22 de fev de 2016

A mídia e sua imagem

A aura de apartidarismo dos meios de comunicação se desfez, indica pesquisa Vox populi de dezembro

Um resultado da última pesquisa nacional do Instituto Vox Populi, concluída em dezembro de 2015, surpreende quem estuda a percepção da população a respeito da mídia. Ela mostra que, depois de anos de imagem predominantemente apartidária e neutra, os "grandes" veículos de comunicação passaram a ter uma nítida identidade político-partidária. Apenas a parcela menos interessada e menos informada da oponião pública ainda  a vê como equidistante dos partidos.

Da década de 1960 para cá, em razão de seu controle sobre a formulação de narrativas, os grandes grupos de comunicação realizaram a proeza de estar sempre por acima: enriqueceram na ditadura e continuaram a lucrar na redemocratização. Refestelaram-se após o golpe de 1964, em pagamento por sua participação nas articulações para derrubar João Goulart e do apoio que nunca negaram aos ditadores. Só se bandearam para a oposição quando o regime envelheceu e se revelou disfuncional a seus interesses. Ganharam de novo. Conseguiram se reposicionar, encobriram seu passado e se apresentaram  como se sempre estivessem ao lado da democracia.

As pesquisas de opinião, feitas desde o fim dos anos 1980 até recentemente, mostraram que essa estratégia havia sido bem-sucedida. Existia um quase consenso na opinião pública sobre a "neutralidade da imprensa", em que pese o ativismo nitidamente partidário de seus principais veículos. Quem não se lembra da sucessão de manobras do Sistema Globo contra Leonel Brizola? Quem se esqueceu da edição que a TV Globo veiculou do debate entre Fernando Collor e Lula no segundo turno da eleição de 1989?

A mitologia da neutralidade, curiosamente, sobreviveu até mesmo à confissão de que ela não existia. Há cinco anos, ninguém menos que a presidente da Associação Nacional de Jornais admitiu candidamente que, ao contrário do estabelecido no mito, (...) os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada". Era verdade e permaneceu verdadeiro desde então.

Demorou até um número crescente de brasileiros dar-se conta de que a mídia nada tem de apartidária, nem hoje nem nunca. A lenda da neutralidade resistiu além do razoável, sustentada em estereótipos diariamente reforçados e na desatenção do público consumidor.

Na pesquisa Vox Populi de dezembro, foi perguntado aos entrevistados se achavam que "os meios de comunicação atacam muito o PT, Lula e Dilma e protegem o PSDB, Fernando Henrique e Aécio", se supunham o contrário (que atacam os tucanos e protegem os petistas) ou se "os meios de comunicação não atacam nem protegem ninguém e tratam todos da mesma maneira".

Para uma mídia que finge ser neutra, o desejável seria que a grande maioria optasse pela terceira resposta. Não é, porém, o que acontece: menos da metade, 47% dos entrevistados, a escolheu. O que significa dizer que 53% dos entrevistados não consideram que a "grande" mídia trate os partidos de forma equitativa, dos quais 26% acham que ela ataca o PT, 11% o PSDB e 16% não têm opinião.

Mais reveladores são os resultados para os grandes segmentos político-partidários em que a população pode ser dividida, petistas, antipetistas e aqueles que nem aprovam nem desaprovam o PT. Quando essas diferenciações são consideradas, os números ficam mais nítidos.

Apenas 37% dos simpatizantes do PT acham que a mídia "trata todos os partidos da mesma maneira", o que, inversamente, quer dizer que quase dois terços não a avaliam como imparcial. Entre os neutros em relação ao partido, a proporção daqueles que imaginam ser ela equidistante é também menor que no conjunto dos entrevistados.

A maioria dos que consideram que a mídia é "apartidária" é formada por antipetistas. É apenas nesse grupo que a taxa daqueles que acreditam na neutralidade ultrapassa a metade: quase 60% afirmam que os meios de comunicação "tratam todos da mesma maneira". Apenas por se identificarem com o antipetismo que nela percebem.

Este é o resultado da investida dos grandes grupos de comunicação contra o PT e suas principais lideranças. Ao escancarar que têm lado, jogaram para o alto o investimento de anos para se apresentarem como equilibrados e apolíticos. Mas não é a primeira vez que seus proprietários escolhem esse caminho. Já haviam tomado rumo semelhante em 1964.

Lá, a aposta no golpe deu certo. Agora, contudo, nada assegura seu sucesso. Disso, o que vai restar, muito provavelmente, é uma mídia com imagem indelevelmente marcada pela rotulação partidária.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
Leia Mais ►

“Pagamento legal e transparente” (+ vídeo)


NOTA

1 — Repudiamos, com veemência, a tentativa de setores da oposição de, sem quaisquer elementos, buscar associar a investigação e as medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal em relação ao publicitário João Santana e a campanha eleitoral da Presidenta Dilma Rousseff.

2 — Conforme consta da prestação de contas, aprovada pelo TSE, as empresas do publicitário João Santana receberam o pagamento de cerca de R$ 70.000.000,00 em decorrência dos serviços profissionais prestados à campanha eleitoral da então candidata a presidente Dilma Rousseff. Este valor, por si só, demonstra que o pagamento feito ao publicitário se deu de forma legal e absolutamente transparente.

3 — É importante ressaltar que na própria representação por medidas cautelares ensejadora da denominada operação "acarajé", já tornada pública, o próprio delegado federal que a subscreve afirma literalmente que, em relação aos pagamentos feitos pelo préstimo de serviços de João Santana para a campanha eleitoral da atual Presidente da República Dilma Rousseff (2010 e 2014), "não há, e isso deve ser ressaltado, indícios de que tais pagamentos estejam revestidos de ilegalidades"(fls.59/60).

4 — Reafirmamos que na campanha da Presidente Dilma Rousseff todas as despesas foram devida e regularmente contabilizadas.

Flávio Caetano
Coordenador Jurídico da Campanha Eleitoral



Leia Mais ►

O programa do PT que será transmitido nesta terça-feira


Leia Mais ►

O concurseiro que está se tornando a cara do MPF

Douglas Kirchner, concurseiro que tornou-se procurador, em reportagem do G1 de 2012
Nos próximos dias os advogados do ex-presidente Lula encaminharão uma representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e ao Procurador Geral da República Rodrigo Janot, “denunciando os reiterados abusos e ilegalidades que têm sido cometidos contra Lula no âmbito da Procuradoria da República do Distrito Federal”.

As acusações são amplas:

1.     Promove, a partir de ilações fantasiosas, verdadeira devassa sobre a vida pessoal e atividades profissionais do ex-presidente Lula, invadindo dados fiscais, bancários, comerciais e até viagens e hospedagem no exterior;

2.     Impede o pleno acesso da defesa ao teor do procedimento, mas nada faz para impedir que dados sigilosos e partes injuriosas dos autos vazem sistemática e ilegalmente para a revista Época, das Organizações Globo;

3.    Estabeleceu um rodízio de procuradores no comando do procedimento, o que prolonga sua duração, dificulta o direito de defesa e dilui as responsabilidades pelos abusos e ilegalidades cometidos.

As acusações, divulgadas pela revista Época, são a de que em 2011 Lula teria hipoteticamente ajudado o BNDES a receber parcelas atrasadas do governo da Venezuela. “Tratar tal hipótese como crime seria desmerecer não só o dever de imparcialidade do Ministério Público mas até a capacidade cognitiva de alguns de seus membros”.

Para chegar a essa brilhante conclusão de cometimento de crime, o MPF consumiu dez meses de investigações.

Na nota dos advogados fica-se sabendo que o procurador que conduziu as investigações, que geraram matérias com tal teor de denúncia contra um ex-presidente da República, é Douglas Kirchner.

Contra ele pesa também a acusação de não permitir o acesso dos advogados aos autos através de uma esperteza. “Ao passar transitoriamente perante o 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF — onde o procedimento foi deflagrado — teria feito uma redistribuição do feito ao  5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF. E o titular do 5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF é o próprio procurador Douglas”.

Afinal, quem é o procurador Douglas Kirchner que, em nome do Ministério Público Federal, age com toda naturalidade distribuindo notícias para os jornais, lançando acusações desse teor contra um ex-presidente da República?

Segundo o G1 de 13/12/2012, trata-se de um jovem concurseiro, com 23 anos na época — logo, hoje com 27 anos (http://migre.me/t3srT),

Segundo a reportagem do G1, “para ser aprovado no concurso dos sonhos, com garantia de estabilidade e altos salários, jovens se dedicam a fazer vários concursos públicos abdicando de festas e viagens em família para estudar. O objetivo deles é ser procurador da República, cargo com salário de R$ 22 mil”.

Antes, Douglas prestou concurso para analista processual do MPF em Porto Velho, para delegado de polícia civil e juiz do Tribunal Regional do Trabalho. “Já fiz tantos  concursos que já perdi a conta”, disse ele à reportagem do G1. “O importante é fazer concurso até passar”. Quando conseguiu a vaga no MPF, em Rondônia, Douglas aposentou sua carreira de concurseiro.

É o jovem concurseiro que se apropria das atribuições e competências que a Constituição conferiu aos procuradores para dar o tom do MPF, sem ser incomodado por nenhum órgão, para brincar de fazer acusação e de interferir no jogo político.

Pergunto, é possível um nível de autonomia de tal ordem, que permite a qualquer procurador gerar fatos políticos de tal repercussão valendo-se abusivamente das prerrogativas do cargo? Será que esse modelo não encerra uma profunda distorção institucional?

O procurador consegue as informações que quiser, por força de suas atribuições. Seleciona as informações a seu modo e providencia a publicação em veículo empenhado em derrubar o governo. É crível um país sério aceitar tal nível de intromissão de um jovem sem vivência, sem experiência, sem história?

Será que não é hora dos procuradores responsáveis que compõem o Ministério Público Federal começarem a discutir seriamente as formas de autocontrole? Afinal, cada vez mais a falta de controle está conferindo ao MPF a cara de jovens que gostam de "causar", em vez das referências que firmaram a reputação do MPF como órgão responsável de defesa da cidadania.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Debate: A Economia brasileira ruma para o caos? — assista ao vivo

 Transmissão Encerrada 


Leia Mais ►

Sérgio Moro é marqueteiro da oposição, pauteiro da mídia, e quer ser coveiro do PT

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/sergio-moro-e-marqueteiro-da-oposicao-pauteiro-da-midia-e-quer-ser-coveiro-do-pt/

Sérgio Moro, o juiz das camisas negras, age com a precisão de um marqueteiro da oposição.

Nas duas últimas semanas, o quadro foi extremamente desfavorável às forças que lutam para inviabilizar Dilma e para enxotar Lula e o PT da vida pública. A derrota de Cunha na votação para liderança do PMDB (com atuação política do Palácio do Planalto, em favor do vitorioso Picciani), a inclusão do processo contra Eduardo Cunha na pauta do STF para julgamento nas próximas semanas e, por fim, o vergonhoso caso Miriam Dutra/FHC/fantasma do Serra: foram três episódios a demonstrar que a oposição tucana não tem forças para derrubar o lulismo.

O impeachment, na Câmara, está morto. E o PSDB sofre um processo acelerado de desgaste, ao ganhar a pecha de oposição fraca e hipócrita.

Na última sexta, alguns mais empolgados no lado governista comemoravam a “virada”. Os mais experientes, no entanto, diziam: quantos dias serão necessários para Moro lançar uma bóia que sirva pra salvar FHC e dar novo alento ao golpe?

Moro agiu rápido.

A “Operação Acarajé”, deflagrada nesta segunda (22/fevereiro) mira em João Santana. O juiz das camisas negras pede a prisão do ex-marqueteiro petista.

Não farei a defesa de Santana. Não sei que tipos de acertos ele fez com grandes empresários e com a cúpula petista. Sei que ele é uma figura um tanto arrogante e que, em 2010, fingiu ter sido a campanha de TV conduzida por ele a única responsável pela vitória (quando, na reta final do primeiro turno, a campanha nefasta de Serra mostrou que era nas redes sociais e nos boatos nas igrejas que a eleição poderia ser decidida; Santana jamais entendeu a internet).

Minha análise aqui é política.

Alguns fatos chamam atenção…

1 – Claro que a PF, o MPF e o juiz sabiam que Santana estava fora do país. Qual sentido de decretar a prisão do sujeito no exterior, se seria mais fácil tê-lo feito quando o marqueteiro estivesse em território brasileiro?

A resposta é: o timing político e midiático.

Durante dias, se não semanas, o debate será: Santana tinha contas no exterior? Elas serviam para que o PT pagasse por fora?

Santana terá que provar que é inocente, porque no Brasil de Moro a inversão do ônus da prova se consolidou. Cabe ao réu, já condenado previamente pela mídia, provar que não é culpado.  Enquanto isso, mofa na cadeia.

Haverá também outro debate: a Interpol pode prendê-lo? A Globo e a Folha mandarão enviados especiais para a América Central, para acompanhar cada respiro de Santana.

Ou seja, Moro oferece à oposição um novo enredo, para sufocar a pauta FHC e para jogar o governo de novo nas cordas (enquanto isso, os tucanos e a Globo mandarão emissários (ou petardos) para Miriam Dutra encerrar as denúncias).

2 – Moro também oferece a Gilmar Mendes o combustível para tentar cassar a chapa Dilma/Temer no TSE.

A justificativa: o marqueteiro da campanha recebia “por fora”, de empresas investigadas na Lava-Jato. É um alinhamento completo do juiz das camisas negras com a oposição.

Na teoria jurídica, Moro não pode investigar Dilma. Mas ele o faz por vias tortas. Oficialmente, investiga o marqueteiro. Prende Santana. E exige dados, informações, qualquer coisa que permita a Gilmar desfechar um golpe judicial no TSE.

Lembremos que Moro não fez o mesmo com a mulher de Cunha, por exemplo. Não prendeu nem investigou Cláudia Cruz. Poderia ter feito, para municiar o STF com informações. Mas aí fugiria do script oposicionista da Lava-Jato.

Há só um detalhe: ao contrário do impeachment na Câmara, o golpe via TSE coloca PMDB e boa parte da base governista unidos contra a tentativa de cassar Dilma/Temer.

Se Dilma caísse pelas mãos de Cunha, Temer seria o capitão do golpe em parceria com o PSDB de São Paulo. Agora, não. A resistência contra Aécio/Gilmar/Moro/Globo pode unir PT/PMDB e parcelas dos outros partidos governistas.

A não ser que surja uma bomba indefensável a comprometer a chapa Dilma/Temer.

3 – O mais grave da nova Operação, entretanto, é mostrar que não haverá trégua econômica. A Lava-Jato estrangula o país.

Em suas andanças por Brasília, Aécio Neves diz abertamente a quem queira ouvir: “já avisamos aos empresários que, quando Dilma cair, a PF não vai mais barbarizar nem humilhar ninguém; tudo volta ao normal”.

Essa é a parceria de Moro/Aécio: a chantagem econômica.

Podem escrever, esse será mais um mote para o golpe: é preciso arrancar Dilma do poder, com ou sem provas consistentes, porque enquanto ela não sair de lá a economia seguirá estrangulada pela Justiça.

Por fim, um fato inescapável: Dilma, mais que nunca, precisará de apoio popular para resistir. No entanto, decidiu adotar em 2016 a pauta que desarticula seus apoiadores: Reforma da Previdência (com a faca no pescoço) e até alterações no Salário Mínimo são pontos que interessam àqueles que pretendem derrubá-la.

O governo, no momento em que se sentiu um pouquinho mais forte, já começava a dar as costas de novo para o que restou de sua base popular.

Dilma e o PT, se quiserem resistir, não podem se dar ao luxo de caminhar por essa trilha.

Moro é o marqueteiro da oposição e o pauteiro da mídia. Pretende, ainda, ser o coveiro da centro-esquerda no Brasil.

Estamos em meio a uma guerra total. Não está escrito que a direita midiática e judicial vai ganhar. Mas uma coisa é certa: quando adota o programa econômico dos inimigos, Dilma só facilita o trabalho do juiz das camisas negras.
Leia Mais ►

Para entender o braço da FIFA no Brasil


O jornalista Jamil Chade, correspondente internacional do Estadão, está lançando um livro chamado Política, propina e futebol – Como o “padrão FIFA” ameaça o esporte mais popular do planeta.

Na obra, o jornalista desvenda como funcionava o pagamento de propinas e subornos da entidade e explica como os cartolas usavam contratos comerciais e de direito de transmissão para enriquecer.

Jamil Chade esteve em São Paulo para um evento de lançamento do trabalho e concedeu entrevista exclusiva a Luis Nassif sobre o assunto.




Nos anos 70 a TV a cabo começou a ganhar força, assim como as transmissões esportivas internacionais. As redes de TVs tornam-se globais. E os eventos esportivos ganharam dimensão internacional. Ao mesmo tempo, a inclusão da África e da Ásia no negócio futebol ampliaram de forma inédita seu alcance.

É nesse novo quadro tecnológico que o futebol se torna um negócio bilionário. Na hora certa, no lugar certo, o cartola brasileiro João Havelange ajudou a dar forma final à FIFA. Desde os anos 20 o esporte já se constituía nos eventos de maior audiência do rádio. Com os avanços tecnológicos, os grandes espetáculos esportivos passaram a dispor de uma audiência global. E, dentre todos os esportes, nenhum chegou perto da popularidade e abrangência do futebol.

Em pouco tempo monta-se a rede global, com os seguintes personagens:

1.     A FIFA.

2.     As confederações

3.     Os clubes

4.     Os grupos de mídia hegemônicos em cada país filiado.

A parte econômico-financeira é composta do patrocínio aos torneios globais, torneios regionais e campeonatos nacionais. E os eventos os financeiros ocorrem na compra de direitos de transmissão para cada um dos eventos e nos patrocínios, e no mercado de jogadores.

A partir desses elementos teceram-se as relações de influência que acabaram resultando na organização criminosa desbaratada pelo FBI.

A base do poder na FIFA são as confederações nacionais.

Para garantir a perpetuidade do poder, há uma aliança simbiótica entre os dirigentes da FIFA, os grupos de mídia nacionais e os dirigentes das Confederações.

Em parceria com a FIFA os grupos de mídia conseguiram a exclusividade para os grandes eventos, que garantem os grandes patrocínios. E conseguiram os patrocínios para os eventos regionais e nacionais. O dinheiro captado serviu para irrigar os clubes e garantir a perpetuidade política dos grupos que controlam as confederações.

Por seu lado, a parceria sempre se dá com os grupos de mídia politicamente mais influentes. E garante a blindagem dos dirigentes das confederações — não apenas perante os governos nacionais como perante os sistemas de investigação locais.

Esse modelo criou tal blindagem político-policial que acabou transbordando para outras formas de ação de crime organizado, como a lavagem de dinheiro através do superfaturamento dos contratos e do comércio de jogadores.

Segundo dados da OCDE, o mercado de jogadores movimenta US$ 4 bilhões/ano, dos quais US$ 1 bilhão proveniente de lavagem de dinheiro. Parte relevante do dinheiro lavado vem dos subornos pagos por emissoras de televisão e patrocinadores aos dirigentes esportivos.

A internacionalização do futebol

A ampliação da globalização acabou introduzindo novos elementos nessa equação.

O primeiro, o da criação da cooperação internacional para o combate ao crime organizado, que ganhou ênfase após os atentados das torres gêmeas.

Como as organizações criminosas atuavam em nível global, havia a necessidade de uma cooperação em nível internacional. E aí sobressaiu a maior competência dos órgãos de investigação norte-americanos, especialmente devido à integração entre o FBI e as forças de segurança, conforme anotou Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, em entrevista ao GGN, sobre o seu livro “Política, propina e futebol: Como o PADRÃO FIFA ameaça o esporte mais popular do planeta”.

E aí entraram em cena os interesses geopolíticos norte-americanos, a noção histórica de interesse nacional amarrado aos interesses dos grandes grupos que se internacionalizam.

Um dos últimos mercados nacionais protegidos era o das comunicações. E, nesse mercado fechado, as transmissões de partidas de futebol sempre foram um fator crítico para a hegemonia das emissoras. Basta conferir a imensa luta da Record para tentar romper com o monopólio das transmissões da Globo.

A entrada do FBI nas investigações coincide com a ofensiva internacionalizante dos grandes grupos de mídia norte-americanos e, também — segundo Chade — com as manifestações de junho de 2013 no Brasil, que passaram a percepção de que a opinião pública nacional não mais aceitaria passivamente a corrupção dos dirigentes esportivos.

Quando o FBI entrou na parada, o jogo passou a virar. A imensa organização criminosa começou a ruir. E, no rastro desse desmonte, teve início a invasão final dos grupos de mídia norte-americanos sobre os superprotegidos mercados nacionais de mídia.

Segundo Chade, empresas como a Time Warner, Disney, ESPN montaram estratégias inicialmente fechando contratos com países e clubes menores, de maneira a cercar os esquemas dos clubes maiores, que dominavam as confederações.

Para se ter uma ideia do impacto do fim do monopólio das transmissões esportivas, analise-se o mercado britânico. Com a pulverização dos canais pagos, o único evento que consegue chegar em 15 pontos de audiência são as transmissões de partidas de futebol. O restante não passa de 5 pontos.

O papel da Globo na corrupção da Fifa

O imenso poder político desses grupos garantirá algum tempo a mais de blindagem, antes que a longa mão do FBI chegue até aqui. Em alguns casos, o que garante é a aliança com os governos nacionais.

Segundo Chade, a primeira reação dos dirigentes teria sido lamentar que as prisões tivessem ocorrido na Suíça. “Se isso acontecesse na América Latina, já tínhamos resolvido tudo e estaríamos em casa”, comentou um argentino, membro da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).  “Mas eles não estavam no Brasil nem em outra república latino-americana. As prisões ocorreram justamente na Suíça, país que passou a colaborar de forma estreita com os EUA”, continua Chade.

No caso brasileiro, a Globo estreitou relações com o MPF, tornando-se a principal âncora da Lava Jato. No seu horizonte estratégico, certamente estavam os problemas que vinham pela frente.

As principais operações identificadas foram compra de votos para a Copa de 1998, para a Copa de 2010 e a compra de apoio para a eleição de Blatter em 2011. E, importante, “a realização de acordos para a Taça Libertadores, a Copa América, a Copa do Brasil e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022”.

Continua o livro:

“De uma maneira constante, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado brasileiro”.

Continua o livro:

“Uma rede de televisão no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu nome tenha sido mantido em sigilo no documento público, uma vez que o processo não era contra ela. Naqueles Mundiais, os direitos de transmissão eram da Rede Globo. Para os suíços, o serviço dos dois cartolas teria sido comprado por essa e outras empresas que queriam manter contratos e relações com a Fifa. O documento revela uma movimentação milionária nas contas de Teixeira e Havelange. Ambos receberam subornos no valor total de pelo menos 21 milhões de francos suíços, depositados em contas abertas em paraísos fiscais. Os pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004, e o tribunal decidiu processar os brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”.

Prossegue a denúncia que “subornos compravam influência na Fifa e garantia de contratos no Brasil”.

Esse esquema começou a operar em 1970, segundo o procurador Thomas Hildbrand, quando Havelange assumiu o poder. Testemunhas ouvidas por ele sustentaram que “o dinheiro vinha, em grande parte, de empresas que pagaram pela transmissão das imagens das Copas de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões”.

Segundo eles, Teixeira e Havelange agiram com tal impunidade porque, por conta da “cultura” brasileira, as propinas equivaliam a suplementação de verbas

“Seria essa a suposta “cultura” dos brasileiros”, constata Chade. “Mais do que um absurdo e uma ofensa a milhões de pessoas, a estratégia da defesa revela, no fundo, a imagem que a entidade tem do país e de seus representantes. Essa imagem, de tão enraizada, foi usada até mesmo diante da Justiça”.

O melhor exemplo da forma como a FIFA agia foi na imposição do estádio de Brasília.

“Poucos dias após a final da Copa do Mundo, o estádio mais caro do Brasil e o terceiro mais caro do mundo recebeu outro momento de decisão: cem casais realizaram suas festas de bodas no palco que havia servido ao Mundial. O evento chegou a ser transmitido pela TV Globo, que pagou parte dos direitos da Copa e apagou qualquer tipo de crítica ao evento. Na reportagem, a emissora insistia que o casamento coletivo tinha sido uma “grande emoção” e que o estádio havia criado novas oportunidades. Com apenas dois times e ambos na quarta divisão do futebol brasileiro Brasiliense e Luziânia, o Distrito Federal passou a ser a imagem do escândalo da Copa do Mundo e de seu legado inexistente. Meses depois do final do Mundial, a falta de jogos no estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a transferir parte de sua burocracia para o local e ocupou as salas com suas diferentes secretarias. Do lado de fora, o estacionamento feito para as torcidas se transformou em garagem para os ônibus da cidade. Um ano depois da Copa, o rombo no estádio era de mais de R$ 3,5 milhões”.

Sobre a corrupção cultural

O combate à corrupção exige mudança de padrões culturais. Não se pode aceitar passivamente conviver com empresas sobre as quais pairam suspeitas de atividades criminosas.

Afinal, como declarou o procurador Deltan Dallagnol “o nosso parâmetro para lidar com a corrupção deve ser o crime de homicídio. Quem rouba milhões, mata milhões”. A declaração foi dada na Globonews.

Segundo ele, o simples combate às pessoas corruptas não vai fazer com que a corrupção acabe no Brasil. “Nós precisamos mudar o sistema”, declarou no Programa do Jô.

O mesmo bordão foi brandido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, para criticar a Lei de Leniência:

“Infelizmente, a despeito de todas as obrigações internacionais assumidas pelo Brasil, as primeiras e únicas tentativas do Governo após a publicação da Lei Anticorrupção foram sempre no sentido de contorná-la, de desrespeitar o mínimo ético imposto por essa legislação”.

Carlos Fernando é vice-secretário de cooperação internacional do MPF, setor incumbido de buscar apoio nas investigações internacionais e de fornecer elementos solicitados pelos parceiros. Segundo Chade, o Brasil tem sido o país latino-americano que menos atendeu aos pedidos do FBI até agora.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Não há motivo para prender João Santana


Prender João Santana sem culpa formada, sem flagrante, sem que tenha interferido em investigações, sem que sua liberdade implique em perturbação da ordem cheira a mais uma transgressão grosseira da constituição de 1988, sob os olhares complacentes dos ministros do STF, seus guardiões oficiais contra a qual ao menos nós, os jornalistas, devemo-nos levantar.

Não há motivo para prender Santana. Esse é o ponto. Ele não matou, não roubou, não bateu em ninguém. Não é ladrão nem malfeitor. É jornalista e publicitário, dos mais competentes do mundo. Não pode ser demonizado por ter sido muito bem remunerado por seu trabalho legítimo.

Se há suspeitas a respeito da forma como recebeu dinheiro, ele não pode ser preso para confirmá-las. No estado de direito, primeiro as acusações têm que ser provadas e muito bem provadas para que, depois de julgamento, virem absolvição ou culpa. E só depois vem a prisão. Do jeito que está, a prisão vem antes. O carro na frente dos bois.

Muita gente temia, desde o início da Lava Jato que ela se transformasse numa nova República do Galeão, um país com suas próprias leis que tinha o objetivo explícito de fragilizar para depois derrubar Getúlio Vargas. Pois ela está ficando cada vez mais parecida.

Contra esses desmandos devemo-nos levantar antes que seja tarde. Não podemos encarar essa ordem de prisão contra João Santana como coisa normal. Não é. Prender jornalistas e publicitários é ato de regimes de exceção. Prender antes de julgar é ato de regimes de exceção.

Ou estamos numa democracia e atos como a ordem de prisão contra João Santana devem ser revogados ou os atos como esse são válidos e não estamos numa democracia.

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão", "O domador de sonhos" e "Dragonfly" (lançamento setembro 2016).
Leia Mais ►

Uma lista de brasileiros no HSBC

 Republico com atualização o post de 16 de fevereiro de 2015.  


AVISO IMPORTANTE:

Atendendo a solicitação do Escritório Faria e Faria - Advogados Associados, de São Paulo, para "Retirada e Indisponibilização de Material Postado na Internet", este blog está retirando os três nomes mencionados nos pedidos daquele Escritório.

Entretanto, caso os leitores tenham interesse em conhecer a lista completa, podem verificar em BERNDPULCH.ORG – BERND-PULCH.ORG ou ainda em ICIJ - ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS JORNALISTAS INVESTIGATIVOS

Obrigado pela compreensão.



The Secret List of Off-Shore-Companies, Persons and Adresses, Part 28, Brazil


Officers & Master Clients (50)

Alfredo Casarsa Netto

Alfredo Casarsa Netto

Aline Blank

Anna Hantower

Augusto Ribeiro de Mendonca

Barkat Sorarthia

Barkat Sorathia

Bernard Paul Lerner

Carolina Follegatti Ribeiro de Mendonca

Chaim Zalcberg, Esq.

Chang Edson

Chen Gilad

Chiang Fong Nien

Eyal Brandes

Flavio Augusto Cicivizzo

Giselle Cocchiararo Fraga

Giuseppe Tedesco

Guy Gilad

Hardy Trentini

Israel Miedzigorski

Joao Nunes Ferreira Neto

Jose Arley Lima Costa

Karin Follegatti Ribeiro de Mendonca

Long Hio Kong

MARCELO DIAS DOS SANTOS

Marcio Duarte Lopes

Nardi Davidsohn

Ovidio Trentini

Paulo Alfredo Lerner

Paulo Chiele

Pedro Paulo Nunes Ferreira

Per Reidar Haugen

Ricardo Paulo Lerner

Richard Hantower

Saul Dutra Sabba

Sergio Augusto Fernandes Teixeria

Sergio Blank

SHIH HONG DAO

SHIH HONG DIN

SHIH HONG THE

SHIH YEN YU YUAN

Stephan Blank

Ulysses Silva

URSULA KOSSMANN

Valmir Ramos Braun

VAN KAICK JUNIOR GUNTOLF

William Trentini

Wong Bi Cheng

Zahizhak Maoz

Zalcberg Advogados Associados

Listed Addresses (43)

(Macau I.D. No. 7/396687/1

2266 Avenida Atlantica, Apt. 302 22041-001 Rio de Janeiro BRAZIL

Av. Brig. Faria Lima 1570-6a Andar Sao Paulo, Brazil 01452-911

Av. Erico Verissimo 116 – Cob. 01 B. Tijuca Rio De Janeiro

Av. Rio Branco North 131-14 Andar-Centro CEP: 20040-006 Rio de Janeiro-RJ BRAZIL

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3729, 5th Floor, Sao Paulo, SP, CEP 04538-905, Brazil

Avenida Cauaxi, 189 Apt. No. 203 Alphaville Barueri–SP, CEP BRASIL

Avenida Cauaxi, 189, apt. no. 203 Alphaville, Barueri-SP, CEP: 06454-020 Brasil

Avenida Rui Barbosa 480 BRAZIL

C/o Rua Alfa, 1033 42810-290 Camcari BA Brasil

Est. Campo Da Areia 131, Apt. 206 Pechincha-JPGA Rio Janeiro CEP 22743-311

Estrada Taguai 204, CS 4 Chacara Do Refugio Carapicuiba SP

Paulo Alfredo Lerner Rua Dr. Rubens Gomes Bueno, 577 cep: 04730-000 Brazil

Presidente Vargas Avenue M.392 5th Floor Rio de Janeiro BRAZIL

R. BOA ESEERAMCA BO SUL 170 SAO PAULO

R. Curipos, 177 Jacarepagua Rio De Janeiro Brazil

R. Maranhao 213 Ap. 31 Sao Paulo, Brasil

R. Pres. Carlos Campos 115 – B1. 2, Apt. 601 Laranjeiras Rio De Janeiro

R. Sambaiba 699 – Bl. 3, Apt. 401 Leblon Rio De Janeiro

Recife San Fco Este Romon Jurado E.

Rua Antonio Alves Benjamim, 252/1001 Teofilo Otoni, MG, Brazil, 39.800-021

Rua Capote Valente 127 AP 51, Jardin America cep 05409-000 Sao Pau o Brasil

Rua Domingo Ferreira 41, Apt.1210,Rio De Janeiro, Brazil

Rua Domingo Ferreira, 41 Apto 1210 Copacabana – Rio De Janeiro-RJ, Brazil.

Rua Dr. Jose Manuel 18 2 frd CEP-01232-020 Sao Paulo

Rua Dr. Jose Manuel 18 2frd CEP-01232-020 Sao Paulo BRAZIL

Rua Dr. Rubens Gomes Bueno, 577 Santo Amaro – Sao Paulo cep: 04730 – 000 Brazil

Rua Dr.Jose Manuel 97 11 a Sao Paulo Brazil.

Rua Dr.Jose Manuel 97 3 a Sao Paulo Brazil.

Rua Duque de Caxias Apt. 202 Panambi – RS, CEP: 98280-000 BRAZIL

Rua Gra Nicco, 113-Torre-C5, 605. Nossungue-Curitiba-Parana, BRAZIL

Rua Haddock Lobo, 1735 Apto. 51 Cerqueira Cesar 01414-003 Sao Paulo – SP BRAZIL

Rua Horacio Bandiert 76 Jardin Lenor Dept. 05653 Sao Paulo Brazil

Rua Jardim Cristofel, 175 Apt. 801 Porto Alegre, Brazil

Rua Jorge Da Cunha Carneiro, 77 Apto. 201 Crisiuma – SC BRAZIL

Rua Manoel Antonio Pinto, 1200 Edificio Sabara,13 And, Apto 131, Sao,Paulo, Brazil

Rua Manoel Antonio Pinto, 1200 Edificio Sabara,13 And.,Apto 131, Sao Paul,Brazil.

Rua Maria Martins Guimaraes 495/302 Belo Horizonte, MG, Brazil REDACTED

Rua Senador Lacerda Vergueiro, 494, Apto. 92 Villa Madalena 05435-010 Sao Paulo BRAZIL

Rua Tupi 549 Apt.41 Sao Paulo Brazil.

Rusa Jose Ramon Urtiza, 965 Apt 53 Vila Andrade, Sao Paulo-S.P. CEP: 05717-270 BRAZIL

SQS 108 BLOCO A 609 BRASILIA DF

Zalcberg Advogados Associates Av. Rio Branco North 131-14. Andar-Centro CEP:20040-006 Rio de Janeiro RJ


No Berndpulch.ord
Leia Mais ►

Ex-amante arranca os cadáveres do armário fétido de FHC


Os ruídos em torno do caso sexual do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso são sintomáticos. As denúncias que sua ex-amante fez, a jornalista Mírian Dutra Schmidt, são gravíssimas e de interesse público.

Alerto que aqui não nos interessa o moralismo como critério de análise das relações íntimas de FHC. Deve-se respeitar quem se conduz por outros valores em sua vida privada.

Também não encaramos Míriam Dutra Schmidt como uma coitadinha ou uma “diaba” pelo fato de desenvolver um caso com um homem (homem?) casado e público.

Não, Mírian Dutra se comportou de modo covarde, oportunista e omisso com o que há de mais sério no que tange ao ex-presidente.

Como sabes, a jornalista, paga com dinheiro transitado internacionalmente de modo muito suspeito, envolvendo a empresa Globo, o BNDS, personalidades públicas brasileiras e muita corrupção, calou-se enquanto recebia polpudos e falsos salários para se manter em silêncio a fim de não atrapalhar os negócios através da jogatina que representou o governo desastrado de FHC.

Mírian Dutra vem a público agora para abrir o armário fétido de FHC e jogar na cara da sociedade brasileira os cadáveres podres do presidente mais desleal ao povo brasileiro e mais desonesto com os bens desta Pátria, que o Brasil já conheceu.

Um dos cadáveres passa pela intimidade da mulher Mírian. Ao articular com a Globo, com pessoas como o falecido presidente da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Magalhães e de seu pai, o famoso senador Toninho Malvadeza, com o Banco Nacional do Desenvolvimento Social, com financiamento para enriquecer uma das famílias mais ricas do Brasil e do mundo, a Marinho, para manter a jornalista amante calada e exilada na Espanha, FHC foi cruel, machista, desumano, sem caráter e imoral.

Agora, Mírian Dutra joga na cara da sociedade brasileira esse cadáver insepulto e altamente revelador do mau caráter de quem iludiu o povo brasileiro através de eleições corruptas e sujas.

Outro cadáver mal cheiroso, nada novidade para quem conhece a moralidade da classe dominante que Fernando Henrique Cardoso representa, é o de o machista afirmar à amante que ela poderia engravidar de qualquer homem menos dele, para não atrapalhar seu plano de eleger-se e reeleger-se presidente da República.

Quando o então senador FHC viu Mírian pela primeira vez num jantar no famoso restaurante Piantella de Brasília, onde lideranças do Congresso Nacional e personalidades de todo o País se encontravam para articulações, impressionou-se com ela.

A partir daquele encontro, FCH emitiu inúmeros recados à jornalista falando de sua paixão por ela. Mesmo casado desenvolveu um affair com ela. Porém, sob o impulso da ambição pelo poder, o chamado Farol de Alexandria, o príncipe da Sorbonne, não teve a menor consideração pela mulher que engravidou de um filho fora do casamento, constrangendo-a a dizer que o filho não era dele, mas de um biólogo.

Ao revelar a fisionomia cruel, medieval e machista do ex-chefe da Nação, Mírian nos joga na cara o cadáver da mentira dele, que em nome do poder massacra e humilha, mesmo que isso signifique o sufocamento da mãe de um filho dele.

E assim FHC fez com todo o País. Seu governo era a demonstração de sua alma. Como fez com Mírian, mentiu que aquilo era fruto da democracia e de eleições, quando, na verdade, foi produto das alianças espúrias com bandidos, criminosos e golpistas provindos das entranhas da ditadura.

O programa de governo de FHC, em torno do qual gravitaram falsos democratas e sublegendas de direita, a mídia mau caráter da casa grande, do imperialismo, que no Brasil interveio o tempo inteiro de seu desgoverno antinacional, consistiu essencialmente em privatizar para assaltar os cofres públicos com o objetivo de enriquecer apaniguados com propinas, como se fossem corretores picaretas das vendas do patrimônio público. O desgoverno do machista FHC funcionou como verdadeira fábrica de miséria e de pobreza, servindo aos propósitos mesquinhos e desumanos da burguesia servil e colonizada.

Mas Mírian não joga em nossa cara apenas cadáveres insepultos. A ex-amante nos apresenta fantasmas desprezíveis, aí vivos e ativos, grudados no poder, sempre disponíveis a nos explorar e a golpear.

Um é o da sua irmã Margrit Dutra Schmidt, que recebe salário com nosso dinheiro público. A madame é “funcionária” do gabinete do autoritário e arrogante senador José Serra, sem trabalhar. Ela não aparece para trabalhar, embora bata ponto todos os dias.

Serra, mentiroso, mau caráter e cara de pau, saiu em sua defesa dizendo que Margrit trabalha em casa num projeto sigiloso. Ora, isso além de mentiroso, é proibido pelo regimento do Senado.

Mírian não tergiversou em indicar sua irmã como chantagista pervertida que se aproveitou da gravidez da irmã para pressionar FHC e seus aliados corruptos, ganhando muito dinheiro e enriquecer com vasto patrimônio.

O interessante que Margrit é uma das que gritou nas ruas contra Lula, Dilma e pela volta da ditadura militar.

Margrit é uma testemunha que sinaliza que os que gritam contra a corrupção não têm o menor interesse nessa pauta. O que mais lhes importa é o golpe contra a democracia para reforçar os armários onde se escondem como cadáveres ambulantes, sem vida a favor da justiça social, sem amor pelo coletivo e pelo povo.

A mídia com suas mentiras e manipulações, graças à omissão dos governos Lula e Dilma, que não promoveram a regularização constitucional do controle dos meios de comunicação, é outro traste velho e moribundo indicado por Mírian Dutra Schmidt.

Além das negociatas com canais de TV por FHC, para pagar seus protegidos pelos favores corruptos que lhe prestaram, o fato de o “jornalista” e editor executivo da revista Veja — verdadeiro catecismo dos analfabetos políticos e coxinhas — fabricou uma armação a mando do presidente amante para mentir que o filho de Mírian não era de FHC, mas de um misterioso biólogo.

Essa, aliás, é prática típica do que a mídia sempre fez visando manipular a opinião pública, buscando privilégios e dinheiro farto do poder público.

Enfim, a jornalista Mírian Dutra Schmidt, apesar de seu senso oportunista, covarde e omisso ao não denunciar no tempo certo esse homem com seu mau caráter, com seu compromisso com a classe dominante no afã enviesado contra o povo, ainda contribui com o Brasil para demonstrar a sujeira que corre por debaixo dos porões dessa oligarquia que destrói a verdade, a justiça social e a democracia.

Mírian aperta o saco lotado de baixaria de onde jorram chantagens, traições, ameaças, humilhações, mesquinharia, crimes e acertos entre os poderosos para mentir, manipular, fragilizar direitos e desmoralizar o povo brasileiro.

A direita brasileira certamente se contorce de vergonha desde as revelações de Mírian. Não porque esse segmento conservador ache errado o que FHC fez, mas porque o caso veio a público. Isso pode lançar suspeitas sobre todas as armações desses maus feitores, inclusive com seus candidatos nas eleições deste ano.

Certamente o público saberá de muito mais coisas. Muito mais. Quem viver verá! Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.

Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Leia Mais ►

Como uma mentira ganha força na internet


Para muitas pessoas, não há diferença entre um meme de origem duvidosa, uma denúncia anônima no WhatsApp e um esforço hercúleo de reportagem. Quando um conteúdo vai ao encontro do que elas acreditam, não se importam se é mentira ou não. Abraçam o argumento e compartilham-no.

Uma parte desse conteúdo serve como munição para uma guerra suja virtual por corações e mentes –você pode não ver, mas ela está aí e, por vezes, já é mais forte que o jornalismo de qualidade. Monstro que foi estupidamente alimentado por PSDB e PT durante as últimas eleições presidenciais, mas que está presente em todo o mundo.

O jornal "Edição do Brasil", de Minas Gerais, estampou em sua manchete do dia 30 de janeiro uma declaração atribuída a mim, mas que nunca dei — a de que aposentados são inúteis.

Nas páginas internas, uma entrevista, que também nunca concedi, trazia barbaridades contra os idosos. Ao que tudo indica, alguém pegou o conteúdo de meu blog no UOL, inverteu o sentido e o transformou em entrevista.

Isso desencadeou um show de horrores. Aposentados desejaram-me dor e sofrimento. Redes de ódio na internet apropriaram-se do material e afirmaram que eu havia sido pago para declarar aquilo. Ameaças de morte e agressão foram veiculadas, dizendo que eu deveria "ser caçado e morto por faca" ou que balas deveriam ser disparadas em minha testa.

Mesmo após o próprio jornal reconhecer e informar que a suposta entrevista nunca existira, o linchamento manteve-se. A essa altura, o conteúdo original não mais importava, nem o desmentido. Era apenas raiva, que fluía.

Estou tomando medidas judiciais cabíveis, o que inclui as páginas que incitaram o ódio, e o Ministério Público Federal foi informado. Todavia, esses casos têm cauda longa, duram anos, arrastando-se pela internet e sobrevivendo por meio de incautos que, no limite, resolvem fazer justiça com as próprias mãos.

Sei disso por experiência própria, pois esta não é a primeira onda de difamação que enfrento.

Vi muita gente que cotidianamente discorda de meu ponto de vista sair em minha defesa, alertando para o perigo de utilizar informação falsa nas disputas de ideias. Um exemplo de que não importa a nossa matriz de interpretação do mundo, precisamos respeitar limites éticos, sob o risco de perdermos todos.

Talvez seja este um dos maiores desafios que teremos nos próximos anos: fomentar o sentimento de responsabilidade em um mundo no qual todos possuem acesso a ferramentas de comunicação em massa, mas nunca refletem se o conteúdo que curtem e compartilham foi coletado e produzido com um mínimo de cuidado.

Se o debate público fosse mais qualificado, quem usa material falso como subsídio de argumentação nem seria ouvido. Contudo, hoje esse tipo de conteúdo faz sucesso.

Portanto, quem não gosta de manter-se informado para poder filtrar conteúdo e acha que senso crítico é uma bobagem, mas adora repassar tudo o que vê pela frente, deveria dedicar-se apenas a gifs com gatos, por favor. A divulgação de uma informação errada causa um impacto negativo que nunca poderá ser corrigido.

Leonardo Sakamoto é pesquisador visitante da New School for Social Research, conselheiro da ONU para trabalho escravo e blogueiro do UOL
Leia Mais ►

O que deu errado no crime perfeito da dupla FHC e Globo

Roberto Marinho celebra um feito do companheiro FHC


FHC e a Globo cometeram um crime quase perfeito.

Tiraram Mírian Dutra de cena numa operação ganha-ganha. FHC ganhou a presidência. A Globo ganhou o controle sobre um presidente que reinou oito anos.

Alguém pode imaginar o que significa esse controle? Num país cujas verbas publicitárias federais são brutalmente altas, é a garantia de dinheiro fácil e farto para uma emissora.

E o acesso ao dinheiro do BNDES? Um presidente nas mãos da Globo abriria os cofres do BNDES. Mírian tocou nisso em sua entrevista ao DCM. É repulsiva a foto na qual FHC e Roberto Marinho estão abraçados na inauguração de uma supergráfica do Globo financiada pelo BNDES, no final dos anos 90.

A descarada confraternização mostrava que as duas partes estavam certas de que o crime era perfeito.

E foi — até aparecer uma coisa chamada internet.

A internet rompeu o monopólio da mídia nas informações que chegam aos brasileiros.

Não fosse isso, Mírian não teria como publicar sua história. Bater na Folha? Esqueça. Na Veja? Conte outra piada. No Estadão? Hahaha.

Mas a barreira do silêncio não vigora na internet. E uma modesta revista digital, a Brazil com Z, se incumbiu de dar voz a Mírian.

Era tão forte o que ela tinha a dizer que a mídia foi obrigada a correr atrás — com vergonhoso atraso.

O pretexto usado por mais de vinte anos para não tocar no assunto era o triunfo da hipocrisia: era uma “questão privada”.

Ora, era privada apenas porque ninguém investigou o assunto.

Quem acredita que um pacto entre um presidente e a Globo é questão privada acredita em tudo, para usar a celebrada frase de Wellington.

A Globo protegeria FHC por simpatia e amizade?

Ora, ora, ora.

A Globo vendeu caro seu apoio aos militares em plena ditadura. Num livro com os documentos de Geisel, Roberto Marinho surge a certa altura cobrando novas concessões da ditadura com o argumento de que era seu “melhor amigo” na imprensa.

No livro o que se vê é um Roberto Marinho paranóico, para o qual uma empresa que não cresce logo declina.

Se com os generais foi assim, como terá sido com um presidente fraco?

FHC viveu o bastante — 83 anos agora — para ver a lama enfim emergir e lhe roubar a possibilidade de continuar a posar como um moralista perante brasileiros ingênuos e desinformados.

Quanto à Globo, o caso mostra quanto é ruim para uma empresa ser mimada com privilégios e vantagens infames.

A Globo jamais teve que ser competente. Caiu tudo para ela no colo.

Fosse competente, continuaria a pagar o mensalão de Mírian Dutra até o final de sua vida.

É monstruoso o preço da economia de custo que algum burocrata da Globo vislumbrou com a supressão do salário de Mírian.

A Globo é uma história de muita esperteza e pouca inteligência.

Mas, como diz o provérbio, a esperteza quando é demais come o dono.

Neste caso, comeu não só a Globo como FHC.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Mírian vai processar FHC na Europa

Mirian é a Lava Jato dos tucanos


Mírian Dutra é a Lava Jato dos tucanos.

Mírian guardou todos os documentos, registrou todas as remessas e conversas, arquivou todas as cartas, bilhetes, cartões de embarque, registros de imóveis, transcrição das conversas com os chefes da Globo — tudo!

Ela se prepara para exercer a vingança há muito tempo!

Ela não tinha alternativa.

E a alternativa inevitável será processar o Casanova de Hygyenopolis na Espanha, ou seja, segundo as Leis da União Europeia.

Como?

Por submete-la a uma situação análoga à Escravidão: não poder voltar ao Brasil!

Ficar trancafiada num outro Hemisfério!

Remunerá-la através de expedientes ilegais, contas ilegais, empresas que deviam favor ao Presidente da República, seu opressor!

Violar os direitos de uma mulher e mãe de seu suposto filho!

Submeter o filho suposto a dois testes de DNA possivelmente fraudulentos!

Bem que o Moro tentou prender o João Santana para tirar a Mírian do noticiário e permitir que o Casanova de Hygyenopolis respire um pouco.

Ele e seu escudeiro, outro farsante, o Místico da Moóca.

A Mírian sabe que na União Europeia não tem Moro — do Não vem ao caso! — , não Procurador que opera no wi-fi de Deus, não tem delegado que grampeia mictório de preso — nem PiG.

Lá, a imprensa prefere as mulheres vitimadas por ditadores truculentos.

Não deixe de buscar o vídeo “Vincere”, que trata do que Mussolini fez com a amante e o filho.

Há precedentes…

Na União Europeia.

Paulo Henrique Amorim

No CAf



Leia Mais ►

Como é que FHC se lembra de um contrato que não fez? Falta explicar


Na quinta-feira, Fernando Henrique Cardoso disse o seguinte: "Trata-se de um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condições de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os esclarecimentos que considerar necessários".

No dia seguinte, a empresa disse que FHC nada teve a ver com o contrato.

Fica faltando explicar como alguém se lembra de um contrato ("Trata-se de um contrato") e até de quando teria sido firmado ("feito há mais de 13 anos"), se não teve nada a ver com ele.

Eu, por exemplo, não precisaria esperar o pronunciamento da Brasif para dizer que jamais, em tempo algum, firmei qualquer contrato com ela.

Como é que FHC se lembra de um contrato que não fez? Falta explicar.

Antonio Mello



Leia Mais ►