15 de fev de 2016

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Sanders, Lava Jato e como a Internet mudou a política

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/02/15/sanders-lava-jato-e-como-internet-mudou-politica/


Desde a derrota de Hillary Clinton para Barack Obama nas primárias do Partido Democrata que o mundo percebeu como a internet pode ser um instrumento poderoso para mobilizar pessoas e derrotar grandes e poderosos esquemas.

Obama não ganhou a eleição dos EUA quando derrotou John McCain. Sua grande vitória foi contra Hillary, a verdadeira candidata do poder econômico, já que se sabia que o melancólico fim do segundo governo do segundo Bush levaria de novo um Democrata à presidência.

O grupo que trabalhava com Obama criou uma campanha baseada numa argumentação simples, a de que era possível eleger um negro para a presidência dos EUA e com isso ampliar os direitos da população menos favorecida. Yes, we can. Sim nós podemos era a tradução daquela mensagem.

A candidatura de Obama na sua primeira eleição só foi possível porque isso mobilizou imensa quantidade de jovens e de eleitores mais progressistas que lhe doavam recursos picados e militância integral, buscando convencer um a um sua rede de amigos e contatos de que ele era a encarnação de um novo país. De um EUA para todos. De um América mais justa.

Obama foi ganhando força enquanto ao mesmo tempo ia sendo capturado e por isso mesmo se tornando mais palatável às grandes corporações. Hoje, se não se pode dizer que Obama se tornou um pesadelo, ele está longe de ser o símbolo do sonho que já encarnou.

E eis que a história que segundo Marx da primeira vez se repete como tragédia e da segunda como farsa, parece que pode levar Hillary a uma segunda derrota nas prévias do seu partido. E para um personagem que é a antítese do Obama, o jovem negro, cuja oratória era algo impressionante. Um velho judeu, branquelo, que se diz socialista e que não dispensa umas tossidas quando fala, volta a encarnar o sonho de uma nova América.

Bernie Sanders, sem sê-lo, é hoje o Obama de ontem.

E fundamentalmente porque entendeu que a política em tempos de redes se faz ainda mais com ideias do que antes. E a ideia central de sua campanha é a que moveu os EUA em occupies de jovens que se diziam os 99% contra o 1% de Wall Street.

A candidatura de Sanders é anti-Wall Street. E por isso ele acabou vocalizando as teses dos garotos que ocuparam praças pelo país inteiro e que ao mesmo tempo moveram as redes digitais e as ruas de várias partes do mundo com seus discursos anti-estabilishment.

As ideias de Sanders não são deles. Elas estavam à procura de um candidato mesmo depois que as barracas foram sendo desmontadas pouco a pouco.

Há quem ainda pense a internet como um espaço de disputa de geeks, hackers, haters ou gente paga pra falar mal dos outros. Ela também é um pouco isso, mas está longe de se resumir a isso. A internet é utilizada por milhões de pessoas que se relacionam e se transformam conforme vão se relacionando.

O sociólogo Manuel Castells, já em 2003, no livro A Galáxia da Internet, definia-a como “o tecido das nossas vidas”. Pode parecer piegas, mas essa caracterização apontava para o seu poder de transformação não apenas dos aspectos tecnológicos da sociedade, mas comportamentais e culturais.

As pessoas mudaram com a internet. O ser político é outro. Ele não se relaciona mais como um ator passivo que se decide sobre que caminho tomar a partir do desempenho dos candidatos na TV. Algo que caracterizou a política desde que o debate televiso ao vivo entre John Kennedy e Richard Nixon, em 1960, definiu a vitória do Democrata. Agora o eleitor quer ser o candidato. Ele quer se representar.

Essa grande transformação esta acontecendo à direita, à esquerda, ao centro e para os lados. Em todos os segmentos do espectro ideológico. Há cada vez mais gente disputando narrativas e produzindo novos sentidos de participação.

A candidatura de um senhor de 75 anos que se diz contra os poderosos não é mais dele. É dessa ideia que se produziu lá atrás e aos poucos em redes digitas, ruas e praças. No Brasil, junho de 2013, foi um meteoro que mexeu com as estruturas políticas tradicionais e que de alguma forma ainda está mexendo. E que se não achou uma resposta eleitoral, enxergou na Operação Lava Jato um espaço para dar padrão Fifa à saúde e à educação, acabando com a corrupção.

O brasileiro médio enxerga na corrupção o problema mais grave do país. É quase um mantra a frase: “se o Brasil tivesse menos corrupção, seria o melhor país do mundo”. As pessoas amam o país e acham que ele é saqueado pelos políticos. Que suas belezas e riquezas naturais, sua terra fértil, seu povo afável, são enganados por meia dúzia de safados.

E a Lava Jato como não é compreendida como uma operação da política conseguiu se tornar o símbolo de uma redenção possível se não a curto prazo, ao menos em algum tempo.

E por isso, mesmo o mais bem avaliado político dos últimos tempos, o ex-presidente Lula, que saiu do governo com 87% de ótimo e bom, está sendo tragado pela tsunami da refundação do país.

Enquanto parte dos americanos encontrou no velhote de 75 anos o herói que enfrenta o 1% de milionários. No Brasil, os meninos da Lava Jato, liderados pelo juíz Moro, são vistos com os membros da Liga da Justiça que pode acabar com o mal maior, a corrupção.

A internet foi sendo utilizada por milhões de pessoas via intensa participação para a construção desses imaginários aqui e acolá.

A mídia centralizada pode ampliar ou enfraquecer essas narrativas, mas quando ela se tornam virais, não consegue detê-las.

A questão fundamental é essa. Em tempos de internet, não se pode pensar mais em fazer política apenas resolvendo a correlação de forças no Congresso ou se acertando com agentes econômicos.

Os tempos mudaram, a banda passou e neste caso não foi só Carolina que não viu. Para o bem ou para o mal, pra esquerda ou pra direita, pra cima ou pra baixo, há muito mais gente querendo participar e participando da esfera pública. E não é mais possível não considerar isso e não construir as ações políticas levando isso em consideração.

E não adianta também fazer isso de forma fake. As pessoas vão defender aquilo que acreditam. Suas ideias é que serão representadas por alguém. E não ao contrário. E nem sempre elas serão representadas por políticos. Por isso a Operação Lava Jato é o Sanders brasileiro.
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Janot dá parecer contrário à cassação de Dilma

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, nesta segunda-feira (15), em uma das quatro ações que pedem a cassação da presidente Dilma Rousseff na Justiça Eleitoral que as acusações para justificar a perda de mandato do chefe do Executivo precisam ser, "já à primeira vista, gravíssimas".

"Para que se possa concretamente falar em cassação de diploma ou mandato de um presidente eleito em tão amplo cenário de eleitores, as condutas a ele atribuídas devem ser, já à primeira vista, gravíssimas, a ponto de impossibilitar qualquer questionamento sobre sua influência nefasta", afirmou Janot.

"As condutas imputadas aos representados, em considerável medida, ou não tiveram o grau de ilicitude atribuídos pela representante ou não os beneficiaram diretamente, ou tiveram pouquíssimos desdobramentos. Esta Procuradoria-Geral Eleitoral não se convenceu, a partir das alegações e provas constantes destes autos, da existência da gravidade necessária a autorizar a aplicação de sanções previstas na Lei", completou.

O processo da oposição, capitaneada pelo PSDB, imputa nove condutas a Dilma e ao seu vice, Michel Temer (PMDB) para justificar abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição em 2014. Entre elas estão o uso da máquina pelo governo, como participação indevida de ministros na campanha, envio de 4,8 milhões de folders pró-Dilma pelos Correios e dificuldades para distribuição de material de campanha de Aécio Neves em Minas Gerais. Outras irregularidades estariam relacionadas a propagandas da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, pronunciamentos presidenciais, utilização de programa social, entre outros.

No 247
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O escárnio da Samarco com os brasileiros


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OMS: São falsos os boatos que associam vacinas para gestantes à microcefalia

“A vacinação é um ato preventivo de promoção e proteção da saúde, considerado prioritário pela Organização por beneficiar a mãe e o bebê. O Programa Nacional de Imunizações brasileiro segue o conceito de vacinação segura da OPAS/OMS, que envolve um conjunto diferenciado de aspectos relacionados ao processo de vacinação”, esclareceu a agência da ONU por meio de um comunicado.

Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo
A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) afirmou nesta segunda-feira (15) que são falsos os boatos associando vacinas para gestantes com microcefalia.

“A vacinação é um ato preventivo de promoção e proteção da saúde, considerado prioritário pela Organização por beneficiar a mãe e o bebê. O Programa Nacional de Imunizações brasileiro segue o conceito de vacinação segura da OPAS/OMS, que envolve um conjunto diferenciado de aspectos relacionados ao processo de vacinação”, esclareceu a agência da ONU por meio de um comunicado.

As vacinas que a Organização recomenda para as gestantes e que são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) são seguras e eficazes, acrescentou a nota.

A vacinação contra o tétano neonatal, lembra a OPAS/OMS, é feita há muitas décadas no Brasil e foi decisiva para tornar essa doença rara no país. Desde o ano 2000, mais de 22 milhões de doses já foram administradas em gestantes.

Além disso, para reforçar ou complementar o esquema de imunização, foi incluída em 2014 no Calendário Nacional de Vacinação da gestante a vacina contra difteria, tétano e coqueluche (pertussis acelular) – dTPa. O produto é disponibilizado para mulheres grávidas a partir da 27ª semana de gestação e pode ser administrada até 20 dias antes da data provável do parto, informou a nota.

O objetivo, segundo a Organização, é diminuir a incidência e mortalidade por coqueluche nos recém-nascidos ao permitir a passagem de anticorpos maternos por via transplacentária para o feto, que nos primeiros meses de vida ainda não teve a oportunidade de iniciar e/ou completar o esquema vacinal. Essa vacina é utilizada em cerca de 35 mil postos de vacinação em todo o país. De novembro de 2014 a dezembro de 2015, foram administradas 1,2 milhão de doses em gestantes, segundo a agência da ONU.

A vacina contra a influenza também é recomendada na gestação devido ao risco de complicações causadas por essa doença, principalmente no terceiro trimestre de gestação. “Diversas evidências científicas mostram que a gripe durante a gravidez é mais grave e expõe as mulheres e os recém-nascidos a riscos que podem ser evitados pela vacinação. Desde 2010, já foram administradas mais de 11 milhões de doses nesse grupo”, acrescentou o comunicado.

A vacina contra a rubéola não está no calendário da gestante e, conforme vários estudos internacionais, sua aplicação em mulheres que ainda desconheciam a gravidez não resultou em qualquer consequência negativa para o feto, esclareceu a OPAS/OMS.

Desde o ano 2000, o Brasil desenvolve estratégias para chegar à população feminina e a proteger contra rubéola. Mais de 70 milhões de doses já foram administradas em mulheres em idade fértil no país.

No ONU BR
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Mídia e democracia nas arquibancadas de futebol

A partir do final do ano passado, os torcedores pelo Brasil voltaram a erguer os punhos em torno de pautas em comum. A exemplo da Argentina, onde o futebol foi um elemento para o avanço da Lei de Medios, a campanha “Jogo 10 da noite, não!”, do coletivo “Futebol, mídia e democracia”, do Barão de Itararé teve rápida adesão nas redes e nos estádios, buscando através do futebol, escancarar o controle que a Globo exerce sobre o esporte dos brasileiros.

Durante o jogo do Campeonato Paulista deste domingo (14) a torcida organizada do Corinthians, Gaviões da
Fiel, abriu faixas criticando a Rede Globo
Jornalistas Livres
Obviamente a questão do horário, que no caso dos jogos às 22 horas exclui quem precisa de transporte público para atender interessas da grade de programação da emissora carioca, não é o único problema. Ingressos caros, cotas muito discrepantes entre as equipes, campeonatos regionais ignorados pela TV o que faz com que os clubes de fora do eixo Sul e Sudeste não consigam verba para estruturar suas equipes e acabem ficando de fora das principais divisões do futebol brasileiro, enfim, a lista é longa...

Mas o fato é que com quase 10 mil seguidores no Facebook, a campanha “Jogo 10 da noite, não!”, acabou apontando o caminho para novos protestos que neste início de ano se tornam mais abrangentes, mas que também tem a Globo como um dos principais alvos.

Faixa contra o horário do jogo às 22 horas exibida em uma
partida no ano passado no Rio Grande do Sul
A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, após ser punida pelo uso de sinalizadores na final da última Copa SP de Juniores, promove uma série de ações contra a Federação Paulista de Futebol, a CBF, contra Fernando Capez (PSDB), acusado de desviar verba das merendas das escolas públicas de São Paulo e um dos maiores inimigos das organizadas no estado e, assim como a campanha “Jogo 10 da noite, não!”, ataca também a Rede Globo. 

Além de protestos em frente à sede da FPF, a maior organizada do estado também tem conseguido burlar a censura vigente nos estádios paulistas e abrir faixas com mensagens atacando seus principais alvos.


Historicamente as arquibancadas de futebol deram espaço, em diferentes lugares e momentos, a manifestações de todas as formas. Das faixas pela “anistia ampla, geral e irrestrita” da própria Gaviões da Fiel no final dos 70 até os recentes protestos em relação ao preço do ingresso na Inglaterra e na Alemanha, onde os torcedores abandonam o jogo todos juntos em um determinado momento da partida.

Sendo assim, não é necessariamente uma novidade que o futebol seja novamente o lugar onde bandeiras políticas e democráticas sejam empunhadas independente dos clubes envolvidos. Isso para não dizer quando os protestos chegam dentro das quatro linhas, como o caso da famosa Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, que lutava pela redemocratização do país no começo dos anos 80.

O que fica evidente é a força do futebol como elemento que contribui na conscientização dos brasileiros em relação a, por exemplo, a democratização dos veículos de comunicação e para além disso, demonstra o potencial do ambiente do futebol para propagar ideias que lutem por justiça, democracia e que, de alguma forma, faça frente ao monopólio comunicacional que se apoderou da TV brasileira.

Thiago Cassis é jornalista, assessor de comunicação da UJS, colaborador do Vermelho e editor do blog Pelota de Trapo
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Juiz brasileiro assume presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos

O juiz brasileiro Roberto Caldas toma posse hoje (15) na presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Eleito para o cargo em novembro de 2015, o jurista sergipano, de 53 anos — 30 dos quais de prática profissional — já responde pela entidade desde o primeiro dia do ano, mas sua posse formal foi agendada para coincidir com a inauguração do ano judicial interamericano e o período ordinário de sessões de julgamento.

Entre as principais atribuições da corte está zelar pela correta aplicação e interpretação da Convenção Americana sobre Direitos Humanos por todos os países que ratificaram o tratado, de 1969.

Cinco novos casos vão ser apreciados pela corte entre os próximos dias 17 e 22. Entre eles, está a denúncia contra suposta omissão do Estado brasileiro no chamado caso da Fazenda Brasil Verde, que envolve indícios de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda particular do Pará, entre os anos 1980 e 2000. O governo brasileiro reconhece que houve, no episódio, violações de direito trabalhista, mas nega que milhares de trabalhadores tenham sido submetidos à servidão ou ao trabalho forçado, não sendo, portanto, o caso de o país ser responsabilizado internacionalmente.

Em entrevista à Agência Brasil, Roberto Caldas disse que planeja dar prioridade à divulgação das sentenças da corte entre os operadores da Justiça (juízes, servidores, procuradores e advogados) dos países que ratificaram a Convenção Americana Sobre Direitos Humanos, texto aprovado em 1969, mas, segundo o juiz, pouco conhecido e aplicado pelos profissionais de alguns Estados-partes, entre os quais o Brasil. “Várias gerações foram formadas sem estudar direitos humanos e direitos internacionais”, destacou.

Outros desafios, segundo ele, serão incrementar o diálogo com a sociedade e equilibrar o orçamento da corte, tentando convencer os países americanos a ampliar suas contribuições para que não seja necessário suspender ou adiar projetos. Atualmente, mais da metade dos recursos do tribunal são obtido por meio de acordos de cooperação e doações de países europeus.

A cerimônia de oficialização da posse, em San José, na Costa Rica, começará as 13h30 (horário de Brasília) e será transmitida ao vivo. Paralelamente, a corte promove também, a partir desta segunda-feira, o seminário internacional Histórias e Perspectivas da Corte Interamericana de Direitos Humanos em um Mundo Global. O objetivo é debater as diferentes visões e perspectivas sobre a atuação do tribunal e dos poderes judiciários nacionais, bem como os desafios em um mundo global. O seminário também será transmitido no site da corte.

No Desacato
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Blogs prendem o Moro



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Não precisa ser corintiano para apoiar o protesto da Gaviões da Fiel!

Nota Oficial

NOTA OFICIAL: Protesto realizado no jogo Corinthians x Capivariano

No dia 1º de julho de 1969, um grupo de jovens torcedores do Corinthians fundava o que viria a se tornar a maior torcida organizada do País: os Gaviões da Fiel.

O propósito era derrubar o então presidente — ditador — do Corinthians, Wadih Helu. Foi nessa época que o país teve conhecimento de um primeiro enterro simbólico de presidente de clube já realizado.

Não era fácil se opor ao mandatário, que fazendo valer sua fama de ditador, pagava para que pugilistas profissionais caçassem os tais dos Gaviões. Mas nada era fácil, àquela altura, afinal o Brasil vivia o período da ditadura militar.

E em uma mistura de torcida com engajamento político, os Gaviões da Fiel começaram a atuar na fiscalização do clube ao mesmo tempo em que agiam como mais um grupo pró-redemocratização do país. Nas arquibancadas, faixas de protesto contra a diretoria se confundiam com faixas que pediam “Diretas Já” e anistia ampla, geral e irrestrita.

Em tempos de pau de arara, exílio, tortura e morte, os Gaviões resolveram impor sua voz. Recém-nascida, porém forte.

Hoje, passados 31 anos, os Gaviões da Fiel se veem novamente sob a tentativa ditatorial de censura e repressão.

No jogo da última quinta-feira (11), Itaquera foi palco de uma nova caça aos Gaviões, dessa vez representada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (e seus mandatários).

Segundo o Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, é proibido “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”.

E sabendo disso, tratamos de criar faixas com muito cuidado para não ferir tal artigo. As três faixas que foram expostas nas arquibancadas, eram as seguintes:

1) “Jogo às 22h também merece punição”;
2) “Rede Globo, o Corinthians não é seu quintal”;
3) “Cadê as contas do estádio?”

Nenhuma com mensagens ofensivas, muito menos de caráter racista ou xenófobo. Aliás, muito pelo contrário. Todas as faixas amparadas no que assegura a própria Constituição, no Artigo 5, dizendo que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

E sobre liberdade de expressão, nossa Constituição segue dizendo que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição. E ainda completa: “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

Conhecendo nossos direitos constituintes (e torcedores organizados estão igualmente enquadrados por estes), gostaríamos de entender (talvez a polícia militar e/ou poder público responsável poderiam nos responder):

a) Em qual momento o Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, foi infringido por nós?
b) De quem partiu a ordem para que invadissem as arquibancadas e apreendessem as faixas e agredissem os torcedores?
c) Quando se adentra um estádio, perde-se os direitos constituintes?

E aproveitando o ensejo, também nos causa muita estranheza a forma como os protestos são abordados pela grande mídia. Que os veículos da família Marinho não noticiariam o fato tínhamos certeza, afinal a Rede Globo foi claramente atacada por nós.

Agora o jornalista Antero Greco, no programa Sportscenter, da ESPN Brasil, questionar e ainda dizer ter “um pé atrás a respeito da espontaneidade de certas atitudes de torcidas organizadas” é demais.

Segundo as afirmações do próprio, ele diz estranhar o fato de os Gaviões só estarem reclamando do horário do jogo agora, após tantos anos desse padrão.

Greco também questionou as cobranças de contas que fizemos, dizendo ser este um papel do Conselho e não da torcida.

Por fim, o show de críticas preconceituosas termina com uma insinuação de que as cobranças são incentivadas e patrocinadas por alguém.

O que nos deixa com o “pé atrás”, na verdade, é o fato de um jornalista não desempenhar o seu ofício como tal e sair divagando opiniões em rede nacional sem ao menos checar as informações. Sem contar o fato de que finge desconhecer o cunho fiscalizador que os Gaviões da Fiel desempenham desde sua carta de fundação, assinada pelo nosso primeiro presidente e sócio número um, Flávio La Selva.

Afinal, quem conhece minimamente os Gaviões sabe que a crítica aos horários dos jogos é feita há muitos e muitos anos. E não, não somos patrocinados por ninguém. Somos os Gaviões da Fiel Torcida, Força Independente.

Para finalizar esse já extenso texto (infelizmente), os Gaviões da Fiel Torcida vêm a público reafirmar todas as recentes posturas críticas à falta de transparência por parte da diretoria do Corinthians, aos mandos e desmandos da FPF, e ao infeliz banco de negócios futebolísticos, que coloca os interesses da Rede Globo a frente dos interesses do futebol, que deveriam envolver, sobretudo, os jogadores, clubes e torcedores.

Reafirmamos que, durante os 60 dias em que estivermos cumprindo a punição, a diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida não se responsabilizará pelo ato de torcedores. E, acima de tudo, mandamos um recado bem claro a todos os envolvidos no episódio de ontem:

Faz 46 anos que tentam, de todas as formas, calar os Gaviões da Fiel Torcida. Até então, em vão, e assim continuará sendo!

// GAVIÕES DA FIEL TORCIDA – FORÇA INDEPENDENTE \\


Bertoni
No Blogosfero
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Os caminhos aéreos do helicóptero dos Marinho


O que a gente noticiou no post anterior — que a Agropecuária Veine, oficialmente a proprietária da mansão praiana dos Marinho em Paraty , que está irregular, com processo para demolir-se — é também a operadora do helicóptero Agusta 109, prefixo PT-SDA, que serve à família Marinho está comprovado aí, com a cópia obtida por este blog do certificado de aeronavegabilidade — o “documento de voo” da aeronave — reproduzido acima.

brasif1Ou era operado, até pouquíssimo tempo atrás, porque o registro na Anac foi transferido, faz pouco, para a Vattne Administração, outra empresa de papel, esta hospedada no Leblon, criada em agosto do ano passado.

É um jogo de papéis, apenas, porque a Vattne funciona na mesma sala da Cia Brasif Consórcio Empreendimento Luziania, empresa do grupo Brasif, que é também dono da Santa Amália, parceira da Veine na operação do helicóptero global.

brasif
Tanto é assim que o endereço do consórcio é a sede formal e pátio de máquinas pesadas da Brasif, na rua Margarida Assis Fonseca, número 171, no bairro Califórnia,  em Belo Horizonte.

E a Santa Amália,  empresa “de papel” que forma a associação com a Veine, tem sede na Fazenda Córrego dos Macacos, uma das propriedades do dono da Brasif, Jonas Barcelos, um dos líderes na criação de gado nelore no Brasil.

Como Barcellos se envolve com política e doações a candidatos, não é o caso dos guapos rapazes do MP investigarem. Afinal, vejam o que a Folha contava em 2010:

A feijoada que juntou na mesma mesa, na última segunda-feira, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), teve como anfitrião um empresário investigado sob acusação de fraude contra a Previdência Social e citado como favorecido em uma gravação do escândalo do mensalão do DEM, no Distrito Federal.

Vice-presidente da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), Jonas Barcellos Corrêa Filho é um dos maiores nomes da pecuária brasileira.

Ele também é dono da Brasif S/A, empresa que controlava os free-shops dos aeroportos brasileiros, desde 2006 nas mãos de uma companhia suíça.

Em maio passado, a Procuradoria da República em Minas Gerais denunciou criminalmente Barcellos e outros quatro diretores da Brasif por um rombo de R$ 332 mil nos cofres da União por não recolhimento de INSS dos ex-funcionários. O processo tramita na 11ª Vara Federal de Belo Horizonte, ainda sem julgamento.

O advogado da empresa, Ciro Kurtz, diz que o Ministério Público Federal fez a denúncia antes da conclusão de processo administrativo do INSS, e que a dívida de R$ 332 mil já foi corrigida para meros R$ 86,78.

Segundo Barcellos, a ação penal “é uma bobagem”.

No caso do mensalão do DEM, em uma das conversas gravadas pelo delator do esquema, Durval Barbosa, Jonas e a Brasif são citados pelo ex-chefe da Casa Civil de José Roberto Arruda, José Geraldo Maciel, como supostamente favorecidos em uma licitação.

Kurtz diz que a licitação nem chegou a acontecer e que a empresa nunca teve nenhum contrato com o governo do DF.(…)

Além de Serra e Dilma estiveram presentes neste ano, entre outros, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o vice-presidente José Alencar e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Apesar de o grosso das doações da Brasif — nas campanhas de 2002 e 2006 foram R$ 2,1 milhões — irem para candidatos a deputado e senador do DEM e PSDB, Barcellos nega preferências partidárias e não revela em quem votará.

Diz, contudo, que pretende contribuir para a campanha de seus dois convidados, Dilma e Serra, mas que isso ainda depende de aprovação de outros sócios da empresa.

Se o Bumlai vem ao caso, porque o Barcelos não vem?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Luchar por la paz es el deber más sagrado de todos los seres humanos


Tristemente, casi todas las religiones han tenido que lamentar el hecho destructor de las guerras y sus terribles consecuencias. A esas tareas han tenido que dedicar las mayores energías. La singular importancia del encuentro entre el Papa Francisco y Su Santidad Kirill, en La Habana, es que ha suscitado la esperanza de los pueblos del mundo.

La paz ha sido el sueño dorado de la humanidad y anhelo de los pueblos en cada momento de la historia. Miles de armas nucleares penden sobre las cabezas de la humanidad. Impedir la más brutal de las guerras que puede desatarse, ha sido sin duda el objetivo fundamental del esfuerzo de los líderes religiosos de las iglesias dirigidas por hombres como el Papa Francisco, Sumo Pontífice de la Iglesia Católica y Su Santidad Kirill, Patriarca de Moscú y de Toda Rusia.

Luchar por la paz es el deber más sagrado de todos los seres humanos, cualesquiera que sean sus religiones o país de nacimiento, el color de su piel, su edad adulta o su juventud.

Fidel Castro Ruz
Febrero 14 de 2016
10 y 18 p.m.

No IslaMía
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Furna-se, Aécio


Denúncia do MPF sobre Furnas volta à fase de inquérito

Suspeita de desvios na central de energia estatal, citada por lobista Fernando Moura na Lava Jato, se arrasta na Polícia Civil do Rio

Passados dez anos do surgimento das primeiras informações sobre um esquema de corrupção semelhante ao mensalão montado na companhia estatal Furnas Centrais Elétricas em benefício de políticos e partidos, a ação judicial ainda está longe de apontar culpados. Responsável há quase quatro anos pelas investigações, a Polícia Civil do Rio ainda não apresentou conclusões ao Ministério Público do Estado.

Inicialmente atribuição da Justiça Federal, a ação passou para a Justiça do Estado do Rio após a apresentação pelo Ministério Público Federal de denúncia contra 11 acusados, entre empresários, lobistas, dirigentes e funcionários da estatal vinculada ao sistema Eletrobrás. A remessa do processo ao Judiciário fluminense ocorreu em 26 de março de 2012, por determinação do juízo federal.

O caso ficou conhecido como "lista de Furnas" e envolvia políticos supostamente beneficiados com dinheiro desviado da estatal com sede no Rio. O esquema reproduzia o praticado no mensalão, segundo a procuradoria. A corrupção em Furnas foi citada nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, na Operação Lava Jato. Ambos apontam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como beneficiário de desvios. Ele nega.

Os documentos do MPF foram enviados à Justiça Estadual e ao Ministério Público Estadual dois meses após a procuradora da República Andréa Bayão ter denunciado 11 pessoas à 2.ª Vara Federal Criminal do Rio, em 25 de janeiro de 2012, entre elas o ex-diretor Dimas Toledo, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) e o lobista Nilton Monteiro. O juiz Roberto Dantes de Paula, da Justiça Federal no Rio, entendeu que a análise da denúncia competia à Justiça estadual, pelo fato de Furnas ser uma empresa de capital misto. Daí a transferência para a Justiça local.

Desde então, a apuração se arrasta. O caso está na Delegacia Fazendária do Rio desde 4 de outubro de 2012, mas o inquérito — com 26 caixas de documentos — ainda não foi remetido ao MPE. A delegada Renata Araújo disse que aguarda um depoimento, provavelmente em março, para finalizar a investigação. O procurador-geral de Justiça no Estado, Marfan Martins Vieira, não respondeu ao Estado sobre a demora na conclusão do caso.

O desvio de recursos públicos, conforme o MPF, ocorreu na contratação de empresas para realizar obras nas Usinas Termoelétricas de São Gonçalo e de Campos (RJ) e para prestar serviço de assessoria técnica à Furnas. Os valores desviados — R$ 54,9 milhões, segundo o MPF — seriam usados para abastecer campanhas eleitorais.


Pressão

Para a Procuradoria, os desvios eram comandandos por Dimas Toledo, então diretor de Planejamento de Engenharia e Construção de Furnas. Em 2003, sob risco de perder o cargo, ele teria elaborado uma relação com nomes de políticos beneficiados pelos desvios, como forma de pressionar o governo a mantê-lo no cargo.

Constam na lista os nomes de 1.556 políticos que fizeram campanha eleitoral em 2002. A autenticidade, contudo, sempre foi contestada pelos citados. O documento veio a público pelo lobista Nilton Monteiro, que chegou a ser preso em Belo Horizonte acusado de estelionato.

Duas versões da lista foram apresentadas à PF, para perícia. A Procuradoria da República, ao oferecer a denúncia, se baseou nos relatórios policiais. Um trecho do laudo da PF diz que a lista original não tem evidências de montagem ou alterações e que foram "constatadas diversas convergências" entre a assinatura contida no documento e as fornecidas por Toledo para comparação. Mas a PF faz uma observação sobre a assinatura: "Não se pode afirmar isso com certeza". Em 2006, o relatório final da CPI dos Correios concluiu que a lista é falsa, com base na análise de dois institutos de perícia.

A lista de Furnas voltou a ser mencionada em delações da Lava Jato. Youssef e Moura afirmaram que Aécio teria recebido propina proveniente da estatal. Youssef disse ter ouvido do ex-deputado José Janene (PP), morto em 2010, que parte dos recursos desviados de Furnas seria dividida com o senador.

Moura afirmou à Justiça que Aécio receberia um terço da propina de Furnas. Disse ainda ter ouvido do ex-ministro José Dirceu, logo após as eleições de 2002, que o diretor de Furnas era "o único cargo que o Aécio pediu pro Lula", quando este foi eleito presidente. Lula e Aécio mantinham boa relação à época.

Em nota, o PSDB qualificou a lista de Furnas como fraude. Sobre as citações dos delatores, a equipe de Aécio considerou como "declarações absurdas e irresponsáveis que se baseiam apenas em 'ouvi dizer' e já foram desmentidas pelos próprios citados". A assessoria de Aécio acrescentou que ele entrará com pedido de interpelação de Moura para que confirme a citação a seu nome para tomar as medidas legais cabíveis.

Em relação a Youssef, disse que o próprio já afirmou nunca ter tido contato ou relação com Aécio, "não havendo, portanto, no que diz respeito ao senador, sequer do que se defender".

A Procuradoria-Geral da República, responsável pela denúncia de políticos com foro, não informou se a apuração iniciada pelo MPF no Rio teve continuidade. O Supremo Tribunal Federal não confirmou se há processo em tramitação neste caso.

Alfredo Mergulhão
No O Estado de S. Paulo



“Nós já sabíamos a quem o Dimas servia”, diz petista que era líder da oposição em Minas; Aécio fez acerto com governo Lula para manter diretor em Furnas


Final de 2014. Em delação premiada da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef afirma que o PSDB, através de Aécio Neves, dividiria uma diretoria de Furnas (estatal do setor elétrico) com o PP, liderado pelo ex-deputado federal José Janene, morto em 2010.

Youssef afirma que ouviu também que Aécio, por intermédio de sua irmã, teria recebido valores mensais de uma das empresas contratadas por Furnas, a Bauruense, do empresário Airton Daré, no período entre 1996 e 2000/2001.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tornou público o teor da delação premiada em 4 de março de 2015. Foi ao comentar para o Estadão o pedido de arquivamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) das investigações contra o hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB.

Janot alegou serem insuficientes as informações fornecidas por Youssef. A justificativa principal: os dois citados — o ex-deputado José Janene e empresário Airton Daré tinham morrido — e não poderiam confirmá-las.



1º de julho de 2015. Em delação premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”, afirma que, no segundo semestre de 2013 (entre setembro e outubro) levou R$ 300 mil a um diretor da UTC Engenharia no Rio de Janeiro, que lhe disse que a soma iria para o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

“Ceará” era entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef. O seu depoimento foi revelado em 30 de dezembro de 2015, pelo repórter Rubens Valente na Folha de S. Paulo.



3 de fevereiro de 2015. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, o delator e lobista Fernando Moura afirma que Furnas era controlada por Aécio Neves. Lula havia vencido a eleição presidencial em 2002 e Aécio, a do governo mineiro. Aécio pediu para indicar Dimas Toledo para dirigir Furnas. Foi o terceiro depoimento de Moura na Lava Jato:
“A princípio levei pro Zé (Dirceu) o nome do Dimas Toledo, que continuasse na diretoria de Furnas. Ele (Dirceu) usou até uma expressão comigo. ‘O Dimas não, porque se o Dimas entrar em Furnas até como porteiro vai mandar em Furnas, está lá há 4 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio’.

Passado um mês e meio ele (Dirceu) me chamou e falou ‘qual a sua relação com Dimas Toledo?’ Eu falei, estive com ele três vezes, achei ele competente, cara profissional. O Zé me disse. “Porque esse foi o único cargo que o Aécio pediu pro Lula, então, você vai lá conversar com Dimas e diga que a gente vai apoiar a indicação dele.”

Fernando Moura disse que ‘foi conversar com o Dimas’.


“Na oportunidade, ele (Dimas) me colocou, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou ‘vocês nem precisam aparecer aqui, vocês vão ficar é um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio.”

Toda vez que Aécio é denunciado, a assessoria de imprensa do senador e a do PSDB rebatem com a surrada “motivação meramente política”.

Assim, tal qual fez nas delações divulgadas de Youssef e “Ceará”, Aécio nega as denúncias do lobista Fernando Moura. Em vídeo postado em sua página na internet, ele recorre a uma metáfora futebolística para repeli-las:
(…) ele [Fernando Moura] disse que o senador Aécio Neves havia indicado no governo do PT o dirigente de uma empresa estatal e que havia se beneficiado de recursos dessa empresa.

Isso seria algo como se, por exemplo, o técnico do São Paulo escalasse o time do Corínthians às vésperas da decisão. Ou que o do Atlético fizesse o mesmo que o do Cruzeiro. Ou o técnico do Vasco escalasse o goleiro do Flamengo para decisão do carioca.

Eu estou interpelando esse cidadão na Justiça assim como o diretor citado.”


BASTA JANOT PESQUISAR JORNAIS DE 2002/2003 E PEGARÁ AÉCIO NA MENTIRA

“Como sempre faz, Aécio trata uma denúncia contra ele como ridícula e a pessoa sem credibilidade, procurando desqualificá-los”, atenta o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), em entrevista exclusiva ao Viomundo. “Em compensação, quando os delatores acusam adversários dele, são benvindos, viram heróis.”

“Aécio tergiversa, dizendo que, como político adversário do PT, não poderia ter feito a indicação”, observa Correia. “Se esse é o único argumento do senador para se defender em relação à propina do esquema de Furnas, ele não se sustenta. Uma falácia. Aécio está ‘esquecendo’ da memória histórica. O quadro político de 2002, quando Dimas Toledo foi indicado, era totalmente diferente do atual, do qual o senador está falando.”

Em Minas, é o próprio segredo de polichinelo.

Em 2002, Itamar Franco era governador. Aécio Neves (PDSB-MG), então deputado federal, pleiteava o Palácio da Liberdade e Luís Inácio Lula da Silva (PT-SP), o Palácio do Planalto.

Devido a arranjos políticos locais, em Minas houve muita campanha pelo voto “Lulécio”.

O próprio Itamar apoiava Aécio e Lula.

Nilmário Miranda, candidato do PT ao governo mineiro numa chapa puro-sangue, foi sacrificado. Aécio, por sua vez, não levou a Minas José Serra, então candidato do seu partido à presidência da República. Na ocasião, o PSDB de São Paulo reclamou muito do comportamento de Aécio.

Foi nesse quadro, após vencer a eleição para o governo de Minas, que Aécio buscou aproximação com o governo Lula. Uma de suas demandas era manter Dimas Toledo como diretor de Operações de Furnas, o que conseguiu. O PT de Minas quase rachou.

O deputado estadual Rogério Coreia era o líder da bancada petista na Assembleia Legislativa de Minas.

“Nós já sabíamos a quem o Dimas servia”, conta. “Aécio fez movimentos tanto na direção da indicação de Dimas para Furnas, quanto na de isolar a nossa bancada que fazia oposição a ele.”

“Fomos chamados a Brasília para conversar com o Zé Dirceu [então ministro Casa Civil]”, expõe. “Ele ‘tentou’ convencer a bancada a diminuir o grau de oposição.”

“Aécio até fez um almoço no Palácio da Liberdade e o Lula esteve presente”, relembra. “Agora, ele tenta retratar 2002 como se fosse 2015/2016, para ‘esconder’ a indicação de Dimas para Furnas. Mas essa história não dá para mudar! Ou será que ele acha que pode sair falando o que quiser, pois ninguém tem memória?”

Basta o doutor Rodrigo Janot pesquisar publicações daquela época e pegará Aécio na mentira. Descobrirá reportagens e artigos de opinião, tratando da aproximação dos governos Aécio e Lula, em nome da governabilidade.

“Agora, no assunto Lista de Furnas, Aécio não entra no vídeo-resposta, não responde nada”, Correia põe o dedo na ferida. “As provas são cabais.”

“POR QUE AÉCIO NUNCA PROCESSOU DIMAS TOLEDO, O AUTOR DA LISTA DE FURNAS?”

A Lista de Furnas foi feita toda com base no esquema político de Aécio, que se espalhou pelo Brasil inteiro. Foi o que sustentou a campanha eleitoral dos tucanos de 2002.

Além de pagar propina ao PSDB e PP, esse esquema distribuiu quase R$ 40 milhões [valores da época; corrigidos, R$ 91 milhões] aos principais políticos tucanos e de partidos coligados nas eleições de 2002.

Aparecem na lista de beneficiários da propina os candidatos tucanos aos governos de Minas, então deputado federal Aécio Neves (amealhou R$ 5,5 milhões apenas para ele; R$ 15,8 milhões em valores atualizados), São Paulo, Geraldo Alckmin, e à presidência da República, José Serra.

Desde 1998, Dimas Toledo era diretor de Operações e Furnas. E foi quem, em 2002, fez uma operação monstro para levantar recursos para as campanhas de tucanos e aliados, e, depois, elaborou a famosa lista.

Dimas arrola nomes e quantias recebidas por candidatos que se se beneficiaram do esquema. Seu objetivo era pressionar Aécio Neves, eleito governador, e outros tucanos, para forçarem Lula a mantê-lo à frente de Furnas, como, de fato, aconteceu até 2005.

“Aécio está dizendo que vai processar o Fernando Moura. Por que ele nunca processou o Dimas, que foi quem fez a Lista de Furnas?”, cutuca Correia. “Por que também os demais políticos citados na Lista de Furnas, como Serra e Alckmin, também nunca processaram o Dimas Toledo? ”

O próprio deputado petista expõe os motivos.

Primeiro: Aécio e todos os demais citados têm culpa no cartório. Ao não processarem o Dimas, eles assumem a culpa.

Segundo: Dimas Toledo é homem do Aécio.

Terceiro: a lista é verdadeira, por mais que os tucanos tentem desqualificá-la. A própria Polícia Federal comprovou autenticidade da assinatura de Dimas Toledo no documento, que, diga-se de passagem, não é montagem.


A primeira foi a do ex-deputado federal Roberto Jefferson, que disse que recebeu exatamente o valor que consta lá: R$ 75 mil.

Em depoimento à procuradora criminal Andrea Bayão Pereira, que atuava no Ministério Público do Rio de Janeiro, Jefferson disse: “não posso dizer dos outros, mas eu posso dizer que eu recebi o que está aí”.

Em matéria postada no seu blog, o jornalista Ricardo Noblat contou que havia conversado com um deputado que disse que o valor que constava da lista era realmente o que ele havia recebido. Noblat não quis dar o nome do deputado.

Em 2011, quando os tucanos tentaram cassar o mandato de Rogério Correia, o deputado estadual Antonio Júlio, do PMDB, foi para cima deles. “Cassar o quê, se o que ele diz é verdade?!”, reagiu então.

Desde 2005, ao tomar conhecimento da Lista de Furnas, o deputado Rogério Correia levou-a à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal e Estadual para que fosse investigada.

Em 2011, a revista Veja publicou matéria, dizendo que Rogério Correia havia participado do processo de falsificação dos nomes da lista de lista de Furnas. “A reportagem era reportagem fajuta, e a verdade acabou aparecendo”, relembra Rogério.

Foi nesse contexto que Antônio Júlio revelou que havia pedido a Dimas Toledo uma verba não para ele, mas para um hospital da sua base eleitoral. Dimas mandou para lá exatamente o valor que está na Lista de Furnas. O hospital recebeu e o Antonio Júlio exibiu o recibo disso. Foi a pá de cal nos tucanos, que murcharam, e na matéria criminosa de Veja.

Quinto: em 25 de janeiro de 2012, a procuradora criminal Andréa Bayão Pereira concluiu seu trabalho sobre a Lista de Furnas, comprovando a existência do esquema de caixa 2. Ela indiciou por corrupção ativa Dimas Toledo, que é quem operava para Aécio Neves, e Roberto Jefferson por corrupção passiva.

Aliás, em março de 2015, ao pedir ao STF o arquivamento das investigações contra Aécio citado por Youssef em delação da Lava Jato, Rodrigo Janot , como bem alertou Luiz Carlos Azenha, desconheceu a denúncia feita em 25 de janeiro de 2012 pela promotora da Lista de Furnas, a procuradora Andréa Bayão Pereira, atualmente no Ministério Público Federal, em Brasília. Ou seja, trabalha com Janot.

“Aécio usou toda sorte de métodos para impedir que nada sobre ele fosse investigado nem divulgado”, acusa Rogério Correia. “Comprou o silêncio da imprensa mineira e do Ministério Público Estadual, através da indicação dos procuradores-gerais. Em nível nacional, o ex-PGR, Roberto Gurgel, fez questão de não perguntar à doutora Andrea Bayão sobre o inquérito da Lista de Furnas, e levá-lo ao STF.”

“Isso sem falar nos momentos violentos, autoritários, fascistas, inclusive, de Aécio para calar os ousaram denunciar os seus métodos”, afirma Rogério. “Por exemplo, as prisões do jornalista Marco Aurélio Carone e do delator do mensalão tucano e lobista Nilton Monteiro. Isso sem falar na tentativa de cassar o meu mandato.”

— Mas o senhor e outros parlamentares já estiveram várias vezes na Procuradoria-Geral da República, levando provas sobre as denúncias envolvendo o senador Aécio Neves e elas não deram em nada!

— Realmente, não tenho como negar que foi o que aconteceu até o momento. Mas, agora, o doutor Janot tem que abrir inquérito contra o Aécio, mesmo porque quem fez a mais recente denúncia Aécio é o mesmo delator do senador Fernando Collor. Como o Janot vai levar adiante o caso do Collor e não fazer o mesmo contra o Aécio? O denunciante é o mesmo! Além disso, insisto: tem várias outras provas cabais.

— Acha que o Dimas Toledo confirmaria tudo isso em juízo?

— Eu já ouvi dizer que se forçado, ele vai abrir a boca. Por que o doutor Janot não chama o Dimas para depor e oferece delação premiada? O Dimas já foi denunciado pela doutora Andrea Bayão por corrupção e poderia ser preso.

— Considerando que procuradora Andrea Bayão é a autora da denúncia da Lista de Furnas e trabalha com o doutor Janot em Brasília, os senhores já pediram a ele que a ouvisse?

— Não só sugerimos como solicitamos ao próprio PGR que a doutora Andrea fosse ouvida e a denúncia enviada ao STF, já que envolve senadores, deputados. Rodrigo Janot ficou de analisar. Isso aconteceu em 31 de março de 2015, quando estivemos com ele na PGR, em Brasília. Até hoje não tivemos nenhuma resposta.

PS do Viomundo: Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem, Lista de Furnas, mensalão tucano, prisão do jornalista Marco Aurélio Carone, prisão do lobista Nílton Monteiro, tentativa de cassação de Rogério Correia, imprensa censurada, silêncio do MP mineiro, “aecipoporto” de Cláudio, aeroporto de Montezuma, região da fazenda do pai, escola em em cima de posto de gasolina e em motel…

Desde 2011, o Viomundo é o veículo que mais publicou denúncias contra Aécio e seus aliados, quase sempre menosprezadas pela chamada grande mídia. Foram algumas dezenas de reportagens, dentre as quais estas:

Minas sem Censura denuncia à Justiça o caso da Rádio Arco-Íris

Minas Sem Censura representa contra Aécio Neves no MPF

Minas Sem Censura pendura Sarney e ACM no pescoço de Aécio Neves

Rogério Correia: Valério operou ao mesmo tempo para o Aécio e o PT

Conceição Lemes: O balanço das denúncias contra Aécio que a mídia ignorou

Caso Aécio: É constitucional o governador contratar empresa sua e da sua família?

Para proteger Aécio e o PSDB, Gurgel mantém ação na gaveta há 2 anos

Rogério Correia: Depois de arquivar ação contra Aécio, só falta Gurgel assinar a ficha do PSDB

Sávio Souza Cruz: Controle do PSDB sobre a mídia atrasa julgamento

Delator do mensalão tucano tem medo de morrer

Advogado diz que morte de modelo tem relação com mensalão tucano

Lista de Furnas: Esquema de R$ 39,9 milhões ainda não deu cadeia para tucanos

Luis Carlos Silva: Aécio e sua bolsa família; parasitismo estatal para si e liberalismo para os outros

A cobertura marota da Folha sobre o mensalão e a Lista de Furnas

Deputados pedem inclusão de Cemig e Lista de Furnas no mensalão tucano

Rogério Correia: “Inquérito contra jornalista é fantasioso, peça de ficção”

Preso diz que oferta de delação em MG buscava comprometer petista

Geraldo Elísio: “Forjando provas mediante intimidação”

Preso diz que oferta de delação em MG buscava comprometer petista

Rogério Correia: Prisão em Minas é para proteger Azeredo, Pimenta e Aécio

Minas Sem Censura: Carone preso, traficante de cocaína em liberdade

Advogados de jornalista preso estão impedidos de ter acesso ao processo

Rogério Correia: “Aécio fez com jornalista do Rio o que sempre faz em Minas”

Beatriz Cerqueira: Novos coronéis da política querem calar os educadores mineiros

Cláudio: Sem acesso ao aeroporto, motoristas se benzem

Mineiros querem saber por que o aeroporto de Cláudio sempre teve uso particular, inclusive cadeado

Montezuma: Cidade tem aeroporto, mas não tem hospital

O naufrágio do plano de Aécio de incentivar turismo em Montezuma

Montezuma: Veja o mini-doc exclusivo do Viomundo sobre o aecioporto

O que a Globo vai descobrir se o jatinho do JN pousar em Montezuma

Na Saúde, Aécio promete no Brasil inteiro o que não fez em Minas

Rogério Correia: Se tudo for investigado, Aécio Neves acaba preso

Presidente do TCE de MG nomeada por Aécio é esposa de réu do mensalão tucano

Na “melhor educação do Brasil”, escola funciona em posto de gasolina

“Melhor educação” de Minas tem escola em prédio de motel

Aécio visitou os golpistas em Caracas; Carone não pode receber visita nem da família

Carone: Relatório do Banco Mundial mostra que capital internacional financiou “choque de gestão” de Aécio

Rogério Correia: Janot estranhou o processo de Furnas só ter chegado agora à PGR

Correia: “Entregamos no gabinete do Janot as provas do envolvimento de Aécio no caixa 2 de Furnas”

Ao livrar Aécio de inquérito, Janot desconheceu denúncia de promotora sobre Lista de Furnas

Rogério Correia: MPF deve fechar as portas se não investigar Aécio depois dos R$ 300 mil da UTC

Conceição Lemes



Quem é Dimas Toledo, o homem de Aécio em Furnas

No dia 3 de fevereiro, quando depôs em delação premiada ao juiz Sérgio Moro, o lobista Fernando Moura disse que o PT manteve Dimas Toledo na diretoria de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas em 2003 por indicação do então governador Aécio Neves, que, segundo ele, passou a receber um terço da propina paga à estatal.

Atual senador e presidente do PSDB, Aécio reagiu demonstrando indignação.  “Estou sendo alvo de declarações criminosas feitas por réus confessos e que se limitam a lançar suspeições absurdas, sem qualquer tipo de sustentação que não a afirmação de que ‘ouviu dizer'”, afirmou Aécio, que prometeu interpelar o lobista na Justiça.

Hoje, Aécio nega a ligação com Dimas Toledo, mas nem sempre foi assim. Em junho de 2005, Roberto Jefferson, ao falar da origem dos recursos para o mensalão, contou que um dos fatos que geraram a crise do PTB com o PT foi a manutenção de Dimas Toledo na Diretoria de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas.

Na CPI dos Correios, respondendo a uma pergunta do deputado Onyx Lorenzoni, do PFL-RS (atual DEM), ele disse que tentou nomear um substituto para Dimas, mas não conseguiu. “Eu percebi que o próprio ministro José Dirceu não queria tirar. Toda hora, ele dizia: ‘Tem muita pressão. Tem pressão do Aécio’”, respondeu.

Aécio não divulgou nota ou deu entrevista para rebater o depoimento.

Renata Lo Prete, na época editora da coluna Painel da Folha de S. Paulo, hoje apresentadora da Globonews, era a jornalista para quem Roberto Jefferson mais dava entrevistas. Na entrevista em que detonou o mensalão, Jefferson disse:

“Furnas foi o próprio presidente Lula que ofereceu ao PTB. Na diretoria de Engenharia, a mais poderosa do setor elétrico do País, está o doutor Dimas Toledo. Há 12 anos. É muito ligado ao governador Aécio Neves.”

Mais uma vez, Aécio não rebateu.

A Lista de Furnas, com 156 políticos da base de Fernando Henrique Cardoso que teriam recebido dinheiro desviado de Furnas, só seria divulgada alguns meses depois, e associar Aécio a Dimas antes da lista não era um escândalo. Pelo contrário. Poderia sinalizar prestígio.

Esta talvez seja a razão do silêncio do então governador de Minas Gerais à época.

Mas, à medida que surgem provas da corrupção em Furnas, mais se veem os contornos de Aécio Neves e seu papel de irmão siamês de Dimas Toledo. Aécio tem uma imagem pública que todos conhecem. Mas quem é Dimas?

Bocaina de Minas, a cidade em que Dimas nasceu, no dia 12 de outubro de 1944, é também o local da nascente do rio Grande. À medida que avança para o interior do país, o rio se torna digno do nome e, com muita água, serviu de represa para a primeira usina de Furnas.

Dimas tinha 13 anos e jogava futebol na cidade quando a estatal foi criada pelo presidente Juscelino Kubistchek, em 1957. O ex-prefeito da cidade Wilson Moreira Maciel, oito meses mais novo, conhece Dimas desde a infância, quando fizeram juntos o curso primário.

Na adolescência, jogaram futebol no mesmo time, o Bocainense, e disputaram o campeonato amador regional. Wilson era goleiro e Dimas, atacante. “Ele era magrinho. De perfil, parecia uma linha. Não sei como foi engordar tanto”, comenta Wilson.

Wilson não chegou a concluir o ginásio, e Dimas foi para a recém- criada Faculdade de Engenharia de Itajubá, onde se formaria engenheiro eletricista, numa das primeiras turmas, na mesma época em que estudou lá Adílson Primo, mais tarde presidente da Siemens do Brasil, uma das 91 empresas que apareceriam na Lista de Furnas como pagadoras de propina.

Formado, Dimas tomou o caminho inverso do curso do rio Grande e foi para o Rio de Janeiro, para seu primeiro emprego, em Furnas. O ano era 1968, quando Furnas inaugurou a primeira usina termelétrica do Brasil, Santa Cruz, e a linha de transmissão que levou mais energia para o Estado da Guanabara.

No ano seguinte, com a entrada em operação de quatro unidades da usina de Estreito e a primeira de Funil, Furnas se tornou responsável por 25% do total de energia produzida no País.

Nos anos 90, quando Dimas assumiu a Diretoria de Planejamento, Engenharia e Construção, Furnas já tinha 17 hidrelétricas, duas termelétricas e 23 mil quilômetros de linhas de transmissão que levam eletricidade a mais de 60% dos domicílios brasileiros.

“Ocupei todos os cargos possíveis na estrutura hierárquica de Furnas, inclusive respondendo interinamente em algumas oportunidades pela presidência da empresa”, disse ele aos delegados Praxíteles Fragoso Praxedes e Pedro Alves Ribeiro, no dia 10 de fevereiro de 2006, num inquérito que apurou corrupção na empresa, depois que a Lista de Furnas foi divulgada.

Para quem, nos últimos tempos, se habituou a acompanhar pela televisão as operações da Polícia Federal e viu um agente japonês se transformar em celebridade, soa estranho que Dimas tenha prestado depoimento e, até agora, esse fato tenha se mantido sigiloso.

Da abertura do inquérito até a apresentação da denúncia, em 2012, passaram-se sete anos, sem que houvesse repercussão na imprensa. O inquérito mostra o tamanho do prejuízo da maior empresa brasileira do setor de energia.

Relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União, juntados na investigação, apontam prejuízo de 72 milhões de reais, em valores atualizados, referentes a contratos celebrados por Furnas entre os anos de 2000 e 2005.

Entre as práticas autorizadas por Dimas Toledo, os órgãos de fiscalização e controle encontraram pagamentos em duplicidade ou em valores acima dos de mercado para fornecedores de serviços e obras. Na gestão dele, era difícil saber o que era público ou o que era privado em Furnas.

A Bauruense, que recebeu meio bilhão de reais entre 2000 e 2005, tinha na sua folha de pagamento o irmão do superintendente de Empreendimentos de Geração de Furnas, Éverton Martins Zveiter. Era a raposa colocando a galinha debaixo de suas patas.

Zveiter era também da Comissão de Licitação, responsável pela escolha das empresas que seriam contratadas por Furnas. Na casa do dono da Bauruense, campeã nas licitações, a Polícia Federal encontrou no dia 3 de agosto de 2006, por força de mandado judicial, R$ 1.027850,00 (R$ 1,8 milhão em valor atualizado) e US$ 356.050,00.

A Bauruense é a empresa onde, segundo o doleiro Alberto Youssef, uma irmã de Aécio Neves recolheu parte da propina por contratos de Furnas, numa divisão com o deputado José Janene.

O lobista Nílton Monteiro, o que divulgou a Lista de Furnas, disse, em depoimento, que ouviu Dimas Monteiro se gabar de que ficava com 20% do lucro líquido da Bauruense. Ficava com uma parte, porque o grosso ia para o esquema de suborno a políticos.

Não era só a Bauruense. “Os contratos em Furnas eram sempre disputados e vencidos pelas mesmas empresas, que repassavam parte dos lucros para um fundo administrado por Dimas Toledo”, disse o lobista Nílton Monteiro, que assim como Dimas seria denunciado por corrupção ao final do inquérito.

Segundo Nílton, Dimas afirmou “com todas as letras que, se os empresários não apresentassem recursos, não haveria nenhuma chance de obter contratos em Furnas.”

Em alguns casos, a contribuição poderia vir na forma de benefício a algum amigo ou parente. Entre 2000 e 2005, segundo auditoria da CGU, Furnas pagou R$ 973.696,72  (em janeiro de 2016, R$ 1.284.048,53)  por serviços de comunicação para quatro empresas, a Canal Energia Internet e a CTEE, que tinha entre seus sócios Gabriel Martins Toledo e Fabiana Toledo Sermarini, filhos de Dimas.

Os outros sócios eram Rodrigo Figueiredo Ferreira e Ricardo Figueiredo Ferreira, filhos de um colega de Dimas na direção de Furnas, Celso Ferreira, responsável pela Operação do Sistema e Comercialização de Energia.

A Procuradoria da República não encontrou provas de serviços efetivamente prestados. Ao entrar como sócio na empresa Canal Energia, Gabriel, o filho de Dimas, tinha apenas 20 anos de idade e era estudante.

Quando a Polícia Federal o chamou para depor, Gabriel admitiu que nunca se envolveu com a empresa. O nome dele estava lá, mas ele não trabalhava na Canal Energia. Quem colocou seu nome e deu dinheiro para integralização das cotas de sócio foi o pai, segundo Gabriel disse à polícia.

Fabiana Toledo também admitiu que não se envolvia com a CTEE, apesar de figurar como sócia. Para ela, estar entre os sócios da CTEE, contratada de Furnas, representava “uma opção de vida” caso perdesse o emprego.

E qual era o emprego? A filha de Dimas era contratada da Bauruense, que por sua vez tinha alguns dos maiores contratos de Furnas.

“Os aspectos verificados pela CGU e TCU permitem visualizar o ambiente propício a solicitações e recebimentos de vantagens indevidas das empresas que queriam contratar com Furnas, vantagens estas custeadas por contratos superfaturados e sem fiscalização adequada, bem como a capacidade do denunciado Dimas de obter vantagens dessas empresas para fazer frente aos seus compromissos políticos, em contrapartida à sua manutenção no cargo e obtenção de parte dessas vantagens em seu próprio benefício”, define a procuradora da república Andréia Bayão, na denúncia que apresentou em 2012 à justiça federal.

Apesar de minucioso e com volumes suficientes para lotar um pequeno armário, o inquérito foi rejeitado pela justiça e encaminhado para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que o despachou para a Delegacia Fazendária, onde está parado.

Aécio nos tempos de governador de MG
Aécio nos tempos de governador de MG
Outro caso levantado pela Polícia Federal durante o período em que Dimas mandou na empresa foi a contratação da Toshiba do Brasil para construir, ao preço de R$ 270 milhões (853 milhões em valor corrigido pelo IGP-M), a Usina Termelétrica de São Gonçalo e Campos. No dia 13 de novembro do mesmo ano, Furnas assinou outro contrato, para obras na mesma usina, com a JP Engenharia, no valor de R$ 167 milhões.

As empresas atrasaram o serviço e deveriam pagar multa de R$ 8 milhões, no caso da Toshiba, e de R$ 5 milhões, no caso da JP. Mas Furnas não cobrou, com o Conselho de Administração presidido pelo pai de Aécio Neves acatando proposta de Dimas Toledo.

Toshiba e JP acabariam não executando os projetos, mas, a partir da investigação do contrato das duas empresas, a Polícia Federal acabaria descobrindo o que seria o padrão de negócio sob a administração de Dimas Toledo.

Antes de obter o contrato milionário de Furnas para construir as usinas, a JP e Toshiba contrataram empresas de fachada para prestar serviço de intermediação e de consultoria técnica.

Intertel e BCE foram contratadas pela Toshiba por R$ 25,5 milhões e a mesma Intertel, juntamente com a Compobrás, assinou contrato de R$ 29 milhões com a JP Engenharia.

A Polícia Federal foi até o endereço fornecido por elas e encontrou salas vazias. No entanto, com a quebra do sigilo bancário, se descobriu que essas empresas tinham movimentação financeira milionária. Uma delas, a Intertel, chegou a movimentar R$ 81 milhões no ano de 2001, o que representa R$ 234 milhões em valores corrigidos.

Em depoimento, o superintendente administrativo da Toshiba, José Antônio Csapo Tavalera, confirmou o pagamento de propina à direção de Furnas. Ele disse que o tema era tratado abertamente em reuniões na empresa.

Segundo Tavalera, os valores cobrados por Furnas já traziam “embutidos os percentuais destinados ao pagamento de propinas para a diretoria da estatal e alguns políticos”.

Em 20 de dezembro, quando finalizava uma das últimas reportagens desta série, recebo um e-mail de Renato Freire, que mais tarde vim a descobrir que se trava de um empresário que fez negócios com Dimas Toledo.

“Joaquim, se você realmente quer chegar a fundo sobre a lista de Furnas, você tem que investigar o Sr. Dimas Toledo”, começava ele. Renato sugeria ir a Bocaina e descobrir como duas propriedades de lá passaram para os domínios de Dimas, um galpão na entrada da cidade e a fazenda Jacuí, num município vizinho, Liberdade.

Também dava uma relação de nomes que operam para ele e sugeria pesquisar a propriedade de imóveis em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, 50 quilômetros de distância de Bocaina.

Em Resende, a mulher de Dimas é sócia de um escritório de advocacia e dona de uma imobiliária, tantos são os imóveis que a família tem para administrar. Em Bocaina de Minas, o galpão na entrada da cidade está em nome de Gabriel Toledo, sócio também de um laticínio. A fazenda Jacuí é do filho que leva o seu nome e é deputado federal pelo PP.

Renato disse que tanto o galpão quanto a fazenda eram dele e foram vendidos a preço muito abaixo do mercado. Como compensação, ele obteve contrato como terceirizado da empreiteira Odebrecht, contratada por Furnas, para a construção de usina no rio Madeira, em Rondônia.

Renato Freire também teve máquinas pesadas, como tratores, que eram alugadas para a construtora Delta, titular do contrato de pavimentação da estrada que liga Bocaina de Minas a Liberdade, numa distância de aproximadamente 20 quilômetros.

O mais importante da história é que a pavimentação da rodovia foi contratada pelo governo de Minas Gerais, quando Aécio era o governador, mas quem colocou Renato no negócio teria sido Dimas Toledo.

Renato diz que se recusou a pagar propinas e começou a ter prejuízo. Foi obrigado a abandonar Rondônia e teve que vender suas máquinas em Bocaina.

Dimas é quem mexeu os pauzinhos e entram em cena dois parentes do então governador de Minas, Tancredo Tolentino, o Kedo, aquele que foi preso por negociar com um desembargador, nomeado por Aécio Neves, um habeas corpus para tirar da cadeia dois homens presos em flagrante por tráfico.

O outro parente de Aécio que negociou com Renato é Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred, que foi secretário de Aécio. Segundo Renato, os três se reuniram na fazenda de Fred em Cláudio, a cidade de Aécio, e Kedo negociou em nome da construtora Engetostes, que é de parentes de Kedo e tem sede em Cláudio. A Engetostes ficou com as máquinas de Renato por R$ 1 milhão, mas não teria quitado todas as parcelas.

Localizei o então prefeito de Bocaina de Minas, Wilson Moreira Maciel, que hoje mora em Cachoeira Paulista, e ele confirmou que Renato tinha mesmo uma empresa que fazia a locação de máquinas e era dono de um galpão. Segundo o ex-prefeito, Renato também foi secretário de administração, “durante um período muito pequeno”: 45 dias, segundo o próprio Renato, tempo suficiente para ele descobrir irregularidades na gestão anterior e ser pressionado a deixar o cargo. Quem o pressionou? Dimas.

Depois do primeiro e-mail, no dia 20 de dezembro, troquei mais 47 mensagens com Renato, mas ele cessou o contato na quinta-feira da semana passada, por temer pela segurança da sua família.

“Tenho informações pra você derrubar o Dimas, que é um cara de R$ 100 milhões e pode chegar no Aécio, que é um cara de R$ 10 bilhões, e eles podem me destruir… Já te passei mais informações do que devia”, disse ele.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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