7 de mar de 2016

RBS divulga Carta aos Catarinenses

Anúncio foi feito em videoconferência a partir da redação do Diário Catarinense por acionistas da RBS e pelos
novos proprietários 
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Carta aberta aos catarinenses

Muito obrigado, Santa Catarina!

Neste momento em que é anunciada a conclusão do acordo para a venda das operações que atuam sob a marca RBS em Santa Catarina, pedimos licença para dirigir uma mensagem a todos os catarinenses. Desde que a RBS chegou a Santa Catarina — e lá se vão quase 37 anos — tornou-se evidente que brotava naquele maio de 1979 muito mais que um investimento empresarial dos vizinhos ao sul. Surgia ali uma associação emocional entre a RBS e os catarinenses, uma combinação que nasceu e se desenvolveu em um imutável compromisso da empresa: refletir por meio de seus profissionais e veículos os anseios, as vocações e a extraordinária diversidade de Santa Catarina rumo a seu futuro.

Nas mais de três décadas e meia de presença da RBS em solo catarinense foi assim. Torcemos e celebramos juntos as muitas conquistas no esporte, na economia e na vida das pessoas, como a duplicação da BR-101. Choramos com as enchentes e os acidentes mas trabalhamos dia e noite para que o sofrimento fosse superado o mais rapidamente possível. Na nossa missão de informar, também criticamos e denunciamos coisas que nos pareciam erradas, sempre com a intenção de aprimorar a sociedade. Nos empenhamos em todos os espaços para que Santa Catarina fosse ouvida e admirada pelo seu próprio povo e pelo Brasil inteiro. Lutamos sem descanso pelas reivindicações e aspirações dos catarinenses, e também sofremos com as inevitáveis frustrações.

Nos orgulhamos ainda por ter criado ao longo destes quase 37 anos milhares de empregos e por inaugurar uma inovação tecnológica atrás da outra em nossos veículos de Santa Catarina. Mas aqui não é o espaço para essa contabilidade. Nesta carta, queremos agradecer profundamente a todos os catarinenses por nos ajudar a construir um sonho: uma grande empresa de comunicação que refletisse um grande Estado e sua gente extraordinária. Esse sonho só foi possível graças ao apoio do público, de clientes, de agências de publicidade e de todos os colaboradores da RBS que fizeram e fazem parte desta história. A eles, nosso reconhecimento e gratidão.

Desejamos que os novos controladores das TVs, dos jornais e das rádios sejam tão bem recebidos pelos catarinenses como nós o fomos. Temos a certeza de que os profissionais que vocês conhecem e admiram seguirão dando o máximo de si para dignificar suas atividades, a empresa, as comunidades e o Estado em que vivem.

Por fim, gostaríamos de relembrar a campanha com que a RBS desembarcou aqui em 1979 — "Santa Catarina, meu Amor" — para dizer do fundo do coração: aprendemos com os catarinenses a amar esta terra para sempre. Muito obrigado, Santa Catarina.

Grupo RBS


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Luciana Genro responde a Pablo Villaça e ele faz a tréplica

Para compreender, leia o post: Fazer a História é mais importante do que comentá-la

Oi Pablo Villaça, eu não te conhecia, então não posso dizer que acompanhava teus posts, mas minha irmã sim, e graças a ela li teu texto e resolvi vir aqui te responder.

Primeiro, não aceito que me chames de cínica. Cínicos são os que dizem ser contra a corrupção mas acham que se ela for feita pelo PT deve ser tolerada, pois afinal, a corrupção do PSDB nunca foi investigada. Isso sim é cinismo.

Eu lutei, aliás como petista, contra a corrupção do PSDB durante o governo FHC, e sigo lutando agora. Segundo, eu tenho lutado muito pelo amplo direito a defesa como advogada criminal, coisa que os acusados pobres não tem e nunca tiveram de fato.

A condução coercitiva do Lula foi desnecessária, sem dúvida, mas isso não é novidade no Brasil. Pessoas presas sem julgamento são 30% da massa carcerária do país. Lula não foi preso, e foi tratado com dignidade pelos policiais, coisa que não acontece com os acusados pobres.

O espetáculo midiático também é uma constante com os acusados pobres, é só assistir os programas sensacionalistas e vais ver os "bandidos" sendo expostos das formas mais vexatórias imagináveis. Então o problema não é só com o Lula.

O que ocorre é que as elites políticas e econômicas estão sendo vitimas, na operação lava jato, do mesmo tipo de sistema penal que a maioria do povo já conhece há tempos. Eu luto contra isso, e não só para o Lula, mas para todos. Mas ser contra este tipo de tratamento aos acusados não significa defender o Lula.

O mais grave não está recebendo a atenção devida. Ele, sua empresa de palestras e seu Instituto receberam mais de R$ 10 milhões da empreiteiras corruptas da lava jato. Além disso, que é comprovado, há a suspeita de que ele recebeu presentes destas mesmas empresas, como a reforma no sítio e talvez até um apartamento.

Para mim isto é mais do que suficiente para não defender o Lula. Ou achas que as empreiteiras dão dinheiro e presentes ao Lula por que ele defende os trabalhadores? Por isso digo e repito, o governo do PT não é de esquerda. aliás como poderia ser de esquerda um governo que faz um ajuste fiscal cortando programas sociais e não mexe nas benesses tributárias dos bancos e nem nos milhões que vão para pagar juros da dívida púbica?

O PT fala em golpe mas foi o partido que nomeou 8 dos 11 ministros do STF, 6 dos 7 ministros titulares do TSE, comanda o país há 13 anos e seguiu distribuindo fartas verbas para os "golpistas" da Globo, foram 6,2 bilhões nestes 13 anos.

Por fim, não, eu não penso que se houver imepachment (o qual o PSOL é contra desde o início) virá um governo de esquerda. Pode vir a Marina, pode vir o PSDB, ninguém sabe. Mas isso não será resultado da ação do PSOL, que vem há 10 anos lutando para construir uma alternativa de esquerda para o Brasil. Será resultado da política do próprio PT, que abandonou as bandeiras da esquerda, governou com o que tem de mais podre na política, usou os mesmos métodos que sempre combateu e se entregou para banqueiros e empreiteiras, que foram os que mais ganharam nestes 12 anos. Não se engane, os programas sociais representam 1% do que foi para os cofres dos bancos e empreiteiras, seja em juros da dívida pública, seja em obras super faturadas.

O PT perdeu a chance de desmantelar este sistema corrupto, se moldou a ele, e agora as elites estão descartando o PT por que querem governar com seus filhos legítimos, como o Aécio. E querem que o PSOL se solidarize? Não vai dar. Temos que construir uma alternativa, para que se não agora, mas no futuro, seja possível uma esquerda autêntica governar o Brasil. E não será defendendo um líder sustentado pelas empreiteiras corruptas que vamos conseguir por de pé esta alternativa.

Saudações!



Em primeiro lugar, é surpreendente ver alguém que se diz porta-voz de um partido (ou age como tal) repetir acusações como se fato fossem. Até agora, todos os valores recebidos por Lula e pelo Instituto tiveram fonte e natureza comprovadas. Quanto aos "presentes", se assim prefere chamar a reforma de um apartamento que Lula recusou e a estadia em um sítio que comprovadamente não é seu, é possível discutir a natureza ética, mas não a legalidade. E ao repetir isso, você apenas reforça o maniqueísmo da mídia que diz condenar, mas cuja propaganda não hesita em ecoar.

Da mesma maneira, você pode questionar a verba publicitária gasta na Globo (como eu questiono), mas, novamente, não pode acusá-la de ilegal - e muito menos usá-la como desculpa para negar o golpismo da emissora. Se faz isso, ou é por ingenuidade ou má-fé. Espero que a primeira opção seja a verdadeira.

Para encerrar, você usa as políticas econômicas do governo para justificar sua defesa da ação golpista da mídia e do judiciário - e só isso, para mim, já justificaria minha afirmação de JAMAIS voltar a manifestar qualquer tipo de apoio às suas candidaturas ao que quer que seja (embora já a tenha elogiado no passado). Porque uma pessoa que se pretende líder de um partido não deveria JAMAIS usar discordâncias ideológicas e/ou políticas como justificativa para uma postura cúmplice (que só ressaltou neste seu comentário) para com o que hoje testemunhamos no Brasil. Isto é indigno não só de sua parte, mas da esquerda que afirma representar.

Eu sempre me posicionei infinitamente mais à esquerda deste governo (que, repito, não considero mais de esquerda), mas nunca usaria minhas inúmeras discordâncias como desculpa para abraçar a mesma postura anti-democrática, travestida de falsa neutralidade, que apenas reforça o golpismo através de um judiciário politizado e de uma mídia que fará de tudo para impedir os avanços sociais já conquistados e que nem mesmo você poderia negar.

Se você é o melhor que a "verdadeira" esquerda tem a oferecer, cara Luciana, estamos mesmo lascados.

Cordialmente,

Pablo
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Justiça ordena prisão imediata de ex-senador Luiz Estevão

Expedição do mandado de prisão nesta segunda segue o novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo o qual condenados em segunda instância já podem começar a cumprir suas penas


O juiz federal Alesssandro Diaferia determinou nesta segunda-feira (7) a prisão imediata do ex-senador Luiz Estevão, condenado pelo desvio de verbas públicas destinadas à construção do Fórum Trabalhista localizado em São Paulo (SP).

Estevão foi condenado em 2006 a 31 anos de prisão pela prática dos crimes de peculato, corrupção ativa, estelionato, formação de quadrilha e uso de documento falso. Desde então, o ex-senador entrou com 34 recursos, que, apesar de mal sucedidos, serviram para evitar que fosse para a cadeia.

A expedição do mandado de prisão nesta segunda segue o novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo o qual condenados em segunda instância já podem começar a cumprir suas penas - antes, era necessário que todas as possibilidades de recurso se esgotassem.

Também foi pedida a prisão de Fábio Monteiro, condenado no mesmo caso, que já havia apresentado 29 recursos, igualmente sem sucesso.

Na decisão, o juiz manifestou preocupação com o fato de que dois dos crimes a que Estevão e Monteiro foram condenados -peculato (sete anos) e estelionato (cinco anos e quatro meses)- prescreveriam em 2018 caso a pena não começasse a ser cumprida.

As condenações de ambos já haviam sido reduzidas de 31 anos para 25 anos devido à prescrição dos crimes de quadrilha e documento falso.
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Nota da Associação Juízes para a Democracia


Não se combate corrupção corrompendo a Constituição

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade  não governamental, de âmbito nacional, sem fins corporativos, que tem dentre seus objetivos estatutários o respeito aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, tendo em vista propostas legislativas levadas à discussão e ações estatais realizadas, em nome do combate à corrupção, que afrontam os Direitos Fundamentais arduamente conquistados com a promulgação da Constituição da República de 1988, vem a público dizer que:  

1. A gradativa superação do regime ditatorial instaurado pelo Golpe de Estado de 1964 acabou por revelar à sociedade a prática de diversos atos de corrupção, antes ocultos em favor dos detentores do poder político ou econômico, levados a efeito por corporações e agente estatais, independente de partidos políticos e das ideologias vigentes. Essas práticas ilícitas prejudicam a qualidade dos serviços públicos e a concretização dos direitos individuais, coletivos e difusos consagrados na Constituição da República, afetando a vida de toda a população, especialmente dos estratos mais pobres.

2. Todos os atos concretos de corrupção que têm sido revelados e provados ofendem o Estado Democrático de Direito. A chamada "Operação Lava Jato", que ocupa as sempre seletivas  manchetes dos jornais brasileiros, é um claro exemplo de uma ação que só poderia ter início no ambiente democrático, no qual se respeitam a independência das instituições e a liberdade de expressão, inclusive para que as respectivas qualidades sejam enaltecidas e os respectivos erros, apontados. Vale, sempre, lembrar que ilegalidade não se combate com ilegalidade e, em consequência, a defesa do Estado Democrático de Direito não pode se dar às custas dos direitos e garantias fundamentais. 

3. O problema é que, tal como em outros momentos da História do Brasil, o combate à corrupção tem ensejado a defesa de medidas e a efetiva prática de ações não condizentes às liberdades públicas ínsitas ao regime democrático.

4. Nesse sentido, têm-se que as chamadas  “10 Medidas Contra a Corrupção”, lançadas à discussão pelo Ministério Público Federal, não se mostram adequadas à Constituição da República. A despeito da boa intenção envolvida, medidas como a limitação ao uso do habeas corpus; a distorção da noção de trânsito em julgado trazida pela figura do recurso protelatório (que, ao lado da possibilidade de execução provisória da pena, fulmina o princípio do estado de inocência); a relativização do princípio da proibição da prova ilícita; a criação de tipos penais que, na prática, invertem o ônus da prova que deveria caber à acusação; o desrespeito ao contraditório; a violação à vedação do anonimato que se implementa com a possibilidade de fonte sigilosa; dentre outras distorções democráticas defendidas no projeto de "iniciativa popular" (porém, promovido e patrocinado por agentes estatais) trazem o desalento de carregar, em si próprias, a corrupção do próprio sistema de garantias constitucionais, com o agravante de que, sempre que se alimenta a ideologia de que o Direito Penal é instrumento idôneo para sanar questões estruturais complexas, acaba pagando o preço a destinatária habitual do sistema: a população pobre e vulnerabilizada que lota as desumanas carceragens espalhadas pelo país.

5. No mesmo sentido, não se pode concordar com os shows midiáticos, promovidos em cumprimentos de ordens de prisão e de condução coercitiva (efetivada ainda que ausentes as situações previstas no artigo 260 do Código de Processo Penal), na mesma “Operação Lava Jato”.  Tais fatos dão visibilidade a fenômenos que sempre alcançaram as parcelas mais vulneráveis da população brasileira: o desrespeito aos limites legais ao exercício do poder penal, com a violação de direitos elementares, como a intimidade e a imagem. A violação de direitos e garantias fundamentais, e isso vale para qualquer cidadão (culpado ou inocente, rico ou pobre, petista ou tucano),  só são comemoradas em sociedades que ainda  não foram capazes de construir uma cultura democrática, de respeito à alteridade e ao projeto constitucional de vida digna para todos.

6. Os atos concretos de corrupção no trato da coisa pública devem ser enfrentados pelo aprofundamento — e não pela supressão — dos direitos democráticos estampados constitucionalmente. A implementação de uma reforma política que reduza a influência econômica nas eleições e nas ações cotidianas da Administração Pública, a exigência de maior transparência na prática de atos governamentais, o incentivo ao controle pela sociedade civil sobre todos os Poderes de Estado (inclusive o Judiciário pela instituição de ouvidorias externas aos tribunais)  e a consecução de plena autonomia orçamentária desses mesmos Poderes e ainda de órgãos participantes da persecução penal são algumas, dentre tantas outras, medidas que podem ser eficazes contra o patrimonialismo, de origem colonial, que persiste no Brasil nas mais diversas esferas estatais, em pleno século 21. 

A corrupção, por definição, consiste na “violação aos padrões normativos do sistema”. Assim sendo, a AJD espera que, por imperativo lógico e ético, não se combata a corrupção com a disruptura do próprio ordenamento jurídico, ainda mais se isso significar desrespeito a avanços civilizatórios e democráticos arduamente conquistados e que hoje figuram na Constituição da República sob a forma de direitos fundamentais, garantidos por cláusula pétrea.

São Paulo, 7 de Março de 2016.

A Associação Juízes para a Democracia
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Ato em Defesa da Liberdade de Expressão — ao vivo

 Transmissão encerrada 



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Marco Aurélio Mello: "Alguma coisa está errada"


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Manual para entender por que a Lava Jato tem motivação política

O aparelho político-burocrático-midiático em que operação se sustenta é historicamente comprometido com o status quo.


A literatura política brasileira está recheada de histórias que comprovam a máxima “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. É uma tradição das elites brasileiras o uso da polícia e da Justiça como arma, quando o voto não é favorável aos seus interesses. A ofensiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o PT não desmentem a história.

Antes da Constituição de 1988, o aparelho policial e Judiciário dependiam diretamente dos donos de votos nos Estados e no governo federal. Nos Estados, os oligarcas mantinham-se poderosos graças ao clientelismo; a uma Justiça a ele submisso; a uma polícia que era a extensão de seus interesses; e à mídia (jornais, rádios e televisões) que, se não era de propriedade do próprio chefe político, recebia dinheiro do governo suficiente para que apenas escrevesse o que fosse autorizado.

São inúmeras as histórias que se pode contar sobre esse tempo — como é o caso de um chefe político do Nordeste que, governador mandato sim, mandato não, mantinha os inimigos continuamente processados por um Tribunal de Justiça cujos desembargadores compareciam a uma reunião semanal em sua casa, para receber as ordens de como julgar os seus desafetos e os seus amigos.

Todas as mudanças promovidas na Justiça, na Polícia e no Ministério Público pela Constituinte não foram capazes, todavia, de imunizá-los contra a sedução que o poder econômico e político exerce sobre eles. A mídia tradicional é capaz de tornar um simples procurador ou juiz em rei da pátria, desconhecer as mazelas de aliados e manipular a opinião pública para aceitar uma condenação injusta. Os interpostos dos aparelhos policial e judicial, ao atuarem em favor do status quo, passam a ter direito ao ingresso nesse seleto grupo de pessoas muito poderosas que, se não estiverem no governo, têm instrumentos suficientes à disposição para inviabilizar o oponente que venceu as eleições – e voltar ao poder.

Esse é o maior poder de sedução que a elite exerce sobre o aparelho burocrático do Estado: os que ocupam o poder em oposição a eles são intrusos, o aparelho de Estado é deles, por direito divino e, quando a ele retornarem, o conjunto das forças que contribuíram para derrubar o inimigo com o uso da Justiça — e a ajuda inestimável da polícia e do Ministério Público — estará no poder. O aparelho burocrático, se tiver algum sentimento de pertencimento, será esse: às forças que se juntam para evitar que a realidade social e política do país mude o menos possível, e manter os interesses historicamente estabelecidos. A burocracia é facilmente cooptável pelo status quo.

Nessa estrutura política, o voto é descartável. Duas louváveis leis para moralização das eleições, ao longo dos anos, por exemplo, têm se mostrado facilmente manipuláveis, sem que instrumentos efetivos de controle dos agentes que as executam protejam as vítimas de seus desmandos. A lei que proíbe o abuso do poder econômico, por exemplo, chegou a cassar o mandato do senador João Capiberibe (PSB-AP) por conta de uma única denúncia, da qual nunca se provou a veracidade, de que um único voto havia sido comprado por R$ 5. Assumiu no seu lugar o candidato que perdeu a eleição por muito mais do que esse voto. A Lei da Ficha Limpa, se pode livrar o país de corruptos comprovados, também tem o poder de inviabilizar políticos importantes na vida nacional que não tem respaldo dessa elite político-burocrático-midiática. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) quase perdeu o direito de se candidatar porque o Tribunal de Contas do Município (TCM), com quem teve sérias divergências quando prefeita, a condenou mais de uma década depois. As leis estão sujeitas aos agentes, e boa parte deles têm lado.

Maria Inês Nassif
No Carta Maior
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Jornalista gaúcho anuncia: RBS entrega Santa Catarina


O domingo já prenunciava e a segunda-feira apontou, através do blog de um jornalista gaúcho, Felipe Vieira: a venda das ações da RBS em Santa Catarina já teria sido efetuada e a família Sirotski não controlaria mais o grupo no estado. O comprador majoritário seria o grupo liderado por um empresário do ramo dos medicamentos (?) Carlos Sanchez, 52 anos, e que tem como sócio o milionário gaúcho, Lírio Parisotto que é hoje também o maior acionista da Celesc. Há informações também de que o Boni (Globo) também teria um bom número de ações. O mesmo jornalista informa que a operação de venda teria passado de um bilhão. Segundo ele o anúncio será feito hoje , dia 7.

A troca das cadeiras no poder do oligopólio midiático em Santa Catarina — se confirmada pelo grupo RBS hoje — possivelmente não mudará nada no estrutural. O grupo que passa a dominar seguirá reproduzindo a propaganda do sistema, cuidando dos interesses da classe dominante, pois esse é sentido da existência dos meios de comunicação no mundo capitalista. De resto, o grupo gaúcho seguirá tocando a comunicação no Rio Grande e ninguém por lá ficará mais pobre. Da mesma forma os novos donos certamente encherão os bolsos servindo aos mesmos velhos interesses, agregando um ou outro mais. Como o novo dono produz remédios, as farmacêuticas estão prosas.

Os problemas deverão ficar na ponta da rede e quem sofrerá de maneira mais intensa as consequências da troca de comando serão os trabalhadores. Nova gestão sempre vem acompanhada de soluções mirabolantes para enxugamento das despesas e maximização dos lucros. A RBS está acossada pelas denúncias da Operação Zelotes, a qual investiga sua participação em esquema de sumiço de tributos, desfalcando os cofres públicos em milhões de reais. A acusação é de que a empresa pagou 15 milhões em suborno para evitar marchar com 150 milhões em dívidas tributárias.  Isso pode ter detonado a decisão de entregar os anéis (Santa Catarina) para não perder os dedos, que é o poder midiático no Rio Grande do Sul.

Os novos donos não são gente oriunda da comunicação, logo, haverá outra razão administrativa, meramente comercial. A RBS já era assim, mas mantinha certa mística, por conta de seu fundador, Maurício, que era um homem de rádio. Agora, sem qualquer vínculo com compromissos comunicacionais, a nova RBS que emergirá será mais pragmática no mundo dos negócios. Logo, nenhuma mudança real se fará.

Ainda assim, no meio desse turbilhão, o jornalismo poderá ser o setor mais aviltado. Não que já não fosse, mas pode piorar. No espaço da empresa gaúcha, o jornalismo estava vivendo dias amargos, com os trabalhadores sofrendo a mais dura exploração, baseada na multifunção. A mesma pessoa dando conta de três ou mais funções, num processo violento de cobranças, levando muita gente ao adoecimento. E tudo isso com um piso salarial de pouco mais de dois mil reais. Tudo isso refletia num jornalismo cada dia mais fraco, insosso, sem qualquer viés crítico, totalmente amarrado aos interesses patronais.

Imagino a angústia que deve estar acometendo todo o grupo de trabalhadores que se manteve completamente alheio às negociações, sem saber quais foram as questões acordadas e como será sua vida de agora em diante. Viveram como os viviam os servos no tempo dos feudos, mudando de “senhor” sem que fossem levados em conta. Logo, esse é um momento crucial, no qual o Sindicato dos Jornalistas, bem como os demais sindicatos das categorias que conformam todo o bloco comunicacional, devem atuar unidos e imediatamente, buscando canais de conversa para garantir saúde espiritual de todos os trabalhadores, bem como a garantia dos empregos até que se possa saber quais são os planos dos novos donos. Se houver organização e luta renhida, pode ser que se consiga salvaguardar os empregos.

Os otimistas dirão que uma mudança é coisa boa, um choque de gestão para remexer as bases. Mas, os realistas sabem muito bem que no embate de gente graúda, quem sai lascado é o pequeno. Não me parece haver dúvidas de que serão os trabalhadores os que pagarão o preço mais alto. Se houver enxugamento, lá vêm as demissões. Se houver um choque de gestão, lá vem o aumento da super-exploração e os baixos salários. De todo o lado virá bomba, afinal, nenhum empresário entra em uma canoa que está afundando sem um plano para colocá-la no rumo. E os planos, no mundo capitalista, são sempre muito simples. Cortar na carne dos trabalhadores para garantir maiores lucros aos patrões.  

Manifesto aqui minha solidariedade aos colegas de todos os veículos da empresa. Serão tempos duros. Por isso conclamo a necessidade de união através do sindicato. Ainda que também essa seja uma instituição que anda perdida, frágil e sem poder, ainda é o instrumento que temos nós, os jornalistas, para organizar a luta que precisa ser travada. Como as emissoras de TV pública são concessões, a transação terá de passar pelos órgãos reguladores, logo, temos tempo.

Não ouso sonhar com uma luta pelo jornalismo de qualidade, crítico, libertador. Mas, pelo menos a batalha pela sobrevivência dos trabalhadores. Vencida essa, quem sabe se possa avançar para o debate sobre o jornalismo e sobre a necessidade de organizar a luta nessa direção. O jornalismo é um fazer que requer valentia, capacidade intelectual e vontade política, para se fazer crítico e transformador. E ele deve ser praticado nas grandes empresas, mesmo correndo o risco de se ser demitido.

Como podemos ver agora, o risco do desemprego está permanentemente sob as cabeças. Lutando ou não lutando por um jornalismo de qualidade, todos cairão. Melhor, é, como diz José Martí, enfrentar de pé, cair com honra.

Esse é um bonito momento para o ressurgimento da luta sindical no campo do jornalismo. Vamos arregaçar as mangas e unir as forças no amparo dos companheiros e companheiras que fazem parte do grupo RBS.

Da minha parte, estou à postos, para o que vier.  Vamos vencer o temor e partir para a ofensiva.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Fazer a História é mais importante do que comentá-la

Aqueles que me acompanham há algum tempo sabem que frequentemente escrevo sobre a necessidade da serenidade na política. Inúmeras vezes falei que não era aceitável tratar oponentes políticos como inimigos. Salientei que o debate não se faz com violência.

Infelizmente, se sempre adotei esta postura de forma natural, sem qualquer esforço, nos últimos dias passei a ter que me obrigar a mantê-la. Se os acontecimentos de quinta/sexta-feira conseguiram algo, foi radicalizar até mesmo quem se orgulhava da moderação.

Na quinta-feira, uma delação não homologada (e que, mesmo se fosse, deveria ser sigilosa) foi publicada na IstoÉ. Enquanto o suposto delator se recusou a confirmá-la, o procurador-geral da república, que seria o responsável por fazê-la, foi mais enfático: negou sua existência. Isto não impediu a Globo e suas cúmplices de transformarem a tal "delação" em destaque absoluto. Se Delcídio antes era retratado por elas como um sujeito sem escrúpulos, imediatamente sua palavra passou a ter peso de lei — não eram necessárias mais quaisquer provas; Delcídio havia afirmado e pronto. Até que, claro, ele se negou a confirmar a delação e voltou a ser sumariamente ignorado.

Já na sexta-feira de madrugada, por volta de duas da manhã, o editor da Época (ligada à Globo), que há muito já deixou de sequer simular qualquer objetividade jornalística, tuitou duas vezes sobre a ação da PF que só aconteceria horas depois. Uma ação que, de novo, deveria ser sigilosa, mas sobre a qual a imprensa já havia sido informada há dez dias (como comprovou a denúncia feita pelo blogueiro Eduardo Guimarães uma semana antes). Antes que a PF chegasse ao apartamento de Lula, um helicóptero da Globo sobrevoava seu apartamento e repórteres da Foxlha esperavam na porta. Já os ADVOGADOS do ex-presidente ainda não haviam sido notificados.

Mas o abuso maior estava por vir: sem ter sido sequer intimado previamente, Lula foi submetido à humilhação do depoimento coercitivo — um abuso tão grande de poder que até dois ministros do STF (um deles historicamente crítico à esquerda) condenaram a ação, bem como juristas respeitados e até mesmo (pasmem) um dos fundadores do PSDB, Bresser Pereira.

O abuso, claro, foi ignorado pela Globo e suas comparsas; o Jornal Nacional chegou a aumentar em meia hora sua duração para celebrar a ação. Já no sábado, quando a sede do PT foi atacada em Belo Horizonte, a Globo chamou de "protesto" o que era claramente um ato de violência — e quando algo similar aconteceu em outra capital, a emissora ENTREVISTOU os "manifestantes".

Por outro lado, quando manifestantes se posicionaram diante dos prédios da emissora neste domingo, foram chamados de "milícia" e os colunistas Merval e Noblat chegaram a convocar OS MILITARES pra combater a "turba".

Como manter a serenidade assim? Como tentar se manter ponderado quando passamos a viver em um país no qual a oposição agora, mesmo perdendo nas urnas, se vê no direito até de dizer quem pode ou não ser ministro? No qual a mídia escancarou de vez o objetivo de destruir toda a esquerda? No qual um juiz, "premiado" pela Globo e celebrado por tucanos, usa o poder judiciário para perseguir os inimigos políticos das corporações?

Um país no qual investigações e notícias são seletivas? A funcionária-fantasma de Serra já foi esquecida; os apartamentos no exterior e as remessas feitas por offshore por FHC não são mais discutidos; o helicóptero com 500kg de pasta-base virou anedota; o aeroporto construído na fazenda da família do senador é passado; o merendão tucano é só uma expressão sem significado; o cartel dos trens depende mais das ações da justiça suíça do que da brasileira; a sonegação bilionária de impostos da Globo virou apenas meme; a operação Zelotes decidiu que investigar a RBS (e a Globo) é bobagem; etc. etc. etc..

E é neste momento, quando apontamos a impunidade da direita e das corporações, que alguém invariavelmente diz: "Um erro não justifica o outro! TODOS devem ser investigados!" — uma das mais frequentes manifestações de cinismo vistas na rede. Sim, cinismo. Porque quem diz isso SABE que não, NÃO são todos que são investigados. É como um sujeito que, vendo o primo bater num vizinho todos os dias, diz que ninguém deve interferir na briga, pois o outro garoto também pode bater se quiser — mesmo sabendo que ele não tem condições semelhantes para lutar.

Esta lógica particular é a mesma que ocorre nas ofensas diárias na rede. Se critico a direita, sou "vendido"; se critico a esquerda, é porque "o boleto venceu", "a mesada foi suspensa", "a mortadela acabou", etc. Na mente desta neodireita, não há ideologia, há apenas jogo de interesse e recompensas financeiras — uma postura despolitizada, alienada, que encontra reflexos nos "argumentos" com os quais lotam as caixas de comentários: "Chola mais", "Fora PT", "Dilmanta", "o Brahma", "Pixulecos" e por aí afora. Detalhe: estas expressões não são apenas a introdução do que será um argumento, mas o argumento em si.

"Lá vem você falando de 'nós' e 'eles', de 'direita' e 'esquerda' de novo! O Lula está separando o Brasil! Vocês estão dividindo o país!" — é o "argumento" que vem a seguir. A Globo e seus asseclas, ao lado de um judiciário aparelhado pela direita, atacam a esquerda dia e noite, massacram qualquer figura que se destaque neste lado do espectro político, mas é a esquerda que está "dividindo" o país ao reagir. O que eles querem dizer é: "aceitem o que estamos fazendo. Se não aceitarem, dividirão o Brasil!". E então se enrolam na bandeira, cantam o hino nacional, enchem suas bios de palavras como "patriota", "amo meu país" e de outros sintomas do nacionalismo mais fascista enquanto espalham memes sobre como qualquer um que defenda esta ou aquela ideia, que critique este ou aquele partido, é "defensor de bandido", deve "ir pra Cuba" e — um que vi hoje — deve ser demitido do emprego, qualquer que seja este.

E o mais triste? Em vez de perceberem o que está acontecendo, setores da esquerda preferem ficar em cima do muro ou mesmo aproveitar a situação para atacarem antigos aliados. No dia da condução coercitiva de Lula, Luciana Genro soltou uma nota que é um primor de cinismo: em vez de denunciar o abuso, preferiu afirmar que "há muito Lula não é de esquerda".

E DAÍ, Luciana Genro? Vivo escrevendo que o governo Dilma e o PT não são de esquerda — e há pouco mais de dez dias escrevi um texto atacando pesadamente o governo por sua traição na questão do pré-sal que foi lido por mais de um milhão de pessoas e compartilhado algumas milhares de vezes. Mas uma coisa garanto: por mais decepcionante que PT e Dilma sejam, ainda são mais esquerdistas do que a Globo, o PSDB e as elites desejam. Bem mais. E se você acha que não, espere para ver o que os programas de inclusão social sofrerão nas mãos desse pessoal.

E o que Luciana Genro e semelhantes esperam com isso? Que a direita destrua o PT e Lula e, então, permita que o PSOL se torne o grande representante da esquerda brasileira? Mesmo?

A mídia e a direita escancararam a guerra; agora chegam a pedir ação dos militares contra aqueles que ousam desafiá-las. Não há mais "em cima do muro".

Há momentos nos quais fazer a História é mais importante do que comentá-la. Este é um deles.

Pablo Villaça
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O Pacto e o Pato

http://www.maurosantayana.com/2016/03/o-pacto-e-o-pato.html


Convencidos de que as acusações sem trégua contra o PT correm o risco de não alcançar seus objetivos, e de que, pelo contrário, expuseram a atividade política como um todo e podem levar alguns de seus próprios membros aos bancos dos tribunais e à execração pública, há alguns parlamentares ligados à oposição que já falam na costura, ainda discreta, de uma aliança pela governabilidade, que poderia levar a um amplo pacto nas eleições de 2018, tendo como base uma plataforma que contemplasse algumas das “reformas” sem mexer nos principais bancos públicos e empresas estatais e nos avanços sociais dos últimos anos.

A percepção crescente, ainda que minoritária, seria de que o Juiz Sérgio Moro age cada vez mais como um fio desencapado, imprevisível, inconsequente e descontrolado, e de que o aprofundamento da radicalização está abrindo caminho para o fortalecimento de neófitos e aventureiros, que poderiam empurrar o país para o caos no final da década, dependendo do resultado das próximas eleições presidenciais.

A ideia é diminuir paulatinamente, de parte a parte, os ataques, e estabelecer uma agenda comum que pudesse fazer avançar algumas das questões mais prementes no Legislativo, principalmente se for concretizada uma eventual saída de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados.

O raciocínio seria mais ou menos o seguinte — me comentou uma fonte: às vezes é melhor negociar um pacto, que beneficiaria a todos e ao próprio país, se feito, de forma programática, em torno de um projeto nacional, do que “pagar o pato”, de uma conta que está ficando cada vez mais alta para quem quer que ocupe cargo público ou exerça mandato eletivo, principalmente se estiver filiado a um dos três principais partidos do espectro político nacional.
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Preparar para a hora do “Basta”!

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A investigação Lava está à beira de implodir em razão do delírio ideológico dos promotores e do Juiz por ela responsáveis. A retórica desabrida, satanizando tolices, a desinformação e, pior, a antecipação de lances futuros, alguns fora da competência do Juizado curitibano, dificultam a distinção do que é prestação de contas, propaganda, dissimulação e wishfulthinking. A palavra “indício”, por exemplo, deixou de “indicar” algo e passou a gigantesca evidência, como o enxofre, da inconfundível presença do demônio. O óbvio planejamento de intervenções espetaculares de acordo com a temperatura política, e o crescente atrevimento com a descabida e prepotente condução coercitiva do ex-presidente Lula da Silva, resultam da complacência das autoridades superiores, no Executivo, Legislativo e Judiciário Trata-se de comportamento inquisitorial pré-concebido, insultando frontalmente as crenças cívicas da maioria dos pobres brasileiros e contaminando negativamente as expectativas da população, em geral.

À falta de, até agora, comprovados crimes de acumulação econômica ilegal, por  parte do ex-presidente Lula, policiais e procuradores transformam um inquérito da mais absoluta pertinência e tempestividade em malabarismos de sessão matinal circense em torno de pedalinhos, um sítio e um tríplex. Ainda que fossem doados mediante recursos de uma “vaquinha” entre todas as grandes empreiteiras nacionais, e durante o mandato do ex-presidente, a questão é: e daí? — Sem comprovação de que alguma delas foi direta e ilegalmente beneficiada por intervenção do presidente (e não a mera suspeita, pois alguma sempre ganhará concorrências) aceitar os pedalinhos seria criticável, mas de limitado atentado à moral e ao patrimônio público. Ora, não só não apareceram provas, nem mesmo, ao que saiba oficialmente, delação de ninguém a respeito de nada, como os procuradores estão desviando o olhar da população do que é fundamental: a acumulação econômica ilegítima via predação de patrimônio e recursos públicos. Com o aplauso dos que consideram que delação justifica coação e até prisão estão dando cobertura ao diversionismo midiático, cúmplices dos ladravazes enriquecidos por acumulação econômica ilegítima.

Comparar o absurdo acúmulo pessoal de riqueza por parte de empresários, políticos e altos burocratas a um sítio supostamente presenteado a Lula, é sandice, péssima utilização do mandato investigativo que a sociedade lhes paga: onde estão as contas no exterior, coleções de obras de arte, veículos, propriedades rurais e urbanas para exploração econômica, viagens regulares por conta própria e passadio de primeira em Paris, Londres, Nova Iorque? Onde se esconde o acervo de joias de d.Mariza? E seu guarda-roupa de grife? Sítio em Atibaia e tríplex em Guarujá que nem do casal são? Ora, trata-se de outra manifestação de preconceito, presumindo que Lula, de origem pobre, tisnaria sua dignidade e a da função que ocupou interferindo nas ações públicas por preço tão vil. Claro, corrupção mesmo, a sério, só para eles, bem nascidos e mal acostumados.

Os responsáveis pela investigação devem um balanço claro da Lava-Jato e da expectativa de prazos de conclusão. Claro que a descoberta de evidências (não “indícios”) provoca alteração em cronogramas, mas a existência de um quadro de referência é indispensável para que o jornalismo possa acompanhar e a opinião pública possa avaliar se estão sendo eficientes e produtivos ou meramente difamadores e garotos propaganda de televisão.

Com a coação física e moral do ex-presidente Lula os responsáveis pela Lava-Jato talvez venham a se revelar indignos dos privilégios que desfrutam. O ex-presidente é um dos mais importantes recursos políticos dos miseráveis deste País, líder de governos capazes de provocar justamente esse ódio amparado em toga. Destrui-lo, seria uma derrota imensurável para os pobres e humilhados; destruí-lo injustamente, aproveitando os privilégios de classe e corporação, é inaceitável. Se for comprovada a precipitação e o infundado da coação ao ex-presidente, o insulto não poderá passar em branco. Juízes e procuradores deverão pagar pela ameaça em que se constituíram aos pobres do Brasil. Pedidos de desculpa serão insuficientes. Hora de preparação para o que estão pedindo. No grito, não mais.
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É Fantástico! Globo volta a censurar Instituto Lula

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A violência cometida contra o ex-presidente Lula e sua família é indisfarçável e foi repudiada com indignação pela comunidade jurídica e pela sociedade brasileira. Esse repúdio é um alerta para a Lava jato não incorrer em novas ilegalidades, apesar das patéticas desculpas do juiz, dos promotores e, agora, dos policiais federais.




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A Dança das Vivandeiras


Bastou a militância do PT e os movimentos populares reerguerem suas bandeiras para defender Lula e a democracia que vivandeiras alvoroçadas voltaram aos bivaques para bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar — como dizia o marechal Humberto Castello Branco, primeiro presidente-ditador pós golpe de 1964.

Castello Branco, figura anterior ao endurecimento do regime dos generais, a partir de 1968, referia-se, não sem esconder o asco, às ratazanas civis que se acercavam dos milicos a pedir quarteladas quando as urnas não lhes eram favoráveis.

Veio, claro, de O Globo, esse primeiro movimento abjeto, a repetir uma tradição inaugurada naquele mesmo 1964.

Que tenha vindo de Merval Pereira, nenhuma surpresa. Merval nunca escondeu — nem poderia, tamanha a falta de pudores — a quem serve sua pena, e até onde ele está disposto a chegar para agradar os desejos da família Marinho.

Mas, confesso, nunca achei que Ricardo Noblat teria coragem de chegar a esse ponto.

Eu sei, não é novidade, da guinada à direita de Noblat e de muitos outros jornalistas e intelectuais combativos e de qualidade que se tornaram tristemente conservadores na velhice.

O mesmo fenômeno ocorreu com João Ubaldo Ribeiro e Ferreira Gullar.

Ainda assim, se me dissessem, há uma década, que Ricardo Noblat um dia ocuparia espaço na imprensa para, como as vivandeiras de Castello Branco, intimidar o País com possíveis extravagâncias do Poder Militar, eu teria escarnecido do meu infeliz interlocutor.

Quando vim para Brasilia, há 26 anos, vim com duas ideias na cabeça: trabalhar no Jornal do Brasil, o meu preferido, e com Ricardo Noblat, a quem minha alma de repórter prestava enorme reverência.

Em tempos diferentes, realizei as duas coisas.

Por isso, o fim de Noblat como jornalista não me causa apenas surpresa, mas, também, dor.

Leandro Fortes
No Viomundo
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