20 de fev de 2016

Paulo Henrique Amorim entrevista Jessé Souza


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Mário Conde estilo Armando Falcão


“Não vou comentar”, diz ex-diretor da Veja que deu nota fraudada sobre gravidez de Mirian Dutra

O repórter Pedro Zambarda entrou em contato com o jornalista Mario Sergio Conti, ex-diretor da revista Veja entre 1991 e 1997, atualmente colunista do jornal Folha de S.Paulo e apresentador da GloboNews.

Para a revista BRAZILCOMZ de fevereiro, Mírian disse que foi “obrigada” a contar, na coluna social da Veja, que estava grávida de um “biólogo”. “Foi Fernando Henrique com Mario Sergio Conde (sic)”, afirmou.

Em 2000, o jornalista Palmério Dória, da revista Caros Amigos, ligou para todos os diretores de redação buscando descobrir por que a história foi abafada. Conti lhe respondeu, apoplético: “Palmério, você acha que eu vou mover uma agulha por você? Você me comparou com o David Nasser (repórter da revista sensacionalista Cruzeiro). Eu não sou da sua laia! Leve a sua calhordice até o fim!”.

Este foi o diálogo com MSC:

Alô? Por favor, gostaria de falar com Mario Sergio Conti?

É ele.

Mario Sergio, tudo bem? Gostaríamos de uma declaração sua sobre o caso Mirian-FHC. Ela te acusa de publicar uma matéria mentirosa na Veja. Isso é verdade?

Não vou comentar sobre este assunto.

Mas ela afirmou isso na revista BRAZILCOMZ. Você não quer desmenti-la?

Não vou comentar sobre este assunto.

Você não deseja mesmo se manifestar sobre isso?

Não vou comentar. Já disse três vezes que não vou comentar!

Pedro Zambaba
No DCM
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Umberto Eco: A morte e a “legião de imbecis” nas redes sociais


Não, você não é obrigado a conhecer Umberto Eco.

Talvez o único contato direto que tenha tido com uma obra do recém falecido escritor italiano seja aquele filme estranho, baseado em um livro de sua autoria… como é mesmo o nome?… tinha flor no título, não?… passou um tempo atrás no Corujão… com o cara que fazia o 007… sim! o Sean Connery… e tinha um monte de monge… enfim. Digo contato direto porque sua produção influenciou o pensamento no século 20 e, portanto, a minha e a sua vida indiretamente.

Mas não sendo obrigado a conhecer Umberto Eco, saiba que você também não é obrigado a postar besteiras nas redes sociais sobre alguém que não conhece só para ser o diferentão no momento em que muita gente comenta o seu falecimento, ocorrido nesta sexta (19).

Não sei nem porque estou me lamuriando. Eu tinha certeza que quando desse meu mergulho matinal nas redes sociais, teria vontade de arrancar meus olhos após ver certas coisas. Para entenderem o que quero dizer, chegou ao ponto de chamarem o homem de “petralha''.

E por quê? Porque uma pessoa com pensamento de esquerda elogiou o escritor. E para muitos que não têm conteúdo e não almejam tê-lo, basta saber que se seu “inimigo'' (que mundo é este em que o diferente é inimigo!) admira alguém, esse alguém é um bosta. E, imediatamente, atribuir a ele uma série de opiniões que pertencem ao seu “inimigo'' e não ao escritor por ele admirado. As pessoas deixam de ser o que elas são e passam a ser “o que eu acho que elas devam ser'' baseado em uma imagem incompleta e parcial que tenho de quem os admira.

Se a qualidade de alguém fosse guiada pela análise de seus seguidores, poderíamos dizer que Abraão, Jesus e Maomé não são grandes coisas, tendo em vista o perfil tosco, fundamentalista e violento de parte das pessoas que se dizem suas seguidoras.

Quando Umberto Eco disse que as redes sociais davam acesso à palavra a uma “legião de imbecis'', cujas conversas — antes restritas à mesa de bar — foram transportadas ao mundo, elevando o vazio à categoria de ganhador de Prêmio Nobel, nunca teria imaginado que alguns desses imbecis postariam bizarrices sobre sua própria morte sem ter ideia de quem era ele. Pois o problema não é a crítica (coisa que ele respeitava), mas a inexistência da possibilidade de diálogo quando se é guiado apenas pelo ódio.

Ou teria imaginado, rido disso, imaginado o quanto o debate público está pobre e depois refletido que nós realmente caminhamos em direção à nossa autodestruição. Vem, meteoro, vem.

Creio que Umberto Eco não morreu. Ele simplesmente se cansou e se foi. Este mundo de possibilidades infinitas que vão se desdobrando à nossa frente também guarda uma série de desgostos para alguém que confiava no papel central do conhecimento, e não da opinião sem fundamento, no desenvolvimento da humanidade.

Conhecimento que nunca foi tão importante e, ao mesmo tempo, tão desprezado.

Leonardo Sakamoto
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Defesa de Lula denunciará abusos a Janot, CNMP e OAB

http://www.institutolula.org/prdf-defesa-de-lula-denunciara-abusos-a-janot-cnmp-e-oab

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai representar junto ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciando os reiterados abusos e ilegalidades que têm sido cometidos contra Lula no âmbito da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF).

Também será denunciado ao presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, o cerceamento ilegal das prerrogativas dos advogados por parte do procurador Douglas Kirchner.

 Em breve resumo, desde abril de 2015, a PRDF:
  1. Promove, a partir de ilações fantasiosas, verdadeira devassa sobre a vida pessoal e atividades profissionais do ex-presidente Lula, invadindo dados fiscais, bancários, comerciais e até viagens e hospedagem no exterior;
  2. Impede o pleno acesso da defesa ao teor do procedimento, mas nada faz para impedir que dados sigilosos e partes injuriosas dos autos vazem sistemática e ilegalmente para a revista Época, das Organizações Globo;
  3. Estabeleceu um rodízio de procuradores no comando do procedimento, o que prolonga sua duração, dificulta o direito de defesa e dilui as responsabilidades pelos abusos e ilegalidades cometidos;
Sobre a revista Época desta semana, o Instituto Lula afirma:
  1. O único crime evidenciado na reportagem é o vazamento ilegal de um procedimento sigiloso, ao qual os advogados de Lula tiveram acesso negado, também de forma ilegal;
  2. A se acreditar na revista, que tem histórico de manipulação de documentos oficiais, a PRDF consumiu dez meses de “investigações”, custeadas com dinheiro público, para concluir que Lula teria, hipoteticamente, ajudado o BNDES a receber parcelas atrasadas do governo da Venezuela. Tratar tal hipótese como crime seria desmerecer não só o dever de imparcialidade do Ministério Público mas até a capacidade cognitiva de alguns de seus membros.
  3. O contrato entre a LILS Palestras e a empresa Odebrecht é semelhante, inclusive nos valores, a contrato de palestra de Lula assinado e pago (com recolhimento de impostos) pela INFOGLOBO, que edita O Globo e demais publicações da família Marinho.
A seguir,  nota técnica do advogado Cristiano Zanin Martins

Em relação à reportagem "Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht", as Organizações Globo, por meio da revista "Época", voltam a atacar a honra e a imagem do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando-se, para tanto, de informações colhidas em procedimento investigatório sigiloso que tramita perante o Ministério Público Federal de Brasil.

O Procurador da República que deu origem a este procedimento admitiu, no âmbito de processo disciplinar perante o Conselho Nacional do Ministério Público, que a acusação por ele formulada em desfavor do ex-Presidente Lula foi construída a partir da coleta — por ele próprio realizada — de sete documentos na internet, consistente em comentários opinativos e publicações de blogs e jornais.

A condução do procedimento sofre contínuas mudanças praticamente a cada semana, corroborando a ideia de que há um direcionamento e, acima de tudo, um prejulgamento em relação ao ex-Presidente Lula formado não a partir de fatos, mas de ideias e posicionamento ideológico. Não por acaso, o Procurador da República que instaurou o procedimento mantinha nas redes sociais publicações altamente ofensivas ao Partido dos Trabalhadores e seus membros e elogios  a partidos e pessoas que se situam em campo político antagônico, conforme documentação entregue pelos advogados do ex-Presidente Lula ao Conselho Nacional de Justiça (CNMP).

Como sempre ocorreu, os advogados do ex-Presidente Lula tentam obter cópia desse procedimento desde a primeira quinzena de dezembro de 2015.  O pedido foi negado e na primeira quinzena de janeiro de 2016 foi refeito, com base em nova base legal que não deixa dúvida sobre o direito dos advogados de obterem cópia de procedimento investigatório. Mesmo assim, o deferimento de acesso foi parcial, excluindo-se qualquer decisão ou despacho meritório formulado naqueles autos — tais como aqueles que os advogados do ex-Presidente Lula tomaram conhecimento pelas páginas da revista.

Não bastasse, apenas na data de ontem (19/02/2016), no final do dia, tais cópias parciais foram entregues aos advogados do ex-Presidente Lula, em contraposição à conduta adota em relação à revista Época, que conseguiu ter acesso a todo o procedimento sigiloso.

Não é apenas a falta de acesso imposta aos advogados do ex-Presidente Lula que macula todo o procedimento e a relação mantida pelos responsáveis pela sua condução com a revista Época.

Isso porque, durante esse período em que os advogados do ex-Presidente Lula ficaram sem acesso, os assessores da Procuradoria da República prestaram informações escritas de que o Procurador Douglas Kirchner, ao passar transitoriamente perante o 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF — onde o procedimento foi deflagrado — teria feito uma redistribuição do feito ao  5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF. E o titular do 5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF é o próprio procurador Douglas.

Essa obscura tramitação não está justificada nas cópias fornecidas aos advogados do ex-Presidente Lula, que contém apenas respostas de ofícios e petições.

A gravidade dos fatos é gritante, razão pela qual os advogados do ex-Presidente Lula irão, mais uma vez, levar a situação ao conhecimento do Procurador Geral da Republica — que até hoje não deu resposta às ilegalidades antes denunciadas — e ao Conselho Nacional do Ministério Público, que necessita cumprir as suas funções constitucionais e impedir que continue havendo o vazamento de informações sigilosas sonegadas aos advogados.

Também será dado conhecimento formal, ao presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, em audiência marcada para esta semana, do cerceamento ilegal do Direito de Defesa por parte do procurador Douglas Kirchner.

Advogado Cristiano Zanin Martins



http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/em-resposta-a-mais-um-ataque-da-veja-lula-mira-na-globo-nao-tenho-casa-em-paraty-nem-uso-empresa-fantasma/

Lula e os irmãos Marinho: quem tem casa em Paraty? Quem tem imóvel registrado por empresa fantasma?
Lula e os irmãos Marinho: quem tem casa em Paraty?
Quem tem imóvel registrado por empresa fantasma?
Em resposta a mais um ataque da Veja, Lula mira na Globo: não tenho casa em Paraty, nem uso empresa fantasma

Na semana em que se revelou — com 25 anos de atraso — o escândalo envolvendo FHC, a ex-amante e a rede de proteção midiática que blindou o PSDB, as três revistas semanais de maior circulação no país ignoraram a denúncia contra o ex-presidente tucano.

Para a mídia velha, pouco importa que FHC tenha usado a Brasif (uma empresa que ganhou espaços dos aeroportos para operar freeshops, durante o governo do PSDB) para mandar dinheiro à ex-amante — como revelou Miriam Dutra, uma ex-jornalista da Globo que foi amante de Fernando Henrique.

Pouco importa que a Brasif tenha doado recursos à campanha de FHC. Pouco importa que a Globo (também concessionária de serviço público) tenha participado da trama para esconder a jornalista na Europa — a fim de evitar o escândalo de um filho do presidente fora do casamento.

Nada disso virou capa das revistas. Era de se esperar.

O jornalismo brasileiro não se importa em saber: por que, afinal, a Brasif funciona no mesmo endereço, em Belo Horizonte, onde fica a sede da empresa em nome da qual está registrada a mansão construída pelos irmãos Marinho numa área de proteção ambiental em Paraty?

171: esse é o número do imóvel em BH que une a empresa (de fachada?) usada pela família Marinho e a Brasif — como você pode ler aqui.

Em vez de dedicar uma edição ao escândalo do tucanato, depois de 287 edições contra Lula, a revista da marginal nova capa com ataques ao petista.

O que fez Lula? Respondeu, com uma nota irônica, em que mostra disposição de travar uma luta frontal contra aqueles que pretendem destruí-lo.

Lula negou mais uma vez que seja o dono do sítio de Atibaia e do apartamento no Guarujá. E numa nota endereçada à TV Record (que solicitara explicações, diante do ataque de Veja), Lula reafirmou que “não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis. Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais.”

O recado está dado. E certamente deve preocupar a família Marinho.

Lula segue em situação delicada, sob ataque cerrado. Mas a Globo e os Civita que se preparem para uma guerra total: se o petista se recuperar (o que não é impossível) e ganhar a presidência em 2018, as relações com o cartel midiático que pensa mandar no Brasil jamais voltarão a ser amistosas.

A guerra está declarada.

Abaixo, a nota publicada neste sábado (20/fevereiro) no site do Instituto Lula…

Nota enviada à Rede Record sobre a capa da revista Veja

O ex-presidente Lula já comprovou com documentos — inclusive sua declaração de Imposto de Renda — que jamais ocultou patrimônio.

Lula não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis. Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais.

A repetição de teses caluniosas sobre Guarujá e Atibaia tem o objetivo de ligar o ex-presidente a processos em que ele não é investigado e sequer citado. Lula reside em São Bernardo, no mesmo apartamento em que morava antes de ser presidente da República. Nunca desrespeitou a lei, antes, durante ou depois de governar o pais.

É ilegal e vergonhosa a invasão de privacidade a que Lula e sua família vêm sendo submetidos por determinados agentes do estado e veículos da imprensa.
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A Folha é pluralista o suficiente? Não

Tucano não tem nome quando é acusado
Se pluralismo é dar voz, com equilíbrio, a visões políticas opostas, a Folha não é um jornal pluralista. Ela tem uns cem colunistas permanentes. É óbvio que nem todos falam de política. Mas, dos que tratam do tema, os simpatizantes de esquerda são poucos. Nem dez. (nem cinco, na verdade)

Destes, quase nenhum simpatiza com o governo federal ou com o PT. Aliás, três colunistas que tinham alguma simpatia por suas políticas — Luiz Carlos Bresser-Pereira, Barbara Gancia e Xico Sá — foram desligados nos últimos dois anos. Há assim, no Brasil, um partido que venceu as últimas quatro eleições presidenciais e conta com a segunda maior bancada na Câmara, mas não tem voz na Folha.

O contraste é grande com o espaço dado a articulistas de direita, incluindo alguns que se dizem liberais, mas que não defendem o princípio básico, supremo, de todo liberalismo genuíno: que haja igualdade de oportunidades, ou seja, que ninguém seja prejudicado ou avantajado pela loteria do nascimento em berço miserável ou rico.

Não penso que a Folha tenha obrigação de dar voz ao PT. Apenas assinalo que, se não pratica o pluralismo, não deve se dizer pluralista. Só isso.

A mesma desigualdade de espaço entre direita e esquerda aparece nas reportagens. É inegável que a Folha aponta falhas ou mesmo crimes nos políticos de direita, mas a proporção de críticas ou ataques é maior à esquerda do que à direita.

Num tema que perpassa nossa política, a corrupção, referências à esquerda são expostas como incontestes, enquanto alusões aos partidos conservadores são comedidas. Há uma diferença de pesos e critérios que é preocupante.

A reportagem é o coração do jornalismo. Apurar informações é essencial, caro e difícil. Exige uma separação clara entre fatos e opiniões. Qualquer estudante de jornalismo sabe que não há fatos em si, que a própria apuração já é marcada por uma convicção prévia.

Todavia, o jornal ou o jornalista deve acreditar no mito de que é preciso haver uma divisão entre o fato e a opinião, entre a informação e o editorial. Porém, nos últimos anos, à medida que se reduziu a apuração de notícias, que se baixou a produção de reportagens relevantes, a fronteira entre fato e opinião diluiu-se.

Em todo curso de jornalismo prega-se "a separação da igreja e do Estado", ou seja, a Redação e o departamento de publicidade devem estar divididos por uma muralha intransponível, para que o jornal tenha credibilidade.

Essa separação é respeitada, sim, e é uma condição para o jornalismo. Mas a outra muralha, entre as notícias e os editoriais, perdeu importância.

A Folha continua tendo qualidades. Alguns colunistas são realmente bons. O jornal denuncia falhas de partidos de direita, embora em menor número. Entretanto, por opção ideológica ou por outra razão, descuidou das reportagens.

Posso dizer que muitos assuntos importantes na área educacional são omitidos. Em 2013, um colunista de economia descobriu por puro acaso a existência de uma importante política do Ministério da Educação, o programa Caminho da Escola que transportava milhões de crianças para as escolas na zona rural.

Nesta semana, a mídia apenas soube que o governo Alckmin havia reduzido a duração das aulas nas escolas porque uma pessoa postou a informação no Facebook.

Seria bom se o jornal recuperasse o investimento em reportagens que estivessem claramente separadas de opiniões. Opinião quem deve formar é o próprio leitor; o jornal deve lhe dar meios para isso, nada mais.

Renato Janine Ribeiro, professor titular de ética e filosofia política da USP, foi ministro da Educação.
No Esquerda Caviar
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Quem seguir a “Folha”, pode pular do penhasco


A “Folha de S. Paulo”, em editorial intitulado “Folha, 95” (uma alusão aos seus 95 anos), apresenta aos seus leitores uma patetice panfletária que pode ser considerada o ponto alto da sua já clássica coleção “faz-me rir” para exaltar méritos que o jornal não tem. O texto começa apresentando um cenário brasileiro digno de fazer inveja a Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX e o pessimista mais brilhante e influente que a humanidade já produziu (era melhor nem ter nascido, filosofava ele).

A má-fé cínica maquiada de obtusidade córnea mostra uma fotografia desfocada e pessimamente enquadrada da economia do país e um prognóstico sobre a perspectiva de saída da crise política capaz de fazer até o mais otimista dos otimistas que a leve a sério sentir aquele desejo irrefreável de se atirar do penhasco. Para a “Folha”, diante do caos o governo está paralisado e prostrado.

Recessão emocional

Como fiel carpideira do golpismo, o jornal cita “a confiança de empresários e consumidores” no chão e “um dos maiores escândalos de corrupção da história” (referindo-se à farsa da “Operação Lava Jato”) para dizer que “o colapso da autoridade presidencial ameaça manter o país em hemorragia”. O incauto, de posse desse diagnóstico, certamente só pode chegar a uma conclusão: impeachment já!

Mas a coisa, de acordo com a “Folha”, é mais feia do que se possa imaginar. “A oposição tampouco consegue mostrar-se à altura dos desafios. A polarização ideológica e a estridência timbram o debate público e pouco têm contribuído para encontrar soluções racionais capazes de repor o Brasil nos trilhos”, receita o editorial. Bom, aí o incauto vai mesmo querer pular do penhasco.

Paulo Nogueira Batista Jr. (vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento), em artigo recentemente publicado no jornal O Globo — com o sugestivo título de “Sossega, vira-lata!” —, disse que, passando algumas semanas no Brasil, constatou horrorizado que pior do que a recessão econômica é a recessão emocional. “O país, que há poucos anos era um sucesso internacional, parece ter perdido a autoconfiança definitivamente”, escreveu.

Pessimismo e derrotismo

O cerne do seu raciocínio é que a recessão emocional alimenta a econômica, e vice-versa. O colapso da confiança prejudica inevitavelmente o investimento, o consumo e, consequentemente, o emprego. Embora de uma obviedade ululante, essa lógica básica para quem ingressa na idade juvenil não é captada coletivamente porque os brasileiros passam por uma espécie de paralisia cerebral, provocada por uma epidemia de desinformação daquelas nunca antes vista na história deste país.

A receita é antiga, mas funciona (o editorial da “Folha” é um exemplo): prognosticam-se o caos e, com isso, suas receitas conquistam as primeiras páginas (a própria “Folha dá, na mesma edição, um exemplo ao fazer um malabarismo circense com o futuro do pretérito para anunciar em sua manchetona que “o governo admite travar reajuste do mínimo para conter gastos) e as manchetes das redes de rádio, televisão e internet. Ou seja: a mídia não perde a oportunidade de mostrar uma nuvem como prenúncio de inundação.

É dessa receita que advém os insultos, os ataques pessoais, as intrigas, as falsidades, as invenções, os erros de fato e as mentiras cabeludas que se espalham pela boca dos incautos como rastilho de pólvora. Se os números que falam das mazelas do Brasil são superestimados, e não se dá atenção aos dados que mostram outra realidade, o que sobra é o mundo do pessimismo e do derrotismo.

Intelectuais de direita

Cultiva-se então o que o cientista social Albert Hirschman, alemão radicado nos Estados Unidos, batizou de fracassomania. Ele criou a expressão depois de ter conhecido de perto a situação de países como a Itália, a Colômbia e o Brasil. Numa entrevista publicada numa revista econômica italiana, Hirschman contou como desenvolveu o conceito. “Na Colômbia, a primeira reforma agrária promovida nos anos 1930 pelo governo de Alfonso López sempre foi interpretada como um fracasso total quando, pelo contrário, os dados que eu recolhia indicavam com clareza que nas zonas rurais se haviam produzido mudanças em sentido positivo”, afirma.

No Brasil ele se debruçou sobre a realidade do Nordeste, uma área onde se dizia que as obras públicas feitas para combater a seca apenas teriam produzido corrupção e uma grande dilapidação de dinheiro. “Parecia que tudo havia fracassado e que de todos os esforços não havia ficado nada. No entanto, olhando melhor, via-se desenvolvimento, algo progredia”, afirmou. Hirschman conta que, quando foi escrever sobre o assunto, ressoavam nos seus ouvidos frases recorrentes, tais como “povera Itália” (“pobre Itália”), que ele se cansou de ouvir no tempo em que viveu ali.

A fracassomania representa, diz ele, um desconhecimento da bagagem de conhecimentos produzida pelo passado, uma convicção de que tudo o que foi feito se transformou num fracasso. E cita como outro exemplo o fato de os intelectuais latino-americanos de direita terem resistido sempre a reconhecer que os trinta anos gloriosos que se seguiram a 1950 representaram um período de ascenso das sociedades. Quando finalmente reconheceram, foi para poder dizer: Agora sim, as coisas estão indo terrivelmente mal.

Propaganda enganosa

No Brasil dos nossos dias, essa receita tem um propósito muito claro, como confessa o editorial da “Folha”: caberá à mídia indicar o rumo para onde o país deve caminhar, como, aliás, ela fez no processo de formação do golpe militar de 1964. Invocando um “jornalismo profissional que aspira à exatidão e ao desengajamento”, o jornal que carrega nas costas uma galeria de patifarias diz isso abertamente ao escrever que a mídia deve “aproveitar as oportunidades criadas pela expansão e escolarização do leitorado, poderoso vetor demográfico que faz supor uma demanda crescente”.

Os demais veículos da mídia comem no mesmo cocho, mas a “Folha” merece uma menção especial porque sua propaganda enganosa de compromissos com um programa editorial “crítico, pluralista e apartidário” (palavras do citado editorial) ainda engambela uma legião de incautos. Na verdade, o que se vê em sua redação é um cotidiano de trapaças de variadas espécies para a obtenção de notícias — mentiras sobre a natureza da reportagem para conseguir entrevistas e gravadores escondidos para colher flagrantes, para ficar apenas em dois exemplos —, uma escandalosa frouxidão dos valores éticos, o que constitui violação grosseira do princípio básico do jornalismo.

A “Folha”, como a mídia em geral, a rigor não pratica jornalismo. Suas matérias são baseadas em uma infinidade de suposições e condicionalidades que não representam a realidade. São, na verdade, posicionamentos politiqueiros, rasteiras em seus adversários ideológicos. Práticas típicas de jornalismo marrom, totalmente desprovido de ética. Um jornalismo desonesto, persecutório, panfletário e torpe.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
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Exploração política de pensão fajuta? Valeu para Renan, mas não vale para FHC


As revistas semanais, como era de se esperar, simplesmente ignoraram em suas capas o escândalo da semana: a revelação, pela jornalista Mírian Dutra, de que Fernando Henrique Cardoso valia-se de um contrato fajuto de uma empresa beneficiária do Governo para pagar uma pensão alimentícia de US$ 3 mil ao filho que, àquela altura, considerava seu.

E providenciaram, num estalar de dedos, uma nova carga de vazamentos contra Lula, montada à base de suposições absurdas até pelo valor que se pagaria, de fato, se ele estivesse patrocinando negócios ilegais e não a legítima expansão de negócios de empresas brasileiras no exterior — e bem distante das Ilhas Cayman, de onde vinha a “pensão fajuta” da ex-namorada de Fernando Henrique. Porque, onde se atribui a um gerente da Petrobras, Pedro Barusco, o surrupio de R$182 milhões, chega a ser risível que — entre viagens, hospedagens e palestras, Lula tivesse recebido 26 vezes menos para atuar como “vendedor” de serviços empresariais.

E, se as palestras e eventos com Lula não tinham valor, mas eram simples cobertura do pagamento de vantagens a Lula, no julgamento da mídia, resta explicar porque por elas pagaram quase o mesmo, por cada uma, empresas como a Microsoft, Itaú, Santander, Ambev, Telefónica, Iberdrola, Telmex, Lojas Americanas, LG, Bank of America e outras, além da própria dona da Época, a Infoglobo.

A coisa é tão ridícula que usam como “prova” o fato de Lula ter se reunido com o presidente do BNDES um mês depois de ter ido a Cuba, em 2011.

Desculpem, se Lula, com o prestígio que tinha em 2011, pisasse no aeroporto e ligasse para o presidente do BNDES dizendo que precisava falar com ele, era recebido no mesmo dia, se desejasse.

Evidente que os vazamentos integram a operação “Fazer o que o gato faz” com o escândalo FHC-Brasif.

E o “coitado”  do ex-presidente reclama do “uso político” do caso, com os lordes da grande mídia balançando a cabeça, reprovando essa “baixaria” — não sei qual, porque o problema é o dinheiro e seus caminhos, não a diferença parental de Fernando Henrique Cardoso.

O curioso é que fizeram capas inteiras  sobre o caso semelhante de Renan Calheiros, quando uma ex-amante — coincidentemente a também jornalista Mônica Veloso — denunciou outra pensão fajuta igualzinha, como mostro na ilustração do post.

A  moral da mídia é mesmo elástica para seus queridinhos e uma rocha para seus inimigos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Entenda em 10 passos como FHC e Globo se tornaram um único escândalo


Mansão da família Marinho ilegal em Paraty (RJ), mesadão de FHC para Mirian Dutra, Brasif e Globo. O que esses elementos têm em comum? Confira o passo a passo da Fórum e ajude a mídia livre a montar esse ‘quebra-cabeças’ de escândalos

Baseada em apurações feitas pela mídia livre – com o silêncio da imprensa tradicional diante das recentes informações que envolvem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua ex-amante Mirian Dutra, a mansão da família Marinho em Paraty e a Brasif, empresa de Jonas Barcellos – a Fórum montou um passo a passo das últimas descobertas desse assunto e de como elas se relacionam entre si.

>> No dia 11 de fevereiro, o Diário do Centro do Mundo publica uma reportagem sobre o triplex da família Marinho em Paraty e aponta que este imóvel foi construído em área de preservação ambiental. Ao mesmo tempo informa que a casa estava em nome da Agropecuária Veine.

>> No mesmo dia, na Revista Fórum é publicada a matéria revelando que a nova esposa de FHC comprou um imóvel de R$ 950 mil reais e que, no mercado imobiliário, dizia-se que ele havia sido um presente do ex-presidente.

>> A Rede Brasil Atual publica uma reportagem onde explica que a casa dos Marinho em Paraty estava em nome de uma offshore do Panamá, a MF Corporate Servic, empresa do Grupo Mossack Fonseca.

>> O Tijolaço mostra que o helicóptero utilizado pelos Marinho era operado, até dezembro do ano passado, pelo Consórcio Veine – Santa Amália.

>> O Viomundo apresenta documentos de que o registro da Veine, na Anac, foi tranferido para a Vattne Administração, companhia que funciona na mesma sala da Cia Bracif Consórcio Empreendimento Luziania, empresa da Brasif.

>> O Tijolaço informa que a a Santa Amália, empresa que fazia consórcio com a Veine na operação do helicóptero dos Marinho, tem sede na fazenda do dono da Brasif, Jonas Barcelos.

>> Jonas Barcellos é pecuarista e dono da Brasif, multinacional que atua em setores diversos como venda de máquinas pesadas, biotecnologia animal e varejo de roupas.

>> Mirian Dutra dá uma entrevista no jornal digital Brazil com Z na Espanha e fala, entre outras coisas, que se ‘autoexilou’ para não atrapalhar a reeleição de FHC e que teria sido forçada a dizer em entrevista que o filho Tomás não era dele, mas de um biólogo.

>> No dia seguinte ela fala com Natuza Nery e Mônica Bergamo, ambas da Folha de S. Paulo e conta que recebia de FHC, por intermédio da Brasif, uma mesada de 3 mil dólares por mês.

>> FHC dá respostas contraditórias. Primeiro ele diz, a Natuza Nery, que nunca enviou recursos por empresas para Mirian Dutra. No dia seguinte, com a matéria de Mônica Bergamo, ele afirma que isso foi há 13 anos e que vai esperar a empresa, a mesma Brasil de Jonas Barcelos, em que está registrado o helicóptero da Globo, se manifestar.

>> Brasif: anote este nome. Ela é a ligação entre FHC, a Globo, o helicóptero da Globo, o triplex dos Marinho e o mesadão de 3 mil dólares de Mirian Dutra.

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Arte: Raphael Sanchez
No Fórum
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O MPF se tornou um partido político?


Já são três citações sobre Aécio Neves na Lava Jato.

A primeira foi quando o doleiro Alberto Yousseff passou informações detalhadas sobre as propinas de Furnas para Aécio. O Procurador Geral da República Rodrigo Janot mandou arquivar.

Ontem, o Ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal) acatou novo pedido de Janot e arquivou o inquérito aberto para apurar as menções do delator Ceará a Aécio alegando contradições nos depoimentos.

Para ser arquivado, é porque foi aberto um inquérito. Só se soube do inquérito quando do anúncio do arquivamento. Sigilo absoluto, enquanto vazavam informações sobre o senador Fernando Collor (até objetos íntimos foram alvo de vazamento) e sobre o deputado Eduardo Cunha.

Em casos similares, de contradições nos depoimentos, como em relação ao senador Lindberg Farias, ocorreu o oposto. Paulo Roberto Costa disse que o ajudou através de Yousseff. Em delação, Yousseff garantiu que nunca viu o senador. O caso tornou-se público e Janot ordenou que o inquérito prosseguisse. Dois pesos, duas medidas.

Ao mesmo tempo, Janot mantém na gaveta da PGR o inquérito aberto contra Aécio em 2010, por lavagem de dinheiro em uma conta em Liechtenstein em nome de uma offshore com sede em Bahamas. E empenhou-se pessoalmente em derrubar o inquérito aberto contra o senador Antonio Anastasia.

Enquanto isto, a Lava Jato trata como escândalo instalação de torres de telefonia em Atibaia e os procuradores do Distrito Federal vazam inquérito sobre os financiamentos do BNDES, sem ouvir o outro lado, escandalizando até informações banais — como o fato de uma cliente contumaz do BNDES, como a Odebrecht, liberar financiamentos em prazo inferior ao de um novo cliente.

Na primeira fase, a Lava Jato identificou brilhantemente todo o esquema de corrupção, inclusive prendendo os corruptos. Foi um período saudado pela recuperação de parte do dinheiro roubado.

Na segunda fase, perdoou um a um os delatores que aceitaram entrar no jogo político — que consistia em delatar os políticos do lado de lá e nada falarem sobre os do lado de cá.

A luta contra a corrupção foi um álibi para a luta política. Agora poderão voltar à sua vida normal, como Yousseff depois da delação premiada no caso Banestado.

Lição que fica: você pode praticar tranquilamente sua corrupção, desde que aceite fazer o jogo político dos seus inquisidores.

O caso Fifa

Sobre a cooperação internacional nas investigações do FBI sobre a FIFA.

1.         A Globo é peça central nos episódios, pois fechou os maiores contratos de transmissão com Ricardo Teixeira e João Havelange. Em todos os países, a emissora e a empresa de marketing formam um todo único. É o caso da empresa de J.Hawila com a Globo.

2.         Os Ministérios Públicos da Argentina, Uruguai, Chile, México há mais de um ano enviam  regularmente informações ao FBI para apuração dos crimes da FIFA, dentro do modelo da cooperação internacional. O Brasil é o mais atrasado dos países da América Latina, o que tem provocado estranheza no próprio FBI.

3.         O MPF solicitou ao FBI as informações levantadas sobre a conexão brasileira do escândalo. No Rio de Janeiro, uma juíza de primeira instância barrou o envio e ordenou a devolução do material. Esse episódio ocorreu há um ano. Até hoje o MPF não logrou derrubar a determinação.

O que separa países civilizados de repubiquetas é o exercício da isonomia, a noção de que a aplicação da lei pressupõe o primado da isonomia.

Pergunto: por acaso o Brasil tornou-se uma republiqueta, para aceitar passivamente essa quebra total de isonomia?

Pode ser que sim. Pode ser que não.

Mas não dá mais para esconder-se das críticas sob o argumento de que há interesses ocultos da parte dos críticos. Pouco a pouco, a imagem do poder defensor da cidadania, dos direitos difusos, o avalista dos tratados internacionais, vai se diluindo e abrindo espaço para uma imagem pouco dignificante, dos que se deixam seduzir pelo excesso de poder.

Luís Nassif
No GGN
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Samuel Wainer escancara as relações entre a “grande” imprensa no Brasil e as empreiteiras

Samuel Wainer diante das rotativas de seu jornal
O jornalista Samuel Wainer (1910-1980) foi, para quem não conhece a sua trajetória, um dos maiores jornalistas do país. Judeu do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, de origem humilde, conseguiu construir seu próprio jornal, o Última Hora, um diário de perfil popular que logo conquistaria tiragens gigantescas, ameaçando o poderio da meia dúzia de famílias que detém o controle da imprensa em nosso país. Claro que os coronéis midiáticos não iriam permitir que um joão-ninguém roubasse seu público, e patrocinaram a destruição do império jornalístico fundado por Wainer com o apoio de Getúlio Vargas.

Compara-se muito atualmente a caçada a Lula à perseguição a Getúlio e a Juscelino Kubitschek. Pois eu encontro mais paralelos entre a história da Última Hora/Samuel Wainer e a do PT/Lula: o jornal de um outsider que tenta, para sobreviver, fazer o mesmo que os outros meios de comunicação fazem, ou seja, conseguir dinheiro junto às grandes fortunas brasileiras, ao governo e às empreiteiras. Os demais jornais podiam (e podem) fazer isso. A Última Hora e Wainer, não. O mesmo aconteceu com o PT e Lula: tentaram fazer parte de um clube que não os aceitava como sócios. Obviamente estão sendo expulsos agora. Samuel Wainer e a Última Hora foram investigados, assim como Lula e o PT, enquanto os outros jornais/partidos seguem inimputáveis.

Mas quando foi que começou essa promiscuidade entre as empreiteiras e os políticos? Não é verdade que foi a partir da ditadura militar. Segundo conta Samuel Wainer em sua autobiografia, Minha Razão de Viver, estas relações remontam à década de 1950, e contaram com a cumplicidade explícita dos meios de comunicação. A coisa funcionava assim: os donos de jornais atuavam como representantes das empreiteiras, a garantia de que o serviço prestado seria pago. Chantageavam o governo para que utilizasse tal empreiteira em determinada obra; se não o fizesse, passaria a ser atacado pelo veículo em questão. Se cedesse, o dono do jornal ganhava da empreiteira 10% sobre o valor orçado para a obra. Ora, ora, e nós pensando que foram os políticos que inventaram a propina…

O empreiteiro era, segundo Wainer, “uma figura essencial aos interessados em decifrar os segredos do jogo do poder no Brasil”. E continua sendo… A única diferença é que, em vez da relação direta que tinham com os donos dos jornais, o dinheiro foi providencialmente “limpo”: passaram a ser anunciantes. Ainda hoje as grandes construtoras figuram entre os que mais publicam anúncios na imprensa — só perdem para o governo, que tragédia. Será que se a Lava-Jato fosse uma operação séria estes elos poderiam ser melhor revelados? Difícil acreditar, quando a operação Zelotes, que originalmente foi criada para investigar um escândalo de sonegação de impostos que envolvia meios de comunicação, acabou tendo como único foco o ex-presidente Lula e seus familiares…

Samuel Wainer também fala das benesses que os empresários de comunicação obtinham do governo federal, como a isenção fiscal e a facilidade para a importação de papel-jornal e maquinários — sem contar os anúncios. Quando o PSDB ocupava a presidência não era muito diferente. Em 1999, o BNDES, um banco público, se tornou SÓCIO da Globo Cabo (4,8% de participação). Em 2002, ainda no governo FHC, o BNDES injetou 284 milhões de reais, em valores da época, na emissora. Obviamente o presidente FHC não iria faltar à inauguração do reluzente novo parque gráfico dos Marinho.


Em 2003, já no governo Lula, os jornais tentaram conseguir junto ao BNDES um novo empréstimo, desta vez em conjunto, para salvar sua situação financeira. O empréstimo não foi concedido. Quando eu vejo a pressão da imprensa pela volta dos tucanos ao poder, fico pensando: não haveria aí algum interesse financeiro? Se o PSDB voltar ao poder, haverá um Proer da mídia? Me parece meio óbvio.

Fiquem com Samuel Wainer e o trecho de Minha Razão de Viver em que fala sobre as relações promíscuas dos donos da imprensa com as empreiteiras.

A imprensa e as empreiteiras

Por Samuel Wainer*

Ainda nos anos 50, a imprensa brasileira tinha como anunciantes, basicamente, pequenos comerciantes — a indústria nacional não alcançara sua maioridade, e tampouco havia grupos financeiros de grande porte. Como os recursos obtidos com as vendas em bancas e assinaturas eram insuficientes, os meios de comunicação precisavam valer-se de outras fontes de renda, utilizando como moeda de troca seu peso junto à opinião pública. Graças a esse trunfo, os barões da imprensa sempre mantiveram relações especiais com o governo, que tanto lhes prestava favores diretos como beneficiava seus amigos — amigos que sabiam retribuir a ajuda recebida.

Para assegurar o apoio dos meios de comunicação, ou ao menos evitar que lhe fizessem oposição frontal, o governo contemplava jornais e revistas com isenções fiscais, dólar subsidiado, facilidades para a importação de papel, eventualmente anúncios. Poucos ministros ousavam rechaçar reivindicações formuladas por homens como Assis Chateaubriand (dos Diários Associados) ou Paulo Bittencourt (do extinto Correio da Manhã) e destinadas a favorecer terceiros. Na Primeira República, muitos jornais prosperaram como agentes dos interesses dos exportadores de café. Nos anos 50, os barões do café foram substituídos pelos grandes empreiteiros. Especialmente nos anos JK, quando começou a era das obras portentosas, os empresários do ramo compreenderam que valia a pena contar com jornais amigos. Com a cumplicidade da imprensa, seria sempre mais fácil, também, receber do governo — um mau pagador crônico — o dinheiro a que tinham direito pelas obras executadas. Feitas tais constatações, logo se forjaram sociedades semiclandestinas bastante rentáveis.

Assis Chateaubriand, por exemplo, costumava procurar pessoalmente ministros de Estado, ou mesmo o presidente da República, para solicitar que um trecho de determinada obra — uma rodovia, uma hidrelétrica — fosse entregue a esta ou àquela construtora. Ficava claro que, se o pleito não fosse atendido, a ira do jornal desabaria sobre o autor da recusa. Era melhor, portanto, atender ao pedido. Feito o acerto, as empreiteiras premiadas presenteavam o emissário com 10% do total da quantia orçada para a obra. Geralmente, essa porcentagem resultava em cifras milionárias. Gorjetas adicionais pagavam outros favores prestados pelos donos de jornais e revistas, um dos quais era impedir atrasos no pagamento. Ministros mais prestativos, dispostos a liberar com agilidade as verbas devidas, mereciam rasgados elogios em editoriais e reportagens. Já os que protelavam pagamentos caíam em desgraça e recebiam ataques duríssimos. De quebra, os meios de comunicação faziam vista grossa para a irresponsabilidade das empreiteiras, que utilizavam material de segunda ordem, fraudavam cálculos e montavam orçamentos fictícios.

Esse tráfico de influências tornou-se particularmente intenso no governo de Juscelino Kubitschek, durante o qual se consolidaram fortunas imensas. Um dos principais beneficiários desse período foi Marco Paulo Rabello, de quem se dizia, sem provas concretas, que era sócio de JK. O presidente entregou a tarefa de construir Brasília a Rabello, que pôde distribuir entre outras empresas as obras de cuja execução não poderia encarregar-se — era muita coisa para um único empreiteiro. Só a construção de Brasília já bastaria para assegurar a alegria de dezenas de homens do ramo, mas houve mais. A rodovia Belém-Brasília, por exemplo. Também os governos estaduais incharam os cofres de algumas empreiteiras, às quais devotavam franca e suspeita simpatia, com a encomenda de projetos de âmbito regional mas também milionários.

A presença dos empreiteiros na cena política brasileira é ainda fortíssima. Eles seguem interferindo na nomeação de ministros que agirão nas áreas incluídas em seu universo de interesses, financiando partidos e candidatos, elegendo deputados e senadores, influenciando a linha editorial de jornais e revistas. Negócios desse tipo não costumam deixar rastros, mas é fácil deduzir que nestes últimos anos foram captados dessa forma alguns bilhões, repartidos entre empreiteiros e seus sócios na imprensa. Sempre que algum negócio me beneficiava, o dinheiro era integralmente aplicado na Última Hora — nunca quis nada para mim. Meus colegas pensavam de modo diferente: eles colocavam nos próprios bolsos as verbas recebidas, jamais cogitaram de aplicá-las nas empresas que dirigiam. Assim enriqueceram muitos barões da imprensa brasileira.

*Trecho do livro Minha Razão de Viver, de Samuel Wainer. Organização e edição de textos Augusto Nunes. Editora Planeta, 2010, 370 págs. O livro pode ser encontrado em edição digital na Amazon ou no sebo Estante Virtual.

wainer

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Rastros de ódio

JK viveu uma história similar àquela que hoje envolve Lula. Mas há outros exemplos

O cerco ao ex-presidente Lula é, em quase tudo,
parecido com os métodos e os meios usados contra JK
O golpismo tem sido o eixo da reação radical da direita brasileira após ter fracassado nas urnas. O método geralmente funciona em modo de revezamento. Quando não age em bloco, ora convoca os quartéis, ora bate à porta da Justiça com o intuito de interromper a normalidade constitucional. 

Esses movimentos contam com o apoio e o aplauso da mídia.

Assim tem sido o comportamento dessas forças políticas. Intolerantes com as regras da democracia reagem radicalmente quando perdem a disputa do poder pelo voto dos eleitores. 

Essa história, já longa, tem deixado um rastro de ódio na claudicante história da república brasileira.

Os insurgentes com todo o apoio que possuem sofreram, porém, mais derrotas até aqui. Mas quem os supera na disputa eleitoral paga preço alto. O presidente Getúlio Vargas, eleito contra eles, pagou com a vida.

Pagou Juscelino Kubitschek, quando pretendia voltar à Presidência, e pagou João Goulart, que assumiu após a renúncia de Jânio Quadros. JK e Jango foram para o exílio. Está pagando Lula, em seu nome e em nome de Dilma, pelas quatro competições vencidas. Querem ver na cadeia o ousado e desafiador metalúrgico.

O cerco de agora ao ex-presidente Lula é, em quase tudo, parecido com os métodos e os meios usados contra JK, acusado por “corrupção ativa e passiva”. Após autorizar a construção da ponte Brasil-Paraguai sem licitação, o presidente aumentou a reação dos perdedores, a UDN essencialmente, cobrando o preço da derrota. 

JK balançou, mas não caiu e manteve o conhecido sorriso. O cerco ao ex-presidente Lula lembra em quase tudo o sofrimento político de Kubitschek. Quase por quê?

Vargas-Jango-JK-Lula
O denominador comum entre eles é que não agradam à casa-grande
A dimensão da suposta propina recebida por JK na ocasião tinha um valor muito maior do que a soma, de hoje, do sítio em Atibaia e do triplex de um edifício plantado à beira-mar na esmaecida Guarujá, em São Paulo: um prédio de oito andares, na orla carioca. Mais precisamente na Avenida Vieira Souto, número 206, na glamourosa Ipanema, no Rio de Janeiro. 

JK teria favorecido também a um empreiteiro ao não fazer licitação para a construção da ponte entre o Brasil e o Paraguai. Foi investigado por “corrupção ativa e passiva” no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Em 1971, no período mais punitivo da ditadura militar, a Ação Penal 529/71 foi arquivada na 5ª Vara Federal, no Rio, então Estado da Guanabara.

Votos dos ministros do STF estão anexados ao processo. Eis um trecho da decisão do ministro Gonçalves de Oliveira: “Não há indício de culpabilidade do presidente Juscelino Kubitschek. De resto, os inquéritos foram feitos sem nenhuma garantia de defesa...”

Nesse sentido caminha a devassa proposta pelos procuradores na vida da família Lula da Silva.

Se não fosse cassado, JK teria sido um candidato na eleição presidencial de 1965. Embora com viés político diferente, a situação aproxima JK de Lula, um nome imbatível para a eleição de 2018. 

Vão prender Lula ou vão cancelar a eleição de 2018?

Maurício Dias
No CartaCapital
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Eco vai escrever a história da eternidade


Morreu Umberto Eco.

O mais genial dos intelectuais das últimas décadas.

Fui aluno dele no Collège de France.

Tentei trazê-lo ao Brasil várias vezes. A última, em 2008.

Recusou 150 mil euros por uma palestra para não ter de se incomodar com jornalistas.

eco

Minha visita a Umberto Eco em Milão

Na sexta-feira passada, numa escapada de avião de Paris a Milão, visitei o intelectual mais citado do mundo, o semioticista e best-seller Umberto Eco, autor de “O nome da Rosa” e de outros sucessos planetários. Levei comigo meu amigo e colega, professor da USP, Clóvis de Barros Filho. Foram duas horas de um bate-papo divertido e inesquecível. Uma experiência antropológica. Instalado num belo apartamento em frente à Piazza Castello, no centro da cidade, o escritor exibia um bigode que, segundo ele, só usa uma vez a cada 28 anos. Foi, portanto, um momento quase histórico. Aos 77 anos de idade, Eco esbanja humor e disposição para a polêmica. Alegre como um menino com seus brinquedos, mostrou logo uma primeira edição de Ulisses, de James Joyce.

Eu tratei de provocá-lo:

— O senhor leu esse tijolo aí até o fim mesmo?

— Claro, claro – ele riu – eu até escrevi sobre ele.

— E o brasileiro Machado de Assis, o senhor leu?

— Não. Mas li um livro de um francês que ensina a falar de livros que a gente não leu como se os tivesse lido.

Fiz essa pergunta sobre Machado de Assis a mais dez intelectuais em Paris (argentinos, franceses, espanhóis e australianos). Ninguém leu Machado de Assis. Pobre Brasil. Seu clássico é um desconhecido do mundo. Bebi três cervejas com Eco (7.5 graus de álcool) e convidei-o, em nomes de amigos, novamente a vir ao Brasil. Hesitou por não querer mais fazer longas viagens e por ser na América do Sul. Pedi-lhe uma explicação sobre esse ponto.

Foi bastante franco. Teme os nossos jornalistas. Não o deixariam em paz. Pediriam a sua opinião sobre tudo. Mostrou a sua biblioteca. Saltitava de simpatia:

— Quantos livros o senhor tem aqui neste apartamento?

— Poucos. Somente 30 mil. Apenas o mais necessário.

Eu quis saber se ele lia os romancistas de hoje. Foi irônico: “Não os leio. Fico com ódio quando são melhores do que eu. E com o mesmo ódio quando são piores”.

— Como o senhor vê as resenhas literárias em jornais?

— São idiotas. O sujeito lê um livro em três dias e já escreve um texto de julgamento definitivo. Levei trinta anos para dizer algo de consistente sobre certos autores e ainda tenho dúvidas. Os resenhistas, em geral, me elogiam por más razões e não percebem o que há realmente de interessante nos meus livros. Limitam-se a repetir clichês e a confirmar o que pensam de um escritor.

Do alto da minha insignificância, disse-lhe que o mesmo acontecia comigo. Rimos. Demos um passeio pelo centro de Milão. Entramos numa pequena livraria. Ele fez um discurso de inauguração que durou três minutos. Bebemos champanha para comemorar a nossa amizade pós-moderna. Falamos da crise econômica mundial, do seu desinteresse por futebol, das boas notícias sobre Luiz Inácio na Itália, da sua preferência por Barak Obama, do seu horror a Silvio Berlusconi e da sua paixão por Paris, onde tem um apartamento em Saint-Sulpice. Lembrei-lhe de que eu havia feito o seu curso no Colégio da França. Ele me fitou com ar espantado: “Claro, na época, eu lhe concedi uma entrevista”. Fiquei pasmo com a sua memória. Perguntei se podia andar sempre assim em paz na rua. Contou que só é incomodado nos vagões de primeira classe nos trens. Para escapar dos eruditos chiques, entra na segunda classe. Aí o perigo são os estudantes. Falamos de romances policiais de Simenon. Na despedida, Eco sussurrou-me um estímulo: “Escreva, não se preocupe com as críticas ou com a falta delas. Só não se aposente. A gente trabalha o dobro depois de aposentado”. Continuo na ativa. Eco vai escrever a história da eternidade.
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Leandro Fortes e enrascada de FHC


Justiça Poética

Há algo curiosamente irônico nessa ópera-bufa com a qual a jornalista Mírian Dutra nos brindou, nos últimos dias.

Ao revelar os meandros de um psicodrama permeado de clichês de folhetim dos anos 1950, Mirian, ao arrancar a máscara de bom moço de FHC, revelou ao Brasil o modus operandi das elites tucanas — aí incluídos os alienados que as replicam, ao mesmo tempo em que batem panelas nas janelas de casa.

FHC fez tudo, absolutamente tudo, e muito mais, que o PSDB e seus agregados acusam Lula de fazer.

Mas com uma diferença: há provas contra os tucanos.

Presidente da República, FHC usou um concessionário da Infraero para burlar o Fisco brasileiro e fazer pagamentos, via paraíso fiscal, a uma amante mantida no exílio pela Rede Globo.

Presidente da República, participou, ao lado do jornalista Mário Sérgio Conti, da Veja (de onde mais seria?), de uma operação fraudulenta para passar à população uma mentira: a de que a gravidez de Mirian Dutra nada tinha a ver com ele, FHC.

Para tal, obrigou a uma mulher grávida, escorraçada do País de origem, a prestar uma declaração falsa.

FHC, primeiro, negou ter usado a Brasif para intermediar as transações nas Ilhas Cayman.

Mentiu.

Provavelmente fiado na histórica blindagem da mídia, até aqui.

Agora, admite que houve, sim, mas não se lembra dos detalhes.

É rir para não chorar.

Vamos ver, então, se o Ministério Público se anima a investigar toda essa bandalheira, da mesma maneira que se interessou, tão entusiasticamente, com o barco de lata de dona Marisa e as cervejas do ex-presidente Lula.


Procura-se uma boia para FHC

A mídia ainda não achou um jeito de tirar Fernando Henrique Cardoso da enrascada em que a jornalista Mirian Dutra o meteu.

A tese de que a relação com a amante é uma questão de foro íntimo só faria sentido se:

1) O presidente da República e, por extensão, o Brasil, não tivessem sido feitos reféns da Rede Globo, por oito anos, sabe-se lá a que preço, para que essa amante ficasse escondida na Europa;

2) O presidente da República não tivesse se utilizado de uma empresa concessionária — a Brasif — para enviar dinheiro para o exterior, por meio de uma offshore aberta em paraíso fiscal, para o filho que ele imaginava ser dele — e que, agora se sabe, pode ser mesmo;

3) O presidente da República não tivesse se mancomunado com um editor da revista Veja para fraudar uma notícia com o objetivo de mentir ao País sobre a gravidez de Mirian Dutra;

4) O presidente da República não tivesse nomeado a irmã da amante, Margrit Dutra Schmidt, para cargo público federal, no Ministério da Justiça e, mais tarde, ter providenciado junto a um aliado, o senador José Serra (PSDB-SP), um emprego-fantasma no Senado, onde ela está há 15 anos, recebendo salário, todo mês, sem aparecer para dar expediente.

A nota da Brasif, uma explicação seca e patética montada por advogados para dizer que Mirian recebia dinheiro da empresa, mas que FHC nada tinha a ver com o caso, é uma dessas coisas que só podem ser vinculadas seriamente no Brasil, dada a indigência moral e profissional da nossa imprensa pátria.

Mirian recebia 4 mil dólares por mês para pesquisar preços — o que, aliás, ela disse que nunca fez.

Para acreditar nessa versão mambembe é preciso ser cínico em nível patológico ou uma besta quadrada completa, categorias em que se enquadram 99% dos batedores de panela e manifestantes da CBF dos domingos de histeria e ódio da Avenida Paulista — Margrit Dutra Schmidt entre eles.

Em um muxoxo particularmente hilariante, FHC acusou o golpe: acha ser "uso político" a Polícia Federal investigar essas transações de evasão fiscal feitas pela Brasif nas Ilhas Cayman, o paraíso dourado dos tucanos.

Então, está combinado.

Quando a investigação é sobre o barco de lata de dona Marisa Letícia ou sobre o número de caixas de cerveja que Lula levou para um sítio em Atibaia, é combate à corrupção.

Mas investigar remessas de dinheiro, via paraíso fiscal, feitas por uma concessionária do governo, a mando de um presidente da República, para manter uma amante de bico fechado com o apoio da TV Globo e da Veja, é uso político.

O problema central é que, antigamente, bastava silenciar e manipular o noticiário.

Hoje, com as redes sociais, como bem sabe José Serra e sua bolinha de papel atômica, é preciso muito mais do que jornalistas servis e desonestos para esconder um escândalo desse tamanho.

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Perfil: o jornalista da Veja que inventou um pai para o filho de Mírian Dutra

Um jornalista sem escrúpulos: Mario Sergio Conti
É tragicômica a participação do jornalista Mário Sérgio Conti na trama que silenciou Mírian Dutra.

A comédia está em que Conti apareceu na entrevista que deflagrou o escândalo na revista Brasil com Z foi citado como Conde.

Ri imediatamente. Conheço a arrogância de Mário Sérgio, e posso imaginar a raiva que ele sentiu. Paulo Henrique Amorim não perdoou. Rebatizou Conti como Conde.

A tragédia está naquilo que todos sabemos. Conti contribuiu na trama para silenciar Mírian e beneficiar FHC ao publicar uma nota mentirosa na Veja. Nela, estava dito que Mírian estava grávida de um biólogo.

Naquele instante, os meios jornalísticos e políticos tinham certeza absoluta de que o pai era FHC, então fingindo viver um casamento perfeito com Dona Ruth.

Se a história estourasse, provavelmente FHC estaria liquidado como aspirante à presidência. Você pode imaginar seu pavor, já que ele vivera uma experiência parecida quanto tentara a prefeitura de São Paulo. Uma resposta atrapalhada quando lhe perguntaram num debate se acreditava em Deus foi fatal naquela eleição.

Mário Sérgio fez sua parte na sujeira para proteger FHC. Mírian contou que Conde, então diretor de redação da Veja, armou com FHC uma nota que daria um falso pai para a criança que ela carregava.

É preciso ser muito canalha para fazer uma coisa dessas, e Conde é.

Entramos na Veja mais ou menos na mesma época. Ele era detestado pelas pessoas com as quais trabalhava.

Uma vez, quando chefiava a seção e assuntos nacionais, ele esperou uma subordinava fazer todo o trabalho miúdo e exaustivo numa madrugada de sexta feira, quando a revista fechava, para mandá-la embora.

A vítima foi Míriam Leitão.

Era aquele tipo extremamente mal humorado que rosnava para os que lhe respondiam e se derramava numa risada ridícula quando o chefe Elio Gaspari contava qualquer piada.

Num vácuo que se formou, acabou substituindo Guzzo como diretor de redação. Guzzo o fez sucessor. Uma de suas primeiras providências foi publicar na Veja uma matéria em que Guzzo aparecia no meio de um “escândalo jornalístico” tão falso quanto a nota sobre Mírian.

Mais tarde, ele repetiria a infâmia no livro Notícias do Planalto.

Foi assim que ele respondeu ao homem que o pusera no comando daquela que era então a principal publicação brasileira.

Guzzo, com sua habitual espirituosidade, diria depois sobre o episódio: “Realmente sou ruim em fazer sucessor.”

Mário Sérgio não sobreviveria muito tempo à própria incompetência. Era escandalosa a maneira como ele protegia os amigos. Insinuou-se, como alpinista social, no círculo de Roberto Marinho, e a Globo em seu tempo recebia tratamento majestoso. A adulação compensou: hoje ele faz entrevistas na Globonews.

As pessoas das quais não gostava eram punidas pelas páginas da Veja. Num momento de horror completo, ele mandou dizerem na revista que os livros de Caio Fernando Abreu não valiam as árvores derrubadas para produzi-lo.

Ele tinha mágoa da Folha, onde tivera uma passagem opaca como setorista de polícia, e se vingou proibindo mencionar o nome de Otávio Frias Filho. Uma peça de Frias estava em cartaz em São Paulo, Rancor. Na Veja São Paulo, a resenha da peça que aparecia no roteiro da revista omitia o nome do autor, por determinação de Conde.

Comigo, ele ficou com ódio quando soube que eu fora escolhido para sucedê-lo na Veja. Então eu era diretor da Exame. Ele vazou a informação para prejudicar o processo de sucessão e, na confusão que se armou, Roberto Civita recuou e optou por um veterano da Veja, Tales Alvarenga.

Ele era e é tão vingativo que conseguiu me incluir pejorativamente no livro Notícias do Planalto — um livro que tratava da queda do Collor, algo de que eu estava extremamente distante como editor de uma revista de negócios.

Mais recentemente, ele se notabilizou ao entrevistar durante a Copa num avião um falso Felipão como se fosse o real.

Para fazer o que a Veja fez com Mírian, era preciso um jornalista desprovido completamente de caráter.

Alguém como Mario Sergio Conti, o Conde.

Paulo Nogueira
No DCM
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Toma Que o Filho É Teu


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Quanto custou a propaganda da Samarco no Fantástico do último domingo?




A peça de propaganda da empresa de mineração Samarco, principal responsável pelo crime ambiental na cidade de Mariana (MG), teve sua principal inserção durante o comercial do programa ‘Fantástico’, carro-chefe da Globo aos domingos. O valor exorbitante pago pela mineradora é de se espantar.

Veja abaixo o texto do grupo Em Defesa dos Territórios Frente a Mineração, publicado no Facebook.

Na foto abaixo você pode acompanhar a Tabela de Preços dos anúncios na Rede Globo. Um anúncio nacional de 30 segundos no intervalo do Fantástico custa R$ 550.200,00. O comercial da Samarco “É sempre bom olhar para todos os lados” tinha 1 minuto. Faça as contas, cada inserção custou R$ 1.100.400,00.


Foram 3 inserções nacionais no último domingo. O que soma o montante de R$ 3.301.200,00. Ou seja, a Samarco pagou R$ 3,3 milhões por 3 minutos de propaganda nacional em um dos programas de maior audiência na TV aberta.

Olhe para todos os lados e o que você vê?

Nós do Comitê vemos uma empresa disposta a investir o que for preciso em marketing e propaganda para tentar “limpar” sua imagem suja pela lama criminosa das suas operações assassinas.

De novo, faça as contas: R$ 3,3 milhões. O que poderia ser feito com esse dinheiro?

A Samarco poderia ter comprado 17 casas em Bento Rodrigues, para indenizar famílias que tiveram suas casas destruídas pela mineradora, ou pago o salário mínimo mensal acordado com o MP (e que não tem sido cumprido) de pagar um salário mínimo a 3.750 pescadores atingidos. Ou comprado ainda 3,3 milhões de litros de água mineral para a população de cidades como Governador Valadares, que não tem água segura para consumo humano na rede de abastecimento, pois o local de captação foi totalmente contaminado pela lama. E cidades onde a Samarco briga na justiça para não entregar mais água mineral.

O que a Samarco escancarou com a sua ação de marketing hipócrita com essa campanha, e seus anúncios na grande mídia foi deixar claro que não importam para ela os atingidos, não importa o Rio Doce, para esses será uma luta árdua conseguir receber na justiça qualquer valor. Mas para limpar a lama tóxica da sua imagem, aí sim, há verba. E assim saúda investidores e o deus mercado do capitalismo.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize
Talvez os milhões investidos em grande empresas de comunicação não tenham sido suficientes para uma análise muito simples para a mineradora, a de que ela não atingiu de forma criminosa apenas a população de Mariana e da Bacia do Doce,

mas sim a cada um dos ambientalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos de todo país. E não Samarco, não permitiremos que você tripudie sobre a dor de todos aqueles dos quais destruiu suas vidas.

Ontem o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu um processo para verificar as denúncias à respeito da campanha “Fazer o que Deve ser Feito”, da Tom Comunicação para a Samarco. A entidade recebeu cerca de 50 reclamações. A maioria questiona a veracidade das informações do filme que está sendo veiculado na TV.

Texto publicado pela frente Em Defesa dos Territórios Frente a Mineração

Democratize



Veja também: O escárnio da Samarco com os brasileiros
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A história da incrível fazenda de 20 dólares de FHC, seu aeroporto e a beleza que ficou


Será que com o escândalo Mírian Dutra a imprensa vai, finalmente, investigar os negócios de Fernando Henrique Cardoso?

Creio que não, mas cumpro o meu dever de apurar e não faltam coisas estranhas nos negócios do ex-presidente.

A começar por uma informação, apurada pelo site jurídico Conjur de que a Fazenda Córrego da Ponte foi comprada por apenas 20 dólares:

“A fazenda Córrego da Ponte, cenário do confronto entre o presidente da República e o governador de Minas, já custou 20 dólares. Pelo menos é o que consta do Registro Geral de Imóveis de Unaí (MG), onde se informa que o imóvel pertence à Agropecuária Córrego da Ponte Ltda, cujos sócios são Jovelino Carvalho Mineiro Filho, Luciana e Beatriz Cardoso.

A fazenda que está sendo protegida pelo Exército, foi comprada por FHC e seu sócio, Sérgio Motta (ex-ministro das comunicações), segundo o cartório, por 2 mil dólares, e, em seguida, foi vendida para uma empresa deles por 20 dólares.

O proprietário anterior a FHC adquiriu as terras, em 1981, por 140 mil dólares.

Diante da curiosa transação, FHC alegou que a fazenda havia sido comprada, na realidade, por 50 mil dólares e que o negócio havia sido registrado em um ‘contrato particular’.

Em 1994, os dois sócios afirmaram que o valor atualizado da fazenda era 400 mil dólares.”

Mas vamos abstrair a mutreta de registrar a transação por 20 dólares — os impostos, claro — e acreditar na alegação de que valia US$ 50 mil em 1989 e US$ 400 mil em 94, um milagre de valorização de 700% em dólar!

E em 1994 a fazenda nem sequer tinha recebido as duas benfeitorias espetaculares lhe foram feitas.

camargo

A primeira o aeroporto do vizinho, a Camargo Correa (aqui acima o descritivo da escritura mostrando a vizinhança “empreitarial” do príncipe — explorada sob o nome de Agropecuária Jaunense, porque o patriarca da empreiteira, Sebastião Camargo, nasceu em Jaú, São Paulo.


Um leitor, ao qual preservo a identidade, melhora a pesquisa que fiz e traz o instantâneo do Google em 23 de dezembro de 2002 — portanto ainda no Governo FHC — que mostra a distância entre a fazenda de FHC e a pista, caprichada, construída em 1995, com mais de um quilômetro de comprimento.

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A segunda benfeitoria, também espetacular foi, curiosamente, feita quando FHC já havia transferido formalmente a fazenda para os filhos: o presidente mandou por abaixo a velha casa colonial e contratou o premiado arquiteto Luiz Gaudenzi — segundo ele próprio “mais conhecido na Europa”, com obras na Alemanha, Marrocos e Espanha — para fazer uma nova, que virou matéria da Veja e que da qual reproduzimos fotos que estão na internet.

Um ano e meio de obras resultaram na bela casa que você vê nesta galeria de fotos.

Mas este é o “capítulo” do da novela “O que é escândalo com o Lula nunca foi com FHC por muito mais”.

Espero ainda alguns documentos para mostrar que houve algo ainda mais sério, que se constitui em uma grave violação funcional de Fernando Henrique no exercício da Presidência.







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Fernando Brito
No Tijolaço
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