28 de fev de 2016

Os grandes vencedores do Oscar

Leia Mais ►

Lava Jato prevê “busca e apreensão” em imóveis de Lula e família


Na última sexta-feira, após dias de verificações, o Blog denunciou que na 24a fase da Operação Lava Jato, a ser desencadeada entre esta segunda (29) esta terça-feira (1), seria dada publicidade a uma medida do juiz Sergio Moro tomada no dia 23 de fevereiro.

O post informou que os sigilos bancário e fiscal de Lula, de seus famíliares e de amigos mais próximos já foi quebrado pela Lava Jato. Apesar disso, nada veio a público.

Contudo, o Blog, antes de qualquer coisa, passou a informação ao Instituto Lula, que considerou indubitável a veracidade da lista de pessoas e empresas que tiveram seu sigilo quebrado porque há informações, ali, que eram de conhecimento exclusivo da família do ex-presidente.

Os nomes do caseiro do sítio de Atibaia, de seu irmão e a informação de que foram procurados pela PF são dados que comprovam que a denúncia é verdadeira, para o ex-presidente e sua família. O staff de Lula só descobriu que o caseiro e seu irmão foram interrogados (sem mandado) pelo MP após lerem os nomes dos dois na lista divulgada pelo Blog.

Diante disso, Lula até comunicou ao público presente ao ato do PT no Rio, no sábado (27), que terá seus sigilos quebrados.

Ora, mas se os sigilos dessas pessoas foi quebrado na semana passada (dia 23) e se cópias da decisão de Moro foram enviadas para toda a dita “grande imprensa” paulista e carioca, por que nenhum desses veículos divulgou alguma coisa até agora?

Essa pergunta ficou no ar após a divulgação da denúncia nesta página. As informações passadas pela fonte que informou sobre as quebras de sigilo não deu a informação completa. Porém, após a denúncia, uma outra fonte se animou a também fazer denúncia.

Quem leu a extensa relação de nomes de empresas e pessoas físicas que tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Lava Jato talvez tenha até intuído a razão de ainda não ter havido divulgação dessa medida. Bem, aí vai a confirmação que o Blog obteve.

A segunda fonte a procurar o Blog com informações sobre Lula e a Lava Jato afirma que só haverá divulgação das quebras de sigilo entre esta segunda ou esta terça-feira porque essa quebra será anunciada em meio a operação da Polícia Federal de busca e apreensão nos imóveis do ex-presidente, de seus familiares e de seus amigos.

Após a divulgação dessas informações, não seria de estranhar se houvesse uma mudança de cronograma. Afinal, a divulgação dessa ofensiva contra Lula com tanta antecedência quanto este Blog usou mostra um inaceitável contubérnio entre a Lava Jato e entes privados (grupos de mídia) os quais, inclusive, têm lá seus problemas com a Justiça, como a Globo, investigada por sonegar quase um bilhão de reais (em valores atualizados).

Seja como for, não é por conta das denúncias desta página que a Lava Jato vai deixar de dar seu golpezinho político-midiático. Mesmo confirmando as denúncias desta página, quem ficou sabendo disso? Só quem se informa DE VERDADE sobre política, o que reduz muito o público que está sabendo dessa armação entre agentes da lei e grupos empresariais de mídia.

Não é pequena, pois, a possibilidade de que comecemos a semana com um showzinho da Lava Jato contra Lula.

Desse modo, creio que ele e seus famíliares poderiam amanhecer os próximos dias com um belo desjejum para receberem os coristas da Lava Jato, que os procurarão para fazer sua performance para as câmeras da Globo et caterva.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
Leia Mais ►

Lula não teme investigações: rejeita o arbítrio

http://www.institutolula.org/lula-nao-teme-investigacoes-rejeita-o-arbitrio

Em relação à reportagem publicada em 28/02/2016 pela Folha de São Paulo ("Procurador diz que acusados da Lava Jato tentam criar 'teoria da conspiração"), é preciso esclarecer que o ex-presidente Lula não é réu em nenhuma ação relativa à chamada "Operação Lava Jato" e, portanto, não é "acusado" de nenhuma conduta ilícita.

Dessa forma, as declarações feitas ao jornal na noite de sábado pelo Procurador da República Deltan Delagnol, ao contrário do que afirmam o título e o texto da reportagem, não podem ter qualquer relação com o ex-presidente Lula. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre agiu com estrita observância da lei e não teme qualquer investigação, desde que conduzida por autoridade competente nos termos das regras estabelecidas na Constituição Federal e nas leis do País. 

Este foi o sentido da representação ao CNMP, parcialmente acolhida, para redistribuição de inquérito no âmbito do Ministério Público de São Paulo, e é o objetivo da ação movida no STF para dirimir o conflito de atribuições entre os MPs Federal e de São Paulo. Lula não teme investigações. Rejeita, como todo democrata, o arbítrio.
Leia Mais ►

Em defesa da Constituição e da Cidadania - Manifesto da OAB/SP


O império da Ordem, da Justiça e da Cidadania é uma conquista do Estado Democrático de Direito, constituindo, por excelência, o apanágio das democracias.

Ao longo da história, as Nações têm procurado aprimorar o conjunto dos direitos individuais e coletivos de seus cidadãos, por meio da inserção de princípios, diretrizes e valores em suas Constituições.

Após um ciclo autoritário que deixou profundas cicatrizes no corpo social, o Brasil reencontrou a via democrática e conseguiu plasmar sua Carta Magna, considerada uma das mais avançadas do mundo no capítulo dos Direitos.

Graças à Constituição Cidadã de 1988, a Nação brasileira passou a integrar a moldura das modernas democracias contemporâneas, sendo reconhecida pela grandeza de seu ideário, fundamentado em sólidos e imutáveis dispositivos, entre os quais as chamadas cláusulas pétreas, insculpidas no artigo 60, inciso 4º, da Lei Maior: "não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais".

Sob a crença da imutabilidade de normas que regulam “os direitos e garantias individuais”, a Nação brasileira assistiu, perplexa, a surpreendente decisão do Supremo Tribunal Federal de relativizar a cláusula pétrea da “presunção de inocência”, inserida no inciso LVII do artigo 5º da Constituição de 1988, assim descrita: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Responder a uma ação penal não significa ser culpado. Inocentes podem ser réus. Como lembra o ministro Celso de Mello, 25% dos recursos penais que chegam ao Supremo são acolhidos.

Ao proferir a decisão que permite o encarceramento do condenado em 2ª instância, a Suprema Corte não apenas muda a regra que assegura a liberdade do cidadão até o trânsito em julgado da sentença condenatória, mas também, ao desconsiderar um direito fundamental, parece abrir a possibilidade de que qualquer outra cláusula pétrea da Constituição Federal possa vir a ser afastada.

Se a decisão da Corte procurou ouvir a voz das ruas e dar resposta à lentidão do Judiciário, parece um despropósito mudar a letra constitucional sob um viés de cunho populista ou transferir para o cidadão o fardo da morosidade, que compete ao próprio Judiciário equacionar.

Lembre-se, a propósito, que o STF já tentou implantar a decisão provisória de sentenças penais, por meio de proposta de emenda constitucional, que ainda tramita pelo Poder Legislativo.

Não pode e não deve o STF agir como uma Assembleia Constituinte, mudar a Constituição que deveria defender e, mais, invadir o terreno legislativo, expandindo o que se convencionou chamar de politização da Justiça.

A Lei já define as circunstâncias que justificam a prisão preventiva, que ocorre antes do trânsito em julgado de uma decisão condenatória. Por sua gravidade, são situações especialíssimas onde o legislador definiu quando o interesse social deve se sobrepor para justificar a supressão da liberdade individual. A decisão do STF parece desconsiderar essa delimitação legal e permitir que todos os Réus condenados em segunda instância, mesmo os primários e de bons antecedentes, e que tenham contra eles imputada a prática de delito de baixo potencial ofensivo, ou mesmo de natureza culposa, sofram a segregação social da prisão. Ou isso, ou concede a cada julgador o poder de decidir se encaminha ou não o cidadão ao cárcere, de acordo com critérios por ele mesmo definidos.

É necessário, sim, discutir-se o sistema de Justiça de nosso País. Debater seriamente sobre as razões da demora processual, verificar os fatores intrínsecos e extrínsecos que fazem com que os processos em geral, inclusive os de natureza penal, tenham tempo excessivo de tramitação, mas sempre com o intuito de preservar e fortalecer os direitos fundamentais assegurados na Constituição de 1988, e no local apropriado para essa discussão, o Congresso Nacional.

A advocacia, invocando seu papel constitucional de indispensável à administração da Justiça, e em nome do compromisso de defender a Constituição e a ordem jurídica, por meio de suas entidades representativas, vem repudiar o atentado cometido a cláusula pétrea da presunção de inocência e manifestar a necessidade do Supremo Tribunal Federal retomar seu papel de guardião dos direitos fundamentais do Estado Democrático de Direito.

São Paulo, 25 de fevereiro de 2016

OAB SP - Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo
IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros
IASP - Instituto dos Advogados de São Paulo
CPIAB - Colégio de Presidentes dos Institutos dos Advogados do Brasil
AASP - Associação dos Advogados de São Paulo
ABRACRIM - Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas
APLJ - Academia Paulista de Letras Jurídicas
APD - Academia Paulista de Direito
IDDD - Instituto de Defesa do Direito de Defesa
MDA - Movimento de Defesa da Advocacia
SASP - Sindicato dos Advogados de São Paulo
CESA - Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
AATSP - Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo
SINSA - Sindicato das Sociedades de Advogados dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro
IBCJ - Instituto Brasileiro de Ciências Jurídicas
Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

No Blog do Júlio Garcia
Leia Mais ►

Papa Francisco e Macri: Queda de braços entre dois mundos


O Papa Francisco recebeu na manhã de ontem (27) o presidente argentino Mauricio Macri, com uma frieza que congelou a algazarra da comitiva.

Apenas uma troca protocolar de presentes, uma foto e uma saudação azeda, que duraram poucos minutos. Vinte e dois minutos para sermos exatos.

O Papa conhece muito bem Mauricio Macri porque antes tinha sido Cardeal de Buenos Aires.

E também conhece muito bem a esposa do presidente, Juliana Awada, porque tanto ela como sua família utilizam  oficinas têxteis clandestinas que frequentemente têm mão de obra escrava; essas que ele, como Cardeal, denunciou muitas vezes.

Foto: Claudio Onorati, Reuters
O presidente argentino levou de presente para o Sumo Pontífice um poncho e uma réplica da Cruz de Matará.  A cruz original, de madeira de juazeiro (Ziziphus mistol), foi talhada pelos jesuítas por volta do ano 1594, quando se estabeleceram na província de Santiago del Estero, com a finalidade de evangelizar a população nativa: os matarás.

Este povo era na realidade um grupo de aborígines tonokotes que tinham sido sequestrados em 1585 pelos conquistadores, e que tinha se estabelecido pela força nesse lugar como mão de obra escrava para os espanhóis, que os rebatizaram com esse sugestivo nome de Matará, que não fazia mais do que predizer seu destino, porque depois foram exterminados.

A localidade de Matará é hoje uma aldeia de 1700 habitantes. E essa região continua sendo hoje a fornecedora de mão de obra escrava para os proprietários de terras.

O Movimento de Camponeses de Santiago del Estero (MO.CA.SE)  conhece bem a família Macri. Faz 30 anos que tem que lidar com eles, desde quando a mudança climática e os avanços tecnológicos da indústria agropecuária fizeram desse canto desértico de nosso país, um lugar cultivável.

Os Macri fizeram parte desse grupo de empresários que, com seus contatos com políticos corruptos, foram escriturando essas terras que não tinham um título de propriedade em nome dos habitantes originários, e foram ficando com os pequenos sítios. Igual que os colonizadores, um dia chegavam com as patrolas e a polícia local, e expulsavam os habitantes das suas casas. Cercavam com arame o campo e botavam fogo às humildes moradias com todos os pertences dentro.

Esta não foi a única provocação de Mauricio Macri ao Sumo Pontífice: chegou acompanhado de três governadores, Rosana Bertone, familiar de Tarcisio Bertone, um cardeal italiano que foi secretário de Estado durante o papado de Bento XVI e trabalhou para evitar que Francisco fosse nomeado Papa; Juan Manuel Urtubey, o governador de Salta, denunciado por ser cúmplice de narcotraficantes; e o governador de Mendoza Alfredo Cornejo, quem em seu plano de ajuste incluiu o corte aos subsídios das escolas católicas na sua província.

As casualidades da história fazem com que ontem, em Roma, dois argentinos, um latifundiário e explorador de trabalhadores, casado com uma escravista; e outro um  jesuíta que tenta evangelizar os selvagens capitalistas, tenham se encontrado por razões diplomáticas. As imagens divulgadas dessa reunião não fazem mais que confirmar a distância que existe entre um e outro.

Nos dias prévios, o Papa tinha recebido  Eduardo “Vasco” Murúa, presidente do Movimento Nacional de Empresas Recuperadas, e Guillermo Robledo, do Movimento Hélder Câmara Para a Paz entre os Povos, que lhe pintou a paisagem em que vivemos os argentinos: estigmatização dos trabalhadores federais;  perseguição aos camelôs;  repressão e criminalização do protesto social;  além das medidas econômicas que levaram o país a uma estagnação virtual com inflação alta.

Com certeza, o Sumo Pontífice leu o documento que um dia antes emitiu o Encontro Nacional de Sacerdotes em Opção Preferencial pelos Pobres, que faz uma enumeração das principais medidas do governo de Mauricio Macri, que é realmente desolador, e cujas palavras finais são uma súplica aos membros do governo:  “…Transcorridos pouco mais de dois meses deste governo legal, mas de gestos perversos, não duvidamos em pedir “em nome de Deus e deste sofrido povo cujas lamentações sobem até o céu” modifiquem o modelo! Com o Papa Francisco gritamos: Este modelo mata!”

Fiel a seu mandato e sua missão evangelizadora, o jesuíta lhe entregou a Encíclica “Laudato si” (Louvado sejas!), com a esperança de que Mauricio Macri a leia, mas no seu gesto adusto se podia ver a firme convicção de que embora o fizesse, o presidente argentino não a entenderia.

Débora Mabaires, Buenos Aires
No Desacato
Leia Mais ►

O significado do discurso de Lula na festa do PT

“O Partido da Globo, da Veja”: Lula na comemoração do PT
Lula demorou mais de dez anos para reagir a uma mídia que tenta freneticamente destruí-lo.

Seu discurso ontem nos 36 anos do PT foi talvez o mais beligerante desde que ele ascendeu ao poder, cheio de dedos e de concessões para evitar que a plutocracia fizesse com ele o que fizera com Getúlio e Jango.

Não existe um grande partido de oposição, afirmou. Existe o partido da Globo, o partido da Veja, o partido dos jornais, todos unidos numa missão: dar um golpe.

Estes partidos exercem um controle sinistro sobre o Ministério Público e sobre a PF. (Isso nas barbas do ministro da Justiça, um dos mais inoperantes da história do Brasil, se não o mais.)

A ironia é que quanto mais Lula for agressivo tanto mais ele será atacado, porque as grandes empresas de mídia têm pavor da ideia de que o governo federal acabe com mamatas como as multimilionárias verbas publicitárias e como o olhar cego de Brasília para brutais sonegações.

Compare.

O ministro da Justiça de Geisel, Armando Falcão, observou num despacho para o chefe que a imprensa não “vive e nem sobrevive” sem o governo. É uma dependência visceral, parecida com a de recém-nascido diante da mãe.

A imprensa necessita desesperadamente de publicidade e outros “favores especiais”, para usar uma expressão empregada por Roberto Marinho para extrair vantagens dos militares em troca de apoio editorial.

Falcão chamava tudo isso de “armas incríveis”.

O que fez Lula (como Dilma depois) com estas “armas incríveis”?

Nada.

Aécio no governo de Minas matou de fome a mídia que se opunha a ele. Alckmin faz o mesmo em São Paulo.

Não que isso seja bonito. É horrível aliás. Mas se este é o jogo, ou você joga ou desiste dele.

Num mundo menos imperfeito, vigoraria um capitalismo real na mídia,  em que as companhias dependeriam apenas de si próprias e de sua competência, e não do dinheiro do contribuinte. Mas não é assim. Nunca foi assim.

Olhemos para o quadro sob termos práticos: nenhum jornal, nenhuma revista é obrigado a fazer jornalismo equilibrado, isento, imparcial. Você não pode forçar os Marinhos, por exemplo, a cobrir a meia tonelada de pasta de cocaína encontrada no helicóptero de um amigo de Aécio.

O mercado — os leitores — se incumbe de premiar ou castigar o comportamento editorial. E uma Justiça isenta — não é o caso nacional — puniria calúnias, difamações, denúncias sem prova e coisas do gênero.

Mas também governo nenhum é obrigado a anunciar em qualquer veículo que seja. Se você considera, e com copiosas razões, que a emissora X ou o jornal Y agem como um partido interessado em destruir você, o que o leva a anunciar neles? Impulso suicida?

Em 12 anos, Lula e Dilma colocaram 6 bilhões de reais em propaganda na Rede Globo. Isto já em pleno vigor da Era Digital, que transformou a tevê numa mídia-dinossauro. Qual o sentido disso?

O momento atual é propício a rever a dependência abjeta da imprensa em relação ao governo.

É urgente um choque de capitalismo. Já é tempo de Marinhos, Civitas e Frias deixarem de ser servidos por um Estado-Babá.

Caso Lula se reeleja em 2018, ela deveria ser uma de suas tarefas prioritárias: forçar as empresas jornalísticas a enfrentar uma coisa que elas abominam: o capitalismo real, em que você floresce ou desaba de acordo com seu talento — e não mediante injeções de dinheiro público.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Bresser: "o que estão fazendo com Lula é inaceitável"


Leia Mais ►

Não passarão


O alvo sempre foi Lula.

É um trabalho interno das velhas estruturas da burguesia brasileira que se congelaram, como um vírus, depois do fim da ditadura militar.

Foi preciso mais de uma década para a construção de uma narrativa de ódio herdada do anticomunismo mais rasteiro adaptada, primeiro, ao antipetismo e, finalmente, à figura de Lula.

Lula foi o mais importante presidente brasileiro de todos os tempos, por várias razões, e os números de seus governos são, no todo, o detalhe menos relevante.

A construção da narrativa de ódio, feita pela mídia e por uma geração de jornalistas adestrados em cursinhos de trainee, foi consolidada em cima de conceitos bizarros e raciocínios absurdos.

Fruto de uma seleta alcateia de monstrinhos treinados nas redações para superar nos métodos e nos desejos os mestres que lhe sobraram, os chapas-brancas da Casa Grande premiados, dia e noite, por sua servil mediocridade.

Nessa sopa de ressentimento, veneno e ódios diversos está a base de convencimento do juiz Sérgio Moro, por mais degradante que esse quadro se apresente sob a ótica da racionalidade de qualquer ordenamento moral.

O alvo sempre foi Lula.

Mas aqueles que pretendem se lançar na aventura de prendê-lo não têm a menor ideia do monstro popular que estão prestes a despertar.

Caso isso aconteça, Moro irá reduzir nossa história ao que éramos antes de Lula: uma nação irrelevante, miserável e permanentemente de joelhos.

Como sempre foi a vontade da Casa Grande e de seus vassalos de plantão.

O alvo sempre foi Lula.

E todos nós.

Leandro Fortes
Leia Mais ►

A grande imprensa brasileira é porta-voz da pior bandidagem


A despeito do esforço individual de alguns profissionais brilhantes que ainda se abrigam nela e do esforço dos muitos que resistem o quanto lhes permite a necessidade de sobreviver dentro da máquina, a grande imprensa brasileira é, hoje, porta-voz da pior bandidagem.

Aderem apaixonadamente os convertidos às hostes de Satã. Os demais, que percebem, vão-se afastando.

Nela, com exceções que se contam pelos dedos, as redações são comandadas pelos mais medíocres e submissos, quando não os mais canalhas, e a ética vigente varia entre o epicurismo e o cinismo.

O espírito critico compete com o dos alto-falantes. 

Reportagens trabalhadas e honestas e artigos inteligentes são raros e logo se reproduzem insistentemente — não há tecnologia ou legislação que o impeça. A raridade não justificaria, mesmo, o investimento da leitura costumeira e atenção aos anúncios. 

Se forem medir, a eficácia desses reduziu-se bastante.

As fontes profissionais têm meios de levar seus press releases diretamente ao público — e o fazem até para proteger-se das distorções e chantagens da mídia criminal.

A mais honesta cobertura pratica-se nas editorias hortícolas, em que se cultivam abobrinhas.

A grande novidade é que agora pode-se viver, e ser bem informado sem jamais gastar um centavo com essa indústria apodrecida.

Façam como eu. Tendo militado nessa profissão a vida toda, não pago um tostão para ler os principais jornais, em papel ou online, e não me digam que não sei — ou que demoro a saber — das coisas.

É preciso recriar o jornalismo em bases não calhordas.

Nilson Lage
No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

A faísca


É espantoso o poder que uma multidão emocionada exerce sobre um orador. Mão é a primeira vez que testemunho isso, claro (assisti a vários comícios das diretas e já vi Fidel falar para um milhão de pessoas na praça da revolução). Mas é sempre impressionante ver o efeito da energia exalada pela massa sobre quem está com o microfone na mão.

Lula falou em público duas vezes no Rio, neste fim de semana. na sexta, para um grupo de intelectuais, artistas e acadêmicos, em um bem comportado salão no centro da cidade. Eram umas duzentas pessoas, instaladas em cadeiras, diante das quais o ex-presidente falou durante quarenta minutos, de pé, andando de um lado para o outro. Lá estavam, entre muitos nomes, o dramaturgo Aderbal Freire Filho, o grande sociólogo Teotônio dos Santos, o cineasta Luís Carlos Barreto e o músico e ativista Tico Santa Cruz. A certa altura, Lula disse o seguinte:

— O partido tem uma nova geração de militantes qualificados para ocupar os mais altos cargos, e eu estimulo isso. Mas se acharmos que nosso projeto de nação está ameaçado, e se for preciso, serei candidato em 2018.

Um dia depois, neste sábado à noite, Lula topou com uma massa de militantes do PT vindos de todo o Brasil para a festa dos 36 anos do partido, comemorada num lugar lindo do Rio de Janeiro, chamado “Armazém da Utopia” (acho que é uma antiga fábrica restaurada). O astral do público era altíssimo. O momento alto do seu discurso foi quando ele repetiu a promessa da noite anterior, mas não em linguagem bem comportada e professoral, como na sexta:

— Em 2018 eu terei 72 anos! Mas vou estar com tesão de 30 anos para disputar a presidência da república!

A turbamulta entrou em êxtase. Como diria Nélson Rodrigues, o povo tinha arrancos de cachorro atropelado.

Nada como uma boa injeção de adrenalina na veia, aplicada pelo povão.

Leia Mais ►

Gerdau vira alvo. E o Instituto Millenium?


O Instituto Millenium, o antro neoliberal que reúne industriais, banqueiros e barões da mídia, deve estar de luto. Nesta quinta-feira (25), a Operação Zelotes, que apura fraudes fiscais bilionárias no sul do país, deflagrou uma nova etapa que tem como alvo o Grupo Gerdau — o maior financiador das suas conspirações golpistas. Se as investigações forem realmente sérias e imparciais — o que é de se duvidar em função dos descaminhos desta e de outras operações do Ministério Público e da Polícia Federal contaminadas pela obsessão antipetista —, é possível que o Instituto Millenium perca esta importante fonte de recursos e até seja acusado de utilizar dinheiro sujo da sonegação fiscal.

A Operação Zelotes foi deflagrada em março do ano passado com o objetivo de apurar um dos maiores esquemas de sonegação da história do Brasil. As investigações constataram que quadrilhas atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para anular ou reduzir as multas de poderosos sonegadores. Entre as empresas corruptas estariam o Grupo Gerdau, a Ford e a RBS — a afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Exatamente por envolver estes pesos pesados, que têm forte influência na mídia — e financiam o Instituto Millenium —, a Operação Zelotes sumiu do noticiário. Ela só voltou à tona quando distorceu seu objetivo e passou a mirar no ex-presidente Lula.

Agora, porém, ela parece — parece! — voltar à sua origem. Segundo reportagem de Rubens Valente e Gabriel Mascarenhas, na Folha, a Polícia Federal já cumpriu “vinte mandados de condução coercitiva — quando a pessoa é liberada no mesmo dia após prestar depoimento — e 18 de busca e apreensão... Três dos mandados são para funcionários do alto escalão da Gerdau, entre eles o presidente da companhia, André Gerdau... A PF constatou que, mesmo após o prosseguimento da operação, o Grupo Gerdau continuou praticando crimes junto ao Carf, entre eles de advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa e lavagem de dinheiro”.

Os investigadores estimam que o grupo tenha sonegado R$ 1,5 bilhão, pagando propinas a agentes do Carf. “O valor se refere às suspeitas envolvendo dois processos. Ao todo, sete ações da Gerdau que tramitaram ou estão em curso no colegiado estão na mira da Zelotes. ‘Essa é uma continuidade do que começou em março passado. A gente precisava desse arremate para concluir a investigação do caso. Já apreendemos muitos documentos, celulares mídias’, afirmou a delegada da PF Fernanda Oliveira, sem citar os nomes dos investigados. O esquema se dava pela contratação de escritórios de advocacia e de consultoria, responsáveis por intermediar a negociação do suborno aos conselheiros”.

Diante da investida da Operação Zelotes, o presidente da corporação, André Gerdau, negou qualquer prática de corrupção de fiscais e conselheiros do Carf em depoimento à Polícia Federal em São Paulo. Seu advogado, Arnaldo Malheiros, afirmou que o empresário "esclareceu que a empresa não sonegou nada, apenas recebeu autos de infração e recorreu na forma da lei". E ainda posou de vítima, dizendo "achar estranha" a convocação de André Gerdau. O depoimento na PF durou cerca de 45 minutos e o empresário não respondeu às perguntas dos jornalistas ao deixar o prédio do órgão em São Paulo.

Já o Instituto Millenium, que adora se travestir de paladino da ética, não se pronunciou sobre as denúncias contra o seu principal financiador — que tem um faturamento de aproximadamente R$ 40 bilhões e é um dos maiores conglomerados siderúrgicos do mundo.

Altamiro Borges
Leia Mais ►

29 de fevereiro

Jaguar é o mais famoso bissextino que existe, pelo menos para seus amigos e admiradores. Fiz uma pesquisa e descobri que, além do Jaguar, nasceram em 29 de fevereiro de l932 só mais três pessoas que mereceram ser citadas pelo Google: Gene Golub, matemático, já falecido; Masten Gregory, automobilista, já falecido; e Reri Grist, soprano, ainda viva, todos os três americanos.

Posso estar cometendo uma grande injustiça e apenas mostrando minha completa ignorância do mundo dos matemáticos, dos automobilistas e das sopranos, mas nunca ouvi falar de nenhum deles. (Cartas de protesto para a redação). Já o Jaguar está lá: cartunista, brasileiro, vivo e conhecido.

Ser bissexto tem suas desvantagens — menos presentes de aniversário — e suas vantagens: só se fica mais velho de quatro em quatro anos. Inventaram um mês mais curto e um dia extra em certos fevereiros para alinhar o calendário gregoriano com o calendário lunar, ou coisa parecida, numa versão cósmica do jeitinho.

Pessoas nascidas em 29 de fevereiro teriam poderes especiais ou características próprias, no caso do Jaguar, seu talento incomum. Mas imagino que dois dias a menos e um eventual dia a mais em fevereiro devem causar problemas, por exemplo, para os astrólogos, que precisam encaixar os dias a menos e a mais em mapas astrais que não têm nada a ver com os volúveis calendários terrestres.

Já contei várias vezes que uma das coisas que eu fazia quando comecei no jornalismo era o horóscopo. Como era um iniciante numa redação sem muitos recursos, me botaram a fazer de tudo, inclusive astrologia amadora. Depois de um dia fazendo de tudo, ainda precisava me concentrar em prever o futuro e orientar a vida profissional e sentimental das pessoas.

Tinha pouco tempo e escrevia o que me vinha à cabeça, quase sempre apelando para o humor, e muitas vezes apenas trocando meus conselhos de um signo para outro, aproveitando para sagitário o que no dia anterior servira para leão, por exemplo.

Na inocente suposição que cada leitor só lê o que diz seu próprio signo. Mas todo o mundo lê todo o horóscopo todos os dias. Aquele astrólogo metido a engraçadinho não podia durar muito tempo. Foi uma carreira curta.

Quer dizer: sei por experiência própria a confusão que os homens provocam entre os astros.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

A mídia ataca Lula e ri como hiena


A fauna midiática está mais agitada do que nunca. O destaque, mais uma vez, é a Folha de S. Paulo, que entre risos de hiena repercute a pesquisa do Datafolha de forma tão descaradamente manipulada que faz o incauto pensar que o Brasil se transformou em uma imensa Springfield, onde a referência é a opacidade intelectual de Homer Simpson. O foco é a deterioração da imagem da presidenta Dilma Roussef e dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A manipulação é canhestra, infantilizada, sem nenhum cuidado estético ou gramático. Os dados são apresentados para imbecilizar o leitor, agitando a profusão de manchetes enfiadas em sua cabeça pelas redes de rádios, de internet e, principalmente, de televisão. A ideia é fazer desse leitor uma barata tonta, inoculada pelo veneno da desinformação, para reforçar a convicção de que o Brasil está estacionado em um imenso atoleiro.


Martelar diuturno


Uma das constatações da pesquisa Datafolha mais usada pelo jornal é a de que a maioria da população vê benefício das empreiteiras a Lula. Aqui está um clássico exemplo de anti-jornalismo, senão pelo cinismo pela fórmula de Charles Anderson Dana (editor-chefe do poderoso jornal republicano New York Tribune) de que se um cão morde uma pessoa isso não é notícia, mas se um homem morde um cão, isso é notícia.


Com o martelar diuturno sobre o sítio que virou a montanha dos sete abutres, essa constatação da pesquisa não é notícia. Seria notícia se fosse o inverso. Esse tipo de anti-jornalismo a Folha só serve para engambelar o incauto inoculado pelo veneno da desinformação. Como derivação dessa manipulação grotesca, o jornal estampa, neste domingo (25), em manchetona de três linhas na capa mais um taque torpe a Lula, dizendo que “em festa do PT, ex-presidente afirma que sítio foi presente de amigo”.


Reprodutor de invectivas


Quando vai se ler a afirmação de Lula, citada entre aspas, não é nada disso: “Ele (Jacob Bittar, amigo de Lula desde os anos 1970) inventou de comprar uma chácara para que eu pudesse utilizar quando eu deixasse a Presidência. Fizeram uma surpresa para mim até o dia 15 de janeiro (de 2015). A chácara não é minha.” A menos que o editor seja um relapso de marca maior, não é possível conceber que ele fez a chamada de capa com base nessa declaração do ex-presidente sem má-fé cínica.


A manipulação de informações para atacar Lula e Dilma nos demais jornalões (O Estado de S. Paulo e O Globo) é mais sisuda, mais amarrada e mais consistente. Eles emprestam um ar de seriedade ao seu noticiário e editoriais com a mesma intenção de fazer do leitor um mero reprodutor de suas invectivas. Na fauna midiática, são predadores mais furtivos, perspicazes e dissimulados do que as hienas. A Folha vai mais na linha da Veja, que trata o leitor como idiota sem meias palavras, sem mediação de qualquer natureza.


Ignorância santificada


O leitor já deve ter sentido a quantas ramificações seríamos levados se pudéssemos conversar mais extensamente sobre esse assunto. Mas já deu para entender no que se transformou a velha prática da mídia brasileira. Desses jornais e revistas sujos saem as manchetes garrafais e estridentes que são expostas ao longo do dia nas televisões, rádios e portalões. E assim vão se retroalimentando, um abastecendo o outro e formando a trama golpista para levar a cabo seus intentos de voltar a reinar como senhores absolutos dos destinos da nação, afastando do povo brasileiro qualquer veleidade de poder. Sua divisa é: povo é povo, elite é elite.


Não se deve, por óbvio, culpar o povo por cair nessa trama. Mesmo parte dos que atender às chamadas para as manifestações de rua convocadas por essa elite corrupta e libertina pode ser considerada vítima desse sistema de mídia. É preciso distinguir ideologia de ignorância. A ignorância pode ser bem-intencionada, santificada mesmo, diria Nelson Rodrigues num dia cáustico. Não confundi-la com ideologia é um ato de prudência, de direito à dúvida por assim dizer. Ignorar é não saber alguma coisa. Ideologia é fazer uma opção sabendo a diferença entre o certo e o errado para uns e para outros.


Resposta contundente


A cena política nacional vive nesta situação: a ideologia da direita, que nada tem de santificada, enfrentando o futuro do povo por meio de uma cruzada folhetinesca de dimensões amazônicas. Diante dela, não há meio-termo; ou fica-se rouco tentando mostrar o que é certo para a maioria da sociedade ou recorre-se a meios alternativos de informação. É preciso dizer que a cidadã e o cidadão vítimas desse tipo de anti-jornalismo serão tão beneficiado com o programa de governo da direita quanto uma cidadã e um cidadão somalis.


Não é aceitável que fique sem resposta contundente a pregação da direita de que a crise (que tem dimensões internacionais) é de responsabilidade exclusiva da presidenta Dilma Rousseff e que basta ela ser derrubada para que o Brasil retome o processo de crescimento e de melhoria dos indicadores sociais. Esse é o discurso dos golpistas na convocação de incautos para as manifestações de rua. Contestá-lo com firmeza é dever dos que conhecem a verdade para enfrentar os predadores do povo brasileiro.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
Leia Mais ►

Carta aos que ainda têm decência


Você, que acha que já pode se considerar elite do país, saiba que nunca será convidado a passar um final de semana no tríplex dos irmãos Marinho, donos da Rede Globo, em Paraty. A Casa Grande não é seu lugar.

Então, tenha a decência de não ser um servo voluntário dos senhores.

Vivemos momentos muito difíceis.

Acabo de assistir ao documentário realizado pelo DCM sobre a famosa lista de Furnas.

Está tudo lá, desde a própria lista que teve sua autenticidade comprovada, onde constam os nomes de Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin e outros, como beneficiários de um grande esquema de propinas destinadas às suas campanhas políticas, até as delações de operadores do esquema, inclusive em juízo ao Dr. Moro.

Nada foi investigado e todos estão soltos.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha continua firme no cargo, apesar dos milhões em contas secretas na Suíça. Não causa indignação nos batedores de panelas.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi denunciado pela sua ex-amante, Mírian Dutra, como tendo cometido o crime de envio de recursos ao exterior através de empresa para beneficiá-la com alto salário sem que precisasse trabalhar para isso. Além disso, FHC teria ajudado a Globo com recursos do BNDES para que ela mantivesse Mírian com contrato durante 25 anos, também sem trabalhar.

Em São Paulo foi desmascarado um esquema de desvio de merendas escolares e ainda ninguém foi preso.

O senador José Serra envia um projeto em regime de urgência ao Senado, propondo que 30% das operações no pré-sal sejam repassados à empresas estrangeiras, num momento em que o barril de petróleo está sendo mantido artificialmente em preços extremamente baixos até que o projeto seja aprovado. Um claríssimo crime de lesa-pátria que não causa indignação nos patriotas de camisa verda-amarela.

Mas em contra-partida leio que na próxima semana é mais que provável que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e toda sua família (acho que só escapam o cachorro e o papagaio) tenham seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos quebrados.

A justificativa será fraca. A Justiça quer saber se Lula é dono do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia..

Para verificar isso bastaria uma simples consulta ao cartório.

Mas o que se pretende com isso é tão somente tentar destruir a reputação do ex-presidente pois ele virá forte em 2018.

Porém, é preciso lembrar que sobre ele, ao contrário dos citados acima, não existe, ao menos ainda nenhuma acusação de crime.

Acho ótimo que os sigilos sejam quebrados.

Afinal, se Lula deve, tem que pagar e se não deve, será passado um atestado de idoneidade a ele.

Mas há uma parcela significativa da população brasileira que já julgou Lula e quer vê-lo preso de qualquer jeito, mesmo sem prova alguma de crimes.

Sobre a elite nem é preciso falar pois esta quer voltar ao protagonismo que sempre teve desde o ano de 1500. Quer viajar a Paris sem encontrar a filha do porteiro do prédio no avião.

Mas é a você que me dirijo, a você que integra a classe média. Ah, a classe média...

É a você, que acha que porque já conseguiu (às vezes nem conseguiu ainda) uma casa, dois carros, filhos em escola particular, pode se considerar elite do país.

Coitado, faz o jogo dos poderosos mas não passará desse patamar. É muito difícil.

Nunca vai se sentar à uma mesa num banquete de Paulo Lemann, com fortuna estimada em 83 bilhões de reais.

Nunca vai ser convidado a viajar à Flórida com Sílvio Santos em suas viagens de férias.

Nunca será convidado a passar um final de semana no tríplex dos irmãos Marinho, donos da Rede Globo, em Paraty.

Entenda que você não faz nem fará parte da Casa Grande. Não é seu lugar.

A ética que faltou aos bandidos que roubaram os cofres da Petrobras e de Furnas é a mesma que falta agora a você que fica do lado deles, que não são investigados nem punidos. Neste sentido, você é cúmplice.

Porque é justamente você que deveria ter a decência de reconhecer que nas investigações da Lava Jato há uma intenção, não de punir corruptos e acabar com a corrupção, mas sim a de prender, mesmo sem provas, aqueles que são empecilhos à volta ao poder de quem sempre mandou no país e sempre quis manter a desigualdade, mazela maior do Brasil e que prejudica a todos. A elite da qual você não faz parte.

A decência é prima-irmã da ética e deve fazer parte de nosso caráter.

E esse valor, se você não passar a seu filho, poderá estar criando mais um corrupto que no futuro seja operador de algum esquema ilícito danoso ao país.

Portanto, tenha a decência de exigir que se investiguem todos aqueles que tenham indícios de crimes cometidos.

Que se garanta o direito de defesa previsto na Constituição, e se houver comprovação de crime, que se puna, doa a quem doer.

E que não reste pedra sobre pedra.

Fernando Castilho
No Análise e Opinião
Leia Mais ►

Scliar

Convidado pela Casa do Saber, do Rio, para participar de uma homenagem ao Moacyr Scliar, nos cinco anos da sua morte, e não querendo apenas falar do prazer e do privilegio de ter sido seu amigo, fui atrás de um texto do Saul Bellow que me lembrava de ter lido, sobre o judeu como inventor de parábolas didáticas, o que o Scliar fez sua vida inteira, disfarçando-as com a realidade e com a fantasia. Segundo Bellow, nas historias da tradição judaica, o mundo e até o universo têm um sentido humano. A imaginação judaica já foi inclusive acusada de sobre-humanizar tudo, de supervalorizar o humano e atribuir a tudo significados demais. Para alguns, o próprio cristianismo seria uma criação de contadores de histórias judeus, festejando a vitória de cristãos oprimidos sobre os opressores, na sua origem.

Bellow conta que seu pai tinha sempre uma história pronta para qualquer questão, moral ou corriqueira. Todas as respostas começavam como uma história. “Havia um certo homem que morava....” “Uma viúva e sua filha...” “Um cavaleiro vinha por uma estrada na floresta...” A história que Bellow mais gostava era a do lenhador que saía de casa para juntar lenha na floresta e, na hora de voltar para casa, tinha juntado tanta lenha que não conseguia levantar sua carga. Depois de praguejar contra a sua própria velhice e sua falta de força, o lenhador pedira a Deus que mandasse a morte buscá-lo, pois era um homem imprestável. E Deus apiedou-se do lenhador e mandou o Anjo da Morte para buscá-lo, e o lenhador pediu para o Anjo ajudá-lo a levar a lenha para casa e depois dispensou-o, dizendo que mudara de ideia e não queria mais morrer. O que provava, para o pai de Bellow, que ninguém está realmente pronto para morrer.

A parábola do lenhador, que Bellow lembra como exemplo de uma história tipicamente judaica, poderia ter sido inventada pelo Scliar. Nela há a tragédia da condição humana, da velhice, da revolta contra um destino irremediável, e o humor do desenlace, em que o Anjo da Morte é desviado da sua função e posto a trabalhar. Em toda a obra do Scliar há essa mistura do trágico e do cômico, ou do trágico redimido pelo cômico. Em alguns casos, o humor judeu existe apenas para estabelecer uma ideia de equilíbrio e sanidade num mundo maluco. Mas quase sempre o humor judaico é misterioso e impossível de ser analisado, até por gente como Sigmund Freud, segundo Bellow. Alguém já argumentou que o riso, um senso cômico da vida, pode ser visto como prova da existência de Deus. A existência seria engraçada demais para não ter uma causa mais alta. O ateu Scliar responderia que a ideia de um deus piadista é que é muito engraçada.

Bellow diz que a experiência do gueto, da vida confinada, longe de produzir um sentimento claustrofóbico abre a imaginação para o alto e para o mundo fora dos limites. Scliar é o produto de um gueto, o bairro Bomfim de Porto Alegre, em que nunca, que eu saiba, houve um pogrom. Se sua experiência fosse a de um gueto como o de Varsóvia suas histórias seriam outras, ainda dentro da tradição judaica, e sua imaginação mais trágica e menos livre. Para nossa felicidade como leitores, o gueto que formou sua imaginação foi o de Porto Alegre. O mundo e o universo vistos de lá eram muito maiores e mais humanos, o Bomfim literalmente não tinha fim.

Família Brasil


Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Lula mostra que família Marinho é o núcleo do golpe: "tem um partido chamado Globo, essa é a oposição"

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/37773/

Não tem partido de oposição. Tem um partido chamado Globo, um chamado Veja. Essa é a Oposição.

Mas se eles quiserem voltar ao poder, tem de aprender a ser democráticos e respeitar os resultados das eleições

Em 1954, foi assim que o povo reagiu: a história como farsa?
É uma pena que tenha levado tanto tempo. Mas a hora chegou.

Lula é tratado como Vargas, Jango e Brizola
Lula é tratado como Vargas, Jango e Brizola
Quem conhece a história sabe que O Globo, em parceria com os lacerdistas, cercou Vargas em 1954. O Globo cercou Jango em 64 e ajudou a desfechar o golpe. E a Globo, então já transformada no conglomerado mais poderoso da história brasileira, cercou Brizola em 82.

Agora chegou a vez de Lula.

Filho do trabalhismo, Lula não existiria sem Vargas e a industrialização. E como tantas vezes acontece, o filho renega o pai – antes de aceitar sua herança.

O PT e Lula tentaram contemporizar com a Globo e os novos lacerdistas. Evitaram o confronto. Mas o confronto veio até Lula.

Por esses dias, fala-se que o juiz das camisas negras prepara uma ação para humilhar a família de Lula. O juiz foi homenageado pela Globo. E já se sabe que é dessa parceria temerária entre um juiz de pendores fascistas e a Globo que se nutre a oposição que cerca o Brasil.

É hora de dobrar a aposta. É hora de cercar a Globo e confrontar a família Marinho. Ali está o núcleo do golpe.

Há uma operação em curso para atacar o Estado nacional, fechar o PT, e expurgar a esquerda e o trabalhismo da política.

Lula então mostra as caras. E, finalmente, aceita seu papel na história. Na festa de aniversário do PT, o maior presidente da República desde Vargas (na definição de Martinho da Vila) se apresenta ao combate aberto:
“Se quiserem me derrotar, vão ter que me enfrentar na rua” .
Leia Mais ►

O caminho e o desastre

O Brasil experimentou uma democracia frustradamente reformista, passou por golpe de estado, sofreu a tragédia da ditadura militar, voltou à democracia caótica, e chegou. Chegou outra vez aos primeiros anos da década de 1950. O golpismo, o "entreguismo" ameaçador e a "república do Galeão" foram os estigmas daqueles anos. O golpismo volta no estilo PSDB; acompanha-o o "entreguismo" apontado na retirada de pré-sal da Petrobras, aprovada pelo Senado; e a versão civil da "república do Galeão", sob o nome insignificante de Lava Jato, evidenciam juntos o estágio em que o Brasil de fato está.

Mas, se é desculpável a imodéstia de quem se aproximava da vida de adulto naquela década, o pequeno Brasil que não era então menos discriminatório e menos elitista, no entanto era mais inteligente, culto e criativo, menos incivilizado em suas cidades e muito, muito menos criminal.

O mundo se mediocriza, é verdade. A França o prova e simboliza. Mas o Brasil exagera, iludido por uns poucos e duvidosos avanços econômicos. Como a indústria automobilística, por exemplo, que sufocou os transportes públicos e deformou as cidades, dois efeitos antissociais no sentido menos classista da palavra. A degenerescência entra, porém, em fase nova. E acelerada.

São já os esteios do esboço de democracia a sofrerem investidas corrosivas. Ainda que sob outras formas, são prenúncios de repetição, se não contidos em tempo, dos desdobramentos lógicos que períodos como os anos 50 produzem, historicamente.

É melhor, e é urgente, que se comece a forçar o Congresso a ser menos infiel às suas finalidades institucionais e mais responsável com suas funções, seja em apoio ou oposição ao governo. Muitos poucos estão ali, em especial entre os deputados, para serem parlamentares. Dividem o seu tempo entre ser massa de manobra de interesses alheios e agir por interesses subalternos próprios. Uns e outros cada vez mais contrários à instituição e à democracia pretendida pela maioria do país.

A ministra Cármen Lúcia foi muito aplaudida pela invocação, em seu literário voto por liberdade biográfica, ao bordão "cala a boca já morreu". Ninguém observou que o complemento foi omitido: "quem manda aqui sou eu". O bordão é, na verdade, de extremo autoritarismo. Amputá-lo valeu como definição pessoal.

Mas não é o meio bordão, é o autêntico, realista, que os fatos já justificam: partes do Judiciário e do Ministério Público agem como se respondessem aos direitos civis (e por tabela a quem os defenda): cala a boca já morreu, quem manda aqui sou eu. E mandam mesmo, pela reiteração e pela indiferença, porque as instâncias com autoridade e meios de corrigir as deformações não o fazem, acomodadas no seu próprio poder ou intimidadas pela parcela da sociedade adepta do bordão. E os direitos e a Justiça se esvaem.

Crises políticas não se agravam sem imprensa. Crises econômicas expandem-se menos e menos depressa sem imprensa. Hoje em dia a imprensa brasileira pratica uma solidariedade de modos com as deformações no Congresso, no Ministério Público e no Judiciário. Assola-a nova onda de relaxamento dos princípios éticos, para não falar em qualidade jornalística. E cresce a cada dia uma grande dívida de autocrítica, para relembrar as responsabilidades dos jornalistas profissionais. Com medo da internet, a imprensa brasileira foge de si mesma.

O Brasil não é bem-vindo aos anos 1950.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►