4 de mar de 2016

Marco Aurélio: Moro atropelou regras


A primeira crítica contundente do Supremo Tribunal Federal à ação do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro da 24ª fase da operação Lava Jato veio do ministro Marco Aurélio Mello. 

"Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão de resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado", afirmou Mello, segundo a colunista Mônica Bergamo.

Marco Aurélio diz que é preciso "colocar os pingos nos 'is'". "Vamos consertar o Brasil. Mas não vamos atropelar. O atropelamento não conduz a coisa alguma. Só gera incerteza jurídica para todos os cidadãos. Amanhã constroem um paredão na praça dos Três Poderes", afirmou.

O magistrado criticou também o argumento utilizado por Moro para embasar a condução coercitiva de Lula, de que a medida seria para a própria segurança do ex-presidente. "Será que ele [Lula] queria essa proteção? Eu acredito que na verdade esse argumento foi dado para justificar um ato de força", segue o magistrado. "Isso implica em retrocesso, e não em avanço."

O ministro do STF disse que o juiz Sérgio Moro "estabelece o critério dele, de plantão", o que seria um risco. "Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros". E ensina: "Não se avança atropelando regras básicas".

No 247
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Peixe embrulhado em jornal de hoje

Hoje pela manhã, na quadra da escola vizinha, dirigida por freiras, o hino nacional foi tocado em altos decibéis. Crianças sob a tutoria católica estavam enfileiradas para uma cerimônia patriótica. Só posso supor o que escutaram das freiras sobre o significado da enorme operação policial que levou Lula para um depoimento. Só depois do hino cessar, sob aplausos e urros no bairro, que comecei a ler as manchetes...

Então vamos lá: Nunca cobrei da imprensa imparcialidade. Já disse em rede nacional o que acho disso. O jornalismo não precisa ser imparcial. Só precisa ser honesto.

Por isso lamento demais por todos meus amigos, colegas, pelos bons jornalistas que sobraram nas grandes redações, salas de edição. Mas hoje é um dia deprimente demais para nosso ofício. Hesito muito em dizer isso, mas a falência ética da grande imprensa industrial é bem maior do que a financeira.

Há muitas camadas no episódio de hoje. Há uma procissão de responsáveis por esse desastre cívico, composta por todos os espectros políticos e partidários. Há muita, muita culpa, sem dúvida, do PT. Mas quero comentar apenas um círculo desse inferno de Bosch. Que para mim, jornalista não tanto por profissão quanto por princípio, é o que mais me machuca: a fusão de operações policiais e midiáticas.

Os grandes grupos de comunicação tem suas preferências políticas? Normal. Tem seus aliados, amigos e ideologias? Quem não? Tem suas agendas e suas visões de país? Uai, é por isso que jornais são fundados. Mas quando o jornalismo abandona o posto de cão de guarda para se tornar um pitbull rábico, a consciência pública se torna imprevisível. Ou melhor, imprevisível não. Mas rábica também.

Há muitos anos vivemos a escalada de uma diligente construção de um noticiário político expiatório, movido por ânsias punitivistas, judiciais.

Um jornalismo que está mais em busca de um desfecho catártico do que dos fatos, que abandonou a checagem, que dispensou a decantação mínima de rumores, suposições e vazamentos em nome de manchetes.

Pouco importam as motivações. Eleger o Aécio, o Alckmin, dar o troco no Lula, avançar uma agenda liberal, proteger os amigos, a si mesmo, minar a esquerda ou remover a Dilma... preencha a sua lista. O fato é que apesar de bons repórteres ainda com emprego, o grosso da mídia de massa trocou a função de mediador da consciência pública para se tornar um instigador. E instigado o Brasil está.

Mas o resultado disso, estou convicto, será muito diferente do sonhado e vendido pela mídia que se considera, ainda e sempre, republicana. Porque ao transformar o noticiário político em policial, boa parte da imprensa sedimentou a ideia de que a própria política é uma atividade criminal. Aí está o desastre.

Pois essa noção ouriçou em uma população com uma histórica vocação ao linchamento o sentimento de que só a punição, só a cadeia, só a porrada, só a ordem, só a faxina, só a polícia, só a força, a autoridade, só a forra vão salvar esse país de si mesmo.

E meu ponto aqui, de novo, não é defender Lula. Há mais gente do que argumentos para isso. Mas é apontar que se publishers, colunistas, âncoras e cínicos acreditam que o Brasil vai sair melhor desse processo, vão ser tragados, assim como seus aliados, pelo mesmo ralo quando essa força encontrar expressão eleitoral. Pois por mais caquético que nosso ofício esteja, ele é fruto e base do iluminismo. E nada menos conveniente ao ódio organizado do que a livre expressão de ideias, a investigação do poder, o esclarecimento público.

Hoje o hino está tocando mais alto em escolas, bandeiras tremulam em automóveis e em grupos de whatsapp. E editorialistas vão dizer, com razão, que o país está mudando. Os mesmos que, possivelmente, vão tomar um susto quando virem um Trump brasileiro em primeiro nas pesquisas dizendo que a imprensa joga contra o povo. E, com menos assinantes do que o Revoltados OnLine, vão dar um jeito de colocar a culpa... sei lá... no PT?

Enfim, dizem que jornal de ontem só serve para embrulhar peixe. Mas hoje me lembro do hábito da máfia italiana que, antes de executar um desafeto, mandava um peixe de presente à vítima. Sinto que há um enorme peixe sendo entregue ao país. Mas embrulhado no jornal de hoje.

PS: Viva o Samuel Wainer.

Bruno Torturra
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MPF não pede coercitiva de Lula em documento original, mas Moro concede

O juiz também disse que a condução coercitiva só seria "necessária caso o ex-Presidente convidado a acompanhar a autoridade policial para prestar depoimento na data das buscas e apreensões não aceite o convite". Lula não foi convidado


Na decisão aprovando a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sergio Moro afirmou que acolheu o pedido da equipe de procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato. No documento de 113 páginas, contudo, o MPF não solicita a condução coercitiva de Lula, a quem pede, apenas, que fosse alvo de medidas cautelares de busca e apreensão e de quebra de sigilo telemático.

"Embora o ex-­Presidente mereça todo o respeito, em virtude da dignidade do cargo que ocupou (sem prejuízo do respeito devido a qualquer pessoa), isso não significa que está imune à investigação", disse o juiz Sergio Moro, no despacho que, ao contrário do que informou, não "autorizou" a condução coercitiva de Lula, mas ordenou.

De acordo Moro, a solicitação partiu do Ministério Púlico Federal, pelos procuradores da equipe, sob comando de Deltan Martinazzo Dallagnol, no sábado do dia 20 de fevereiro. No documento, os procuradores afirmaram que com "forte indícios" diversos "fatos vinculados ao esquema que fraudou as licitações da PETROBRAS apontam que o ex-Presidente da República, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA [LULA], tinha ciência do estratagema criminoso e dele se beneficiou".


O pedido dos procuradores aponta que, "com o avanço das investigações no âmbito da Operação Lava Jato, surgiram fortes indícios de que LULA, presidente de honra do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, tem relação próxima com os executivos das empreiteiras envolvidas nas condutas delitivas perpetradas no seio e em desfavor da PETROBRAS".

Dallagnol e sua equipe contextualizaram e detalharam o que indicaram ser "fortes indícios" do envolvimento do ex-presidente Lula com a Operação Lava Jato. A conclusão foi que: "aparentemente, as empreiteiras realizaram doações ao INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA buscando auxiliá-lo na promoção dos fins a que se destina. Supostamente, os valores recebidos pela L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. destinaram-se ao pagamento de palestras".

Como estes fatos não teriam relações com ilegalidades ou irregularidades, os próprios procuradores ressaltaram que: "a priori, não há algo de ilícito em realizar palestras e receber por elas, assim como doações oficiais a entidades com fins sociais são perfeitamente legais e, da mesma forma, contratos de consultoria são lícitos". 

A busca para a motivação de colocar Lula como alvo da Lava Jato foi justificada da seguinte forma: "o problema surge quando há indicativos ou provas de que as doações, os contratos e os serviços foram usados para esconder a natureza real de pagamentos de propina. Em diversas situações já denunciadas como crimes no caso Lava Jato a prestação de serviços ocorreu, mas foi superfaturada para ocultar o pagamento de propinas. A suspeita, fundada, agora, é que as supostas palestras e doações possam ter sido usadas como justificativas formais para pagamentos de vantagens indevidas", informou o documento.

Para esclarecer e aprofundar essa suposição, a equipe pediu autorização para Moro de uma série de mandados. Lula e sua esposa, dona Marisa, eram alvos apenas do pedido de "medidas cautelares de busca e apreensão e de quebra de sigilo telemático".

O juiz da Vara Federal de Curitiba avançou sobre o que não foi solicitado a princípio, afirmando que o pedido de condução coercitiva de Lula teria sido "pleiteado em separado".

A justificativa seria evitar "tumulto provocado por militantes políticos, como o ocorrido no dia 17/02/2016, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo", conforme depois enfatizado pelos investigadore na coletiva de imprensa. "Colhendo o depoimento mediante condução coercitiva, são menores as probabilidades de que algo semelhante ocorra, já que essas manifestações não aparentam ser totalmente espontâneas", ainda denotou Moro.

Moro resguardou-se de possíveis indicações políticas em sua tomada de medida e afirmou que a ordem "não envolve qualquer juízo de antecipação de responsabilidade criminal, nem tem por objetivo cercear direitos do ex­-Presidente ou colocá­lo em situação vexatória".

"Prestar depoimento em investigação policial é algo a que qualquer pessoa, como investigado ou testemunha, está sujeita e serve unicamente para esclarecer fatos ou propiciar oportunidade para esclarecimento de fatos. Com essas observações, usualmente desnecessárias, mas aqui relevantes, defiro parcialmente o requerido pelo MPF para a expedição de mandado de condução coercitiva para colheita do depoimento do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva", concluiu Sergio Moro.

Além disso, o juiz da Lava Jato disse que a "utilização do mandado" de condução coercitiva "só será necessária caso o ex-Presidente convidado a acompanhar a autoridade policial para prestar depoimento na data das buscas e apreensões, não aceite o convite". Entretanto, pulou-se a etapa do convite a Lula para prestar depoimento.

Patricia Faermann
No GGN
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Amado ou odiado, Lula é um símbolo. A coerção foi espetáculo para humilhá-lo


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Pedro Serrano: Globo filmava tudo desde as 6 horas da manhã


“A condução coercitiva do ex-presidente Lula foi absolutamente ilegal. O argumento do Ministério Público de que isso foi feito para protegê-lo, não tem fundamento”, denuncia o advogado Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade católica de São Paulo (PUC-SP).

Em entrevista exclusiva ao Viomundo, Serrano acrescenta:

— O correto seria terem ocorrido intimações anteriores de forma pacífica. Caso ele resistisse ou não quisesse atender essas intimações, aí ele deveria ser conduzido coercitivamente. Mas nunca iniciar por uma condução coercitiva.

— A minha prática de 30 anos de exercício profissional  é que, quando o Ministério Público ou a Polícia quer conduzir uma pessoa nesses casos rumorosos, ela combina com o advogado para apresentar essa pessoa de forma discreta. Sem comunicar a imprensa e o lugar.

— Nesse caso, foi o contrário. Não foi um ato processual de um do estado democrático de direito. Foi um ato de espetáculo, um ato de exceção.

— Às duas da manhã o editor da Época já soltava no twitter o que iria acontecer a operação. Às 6 h da manhã a Globo já filmava, já estava presente no local.

–  Ou seja, houve um vazamento da operação,  com a finalidade de criar o espetáculo, de construir uma narrativa acusatória para a sociedade e de desconstruir a imagem política do ex-presidente Lula. Portanto, não dá para interpretar o que aconteceu hoje como um ato juridicamente válido,  ou como  um ato de justiça.

— Houve um ato de exceção, um ato político de persecução a uma figura pública.

—  É evidente que o presidente Lula como qualquer cidadão pode ser investigado. Mas nenhum cidadão  deve ser tratado desta forma abusiva, agressiva aos seus direitos fundamentais.

— É dever do Estado guardar discrição, é dever do Estado proceder de uma forma pacífica, antes de usar a força física. E nada disso foi feito.

— Aliás, eu creio que há indícios de abuso de poder, que deveriam ser apurados em investigação das corregedorias do Ministério Público e da Polícia Federal para verificar o que aconteceu. Eu acho que existem indícios, porque não é a forma adequada de tratar o Lula nem qualquer outro cidadão.

— E, como disse o juiz Moro, todos podem ser investigados, inclusive os agentes de investigação que cometem abusos de poder e vazamentos para a Globo, Época. Eu creio que deveria haver uma investigação em relação a essa questão também.

— Portanto, tem que verificar quem promoveu essa condução coercitiva e quem a vazou. Tudo tem de ser devidamente investigado e apurado pelas corregedorias do MP e da Polícia Federal.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Pronunciamento de Lula



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Procurador confessa: "provas" são as do PiG

E o Conexões Tigre? Vai em cana?


O depoimento do Procurador Santos Lima, o Vertical, deixa claro que "os indicativos fortes" contra Lula eram "do conhecimento de todos", ou seja, os pedalinhos do PiG.



As "provas" que eles têm, agora, em mãos foram as produzidas e investigadas pelo PiG.

A entrevista coletiva dos salvadores da Pátria não foi além de nada que o PiG já não tenha "revelado".

O PiG chefia a Lava Jato, é o que se percebe.

"A imprensa sabe tudo", dizem os entrevistados.

Ficou claro que as "investigações" se encaminham para transformar Lula num chefe de quadrilha.

Interessante que o Procurador pareceu muito irritado e ameaçou de prisão um "vazamento" que chegou ao Blog da Cidadania do Eduardo Guimarães.

O Procurador disse várias vezes que os vazamentos atrapalham a investigação!

Quá, quá, quá!

Vai levar um pito do Teólogo da Vazação, o Dr Moro!

O Procurador diz que vai encanar os vazadores!!!

Quá, quá, quá!

E o que mereceu o troféu "Conexões Tigre"?

Vai em cana?

O problema é que a Lava Jato naufragou nas águas da Globo no triplex do edifício Solaris, aquele ao lado do triplex que não é do Lula.

Mas, Globo, Globo... não vem ao caso!

Em tempo: Procurador Vertical falou em "blogs ligados ao PT". Precisa desenhar, Padim Pade Cerra?

Paulo Henrique Amorim
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Dilma divulga Nota Oficial


A presidenta Dilma Rousseff divulgou, nesta sexta-feira (4), nota à imprensa, cuja íntegra segue abaixo:

Em relação às medidas decididas pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Púbico, e executadas, no dia de hoje, pela Polícia Federal, declaro que:

1. O cumprimento da Constituição é a única via segura para o bom exercício das funções públicas e o respeito aos direitos individuais. No meu governo, garanti a autonomia dos órgãos responsáveis por investigações de atos de improbidade e de corrupção, mas sempre exigi o respeito à lei e aos direitos de todos os investigados.

2. Nesse momento, na qualidade de chefe de Estado, avalio necessário ponderar que todos nós, agentes públicos, independentemente do Poder em que atuamos, devemos ter um profundo senso de responsabilidade em relação ao cumprimento das nossas competências constitucionais. É necessário que as investigações prossigam, para a final punição de quem deve ser punido. Mas no ambiente republicano e democrático, o protagonismo da Constituição, sob orientação Supremo Tribunal Federal, constitui importante salvaguarda. O respeito aos direitos individuais passa, nas investigações, pela adoção de medidas proporcionais que jamais impliquem em providencias mais gravosas do que as necessárias para o esclarecimento de fatos. Vazamentos ilegais, prejulgamentos antes do exercício do contraditório e da ampla defesa, não contribuem para a busca da verdade, mas apenas servem para animar a intolerância e retóricas antidemocráticas.

3. Por isso, manifesto meu integral inconformismo com o fato de um ex-presidente da República que, por várias vezes, compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos perante às autoridades competentes, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar um depoimento.

Dilma Rousseff, Presidenta da República do Brasil
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Moro é um golpista

Em São Paulo roubam até as crianças


Sérgio Moro é um golpista e o PSDB rouba até merenda das crianças, afirma Zé Geraldo

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Nota da Direção Nacional do PC do B


Agressão contra Lula é para acelerar golpe contra a democracia

O ex-presidente Lula, respeitado no Brasil e no mundo inteiro, foi levado arbitrariamente para prestar depoimento na Polícia Federal. É uma agressão inaceitável não só contra Lula, mas à própria democracia, com o objetivo calculado de acelerar a marcha golpista que visa depor a presidenta Dilma Rousseff.

É hora de mobilização, luta e vigília de todos os democratas, de todas as forças vivas do povo e dos trabalhadores. É hora de indignação, de tomada de posição em defesa da democracia e do ex-presidente Lula, maior líder e estadista do Brasil contemporâneo, conforme é dito pelo povo em reiteradas pesquisas de opinião.

O Instituto Lula também foi alvo dessa investida, à qual reagiu com uma nota pública que rechaça com argumentos sólidos todas as falsas acusações lançadas contra o ex-presidente.

Esta arbitrariedade, essa injustiça contra Lula, partiu da Operação Lava Jato que há meses afronta a legalidade democrática e empreende uma caçada ao ex-presidente. Não há motivo algum para que Lula fosse levado à força pela PF, uma vez que ele prestou esclarecimentos toda vez que foi convidado pelas autoridades. Ações de força e espetaculares conflagram a sociedade e não contribuem para que haja justiça e prevaleça a verdade.

Fica escancarado com esse episódio e outros tantos que a Operação Lava Jato em conluio com a grande mídia se transformou em uma espécie de poder paralelo formado por setores da Polícia Federal, do Judiciário e do Ministério Público. Poder paralelo que, progressivamente, agigantou-se impondo métodos e práticas típicas de um regime de exceção, claramente direcionados para desacreditar o governo, investigar e criminalizar apenas as forças que o sustentam, notadamente o PT e a esquerda aliada.

Esse ataque a Lula vem da força e esperança que o ex-presidente representa. O fato de o ex-presidente manter-se – conforme apontam pesquisas de intenção de voto – competitivo para as eleições presidenciais de 2018 é o que explica a violência política que não cessa contra ele.

A verdade é uma só: A direita neoliberal tem medo de perder as eleições em 2018 para Lula, esta é a razão verdadeira da caçada empreendida pela Operação Lava Jato contra ele.

Este ato de provocação da Lava Jato é também um estratagema dos golpistas. Se não houver reação à altura, com certeza eles irão acelerar a consumação do golpe.

Nesta hora decisiva, o PCdoB se dirige a todas as forças democráticas da Nação, ao conjunto das forças progressistas e populares para que, a despeito de divergências, nos unamos em mobilização, luta e vigília em defesa da democracia, do Estado Democrático de Direito.

O PCdoB convoca seus militantes a se engajarem nesta jornada decisiva para os interesses do povo e da Nação. Já a partir de hoje é preciso, em todos os munícipios, nas ruas, em manifestações diversas cada vez mais amplas, em conjunto com as demais forças progressistas, firmarmos a defesa da democracia, repudiarmos as arbitrariedades que pisoteiam o Estado Democrático de Direito.

A democracia vencerá o golpismo!

Todo apoio ao ex-presidente Lula!

São Paulo, 4 de março de 2016

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB



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Delação inexistente vira fato consumado na mídia


Os jornais brasileiros, que em 1964 se uniram para apoiar uma ditadura militar no País e hoje estão engajados na derrubada do governo da presidente Dilma Rousseff, abriram suas cartas nesta sexta-feira. O jogo — ou melhor, o golpe — consiste em transformar em fato consumado uma delação inexistente.

Na noite de ontem, as manchetes do Uol, portal do grupo Folha, assim como do Estadão online, destacavam que o suposto "delator", o senador Delcídio Amaral (PT-MS) não reconhecia a autenticidade da "delação" que lhe era atribuída. Assim como seus advogados. Portanto, não existe delação.

No entanto, a ordem unida dos três principais jornais do País, Globo, Folha e Estado (repita-se, três apoiadores do regime militar de 1964) é tratar como verdadeira a delação que não houve.

Eis as manchetes:

Globo — Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato.

Folha — Ex-líder do governo liga Dilma e Lula à Lava Jato, e oposição pede renúncia.

Estado — Delcídio acusa Dilma e Lula na Lava Jato e agrava crise política.

Uma delação premiada é um documento jurídico claro. Trata-se de um acordo, assinado pelo delator, por seus advogados e pelo Ministério Público na presença de um juiz.

Sem isso, trata-se apenas de um pedaço de papel apócrifo, como foi definido pela presidente Dilma Rousseff (leia aqui).

A suposta delação de Delcídio, como demonstrou o colunista Paulo Moreira Leite (leia aqui), pode ser um documento forjado ou até uma eventual proposta de colaboração que não foi concretizada. É possível que, quando esteve preso, e sob intensa coerção psicológica, Delcídio tenha cogitado delatar. No entanto, ele não o fez, porque foi solto pelo ministro Teori Zavascki, que avaliou que sua prisão preventiva, após a apresentação da denúncia, havia se tornado desnecessária. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também tratou a "delação" de Delcídio como um fato jornalístico — e não jurídico.

Torturando a realidade

O jogo dos meios de comunicação, que representam poderosos interesses econômicos, será agora forçar de qualquer maneira o senador Delcídio a transformar um pedaço de papel apócrifo numa delação real.

Essa estratégia, no entanto, encontra dificuldades. Na defesa verdadeira apresentada por Delcídio, ele próprio se assumiu como um bravateiro. Disse que no famoso diálogo que o levou à prisão, gravado por Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ele dizia bravatas em relação ao banqueiro André Esteves, que foi preso, e também em relação aos ministros do Supremo Tribunal Federal, sobre os quais dizia ter grande influência.

Ora, se Delcídio admitia dizer bravatas em relação a um banqueiro e a todos os ministros do STF, porque não faria o mesmo em relação à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, numa eventual situação de desespero?

O fato concreto é um só: não existe delação premiada alguma. Mas o jogo bruto da mídia, engajada em mais um golpe contra a democracia brasileira, é transformar uma ficção, que até pode ter algum lastro na realidade, em verdade absoluta e incontestável.

No 247
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Primeiros comentários de Lula



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Lula Preso Não Solto no Meio Deles


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JN promove massacre contra Lula: a guerra total da Globo pra exterminar a esquerda

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/geral/jn-promove-massacre-contra-lula-a-guerra-total-da-globo-pra-exterminar-o-pt/

A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT. Cercados, a esquerda e os movimentos sociais começam a travar uma espécie de batalha de Leningrado no Brasil.


Foi um massacre com mais de quarenta minutos. Estou numa pequena cidade no interior do Ceará. Na pracinha central, numa pequena lanchonete, vi (mais do que ouvi) as TVs ligadas na Globo, no horário do Jornal Nacional.

Duas matérias (cada uma com cerca de 4 minutos, uma eternidade em TV) promoveram a “leitura” da revista Istoé. Sim, numa estratégia antitelevisiva, que só se justifica nos momentos de intervenção política total dentro do noticiário, a revista foi exposta na tela, enquanto os repórteres escalados por Ali Kamel liam cada trecho da suposta delação de Delcídio Amaral.

Lembro que em 2006, ao lado de outros colegas jornalistas, entrei na sala do diretor da Globo em São Paulo (onde eu trabalhava), e cobrei: por que não repercutimos o que a Istoé falou sobre Serra e a máfia das ambulâncias? Por que, eu insisti, só atacamos um lado (que naquela época, claro, já era o PT com seus “aloprados”)? A resposta do diretor da Globo: “não repercutimos a Istoé, porque é uma revista suspeita de vender espaço jornalístico a quem pagar mais.”

Em 2016, Ali Kamel usou a Istoé contra Lula nesta quinta-feira. E depois veio muito mais no massacre do JN: “juristas” a favor do impeachment, especulando em cima de uma suposta delação. Ministros defendendo o governo, mas cuidadosamente colocados (pela edição da Globo) numa defensiva sem saída. A narrativa era a de um governo que cai.

Mas a cereja do bolo era outra: o ataque a Lula. Primeiro, na boca de Delcídio e da revista Istoé (de novo!). Depois, numa “reportagem” que significou o retorno da Globo ao triplex do Guarujá, incluindo fotos de Marisa e de um dos filhos de Lula com os rostos levemente deformados.

João Roberto Marinho está possesso porque a filha dele foi exposta na internet: blogueiros descobriram as peripécias do ex-marido de Paula Marinho e divulgaram até endereços da família bilionária. O capataz dos Marinho, Ali Kamel, deu então o troco no JN: expôs a família Lula, de novo. Com as expressões deformadas…

Mas não interessa tanto contar em detalhes o que foi o JN. A ideia desse texto é outra: alertar que a edição do Jornal Nacional cumpre uma dupla tarefa. Primeiro, preparar o terreno para nova operação da PF (agora centrada em Lula) que deve acontecer nos próximos dias. Um observador experimentado da política carioca me disse: os Marinho não promoveriam esse massacre, se não soubessem que o ataque é apenas parte de uma escalada maior. Portanto, estamos já numa escalada sem volta.

Em segundo lugar, o JN cumpre a tarefa de reunir a oposição e dar o grito de guerra: “avancem! e sejam rápidos”.

Na pracinha do Ceará, onde eu estava, reparei que só havia gente com 40 anos ou mais olhando para a TV. Os jovens namoravam, tomavam sorvete, olhavam o celular.

A Globo não tem o poder de outras épocas, é verdade. Mas segue a cumprir o papel de organizar a tropa conservadora. O sinal está dado: se forem para o ataque, bravos líderes da oposição, vocês terão o apoio da máquina midiática da Globo. Mas não titubeiem. Avancem!

A guerra contra Lula foi declarada há vários meses. Nas últimas semanas, Lula topou a briga (até porque não tinha saída), e também declarou guerra: “nesse país, não há partido de oposição, partido é a Globo”, disse ele.

A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT.

Essa guerra, se tiver o desfecho que a família Marinho pretende, pode transformar o Brasil numa Colômbia. A esquerda seria proscrita. Lula seria preso. Os movimentos sociais voltariam a ser o que sempre foram: forças marginais, excluídas do jogo político. Os sindicatos seriam massacrados (já há CPI a caminho).

Por enquanto, é a direita apenas que exibe seu poder – com a violência simbólica de um JN tomado pelo ódio, como vimos hoje. Mas se a esquerda for jogada mesmo pra fora do jogo institucional, a escalada de violência política pode ganhar outros contornos, atingindo também aqueles que – do Jardim Botânico, ou de seus gabinetes acarpetados em Curitiba e Brasília – lançaram o país nessa espiral.

Lula não escolheu a hora de combater. A guerra chegou até ele. Os que se reúnem em torno do petista devem ter a certeza de que estamos diante de um momento decisivo. Agora, só um dos lados vai sobreviver.

O lado de lá é mais forte (até pela tibieza de um partido e de um governo que apostaram em Cardosos e Delcídios para dar “governabilidade”).

O que pode acontecer?

“A sensação de cerco às vezes faz milagre na política”, disse um amigo que também gosta de metáforas bélicas. O cerco ao lulismo ficou mais forte hoje: há uma espécie de batalha de Leningrado em curso.

Os que se defendem parecem fracos e sem munição, como se sentiam os soviéticos diante do avanço nazista. Mas, a favor da turma que defendia Leningrado, havia um fator imponderável: sabiam que deviam resistir até o último homem, casa a casa.

A esquerda no Brasil (com todos seus defeitos, com todas as limitações do que foi o PT nos últimos anos) trava, a partir de agora, sua batalha de Leningrado.

Lula também está cercado. E decidiu lutar. Não é pouco.



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Ação da Lava Jato contra Lula vazou para Globo


O editor-chefe da revista Época, da Editora Globo, Diego Escosteguy, sabia da operação da Polícia Federal horas antes de ela ser deflagrada, na manhã desta sexta-feira 4. Batizada de Aletheia, a 24ª fase da Operação Lava Jato tem como principal alvo o ex-presidente Lula e sua família, além do diretor do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

"Quase duas da manhã. Poucas horas para um amanhecer que tem tudo para ser especial, cheio de paz e amor", publicou Escosteguy no Twitter às 1h49 desta madrugada. "Vamos observar com atenção as próximas horas. Elas não serão fáceis. Notícias concretas assim que possível...", escreveu logo depois, às 1h53.

Depois disso, as mensagens publicadas pelo jornalista, ainda antes da operação, foram de provocações e deboche contra Lula. "Relaxem: vocês podem dormir com a consciência tranquila. Deixem a insônia para quem não tem opção". Às 6h29, ele publicou: "Bum". O Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, já havia anunciado o vazamento desta fase da operação (leia mais).

No 247
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Lindbergh Farias chama às ruas



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O golpe é contra você


O golpe não é contra Dilma. Não é contra Lula. Não é contra o PT.

O golpe é contra os 54,3 milhões de votos que elegeram a presidenta em eleições livres e limpas. O mandato presidencial a eles pertence. Caso a agressão à soberania popular promovida pelo golpe se concretize, eles é que serão cassados.

O golpe é contra os 42 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média, nos últimos 13 anos. É contra os 22 milhões de cidadãos que deixaram a pobreza extrema para trás. É contra as políticas sociais que praticamente eliminaram a miséria no Brasil. Miséria histórica, atávica, contra a qual os representantes do golpismo pouco ou nada fizeram, quando governavam.

O golpe é contra um processo de desenvolvimento que conseguiu tirar o Brasil do Mapa da Fome. Fome secular, vergonhosa, que os golpistas nunca conseguiram saciar. O golpe é para colocar o Brasil no Mapa da Vergonha. 

O golpe é contra a igualdade e pela desigualdade. Os que apostam no golpe também apostam na desigualdade como elemento essencial para o suposto bom funcionamento da economia e da sociedade. Eles apostam na meritocracia dos privilégios.

O golpe é contra a valorização do salário mínimo, que aumentou 76,5%, nos últimos 11 anos. O golpe é pelos salários baixos para os trabalhadores, pois, para os golpistas, salários reduzidos são essenciais para o combate à inflação e a competitividade da economia.

O golpe é contra a geração de 21 milhões de empregos formais, ocorrida nos últimos 12 anos. Quem aposta no golpe aposta num nível de desemprego mais alto, para reduzir os custos do trabalho. Aposta também na redução dos direitos trabalhistas, na terceirização e na volta da precarização do mercado de trabalho.

O golpe é contra a Petrobras e pela Petrobax. O golpe é contra a política de conteúdo nacional, que reergueu nossa indústria naval e reestruturou a cadeia econômica do petróleo. O golpe é contra a nossa maior empresa e tudo o que ela simboliza. O golpe é pela privatização e pela desnacionalização.

O golpe é contra os programas que abriram as portas das universidades brasileiras para pobres e afrodescendentes. O golpe é contra o ENEM e pelo vestibular. O golpe é pela manutenção da educação de qualidade como apanágio para poucos. O golpe é pela privatização do conhecimento. O golpe é contra as novas oportunidades e pelos antigos privilégios.

O golpe é contra o SUS e o Mais Médicos, programa que leva assistência básica à saúde a mais de 60 milhões de brasileiros que antes estavam desassistidos. O golpe é contra a saúde pública e pela mercantilização da medicina. O golpe é contra médicos cubanos e pacientes brasileiros. O golpe é pela doença que rende lucros. O golpe é uma patologia.

O golpe é contra a política externa ativa e altiva. O golpe é contra a soberania e por uma nova dependência. O golpe é contra o Mercosul e a integração regional. O golpe é para desintegrar a projeção dos interesses brasileiros. O golpe é para nos alinhar aos interesses das potências tradicionais. O golpe é contra o grande protagonismo que o país assumiu recentemente. O golpe é para nos apequenar.

O golpe é contra uma presidente honesta e pelos corruptos. O golpe é contra o governo que mais combate a corrupção. Que multiplicou as operações da Polícia Federal de 7 por ano para quase 300 por ano. Que fortaleceu e deu autonomia real a todas as instituições de controle. Que engavetou o engavetador–geral. O golpe é contra as apurações e pela impunidade. O golpe é contra a transparência e a verdade. O golpe é um engodo ético e moral. O golpe é cínico e hipócrita. O golpe é uma grande mentira.

O golpe é contra o futuro e pela restauração do passado. A única proposta do golpe é o golpe.

O golpe é contra a esperança e pelo ódio, para o ódio. O golpe é intolerante. O golpe é mesquinho.

O golpe é contra a grande nação e pela republiqueta de bananas.

O golpe é contra a democracia. Contra o Brasil.

O golpe é, sobretudo, contra você."

Marcelo Zero, Sociólogo, especialista em relações internacionais e assessor da Liderança do PT
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Paulo Pimenta convoca militância


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Lava Jato desrespeita o Supremo e compromete sua credibilidade


São Paulo, 4 de março de 2016

A violência praticada hoje (4/3) contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal.

1)   Nada justifica um mandato de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça, espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa,  em depoimentos previamente marcados. Por que o ex-presidente Lula foi submetido ao constrangimento da condução coercitiva?

2)   Nada Justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras. A Lava Jato já recebeu da Receita Federal, oficialmente, todas as informações referentes a estas contas, que foram objeto de minuciosa autuação fiscal no ano passado.

3)   Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa, este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público.

4)   Nada justifica a invasão do Instituto Lula e da empresa LILS, a pretexto de obter informações sobre palestras do ex-presidente Lula, contratadas por 40 empresas do Brasil e de outros países, entre as quais a INFOGLOBO, que edita as publicações da Família Marinho. Todas as informações referentes a estas palestras foram prestadas à Procuradoria da República do Distrito Federal e compartilhadas com a Lava Jato. Também neste caso, o Ministério Público nada fez em relação ao vazamento ilegal de informações sigilosas para a imprensa.

5)   Nada justifica levar o ex-presidente Lula a depor sobre um apartamento no Guarujá que não é nunca foi dele e sobre um sítio de amigos em Atibaia, onde ele passa seus dias de descanso. Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública — na qual chegou a expor sua declaração de bens — e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público.

6)   A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do País, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.

7)   O único resultado da violência desencadeada hoje pela Força Tarefa é submeter o ex-presidente a um constrangimento público. Não é a credibilidade de Lula, mas da Operação Lava Jato que fica comprometida, quando seus dirigentes voltam-se para um alvo político sob os mais frágeis pretextos.

O Instituto Lula reafirma que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País. Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras.

A violência praticada nesta manhã — injusta, injustificável, arbitrária e ilegal — será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o País, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social.

É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história.
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Operação da PF contra Lula é golpe midiático judicial

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/03/04/operacao-da-pf-contra-lula-pode-levar-pais-ao-caos/


A Operação Alitheia, de busca e apreensão contra o Instituto Lula, a casa de Lula e mais dezenas de lugares de Atibaia, Guarujá, Diadema, Salvador e São Bernardo do Campo, pode levar o país ao caos.

Lula ainda é considerado em todas as pesquisas realizadas nos últimos tempos como o melhor presidente da República por 40% da população brasileira. E se ele vier a ser preso, o movimento social, provavelmente reagirá.

Mas não haverá só o lado a favor de Lula nas ruas. As manifestações do dia 13 se tornarão imensas, pois serão vitaminadas por essa operação.

Ao que tudo indica a operação de hoje já era de conhecimento de quem conduziu o Jornal Nacional de ontem, que foi o mais longo de todo o processo de investigação da Lava Jato contra Lula, o governo e o PT.

Também parece óbvio que tem relação com o vazamento da suposta delação de Delcídio, que contou inclusive com a antecipação da edição semanal da revista que foi às bancas na quinta e não na sexta-feira.

O governo não terá muita margem de manobra nessa situação. Se vier a assumir uma posição de distância em relação ao que vier a acontecer com Lula, pode ficar completamente isolado.

Dilma terá de escolher um lado, por que o país está completamente dividido.

Como a operação também é judicial e conta com apoio de boa parte do sistema político, vai ser dada a ela uma caráter de legalidade. Mas muitos juristas, advogados e intelectuais questionarão essas medidas e atos em defesa da legalidade e de Lula pipocarão em todo o país.

O Brasil que vivia uma grave crise, entra a partir de agora numa situação limite. O resultado desse processo certamente não será nada positivo. E pode enterrar boa parte dos avanços democráticos das últimas décadas.

O juiz Sérgio Moro e a PF parecem ter antecipado suas ações para atender os desejos principalmente da Globo, que começava a se incomodar com os questionamentos que vinha sofrendo da blogosfera e de torcidas organizadas, como a Gaviões da Fiel.

Só vai dar para saber qual o resultado prático dessa operação com o tempo. Mas se não se pode descartar que ela pode ser fatal para Lula, ao mesmo tempo pode torná-lo ainda mais forte se nada vier a ser comprovado contra ele e se houver reação popular em sua defesa.

Se há muitas dúvidas em relação a essa operação da PF, uma coisa é certa, ela se trata de uma operação midiática judicial. E foi conduzida como uma novela, uma minissérie, um filme. Mas que nesse caso pode não necessariamente vai ter o final desejado pelos seus diretores. Por que a realidade é sempre mais complexa.
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