3 de mar de 2016

Delcídio: de barriga em barriga, a mídia vai longe


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Dilma vira a mesa ao denunciar vazamento; a quem interessava divulgar a falsa delação premiada de Delcídio do Amaral?

O vazamento da falsa delação premiada do senador petista Delcídio do Amaral é lance de House of Cards.


O procurador-geral Rodrigo Janot classificou de “ato jornalístico”, não jurídico.

Isso não significa que não haja uma minuta de delação ou o simples registro escrito do que Delcídio teria dito a investigadores depois que foi preso por tentar atrapalhar a Operação Lava Jato, com autorização do STF referendada pelo Senado.

Janot confirmou que nunca foi homologada delação premiada do ex-líder do governo Dilma no Senado. Ou seja, o que quer que ele tenha dito por enquanto não tem valor jurídico, mas político.

Na reportagem da IstoÉ, assinada por Débora Bergamasco, consta que ele pediu seis meses de sigilo sobre seu depoimento.

Por que? É o tempo com o qual Delcídio contava para se livrar da cassação no Senado. Como? Através da chantagem de colegas. “Se me cassarem, levo metade do Senado comigo”, teria dito o senador quando ainda estava na cadeia.

Ao defender o governo Dilma, o ministro Jaques Wagner usou o argumento da Escola Base: “Esse fato é intolerável em um estado democrático de direito. É feito um linchamento público seja de quem for para, depois, alguém dizer que não valeu, até porque ela deveria estar protegida por sigilo. Eu entendo que a delação perdeu o seu valor de fato, do ponto de vista do processo judicial, e virou a execração pública, para depois algum provar algo diferente”.

Por sua vez, o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também enfatizou a manobra política: “Nós recebíamos muitos recados, inclusive alguns foram publicados na imprensa. Falava-se que se o governo não agisse pra tirá-lo da prisão, ele faria retaliações. Eu não sei dizer se há delação premiada, mas se efetivamente houve, há forte possibilidade de ser retaliação, até porque isso foi anunciado previamente. Se o governo não fizesse nada, ele retaliaria”.

O que está em jogo é muito: a destituição e possível prisão da presidente da República e do ex-presidente Lula!

Chama a atenção o fato de que o vazamento tenha acontecido através de um canal pouco acionado pela Força Tarefa da Lava Jato, que invariavelmente prioriza a revista Veja e o Estadão. Será que a IstoÉ se antecipou à concorrência, que pretendia fazê-lo mais perto das manifestações previstas para 13 de março? É uma hipótese a considerar, quando sabemos que a autora da reportagem é muito próxima do ex-ministro Cardozo e o vazamento aconteceu logo depois dele trocar o Ministério da Justiça pela Advocacia Geral da União.

Informação é poder e o timing da divulgação, politicamente, mais ainda.

1. O próprio Delcídio pode ter vazado? Sim, emitindo um sinal de que se tiver o mandato salvo no Senado, pelo PMDB e PSDB, pode devolver o favor derrubando Dilma e prendendo Lula. Por outro lado, ele perde consideravelmente o poder de chantagem, já que qualquer mudança ou nova versão dada ao que foi publicado pela IstoÉ enfraquece a credibilidade do delator.

2. Alguém ligado à Lava Jato ou à oposição pode ter vazado? Sim, já que isso turbina as manifestações de 13 de março. Pode ser também uma forma de constranger o Supremo a homologar logo a delação do senador petista. Mas, como existe o risco de desgastar o papel de Delcídio como delator, fica a dúvida.

3. O próprio governo poderia ter se adiantado para desarmar armadilha de Delcídio? Possível. Seria uma forma de tirar dele o poder de chantagem e esvaziar o timing do juiz Moro e/ou da oposição. É razoavelmente conhecida a tática de furar o balão informativo alheio. O conteúdo de outro “vazamento” recente, que dava conta da quebra de sigilo de Lula e de toda a sua família, não se concretizou. Nada melhor que o vazamento de uma falsa delação premiada para desmoralizar futuros vazamentos, mas é óbvio que o conteúdo da IstoÉ enfraquece Dilma, Lula e o PT, já que ao longo do dia o conteúdo foi transformado em verdade absoluta pela mídia.

Abaixo, a nota do senador Delcídio do Amaral, que traz um adendo revelador: ele reitera o seu “comprometimento com o Senado da República”. “Comprometimento”!


* * *


A presidenta Dilma Rousseff divulgou, nesta quinta-feira (3), a seguinte nota à imprensa:

“Todas as ações de meu governo têm se pautado pelo compromisso com o fortalecimento das instituições de Estado, pelo respeito aos direitos individuais, o combate à corrupção e a defesa dos princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Nós cumprimos rigorosamente o que estipula a nossa Constituição.

Em meu governo, a lei é o instrumento, o respeito ao cidadão é a norma e a Constituição é, pois, o guia fundamental de nossa atuação.

Por isso, à luz de nossa lei maior defendemos o cumprimento estrito do devido processo legal. Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade.

Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da sociedade. No entanto, repito, é necessária a autorização do Poder Judiciário.

Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política. Esses expedientes não contribuem para a estabilidade do País.”

Dilma Rousseff, Presidenta da República do Brasil

Luís Carlos Azenha
No Viomundo
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A armadilha da arrogância desinformada do neojornalismo — assista

Reportagem da Globonews confundiu casos suspeitos de microcefalia com casos confirmados durante entrevista com o ministro da Saúde

Christiane Pelajo e ministro batem boca
Nesta segunda-feira, 29, o ministro da saúde Marcelo Castro perdeu a paciência durante uma entrevista ao vivo ao canal a cabo Globo News. Marcelo e Christiane Pelajo começaram a discutir e discordarem de dados oficiais. O ministro dizia que os dados oficiais não estavam errados, mas mesmo assim a jornalista não aceitava. Marcelo tentava explicar a confusão da reportagem, que de fato acabou promovendo uma "barriga", que é quando acontece um erro de informação. A reportagem confundiu casos suspeitos de microcefalia com os que são confirmados. Os números eram tão diferentes que o ministro perdeu a paciência. Um dia depois, a Globo News admitiu, mesmo que de forma discreta, que realmente errou.

Vamos a alguns dados divergentes debatidos pelo ministério. A Globo News disse que na cidade de São Paulo haveria 149 casos confirmados de microcefalia. O ministério negou e revelou que não havia nenhum caso, explicou que a maioria deles está no nordeste e que os números não faziam nem lógica. Mesmo conversando com uma fonte oficial, Christiane Pelajo e outra jornalista não se deram por vencidas, perguntando se o ministro realmente checa esses dados e porque eles estavam tão diferentes. Marcelo Castro tentou explicar, mesmo que em vão, que são os próprios estados que repassam as informações. "Então se eles fizerem errado vocês não checam?", continuou a repórter na discussão.

Assista a discussão entre a jornalista e o Ministro da saúde:



Os erros nas informações dadas pela reportagem levaram o Ministério da saúde a emitir uma nota, que acabou sendo quase que uma lição de como se fazer jornalismo. A nota lembra que o ministro bem que tentou dizer que os dados divulgados pela Globo News eram falsos, mas que não foi ouvido. O ministério lembrou que o trabalho da imprensa é importante, mas desde que seja levado de maneira adequada. Situações como a demostrada no canal a cabo, segundo o órgão do governo federal, reforçam boatos e criam uma situação que traz insegurança para a população, especialmente quando o país passa por uma emergência no campo da saúde.

Além da nota, o órgão enviou vários anexos provando que de fato os números estavam errados e que a matéria também.

Fernando Borges
No Blasting News
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Quem procura acha, nem sempre o que quer

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=259

Nem tudo era renascentista na Renascença; nem tudo é democrático na democracia; nem tudo é justo no Judiciário. Se necessário, enterre-se este postulado boca adentro de qualquer promotor, juiz ou atrevido procurador que o desafie. À conta do gênio de Michelângelo venderam-se contrafações arte por toda a Europa e, desde o século XVIII, pelo mundo todo, até chegarmos à peripatética disneilândia carioca com estátuas de Tom Jobim andando meio inebriado pelo Arpoador, ele que era de Ipanema, de Pixinguinha em frente a uma livraria em estreita e antiga travessa, um controverso Ary Barroso servindo de porteiro em restaurante do Leme e, não há limite para temperamentos abusivos, um Carlos Drummond de Andrade sentado em banco na praia de Copacabana, que nunca frequentou. Grande parte das personalidades públicas a qualquer tempo e em qualquer lugar não passa de contrafação de uma virtude esquecida.

Não bastassem os grupos de pressão assustadoramente fornidos de recursos a extrair benefícios e privilégios sob a proteção do direito democrático de organização e de defesa de interesses próprios, lemos agora a sem-cerimônia de auditores, fiscais de renda, policiais, procuradores e juízes, todos com enorme capacidade de atingir economicamente a administração pública e a segurança da população, a chantagear governos estaduais, municipais e até o governo central, extorquindo o que, mais do que ajustes salariais, converteu-se em pagamentos mensais para proteção mafiosa. Certamente estão indignados com a resistência popular à perda de renda e de emprego.

A devassa promovida pela investigação Lava-Jato revelando a monumental predação rotineira do patrimônio nacional por parte de ladravazes à sombra da burocracia pública, dos partidos políticos e da competência empresarial de importante segmento da ordem privada, favorece a intermitente manifestação de fanatismo partidário e ausência de decoro de juízes, promotores, procuradores e policiais, beneficiários da impunidade que dizem perseguir. Denúncias precipitadas, deliberada violação de sigilo processual, incontinência verbal e deboche no exercício de mandato judicial, tudo se acumula nesta já agora evidentemente bem programada sucessão de anúncios e de profecias. Herdeiros do espetáculo de degradação promovido pelos julgadores da AP470, os alienados e cegos pelo fanatismo partidário estão semeando brutal explosão de violência, que virá, a menos que autoridades maiores os recoloquem no afazer a que estão obrigados: apurar e revelar, sem firulas e descontroles de conduta, os crimes cometidos contra a sociedade brasileira em conexão com as atividades da Petrobrás. Revelações que sejam ordenadas, fundamentadas e apresentadas com sobriedade.
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Fórum: De frente com Margrit Dutra Schmidt — assista

Fórum conversou com a socióloga, irmã da ex-amante de Fernando Henrique Cardoso e acusada de ser funcionária fantasma de José Serra. “Eu não tenho o que rebater”, ressaltou em uma das raras declarações feitas a um veículo de comunicação


margrit crachá - CópiaEram pouco mais de nove horas da manhã quando Margrit Dutra Schmidt chegou ao gabinete do senador José Serra (PSDB) nesta quinta-feira (3), em Brasília. Até poucos dias, a assessora do tucano estava na República Dominicana por motivos ainda não divulgados. Mas com o alvoroço em torno das denúncias envolvendo seu nome, ela retornou à cidade no início da semana.

Margrit, como foi noticiado por grande parte da imprensa, é acusada de ser funcionária fantasma de Serra desde março do ano passado. Ele alega que o projeto desenvolvido pela socióloga é sigiloso e feito em casa, ato que é considerado irregular de acordo com as regras do Senado. O salário bruto da assistente parlamentar é alto, na faixa de R$ 9.500, embora permaneça desconhecida por muitos colegas de trabalho.

A situação veio à tona depois que sua irmã, Mirian Dutra, virou o centro das atenções ao divulgar dados comprometedores sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem teve um caso entre os anos 1980 e 1990. Nas acusações, ela afirma que FHC a mantinha na Europa por meio de contratos de fachada com a empresa Brasif.

serra gabineteNão demorou até que se chegasse a Margrit, que recebe pelo Congresso há 15 anos e já passou pelos gabinetes do ex-senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e da senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), antes de ser exonerada pelo senador Álvaro Dias (PV-PR) por raramente aparecer para dar expediente. Os dois últimos políticos também eram do PSDB.

Questionada pela Fórum sobre as denúncias, ela preferiu se esquivar. “É um assunto privado, um assunto muito triste e eu não quero falar nada sobre isso. É um direito que eu tenho”, ressaltou em uma das raras declarações feitas a um veículo de comunicação. “Eu não tenho o que rebater”, completou.

O chefe de gabinete de Serra, Marcos Köhler, não soube explicar sobre o que é o projeto que Margrit desenvolve. “O senador mobiliza os assessores nos temas de interesse dele. Não tenho essa prática de perguntar o que está pedindo para cada pessoa”, disse, destacando ainda que não há qualquer informação se ela será ou não exonerada do cargo.



Maíra Streit
No Fórum
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Se você desligar a Globo o Brasil melhora!



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Nota à Imprensa

A presidenta Dilma Rousseff divulgou, nesta quinta-feira (3), a seguinte nota à imprensa:

“Todas as ações de meu governo têm se pautado pelo compromisso com o fortalecimento das instituições de Estado, pelo respeito aos direitos individuais, o combate à corrupção e a defesa dos princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Nós cumprimos rigorosamente o que estipula a nossa Constituição.

Em meu governo, a lei é o instrumento, o respeito ao cidadão é a norma e a Constituição é, pois, o guia fundamental de nossa atuação.

Por isso, à luz de nossa lei maior defendemos o cumprimento estrito do devido processo legal. Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade.

Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da sociedade. No entanto, repito, é necessária a autorização do Poder Judiciário.

Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política. Esses expedientes não contribuem para a estabilidade do País.”

Dilma Rousseff, Presidenta da República do Brasil
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Como será o processo contra Cunha no Conselho de Ética

Entenda quais serão os próximos passos da investigação dos parlamentares contra o presidente da Câmara, acusado de ter mentido sobre contas no exterior na CPI da Petrobras


Bruno Fonseca
No Pública

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Nota sobre acusações publicadas na revista IstoÉ

http://www.institutolula.org/nota-sobre-acusacoes-publicadas-na-revista-istoe
NOTA À IMPRENSA

São completamente falsas as acusações feitas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em matéria publicada hoje (3) pela revista IstoÉ.

O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, antes, durante ou depois de seu governo, seja em relação aos fatos investigados pela Operação Lava Jato ou quaisquer outros citados pela revista.

A sociedade brasileira não pode mais ficar à mercê de um jogo de vazamentos ilegais, acusações sem provas e denúncias sem fundamento.

Assessoria de Imprensa
Instituto Lula
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E quando um delegado da Polícia Federal infringe a lei?





PT-SP vai à Polícia Federal contra ex-delegado que ataca o partido nas redes sociais

Para o presidente estadual do PT paulista, ofensas não atingem apenas o partido, mas atacam a própria democracia brasileira


O diretório estadual do PT em São Paulo protocolou nesta quarta-feira na Superintendente Regional da Polícia Federal um ofício em que pede providências quanto a um vídeo que tem sido distribuído por Whatsapp. Nele, Jorge Pontes se apresenta como delegado federal a acusa o partido de ser uma organização criminosa.

Para o presidente estadual do partido, Emídio de Souza, as acusações não ofendem apenas ao partido e todos seus militantes, mas atacam também o sistema representativo do povo brasileiro e a democracia. Ele afirma que o partido também vai acionar o Ministério da Justiça, para que acompanhe o caso e tome providências.

“No estado democrático de direito, ninguém pode acusar sem provas, um delegado da PF menos ainda”, argumentou Emídio.
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Presidente da torcida do Corinthians sofre atentado

A quem interessa?

Torcida do Corinthians criticou Globo, CBF, Federação Paulista e governo de SP
Foto: Nelson Coelo/DiárioSP
O presidente da Gaviões da Fiel, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, conhecido como Diguinho, foi espancado ontem (02) em São Paulo. Ele e o primeiro-secretário da torcida, Cristiano de Morais Souza, o Cris, foram agredidos ao deixarem reunião com o promotor de Justiça Paulo Castilho, no Fórum Criminal da Barra Funda. O encontro foi realizado para discutir a violência das torcidas, e contava com integrantes das organizadas de São Paulo e Palmeiras.

Os corintianos estavam próximos ao estacionamento de um supermercado, e foram agredidos pelas costas com barras de ferro. Segundo testemunhas, eram pelo menos três agressores. Os dirigentes da Gaviões não usavam camisas da instituição ou do clube.

O presidente da torcida organizada teve os dois braços quebrados. O primeiro-secretário perdeu vários dentes. A Polícia Militar suspeita se tratar de um emboscada.

A delegada Margarete Barreto, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, vai investigar o caso. O promotor Paulo Castilho não sabe dizer se foi ataque de uma torcida organizada específica. "Nenhuma possibilidade pode ser descartada", disse.

A Gaviões da Fiel iniciou uma série de protestos nos jogos do Corinthians. A torcida levou faixas contra a Rede Globo, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Federação Paulista de Futebol. As críticas são, em sua maioria, sobre o horário dos jogos às 22h e os valores dos ingressos.

Sobrou também para o governo tucano de São Paulo, acusado de fraudes na compra de merendas das escolas estaduais de São Paulo.

As faixas traziam mensagens como "Rede Globo, o Corinthians não é seu quintal", "jogo às 22h também merece punição", "futebol refém da Globo", "CBF e FPF: a vergonha do futebol", e "quem vai punir o ladrão da merenda?".

Ontem, durante a vitória por 1x0 do Corinthians sobre o Santa Fé (COL) em jogo pela Libertadores, o narrador Galvão Bueno mencionou o protesto corintiano e defendeu a Rede Globo. “Eu gostaria de registrar que são só três canais que transmitem a Libertadores para o Brasil, e só a Globo transmite gratuitamente e em TV Aberta, como fazemos com o futebol brasileiro há mais de 40 anos”. Depois, Galvão disse que "protestar é direito do cidadão".

João Andrade
No Conversa Afiada
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A organização criminosa da delação premiada


Há muito tempo que eu sinto um forte mau cheiro de gente — que eu não sei quem é — operando no mercado financeiro em cima de supostas delações premiadas bombásticas soltas na imprensa que depois são desmentidas (no todo ou em parte).

Hoje a revista IstoÉ solta uma recombolesca "reporcagem", que a gente vê ser falsa só de olhar as fotos. A letra da primeira página da suposta delação premiada de Delcídio Amaral, está em fonte do tipo de máquina de escrever antiga. Não é igual as letras do resto do texto do suposto documento. Clara evidência de montagem.

Mas quando o boato é publicado como se fosse notícia, "na hora certa", com o pregão das bolsas aberto, como ocorre hoje, fortunas mudam de mãos em poucos minutos e continuam mudando por algumas horas, nas operações na Bovespa e com o dólar.

O texto da "reporcagem" também é um primor de fantasia romanceada, de deixar o site "Sensacionalista" com inveja, pela capacidade ficcional criativa.

A suposta delação de Delcídio publicada na IstoÉ praticamente delata todas as "reporcagens" das revistas Veja, Época e IstoÉ juntas, feitas desde a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, mas nada diz sobre a Alstom, as termelétricas no período em que ele foi diretor da Petrobras no governo FHC. E nada diz sobre o ex-sócio do senador José Serra (PSDB-SP), Gregório Marin Preciado, no episódio da compra de Pasadena. Estes dois fatos já constam de peças jurídicas da operação Lava Jato.

No período eleitoral houve o forte cheiro do uso de pesquisas de intenção de votos para especular nas bolsas. Havia também o cheiro de especuladores se aproveitando de depoimentos da Lava Jato abertos à imprensa, feitos no horário de funcionamento das bolsas, que afetavam cotações da Petrobras e do dólar.

Não insinuo e não creio que agentes públicos da Lava jato tenham agido com intenção de favorecer especuladores. Acredito até, a priori, que podem nem ter pensado nisso como efeito colateral da sanha de expor politicamente ao desgaste quem pré-julgavam culpados pela simples delação, antes de obter provas. Mas foram incautos e podem ter sido usados sem saber para os propósitos de especuladores.

Eu não descartaria nem a hipótese de delatores terem agido de comum acordo com especuladores em determinados depoimentos abertos à imprensa que, logo noticiados em pleno horário de pregão, causaram um reboliço nas cotações de ações da Petrobras e no dólar.

É muita ingenuidade achar que todo delator, que mentiu a vida inteira para roubar, se torne um honestíssimo arrependido e que não trate a negociação de delação premiada como mais um negócio em sua vida, com cálculo de perdas e ganhos.

Por isso delações sensíveis devem ser sigilosas, e só as provas concretas a que a delação levar devem ser públicas. Senão a corrupção impune no mercado financeiro faz a festa, em valores muitos maiores do que as propinas que diretores e operadores corruptos receberam. E sem precisar colocar nenhum tijolo em nenhuma obra.

Zé Augusto
No Amigos do Presidente Lula
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Janot desmente 'IstoÉ' e nega delação de Delcídio

Procurador-geral da República afirma não discutir 'ato jornalístico', mas lembra que senador só poderia fazer delações à PGR, por ter foro privilegiado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou na tarde de hoje (3) que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) tenha feito acordo de delação premiada, desmentindo reportagem da revista semanal IstoÉ. "Não sei nem se ele fez delação... Ele vai fazer?", ironizou. Janot afirmou a jornalistas que não discute "ato jornalístico, que não é jurídico".

Ele afirmou ainda, se tivesse havido delação, ela teria sido feita à Procuradoria Geral da República, uma vez que Delcídio é parlamentar e tem foro privilegiado.

Segundo o procurador, caberá à PGR, caso haja delação, tomar o depoimento do senador ou de qualquer outro parlamentar que venha a fechar acordo de colaboração na Operação Lava Jato. Janot falou com a imprensa após participar da solenidade de posse do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, no Palácio do Planalto.

O senador deverá se manifestar oficialmente, por meio de nota, ainda hoje.
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Delcídio vai negar que fez delação

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/03/03/delcidio-vai-negar-que-fez-delacao/


O senador Delcídio do Amaral teria orientado funcionários do seu gabinete no Senado a escrever um desmentido sobre a versão que circulou hoje de uma delação premiada atribuída a ele.

O documento publicado em trechos numa reportagem da revista Isto É aborda traz uma série de acusações tanto à presidenta Dilma quanto ao ex-presidente Lula.

A revista publicou fac-símile do documento, mas afirma que a delação não teria sido aceita pelo ministro Teori Zavascki porque o senador havia pedido seis meses para fechar o acordo.

Entre outros citados na suposta delação, estão o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que teria sido pressionado a trabalhar para a soltura de réus da Lava Jato, algo que teria rejeitado, segundo o depoimento transcrito na revista.

Se foi ou não realizada essa tentativa de delação, o novo ministro da Justiça já tem o seu primeiro desafio para dizer a que veio. Abrir uma investigação urgente para tratar do assunto.
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Globo responde ao Tijolaço: Marinhos nunca foram donos da mansão em Paraty


O blog Tijolaço recebeu e publica, a seguir, o pedido de esclarecimentos assinado pelo Grupo Globo e — imagino eu, certamente com o conhecimento da Sra. Paula Marinho — no qual se afirma que ela “jamais  foi proprietária da mencionada casa em Paraty ou de qualquer um desses bens, mesmo antes de seu divórcio”.

Mais cedo, este blog mostrou que Paula e João Roberto Marinho possuem uma empresa, a FN5 Participações, registrada na Receita Federal no mesmo endereço da Agropecuária Veine (formalmente a dona da mansão), à Rua Bulhões de Carvalho, 296/601.

Antes de tudo, quero afirmar que este e qualquer outro posicionamento da Globo, de Paula Marinho, de seu pai, João Roberto Marinho e de qualquer pessoa, integrante ou não da família Marinho, será publicado de imediato e integralmente.

Igualmente, não pretendo entrar em desavenças conjugais, julgamentos de caráter ou qualquer subjetivismo pretensioso. Não me pretendo juiz, muito menos unilateral.

Também não me comprazo de que o façam, mas há uma questão de interesse público a ser esclarecida: como e porque se violentou uma praia pública em uma área de preservação ambiental. Esta é a questão que precisa ser esclarecida e que o próprio texto demonstra que está mal explicada.

Falta explicar, então, quem era o dono.

O blog está à disposição não apenas para publicar esclarecimentos como para, de maneira impessoal, contar a verdadeira história do imóvel, inclusive para ajudar as autoridades públicas a dar-lhe uma destinação correta, melhor que mandar demolir. Quem sabe, até com o apoio das Organizações Globo, transformá-la num centro de pesquisas e cuidados ambientais.

Meu combate à Globo é político, não pessoal. Não tenho questões pessoais com quem quer que seja, profissionalmente. Tanto é que faço questão de registrar que a comunicação foi feita em termos gentis, sem ameaças veladas como a anterior. E gentilmente será tratada, porque é assim que se deve ser, mesmo entre adversários.

A Resposta da Globo

Prezado Sr. Fernando Brito,

Com base em texto recente, em que o senhor se prontifica a publicar quaisquer esclarecimentos de nossa parte relativos ao assunto, gostaríamos de informar:

Paula Marinho jamais foi proprietária da mencionada casa em Paraty ou de qualquer um desses bens, mesmo antes de seu divórcio. A empresa FN5, de propriedade de Paula Marinho, com participação minoritária de João Roberto Marinho, não tem qualquer participação nas citadas empresas ou no imóvel. A FN5 ocupou o endereço citado na matéria autorizada pelo ex-marido de Paula Marinho. Como informa a própria matéria, o casal recentemente se divorciou e o endereço será alterado. Reiteramos portanto a informação já fornecida a este blog de que o referido imóvel localizado em Paraty não pertence a qualquer membro da família Marinho, e que também não pertencem a qualquer integrante da família Marinho as empresas, citadas na reportagem, que seriam proprietárias daquele imóvel.

Assim, solicitamos ao senhor a veiculação desses esclarecimentos em seu blog.

Atenciosamente,

Grupo Globo

Fernando Brito
No Tijolaço
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Crônica de um escândalo paulista


Vamos a uma pequena crônica da política, vista de São Paulo.

O escândalo da merenda escolar foi um ponto fora da curva do PSDB de São Paulo. Por tal, não se entenda o esquema em si, mas o esquema escapando do controle das autoridades do Estado. Por aqui há uma aliança férrea entre governo do Estado, Ministério Público Estadual e jornais.

A cooperativa de Bebedouro era um propinoduto que alimentava algumas lideranças tucanas, como os deputados Fernando Capez, presidente da Assembléia Legislativa, Duarte Nogueira, Baleia Rossi e o Secretário da Casa Civil Edson Aparecido – um personagem com participação em muitos projetos.

Envolve altos operadores tucanos,  como Luiz Roberto dos Santos, o Moita, tão eficiente que havia sido promovido da Secretaria dos Transportes para a Casa Civil. E Fernando Padula, quadro histórico, há oito anos na chefia de gabinete da Secretaria da Educação.

* * *

Capez montou sua campanha sem dispor de uma base de eleitores, regional ou setorial. Valeu-se da imagem de procurador público contra a corrupção para conquistar votos horizontais. Fez uma campanha cara, provavelmente a mais cara do Estado, a julgar pela quantidade de autuações no Tribunal Regional Eleitoral.

Durante a campanha, provavelmente enfrentou problemas de financiamento e seus assessores foram pressionar a COAF (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), a fonte da corrupção. Havia uma disputa interna, não percebida, as conversas foram gravadas, chegaram até o promotor local que fez a denúncia.

* * *

Aí entram os jogos de intriga. Capez tinha ambições maiores. Anunciou que participaria das prévias do partido para as eleições municipais. Mandaram não colocar. Decidiu dar apoio a João Dória Júnior.

Quando explodiu o escândalo, alguns viram a mão do senador José Serra. O próprio Capez atribuiu o escândalo ao Secretário de Segurança Alexandre Moraes, um ex-jurista que assimilou tanto a aridez o cargo que passou a extravasar arrogância em todas as audiências na ALESP.

Não fazia sentido. Afinal, pelo tema, o desgaste do governo Alckmin é maior do que no episódio do cartel de trens.

* * *

A ideia do fogo amigo perdeu força e ganhou corpo a versão da perda de controle mesmo. Tanto que o Ministério Público Estadual (MPE), do qual Capez é integrante, agiu rapidamente.

O Procurador Geral do Estado, Márcio Rosa Elias tratou de montar uma comissão de investigação e conseguiu tirar do inquérito o promotor natural.

A comissão é composta por dois promotores de Bebedouro e dois procuradores de justiça de São Paulo. Os dois procuradores são o próprio Márcio Elias Rosa e Nilo Spínola de Salgado Filho. Na gestão anterior, o PGE anterior, Antônio Araldo Dal Pozzo, criou promotorias especializadas. Uma delas era a de Assuntos Públicos era integrada por Márcio Elias, Nilo Spínola e o próprio Capez.

* * *

Os dois companheiros irão julgar o terceiro. Segundo parlamentares oposicionistas, Márcio Elias ordenou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Capez, sabendo que não tem nada. O problema nas investigações é se bater em 18 empresas em nome de um cunhado, que têm vários problemas de registro na Junta Comercial.

* * *

No meio do tiroteio, o ex-chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Arnaldo Madeira, saiu da toca para atirar no esquema Alckmin.

Madeira caiu em desgraça no segundo governo Alckmin, quando articulou a eleição do presidente da ALESP. Sua chapa foi derrotada com humilhação. Em seguida, o presidente eleito da ALESP, Rodrigo Garcia, procurou Alckmin e ofereceu-lhe a vitória. Madeira caiu em desgraça.

Na campanha  para deputado, Madeira se valia de seu cargo para despejar verbas estaduais para projetos mal explicados tocados por sua esposa na Fundação Seade. Não foi reeleito. Hoje, o espaço político de que dispõe é prestar serviços à adversários de Alckmin.

* * *

Narro essa crônica paulistana apenas por mostrar o que é o modelo político brasileiro. É o mesmo que o PT, o PPS, o DEM, e outros partidos virtuosos fazem nos espaços que governam.

Por ter saído do controle, acabou com a carreira promissora de Capez. Provavelmente, no plano penal vitimará apenas bagrinhos. Com todas essas vulnerabilidades, permite toda sorte de manobras políticas.

Por isso, quando se ouve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bradando pela moralidade, Alckmin deblaterando sobre sítios e pedalinhos, e os procuradores da Lava Jato anunciando a ressurreição geral da virtude, só resta uma reação: decidamente, é o país da hipocrisia.

Luís Nassif
No GGN
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Ato defende exclusividade da Petrobras na operação do pré-sal


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Enquanto otários torcem por ela, malandros deitam e rolam com a crise

http://www.maurosantayana.com/2016/03/enquanto-otarios-torcem-por-ela.html


Em “notinhas”, jogadas aqui e ali na imprensa, tem gente no “mercado” que atribui a queda do dólar ao menor patamar deste início de ano, não a situações concretas, como o superávit de mais de 3 bilhões de dólares alcançado pelo país em fevereiro, mas a declarações de delatores “premiados”, que estariam “facilitando” as chances de impeachment do atual governo.

Trata-se apenas de conversa fiada e de mais um aspecto de um clima permanente, rasteiro, de especulação safada e de reles boataria, que une otários que falam mal do país a bem-sucedidos malandros que os usam todos os dias e se aproveitam deles.

Enquanto a maior parte da economia real, como o comércio, a construção civil e a indústria, sofre com a campanha de “crise” e pela crise, de “quanto pior, melhor”, promovida em parte por milhares de imbecis que também são afetados, mas torcem abertamente contra o país nos bares e redes sociais, muitos espertos estão fazendo verdadeiras fortunas, ajudando a montar e disseminar boatos e mentiras para aproveitar-se do vaivém da bolsa e dos juros e do sobe e desce das principais divisas.
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Piadas

Não me lembro de muita coisa do filme. O título em inglês era The Candidate e o ator era o Robert Redford. Numa eleição para senador no Estado da Califórnia, o candidato republicano à reeleição é tão forte que nenhum democrata quer ser seu adversário. O partido convence Robert Redford a concorrer. Como não há a menor possibilidade de derrotar o popular e corrupto republicano, Redford pode dizer o que quiser durante a campanha, aproveitando para criticar a influência do dinheiro na política e gozar dos políticos profissionais, como o seu supostamente imbatível oponente. E acontece o imprevisível: Redford ganha a eleição, para a surpresa de todo o mundo, principalmente do seu próprio partido, que tomou seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto como um equívoco passageiro de pessoas que não tinham entendido a piada. A última cena do filme é a de um Redford, perplexo, perguntando ao seu gerente de campanha: “E agora?”.

O personagem de Redford no filme e o candidato a candidato do Partido Republicano nas próximas eleições presidenciais americanas, Donald Trump, não têm nada em comum, salvo o cabelo amarelo. Mas são duas piadas que chegaram mais longe do que alguém poderia imaginar. Esta não é a primeira vez que Trump se apresenta como candidato à presidência dos Estados Unidos, mas é a primeira vez que passa de uma opção ridícula a uma possibilidade clara. É difícil — agora já matematicamente — que não seja ele o candidato escolhido pela próxima convenção do seu partido. Foi o mais performático e saliente de uma trupe de concorrentes particularmente opacos e pode dizer tudo o que quiser. Está dizendo as barbaridades que sempre disse, só que, hoje, elas são o que muita mais gente está pensando. O conservadorismo responsável não conseguiu deter Trump enquanto era tempo. O ridículo também não. E agora?

Oscars

Não entendi o Oscar para o Leonardo DiCaprio, que, no filme, passa tanto tempo sofrendo que não tem tempo para atuar (deveriam ter dado o prêmio para a ursa), mas a Academia se saiu bem no que todos esperavam ver, sua reação às alegações de racismo, já que este ano nenhum indicado para qualquer prêmio era afrodescendente. Optou pela autogozação, no que fez bem. Mas a melhor resposta que se viu foi a da presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, que falou sobre a importância da diversificação no cinema, mas não precisava ter dito nada. Ou foi uma ilusão de ótica minha ou a sra. Isaacs é negra.

Luís Fernando Veríssimo
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Buracos à vista

A inconsistência das delações premiadas ficou demonstrada já na primeira sessão do Supremo Tribunal Federal em tema importante da Lava Jato — abertura de ação penal por corrupção contra o presidente da Câmara dos Deputados, o segundo na hierarquia de sucessores do(a) presidente da República.

Entre a acusação do procurador-geral Rodrigo Janot e a defesa feita pelo advogado Antonio Fernando de Souza, ficou mais do que a divergência esperada. Há um profundo buraco criado pela delação premiada e mantido por falta de investigação capaz de preenchê-lo, com a necessária confirmação ou negação do delatado.

Um dos fatos adotados pela acusação como prova de que Eduardo Cunha recebeu ao menos US$ 5 milhões, subornado para não obstruir a contratação de dois navios-sonda pela Petrobras, é uma reunião descrita pelo delator Fernando Soares. Presentes Cunha, levado na carona por Soares, e Julio Camargo, para cobrança a este lobista do suborno devido aos dois, sendo maior a exigência do deputado.

Com bastante ênfase, Rodrigo Janot citou as "provas investigadas" da reunião: o pagamento da garagem no Leblon para o carro de Soares e o plano de voo do avião de Julio Camargo para o Rio, ambos com a data do encontro. Não há por que desmentir a ocorrência da reunião com as três presenças e também sua finalidade, mas as "provas" da acusação não provam o que interessa no encontro: o carro de um e o avião do outro não atestam a presença de Eduardo Cunha. Talvez fosse difícil comprová-la, mas para esse problema a Lava Jato é formada por policiais e procuradores.

Mal começo. E não foi o pior nele. Houve também um buraco literal. O advogado Antonio Fernando de Souza, ele próprio o procurador-geral que deixou numerosos buracos como acusador no processo do mensalão, lembrou que Fernando Soares repeliu a descrição do tal encontro naqueles termos, quando lhe foi apresentada a redação dada na Lava Jato em setembro de 2015. Mas esse trecho contestador do novo depoimento foi omitido pela acusação apresentada ao Supremo.

Não é a primeira omissão injustificável, em transcrições feitas no âmbito da Lava Jato, de trecho que pode ser importante tanto para a configuração dos fatos, como para a defesa. E ainda que não fosse uma coisa nem outra, é outra omissão comprometedora dos rigores necessários. O procurador-geral Rodrigo Janot não respondeu a Antonio Fernando.

Em 20 horas, Eduardo Cunha viu ruírem mais de cem dias de manobras protelatórias contra o processo ameaçador no Conselho de Ética da Câmara e, no Supremo, contra a abertura de ação penal que o investigará por corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, no mínimo. Há outras acusações a caminho.

Em mais 20 horas, Eduardo Cunha verá julgada, ainda no Supremo, sua permanência na presidência da Câmara. Não me arrisco a imaginar o resultado. O que pode parecer uma forma de elogio aos ministros julgadores, mas antes decorre de desconhecer o que o procurador-geral Rodrigo Janot terá a dizer na ocasião. Daí por diante, porém, o que se passará na Câmara será mais atraente do que o período morno de depoimentos e investigações pedidos pelo Supremo. Entre os deputados, Eduardo Cunha e seus legionários iniciam logo nova batalha, com manobras redobradas por se tratar, agora, da defesa final do seu mandato. O governo que se cuide, porque o arsenal de pautas-bombas tem reservas.

A situação moveu-se, afinal. Mas é preciso esperar para ver em que direção.

Janio de Freitas
No fAlha
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