17 de fev de 2016

CNJ obriga juízes a investigar vazamentos de informações sigilosas de inquéritos

O Conselho Nacional de Justiça aprovou, nesta terça-feira (16/2), uma série de medidas para tentar coibir o chamado “vazamento seletivo” de informações sigilosas colhidas em investigações criminais. A nova Resolução 217 altera artigos da regra do CNJ que trata de quebra de sigilo e interceptação telefônica e de endereços eletrônicos para obrigar o juiz a requerer a instauração de investigação, “sob pena de responsabilização”.

De acordo com o novo texto, o Judiciário é responsável por apurar a divulgação de informações sigilosas por qualquer um dos envolvidos em quaisquer ações que corram em segredo de Justiça. A resolução obriga o juiz a investigar os vazamentos mesmo que eles tenham partido do Ministério Público e da autoridade policial.

A resolução também cria uma série de obrigações ao juiz que determinar a quebra de sigilo ou que mandar grampear o telefone de investigador e acusados. O texto obriga o magistrado a escrever, na ordem, os indícios de autoria do crime, as diligências feitas antes do pedido de quebra de sigilo ou de grampo e os motivos pelos quais não seria possível obter a prova por outros meios.

O juiz também está obrigado a listar em sua decisão o nome dos policiais e membros do MP responsáveis pela investigação, bem como dos servidores, peritos, tradutores, escrivãos e demais técnicos que tenham acesso a ela.

A resolução repete o texto da Lei 9.296/1996, que trata da interceptação telefônica e de e-mail. Ou seja, a nova resolução do CNJ só permite os grampos por um período de 15 dias, renovável apenas uma vez, o que não estava descrito na redação da resolução original.

O processo em que foi discutida a nova resolução foi aberto pelo presidente do CNJ, ministro Ricardo Lewandowski, a pedido do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. O então presidente da OAB Marcus Vinícius Furtado Coêlho enviou ofício ao CNJ pedindo que a resolução que trata das interceptações fosse aperfeiçoada.

A petição de Marcus Vinícius foi enviada ao CNJ depois de queixas de políticos e advogados a respeito de vazamentos de trechos de investigações em que estão envolvidos, ou até de conversas telefônicas em que são citados, à imprensa e a adversários políticos.

Um dos casos que mais causou atritos em Brasília foi a divulgação de informações sigilosas dos inquéritos da operação acrônimo, que investiga o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. O advogado de Pimentel, Pierpaolo Cruz Bottini, chegou a pedir ao relator do inquérito no Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, que apurasse o vazamento, mas o inquérito ainda não foi concluído.

Processo 0000467-47.2016.2.00.0000
Clique aqui para ler a nova resolução do CNJ.

Pedro Canário
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Resposta dos advogados de Lula ao promotor Cássio Conserino, do MP-SP


A respeito da nota lida na data de hoje (17/01/2016) pelo Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público do Estado de São Paulo, criticando a decisão proferida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no Pedido de Providências nº 1.00060/2016-42, do CNMP, formulado pelo Deputado Federal Paulo Teixeira (PT), que suspendeu a tramitação do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) nº 94.0002.000727273/2015-6, em trâmite perante a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, esclarecemos, na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de sua esposa, a Sra. Marisa Letícia Lula da Silva, o seguinte:

Violação ao princípio do promotor natural

O promotor de justiça Cássio Roberto Conserino não instaurou o procedimento investigatório criminal de ofício (sem provocação), como alegou em sua nota.

A instauração se deu em 25/08/2015, a partir de Representação Criminal (Notícia de Crime) formulada por Waldir Ramos da Silva em 19/08/2015.

Essa representação foi direcionada aos Promotores de Justiça Cassio Roberto Conserino, José Reinaldo G. Carneiro e Fernando Henrique de Moraes Araújo.

Portanto, o caso não se enquadra no §4º, da Resolução 13/06 do CNMP, citado por Conserino, justamente porque não houve instauração de ofício. Houve Notícia de Crime que deveria ser distribuída na forma do §3º do mesmo ato normativo, que prevê: "§ 3º A distribuição de peças de informação deverá observar as regras internas previstas no sistema de divisão de serviços". E as regras internas do Ministério Público de São Paulo, em especial o Ato Normativo nº 314-PGJ/CPJ, de 27 de junho de 2003, estabelece em seu art. 3º, §4º, que a "decisão de instauração do procedimento administrativo criminal caberá ao Membro do Ministério Público a quem a 'notícia criminis' for distribuída, segundo as regras ordinárias previstas no sistema de divisão de serviços".

Antecipação de juízo de valor

Não é verdade que "apenas foram divulgados fatos e informações de interesse público, sem que isso possa gerar qualquer suspeição dos promotores de justiça condutores da investigação".

Na edição nº 2462 da revista Veja, que começou a circular em 23/01/2016, o promotor de justiça Cássio Roberto Conserino concedeu entrevista afirmando, de forma peremptória e inequívoca, que "Lula e Dona Marisa serão denunciados".

E prossegue: "Vamos oferecer denúncia pelos crimes de citei, sem prejuízo dos crimes federais que esse caso também contempla". Por seu turno, em entrevista concedida à rádio Joven Pan em 24/01/2016, Conserino afirmou: "As provas testemunhais, documentais e circunstanciais, nos dão guarida para fazer essa análise, de uma possível denúncia".

Houve, portanto, clara antecipação de juízo de valor em procedimento investigatório não concluído, no qual o ex-Presidente Lula e sua esposa sequer tinham sido ouvidos.

Tal conduta viola o disposto no art. 8º da Resolução nº 23/2007 do CNMP, segundo a qual em procedimentos investigatórios o membro do Ministério Público deve se abster de "externar ou antecipar juízos de valor a respeito de apurações ainda não concluídas".

Obediência à lei

O ex-Presidente Lula e seus familiares atenderam a todos os pedidos feitos pela Justiça e pelos órgãos de investigação até a presente data. Não temem qualquer investigação desde que conduzida por autoridades imparciais no exercício de suas atribuições legais, ou seja, uma investigação que não esteja acima da lei.

Nova antecipação de juízo de valor e afronta à autoridade do CNMP

A nota lida pelo promotor de justiça Cassio Roberto Conserino nesta data, ao insinuar que o ex-Presidente se consideraria "acima e à margem da lei" implica em nova antecipação de juízo de valor, deixando clara a parcialidade que inspira a sua atuação no caso concreto. Também mostra que Conserino resiste à autoridade e competência do CNMP ao sustentar que a decisão liminar proferida não passou de um erro de seu eminente Conselheiro prolator.

Cristiano Zanin Martins e Nilo Batista
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Deputado tucano manipula vídeo para alimentar boatos contra Lula


O deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP) postou na sua página oficial nessa terça-feira, 16 de fevereiro de 2016, um vídeo de Lula, dona Marisa e família num sítio, como se fosse o que a família do ex-presidente frequenta atualmente.

Uma farsa. A equipe do Instituto Lula desmontou-a prontamente na página de Lula no Facebook

O deputado federal Bruno Covas manipulou um vídeo da campanha de Lula em 2002, filmado em chácara de sua propriedade em São Bernardo do Campo, para alimentar boatos contra a honra do ex-presidente.

Certamente, não é esse tipo de comportamento que os paulistas e os brasileiros esperam de seus representantes eleitos.

Não compartilhe boatos. Espalhe a verdade.

‪#‎EquipeLula

O sítio mostrado no vídeo é a chácara “Los Fubangos”, no Riacho Grande, ABC Paulista, à beira da represa Billings, que Lula tem até hoje.

O vídeo manipulado por Bruno Covas está aqui.

O que ele fez é uma desonra à memória do avô Mário Covas. Certamente, se estivesse vivo, repeliria a atitude criminosa do neto. Pura má-fé.

Nós fizemos os prints do vídeo por volta das 12h30 de 17 de fevereiro 2016. Nessa hora, já tinha 279 mil visualizações, 2.617 curtidas e 12.277  compartilhamentos.

Às 13h15, quando publicamos este post, o vídeo canalha já tinha 296 visualizações, 2.741 curtidas e 12.893 compartilhamentos.

Video 1
Vídeo 2

MANIPULAÇÃO DO VÍDEO NÃO PODE FICAR IMPUNE 

Bruno Covas pode ser processado por calúnia. O artigo 138  do Código Penal diz:

Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 

Parágrafo 1º – Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

Bruno Covas pode ser processado também pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. O artigo 3º, inciso IV, reza: É dever fundamental do deputado agir com boa-fé.

O artigo 4º precisa:

abusar das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional [dentre as quais a imunidade de opinião, palavras e votos] é ato incompatível com o decoro parlamentar (Código de Ética e Decoro Parlamentar, artigo 4°, I). Isso é punível com perda do mandato (artigo 14º, § 1º).

Qualquer cidadão pode representar contra um deputado federal perante a Mesa da Câmara, para que seja instaurado processo disciplinar por quebra de decoro.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Agropecuária dona da mansão dos Marinho divide sala e agente no Panamá com Paulo Roberto Costa


Os provocadores da direita que vêm a este blog perguntar o que tem a ver a mansão dos Marinho com a Lava Jato iriam sumir, se tivessem vergonha na cara.

E o mesmo se aplicaria, se tivessem a mesma nas faces , aos policiais e procuradores do Dr. Sérgio Moro.

O que tem a ver?

Tudo.

Firme-se para não cair da cadeira: a dona da mansão dos Marinho, a controladora da Agropecuária Veine, a Blainville, dividia sala no Panamá com a empresa de picaretagem de Paulo Roberto Costa, operador supremo o “petrolão”.

No relatório “paralelo” do PDSB (e PPS/DEM) é dito que Paulo Roberto Costa montou a Sunset Global Services Ltd. Corp, no Panamá, para — transcrição literal — “comprar” uma casa em Mangaratiba, no Rio. A casa valia R$ 3,2 milhões. À época da Operação, a Polícia Federal ainda não sabia se a negociação tinha sido realizada.

O que fizeram os  Marinho, com a diferença de que a casa não era em Mangaratiba, “coisa de pobre”, mas em Paraty, numa praia que virou particular?

Constituíram um empresa no Panamá, como Costa, para comprar e fazer a sua mansão praiana, como Costa.

A Bainville International Inc foi aberta com os mesmos US$ 10 mil com que Costa abriu a sua “laranjaria no Panamá.

Pelo mesmo escritório de “laranjeiros”, o de Icaza, Gonzalez — Ruiz & Aleman.

Com o mesmo endereço, na fábrica de laranjas usada por Costa: Calle Aquilino de La Guardia, número 8, Panamá City.

Abriu-se uma empresa aqui no dia 12 de março de 2004. Abriu-se uma lá, no Panamá, no dia 23 de março.

A empresa panamenha, no dia 13 de abril, constitui Jorge Luiz Lamenza seu procurador no Brasil.

No dia 28  de abril depois de registrar uma tradução juramentada e certidões diversas, a Blainville, através de Lamenza, compra 90% da  empresa brasileira que viria a ser dona da mansão Marinho. Os 10% restantes eram de uma senhora no prosaico Grajaú carrioca.

Lá, no Panamá, a empresa tem  sede na sala que viria a ser a mesma da Global, de Paulo Roberto Costa.

Todos os documentos reproduzidos na imagem são de certidões tiradas no Registro Notarial do Panamá e na Junta Comercial de São Paulo.

Diria o Ronnie Von: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim. 

Um é falcatrua. O outro é… não vem ao caso.

Imaginem se o sitio do Lula fosse de uma empresa no Panamá,  sócia de sala do Paulo Roberto Costa?

Pois o sítio dos Marinho é.

E não acontece nada.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Quem é quem no xadrez do impeachment


Os jogos em torno do impeachment não são de fácil diagnóstico. Que existe um movimento articulado, não se discute. Mas existem também tendências internacionais, estados de espírito internos que induzem as pessoas a certas atitudes, de tal maneira que se torna difícil separar o que é conspiração ou tendência induzida pelas circunstâncias históricas.

É evidente que a conspiração atua sobre as características políticas do momento. Mas nem todos que endossam esse movimento agem com intenção conspiratória. Meramente seguem tendências tornando-se massa de manobra.

Para facilitar o raciocínio, vamos separar as principais peças do jogo para tentar remontá-las mais adiante.

Primeiro conjunto: as tendências internacionais

A institucionalização da bestificação do discurso político não é meramente uma obra da mídia. Grupos de mídia são empresas comerciais, com interesses econômicos claros, que atuam quase sempre pró-ciclicamente — isto é, acentuando os movimentos de opinião pública.

Mas não são meros agentes passivos. Em tempos de alta intolerância, o poder dos grupos de mídia se potencializa. Com os ânimos exaltados, os nervos desencapados, a opinião pública fica muito mais suscetível à manipulação. Quebram-se os filtros da verossimilhança, qualquer denúncia cola, avultam as teorias conspiratórias e consegue-se manipular o estouro da boiada através da recriação de alguns mitos históricos, como o do inimigo externo, das ameaças insondáveis à família, do castigo eterno aos ímpios e outros mitos que, tendo como pano de fundo a superstição, alimentaram os piores episódios de intolerância do século 20.

É quando a besta — esse sentimento de intolerância massificado — sai da jaula a passa a ser tangida por palavras de ordem emanadas da mídia ou de lideranças populares. Aí, a mídia adquire poder de vida e de morte sobre personalidades públicas. Vide o macarthismo, o uso da informação de massa pelo fascismo ou, mesmo sem o modelo de mídia ocidental, mas navegando nas mesmas águas da intolerância, a revolução cultural chinesa.

Os fatores de intolerância

Se não é um fenômeno estritamente brasileiro, o que caracterizaria, então, a universalização atual dessas ondas de intolerância?

Está-se em um quadro claro de falência do modelo de economia liberal, que começa em 1972, e de democracia representativa que vigorou em todo século 20.

Nos modelos democráticos, o equilíbrio geral — econômico, social e político — é uma percepção criada pelo trabalho articulado entre quatro setores — Executivo, Legislativo, Judiciário e Mídia —, por um quadro econômico estável, e com válvulas de escape permitindo administrar os conflitos internos, com relativa abertura para processos lentos de inclusão.

A crise de 2008 matou a utopia e trouxe à tona diversos elementos desestabilizadores, como a insegurança econômica e o medo de perda de status social.

A globalização e os grandes movimentos de inclusão trouxeram uma nova população invadindo os mercados de consumo, de lazer, de educação e de opinião. Enquanto o mito econômico se sustentou, foi mais fácil administrar as intolerâncias e preconceitos em relação aos “invasores”. Com a crise e o fim das ilusões, a busca de bodes expiatórios foi bater nas costas dos imigrantes e dos novos incluídos, muito mais concretos para atiçar o primarismo da besta do que movimentos financeiros sofisticados ou as grandes jogadas empresariais.

Somou-se o desmantelamento dos sistemas tradicionais de mídia. O sistema que vigorou no século, a não ser nas fases iniciais da era do rádio, embora alimentasse a intolerância, funcionava também como descarrego das manifestações individuais de seus leitores.

Houve então um estilhaçamento de todas as formas de coordenação e controle da opinião pública em um momento de conflitos étnicos e de ódio interno nos países. A besta arrebentou as grades e invadiu as ruas, as cidades, até as conversas de família.

Principalmente, comprometeu radicalmente um dos elementos centrais dos pactos democráticos: a hipocrisia da democracia representativa.

O primado da separação de poderes criou um conjunto de freios ao poder absoluto. E a ideia genérica de que “todos são iguais perante a lei” legitimou o modelo. Além disso, abriu espaço para a assimilação lenta e gradual das políticas de inclusão, que deveriam acompanhar sempre o pensamento médio nacional.

Cada grupo social precisava, antes, expandir suas ideias, viabilizar-se politicamente para, mais à frente, inserir seus princípios nas leis e na política.

Esse modelo gradual, garantiu a disciplina das chamadas massas, mantendo sob controle as disputas de classe e permitindo a prevalência do poder econômico em todas as instâncias, em alguns casos amenizado por um conjunto de regramentos.

Na política, o poder econômico avançou através dos financiamentos de campanha. No dia-a-dia da economia tornaram-se os parceiros mais influentes de todos os presidentes. Nos Estados Unidos, levaram à guerra contra a Espanha, em fins do século 19, à guerra contra o Iraque, no século 21. No Brasil, FHC buscou seus aliados junto ao setor financeiro; Lula, junto aos grandes grupos da economia real.

A própria prestação da Justiça desdobrou-se em várias formas de proteção aos poderosos, das apelações infindáveis às diversas maneiras de interpretar o “garantismo” — a defesa das garantias individuais — dependendo de grandes escritórios de advocacia. Em alguns casos, como nos EUA, em nome do interesse nacional foi conferido até direito do Presidente da República conceder indulto a crimes econômicos praticados.

Essa mesma parceria manifestou-se em relação à mídia, com os diversos modelos de financiamento dos grupos de mídia subordinando-os a interesses de grupos.

Apenas nas eleições o eleitor tinha condições de se manifestar. Mesmo assim, submetidos a formas variadas de controle e manipulação da informação.

Todo esse aparato institucional visava criar uma mediação e controle das demandas públicas. E nem se julgue essa constatação um fator totalmente negativo: não há nada pior para um país ou uma comunidade que uma opinião pública descontrolada, reagindo aos estímulos de líderes de torcida.

Esse mundo desabou.

Em cima da decepção com o modelo democrático, vieram as novas formas de comunicação das redes sociais, passando a ilusão da democracia direta em todas as instâncias.

Nas ruas, o grito sem a mediação dos partidos e da mídia. No mercado de opinião, a atoarda das redes sociais, nas quais a mídia é apenas um perfil a mais, com seus seguidores. Na Justiça, a busca do justiçamento, a justiça com as próprias mãos e a interpretação de que toda forma de garantismo como maneira de livrar os poderosos dos rigores da lei.

Em cada escaninho de poder, cada detentor de poder, pequeno, médio ou grande, se julgou com liberdade para exercitar seu voluntarismo. O descarrilhamento das estruturas de poder se dá para fora e para dentro.

Nesse quadro, dois personagens emergiram exercitando uma violência descontrolada: os grupos de mídia, atropelados pelas novas formas de comunicação; e a oposição aos governos que conseguiram montar políticas vitoriosas de inclusão.

Essas políticas geraram novos consumidores, mas também novos cidadãos. O partido que patrocina a inclusão ganhou uma massa de votos imbatível, levando a oposição a uma luta extra-eleitoral encarniçada para se manter no jogo. E as armas principais às quais têm recorrido, seja na Fox News, seja na Veja, é a exploração radical da intolerância existente na sociedade.

Segundo conjunto: o caso brasileiro

O caso brasileiro foi montado em cima dessas características globais atuais acrescidas das particularidades internas. Alguns dos episódios condicionantes do momento:

1.    Roberto Civita importa dos EUA o estilo escatológico de Rupert Murdock. Em 2005 há o pacto dos grupos de mídia para enfrentar a globalização do setor. A campanha pró-armamento descobre um mercado promissor na exploração do discurso do ódio e em uma nova direita que nascia.

2.    A enorme inclusão social ocorrida na última década, cujos conflitos foram amenizados pela fase de bonança econômica, explodem com o fim da bonança mundial dos commodities e os erros políticos e econômicos cometidos por Dilma em 2014 e 2015.

3.    O desmonte da base de apoio do período Lula, mas a corrosão na popularidade da presidente, abrem uma vulnerabilidade inédita no Executivo.

4.    Antes disso, a cobertura intensiva do julgamento do “mensalão”, visando obscurecer a CPMI de Cachoeira, testando pela primeira vez a massificação das denúncias de corrupção de forma continuada. A campanha do “mensalão” ajudou a fixar na classe média a ideia de que a corrupção estava no PT e a solução, no seu extermínio.

Criou-se o clima adequado para os grandes movimentos de manada.

A ira difusa em relação ao desconforto atual, ao sistema político, à lentidão do Judiciário, tudo isto é canalizado contra o governo. E a Lava Jato bateu na imensa mina de corrupção montada em torno da Petrobras e amplificou os ecos não esquecidos do mensalão.

A disfuncionalidade política, de governo e oposição, a desconfiança em relação ao Judiciário (especialmente após a frustração das Operações Satiagraha e Castelo de Areia) ampliaram os movimentos de ação direta, nas ruas.

Terceiro conjunto: a orquestração política

Desse conjunto de fatores germinaram as ações radicalizantes que passamos a analisar a seguir.

Na análise sobre os personagens envolvidos, haverá certa dificuldade em identificar as movimentações.

Para facilitar o raciocínio, vamos dividi-los em três grupos principais:

1.     Aqueles cujo fator mobilizante é a indignação pura e simples. Entram aí movimentos de rua.

2.    O grupo motivado pela disputa corporativa por espaço político. Inserem-se aí procuradores, delegados, juízes de primeira instância, técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União)

3.    E há o terceiro grupo, o dos conspiradores efetivos, manobrando as circunstâncias do momento.

Para nossa análise, interessa identificar esse terceiro grupo.

Os pontos que chamam a atenção, por induzir a uma ação concertada são os seguintes, tendo como instrumento de guerra a parceria mídia-Lava Jato:

1.    A estratégia jurídica

A perfeita coordenação entre as estratégias de Gilmar Mendes e Dias Toffoli no TSE e Sérgio Moro na Lava Jato — de encontrar indícios para criminalizar o caixa 1 da campanha de Dilma.

A concatenação entre a Lava Jato e a Zelotes é outro indício de atuação coordenada.

Além disso, a maneira como um juiz de Primeira Instância, no Paraná, conseguiu deflagrar a mais abrangente operação criminal brasileira cujo único elo com sua jurisdição era um doleiro que já tivera os benefícios da delação premiada e voltara a prevaricar.

2.    A estratégia política.

A concatenação entre o fluxo de vazamentos da Lava Jato e as estratégias pró-impeachment da oposição.

A blindagem aos nomes de oposição que surgem nas delações premiadas.

Em momentos mais críticos, a Lava Jato providencia um fluxo maior de factoides destinados a estimular a opinião pública.

3.    A estratégia econômica.

Um viés totalmente internacionalizante, no âmbito do Congresso — toda vez que o governo entra em sinuca, a saída apresentada consiste na flexibilização da Lei do Petróleo e das políticas sociais — e no âmbito da própria Lava Jato e do Ministério Público Federal através dos acordos de cooperação internacional. Parece haver um trabalho articulado para atingir setores de interesse direto dos Estados Unidos: Petrobras com a lei do petróleo, empreiteiras brasileiras (que se tornaram competitivas internacionalmente) e setor eletronuclear.

Na visita do PGR a Washington, por exemplo, levou informações contra a Petrobras e trouxe informações de escândalos na Eletronuclear. Há um ataque sem quartel a todas as políticas visando fortalecer a economia interna, da mesma maneira que na Operação Mãos Limpas.

A ideologia do jogo — expresso não apenas na oposição, na Lava Jato e na própria Procuradoria Geral da República, através da chamada cooperação internacional — é a do internacionalismo. A corrupção é decorrência de uma economia fechada. O mercado liberta, o Estado corrompe.

A não ser os grupos ligados a direitos humanos, o grosso dos procuradores provavelmente esposa essa visão reducionista de mercado.

Os personagens do jogo

Os personagens do jogo serão analisados com base nas informações que tenho sobre eles e nas impressões deixadas pela forma como estão jogando.

Há alguns pontos centrais de articulação — como o Instituto Milenium, que continua cumprindo à altura seu papel de sucessor do velho IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Fora ele, não há sinais de locais mais expressivos de articulação.

Entendidos esses aspectos do jogo, vamos aos jogadores.

Congresso

Há um conjunto de personagens secundários que ganharam visibilidade por ecoar a intolerância. Políticos como Carlos Sampaio, Mendonça Neto, Agripino Maia, Aloisio Nunes, Ronaldo Caiado, Roberto Freire, vociferantes, mas personagens menores que apenas. Os amadores aparecem mais; os profissionais se preservam.

São quatro os personagens a serem analisados.

O primeiro deles é Aécio Neves, o candidato do PSDB nas últimas eleições presidenciais. Tem importância apenas pelo recall das últimas eleições.

É politicamente inexpressivo, incapaz sequer de articular de forma consistente interesses mais complexos.

É candidato a um indiciamento próximo por duas razões: em algum momento o MPF terá que mostrar isenção e a cada dia se avolumam mais evidências contra ele. A segunda razão é que ele se tornou uma liderança disfuncional, incapaz de articular um corpo mínimo de ideias e estratégias.

O grupo profissional tem três elementos: Michel Temer, Renan Calheiros e José Serra.

No curto espaço de tempo em que se tornou protagonista político, Temer não demonstrou maior envergadura política. Encampou a tal agenda liberal, surgiu no horizonte político e desapareceu como um cometa fugaz.

Renan é político com uma concepção muito mais sólida de poder. Fareja como ninguém os centros de poder e sabe agir com rigor e objetividade. Provavelmente sua aproximação com a agenda liberal e com as mudanças na lei do petróleo se prendam a essa percepção mais apurada sobre poder. Sob ameaça da Lava Jato, como estratégia de sobrevivência tratou de se aproximar do foco mais influente do poder.

José Serra é o grande articulador. É o político que transita pelos grandes grupos internacionais — lembrem-se do Wikileaks com ele prometendo à lobista da indústria petrolífera flexibilizar a lei do petróleo assim que eleito. Transita também pela mídia e pelo submundo do Judiciário — Polícia Federal e procuradores, com os quais montou uma verdadeira indústria de dossiês. 

Justiça

Os dois personagens centrais dessa articulação são Gilmar Mendes no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e Sérgio Moro na Lava Jato. São os grandes estrategistas que provavelmente estreitaram relações entre si durante o julgamento do “mensalão”.

Suas estratégias se completam, assim como o recurso recorrente à mídia, Gilmar em episódios ostensivamente manipulados, como o grampo sem áudio, o grampo no Supremo ou o encontro com Lula, factoides que explodiam e desapareciam como fogo fátuo; Moro de forma profissional, abastecendo a mídia com jorros ininterruptos de notícias e factoides.

As ligações históricas de Gilmar com José Serra, o trabalho de cooptação de Dias Toffoli, seu trabalho pertinaz no STF e TSE, o colocam como personagem central da conspiração. O que, convenhamos, não chega a ser nenhuma novidade.

A Força Tarefa da Lava Jato, Moro, os procuradores e delegados, são o epicentro operacional dessas articulações. Mas não conseguiram disfarçar a posição ostensivamente partidária. Já viraram o fio há algum tempo.

Já o problema do MPF é muito mais o de perda de controle sobre os jovens procuradores, devido ao fato do Procurador Geral Rodrigo Janot responder à sua base, e não à presidência da República, como determina a Constituição.

Há três fatores que afetam a imagem do MPF como um todo.

Um deles, as entrevistas políticas do procurador falastrão, Carlos Fernando dos Santos Lima. O segundo, a excessiva politização do MPF do Distrito Federal. O terceiro, o exibicionismo de jovens procuradores, tentando de todas as formas se habilitar aos holofotes da mídia através de representações estapafúrdias.

Mesmo a maneira como se insere na cooperação internacional — na qual é patente o alinhamento com interesses dos Estados Unidos — parece muito mais falta de reflexão interna sobre os aspectos geopolíticos da cooperação, do que qualquer postura conspiratória.

Quanto a Janot, em que pese a blindagem de Aécio Neves, é uma figura pública respeitável, preso a esses dilemas entre garantir a legalidade e, ao mesmo tempo, não remar contra o sentimento de onipotência que acometeu a categoria, após a Lava Jato.

Mídia

Aí se concentra o poder maior, que está na Globo. Veja, Folha e Estadão são  apenas agentes auxiliares, que fornecem as pautas para o Jornal Nacional.

Luís Nassif
No GGN
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Manifesto de Solidariedade aos presos políticos no estado de Goiás


Manifesto de Solidariedade aos presos políticos no estado de Goiás: presos na Luta em defesa da escola pública gratuita e de qualidade.

O governo de GOIÁS ao promover implantação de O.S na educação goiana, sem garantir o livre direito ao debate e às manifestações pacíficas, desrespeita preceitos legais duramente conquistados, além de incitar violência contra estudantes e trabalhadores.

A prisão arbitrária e orquestrada que vem ocorrendo em Goiás, contra manifestantes, professores e estudantes, além de diversas outras violências e perseguições, devem ser barradas e denunciadas nacional e internacionalmente.

Nos unificamos àqueles e àquelas que querem um Estado Melhor, um Brasil melhor!

Não a Barbárie!

Sim ao estado Democrático e de Direito!

Ailma Maria de Oliveira - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil CTB
Adriana Maria Antunes de Souza - Secretária de Comunicação da CUT SC
Adriana Delbó - professora UFG
Alex Capuano - Inst Barão de Itararé
Alexandrina Mota - Fórum de Mulheres do Fisco (CE)
Amanda Mello - Presidenta da UJS Pernambuco
Anderson Rangel - estudante de Direito - Conselheiro de Cultura de Camaragibe
Aparecido Lima - Jornalista
Carla Mileni Damião FAFIL UFG
Cintia Dias - Cientista Social
Cláudio Machado - Núcleo Barão de Itararé ES
Cláudio Roberto A. Bastos - Vice Pres. do PR-Blogs, Sec. de Comunicação do PCdoB de Curitiba
Denise Silva Araújo - profa Fac Educ UFG
Diógenes Brandão - Blogueiro de Belém do Pará
Elisabete Margot Vieira - Advogada SC
Erica Aragão - Sind dos Jornalistas de São Paulo
Fernanda Tardin - Calles Casa América Latina
Giovanna Aparecida Shitinni Santos - profa CEPAE UFG
Guto -Carlos Augusto Lima Moreira - Agitador cultural, coletivo samba raiz resistência e luta
Henry Rodrigues - Asdecol Bogotá - Colômbia
Honório Angelo Rocha - Delegado Sind Fasubra
Jairo Medeiros - Advogado e assessor jurídico AblogPE
Jelsimar Pimentel - prof Blogueiro, diretor de comunicação Barão PE
Joaquim Dantas - Blogueiro e ativista digital progressista DF
Jonatas Carlos- Jornalista, Blogueiro e ativista digital MA
Karine Assis Oliveira - Subseduce Jatai
Karinna Bueno - jornalista PR
Isaura Lemos - Deputada PCdoB
Iran Caetano - Ex-preso politico, anistiado, Dirigente PCdoB ES, Conselheiro etica Calles
Izabel Heitor - Conselheira Apeosp
Jesus Divino Barbosa de Souza Previdência - Blog do Jesus
Julia Sebba Ramalho - profa UFG
Lúcia Rincon - Coordenadora Nac da UBM
Magda Maria Borges - Feministas Importantes
Marcelo Junta - prof de História CTB
Marco Antonio Veiga - Ativista digital
Milka de Souza Costa - Ass Social
Mirza Seabra Toschi - UEG coletivo de professores
Narelly Batista - Jornalista
Nilson Velásquez - Professor
Nivaldo Santos -Advogado prof UFG
Pablo Rodrigo - Jornalista e editor de Política do jornal Diário de Cuiabá MT
Portal Desacato - Desacato.info
Railton Nascimento- Filósofo CTB GO
Renata Mielli - Sec. Geral do Barão do Itararé e Sec geral FNDC
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Em Goiás, professor que participava de protesto diz que sua prisão foi ilegal


"Fui preso pelo quê?"

Em conversa com a assessoria jurídica da Adufg Sindicato na manhã desta terça-feira, o professor da Faculdade de História (FH-UFG) Rafael Saddi afirmou que sua prisão ocorreu de forma ilegal e que as autoridades ainda não o haviam informado sobre os motivos da prisão.

Rafael foi preso na noite de ontem (segunda-feira, 15) na sede da Seduce junto a outros 30 manifestantes, que ocupavam o prédio da secretaria em protesto contra as Organizações Sociais (OS) na rede estadual de ensino. Foram presos 18 adultos (três mulheres e 15 homens) e 12 menores apreendidos.

Todos os presos adultos foram levados em um ônibus do transporte coletivo de Goiânia para a porta da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), em Campinas. Todos permaneceram por 13 horas presos no ônibus em frente à delegacia. Advogados do sindicato tiveram de providenciar água e comida aos detidos na manhã de hoje, quando os adultos homens foram transferidos para a Deic e as mulheres adultas foram para o 14º Ciops.

Na Deic, o professor contou aos advogados da Adufg Sindicato que estava do lado de fora do prédio da Seduce tentando negociar a saída dos estudantes com a Polícia Militar, que havia feito um cordão de isolamento em frente ao prédio e teria impedido a entrada da imprensa e de advogados. 

Rafael contou que foi convidado por um policial a entrar no prédio para acompanhar a saída dos manifestantes. Aceitou e, assim que entrou no local, recebeu voz de prisão. "Uma prisão completamente ilegal. Depois disso eu não soube de mais nada. Estou sendo criminalizado pelo quê?", indagou aos advogados da Adufg. 

No auto de prisão em flagrante da Polícia Civil, Rafael é acusado corrupção de menores e danos ao patrimônio público. Até o início desta tarde, ele aguardava audiência de custódia, que ainda não havia sido marcada.

Entrevistado na última edição do Jornal do Professor, Saddi é apoiador do movimento de estudantes secundaristas contra as OS em Goiás. No dia 25 de janeiro, ele foi detido pela Polícia Civil quando ajudava alunos adolescentes expulsos da ocupação do Colégio Ismael Silva de Jesus.

Do Adufg
No GGN
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Batalha do Lula - Pixu não subiu!




E o Pixuleco, não houve meio, não subiu! Bem que os Revoltados On Line tentaram, tentaram... Péra, meu bem, já vai! Até a PM assassina do Geraldo Alckmin deu as caras, jogando bomba nos petistas. Tudo pra proteger o boneco infame. Então, quando parecia que ia, eis que surgiu um herói da UJS. Solitário e determinado, ele foi até o Pixu jogado no chão e fez um rasgo de 30 centímetros na borracha. Os Revoltados On Line perceberam tarde demais. Foi uma correria danada. Um manifestante de direita, vestido com motivos militares, aproveitou a confusão para sacar o spray de pimenta e atacar o militantes de esquerda em torno. Bem, moral dessa história: O Pixuleco não Subiu! Ahahahahaha!

Katia Passos e Gustavo Aranda
No #‎JornalistasLivres‬
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Acredite! Isso é promotor...


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Provas enviadas por Moro ao TSE não atingem Dilma


Os documentos enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo juiz federal Sérgio Moro — que conduz os processos em primeira instância da Lava Jato, não atingiriam a presidente Dilma Rousseff.

Eles se referem a 27 doações ao PT feitas entre outubro de 2008 e março de 2012. As provas, no entanto, não dizem respeito à campanha presidencial de 2014, alvo da ação do PSDB no TSE, que pede a cassação da chapa de Dilma e Temer.

“O fato comprovado revela um aspecto perverso do esquema criminoso que afetou a Petrobrás, a utilização de dinheiro de propina para financiar atividades político-partidárias, com afetação do processo político democrático”, registra Moro na sentença — entregue ao TSE — do processo envolvendo executivos da empreiteira Mendes Júnior e Setal Óleo e Gás (SOG).

O juiz informou ao TSE, em ofício, que “reputou-se comprovado o direcionamento de propinas acertadas no esquema criminoso da Petrobrás para doações eleitorais registradas”.

Leia aqui reportagem de Ricardo Brandt e Fausto Macedo sobre o assunto.

No 247
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Miriam Dutra "delata": Globo proporcionou vantagens para FHC.


A ex-namorada de FHC, Miriam Dutra, saiu da TV Globo após 35 anos de contrato e agora concedeu entrevista. Deixo de lado as questões pessoais e separei os trechos em que relata a relação profissional com a Globo.

Ela revela que em 92, 93 e parece que em parte de 94 trabalhou de fato como jornalista em Portugal, fazendo reportagens.

A partir de 94, ano em que FHC despontou como candidato favorito e apoiado pela Globo, ela foi retirada do ar e colocada na geladeira. Disse que ficou 10 anos em Barcelona contratada pela Globo sem fazer nada (entendi que foi por volta de 1995/1996 até 2005/2006). Depois passou por Londres e Madri, onde também pouco a deixaram trabalhar.

Disse que o contrato, alegando direito de imagem, a proibia de dar entrevistas ou aparecer em outras mídias. E disse que era do interesse de FHC mantê-la longe dos holofotes e do Brasil, porque ele temia atrapalhá-lo nas eleições presidenciais que disputou.

Desse conjunto de fatos descritos, dá para deduzir que a Globo proporcionou vantagens para FHC, pagando uma funcionária para não fazer nada e ficar em silêncio. E ao ficar com medo da revelação do segredo, FHC ficou na situação de comer na mão da Globo.

Lembremos que FHC sempre atendeu com digamos, generosidade, os interesses das Organizações Globo em seu governo.

Nestes tempos de inquisição, fosse FHC petista e fosse a TV Globo outra empresa, seria grande a chance de dez anos de salários para não trabalhar ser tratado como pagamento de vantagem, ou seja, propina.

A entrevista inteira está publicada aqui.

ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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FHC conseguiu se superar na sua própria indecência

Se havia alguma lama que Fernando Henrique Cardoso ainda não havia chafurdado, essa lacuna foi preenchida com a aterradora entrevista que sua ex-namorada, a ex-jornalista da Globo, Mirian Dutra, concedeu ao site Brazil com Z na Espanha, onde atualmente reside com o seu filho.

A história revelada por Mirian após anos silenciada por FHC e pela mídia corportivista brasileira é algo que simplesmente transita entre o vergonhoso e o abominável. Segundo a jornalista, que manteve um caso de 6 anos com FHC, ela teria sido obrigada a sair do país em plena gravidez simplesmente para que a história não atrapalhasse na reeleição do então presidente.

A partir daí, o que se seguiu foi um caso digno de filmes de suspense e conspiração. Para que a história não vazasse, a vida de Mirian no Brasil foi completamente "apagada". Todas as reportagens dela foram deletadas da Globo e ela estava proibida de se pronunciar em qualquer outro meio.

Ainda segundo a jornalista, FHC teria dado um jeito de fraudar um exame de DNA para que ficasse "provado" que o filho não era seu. Os primeiros passos de toda essa "operação" teriam sido dados nas salas da revista Veja, sempre ela, em comum acordo com os Marinhos, sempre eles, e o próprio Fernando Henrique.

Que Fernando Henrique Cardoso é um mau político, um mau gestor, um péssimo sociólogo e um falso moralista é algo que já não resta dúvida para ninguém. Agora já podemos acrescentar definitivamente a pecha de um ser humano medíocre, covarde e mau caráter.

Se serve de consolo para Mirian Dutra, o que eu poderia dizer é que FHC não abandonou apenas a ela e ao seu próprio filho pelo poder. FHC, pelo poder, abandonou a economia, o aparato social, a dignidade do povo brasileiro e a própria nação.

O pior de tudo é constatar que esse sujeito é o "exemplo maior e reserva moral" do PSDB. Junte esse lixo com a Veja e as Organizações Globo e chegaremos ao verdadeiro mal desse país.

Max Cavalera
No Esquerda Caviar
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Entenda a decisão do CNMP que suspendeu o depoimento de Lula


Reprodução da liminar do Conselho Nacional do Ministério Público

A audiência desta quarta-feira com o ex-presidente Lula e todos os atos do promotor Cássio Conserino em relação ao Edifício Solaris foram suspensos pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que fiscaliza a atuação dos promotores de Justiça e procuradores da República em todo o Brasil.

A suspensão dos atos de Conserino neste caso foi decidida ontem (15/02), em caráter liminar, pelo conselheiro Valter Schuenquener de Araújo, relator do Pedido de Providências apresentado pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Teixeira argumentou que Conserino, da 2a. Promotria Criminal do Ministério Público de São Paulo, não tem competência funcional para conduzir o inquérito sobre o Edifício Solaris, porque este tem origem numa Representação Criminal sobre fatos que já são objeto de Ação distribuída à 1a. Promotoria.

Em sua decisão, o conselheiro relator Valter Schuenquener de Araújo considerou que todos os atos de Conserino devem ser suspensos até que o CNMP determine se houve, neste caso, violação do princípio do promotor natural.

Teixeira também argumentou que Conserino antecipou juízo de valor, declarando à revista Veja a decisão de apresentar denúncia contra o ex-presidente Lula e Marisa Letícia Lula da Silva, antes mesmo de ouvi-los. De acordo com o deputado, a atuação promotor caracteriza clara perseguição política ao ex-presidente.

O ex-presidente e Marisa Letícia já esclareceram publicamente que nunca foram proprietários de apartamento no Edifício Solaris, em Guarujá, e jamais ocultaram ter adquirido, em 2005, uma cota-parte de empreendimento da Bacoop.

A exploração deste episódio pela imprensa, pelos adversários do PT e por agentes do Estado que deveriam subordinar-se à Lei, é um dos piores exemplos do rebaixamento da disputa política, por parte dos que se recusam a aceitar os avanços democráticos e sociais do Brasil nos últimos anos.

Leia a íntegra da decisão do CNMP

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Ele representa a elite mais predadora


Gilmar é o feitor

A Casa Grande lhe dá cobertura


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Aonde você vai?


Aonde vai você, brasileiro médio e normal, com seu telefone moderno, sua dívida com o banco, sua raiva da política, sua vontade de riqueza? Aonde?

Você caminha apressado com sua série favorita, sua crítica ao Estado, seu disco de indie rock, sua alergia a glúten, seu personal trainer, seu porteiro, sua balada. Vai tão seguro de si, tu com teu livro do Pequeno Príncipe, tua Arte da Guerra, teu camarote vip, tua faculdade paga, tua viagem para Miami. Vai indo, caminhando e cantando e seguindo de volta. Copiando e colando e sabendo muito, não conhecendo nada. Vai indo, vai vendo.

Brasileiro médio e normal, que assiste a novela, que preza pela família, que mantém o poder religioso ativo; o que te dá tesão, oh brasileiro ordinário? Mulheres submissas, negras lascivas, loiras peitudas? Gostosas de roupa curta vendendo cerveja ou homens musculosos de bíceps inchados, clicando em anúncios de promessa de ereção poderosa? No carnaval pode tudo? Real sem local? Bi curioso? Goy ou Gótico? Hentai ou Maurício de Sousa? Curte novinha? Que caminho é esse entre tradicionalismo e perversão, que ética é essa erotiza meninas e demoniza formas de amor entre adultos iguais? Que certezas a incoerência moral produz? Eu só quero entender, brasileiro comum, só isso. Que prazer o ódio dá? Que beleza existe na rotulação? Deite-se no divã dos comentários anônimos e me diga.

Eu lamento informar, mas você via ficar para trás, vai perder o trem das onze da modernidade, vai perder o bonde, cair do cavalo, se estabacar.

Eu quero ouvir o estalar das veias se rompendo dentro da cabeça desse povo num AVC monumental, quando virem as negras pararem de alisar os cabelos. Eu quero ver o coração dessa gente romper num infarto fulminante quando perceberem que não é mais da ralé a exclusividade da pobreza, e que há miséria em Alphaville e no Leblon, a miséria de uma vida hipotecada e parcelada. Eu quero ver a masculinidade abalada dos machões diante de um beijo gay ao meio-dia. Eu quero ver a confusão mental levar a loucura gente que não concebe mudança de gênero. Eu quero que eles sofram de um sofrimento penoso e lento, maior e mais eficaz que qualquer tortura medieval, o sofrimento de viver num mundo em que eles não são mais normais ou importantes. Quando a normalidade mudar de norma, quando a diferença pouco importar, quando as novas gerações vierem moldadas pela força irreversível da era da informação, eu quero ver o que vai acontecer. Não adianta fechar os olhos, nós gritaremos. Se taparem os ouvidos, nós puxaremos o seu pé. É horrível se sentir descolado num mundo feito para si, não é? Nós sabemos bem. É só o começo.

Não somos de direita nem de esquerda. Não nos importa marcas, modas ou etiquetas. Não queremos tomar o seu lugar, viver em seu Apê, pilotar o seu carango. Você nos colocou no devido lugar e fizemos deste um lugar melhor. Não queremos ler o mesmo que você, nem rezar como você, nem pensar como você. Você nos delegou a cultura ruim e fizemos desta uma cultura melhor. Ninguém mais quer ser como você, ninguém tem tempo isso. Por muito tempo disseram que nosso nariz era largo demais, nosso cabelo duro demais, nossa voz fina demais, nossa pobreza feia demais, nosso sexo frágil demais. O espírito do tempo mudou as coisas de lugar: o negro, o gay, o pobre e a mulherzinha entraram num bar e riram da piada. O batuque do candomblé não vai parar, o funk não vai parar, o feminismo, a causa gay, nada disso vai parar. Você vai bater, humilhar, rotular, cuspir e grasnar e nós vamos descer até o chão. Não adianta fugir. Vamos estender a bandeira do arco-iris sobre você, vamos jogar búzios em você, vamos dizer que família é onde cabe o amor, vamos foder do nosso jeito, ler do nosso jeito, vestir as roupas que queremos, vamos te atazanar. O seu ódio é o nosso alimento, a sua repulsa é o nosso gás, pagamos com cultura pela sua burrice, criamos um novo saber  —  saber efetivo, feito de experiência e força  —  para substituir seus dogmas mofados. Cultura não é só o que você gosta, prazer não é só o que você goza.

Você agoniza, nós florescemos.

Você procria e molda seus filhos na regra do azul de menino/rosa de menina, protegendo suas crias com o firewall da caretice, mas vai vendo, eles não vão cair nessa. Não há força capaz de parar o movimento do tempo, não há dinheiro capaz de comprar o poder da mudança. Os jovens de hoje irão atear fogo nas bíblias, bulas e códices de bons modos em nome do novo, do verdadeiro e do belo. Serão os filhos da malandragem 2.0 e não haverá pastor, padre ou político que os diga o que fazer. Se prepare.

Eu quero mais é que o sertanejo universitário se forme e faça mestrado, que a bicha passiva e afeminada lacre, que o paraíba dance forró sobre o ladrilho de mármore do lobby do seu prédio, que a filha da empregada passe com louvor por cima dos nutridos a Ovo Maltine. Esse país não é mais seu.

Da carta de Caminha a carta do Temer.

Do baile da Ilha Fiscal ao baile de favela.

Do Gregório de Matos ao Duvivier.

De Canudos ao Morro do Alemão.

Da Revolta da Vacina ao Passe Livre.

Você não percebe a transformação. Lágrimas nos olhos de cortar cebola, você, brasileiro médio e normal, está sempre aflito.

A história do Brasil para você é coisa de ontem. Pobre coitado, sem visão de mundo, sem noção de país, sem outra confiança senão num pedacinho de plástico capaz de converter um carro ou computador da maçã em lindas parcelas de trabalho sofrido e status. A cor da pele, o genital, a conta bancária e o diploma sempre foram suas referências  —  e agora José? A raça não importa mais, o pipi ou a pepeka não importam mais, a economia fodeu com todo mundo e aprendizagem se faz aonde se quer. E agora?

Você, brasileiro normal, não está aqui e agora. É um penetra da própria festa, um fantasma cimentado num feudo patriarcal. A sua chibata não estala mais, o seu machismo não prende mais a fêmea ao fogão. Em breve estudaremos você, o seu pensamento será motivo de riso nas escolas do futuro, você está virando piada.

Mas por enquanto temos que lidar com você. Estamos todos presos nessa caixa de 8.516.00 quilômetros quadrados, nossas raízes fincam no mesmo chão. Estamos indo, avançando, do nosso jeito, no nosso tempo. Ainda há pobreza, ainda há desigualdade, ainda estamos nas mãos dos grandes e poderosos, mas como areia na peneira começamos a escapar. Vamos pavimentando sobre o lamaçal do seu paternalismo-branco-ocidental o caminho por onde passarão os que serão dignos de passar. Você não vai passar por aqui, vai passar no tempo, ou como diria Quintana “eles passarão, eu passarinho”.

E enquanto viramos a curva do tempo vemos sua figura antiquada pegar o bonde da bíblia, do boi e da bala. Pois reze, coma seu bife e recarregue sua arma. A prece não vai ser ouvida, a comida será indigesta e o gatilho vai falhar enquanto você não responder a minha pergunta: Aonde você vai? Aonde?

Valter Nascimento
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CNMP cancela audiência com Lula no MP de São Paulo


O Conselho Nacional do Ministério Público suspendeu a audiência que ouviria, hoje (17) o ex-presidente Lula no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. A decisão do Conselheiro que analisou a questão, avaliou que o promotor abusou de suas prerrogativas ao abrir um inquérito de uma área que não era a sua. Além disso o promotor já teria feito um pré julgamento do ex-presidente e inclusive externado sua posição em uma revista semanal.

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