, jantar e almoçar com amigos e personalidades do mundo político. Mas, em seus passeios, também descobre belíssimas atrações (como o Parc de La Villette, um dos preferidos de seus netos). Pode-se dizer que poucos guias conhecem Paris tão bem quanto Fernando Henrique Cardoso. 

(…)

Para comprar livros ou checar as novidades, ele prefere a livraria Fnac de Champs-Elysées. Não é a mais charmosa da cidade e nem é histórica, mas é prática e bem fornida. Para comentar a guerra no Iraque ou murmurar seus receios e esperanças com o governo Lula, sua carta de opções é maior. Assumido pão-duro, Fernando Henrique freqüenta restaurantes estrelados pelo honorável Guia Michelin, a convite, e bistrôs, quando paga. O critério, conta, é o da boa comida. 

(…)

Na sua lista de recomendáveis, entra o bistrô do chef Michel Rostang, onde o almoço, com entrada, prato e café, custa 27 euros, mas não seu restaurante duas estrelas, que fica ao lado e onde se gastam 150 euros numa refeição. Fernando Henrique vai bastante também ao Giulio Rebellato. Era uma maneira bem mais eficaz de escapar à pia da cozinha do que argumentar com a mulher, Ruth, como fez em algumas ocasiões: “Eu fui presidente do Brasil, morei num palácio. Você acha pouco eu aqui lavando copo?” A poucos quarteirões de sua casa, o restaurante funcionou como o-italiano-ali-da-esquina nessa temporada de inverno da família Cardoso no seizième arrondissement.

O seizième, bairro dos parisienses ricos, não foi uma escolha. O apartamento de frente para a Foch, uma avenida de quatro pistas, ladeadas por jardins, que liga o Arco do Triunfo ao Parque Bois de Boulogne, foi emprestado por sua amiga Maria do Carmo Abreu Sodré, que o herdou do pai, Roberto de Abreu Sodré. Acoplado a um estúdio, ele tem cerca de 100 metros quadrados e mantém a decoração deixada pelo ex-governador paulista. Fernando Henrique esbarra nos enfeites da casa e sente falta, no bairro, do burburinho dos cafés, brasseries e livrarias do Quartier Latin, região em que morou por mais tempo.

Em compensação, o apartamento tem um conforto que o hóspede valoriza: dois banheiros e um lavabo. Fernando Henrique morou pela primeira vez em Paris em 1961, numa casa de estudantes na Cidade Universitária. A Paris daquele tempo era escura, suja, com os prédios cobertos por uma fuligem negra. O “brilhantismo” — definição dele — atual da cidade só começou a aparecer nos anos 70. “Eu vi a eclosão do banho na França. As pessoas compravam chuveiros, mas, sem ter onde instalar, os colocavam na cozinha”, conta. Às vezes, ainda no corredor em direção a uma reunião de estudo, ele adivinhava quais eram os colegas presentes pelo cheiro.

(…)

Carregado por Ruth, assistiu à peça A Tragédia de Hamlet, dirigida pelo badalado Peter Brook. Gostou dela e do teatro, que não conhecia. O Théâtre des Bouffes du Nord foi construído no século 19 para ser um teatro popular. Foi ressuscitado em 1974 pela turma de Peter Brook, que manteve sua rusticidade e as marcas do tempo. Outra novidade cultural que entusiasma Fernando Henrique é o Parc de La Villette, com seus jardins e mil e uma atividades.


Kiko Nogueira
No DCM
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Carina Vitral reage ao ataque da direita a Une


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MP deve denunciar Aécio por corrupção em Furnas


Informação foi publicada pela jornalista Vera Magalhães, na coluna Radar; "Quem viu os depoimentos [do senador Delcídio Amaral] não tem dúvida de que o Ministério Público Federal pedirá abertura de inquérito contra Aécio. Citações anteriores a ele foram arquivadas por Rodrigo Janot"; Vera é casada com o também jornalista Otávio Cabral, que fez a última campanha presidencial do senador mineiro; até agora, Aécio já foi citado por cinco delatores da Lava Jato e Janot vem sendo questionado por, supostamente, blindar o presidente nacional do PSDB.

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Líder de ato anti-Dilma é funcionário fantasma


Aliado do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o anestesiologista Sílvio Fernandes Filho, presidente do Diretório Municipal do Democratas em Goiânia e um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre e servidor contratado pelo Hospital das Forças Armadas (HFA), esteve à disposição do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) de setembro de 2013 a abril de 2015 como anestesista, mas nunca atuou como médico dessa especialidade em nenhuma cirurgia.

A revelação consta de uma investigação sigilosa que técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) fizeram sobre o período em que Sílvio Fernandes Filho esteve lotado no HC-UFG. O médico foi colocado à disposição do Departamento de Cirurgia para oficiar como anestesista e auxiliar nas intervenções cirúrgicas dentro de sua especialidade, mas as folhas de ponto constam horários e dias em que ele teoricamente esteve de serviço no hospital-escola, mas ele sequer passou próximo de uma sala de cirurgia ou aplicou qualquer anestésico em qualquer paciente submetido a intervenção cirúrgica no HC.

O dossiê resultado da investigação revela que, em outubro de 2013, o coronel Celso Ricardo de Souza Rocha, vice-diretor do Hospital das Forças Armadas, apresentou à direção do Hospital das Clínicas o médico-anestesiologista Sílvio Antônio Fernandes Filho, dos quadros daquele hospital, para ficar à disposição do HC pelo prazo de um ano. Deveria ser informada sua frequência mensal para fins de comprovação do serviço prestado e pagamento de seu salário.

A cada mês era informada a suposta frequência do médico, com destaque para sua especialidade: anestesiologia. Por um período, entre outubro de 2013 e janeiro de 2014, o médico Sílvio Fernandes Filho apresentou-se como portador de “incapacidade laborativa” e ficou de licença médica por 90 dias.

Após o período de licença para tratamento, Sílvio Fernandes Filho foi integrado ao corpo clínico do Hospital das Clínicas para trabalhar como médico-anestesiologista. Entretanto, como atestam seus colegas médicos do Departamento de Cirurgia, ele jamais atuou em qualquer intervenção. Para confirmar que ele deveria ter atuado em alguma cirurgia, bastou que os investigadores buscassem nos prontuários médicos de intervenções feitas nas várias salas de cirurgia do Hospital das Clínicas, que ali deveria constar a assinatura do médico-anestesiologista responsável e em nenhuma havia a assinatura de Sílvio Fernandes Filho.

As folhas de ponto indicam que ele, em tese, trabalhava alguns dias em uma jornada de trabalho de oito horas e que sua lotação seria no Departamento de Cirurgia. “Realmente, nunca participei de nenhuma cirurgia, apenas ficava a disposição do departamento, mas não fazia anestesia”, cofirmou o médico Sílvio Fernandes Filho.


Alternativa

Segundo Sílvio Fernandes, ele realmente assinava os pontos como se desse expediente, mas cumpria outras funções em outros dias e horários. Suas atividades seriam alternativas como elaborar relatórios ou eventualmente até mesmo ministrar alguma aula para alunos do curso de medicina. “Ele dava em média duas aulas por semestre para justificar sua presença nas dependências do Hospital das Clínicas”, afirmou um médico-professor que pediu para ser mantido no anonimato.

Outro profissional lembrou que Sílvio Fernandes Filho dizia que iria montar um “ambulatório de dor” que nunca saiu do papel e que também era citado por ele como sendo serviço prestado sem jamais sê-lo. “O que nos causava muita estranheza era o fato de profissionais sérios como o professor Antônio Fernandes Carneiro, chefe do Departamento de Cirurgia ou o doutor Luiz Antônio Brasil, atestarem a regularidade dos pontos e serviços do doutor Sílvio Fernandes, sendo que nós sabíamos que ele não trabalhava”, lamentou.

Todos os profissionais que a reportagem conversou no Hospital das Clínicas pediram para não serem identificados porque a fama de truculento e perseguidor do médico Sílvio Fernandes Filho ainda é viva na memória deles.

Em março de 2015, surgiram as primeiras denúncias de que Sílvio Fernandes Filho não trabalhava e ele foi chamado à direção do HC. Os médicos do Departamento de Cirurgia lembram que Sílvio tentou se esquivar da responsabilidade dizendo que ministrava duas aulas por semestre e que isto elidiria sua obrigação de trabalhar como anestesiologista. Quando cobrada sua permanência no departamento para o qual fora colocado à disposição — cirurgia e fazendo anestesia — os médicos, inclusive outros anestesistas, afirmam que ele alegou ser impossibilitado de atuar como anestesista porque a Cooperativa dos Anestesistas o ameaçara de retaliar profissionalmente se ele fizesse anestesias no HC, vetando anestesias no hospital onde ele era sócio, o Hospital Premium.

Os outros anestesistas do HC torceram o nariz para essa afirmação e negaram que a Cooperativa usasse de um expediente tão intimidador e ilegal como esse. “Ninguém em sã consciência impediria um profissional de atuar em sua área específica em um hospital público para privilegiar somente seu hospital particular. Isso é pura balela de quem não queria mesmo trabalhar”. Os demais anestesistas se mobilizaram para cobrar uma posição legal e legítima da Cooperativa e impedir essa suposta intimidação.

Como mentira tem pernas curtas, no dia seguinte a essa movimentação Sílvio Fernandes pediu seu retorno para o Hospital das Forças Armadas. Isso se deu em 13 de abril de 2015. Um ofício do General de Divisão Médico Túlio Fonseca Chebli, diretor do Hospital das Forças Armadas, requisitou o retorno de imediato do servidor Sílvio Antônio Fernandes Filho para “cumprimento da legislação em vigor”.

Hoje o médico Sílvio Antônio Fernandes Filho está à disposição do Tribunal Regional do Trabalho, lotado no Serviço Médico como clínico geral. Ele dá expediente de segunda-feira a sexta-feira das 13 às 16 horas e a direção informa que lá ele não tem liberalidade nenhuma. “Aqui não tem conversa, tem de trabalhar direito ou retorna para seu lugar de origem”, disse um funcionário do departamento médico que cuida da frequência de Sílvio.

Ele abandonou a anestesiologia e seus colegas dizem que a razão dele não atuar em nenhuma cirurgia no Hospital das clínicas é que ele simplesmente já não sabe mais anestesiar nem um dedo cortado para sutura.

No TRT-18 foi informado que ele cursa uma pós-graduação em perícia médica o que interessou o Tribunal em tê-lo como médico em seus quadros.


Tremor

Procurado pela reportagem, o médico começou negando que não trabalhasse como anestesiologista. Com a voz trêmula, ele disse a todo instante que o repórter poderia fazer a matéria como interessasse porque ele não iria dizer nada e que teria a consciência tranquila. Adiante na conversa, confirmou que realmente não fez nenhuma anestesia e não participou de qualquer cirurgia, função para a qual era contratado e para onde esteve à disposição no Hospital das Clínicas.

Tentando intimidar o repórter, ele disse que essa denúncia se trata de “perseguição de petistas” e que este jornalista também se enquadra nessa categoria política. Quando indagado sobre os horários em que ele atestava que estava em serviço no HC e sobre suas ausências no hospital-escola, ele disse que eventualmente flexibilizava os horários que deveria estar no serviço porque “cuidava de outros afazeres” a mando de seus superiores.

Sílvio Fernandes Filho reafirmou ao final da conversa que não tem qualquer preocupação quanto a uma investigação do Tribunal de Contas da União e interrompeu a conversa dizendo que estava participando de uma reunião e que retornaria mais tarde. Não retornou.

Hélmiton Prateado
No 247
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Época faz sensacionalismo sobre acervo que ela mesmo noticiou em 2010

http://www.institutolula.org/epoca-faz-sensacionalismo-sobre-acervo-que-ela-mesmo-noticiou-em-2010

Os objetos que por razões de segurança foram confiados ao Banco do Brasil fazem parte do acervo do ex-presidente Lula, conforme minuciosas notícias publicadas pela própria revista Época (que hoje, decadente, faz sensacionalismo sobre o assunto) em dezembro de 2010.

A revista também esclareceu em fevereiro de 2011 um boato recorrente na internet internet sobre uma escultura de Jesus Cristo.

Não há mistério nem novidade nisso, apenas uma devassa promovida por alguns procuradores mal informados sobre a legislação brasileira que trata da guarda e preservação dos acervos presidenciais, somado a sensacionalismo promovido por parte da imprensa.

A Lei 8.394/91 determina que este acervo seja preservado pelos ex-presidentes — todos eles — mas não indica os meios e recursos para que isto seja feito. Quando Lula deixou o governo, a Presidência da República catalogou todos os objetos de seu acervo e providenciou a mudança para São Paulo. Indicamos a leitura da lei para sanar qualquer dúvida.

 Vale destacar dois artigos dessa lei:

Art. 2° Os documentos que constituem o acervo presidencial privado são na sua origem, de propriedade do Presidente da República, inclusive para fins de herança, doação ou venda.

Art. 3° Os acervos documentais privados dos presidentes da República integram o patrimônio cultural brasileiro e são declarados de interesse público para os fins de aplicação do § 1° do art. 216 da Constituição Federal, e são sujeitos às seguintes restrições:

          I - em caso de venda, a União terá direito de preferência; e

        II - não poderão ser alienados para o exterior sem manifestação expressa da União.

Durante a busca e apreensão na residência do ex-presidente Lula, do Instituto Lula e de outros locais na sexta-feira, 4 de março, a Polícia Federal apoderou-se da listagem dos bens catalogados. A Lava Jato tornou-se, de fato e de direito, responsável pela preservação do acervo do ex-presidente.

Quanto ao fato de o Banco do Brasil guardar objetos em cofres, eis outra velha verdade: bancos usam cofres para guardar objetos. Ou seria diferente no caso do acervo do ex-presidente Lula? Todos os objetos listados estão guardados, preservados e intocados.
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O insider

 Publicado em 05 de março de 2016 

O que está por trás da espantosa alta das ações da Petrobras no exterior?

Especulação desta proporção faz com que segmento do setor financeiro ganhe milhões de dólares
O ex-presidente Lula foi ingênuo ao acreditar que as informações que poderiam vazar só serviriam à imprensa. É um ledo engano. O mais estranho nestes últimos dias de delações vazadas e a nova fase da Operação Lava Jato foi a gigantesca alta das ações da Petrobras no mercado americano: 30% em dois dias. Isso representa um ganho absurdo do mercado financeiro, que pode estar por trás dessa especulação toda sobre impeachment, sobre a queda de Dilma e a prisão de Lula.

Onde está a SEC (Securities and Exchange Commission — o órgão que regula o mercado nos Estados Unidos e que, no Brasil, corresponde à Comissão de Valores Mobiliários), que tanto incrimina a Petrobras diante dos escândalos que vieram à tona com a Lava Jato? Acabaram os escândalos? Os processos nos EUA foram arquivados? O preço do petróleo internacional aumentou? O países produtores restringiram a oferta? A dívida da Petrobras foi perdoada? Por que as ações subiram tanto em tão pouco tempo, então?

Claro, leitor, que o governo americano, a SEC ou até mesmo as autoridades brasileiras deveriam estar procurando as respostas para estas perguntas em função desta alta escandalosa das ações da Petrobras. Parece uma ação internacional contra as instituições brasileiras.

Uma pequena observação: o PIB brasileiro não subiu, as indústrias não começaram a acender seus fornos, as empresas não ligaram suas máquinas, não houve aumento de emprego, a inflação não caiu, mas também em um dia o dólar no Brasil se desvalorizou 10%.

No passado, quando o Brasil não tinha pré-sal, e não tinha essas multinacionais brasileiras no exterior, o Ibad operava contra os interesses nacionais com serviços mais primários. Hoje, nos parece que intervenção é vergonhosa, porque ela é muito clara.

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Os Stones

Os Rolling Stones, como se sabe, são os Beatles depois de muito tempo expostos à chuva e ao vento. Outra tese: todos os Stones já morreram e só saem do museu de cera uma vez por ano para excursionar. Piada: como o Mick Jagger tem rugas! Isso que você não viu as que ele deixa em casa para viajar. Por que o Mick Jagger tem tantas rugas? São provocadas pelo riso. Impossível, nada pode ser tão engraçado!

Brancos

O Millôr contava que uma vez dera um autógrafo no interior de uma carteira de cigarro. Pedira desculpa pela precariedade do papel e ouvira como resposta “Não faz mal, quando chegar em casa eu passo a limpo”. Meu pai dava autógrafos em Portugal e, com a caneta pousada sobre a página em branco para fazer a dedicatória, perguntou “Que nome eu ponho?” E o português, tentando esconder sua decepção com a burrice do escritor: “O de vossa senhoria”.

Escritores em sessões de autógrafos têm em comum com tribos indígenas um justificável temor dos brancos. Não são boas as experiências dos dois grupos com brancos. No caso dos escritores o “branco” é a pane mental que lhes impede de lembrar o nome do melhor amigo, na hora da dedicatória, e seus efeitos são iguais aos dos brancos entre povos primitivos: confusão, mal estar e, muitas vezes, guerras.

Todo escritor que já deu autógrafos tem sua história de terror para contar. De pessoas que o cumprimentam efusivamente, e que portanto ele tem a obrigação de saber quem são, e que nome têm, e não sabe. De pessoas que ele está cansado de saber quem são mas não lembra o nome. E — o pior de tudo — de pessoas que ele lembra o nome, mas o nome errado. Como na vez em que dediquei um livro ao Paulo Hecker Filho para espanto de quem me pedira o autógrafo, Antônio Carlos Rezende.

Os “brancos” podem vir a qualquer hora.

– Desculpe, não estou lembrando o seu nome...

– Sou sua mãe!

– Eu sabia que começava com “eme”...

E não há como disfarçar um branco. Você pode perguntar “Para quem?”, tentando dar a entender, pela expressão ou o tom de voz, que sabe o nome da pessoa, claro, mas que talvez ela queira dar o livro de presente a outra. Uma técnica que perde qualquer sentido quando a pessoa diz “Para mim mesmo”, e, impiedosamente, não diz seu nome.

Já apelei para perguntas suicidas como “Seu nome é com “i” ou com “y”?”. Não adianta. Seja qual for a resposta, pode levar a indignação ou tapas se o nome dela for, por exemplo, Noelma. Mas pelo menos se ganha tempo para o cérebro funcionar. Vã esperança. O cérebro não costuma funcionar em sessões de autógrafos.

Luís Fernando Veríssimo
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Venício ao Moro: a maior das corrupções

Está na Globo - PHA



O Conversa Afiada reproduz artigo de Venício A. de Lima:

A maior de todas as corrupções

O inimigo comum para garantir a identidade e a coesão ideológica de uma posição política hoje é a corrupção.

Venício A. de Lima
"Se as palavras servem para confundir as coisas é porque a batalha
a respeito das palavras é indissociável da batalha a respeito das coisas".

Jacques Rancière, O Ódio à Democracia, Boitempo, 2015
A geração do pós Segunda Grande Guerra se lembrará de que, na metade do século passado, crescemos sendo educados sobre a grande ameaça que pairava sobre o mundo ocidental cristão: o comunismo ateu.

Em tempos de Guerra Fria, sob a tutela dos interesses da política externa dos Estados Unidos, o comunismo vermelho transformou-se na encarnação do mal na Terra, o inimigo comum a ser combatido. Era isso o que aprendíamos em casa, na escola, no catecismo da igreja, no rádio, nas revistas infantis, nos jornais e nos filmes "de guerra".

Na minha mineira e barroca Sabará, circundada por dezenas de igrejas Católicas do ciclo do ouro colonial, mais tarde cidade operária de movimento sindical forte, a mera suspeita de que alguém pudesse ser simpatizante comunista bastava para que se criasse um estigma social como se esse alguém fosse portador de doença contagiosa, a ser evitada a qualquer custo.

Com a vitória da Revolução Cubana, o inimigo comum ficou mais próximo e ainda mais perigoso: o comunismo e, claro, seus seguidores, os comunistas subversivos.

A oposição política ao Getulismo herdado pelo presidente João Goulart, democraticamente eleito, materializou o anticomunismo na luta sem tréguas contra a ameaça que seu governo representava de "vir a ser" controlado por comunistas.

A narrativa pública sobre essa ameaça e a necessidade inadiável de defesa da democracia "antes que fosse tarde demais" foi sendo consolidada. Um vocabulário específico foi costurando a nova linguagem que aprisionou o pensamento de vastas camadas da população com o protagonismo ativo da "Rede para a Democracia" que reunia diariamente em todo o país emissoras de rádio e jornais dos principais grupos de mídia da época: Os Diários Associados, O Globo e o Jornal do Brasil.

Não se constituiu exatamente em surpresa, portanto, quando na reta final para o golpe civil-militar de 1964, setores, sobretudo, da classe média urbana, saíram às ruas para defender os valores e tradições cristãs, o mundo livre e a democracia, para combater o inimigo comum, o comunismo e os subversivos comunistas.

A corrupção, sim, a corrupção aparecia apenas como uma coadjuvante do inimigo principal na narrativa pública dominante.

Deu no que deu. Em nome do anticomunismo, da democracia e em defesa dos valores cristãos, o país padeceu 21 longos anos de ditadura.

Mais de meio século depois, um novo inimigo comum

A Guerra Fria acabou (?). O comunismo deixou de ser o inimigo comum do Mundo Livre, do Ocidente Cristão. Lyndon B. Johnson não é mais presidente dos EUA e nem Lincoln Gordon seu embaixador no Brasil. Os militares brasileiros se dedicam às suas missões constitucionais. As Torres Gêmeas foram atacadas em Nova Iorque. O mundo se globalizou.

Muita coisa mudou, mas a exigência de um inimigo comum para garantir a identidade e a coesão ideológica de uma posição política (ou de um grupo) continua mais atual e necessária do que nunca.

O terrorismo e o islamismo — ou o terrorismo islâmico — passaram a ocupar o lugar de inimigo comum que antes pertencia ao comunismo no cenário internacional, a partir do início do novo século.

Entre nós, mais recentemente, o comunismo foi substituído por um velho e conhecido inimigo, coadjuvante nos idos de 1964: a corrupção da coisa pública e, claro, os corruptos.

Hoje, mais do que ontem, os oligopólios privados que controlam o que chega ou não ao conhecimento público — vale dizer, que controlam o espaço onde se forma a opinião dita pública —  detêm o poder de definir a linguagem dentro da qual se enclausura a construção do inimigo comum.

Hoje, mais do que ontem, a definição do significado de cada uma dessas palavras — o que constitui corrupção e quem são os corruptos — faz parte essencial da própria disputa pelo poder.

A novidade entre nós, nos últimos anos, talvez seja a participação militante de setores do Judiciário que, seletivamente, escolhem qual corrupção devem investigar, e quais os corruptos devem ser julgados e condenados. Tudo com a colaboração ativa e decisiva da grande mídia e de seu vocabulário e linguagem uniformes.

O resultado de todo esse processo — que já presenciamos — é um país dividido ao meio, intolerante e cheio de ódio.

A corrupção é hoje o que o comunismo foi nos tempos de Guerra Fria. E os corruptos foram sendo seletivamente definidos como sendo apenas os petistas, filiados, aliados ou apenas simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. Combater o petismo e tirar os seus líderes do poder — mesmo que tenham sido democrática e legitimamente eleitos —  ou impedi-los de tentar, democraticamente, voltar ao poder —  foi aos poucos se constituindo na prioridade de vastas parcelas da população.

A memória coletiva, infelizmente, é curta. Muito curta. A maioria dos brasileiros talvez não saiba ou não se aperceba que os anos passam, mas as estratégias e os mecanismos de luta pelo poder se repetem e, muitas vezes, perpetuam os mesmos grupos e os mesmos interesses: a maior e mais antidemocrática de todas as corrupções é a corrupção da opinião pública.

Talvez um dia a História (com H maiúsculo) revele a todos os brasileiros o que de fato está a acontecer no Brasil de 2016.

A ver.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da Universidade de Brasília (aposentado) e autor de Cultura do Silêncio e Democracia no Brasil, EdUnB, 2015, dentre outros livros.
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Intimidações mostram o clima de 64 no ar

Em Diadema

Houve uma situação que lembrou-nos o período de excessão e reflete o momento que passamos hoje, dois PMs, um tenente e um soldado invadiram a plenária, armados de revolveres e metralhadora, argumentando que queriam saber o que estava acontecendo no local. Logo após chegou ao local muitas viaturas posicionadas fechando a rua em frente ao predio do sindicato, e PMs armados com metralhadoras e revolveres. Parecia uma praça de guerra do lado de fora.

Estávamos eu, o Barba e o Luiz Turco, juntamente com a diretoria do Sindicato a cobrar explicação dos policiais e ficou-nos claro, foram alí para intimidar. Infelizmente a polícia tucana a serviço da tentativa de golpe. A coisa ta braba!!




A Polícia Militar de São Paulo — a sawak do geraudo — invadiu no fim da noite de hoje, sexta-feira, o Sindicado dos Metalúrgicos de Diadema. Policiais portando armas longas, como se pode ver nas imagens, foram lá na tentativa de impedir um ato de homenagem ao ex-presidente Lula e ao ex-prefeito da cidade, José de Filipi. Abaixo seguem um fragmento da denúncia feita pelo ex-deputado Adriano Diogo e trechos da troca de informações por telefone entre o Fábio Buonavita e o deputado Luiz Turco:

Em plenária de solidariedade ao ex-prefeito Filipi e ao presidente LulaA, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Diadema houve uma situação que lembrou-nos o período de exceção e reflete o momento que passamos hoje, dois PMs, um tenente e um soldado invadiram a plenária, armados de revólveres e metralhadora, argumentando que queriam saber o que estava acontecendo no local. Logo após chegou ao local muitas viaturas posicionadas fechando a rua em frente ao prédio do Sindicato, e PMs armados com metralhadoras e revólveres. Parecia uma praça de guerra do lado de fora.

Estávamos eu, o Barba e o Luiz Turco, juntamente com a diretoria do Sindicato a cobrar explicação dos policiais e ficou-nos claro, foram alí para intimidar. Infelizmente a polícia tucana a serviço da tentativa de golpe. A coisa tá braba!!

11/3 22:41] LUIZ TURCO: Estávamos plenária em solidariedade ao Filipi e ao Lula, quando fomos surpreendidos com a entrada da polícia. A militância acuou os caras. O diretor do sindicato colocou os policiais em uma sala até que eu o Barba e Luiz Fernando fomos conversar com eles para saber o motivo, eles disseram que ficaram sabendo que era uma reunião em apoio o Lula e foram até lá. O maior absurdo, a coisa tá feia. Conclusão: o sindicato ficou cercado pela polícia. No fim conseguimos negociar com eles e aí foram embora. Porém antes anotaram os documentos meu e do Luiz Fernando e nos anotamos os deles também. Agora vamos entrar com uma [...] contra a polícia. Mas a plenária seguiu, foi ótima.

[11/3 22:42] LUIZ TURCO: Fora que os caras estavam armados até os dentes, metralhadora e tudo

[11/3 22:43] Fabio Buonavita: Com que desculpa essa invasão?

[11/3 22:44] LUIZ TURCO: Disseram eles que receberam uma denúncia

[11/3 22:44] Fabio Buonavita: Posso repassar?

[11/3 22:45] LUIZ TURCO: Na verdade isso faz parte de todo processo de pressão que vem pela frente.

[11/3 22:45] LUIZ TURCO: Pode

Fernando Morais





Em São Paulo


Sede do PCdoB SP amanhece pichada



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Tucano Pimenta da Veiga vira réu em MG por lavagem de dinheiro


A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF) contra o ex-deputado federal e candidato ao governo do estado em 2014, Pimenta da Veiga (PSDB), pelo crime de lavagem de dinheiro. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (11) pelo advogado do réu, Sânzio Nogueira.

Segundo o MPF, Pimenta da Veiga recebeu R$ 300 mil em repasses feitos nos dias 18 de março, 16 de abril e 25 de abril de 2003 pelas agências de publicidade SMP&B Comunicação Ltda e DNA Propaganda Ltda, nas quais eram sócios Marcos Valério de Souza, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, condenados no mensalão do PT e réus no mensalão tucano.

Ao prestar depoimento em 2006, Pimenta da Veiga disse que os recursos recebidos das empresas de Marcos Valério se referiam a pagamento de serviços prestados pelo escritório de advocacia dele, em 2003.

Em 2014, ele confirmou esta informação: "Os pagamentos eram feitos através de depósitos conta corrente. Dois anos depois houve uma devassa na vida da empresa e eu prestei todos os esclarecimentos, que foram satisfatórios na época. O assunto ficou aparentemente resolvido", respondeu.

Segundo o MPF, o documento que confirmaria a prestação de tais serviços embora o acusado tenha dito que havia sido firmado contrato formal para a prestação dos serviços, tal documento jamais foi apresentado.

Ainda de acordo com as investigações, as quantias viriam de “empréstimos fraudulentos tomados por essas empresas junto ao Banco do Brasil, Banco Rural e BMG, como também de pagamentos efetuados pelo Banco Rural a título de supostos serviços prestados pelas mesmas DNA e SMP&B”.

A apuração da Polícia Federal contra Pimenta da Veiga foi originada a partir da denúncia oferecida em 2007 pela Procuradoria-Geral da República, com base no inquérito do mensalão tucano.

Quinze pessoas foram denunciadas à época, dentre elas o então deputado-federal e hoje condenado pelo mensalão tucano Eduardo Azeredo (PSDB).

Se condenado, Pimenta da Veiga estará sujeito a uma pena que pode ir de três até dez anos de prisão.
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Tucano Beto Richa investigado por corrupção


O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou a abertura de inquérito para investigar envolvimento do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), com um esquema de corrupção na Receita estadual.



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Brito desmascara "furo" da revista Época

Mistério do cofre é mistério porque a Lava Jato não lê a Época e nem a Época lê a Época



Uau!

E lá, entre outros objetos de arte, destaca-se a foto de uma adaga de ouro, marfim, esmeraldas e brilhantes!

Que furo de reportagem!

É?

Não é.

No dia 18 de dezembro de 2010, o próprio Lula autorizou que fossem mostrada a adaga, presente do Rei Mohammed (VI e não IV, como diz a revista) à repórter  Mariana Sanches, da própria Época, como um dos objetos que integravam o acervo presidencial e que seria levado na saída do presidente!

A foto da esquerda é dos meganhas da Lava Jato. A da direita, da Época, de 2010. Quem quiser ver o original é só olhar a foto 8 do slideshow publicado pela revista, em dezembro daquele ano. E salvei aqui para o caso de um “podemos tirar, se achar melhor”.

E a adaga estava num cofre, que absurdo!

Onde poderia estar guardada, na gaveta de meias e cuecas do “puxado” em Atibaia?

Que a turma da Lava Jato não tenha acessado a internet para ver, está bem, a gente entende que não se interessam pelo que a Época publica, pois publica o que eles mandam publicar.

Mas que a Época não leia a Época e veja que o “furo” é uma furada, que eles publicaram com todos os ares de normalidade em 2010, ah, francamente.

Lembro do meu tempo de foca, quando alguém perguntava sobre algo que tinha saído no jornal, o coro irônico: “leia o jornal em que trabalha…”. Tá bom, eu sei que da revista não se aproveita nada, mas é osso do ofício lê-la, para os que trabalham lá.

O que era “normal” em 2010 virou crime em  2016? Na mesma matéria se diz que FHC levou nove caminhões de documentos e objetos, inclusive uma coroa de jade, e tudo era bacana e legal?

É preciso, no mínimo, ter um pouco de vergonha na cara com o que a própria revista publicou.

Se Lula tivesse “passado nos cobres” a adaga do Mohammed — apesar de tecnicamente ser sua — vá lá. Para vender, ele teria de dar prioridade — prioridade, não obrigatoriedade, fique claro — à União.

Mas ficou guardadinha, intacta, e certamente dava fazer um troco para comprar centenas de pedalinhos.

Para Lula, serve para quê? Será que ele vai cortar um churrasquinho com a adaga de Sua Majestade? E ainda dizer pra Mariza: “ô galega, manda passar isso no esmeril porque não tá cortando nada!”

O ridículo, embora apresentado com ares de “furo de reportagem”, não tem tamanho.

A campanha fascista não tem, porém, qualquer pudor.

Nem o do ridículo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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