18 de fev de 2016

O real dossiê Cayman de FHC: US$ 100 mil no exterior, offshore e contrato de fachada (+vídeo)

Em dezembro de 2002, FHC era presidente, ainda não dava palestras. Se tinha pelo menos US$ 100 mil no exterior, qual a origem do dinheiro? Foi declarado à Receita e ao BC? Por que nunca se investigou?

Mirian disse receber US$ 3 mil por mês do ex-presidente
 por meio de empresa aberta nas Ilhas Cayman
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo hoje (18), a ex-namorada de Fernando Henrique Cardoso Mirian Dutra, ex-jornalista da TV Globo, revelou que: no dia 16 de dezembro de 2002, a offshore Eurotrade Ltd., sediada no paraíso fiscal das Ilhas Caymam, fez um contrato de fachada com a então jornalista da TV Globo Miriam Dutra para pagar a ela US$ 3.000 mensais; e que a Eurotrade Ltd. era controlada pelo grupo Brasif, do empresário Jonas Barcellos, do qual foi vice-presidente Jorge Bornhausen (ex-senador de Santa Catarina pelo PFL, hoje DEM).

Mirian disse que recebeu o dinheiro, mas não prestou serviço nenhum. Disse que o contrato era apenas um meio de FHC complementar a renda que ela recebia da TV Globo para ficar em Barcelona em silêncio. Ela conta que a TV Globo também a remunerou para não fazer serviço nenhum durante dez anos. Disse que o contrato com a Globo a proibia de aparecer ou falar a qualquer outro veículo de comunicação, garantindo o silêncio. Mas no fim de 2002, a Globo havia diminuído o pagamento dela para US$ 4.000 por mês. Lembremos que o Grupo Globo estava em dificuldades financeiras e não conseguia pagar suas dívidas nos Estados Unidos nesta época.

Mirian diz que o dinheiro da offshore era, na verdade, para pagar as despesas do filho que FHC julgava ser dele, fora do casamento. Uma pensão camuflada. FHC não registrou o filho e fazia questão de manter o assunto em segredo.

Ela ainda diz que, após dois anos do contrato com a offshore, conversou com FHC: “Ele me contou que depositou US$ 100 mil na conta da Brasif no exterior, para a empresa fazer o contrato e ir me pagando por mês, como um contrato normal. O dinheiro não saiu dos cofres da Brasif e sim do bolso do FHC”.

Em dezembro de 2002, FHC ainda era presidente e não dava palestras. Se é verdade que ele tinha pelo menos US$ 100 mil no exterior, qual a origem de tal dinheiro? E foi declarado à Receita e ao Banco Central?

O dono da Brasif Jonas Barcellos confirmou ter havido o acerto com Mirian Dutra, mas diz não se lembrar de detalhes.

FHC deu uma resposta evasiva, parecida com aquelas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes do flagrante na Suíça.

Mas o tucano Fernando Henrique Cardoso admite ter contas no exterior, em Miami e em Nova York, no Banco do Brasil, e no Novo Banco, em Madri. Admite também ter enviado dinheiro ao filho de Mirian Dutra, inclusive € 200 mil recentemente para o “filho” comprar um apartamento em Barcelona. “Nenhuma outra empresa, salvas as bancárias já referidas, foi utilizada por mim para fazer esses pagamentos”, afirma o ex-presidente tucano, sem citar diretamente a offshore em Cayman.
folhapress_miriam_dutra_cay.jpg
Contrato para remuneração de Mirian, por empresa com sede
nas Ilhas Cayman, por serviços não prestados
FHC esqueceu de informar pelo menos uma conta no exterior que ele teve no passado, no Chemical Bank, de Nova York.

A última declaração de bens do ex-presidente divulgada publicamente foi nas eleições de 1998. O ex-presidente declarou ter em 31 de dezembro de 1997 US$ 20.016,97 no Chemical Bank e US$ 3.145,73 na agência de Nova York do Banco do Brasil.

Mirian, talvez querendo insinuar alguma coisa da qual autoridades brasileiras devam tomar conhecimento, pergunta na entrevista: “Por que ninguém nunca investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora?”.

tse_dominio_publico_bens_fh.jpg
Declaração de renda de 1998 incluia saldo de US$ 20 mil no Chemical Bank
Reprodução/TSE/Domínio Público

Helena Sthephanowitz
No RBA



Leia Mais ►

O show de amadores de promotores e juízes

Os reality shows que prendem a atenção do povo na TV aberta são “quase nada” perto do palco que alguns promotores e juízes tentam montar sob égide da Justiça de nosso país. Parecem estar dentro de um Big Brother diário, tentando seus 15 minutos de fama a qualquer custo. Querem angariar atenção e aplausos num espetáculo de holofotes midiáticos. Como piada, esses agentes públicos são um ‘show de amadores’. Uma verdadeira zorra.

Ao tentar convocar o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, para deporem sobre um caso em que não há provas, fatos determinantes ou qualquer consistência, mostra o perfil destas pessoas. A perseguição pública à figura do metalúrgico que se tornou presidente tem dado o tom golpista de manifestações e manchetes jornalísticas.

A iniciativa do promotor de São Paulo, Cassio Roberto, junto de tantas outras parcialidades ideológicas, é um arbítrio, uma ficção, uma tentativa de desconstruir a imagem de Lula. Não há justificativa para esse promotor ir primeiro na imprensa e depois tentar um fato, algo que já está provado que não existe. Por isso, a sociedade precisa reagir contra esse arbítrio que viola o Estado de direito. Não podemos aceitar isso!

Abolição do habeas corpus, inversão do princípio da presunção de inocência e delações construídas e vazadas seletivamente na Grande Mídia. Desta forma, há um risco altíssimo de se vertebrar um estado de exceção dentro do Estado de direito. E essa história, nós do Partido Comunista do Brasil já conhecemos bem.

A militância de Esquerda, com milhares de militantes, sindicatos, entidades da sociedade e pessoas não organizadas, devem disputar a opinião pública. Nas ruas e nas redes, o Brasil não pode ficar de joelhos perante a mentira, o boato e o ódio. A intolerância cresce e a democracia que vimos se fortalecer, padece.

Nos últimos dias, pelo menos dois assassinatos de dirigentes comunistas (um deles prefeito) foram registrados nos jornais. Além de arrombamentos de escritórios políticos de deputadas de nossa bancada em seus estados de origem, Alice Portugal (BA) e Jô Moraes (MG).

Coincidências?

O ato em São Paulo, apesar das provocações e agressões vindas de grupos de extrema direita e a própria polícia paulistana, foi um claro episódio de apoio e solidariedade à Lula e sua família num momento tão agudo em nosso país. Assim como eles, a bancada comunista trava o bom combate na política com disputa de ideias e opinião.

Aos promotores, façam o trabalho de vocês. Investiguem o senhor Aécio Neves, acusado por três delatores por recebimento de propina em Furnas e tantos outros, o senhor FHC, que já comemora a seletividade da imprensa sobre seu suspeito apartamento em Paris, às famílias “Marinho”, que possuem tríplex em áreas de preservação ambiental sabe-se lá com que tipo de recurso.

A Justiça não é palco para amadores.

Jandira Feghali é médica e deputada federal (PCdoB/RJ).
No Blog do Miro
Leia Mais ►

A corrupção endêmica e o aparelhamento tucano em SP

Segundo um dos maiores juristas do país, o PSDB conseguiu aparelhar um sistema de controle sobre a Assembleia Legislativa, as Polícias, o Judiciário e o MP

Garantindo que não desistirá de denunciar “a impostura política que prevalece neste país sob a forma constitucional”, o jurista Fábio Konder Comparato, uma das maiores autoridades do mundo Jurídico do país, analisa a fragilidade da democracia brasileira, a corrupção endêmica no país e, também, a sistemática blindagem dos escândalos que envolvem o tucanato em São Paulo.

Em diálogo com a reportagem Operação Abafa: como os tucanos se mantêm no poder, o jurista avalia que o PSDB “conseguiu aparelhar um sistema de controle, ou pelo menos de influência dominante, sobre a Assembleia Legislativa, as Polícias e também, em grande parte, o Judiciário e o Ministério Público”. Além de “montar igualmente um esquema de controle do eleitorado, esquema esse, aliás, vinculado à corrupção”.

Konder Comparato também recupera as origens e as características da corrupção brasileira, um “mal endêmico” desde os tempos coloniais, denunciando “o costume da privatização do dinheiro público, usado pelos oligarcas como uma espécie de patrimônio pessoal”. Vale destacar que, atenta a esse “costume”, a Carta Maior vem recuperando uma série de escândalos de corrupção que, na prática, não deram em nada. Leiam também: Tucano bom é tucano solto e A Sociologia da Honestidade de FHC.

Nesta entrevista, o professor Konder Comparato alerta sobre a inexistência de uma verdadeira democracia em nosso país: “O povo jamais teve qualquer espécie de poder político no Brasil”. Um exemplo? A própria Constituição brasileira que determina ser da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito. “Somente os mandatários do povo tem poder para autorizar as manifestações de vontade deste!”, denuncia.

Confiram a entrevista:

A corrupção dos órgãos oficiais do Estado de São Paulo

Como é possível avançar no combate à corrupção, apesar do bloqueio e das manobras sistemáticas que impedem, por exemplo, investigações e CPIs no Estado de São Paulo?

O PSDB acha-se no governo do Estado há mais de um quarto de século. Durante esse tempo, conseguiu aparelhar um sistema de controle, ou pelo menos de influência dominante, sobre a Assembleia Legislativa, as Polícias e também, em grande parte, o Judiciário e o Ministério Público. O partido conseguiu, além disso, montar igualmente um esquema de controle do eleitorado, esquema esse, aliás, vinculado à corrupção.

A eliminação dessa máquina de poder partidário somente ocorrerá quando tivermos introduzido em nossa organização constitucional algumas medidas, como a eleição do chefe do Ministério Público estadual pelos seus pares, e a autonomia da Polícia Judiciária em relação à chefia do Poder Executivo.

Enquanto tais medidas não existirem, é preciso usar dos poucos recursos disponíveis pelos cidadãos, como a ação popular e outras ações judiciais, bem como representações junto ao Ministério Público, ou até mesmo o Conselho Nacional de Justiça ou o Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília. Como se percebe, não é um jogo fácil.

A corrupção no Brasil, como um mal endêmico

O sr. vem alertando que a corrupção é um mal endêmico no Brasil. Tivemos algum avanço?

Denomina-se endemia uma doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa numa determinada população. Pois bem, falando simbolicamente, a corrupção dos órgãos públicos no Brasil é uma endemia cujas primeiras manifestações irromperam já no primeiro século da colonização. Assinale-se que, quando em 1549 aqui chegou Tomé de Souza, o primeiro Governador-Geral do Brasil, ele trazia consigo um Ouvidor-Geral, ou seja, chefe dos serviços de Justiça e Polícia, e um Provedor-Mor, ou seja, o encarregado de dirigir os assuntos econômicos da colônia. Pois bem, ambos haviam sido acusados de desviar dinheiro do Tesouro Régio, quando ainda estavam em Portugal. Ao aqui chegar, o Ouvidor-Geral enviou um ofício enviado ao Rei de Portugal, para declarar que o quadro geral da colônia configurava “uma pública ladroíce e grande malícia”.

Note-se que, à época, os administradores para cá enviados pela metrópole haviam comprado seus cargos públicos, costume já consolidado em Portugal. Aqui chegando, a fim de amortizar o valor da compra de seus cargos e para compensar o sacrifício de viver nesta colônia atrasada e distante, tais administradores procuravam de qualquer maneira ganhar dinheiro. Para tanto, associavam-se aos senhores de engenho e grandes fazendeiros, participando de seus negócios; quando não se tornavam, eles próprios, senhores de engenho ou proprietários de fazendas.

A partir de então, institucionalizou-se a associação permanente dos potentados econômicos privados com os grandes agentes estatais, formando o grupo oligárquico que até hoje comanda este país. Estabeleceu-se desde então o costume da privatização do dinheiro público, usado pelos oligarcas como uma espécie de patrimônio pessoal. Ou seja, corruptos são apenas os que se vendem por dois tostões de mel coado. É o tema do conto de Machado de Assis, Suje-se gordo!

Sem dúvida, a operação Lava Jato parece ter sido o começo de uma mudança nessa longa tradição. Mas é preciso dizer que tal operação tem sido ostensivamente seletiva, pois deixa de lado todas as ladroíces cometidas nos governos anteriores ao PT no poder, abusando do vício dos dois pesos e duas medidas.

Democracia inexistente

Quais os entraves e caminhos que ainda precisamos percorrer para que o poder, efetivamente, “emane do povo”?

Para resumir o assunto, o povo jamais teve qualquer espécie de poder político no Brasil. Fala-se habitualmente em reconquista da democracia com o término do regime de exceção empresarial-militar instalado em 1964, e o restabelecimento das eleições. Mas nestas, a vontade popular é sistematicamente falseada pela influência do poder econômico dos oligarcas e as práticas ardilosas dos políticos profissionais.

Pior ainda: na nossa política, desde os tempos coloniais temos tido uma tradição de dissimulação do poder oligárquico por meio de belas instituições oficiais ocultando a realidade. Nossas Constituições, por exemplo, desde a primeira de 1824, são peças puramente retóricas, incapazes de enfraquecer e, menos ainda, de extinguir o regime oligárquico.

A atual “Constituição Cidadã”, por exemplo, declara em seu art. 14 que a soberania popular é exercida, além do sufrágio eleitoral, pelo plebiscito, o referendo e a iniciativa popular legislativa. Mais adiante, porém, o art. 49, inciso XV vem precisar que “é da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito”. Ou seja, trocando em miúdos, somente os mandatários do povo tem poder para autorizar as manifestações de vontade deste! É, literalmente, a submissão do mandante à autoridade do mandatário.

E quanto à iniciativa popular, a direção da Câmara dos Deputados já fixou, desde o início de vigência da Constituição, que os milhares de assinaturas necessárias à apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular devem ser reconhecidas, uma a uma, pelos funcionários daquela Casa do Congresso Nacional. É exatamente por isso que até hoje nenhum projeto dessa natureza foi votado e aprovado pelo Congresso Nacional.

Revoltado contra esse embuste jurídico oficial, tentei atuar. Em 2004, em nome do Conselho Federal da OAB, apresentei à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados um projeto de lei de regulamentação do art. 14 da Constituição, para eliminar a interpretação de que o Congresso Nacional tem poderes acima do povo soberano, em matéria de plebiscitos e referendos. O projeto ainda não foi votado em plenário na Câmara, mas já um substitutivo apresentado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania por um deputado do PT veio reafirmar, com outras palavras, que somente o Congresso Nacional tem o poder de autorizar o povo soberano a votar em plebiscitos e referendos.

Em 2005, apresentei a dois Senadores um anteprojeto de Proposta de Emenda Constitucional, introduzindo em nosso país o instituto de recall; isto é, do referendo revocatório de mandatos políticos. O povo elege e pode, portanto, destituir o representante eleito. Obviamente, após nove anos de tramitação, a proposta foi desaprovada em plenário.

Mas saibam que não desistirei de denunciar a impostura política que prevalece neste país sob a forma constitucional.

Tatiana Carlotti
No Carta Maior
Leia Mais ►

Dilma afoga o Fantástico no Pedral do Lourenço

Governo conclui licitação para obras que garantirão navegabilidade do Rio Tocantins

Desgaste das pedras que dificultam navegação no Rio Tocantins (derrocamento) facilitará escoamento de
grãos e minério de ferro do PA, MA, TO, GO e MT.
Em novembro de 2013, no quadro "Quem paga é você", o Fantástico, da Rede Globo, tentou provar que um erro de projeto para transporte fluvial gerou gastos bilionários no Pará.

O programa viajou por 5.700 quilômetros de rios para mostrar, nas palavras do repórter, "o que faz o transporte fluvial brasileiro encalhar".


Á época, o Fantástico tentava provar que o Governo Dilma não construiu eclusas ao lado das barragens do rio Teles Pires, em Mato Grosso.

E que o Governo construiu as eclusas do rio Tucuruí, no Pará, sem tirar as pedras do caminho, o Pedral do Lourenço. Na reportagem, o jornalista chega a classificar as eclusas do Tucuruí como "faraônicas".


Pois na última terça-feira (16), a Presidenta Dilma Rousseff deu início às obras do Pedral do Lourenço.


Governo conclui licitação para obras que garantirão navegabilidade do Rio Tocantins

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou, na terça-feira (16), que a empresa DTA Engenharia venceu a licitação para elaborar os projetos básico, executivo e de ações ambientais necessários à viabilização da hidrovia do Rio Tocantins, entre Tucuruí e Marabá, no Pará. A obra permitirá a ligação fluvial entre o porto de Vila do Conde e Marabá, município já provido de modal ferroviário e rodoviário, o que possibilitará a interligação do porto com o centro do País.

O edital foi lançado pessoalmente pela presidenta Dilma Rousseff no dia 20 de março de 2014. A execução desta obra fará o derrocamento do Pedral do Lourenço, no estado do Pará, operação que consiste em desgastar as pedras que impedem a navegação de comboios de carga durante os meses em que o Rio Tocantins fica mais raso. Para o ministro Helder Barbalho, da Secretaria de Portos, o resultado da licitação mostra que a presidenta Dilma Rousseff cumpriu a promessa de dar início às obras do pedral, cujo edital de derrocamento foi lançado por ela mesma, em 20 de março de 2014.

“A obra é fruto do esforço coletivo do governo federal e permitirá a navegabilidade do Rio Tocantins durante todo o ano”, comemorou o ministro por meio de uma rede social. E destacou que esse trabalho envolve uma logística hidroviária que propiciará maior desenvolvimento econômico e geração de empregos.

“A obra não é importante apenas para o escoamento de grãos, mas permitirá a verticalização do minério de ferro”, ressaltou ainda. “Além disso, a hidrovia criará condições melhores para os futuros leilões no Brasil”.

Arco Norte

O Arco Norte é composto pelos portos situados nos estados do Amazonas (Itacoatiara), Bahia (Salvador e Ilhéus), Maranhão (Itaqui) e Pará (Santarém e Vila do Conde), todos acima do Paralelo 16° Sul. As exportações de soja e milho pelos portos do Arco Norte saltaram de 13 milhões de toneladas para 20 milhões de toneladas no acumulado de 2015, em comparação com 2014. Esse resultado representa um incremento de 54% no volume de escoamento de grãos pelos portos da região, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A tendência é que esse volume aumente ainda mais, especialmente com a entrada em operação de novos terminais portuários, principal objetivo dos leilões de arrendamento de seis áreas, todas no Pará, que acontecerão no mês que vem – dia 31 de março.

Navegação para Brasil, Europa e EUA

O Pedral do Lourenço possui 43 quilômetros de extensão e está localizado entre a Ilha do Bogéa e o município de Santa Terezinha do Tauri, no Pará. A obra vai viabilizar o tráfego contínuo de embarcações e comboios em um trecho de 500 quilômetros, que vai de Marabá (PA) a Vila do Conde (PA).

A navegabilidade da hidrovia do Tocantins vai facilitar o escoamento da produção agrícola, pecuária e mineral do Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso, que têm o Porto de Vila do Conde e a região do baixo Amazonas como destino. O porto também está situado em local privilegiado, em relação ao mercado europeu e ao norte-americano, com uma rota de capacidade operacional estimada em 20 milhões de toneladas para o ano de 2025.

O empreendimento representa mais um passo em direção à mudança na matriz de transportes brasileira. Um comboio de 150 metros de comprimento, com capacidade de 6 mil toneladas, equivale a 172 carretas de 35 toneladas de capacidade. Entretanto, atualmente, apenas 5% da carga no País é transportada por hidrovias. O transporte aquaviário é mais econômico e sustentável, pois reduz custos e diminui a emissão de poluentes, aumentando a competitividade da produção brasileiro no exterior.

Confira outras medidas da presidenta Dilma para consolidar essa nova rota logística:

Nesta segunda-feira (15), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em mais uma ação para impulsionar o Arco Norte, lançou o edital chamando empresas privadas a promoverem estudos técnicos e de viabilidade para subsidiar a concessão e prever as obras que deverão ser realizadas na BR-163 no trecho que faltava para chegar até Santarém (trecho Santarém-entroncamento com a BR-230). Dessa forma, os grãos transportados de Mato Grosso por rodovia podem chegar até o Porto de Santarém.
Em 29 de dezembro, a ANTT abriu para audiência pública as minutas de edital e contrato para concessão da BR-163/230/MT-PA – trecho Sinop (MT) a Miritituba (PA).

Além disso, em janeiro foi divulgado que a ferrovia que liga Lucas do Rio Verde a Miritituba, no Pará, com previsão de R$ 9,9 bilhões, será leiloada neste ano.

Leia Mais ►

Obama deixa coxinhas confusos ao anunciar que “vai pra cuba”


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira (18) que vai viajar a Cuba e encontrar com o presidente Raúl Castro em março. Ele será o primeiro presidente americano em atividade a pisar na ilha caribenha em 88 anos — o último foi Calvin Coolidge, que visitou a ilha em 1928.

Depois do anúncio, milhões de brasileiros manifestaram revolta e confusão nas redes sociais. “Comu aciiiiiiiiiim? Obama em Cuuuuuuuuuuba? Virou comunistaaaaaaa e fdp… minha vida acaboooooo!”, disse um seguidor do Retardados Online.

Segundo a Casa Branca, a visita será nos dias 21 e 22 de março. Ele estará acompanhado da primeira-dama, Michelle.

No Sensacionalismo
Leia Mais ►

Como uma empresa de R$ 1mil se transformou nas Organizações Globo. E como Lula transferiu a elas as concessões dos canais


Espero que o Ministério Público, a Polícia Federal e o Dr. Sérgio Moro, que estão loucos atrás dos filhos do Lula, mandem investigar outros filhos — os do Roberto Marinho —  pela transformação de uma microscópica empresa, aberta com capital social de R$ 1.400 (isso mesmo, mil e quatrocentos reais) no ano 2000 virou, hoje, as Organizações Globo Participações, com capital registrado de R$ 7.961.759.235,74 (sete bilhões, novecentos e sessenta e um milhões, setecentos e cinquenta e nove mil e duzentos e trinta e cinco reais e setenta e quatro centavos) e dona das concessões dos canais de televisão no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

E se houve favorecimento ao ex-presidente Lula para assinar o decreto de 23 de agosto de 2005 que fez esta transferência.

Para ajudar esse povo que tem muito trabalho arrancando delações depois de manter pessoas na cadeia por meses seguidos, vou ser cronológico e documental.

Acompanhe a história do CNPJ 03.953.638/0001-35.

Ele foi atribuído, no dia 13 de julho do ano 2000, à empresa 296 Participações SA, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, com capital social de R$ 1 mil, pertencendo ao advogado Eduardo Duarte, CPF 024.974.417-15, como se vê na reprodução abaixo e você pode conferir na certidão expedida pela Junta.

296jucesp

Assim ficou até 2003, quando Rangel foi substituído por Simone Burck, sócia de Eduardo Duarte.

Mas porque Eduardo Duarte abriu a empresa? Para vender.

No relatório da Operação Satiagraha, ele é assim referido:

eduardo296

Ele confirma numa entrevista à Istoé a profissão de “abridor de empresa” e nega ser laranja: Afirma que, ao contrário do que diz a PF, não é mais sócio das empresas que estão com Dantas. “Se você vende um carro para alguém e o cara sai matando pelas ruas, você não pode ser acusado por isso”…

A empresa era “de prateleira, tanto que não registra nenhuma receita e registra, em 2003, um prejuízo de R$ 700.

Então, em 2005 aparecem os compradores: os três irmãos Marinho — Roberto Irineu, José Roberto e  João Roberto.

Assumem seu controle,  mudam seu nome para Cardeiros Participações SA e a sede para o Rio.

Uma trabalheira aparentemente sem sentido para uma empresa de R$ 1 mil não é?

Mas está no Diário Oficial:

296marinho

cardeirosmarinho

Enquanto tudo isso acontecia,  a Cardeiros, ex-296, ainda com o capital de R$ 1,4 mil (no dia 23 de junho, quando já não respondia pela 296, Eduardo Duarte registrou, retroativamente a fevereiro, um aumento de R$ 400 no capital — deixo aos contadores que expliquem as possíveis razões) requeria pelo Processo Administrativo no 53000.034614/2005-74 a transferência para si das concessões, agora que era a detentora do controle total da Globo Participações.

Pediu e levou o Decreto assinado por Lula e pelo seu ex-funcionário Hélio Costa, então Ministro das Comunicação.

decreto

E assim, finalmente, o que se tem hoje é apenas a Globo Participações, registrada no Ministério da Fazenda sob o mesmo CNPJ 03.953.638/0001-35 da modestíssima 296 Participações de R$ 1 mil.

Imagine o que o Dr. Sérgio Moro faria com este CNPJ fosse de uma das empresas investigadas na Lava jato.

Pense só na matéria da Globo pegando estes documento e ampliando as datas, nomes e valores na tela da tevê de milhões de pessoas.

Que escândalo, não é?

Mas, como é a Globo, só num pobre blog como este, sem equipe de repórteres, sem estrutura e só com os poucos recursos que seus leitores “pingam” (com a minha imensa gratidão) você lê a história sobre como um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo usa o abrigo de uma empresinha de prateleira de valor risível.

Os jornais, mesmo, estão ocupados com um barquinho de lata.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Argentina: Proa ao naufrágio


Dois meses. Aos argentinos parecem anos, mas, apenas leva dois meses no poder. As medidas econômicas que tem tomado Mauricio Macri, despertou o medo de perder o trabalho; de não poder colocar um prato de comida na mesa; de perder a cobertura da saúde; e, inclusive, perder a liberdade por protestar.

Com proteção midiática e judicial; as corporações tomaram o timão do país através de seus gerentes, levando Macri como representante de proa.

A chancelaria argentina está nas mãos da Telecom e IBM; O Ministério de Energia é manejado pela petroleira holandesa Shell; o Ministério da Fazenda e Finanças, manejado pelo bancário J.P. Morgan; a Unidade de Investigações Financeiras está nas mãos do banco HSBC, denunciado em nosso país por ter lavado dinheiro. O diretório do Banco Central da República Argentina é controlado conjuntamente pelos bancos J.P. Morgan e Goldman Sachs. Enquanto que as Linhas Aéreas Argentinas é administrada pela General Motors e pela linha aérea chilena LAN.

Onde havia um posto diretivo, um ministério ou uma secretaria, ali há um gerente de alguma corporação estrangeira ou nacional.

E ao analisar as medidas econômicas que este grupo de empresários fazem Mauricio Macri firmar, não restam dúvidas que o plano do governo não inclui a classe trabalhadora.

A brusca desvalorização de mais de 40% na primeira semana de governo, trouxe aparelhada um brusco aumento de preços e outras medidas, como o aumento de taxas de créditos bancários que encareu o financiamento em mais de 30%; as demissões em massa do setor público que deixou a 30.000 desempregados; mais outros 30.000 trabalhadores que estão sem receber e paralisam as obras públicas em todo o país; a quitação de retenções e exportações; começa a trazer consequências nas pequenas e médias indústrias, que tem visto reduzidos seus pedidos de produção e uma contração nas compras entre 15 e 20%. Isto evidencia principalmente nos setores de alimentos, têxteis, calçados, couros, eletrodomésticos, metal-mecânica e no comércio varejista.

Esta situação criada por políticas econômicas não se evidencia prontamente, já que o aumento de tarifas dos serviços públicos que alcançam valores de 600% para a energia elétrica a partir de janeiro, não chegou ainda a cada casa, comércio ou indústria. Quando comecem a chegar as faturas para pagar o serviço elétrico, sem dúvidas se transladará aos preços dos produtos, o que aprofundará a recessão.

A renovação de aluguéis, tanto de moradias como de locais comerciais, teve um acréscimo entre 30 e 60% e se exige para os novos contratos um ajuste semestral.

As taxas de serviços municipais e provinciais aumentaram entre 30 e 50% dependendo do distrito.

O custo do transporte e logística encareceu cerca de 20% até o momento e ainda não anunciaram de quanto será o aumento do preço dos combustíveis, anunciado para o mês de março.

O pequeno comerciante se verá obrigado a desprender-se de algum empregado para poder pagar os serviços. Sendo assim, aumentará o desemprego.

O único plano de desemprego que há na Argentina, é para pais ou mães com filhos: a Alocação Universal por Filho, cujo poder de compra se viu prejudicado pela desvalorização e inflação gerada pelas políticas econômicas do governo.

Os empresários e os comerciantes argentinos começaram a ver como aumentam os custos, e por sua vez diminuem a receita.

As discussões salariais apenas se iniciam, e grande parte da dirigência sindical da mostras de não pretender confrontar o governo. Outra vez, vão deixar os trabalhadores a mercê dos tubarões do neoliberalismo.

O plano é macabro e está sucedendo, neste instante, diante de nossos olhos.

Sem delongas, as grandes corporações foram beneficiadas com outras políticas econômicas: à indústria do tabaco, contrário as recomendações da Organização Mundial da Saúde, foi reduzida a carga impositiva de 21 para 7%.

As mineradoras foram favorecidas pela quitação de retenções às exportações. Até a semana passada pagavam 4%, agora não pagam nada.

As automotoras foram beneficiadas com a quitação do imposto aos automóveis de luxo, que era de 35%.

As exportadoras vinculadas a atividade agropecuária e a pesca, se viram beneficiadas com a eliminação das retenções impositivas que rondavam, dependendo do produto, entre 5 e 35%.

E para que o festejo das corporações seja mais barato, nesta semana Mauricio Macri firmou o decreto N.º 355 que eliminou os impostos do champagne.

Toda essa massa de dinheiro que antes ingressava nas contas do Estado agora fica no bolso dos mais poderosos; lhes provendo com a possibilidade de enviar dinheiro a suas casas matrizes garantindo assim a fuga de divisas.

Este dinheiro em fuga é o que até dois meses atrás, se utilizava para fazer obras de infraestrutura em todo o país e para dar assistência aos diferentes planos de contenção social em saúde, educação e moradia. Hoje tudo isso ficou no passado.

Ao mesmo tempo que se firmavam as exceções dos tributos para o setor mais rico da população, se eliminava, “por ser muito custoso” o plano Qunita, que garantia aos recém nascidos dos setores mais pobres um berço, fraldas, roupa, bolsa para mudas de roupas, elementos de higiene e cartilha sanitária.

Em dois meses deste governo, as prioridades estão claramente delineadas.

Neste barco, somente os ricos tem assegurado seu lugar no bote salva-vidas.

Débora Mabaires, de Buenos Aires
Tradução: Thiago Iessim
No Desacato
Leia Mais ►

Empresa “dona” da casa dos Marinho foi criada pela Mossack, que é investigada no Guarujá


Desde que surgiu o caso da mansão dos Marinho, os solitários blogueiros que se dedicam a investigar o que, de fato, ocorre ali, tem esbarrado nas dificuldades, muito além de nossas próprias penúrias, em conseguir dados nos paraísos fiscais onde esta turma vai maquiar seus negócios.

Agora, porém, tenho os documentos e as provas de que o “triplex” da família Marinho em Parati está indissoluvelmente ligado à empresa Mossack Fonseca, que a Lava Jato, ao que parece, desistiu de investigar pela eventual lavagem de uns apartamentos mixurucas no Guarujá.

Primeiro, vamos atualizar a situação da Agropecuária Veine Patrimonial, sob a qual se abriga, formalmente a mansão de Parati.

Controlada antes pela panamenha Blainville International, criada — tal como as empresas offshore de Paulo Roberto Costa, sediada nas salas dos panamenhos Icaza, Gonzalez – Ruiz & Aleman, agora a Veine pertence quase que totalmente a Vaincre LLC, empresa do estado de Nevada, um dos paraísos fiscais dentro dos EUA.

Aqui está o registro da Veine na Junta Comercial do Rio de Janeiro:

veinejunta

Mas o que tem a ver a Vaincre com a Mossack Fonseca, que não aparece em seus registros cadastrais em Nevada (que reproduzo abaixo)?

vaincrenevada

Bem, havia duas coisas sugestivas, o fato de terem tido a Camile Services, do Panamá, como agente — empresa com ligações com a Mossack Fonseca e o fato de ter sido criada por uma empresa de nome — MF Corporate Services Ltda. — poderia ser as iniciais de Mossack Fonseca.

Como neste blog, ao contrário do que ocorre na vara do Dr. Sérgio Moro, sugestivo não é o suficiente para acusar ninguém, não se acusou a empresa dona da casa dos Marinho de ter sido criada pela empresa de quem a Lava Jato acusava (parece que desistiram) de lavar dinheiro com negócios imobiliários.

Mas agora, sim, afirma que é ligada, até às tripas, à Mossack Fonseca que a Lava Jato chama de lavanderia de dinheiro.

E com base para fazer isso, justamente numa sentença judicial (aqui, na íntegra) de um colega americano do Dr. Moro, o juiz Federal Cam Ferembach, que diz que a “M. F. Corporate Services cria, ”na prateleira”, corporações que estão prontas para operar em menos de 24 horas. Quando um dos clientes de Mossack Fonseca & Co. adquire uma corporação ” na prateleira ”, M. F. Corporate Services começa o processo de montagem de documentos e enviá-lo à Secretário de Estado de Nevada (…) o  próprio site da Mossack Fonseca & Co.  anuncia os serviços de M. F. Corporate Services como seus”.

“Isto demonstra que M. F. Corporate Services não existe sem a Mossack Fonseca & Co. e que M. F. Corporate Services (…) é na verdade uma mera instrumentalidade “de Mossack Fonseca & Co. (…) considerar identidades separadas das empresas resultaria na fraude ou a injustiça. (…) Por conseguinte, o tribunal conclui que M. F. Corporate Services não existe sem Mossack Fonseca & Co. e obriga ao juiz a tratar M. F. Corporate Services como o que é na realidade : Mossack Fonseca & Co.”

Portanto, pelas conclusões do juiz Cam Federbach, é obrigatório afirmar que a empresa que criou a offshore que detém a propriedade da mansão de altíssimo luxo dos Marinho foi crada pela mesma empresa que Moro manda investigar pelo mesmo tipo de negócio no condomínio “meia boca” do Guarujá.

E porque é dos Marinho não será mais investigada? Ainda mais porque — só aqui — a empresa laranja está com seu funcionamento cancelado nos EUA desde o final de 2014, mas opera no Brasil, onde nem endereço tem…

Aliás, só mesmo no Brasil “republicano” uma empresa laranja, em situação de ilegalidade, invade praias protegidas, ergue mansões e “não vem ao caso”.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Empresa investigada na Lava Jato paga comemoração da Folha

A construtora Odebrecht está bancando parte das comemorações dos 95 anos do jornal Folha de São Paulo.


Trata-se de um encontro de jornalistas que ocorre no MIS – Museu da Imagem e do Som em São Paulo, entre 18 e 19 de fevereiro de 2016. Nomes, tais como, Reinaldo Azevedo e Josias de Souza estão envolvidos no caso. Outro envolvido é o economista Eduardo Giannetti que orientou a pré-campanha de Marina Silva, então no PSB, nas eleições de 2014.

A Odebrecht está sendo investigada na Operação Lava Jato por pagamentos de propinas à diretores da Petrobras. Seu presidente, Marcelo Odebrecht, inclusive, está preso em Curitiba por determinação do juiz federal Sergio Moro. Recentemente, Moro autorizou o uso de documentos enviados pela promotoria pública da Suíça nas ações penais contra a Odebrecht.

A Odebrecht já esteve envolvida em outras formas de patrocínio que geram polêmicas. Foi o caso das viagens do ex-presidente Lula para supostas palestras em países como Cuba e República Dominicana.

Documentos obtidos comprovam o patrocínio da Odebrecht às comemorações da Folha e apontam para que a decisão pela aceitação dessa forma de favorecimento foi tomada ao nível da cúpula do jornal, ou seja, com a aprovação de Otavio Frias Filho — diretor de redação.

Veja abaixo:

Folha 95 encontro

PS1: agradecimentos à sugestão involuntária da colega Claudia Toni no Painel do Leitor da Folha de São Paulo.


PS2: esta Oficina parabeniza a Folha pelos seus 95 anos de existência, mantém-se crítica à manipulação da informação e apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Consertos Gerais e Poesia
Leia Mais ►

Para entender o caso Brasif-FHC

A coluna abaixo foi publicada na Folha, em 21 de março de 2006, quando a Brasif resolveu vender suas operações para uma empresa suiça. A Brasif foi apontada pela jornalista Mirian Dutra como a empresa através da qual Fernando Henrique Cardoso garantia a suplementação da sua (de Mirian) renda no exterior.

1. Todas as lojas da Brasif eram concessões obtidas nos anos anteriores na Infraero — foram concessões públicas entregues de graça à empresa. E concessões únicas junto à Secretaria da Receita federal.

2. O valor atualizado (em reais) dos US$ 100 mil remetidos por FHC é de R$ 357 mil (supondo 1 dólar = 1 real). Provavelmente FHC não terá dificuldade em comprovar a posse desse valor e a maneira como a saída foi declarada em seu Imposto de Renda.

3. Se se for aplicar a FHC a mesma métrica com que o Ministério Público Federal mede Lula, se terá as duas pontas de forma muito mais nítida: uma empresa que envia dinheiro para uma jornalista, a pedido de FHC; e a mesma empresa sendo beneficiada por privilégios únicos em sua atividade.

Aqui a coluna de 23 de março de 2006, com as explicações da Brasif para os privilégios que obteve.

A Brasif explica

Jonas Barcellos é um mineiro maneiro, simpático. 69 anos, dono da Brasif, que desde o início dos anos 80 controla o "free shop" dos principais aeroportos brasileiros. Jonas entra em contato para tentar esclarecer o questionamento de ter vendido para uma empresa suíça, a Duty, por US$ 250 milhões, uma empresa cujo maior "goodwill" são os privilégios fiscais, já que a grande fonte de faturamento é a concessão para vender produtos isentos de impostos nos aeroportos internacionais brasileiros. Sua intenção é aplicar o dinheiro em projetos alcoolquímicos, seguindo as recomendações do conselheiro da empresa, Eliezer Baptista.

Vamos entender um pouco mais do negócio Brasif. Em quase todos os aeroportos internacionais brasileiros ela tem o monopólio ou quase monopólio das vendas de "free shops".

Segundo o diretor jurídico Cyro Kurtz, não haveria monopólio nem contrato de concessão. São duas peças separadas. Uma delas, atos declaratórios da Secretaria da Receita Federal, outorgando autorização para importar sem Imposto de Importação e sem IPI — de acordo com o decreto-lei 1.455/ 76.

Outra, a locação do espaço nos aeroportos, por meio de contratos de cessão de uso de área pela Infraero. Só que são locais especialíssimos, já que os únicos que ficam antes da alfândega e onde os viajantes podem comprar até US$ 500,00 em produtos sem impostos. Kurtz diz que a isenção não é da Brasif, mas do passageiro — de qualquer modo, ele só poderá exercer em loja Brasif.

Garante também que não houve privilégio na outorga, porque houve licitação. Mas não houve concorrentes nas licitações em São Paulo, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Florianópolis. Houve no Rio de Janeiro e em Recife, que ela venceu. Perdeu em Salvador, mas tornou-se fornecedora do vencedor.

Segundo Kurtz, a falta de competidores para disputar o mais ambicionado espaço comercial do país se deve ao fato de a atividade ser muito complexa, embora o país tenha grandes lojas varejistas.

Em todos os casos, houve apenas a primeira licitação. Depois, a Brasif garantiu a prorrogação do contrato por meio de um dispositivo do Código Brasileiro de Aeronáutica que se aplica a todas as lojas para amortização de novos investimentos feitos em sua ampliação ou por questões de reformas de aeroportos, levando em conta as constantes transformações a que os aeroportos estão sujeitos. A prorrogação obedece a uma tabela, e os investimentos precisam ser devidamente comprovados. A questão é que, no caso da Brasif, cada prorrogação do contrato de locação prorroga automaticamente o de isenção alfandegária.

Kurtz nega, igualmente, que exista monopólio no uso do espaço alfandegado. A qualquer momento a Infraero poderá locar outras áreas, diz ele. E por que não fez até agora? Porque está satisfeitíssima com os serviços prestados pela Brasif, segundo ele.

O "due diligence" dos suíços nada comprovou de irregular na atividade -nem a coluna insinuou irregularidade. Mas permanece a questão: o "goodwill" que foi vendido aos suíços decorre de privilégios fiscais.

Aqui, uma matéria da colunista Lu Lacerda sobre outras amizades de Jonas. Aliás, am matéria de política, Jonas sempre foi absolutamente ecumênico: ajudava tanto o PSDB quanto o PT.

Do iG

Serra, Jonas Barcellos e a loja de calcinhas

José Serra: candidato à Prefeitura de São Paulo visto com o
amigo Jonas Barcellos saindo de loja de calcinhas
Foto: Geraldo Valadares
O candidato à Prefeitura de São Paulo José Serra foi visto, na tarde desta sexta-feira (02/03), saindo com o empresário Jonas Barcellos da “Loungerie” — loja de roupas íntimas no Leblon, localizada no prédio da Brasif, uma das empresas de Barcellos. A empresária que passava pensou que ambos estivessem comprando presentes para suas mulheres. O fato é que o prédio é de Jonas, e a loja, de sua mulher, Paula Barcellos. Conclusão: o assunto entre ambos, certamente, abrange valores muito além do custo de algumas calcinhas.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Cayman, outra vez


Fernando Henrique Cardoso usou uma empresa de fachada, uma offshore nas Ilhas Cayman, para remunerar a amante.

Depositou, nessa falsa empresa, do tipo que corruptos e traficantes usam para lavar dinheiro, 100 mil dólares, de uma única vez - aparentemente, quando ainda era presidente da República.

Usou a Brasif, uma concessionária de free shops, para costurar essa operação ilegal.

O dono da Brasif confirma ter feito a operação, mas não lembra direito como foi.

Ah, tá bom.

O sujeito faz uma operação de crédito em uma empresa falsa em um paraíso fiscal PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA e não lembra como foi...

FHC e os tucanos têm uma relação íntima com as Ilhas Cayman, e agora talvez se explique porque ele entrou em pânico quando surgiram papéis falsos sobre a existência de uma conta dele por lá, nos anos 1990.

Eu persegui essa história como jornalista, estive nos Estados Unidos e no Caribe juntando os cacos do chamado Dossiê Cayman, sobre o qual escrevi um livro: "Cayman: o dossiê do medo".

Na época, FHC botou a Polícia Federal e o Ministério Público para me processar.

Até os informantes da PF em Miami me processaram, bandidos comuns e golpistas de quinta categoria usados pelo governo para calar um jornalista.

Ganhei todas, na Justiça.

Mas o caso Cayman foi abafado, como tudo nos governos do PSDB, onde reinava Geraldo Brindeiro na Procuradoria Geral da República, o famoso "engavetador-geral".

Agora, é a vez das autoridades fiscais, do Ministério Público e da Polícia Federal investigarem um presidente da República que usou uma lavanderia de dinheiro em um paraíso fiscal para mandar dinheiro para a amante que a TV Globo escondia na Europa.

E de onde vieram esses 100 mil dólares disponibilizados para Mirian Dutra.

Porque está cada vez mais claro que FHC, dono de um apartamento de 11 milhões de euros em Paris, tinha outras e maiores rendas que não provinham do salário de presidente.

Dessa vez, se o Ministério da Justiça não se movimentar, irá se configurar um caso de deboche contra o contribuinte, contra a nação.

Nação que acompanha, perplexa, uma perseguição implacável da mídia, da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal a um outro ex-presidente acusado de levar cervejas demais para um sítio em Atibaia.

Leandro Fortes
Leia Mais ►

Entrevista com Palmério Dória na RBA

Leia Mais ►

Palmério: Mirian, FHC e o DNA de uma farsa!

Falta um DNA!



O Conversa Afiada publica, com exclusividade, artigo de Palmério Dória, autor do clássico "Principe da Privataria":

MIRIAN DUTRA, FHC E O DNA DE UMA FARSA

Palmério Dória

No burburinho da Assembléia Nacional Constituinte dois fatos chamavam a atenção: a proverbial resistência física do velho e inesquecível Ulysses Guimarães, que comandava sessões que varavam a madrugada sem perder o humor e sem sequer ir ao banheiro, e o tórrido romance vivido pelo senador tucano Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Mirian Dutra, estrela dos noticiários da Rede Globo.

Mirian, profissional dedicada e discreta, era uma mulher desimpedida. FHC, o "príncipe dos sociólogos", ao contrário, era casado desde os anos 50 com a respeitada antropóloga Ruth Cardoso, com quem teve três filhos e um casamento que se julgava sólido até então.

Nos restaurantes e bares de Brasília um Fernando Henrique fora do eixo, com surpreendente comportamento juvenil, trocava olhares lânguidos, roçava pernas e pés, desfilava de mãos dadas e se afogava em beijos que faziam a alegria de quem presenciava o inusitado de uma paixão arrebatadora. Uma dupla quase sempre lhes fazia companhia, em situação semelhante: a linda deputada Rita Camata (PMDB-ES), casada, e o poderoso Alberico Souza Cruz, o diretor do telejornalismo global e chefe de Mirian.

O resultado desse amor que não podia ser assumido se materializou num teste de gravidez. Positivo. Tomás Schmidt Dutra estava a caminho. Seria registrado pela avó num cartório de Brasília, após seu nascimento, em 26 de setembro de 1991.

Mirian teve Tomás apoiada por amigos próximos. Não lhe faltou nada, exceto a presença do pai, que meses antes a expulsou aos gritos de seu gabinete no Senado ao ser comunicado da gravidez. O frio, sarcástico, irônico, cínico, racional FHC, descontrolou-se como nunca, indicando-lhe a porta de saída aos berros de "rameira", chutando um circulador de ar da sala de espera, sendo contido por assessores, enquanto uma humilhada Mirian Dutra, chorando, era acolhida nos braços de um passante. Para desgraça do agressor, tratava-se de um dos jornalistas mais respeitados do país, Rubem Azevedo Lima, decano dos profissionais de imprensa no Congresso Nacional com passagens pelo Correio da Manhã, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense, por exemplo.

Retirada do cenário do barraco, Mirian seria procurada por Sérgio Motta, sócio de FHC, e José Serra. A paz seria celebrada com promessas que lhe foram feitas e cumpridas. Imediatamente ela mudou de casa. Foi para um apartamento maior e melhor que o seu, na SQS 211, em Brasilia. Sua mudança foi feita pela equipe que a acompanhava nas reportagens da Rede Globo: o motorista, o cinegrafista e o iluminador, o popular "pau de luz", um tipo brincalhão que protagonizou um episódio que ficou célebre no diz-que-diz das noites do Piantella: ao desembarcar a cama de casal de um caminhão alugado para a mudança, bateu as mãos no colchão e sentenciou, solene: "esse é o do senador!".

Ao ir para Lisboa, numa TV associada à Globo, a SIC, do ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, Miriam Dutra tornou-se a última exilada brasileira. E, também, a primeira beneficiária da maior bolsa família já paga com dinheiro público.

Logo após sua partida, o cunhado e lobista Fernando Lemos, casado com a ex-trotskista Margrit Schmidt Dutra (hoje uma militante furiosa da extrema-direita nas redes sociais), iniciou um curioso e repulsivo processo de efetuar gorda coleta da mesada para a cunhada e "o filho do presidente". Agnelo Pacheco, o publicitário que abiscoitou a descomunal conta da Caixa Econômica Federal e trocou sua imagem corporativa numa ação milionária combinada com o embaixador Sérgio Amaral (negociata de milhões, centenas de milhões), puxou a fila dos mecenas. Wagner Canhedo, o dono da VASP, marcou presença. A White Martins e o Banco Icatu, idem. Nunca uma pensão alimentícia movimentou tanto o filé do capitalismo tupiniquim. Era uma "bolsa pimpolho" operada por lobistas e megaempresários. Era um escândalo. Tomás e Mirian, certamente, ficaram com a menor fatia do botim.

Tratava-se de um mensalão doméstico, igual ao que a Construtora Mendes Júnior e Renan Calheiros teriam feito no caso de uma filha do senador alagoano com uma modelo — e hoje o caso está nas altas instâncias judiciais dando dor de cabeça intensa ao presidente do Senado. Mas, como sempre, FHC estava acima da lei.

De Lisboa a família sem pai se muda para Barcelona. Lá vamos encontrá-la num bairro elegante, em bom edifício, levando uma vida sem sobressaltos. Mirian estava fora do vídeo, mas ainda na folha de pagamentos da família Marinho. O padrinho de batismo de Tomás havia sido muito prestativo com o pai do menino e ajudou-a muito. Era o conhecido e poderoso diretor de jornalismo global Alberico Souza Cruz, o Alburrico.

Em fevereiro de 2000, na revista Caros Amigos, por uma decisão editorial tomada pelo Sérgio Souza, seu editor, se decide desvendar o mais bem guardado segredo da República: o porquê a grande imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com uma repórter da Rede Globo. Na verdade, era um segredo de polichinelo.

A preocupação jornalística veio casada com a salvaguarda ética: não publicar a foto do menino, oferecida por um colunista de Santa Catarina; não adentrar os limites da intimidade da família; ouvir e publicar tudo o que Mirian e FHC se dispusessem a dizer; procurar e ouvir os editores de TODOS os grandes veículos da mídia nacional.

Assim foi feito.

Em abril de 2000, com enorme repercussão, Caros Amigos lancetou o tumor. O então presidente da República foi procurado e não quis se pronunciar. Os editores dos principais jornais, revistas e telejornais deram suas versões, todas publicadas. Mário Sérgio Conti, chefão da Veja, atendeu meu telefonema com frieza que foi substituída por um ataque de ira e impropérios publicados na íntegra.

Mirian, procurada pelo repórter João Rocha, em Barcelona, foi cortês. Pelo telefone conversaram longamente. Miriam demonstrou querer falar, mas não falou. Já era uma mulher amargurada, quando disse uma frase reveladora ao ser perguntada pela paternidade de Tomas: "pergunte para a pessoa pública". Estava indicada a paternidade de Tomas, é óbvio.

Na entrevista concedida por Mirian à revista digital BrasilcomZ, há algo que emerge com força e nos surpreende: ela lança dúvidas sobre o exame de DNA realizado por FHC. Acredita que houve fraude. Desmente que FHC tenha prestado assistência ao suposto filho, que o tenha visitado em Madri, que mantenha boas relações com Tomás. E traça um perfil humano devastador, nada a ver com aquele que a mídia tenta projetar. Mirian Dutra falou muito menos do que sabe.

Como velho repórter, noto uma situação interessante: Mirian esperou quase três décadas para fazer o que qualquer mulher faria. Mas o faz apenas agora, dias após FHC formalizar sua união com a bela e jovem Patricia Kundrat, a quem presenteou com um imenso apartamento na Avenida Angélica, no aristocrática bairro de Higienópolis, a poucos metros de sua casa. Valor do mimo: R$ 1 milhão.

Tenho a absoluta convicção que Mirian, como mulher ofendida na sua dignidade e como mãe, no mínimo exigirá a realização transparente de um exame de DNA em três laboratórios, ao mesmo tempo. Todos eles sob a supervisão da Justiça, da Ordem dos Advogados do Brasil e dos advogados de ambas as partes.

Estão em jogo três coisas muito importantes. O futuro de Tomás, a vida de Mirian, e — não podemos ser hipócritas — a imensa e inexplicável fortuna de Fernando Henrique Cardoso.
Leia Mais ►

FHC: O príncipe está virando sapo

FHC usou empresa para me mandar dinheiro no exterior, diz ex- namorada amante


A Brasif S.A. Exportação e Importação ajudou Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) a enviar ao exterior recursos para a jornalista Mirian Dutra, com quem o ex-presidente manteve um relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990, e para o filho dela, Tomás Dutra.

A transferência foi feita, segundo ela, por meio da assinatura de um contrato fictício de trabalho, celebrado em dezembro de 2002 e com validade até dezembro de 2006.

Em entrevista à Folha, a jornalista afirmou que FHC usou uma empresa para bancá-la no exterior.

No documento, aparece como contratante a Eurotrade Ltd., empresa da Brasif com sede nas Ilhas Cayman.

O contrato estabelece que a jornalista deveria prestar "serviços de acompanhamento e análise do mercado de vendas a varejo a viajantes", fazendo pesquisas "tanto em lojas convencionais como em duty free shops e tax free shops" em países da Europa.

Os dados coletados seriam enviados à Brasif, que na época explorava os free shops (lojas com isenção de impostos) de aeroportos brasileiros.

Fernando Henrique admitiu manter contas no exterior e ter mandado dinheiro para Tomás, mas nega ter usado a empresa para bancar a jornalista.


Dívida

Mirian, que como jornalista trabalhou na TV Globo, afirmou que "jamais pisou" em uma loja convencional ou em um duty free para trabalhar.

E que o contrato, de US$ 3.000 mensais, foi feito para "suplementar" a renda dela e de Tomás.

"Eu trabalhava na TV Globo e tive um corte de 40% no salário em 2002. Me pagavam US$ 4.000. Eu estava superendividada, vivia de cartões de crédito e fazendo empréstimo no banco. Me arrumaram esse contrato para pagar o restante", afirma Mirian.

O acordo foi mediado pelo jornalista e lobista Fernando Lemos, que era casado com Margrit Dutra Schmidt, irmã de Mirian.

"Ele [Lemos] disse que tinha que arrumar um jeito de melhorar a minha vida financeira, já que eu tinha uma hipoteca [de um apartamento que comprou em Barcelona, na Espanha] e a Globo tinha cortado o meu salário."

Lemos, morto em 2012, e Margrit faziam a ponte entre a jornalista e Fernando Henrique, então presidente, que não tinha como manter contato frequente com Mirian.

Pesquisa

A jornalista diz que, numa conversa, dois anos depois da vigência do contrato, Fernando Henrique revelou que o dinheiro enviado pela Brasif era, na verdade, dele, e não da empresa.

"Ele me contou que depositou US$ 100 mil na conta da Brasif no exterior, para a empresa fazer o contrato e ir me pagando por mês, como um contrato normal. O dinheiro não saiu dos cofres da Brasif e sim do bolso do FHC", diz.

O empresário Jonas Barcellos, dono da Brasif, não nega o acerto. Mas diz não se lembrar de detalhes.

"Tem alguma coisa, mesmo, sim", afirmou ele, quando questionado pela Folha sobre ter assinado um contrato com Mirian para ajudar FHC a enviar recursos a ela. "Eu só não sei se era contrato", declarou.

Barcellos disse que estava em Aspen, nos EUA, e que voltará ao Brasil na próxima semana. "Vou fazer um levantamento na empresa para esclarecer tudo".

Questionado sobre ter tratado do tema com FHC, respondeu: "Faz muito tempo, eu preciso pesquisar e me lembrar para responder."

Mirian e Fernando Henrique mantiveram um relacionamento extraconjugal por seis anos. No período, ficou grávida. Depois do nascimento de Tomás, pediu à emissora que a transferisse para Portugal.

FHC não registrou Tomás. Mas nunca questionou a paternidade e sempre o tratou como filho, responsabilizando-se por parte do sustento do jovem no exterior.

Em 2009, a Folha revelou que o ex-presidente havia decidido reconhecer o filho na Espanha, onde Tomás vivia com a mãe.

"Eu sempre cuidei dele", afirmou na época ao jornal.

Dois anos depois, o ex-presidente fez dois exames de DNA com Tomás.

Os resultados deram negativo, o que provaria que o jovem não é seu filho biológico. FHC afirmou publicamente que o exame em nada alterava a situação e que ele seguiria reconhecendo Tomás como seu filho.

Mirian questiona a validade do exame.

Conglomerado

Fundado em 1965, o grupo Brasif atua em diversos setores, como venda e aluguel de máquinas pesadas, biotecnologia animal e varejo de vestuário. A operação dos free shops foi vendida em 2006 para o grupo suíço Dufry, por US$ 500 milhões.

Mônica Bergamo
No fAlha



Caso Globo: Funcionários da Brasif desconhecem empresa de aluguel de helicópteros


O número no endereço dado pela empresa é simbólico: 171.

No Código Penal, significa estelionato.

Nossa repórter esteve no endereço, em Belo Horizonte: rua Margarida Assis Fonseca, 171, bairro Califórnia.

Perguntou ao guarda, depois foi à portaria: funciona ou funcionou aqui uma empresa que aluga helicópteros?

Resposta de um funcionário que diz que a empresa Brasif está lá há mais de 50 anos: nunca!

Na portaria, a mesma resposta: não, não há helicóptero para alugar.

Por telefone, confirmamos com duas funcionários distintas. Elas checaram com colegas. Não, ali nunca pousou um helicóptero. Nem funcionou o Consórcio Veine-Santa Amalia.

Gravamos, mas não identificamos os entrevistados para não expô-los a retaliações.

Captura de Tela 2016-02-16 às 22.45.29

Procuramos via Facebook a mulher indicada como administradora da sociedade.

Ela mora no Rio de Janeiro, mas supostamente alugava helicópteros sem tripulação em Belo Horizonte.


No site da Anac, o aparelho agora aparece sob controle da empresa Vattne, baseada no Rio de Janeiro. Mas existe algo em comum com Belo Horizonte: o responsável pela Vattne é diretor da Brasif.

A Santa Amalia Administrações e Participações Ltda., integrante do consórcio com a Veine, é baseada em uma fazenda de Uberaba, em Minas Gerais: a Córrego dos Macacos.

Já a Agropecuaria Veine Patrimonial Ltda. é a mesma que tem sob seu nome a mansão triplex frequentada pela família Marinho na praia de Santa Rita, em Paraty, litoral do Rio de Janeiro.

A Veine tem como sócios dois brasileiros e uma empresa baseada em Nevada, nos Estados Unidos, a Vaincre. A Vaincre foi gerenciada pela panamenha Camille, que por sua vez foi aberta pela Mossack Fonseca, empresa panamenha investigada pela Operação Lava Jato. Os documentos que demonstram isso estão aqui.


“Proteção patrimonial” é a garantia dada a capitalistas de que não vão perder tudo em caso de crise.

Será que os Marinho colocaram a casa e o helicóptero sob as asas da Veine para proteger o patrimônio? Logo eles, que defendem o risco capitalista com tanta firmeza?

Ou a Vaincre e a Veine foram instrumentos para transportar dinheiro recebido no Exterior e estacionado em refúgios fiscais para o Brasil?

Esclarecer isso é o objetivo de checar o papelório: quais empresas de fato existem e quais são ficção?

Só uma investigação do juiz Moro e dos procuradores e delegados da Lava Jato poderia esclarecer definitivamente.

Os indícios são de que o consórcio Veine-Santa Amalia representa um acerto entre os Marinho e o empresário Jonas Barcellos, dono da Brasif. O milionário já foi dono dos freeshops de aeroportos brasileiros. Hoje, em Belo Horizonte, a Brasif aluga máquinas pesadas.

Curiosamente, a revista Época, dos irmãos Marinho, denunciou Jonas como um dos fornecedores de caronas aéreas ao ex-presidente Lula, nesta reportagem.

O Estadão também mencionou Barcellos como “amigo de Lula”, nesta reportagem.

Mas ambos omitiram, talvez por desconhecimento, o fato de que uma empresa de Jonas é sócia da empresa que tem em seu nome a mansão dos Marinho em Paraty. A sociedade, como demonstram os documentos acima, continua ativa.

O Viomundo não dá muita bola para estas coisas burocráticas de nomes e endereços. Reconhece que pode levar a denúncias furadas.

Mas o que diriam a Época e o Estadão — para não dizer a Veja — se Lula ou algum outro petista tivesse uma empresa que aluga barcos de lata, mas nunca alugou barcos de lata, num endereço onde ela nunca de fato funcionou?

Seria um escândalo, com direito a buscas por “laranjas” nas redondezas para aparecer no Jornal Nacional.

Constatamos em Belo Horizonte que o consórcio forneceu um endereço para alugar helicópteros sem tripulação onde nunca houve helicóptero, nem aluguel, de acordo com quatro funcionários distintos da Brasif, que por sua vez consultaram colegas.

Ao nos incentivar a investigar o assunto, um leitor se referiu a um verdadeiro Baile da Plutocracia em torno da família Marinho: o dono da Brasif, Jonas Barcellos, é um dos conselheiros do Consig, o Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Baía da Ilha Grande. 

Como se vê na mansão de Paraty, os donos da Globo tem um grande interesse pelo litoral carioca.

Quem aparece ao lado de Barcellos no conselho? Jonas Suassuna, dono do sítio frequentado pelo ex-presidente Lula!

Quem é um dos conselheiros-fundadores? José Roberto Marinho. Dos filhos de Roberto Marinho, ele é o “ecologista”.

Mas isso não bate com o comportamento da família: a casa de concreto em Paraty teria violado as leis ambientais, segundo denúncia de servidora do ICMBio. Uma ação iniciada pelo MPF busca demolir o triplex de concreto de Santa Rita, que tem piscina invadindo a praia pública.

Mais uma instância em que os Marinho pregam uma coisa publicamente, via TV Globo, mas privadamente fazem outra.

Abaixo, um passeio pela Paraty House sugerido pelo Fernando Brito, do Tijolaço:



No Viomundo, com Lidyane Ponciano em Belo Horizonte



Não quero morrer e isso ficar na tumba, diz jornalista sobre FHC


A jornalista Mirian Dutra Schmidt, 55, com quem Fernando Henrique Cardoso manteve um relacionamento amoroso, sustenta que o ex-presidente da República bancou despesas de seu filho Tomás no exterior por meio de uma empresa.

Em entrevista à Folha, ela afirma que esses pagamentos coincidiram com o período em que FHC comandava o país (1994-2002), mas não quis revelar a identidade da companhia.

Garantiu ter provas para atestar o que diz.

Segundo a Folha apurou, a Brasif S.A. Exportação e Importação ajudou FHC a enviar ao exterior recursos para Mirian.

De Madri, onde mora, Mirian falou longamente com a reportagem por telefone. "Eu não quero morrer amanhã e tudo isso ficar na tumba. Eu quero falar e fechar a página", afirma.

Fernando Henrique admitiu manter contas no exterior e ter mandado dinheiro para Tomás, mas nega ter usado empresa para bancar a jornalista (leia abaixo).

Por que decidiu falar, depois de 30 anos?

Para mim foi muito difícil. É muito complicado porque a minha vida inteira sempre foi trabalho e, de repente, essa história pessoal cruzou a minha vida.

Como foi a história de vocês?

Eu o conheci em janeiro de 1985, quando Tancredo [Neves] estava no hospital. Eu estava jantando no restaurante Piantella [em Brasília] com vários amigos jornalistas e ele entrou sozinho. Um amigo jornalista o convidou para a nossa mesa.

Logo que a gente se conheceu, um mês depois, ele disse para mim, era o governo Sarney: "Vai ter espaço para mim. Eu tenho que ser presidente. Só eu tenho capacidade para levar este país".

Dei a entrevista à revista "BrazilcomZ" para desmentir tudo o que escreveram ao meu respeito. Eu quero que meu nome não fique numa rede social como uma rameira. Eu fui uma pessoa apaixonada por um homem. Quando tentei sair

Descobriu que estava grávida

Eu estava grávida de quase três meses. Eu não estava aguentando mais essa história toda de ser amante, de ser a outra. Aí eu fiquei quieta, esperei ele voltar [de viagem] e, quando voltou, foi jantar na minha casa.

Quando disse que estava grávida, ele disse "você pode ter este filho de quem você quiser, menos meu". Eu falei: "não acredito que estou escutando isso de uma pessoa que está há seis anos comigo".

Ele pediu para você abortar?

Pediu. Óbvio. "Eu te pago o aborto agora", disse. Aliás, vou te contar uma coisa mais séria ainda. Durante os seis anos com ele, fiquei grávida outras duas vezes, e eu abortei.

Ele soube?

Ele pagou. Pagou por dois abortos. Eu não queria ter outro filho, eu tinha minha filha estava muito feliz. Nunca pude tomar pílula, colocar DIU [método intrauterino], porque tenho um problema de rejeição absoluta a hormônio que venha de fora. Ele sabia disso.

O que houve a partir daí?

Aí que, pela primeira vez, em seis anos, ele deixa de falar comigo. Porque sentiu que a decisão era firme. Aí eu disse que não tinha que contar para ninguém quem era o pai, que era livre e desimpedida.

Ficaram sem se falar até o nascimento do seu filho?

Ele foi umas duas ou três vezes na minha casa. Quinze dias depois do nascimento, ele foi me visitar. Minha mãe estava lá [em casa] quando ele foi conhecer o filho. Só que eu tinha decidido que eu iria embora [do Brasil]. Aí antecipei todos os meus planos e meio que fugi mesmo. Lembro que, quando do impeachment do Collor, vi esse homem [FHC] lambendo as botas do Itamar [Franco], que ele criticava a vida inteira. Fui buscar trabalho em Portugal. Recebi ajuda do [ex-senador] Jorge Bornhausen, que era meu amigo de Santa Catarina.

Mas ele reconheceu o filho...

Nunca fez.

Por que você não o desmentiu à época?

Em 2009, ele foi para os Estados Unidos e simplesmente colocou na cabeça do Tomás que o Tomás não poderia contar para mim, mas que iriam fazer um DNA. Ele visitava o Tomás nos EUA depois da Presidência. Mas nunca foi criado com pai nenhum. Nunca me casei, nunca tive namorado, esse departamento [namoro] se encerrou na minha vida.

Ele bancou seu filho fora do Brasil?

Quando Tomás fez três anos de idade, isso foi mais ou menos em 1994, aceitei que ele pagasse o colégio do Tomás, pois queria que ele estudasse num bom colégio. A partir daí, ele pagou. Quando vim para Barcelona, que é quando eu digo que fui exilada, porque eu queria voltar para o Brasil e não permitiram que eu voltasse...

Quem não permitiu?

[O então senador] Antonio Carlos Magalhães pediu para que eu não voltasse para o Brasil, o Luís Eduardo Magalhães [filho de ACM]. Diziam para ficar longe. Diziam "deixa a gente resolver essas coisas aqui". Aí eu pensei e achei que, para os meus filhos, era melhor eu ficar [no exterior], pois eles seriam muito perseguidos no Brasil.

Eu tinha que ter metido a boca no trombone no começo. Eles não aceitaram porque estavam em plena história da reeleição. Isso isso foi quando Fernando Henrique estava tentando mudar a Constituição. É uma coisa estranha porque eu lembro que quando [José] Sarney quis ficar cinco anos, ele estava na minha casa jantando e deu um baile: "como este homem pode ficar cinco anos? O poder tem que ser quatro anos, e renovável". E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo, que ele, por meio de uma empresa, mandava um dinheiro para mim.

Que empresa?

Não sei se eu posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou.

Você não quer nominar, mas tem como provar? Algum recibo?

Tenho. Tenho contrato. Tudo guardado aqui. É muito sério. Por que ninguém nunca investigou isso? Por que ninguém nunca investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora?

Contas?

Claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de € 200 mil para o filho que ele agora diz que não é dele? Ele deu um apartamento para o Tomás.

O exame de DNA diz que o Tomás não é filho dele...

É dele [e gargalha]. É óbvio que é dele.

Você afirma então que ele forjou o exame de DNA?

Não estou afirmando nada, mas tudo me parece muito estranho, porque eu nunca me neguei a fazer o exame de DNA. Não vou afirmar porque isso seria uma irresponsabilidade da minha parte. Além do mais, uma mulher sabe quem é o pai. A não ser que provem que Deus é o pai do meu filho.

Você teve alguma outra relação no período?

Claro que não.

Gostaria de voltar à empresa. Como foi esse acerto para você receber esse dinheiro?

O ex-marido da minha irmã, o Fernando Lemos [morto em 2012], era o maior lobista de Brasília e era ele quem conseguia tudo. Eu sempre fui muito ingênua nessas coisas. Eu não devia nada a ninguém, por que eu ficaria cheia de pecados e pruridos? Eles fizeram contrato comigo como se eu fosse funcionária deles [da empresa], só que eles nunca me permitiram trabalhar e aí eu ganhava.

Isso acabou quando?

Dois anos depois que ele saiu do governo.

Por que você nunca expôs essa história? Você, como jornalista, não sabia que era irregular uma empresa pagar em nome do presidente?

Eu acho que eu tinha que ter feito um escândalo quando eu fiquei grávida. Depois, as coisas foram acontecendo, entendeu? Meus filhos ficaram maiores e eu já não podia ficar fazendo tanta confusão.

E por que você decidiu falar agora?

Porque eu estou cansada de ver pessoas escrevendo coisas erradas, essa história do DNA. Estou cansada de tudo isso. Eu não quero morrer amanhã e tudo isso ficar na tumba. Eu quero falar e fechar a página. E quero tentar ser feliz, porque eu não consegui até hoje.

Alguém está por trás de sua quebra de silêncio?

Ninguém. Eu vivo absolutamente sozinha na Espanha, nunca vivi tão sozinha como agora. Vivo com um cachorrinho chamado Xico, com X, não tenho vida social, não tenho nada, até pela minha fibromialgia e pela polipose adenomatosa. Eu não estou falando isso para tirar proveito de absolutamente nada. Estou lavando a minha alma. É muito difícil você ser xingada por milhões de pessoas e não vou deixar isso acontecer mais. Não podia entrar na justiça contra porque eu trabalhava na TV Globo.

E agora que não trabalha mais lá você optou por falar...

Exatamente. Eu agora não devo mais nada a ninguém.

Outro lado

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) admitiu manter contas no exterior, ter mandado dinheiro para Tomás e ter lhe presenteado recentemente com um apartamento de € 200 mil em Barcelona, na Espanha.

O ex-presidente diz que os recursos enviados a Tomás — tanto para a compra do apartamento, quanto para ajudá-lo em seus estudos — provêm de "rendas legítimas" de seu trabalho, depositadas em contas legais e declaradas ao Imposto de Renda.

Segundo ele, as contas estão "mantidas no Banco do Brasil em Nova York e Miami ou no Novo Banco, em Madri, quando não em bancos no Brasil".

"Nenhuma outra empresa, salvos as bancárias já referidas, foi utilizada por mim para fazer esses pagamentos", afirma FHC.

O ex-presidente diz ainda que o repasse dos recursos para que Tomás comprasse o apartamento em Barcelona foi feito por meio de transferências de sua conta bancária no Bradesco "com o conhecimento do Banco Central" brasileiro.

DNA

Embora Mirian negue, FHC diz ter reconhecido Tomás em 2009, o ex-presidente afirma ter feito dois testes de DNA nos Estados Unidos.

"[Com] o propósito de dar continuidade a meu desejo de fundamentar declarações feitas por mim em Madri de que Tomás seria meu filho", declarou o ex-presidente.

"Para nossa surpresa, o primeiro teste deu negativo, daí [fizemos] o segundo, que também comprovou que não sou pai biológico do referido jovem", declarou FHC.

Mirian diz que os testes foram feitos sem que ela soubesse e que o ex-presidente pediu para que Tomás não lhe contasse nada.

FHC rebate as afirmações da jornalista dizendo que se dispôs a fazer outro teste de DNA e, mesmo diante dos resultados negativos, procurou manter "manter as mesmas relações afetivas e materiais com o Tomás".

O ex-presidente afirma ainda que, "quando possível", atende Tomás nas necessidades afetivas.

O ex-presidente não respondeu a acusação de que teria pagado para que Mirian fizesse dois abortos antes da gravidez de Tomás.

Declarou apenas: "Questões de natureza íntima, minhas ou de quem sejam, devem se manter no âmbito privado a que pertencem".

Sobre Mirian afirmar que [o então senador baiano] Antonio Carlos Magalhães pediu para que a TV Globo não a mandasse de volta ao Brasil para, segundo ela disse, "ficar longe" de FHC, o ex-presidente diz desconhecer detalhes da vida profissional da jornalista.

Natuza Nery
No fAlha
Leia Mais ►