13 de fev de 2016

Antipetismo – sentimento de classe, hipocrisia e autoengano

Um motivo para se votar no PT nas próximas eleições: manter as nossas classes-médias e alta engajadas na luta contra a corrupção. Odeiam sinceramente a corrupção dos outros.


“Sem o autoengano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. O problema é que as mentiras que nos contamos não trazem seu nome verdadeiro estampado na fronte. É preciso, por isso, analisar os caminhos que nos levam até elas”. Eduardo Giannetti.

Em um comentário ao texto ”A República dos Hipócritas“, o colega Renato Kern do blog do Nassif fez as seguintes observações em relação a Operação Lava-Jato:

Pela primeira vez na história deste país, a direita endinheirada do país está entrando em cana. E a esquerda está achando ruim? Então o que é bom, gente?”

Muito pertinente.

A Operação Lava Jato levou para a cadeia a fina flor da nossa plutocracia. Quando se verifica quem são os corruptos e os corruptores, o que se nota é que são homens brancos, adultos, com curso superior e com salários superiores a 20 salários mínimos. Muito superiores.

Mais do que isso, são os diretores de grandes empresas nacionais e multinacionais, banqueiros, aqueles que são apresentados como exemplos na revista Exame e no caderno Mercado da Folha de São Paulo. Dão entrevistas para o jornal Valor Econômico traçando as perspectivas para o Brasil futuro. São alvo de admiração por todo engenheiro trainee de suas empresas. São aqueles que são chamados de doutores nas reuniões de negócios.

São os patrões ou patrocinadores de boa parte dos manifestantes antipetistas. Guardam com eles uma identificação de classe inescapável. Segundo o jornal Folha de São Paulo, descrevendo os defensores do impeachment da presidente Dilma:

“a maior parte dos manifestantes que foi à Avenida Paulista no domingo (16/08/2015) é homem (61%), tem 51 anos ou mais (40%), cursou o ensino superior (76%), se declara branca (75%), não é ligada a nenhum partido (52%) e tem renda familiar mensal entre R$ 7.881 e R$ 15.760 (25,17%)”.

Ora, esse são os que estão presos em Curitiba.

Pois bem, nossas classes médias e altas deveriam estar se questionando como seus representantes maiores podem estar presos por corrupção. Questionando o quanto elas próprias são corruptas, o quanto a corrupção foi sempre aceita no seu meio.

sonegar não é crime 3

E, no entanto, estão na Avenida Paulista, em Copacabana ou na Praça dos Três Poderes atribuindo a corrupção ao PT ou, quando não, batendo panelas em suas varandas gourmet.

Chega ser patético perceber o mecanismo de negação, de autoengano contigo no seu antipetismo odiento. E de hipocrisia, por que não? É o que lhes resta da ilusão da pretensa meritocracia que sempre cultivaram e com a qual quiseram justificar a nossa indecente desigualdade social.

Bandido bom é bandido morto.

Seus maiores são réus confessos de desvios de milhões de dólares. Aparecem em rede nacional sendo conduzidos em camburões pela Polícia Federal.

Maldito PT.

Não consegue se olhar no espelho, mas acusam o PT de ter traído sua classe.

Sim, o PT é o anjo caído, o operário padrão que não soube qual era o seu lugar. Deixou-se corromper. Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza. Daí derivam todos os nossos males. E assim, as nossas classes-médias e alta lutam para sacrificar no altar de suas consciências esse bode expiatório.

A nossas classes-médias e alta estão em crise de identidade. Não foram capazes da autocrítica. Sublimam a realidade que lhes joga na cara suas contradições. Nossas classes-médias e alta nada aprenderam.

Odeiam sinceramente a corrupção dos outros.

E esse é mais um motivo para se votar no PT nas próximas eleições. Manter as nossas classes-médias e alta engajadas na luta contra a corrupção.

O que mais restaria as elas? O auxílio luxuoso da poesia, Candeia:

“Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar rir para não chorar. Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar quando eu me encontrar”.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Consertos Gerais e Poesia
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Privacidade da família de Lula é violada mais uma vez

http://www.institutolula.org/privacidade-da-familia-de-lula-e-violada-mais-uma-vez
A propósito de notícias requentadas pela revista Veja deste final de semana, o Instituto Lula esclarece:

1) A legislação brasileira (Lei 8.394/91 e Decreto 4.344/2002) determina que os ex-presidentes são responsáveis pela guarda e preservação do acervo que acumularam no exercício do cargo.

2) O artigo 3º do Decreto 4.344/02 define:  “Os acervos documentais privados dos presidentes da República são os conjuntos de documentos, em qualquer suporte, de natureza arquivística, bibliográfica e museológica, produzidos sob as formas textual (manuscrita, datilografada ou impressa), eletromagnética, fotográfica, filmográfica, videográfica, cartográfica, sonora, iconográfica, de livros e periódicos, de obras de arte e de objetos tridimensionais.”

3) Ao final de seu governo, a Presidência da República providenciou triagem e entrega do acervo documental privado do ex-presidente Lula, da mesma forma como procedeu com seus antecessores, nos termos da lei 8.394/91 e do decreto 4.344/2002.

4) Parte deste acervo está em processo de catalogação e tratamento para cumprir a legislação, em projetos coordenados pelo Instituto Lula, a exemplo do que é feito com o acervo privado de outros ex-presidentes brasileiros.

5) Parte dos objetos pessoais do ex-presidente Lula foi levada para o apartamento de São Bernardo, onde ele já residia antes de ser eleito e continua residindo. E parte foi levada para o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, com o consentimento dos proprietários, que são amigos de Lula e de sua família há décadas. Tudo feito de forma oficial e registrada.

6) Mais uma vez a privacidade da família do ex-presidente foi violentada, na tentativa sistemática de associá-lo a processos em que ele não é investigado nem sequer nomeado. O referido noticiário é apenas um capítulo a mais da ruidosa guerra que os grandes meios de comunicação movem contra o ex-presidente desde 2002. Lula sempre agiu dentro da lei e a favor do Brasil, antes, durante e depois de ser presidente da República.
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FHC apela por união do PSDB. Desespero?

O PSDB só posa de "maior partido da oposição no Brasil" graças à generosidade da mídia-amiga. Se não fosse esta amizade, cultivada por razões políticas e mercenárias, a sigla já teria sumido do mapa político. A blindagem garante a impunidade de tucanos graúdos - como o paranaense Beto Richa e seu "suposto" primo que frauda a Receita Federal; o goiano Marconi Perillo e sua "suposta" relação com o mafioso Carlinhos Cachoeira; e o paulista Geraldo Alckmin e o "suposto" roubo das merendas escolares. Como já ironizou José Simão, uma das poucas vozes irreverentes da imprensa, o PSDB deveria se chamar "Partido Suposto Do Brasil", já que "notícia de corrupção tucana é tudo 'suposto'".

Além da sujeira encoberta, a mídia ainda trata a legenda como algo sério, que possui sólida unidade programática e partidária. Esta couraça, porém, está ruindo. As bicadas no ninho tucano são cada dia mais sangrentas. Intrigas, traições e baixarias confirmam que a sigla é um amontoado de oportunistas. Não tente colocar numa mesma sala Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, os pré-candidatos da sigla à disputa presidencial de 2018; as penas vão voar! Quanto ao ex-presidente FHC, que ainda se jacta de ser o mentor intelectual do PSDB, seu papel é cada dia mais caquético e descartável. Nesta semana, ele produziu mais uma cena ridícula no ninho conflagrado e rachado.

Em vídeo, o grão-tucano apelou para a unidade da sigla na disputa pela prefeitura de São Paulo. "Nós precisamos ter um candidato que una todos nós... Temos que entender que é nessa eleição que vamos começar a preparar os candidatos a presidente da República. Qualquer que seja o candidato — e temos bons candidatos —, nós vamos estar unidos", afirmou. O vídeo nem bem foi postado e já causou danos no PSDB. É que FHC apelou para a união defendendo o nome do servil amigo Andrea Matarazzo, o candidato das "abotoaduras de ouro". O recado até foi sincero: "Ele é um homem que pode ajudar muito na construção da imagem do PSDB" — a imagem de um partido elitista e distante do povo.



O vídeo "unitário" da FHC foi divulgado no mesmo dia em que o vereador Adolfo Quintas, aliado de Andrea Matarazzo, acusou o "empresário" João Doria — candidato do governador Geraldo Alckmin — de comprar filiados da sigla por R$ 2.000 mensais para interferir nas prévias partidárias. "A troca de acusações entre os pré-candidatos tem preocupado os caciques tucanos. Nos bastidores, dizem temer que, com o partido rachado, o PSDB não tenha força para enfrentar seu real adversário, o prefeito Fernando Haddad (PT), na disputa pela Prefeitura de São Paulo", lamenta a Folha tucana. Como se observa, a situação do PSDB — "o maior partido da oposição no Brasil" — é desesperadora!

Altamiro Borges
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Lula e a defesa que não houve


Conheço Lula há 35 anos, quando ele presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e eu era diretor tesoureiro do SINAEES, um dos sindicatos patronais que se contrapunha ao dos trabalhadores metalúrgicos, com a diferença que o meu sindicato era nacional e o do Lula era municipal. Na grande greve do final do governo militar, sendo Ministro do Trabalho Murilo Macedo, assinei pelo Grupo 14 o acordo final na Delegacia do Trabalho em Santa André, com Lula do outro lado da mesa.

Acompanhei de perto todo o processo de "acochambramento" do Lula sindicalista por um grupo da FIESP que se posicionava como "moderno", chefiado por Luis Eulálio Vidigal, então presidente, mais Claudio Bardella, Paulo Francini e outros, ao que se contrapunha o grupo mais tradicionalista de Mário Amato. Era "moda" ser amigo de Lula e Mário Amato era do grupo antagônico que não acompanhava esse modismo, não era do fã clube de Lula na FIESP, que levavam Lula para almoçar no Ca D’Oro, no Gallery, para se mostrar" olha como somos democratas e avançados".

 Gerenciei um dos comitês que trabalharam a candidatura Amato, ficava ao lado do antigo bar Pandoro, nos Jardins. Não sou, portanto, admirador de Lula e posso dar meus palpites sobre sua postura nesse último lance da operação anti-Lula.

Os ataques a Lula são destituídos de sentido lógico e Lula não está se aproveitando dessa circunstância para se defender, parece que se esconde em vez de responder diretamente e duramente a essas admoestações da mídia.

1. O caso do apartamento do Guarujá está completamente explicado. Qual o problema? Lula tinha uma cota na cooperativa que lhe dava opção de compra, por razões dele e que a ninguém mais interessa, desistiu da compra. Ponto. Foi visitar? Como potencial interessado pode ter ido várias vezes mas depois se desinteressou, fizeram cozinha especial, elevador, é problema de quem fez e pagou, talvez interessasse ao construtor ter Lula como comprador como chamariz de marketing do empreendimento, o corretor poderia dizer aos potenciais compradores, "esse é o prédio onde mora o Lula". A construtora investiu, mas Lula pensou de outra forma e o negócio em perspectiva foi desfeito, acontece todo dia.

Está em nome de uma construtora, sim, é normal um prédio de apartamentos estar em nome de uma construtora, ela faz para vender, qual a novidade?  Tudo o mais são idas e vindas, foi ver, achou que era bom mas depois viu que não compensava, qual o problema? Isso diz respeito à vida privada do Lula, não tem que dar explicações ao Camarotti.

2. O tal sítio de Atibaia, tem dono com matrícula em cartório, nunca foi de Lula mas Lula frequenta, e daí? Isso diz respeito aos donos e ao Lula. Ponto. Mas empreiteiras pagaram a reforma?  Se foi, até agora parece que é conversa de balconista, mas se foi o que tem de especial? Construtoras fazem reformas de casas, qual a irregularidade? A que fato se liga? Quais são os fatos? Onde está o delito? Se há, precisa provar, não basta dizer "aí tem coisa". Quais os fatos?

Ah mas Lula foi 111 vezes ao sítio. Mas e daí? Já não era presidente e não era mais nada, pode fazer de sua vida o que bem entender, pode ir a sítios, cassinos, bordéis, cachaçadas, pescarias, festas de São João, ninguém tem nada com isso.

Ah, mas é esquisito construtoras envolvidas na Lava Jato fazerem reforma nesse sítio. Então quem acusa que aponte o crime praticado em construtoras fazerem reformas em sítio de terceiros que não tem nada a ver com Lava Jato, para haver delito precisa haver prova de conexões e atos causais, é preciso haver causa e efeito, se o dono de uma empreiteira mata a mulher e a empreiteira construiu um prédio de apartamentos, os compradores desses imóveis não são cúmplices do assassinato da mulher do empreiteiro, para que haja cumplicidade é preciso haver comprovada relação de causa e efeito, não adianta simples presunção.

Não há nos casos do apartamento e do sítio qualquer fato delituoso, trata-se de vida privada de Lula ex-presidente. É ABSURDA a presunção de que se ele frequenta o sítio é porque é dono, onde? Nas relações de amizade de pessoas já maduras há amigos que se frequentam por décadas em casas de praia, fazendas, chácaras. E daí? Não é porque frequenta que é dono, é apenas hóspede. No caso de um ex-presidente, quantos não gostariam de hospedar em fins de semana ex-presidentes, enche o ego de qualquer um, qual o problema?

Nesse clima viciado de aprendizes de detetive se cria um cenário de Hercule Poirot onde se busca uma xícara de café com baton para provar a relação do baton com a propina paga em Luxemburgo. A coisa está ficando tragicômica, ópera bufa. Sérgio Mota era considerado operador dos tucanos, FHC comprou uma fazenda de bom tamanho em sociedade com ele, ninguém achou nada demais e nem se abriu inquérito, tampouco a Veja fez um número especial sobre a fazenda Córrego da Ponte em Unaí, Minas Gerais, que evidentemente vale muito mais que sítios de Atibaia.

A banda de musica da mídia engajada nessa operação não cessa de vociferar "Lula precisa se explicar". Mas explicar exatamente o quê? Por que vai ao sítio? Por que desistiu do Guarujá? Isso é VIDA PRIVADA, ponto final.

Lula deveria se defender em dez minutos de papo olhando na cara da mídia e encerra o assunto, se houver PROVA de algum delito, que se apresente e chega de conversa de cortiço em capa de revista.

André Araújo
No GGN
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A infestação de mosquitos aedes aegypti no Estadão é culpa da Dilma


Há uma ironia imensa no fato da sede do Estadão, em São Paulo, estar infestada de aedes aegypti. O Portal Imprensa contou que os bichos invadiram a redação a partir de um criadouro no fosso dos elevadores.

“Apesar da questão ter um caráter emergencial, nenhuma medida concreta teria sido tomada pelo veículo para proteger seus trabalhadores”, diz a matéria. “Reclama-se que nem um e-mail corporativo informando sobre o problema ou com medidas para prevenir as picadas dos insetos teria sido enviado”.

Quem foi ao RH foi aconselhado a usar repelente. Os que reclamaram mais  incisivamente ganharam repelentes elétricos. Uma dedetização foi providenciada depois dos protestos do pessoal, que lembrou que havia grávidas no local.

Enfim, uma mistura de tragédia, comédia e terror como só o castelo mal assombrado dos Mesquitas poderia proporcionar.

Mas o que chama a atenção é, mais uma vez, a contradição ululante entre a pregação e a prática. O jornal de 8364 anos cobre o drama do zika vírus  e da microcefalia obsessivamente. E está correto ao fazê-lo.

O tom, porém, é sempre de que chegam à atual situação porque algo está deixando de ser feito pelo governo. Num de vários editoriais — ah, os editoriais do Estadão — sobre o tema, de 27 de janeiro, o tom é peremptório.

O texto começa batendo no ministro da Saúde, o deputado federal Marcelo Castro. “Sua recente declaração reconhecendo que o Brasil ‘perdeu feio’ a batalha contra o mosquito Aedes aegypti ao menos trata com transparência um problema sério, que até agora a presidente Dilma Rousseff não enfrentou nem dá mostras de querer enfrentar com a devida severidade”, lê-se.

“Ela prefere divulgar sua irritação com as palavras do ministro e anunciar medidas demagógicas. Com esse modo de governar, o problema só tende a aumentar — do mesmo modo que cresce a mais que justificada irritação da população com a presidente da República. É urgente combater eficazmente o mosquito aedes aegypti.”

Outro colunista lembra que “a mesma falta de credibilidade que o atual governo tem nos campos político e econômico repete-se no campo da saúde pública. Por tudo isso, é difícil acreditar na seriedade das intenções da presidente”.

Há ainda os desabafos dos leitores, aqueles velhinhos sentados em cadeiras de balanço de vime, a piteira suja, a artrite, o ódio dos malditos bolivarianos, fazendo piadas sobre a “presidente com cabeça de mosquito”.

É razoável supor que, enquanto esses artigos contundentes eram encomendados e produzidos, os insetos faziam a festa no edifício da Marginal Tietê.

Não que haja a menor possibilidade de algo assim ocorrer, mas e se o jornal cobrisse sua crise sanitária? Ou por outra: e se o rigor exigido das autoridades fosse aplicado ali?

E se o jornal que ataca os meliantes petistas mandasse seu zelador dar um trato no pedaço?

É pedir demais. O Estadão vai quebrar também por causa dessa demagogia. Recentemente, uma série foi publicada sob a rubrica “Economistas apontam soluções para o Brasil sair do atoleiro econômico”.

“Nem o mais pessimista deles conseguiu imaginar que a deterioração ocorreria de maneira tão rápida e profunda. O que era chamado genericamente de crise transformou-se no que promete ser a pior recessão em quase cem anos”, pontifica a abertura.

Seguem-se títulos como “A construção de um desastre”, “Recessão bate governo de 7 a 1”, “O embuste fiscal” e “As razões para o colapso”.

O Estadão sabe o caminho para escapar da catástrofe e ele é, evidentemente, oposto ao que está sendo tomado pela quadrilha que tomou o poder.

Como no caso da mosquitada, fica a questão: com tantas lições a dar, como pode o Estadão estar numa draga?

As demissões ali já viraram lenda. A empresa não é vendida simplesmente por não ter comprador. A última tentativa foi em 2013, quando a Globo foi sondada e não se interessou. A corretora Itaú BBA tinha um mandato para realizar a operação.

O Estado de S. Paulo está morrendo de septicemia. Limpar o fosso dos elevadores pra quê, afinal? De qualquer maneira, a culpa é da Dilma.

Um dos sintomas da microcefalia

Kiko Nogueira
No DCM
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Deputada israelense: Não tem letra P, não tem Estado palestino


Anat Berko, uma membro da Knéset, o Parlamento israelense, surpreendeu recentemente a opoinião pública com uma explicação escandalosa sobre o motivo pelo qual o Estado palestino não pode existir. Como a língua árabe não tem a letra “P”, raciocinou, a ideia de um Estado palestino é questionável, afirmou segundo informa The Jerusalem Post e pode ser comprovado no vídeo abaixo.



No Desacato
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Em 180 segundos você vai querer votar em Bernie Sanders


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TCU: quando o vigia do dinheiro acaba se perdendo


O Tribunal de Contas da União (TCU), órgão do Congresso Nacional para fiscalização do setor público, revela-se agora para toda a Nação também como um ninho de corruptos. Seu presidente, Aroldo Cedraz, e o ministro Raimundo Carreiro estão sendo investigados por receberem ou intermediarem — no caso de Cedraz, para o filho — propinas da empreiteira UTC, cujo presidente confessou tê-la pago em delação premiada da Lava Jato. Os detalhes estão nos jornais, inclusive no insuspeito O Globo. Vamos ao significado maior disso tudo.

Ministros do TCU foram os únicos oficiais do Governo que se levantaram contra a medida provisória da Presidenta Dilma disciplinando e viabilizando os acordos de leniência. Para quem não sabe, esses acordos permitem, nos casos de irregularidades empresariais, distinguir empresário de empresa, punindo o empresário, sim, mas deixando a empresa funcionar com seu quadro de funcionários e seus contratos, depois de pagar as devidas multas e indenizações. Isso preserva emprego, tecnologia nacional e capacidade empresarial.

Como é que um oficial do TCU poderia vir a público condenar de forma tão impertinente uma medida provisória submetida ao Congresso? Escrevi sobre isso e alguns leitores me acharam exagerado. De fato, conhecendo o TCU como conheço de outros carnavais, deduzi que tinha  interesse material em jogo. O TCU não queria ficar fora dos acordos de leniência. Queria estar por dentro, lado a lado com Procuradoria Geral da República, AGU, CGU desde o início. Com qual propósito? Certamente, não é o interesse público. Antes eu tinha uma suspeita. Agora é evidência. Quer tirar proveito de informações privilegiadas.

É bom esclarecer que a medida provisória 703 não deixou o TCU de fora. Simplesmente previu que o acordo lhe seria submetido ao fim do processo. Não bastou para o TCU. Ele quer meter a colher de pau logo no início, provavelmente para ter melhor oportunidade de obter, num processo de negociação paralela, o mesmo tipo de propina que seu presidente Cedraz e o ministro Carreiro estão sendo acusados de obter. Em outras palestras, a leniência na forma Dilma lhe fecha uma janela de oportunidade para o achaque.

Estamos diante de mais uma evidência de que todas as instituições da República derreteram. Não há nada que sobra. O juiz Moro seria uma exceção caso não tivesse convertido as investigações da Lava Jato num espetáculo midiático, violando direitos consagrados como o habeas corpus, a presunção da inocência, e a vedação de prisão antes do julgamento, e tentando destruir a Engenharia Nacional em favor de estrangeiros. Hoje, a Justiça brasileira não tem mais credibilidade que o Executivo, o Executivo não tem mais que o Legislativo, e o Legislativo não mais que o TCU.

Diante disso, não temos outra alternativa a não ser apelar para a parte sã do Congresso Nacional. É dela que vai depender a regeneração da República. Os cínicos alegam que só há corruptos no Parlamento, talvez por desconhecerem centenas de deputados e deputadas de alto espírito público ofuscados por uma liderança irremediavelmente corrompida, como a do Eduardo Cunha. Essa parcela do Congresso, que pode ser maioria, é a esperança que temos na construção de uma Aliança pelo Brasil suprapartidária, que tenha  o duplo objetivo de garantir a estabilidade política e mudar a política econômica no sentido realmente progressista.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.
No GGN
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Engenharia genético-financeira transforma Marinho em laranja


Lobistas e lavadores de dinheiro do mundo inteiro estão interessados nos avanços da engenharia genético-financeira da Família Marinho, que conseguiu com seu Triplex (erguido de forma ilegal em área de proteção ambiental) transformar Marinho em Laranja.

Cogita-se oferecer o Prêmio IgNóbil de Economia Clandestina e Lavagem Internacional pela operação da offshore dedicada a burlar o fisco e escarnecer do Judiciário do país tropical.

Dr. Toicinho, CEO do PIG (Partido da Imprensa Golpista) desde 1939, não quis receber nossa reportagem.

Instado a responder sobre o fenômeno, o famoso juiz SM45, extremamente severo diante de petistas e eunuco diante de tucanos, foi lacônico e taxativo: "Não vem ao caso!"

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Sobre Lula, Elis e Cássia Eller


Em 27 de janeiro de 1982, a revista Veja estampava na capa a morte de Elis Regina. Como título, em letras quase do mesmo tamanho da sua própria foto, o seguinte texto “A tragédia da cocaína”. E nada mais.

Vinte anos depois, a mesma revista ilustrava a morte da cantora Cássia Eller.

Da mesma forma com que tratou Elis Regina, a revista disse em letras garrafais “Drogas mais uma vítima – A polícia suspeita que um coquetel de drogas, álcool e remédio matou a cantora que havia dois anos lutava para se livrar da dependência de cocaína”

Era somente isso que a revista tinha a dizer sobre essas duas monumentais artistas? Pior, irresponsavelmente, cravava, sem qualquer amparo fático ou laudo médico, a causa da morte dias após sua ocorrência.

Ainda que fosse a causa, o que depois não se comprovou — Cássia teve um infarto do miocárdio em decorrência de estresse e sobre Elis vale ler o texto de Cynara Menezes, mencionado nas notas — a forma como a revista as tratou revela o tamanho da sua cretinice.

Revela, porém, um pouco mais. Uma tentativa clara da revista em tentar destruir ídolos nacionais, seja por atuar como abutre sobre a tragédia para vender o sórdido, seja por que ideologicamente interessa que o País não tenha ídolos ou que estes sejam aqueles mais adequados ao seu pensamento político.

É o que se passa agora com o ex-presidente Lula. Incontáveis capas da revista pedem sua prisão de forma desvelada. Inclusive se valendo de montagens com roupa de presidiário ou algemas sem o mínimo respeito à ética profissional.

Tentam destruir a imagem de uma referência nacional com ilações, conjecturas e mentiras, assim como açodadamente fizeram com Elis e Cássia.

Aliás, a mesma revista mantém “colunistas” que se esmeram em tentar destruir a obra de Chico Buarque. Há uma evidente negação ou deliberada ação de atingir símbolos da arte e da política que não guardam afinidade com o seu pensamento ideológico.

Uma revista que a única coisa que tem a dizer sobre Elis Regina no dia da sua morte é “drogas mais uma vítima”, tem a deletéria função de espalhar mentiras, viver de boatos e tentar apagar a história que não lhe interessa, como se fosse um integrante do estado islâmico dinamitando monumentos históricos.

Quanto a Lula, por óbvio, deve ter ficado claro os limites da sua política de conciliação de classes e o erro de não ter pautado o debate sobre a regulação da mídia, mas isso é outra questão.

Vivemos sob o império da mentira. Basta, portanto, que ela integre uma delação premiada. Nada é conferido, não há o benefício da dúvida, inexiste apuração jornalística minimamente séria. Basta que alguém mencione algo e isso vai para a capa.

O instituto da delação premiada se tornou para o direito processual penal, na prática, a institucionalização do jornalismo da VEJA nos autos. Esse tipo de jornalismo preguiçoso, maledicente e irresponsável agora rege os atos processuais de juízes celebridades.

E o direito constitucional à defesa e ao contraditório é relegado e sufocado com capas e mais capas de revistas que nunca tiveram, nem nunca terão, qualquer apreço pela ética profissional.

De Lula já se disse tudo. Que era comunista, tinha um aparelho de som 3 em 1 em casa, que era um bêbado e analfabeto. O filho do dono de um grande jornal chegou a lhe perguntar como queria ser presidente do Brasil se não sabia falar inglês.

São esses preconceitos e ódios que estão no cerne do ataque ao ex-presidente que agora paga um preço pela ingenuidade política de acreditar ser possível romper abissais fossos estruturais da sociedade brasileira agradando a todos. Mas, até onde se saiba, ingenuidade não é crime algum.

O que a revista Veja não consegue entender é que Lula não é um produto artificial. Foi construído sobre caminhões, comícios improvisados e caravanas pelo sertão do Brasil. Representa o que o brasileiro tem de mais autêntico. A capacidade de improvisar, a sensibilidade de chorar em público e o carisma quase messiânico de quem sabe o que é passar fome. É um ícone para muitas gerações e continuará sendo, independente de suas malfadadas capas.

Com erros e acertos, Lula foi capaz de reduzir a distância entre o brasileiro mais simples e a liturgia do poder, por isso incomoda tanto.

Destruir símbolos e monumentos da história política e cultural de um país tem um preço muito alto que é o de dinamitar referenciais e o próprio sentido de um povo. É como deixar um país sem luz ou norte, ambiente propício para o ressurgimento de fantasmas autoritários adormecidos.

Patrick Mariano
No Viomundo
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A Paraty House versus o sítio de Atibaia

A plutocracia pode tudo: a Paraty House dos Marinhos
Poucas coisas explicam tanto o Brasil de hoje como a comparação entre a Paraty House da família Marinho e o sítio de Atibaia.

A Paraty House, já conhecida nas mídias sociais como o Triplex dos Marinhos, é o triunfo da plutocracia nacional. Luxuosa, paradisíaca, foi erguida à revelia da legislação ambiental.

Mas o que é lei para os Marinhos?

Existem dois tipos de brasileiros. Os sujeitos às leis e os Marinhos. Para eles tudo é possível: construir onde é proibido, sonegar impostos, terceirizar descaradamente salários altos para fugir dos encargos.

E, claro, erguer uma afronta à sociedade como a Paraty House.

Nada é escândalo para eles porque a mídia fica em silêncio, em parte por temer retaliações, em parte por solidariedade indecente de classe.

Na reportagem de Renan Antunes que o DCM publicou ontem, e que viralizou, está contado o caso de um funcionária ambiental cujo carro foi queimado enquanto ela investigava o Triplex dos Marinhos.

O que fez a Folha, ou a Veja, ou que publicação que seja? Deu voz a uma vítima sem voz? A imprensa brasileira não deu uma única linha sobre o carro incendiado.

Porque a Globo está acima da lei.

Fiscais da sociedade, como a Globo gostaria de ser vista, devem obrigatoriamente ter uma conduta acima de quaisquer dúvidas, ou são um escárnio.

É exatamente o que é a Globo: um escárnio. Produz editoriais moralistas e ao mesmo tempo, longe das luzes, comete crimes que aos outros traria consequências pesadas.

A sorte da sociedade brasileira é que a ascensão da internet destruiu a blindagem em torno da empresa dos Marinhos.

Sites verdadeiramente independentes, como o DCM, e as redes sociais escancaram suas delinquências e sua hipocrisia.

Para evocar uma frase célebre de Churchill sobre a Segunda Guerra, não é o fim. Nem o começo do fim. Mas é o fim do começo.

O fim do começo do fim da Globo.

Porque uma organização como esta dos Marinhos só pode sobreviver com o acobertamento das coisas que faz na escuridão.

Enquanto isso, manchetes e mais manchetes infestam a mídia tradicional com vazamentos sobre o sítio de Atibaia.

Uma canoa simplória já foi tratada como se fosse um iate. Agora é a vez de 37 caixas de cerveja. Repito: 37 caixas de cerveja.

A mesma Polícia Federal que jamais se ocupou da Paraty House — e muito menos de meia tonelada de pó de cocaína num helicóptero de um amigo de Aécio — oferece para a mídia sequiosa cerveja.

Aí já passamos a etapa da piada. Cocaína em escala industrial num helicóptero não é nada e cerveja num sítio é primeira página.

Para simbolizar a inversão de valores, temos uma imagem preciosa: a de João Roberto Marinho com e o juiz Sérgio Moro, num prêmio entregue pela Globo.

É o retrato perfeito do Brasil, onde a aliança entre a plutocracia e a Justiça confraternizam, sorridentes. Tudo dominado.

Mas os tempos mudaram.

A internet é um dado novo que escancara essa aliança sinistra, para o bem de todos nós.

Paulo Nogueira
No DCM
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Justiça condena ONG de Eduardo Cunha a indenizar ex-empregados

Entidade foi fechada logo depois das eleições de 2010. Entre as violações estão ausência de carteira assinada e envolvimento de funcionários em campanha eleitoral do deputado

Uma ação judicial movida por nove ex-funcionários de uma ONG aberta pelo atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2009, na Vila Kennedy, comunidade carente do Rio de Janeiro, resultou em uma condenação para pagamento de indenizações por violações trabalhistas e outras questões, como uso dos empregados em campanha eleitoral do deputado. Segundo reportagem da revista Época, o “Centro de Cidadania Eduardo Cunha” funcionou por pouco mais de um ano e foi fechado logo depois das eleições de 2010, que deram mais um mandato a Cunha.

De acordo com a reportagem, que no site da revista exibe vídeos com depoimentos de ex-funcionários da ONG (veja um deles abaixo), Cunha já foi condenado pela Justiça do Trabalho, em primeira e segunda instâncias, por duas vezes no ano passado, em decorrência dessas ações. A publicação afirma ter ouvido cinco dos nove ex-funcionários da entidade – eles declararam que seu verdadeiro trabalho era fazer campanha para Cunha; oficialmente, serviços gratuitos de dentista, orientação advocatícia, balcão de emprego e fisioterapia, por exemplo, eram sido oferecidos na ONG.

“[...] os moradores acharam que, finalmente, os políticos ajudariam a comunidade pobre de 41 mil habitantes, a 40 quilômetros do centro do Rio, na ocasião dominada por traficantes e definida pela violência. Mototaxistas, feirantes e camelôs passaram a conviver com a aglomeração de cerca de 200 pessoas que acorriam ao lugar diariamente”, diz trecho da reportagem.



Na sentença que estabeleceu as indenizações, à espera de cálculo pela Justiça, um juiz anota que “restou comprovado que o réu [Eduardo Cunha] era mantenedor do centro, confundindo-se com a figura de empregador”. No relato de um dos empregados, a ordem era pedir votos para Cunha. “Na época da política, davam panfleto para a gente. Para todo mundo que buscava atendimento, a gente tinha de falar para votar nele”, recorda Penha Cardoso de Melo, que recebia R$ 400 para cuidar da limpeza e do cafezinho, segundo a revista.

“Coordenador de informática do lugar, Geilson Carneiro disse à Justiça que buscava envelopes com dinheiro vivo para pagar funcionários do centro. Em três meses consecutivos, Geilson pegou os envelopes com R$ 16 mil em cada vez, no escritório de Cunha; em outras ocasiões, a retirada foi feita no bairro vizinho de Campo Grande”, registra outro trecho do texto assinado pelo repórter Hudson Corrêa.

No Congresso em Foco
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A Lava Jato e a bolivarização das instituições


No ano passado, o Procurador do Ministério Público Federal de Goiás entrou com uma representação contra a publicidade do governo na Copa do Mundo. O mesmo Procurador entrou com medida exigindo que o Itamaraty investigasse informações de que a Venezuela estaria cooptando crianças brasileiras para trabalhos de propaganda política. O que motivou o Procurador foi um trabalho do governo da Venezuela na Vila Brasil, subúrbio de Caracas. Expôs o Ministério Público Federal a galhofa de jornais do mundo inteiro.

Agora outro Procurador de Goiás exigiu a suspensão imediata do comercial do governo sobre as Olimpíadas. A razão apresentada é que campanha se presta a desinformar os brasileiros sobre a "verdade" e estimular no "inconsciente coletivo" um sentimento favorável à Olimpíada e à presidente Dilma Rousseff.

Para quem quiser avaliar o nível do comercial:



A mesma tolice repetida no mesmo local, denotando que falta ao MPF o primeiro e mais importante fator de contenção de abusos: a rejeição da corporação a atos que deponham contra o órgão.

* * *

No Tribunal de Contas da União, um Procurador do Ministério Público de Contas resolveu questionar a Controladoria Geral da União e a Advocacia Geral da União pelo fato da Medida Provisória sobre acordos de leniência ter cometido o “flagrante descumprimento das disposições da Instrução Normativa 74/2015”.

Ou seja, confrontou a Presidente da República quando, no uso de suas atribuições constitucionais, editou uma Medida Provisória, porque, segundo ele, iria contra uma mera Instrução Normativa do TCU.

Qual o poder dessa pretensa autoridade jurídica? Ter acesso ao Jornal Nacional, da Globo.

* * *

Em Curitiba, a Polícia Federal solicita ao juiz Sérgio Moro o desmembramento de um inquérito sobre o tal sítio de Atibaia. E solicita expressamente que tudo seja mantido em sigilo para não prejudicar as investigações. No despacho, o juiz reitera a necessidade do sigilo. Alguns dias depois, o próprio juiz Moro publica a sentença sobre o inquérito, quebrando o sigilo. Diz que foi um ato involuntário. Mas, já que quebrou o sigilo, quebrado está e toca a dar publicidade a tudo.

* * *

Não se para nisso.

Advogados que ousam questionar as decisões da Lava Jato, do juiz, da Polícia Federal ou do Ministério Público, têm sido submetidos a verdadeiros assassinatos de reputação por órgãos de mídia que integram a organização policial-midiática da Lava Jato.

* * *

Independentemente de preferências político-partidária de quem quer que seja, o país está submetido a um processo de subversão de valores e de funções poucas vezes visto. Perdeu-se a noção da lei e dos ritos jurídicos. Invocando um fantasma bolivariano, sempre levantando por esse pessoal, na verdade Venezuela é aqui!

À medida em que o Procurador Geral da República Rodrigo Janot sancionou a parceria midiática da Lava Jato com a imprensa, abriu uma verdadeira Caixa de Pandora. Hoje em dia, qualquer jovem procurador, atrás de notoriedade, monta uma parceria com um jovem repórter, também atrás de notoriedade, e provoca um fato jurídico.

Devido ao fato de ser PGR pelo voto direto da categoria, o Procurador Geral não ousa definir limites para esse uso abusivo da imprensa.

* * *

A diferença entre um país moderno e uma república de bananas está na capacidade de, através das leis, impor regras de conduta. Quando as normas e leis passam a ser atropeladas, sem que os diversos poderes se interponham aos abusos, há algo de profundamente doente com a democracia.

Luís Nassif
No GGN
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Polícia Federal, sem verba para a luz, mas com mordomias

Apesar de ter recorrido ao juiz Sérgio Moro, em dezembro de 2015, pedindo ajuda financeira para pagar a conta de luz e do combustível, a Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Paraná (SR/DPF/PR) torrou dinheiro, entre maio e julho do mesmo ano, criando uma “área social” no prédio que abriga o Grupo de Investigação Sensível (GISE) e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, ambos chefiados pelo delegado Maurício Moscardi Grillo. Uma verdadeira mordomia para poucos desfrutarem.

Em um prédio público, onde policiais federais investigam
tráfico de drogas, a cozinha está equipada como nas
melhores residências, inclusive com uma lha gourmet.
Provavelmente, o sítio de Atibaia frequentado pelo ex-presidente Lula e seus familiares, que tanto trabalho está dando aos agentes federais da Força Tarefa da Lava Jato a ponto de pedirem um inquérito só para investigá-lo, não chegue aos pés destas instalações em um órgão público.

A suntuosidade da reforma promovida na sala de refeições e na cozinha de dois órgãos de investigação, em um prédio localizado no centro de Curitiba*, contrasta totalmente com o discurso que delegados federais vêm fazendo de que faltará verba para as operações policiais. A origem do dinheiro, embora indagada não foi explicada pelo DPF, menos ainda pela superintendência.

É praticamente certo que não foi verba orçamentária. Através do site Transparência Brasil foi possível verificar que entre maio de 2015 (início da reforma) e dezembro do mesmo ano, os pagamentos efetuados pela superintendência a titulo de obras e reformas não incluíram nenhuma delas na capital do estado. Foram pagas reformas nas delegacias de Maringá, Guarapuava e Cascavel.

Restam, portanto, duas alternativas. A primeira, e mais provável, uma nova doação feita por algum juiz federal de Curitiba, com verba apreendida em operações policiais e confiscada em sentença. Para isso, porém, é preciso um pedido oficial que tramita em forma de processo e passe pelo crivo do Ministério Público Federal.

Os gastos sigilosos

A segunda hipótese, menos provável, seria o uso das chamadas Verbas Secretas (VS) que as superintendências do DPF recebem de Brasília, mas destinam-se especificamente a operações policiais. É um dinheiro usado, com o respaldo da legislação vigente, para pagar informantes em operações de porte, principalmente no combate ao tráfico de drogas. Ele só pode servir esporadicamente para comprar bens de consumo em situação emergencial. Jamais uma máquina de café Nesspresso ou uma ilha gourmet, para ficar em apenas dois exemplos de modernidades instaladas no prédio do GISE. A informação colhida pelo blog dá conta que, após a reforma do GISE, o DPF em Brasília reduziu à metade as remessas de da verba secreta para o Paraná. Normalmente eram enviados R$ 32 mil que caíram para R$ 16 mil. È mais uma informação que se espera a confirmação pelo DPF junto com a explicação da origem do dinheiro usado na reforma.

O que é fato e está no portal da Transparência, é que, em 2015, a Superintendência Regional do DPF no Paraná efetuou “gastos sigilosos, com pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal” da ordem de R$ 352.458,74. Outros R$ 4.683.400,75, da mesma verba sigilosa, destinaram-se a diárias. As especificações destas despesas como constam do portal, são “bloqueadas”, por serem “informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

Uma moderna churrasqueira, ao fundo, tem à sua frente a ilha gourmet com fogão e bancada acoplados, além de modernas cadeiras em acrílico. Na parede à direita, o forno de microondas.
Uma moderna churrasqueira, ao fundo, tem à sua frente a ilha gourmet com fogão e bancada acoplados, além
de modernas cadeiras em acrílico. Na parede à direita, o forno de microondas.
A bancada gourmet, grudada a um fogão, localiza-se estrategicamente de frente para uma não menos moderna churrasqueira (acima). Assim, é possível a convivência harmoniosa entre o churrasqueiro e seus convivas.Um ambiente, bastante refinado. Apesar de se tratar de um órgão público, possui ainda um bar com um tampo em mármore preto e os banquinhos forrados, para aumentar o conforto de seus frequentadores (abaixo).

Um bar, com confortáveis banquinhos forrados, apesar de se tratar de um órgão público.
Um bar, com confortáveis banquinhos forrados, apesar de se tratar de um órgão público.
As informações levantadas pelo blog com diversas fontes dão conta de que o ambiente “é coisa de cinema”. Tanto assim que entre os policiais federais paranaenses o prédio do GISE agora é tratado como Taj Mahal

A possibilidade de o projeto ter contado com a participação de arquiteta e design de interiores não foi possível confirmar — uma vez que a Polícia Federal calou-se sobre a questão. Se realmente os dois foram acionados, surge nova dúvida: foi um trabalho remunerado ou à base do favor? Nessa última hipótese, será preciso analisar esse “favor” à luz do código de ética dos servidores públicos, que limita os valores de presentes/favores aos funcionários do governo.

Alojamentos precários

Curiosamente, os cerca de quinze agentes federais que ali trabalham todos os dias, apesar de disporem na sala de lazer de um sofá vistoso, forrado de manta para proteger o estofado branco e com confortáveis almofadas, repousados sobre tapete felpudo, não contam com alojamentos à altura do ambiente social criado.

O grupo de sofás na sala da televisão, fica sobre tapetes felpudos. Não faltou a manta para enfeitar e proteger o estofado branco.
O grupo de sofás na sala da televisão, fica sobre tapetes felpudos. Não faltou a manta para enfeitar e
proteger o estofado branco.
Em outra área, o quarto que lhes é destinado, mantém beliches velhos, instalações antigas, inclusive sem um ar condicionado, segundo relatos feitos por seus colegas.

A inauguração da obra, com um churrasco no moderno equipamento, foi em agosto, após três meses de reforma (entre maio e julho). Ou seja, exatamente um ano depois de o juiz Sergio Moro ter liberado, da verba apreendida em operações policiais e confiscada pelo judiciário, R$ 1 milhão, pedidos pelo superintendente Rosalvo Ferreira Franco, em março de 2014, para a implantação de um sistema de câmeras de vigilância, monitoramento e alarme (Sistema CFTV), na sede da superintendência, em Curitiba, e em delegacias do interior.

Contas erradas

Mas, como narramos na reportagem Trapalhadas da PF-PR com a verba doada pelo juiz Moro, antes mesmo de usar a verba repassada pela justiça, Rosalvo voltou ao juiz, em março de 2015, com nova solicitação. Por causa de contas erradas, era preciso mais R$ 2,237 milhões, o que foi negado pelo magistrado e a implantação do circuito limitou-se à sede da SR.

Em novembro passado, o superintendente voltou a passar o chapéu junto ao juiz Moro, pedindo autorização para utilizar R$ 172.138,37 que sobraram do sistema de TV para o pagamento da conta de luz e de combustível. Mais uma vez ele errou na conta, o valor gasto foi maior: R$ 181.914,85. Na época, Moro, ao liberar os recursos, despachou:

“Embora não seja muito apropriada a destinação dessas verbas para custeio, as investigações da Operação Lava jato, por sua relevância, não podem ser interrompidas por falta de dinheiro para despesas básicas de custeio”.

Foi o suficiente para que a mídia, empenhada na campanha do impeachment da presidente, acusasse o governo Dilma de querer parar as investigações cortando recursos. Não apuraram que a mesma superintendência que dizia não ter recursos para a luz e o combustível, no final do exercício fiscal de 2015, devolveu R$ 1,4 milhão ao Tesouro Nacional como reafirmou nota de esclarecimento do Ministério da Justiça. Sem falar na despesa para instalar a churrasqueira do GISE, que continuava funcionando. E muito.

Criado para realizar investigações voltadas ao combate ao tráfico de drogas, mas não apenas elas, o GISE contou com maior autonomia até a gestão do delegado Paulo Lacerda, na direção do DPF. No Paraná, em 2007, sua equipe, em uma Força Tarefa com alguns dos mesmos procuradores que atuam agora na Lava Jato — Deltan Dallagnol, por exemplo — e com o apoio do juiz Moro, desenvolveu a Operação Fênix. Com ela, desbaratou a quadrilha do traficante Fernandinho Beira-Mar, e suas ramificações, que atuava em quatro países da America Latina.

Justamente por mexer com investigações sigilosas — não raro envolvendo policiais com traficantes — é que os GISEs em todos os estados — e há locais, como o Paraná, que são mais de um — se instalam em prédios distantes das Superintendências. Houve época em que eles eram subordinados diretamente à Brasília, reportando-se ao delegado Getúlio Bezerra, com muito mais autonomia. Alguns deles, nem tinham a presença de delgados. Eram só agentes que davam conta do recado. Tudo isso foi esvaziado na gestão de Luis Fernando Corrêa à frente do DPF, após o fim da Operação Satiagraha. Foi uma forma de tolher investigações que pudessem vir a criar problemas políticos.

O delegado Moscardi na premiação aos delegados da Lava Jato
pela Associação de Delegados da Polícia Federal
Em Curitiba, desde janeiro de 2015, o delegado Moscardi está à frente do GISE, por desfrutar da confiança do chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), Igor Romário de Paula. Em meados do mesmo ano, ele passou a acumular a chefia da DRE.

Moscardi, como subordinado da delegada Érika Mialik Marena (chefe Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros – Delefin), presidiu em 2014 sindicâncias importantes em torno da Lava Jato, como a dos vazamentos de informações mantidas em segredo de justiça para a imprensa e a do grampo encontrado na cela de Alberto Youssef.

As dos vazamentos não se teve notícias. Na do grampo, ele concluiu que estava lá desde 2008, desativado. Meses depois foi desmentido pelo agente Dalmey Fernando Werlang, que assumiu perante o delegado Mario Henrique Fanton, ter instalado o equipamento a mando de Igor Romário, mas com a complacência do superintendente Rosalvo e do delegado Marcio Anselmo Adriano, que cuida de toda a Operação. Também a agente Maria Inês, que trabalhava com Werlang, confirmou a instalação que ela ajudara a fazer. Por fim, a perícia do DPF em Brasília, conseguiu recuperar conversas de Youssef na cela, captadas pelo aparelho que Moscardi concluiu estar desativado.

Oficialmente, Moscardi não fez parte da Força Tarefa, embora tenha atuado em algumas operações. Mas, mesmo após se saber que presidiu uma sindicância feita,aparentemente, para encobrir um possível crime, ele acabou premiado pela Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) junto com outros colegas da Lava Jato.

Questões sem respostas

A Polícia Federal, que se empenha em cobrar do ex-presidente Lula informações sobre a reforma do sítio de Atibaia e que montou a Operação Triplo X, para investigar um triplex do Guarujá, quando é questionada sobre seus atos e a forma como utiliza o dinheiro público, fecha-se em copas. Como se fosse um ente governamental à parte, sem necessidade de prestar contas ao público.

Na quarta-feira à noite, um e-mail foi enviado para o corregedor geral do DPF, Roberto Mario da Cunha Monteiro, para o superintendente do Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, o chefe da assessoria de comunicação social, Leonardo Lima, o próprio delegado Moscardi e a assessoria do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com algumas perguntas. Na quinta-feira pela manhã, ao mesmo e-mail anexamos uma das fotos postadas acima e insistimos nas questões enviadas na véspera, a saber:

1) houve a reforma do prédio?

2) Ela estava prevista no orçamento da Superintendência ou foi feita com nova doação da Justiça Federal?

3) Neste caso, qual o número do processo em que foi feita a solicitação de recursos e em que ele foi deferido?

4) Qual o valor deferido e o valor efetivamente gasto?

5) Gostaria ainda de saber qual o numero do edital da licitação e os detalhes da mesma: quantas empresas retiraram o edital? Quantas apresentaram propostas? Qual a vencedora? E com qual valor?

6) Na medida do possível, tenho interesse em saber se o projeto da reforma foi desenvolvido dentro da Superintendência, ou foi feito por alguma equipe de Brasília ou de algum outro órgão público?

7) Houve necessidade da mudança dos equipamentos, isto é, mesas, cadeiras, armários, arquivos, material de escritório ou de qualquer outro móvel necessário ao funcionamento de uma delegacia? Se sim, a compra foi por licitação?

No e-mail eu ainda questionava sobre o pagamento a estagiários que atenderam a Moscardi no GISE, em 2015, depois de encerrado o contrato com a empresa que forneceu jovens estudantes a toda a Superintendência.

Apesar de estar em férias, o que só soube no final da tarde de quinta-feira, o chefe da assessoria de comunicação social, Leonardo Lima, me respondeu na mesma noite querendo detalhes da pauta uma vez que, segundo ele, “aparentemente, há dados que não se relacionam”. Na resposta, abri mão das informações sobre o estágio e insisti nas perguntas sobre a reforma. Como nada recebi até quinta-feira à tarde, voltei a procurar a Comunicação Social, sendo atendido pelo Guilherme, que me comunicou das férias de Lima. Novo e-mail foi enviado, mas o silêncio prossegue até agora. Resta saber a quem a Polícia Federal irá explicar toda esta reforma no prédio? Pelo jeito, irão anunciar mais uma sindicância, cujo resultado nunca chegará ao público.

* Embora seja um prédio público, conhecido de muitas pessoas em Curitiba, o blog se reserva o direito de não divulgar o endereço por tratar-se de local destinado a investigações especiais.

Marcelo Auler
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O triplex de Paraty foi feito no “peitaço”. Que lei, que nada, somos os Marinho!


Desde 2007, muito antes de ser erguido o primeiro alicerce da mansão dos Marinho em Paraty, a obra afrontou problemas legais, simplesmente ignorados pela família global e sem resultados práticos que os impedissem de gozar, até hoje, de uma construção irregular, totalmente avessa à legislação ambiental e  em nome de uma empresa-laranja.

Não deixaram de gastar milhões — através de uma empresa laranja, a Agropecária Veine — numa obra suntuosa porque esperavam que as autoridades públicas, como sempre, iriam se vergar ao poder da Globo.

Corre desde 2007 o processo E-07/201.616/07 , da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, cujo exame final vem sendo sucessivamente retardado por pedidos de retirada de pauta (aqui e aqui).

Em 2009, a “Agropecuária” registrou um heliporto privado na praia. Está aqui o registro.

Neste ano, a empresa já havia sido multada em R$ 12 mil, por violar o art. 63 da Lei Estadual N º 3467, que proíbe “produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou em seus regulamentos”.

E multada também, em R$ 24 mil, por violar o artigo 64 da mesma lei, que proíbe “iniciar obras ou atividade, construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentos pertinentes”.

De quebra, mais uma multa de R$ 2,400,00, por violação do art. 80, que é procurar impedir a ação da fiscalização ambiental.

O cinismo é tanto que a “agropecuária” Marinho requereu e obteve do Inea autorização para instalar criatórios de vieiras e mariscos, com o único objetivo de estender redes que impedissem o acesso de embarcações à praia pública onde edificou seu palácio privado.

Estelionato puro.

Tanto que, no processo que se arrasta desde 2010, onde se pede a demolição da obra irregular, o juiz federal Adriano de Oliveira frança, manda  que se “retire a estrutura de cerco, aparentemente dedicada à maricultura, existente no entorno da Praia de Santa Rita; que retire todos o equipamentos privados (brinquedos) instalados sobre a areia da mesma praia; que se abstenha de criar qualquer tipo de embaraço ao acesso e permanência do público na praia de Santa Rita, sob pena de multa diária no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) no caso de descumprimento da ordem judicial.”

Tiraram? Coisa nenhuma e basta ver as fotos publicadas pelo Diário do Centro do Mundo ontem para ver que a “marisqueira fake” segue no lugar, assim como os guardas armados.

Se a Justiça funcionasse no Brasil, só desta  multa, a “Agropecuária Marinho” estaria devendo R$ 4 milhões.

Mil canoas da D. Mariza pescar lambari.

O cinismo nacional tem proporções oceânicas.

Fernando Brito
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O patético complô

As suspeitas levantadas até o momento para incriminar Lula deveriam provocar gargalhadas, não indicasse este enredo, o desastre intelectual e moral do qual se quer escapam governo e PT

Dona Marisa Letícia exorbita, não se limita a carregar para o celebérrimo (famigerado?) sítio de Atibaia um barquinho de lata no valor de 4 mil reais, mas lá criou uma horta e ergueu uma pequena estátua de Cristo, quem sabe miniatura do Redentor do Corcovado. Espantoso. E como se não bastasse, a ex-primeira-dama teve o acinte de organizar no sítio festas familiares. Comes e bebes caseiros, ponche, vale apostar. Parece incrível, está provado, contudo, pelas fotos aéreas tiradas por desassombrados perdigueiros da informação, paladinos da verdade.

Diante desse apavorante conjunto de desmandos, não poderia faltar a intervenção providencial do juiz Sérgio Moro, que há dois anos, graças ao Altíssimo, rege o destino do País. E ele convoca a Polícia Federal a se aprofundar na investigação das razões de ser da propriedade rural suspeita, a implicar a possibilidade (probabilidade? certeza?) de incriminar Lula em crime de ocultação do patrimônio. Ou coisa pior.

Raymuno Faoro recomendava: "Mino, não pratique a ironia, eles vão entender que você fala sério". Apresso-me a sublinhar: exponho uma situação risível até a gargalhada não fosse indicativa também da miséria intelctual e moral em que precipitamos. Se é golpista a tentativa de impeachment de Dilma Rousseff, é por igual pateticamente golpista a manobra urdida em várias frentes na busca frenética de motivos para incriminar Lula.

Por hora, trombeteiam-se motivações inconsistentes. Tal é, porém, a arte da calúnia, haveria de funcionar com a paciência da água mole do ditado. Pergunto aos meus entediados botões: como terminaria o mandato de Getúlio se ele não apanhasse o revólver pousado sobre o criado-mudo? No caso houve um complicador gravíssimo, o atentado contra o inquisidor Lacerda que resultou no assassínio do major Vaz. Arrisco-me a imaginar que o golpe de 1964 se daria dez anos antes, em um Brasil de 60 milhões de habitantes, e muito diferente do atual não somente por causa do crescimento populacional.

Há regiões que progrediram em todos os sentidos. O Nordeste, por exemplo, outrora dos coroneis e do voto de cabresto, hoje politizado em boa medida. Surgiram também movimentos sociais importantes e uma porção conspícua da Igreja, embora tenha perdido espaço para os evangélicos, já não se prontifica a abençoar a casa-grande. E quantos brasileiros, efetivamente, são alcançados pela campanha anti-Lula? Não chega aos que vivem no limbo, e são dezenas de milhões, e aos que enxergam Lula o melhor presidente da República pós-ditadura, e não se enganam.

A conspiração fermenta debaixo dos nossos olhos, capaz até de desprezar a contribuição dos profissionais da política para conluiar a mídia, verdadeiro partido de oposição, alas da PF e do MP, um ou outro ministro do Supremo (não é preciso declinar nomes) e líderes empresariais de um país que até hoje basicamente exporta commodities. E quem comove e exalta? Leitores de jornalões e revistões, ouvintes e assistentes dos penosos torquemadas da tevê e do rádio. Não se trata da maioria do povo brasileiro.

O que espanta de verdade, e tolhe a gargalhada que de outra forma mereceria saudar o esforço de quem até o momento furou a água, é a inércia governista e o pífio comportamento do PT, o partido que no poder portou-se como os demais. O ministro da Justiça imerge-se no vácuo de Torricelli, enquanto Rui Falcão constata algo que define como o "linchamento" do seu líder, quando apenas lhe cabe demolir um castelo de areia. Faltam picardia e senso do ridículo, chiste e graça. Sobrou o lugar-comum, quase a confissão da impotência, sem falar da apatia de um governo que se deixa acuar. Não são bons sinais, revelam a falta de rumo em um Brasil à deriva. A conspirata se dá antes de mais nada contra o próprio País e são poucos os que escapam à derrocada geral.

A conclusão é inescapável, estamos muito loge da maturidade de uma nação habilitada à democracia. De fato, inexistem na prática os poderes ensinados por Montesquieu, enquanto a crise grassa e fatias da população, beneficiadas pela política social de Lula, descem os degraus galgados nos últimos anos. Outra conclusão se impõe: se as acusações contra o ex-presidente não passarem das aduzidas até agora, Lula sairá desta refrega extremamente fortaleciso. Se quiser, candidato imbatível em 2018.

Mino Carta
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Tucanos são famintos por merenda escolar — Parte 12

O merendão se aproxima do primeiro escalão de Alckmin

Mais integrantes de gabinetes próximos ao do governador de São Paulo são citados no esquema de desvios da alimentação escolar

Voorwald e Jardim (à direita) se unvem a Aparecido e Nogueira. O escândalo se aproxima de Alckmin
Em 2009, lei aprovada pelo governo federal estabelecia que 30% dos recursos encaminhados aos estados e aos municípios para merenda escolar deveriam ser adquiridos diretamente da agricultura familiar, priorizando os assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas.

O objetivo claro do artigo 14 da Lei nº 11.947/09 era fazer com que os quase 3,6 bilhões de reais repassados anualmente, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, oferecessem merenda saudável aos alunos da rede pública e ao mesmo tempo investissem no pequeno agricultor.

Para facilitar a aquisição dos produtos, determinou-se não ser necessária a licitação e que as compras se fizessem conforme uma modalidade conhecida como chamamento público. O estado ou a prefeitura encarregada de realizar o contrato poderia analisar os preços de diversas cooperativas de agricultores e adquirir pelo menor. No mundo ideal, a legislação aceleraria o processo e ampliaria os negócios entre a administração pública e as cooperativas familiares.

No submundo da política em São Paulo, outro é o sistema. Lobistas, políticos, secretários de estado e até quem deveria zelar pelos interesses dos agricultores, os dirigentes de cooperativas, tornaram-no uma seara de corrupção e desvios de dinheiro.

Com uso de documentos falsos, fraudes em licitações, informações privilegiadas, a quadrilha fez o que bem entendeu com ajuda dos últimos escalões do governo paulista.

Detalhe: os pequenos agricultores não ganhavam com o esquema. Os representantes da cooperativa Coaf, sediada em Bebedouro, no interior de São Paulo, compravam o suco de laranja no mercado aberto e superfaturavam nos contratos com a administração pública.

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CartaCapital teve acesso a novos documentos da investigação e a todas as interceptações telefônicas para averiguar que a teia de relações dos investigados com políticos ligados ao governo do estado e à cúpula do PMDB é maior do que se poderia imaginar.

As escutas mostram inclusive que a investigação teria vazado de dentro da área de inteligência da Polícia Civil e da Segurança Pública do governo, alertando os envolvidos da existência dos grampos.

Os nomes de secretários de Alckmin citados nas investigações aumentaram desde que a Operação Alba Branca foi deflagrada no fim do ano passado. Até aquele momento, já haviam sido citados Edson Aparecido, chefe da Casa Civil, e Duarte Nogueira, secretário de Logística e Transportes. Agora, verifica-se que a lista de investigados inclui também o ex-secretário de Educação Herman Voorwald e o atual secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim. 

Nas interceptações, os merendeiros afirmam que um membro do PMDB, de nome “Michel”, teria relações próximas com um integrante da executiva estadual do partido e poderia ajudar a abrir novas portas para a cooperativa em outras localidades.

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O Michel citado seria Temer?
Foto: Antonio Cruz/ABr
De acordo com o depoimento dos investigados, para que a entidade levasse os contratos em São Paulo e nas prefeituras era necessário um comissionamento de 10% a 20% para agentes públicos.

Entre os beneficiados estariam também o tucano Fernando Capez, presidente da Assembleia Legislativa, Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB), ambos deputados federais, e Luiz Carlos Gondim (SD), deputado estadual. Todos já negaram as acusações.

Para entender o funcionamento dessa rede de relações, é preciso citar um personagem-chave. Quem fazia a intermediação dos contratos com o estado e com a camarilha política era Marcel Ferreira Júlio, filho do ex-deputado Leonel Júlio, cassado em 1976 por envolvimento no “escândalo das calcinhas”. O parlamentar perdeu o mandato por comprar roupas íntimas femininas com dinheiro público.

Dentro do governo estadual, o principal contato de Ferreira Júlio era “Moita”, chefe de gabinete de Edson Aparecido até um dia antes da deflagração da operação. Ficava a cargo dele a avaliação dos contratos e seu andamento na máquina paulista.

Em uma das ligações interceptadas, Ferreira Júlio conversa com “Moita” sobre a demissão do secretário de Educação, em 4 de dezembro do ano passado, durante o protesto e ocupação das escolas contra o fechamento de unidades de ensino em São Paulo.

Moita manifesta preocupação a respeito de um aditivo no contrato de fornecimento de suco de laranja às escolas. O chefe de gabinete sugere a Ferreira Júlio protocolar a documentação com rapidez porque a notícia da demissão já está na internet. Segundo Moita, seria Voorwald quem “estaria à frente”, e com sua demissão seria necessário correr com a tramitação da papelada.

Rossi
Baleira Rossi teria revelado a existência dos grampos para os investigados
Foto: Gustavo Lima
“Então, ele é o cara que tava na frente com isso, eu nem sei se continua, então protocola logo”, afirma Moita. Em outra ligação entre o lobista e César Augusto Bertholino, um funcionário da cooperativa, eles também conversam sobre a saída de Voorwald.

Marcel diz que está dentro do Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador. “Tudo, eu tô no Palácio. O Herman caiu, secretário tá. O Geraldo mandou ele embora. Por isso ele me chamou aqui, tá indicando outro. O nosso amigo aqui tá por enquanto lá.” A investigação aponta que o “nosso amigo” seria Fernando Padula, então chefe de gabinete.

As tramoias envolvendo o roubo da merenda não eram o único objetivo da quadrilha. A Secretaria de Agricultura era de livre trânsito de Ferreira Júlio. Os investigados manifestavam interesse em passar a vender suco também para o sistema de cestas básicas distribuídas pelo estado a famílias carentes.

Em outro diálogo entre o lobista e Bertholino, Marcel fala de “estarem com o secretário de Agricultura”, Arnaldo Jardim, para colocar suco da cooperativa na cesta básica. “Dois milhões de cestas por mês, já pensou?”

As escutas mostram que Marcel tinha trânsito na pasta. Em uma das gravações diz que está chegando à secretaria para falar com “Douglas”, nome desconhecido dos investigadores. No dia 21 de dezembro de 2015, os dois falam de uma discussão dentro da secretaria. Ferreira Júlio diz que foi chamado lá e vai levar “fumo de todo lado para ficar quieto”. 

A rede de relações entre tucanos e peemedebistas, sem excluir integrantes de outros partidos, também tem destaque nas investigações. O lobista e outro funcionário da cooperativa agora conversam a respeito de um integrante da executiva do PMDB de nome Alex, encarregado de “abrir novas portas” em outros municípios. Marcel diz que Alex é muito ligado a “Michel” e vai “abrir muita coisa pra nós”.  

Durante um evento na Secretaria de Desenvolvimento, Ferreira Júlio fala de um encontro com “Baleia”, segundo as investigações, o deputado federal Baleia Rossi (PMDB), presidente estadual da legenda. Também estaria presente o integrante da executiva do partido, Alex.

No diálogo com Bertholino, eles afirmam que “Michel” não estava no local, mas a filha dele, “que é secretária” estaria. O vice-presidente Michel Temer é pai de Luciana Temer, secretária de Assistência Social da prefeitura de São Paulo.  Investigadores esclarecem não ser possível saber se o “Michel” citado nos diálogos é o vice-presidente da República, admitem, no entanto, que novas apurações precisam ser realizadas.

Capez
O MP pediu a quebra de sigilo de Capez
Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo
A proximidade de Ferreira Júlio e de integrantes da cooperativa Coaf com autoridades de São Paulo revela que as investigações foram vazadas para os merendeiros. O inquérito revela que Cássio Chebabi, ex-presidente da cooperativa, teria sido alertado pelo deputado federal Baleia Rossi de que haveria uma investigação em andamento contra ele.

Os investigadores relatam que Chebabi foi o único não grampeado em razão do vazamento da informação. Em um dos depoimentos, um ex-funcionário da Coaf afirma ter ouvido de Chebabi que Baleia Rossi levou propina de contratos em Ribeirão Preto e Campinas.

A aproximação dos merendeiros dentro dos órgãos de investigação ia além. Em um dos grampos, Ferreira Júlio diz que eles têm “relações na Polícia” enquanto, segundo Bertholino, o lobista tem contatos na Segurança.

“Ele consegue levantá tudo. Da onde é, o que é da inteligência. É o do secretário de como é que fala? Do estado né, da segurança, da inteligência.” Um funcionário da Coaf responde: “Ah não, então beleza. Então a gente vai saber o que tá acontecendo”.

 A assessoria de imprensa da Vice-Presidência informou que “Michel Temer não permite a utilização de seu nome para fins ilícitos. O único ‘Alex’ conhecido pelo vice é integrante da Executiva do PMDB da capital, com quem tem apenas relação política formal, sem nenhuma proximidade ou intimidade”.

Uma nota do deputado Baleia Rossi sustenta: “Repudio com veemência o conteúdo dos depoimentos que citaram meu nome, inclusive são pessoas com quem não tenho qualquer relação. As afirmações contidas são inteiramente falsas, absurdas e sem qualquer fundamento. Tão fantasiosas que até o denunciante afirma que não houve entrega de nenhum recurso”.

A Secretaria de Agricultura disse que Arnaldo Jardim “não tem relação com o lobista Ferreira Júlio e que não foi identificado nenhum funcionário da pasta que tenha responsabilidade neste setor ou proximidade com o gabinete de nome Douglas”. O PSDB de São Paulo e a Secretaria de Educação informaram que não tinham os contatos do ex-secretário Herman Voorwald.

Com relação ao andamento dos inquéritos, como os políticos têm prerrogativa de foro, a investigação foi desmembrada para a Procuradoria-Geral de Justiça e da República. Resta saber até onde os órgãos estão interessados em devassar o labirinto do Merendão paulista.

Henrique Beirangê
No CartaCapital
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