3 de fev de 2016

Sociologia comparada – o estilo e o homem

Desnecessário citar Aristóteles “somos os que fazemos repetidamente” ou o Evangelho de Mateus “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, basta considerar que o estilo faz o homem tanto quanto o hábito faz o monge.

O estilo e o homem. Eis uma informação crucial na escolha de com quem compartilharemos nossas vidas.


Sérgio Saraiva
No Oficina de Consertos Gerais e Poesia
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Tortura e corrupção na “Folha de S. Paulo” ontem e hoje


Uma charge de Lula puxando um bloco de carnaval com José Dirceu, Delúbio Soares e João Vaccari Neto vestidos de presidiários, estampada na capa do jornal Agora — do grupo que edita a Folha de S. Paulo —, choca e faz pensar. É o caso de relembrar a velha piada: “Deus sabe tudo, mas a mídia crê que sabe ainda mais.” Tal atitude reflete bem a conduta moral das famílias que controlam a mídia brasileira.

Certa feita, quando eu era assessor de imprensa na Câmara dos Vereadores de São Paulo, presenciei o coronel Erasmo Dias — personagem que integrou a estrutura repressiva da ditadura militar — dizer que não lia bobagens, só coisas sérias, referindo-se à Folha de S. Paulo. O assunto era o aborto, usado para atacar a então prefeita Marta Suplicy (então no PT), e o coronel estava respondendo a uma citação de Jean-Paul Sartre por um aparteante.

A ligação de Erasmo Dias com a Folha de S. Paulo é uma espécie de selo de garantia de que esse grupo de mídia tem a moral toda enterrada na lama. Quando o coronel era secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, almoçava regularmente com o empresário Carlos Caldeira Filho, sócio de Octávio Frias (o pai) no grupo que editava a Folha de S. Paulo e a Folha da Tarde (a versão antiga do Agora). Eles eram tão ligados ao regime que deram origem a uma anedota segundo a qual a Folha da Tarde, uma espécie de porta-voz oficiosa dos torturadores, tinha alta “tiragem” — uma grande quantidade de “tiras” trabalhava em sua redação.

Denunciamania golpista

O empresário amigo de Erasmo Dias chegou a ser nomeado diretor extraordinário de Terminais Rodoviários da Companhia do Metropolitano (Metrô), quando Paulo Maluf foi governador paulista — fiel escudeiro da ditadura militar em São Paulo —, de onde saiu três meses depois deixando um rastro de corrupção visível a léguas de distância. Caldeira Filho mandou demolir parte da obra do Terminal Rodoviário Tietê e adiar a sua inauguração para atender a interesses de grupos empresariais — ação que causou enormes prejuízos ao Estado.

Recentemente a Folha de S. Paulo confessou abertamente sua simpatia pelo regime latrocida de 1964 em editorial que classificou a ditadura militar como “ditabranda”, neologismo que define a síntese da índole corrupta e golpista da mídia brasileira. A “ditabranda” não está dissociada da denunciamania golpista recente, quando não faltam teorias sem fatos — matéria-prima indispensável a qualquer acusação que se preze —, no particular palco da mídia, onde uma combinação macabra de interesses político-ideológicas dos grupos que controlam a circulação de informações com mão de ferro gosta de encenar seus atos.

Esse jornalismo rarefeito, de baixa intensidade moral, é bem conhecido no Brasil. Nos anos 1940 ele ganhou um reforço, vindo dos Estados Unidos, num processo de “modernização” deflagrado por Pompeu de Souza, do Diário Carioca. Vocações literárias e evocações filosóficas foram substituídas por uma narrativa simples e linguagem empobrecida. Pompeu de Souza recebeu, apropriadamente, o título de “pai dos idiotas da objetividade”, concedido por Nelson Rodrigues.

Amontoado de asneiras

Como resultado, o que se vê é que o cidadão brasileiro presencia regularmente, com seus próprios olhos e ouvidos, a publicação de insultos, ataques pessoais, intrigas, falsidades, invenções, erros de fato e mentiras puras e simples. A “ditabranda” da Folha insere-se aí. O neologismo apenas expressou uma plataforma política latente, sempre recorrente quando os caminhos democráticos começam a ser pavimentados. Mais uma vez, a legião de “economistas”, “comentaristas”, politicólogos, provocadores e demagogos em geral que vive à sombra das oligarquias cumpre o seu papel histórico de erguer barricadas contra o progresso.

Mas a democracia está contra eles. O progresso está contra eles. A verdade está contra eles. Suas má-criações os fazem figuras subqualificadas e desmascaram o título de escolhidos para restaurar a ordem e a moralidade públicas. Na verdade, em nome dessas bandeiras o que se vê é o mesmo histórico amontoado de asneiras, meias-verdades e mentiras pela boca de pessoas que se julgam mais sábias do que todos. Lembre-se que eles tentaram manter o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva “sub judice” a fim de criar as condições para dar o bote.

Carta de um leitor

Esse poderoso braço do tráfico de informações da direita sonha em reviver cenas que predominavam no início da década de 1960. Os métodos da direita magnetizada pela coesão que emana de clãs minúsculos estão de volta. São as mesmas faces, tangendo velhíssimos ideais. Recorde que o título do editorial do jornal Correio da Manhã que circulou no dia 31 de março de 1964 sintetizou numa palavra o desejo da elite brasileira naquele dia: ”Basta!”. No dia seguinte, 1º de abril, o jornal repetiu a dose: ”Fora!”.

A Folha do dia 27 de março de 1964, em editorial intitulado ”Até quando?”, indagou: “Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente da República (João Goulart) de destruir as instituições democráticas?” Outros jornalões da mídia, como O Estado de S. Paulo e O Globo, tocavam na mesma banda, com a mesma escala. Qual a diferença dos editoriais de hoje em dia?

Há algum tempo, a Folha publicou uma sugestiva carta de um leitor. “Desculpe, mas acabou a minha capacidade de absorver só notícias negativas. A Folha há muito deixou de praticar um jornalismo investigativo e entrou firme no jornalismo denunciativo, que não leva a nada”, disse ele. O leitor estava comunicando a perda da paciência com o jornalismo chulo da Folha. Ele não é o único nem a Folha a única publicação da mídia a colocar como prioridade de sua estratégia editorial a busca do pior em tudo, mesmo que esse tudo seja o melhor para o país.

Osvaldo Bertolino
No O Outro Lado da Notícia
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Jornalistas que adulam patrões

Rossi mudou, mas ele só vê mudança nas outros
Um artigo de Clóvis Rossi nesta semana foi muito comentado nas redes sociais. Nele, Rossi, nostálgico, evocava o Lula e o Dirceu dos primórdios.

Bem, acabava aí a nostalgia: Rossi logo os condenou por não terem continuado como eram naqueles dias românticos.

Um grande filósofo grego escreveu, para registrar a inevitabilidade da mudança, que até a água do rio que pisamos não é a mesma de um momento para o outro.

Mas Rossi cobrava de Lula e Dirceu que permanecessem iguais.

Por trás de tudo, Rossi insinuava ligações perigosas com construtoras. Como se fosse um juiz, condenava os dois.

Claro que julgava sem conhecer a natureza exata das ligações. Até o juiz Sérgio Moro, como se viu ontem num vídeo em que interpelou Dirceu, parece saber notavelmente pouco sobre o assunto.

Mas Rossi, do alto de sua desinformação alimentada pelo jornal em que trabalha, foi professoral e foi taxativo.

Rossi poderia fazer o mesmo exercício com ele mesmo. Quando ele se transformou em mais um colunista como tantos aí?

Em algum momento ele se perdeu. O marco da mudança, para mim, foi quando ele se pôs a elogiar entusiasmadamente o patrão, Octavio Frias, não o segundo e atual, mas o original.

Frias, segundo Rossi, era um grande repórter. Se me lembro, o melhor repórter da Folha. Se não era isso, era parecido.

Mas o que ele fizera para merecer tamanha distinção? Alguém contou a Frias que Tancredo tinha um tumor, e a informação foi parar na manchete da Folha.

Isso fora tudo.

Parece piada, mas é verdade. Um empresário como Frias recebe muitos telefonemas de gente bem posta e bem informada. Alguém lhe falou do tumor. Ponto.

Este o trabalho excepcional de Frias.

Elogiar o patrão não é recomendável. Você parece um adulador vil. Por isso, há que ter muita parcimônia. Está na cara que Clóvis Rossi não teve. (A alternativa seria falta de discernimento.)

Não é fácil transformar os donos das empresas jornalísticas brasileiras em heróis.

Nossos barões da mídia, como jornalistas, foram sempre de retumbante mediocridade. Nenhum deles se notabilizou pelo texto, ou pelas manchetes, ou por qualquer atividade ligada ao jornalismo em si.

Como empreendedores, sempre se valeram das muletas do Estado: privilégios como reserva de mercado e isenção de imposto para compra de papel, dinheiro copioso de publicidade e de financiamentos públicos.

Disse uma vez e repito aqui: até um macaco teria feito a Rede Globo com os favorecimentos que a ditadura militar deu a Roberto Marinho em troca de apoio. (“Sou o melhor amigo de vocês na imprensa”, disse ele a um ministro de Geisel quando foi lhe pedir mais um favor na forma de novas concessões.)

Os barões da imprensa ingleses e americanos não: eram, acima de tudo, jornalistas excepcionais, como foi o caso de Pulitzer. Mesmo o último deles, Rupert Murdoch, é, ele sim, um repórter como poucos — fora suas virtudes notáveis de empreendedor.

Quando você rompe a barreira de adular o patrão, o retorno é difícil. É o que demonstra a trajetória de Clóvis Rossi.

É um jornalista que mudou, e não para melhor — e que, em vez de se olhar no espelho, aponta o dedo para os outros, exatamente aqueles que seu patrão adora ver atacados.

Paulo Nogueira
No DCM
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Bernie Sanders: Não nos subestime

 Imperdível 




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Nova sede da Embaixada da Palestina em Brasília


Sagrado pedaço da terra palestina no território brasileiro. Emocionante solenidade de instalação da nova sede da Embaixada da Palestina, em Brasília. Com uma significativa presença do corpo diplomático acreditado em nosso país, além de representantes de órgãos e instituições públicas realizou-se a abertura da nova sede da representação diplomática do Estado Palestino.

Nas palavras da Deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados, a solenidade representa, simbolicamente, a contribuição que o povo brasileiro realiza para reafirmar seu compromisso com as decisões da ONU da existência de dois estados, Palestina e Israel.

As relações entre o Brasil e a Palestina tiveram início em 1975, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi autorizada a designar representante em Brasília. Em 2004, foi aberto o Escritório de Representação do Brasil em Ramalá. Em 2010, a Delegação Especial autorizada em 1993 passou a denominar-se Embaixada da Palestina.

A sociedade brasileira, que ajudou de diversas formas, a construção da nova sede, expressa cada vez mais sua solidariedade ao futuro do povo palestino, com a pressão, sobre o governo de Israel, de respeito às decisões das instituições internacionais, de reconhecimento do Estado da Palestina.



Jô Moraes
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Pronunciamento da presidenta Dilma sobre o combate ao Aedes aegypti


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Dono do sítio de Atibaia é parceiro estratégico da Fundação Roberto Marinho

Está agora circulando nas redes sociais: um dos reais donos do sítio vinculado pela mídia a Lula é parceiro estratégico da Fundação Roberto Marinho, das Organizações Globo.

Jonas Suassuna, dono da Editora Gol, edita e distribui mais de 45 títulos de ensinos e educação da Fundação Roberto Marinho, os conhecidos telecursos.

Menos sabido é que os telecursos sempre foram largamente consumidos por  diversos governadores Brasil afora em troca da boa vontade da Globo.

A relação entre Suassuna — sobrinho do ex-senador Ney Suassuna, da Paraíba — e a Globo não foi até agora noticiada nem pela Globo e nem por nenhum órgão da chamada grande mídia, a despeito do imenso espaço dedicado ao sítio.

No DCM
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Uma CPI Lula e uma CPI FHC?

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8241

O PSDB quer criar uma CPI para investigar Lula.

Está coberto de razão.

Nada mais justo e necessário.

Por que não também uma CPI para investigar FHC?

Com um objeto preciso: a compra da emenda da reeleição.

Proponho uma CPI para investigar todos os presidentes pós-Collor.

CPI geral e irrestrita.

O colunista de direita Mário Sérgio Conti, aquele mesmo que entrevistou um sósia de Luís Felipe Scolari, lacerdinha de carteirinha, portanto insuspeito quanto ao assunto em questão, escreveu, numa coluna para elogiar o republicanismo do ditador Ernesto Geisel, que FHC foi ajudado pela Odebrecht:

“Fernando Henrique Cardoso saiu de um apartamento na Rua Maranhão, em Higienópolis, para outro a uma quadra, na Rio de Janeiro. O apê atual, amplo e classudo (nada de samambaias, como o anterior), foi decorado com capricho por Ruth Cardoso. Ele trocou o escritório, no Bixiga, pelo instituto com o seu nome no Anhangabaú, onde ficava o Automóvel Clube. Ocupa um andar e tem mobiliário modernista. Quem o comprou foi um grupo de empreiteiras, reunidas por FHC com esse intuito num jantar no Palácio da Alvorada, quando ainda morava lá. A Odebrecht, cujo dono foi preso pela Lava Jato, ajudou a mantê-lo.”

Lula também.

Por que investigar só um?

Não quero privilégios para Lula.
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Sociedade brasileira tornou-se refém dos meios de comunicação hegemônicos


Precisamos compreender que o Poder da Mídia no Brasil capitaneado pela Rede Globo, Band, Rede TV, SBT, Folha, Estadão, Veja, RBS e poucas mais alcançou um limite absurdo, limite, onde a Democracia e o Estado de Direito estão sendo solapados.

Imaginemos a concentração de quase todos os canais de TV e emissoras de rádio, dos jornais e revistas de circulação nacional, dos grandes portais de notícias da Internet nas mãos de não mais que 10 famílias e que defendem uma mesma bandeira ideológica, um mesmo modelo de sociedade para ser vivenciado no Brasil.

Quanto isto é prejudicial para a nossa Democracia!

Você ter 24 horas do dia, propagado Brasil afora, uma única forma de entendimento do Brasil atual, sem quase nenhuma audiência outra, onde se possa fazer um contraponto a esta forma de entendimento do Brasil atual é inadmissível.

O Brasil do caos se impõe nas manchetes e manchetes e não há como negar. Toda editoria é igual. A verdade sobre qualquer assunto, a que quiserem nos impor será a verdade crida pela população.

Estas 10 famílias possuem bem mais de 80% de todos os meios de comunicação que podem levar aos nossos ouvidos e olhos notícias do cotidiano do Brasil e do Mundo.

É tanto Poder de informação nas mãos de poucas famílias, que elas controlam o entendimento da realidade brasileira e mundial dos brasileiros.

E tudo o que não se encaixa na Ideologia que os meios de comunicação hegemônicos defendem vira refém dele, está sujeito a ser avacalhado, a ter sua reputação assassinada, sem dó nem pena no noticiário e de forma sistemática e até coletiva (todas estas famílias atacando a honra do refém ao mesmo tempo).

Seja partido político, Político, modelo de sociedade, modelo econômico, Religião, grupo étnico, etc.

E o mais complicado é que não há como se defender. Pois, não temos espaço para defesa do refém, pois, não há pluralidade de canais de TV, outras rádios que professem a mesma Ideologia do refém dos meios de comunicação hegemônicos e que saiam em sua defesa ou que deem espaço para ele praticar sua defesa e/ou promulgar as suas ideias.

Todos nós acabamos reféns dos meios de comunicação hegemônicos no Brasil. Só temos a chance de não sermos reféns deles se professarmos a mesma Ideologia que a Mídia hegemônica.

Por exemplo:

LULA é o refém dos meios de comunicação hegemônicos brasileiros mais visado atualmente. Ele não tem vez e voz nos microfones das TVS e rádios destas não mais que 10 famílias, porém, falam dele o dia inteiro. Falam o que querem de LULA e ele só tem o direito de ouvir, jamais de se defender do que falam a seu respeito.

LULA falar em algum canal de TV ou rádio para ao menos se defender, por exemplo, será raro, porque os canais de TV ou rádios no Brasil, em sua grande maioria não convidariam LULA e mais, se LULA aparecer em um canal de TV ou rádio será, quase certo, em emissora de pouca audiência.

Os grandes canais de comunicação e com audiência não abrem espaço para o contraditório, por isto jamais entrevistariam LULA hoje, ainda mais, no tempo atual de caçada ao LULA e ao PT para tentar frear sua candidatura a Presidente em 2018, para existir maior chance de vitória de um candidato que professe e defenda a Ideologia da Mídia hegemônica brasileira.

Não dão espaço a LULA, porque trabalham na imposição de verdades, sempre! A verdade que querem passar não deve e não pode ser confrontada.

Se derem espaço, podem perder o controle da narrativa sobre LULA, ele pode se defender, pode até desmascarar as notícias a seu respeito, impostas como verdades sobre ele e ainda ele pode difundir outra Ideologia e se fortalecer para a corrida Presidencial de 2018.

Melhor não arriscar. Esta é a verdade que praticam.

É importante dizer que o tempo de exposição negativa do refém da Mídia é diversas vezes maior do que o tempo de sua defesa da exposição negativa. No caso de LULA chega próximo de zero.

Sem contar que a exposição negativa vem aliada de tentativas de impor até condenações prévias ao refém da Mídia.

E com este Poder todo de controlar a informação que chega até nós, podemos assistir uma realidade, onde, se cria uma opinião pública condenatória ao refém da Mídia e que acaba por interferir nas decisões de tribunais, que por medo da opinião pública e da opinião publicada por estes meios de comunicação hegemônicos pode decidir pela condenação de um inocente, por medo e imposição das massas, que são levadas inconscientemente a querer condenar o refém da Mídia.

Além do fato importante que uma Mídia concentrada como no Brasil pode ameaçar e assassinar a reputação de um Juiz, se este não seguir o seu desejo (dos meios de comunicação) de condenação do refém midiático.

Sem contar o mais grave: hoje partes do Judiciário trabalham conjuntamente com a Mídia brasileira facilitando as coisas para estes meios de comunicação condenarem seus reféns previamente.

Acabamos todos reféns dos meios de comunicação brasileiros, que se concentram em não mais que 10 famílias professando uma mesma Ideologia e não aceitando que o contraditório, outra Ideologia tenha voz e possam chegar aos lares brasileiros ideias diferentes das que eles professam.

E nós brasileiros, nesta concentração em poucas famílias do direito de informar sobre o cotidiano do Brasil e do Mundo, passamos a acreditar que tudo o que os meios de comunicação informam são verdades absolutas. Afinal, a mesma notícia corre o Brasil de Norte a Sul milhares de vezes em um mesmo dia.

Como não acreditar na veracidade dela?

Este é o Brasil em fevereiro de 2016.

Alexandre Tambelli
No GGN
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Sobre lides clássicos

No jargão jornalístico, lide é a abertura de cada matéria onde, em geral, se adianta a informação mais relevante.

O lide abaixo é um dos clássicos do neojornalismo brasileiro.


Luís Nassif
No GGN
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Os vôos “oficiais” de Lu Alckmin e família para o sítio em Pinda e o palácio em Campos

Eles
Em janeiro, a Folha noticiou que a primeira dama do estado de São Paulo, Maria Lúcia Alckmin, utilizou as aeronaves oficiais em mais ocasiões do que os 25 secretários juntos.

Ela fez 132 viagens de 2011 a 2015, enquanto o secretariado ficou com 76. Uma resposta do governo foi produzida imediatamente.

“É fato público e notório que a primeira-dama Lu Alckmin é presidente do Fundo Social de Solidariedade, entidade oficial voltada à assistência social e geração de renda e de emprego”, diz a nota. “De cada dez deslocamentos, apenas um contou com o uso de aeronaves.”

Tudo muito “transparente”, apesar de não haver registro dessas incursões no site da entidade que Dona Lu comanda.

Mas a história ficou pela metade.

O DCM obteve a planilha dos vôos através da Lei de Acesso à Informação. Embora a justificativa da assessoria de imprensa para os deslocamentos de Lu seja seu trabalho à frente do tal Fundo, a maioria deles foi para dois locais onde a agenda era outra: Pindamonhangaba, onde a família tem um sítio, e Campos do Jordão.

Em Campos está situado o Palácio Boa Vista, residência de inverno e de descanso. Os passeios de Lu a esses destinos ocorreram, em sua imensa maioria, no helicóptero Sikorsky, modelo S-76 A, estacionado no Palácio dos Bandeirantes (seu concorrente é um turbo hélice King Air, tornado famoso por Aécio Neves).

O registro das comitivas só passou a ser adicionado a partir de junho de 2012. Até então havia apenas data, destino e “passageiro principal”, na verdade o requisitante, identificado por uma sigla — GE para Alckmin, PE para a mulher, VGE para o vice.

Não tem regra clara. Aécio baixou um decreto em 2005 regulamentando o uso desses aparelhos. Em São Paulo, há apenas normas da Casa Militar, subordinada ao gabinete de Geraldo, sobre “diárias”. Cabe à CM “planejar o uso e a operação” para usufruto do “Governador do Estado e da Primeira-Dama, bem como, excepcionalmente, de Secretários de Estado e agentes públicos a serviço”.

Pinda é o berço político de Geraldo, onde ele nasceu, foi criado, virou prefeito e conheceu Lu Alckmin. Nos relatórios, a cidade está identificada pelo nome ou pelo aeroporto (Fazenda Santa Helena). Fica a 146 quilômetros de SP, ou uma hora e meia de carro.

No patrimônio declarado de Geraldo, de pouco mais de 1 milhão de reais, estão um apartamento no Morumbi, um carro, aplicações financeiras e a supracitada propriedade rural, sobre a qual pouco se sabe, a não ser que existe.

Lu Alckmin voou para lá na companhia dos filhos Sophia, José Geraldo Alckmin Neto e Thomaz (falecido em abril de 2015), além de agregados.

2012 foi especialmente frutuoso. Em julho e agosto, Lu e filhos pegaram carona para Pinda e Campos. O marido de Sophia, Mário Sérgio Ribeiro, estava entre os passageiros. Campos é um dos points preferidos do amigo João Dória, pré-candidato à prefeitura de SP e favorito de Geraldo. Dória faz “passeio” de cães tradicional na cidade.

Na gestão anterior (2001-06), Lu organizava missas aos domingos na capela projetada por Paulo Mendes da Rocha. Em 2006, a mulher de Cláudio Lembo, então vice, se recordou de ter voado com o pitbull da colega para as montanhas.

Em dezembro do mesmo anos de 2012, Alckmin e Lu foram buscar filho, nora e dois netos em Cumbica. A turma desembarcava do México. Lu postou uma foto no Instagram, apagada posteriormente. De Guarulhos a galera se encaminhou para o Palácio dos Bandeirantes.

Recentemente, Paulo Maluf falou sobre Geraldo Alckmin à revista piauí. Primeiro citou Churchill, segundo o qual “não há opinião pública, há opinião publicada”. Explicou: “Por isso se diz que em Minas não tem governador ruim, porque o que O Estado de Minas fala é bíblia. No news is good news. E o Alckmin é um pouco isso. Como não tem escândalo, o governo dele é tido como sério, e é sério.”

Não consta que Lula tenha mergulhado no lago do sítio dos Alckmin em Pinda. Portanto, está tudo nos conformes.

Kiko Nogueira
No DCM
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PGR vai pedir ao STJ segundo inquérito envolvendo tucano Beto Richa


A Procuradoria Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, deverá pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de um segundo inquérito envolvendo o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

Desta vez, a suspeita envolve o grupo político do tucano e se refere a um esquema criminoso que desviou dinheiro de obras de escola no Estado para abastecer campanhas de Beto Richa e aliados.

O caso já é investigado no Estado pela Operação Quadro Negro, que mira Durval Amaral, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Paraná e ex-secretário da Casa Civil do primeiro governo de Richa.

A investigação apura desvios de cerca de R$ 20 milhões desde 2013. No último dia 20, a PGR já havia pedido ao STJ abertura de inquérito contra Richa por eventual participação em fraudes na Receita Estadual do Paraná, caso investigado no Estado pela Operação Publicano.

No 247
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Nova Zelândia reconhece legalmente os animais como seres sencientes


Uma mudança na lei da Nova Zelândia reconheceu o que os tutores de animais e os cientistas já sabem há anos — que os animais têm sentimentos.

A alteração da Lei do Bem-Estar Animal, que teve sua leitura final na terça-feira, afirma que os animais, assim como seres humanos, são seres “sencientes “.

“Dizer que os animais são sencientes é afirmar explicitamente que eles podem experimentar emoções positivas e negativas, incluindo dor e angústia”, disse Virginia Williams, presidente da Comitê Consultivo Nacional de Ética Animal (National Animal Ethics Advisory Committee).

“A explicitação é nova e marca mais um passo ao longo da jornada do bem-estar animal.”

O projeto de lei também proíbe o uso de animais para testes de cosméticos.

Dr. Williams disse que o reconhecimento legal de senciência animal fornece um apoio mais forte às exigências da Lei do Bem-Estar Animal.

A gerente da SPCA (Sociedade Para a Prevenção da Crueldade aos Animais, do inglês Society For The Prevention Of Cruelty To Animals) da cidade de Nelson, Donna Walzl, disse que as mudanças foram “maravilhosas”.

“É muito bom vê-lo finalmente trazido para a legislação. É impressionante.”

Ela disse animais que vieram para os cuidados da SPCA muitas vezes exibiram emoções como os humanos.

“Você pode ver que eles têm ansiedade de separação e que aquilo está mostrando emoção. É quase uma emoção humana”, disse ela.

“É o mesmo com os animais que vemos que são negligenciados e têm problemas de bem-estar reais e verdadeiros. Eles sofrem por isso. Você pode ver em seus olhos. É realmente muito triste”

Em uma apresentação do projeto de lei pela SPCA de Auckland, foi dito ser necessária uma declaração de senciência “porque a maioria das leis da Nova Zelândia trata os animais como “coisas ” e ” objetos ” e não como seres vivos”.

Oceania 2

Walzl disse que esperava que o reconhecimento dos animais como seres sencientes acrescentaria “mais peso” aos casos de abuso e negligência no tribunal.

“Espera-se que haja algumas penalidades mais severas e que, obviamente, crie-se um impedimento maior para as pessoas fazerem essas coisas.”

O projeto também prevê um sistema de sanções que permite tratar níveis baixos a médios de agressão de forma mais eficaz, e dê aos fiscais do bem-estar animal o poder de emitir notificações de conformidade, entre outras medidas.

O Presidente da Associação Veterinária da Nova Zelândia, Dr. Steve Merchant, disse que o projeto de lei dá maior clareza, transparência e aplicabilidade às leis de bem-estar animal.

“As expectativas sobre o bem-estar animal têm mudado rapidamente, e práticas que antes eram comuns para animais de estimação e de criação em fazendas já não são aceitáveis ou toleradas. O projeto de lei traz a legislação em consonância com a mudança de atitude da nossa nação sobre a condição dos animais na sociedade.”

O projeto de lei foi apresentado ao parlamento pelo ministro das indústrias de base Nathan Guy em maio de 2013.

Jonathan Carson / Tradução de Marli Vaz de Lima
No Desacato
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O legado da atividade legislativa de 2015

http://congressoemnotas.tumblr.com/

Inicia-se a sessão legislativa de 2016. Neste primeiro CEN do ano, apresentamos um olhar sobre o legado da atividade legislativa de 2015. Dada a composição conservadora do Congresso resultante das últimas eleições, era de se esperar que no ano passado os direitos sociais e de minorias sofressem vários retrocessos. Contudo, o cenário legislativo não apresentou tantos resultados conservadores quanto se havia imaginado inicialmente. De modo geral, as pautas contra direitos avançaram, mas não chegaram à aprovação final.

Parte das propostas de ajuste fiscal que vieram do Governo foram aprovadas, muitas delas criticadas por sindicatos e movimentos sociais por colocarem a conta da crise no colo do trabalhador. Além disso, mesmo no contexto de cortes, por pressão da bancada evangélica foram anistiadas as multas aplicadas pela Receita Federal a instituições religiosas, aumentando também o rol de isenções fiscais a essas instituições. Por fim, foi aprovada a transformação do homicídio de policiais em crime hediondo, ao passo que o projeto que implicaria na investigação obrigatória das mortes causadas por policiais nem foi votado.

O financiamento empresarial de campanhas é um caso à parte. Apesar das intensas manobras de Eduardo Cunha para constitucionalizar a prática, o STF julgou inconstitucional esse tipo de doação, por entender que a soberania política pertence ao povo — aos indivíduos, cidadãos — e não às empresas. O Congresso ainda aprovou lei posterior prevendo a possibilidade desta prática, mas ela foi vetada por Dilma. Assim, as eleições de 2016 serão um marco histórico, pois os candidatos não contarão com recursos de pessoas jurídicas.

A maior parte das pautas conservadoras ainda tramita. Foram aprovados nas comissões, mas ainda estão pendentes de deliberação pelo Plenário da Câmara, o Estatuto da Família, o PL 5069, de autoria de Eduardo Cunha que tipifica como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto, a revogação do Estatuto do Desarmamento, a PEC 215, que retira do Executivo a exclusividade de demarcar terras indígenas, e a PEC 99, que estende a associações religiosas o poder de propor ações de inconstitucionalidade e ações declaratórias de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Foram aprovadas pela Câmara, mas ainda estão paradas no Senado, a redução da maioridade penal, a terceirização das atividades fim e a restrição da rotulagem de transgênicos. A proposição que está mais próxima de ser aprovada, dependendo só da última palavra da Câmara, é a Lei Antiterrorismo, de iniciativa do Executivo, patrocinada sobretudo pelo ex-Ministro Joaquim Levy e pelo Ministro José Eduardo Cardozo.

Portanto, ao lado da disputa sobre o impeachment e sobre a permanência de Eduardo Cunha como Presidente da Câmara, esses projetos ainda tramitando significam que o ano legislativo de 2016 promete ser intenso. A seguir, notas sobre algumas das principais pautas.

ESTATUTO DA FAMÍLIA

Foi aprovada por Comissão Especial — composta principalmente por deputados evangélicos e católicos carismáticos — a proposta que retira os casais homoafetivos do conceito de família. O PL iria direto ao Senado não fosse recurso interposto pela Deputada Érika Kokay (PT-DF) e pelo Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). O Estatuto seguiu para apreciação pelo Plenário da Câmara.

RESTRIÇÃO AO ATENDIMENTO DE VÍTIMAS DE ESTUPRO – PL 5069

A CCJC da Câmara aprovou o projeto de autoria do Deputado Eduardo Cunha que altera regras sobre o tratamento legal dado a casos de aborto. O texto aprovado criminaliza quem instiga ao aborto ou quem preste qualquer auxílio ou até mesmo orientação a mulheres para interrupção da gravidez. No caso de estupro o aborto só será permitido com exame de corpo delito. O projeto ainda prevê que “nenhum profissional de saúde ou instituição, em nenhum caso, poderá ser obrigado a aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo”. Ou seja, o profissional de saúde não é obrigado a dar as devidas orientações para uma vítima caso ele ou ela considere que pílula do dia seguinte é abortiva ou que aborto em caso de estupro não é adequado. A proposta seguiu para apreciação pelo Plenário da Câmara. Na resistência, destaque para atuação das Deputadas Érika Kokay (PT-DF) e Maria do Rosário (PT-RS).

ARMAMENTO

Comissão especial aprovou o que significa na prática a revogação do Estatuto do Desarmamento. O porte de armas, hoje restrito a policiais e determinadas autoridades como juízes, poderá ser conferido a qualquer pessoa com requisitos mínimos. O projeto seguiu para apreciação pelo Plenário da Câmara. Destaque para a atuação dos Deputados Alessandro Molon (REDE-RJ) e Ivan Valente (PSOL-RJ) na oposição ao projeto.

DEMARCAÇÕES

Depois de 15 anos tramitando na Câmara, a bancada ruralista conseguiu aprovar na comissão especial a PEC 215. Inicialmente a PEC previa simplesmente a competência do legislativo para demarcar terras — o que já impossibilitaria, na prática, futuras demarcações. A versão aprovada é ainda pior. Transforma as terras tradicionais em equivalentes a outra propriedade rural: podem ser arrendadas, divididas e permutadas e ainda receber empreendimentos econômicos. Isso permite a investida de empreendimentos econômicos sobre terras indígenas homologadas, acabando com a noção de tradicionalidade. A PEC estende o “marco temporal” (necessidade de os indígenas estarem sobre a terra tradicional em outubro de 1988) também às comunidades quilombolas. Ou seja, é danosa também para esses povos tradicionais. A PEC seguiu para apreciação pelo Plenário da Câmara.

Como continuidade do esforço contra as demarcações, iniciou-se no ano passado, promovida pela bancada ruralista, a CPI sobre a FUNAI e o INCRA.

RELIGIÃO – PEC 99

Foi aprovada por comissão especial a proposta que diz que as associações religiosas podem ajuizar ações de inconstitucionalidade perante o STF — hoje são legitimadas autoridades públicas e entidades representativas como sindicatos. O autor da proposta é o Deputado João Campos (PSDB-GO), da bancada evangélica, e o relator é o Deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), católico. A PEC agora precisa ser apreciada pelo Plenário da Câmara.

LEI ANTITERRORISMO

A proposta, de autoria do Executivo, cria o crime de terrorismo no Brasil. Ela está trancando a pauta do Plenário da Câmara (é o quinto item), que decidirá qual texto prevalece: o do Senado ou o aprovado pelos Deputados. Dos 193 países da ONU só 18 tipificaram o terrorismo — todos vítimas de algum ataque. A maioria dos países tem instrumentos legais para combater o financiamento das organizações internacionais, mecanismos que o Brasil já tem previstos na Lei de Organizações Criminosas. Noventa entidades da sociedade civil apresentaram manifesto contra a tipificação do terrorismo. O Conselho Nacional de Direitos Humanos aprovou Resolução sobre o tema, pedindo que o projeto fosse arquivado. Quatro relatores especiais da ONU também expressaram preocupação quanto ao projeto de lei brasileiro. O Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e os Deputados Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS) têm se manifestado contra a proposta.

MINERAÇÃO

O Código de Mineração é objeto de questionamento de movimentos sociais — cujos ativistas chegaram a ser presos por dias por se manifestarem contra ele na Câmara. O Presidente Deputado Eduardo Cunha chegou a anunciar que colocaria em pauta a proposta, que ainda não passou pela comissão especial, mas que pode chegar ao Plenário pelo atalho do regime de urgência. O projeto vai ao sentido contrário das necessidades indicadas pelo desastre de Mariana. Na opinião dos movimentos sociais ligados à temática, o código antes incentiva que regula a mineração.

A outra “resposta” à Mariana é o “fast track ambiental” — PLS 654/2015, do Senador Romero Jucá. O PL foi aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Nacional do Senado. A proposta simplifica o licenciamento ambiental, inclusive para obras de mineração. Depende agora de deliberação do Plenário do Senado.

AUTOS DE RESISTÊNCIA

O projeto, que obriga a investigação de mortes causadas por policiais — hoje rotuladas na maioria das vezes como decorrentes de resistência da vítima — está pronto para ser votado pelo Plenário da Câmara desde 2014. (Já o projeto que previa a transformação do homicídio de policiais em crimes hediondos transformou-se em Lei em 2015.)

O Executivo publicou, em janeiro de 2016, Decreto que obriga a investigação dessas mortes. O avanço é expressivo. Mesmo assim o autor do PL, Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defende a necessidade de aprovação da lei, que prevê, além do inquérito obrigatório, que “a vítima não seja classificada como resistente à intervenção policial, mas sim, tratada de maneira isenta antes de qualquer investigação”.

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Depois de acirradíssimo embate, foi aprovada pelo Plenário da Câmara a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, nos casos de crimes hediondos (como latrocínio e estupro), homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. O resultado foi produto de uma negociação. Havia os que defendiam o fim de qualquer idade penal, até os que eram contra qualquer mudança na Constituição. As bancadas evangélica e da segurança pública foram protagonistas na proposta de redução. A PEC, apresentada em 1993, seguiu para o Senado.

TERCEIRIZAÇÃO

A Câmara aprovou a flexibilização da lei trabalhista. O projeto permite a terceirização das atividades-fim, e não apenas limpeza, segurança e outras atividades-meio, como atualmente. O PL seguiu ao Senado. É a maior investida da história contra o legado varguista. PT e PC do B lideraram as principais críticas ao projeto.

ROTULAGEM DE TRANSGÊNICOS

A Câmara aprovou o fim da exigência do símbolo “T” nos produtos que contém transgênicos. O autor do PL, Luiz Carlos Heinze (PP-RS), é o mesmo que declarou que “quilombolas, índios, gays, lésbicas” são “tudo que não presta”. Na resistência ao projeto, parlamentares como o deputado Padre João (PT-MG) e Sarney Filho (PV-MS). A proposta seguiu para o Senado.

TRABALHO ESCRAVO

O Plenário do Senado chegou a aprovar regime de urgência para o projeto que regulamenta a emenda constitucional do trabalho escravo. A nova regulamentação proposta é vista como retrocesso pelos órgãos que lutam contra o trabalho escravo, pois inviabiliza a atuação dos fiscais do Ministério Público do Trabalho no combate ao crime. Mas, após audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, a proposta voltou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado para ser debatida de modo mais aprofundado.

REDUÇÃO DA IDADE DE TRABALHO

Está pendente de deliberação a apreciação a PEC de autoria do Deputado Dirceu Sperafico (PP-PR), que pretende autorizar o trabalho a partir dos 14 anos (hoje a idade mínima é 16). Os parlamentares Maria do Rosário (PT-RS), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ) destacam-se na resistência à proposta.

PRIVATIZAÇÕES

Depende de deliberação do Plenário do Senado proposta do Senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com a obrigatoriedade de que Petrobrás atue com participação mínima de 30% nas operações do pré-sal. Também está na ordem do dia do Senado o projeto de “responsabilidade das estatais” (que faz parte da Agenda Brasil de Renan Calheiros). Pela proposta, empresas públicas como a Caixa podem ter parte de seu capital vendido e se transformar em sociedades de economia mista.

EDUARDO CUNHA

Em sua oitava sessão, o Conselho de Ética pôde finalmente votar a admissibilidade da representação contra Eduardo Cunha, promovida por REDE e PSOL e apoiada por deputados do PT, PC do B e outros. Cunha se recusou a receber, no dia marcado, a notificação da admissibilidade. Ele ainda recorreu à CCJ, para anulação de todo o processo desde a escolha do relator. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento de Eduardo Cunha do cargo de Presidente da Câmara — com argumentos que poderiam inclusive justificar sua prisão, diante da novíssima jurisprudência segundo a qual parlamentares podem ser presos preventivamente. O Supremo deve julgar seu afastamento ainda em fevereiro.

IMPEACHMENT

O imbróglio segue, mesmo após a decisão do STF que derrubou o rito estabelecido por Eduardo Cunha para o processo do impeachment.

O Deputado Mendonça Filho (DEM/PE), líder do seu partido, apresentou projeto que modifica o Regimento Interno, permitindo a disputa de chapas na eleição da comissão especial para procedimento de impeachment. A decisão do Supremo havia proibido chapa avulsa por entender que isto viola a proporcionalidade partidária.

A Câmara apresentou ontem (01/02) recurso contra a decisão do Supremo, questionando a proibição de chapa avulsa e de votação secreta para eleição de comissão especial e os outros pontos do julgamento. Segundo anunciou Eduardo Cunha à imprensa, não ocorrerá eleição de nenhuma comissão permanente da Câmara até que o STF esclareça sua decisão.

O relator das contas de 2014 na Comissão Mista de Orçamento (CMO), Senador Acir Gurgacz (PDT-RO), apresentou parecer pela aprovação com ressalva. O TCU havia recomendado rejeição. As contas do exercício de 2014 são o principal fundamento de mérito do impeachment.

O Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública do IESP-UERJ passa a divulgar notas sobre o cotidiano do Congresso Nacional. São informações públicas e relevantes, mas pouco noticiadas pela grande imprensa.
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O Brasil está reduzido a brincadeiras e molecagens


Em 1991,  só alguns dias depois de tomar posse no Governo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola compareceu a uma assembléia do Sepe — o sindicato dos professores do Estado — para discutir a pauta de reivindicações da categoria diante do caos financeiro deixado por Moreira Franco, inclusive com uma cabulosa “confissão de dívida” com as empreiteiras do Metrô.

Mal ele entrou na Concha Acústica da UERJ, o grupo mais radical da militância sindical explodiu numa sonora vaia.

Brizola ouviu, sorriu, deu meia volta e foi embora.

Depois, explicou aos repórteres: o problema não eram as divergências que surgissem do diálogo que, abertamente, estava disposto a travar, numa atitude — salvo engano meu — inédita entre os governantes: ir a uma assembléia de servidores tratar de suas reivindicações. O problema, dizia ele, era o método: que vaiava antes de sequer ouvir, não queria nem ouvir, nem falar, apenas debochar.

Era inevitável que a cena me viesse à cabeça hoje, com a grosseria dos tucanos e de seus aliados ao vaiarem Dilma Rousseff em sua ida ao Congresso para a abertura do ano legislativo.

Com a diferença que são parte de um poder da República.

Não querem ouvir, não querem falar, querem apenas debochar, enquanto o país se debate em dificuldades terríveis.

As cenas são fartas em mostrar deputados amolecados, de bonequinhos infláveis, num comportamento de fazer corar adolescentes.

É o “efeito Aécio” que se espalhou na política.

No Congresso e na mídia, estamos reduzidos à estatura de moleques.

Os jornais, parece, se regem pelos hidrófobos frequentadores de seus portais.

A Folha investiga um bote de lata.

O Globo, uma cota de um “pombal” no Guarujá.

O Estadão virou um boletim oficial dos vazamentos,

Ignoram que, se desonesto, Lula poderia ter estalado os dedos, tamanho era seu prestígio, e feito aparecer apartamentos e lanchas quanto os quisesse.

Todos se lixam para o fato de que o país e o mundo estão em grave crise e que isso significa que todos os dias gente perca o emprego e as condições de sustentar suas famílias.

Tentam ridicularizar  — e há meses — qualquer tentativa do governo de dialogar.

O diálogo é bom, positivo e civilizado em quase todas as circunstâncias, exceto numa.

Quando o desejo de fazê-lo torna excessivamente tímido, além do aceitável, o exercício de fazer o que é o dever de quem tem a delegação do poder popular.

Descobrimos que Kim Kataguiri, em espírito,  foi alçado não apenas a colunista da Folha, mas a líder da oposição parlamentar.

Não surpreende que outra manobra tenha levado à estaca zero o processo disciplinar de Eduardo Cunha num parlamento assim.

É mais um poder da República que desanda para a molecagem e para brincadeiras de marketing.

Fernando Brito


http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2016/02/03/dilma-mostra-coragem-diante-das-baixarias/

Dilma mostra coragem diante das baixarias

De costas para a mesa onde a presidente Dilma Rousseff está fazendo seu discurso, um deputado aparece gritando. Outro passa diante dela desfilando com uma placa em que se lê "Xô CPMF". Uma deputada interrompe a fala da presidente da República para fazer uma contestação no microfone do plenário. Sobre a bancada, um parlamentar estica a faixa "O Brasil não aguenta mais você. Cai fora!".

Foi um festival de baixarias, incivilidade, desrespeito e falta de educação a reabertura solene do Congresso Nacional nesta terça-feira, desta vez com a presença da presidente Dilma, que resolveu de última hora apresentar pessoalmente a mensagem anual do Executivo ao parlamento.

Deu a impressão de que grande parte das excelências não queria nem ouvir o que a presidente tinha a lhes dizer e propor. Enquanto Dilma propunha diálogo e parceria para enfrentar as graves dificuldades do País e medidas para a retomada do crescimento econômico, deputados e senadores continuavam conversando animadamente, consultando seus celulares e até teve um que ficou o tempo todo dormindo.

É inimaginável ver cenas como estas quando o presidente Obama faz seu discurso anual sobre o Estado da União ou durante as visitas da primeira ministra Merkel ao parlamento alemão.

Repórteres presentes registraram que Dilma foi vaiada oito vezes ao longo do seu discurso e, com isso, os parlamentares da oposição conseguiram roubar todas as manchetes dos jornais, que era o que eles procuravam. Em outras 13 ocasiões, a presidente foi aplaudida. Uma solenidade como essas não pode ser uma disputa entre vaias e aplausos, se todos ali estivessem realmente interessados em bem representar seus eleitores e buscar soluções para os problemas nacionais.

Parlamentares oposicionistas se comportaram como black blocs da internet ou como se estivessem participando de um protesto estudantil, mostrando o grau de degradação a que chegou a disputa política no Legislativo. Oposição não foi feita mesmo para aplaudir o governo, mas será que seus representantes não poderiam esperar para fazer suas contestações mais tarde, nos plenários da Câmara e do Senado, depois da saída da presidente?

"Precisamos ter como horizonte o futuro do País e não apenas do meu governo", conclamou Dilma, mas parece que falou para as paredes. De qualquer forma, o fato é que a presidente saiu das cordas e retomou a iniciativa das ações políticas, mostrando coragem para ir à toca dos leões e enfrentar seus desafetos, enquanto a oposição se apequenava novamente, repetindo velhos chavões de palanque.

Rara exceção entre os tucanos e assemelhados que só pensam em impeachment, o senador cearense Tasso Jereissatti deu uma declaração serena sobre o discurso presidencial, dizendo que agora a presidente precisa dar continuidade ao diálogo para tornar concretas suas propostas econômicas, que é o que todos esperamos. Caso contrário, argumentou ele, daqui a duas semanas tudo será esquecido.
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O significado do beijo que Dilma não deu em Eduardo Cunha

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/02/03/o-significado-beijo-que-dilma-nao-deu-em-eduardo-cunha/


A presidenta Dilma Rousseff foi ontem ao Congresso e estavam lhe esperando para a recepção o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowiski, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Dilma foi generosa no cumprimento aos dois primeiros, ofereceu-lhes o rosto para troca de beijos. E mais do que formal com Cunha, que ficou apenas com um distante aperto de mão.



Não é incomum que este tipo de coisa aconteça até por descuido e se transforme em notícia. Em geral, uma não-notícia que só serve pra alimentar o espetáculo da política. Não foi o caso desta vez.

Dilma sabia exatamente quem encontraria no evento, inclusive porque há todo um cerimonial para essas ocasiões, e como estariam dispostos os líderes dos outros poderes. E ensaiou a cena.

A presidenta quis deixar claro que Cunha não tem o seu carinho e muito menos seu respeito.  E quis deixar claro para o público que lá estava que com ele não tem mais acordo. É guerra.

A próxima frente de batalha entre Cunha e o governo liderado por ela será a eleição do líder do PMDB, no dia 17 de fevereiro, uma semana após a quarta-feira de cinzas. Estão na disputa Leonardo Picciani (RJ) e Hugo Motta (PI), disputando um colégio eleitoral de 67 deputados.

A vitória de Motta será a de Cunha. A de Picciani a do governo.

Não serão beijos e afagos que decidirão a rinha. O toma-la-da-cá para lá que move um deputado pra um lado ou para o outro não tem relação com  gestos.

E por isso, se Cunha vier a impor nova derrota ao Palácio, ele não só mostrará o tamanho da sua força, como também contribuirá para reacender o movimento pró-impeachment. E para emplacar Motta, Cunha tem contado com todo o apoio da oposição no “convencimento” de sua bancada.

Se o governo conseguir reconduzir Picciani, ganha fôlego para rearticular sua base e deixa Cunha quase como um espectro a presidir uma Câmara que já não mais lidera.

O beijo que Dilma não deu em Cunha tem esse recado. De que não há possibilidade de acordo com ele. De que não existe chance de se buscar um caminho de salvação mútua. Ou é um ou outro.

Em política, beijos e afagos só têm efeito simbólico. É no dia 17 que Dilma e Cunha decidirão quem fica no jogo.Mesmo parecendo algo menor, quem vier a perder a disputa pela liderança do PMDB terá dificuldades imensas para se recuperar.

Dia 17 será a Batalha de Waterloo entre Dilma e Cunha.
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