23 de fev de 2016

PT e PC do B pedem que PF investigue supostos crimes de FHC


Segue a íntegra do requerimento encaminhado hoje (23) ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, por deputados do PT e do PCdoB, para que seja aberta investigação sobre eventuais crimes cometidos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (tais como evasão de divisas, corrupção passiva e crime contra a ordem tributária), com base no que foi divulgado pela ex-amante dele, Mírian Dutra.

O ministro encaminhará o pedido para a direção-geral da Polícia Federal.

O documento é assinado pelo líder do PT, Afonso Florence (BA) e os deputados petistas Bohn Gass (RS), Chico D’Ángelo (RJ), Jorge Solla (BA), Henrique Fontana (RS), Moema Gramacho (BA) , Paulo Pimenta (RS), Vicente Cândido (SP), Wadih Damous (RJ), além do vice-líder do PCdoB na Câmara, Rubens Pereira Jr (MA):

Ao Dr.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO

Exmo. Ministro de Estado da Justiça

Ministério da Justiça

Esplanada dos Ministérios, Palácio da Justiça

Senhor Ministro,

Cumprimentando-o, dirijo-me a Vossa Excelência com o objetivo de relatar alguns fatos, recentemente divulgados, a respeito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, ao final, requerer providências.

Em entrevista divulgada no jornal Folha de S. Paulo, em 18.02.2016, a jornalista Mírian Dutra Schmidt afirmou o seguinte:
“E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo, que ele, por meio de uma empresa, mandava dinheiro para mim.

Que empresa?

Não sei se posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou.

Você não quer nominar, mas tem como provar? Algum Recibo?

Tenho. Tenho contrato. Tudo guardado aqui. É muito sério. Por que ninguém nunca investigou isso? Por que ninguém nunca investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora?

Contas?

Claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de € 200 mil para o filho que ele agora diz que não é dele? Ele deu um apartamento para o Tomás.

Gostaria de voltar à empresa. Como foi esse acerto para você receber esse dinheiro?

O ex-marido da minha irmã, o Fernando Lemos (morto em 2012), era o maior lobista de Brasília e era ele quem conseguia tudo. Eu sempre fui muito ingênua nessas coisas. Eu não devia nada a ninguém, por que eu ficaria cheia de pecados e pruridos? Eles fizeram contrato comigo como se eu fosse funcionária deles (da empresa), só que eles nunca me permitiram trabalhar e aí eu ganhava.

Isso acabou quando?

Dois anos depois que ele saiu do governo.
No mesmo jornal Folha de S. Paulo, em 17.02.2016, Mírian revelou o nome da empresa que teria sido utilizada por Fernando Henrique Cardoso para realizar transferências de recursos ao exterior:
Ele me contou que depositou US$ 100 mil na conta da Brasif no exterior, para a empresa fazer o contrato e ir me pagando por mês, como um contrato normal. O dinheiro não saiu dos cofres da Brasif e sim do bolso do FHC.
Entrevistado, o dono da Brasif, Jonas Barcelos admitiu o acerto:
Tem alguma coisa mesmo sim. Eu só não sei se era contrato. Vou fazer um levantamento na empresa para esclarecer tudo.
Em outra matéria, publicada no site Consultor Jurídico no ano de 2000 e repercutida nos últimos dias por vários sites da internet, com título Fazenda da família de FHC, em Buritis, já custou 20 dólares, traz o seguinte conteúdo:
A fazenda Córrego da Ponte, cenário do confronto entre o presidente da República e o governador de Minas, já custou 20 dólares.

Pelo menos é o que consta do Registro Geral de Imóveis de Unaí (MG), onde se informa que o imóvel pertence à Agropecuária Córrego da Ponte Ltda, cujos sócios são Jovelino Carvalho Mineiro Filho, Luciana e Beatriz Cardoso.

A fazenda que está sendo protegida pelo Exército, foi comprada por FHC e seu sócio, Sérgio Motta (ex-ministro das comunicações), segundo o cartório, por 2 mil dólares, e, em seguida, foi vendida para uma empresa deles por 20 dólares.

O proprietário anterior a FHC adquiriu as terras, em 1981, por 140 mil dólares.

Diante da curiosa transação, FHC alegou que a fazenda havia sido comprada, na realidade, por 50 mil dólares e que o negócio havia sido registrado em um ‘contrato particular’.

Em 1994, os dois sócios afirmaram que o valor atualizado da fazenda era 400 mil dólares.
O site Tijolaço, reproduziu a matéria da Conjur com o título “A história da incrível fazenda de 20 dólares de FHC, seu aeroporto e a beleza que ficou”. Da mesma forma o portal Brasil 247, em matéria publicada em 10.06.2015 com o título “Nota de FHC sobre Paris revela o polêmico Jovelino”, reproduz parte do texto publicado no Consultor Jurídico e faz menção a imóvel situado em Paris, que pertenceria ao ex-presidente Fernando Henrique.

Sobre este tema, o jornalista Janio de Freitas, publicou, em 12.01.2003, artigo no jornal Folha de S. Paulo com o título “O Endereço”:
“Moradores íntimos de Paris por longos períodos, mas não só por vontade própria, consta que nela nada restringe a franqueza.

Se alguém na conversa desconhecia a peculiaridade, ali testemunhou um motivo para não esquecê-la:

– Pois é, mas nós sabemos do apartamento que Sérgio Motta e você compraram na Avenue Foch.

Congelamento total dos convivas. Fernando Henrique é quem o quebra, afinal. Apenas para se levantar e afastar-se.

Cara fechada, lívido, nenhuma resposta verbal.

A bela Avenue Foch, seus imensos apartamentos entre os preços mais altos do mundo, luxo predileto dos embaixadores de países subdesenvolvidos, refúgio certo dos Idi Amim Dada, dos Bokassa, dos Farouk e, ainda, de velhos aristocratas europeus.

Avenue Foch, onde a família Fernando Henrique Cardoso está instalada.
No apartamento emprestado, é a informação posta no noticiário, pelo amigo que passou a figurar na sociedade da fazenda também comprada por Sérgio Motta e Fernando Henrique Cardoso, em Buritis.

As matérias mencionadas levantam dúvidas quanto a conduta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e devem, por este motivo, ser apuradas.

A jornalista Mírian Dutra Schmidt, autora das denúncias possuía, é notório, relações íntimas com o ex-presidente o que potencializa a veracidade dos fatos relatados.

Não se trata, por óbvio, de adentrar na intimidade da vida amorosa do ex-presidente, no entanto, os fatos relatados podem ser tipificados como crime de evasão de divisas, corrupção passiva e crime contra a ordem tributária, o que torna inafastável a atuação de sua excelência, através de pedido de abertura de inquérito ao Departamento de Polícia Federal, acerca dos fatos aqui narrados.

Atenciosamente,


Da assessoria de imprensa da Liderança do PT na Câmara dos Deputados
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MPF reconhece incompetência de Moro para julgar fatos da Lava Jato


Há mais de dois anos, tudo o que se desenvolve no âmbito da 13ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Curitiba é noticiado como sendo decorrente da Operação Lava Jato.

Em realidade, no início dessa megaoperação, existiam quatro investigações paralelas — com nomes distintos —, cujo foco eram quatro supostos doleiros. Eram elas: Operação Bidione (investigado principal Alberto Youssef), Operação Dolce Vita (investigada principal Nelma Kodama), Operação Casablanca (investigado principal Raul Srour) e Operação Lava Jato (investigado principal Carlos Habib Chater).

Oportuno ressaltar que das supostas atividades delituosas desenvolvidas nestes quatro núcleos investigativos, apenas aquelas relativas à Alberto Youssef se passavam no Estado do Paraná. As demais atividades eram desenvolvidas em Brasília/DF e São Paulo/SP, sendo bastante duvidosa a existência de conexão ou continência entre elas, aptas a ensejar a reunião da investigação e do futuro e eventual processo parente um juízo único.

A propósito, tratando-se a conexão e a continência (arts. 76 e 77, do CPP) de causas de modificação de competência — e portanto, de exceção ao princípio do juiz natural —, suas regras devem ser interpretadas de forma restritiva.

Em outros termos, a conexão e continência devem estar demonstradas — e não apenas supostas — para que efetivamente se determine a formação do simultaneus processus. Caso contrário, havendo dúvida sobre a existência de causas conexas ou continentes, os casos penais devem ser investigados e processados separadamente, cada qual em seu juiz natural.

É por esta razão que o STJ somente reconhece a modificação de competência quando “evidenciada a conexão entre os crimes” (STJ – CC 114.841, Rel. Min. Gilson Dipp, DJe 17.8.2011). Ou seja, a conexão deve ser reconhecida quando for cristalina: “as provas encontram-se entrelaçadas e as infrações apresentam claro liame circunstancial, incidindo a regra inscrita no art. 76 do Código de Processo Penal.” – g.n. – (STJ – CC 125.503, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira, DJe 30.8.2013)

Não é outra a solução adotada no direito comparado, que somente entende admissível o reconhecimento da conexão quando o vínculo seja cabalmente demonstrado e — mais! — a reunião de processos/inquéritos seja necessária e não apenas possível:
“El nexo de unión: En todos estos casos aparece un material histórico que si bien no es simple, puede reducírselo procesalmente a una unidad, y aquí se descubre el objetivo de la competencia por conexión.

Pero planteados en esta forma los diversos casos, no se presenta con toda la precisión la conexidad; es necesario que efectivamente exista el vínculo de unión entre los diversos sujetos o hechos. Para descubrirlo debemos remontarnos a las causas generadoras de los hechos y averiguar si no obstante la diversidad de personas y de acciones con variaciones en el tiempo y en el espacio, hay algún lazo que los une entre sí en forma que no sea sólo posible sino también necesaria la unificación de procedimientos. De otra manera no tendría objeto el apartamiento de las reglas generales y se crearía un sistema ilógico, perturbador de le administración de justicia.” (OLMEDO, 1945, p. 133) – g.n. –
Tudo o que se afirma serve de pano de fundo para concluir que no início da investigação dos fatos decorrentes das quatro operações inicialmente mencionadas (Casablanca, Dolce Vita, Bidione e Lava Jato) não havia liame concreto entre os fatos e os investigados que permitisse a reunião das investigações.

A propósito, essa questão foi reconhecida expressamente pelo Ministério Público Federal, que antes mesmo de oferecer denúncia em relação aos investigados na Operação Casablanca, reconheceu expressamente a incompetência territorial do Juiz Sérgio Moro (confira o parecer aqui), que ignorou a questão a até hoje segue competente para este caso penal.

Vale transcrever alguns trechos do parecer do MPF:
“Chama a atenção o fato de que todas as medidas de busca e apreensão ocorrerão em endereços situados no estado de São Paulo. Isso não ocorre à toa. Da investigação se infere que, se há crimes sendo praticados pelas pessoas físicas acima arroladas, esses crimes se estão consumando no estado de São Paulo. Se há operação sem autorização de instituição financeira (art. 16, da Lei 7.492/86), evasão de divisas (art. 22 da Lei 7.492/86) e lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/98), tudo isso vem ocorrendo no estado de São Paulo, por meio de pessoas físicas e jurídicas com domicílios no estado de São Paulo. Não há um só endereço situado na área de Seção Judiciária Federal do Paraná. Não há notícia de qualquer crime praticado pelo grupo criminoso no Paraná.

(…) No presente caso, em que se caminha para o fim da investigação, já se percebe que os crimes investigados nos autos (…) vêm sendo praticados no estado de São Paulo. Este é o momento, portanto, de se analisar mais detidamente se esse Juízo é ou não competente territorialmente para a possível ação penal.

(…) [o encontro fortuito de provas], contudo, não implica que a competência para o caso fortuitamente encontrado seja do Juízo que autorizou a interceptação telefônica que resultou no encontro fortuito (…).

(…) Os autos mostram que os crimes aqui investigados vêm sendo praticados todos no estado de São Paulo, então é na Seção Judiciária Federal de São Paulo que devem os crimes ser processados (…).

Não se verificar conexão ou continência necessária. Esse mesmo Juízo já reconheceu que as atividades do suposto grupo criminoso comandado por Raul Srour se desenvolvem de forma independente e não subordinada [autos 5047968-84.2013.404.7000, evento 3]. As atividades desse grupo podem ser provadas de maneira separada, sem que seja necessário recorrer às provas das atividades do grupo criminoso comandado por Nelma Kodama, tanto que foram instaurados autos apartados [autos 5049747-74.2013.404.7000] de interceptação telefônica e telemática específicos para as atividades do grupo criminoso comandado por Raul Srour. Também não há risco de decisões contraditórias, pois a prova da operação não autorizada de instituição financeira pelo grupo comandado por Raul Srour pode ser produzida e analisada de maneira autônoma, como tem ocorrido no final da investigação.

Ainda que houvesse conexão, este é o caso certo para a aplicação do art. 80 do CPP (…)

É interessante prever que, se todos as pessoas físicas e jurídicas investigadas têm domicílio no estado de São Paulo, e todas as provas nesse estado federado estão, então toda a instrução processual terá grande prejuízo, se realizada em Curitiba-PR (…). Não parece convir ao interesse público esse tipo de situação. (…).

(…) Observe-se que, se se considerar que há conexão pelo fato de na interceptação telefônica ou telemática um doleiro, atuante na cidade X, entrar em contato com outro doleiro, atuante na cidade Y, para efetuar alguma troca ou compensação de confiança no sistema dólar-cabo, então bastaria que o Juízo autorizador da interceptação deferisse prorrogações sucessivas da interceptação dos dois doleiros que por certo identificaria mais e mais doleiros e seria responsável, esse único Juízo, pelo processo e julgamento de todos os crimes de operação não autorizada da instituição financeira do Brasil envolvendo dólar-cabo, já que é próprio do sistema dólar-cabo o contato frequente entre doleiros (…) para trocas, compensações ou negócios informais.

(…)
A circunstância de os fatos supostamente delituosos haverem sido descobertos no mesmo procedimento investigatório (interceptação telefônica e telemática, por exemplo) não implica conexão entre eles, nem unidade de processo e julgamento.”
Uma palavra final: na qualidade de defensor do acusado Raul, espera-se sinceramente que o Tribunal Regional Federal, o Superior Tribunal de Justiça ou o Supremo Tribunal Federal cumpram a Constituição — notadamente no que se refere ao Juiz Natural — e reconheçam a incompetência territorial do juiz Sérgio Moro em relação a essa fatia da “Operação Lava Jato”. Afinal, não há, no Brasil — ainda que alguns queiram —, juiz com jurisdição universal!


REFERÊNCIAS
OLMEDO, Jorge A. Clariá. Competencia penal en la Republica Argentina. Buenas Aires: Deplama, 1945, p. 133.
http://jornalggn.com.br/noticia/pf-diz-que-nao-ha-irregularidades-em-campanhas-do-pt-feitas-por-santana

Bruno Milanez
Do Canal Ciências Criminais
No ValePensar
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Moro e a exploração da ingenuidade imperial


É irreal o grau de ingenuidade de setores do PT e do governo, aliviados com as informações que constam nos documentos que embasaram a Operação Acarajé, de que não há nenhuma evidência de que o marqueteiro João Santana tenha recebido dinheiro ilegal para as campanhas de Lula e Dilma.

Então, o juiz Sérgio Moro teria autorizado a prisão de Santana por suspeita de financiamento oculto para as campanhas presidenciais na República Dominicana?

É evidente que o objetivo de Sérgio Moro é derrubar o governo. É evidente que Moro está alinhado à oposição e à estratégia de Gilmar Mendes no TSE (Tribunal Superior eleitoral).

Pessoas minimamente antenadas teriam percebido desde o início a estratégia de Moro — porque é óbvia, pouco sutil. É impressionante, no entanto, a facilidade com que iludiu seus principais alvos, a presidente Dilma Rousseff e seu conselheiro-mor, o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Há duas lógicas na Lava Jato: uma, a lógica político-midiática, de criar o clima para o golpe final; e a lógica jurídica.

Juízes só julgam sobre o que está nos autos. Pode-se fazer a campanha política mais radical, mais evidente, desde que não conste dos autos. Constando dos autos, assim que os processos saírem do Paraná os tribunais superiores poderão reconhecer a parcialidade do juiz e a intenção política da Lava Jato.

A estratégia da Lava Jato foi simples. De posse das informações levantadas, com o poder de editar como bem entendesse, já que aliada à mídia, a Lava Jato direcionou todas as investigações para o lado de Lula e alimentou a mais pertinaz campanha de desconstrução da imagem de uma pessoa pública, desde a campanha contra Getulio Vargas em 1954.

A prisão da nata da malandragem teve como único objetivo recolher informações de ordem política. Depois, todos foram liberados, assim como Alberto Yousseff na Operação Banestado.

A campanha midiática teve por objetivo estimular o clamor popular e demolir as resistências do Judiciário contra os abusos da operação, até que o consenso popular faça o Judiciário assimilar qualquer Fiat Elba. Enquanto os delegados vazavam toda sorte de factoides, e os procuradores todo tipo de discurso político, os autos permaneceram impolutos: não há nada contra Lula, Lula não está sendo investigado, Lula não é suspeito.

No reino colorido de Brasília, o conselheiro José Eduardo Cardozo acalmava a Rainha Dilma e lhe dizia:

— Viu? Não há o que temer. A operação é republicana.

Ontem, na véspera de se consumar o estupro, começou a cair a ficha das virgens do Planalto de que havia algo de estranho no comportamento de Sérgio Moro.

Provavelmente, é o mais ingênuo governo da história do país. Nem Wenceslau Braz conseguiu superá-lo.

Luís Nassif
No GGN
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Como seria um comercial “sincero” da Samarco na TV?


Depois de uma enorme polêmica envolvendo seu comercial na Rede Globo, ativistas do grupo ‘Atingidos pela Vale’ lançaram nas redes sociais como seria a versão “sincera” da propaganda da mineradora responsável pelo desastre em Mariana (MG), no ano passado.

Após a denúncia feita pelo grupo ’Em Defesa dos Territórios Frente a Mineração”, onde apontava os valores pagos pela Samarco para Rede Globo por conta da exibição do comercial da mineradora  —  mais de R$3 milhões de reais  — , uma onda de críticas surgiu contra a empresa nas redes sociais.

O próprio Ministério Público de Minas Gerais pediu explicações à mineradora sobre as propagandas veiculadas em horário nobre na TV aberta, lembrando que, anteriormente, a Samarco alegou “dificuldade financeira” após o órgão imputar uma multa de R$2 bilhões sobre a Vale (uma das donas da Samarco junto com a BHP), a título de indenização .

Ativistas do grupo ‘Atingidos pela Vale’ resolveram então lançar o “comercial sincero” da Samarco nas redes sociais.

Veja só como ficou:



Democratize
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TCU confirma Mirian Dutra: BNDES favoreceu Globo no governo FHC

Relatório mostra que grupo Globo recebeu 2,5 vezes mais recursos públicos do que todas as demais empresas concorrentes em um mesmo período, o que coincide com a reeleição e o segundo mandato de FHC

Mirian Dutra e FHC: relações privadas, implicações públicas,
que precisam ser investigadas
Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, Mírian Dutra, ex-jornalista da TV Globo com quem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) teve um relacionamento extra-conjugal, disse que em 1997 estava cansada de ficar na "geladeira" na sucursal da empresa em Portugal. Quis ir para a sucursal de Londres, mas a rejeitaram. Disse ao então diretor de jornalismo da TV Globo, Evandro Carlos de Andrade, que a escalassem para trabalhar no Brasil ou pediria demissão. Segundo ela, Evandro disse a subordinados: "Ninguém mexe com essa mulher. Ela mostrou que tem caráter".

Porém, os planos de Mírian de voltar ao Brasil chegaram aos ouvidos de Luís Eduardo Magalhães, na época presidente da Câmara dos Deputados, eleito pelo extinto PFL, de quem ela diz ter sido amiga desde antes de conhecer FHC. O deputado a convidou para um almoço, levou o pai, ex-senador Antônio Carlos Magalhães (também PFL-BA), que lhe disse não ser hora de voltar, pois FHC disputaria a reeleição e ela deveria ter paciência. "Foi quando entendi que eu deveria viver numa espécie de clandestinidade", disse Mírian.

Então decidiu comprar um apartamento em Barcelona e ir para lá, como contratada da Globo. A empresa topou mas, mesmo pagando a ela um salário de € 4 mil (cerca de R$ 18 mil), jamais a acionou, nem aprovou ou exibiu qualquer pauta sua em muitos anos.

— Me manter longe do Brasil era um grande negócio para a Globo. Minha imagem na TV era propaganda subliminar contra Fernando Henrique e isso prejudicaria o projeto da reeleição.

— Mas o que a empresa ganhou com isso?

— BNDES.

— Como assim?

— Financiamentos a juros baixos, e não foram poucos.

De fato, o TCU abriu processo de tomada de contas para investigar favorecimento à Net Serviços (operadora de TV a cabo criada pelo Grupo Globo e vendida depois para o grupo mexicano de Carlos Slim). O relatório TC 005.877/2002-9 analisou o período de 1997 até o início de 2002 e concluiu que o BNDES repassou 2,5 vezes mais dinheiro para o Grupo Globo do que o repassado para outras empresas do mesmo ramo que pleitearam empréstimos junto ao banco público.

Ou seja, a cada R$ 3,50 liberados pelo BNDES, R$ 2,50 foram para a Globo, restando portanto apenas R$ 1 para todas as concorrentes do mesmo ramo.

Eis trechos do relatório:

tcu_bndes_globo_2002.jpg
FHC-Globo-BNDES-Romapar.jpg

Não são apenas os valores que chamam atenção no caso FHC-Globo-BNDES. Foram quatro empréstimos "estranhos" e manobras contábeis em menos de um ano.

O Grupo Globo tinha uma holding chamada Globopar, que controlava duas outras empresas Roma Participações (Romapar) e Distel Holding. Estas duas, por sua vez controlavam a Net Serviços (que passou a ser o novo nome da Globo cabo).

Mas para que serve essa estrutura em camadas como cascas de cebola, que para leigos (como a maioria de nós) só complicam, além de aumentar custos e impor uma burocracia desnecessária? Uma hipótese é obter empréstimos para as diferentes empresas que não poderia ser obtidos se fossem uma só. Por exemplo, quando a Globo Cabo já estava endividada, a Romapar ainda continuava tomando empréstimos.

Outra hipótese é que os empréstimos à Romapar ficavam no balanço da própria Romapar, tornando o balanço da Globo Cabo menos "assustador".

Em 1997, ano do almoço de Mírian Dutra com ACM, o BNDES fez dois empréstimos para a Romapar recebendo, em garantia, caução em ações da Globo Cabo. Fez mais empréstimos em 1998, no mesmo dia 31 de março. Foram, como dissemos, quatro contratos de empréstimos em menos de um ano.

Por que o BNDES não emprestou diretamente à Globo Cabo?

E um banco de fomento como o BNDES, cuja missão é prover capitais para projetos (frise-se, de desenvolvimento econômico e social) de longo prazo, por que fazer quatro contratos de empréstimos para a Romapar no prazo de um ano? Um projeto financeiro maduro e de longo prazo deveria ser bem planejado e resolvido com um só empréstimo.

Talvez as explicações para estas e tantas outras questões se encontrem no caso Mírian Dutra.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Como o cartel de mídia coopta agentes do MP

Jornalistas procuram no MP funcionários qualificados para denunciar Lula
Na sua cruzada contra Lula, o cartel de mídia age para arregimentar procuradores e promotores do Ministério Público. Os casos de Douglas Kirchner, acusado de agressão à mulher e pregação homofóbica (no caso das MPs); de Cássio Conserino (no folclórico caso do tríplex), processado por calúnia em um caso em que expôs um advogado; e de Valtan Timbó, autuado por 245 processos por negligência (do caso do "tráfico de influência internacional", um crime inventado) expõem a estratégia. Que é a seguinte:

1. O veículo faz contato com algum integrante do MP com problemas na justiça;

2. Convida-os a fazer o trabalho sujo na política;

3. O integrante do MP aceita, ou por falta de escrúpulos, ou por medo de uma denúncia contra ele;

4. Acordo firmado, o procurador (2ª instância) ou promotor (1ª instância) oferece alguma denúncia contra Lula, mas antecipando na mídia (Valtan e Kirchner na Época; Conserino, na Veja);

5. A mídia cuida de produzir sua imagem, ocultando os crimes e problemas anteriores; e divulgando sua imagem em jornais, revistas e no Jornal Nacional;

6. Com a repercussão, ganha algum crédito popular e fortalece suas posições na instituição;

7. Como as denúncias são frágeis, elas quase sempre não se sustentarão, mas o importante mesmo é que resultem em manchetes, visto que até a decisão final demora algum tempo.

Weden Alves
No Esquerda Caviar
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Mírian Dutra abre o quarto de despejo dos anos 90

A cumplicidade entre o dinheiro, a soberba e a mídia contém uma atualidade demolidora. A mídia foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama.

Por que só agora que o PT está a um degrau do cadafalso?

A suspeição que o jornalismo tucano consegue balbuciar em meio às alvejantes declarações de Mírian Dutra sobre a parceria público privada para silenciá-la no governo FHC, carrega um efeito bumerangue demolidor.

Pode ser respondida com uma arguição.

‘Quem publicaria antes, a história que furou um cerco de 23 anos de obsequiosa cumplicidade da mídia brasileira com esses acontecimentos, para somente agora vir a público num relato demolidoramente crível? (‘Só eu tenho condições de levar este país’, dizia o príncipe à jovem plebeia, há um mês da conquista).

Mírian Dutra abriu o quartinho de despejo dos anos 90. E mostra o que tem lá dentro.

Sua fala carrega a credibilidade de quem — convencida ou conivente — fez parte do acervo.

O que avulta nessa visitação retrospectiva são os bastidores de um projeto de poder e de interesses que se blindaram para mudar a lógica do desenvolvimento brasileiro.

‘Coveiros do ciclo Vargas’ não era assim que se jactavam aos mercados? Terceirizar o timão brasileiro ao mercado internacional requeria um método para vencer a travessia politicamente espinhosa.

O método, baseado num pacto granítico entre a mídia, os interesses afluentes e o vale tudo ético, é o que guarda o quartinho escuro escancarado agora.

Mírian, num dado momento, tornou-se um cisco no olho guloso do visionário do neo- renascimento bancado pelo capital financeiro global, e que se via como o Micheangelo Buonarroti da Capela Cistina brasileira.

Foi preciso expurgá-la. O que se fez com a mesma determinação ética e a coesão grupal dos interesses que se fundiram na travessia preconizada para o país.

Surpreende que a mídia isenta tenha fugido dessa personagem por 23 longos anos, dispensando-lhe uma mordaça de silencio e dissimulação conivente?

Que veículo ou editor da chamada grande mídia teria bancado antes, e com o destaque merecido, a nova e demolidora entrevista concedida pela ex de Fernando Henrique Cardoso, neste final de semana, a um veículo alternativo?

Será necessário lembrar que na anterior, feita pela Folha de São Paulo, perguntas e nominações essenciais envolvendo a mídia foram evitadas?

E que depois disso o veículo dos Frias — cumprida a formalidade das aparências — suprimiu o assunto da primeira página mostrando estranha inapetência investigativa diante de pautas que gritam?

Quais?

Por exemplo, a história do jornalista lobista, já falecido, Fernando Lemos. Personagem expressivamente próximo de FHC, cunhado de Mírian Dutra, foi ele que mediou a participação da Brasif na operação para tirar Mírian do país e assim salvaguardar o tucano de constrangimentos na reeleição.

Lemos fez dinheiro no governo FHC com serviços de consultoria. Muito dinheiro. Participou do círculo estrito do poder que decidia inclusive as campanhas políticas de FH. Sua viúva, Margrit Schmidt, segundo a própria irmã contou ao Diário do Centro do Mundo, possui ‘apartamentos, um terreno em Trancoso que vale ‘um milhão’ e conta no Canadá’.

Mas ainda recebe recursos públicos como funcionária lotada no gabinete de José Serra, onde nunca comparece. Resquícios da ‘modernização’ das capitanias hereditárias pelo avanço neoliberal.

Eterno aspirante à presidência da República, Serra se declara velho amigo e parceiro de ideias da funcionária-fantasma, que brada contra a corrupção e a ‘corja’ do PT’ no facebook. Serra também é amigo muito próximo do pecuarista Jonas Barcellos, que bancou Mírian e ganhou rios de dinheiro com o monopólio dos freeshops no governo do PSDB.

Guarda esse tipo de álbum de recordações o quartinho de despejo dos anos 90 agora entreaberto, mas que a mídia quer lacrar e implodir.

A indiferença ética, o tráfico de influência e a lubrificação do dinheiro público a serviço do interesse particular condensados no episódio Mírian Dutra, não formam, como se vê, um ponto fora da curva no modo tucano de governar as relações entre Estado e mercado; entre capitalismo e democracia, enfim, com papel subalterno ao segundo elemento da equação.

Se pouco disso transparece ainda no debate político, deve-se ao protagonista ubíquo dessa trama.

A mídia figura como o grande Rasputin a coordenar os personagens desse ambiente farsesco em que as aparências não apenas são avalizadas, mas diretamente modeladas, conduzidas mesmo pelo poder midiático até a asfixiante rendição à narrativa pronta nas redações.

Ou Mírian Dutra não foi ‘induzida’ a dizer à Veja a frase para a qual Veja já tinha espaço, lugar e título, antes que a personagem soubesse que sua boca iria emiti-la?

Esse o paradigma da isenção que ordenava e ainda rege o sistema do monopólio emissor consolidado sob as asas do ciclo do PSDB na presidência do Brasil.

O maior conglomerado de comunicação do país e a principal revista semanal do mercado brasileiro — as Organizações Globo e a semanal Veja — não apenas informaram um script conveniente à reeleição de FH.

Elas ajudaram ativamente a produzi-lo — a exemplo do que fez a Folha nos anos 70, quando cedeu carros à repressão.

O tour de force para despachar Mírian é só um exemplo em ponto pequeno do empenho que movimentou grandes massas de interesses para o ciclo privatizante que viria então.

Nenhuma delação extraída pelo método da chantagem coercitiva, tão bem manuseado pela República do Paraná, carrega a delicadeza convincente desse desabafo — ao que tudo indica apenas iniciado — de uma mulher que talvez não tenha mais nada a perder.

Recém demitida pela Globo, Mírian provavelmente perdeu também a mesada que recebia de FHC e viu a relação com o filho ser trincada pela intempestiva intervenção do tucano que — em troca de um DNA polêmico — supriu Tomás com mesada própria, comprou-lhe um apartamento, pagou-lhe os estudos em caras universidades norte-americanas.

A mãe do filho que FHC lhe dizia que não poderia ter em seu nome decidiu agora reagir com o que tem de mais letal: a memória.

Mírian Dutra apenas começou a falar. Parece que tem muito a dizer: ’Serra eu conheço bem...’, cutucou de relance na última entrevista.

Desde o início desse episódio Carta Maior tem insistido em que as relações entre um homem e uma mulher formam um assunto privado.

Mas a participação da mídia, de concessionárias públicas, bancos estatais e paraísos fiscais no caso fazem dele um tema público.

Foi a cobiça e a ganância econômica que politizaram o encontro entre o sociólogo cinquentão e a jornalista jovem; não o inverso.

A descrição impressionantemente crível, repita-se, do método tucano que Mírian Dutra relata em detalhes dá materialidade a tudo o que o PSDB ora denuncia e atribui aos adversários, sobretudo ao PT.

É um revés de dimensões esfarelantes.

As revelações em conta gotas trazem um olhar de dentro do fastígio das elites no poder nos anos 90.

Um olhar de alguém que circulou nas vísceras do condomínio cristalizado na farra da privatização, quando se desferiu um dos mais virulentos ataques à luta pelo direito a um desenvolvimento justo e soberano.

Conhece-se o custo contábil do desmanche patrimonial que fragilizou a capacidade articuladora do Estado e definhou a governabilidade democrática, subordinada desde então à supremacia dos capitais desregulados.

Abre-se a possibilidade agora de se iluminar o interior da engrenagem rapinosa.

Não para produzir uma arqueologia do revide.

Não para se nivelar ao vale tudo dos que buscam aniquilar as forças e lideranças empenhadas na reversão do desmonte para construir uma democracia social no coração da América Latina.

O que está em jogo não é o passado; é a urgência de se devolver esperança ao futuro.

O passo seguinte do desenvolvimento brasileiro enfrenta uma encruzilhada histórica. Um ciclo de crescimento se esgotou; outro precisa ser repactuado em novas bases.

Muitos dos personagens e interesses econômicos que atuaram no episódio Mírian Dutra — FHC, Organizações Globo, Veja, Jorge Bornhausen, José Serra etc — compõem a linha de frente da ofensiva conservadora atual, determinada a retomar o poder, custe o que custar, para concluir o serviço dos anos 90.

O mapeamento dessas peças do xadrez ganha luminosidade desconcertante nas revelações de Mírian Dutra.

Elas permitem recompor a seta do tempo que une a lógica e a ética dos anos 90 ao projeto intrínseco ao golpismo em 2016.

Detalhar essa cruzada é uma das tarefas jornalísticas mais importantes do momento.

A ela se debruça Carta Maior na matéria ‘Lei para Todos’, desta edição.

Estão radiografados ali elos explícitos e dissimulados.

É impressionante como os elementos se interligam e convergem, muitas vezes para um mesmo espaço: os paraísos fiscais: FHC, Brasif, negócios e propriedades dos Marinhos, BNDES, lobistas, empresas de fachada, mansões, helicópteros e personagens referenciais da extrema direita brasileira, como Jorge Bornhausen.

O colunismo da indignação seletiva não fará esse garimpo do qual é a parte mais comprometida cascalho.

O ressentimento autoexplicativo de Eliane Cantanhede (‘que sempre soube dessa história’, fuzilou Mírian Dutra) mostra como o jornalismo ‘isento’ sentiu o golpe de uma peça lateral do acervo, que mobilizou a parte graúda do tabuleiro para ser deslocada há 23 anos, e agora volta ao jogo revirando a mesa.

Ao falar é como se Míriam gritasse: 'O Rei está nu'.

Não só ele, porém; toda a corte ao seu redor e, sobretudo, o seu projeto de volta ao poder.

Daí o alvoroço dos mensageiros do trono.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Bernie Sanders confirma ser manifestante preso em 1963 retratado em foto e vídeo nos EUA


Então estudante universitário com 21 anos, pré-candidato democrata participava de protesto contra segregação racial em Chicago

O pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Bernie Sanders confirmou na última sexta-feira (19/02) ser ele o manifestante fotografado enquanto era preso em um protesto contra a segregação racial na cidade de Chicago em agosto de 1963. A foto mostra um jovem sendo levado por dois policiais.



“Bernie se identificou. Ele olhou e disse, ‘Sim, esse de fato sou eu’”, afirmou Ted Davine, conselheiro da campanha do democrata, acrescentando que o pré-candidato carrega consigo sua carteirinha da Universidade de Chicago até hoje. Quando se identificou na foto, Sanders estava no Estado de Nevada, na véspera da convenção partidária democrata local, na qual a rival Hillary Clinton se saiu vencedora.

Na semana passada, a produtora Kartemquin Films divulgou gravações em vídeo de um jovem manifestante sendo agarrado por policiais. A campanha de Sanders confirmou que se tratava do pré-candidato. Em seguida, o jornal Chicago Tribune identificou uma foto em seus arquivos que retrata Sanders sendo preso.



Nos últimos dias, Hillary tem questionado o compromisso de Sanders, que também é senador por Vermont, com as demandas da população negra dos EUA, o que é visto por analistas como uma estratégia para angariar votos entre os eleitores da Carolina do Sul, Estado com expressiva população negra e local da próxima primária democrata, no próximo sábado (27/02).

Na época das imagens, Sanders tinha 21 anos e era estudante de Ciência Política na Universidade de Chicago. Uma matéria datada de janeiro de 1964 que se referia aos protestos do mês de agosto anterior, que foi identificada nos arquivos do jornal Chicago Tribune, menciona um Bernard Sanders, detido por resistência à prisão.

Uma foto de 1962, divulgada nos últimos meses, mostrava um jovem creditado como Sanders durante uma manifestação. Procurado por ex-alunos, o centro de pesquisa da biblioteca da Universidade de Chicago havia identificado o jovem como outro estudante. O fotógrafo, Danny Leon, então contatou a equipe e mostrou outras fotos do mesmo dia, o que, segundo o centro, confirmou a identidade de Sanders.

Na universidade, o pré-candidato foi líder do Congresso por Igualdade Racial, um grupo em prol dos direitos civis para a população negra. O bairro onde Sanders foi preso viveu protestos na época que pleiteavam que crianças negras deveriam estudar nas mesmas escolas de crianças brancas. Chamadas de “Willis Wagons” (“vagões de Willis”, em tradução livre), em referência ao superintendente de Educação de Chicago, Benjamin Willis, salas de aulas móveis segregavam as crianças negras, que não estudavam em escolas regulares.

No Opera Mundi
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jn perguntou o que quis, ouviu o que não quis


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O que teria acontecido se o BNDES não salvasse a Globo na gestão FHC?


Inépcia ou má fé? Ou uma mistura de inépcia com má fé?

Me pergunto o que levou a mídia a não juntar duas coisas de conhecimento geral na era FHC.

A primeira foi o favor que a Globo fez a FHC ao tirar de cena uma amante que poderia comprometer suas ambições presidenciais.

A segunda, anos depois, foi o empréstimo bilionário do BNDES que no governo FHC salvou a Globo da quebra, por investimentos ruinosos em tevê a cabo.

Não ocorreu a ninguém que ali provavelmente estivesse ocorrendo uma troca de favores?

E no entanto pistas não faltaram.

A Bandeirantes afirmou que o contribuinte não podia arcar com a incompetência da Globo.

Uma emissora que fizera pedido de empréstimo no BNDES disse que ouvira como resposta que a norma do banco era não emprestar dinheiro — do povo, aliás — para a mídia.

Por que, então, com a Globo foi diferente?

A diferença, está claro, é que FHC estava nas mãos dos Marinhos. Como ele se atreveria a rejeitar uma solicitação da qual dependia a sobrevivência de quem guardava uma história que arrasaria sua reputação?

A Globo sabidamente executa feridos. Você pode imaginar as represálias que viriam. Rapidamente Mírian Dutra seria recambiada para o Brasil.

O que aconteceu agora seria antecipado em muitos anos, com a chancela e a cobertura da Globo.

A Globo logo daria um jeito de tocar também no escândalo da compra da emenda da reeleição pelo tesoureiro e melhor amigo de FHC, Sérgio Mota.

Fica claro agora por que a Globo silenciou sobre o assunto. Fazia parte da proteção ao companheiro.

Mas, se não o empréstimo salvador não saísse, a amizade estaria automaticamente rompida.

E ninguém ignora o que a Globo faz quando uma amizade deixa de ser correspondida.

FHC seria destruído.

Seu lugar na história seria o de um corrupto. Um mau pai. Um mau marido. Um mau amante. E um usurpador: logo dariam um jeito de outorgar a Itamar Franco a real autoria do Plano Real, reivindicada por FHC.

O pretensioso sociólogo, que se julgava melhor que todo mundo, viraria um pária, uma calamidade na história nacional, um Collor piorado.

Como a mídia não ligou os pontos?

Falei em inépcia, falei em má fé. Mas pode ser também que outros grandes grupos também tivessem sido abençoados com o dinheiro fácil do contribuinte. Todos temos noção do tamanho das verbas publicitárias do governo federal.

Aumentá-las ou diminuí-las pode determinar a vida ou a morte das empresas jornalísticas, visceralmente dependentes do dinheiro público.

É imperioso romper essa dependência.

Que o governo adote a base zero na hora de planejar seus gastos em propaganda. Base zero é refletir minuciosamente sobre cada gasto, em vez de inercialmente reproduzir investimentos passados.

Nas sociedades avançadas, os governos anunciam apenas em serviços de utilidade pública.

Repare. Os mesmos jornais que pedem incessantemente cortes nas despesas jamais fizeram menção aos bilhões que o governo torra em publicidade.

O episódio FHC-Globo é uma prova de que já passou há muito tempo da hora de a mídia submeter-se a um choque verdadeiro de capitalismo.

As empresas jornalísticas fingem defender o capitalismo — mas na prática vivem num feudalismo indecente.

Paulo Nogueira
No DCM
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“Investigação” da PF “suspeita” da construção em 2013 de prédio que existia há mais de 10 anos


Mesmo sem poder trabalhar, com uma febre que me persegue desde domingo, não posso deixar passar o absurdo que estamos vivendo.

A Polícia Federal, aquela que há mais de um ano não consegue descobrir quem colocou uma escuta clandestina dentro de suas próprias instalações, produz e divulga um relatório onde diz que, “não temos provas, mas pode ser que Lula tenha sido beneficiado por recursos da Odebrecht”.

Vejam: “Assim, caso a rubrica “Prédio (IL)” refira-se ao Instituto lula, a conclusão de maior plausibilidade seria a de que o Grupo Odebrecht arcou com os custos de construção da sede da referida entidade e/ou de outras propriedades pertencentes a Luiz Inácio Lula da Silva.” A mensagem, fique claro, é de 2013.

O que será que leva um imbecil  a escrever tal coisa num relatório — convenientemente vazado para a imprensa “amiga”? Aliás, um relatório escorregadio, na base do “pode ser”, “não temos certeza, mas…” e um inacreditável “as possíveis conclusões (sic) aqui apontadas podem estar equivocadas”.

Seria risível, se não fosse trágico, por vir de uma autoridade policial.

Não leva 5 minutos para ver que a “sede da referida entidade”, o Instituto Lula, está lá, construído e com a mesma aparência, além do mais.

Os nossos delegados da Polícia Federal já ouviram falar no Google?

Coloco aí em cima as imagens do Google Earth de 14 de dezembro de 2008 e  a atual.

earth3E usei a de 2008 porque o Earth já tinha, nesta época, mais definição nas  imagens. Porque mesmo no arquivo de 2002 dá para ver que a edificação está lá, com a mesma aparência.

Clicando na imagem ela se ampliará.

Até com 39 de febre dá pra ver que o prédio é o mesmo.

Mas “não vem ao caso”, não é mesmo? Já se lançou a suspeita, o “disseram”.

O camarada que produz um relatório destes tem de ser afastado, não por razões políticas, mas por incompetência.

Quem expõe a honra alheia sem base não pode reclamar de ser exposto como incapaz e irresponsável, no mínimo.

Pior: com este grau de irresponsabilidade, que tipo de credibilidade podem merecer “investigações” policiais tratadas desta maneira leviana?

São estes os “gênios” a que repórteres tão obcecados e incapazes de investigar quanto eles reproduzem, sem um mínimo de cuidado crítico.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Investiguem todos e todas. Ou que se terá é apenas mais uma Farsa


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Vendedores de fumaça

Um conto de Andersen, A Roupa Nova do Imperador, merece ser adaptado à situação do Brasil de hoje

Segundo Andersen, não há disfarces para a realidade nua e crua
Um conto de Hans Christian Andersen, entre muitos outros, encantou a minha infância, A Roupa Nova do Imperador. Mas tem condições de encantar também a idade adulta. É a história dos vendedores de fumaça que com ela vestem o soberano, parvo e miseravelmente enganado, pronto a desfilar diante dos súditos aglomerados na praça certo de envergar roupas de seda e veludo. Até que um menino perdido no meio da multidão, voz da inocência, grita: “Ele está nu”. O enredo tornou-se lugar-comum para denunciar quem não consegue se esconder atrás de falácias.

Volta e meia a gente lê ou ouve que o “rei está nu” ao se contar o inútil esforço de algum graúdo pego com a mão na massa apesar dos seus disfarces. Chico Caruso, chargista na primeira página de O Globo, já desnudou os incriminados pela Lava Jato e, em outra charge, achincalhou as duas centenas de advogados, alguns dos réus da operação, que em janeiro passado divulgaram um manifesto para protestar contra irregularidades variadas cometidas ao longo da investigação.

Mauricio Dias em sua Rosa dos Ventos da edição passada criticou o chargista, e este se queixa agora com um texto postado no meu e-mail para defender seu trabalho, sem deixar de admitir que eu poderia ter autorizado “tal ataque”. Nada inspirei, nada autorizei, pelo simples fato de que CartaCapital nunca se permitiu censura interna, ou autocensura. Seus colunistas escrevem o que bem entendem. Chico trabalhou comigo na primeira IstoÉ e gozou do meu respeito e da minha amizade, mantida no decorrer de décadas, desde os tempos em que me apelidou “catapulta de talentos” com chiste amigo, saudável de todos os pontos de vista.

Esta não é uma resposta, é reflexão ampla. Impossível dialogar nas circunstâncias de hoje com quem acredita, como Chico Caruso, que “o Judiciário aponta uma nova direção para a nossa política”. Não está só.

Este gênero de peculiar humorismo é praticado pela larga maioria dos chargistas de jornalões, revistões, programões. As exceções contam-se nos dedos de uma única mão. De chofre, ocorre-me Laerte, artista fiel às suas crenças de sempre, a contradizer a linha do jornal que a publica.

Às vezes me toma o impulso de perguntar aos meus céticos botões como se deu que tantos, outrora a pretender professar ideias tidas pela reação como subversivas, tenham se identificado tão profundamente com as ideias dos seus patrões reacionários? E se, perguntaram por sua vez os botões, eles tivessem passado a compartilhar com total sinceridade o pensamento de quem lhes paga o salário?

Debandada geral. A mudança radical não se dá porque a ex-rapaziada deixou de votar no PT, ou porque se empenha em buscar obsessivamente razões para o impeachment de Dilma e para sepultar de vez qualquer veleidade eleitoral de Lula. CartaCapital sabe, e repete, que no poder o PT portou-se como os demais clubes recreativos envolvidos na arena política. Sabe, porém, e repete, que a tentativa de impeachment é francamente golpista e que os argumentos até o momento trombeteados para incriminar o melhor presidente pós-ditadura por ora o fortalecem de tão inconsistentes.

Certos entendimentos apoiam-se apenas na razão, assim como diferenças insanáveis se estabelecem a partir de percepções opostas, no bem ou, se quiserem, no mal. Quem não mudou de casaca enxerga no ódio de classe o porquê da campanha anti-Lula, incapaz de aceitar um operário nordestino na Presidência da República. E enxerga a distância que separa um país onde ainda permanecem de pé casa-grande e senzala da democracia e da civilização. E enxerga a incompetência dos senhores, inabilitados até ao capitalismo sonhado por Adam Smith: ao cuidarem exclusivamente dos seus interesses, condenaram um país exportador de commodities a viver até hoje uma Idade Média.

Cada qual tem direito a pensar o que quer, livremente. Trato somente de esclarecer a discrepância e a impossibilidade de diálogo. Anoto, também, a generalizada, epidêmica, avassaladora falta de graça. De um senso de humor que outrora conhecemos, de um lado e de outro, de Stanislaw Ponte Preta a Nelson Rodrigues, de Noel Rosa ao Pasquim, de Raymundo Faoro a Gilberto Freyre.

Entrego-me à releitura do conto de Andersen: a mídia nativa vende fumaça e, ao cabo,  a realidade ficará nua.

Mino Carta
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Operação esconde FHC e Globo

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/02/22/operacao-esconde-fhc-e-globo/


Hoje foi deflagrada uma nova etapa da Operação Lava Jato, denominada Acarajé. Entre as medidas, está a expedição do mandado de prisão do publicitário João Santana, responsável, entre outras campanhas, pela de Dilma Rousseff à presidência.

Como de praxe, a operação teve todo suporte midiático que costuma ter. E com um personagem que chama a atenção. Assim, o caso envolvendo FHC e Globo já passa praticamente a segundo plano, sem ter sido tratado de forma decente pela mídia tradicional.

Na capa de Veja, mais uma vez Lula; de novo um factoide. Em outras semanais, nem um pio sobre o ex-presidente tucano. Ou sobre a Brasif. Ou, ainda, sobre a Globo, seu triplex, e o elo que a liga ao imbróglio FHC-Mírian Dutra.

Não é nenhuma novidade que a Lava Jato e mídia tradicional jogam juntas. Uma depende da outra. A primeira usa os vazamentos seletivos para conseguir seus objetivos de curto e longo prazo. A segunda tem seus alvos desde sempre (lembrem-se da confissão da presidenta da ANJ de que a mídia tradicional era a real “oposição” no Brasil).

Nada novo. Porém, agora a nova fase da Lava Jato também ajuda a tirar do noticiário um caso que envolve um ex-presidente da República e a poderosa Rede Globo, parceira de primeira hora de Sérgio Moro, a quem já premiou como personalidade do ano.

Enquanto isso, diversas questões continuam sem resposta. Por que FHC usou a Brasif para fazer pagamentos a Mírian Dutra? Que tipo de relações a empresa, que foi concessionária do governo federal, tinha com sua gestão ou com governos tucanos?

A Globo também tem muito a explicar. Até porque pagou por quase 20 anos uma funcionária, segundo a mesma, para exilá-la. E para proteger o então presidente da República.

No momento em que isso deveria ser discutido, surge mais um episódio da Lava Jato. Cujo nome oficial é Acarajé, se bem que poderia ser denominada de Operação Esconde FHC ou Esconde Globo. Mas claro que isso é bobagem. O fato de o juiz Sérgio Moro ganhar prêmio da Globo é algo absolutamente natural. Em qualquer lugar do mundo isso seria considerado natural…
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