7 de fev de 2016

As varejeiras, os vermes e a massa putrificada

Nos anos 60 um velho amigo professor de história com nome de atleta, Ademar Ferreira, tinha um projeto pedagógico para aulas de história. Já então percebia que o currículo da matéria, tal como aplicado, só serve para desestimular o aprendizado da matéria pelo aluno.

Quantos alunos já não injuriaram Tiradentes pela nota baixa por na prova terem confundido a data do seu enforcamento com a do Grito do Ipiranga? E os professores sádicos que descompõem um aluno mal quisto por algum preconceito apenas por responder que o Brasil foi descoberto em 21 de abril, sendo que o Monte Pascoal só foi avistado em 22? Qual a importância para o futuro da vida do garoto se a República foi proclamada em 1888 ou 1889? Algum professor ao menos explica que o segundo evento se deu por golpe da elite escravocrata insatisfeita com a Lei Áurea?

Se houvesse essa explicação provavelmente aqueles futuros adultos não teriam se tornado integrantes dessa sociedade vergonhosamente racista que indignou um turista alemão ao ser informado sobre o espancamento até a morte de um pacífico emigrado do Haiti. Pacífico e considerado por seu patrão como muito trabalhador e honesto, como é comum acontecer com todos os que contratam os trabalhos de haitianos que no Brasil buscam melhores condições de sobrevivência do que as se oferecem naquele país onde esteve Cristóvão Colombo em 1492 e menos de um século depois os colonizadores espanhóis já haviam exterminado toda a população nativa.

O turista alemão não tem a menor ideia de que em 1794 uma revolta de escravos fez do Haiti o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Tampouco que naquele mesmo ano os franceses dominaram aquela parte da Ilha Espanhola e em 1801 assassinaram o governador geral que eles mesmos haviam colocado para conter a crescente insatisfação da população sequestrada da África pelos primeiros colonizadores. E o rapaz também não sabe que em consequência daquele crime a indignação dos haitianos recrudesceu e três anos depois, em 1804, o Haiti se tornou o segundo país independente das Américas.

O alemão ignora que em represália a Europa e Estados Unidos impuseram bloqueio comercial ao Haiti por 60 anos, obrigando o país a pagar indenização por sua independência. Brasil e Haiti foram os únicos países das Américas a indenizarem seus colonizadores por terem se negado a continuar submetidos à espoliação de seus potenciais naturais e do esforço de seus povos, com a diferença de que os caribenhos só o fizeram por terem sido coagidos.

E assim se deu origem da miséria haitiana alimentada por golpes de estado contra 16 dos 20 presidentes da história do país, depostos ou assassinados. Mas o alemão também não sabe que entre 1915 e 1934 o Haiti foi ocupado pelo exército estadunidense com o assumido e declarado objetivo de proteger exclusivos interesses do próprio Estados Unidos. Ou que em 1957 os EUA tenha imposto aos haitianos uma das mais longas e sanguinárias ditaduras de toda a história, a de François Duvalier, o mundialmente famigerado Papa Doc. Tampouco que a população haitiana foi mantida sob o terror imposto pelos tonton-macoute, a polícia do tirano apoiado pelos EUA, até 1986 quando o filho e sucessor hereditário do ditador, falecido em 1971, simplesmente abandonou o país carregando malas com milhões de dólares levados para a França.

Aquele jovem alemão deve ignorar inclusive os fatos mais recentes sobre o Haiti, como o retorno de Baby Doc à Porto Príncipe em 2011, após o terremoto, alegando que pretendia ajudar seu povo entre o qual durante seu governo e o do pai se aferiu o maior índice de analfabetos do mundo. Em 2013 Baby Doc foi julgado e em 2014 condenado por crimes contra a humanidade, mas morreu naquele mesmo em decorrência de um ataque cardíaco, deixando como viúva milionária a mulher com que se casou em 1980 numa comemoração que custou aos cofres públicos do país mais miserável do hemisfério ocidental a quantia de US$ 5 Milhões.

Provavelmente o alemão ignore que com a realização da primeira eleição democrática do Haiti em 1991, foi empossado à presidência o padre salesiano Jean-Bertrand Aristide ligado à Teologia da Libertação. Deposto naquele mesmo ano por acusações nunca comprovadas formuladas pela AT&T, empresa estadunidense de telefonia, Aristide exilou-se no próprio Estados Unidos tentando convencer ao governo daquela maior potência econômica global a dar uma chance ao mais pobre país das Américas. Cedendo às exigências norte-americanas finalmente Aristides conseguiu o apoio de seus algozes, incomodados pelo grande número de haitianos que emigravam para os EUA, inclusive em quantidades muito maiores e condições tão precárias quanto as tão exploradas e difundidas ocorrências com cubanos. No caso dos haitianos, apesar das centenas de mortes no oceano, os fatos foram omitidos, mas a realidade obrigou aos EUA o envio de uma força de paz para controlar o desespero da população.

O desembarque das tropas dos EUA foi impedido pela população haitiana, mas novas eleições reconduziram Aristide à presidência em 2001. Em 2004 os tonton-macoute, o ISIL do Haiti, tomaram o norte do país e ameaçaram invadir a capital Porto Príncipe onde se preparava a resistência pró-Aristide que, no entanto, foi retirado do país contra sua vontade pelas forças estadunidenses. Exilado na África do Sul ainda hoje, por não ter renunciado e sim ter sido sequestrado de seu país, Jean-Bertrand Aristide se afirma legítimo presidente do Haiti .

Nessa última intervenção norte-americana enfim a ONU também interveio designando uma força de paz para controlar o país. A força de paz da ONU não é comandada pelos EUA, mas pelo Exército Brasileiro. Daí o motivo dos haitianos se sentirem atraídos para cá em busca de trabalho.

Talvez a única informação que o turista alemão realmente tenha sobre os haitianos é a de que em 2010 perderam o pouco do que Europa e Estados Unidos não destruíram de suas vidas para um terremoto. O pouco que restou do criminoso e genocida saqueio de 5 séculos foi derrubado por um terrível terremoto que atingiu o pico da escala Richter.

No entanto, por mais que aquele rapaz alemão soubesse do Haiti nada diminuiria minha vergonha e constrangimento quando pediu para lhe explicar a razão de alguns jovens da tão europeia Santa Catarina terem espancado um trabalhador haitiano até a morte. Sobretudo porque em sua indignação se evidenciava ter pleno conhecimento do que muitos brasileiros ainda não sabem: independente de procedências e matizes de epiderme as pessoas, os cidadãos, não são meras efemérides. Uma nação não é uma somatória de datas.

Aquele jovem alemão sabe que uma nação e seus nacionais, seus cidadãos, resultam da história de vida de cada um que tenha contribuído para sua evolução social, natural ou proveniente de onde quer que seja.

Isso aquele jovem alemão sabe com toda e tanta clareza que não podia entender como que em um país, que até então acreditou moderno e civilizado, se espanca um ser humano até a morte.

Como explicar o inexplicável até mesmo para alguém procedente de um país onde ainda há menos de um século se praticou a mesma barbárie contra cidadãos que seguiam outra crença religiosa? Nem tentei a comparação porque totalmente atônito o rapaz afirmava ter imaginado que europeus fossem mais racistas do que brasileiros.

O que dizer? Que hoje há mais nazistas no Brasil do que houve na Alemanha dos anos 40?

O que dizer? Que na verdade, afora os indígenas, todos brasileiros provem da miséria e guerras de países como Portugal, Espanha, Itália, Polônia, Japão, Síria, Ucrânia, Armênia, Líbano, etc.? E até mesmo de sua Alemanha?

Para que não imaginasse que em maioria sejamos tão bárbaros quanto os assassinos do trabalhador haitiano, apenas me ocorreu informá-lo sobre o aferido no último censo realizado no país que nos indica como uma população com ampla maioria de afrodescendentes, seguida de várias minorias: indígenas, asiáticos, árabes e uma significativa parcela daqueles que durante vários séculos fugiram da miséria da Europa e aqui encontraram um país construído pela mão de obra escrava dos africanos e seus descendentes. Não foi essa a intenção, mas deixei o alemão ainda mais confuso e atônito.

Confesso que eu mesmo me sinto confuso e atônito com este Brasil de nossos dias, mas pela chamada rede social recentemente recebo um comentário que pode explicar exatamente o que acontece com nossa gente para descermos a tal nível de barbarismo e inconsciência social. O comentário é um desses tantos improcedentes especialistas criados aos borbotões pela mídia brasileira transformada em criadouro da verminose que tem corroído tantos cérebros incapazes de produzir raciocínios minimamente coerentes e completos.

Resolvi dissecar estes cérebros em tentativa de entendê-los e o que empiricamente observo é que quando o verme é introduzido a vítima experimenta um espasmo que entende como insight, mas é uma percepção estimulada que a faz acreditar como reação pessoal, própria.

Da secreção provocada por esse espasmo é que o verme colherá seu primeiro alimento enquanto se introduz pela massa cerebral inerme, aquecendo-se e inchando nos coágulos obstrutores da circulação de neurônios. O cérebro morto e intumescido já não se suporta e se alivia transferindo o berne à outros cérebros esclerosados que encontre e o ciclo se reproduz.

Depois do desovar da bicheira à outro, o cérebro vetorial estará predisposto a receber nova larva a ser inseminada pela profusão de especialistas de fancaria criados e mantidos pelas dezenas, talvez centenas de focos da praga. E dos jornais, revistas e programas de TV se difundem também pela internet e outros tantos meios de comunicação que encasulam parte da população do país envolvendo-a com filamentosas e permanentes secreções diárias, cotidianas.

Como varejeiras esses “especialistas” esvoaçam por qualquer assunto e seus vermes são repassados a qualquer pretexto. Não imagino qual tenha o utilizado para a postagem, mas me possibilitou a oportunidade de observar a ação de um desses insetos em pleno voo, ao comentar as propostas do Ministério da Educação para o ensino de história, de certa forma coincidentes com os projetos revelados pelo Ademar Ferreira, lá na década de 60.

O argumento de Ademar Ferreira era plausível porque partia de sua observação do natural comportamento de crianças e adolescentes em sala de aula, enfarados com informações sobre acontecimentos de séculos atrás sem nenhuma aparente relação com o que vivem no momento, com os fatos que cotidianamente experimentam e os comove, pelos quais são inadvertidamente ou conscientemente afetados.

Não apenas crianças e adolescentes, mas ao próprio alemão já na maturidade de sua juventude, seria estupidez explicar-lhe o linchamento do haitiano em Santa Catarina a partir do golpe à Dom Pedro II ou à estada de Colombo naquela parte ocidental da Ilha Espanhola a que os franceses chamaram de “Perola do Caribe”. Antes da metade do relato o alemão deduziria que a pretensa explicação sobre a barbárie brasileira não seria mais nada do que mera enrolação para escapar de assunto constrangedor. E é exatamente isso o que faz as crianças e adolescentes dos bancos escolares desconfiarem das aulas de história, tornando-os infensos à matéria.

Pois não é o que deduz o pretenso “especialista” celebrizado pela mídia como historiador com o nome de Marco Antônio Villa. Segundo ele o que MEC pretende é promover uma segunda Revolução Cultural ainda mais radical do que a realizada por Mao Tse Tung na China na década de 60. São palavras textuais do dito historiador que para garantir a introdução do verme depositado, aprofunda-o um pouco mais em massas putrefatas afirmando que nem a União Soviética tivera coragem para uma mudança tão drástica na base curricular.

Pronto! Somente com este parágrafo a varejeira já obteve o relaxamento das fibras da massa encefálica de seus leitores onde depositará suas larvas, apesar de tencionar a de qualquer outro cérebro em atividade normal e minimamente atualizado sobre o sistema nacional de ensino, ciente de que desde que criado nos anos 30, no início do governo Getúlio Vargas, as bases curriculares dos níveis fundamental a médio são aferições e resoluções didáticas de Secretarias Estaduais e Municipais assistidas pelos Conselhos Estaduais de Educação, criados em 1961.

Justamente esse desconhecimento do “especialista” é o que chama a atenção para o voo da mosca verde, sugerindo o acompanhamento da evolução da larva que chega a comparar as propostas do MEC com a Revolução Cultural Chinesa por propor a análise da "pluralidade de concepções históricas e cosmológicas de povos africanos, europeus e indígenas relacionados a memórias, mitologias, tradições orais e a outras formas de conhecimento e de transmissão de conhecimento.", das “relações entre esses movimentos e as trajetórias históricas dessas populações, do século XIX ao século XXI”.

Todo o destacado em negrito foi retirado do indignado texto do “especialista” que leva o título de “A REVOLUÇÃO CULTURAL DO PT”, onde comenta as propostas curriculares do MEC para o primeiro ano do ensino médio, como “sanha anticivilizatória”. Portanto se entenda e não se confunda: no parecer de Marco Villa o acima destacado é anticivilizatório.

E segue deduzindo que por não prever aos garotos e garotas de 11 ou 12 anos informações sobre a Idade Média, se denota que o MEC, o governo e o PT “odeiam também a História Medieval... a expansão do cristianismo e seus reflexos na cultura ocidental, o mundo islâmico, as Cruzadas, as transformações econômico-políticas, especialmente a partir do século XI. O Renascimento — em todas as suas variações — simplesmente ignorado. Parece mentira, mas, infelizmente, não é. Mas tem mais: a Revolução Industrial não é citada uma vez sequer, assim como a Revolução Francesa ou as revoluções inglesas do século XVII.”

Embora os pais desses garotos não tenham a menor lembrança de terem estudado algo a respeito desses assuntos históricos tão caros ao Villa no primeiro ou em qualquer outro do ensino médio, não dormirão de tão preocupados com a impossibilidade de seus filhos sobreviverem civilizadamente sem tais informações. Mas o “especialista” prossegue em seu arrazoado lamentando que pelo ”apagamento da História, ao estilo Ministério da Verdade de "1984," não perdoou a história dos Estados Unidos”

Sequer a história dos Estados Unidos! Como é que o MEC pretende que os filhos de brasileiros sejam brasileiros se não se prevê o ensino da história dos Estados Unidos?

O que faz ao invés disso? Responde o “especialista” indignado pela pretensão do MEC em: “valorizar e promover o respeito às culturas africanas, afro-americanas (povos negros das Américas Central e do Sul) e afro-brasileiras, percebendo os diferentes sentidos, significados e representações de ser africano e ser afrobrasileiro.”

E não para por aí! Marco Villa denuncia o evidente panfletarismo escancarado quando pretende "problematizar as juventudes, discutindo massificação cultural, consumo e pertencimentos em diversos espaços no Brasil e nos mundos europeus e asiáticos nos séculos XX e XXI. Ou quando propõe "relacionar as sociedades civis e os movimentos sociais aos processos de participação política nos mundos europeus e asiáticos, nos séculos XX e XXI, comparando-os com o Brasil contemporâneo."

Sem papas na língua o intrépido “especialista” denuncia o nome do criminoso autor deste projeto apresentado em “documento recheado de equívocos, exemplos estapafúrdios, de panfletarismo barato, de desconhecimento da História.”: Ninguém menos do que o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro.

Quem é Renato Janine Ribeiro perto de Marcos Villa, um especialista da mídia brasileira?

Recorremos ao verbete no Wikipédia, aqui em substancial resumo:

Renato Janine é um filósofo brasileiro conhecido sobretudo por seus trabalhos sobre o pensador inglês Thomas Hobbes, acerca da cultura política nas “sociedades ocidentais dissidentes” (entre as quais inclui o Brasil e a América Latina). Desde 1993, é professor titular de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH), onde começou a lecionar em 1975, tendo-se afastado do exercício deste cargo em 2004 para assumir a Diretoria de Avaliação da Capes.

Concluiu o curso universitário de filosofia na USP. Fez mestrado na Universidade de Paris I (Sorbonne), em 1973, sob orientação de Pierre Burgeline. De volta ao Brasil, concluiu o seu doutorado pela USP, sob orientação de Luiz Roberto Salinas Fortes.

Participa da política científica brasileira, tendo sido membro da Diretoria e do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), do Conselho Deliberativo do CNPq. Concorreu em 2003 à presidência da SBPC, na única eleição da entidade em que três candidatos disputaram esse cargo, perdendo por um por cento dos votos.

E o que é Marco Villa? Também recorremos a mesma Wikipédia, eliminando apenas quatro ou cinco parágrafos por onde se reproduzem suas opiniões pessoais sobre o PT que suprimimos por não vir ao caso do que aqui se aborda, embora denotem o tipo de especialidade imprescindível para alguém ser promovido a especialista de alguma coisa pela mídia brasileira.

Marco Antonio Villa (São José do Rio Preto, 25 de maio de 1955) é um historiador brasileiro, mestre em Sociologia e doutor em História Social pela USP (1993). Professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos, atualmente publica comentários e análises em seu blog, chamado "Blog do Marco Antonio Villa". Faz parte da bancada do Jornal da Manhã, na Rádio Jovem Pan. Participa semanalmente da segunda edição do Jornal da Cultura, apresentado por Willian Corrêa, integrando a bancada como comentarista, ao lado do ex-deputado Airton Soares.

Aparentemente a “especialidade” de Marco Villa não seria suficiente para explicar ao turista alemão o motivo do assassinato do trabalhador haitiano em Santa Catarina, mas para cérebros em plena atividade a relação é evidente e bastante esclarecedora. E se torna mais notável através da insuficiência cerebral de quem a postou, tratando-se de alguém que para convencer-se como professor de lógica reproduz parágrafos inteiros dos mais conhecidos pensadores, como Friedrich Nietzsche, tentando se passar como autor do que copiou, embora também demonstre desconhecer as muito típicas e afamadas contradições do filósofo.

O estado de putrefação cerebral ideal para a ovulação da varejeira se realça tanto por vaidosamente assumir esconder-se atrás de uma coleção de pseudônimos quanto por sentir-se invejado pelo que considera como “comunistas brasileiros”, por ser proprietário de imóvel em uma praia de Manhattan.

O estertor cerebral convulsiona-se a cada postagem, sempre que estimulado pela deposição de larvas de uma varejeira, e apesar de escrever em português escorreito e demonstrar-se atualizado às mínimas bobagens publicadas na mídia brasileira, tenta afirmar-se como cidadão estadunidense chegando a se descrever orgulhosamente como loiro de olhos azuis.

Ao jovem alemão, realmente loiro, tais demonstrações pareceriam sumamente ridículas, mas salvo se for um adolescente, aos brasileiros se confirmam doentias. No entanto a explicação sobre a relação entre essa frustração existencial e o linchamento do haitiano até a morte só pode ser encontrada num Marco Antonio Villa e demais varejeiras especialistas que esvoaçam e zunem pela mídia do país.

Felizmente os veículos de comunicação e a própria internet ainda não conseguem transmitir o mau cheiro, mas as varejeiras da mídia independem do odor de putrefação para descobrir onde depositar seus ovos.

Raul Longo
(com a colaboração escatológica de Marco Antonio Villa)
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Alckmin, Serra e a implosão do PSDB

Bem que a mídia oposicionista tentou difundir a imagem de um ninho de paz e harmonia, com todos os tucanos unidos e felizes em torno de objetivos comuns: "sangrar" Dilma, "matar" Lula, "extinguir" o PT e paralisar o Brasil. Mas a farsa não durou muito tempo. Foi só a bandeira do impeachment cair em desuso — com a desmoralização do fiel aliado Eduardo Cunha, a retração das marchas golpistas e a resposta enérgica dos movimentos sociais nas ruas contra o golpismo — para o PSDB confirmar a sua fama de um partido rachado, sem rumo e sem projeto. Uma matéria de Mônica Bergamo, na Folha de quinta-feira (4), evidencia a gravidade da crise tucana, que pode até resultar na implosão da sigla.

FHC aconselha Alckmin a 'pegar leve' em disputa interna do PSDB em SP

Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) tentou convencer recentemente o governador de SP, Geraldo Alckmin, a "pegar leve" na disputa interna do PSDB para definir o candidato do partido a prefeito da capital. 

FHC afirmou a Alckmin que seria importante não radicalizar a disputa, para não rachar o partido. Argumentou que é importante a legenda estar unida para apoiar a candidatura de um paulista à Presidência da República em 2018 — Alckmin está no páreo

Os apelos não surtiram nenhum efeito: dias depois, Alckmin entrou de vez na campanha de João Dória Jr., que disputa as prévias municipais no dia 28. A missão dele é derrotar Andrea Matarazzo, candidato de FHC e especialmente de José Serra. 

Segundo interlocutores de Alckmin, ele está "enfurecido" com FHC e Serra, por entender que seria dele, governador, a primazia de escolher o candidato a prefeito. Entende que os outros tucanos querem isolá-lo. Publicamente, os três seguem se dando às mil maravilhas.

Informações e análises que chegaram ao Palácio dos Bandeirantes indicando que Serra pode ter participado da articulação que resultou na entrada de Marta Suplicy no PMDB e no lançamento dela como candidata ajudaram a azedar o clima. 

Segundo essa abordagem, José Serra teria interesse no movimento da ex-prefeita para ter alternativa caso Andrea Matarazzo não vingue como candidato. A engenharia serviria às ambições de Serra de concorrer à Presidência. Ele amarraria desde já o apoio, em São Paulo, do PSD de Gilberto Kassab e do PMDB de Marta Suplicy.

O grupo de Alckmin prepara contra-ataque em caso de derrota de Dória: atrair Celso Russomanno para o PSB. A legenda, aliada do governador, lançaria o apresentador candidato a prefeito e não apoiaria Matarazzo caso ele vença as prévias. Já há conversas com o PRB, atual partido de Russomanno.


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Já neste domingo (7), o jornalista Elio Gaspari, que adora os porões e os bastidores, jogou mais lenha na fogueira de intrigas do PSDB. "O governador Geraldo Alckmin está fritando seus adversários no PSDB paulista num forno de micro-ondas, sem barulho. Para o bem e para o mal, a frieza de Alckmin entrará para a história da política nacional. Ele se tornou o brasileiro que, pelo voto, por mais tempo ocupou o governo de São Paulo, mas faz de conta que chegou ontem de Pindamonhangaba".

Outra notinha apimentada foi publicada na revista Época, da famiglia Marinho, na quarta-feira (3):

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A menos de um mês do primeiro turno das prévias do PSDB, que escolherá o candidato da legenda para disputar a prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin se aproxima ainda mais do empresário João Dória. Na terça-feira, esteve com ele num posto de gasolina numa região movimentada da capital paulista. Quando Dória fez o gesto de pagar o café de alguns militantes que os acompanhavam, Alckmin afirmou: 'Deixem o João pagar hoje porque depois ele vai ser candidato e não pode pagar mais nada'. Dória também costuma se gabar por conversar com Alckmin com uma frequência maior que seus adversários. 

Os concorrentes de Dória na prévia — o vereador Andrea Matarazzo e o deputado federal Ricardo Tripoli — não gostam da aproximação de Alckmin com Dória por acharem que o governador deixa a neutralidade de lado e divide o partido com essa postura. No começo da semana, no entanto, o senador José Serra gravou um vídeo em que pede votos da militância tucana a Matarazzo. Tripoli, por sua vez, encontra apoio no presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, e no deputado federal Bruno Covas.

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Inúmeros analistas políticos afirmam que o PSDB está próximo da implosão. Há especulações sobre a saída do governador Geraldo Alckmin, que se travestiria de "socialista" para se filiar no PSB, e até de José Serra, o eterno candidato, que mantém sólidas pontes com o PMDB. Além das sangrentas bicadas em solo paulista, ambos estariam incomodados com o domínio imposto pelo mineiro Aécio Neves no comando da legenda. 

Os mais maldosos até desconfiam das recentes denúncias de corrupção contra o governador de São Paulo, o amigo dos ladrões da merenda escolar, e contra o santo de Minas Gerais — o do terço de Furnas. Eles se recordam dos destrutivos dossiês tucanos. Até o momento, José Serra acompanha a briga no ninho — ou no lamaçal — à distância.

Altamiro Borges
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5 Broken Cameras — 5 Câmeras Quebradas



Para legendas em português, clicar no botão no canto inferior direito do vídeo.

5 Broken Cameras, o primeiro documentário palestino nomeado para um Oscar, dá uma esmagadora representação da injustiça e da brutalidade em grande escala contra os residentes de uma aldeia chamada Bilin na Cisjordânia. Os colonos israelitas exultam de poder quando se mudam para os novos apartamentos nos cumes vizinhos a Bilin, colonatos em terras roubadas aos camponeses de Bilin. Não só os habitantes de Bilin são cruelmente atacados e oprimidos, como até mesmo as oliveiras que lhes restam são queimadas por colonos insolentes ou arrancadas pelo exército usando máquinas de construção blindadas.

Com início em 2005 e filmando ao longo de um período de cinco anos com uma sucessão de cinco máquinas de filmar danificadas uma após outra por soldados ou colonos israelitas, Emad Burnat, um camponês tornado cineasta amador, documentou os protestos contra os confiscos de terras pelo governo israelita e a construção do muro que ocupa as suas terras cultivadas e os irá separar delas. Apesar do grande risco pessoal, ele continuou a filmar com um sentimento de obrigação moral para com o seu povo e o desejo de alertar o mundo sobre a luta para salvar a sua terra. Em 2009, Burnat conseguiu o auxílio do ativista e realizador israelita Guy Davidi para o ajudar a fazer o filme.

O filme ganhou muitos prêmios mundiais, na Europa e nos EUA e no Festival de Cinema de Sundance. Que este documentário não tenha ganho um Oscar não é surpreendente num clima em que foi o filme de características reacionárias Argo que recebeu o prêmio de melhor filme do ano. Apesar de ter um convite oficial para assistir à cerimônia dos Prêmios da Academia, quando Emad Burnat, a esposa e o filho mais novo Gibreel chegaram a Los Angeles, foram detidos e quase deportados pelos agentes norte-americanos de imigração antes de o realizador Michael Moore ter intervindo e chamado os advogados da Academia.

O filme é contado em cinco episódios, cada um correspondendo à vida de uma máquinas de filmar. O crescimento ao longo de cinco anos do seu recém-nascido filho Gibreel é justaposto à luta da aldeia liderada pelos dois melhores amigos de Emad. Ambos são decididos e todos são corajosos. Gradualmente, começamos a compreender o complexo pensamento de muitos dos residentes da aldeia à medida que eles evoluem através desta experiência. Conseguimos conhecer vários deles bastante bem. Este filme não é apenas uma coleção de filmagens; tem um poderoso ritmo dramático e uma evolução dos personagens.

Um dos aldeãos, Phil, um homem alto afetuosamente chamado de elefante pelas crianças, usa o humor para manter a moral e a unidade dos aldeãos que resistem face a humilhações, gás lacrimogêneo, balas de borracha e balas reais. Ele salienta frequentemente que estes protestos específicos são não violentos e apelam aos soldados israelitas na base da humanidade deles. «Somos todos primos», diz-lhes ele.

Apesar disso, os soldados executam inexoravelmente as ordens de cumprimento de uma estratégia israelita projetada para esmorecer a vontade de resistir dos aldeãos através do desgaste — o quebrar de ossos e rostos, a destruição de casas e, de vez em quando, a tomada de vidas. O exército não tenta matar toda a gente, mas sim mostrar que o preço pela recusa a se submeterem é mais alto do que qualquer um possa estar disposto a pagar. A não-violência de Phil e as tentativas de encontrar pontos de convergência com os soldados não alteram isto.

A luta afeta enormemente o filho de Emad, Gibreel. Quando era criança, algumas das primeiras palavras dele foram exército, cerco e bala. Emad diz que a melhor forma de proteger o filho, apesar da profunda preocupação com a segurança de Gibreel, é ele compreender como é realmente o mundo e a vulnerabilidade das vidas humanas. Quando um dos adultos favoritos de Gibreel é morto pelos soldados, ele fica profundamente transtornado e pergunta ao pai porque é que os soldados agem da forma como o fazem, e sobretudo o que se pode fazer em relação a isso. A audiência não pode deixar de fazer a mesma pergunta.

Em 5 Câmeras Quebradas, testemunhamos os soldados a chegar à noite à aldeia e a prender crianças de 12 e 13 anos e a arrastá-los para a prisão entre os protestos das famílias e dos ativistas internacionais que apoiam a luta deles, entre os quais alguns israelitas. Durante os protestos, cada um dos irmãos de Emad são presos um a um. Então, uma noite os soldados dirigem-se a Emad. Dizem-lhe que pare de filmar, que está numa zona militar fechada. Essa zona militar fechada, responde ele, é a própria casa dele. Ele vai para a prisão durante três semanas e é colocado em prisão domiciliária num outro edifício durante dois meses.



O melhor filme sobre a convivência impossível entre israelenses e palestinos

“5 Câmeras Quebradas” mostra como a convivência entre israelenses e palestinos é impossível — e, ao mesmo tempo, fala de uma certa esperança de tudo se ajeitar.

Emad Burnat, um pequeno proprietário de terras em Bilin, ganhou uma filmadora meia-boca em 2005, quando nasceu seu quarto filho, Gibreel. Naquele mesmo ano, colonos israelenses começaram a construir assentamentos nas redondezas de sua casa, erguendo uma cerca.

Os invasores tentaram expulsar os moradores. Destruíram suas oliveiras, seu ganha-pão. Protestos passaram a ocorrer semanalmente.

Emad registrou tudo: as bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha, prisões, ameaças. No meio tempo, filmava o crescimento de Gibreel e suas reações diante daquele mundo hostil.

Em 2007, a Justiça determinou a derrubada da cerca (o que só iria ocorrer quatro anos depois). Emad juntara centenas de horas de imagens. Seu amigo israelense Guy Davidi — cineasta, ativista e co-diretor do documentário —, sugeriu que aquilo virasse um documentário.

Davidi sugeriu também a abordagem: contar a história desses confrontos em cinco capítulos, cada um deles ilustrado pelo que cada uma das câmeras capturaram antes de ser detonadas.

O resultado é lindo em sua simplicidade e contundência. Jornalismo cru, sem proselitismo, original, a crônica de uma terra disputada por dois vizinhos – um rico, armado e protegido, outro sem ter a quem apelar.

Emad Burnat nunca teve aulas de cinema, para sorte dele e nossa. Corajoso, ele foi para a linha de frente, desafiando o exército israelense e quem fosse necessário com suas filmadoras e seu papo de que era “jornalista” e tinha “autorização para trabalhar”.

Não desiste quando soldados passam a frequentar sua aldeia à noite e a prender crianças. Permanece ao lado dos dois amigos, o fanfarrão Adeeb e o grandalhão El-Phil, quando eles são detidos e, mais tarde, quando um deles é ferido mortalmente.

Não recua na hora em que a mulher, Soraya, pede que ele largue tudo porque ela não aguenta mais viver com medo. (Soraya foi criada no Brasil e, a certa altura, fala em português com o marido. O próprio Emad passou um tempo aqui).

A visão filosófica do conflito faz com que Emad não perca a cabeça. Ele é condenado à prisão domiciliar — e leva a câmera. Ele vê seu pai e sua mãe desesperados diante da detenção de seu irmão, tentando parar um jipe com o corpo. Ele testemunha um tiro à queima-roupa na perna de um manifestante que já estava dominado. É como se a câmera o blindasse, ele diz (o que, na realidade, não é verdade e tem suas consequências para sua integridade física).

Emad (centro) perde uma de suas câmeras depois de um disparo do exército israelense
Numa situação desesperadora, Emad não procura aliança com terroristas ou faz curso para virar homem bomba. Ao invés disso, a cada câmera destruída, ele adquire outra. É o que dá sentido à sua vida. É o jeito de cuidar de sua família e de seu povo.

“5 Câmeras Quebradas” foi indicado para o Oscar de documentário em 2013. Com simplicidade e poucos recursos, com talento, urgência e coragem, um judeu e um palestino realizaram um pequeno épico. “Se você for ferido, vai sempre se lembrar da sua ferida, mesmo depois de ela se curar. Se você se machucar de novo e de novo… você esquece as suas cicatrizes”, diz Emad. “Mas a câmera se recorda, e então eu filmo para me curar”.

Mais atual, impossível.

Kiko Nogueira
No DCM
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Um passeio pela Palestina


As humilhações que sofre o povo palestino cotidianamente por causa do exército sionista, representado por jovens soldados, que acham que têm um poder de "elegidos". O mundo político mundial cala e é cúmplice das violações aos direitos humanos do povo palestino que acontecem todo dia e se repetem milhares de vezes numa mesma jornada.



No Desacato
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NY Times: zica chegou a NY antes do Brazil!

Tem a zica e a zica da Mara Gabrilli



Antes de chegar ao Brazil, o virus da zika chegou a Nova York. Trata-se de um misterio medico a explicar.

Even before it reached Brazil, the Zika virus arrived in New York City. A global medical mystery explained.

A zika é uma tragédia mundial, que surgiu na Indonésia, aportou em Nova York antes do Brazil (é assim mesmo, amigo revisor — obrigado) e aqui faz milhares de vítimas, especialmente — não se sabe por que — em Pernambuco.

O Governo brasileiro tem feito esforços sobre-humanos para enfrentar a crise, com a mobilização da Presidenta Dilma, de forma incansável.

Os centros médicos de pesquisa do Brasil estão em contato com o eficiente NIH, o Oswaldo Cruz americano, para encontrar a vacina o mais rápido possível.

Essa é a zika.

Mas, tem a zika tucana, do PiG.

É a zika inoculada pela Dilma.

Como o impitim não deu certo, como os ataques furiosos ao Lula se transformaram numa ridicularia, como PiG vai fechar ... o jeito foi transformar a zica numa epidemia devastadora, que vai arruinar a Dilma e o lulopetismo do FHC.

Essa cruzada auto-destrutiva, desleal, politicamente desonesta se manifestou de forma solarmente clara na intervenção deseducada da cerrista Mara Gabrilli no discurso da Presidenta Dilma, na abertura do ano legislativo: a culpa é da Dilma!

Os tucanos — de São Paulo — sobretudo — não sabem para onde correr.

Não sabem mais o que usar para destruir o lulopetismo.

Acabarão afogados num balde cheio de mosquitos.

Paulo Henrique Amorim
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Sindicato quer esclarecimento sobre suposta venda da RBS


Tendo em vista informações acerca de uma suposta venda, por parte do Grupo RBS, de suas operações de rádio, televisão e jornal em Santa Catarina, o Sindicato dos Jornalistas já está tomando providências e acionou sua assessoria jurídica para tratar da questão.

O  SJSC cobrou do departamento jurídico da RBS um posicionamento. A empresa negou a venda das operações em nota oficial. Uma reunião entre o SJSC e representantes da RBS está pré-agendada para a próxima semana.

Após os devidos esclarecimentos, o sindicato convocará reunião com os jornalistas da RBS em Santa Catarina para a definição de medidas que porventura se façam necessárias.

Diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
05 de fevereiro de 2016.

No Desacato
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A musa do impeachment e o muso FHC rasgaram a fantasia na avenida

Ju Isen, a musa do impeachment, é expulsa de desfile
A musa e o muso do impeachment se cruzaram na avenida. Ju Isen, a modelo e atriz que ficou famosa na Paulista ao tirar a roupa em nome do golpe, foi expulsa do desfile da escola Unidos do Peruche, em São Paulo.

Ela resolveu se livrar o macacão cor da pele no meio do Sambódromo, ficando com os seios à mostra. O macacão foi providenciado porque sua ideia original era sair com um tapa sexo com a cara de Dilma Rousseff.

Num determinado momento, Ju rasgou sua capa protetora. Acabou expulsa pelo presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sergio Ferreira. Segundo ele, a convidada “não poderia ter desfilado nua. Assinou contrato com determinados termos a serem seguidos.”

Ju Isen aproveitou para politizar a cena. Ela ficou pelada por um motivo ulterior e nobilíssimo. “A minha fantasia é a repúdia que todos nós brasileiros temos pela presidente da República, por toda a corrupção, falta de segurança, falta de escola, falta de hospitais. Eu vim realmente para manifestar”.

É a mesma tática de Eduardo Cunha, Aécio e tantos outros, flagrados nus com a mão no bolso eventualmente cheio de dólares, esperneando sobre a falta de justiça no país, a perseguição de que são vítimas, o governo ladrão.

Ju Isen explicitou suas intenções, de qualquer maneira. Já o muso do impeachment, Fernando Henrique Cardoso, manteve inutilmente o macacão de democrata num artigo no domingo de Carnaval chamado “O Certo e o Errado”, publicado no Estadão, O Globo e outros de sua rede de comunicações.

“O castelo de areia das grandezas do lulopetismo está desabando ao sopro da crise econômica e da Lava Jato, como tantas vezes escrevi”, começa.

Em seguida, tecendo considerações sobre a política econômica, direita, esquerda e o descalabro petista, chega à conclusão: “Há forças capazes de corrigir os desatinos cometidos. Para isso é preciso que lideranças não comprometidas com o lulopetismo, apoiadas pelos grupos sociais que nunca se deixaram ou não se deixam mais seduzir por seu falso encanto, assumam a sua responsabilidade histórica, dentro da Constituição, para fazer o certo em benefício do povo e do País.”

FHC está falando em impeachment. Passada a folia de momo, é hora de retomar essa agenda. Só faltou coragem para dizer a palavra.

Debaixo do terno, Fernando Henrique está vestindo um tapa sexo igual ao de Ju Isen, com a imagem do “Fora Dilma”. Ambos quebrando as regras em nome do que é “certo”. A diferença é que a mulher, mais corajosa, tirou tudo enquanto ele mostrou só um pouquinho.

Kiko Nogueira
No DCM
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Musa do impeachment tira a roupa e é expulsa de desfile no Sambódromo

'Musa do Impeachment', Juliana Isen ficou pelada durante apresentação do Unidos do Peruche em protesto contra o governo Dilma

Revoltada, modelo pegou táxi para ir embora
A empurrões e pontapés, a modelo Juliana Isen, musa do impeachment, foi expulsa do Sambódromo sob o olhar do presidente da Liga, Serginho. Ela, que já tinha sido proibida de usar um tapa-sexo com o logo do "Fora Dilma", foi retirada da ala das passistas depois de ficar com os seios amostra em frente ao recuo da bateria.



Juliana era a madrinha da ala das passistas. Foi o próprio Serginho que puxou ela pela cintura, pediu para abrir o portão que dá acesso a saída, até que um membro da escola a empurrou no chão e jogou o costeiro da fantasia sobre ela. "Me senti humilhada e estou saindo ferida. Vou processar essa escola", contou a modelo.

Ela explicou que assim que chegou na escola foi abordada por um membro da Peruche que exigiu a retirada do tapa-sexo. Segundo ela, o adereço tinha sido acordado com a escola assim que ela foi chamada para desfilar pela agremiação. "Como não deixaram, fiz meu protesto por um País melhor, deixando os seios a mostra." Segundo Juliana, nos ensaios técnicos da escola, ela já havia dito que ficaria nua no Anhembi. A escola pode perder pontos na apuração.

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo informou que aguarda o término do desfile para poder se manifestar sobre o ocorrido. O presidente da escola, Sidney de Moraes, o Ney, justificou a ação do integrante da escola que a teria empurrado. "Ela não estava com a vestimenta legal. Em cima disso, nós acabamos perdendo ponto. Nossos harmonias estão praticamente cientes disso e acabaram tirando (a integrante). Só que por parte do folião, ela quis permanecer. A gente deu a fantasia, doamos. Ela simplesmente não quis sair. Isso não é legal", disse.
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O que as postagens no Facebook dizem sobre o diretor da Globo que está processando Nogueira

Jornalismo à Bretas
Queria entender melhor o conceito de imprensa livre de Erick Bretas, o diretor da Globo que está me processando por criticá-lo.

Disse já e repito: não inventei nada naquilo que escrevi sobre ele. Não invadi vida pessoal, não criei episódios constrangedores — não fiz nada, enfim, além de dar minha opinião sobre coisas que ele postara no Facebook.

Minha análise cabe numa linha: é um mau jornalista. Não tem o menor equilíbrio para praticar jornalismo, dado o seu antipetismo estridente e militante.

Voltei a ver suas postagens depois que soube do processo, para ver se podia desvendar o que é aceitável, para ele, em termos de críticas.

Ora, ora, ora.

Se um homem é aquilo que compartilha nas redes sociais, Bretas é um homem quando criticado e outro quando ataca, ou transmite ataques.

O que mais me chamou  a atenção, no Facebook recente de Bretas, foi o compartilhamento de um texto de Augusto Nunes, do site da Veja.

Augusto Nunes é conhecido por chamar Lula de “presidente retirante”, Lula de “dois neurônios” e Evo Morales de “lhama de franja”. Isso para não falar das repetidas vezes em que ele chama adversários de seus patrões de bandidos, criminosos, ladrões — sem outras provas que não sejam a própria Veja.

Bretas deve aprovar tudo isso, para ler e compartilhar Nunes. No artigo que ele dividiu há poucos dias com os seguidores no Facebook, Nunes investiu, como sempre, contra Lula.

O tema é uma funcionária do Santander demitida na campanha presidencial passada depois de enviar a correntistas uma carta associando a eleição de Dilma a riscos econômicos. (O Santander alegou que por regra os funcionários estão impedidos de se manifestar em nome do banco em questões políticas e partidárias.)

É desse episódio que Nunes trata. A Justiça concedeu indenização a Synara, mas o Santander recorreu e as coisas ainda estão por se definir.

Um trecho:

“ … num encontro noturno organizado pela CUT em Guarulhos, Lula acionou o tresoitão. No vídeo, andando de um lado para o outro, o copo até aqui de cólera abre o numerito repulsivo cobrando gratidão do banco presidido pelo amigo Emílio Botín. “Não tem lugar no mundo onde o Santander esteja ganhando mais dinheiro que no Brasil”, rosna o animador de comício, que em seguida recorda conversas e episódios que reduziam o banqueiro espanhol a um bajulador grávido de admiração pelo Lincoln de galinheiro.”

Lula não fala: “rosna”.  Não é um ex-presidente: é um “animador de comício”, um “Lincoln de galinheiro”.

Pouco adiante, Nunes continua: “Lula e seus sequazes acham que, numa campanha eleitoral, o único crime é perder. O resto pode. Matar a mãe, por exemplo. Ou afanar a poupança da avó.”

Quer dizer então: no Planeta Bretas, isso pode e merece até ser divulgado.

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Mas criticá-lo por convocar para manifestações pelo impeachment, colocar o avatar de Helio Bicudo em sua conta e militar pelo golpe contra 54 milhões de votos — isso não pode. É questão de processo.

Importante: minhas críticas se deveram à posição estratégica de Bretas na Globo. Meu objetivo era mostrar como está envenenado o clima no jornalismo da Globo nas questões de política.

Bretas é um retrato acabado da mentalidade dos jornalistas que dirigem a Globo e, mais que isso, da própria Globo. (Se a Globo tivesse qualquer problema com suas postagens, teria conversado com ele.)

Outras postagens de Bretas são também reveladoras. Ele reproduz um meme do MBL em que acusa Dilma de só liberar verba para uma escola em troca de votos contra o impeachment.

Inacreditavelmente, ele ajunta uma explicação que conta tudo sobre o jornalista que é. Bretas informa que só postou o meme depois de confirmar a autenticidade.

Ora, ora, ora.

Vejamos a confirmação. O vice-prefeito de Belo Horizonte, diz Bretas, denunciou Mercadante por “chantagear”.

Quer dizer: no Planeta Bretas, denúncia contra os inimigos é fato, antes mesmo que os acusados façam a defesa.

E o nome que ele usa em sua confirmação é o de Mercadante. Mesmo assim, ele se sentiu autorizado a publicar um meme com a imagem de uma Dilma sórdida. Não vou sequer perguntar se as denúncias contra Aécio merecem a mesma credulidade cega.

Você pode imaginar o nível do jornalismo político da Globo pelas postagens levianas, militantes, desvairadas de Bretas.

Ele não está sozinho. É parte de um todo.

E sou eu o processado.

Paulo Nogueira
No DCM
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Para aliviar bolso dos ricos, tucano apresenta emenda que reduz IR

A Câmara dos Deputado aprovou no último dia 3 de fevereiro a Medida Provisória 692/15 que trata das alíquotas do Imposto de Renda dos mais ricos. A proposta enviada pelo governo federal estabelecia a cobrança de 30% para o IR sobre ganhos de capital que ultrapasse R$ 20 milhões. Mas o senador tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da MP, achou que esse valor é demais para o bolso dos milionários e fez uma emenda rebaixando alíquota.

O senador tucano Tasso Jereissati (CE) é relator da MP 692/15
Com a emenda, a alíquota baixou de 30% para 22,5%. E não foi só isso. Também aumentou o piso de R$ 20 milhões para R$ 30 milhões. A previsão de arrecadação do governo federal, graças à bondade de Jeirassiti e dos deputados com os ricos, cai de R$ 1,8 bilhão para R$ 900 milhões, ou seja, cai pela metade.

O texto aprovado prevê quatro alíquotas do IR sobre ganhos de capital: 15% em valores de até R$ 5 milhões; 17,5% até R$ 10 milhões; 20% de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões; e 22,5% para ganhos acima de R$ 30 milhões. O projeto seguirá para o Senado.

Para ficar ainda mais suave para os mais ricos, os valores serão corrigidos pelo mesmo índice inflacionário da menor faixa de renda do IR, que em 2015, foi de 6,5%. Vale destacar que a correção inflacionária não estava prevista no texto enviado pelo governo.

Além disso, serão somados apenas os ganhos de capital aferidos no mesmo ano calendário. Isso significa que a pessoa física poderá dividir a venda de ações em dois anos para pagar menos impostos.

Apesar de aliviar o bolso dos mais ricos, a oposição disse que tais alterações do texto enviado pelo governo foi para não prejudicar o país ao cobrar imposto de renda sobre ganho de capital pela alienação de bens e direitos do ativo não circulante das empresas não tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado.

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O cinismo do dinheiro


Do Facebook de Cláudio Tavares,o vídeo abaixo, com o roteiro que ele próprio escreveu para que possa ser compreendido.

Se é que isso pode ser compreendido.

Faces do Capitalismo: Martin Shkreli no Congresso (4/2/16)

Eis o que você precisa saber, antes de assistir o vídeo:

O sujeito sendo interrogado pelos congressistas americanos, chama-se Martin Shkreli, 32 anos, empresário da indústria farmacêutica.

Em setembro do ano passado, ele foi responsável por aumentar um medicamento usado no tratamento de AIDS, toxoplasmose, malária e alguns tipos de câncer, em mais de 5.000%, sem nenhuma justificativa. Isso mesmo. O comprimido do Daraprim, que custava U$ 13,5, passou para 750 dólares.

O descaso, o cinismo e o desrespeito demonstrado pelo empresário no Congresso Americano, deve-se ao fato de que, diante das leis do livre mercado, ele não está cometendo crime algum.

De modo que não restou outra alternativa ao congressista Elijah Cummings, a não ser tentar apelar constrangedora e inutilmente, ao senso de humanidade de Shkreli, que se manifestou da seguinte forma em seu Twitter, após a audiência: “Difícil aceitar que estes imbecis representam o povo no nosso governo”.

PS: No Brasil, a caixa com 100 comprimidos do Daraprim, custa R$ 8,00.



Cláudio Tavares
No Tijolaço
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Marinho: Lula foi 2 mil vezes ao sítio. E daí?

O ministro José Dirceu recebeu isso depois que saiu do Governo. E daí?


O Conversa Afiada reproduz afiada entrevista de Luiz Marinho, prefeito (reeleito) de São Bernardo do Campo ao Globo, que foi atrás dele para ver se implicava o Lula.

Se deu mal:

Luiz Marinho diz que sítio de Atibaia foi ‘disponibilizado’ para Lula usar

Prefeito de São Bernardo diz que já visitou imóvel, a convite do ex-presidente

Por Sérgio Roxo

SÃO PAULO — Prefeito de São Bernardo e um dos principais aliados de Lula, Luiz Marinho diz que já foi ao sítio de Atibaia convidado pelo ex-presidente e que os donos “disponibilizaram” a propriedade para o petista, o que significa, no seu entender, entregar a chave, permitir que o local seja mobiliado e dar prioridade de compra a quem usa

O senhor já foi lá no sítio de Atibaia?

Eu já fui, conheço o sítio.

Há notícias de que a Odebrecht fez obras lá.

Eu desconheço.

O sítio está em nome de amigos da família, mas o Lula foi lá ao menos 111 vezes.

Não sei se foi 111 vezes ou 2 mil vezes. Eu não contei. Do que eu conheço, tem duas pessoas que compraram o sítio e disponibilizaram para ele usar, com comprovação de fontes pagadoras. Portanto, não tem absolutamente nenhum problema. Rigorosamente, hoje, o sítio não é dele. O sítio é de amigos.

Mas ele usa o sítio regularmente.

Vamos imaginar que eu tenho uma casa na praia e disponibilize para você usar todo final de semana, alguém tem alguma coisa ver com isso? É o caso do sítio.

Mas disponibilizar quer dizer o quê? Dar a chave?

Toma (faz o gesto de entregar a chave). Pode mobiliar, é tua. Se um dia você resolver comprar, eu te vendo. Se não, um dia meu filho vai exercer o poder de herança.

Mas por que alguém fez um favor desses para o ex-presidente?

Aí você tem que perguntar para as pessoas que fizeram. O problema é que não estão atrás da verdade. Estão atrás de encontrar um jeito de mostrar que o Lula está envolvido na Lava-Jato.

Mas o dono não quer falar.

Tem que falar.

A Odebrecht e o pecuarista José Carlos Bumlai são suspeitos de fazer uma obra de R$ 500 mil no sítio. Estão fazendo um favor indiretamente para o presidente Lula?

É suspeito? Busque provar primeiro para depois falar e criminalizar alguém.

Mas vamos supor que fique provado que as empresas tenham feito a obra.

Tem que observar qual foi a relação, o que houve. A gente não sai falando fulano matou alguém sem ter prova.

Quando o senhor foi ao sítio, por quem foi convidado?

Eu já fui convidado pelo Bittar (Fernando Bittar, dono da propriedade no papel) e já fui convidado pelo Lula.

No apartamento do Guarujá, a OAS fez uma obra que favoreceria o ex-presidente Lula.

O que ele comprou e declarou foi uma cota. Quando ele foi visitar, disse: “eu não quero porque tem três andares com uma escadinha horrorosa. Eu estou ficando idoso”. Ele contou isso para a gente e brincou: “Pô, é um muquifo. Não é o que eu sonhava, agora estou numa dúvida cruel, não sei se fico ou não". E, curiosamente, depois da visita, começaram a pintar (as notícias) e ele decidiu não ficar. Qual o problema?

Mas a OAS fez obras para adequar o imóvel às necessidades do Lula.

E cobraria pela obra. Portanto, não tem nenhum crime aqui.

Como o senhor vê a Lava-Jato?

O lado bom é que mostra que as instituições brasileiras são sólidas, mas vejo exagero na forma como estão conduzindo os processos. Há excesso da Polícia Federal, do Judiciário, dos promotores e há erros cometidos. Quem cometeu erro tem que pagar.

Como o senhor avalia o caso do ex-ministro José Dirceu, que admitiu em depoimento que recebia favores de operadores do esquema?

Precisa aprofundar a relação que isso tem nas decisões de eventuais obras. Se influenciou, virou crime. Se não influenciou, não virou nada. Agora, toda e qualquer relação virou crime. Isso é um absurdo.

Mas um homem público não deveria evitar essas coisas?

O ministro José Dirceu recebeu isso após sair do governo. Qual o crime que tem nisso?

O mesmo raciocínio valeria para o Lula?

O mesmo vale para qualquer cidadão, vale para o Fernando Henrique, que fez uma reunião com empresários, ainda no poder, no Alvorada, e definiu a captação de milhões para o Instituto Fernando Henrique. Tem algum processo? Contra o PT é uma lógica, contra o PSDB é outra por parte da imprensa, do Judiciário e do Ministério Público.

A popularidade do Lula tem caído. Acredita que vai se recuperar?

O Lula não está indo a atividades e eventos. O Pelé hoje não é mais visto como o Pelé da década de 70 porque faz muito tempo que ninguém o vê jogar. O Lula está meio parado e sendo bombardeado. Então, é evidente que a popularidade cai. Agora, isso vai passar. Tenho certeza.

Mas ele se abate com as suspeitas levantadas contra ele?

Quem não fica puto da vida sendo xingado todo dia, injuriado, caluniado, difamado? Ele está puto da vida. Mas pode ficar sossegado que o Lula não vai dar um tiro no ouvido.

O Lula vai ser candidato em 2018?

Hoje, Lula é candidato. Se perguntar, ele vai dizer que não. Mas não existe no panorama do partido outra candidatura. Isso explica muitas coisas que estão falando sobre o Lula.

Muita gente fala que o governo perdeu conexão com a base petista por causa das medidas econômicas. O senhor sente isso no ABC?

A presidente Dilma tem algumas dificuldades no jeito que toca a gestão. Ela gosta muito de descer aos detalhes das questões. Acho que se os ministros pudessem falar mais das suas áreas e a presidente rodasse o país, o clima melhoraria.

A presidente tem que delegar?

Tem que delegar mais.
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Nota de Pesar: ‘Marcus Matraga, presente!’

Ativista antimanicomial e pelos direitos indígenas, professor da UFBA, Marcus foi levado de sua casa por dois homens armados até uma estrada, onde foi morto

Marcus Matraga: defensor incansável dos direitos humanos e militante da reforma psiquiátrica e da saúde
mental no Brasil. Era entusiasta da Clínica das Psicoses e ferrenho estudioso das desigualdades sociais e
subjetividade
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva recebeu, com tristeza e indignação, a notícia do assassinato de Marcus Vinicius de Oliveira, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, defensor dos direitos humanos e militante das causas sociais.

Marcus Vinícius, também conhecido como Marcus Matraga, foi vítima de homicídio, no município de Salinas das Margaridas, em função de sua atividade política na mediação de conflitos de terras indígenas. Ele foi sequestrado por dois homens armados em casa e levado até uma estrada do povoado, onde foi morto com um tiro na cabeça.

Manifestamos a nossa profunda preocupação com os casos de assassinatos, agressões e expulsões relacionados aos conflitos por terras indígenas na Bahia e, por fim, exigimos que o Ministério da Justiça atue na apuração desse crime político.

Atenciosamente,

Gastão Wagner de Sousa Campos

Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
A Nota de Pesar da Abrasco foi enviada nesta sexta-feira, 5 de fevereiro, ao Ministro de Estado da Justiça, Dr. José Eduardo Cardozo, como pedido para a apuração na morte de Marcus Vinicius.

Nascido em Minas Gerais, tinha mestrado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia, onde se aposentou mais tarde, como professor, e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Marcus foi um dos pioneiros na luta pela reforma antimanicomial e criação dos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps. Graduado em Psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (1982), Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1995) e Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). Era professor associado aposentado do IPS – Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia, coordenador do LEV-Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental IPSI-UFBA, diretor do Instituto Silvia Lane-Psicologia e Compromisso Social, consultor eventual da área Técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, integrante do NESM – Núcleo de Estudos Pela Superação dos Manicômios.

Marcus formou gerações de psicólogos, realizou e participou de importantes pesquisas na área. Atuou em gestões do Conselho Federal de Psicologia.

Com outros companheiros, fundou o movimento Cuidar da Profissão, que trouxe a preocupação e compromisso com os dilemas e problemas da realidade brasileira e de nossa gente. O compromisso social da Psicologia passou a orientar discursos e práticas profissionais e de formação.

Em nota, o Conselho Federal de Psicologia destacou o caráter de Matraga como defensor incansável dos direitos humanos e militante da reforma psiquiátrica e da saúde mental no Brasil. Era entusiasta da Clínica das Psicoses e ferrenho estudioso das desigualdades sociais e subjetividade.

Marcus Vinícius participou ativamente da consolidação da Psicologia no Brasil, tendo integrado o Conselho Federal de Psicologia nas gestões de 1988 – 1989, 1992 – 1995, 1997 – 1998, 1998-2001 e 2004 – 2007. Também esteve em gestões dos conselhos regionais de Minas Gerais e Bahia. Foi coordenador do Centro de Referências em Políticas Públicas – CREPOP – entre os anos de 2004 e 2007. No Conselho Nacional de Saúde participou da Comissão Nacional de Saúde Mental, como representante do FENTAS – Fórum Nacional de Trabalhadores de Saúde. Foi, ainda, integrante da Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica de 1994 a 1997.

No Abrasco
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Históricos 2

Há dias escrevi que as próximas eleições presidenciais americanas seriam históricas por vários motivos, e me esqueci de citar alguns. As campanhas já estão sendo históricas. Pela primeira vez, além de uma mulher, candidatos “latinos” concorrem à nomeação pelo seu partido, no caso deles o Partido Republicano, que nunca teve os votos do eleitorado latino. E nem Ted Cruz nem Marco Rubio estão fazendo feio nas pesquisas de intenção de voto. Cruz teve mais votos do que Donald Trump e venceu uma recente eleição “primária”, um pré-pleito estadual que não decide nada, mas serve para testar a disposição do eleitorado, no momento. Sua vitória mostrou que o favoritismo disparado de Trump para ser o candidato republicano não era tão disparado assim.

Fora seus sobrenomes, a latinidade de Cruz e Rubio não significa muita coisa. Nenhum dos dois representa os interesses da comunidade, ambos são pelo controle da imigração e outras posições conservadoras com relação a minorias raciais. Enfim, não concorrem pela raça. É verdade que o conceito de raça, nos Estados Unidos, torna a categorização por cor complicada. (Para os americanos, a Gisele Bündchen não é branca, é “hispânica”). E grande parte dos imigrantes tende a ser tão conservadora quanto a direita nativa, e seus filhos e netos preferem integrar-se a ser uma comunidade.

Bernie Sanders não faria história, se eleito para a Presidência do país pelo Partido Democratico, apenas por ser um socialista declarado. Seria, acho eu, o primeiro presidente americano a tomar posse com quase 80 anos de idade. Seu mandato seria previsivelmente curto. E ele faria bem em seguir a receita de Ronald Reagan para a longevidade e um governo tranquilo: longas sestas, longas sestas...

Se havia dúvidas sobre a legitimidade do socialismo e as credenciais de Bernie Sanders para fazer história na Casa Branca, temos agora o depoimento de Lloyd Blankfein, que numa entrevista acaba de declarar que a eleição de Sanders seria um “momento perigoso” para a América. Quem é Lloyd Blankfein, você pergunta? É o CEO da Goldman Sachs, também conhecida como “a suspeita de sempre” quando se fala em falcatruas financeiras. Ela ajudou a quebrar a Grécia, e aparece com destaque no filme “A grande aposta”, sobre a fraude bancária que abalou o mundo, não faz muito. E está com medo do Bernie...

Luís Fernando Veríssimo
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As fotos aéreas do sítio de Atibaia revelam o caos da Lava Jato

Onde o luxo? Foto aérea da Folha do sítio vinculado a Lula
Outro dia Haddad foi criticado por citar uma frase clássica de um dos maiores economistas da direita, Milton Friedman.

Não existe almoço grátis, esta a frase.

Poucas máxima sintetizam tanto as coisas. Alguém está sempre pagando a conta, mesmo quando você acha que o almoço que comeu era gratuito. (Quase sempre o pagante anônimo é o contribuinte.)

Com base nisso, eu pergunto o seguinte: qual é o custo da Lava Jato? Quanto já foi gasto? Quanto se imagina ainda gastar? Por quanto tempo?

É inacreditável a falta de transparência da operação. É como se ela fosse grátis. Mas, como disse Friedman, não há nada grátis. Alguém está cobrindo um custo desconhecido.

Você, eu, nós: o contribuinte.

Por isso, a sociedade deveria ser notificada sobre a contabilidade da Lava Jato. Até porque, quando os custos estão escondidos, é grande a tentação de inflá-los para meter a mão.

Essa cobrança é ainda mais urgente quando se vê como está sendo gasto o dinheiro público. Quanto está custando a investigação em torno do já anedótico Sítio do Lula?

Quantos agentes estão dedicados a essa tarefa? Quantos burocratas estão envolvidos?

E então você vê uma canoa de 4 000 reais virar notícia. Ou seja: um ou mais policiais foram vasculhar lojas em busca de coisas ridículas como esta.

Quanto custou isso?

Agora, um fato novo: as fotos aéreas que a Folha produziu sobre o sítio. O resultado é um brutal desapontamento para os que querem, alucinadamente, vincular Lula a dinheiro sujo e patrimônio oculto.

É um sítio, as fotos mostram, à altura da canoa. Ou do infame Triplex do Lula, um apartamento que um diretor da Globo, ou da Abril, poderia comprar com os bônus de final de ano.

Lula já mostrou documentos que provam que não é dele, e até o Globo parece já ter desistido de insistir no assunto. Nesta semana, o Globo deu uma matéria segundo a qual, ao desistir da opção de compra, Lula teria perdido 100 mil reais no apartamento.

Mas a Lava Jato chegou ao cúmulo de dar o nome de Triplo X a uma fase, numa menção repulsiva ao Triplex do Lula.

Mais uma vez: quanto foi gasto na investigação sobre o apartamento? Alguém sabe?

E para manter prisioneiros pessoas cuja culpa está longe de ser provada? Tivemos, há pouco, o depoimento de Dirceu. Ele pôde enfim falar seis meses depois de ter sido posto na prisão em Curitiba.

Ele reclamou disso a Moro, um juiz aparentemente despreparado e tatibitate. A resposta: “Agora você está podendo falar.”

Ora, ora, ora.

Agora: seis meses depois. Meio ano. Quanto isso vale na vida de um homem da idade de Dirceu? Se Dirceu depois pedir uma indenização, qual será o valor justo, e quem pagará? O valor justo não sei, mas quem pagará é o contribuinte.

Como tudo na vida, uma operação da Polícia Federal deve ter tempo para começar e tempo para terminar. Não pode prolongar-se até sabe-se lá quando.

E deve obedecer também a orçamentos. Qual é o da Lava Jato?

Ninguém sabe. Entre as infinitas reportagens sobre a operação, não há uma única que traga luz sobre estas sombras.

É a mistura de inépcia e má fé que marca a imprensa brasileira destes nossos dias.

A Lava Jato pode, no final, se revelar uma operação cara, demorada, incompetente, enviesada e de consequências desastrosas para o país.

Espero, francamente, estar errado, mas esta é minha aposta, pelo que vi até aqui.

Paulo Nogueira
No DCM
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Fofo

No dia em que completaram 35 anos de casados, Valdir perguntou a Eunice:

– Posso lhe pedir uma coisa?

– Claro, fofo.

– Não me chama mais de fofo.

– Ai, fofo! Por quê?

– Porque eu não quero mais.

– Mas fofo...

– É ridículo.

– É um apelido carinhoso. Por que você nunca reclamou, antes?

Era verdade. Todos aqueles anos sendo chamado de fofo, desde o tempo de namorados, e Valdir nunca se queixara. E agora aquela rebelião.

– É o efeito cumulativo, entende? – disse Valdir, sem certeza se “cumulativo” estava certo. – Não quero mais.

– Mas todo o mundo chama você de fofo.

– Chamam porque você chama. É gozação. Devem rir muito de nós, nas nossas costas. Devem pensar que eu também chamo você de fofa, na intimidade. Para eles, somos “os fofos”.

– Você nunca me chamou de fofa.

– Porque nós não somos fofos, Eunice. Somos de uma raça cheia de defeitos, condenada ao desespero e à morte, sem nada que nos salve. Nosso caráter é inconfiável, nosso destino é trágico, somos tudo menos fofos.

– Valdir, eu nunca vi você amargo assim!

– Pois agora está vendo como eu não sou fofo. Ninguém é fofo.

– Mas você não acha que a gente deveria... deveria...

– Deveria o que, Eunice?

– Deveria viver como de fôssemos fofos? Pelo menos um para o outro?

– Você quer dizer viver uma mentira?

– Não, mas também não desistir. Se fingir de fofos para não acabar desse jeito, amargos como você, depois de 35 anos.

– A vida é um absurdo e nada faz sentido.

– Viu só como você ficou, fofo?

– Fofo não.

– Como é que eu posso chamar você, então?

– Dico.

– Dico?!

– Era como a minha mãe me chamava...

– Dico. E olha aí, você ficou comovido! Que fofura.

Luís Fernando Veríssimo
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Corrida de táxi

Só na aparência a guerra opõe a insistência do Uber e a ferocidade dos taxistas. A guerra é outra. É entre o Uber e um dos poderes políticos mais efetivos e menos vistos pelo que são. Taxista, no Brasil, não é só um condutor de carro de aluguel. É também um integrante, talvez até inconsciente disso, de uma corporação profissional a que são concedidos privilégios materiais e permissão de abusos que nenhuma outra profissão tem.

A relação da Receita Federal e das Receitas locais com os taxistas donos do carro é de fazer inveja até aos especuladores financeiros com seu pequeno imposto de renda. Em vários Estados, os taxistas desfrutam de isenções plenas na compra do carro, e, nos demais, muito reduzidas. Os financiamentos, em geral, têm juros especiais. Na substituição periódica do carro por um novo, os privilégios se repetem. E, donos ou não, todos têm o mais invejado dos direitos: recebem e não precisam prestar contas à Receita, porque podem receber em transação sem registro, como no comércio clandestino.

Por que isso? Política.

Belo Horizonte iniciou o ataque físico aos motoristas do Uber, São Paulo capital aumentou-o, nessa violência o Rio está mais modesto, outras cidades seguem a palavra de ordem para a desordem covarde. Nenhuma providência respeitável de algum governador para impedir a progressão do vale-tudo. Nem mesmo de Geraldo Alckmin quando, em São Paulo, a ameaça já é de incêndio "a qualquer carro preto". Estudantes que interromperam o trânsito engrossado pelos táxis, no entanto, apanharam da polícia de Alckmin.

Que outra categoria profissional poderia decretar na marra que não aceita concorrência, confirmar na prática violenta a sua determinação — e isso nada significar para quem deve prover a segurança geral e garantir o que não é proibido?

Por que isso? Política.

A agressividade dos taxistas não é repentina. Seria assunto para a sociologia a condição irascível comum aos taxistas em tantos países ocidentais. Em Paris, chegou a se tornar um problema que levou De Gaulle, então presidente, a impor dura campanha para domar os taxistas. Dobrou-os, até hoje. Em muitas cidades americanas, das quais Nova York, nesse tema não diferem muito, os taxistas são motivo de medo. Não sei onde o problema é mais acentuado no Brasil, mas as transgressões no trânsito atestam a elasticidade dos limites que os taxistas admitem. O que se deve, suponho, a dois fatores: são pouco multados, graças à tolerância dos guardas, também ela abusiva, e muitos taxistas são policiais com a costumeira onipotência da classe, razão também da agressividade fácil. Liberdades e proteção, portanto, de que só os taxistas desfrutam.

Táxis são um serviço muito caro no Brasil. Evidência que se agrava em razão dos benefícios, legais e ilegais, dados ao serviço. O alto preço explica parte da quantidade tão excessiva de táxis, por exemplo, no Rio, onde superaram os ônibus desregrados como fatores de agravamento do trânsito. Mas, em lugar algum, há sequer sinal de estudo e enfrentamento sério das várias faces problemáticas do serviço de táxis no Brasil. Agora necessitado de revisão também porque as empresas que sublocam carros e licenças (as "autonomias") não se enquadram nem nos pretextos de vários benefícios dados aos taxistas donos do seu carro. Não se enquadram, mas desfrutam.

Por que isso? Política.

Entre os políticos, vigora há décadas a convicção de que os taxistas são cabos eleitorais de grande eficiência, com a (também) privilegiada condição de falar a um ouvinte sem escapatória. E ainda colar propaganda dentro e nos vidros do carro. É muito pouco para tudo o que daí decorre. Mas os taxistas são considerados uma força política sem semelhante no conjunto das atividades urbanas.

Nada posso dizer do Uber, nem mesmo o do Rio, que ainda não usei. Apesar disso, minha dúvida inicial sobre a legitimidade do empreendimento foi dissipada. Pelos taxistas. A prepotência e a ferocidade de sua reação já os faria merecedores de uma boa lição. Mas, ainda por cima, tanta prepotência e tanta ferocidade, e tão imediatas, são indicativas de que um serviço concorrente pode oferecer algo melhor à sociedade. E mesmo forçar o serviço convencional a aprimorar-se, já que o poder público não lhe exige o que deve.

Janio de Freitas
No fAlha
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