25 de fev de 2016

O grupo Gerdau e o “moralismo” neoliberal


Em janeiro de 2007, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter cedeu a presidência da Gerdau, um dos 15 maiores grupos siderúrgicos do mundo, ao filho André. O acontecimento não mereceria comentários se não fosse a informação de que a Polícia Federal suspeita de que o Grupo Gerdau tenha contratado escritórios de advocacia apenas como fachada para dissimular pagamentos a representantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

A empresa é investigada por, supostamente, ter pago propina para influenciar decisões do órgão — espécie de “tribunal” que avalia recursos de grandes contribuintes contra autuações da Receita Federal. Em nova fase da Operação Zelotes, os investigadores descobriram que a Gerdau autorizou a subcontratação de escritórios para atuar no Carf, “dissimulando contrato existente com a SGR Consultoria”. A empresa pertence a José Ricardo da Silva, que era conselheiro do órgão e não podia, portanto, atuar em processos que envolvessem interesses de seus clientes privados.

O fato, se comprovado, revela, mais uma vez, a diferença entre o discurso e a prática dos “moralistas” que acenam com a bandeira neoliberal como a salvação para a humanidade. André Gerdau participa de um grupo de cerca de 40 jovens — sócios ou herdeiros de algumas das maiores empresas do Rio Grande do Sul — que todas as noites de segunda-feira reúne-se no restaurante do Ritter Hotel, no centro de Porto Alegre. Lá, dispostos em mesas que formam um semicírculo, homens engravatados e mulheres vestidas elegantemente passam cerca de 3 horas sendo doutrinados sob os princípios do liberalismo.

Líderes virtuosos

São os sócios do “Instituto de Estudos Empresariais”, mais conhecido como IEE. Eles formam uma espécie de brigada fundamentalista, cuja missão é assimilar e disseminar as crenças na “economia de mercado”, na supremacia do privado sobre o público, no chamado “Estado mínimo”. Defendem que o Estado deve se ater exclusivamente ao provimento de “segurança e justiça aos cidadãos”, pregam o fim do Banco Central e a “livre escolha” da moeda corrente.

O alvo principal é a legislação social e trabalhista. ”Nossa causa é formar líderes virtuosos que conduzirão empresas e governos melhores”, diz Leandro Gostisa, 27 anos, sócio e gestor de negócios da Methode Ikro South America, fabricante de componentes automotivos, e vice-presidente do IEE.

Nos últimos 30 anos, mais de 300 empresários já passaram pelas fileiras do Instituto. Entre os patrocinadores de seus eventos estão algumas das maiores empresas brasileiras, como o grupo Ipiranga, do setor de petróleo e petroquímico, a Vonpar, engarrafadora da Coca-Cola na Região Sul, a Lojas Renner e a Springer Carrier.

Inimigo número um

Os líderes do IEE esperam que seus discípulos defendam — permanentemente — a causa em entidades empresariais, sindicatos e, principalmente, no governo. ”Há muitas lideranças do IEE infiltradas nas entidades, buscando espaço para as ideias liberais”, diz o empresário Paulo Afonso Feijó, sócio e presidente da Mercador.com, empresa do grupo Telefônica especializada em serviços para o setor de varejo.

A formação dos quadros da entidade dura, no máximo, cinco anos. Durante esse período, o sócio tem de participar das reuniões semanais e seguir uma bibliografia recomendada — toda ela formada, obviamente, por libelos do liberalismo. Entre os títulos estão “O que é liberalismo”, do empresário brasileiro Donald Stewart Jr., e “O caminho da servidão”, do economista austríaco Friedrich von Hayek — considerado a gênese do neoliberalismo.

É preciso estudar todos os temas discutidos, debater com convidados, participar dos eventos e coordenar grupos de estudo. Hoje, o grande desafio dos militantes do IEE é espalhar a causa para além dos limites do Rio Grande do Sul. Para eles, é preciso guardar as fronteiras da propriedade privada contra o contágio infernal das organizações dirigidas pelo Estado-Diabo, o inimigo número um do mercado-Deus.

O pai da morta-viva

Os fatos e os personagens ocorrem duas vezes na história: a primeira como tragédia e a segunda como farsa, lembrava Karl Marx, num processo “em que a tradição das gerações mortas volta para assombrar a memória dos vivos”. Um clássico exemplo disso é a volta triunfal da ideologia liberal, com nova roupagem e registrada com o nome de neoliberalismo, no final dos anos 1970 do século XX.

A morta-viva tinha como pai o economista norte-americano Milton Friedman, que morreu aos 94 anos. Friedman, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1976. Ele liderou a corrente liberal, que se opôs ao pensamento de John Maynard Keynes. Proclamado herdeiro do pensamento de Adam Smith, o economista é equiparado, por seus admiradores, a personalidades como Keynes, Joseph Schumpeter e Paul Samuelson. Um exagero, está claro.

O “fim da história”

Sobre Friedman há quem afirma que daqui a 50 anos ninguém vai ler uma linha do que ele escreveu. Isso, aliás, é verdade para a grande maioria dos economistas. Friedman é basicamente alguém que argumentou que os economistas anteriores a Keynes tinham elementos de verdade em suas teorias, o que está correto. Mas é só. Até relógio parado está certo duas vezes por dia. Na verdade, a teoria de Friedman, além de fútil, é perversa.

O problema é que o seu pensamento influenciou fortemente líderes políticos, como o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan e sua contemporânea, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Suas ideias também serviram de inspiração para a onda anti-socialista. Vaclav Klaus, que mais tarde se tornaria o primeiro-ministro da República Tcheca, foi um dos que seguiram as lições de Friedman na construção de um novo modelo econômico para as ex-repúblicas socialistas.

Para os seguidores de Friedman, o desenrolar dos acontecimentos no mundo acabou revelando que os revolucionários que deram certo não foram Marx, Engels, Lênin e Mao Tse Tung. Foram Friedman, Reagan e Thatcher. Teria triunfado, sobre os escombros do muro de Berlin, a tese de que a economia de “livre mercado” ganhara o mundo. Em 1992, o também norte-americano Francis Fukuyama chegou ao ponto de publicar um livro que incendiou os debates internacionais, intitulado “O Fim da História”.

A chamada escola de Chicago

Para ele, as ideias de Friedman em ação era uma demonstração de que o capitalismo havia superado em definitivo todas as demais experiências de organização social. Segundo Fukuyama, o capitalismo de panelinhas, somado aos setores financeiros especulativos, era a fórmula definitiva da evolução política. A baronesa Thatcher foi a primeira a alterar o consenso keynesiano segundo o qual o centro da economia deveria ser ocupado pelo Estado. Ela enfrentou essa batalha com ferocidade. “Nunca senti qualquer simpatia pelo socialismo”, disse Thatcher. “Já estava ficando óbvio para as pessoas que o caminho socialista era sinônimo de declínio. Dá para imaginar isso? As pessoas aceitando o declínio?”, afirmou.

Os liberais radicais são conhecidos pela diferença entre seus discursos e suas práticas. Na Grécia antiga, seriam exímios sofistas. No mundo de hoje, podem ser chamados de vigaristas. Thatcher jogou com as palavras com o mesmo cinismo de Friedman. Expoente maior da chamada Escola de Chicago, ele encarnou como ninguém a defesa radical do liberalismo canhestro dos últimos 50 anos.

Uma de suas esquisitices era estabelecer que os Estados Unidos são 50% socialistas por conta do papel que o Estado exerce na economia daquele país. Uma simplificação infantil. “Os Estados Unidos são um mercado livre? Não! No meu país, as despesas de todos os níveis de governo chegam a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, as regulações colocam um custo de mais 10% do PIB nos negócios. O resultado é que os Estados Unidos hoje são 50% socialistas”, dizia ele.

Retalhos de velhas ideias liberais

Para Friedman, qualquer ideia de regulação era uma coisa diabólica, socialista. Ele era a favor até da extinção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em sua visão, os empréstimos do FMI retardam a velocidade de “ajustes necessários”, estimulam a persistência de políticas equivocadas e falsificam a percepção de risco dos bancos credores. E, como ardoroso defensor da liberalização cambial, Friedman se enfurecia quando ouvia dizer que o fracasso de um regime de câmbio fixo estimulado por quase uma década pelo FMI era atribuído à falência do liberalismo.

Outra implicância de Friedman era com a política monetária do banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed). Ele atribuiu a erros do Fed boa parte da culpa na derrapagem rumo à Grande Depressão. Keynes, por sua vez, considerava a política monetária impotente para promover a saída do buraco negro do início dos anos 30.

Havia para Friedman uma regra segundo a qual para combater uma teoria nada melhor do que outra. Por isso ele enfrentava os conceitos keynesianos com teses que na verdade eram retalhos de velhas ideias liberais lançadas por terra ao longo da maior parte do século XX. O que sobrava em estado puro de sua teoria era a perversidade social.

Sensibilidade social

Uma de suas principais críticas recaía sobre a noção de “responsabilidade social” das empresas. “A empresa pertence aos acionistas. Sua missão é gerar a maior quantidade possível de lucros para eles, respeitando as leis de cada país”, dizia ele. Segundo Friedman, o conceito de “responsabilidade social” é “fundamentalmente subversivo”. É evidente que se essa ideia fosse popularizada Friedman seria visto como uma pessoa próxima do fascismo.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo instituto Vox Populi mostrou que dentre as oito alternativas oferecidas num questionário sobre a missão de uma empresa privada, a opção “dar lucro ao acionista” apareceu em último lugar. É um resultado que dá o que pensar. Não se trata, claro, de uma indicação de que os brasileiros querem já a estatização dos meios de produção.

O que a pesquisa sugere é que a população até aceita o capitalismo — desde que os empresários tenham “sensibilidade social”. Para os liberais, trata-se de um caso típico de miopia coletiva. É uma tese antiga. Como observou Smith em sua obra máxima, A Riqueza das Nações, “não esperamos obter o nosso próprio jantar da bondade do açougueiro ou do padeiro, mas do interesse de cada um deles”. Ou seja: o padeiro produz pães não para ajudar o próximo, mas para prosperar.

Os males do planeta Terra

As empresas seguidoras desse conceito podem, sem dúvidas, ser responsabilizadas por boa parte dos males do planeta Terra. Fosse a empresa uma pessoa, esse indivíduo seria um psicopata. Alguém capaz de financiar tiranias como o nazismo e o fascismo, de comprar a imprensa e de usar o aparato policial para cometer assassinatos de opositores aos regimes políticos que protegem suas práticas.

Um sujeito tão desprovido de sentimento que, diante de tragédias ambientais ou naturais, pensa apenas em quanto vai embolsar com a alta do ouro e do petróleo. Alguém que, conscientemente, destrói a camada de ozônio, envenena o leite, queima as florestas e, como se isso não bastasse, usurpa todos os recursos naturais à disposição — até a água da chuva. Tudo em nome do lucro.

Até nisso Friedman se apequena diante do keynesianismo. Em 1930, Keynes escreveu que “nos envolvemos numa colossal trapalhada, prejudicando os controles de uma máquina delicada, cujo funcionamento não é do nosso conhecimento”. Portanto, a verdadeira escassez no seu mundo — e no nosso — não era de recursos, ou até mesmo de virtudes, mas de conhecimentos.

Ditadura de Augusto Pinochet

Os liberais radicais veem essa questão como um problema individual. Para eles, a necessidade é o ingrediente mais importante do empreendimento humano. Para o liberalismo, o que move o mundo é o indivíduo. E o que move o indivíduo é a necessidade. Não é outra coisa a filosofia do “nade ou afunde”, que recheia o discurso da ala mais conservadora do liberalismo mundo afora.

Trata-se de uma exacerbação da lógica que identifica no indivíduo a grande mola propulsora do desenvolvimento econômico. Chega-se, assim, a um quadro extremado, um ambiente em que, segundo Friedman, não há, sob hipótese alguma, almoço grátis. Quem não se encaixa nessa regra por não possuir as condições de, mesmo pressionado, produzir mais, é frequentemente ignorado nesse mundo liberal. Friedman dizia que o sujeito só nada quando a alternativa a isso é afundar e morrer afogado.

Ele apostava que a melhor maneira de produzir bons nadadores é não fornecer coletes salva-vidas nem equipes de salvamento. Alguns, claro, vão parar no fundo do lago com os alvéolos cheios de água e lama. Mas esse seria o preço a pagar para ter os vencedores. Há grandes diferenças entre essas ideias e as do fascismo? Parece que não. Como exemplo, temos o caso da ditadura do general Augusto Pinochet, que já no início da década de 1970 implantou as ideias de Friedman no Chile.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
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Moro não sabe como condenar Dirceu


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Maquiavel, FHC e o pré-sal


Maquiavel dizia que, uma vez no poder o governante tem a obrigação de se manter nele a todo custo, não importa o que tenha que fazer para isso.

Será que é exatamente isto que estamos assistindo neste momento?

O poder. Ah, o poder.

Por que as pessoas querem o poder? Disputam tanto o poder?

Para ter mais poder.

Não se contentam em ser vereadores. Querem ser prefeitos. Depois deputados, senadores, presidentes.

Se formados em Direito, querem ser juízes em Curitiba e mais tarde, quem sabe, ministros do Supremo.

Maquiavel dizia que, uma vez no poder o governante tem a obrigação de se manter nele a todo custo, não importa o que tenha que fazer para isso.

Não nos iludamos, todos aqueles que lutam pelo poder só estão interessados em aumentá-lo.

Há diferenças? Sim.

Há os que buscam melhoria da vida das pessoas para consequentemente terem votos e aumentar o seu poder. É o caso de Lula e Dilma, principalmente.

Na outra mão, há os que querem o poder e, uma vez investidos dele, farão alguma coisa pelo povo para tentarem se perpetuar ou galgar postos mais altos. Caso de FHC, Aécio, Serra, etc..

Mas vale uma reflexão. Uma vez alcançado o poder máximo, o de presidente, o que fazer após o término do mandato?

Ficou claro na entrevista da jornalista Mírian Dutra, mãe do filho não reconhecido de Fernando Henrique Cardoso, que tudo o que ele queria a qualquer custo naqueles anos em que conviveram, era a presidência da República e que faria qualquer coisa para atingir seu objetivo.

Ao ser comunicado que seria pai de um filho fora do casamento, FHC, que se candidataria à reeleição, temeroso de que seus planos ruiriam devido ao escândalo, exigiu que Mírian abortasse pela 3ª vez, com o que ela não consentiu.

FHC então conseguiu que a Rede Globo a mantivesse congelada na Europa, longe dos olhos da população, com um bom salário mas sem precisar trabalhar.

Além disso, enviava dinheiro através de uma empresa, numa operação irregular pois ainda se encontrava na presidência.

Até este ponto, FHC cumpre à risca o recomendado por Maquiavel, do qual certamente é leitor.

Mas a reflexão agora é: o que pretende um homem aos 84 anos de vida, após ter alcançado sua maior ambição?

Não seria natural, restando-lhe alguns anos pela frente, reconhecer seus erros e aguardar o longo desenrolar de um processo, já que nada levará para o túmulo? Uma espécie de confissão de seus pecados antes de chegar sua hora?

Ou ele se considera imortal só por fazer parte da Academia?

Não, ainda há um derradeiro poder a ser, não conquistado, mas mantido: o de homem de reputação ilibada, coisa em que ainda muita gente acredita por falta de informação. E que a mídia trata de preservar.

Outro seguidor de Maquiavel, tão ou mais ferrenho que FHC é José Serra.

Só assim poderíamos explicar sua obstinação em se eleger prefeito de São Paulo, ficar somente dois anos e depois se candidatar ao governo do Estado.

Só assim entenderemos sua disputa com faca nos dentes, mesmo dentro de seu partido, para se eleger presidente, mesmo que tenha antes da disputa, que ficar 4 anos no Senado.

Mas Serra, mesmo no Senado não perdeu a oportunidade de ganhar mais poder, fama e talvez muito dinheiro ao apresentar um odioso projeto que retira da Petrobras a exclusividade na exploração do pré-sal, a maior riqueza do Brasil.

Se o projeto for aprovado, o que infelizmente parece que será, empresas como a Shell, Chevron e British Petroleum, integrantes das chamadas Sete Irmãs, poderão retirar suas fatias do nosso petróleo. Um crime.

A alegação é de uma simploriedade incrível: nós não temos condições de exploração devido à corrupção da Petrobras que debilitou a companhia. Ponto.

Uma enorme falácia, como bem demonstrou o senador Roberto Requião, na tribuna do Senado.

Todas as Sete irmãs estão igualmente debilitadas porque o momento mundial é desfavorável.

O preço do barril vem sendo mantido artificialmente em 30 dólares pelos americanos justamente para que eles possam comprar o pré-sal em baixa.

Mas é uma situação que não pode ser mantida por muito tempo, daí o açodamento com que o projeto vem sendo imposto.

Como a Petrobras realizou enormes investimentos justamente para poder explorar o pré-sal, se a entrega aos estrangeiros se concretizar, o baque será profundo e talvez percamos a companhia que atravessou por décadas lutas históricas.

E a mídia é cúmplice porque não toca no assunto. Quase ninguém está sabendo.

Serra também não é novo. Tem 73 anos.

Pergunto: o que move um homem de 73 anos a entregar um patrimônio brasileiro aos americanos?

O que ele levará para o túmulo? Reconhecimento?

Será reconhecido como estadista?

O terceiro personagem é o juiz Sérgio Moro.

Joaquim Barbosa conseguiu todos os holofotes para si, atingiu o ápice, pelo menos para aqueles que se contentaram com a manipulação midiática, e depois saiu de cena. Fato raro. Maquiavel não gostou.

Moro segue a escola de Barbosa com um olho também em Maquiavel.

Vai tentar prender o máximo de petistas que puder e de quebra, se der, prenderá também Lula, impedindo-o de disputar a presidência em 2018.

Isso poderá representar a derrota do partido e a volta dos tucanos ao poder.

Neste ponto, vale destacar que um grande grupo, inspirado por Maquiavel, trabalha arduamente para sua volta ao poder, não importando os meios para isso.

Tucanos, demos, o STF, o TSE, a PF, o MPF e a grande mídia trabalham sincronizados.

A PF vaza depoimentos para a mídia, que os divulga sem provas. Moro, baseado nas notícias da mídia, prende os citados, se forem do PT. Os do PSDB como Aécio Neves não vêm ao caso.

Não, não há luz no fim do túnel, a menos que uma grande mobilização comece a acontecer agora.

Mas parece que não temos força para isso.

Ainda mais por haver indícios de tenebrosas transações que podem ter colocado na mesma mesa, governo e oposição em torno do pré-sal.

Dá calafrios só de pensar o que pode estar sendo negociado, mas é claro que um eventual na perseguição de Dilma e Lula seria bastante interessante neste momento, não?

Bem ao gosto de Maquiavel. Mais, não falo.

Fernando Castilho
No Análise e Opinião
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O sumiço inexplicado de Margrit, irmã de Mirian Dutra e funcionária fantasma de Serra

Chevron vai chamar de Magrit área que tomar do pré-sal
Palmério Dória
Ela estava ao lado do Senado, mas não para trabalhar
O imbroglio Mírian Dutra/FHC trouxe de lambuja as desventuras da irmã de Mírian, Margrit Dutra Schmidt.

Margrit é funcionária fantasma do senador José Serra. Teria de cumprir nove horas de expediente, mas nunca foi vista pelos colegas.

Um chefe de gabinete de Serra forneceu uma desculpa cínica: “Ela trabalha para o senador como consultora. Ele solicita trabalhos e ela produz”.

O salário é de R$ 9.456,13. Serra veio com uma conversa absurda de que Margrit estaria envolvida em um “projeto educacional”.

Pediu a um repórter que não adiantasse o assunto porque se trata de algo sigiloso. “Conheço a Mag há muitos anos. Tenho relações pessoais e intelectuais”, afirma.

Como alguém iria “adiantar um assunto” se ele não existe? Que misteriosas “relações pessoas e intelectuais”?

A última vez em que se ouviu falar de Margrit ela estava na República Dominicana, coincidentemente no mesmo período em que João Santana esteve no país.

Desde então, sumiu.

Parêntese: o colunista Ricardo Noblat conseguiu dar mais um chute em sua longa carreira de cacetadas a esmo (como esquecer do fantástico “furo” sobre a morte “para as próximas horas” de Ariano Suassuna quando o pobre velhote já estava na UTI por um fio?)

De acordo com Noblat, ela será demitida. Até 2020, quem sabe, isso ocorra. Fecha parêntese.

Suas contas nas redes sociais foram apagadas. Margrit, como todos os infelizes que moram no Facebook, postava foto de suas viagens (inclusive da Dominicana), da família, dos cachorros, da comida, de tudo enfim.

É uma típica revoltada on line. Tremendo 171, há 15 anos na maciota com chefes tucanos, vivia gritando contra a corrupção, os petralhas e o escambau.

É uma mulher rica. Foi casada com um antigo lobista de Brasília, Fernando Lemos, amigo de Fernando Henrique. Segundo o jornalista Palmério Doria, Lemos foi o operador das tentativas de suborno do governo para tentar melar a reportagem sobre Mírian Dutra da “Caros Amigos” em 2000.

Primo de Roberto Campos, figura folclórica, Lemos teria intermediado a jogada para a Brasif pagar Mírian no exterior. Morreu em 2012 com seus segredos e suas pilantragens.

Serra está bem vivo e deve explicações, mas elas não lhe serão cobradas. Entre outras coisas, o feroz opositor do ajuste fiscal e dos cortes públicos sustenta uma senhora com dinheiro público.

Senhora essa que sabe Asmodeu onde estará, mas que ninguém deverá se surpreender se não estiver morando mais no Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM
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O bode de Serra que iludiu o governo


No início de 2015, quando a base de apoio à Dilma Rousseff erodiu, iniciou-se imediatamente uma caça ao petróleo, digna dos pioneiros texanos. Três craques saíram na frente tentando perfurar o primeiro poço: o presidente da Câmara Eduardo Cunha e os senadores José Serra e Renan Calheiros.

Serra e Calheiros acabaram se aliando em seus trabalhos pioneiros.

Nas votações de ontem conseguiram a adesão do governo com uma versão muito simples da estratégia do bode na sala.

Consistiu no seguinte.

A Petrobras, de fato, tem problemas imediatos para manter o ritmo de investimentos no pré-sal. Está com um alto grau de endividamento agravado pela queda nos preços do petróleo.

Serra apresentou um projeto que tirava da Petrobras a obrigatoriedade e a preferência de ficar com os 30% de cada exploração. Teve início as negociações, e a base aliada foi convencida de que, dando à Petrobras o direito de preferência, tudo estaria resolvido.

Ou seja, em cada leilão, a Petrobras terá direito de preferência sobre seus 30%. Só se abrir mão dele, o leilão será estendido às demais petroleiras.

Resolvido. A Petrobras optará apenas pelos campos que forem vantajosos e empurrará os demais para outras petroleiras — como sustentou Serra e outros senadores. Não explicaram por que petroleiras competentes aceitariam ficar com campos desinteressantes.

A questão central é que em 2018 haverá novas eleições presidenciais. E há enorme possibilidade de entrar um presidente que não tenha o pré-sal em suas prioridades.

Entrando, indicará uma nova diretoria da Petrobras. Para alijar a Petrobras do pré-sal, bastará a nova diretoria não exercer nenhum de seus direitos de preferência. Tudo de acordo com o projeto de lei aprovado ontem no Senado.

Luís Nassif
No GGN
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Ex-deputado Osmar Bertoldi (DEMo-PR) é preso em Balneário Camboriú

Osmar Bertoldi foi deputado no Paraná e é suplente de deputado federal.
Ele era procurado desde dezembro por ao menos 5 crimes contra ex-noiva.

Ele
O ex-deputado estadual Osmar Stuart Bertoldi (DEMo), que também é suplente de deputado federal, chegou a Curitiba no fim da tarde desta quinta-feira (25). Ele foi levado para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana da capital paranaense.



Osmar Bertoldi foi preso na noite de quarta (24) no Centro de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Segundo a Polícia Militar (PM), ele era procurado pela Justiça desde 1º de dezembro de 2015 por ao menos cinco crimes contra a ex-noiva. A prisão dele é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Contra ele havia um mandado de prisão preventiva pelos crimes de lesão corporal dolosa, constrangimento ilegal, ameaça, redução a condição análoga à de escravo e estupro.

Ele foi detido em uma ação da PM e da Polícia Federal (PF) enquanto caminhava em uma rua na praia de Balneário Camboriú, onde fica o apartamento em que estava hospedado em uma região de classe média alta da cidade.

Rotina de turista

Ainda conforme a PM, Bertoldi tinha uma rotina de turista na cidade, frequentando bons restaurantes e fazendo compras, até ser reconhecido e denunciado. A agressão registrada em agosto, segundo Tatiane Bittencourt, foi porque ela decidiu desmanchar o noivado.

A PM disse que Bertoldi foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) depois que a ex companheira relatou a série de agressões e o cárcere privado com a ajuda de três funcionários durante os cinco dias. Além disso, ainda de acordo com a polícia, ele teria oferecido uma quantia milionária para que a mulher não o denunciasse à Justiça.

À época da agressão, Tatiana divulgou na internet uma foto da agressão  (Foto: Arquivo pessoal )
Tatiane Bittecourt
'É um alívio', diz ex-noiva sobre prisão de político acusado de agressão


A ex-noiva de Osmar Stuart Bertoldi (DEMo), Tatiane Bittencourt, relatou que, apesar do medo constante das ameaças do ex-companheiro, se sente "aliviada" após a prisão.

"Desde que eu tomei coragem de fazer a denúncia, em agosto de 2015, fiquei muito assustada porque a pressão foi grande. A minha casa, inclusive, foi invadida do nada. Não duvido que isso tenha sido a mando dele. Graças a Deus eu não estava em casa, aliás, nem tenho ido para casa mais com medo de que aconteça alguma coisa", argumentou a ex-noiva, de 35 anos, que reside em Curitiba. O casal estava junto há aproximadamente dois anos.
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Pimenta empurra a PF contra a Globo e o FHC!

Vai encarar, zé da Justiça?

O organograma completo do esquema
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) enviará ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um organograma, que, segundo ele, revela as conexões de um esquema que envolve o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), as organizações Globo e as empresas Mossack Fonseca, companhia especializada em operações com offshores, e a Brasif, que ajudou FHC a enviar ao exterior recursos para a jornalista Mírian Dutra. No documento, o deputado pede ao ministro que a Polícia Federal investigue os citados.

Na denúncia, Pimenta questiona e, em suas palavras, “destrincha” a relação dos envolvidos. “Procuramos mostrar que existe uma conexão. Procuramos identificar benefícios que essas empresas possam ter obtidos de acordo com as relações”, disse nesta quinta-feira (25) em entrevista coletiva em Brasília.

“Em um escritório do Panamá, foram criados a Veine, uma outra empresa criada em parceria dos donos da Globo e uma de Paulo Roberto Costa [acusado de corrupção da Petrobras]. A mesma empresa utilizada por Paulo Roberto é usada pela família Marinho. No endereço de um consórcio da Veine aparece a empresa Brasif”.

Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, a mansão de praia construída ilegalmente em área de preservação ambiental em Paraty, da família Marinho, está em nome da empresa Agropecuária Veine.

A relação entre os envolvidos iria mais longe, informa o deputado, e inclui o escândalo da Fifa. “Um ex-presidente da Conmebol, que está preso, é investigado pelo FBI, é um dos diretores da Mossack. Como a TV Globo adquiriu os direitos de transmissão da Copa do Mundo? Queremos que as autoridades brasileiras investiguem. A investigação deve levar em conta 11 empresas que estão ligadas à Globo”, alertou Pimenta.

O Grupo Mossack Fonseca é investigado nos Estados Unidos por suspeita de lavagem de dinheiro e foi, no Brasil, antes da Lava Jato, na Operação Ararath.

Segundo reportagem da RBA (Rede Brasil Atual), a mansão dos Marinho é de propriedade de uma offshore, a Vaincre LLC, controlada pela mesma Murray Holdings LLC, que pertence à Mossack Fonseca.

Em 12 de fevereiro, o Viomundo, do Luiz Carlos Azenha, fez um  levantamento das ligações da Mossack Fonseca com a mansão dos Marinho em Paraty.

(http://www.viomundo.com.br/denuncias/nosso-investigador-na-pista-da-agropecuaria-que-controla-a-mansao-dos-marinho-em-paraty-socia-estrangeira-dela-fechou-em-nevada-14-dias-depois-de-deflagrada-a-lava-jato.html)

Globo, BNDES e o governo FHC

Na entrevista, Paulo Pimenta reforçou a suspeita de que um ex-diretor de jornalismo da Rede Globo, Alberico de Souza Cruz, teria recebido uma concessão em Minas Gerais por manter Mírian Dutra fora da TV.

Ele também vai pedir investigação sobre a denúncia de que a Globo foi beneficiada pelo BNDES no governo de FHC.

Por fim, o deputado agradeceu aos blogs Conversa Afiada, DCM, Tijolaço, Cafezinho e GGN pelas informações.

“Identificamos práticas de crimes e solicitamos as seguintes providências: investigação do patrimônio da Veine, os bens da família Marinho, da Brasif”, encerrou.

Alisson Matos, editor do CAf
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Folha corta e manipula "outro lado" do Instituto Lula

http://www.institutolula.org/folha-corta-e-manipula-outro-lado-do-instituto-lula

O jornal Folha de S. Paulo em sua edição desta quinta-feira (25), editou, tirou de contexto trechos e publicou parcialmente a nota enviada ao repórter Rubens Valente. O jornal cortou a informação mais importante, factual: o Instituto Lula não construiu nem sede, nem prédio neste século e funciona em uma casa adquirida em 1991. Após atribuírem erroneamente um sítio em Atibaia e um apartamento no Guarujá ao ex-presidente Lula, a imprensa insiste em inventar uma sede imaginária do Instituto Lula. Segue, para registro, a íntegra da mensagem enviada ao repórter e abaixo como a nota saiu na Folha.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

De: José Chrispiniano — Ass. de Imprensa — Instituto Lula <imprensa@institutolula.org> 
Data: 24 de fevereiro de 2016 19:20:02 BRT 
Para: Rubens Valente Soares <>

Assunto: Re: Folha de S Paulo — reportagem

Caro Rubens,

Reli a nota enviada para ti, e a coloco abaixo. Nem ela, nem a que está no site (http://www.institutolula.org/esclarecimentos-sobre-a-sede-do-instituto-lula) sugerem qualquer coisa. Você que sugere que ela sugere algo que ela não diz.  A nota simplesmente aponta fatos concretos, sem cogitações, sugestões ou suposições. O Instituto Lula foi criado em agosto de 2011 e não existia em 2010, o que é um fato público e noticiado. E a sede do Instituto Lula é um sobrado adquirido pelo IPET (antecessor do Instituto Cidadania e do Instituto Lula) em 1991, conhecido por muitos jornalistas, pelos mais experientes desde o século passado. Não há outra sede do Instituto. Não foi construído nenhum prédio.

Atenciosamente,

José Chrispiniano

O Instituto Lula (IL) foi fundado em agosto de 2011 na mesma casa onde antes funcionava o Instituto Cidadania, ao qual sucedeu, e antes desse o IPET (Instituto de Estudos e Pesquisas dos Trabalhadores). A sede fica em um sobrado adquirido em 1991. Em 2010, ano indicado na planilha, o Instituto Lula não existia ainda. Tanto o Instituto Lula, quanto o Instituto Cidadania não construíram nenhum prédio.

Como a Folha deu o "outro lado"

OUTRO LADO

Em nova nota encaminhada à Folha nesta quarta-feira (24), o Instituto Lula afirmou que não "sugeriu" que a Polícia Federal tenha cometido algum erro de datas ao analisar a planilha que mencionava o Instituto Lula vinculado ao ano de 2010.

Indagada sobre as notícias de 2010 que já diziam que a nova entidade liderada por Lula se chamaria Instituto Lula, a assessoria disse que "a nota simplesmente aponta fatos concretos, sem cogitações, sugestões ou suposições. O Instituto Lula foi criado em agosto de 2011 e não existia em 2010, o que é um fato público e noticiado".

Por três vezes desde segunda a Folha indagou ao instituto se houve em 2010 alguma cogitação para obtenção ou construção de uma sede para o futuro Instituto Lula, mas a assessoria não respondeu.
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Renan diz a vice-presidente da Argentina que Brasil precisa de uma virada à la Macri

Visita protocolar e diplomática de vice-presidente argentina se transformou em desabafo de Renan

Em conversa privada, Renan desabafa e espera “efeito Orloff” contra PT

Senador disse a vice-presidente argentina que Brasil precisa de uma virada à la Macri

A visita da vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nesta terça-feira (23), tinha todos os contornos para ser protocolar e diplomática. Mas a audiência acabou servindo para Renan, sempre esquivo em seus posicionamentos políticos, expressar sua torcida pelo fim da era petista no Brasil.

“Estamos acompanhando com muito interesse para que aqui também aconteça o que está acontecendo na Argentina”, desabafou Renan Calheiros, surpreendendo aos senadores brasileiros habituados aos gestos de salvação do governo Dilma Rousseff.

A declaração do senador peemedebista, baseada no jargão publicitário da vodca Orloff (“eu sou você amanhã”) acabou também por animar a vice-presidente argentina, que se empolgou com o estímulo e respondeu ao desabafo, complementando o raciocínio: “Na Argentina precisamos por fim ao populismo que provocou uma reação anestesiadora no país”.

A eleição do liberal e empresário Maurício Macri na Argentina por meio de uma coligação de centro-direita pôs fim a 12 anos de supremacia do Kirchnerismo no país. Muitos analistas enxergaram na eleição Argentina o mesmo processo que poderá ocorrer em relação ao petismo no Brasil.

Desabafos política à parte, o resultado concreto da visita diplomática foi a criação de uma comissão entre os dois parlamentos, com deputados e senadores dos dois países, para elaborar e discutir temas da relação bilateral.

Eduardo Miranda 
Do Jornal do Brasil
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Manual do perfeito midiota - 11

O que mudou é que a mídia tradicional, que tinha entrado de cabeça na campanha eleitoral de 2010, ainda estava digerindo a derrota nas urnas


Vamos fazer um teste de midiotice?

Apanhemos um exemplar qualquer na pilha de jornais destinada à higiene do cachorro.

Então, temos em mãos a edição do Estado de S. Paulo da sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016. Diz a manchete: “Governo adia corte e agrava temor sobre política fiscal”.

Você comprou e levou a notícia pelo valor de face, certo? Afinal, você está convencido de que o Brasil só vai para a frente se o governo reduzir seus gastos.

Vejamos: a manchete se divide em dois tópicos — um deles, informação oficial, diz que o governo deixou para março a decisão sobre cortes no orçamento porque, em vez de simplesmente sair podando, encomendou à equipe econômica uma proposta mais ampla de reforma fiscal.

O outro tópico diz o seguinte: “(…e agrava temor sobre política fiscal)” — o que não é, sob nenhum critério aceitável, uma informação objetiva, pois o jornal não teve tempo de fazer uma pesquisa para chegar a essa conclusão.

Agrava temor de quem? — Do mercado, diz o texto. Mas quem é  “o mercado”? — Meia dúzia de três ou dois analistas de fundos de investimento que estão na agenda do repórter e de quem o jornalista fila uma boia de vez em quando.

Quer ver que coisa interessante? — Em 23 de fevereiro de 2011, a  presidente Dilma Rousseff, iniciando seu primeiro mandato, tomou decisão semelhante. E os analistas escolhidos pelos jornais aprovaram o adiamento dos cortes, porque consideravam normal diante da perspectiva de um “aperto fiscal”.

Sabe o que mais? — Governadores e parlamentares pressionavam a presidente para que ela recriasse a CPMF, mas ela rejeitava a proposta.

O que é que mudou?

O que mudou é que a mídia tradicional, que tinha entrado de cabeça na  campanha eleitoral de 2010, ainda estava digerindo a derrota nas urnas.

Passado o primeiro mandato, as empresas de comunicação engasgaram com a nova derrota e deram partida a uma aventura golpista no dia da posse.

Mas isso é outra história.

Voltemos à manchete citada: Você acha que o “mercado” deve ser o principal paradigma para a avaliação de decisões do governo no campo econômico?

Você, por exemplo, é “o mercado”? — Se não é, por que veste a camisa dessa entidade fantasmagórica que define a agenda da imprensa hegemônica?

Resposta: porque você é um midiota a caminho da perfeição.

Outra pauta: você soube da denúncia de uma ex-jornalista da TV Globo contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? A ex-repórter Mírian Dutra botou a boca no mundo, primeiro na publicação espanhola brazilcomz.com, e depois na Folha de S.Paulo, declarando, entre outras barbaridades, que FHC, suposto pai do seu filho, pagava suas despesas no exterior por meio de um contrato fictício de trabalho com uma empresa que explorava lojas em aeroportos brasileiros e tinha outros negócios com o setor público.

A história é saborosa. Seria uma fofoca das boas, quase um roteiro de novela mexicana, não fosse o seguinte detalhe: a empresa Brasif, cujo dono admite ter feito a intermediação, ganhou durante o governo FHC o direito de explorar o comércio isento de IPI e do Imposto de Importação no sistema free-shop. Ganhou, porque nos aeroportos de São Paulo, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza ela não teve concorrentes.

Consegue fazer a conexão?

Agora compare esse escândalo com as sucessivas manchetes sobre o bote de alumínio da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva.

Entendeu como a salsicha é feita?

Para ler: Abrindo o bico, entrevista de Mirian Dutra à revista BrazilcomZ.

Para ler: Pulando a cerca, entrevista à colunista Mônica Bergamo.

Luciano Martins Costa, jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”
No GGN
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O que está por trás da demissão do diretor da Veja

Uma obra indecente: o legado de Eurípides
Muito pouco, muito tarde.

A remoção do diretor da Veja Eurípides Alcântara chegou com anos de atraso, e a rigor não significa quase nada exceto o desespero da Editora Abril.

É como um time de futebol que troca o técnico diante da ameaça do rebaixamento.

O novo diretor, André Petry, embora com uma longa passagem pela Veja no passado, é menos comprometido com o jornalismo criminoso adotado pela revista na Era PT.

Para mudar alguma coisa verdadeiramente você teria que mudar os donos da Abril, os Civitas.

E mesmo assim seria virtualmente impossível reconquistar a credibilidade destruída semana após semana. Recuperar a credibilidade jornalística é como recuperar a virgindade.

Há aspectos financeiros e comerciais no movimento. A Veja de 2016 não tem mais nenhuma condição de pagar o salário de um diretor como Eurípides, promovido nos dias de fausto da Abril.

Também deve ser considerada a esperança de voltar a receber dinheiro do governo mediante publicidade. Depois da capa indecente pró-Aécio no fim de semana da eleição, o Planalto, com fabuloso atraso, parou de anunciar na Veja e na Abril.

Nenhuma empresa jornalística brasileira sobrevive sem o governo, tanto mais na Era Digital. É uma dependência visceral, coisa de bebê com mãe.

Recentemente, um representante da Abril foi a Brasília pedir — suplicar — pelo retorno das verbas suprimidas. A missão foi um fracasso, naturalmente. Como dar dinheiro a uma revista e a uma empresa tão empenhadas num golpe a qualquer preço?

É presumível que a Abril retorne em breve a Brasília para mais uma vez mendigar recursos públicos, mas agora com um “fato novo”, um gesto de boa vontade.

Para que haja alguma chance, por absurdo que seja dar nova oportunidade a uma empresa com uma folha de crimes de tal monta, a Veja teria que ser reinventada imediatamente.

Aí começam os problemas.

O que você faz com os leitores de hoje, que se habituaram a um jornalismo primitivo, manipulador, sob medida para analfabetos políticos ávidos por bater panelas, ir para a Paulista embalados em camisas da seleção e pedir coisas como a volta do regime militar?

O que você faz com símbolos editoriais de tudo isso, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes?

Há um toque de comédia em tudo isso. Eurípides vivia, pelas páginas da revista, anunciando a queda de Dilma.

Mas quem caiu foi ele.

Foi, de longe, o pior diretor da Veja. Se ele poderia atribuir a Roberto Civita a linha abjeta da revista, depois da morte do patrão essa desculpa deixou de existir.

Fora um editor inepto e mal-intencionado Eurípides será lembrado como o pai do boimate, a mistura de boi e tomate que a Veja publicou nos anos 1980 ao tomar como verdade uma piada de Primeiro de Abril de uma revista científica americana.

Foi ele que editou essa aberração.

O historiador e colunista britânico Paul Johnson disse que não há nada mais morto que um editor aposentado.

Há sim:  um ex-editor canalha.

Paulo Nogueira
No DCM
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Escândalo FHC bate recorde e desaparece da mídia mais rápido que terço de Aécio em Furnas


O escândalo envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, denunciado pela jornalista Míriam Dutra, ficou menos tempo em destaque na imprensa brasileira que o suposto envolvimento de Aécio Neves no desvio de recursos de Furnas.

Aécio ficou cerca de 16 horas na mídia, enquanto FHC apenas 12. Especialistas em mídia indicam um fenômeno peculiar encontrados em filiados do PSDB.

“É um terço para Dilma, um terço para Lula e um terço para o PT”, disse um diretor do Jornal Nacional sobre o tempo destinado aos escândalos que vão ao ar no telejornal.

No Sensacionalismo
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Presidente da Abril e diretor de redação da Veja são demitidos

euripedes

Eurípedes Alcântara está deixando a direção de redação da “Veja”. Ele foi responsável por capas polêmicas da revista, como a que vestiu o ex-presidente Lula como presidiário. Já o comando da Editora Abril passa para as mãos do executivo Walter Longo


Depois de 11 anos, Eurípedes Alcântara está deixando a direção de redação da “Veja”. Ele foi responsável por capas polêmicas da revista, como a que vestiu o ex-presidente Lula como presidiário. Quem assume o posto é André Petry, que tem uma visão de mundo menos conservadora que seu antecessor. Petry foi chefe da sucursal de Brasília, correspondente em Nova Iorque e trabalha há mais de duas décadas na editora. Alcântara está em negociação para saber se será mantido na empresa.

O comando da Editora Abril também passou por mudanças. O novo presidente será o executivo Walter Longo, que dividia com o publicitário Roberto Justus a direção do Grupo Newcomm e esteve à frente da agência Grey Brasil. O cargo estava vago desde a saída de Fábio Barbosa, em março do ano passado. E, desde então, vinha sendo ocupado interinamente por Giancarlo Civita.
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Ao fazer acordo com PSDB, Dilma entregou anéis para salvar dedos. Mas...


O Senado aprovou na noite desta quarta-feira, substitutivo do senador Jucá ao projeto de José Serra que abre o pré-sal à exploração estrangeira.

José Serra conseguiu o que queria, honrando assim o compromisso assumido com a Chevron — segundo vazamento do WikiLeaks.

Já a presidenta Dilma pode vir a perder bem mais que os tais anéis que ela entregou na negociação do substitutivo, teoricamente para salvar os dedos.

Pelo que foi aprovado, o poder decisório passa para o Conselho Nacional de Política Energética, subordinado à Presidência da República.

Se o Conselho decidir que tais e tais áreas devam ser exploradas, a Petrobras tem a preferência. Não mais a exclusividade. Se não puder exercê-la no momento, Chevron. Shell, BP... elas farão esse "sacrifício" por ela.

Portanto, entre as petroleiras gringas (e por trás e acima delas os Estados Unidos) e nosso pré-sal está agora apenas o CNPE, subordinado à Presidência da República — no caso, a presidenta Dilma.

Se ela ainda defende o pré-sal para a Educação,  como dizia (a esta altura eu já não garanto nada), Dilma passa a ser o último obstáculo a ser eliminado.

E o impeachment volta com toda a força, para entregar a presidência ao PSDB (qualquer um deles) e o pré-sal aos EUA.

Por isso, a luta continua. O projeto tem que ser derrotado na Câmara. Ou  ao menos, modificado  para voltar novamente ao Senado, quando será mais factível enterrá-lo de vez.


Antonio Mello
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Para entender a aprovação do projeto do pré-sal no Senado


O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (24) o projeto de lei que acaba com a participação obrigatória da Petrobras na exploração dos campos do pré-sal. O texto, que agora será votado na Câmara,  estabelece que a estatal terá a prerrogativa de escolher se quer ser operadora do campo ou se prefere se abster da exploração mínima de 30% a que a lei a obriga atualmente.

“Hoje, a lei obriga a Petrobras a participar de algo que ela não quer e isso puxa o processo para baixo”, explicou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi escolhido relator ad hoc (substituto) do projeto porque o relator titular, senador Ricardo Ferraço (Sem Partido – ES), está em viagem oficial.

O parecer aprovado é um substitutivo ao projeto original do senador José Serra (PSDB-SP) que propunha o fim da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal, mas não dava a ela a prioridade sobre os campos. Pelo substitutivo, caberá ao Conselho Nacional de Política Energética oferecer à Petrobras a exploração mínima de 30% em cada campo e a empresa se manifestará se aceita ou não a responsabilidade.

Para quem não entendeu o que aconteceu ontem no Senado com a aprovação do Projeto do Serra relativo ao Pré Sal, aqui vai um resumo da ópera:

1 — O PMDB, na sua grande maioria fechou apoio ao projeto do Serra que abre mão da obrigatoriedade da Petrobras em 30% da exploração dos campos do Pré-Sal abrindo a possibilidade de 100% desses campos serem explorados por outras empresas.

2 — Fato é que o governo, sem apoio da maioria do PMDB não aprova nem rejeita nada no Senado.

3 — Diante da aprovação iminente, o governo propõe mudanças no texto, em acordo de última hora, afim de não jogar o bebê junto com a água. As mudanças foram aceitas pelo PMDB e novo texto foi levado à votação.

Avaliar como certo, ou errado, esse pragmatismo político da presidenta Dilma (que, em última análise, todos sabemos ser quem mais entende de Petrobras no governo), todos estão no direito. Apenas não é correto qualificá-lo como cooperador. Diante do terror do projeto inicial, o regime de partilha foi preservado e o direito da prerrogativa da Petrobras na exploração dos campos do Pré Sal, também. E isso graças à habilidade de negociação de Dilma, diante da derrota certa de sua bancada na votação. Mais uma vez ela age como nosso Davi no meio de Gigantes esfaimados.

Eduarda Mendes






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Mistério

Não faz muito, dizia-se que o melhor negócio do mundo era uma companhia de petróleo bem administrada e o segundo melhor uma companhia de petróleo mal administrada. Hoje, nenhuma companhia de petróleo, bem ou mal administrada, precisa ser uma Petrobrás para se sentir roubada: os preços do sangue negro do planeta não param de cair. Outras commodities de prestígio, como o minério de ferro, também perdem mercado e valor. Está tudo de pernas pro ar, mas o caso do petróleo em baixa é o mais intrigante. É cada vez maior o número de carros queimando gasolina nas ruas do mundo, a questão não é de menos demanda. Fala-se que a desvalorização do petróleo é uma manobra do Ocidente para acabar com a chantagem política dos produtores do Oriente Médio, ainda mais agora que a produção de óleo nos Estados Unidos quase supre o mercado doméstico. De qualquer maneira, não deixa de ser divertido ver uma Arábia Saudita subitamente com problemas de orçamento, em cima de toda aquela riqueza subterrânea tornada hipotética.

Mas, como diz a canção, até as nuvens mais negras têm uma auréola de prata. O ocaso das commodities corresponde a um aumento na produção de celulares e outros efeitos da mudança de hábitos da humanidade, na era da comunicação instantânea e da padronização internacional do consumo. Quando uns perdem outros ganham. Me lembrei do que diziam da Alemanha antes da ascensão do nazismo. A inflação descontrolada na República de Weimar era tamanha que as fraus tinham que ir à feira levando o dinheiro em carrinhos de mão. A economia estava em ruínas, havia miséria e desesperança por todo lado e nenhuma perspectiva de melhora — a não ser por um setor, que prosperava enquanto os outros penavam. Que milagre era aquele? Que gênios conseguiam sobreviver em meio à derrocada? Foram investigar e descobriram que a exceção à penúria geral era a indústria de carrinhos de mão.

Especulava-se sobre o tamanho das reservas de combustível fóssil no mundo, o que estimulava o desenvolvimento de alternativas renováveis e de outras fontes de energia, como o sol e o vento. Tudo no pressuposto de reservas minguantes de petróleo, o que justificava o preço alto. O que justifica os atuais preços baixos, se não é a política é um mistério. Ou eu é que não estou entendendo mais nada.

Papo vovô

Não gosto de cortar as unhas do pé. (Pronto, achei que você deveria ter esta informação.) Deixo cortarem minhas unhas regularmente em respeito à saúde pública, mas sob protestos. A Lucinda, nossa neta de 7 anos, acompanha algumas dessas sessões de tortura, e de outras apenas quer saber: “Foi com fiasco ou sem fiasco?”.

Luís Fernando Veríssimo
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Efeitos secundários

Um mistério, mas nem tanto. O juiz Sérgio Moro expôs por escrito, os procuradores falaram à vontade, representantes da Polícia Federal falaram também, mas ninguém disse o essencial para dar sentido a essa operação 23 da Lava Jato: por que, afinal de contas, o marqueteiro João Santana "recebeu propina" US$ 3 milhões da Odebrecht, se nada tem a ver com intermediação de contratos da Petrobras, nem se sabe de outras atividades suas que expliquem comissões da empreiteira?

Também não há, nas tantas palavras daquelas vozes da Lava Jato, nenhum indício, consistente ou não, de que o dinheiro da Odebrecht no exterior seja proveniente da Petrobras, como "desconfiam". Nem que tenha qualquer relação com campanha no Brasil.

A falta até de mínima sustentação das exposições de Sérgio Moro, no próprio decreto de prisão de Santana e Mônica, como nas falas dos procuradores e policiais é nada menos do que escandalosa. Ou deveria sê-lo.

O jornalista Fernando Molica levantou, para sua coluna no carioca "O Dia", o uso de determinadas palavras no decreto de prisão do casal. Sérgio Moro diz ser algo "possível" 19 vezes. "Já 'possivelmente' foi escrita em 3 ocasiões, 'provável' em 5. Moro utilizou alguns verbos no futuro do pretérito: 'seria' aparece 14 vezes; 'tentar/tentariam' merecem 16 aparições".

Ou seja, o piso do decreto de Moro é o texto das vaguidões, das inexistências e dos pretendidos ilusionismos.

Anterior por poucos dias, o outro caso gritante na última semana fez Hélio Schwartsman considerar cabível a hipótese de que, suscitada em momento de ataque mais agudo a Lula, a história de Fernando Henrique com Mírian Dutra emergisse como um chamariz das atenções. Em tal limite, e sem ameaçar suas veracidades, a hipótese é admissível. E, por força, desdobra-se em outra.

Ainda que Sérgio Moro, os procuradores e a PF dispusessem de elementos convincentes para a prisão de Santana e Mônica, seria preciso fazê-la com a urgência aplicada? Nenhum fato a justificou. O risco de fuga era zero, já estando ambos no exterior. Mas o problemático assunto das remessas e contas externas de Fernando Henrique foi sufocado com mais facilidade. Não que se pudesse esperar um tal assunto levado a sério: a Procuradoria Geral da República, os procuradores e a Polícia Federal não foram capazes de emitir, dirigida à população como devido, sequer uma palavra a respeito. Mas sempre poderia ocorrer algum desdobramento a exigir mais para sufocá-lo.

Além disso, a oportunidade foi perfeita para o fato consumado de ampliar o alcance de Sérgio Moro e da Lava Jato, apesar da duvidosa legalidade do novo alcance. O âmbito legal das ações de Moro e da Lava Jato não inclui eleição, campanhas, Santana, e atividades das empreiteiras fora do sistema Petrobras. Extendê-lo já foi tentado, mas o Supremo Tribunal Federal barrou-o. Mas é por aqui que se pode entender o serviço prestado por tanto "possível" e "possivelmente" e "seria": misturam o marqueteiro com dinheiro da Petrobras. E com as campanhas de Lula e de Dilma, que assim são postas na jurisdição das ações da Lava Jato e de seu poderoso juiz.

Sérgio Moro, os procuradores e policiais federais falaram muito sem dizer o essencial. Mas já se entende parte dele.

Fantasmas

Não tenho apreço por João Santana. Sua demissão da campanha eleitoral na República Dominicana me parece positiva para os dominicanos. Com isso, porém, a funcionária fantasma de José Serra pode voltar, também, a Brasília. Para ganhar outra vez, que tristeza, só como fantasma do Senado. Um efeito secundário da ação de Sérgio Moro.

Janio de Freitas
No fAlha
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