5 de fev de 2016

Liberdade de imprensa | Aécio argentino manda ‘deletar’ informação pública que o incomodava


O Ministério da Justiça e Direitos Humanos do governo de Mauricio Macri decidiu eliminar da internet mais de 10 mil investigações e matérias jornalísticas publicadas pelo Infojus Noticias, portal que nos últimos 3 anos realizou grandes coberturas de assuntos como violência institucional, violência de gênero, lavagem de dinheiro e delitos de lesa humanidade.

O curioso, e que explica tudo, é que o conteúdo eliminado continha temas sensíveis para Macri. Entre as reportagens eliminadas está a que falava sobre o processo em que Macri foi investigado por espionagem ilegal, quando era prefeito de Buenos Aires; a repressão no hospital psiquiátrico Borda, em que dezenas de trabalhadores e pacientes saíram feridos com balas de borracha depois de um protesto contra a demolição de oficinas de arte; o incêndio do depósito da empresa Iron Mountain (que matou 10 pessoas) onde se armazenavam documentos financeiros vinculados ao escândalo internacional do HSBC; além de uma série de reportagens sobre o vínculo da família da esposa de Macri com oficinas de costura clandestinas.

Os trabalhadores do Infojus manifestaram sua “preocupaçao pelo desaparecimento destas reportagens”, e ressaltaram que a decisão de apagar os textos foi tomada em um contexto de esvaziamento da agência de notícias, de onde já foram demitidos 12 de seus 44 funcionários.

hospital-psiquiatrico-borda

Daniel Oiticica
No Blue Bus
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Frente Brasil Popular em São Paulo lança nota em defesa de Lula


A Frente Brasil Popular, que reúne mais de 60 entidades, fez nota de  solidariedade contra os ataques que vêm sendo feitos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela grande imprensa e por setores conservadores sobre um apartamento triplex no Condomínio Solaris, pertencente à construtora OAS.

Os movimentos social e sindical e partidos de esquerda preparam ato de em apoio a Lula, no próximo dia 17, na cidade de São Paulo, data em que Lula e a esposa, Maria Letícia Lula da Silva, irão depor ao Ministério Público (MP) paulista.

Confira a íntegra da nota de solidariedade da Frente:

Somos solidários a Lula!

Com o mote “Lula eu defendo, Lula eu respeito!”, a Frente Brasil Popular em São Paulo, que congrega diferentes movimentos social e sindical e os partidos políticos PT, PCdoB e PDT, repudia a forma seletiva como vêm sendo conduzidas as investigações da Operação da Lavo Jato. 

Da mesma maneira, repudia a forma criminosa e manipuladora com que a mídia tradicional cobre e transmite as versões dos fatos, tendo como principal interesse atingir a imagem e a honra do ex-presidente Lula, figura emblemática na história política do Brasil. 

O ex-presidente representa a história de luta dos movimentos social e sindical e dos partidos políticos de esquerda. Todos nos sentimos atingidos com os constantes ataques feitos a Lula.

A Frente Brasil Popular em São Paulo não aceitará a postura golpista e antidemocrática que tanto setores do poder Judiciário como a grande mídia tentam impor ao povo brasileiro.

Por isso, convocamos a todos e todas para um Ato em Defesa do ex-presidente Lula, no dia 17 de fevereiro de 2016, a partir das 10 horas, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Avenida Doutor Abrahão Ribeiro, 313, no centro da capital paulista.

Frente Brasil Popular - SP
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Serrat, Chico Buarque y Silvio Rodríguez piden destitución de Ministro de Cultura argentino

Joan Manuel Serrat, Chico Buarque y Silvio Rodríguez
Los músicos Joan Manuel Serrat, Chico Buarque y Silvio Rodríguez se sumaron a la lista de adhesiones de artistas que repudiaron los dichos del ministro de Cultura argentino, Darío Lopérfido y pidieron su renuncia.

En el comunicado, difundido el lunes, cuestionan la “apabullante ignorancia de los datos más elementales de Historia y geopolítica” de Loperfido al tiempo que exigen al jefe de Gobierno porteño, Horacio Rodriguez Larreta, su “alejamiento de todos los cargos”.

El texto completo:

En vista de las declaraciones de público conocimiento, efectuadas por el ministro de Cultura de la Ciudad de Buenos Aires, señor Darío Lopérfido, el pasado lunes 25 de enero, manifestamos nuestra consternación ante las afirmaciones respecto a los desaparecidos durante la última dictadura militar. Ante sus dichos de claro corte negacionista, nosotros, como integrantes de la comunidad artística, manifestamos nuestra solidaridad y apoyo a las declaraciones de los organismos de Derechos Humanos, tales como Abuelas de Plaza de Mayo y Madres Línea Fundadora, cuya miembro, Nora Cortiñas, pidió públicamente la renuncia del funcionario.

Las ofensivas declaraciones de Darío Lopérfido al cuestionar el número de desaparecidos banalizan una de las páginas más negras de la historia argentina e incurren en el arriba mencionado negacionismo, entendido como delito en países como Alemania, Francia, Austria, Israel y Polonia, entre muchos otros. Teniendo en cuenta que entre esos desaparecidos se encuentran muchos integrantes de la comunidad artística por cuyos intereses el ministro debería velar, sus dichos resultan doblemente aberrantes.

Nos negamos a entrar en la discusión numérica que se pretende instalar, pero creemos que este tipo de declaraciones, entre otras que denotan una apabullante ignorancia de los datos más elementales de Historia y geopolítica, son incompatibles con su responsabilidad institucional.

Declaramos además que ya llevamos demasiado tiempo soportando dentro de nuestra actividad a un funcionario que concentra el repudio de la gran parte de los trabajadores del quehacer teatral y cultural. Máxime cuando el flamante ministro Lopérfido concentra ahora en su persona también las funciones de director artístico del Teatro Colón y de director artístico del Festival Internacional de Buenos Aires (FIBA). Acaparamiento este a todas luces incompatible con la dedicación y vocación que cualquiera de esas tareas, por sí sola, acarrea.

En ninguna capital cultural del mundo -y Buenos Aires se cuenta entre las diez primeras por mérito de sus artistas- un director de un festival internacional tan importante como es nuestro FIBA o director de un teatro lírico de renombre mundial como nuestro Colón es tan unánimemente resistido por la misma comunidad que da contenido y sentido a dichos espacios artísticos. Se encuentra fuera de todo lo imaginable que un director de algún prestigioso festival internacional como el de Aviñón, Edimburgo, Nancy, Iberoamericano o teatros como la Volksbühne, por poner sólo unos pocos ejemplos, descerraje tan inoportunas y sesgadas declaraciones.

Si tal fuera el caso, damos por descontado que el Poder Ejecutivo o las Juntas a quienes dichos directores responden pedirían su inmediata dimisión frente a la vergüenza nacional e internacional que dichas declaraciones representan.

Finalmente, si el presente ministro de Cultura de la ciudad pretende agitar el fantasma de un cínico revisionismo calculado, sería del más puro espíritu democrático que revisara públicamente hechos más recientes y que lo involucran de forma directa. Es por todos conocida su íntima participación en el gobierno que declaró un irresponsable Estado de Sitio en medio de una feroz crisis económica y que derivó en los sangrientos sucesos de 19 y 20 de diciembre de 2001 que terminaron con la vida de cuarenta conciudadanos. Participación esta que fue soslayada todos estos años y por la cual el señor Lopérfido jamás ha tenido la valentía de esgrimir ni una solo palabra de autocrítica y contrición tendientes a cerrar las diferencias que dividen a la sociedad argentina. Sería ese un verdadero aporte al debate social.

Por todo lo expuesto, nos dirigimos a usted, como jefe del Poder Ejecutivo de la Ciudad de Buenos Aires, para que instruya las medidas correspondientes, esto es, el alejamiento del señor Darío Lopérfido de todos sus cargos. La paciencia de esta comunidad artística se ha colmado.

Confiamos en el criterio del jefe Gobierno para llevar a cabo esta urgente y necesaria modificación en la composición de la cartera de Cultura.

No Cuba Debate
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A Gestapo em Atibaia


Vejam este trecho de texto — duro chamar de reportagem, perdoem — do Estadão de hoje sobre o fato de  —  como diariamente fazem milhares de compradores e vendedores — ter sido no escritório de um advogado amigo de Lula e sua família. Algo absolutamente corriqueiro, e eu mesmo fiz isso no final do ano passado, quando tive de vender um terreno que possuía há mais de 20 anos em Maricá, pois os compradores chamaram um oficial de cartório para fazer onde lhes convinha a venda.

No texto, porém, são apontados outros crimes:

“A chegada da Lava Jato mudou a rotina do bairro do Portão, em Atibaia, limite entre a cidade e a área rural onde fica o sítio usado pelo ex-presidente. Vizinhos e comerciantes da região têm sido questionados pelos procuradores do Ministério Público Federal sobre a frequência das visitas, rotina e companhias do petista no local.

No depósito Dias, que forneceu parte do material para a reforma do imóvel, em 2011, os procuradores realizaram duas buscas de documentos e notas fiscais da época. O atual dono, Nestor Neto, que assumiu a loja em 2014, afirmou que o objetivo era encontrar provas e buscar novas informações. Há suspeita de que a Odebrecht pagou parte da conta. “Os procuradores analisaram algumas documentações antigas, como notas e comprovantes, que ainda estavam na loja. Acessaram salas que estavam fechadas pelo dono do prédio e eu não tinha mais acesso”, disse Neto. Duas atendentes da padaria Iannuzzi, que fica no acesso ao sítio, dizem que a ex-primeira-dama Marisa Letícia comprava no local.

Observem o kafkiano do processo: “descobriram que D. Mariza fazia compras na padaria Ianuzzi”!

Qual é o problema de fazer compras nessa padaria ou na Panificação  Santo Antônio, do famoso “seu Manuel da padaria”? E num lugar onde nunca negou frequentar?

O que é que alguém tem a ver com o número de vezes que Lula foi a um sítio onde ele próprio diz que vai?

O que é que alguém tem a ver com quem vai?

E qual seria o problema se algum empresa tiver dado algum material para que se reformasse um sítio que ele frequenta?

Haveria problema, por exemplo, se uma delas desse a Lula, já fora do Governo, uma garrafa de vinho Romaneé Conti (lembram do vinho do Duda Mendonça?) das 114 arrematadas há pouco tempo num leilão da famosa Sotheby’s por US$ 1,62 milhão, o que dá um preço, por garrafa, de R$ 57 mil?

E se fosse uma caixa?

Falta a toda esta investida nazistóide o que justificaria uma investigação: a suspeita específica de algum ato de responsabilidade pessoal de Lula em alguma irregularidade que beneficiasse indevidamente alguma empresa ou pessoa.

Simples assim.

Mas não há. O que há é um troncho “domínio do fato” transposto à investigação policial que funciona na base do “ah, alguma ele fez e nós vamos descobrir o que foi”.

E por que? Porque é preciso usar polícia, Ministério Público e justiça (assim, com letra minúscula mesmo) para cumprir o objetivo político que pela política não conseguem alcançar: destruir Lula eleitoralmente.

Com a certeza de que não haverá mídia ou tribunal que ponha freios a esse uso político desavergonhado das instituições públicas.

Como se sabe, o nazismo serviu-se da covardia dos democratas para se impor.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Não haverá Europa sem a Rússia, diz jurista português

Não haverá Europa sem a Rússia, diz político

Novo livro “Rússia e Europa: Uma Parte do Todo” quer levar ao leitor português, de forma muito acessível, a história das relações entre a Rússia e a Europa desde o século IX até ao século XXI. Muitas vezes, as diplomacias europeias pecam por estarem convencidas que sabem tudo.

Na passada quarta-feira (27) decorreu na Câmara Municipal (prefeitura) de Lisboa a apresentação do livro “Rússia e Europa: Uma Parte do Todo” do historiador e jornalista português José Milhazes. A apresentação da obra esteve a cargo do político e jurista Guilherme d'Oliveira Martins.

“Infelizmente há uma grande ignorância a propósito da relação entre a Rússia e a Europa. Essa ignorância deve-se fundamentalmente a um grande desconhecimento, que não é apenas português, é um desconhecimento europeu. Diga-se, aliás, que muitos dos desenvolvimentos recentes da questão ucraniana se devem à ignorância sobre o cerne da questão e a importância geográfica e geoestratégica desta região”, disse na conferência o professor Oliveira Martins, ministro português da Educação em 1999 – 2000, ministro da Presidência em 2000 – 2002, ministro das Finanças (da Fazenda) em 2001 – 2002, presidente do Tribunal de Contas entre 2005 e 2015.

A Sputnik entrevistou em exclusivo o professor Guilherme d'Oliveira Martins sobre o papel da Rússia no momento atual.

Guilherme d'Oliveira Martins: Eu sou muito otimista relativamente ao futuro e à democracia na Europa Oriental. É por isso que conhecendo eu bem a Rússia, referi aqui várias das minhas incursões — Moscovo [Moscou], São Petersburgo, Kiev, Kazan — e a minha ideia fundamental é esta: os europeus têm que conhecer melhor a Rússia, têm que conhecer melhor as culturas do território russo. Nesse sentido, a paz na Europa depende da existência daquilo que José Milhazes (eu uso a mesma expressão) tem referido como o modus vivendi europeu com a cultura e as culturas da Rússia. É por isso que, no caso da Ucrânia, é indispensável conhecermos bem esse território, as suas origens, a sua diversidade, uma vez que Kiev é algo de matricial da cultura russa, como sabemos, mas o território ocidental da Ucrânia foi parte, até à Primeira Guerra Mundial, do Império Austro-Húngaro. A causa da paz passa pela compreensão da Ucrânia. É indispensável a compreensão dessa diversidade e a compreensão de que a cultura russa, que é também europeia, é responsável por grandes obras: estou a falar de Tolstoi, Dostoyevsky, Pushkin, Chaikovsky. Perguntar-me-á “mas o que é que tem tudo isso a ver?” É que não haverá Europa se não houver uma consciência da complementaridade entre os velhos povos europeus, entre aqueles que, designadamente, são nossos irmãos e que têm tanto a ver conosco e que vivem no território russo.

O professor disse na sua conferência de hoje que era bom oferecer este livro a todos diplomatas europeus. Porquê?

Sim, todos os diplomatas europeus deviam ler este livro, porque é uma obra muito bem informada e que demonstra claramente que a Europa precisa de uma boa relação com a Rússia.

O papel da Rússia

O jurista e político português abordou na sua intervenção a questão do protagonismo da Rússia na atualidade.

“Nós temos que entender que o grande problema hoje na Europa, no Mediterrâneo Oriental, a causa, no fundo, da paz depende da compreensão do lugar e do protagonismo da Rússia no contexto europeu, eurasiático e do mediterrâneo oriental.

O livro começa por algo que é crucial: percebermos o papel, o lugar da Rus de Kiev na Europa. (…) Relativamente à Rússia moderna, a questão de Kiev é uma espécie de Guimarães para a História portuguesa (…) A Ucrânia de hoje é constituída por um território que, inequivocamente faz parte da matriz da cultura russa.

A relação da Rússia com a Europa é uma relação perfeitamente natural. Temos que perceber, pois, que não há Europa, não há geoestratégia europeia, sem a compreensão do modus vivendi com a Rússia, do lugar da Rússia nessa relação.”

Na sua intervenção, José Milhazes, o autor do livro, licenciado em História da Rússia pela Universidade Estatal de Moscou e doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, falou sobre o objetivo da obra e sobre uma questão fundamental: a forma como a Europa Ocidental encara a Rússia.

O objetivo é “levar ao leitor português, de forma muito acessível, a história das relações entre a Rússia e a Europa desde o século IX até ao século XXI. Muitas vezes, as diplomacias europeias pecam por estarem convencidas que sabem tudo e que os outros é que têm que aprender. Chegam lá [ed: à Rússia] e tentam, digamos, impor os seus padrões e, às vezes, de forma completamente desastrosa. Nós, quando estamos a tratar a Rússia, estamos a tratar como um país com um grau de cultura muito alto. Nós não estamos a tratar de um país qualquer. O tratamento que foi dado à Rússia, principalmente depois da queda da União Soviética, fazia lembrar um pouco o comércio que se fazia nos primeiros tempos da colonização em África: levavam-se uns espelhinhos para trazer de lá ouro. Fazia-se dos russos pessoas que precisavam de ser educadas (…) Nesses anos, a Europa e os Estados Unidos humilharam os próprios russos. Nós muitas vezes desprezamos os parceiros, ‘o outro’, estamos convencidos que nós é que sabemos, nós é que temos a razão, esquecendo a grande riqueza cultural da Rússia. (…) Nós estamos a tratar com um povo que é um povo que tem bases sólidas que permitiriam e estou convencido que irão permitir esta aproximação com a Europa. Tentei mostrar que a Rússia não é o ‘urso feroz, agressivo e selvagem’, imagem frequentemente desenhada por alguns dos mais inflamados defensores dos chamados valores ocidentais. A Rússia tem que participar e, sem ela, nós não seremos capazes de defender os chamados valores europeus, que são a base da nossa civilização”, disse José Milhazes.

No Desacato
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Zika é propriedade dos Rockefeller?


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Argentina: Macri enterra a Ley de Medios


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Trabalhadores convocam primeira greve geral contra Macri na Argentina

O secretário geral da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), Hugo Godoy, anunciou nesta quarta-feira (3) que a categoria fará uma greve geral no dia 24 de fevereiro em rechaço à onda de demissões promovida pelo governo de Macri que já demitiu mais de 24 mil funcionários públicos.

A primeira greve geral contra Macri acontece no próximo dia 24 de fevereiro
O dirigente denuncia que Macri implementou um plano de ajuste impopular disfarçado de demissão de funcionários fantasmas, mas não foram realizadas auditorias para identificar as falhas do serviço público e os trabalhadores estão sendo injustiçados. Já foram feitos cortes em diversas áreas, os mais recentes foram nos ministérios da Defesa e da Cultura.

Os ajustes recentes feitos pelo presidente, como o fim do subsídio para a energia elétrica que vai elevar as tarifas em até 500%, somado à redução do poder de compra do salário mínimo entre 10 e 15% tornam a situação dos trabalhadores insustentável.

O dirigente da CTA, Hugo Yaski condena a política sistemática de demissões e denuncia a repressão das forças armadas policiais contra as manifestações políticas e culturais. Nesta semana um grupo que ensaiava na rua para as festas de Carnaval foi fortemente reprimido e 11 pessoas ficaram feridas, entre elas crianças de dois anos de idade.

Yaski destaca ainda que a violência policial e a criminalização dos protestos são respaldadas pelos decretos de Macri “como acontecia nos tempos de ditadura”.

No Vermelho
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Fiocruz: Zika e microcefalia: notas oficiais para esclarecimento da população


Informações de todos os tipos tem circulado na Internet sobre os casos de zika e microcefalia. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde (MS) publicaram algumas notas para esclarecer a população sobre mitos que estavam sendo indevidamente compartilhados. Confira um resumo dessas notas e o que é realmente verdade:

Crianças menores de 7 anos, idosos e vetores

Mito: Áudios circularam em grupos de Whatsapp mencionando a possibilidade e a existência de crianças menores de 7 anos e idosos com sintomas neurológicos decorrentes do vírus zika. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) esclareceu, em nota oficial (8/12), que essas informações não têm fundamentação científica. Até o momento, não há qualquer registro de crianças ou idosos apresentando sintomatologias neurológicas relacionadas ao vírus zika. É importante também esclarecer que, assim como outros vírus, a exemplo de varicela, enterovírus e herpes, o zika poderia causar, em pequeno percentual, complicações clínicas e neurológicas em adultos e crianças, sem distinção de idade. Quanto ao vetor, atualmente, não existem estudos científicos que apontem para o envolvimento de outras espécies de mosquitos além do Aedes aegypti na transmissão da doença no Brasil. Confira a nota na íntegra.

Amamentação e transmissão sexual

Mito e Verdade: Na página oficial do Facebook, frente a informações confusas que circularam nas redes sociais sobre a amamentação e o zika, a Fiocruz esclareceu (que, embora já se tenha identificado o vírus no leite materno, não houve, até o momento, nenhum relato de caso em que tenha havido a transmissão do vírus zika para o bebê pelo leite materno. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, coordenada pela Fiocruz, afirma que, por conta de todos os benefícios que o leite materno traz ao recém-nascido, incluindo o aumento da imunidade, a amamentação deve ser encorajada e incentivada mesmo em áreas endêmicas para o vírus zika. Com relação à possiblidade de transmissão pelo sêmen, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control and Prevention - CDC), há apenas um caso relatado na literatura científica de transmissão do vírus zika por relação sexual. O uso do preservativo é recomendado para prevenção de todas as doenças sexualmente transmissíveis.

Fiocruz Pernambuco, síndrome de Guillain-Barré e zika

Mito: O Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco), unidade da Fundação no estado de Pernambuco, notificou (26/11), por meio de uma nota oficial, qual era sua real contribuição nas pesquisas que envolvem o vírus zika e sua relação com o síndrome de Guillain-Barré, devido a informações equivocadas veiculadas pela imprensa a respeito do tema. A unidade da Fundação, em 2014, não desenvolveu qualquer estudo e não realizou testes para identificação do vírus zika. No entanto, dentro de um projeto de pesquisa voltado para o estudo da dengue, os pesquisadores identificaram, por diagnóstico molecular, dez amostras positivas com material genético do vírus zika, em um universo de 224 casos suspeitos de dengue investigados laboratorialmente. A Fiocruz Pernambuco ressaltou que a identificação do tipo de comprometimento neurológico, seja Síndrome de Gulliian-Barré ou qualquer outra, não foi feita pelos pesquisadores da Fundação e sim por médicos neurologistas da rede assistencial de saúde. Leia a nota completa.

Ministério da Saúde esclarece boatos em perguntas e respostas:

Os casos de microcefalia estão relacionados ao uso de vacinas vencidas?

Mito: O aumento de casos de microcefalia no país está associado ao vírus zika, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Não há registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas pelo Programa Nacional de Imuização (PNI) são seguras. O PNI é responsável pelo repasse, aos estados, dos imunobiológicos que fazem parte dos calendários de vacinação. Uma das ferramentas essenciais para o sucesso dos programas de imunização é a avaliação da qualidade dos imunobiológicos. O controle de qualidade das vacinas é realizado pelo laboratório produtor obedecendo a critérios padronizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Após aprovação em testes de controle do laboratório produtor, cada lote de vacina é submetido à análise no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) do Ministério da Saúde. Desde 1983, os lotes por amostragem de imunobiológicos adquiridos pelos programas oficiais de imunização vêm sendo analisados, garantindo sua segurança, potência e estabilidade, antes de serem utilizados na população.

Confira vídeo do diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Claudio Maierovitch, sobre o uso de vacinas na gestação:



O aumento do número de casos de microcefalia está relacionado ao uso de mosquitos com bactéria?

Mito: Não é verdadeira a informação de relação entre a incidência do vírus zika com os mosquitos portadores da bactéria Wolbachia. Desde 2014, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, desenvolve o projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil que propõe o uso de uma bactéria naturalmente encontrada no meio ambiente, inclusive no pernilongo, chamada Wolbachia. Quando presente no Aedes Aegypti, a bactéria é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. A iniciativa, sem fins lucrativos, é uma abordagem inovadora para reduzir a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito de forma natural e autossustentável. A pesquisa é inédita no Brasil e na América Latina. O estudo já foi realizado, com sucesso, na Austrália, Vietnã e Indonésia — onde não existem relatos de aumento dos casos de microcefalia.

O vírus zika também pode causar Guillain-Barré?

Verdade: A síndrome de Guillain-Barré é uma reação, muito rara, a agentes infecciosos, como vírus e bactérias, e tem como sintomas a fraqueza muscular e a paralisia dos músculos. Vários vírus, assim como o zika, podem provocar a síndrome de Guillain-barré, que é uma doença rara. Assim como todas as possíveis consequências do zika, a ocorrência da Guillain-Barré relacionada ao vírus continua sendo investigada. Os sintomas começam pelas pernas, podendo, em seguida, irradiar para o tronco, braços e face. A síndrome pode apresentar diferentes graus de agressividade, provocando leve fraqueza muscular em alguns pacientes ou casos de paralisia dos membros. O principal risco provocado por esta síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios, devido a dificuldade para respirar. Nesse último caso, a síndrome pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas de suporte respiratório.

Confira vídeo do diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Claudio Maierovitch, sobre a síndrome Guillain-Barré:



O Ministério da Saúde mudou o parâmetro para identificar a microcefalia para esconder o número de casos?

Mito: Todos os casos de crianças com microcefalia relacionada ao vírus zika serão investigados. A mudança para o parâmetro do perímetro cefálico igual ou menor de 32 centímetros segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e é apoiada pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e tem suporte da equipe do Sistema Nacional de Informação sobre Agentes Teratogênicos (SIAT). Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde adotou a medida de 33 cm inicialmente, que é totalmente normal para crianças que nascem após 37 semanas gestacionais, com o objetivo de compreender melhor a situação do aumento de casos de microcefalia. A partir da primeira triagem desses casos suspeitos, muitos dos diagnósticos realizados precocemente e preventivamente já foram descartados. Portanto, a nova medida visa a evitar que bebês sem a malformação sejam submetidos a uma série de exames desnecessários.

Confira vídeo do diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Claudio Maierovitch, sobre a mudança no perímetro cefálico:



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Churchill, as bebedeiras e Gilmar Mendes

Por que não concorre a um cargo político?
Lembrei de uma tirada de Churchill quando li que Gilmar teria chamado Lula de bêbado numa festa em Brasília.

Uma senhora chamou Churchill exatamente de bêbado. Churchill retrucou: “Amanhã vou estar sóbrio e a senhora vai continuar feia.”

Qualquer pessoa que seja xingada por Gilmar de bêbeda pode repetir a frase de Churchill.

No dia seguinte, a bebedeira terá passado, e Gilmar continuará a ser o que é: um juiz que é uma vergonha para a Justiça brasileira.

Chegará o dia em que o partidarismo tonitruante, despudorado, desvairado de Gilmar será lembrado como uma das páginas mais sinistras da história jurídica nacional.

Como um homem tão apaixonado politicamente como ele pode pertencer à principal corte do país?

Antes de tudo, por obra de FHC, que o indicou. FHC seguiu seu padrão de indicações: o mérito era o que menos contava. Primeiro, segundo e terceiro vinha a afinidade pessoal e ideológica.

Depois, porque o Brasil está doente. Um juiz como Gilmar tinha que ser duramente cobrado por infringir as regras básicas do cargo.

Mas existe uma leniência generalizada por parte das vítimas dele, entre as quais estão seus colegas de STF. Desesperado por ver a derrota do seu voto no rito do impeachment, Gilmar acusou o STF de ter se deixado abduzir pelo governo.

Há acusação mais grave que esta?

E no entanto a reação dos juízes achincalhados por Gilmar foi nada. Nula. Zero.

Se eles consultassem o clássico jurista alemão Rudolph von Ihering, veriam que se comportaram como “vermes”. Segundo Ihering, quem aceita passivamente bordoadas infames — como a acusação de Gilmar aos pares — merece cada uma delas.

Ihering consagrou a tese de que devemos à sociedade recorrer à Justiça para que ela possa ser aprimorada.

Os juízes do STF, se tivessem reagido de alguma forma contra Gilmar — teriam prestado um fabuloso serviço para a sociedade. Seria um marco para removermos de nosso convívio juízes que fazem política e não justiça.

Em nenhum país avançado você vê um juiz como Gilmar. Nenhum. Comportamento como o dele não é tolerado.

Nos Estados Unidos, juízes jamais se manifestam sobre questões públicas a não ser nos autos.

Por que temos que ser diferentes, e para pior?

Gilmar se sente à vontade, também, para ser amigo de jornalistas.

Ora, ora, ora.

Eis aí mais um sinal de atraso coronelesco. Juízes não têm amigos jornalistas. (Assim como jornalistas, como pregou Pulitzer num de seus mandamentos célebres, não têm amigos.) Justiça e imprensa devem fiscalizar uma à outra, e não confraternizar.

Mas Gilmar parece se orgulhar dos amigos “jornalistas-importantes”. Um deles é Merval, portavoz não oficial da Globo, ou “grilo falante” dos Marinhos, na definição memorável de Mino Carta.

Dê um google e você verá fotos de Gilmar e Merval abraçados, num símbolo de uma promiscuidade que faz um mal terrível ao país.

Gilmar pode xingar quem for de bêbado, repito.

No dia seguinte, a bebedeira terá passado — e ele continuará a ser o que é, um símbolo do que existe de pior na Justiça.

Paulo Nogueira
No DCM
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O cerco a Lula


Há meses que eu ouço frases como: “Quando vão chegar no Lula?”, ou então, “Quando vão pegá-lo?”. Porque, afinal, este é o objetivo maior do establishment brasileiro: atingir o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas. Não porque ele seja desonesto, mas porque ele se manteve de esquerda, porque se manteve fiel à sua classe de origem não obstante o clássico processo de cooptação de que foi objeto. Pois bem, o establishment chegou ao Lula. Não para incriminá-lo, mas para tentar desmoralizá-lo. 

As duas manchetes de primeira página dos dois principais jornais de São Paulo de hoje são significativas. Na Folha leio que “Lula é investigado por suposta venda de MPs”. Não há nada contra o ex-presidente na Operação Zelotes, a não ser a desconfiança de um delegado irresponsável. O que há nessa operação é o envolvimento de grandes empresas e de seus dirigentes em um escândalo de grandes proporções de pagamento de propinas para obterem MPs favoráveis. No Estado, por sua vez, a manchete é “Compra de sítio foi lavrada no escritório de compadre de Lula”. Neste caso — o do uso por Lula e sua família de um sítio no qual construtoras se juntaram para realizar obras sem que houvesse pagamento — o caso é mais objetivo. Lula aceitou um presente que não deveria ter aceito. 

As contribuições de empresas a campanhas eleitorais (que até a decisão do Supremo eram legais) são afinal presentes. Mas é impressionante como empresas dão ou tentam dar presentes mesmo a políticos — presentes dos quais elas não esperam nada determinado em troca; fazem parte de suas relações públicas. Eu sempre me lembro de como tentaram reformar a piscina da casa do Ministro da Fazenda em Brasília quando ocupei esse cargo em 1987. Minha mulher os pôs para correr. Era o que devia ter feito Lula, que havia acabado de sair do governo. Não o fez, e isto foi um erro político. A reforma não aumentava seu patrimônio, apenas lhe proporcionava mais conforto. Ele não trocou a reforma do sítio por favores às duas construtoras. Não há nada sobre isto na investigação sobre o sítio.

O Estado brasileiro está revelando capacidade de se defender — de defender o patrimônio público — ao levar adiante as operações Lava Jato e Zelotes. Dirigentes de empresas, lobistas e políticos envolvidos estão sendo devidamente incriminados e processados. A instituição da delação premiada revelou-se um bom instrumento de moralização [sic]. Mas está havendo abusos. Houve e estão havendo abusos na divulgação de delações sem provas, houve abuso em prisões cautelares ou provisórias quando não havia razão para elas. E não é razoável o que se está fazendo com Lula. Só um clima de intolerância e de ódio pode explicar o cerco de que está sendo vítima.

Luiz Carlos Bresser-Pereira
No Esquerda Caviar
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Manual do perfeito midiota – 8

Você é bombardeado diariamente com a tese de que os problemas se devem aos gastos excessivos do setor público — o que leva o midiota a amaldiçoar os políticos e achincalhar todos os servidores do Estado e das autarquias

Analistas de fundos de investimento voltam a alertar sobre novos sinais de agravamento da crise sistêmica que desestruturou a economia global em 2008. Na imprensa brasileira tradicional, com exceção do jornal Valor Econômico, tudo que se apresenta ao leitor é o risco de uma redução do apetite da China por commodities.

“Compla, compla, compla”, como diriam os torcedores do Corinthians: se os chineses param de comprar, a recessão bate à porta do mundo ocidental.

O que falta aos chamados diários genéricos está resumido no título de uma reportagem assim apresentada na edição de quinta-feira (29/01) do Valor: “Lucro do Bradesco cresce e passa de R$ 4 bilhões no trimestre; inadimplência sobe”.

Essa é uma boa matriz para se iniciar uma investigação jornalística sobre as dificuldades enfrentadas pelo Brasil. Sabe-se que a reforma do sistema financeiro nacional, realizada em 1995 com o Proer – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional —, criou uma rede de grandes bancos dominantes e deixou para os cofres públicos a parte podre do sistema.

Você não vai ler muita coisa sobre isso na mídia tradicional nem vai ouvir comentários indignados nas emissoras hegemônicas de rádio e televisão. Para fugir à regra, um blogueiro do Estado de S. Paulo abordou o assunto no ano passado (veja aqui). Mas o tema fica longe das manchetes.

Você pode refletir como, num sistema financeiro praticamente oligopolizado, quem perde é sempre aquele que precisa de financiamento, por isso são importantes as recentes medidas para a retomada da oferta de crédito..

Talvez você não saiba que, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, uma condição para que os bancos aceitassem a instabilidade na transição para o real foi essa reforma. Em resumo, tratou-se do seguinte: o governo resgatou com dinheiro público sete grandes bancos do País — Bamerindus, Nacional, Econômico, Mercantil, Crefisul, Pontual e Banorte. Foram injetados R$ 16 bilhões para salvar essas instituições.

Em seguida, o governo tomou o controle desses bancos e fez a seguinte operação: a parte boa, dos bancos que possuíam ativos valiosos, foi vendida de volta para o setor privado — o Itaú abocanhou o Nacional; o Bamerindus foi para o HSBC; o Econômico, envolvido em gestão fraudulenta, acabou nas mãos do Bradesco, e assim por diante.

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Passados vinte anos, a parte podre ainda pesa na bolsa da viúva: três dos sete bancos que receberam ajuda do governo FHC devem ao Banco Central cerca de R$ 30 bilhões.

O ex-presidente Lula da Silva impediu que o Banco Central aceitasse  o pagamento da dívida em FCVS, os Fundos de Compensação de Variações Salariais, considerada uma moeda podre, e a pressão voltou com a posse de Dilma Rousseff, mas ela vetou a operação em duas ocasiões.

Finalmente, em 2011, a presidente Dilma aprovou uma lei permitindo que os devedores entrassem para o plano de financiamento de dívidas do Refis, o que lhes valeu um enorme desconto mas garantiu o recolhimento de parte do esqueleto.

Se o governo tivesse aceitado a proposta dos banqueiros, o Banco Central teria sofrido uma perda superior a R$ 40 bilhões.

Mas você não vai se incomodar com isso, certo? Você está certo de que o problema do Brasil são os gastos do governo.

Afinal, essa é a resposta mais simples. E a vida do midiota, como sabemos, se resume a fugir de coisas complicadas.

Acontece que alguns setores poderosos afetados pela crise internacional, como o agronegócio, a indústria paulista e as grandes empresas de comunicação, sonham com um novo Proer especialmente desenhado para eles.

Mas para isso precisam de um governo mais simpático ao capitalismo sem risco – ou melhor, àquele capitalismo de vinte anos atrás em que o lucro era privado e o prejuízo é público.

Ah, eles precisam principalmente da torcida organizada dos midiotas.


Para ler: Os bancos e o direito do consumidor — artigo sobre abusos no “spread” bancário.

Para ver:


Luciano Martins Costa, Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”
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'Operação Abafa': como o tucanato se mantém no poder

Desde o propinoduto e o caso Alstom até a 'máfia da merenda', reportagem lista 16 escândalos que os tucanos habilmente abafaram na imprensa e na Câmara.


Mais um escândalo envolvendo governos tucanos veio à tona. Desta vez, a acusação é o superfaturamento em contratos para o fornecimento de merenda escolar à Secretaria de Educação e mais 22 prefeituras do estado de São Paulo. Em delação, na “Operação Alba Branca”, dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF) citaram o deputado Fernando Capez (PSDB-SP), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do Governo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o Moita, como participantes do esquema. Ambos negam.

Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o superfaturamento chegava a 25% no valor de cada contrato firmado entre a cooperativa e o setor público. O dinheiro era escoado do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O MPE aponta, ainda, o pagamento de propina pela Coaf para burlar a disputa com outras cooperativas no fornecimento da merenda. A fragilidade na fiscalização do Governo Alckmin já havia sido denunciada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo e republicado aqui, na Carta Maior, Mauro Donato detalha o esquema.

Denúncias relativas à “Máfia da Merenda” não são de hoje. Em 2000, as empresas de Sérgio de Nadai, De Nadai Alimentação e Convida Alimentação, foram tema de investigação por contratos sem licitação durante o Governo Covas. Em 2009, a Convida Alimentação estava na lista das empresas do cartel para o fornecimento de alimentos. Aliás, a denúncia citava até mesmo a participação do cunhado de Alckmin, Paulo César Ribeiro, no direcionamento de contratos de uma das empresas envolvidas no cartel, a Verdurama.

Em 2012, o MPE denunciou o cartel da merenda à Justiça, apontando fraudes em licitação em 57 municípios paulistas, entre 2001 e 2011. Apesar de todas as denúncias, como destaca a reportagem da Carta Capital, de 14.01.2016, nos últimos anos (2001 a 2015) foram fechados vários contratos entre a empresa de Sérgio de Nadai e as secretarias do Governo Alckmin — Educação, Planejamento e Saúde — totalizando R$ 75 milhões em vendas.

Com apoio da mídia e folgada maioria entre os parlamentares na Alesp, os tucanos têm trânsito livre para comandar e derrubar investigações e CPIs na Casa legislativa. Uma verdadeira “operação abafa” como comprova o destino dos principais escândalos envolvendo os governos de Mário Covas (1995 a 2001), Geraldo Alckmin (2001-2006 / 2011 até hoje) e José Serra (2007 a 2011). Confiram alguns:

1 — Crise no abastecimento de água.

Ocultamento de informações e da real situação da crise de abastecimento de água em São Paulo, durante a disputa eleitoral de 2014. Os gastos com publicidade saltaram, enquanto se mantinha o discurso da ausência de racionamento, à revelia do que atestava a população nas periferias. Ficou patente a má gestão e a omissão dos governos Alckmin e Serra diante dos alertas sobre riscos no Sistema Cantareira, como, por exemplo, o alerta da Fundação de Apoio à USP, em 2009 (FSP, 13.03.2014). Em meio à crise, também foi denunciado, pelo MPE, o favorecimento de 13 empresas de engenharia em contratos realizados pela Sabesp, entre 2008 a 2013, no escopo do programa de redução de perdas de água no estado (OESP, 21.05.2014).

Com ativos privatizados na Bovespa e na Bolsa de Nova York, em março de 2015, Alckmin anunciou o pagamento de uma dívida de R$ 1 bilhão para cobrir os rombos financeiros da "estatal". A crise escancarou a quem realmente serve a “estatal” tucana. Criada na Câmara Municipal de São Paulo, a CPI da Sabesp defendeu a necessidade de criação de uma autoridade fiscalizadora municipal para monitorar a política de saneamento básico. Autoridades tucanas permanecem intocáveis. Alckmin, inclusive, foi agraciado com o “Prêmio Lucio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação”. O documentário “O escândalo da Sabesp” produzido pelo Diário do Centro do Mundo detalha as irregularidades na “estatal” tucana.

2 — Socorro à Folha, Estadão e Veja.

Gastos de mais de R$ 3,8 milhões na compra de 15.600 assinaturas da Folha, Estadão e Veja, utilizando-se verbas do orçamento da Secretaria de Educação. As assinaturas foram destinadas às escolas da rede estadual de ensino em um projeto chamado “sala de leitura”, como mostra a reportagem publicada por Altamiro Borges do Centro de Mídia Barão de Itararé.

3 — Propinoduto tucano.

O esquema envolvendo multinacionais da área de transporte sobre trilhos em sucessivos governos tucanos — desde 1998 — veio à tona em meados de 2012. Documentos encaminhados pela Justiça Suíça ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) apontavam fraudes em licitações de trens e metrôs, pagamento de propina, superfaturamento de obras e subcontratação de empresas derrotadas em concorrências. O escândalo só foi descoberto porque a Siemens estava sendo investigada pela Justiça suíça. Reportagem da Isto É (16.08.2013) apontava que na delação da multinacional, foram citados nomes de várias autoridades tucanas, como os secretários de Transporte Metropolitano, José Luiz Portella (Governo Serra) e Jurandir Fernandes (Governo Alckmin). Entre 2008 e 2013, segundo reportagem da Rede Brasil Atual, mais de 15 representações haviam sido encaminhadas aos ministérios públicos Estadual e Federal pela oposição paulista. Entre os indiciados até agora estão os executivos das empresas envolvidas.

4 — Pedágios abusivos e concessões de Rodovias.

Irregularidades e distorções nos contratos de concessão das rodovias de São Paulo, gerando preços exorbitantes na cobrança dos pedágios — o estado cobre a mais alta taxa no país. Em maio de 2014, durante a CPI dos Pedágios na Alesp, além dos preços elevados, a oposição colocou em suspeita contrações de consultorias pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que representavam 2/3 da receita da agência. Também foi questionada a prorrogação de contratos firmados em 1998 — assinada em aditivos no final de 2006 — permitindo às concessionárias o direito de estenderem concessões, com base em novos tributos que passaram a incidir após a assinatura dos contratos. Presidida pelo tucano Bruno Covas (PSDB-SP) — e com maioria da base aliada — a CPI foi esvaziada e concluiu não haver nenhuma irregularidade nos contratos.

5 — Nova Marginal Tietê.

Em 2012, no escopo das investigações sobre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, tornou-se suspeito por contratos firmados entre a Dersa e a Delta Construções. Quando da denúncia, Alckmin afirmou sobre os contratos à Folha: “Nem sei se tem, se tem são ínfimos”. Porém, levantamento do blog Transparência SP apontava que, de 2002 a 2011, a Delta Construções havia fechado pelo menos 27 contratos com empresas e órgãos públicos do governo do Estado de São Paulo.

Entre os contratos suspeitos: a ampliação da Nova Marginal Tietê. Com valor previsto em R$ 1 bilhão, em 2008; a obra superou o valor de 1,75 bilhão, sem estar concluída. A Delta venceu a concorrência do segundo lote da Nova Marginal Tietê, recebendo aditivos de R$ 71 milhões que despertaram denúncias no MPE. Entre os suspeitos, estava seu ex-diretor-executivo Fernando Cavendish, suspeito de ter fraudado a concorrência. Parlamentares da oposição ao governo paulista também protocolaram um requerimento no Ministério Público para investigar o aumento dos valores na obra da empreiteira, denunciando outros consórcios entre órgãos públicos do estado e a Delta: um total de R$ 800 milhões — R$ 664 milhões celebrados na gestão Serra e R$ 140 milhões na gestão Alckmin.

6 — Rodoanel 1.

Em 2010, durante as investigações da Construtora Camargo Corrêa, no escopo da Operação Castelo de Areia, a PF encontrou um pen drive e documentos que indicavam o pagamento de propina pela empreiteira a autoridades tucanas. Reportagem da revista Época (14.05.2010) apontava que entre os nomes citados pela PF estavam Arnaldo Madeira, ex-chefe da Casa Civil (Governo Alckmin), responsável pela checagem das obras do Rodoanel e do Metrô; Luiz Carlos Frayze David, presidente do Metrô entre 2003 e 2007; e o ex-diretor da Dersa, Paulo Preto. Coordenador do programa de governo de Aécio Neves na última eleição, Madeira negou ter recebido dinheiro ou doações de campanha da empreiteira. Luiz Carlos saiu do governo 40 dias após o acidente nas obras da Estação Pinheiros. Já o ex-diretor da Dersa, Paulo Preto — acusado naquele ano de ter desaparecido com cerca de R$ 4 milhões da campanha de Serra — foi demitido oito dias após a inauguração do trecho sul do Rodoanel. No dia 5 de abril de 2011 a operação Castelo de Areia foi anulada pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.

7 — Rodoanel 2.

Em novembro de 2009, três vigas de um viaduto em obras no trecho sul do Rodoanel caíram sobre a Rodovia Régis Bittencourt, na cidade de Embu. Técnicos do TCU haviam soltado um laudo, em abril daquele ano, denunciando superfaturamento na construção do trecho sul do Rodoanel, incluindo compras com valores, em média 30% acima do orçamento. O laudo apontava, também, alteração de métodos construtivos pelas empresas para reduzir custos: por exemplo, a diminuição do número de vigas utilizadas. A oposição tentou emplacar uma investigação, denunciando a “pressa” do então governador José Serra em inaugurar o Rodoanel em março de 2010, ano eleitoral. Dois anos depois, o TCU aceitou as explicações dadas pelo Governo do Estado e pela Dersa, comandada à época, por Paulo Preto.

8 — Caso Alstom.

Em 2008, documentos da Justiça suíça, enviados ao Ministério da Justiça do Brasil, evidenciavam o pagamento sistemático de propinas pela empresa francesa a autoridades dos governos tucanos. Entre 1998 a 2001, o dinheiro foi repassado por empresas offshore (paraísos fiscais), em troca da assinatura de contratos no setor energético paulista. Um dos engenheiros da Siemens apontava o sociólogo Claudio Mendes, assessor de Covas e secretário-adjunto de Robson Marinho (Casa Civil), como intermediário nas negociações. À frente da Secretaria de Energia, na época dos contratos, estiveram David Zylbersztajn, genro do ex-presidente FHC; o deputado Andrea Matarazzo; e Mauro Arce, ex-secretário estadual dos Transportes. José Serra se esmerou para bloquear a CPI, impedindo que as ligações entre Alstom e Governo fossem investigadas ou mesmo discutidas.

A multinacional francesa fechou um acordo na Justiça, aceitando pagar R$ 60 milhões para se livrar do processo. Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB e chefe da Casa Civil de Covas, permanece como o réu na ação do Ministério Público, como destaca a Folha de S. Paulo (22.12.2015).

9 — CPI da Eletropaulo.

Privatizada em 1998, a Eletropaulo foi vendida para o consórcio Lightgás, liderado pela AES Corporation, por R$ 2 bilhões — parte do valor financiado pelo BNDES. À frente da negociação, estava o governador Geraldo Alckmin, na época presidente do Programa Estadual de Desestatização (PED) do Governo Covas. Após a demissão de metade dos funcionários da estatal e das suspeitas sobre o baixo valor da venda, parlamentares da oposição tentaram instalar uma CPI. Apenas em 2008, após o escândalo Alstom vir à tona, ela pode ser instalada. Além do baixo preço da venda, os deputados denunciavam (veja aqui) ilegalidades formais e improbidade administrativa praticada pelo BNDES na concessão do empréstimo. Os parlamentares também pediam que se incluísse a Alstom no bojo das investigações. A CPI foi encerrada naquele, sem mencionar a multinacional francesa em seu relatório. Em 2013, nova tentativa de investigação foi enterrada pelos deputados da situação na Alesp.

10 — Cartões de Pagamento.

Em 2008, no auge das denúncias sobre cartões corporativos do Governo Federal, a Folha de S. Paulo trouxe uma matéria apontando que o Governo Serra havia gastado R$ 108,3 milhões em cartões de pagamento de despesas. A denúncia motivou o primeiro pedido de CPI da bancada petista naquele ano, enterrada pela situação na Alesp. Três anos depois, outra reportagem do jornal, afirmava que em dez anos, o Governo paulista gastara R$ 609 milhões em cartões de pagamento. “O valor é 70% maior que o registrado pelo governo federal no período”, afirmava o texto.

11 — Cratera do Metro.

Em novembro de 2004, começaram as obras da Linha 4 – Amarela do Metrô, com previsão de inauguração em 2008. Em janeiro de 2007, porém, ocorreu um desmoronamento vitimando sete pessoas e abalando a estrutura de vários imóveis na região. Dados do Sindicato dos Metroviários, à época, apontavam a existência de 11 acidentes desde o início das obras na Linha 4, um deles com vítima fatal. Em junho de 2008, laudo do Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) denunciava a execução inadequada do projeto, culpando o Consórcio Via Amarela pelo acidente. Em agosto de 2008, o laudo final do Instituto de Criminalística (IC) apontava falhas na fiscalização do Metrô. O processo foi lentamente arrastado pela Justiça paulista. Reportagem da Rede Brasil Atual, em 2014, denunciava a impunidade e o fato de ninguém ter sido julgado pelas mortes.

12 — Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

A Operação Pomar, deflagrada em 2007, apontava um esquema de superfaturamento e fraudes em licitações para construção de casas em 23 municípios paulistas. A partir do exame do livro-caixa da empreiteira FT Construções, entre os suspeitos estavam prefeitos, vereadores, empresários, diretores da CDHU e o ex-secretário de Habitação de Alckmin, Mauro Bragato, absolvido pelo Conselho de Ética da Alesp.

Em novembro de 2007, o Legislativo paulista chegou, inclusive, a mudar pareceres do TCE que indicava irregularidades em quatro obras das gestões Alckmin e Covas. O novo parecer do TCE foi elaborado por Bruno Covas (PSDB), neto do ex-governador que afirmara ser obrigação do Legislativo analisar os casos julgador irregulares pelo TCE, referendando ou reformando a decisão. Houve uma CPI da CDHU, mas sob a presidência do deputado José Augusto (PSDB) e sem dar o prazo necessário às investigações, como demandavam os parlamentares da oposição, ela foi encerrada em 2009.

13 — CPI das obras do Tietê.

Em 2005, o rebaixamento da calha do Tietê foi tema de várias reportagens questionando os gastos acima de R$ 1 bilhão, a partir de aditivos e acréscimos aos valores iniciais do empreendimento. O acerto prévio pelo financiamento do JBIC (banco japonês), garantia que não seriam toleradas elevações de preços superiores ao limite legal de 25%. O Governo Alckmin, porém, fez alterações no contrato da obra, contratou consultorias, aumentando os valores iniciais em 148%, como denunciava  reportagem da FSP.  A oposição tentou instaurar uma CPI, mas jamais conseguiram.

Além das suspeitas de irregularidades, como detalha Henrique Costa, no artigo As tragédias anunciadas do Rio Tietê, neste site (15.05.2011), após a entrega da obra de ampliação da calha do Tietê, técnicos alertaram que a eficiência da obra (que custou quase R$ 2 bilhões) dependia, fundamentalmente, da limpeza da calha do rio. O sucessor de Alckmin no Estado, José Serra não deu atenção ao alerta: retirou do rio apenas 200 mil m3 de resíduos, quando a média anual necessária deveria ficar entre 400 e 600 mil m2.

14 — Nossa Caixa.

Esquema de favorecimento da Nossa Caixa — banco estadual na época e terceiro maior banco público do país — para distribuição de verbas públicas para deputados ligados à base aliada do Governo Alckmin. A denúncia dizia respeito a irregularidades nas verbas publicitárias do banco, que operou por um ano e meio com contratos vencidos (R$ 28 milhões no total) com duas agências de publicidade: Colucci & Associados Propaganda Ltda. e Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. O gerente de marketing Jaime de Castro Júnior foi afastado e uma sindicância interna encaminhada ao Tribunal de Contas Estadual. Em posse dos documentos, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem — Banco estatal beneficiou aliados de Alckmin (23.03.2006) — afirmando que o Palácio dos Bandeirantes “interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios” deputados da base aliada na Assembleia Legislativa. Com a quebra do sigilo da correspondência de Castro Júnior, foi revelado que os pedidos de benefício haviam partido de Roger Ferreira, então assessor-chefe de comunicação de Geraldo Alckmin, e também assessor da presidência da Nossa Caixa. Ele atuou nas equipes de marketing das campanhas presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Geraldo Alckmin exonerou Roger Ferreira após as denúncias. Duas tentativas de se convocar uma CPI sobre o assunto foram abafadas.

15 — Aeroporto Fantasma.

Em 2005, o governo Alckmin investiu pesado em obras no aeroporto Antônio Nogueira Junior, em Itanhaém, com 85 mil habitantes à época. Batizado de “aeroporto fantasma", o movimento médio de passageiros naquele ano não ultrapassou 5 pessoas por dia. O total gasto pelo governador na obra chegou a R$5,5 milhões, com direito a uma pista capaz de receber até mesmo um Boeing 737, como denunciava a Folha de São Paulo. Tentativa de investigações foram abafadas pelos tucanos.

16 — Compra de votos.

Em julho de 2005, reportagem da Folha de S. Paulo trazia à tona uma conversa telefônica entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP) e Paschoal Thomeu (PTB-SP), às vésperas da eleição do novo presidente da Alesp. Entre os candidatos estava Rodrigo Garcia (PFL), apoiado por Tuma Jr. e Edson Aparecido (PSDB), apoiado por Alckmin. Na gravação, Thomeu afirmava que votaria em Edson Aparecido, alegando que suas "seis firmas" estavam em situação muito difícil e mencionava a venda de terras para a CDHU. Dizia ainda que o governador em pessoa havia lhe prometido ajuda. Confrontado com a gravação, o deputado afirmou que a conversa foi uma desculpa que inventou para não magoar Tuma, como apontava a reportagem do jornal.

Dada a quantidade de escândalos, a reportagem continua.

Tatiana Carlotti
No Carta Maior
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Tesoureiro do SD diz que UTC fez repasses em espécie ao partido


O tesoureiro-geral do partido Solidariedade, Luciano Araújo de Oliveira, disse, em depoimento à Polícia Federal (PF), que a construtora UTC fazia pagamentos em espécie ao partido a cada 45 dias, antes mesmo da formalização da legenda, com valores oscilando entre R$ 20 mil e R$ 40 mil. Os repasses eram feitos em dinheiro vivo porque a empreiteira "não desejava operacionalizar por meio de transferências", afirmou o tesoureiro. Luciano atribuiu os pagamentos à proximidade entre o dono da UTC, Ricardo Pessoa, e o dono e presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP).

O depoimento ocorreu em 26 de outubro de 2015, em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga suposta venda de informações privilegiadas do Tribunal de Contas da União (TCU) ao dono da UTC por parte do advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do tribunal, Aroldo Cedraz. Luciano é primo de Tiago. Os dois já foram sócios e são da executiva nacional do Solidariedade — o advogado é secretário de assuntos jurídicos do partido. Tiago é suspeito de receber R$ 50 mil mensais para vender informações do TCU a Pessoa.

O empreiteiro entregou à Procuradoria Geral da República (PGR), em sua delação premiada, uma relação de diversas visitas de Luciano e Tiago à UTC para, supostamente, receberem o dinheiro. Os dois são formalmente investigados no inquérito em curso no STF, assim como o ministro do TCU Raimundo Carreiro.

Pessoa contou ter feito um pagamento único de R$ 1 milhão a Tiago para obter informações sobre processo referente à usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). O empreiteiro afirmou ter interpretado que o dinheiro seria destinado a Carreiro, relator do processo no tribunal. A UTC integra consórcio vencedor de contrato de R$ 1,75 bilhão para obras da usina.

O dinheiro em espécie não se confundia com doações oficiais da construtora ao partido, conforme o depoimento de Luciano. Segundo ele, a UTC fez duas doações "oficiais": R$ 1 milhão em julho de 2014 e R$ 200 mil em setembro do mesmo ano. "Tais doações foram realizadas via transferência on-line, preenchidos os requisitos da legalidade do ato. Esta não foi a única ajuda ao partido", disse o tesoureiro à PF.

Luciano explicou as outras "ajudas" ao Solidariedade: "O partido ainda em formação chegou a receber valores da UTC, acreditando que isto se deu em razão da proximidade do presidente do partido, Paulo Pereira, com Ricardo Pessoa", registra o depoimento. O dinheiro em espécie era buscado por Luciano. "Recorda-se de ter recebido aproximadamente em cinco oportunidades valores em espécie. Cada entrega era de R$ 20 mil a R$ 40 mil aproximadamente. O declarante sempre se dirigia à sede da UTC e recebia os valores em mãos da pessoa de Edinaldo". As entregas teriam ocorrido em 2013, antes da formalização do Solidariedade.

O dinheiro se destinava a despesas do partido, segundo o tesoureiro. A PF quis saber se em algum momento Luciano depositou parte dos recursos em sua conta pessoal. "Isso aconteceu em uma oportunidade, na qual depositou R$ 9 mil, tendo gasto em despesas, porém ressarcido ao partido logo após", registra o depoimento. O tesoureiro disse ainda que os diretores do partido sabiam da "ajuda" da UTC, entre eles Tiago Cedraz. "Ao receber as quantias, o declarante noticiava ao presidente do partido."

Diante do teor do depoimento do tesoureiro do Solidariedade, a PF voltou a ouvir Pessoa. O delator negou que os repasses tinham o propósito de "ajudar" o partido e confirmou a versão de que os repasses se destinavam à compra de informação privilegiada do TCU.



Tabela de empreiteira indica repasses de R$ 2 mi a filho de ministro do TCU


Uma tabela repassada pela empreiteira UTC aos investigadores da Operação Lava Jato aponta pagamentos de R$ 2,2 milhões ao advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Aroldo Cedraz. Parte teria sido entregue em dinheiro em espécie.

O documento foi anexado pelo dono da construtora, Ricardo Pessoa, que se tornou um dos delatores e era apontado como chefe do clube de empreiteiras que atuou nos desvios na Petrobras.

A tabela, intitulada "ThiagoBSB", mostra 24 repasses de R$ 50 mil, entre junho de 2012 e setembro de 2014, além de um pagamento de R$ 1 milhão em 13 de fevereiro de 2014. Os valores aparecem ao lado de Thiago/Luciano. Segundo Pessoa, Luciano é referência ao primo do advogado, Luciano Araújo, tesoureiro do partido Solidariedade.

O empreiteiro entregou ainda registros da UTC que apontam 151 entradas de Tiago em unidades da empresa, entre 2012 e 2014, e 80 de Luciano, entre 2013 e 2014.

As informações constam em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal que investiga irregularidades na licitação da usina nuclear de Angra 3. Também são alvos do inquérito o ministro do TCU Raimundo Carreiro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR).

Ricardo Pessoa disse que pagava R$ 50 mil por mês a Tiago desde 2012 e que desembolsou R$ 1 milhão para o advogado ajudar na liberação do processo licitatório de Angra 3, analisado pelo TCU por indícios de irregularidades. Uma das linhas de investigação verifica se esse R$ 1 milhão teria sido repassado a Raimundo Carreiro.

À PF, Luciano Araújo admitiu que recebeu recursos em espécie de Pessoa, mas disse que a verba era para o Solidariedade, que ainda teria contabilizado doações de R$ 1,2 milhão em 2014 registradas na Justiça Eleitoral.

Ele afirmou que o recebimento dos valores se deu em razão da proximidade do presidente do partido, deputado Paulinho da Força (SP), com Pessoa. "Que esses valores, por opção da empresa, que não desejava operacionalizar por meio de transferências, eram entregues ao partido em espécie, aproximadamente a cada 45 dias", disse Luciano.

'Área técnica'

Após as declarações, em novembro de 2015, Pessoa prestou novo depoimento aos investigadores e reafirmou que contratou Tiago Cedraz "em razão de o mesmo apresentar ao declarante informações privilegiadas, por antecipadas, notadamente registros da área técnica do TCU."

O empreiteiro negou a fala de Luciano de que os repasses mensais de R$ 50 mil eram pagos em benefício do Solidariedade.

Pessoa voltou a explicar a contratação do filho do presidente do TCU: "Tiago Cedraz disse que tinha contato com Raimundo Carreiro e por meio dele iria resolver o julgamento acerca das impropriedades ditas como existentes no contrato de Angra 3".

Em depoimento prestado à PF em outubro passado, Carreiro confirmou ter sido o relator do processo relativo às obras de Angra 3 e contou que ele foi retirado da pauta de votações do tribunal por seis vezes, já que "havia elementos de prejuízo à competitividade referente às obras eletromecânicas e civis".

Carreiro disse que três advogados o procuraram sobre o processo, mas nenhum era Tiago Cedraz. Ele reconheceu ter estado duas vezes com o filho do presidente do TCU, ambas a convite de Aroldo, uma no casamento do próprio Tiago e outra no casamento da irmã do advogado.

O ministro disse que Tiago "nunca foi a seu gabinete, nunca lhe pediu uma audiência, nunca ligou para o declarante [Carreiro] e nem este ligou para Tiago". Disse ainda que o advogado nunca esteve com o assessor responsável por elaborar o voto do ministro.

Carreiro igualmente negou ter recebido "qualquer pedido, quantia ou promessa de pagamento de Tiago ou de terceiro no sentido de direcionar o julgamento no interesse de qualquer empresa".

Outro lado

A assessoria de Tiago Cedraz disse que não houve pagamentos ao advogado e que isso foi demonstrado no processo que está em tramitação no STF. O escritório Cedraz Advogados tem afirmado que nunca patrocinou nenhum caso da UTC perante o TCU.

"Quanto ao Consórcio UNA 3, que trata de Angra 3, por força da confidencialidade cliente/advogado limita-se a esclarecer que no caso em que atuou o cliente não figurou como parte no TCU."

De acordo com a assessoria, o escritório "sempre pauta sua atuação pelo rigoroso cumprimento da legislação vigente, resultando inclusive na observância dos devidos impedimentos". E que "processará o Sr. Ricardo Pessoa, civil e criminalmente, pelas mentiras lançadas no bojo de uma delação premiada forjada para atenuar ilícitos confessados".

Luciano Araújo, que tem dito que não recebeu recurso ilícito, não foi localizado nesta quinta. Raimundo Carreiro nega ligação com o esquema da Petrobras e diz que jamais recebeu recurso ilícito.

Paulinho da Força afirmou que o Solidariedade não recebeu dinheiro da UTC ou de Pessoa para a sua criação. "Nenhuma possibilidade de que isso tenha ocorrido. O Solidariedade foi criado com recursos de sua militância." Ele disse ainda que Luciano Araújo não participou da criação do partido, tendo sido designado tesoureiro já com a sigla em funcionamento.

Márcio Falcão | Rubens Valente | Aguirre Talento | Vinicius Sassine
No fAlha e Globo
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Tucanos são famintos por merenda escolar — Parte 9

Alckmin repassou R$ 384 mil para obra parada da Coaf


A Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), apontada como líder da ‘máfia da merenda’, obteve um contrato com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) de R$ 1,2 milhão para a aquisição de caminhões e construção de uma ‘packing house’ — unidade de processamento de olerícolas e frutas —, na margem da rodovia Armando Salles de Oliveira, próximo do assentamento Reage Brasil, em Bebedouro, região de Ribeirão Preto.

A obra deveria ser feita em um terreno de 10 mil metros quadrados que foi doado à Coaf em 2013 pela prefeitura de Bebedouro, mas até agora não foi concluída, segundo reportagem de Pedro Venceslau.

Segundo o diretor de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Bebedouro, Lucas Seren, há indícios de que o dinheiro público liberado para a obra foi desviado.

A obra faz parte do projeto Microbacias II, do Governo do Estado, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Do total previsto de R$ 800mil, a Secretaria de Agricultura repassou à Coaf 49% do valor — R$ 384 mil.

Delator na Operação Alba Branca, o ex-presidente da Coaf, Cássio Chebabi, citou o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e o secretário estadual de Logística e de Transportes Duarte Nogueira, como supostos beneficiários de uma propina de 10% sobre contratos da Secretaria de Estado da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB). Ambos negam as acusações.



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Por que tanto esforço para incriminar Lula?


A resposta simplificada: porque é, desde já, o candidato mais forte na eleição de 2018.

Seus governos são imbatíveis comparativamente. Não há estatística do período 2003-2010 que perca para outra similar no recorte histórico disponível. Isso ocorre tanto para os índices abrangentes da macroeconomia quanto para minúcias setorizadas e regionais, passando pelo acesso a bens de consumo, à cultura, à educação, à cidadania. E, acima de tudo, pela redução da desigualdade.

O lulismo é, de longe, a maior força isolada no cenário político nacional, exatamente porque não exige simpatia programática pelo PT. O voto antipetista se divide, à esquerda e à direita, em afinidades partidárias e pessoais amiúde incompatíveis no jogo de alianças. O lulismo agrega filiações diversas.

Nenhuma liderança chegará à próxima disputa com a vantagem inicial de Lula. É bobagem omitir esse fato nas análises conjunturais, pois ele se manifesta em dados precisos e aferíveis. Ignorá-los não revela prudência ou isenção do observador, mas uma tendência infantil para o auto-engano. É atitude típica dos comentaristas de direita, que sempre subestimaram as chances do PT nas eleições presidenciais e sempre erraram.

Mas existem grupos no campo oposicionista que não se satisfazem com narrativas confortáveis. Eles aprenderam a respeitar a dimensão político-eleitoral de Lula e vêm lutando arduamente para tirá-lo do páreo.

Não se trata mais de abalar sua imagem pública. O fracasso eleitoreiro do julgamento do “mensalão” mostrou que o prestígio de Lula sobrevive mesmo sob implacável campanha negativa. A própria estratégia golpista refluiu, entre outros motivos, por causa da incerteza quanto aos efeitos negativos sobre o ex-presidente.

A questão, portanto, é impedir a candidatura de Lula, suspendendo seus direitos políticos no TSE ou no STF, sob os convenientes auspícios da Ficha Limpa. Matar o projeto no estado embrionário, com o torniquete inapelável da legalidade.

Eis o motivo da afoiteza com que procuradores e juízes tratam as “suspeitas” contra Lula e sua família. A rapidez garante que um eventual processo transcorra, ou pelo menos seja iniciado, antes que a Lava Jato se desmoralize de vez.

E assim chegamos a uma resposta mais abrangente para a questão do título: a ofensiva contra Lula ocorre porque o Judiciário brasileiro se transformou num mecanismo capaz de atropelar a democracia para satisfazer interesses político-partidários.

Guilherme Scalzilli Historiador e escritor.

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