29 de jan de 2016

Isto não é jornalismo

O comportamento da mídia nativa é o sintoma mais preciso da decadência do Brasil

Não é difícil entender que a casa-grande está apavorada
com a possibilidade do retorno de Lula à Presidência
Ricardo Stuckert
Incomodavam-me, em outros tempos, os sorrisos do sambista e do futebolista. Edulcorados pela condescendência de quem se crê habilitado à arrogância. Superior, com um toque de irônica tolerância. Ou, por outra: um sorriso vaidoso e gabola.

Agora me pergunto se ainda existem sambistas e futebolistas capazes daquele sorriso. Foi, aos meus olhos, por muito tempo, o sinal de desforra em relação ao resto do mundo, a afirmação de uma vantagem tida como indiscutível. Incomodou-me, explico, considerar que a vantagem do Brasil, enorme, está nos favores recebidos da natureza e atirados ao lixo pela chamada elite, que desmandou impunemente.

Quanto ao sambista e ao futebolista, não estavam ali por acaso. Achavam-se os tais, e os senhores batiam palmas. Enxergavam neles os melhores intérpretes do País e no Carnaval uma festa para deslumbrar o mundo.

O Brasil tinha outros méritos. Escritores, artistas, pensadores, respeitabilíssimos. Até políticos. Ocorre-me recordar a programação do quarto centenário de São Paulo, em 1954, representativa de uma metrópole de pouco mais de 2 milhões de habitantes e equipada para realizar um evento que durou o ano inteiro sem perder o brilho.

Lembro momentos extraordinários, a partir da presença de telas de Caravaggio em uma exposição do barroco italiano apresentada no Ibirapuera recém-inaugurado, até um festival de cinema com a participação de delegações dos principais países produtores.

A passar pela visita de William Faulkner disposto a trocar ideias com a inteligência nativa. Não prejudicaram a importância da presença do grande escritor noitadas em companhia de Errol Flynn encerradas ao menos uma vez pelo desabamento do primeiro Robin Hood de Hollywood na calçada do Hotel Esplanada.

A imprensa servia à casa-grande, mas nela militavam profissionais de muita qualidade, nem sempre para relatar a verdade factual, habilitados, contudo, a lidar desenvoltos com o vernáculo. Outra São Paulo, outro Brasil.

Este dos dias de hoje está nos antípodas, é o oposto daquele. A despeito da irritação que então me causava o sorriso do futebolista e do sambista, agora lamento a sua falta, tratava-se de titulares de talentos que se perderam.

Vivemos tempos de incompetência desbordante, de irresponsabilidade, de irracionalidade. De decadência moral, de descalabro crescente. Falei em 1954: foi também o ano do suicídio de Getúlio Vargas, alvejado pelo ataque reacionário urdido contra quem dava os primeiros passos de uma industrialização capaz de gerar proletariado, ou seja, cidadãos conscientes de sua força, finalmente egressos da senzala.

Recortes
Segundo a Folha, Lula carrega o triplex nas costas, igual a mochila
Não cabe, porém, comparar Carlos Lacerda com os golpistas atuais, alojados na mídia, grilos falantes dos barões, a serviço do ódio de classe. Lacerda foi mestre na categoria vilão, excelente de fala e de escrita.

Os atuais tribunos de uma pretensa, grotesca aristocracia, são pobres-diabos a naufragar na mediocridade. Muitos deles, como Lacerda, começaram na vida adulta a se dizerem de esquerda, tal a única semelhança. Do meu lado, sempre temi quem parte da esquerda para acabar à direita.

Os sintomas do desvario reinante multiplicam-se, dia a dia. Alguns me chamam atenção. Leio, debaixo de títulos retumbantes de primeira página, que o ex-ministro Gilberto Carvalho admitiu ter recebido certo lobista.

Veicula-se a notícia como revelação estarrecedora, e só nas pregas do texto informa-se que Carvalho convidou o visitante a procurar outra freguesia. De todo modo, vale perguntar: quantos lobistas passam por gabinetes ministeriais ao praticar simplesmente seu mister? Mesmo porque, como diria aquela personagem de Chico Anysio, advogado advoga, médico medica, lobista faz lobby.

Outro indício, ainda mais grave, está na desesperada, obsessiva busca de envolver Lula em alguma mazela, qualquer uma serve. Tanto esforço é fenômeno único na história contemporânea de países civilizados e democráticos. Não é difícil entender que a casa-grande está apavorada com a possibilidade do retorno de Lula à Presidência em 2018, mesmo o mundo mineral percebe.

Mas até onde vai a prepotência insana, ao desenrolar o enredo de um apartamento triplex à beira-mar que Lula não comprou? A quem interessa a história de um imóvel anônimo? Que tal falarmos dos iates, dos jatinhos, das fazendas, dos Rolls-Royce que o ex-presidente não possui?

Este não é jornalismo. Falta o respeito à verdade factual e tudo é servido sob forma de acusação em falas e textos elaborados com transparente má-fé. Na forma e no conteúdo, a mídia nativa age como partido político.

Mino Carta
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Depoimento de Lula: não seria melhor interrogar o promotor?


Acho que se poderia pensar numa inversão de papéis, diante desta barbaridade feita pelo promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo de chamar o ex-presidente Lula a depor na condição de “investigado” nesta história já enfadonha do apartamento no Guarujá.

Seria esclarecedor se o interrogado fosse não Lula, mas o promotor. Ajudaria se o moço  — cujo auxílio-moradia de quase 5 mil reais, pago pelos cofres públicos, dá para alugar um triplex bem pertinho do que acusa Lula de ter (duvida? olhe o anúncio aqui) e ainda pagar o condomínio — explicasse, afinal, sobre que o ex-presidente.

Lavagem de dinheiro? Que dinheiro? Obtido onde, por quais meios, em quais negócios?

Por ter uma cota na cooperativa que construiu o prédio que daria direito a comprar um apartamento, declarada no IR, e não ter exercido o direito?

Ocultação de patrimônio? Que patrimônio, se o dito apartamento nunca foi de Lula ou de sua família?

Por ter ido ver o apartamento?

E se a OAS, que é dona do imóvel quisesse emprestá-lo, cedê-lo a Lula, há crime?

Lula não é servidor público desde 1º de janeiro de 2011 e, desde então, não tem sequer impedimentos legais ou éticos em ter qualquer relação com  empresas.

Eu tenho metade de um apartamento, deixado por minha mãe. Nele, moram minhas sobrinhas, que fazem faculdade no Rio e, como meu irmão mora em Cabo Frio, precisam ficar por lá. Óbvio que não vou cobrar “aluguel” dele ou delas: está cedido e eu ainda pago as cotas extras de condomínio, porque fica pesado. Sou um criminoso? Elas são criminosas?

Lula é pessoalmente acusado de ter praticado algum favorecimento à OAS?

Ou é na base do “alguma coisa ele fez”?

Perguntas básicas que, infelizmente, nunca são feitas.

Porque não interessam nesta abjeta tentativa (tentativa, digo eu? ação consumada é mais apropriado) de criminalizar, a qualquer custo uma liderança política, a mais destacada que este país teve em décadas.

Basta odiar, achar um vizinho que odeie, um porteiro que diga “sim, seu doutor, ele esteve lá, inclusive seguraram a porta do elevador”.

Não acontece nada, estão livres para atropelar, abusar, desmoralizar as pessoas a partir do “ah, eu acho que aí tem coisa”.

É o “estado da direita”, de uma corporação policialesca, que perdeu as estribeiras e o mais raso senso de equilíbrio.

Viraram os delegados da roça: “manda pegar e levar lá na delegacia que eu quero conversar com este sujeitinho”.

Fernando Brito
No Tijolaço



Quem é o valente Promotor do Estadão

Ele já pagou caro por usar o PiG!

Bonitão tomou de 7x1. (Foto extraída do facebook)


Promotores do Gaeco são condenados por divulgar notícia com nome de acusado

A imunidade dos membros do Ministério Público para o exercício de suas funções é relativa e eles devem ser responsabilizados direta e pessoalmente se agem com má-fé. Com esse fundamento, o juiz Joel Birello Mandelli, da 6ª Vara Cível de Santos, condenou os promotores de justiça Cássio Roberto Conserino e Silvio de Cillo Leite Loubeh a indenizar um advogado criminalista em R$ 20 mil. Cabe recurso e os três (autor da ação e acusados) apelarão.

O advogado sustentou que sofreu dano moral por ter o seu nome exposto na notícia intitulada Operação do MP prende 13 policiais por envolvimento com o jogo ilegal na Baixada Santista. O texto foi publicado no site do próprio Ministério Público de São Paulo, em 7 de agosto de 2012, quando foram feitas as prisões. Além dos 13 policiais, o criminalista e quatro supostos operadores de jogos de azar foram presos e identificados na notícia.

As detenções foram respaldadas por mandados de prisão temporária expedidos pelo juiz Reynaldo da Silva Ayrosa Neto, atualmente aposentado, mas que na época era o titular da 2ª Vara Criminal de São Vicente. O juiz também autorizou a revista em vários endereços dos averiguados para a apreensão de qualquer coisa de interesse às investigações, conduzidas pelo núcleo de Santos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pertencente ao MP.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram requeridos por Loubeh e Conserino. Ao deferir as medidas cautelares, Ayrosa frisou por escrito sobre a necessidade de sigilo, “a fim de preservar não só as investigações, mas, enquanto não houver ação penal instaurada, também os direitos dos investigados”. No caso do criminalista, que teve o apartamento e o escritório vistoriados, prisão foi revogada horas depois da operação, pelo próprio juiz, por ausência de provas para confirmar o alegado pelos promotores.

Ação Cível

Na ação cível pela qual o advogado pediu a indenização por danos morais, os promotores alegaram que não poderiam ser processados, porque agiram no exercício da função, em nome do MP. Para eles, o órgão deveria ser acionado. No mérito, requereram a improcedência da demanda, sob o argumento de não ficar configurada qualquer violação que caracterizasse dano moral a motivar reparação civil. Por fim, manifestaram desinteresse por eventual conciliação e pediram a condenação do criminalista por litigância de má-fé.

O juiz Mandelli afastou a alegada ilegitimidade passiva de parte, citando ensinamentos juristas como Hely Lopes Meirelles e Humberto Theodoro Júnior sobre a responsabilidade de agentes públicos. Ele mencionou decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema e reproduziu o Artigo 85 do Código de Processo Civil, segundo o qual o membro do MP “será civilmente responsável quando, no exercício das suas funções, proceder com dolo ou fraude”.

O juiz da 6ª Vara Cível de Santos também refutou as alegações dos promotores no tocante ao mérito. “O dano moral experimentado pelo autor é flagrante e decorre não do pedido de prisão temporária feito pelos réus, representantes do MP, que é ato inerente às atividades do ofício, mas, sim, da desnecessária e ilegal exposição do nome do autor para a imprensa, o que certamente lhe causou lesão aos direitos de personalidade, sobretudo por se tratar de profissional liberal.”

Segundo a decisão, além do prejuízo moral, a conduta dos promotores também prejudicou o interesse público nas investigações, divulgadas quando ainda estavam em andamento. Tais consequências já haviam sido destacadas por Ayrosa no despacho em que revogou as prisões dos 13 policiais detidos, um dia antes de expirar o prazo de cinco dias das suas prisões temporárias. Posteriormente, os quatro acusados de operarem o esquema de jogos de azar também foram soltos pelo juiz da esfera criminal.

Repercussão na mídia

O site do MP manteve a notícia original da operação do Gaeco por 12 dias, até retirar dela os nomes dos averiguados. Porém, devido ao vazamento de informações sigilosas, conforme destacou Mandelli, vários meios de comunicação reproduziram as informações, amplificando a lesão à honra do advogado. Para o juiz, “a regularidade da atividade investigativa impõe o maior respeito à lei e aos direitos dos investigados”.

Ao fixar a indenização a ser paga solidariamente pelos promotores ao advogado, o juiz avaliou como “razoável e proporcional” o valor de R$ 20 mil, a ser corrigido monetariamente desde o arbitramento, com juros moratórios calculados a partir da data de postagem da notícia no site do MP. O criminalista havia pleiteado R$ 100 mil e, por esse motivo, recorrerá. Inconformados com a decisão, os representantes do MP também apelarão.

O promotor Silvio Loubeh, que continua no núcleo santista do Gaeco, disse que “o Ministério Público não violou qualquer sigilo das investigações, apenas prestou informações básicas à sociedade e à imprensa acerca de organização criminosa que atuava na Baixada Santista. Em razão desta convicção, recorrerá até a última instância, visando resguardar as prerrogativas institucionais e o direito de informação da população”.

Atualmente na 2ª Promotoria de Justiça Criminal do Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da Capital, o promotor Cássio Conserino afirmou: “Acredito piamente que a decisão será revertida nas instâncias superiores do Poder Judiciário, já que cerceou o direito de produção de provas, partiu de pressupostos equivocados e fez conclusões ainda mais temerárias, mostrando-se tecnicamente deficitária”. Os promotores se manifestaram por meio da assessoria de Comunicação Social do MP.

Já o criminalista afirmou que vai recorrer para agravar o valor da indenização. “Acredito plenamente no Poder Judiciário, que é um órgão totalmente independente e confiável no Brasil”, declarou o advogado, que é defendido pelo colega Ricardo Ponzetto.

No CAf
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A fábula da bomba atômica


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Vídeo: Detidos na Itália – a miséria dos migrantes e refugiados


Na Europa, trata-se do maior movimento de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial. Fugindo da guerra, do sofrimento e da perseguição, muitos acabam em centros de detenção italianos. Confira neste mini documentário especial.



Acompanhe o tema em https://nacoesunidas.org/tema/refugiados e www.acnur.org.br

No ONU BR
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Paulo Henrique Amorim é condenado à prisão por ofender diretor da Globo — Cabe recurso

Apresentador do "Domingo Espetacular", da Record, Paulo Henrique Amorim foi condenado a cinco meses e dez dias de prisão por ofender o diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel.

Em decisão publicada nesta sexta-feira (29), o relator do caso, desembargador Edison Brandão, avaliou que Amorim está em "autêntica empreitada" contra a honra do jornalista. Segundo ele, a vontade de cometer o crime “salta nítido nos autos, ficando clara a intenção em macular a honra de Ali Kamel”.

Em seu blog jornalístico, o Conversa Afiada, Paulo Henrique acusou Ali Kamel de racismo por conta do livro "Não Somos Racistas - Uma Reação aos que Querem nos Transformar numa Nação Bicolor". Ele afirmou que o diretor da Globo "engrossa as fileiras racistas dos que bloqueiam a integração e a ascensão dos negros" e classificou no texto como uma pessoa "trevoso" — que significa uma pessoa horrível, terrível, medonha.

Para o desembargador, o apresentador "seguramente poderia exercer seu direito à crítica sem emprego de palavras demeritórias e pejorativas”. Como as ofensas foram feitas na internet, a pena foi aumentada em um terço.

A decisão ainda cabe recurso, o que Paulo Henrique Amorim deverá fazer. Não é, nem de longe, a primeira vez que ele é condenado por escritos em seu blog. Outros jornalistas da Globo já o processaram por ofensas semelhantes.

Procurada pela reportagem para se manifestar, a assessoria da Record informou que Paulo Henrique Amorim não responde as notas de ação judicial.

No Na Telinha
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Macri vai incendiar a Argentina

Em seu arrivismo neoliberal, o presidente Mauricio Macri está brincando com fogo e pode incendiar a Argentina em curto espaço de tempo. A cada dia, nestes quase dois meses de governo, o empresário mafioso adota uma medida antipopular e provoca a conhecida rebeldia dos argentinos. Nesta quarta-feira (27), ele anunciou o fim dos subsídios para a energia elétrica, o que aumentará a conta de luz em até 350%. A decisão foi anunciada com arrogância como mais um passo para enterrar o "populismo" da ex-presidenta Cristina Kirchner e para garantir a "austeridade fiscal", tão ao gosto dos banqueiros e dos ricaços que financiaram a sua apertada vitória eleitoral em novembro do ano passado.

Segundo o novo governo, o corte reduzirá o déficit público e viabilizará o pagamento dos títulos da dívida aos rentistas. O Ministério da Fazenda, controlado por banqueiros, argumenta que os subsídios "kirchneristas" abocanham cerca de 4% do PIB. A meta é reduzir esse índice para 1,5% ainda neste ano. O aumento da conta de luz, porém, vai pressionar a inflação, sabotando a principal bandeira de campanha de Mauricio Macri. Até os chamados "analistas do mercado", porta-vozes dos banqueiros, já avaliam que com a medida a inflação passará dos 30% neste ano. As maiores vítimas desta alta inflacionária serão os trabalhadores, que já prometem greves pela reposição salarial a partir de março.

Conhecido por seu autoritarismo, o novo presidente tende a rechaçar as pressões com mais violência. Após 12 anos sem cenas de repressão, a Argentina voltou a ser palco de bombas de gás, cassetetes e tiros da polícia. Servidores públicos demitidos — mais de 15 mil — foram baleados e críticos das medidas antipopulares já foram presos — como a líder camponesa Milagro Sala, deputada do movimento Tupac Amaru. Centenas de decretos de "urgência" também foram baixados de forma autoritária, como o que impôs dois ministros para a Suprema Corte de Justiça e extinguiu as duas agências de regulação dos meios de comunicação. O império midiático do Clarín aplaudiu as medidas ditatoriais, mas a rejeição popular nas ruas já se fez sentir, com enormes manifestações de protestos.

Em entrevista ao site espanhol 'Rebelión', o economista Cláudio Katz avalia que Mauricio Macri terá dificuldades para encerrar seu mandato. "Em seu primeiro mês, Macri confirmou que encabeça um típico governo de direita, que funciona com ajustes e repressão. Terminada a campanha eleitoral, os chamados à concórdia sumiram e a cada dia despertamos com um novo pesadelo. O mais grave são as demissões, que já somam mais de 15 mil servidores públicos. Com a alta da inflação nestas primeiras semanas do ano, a situação vai se agravar... Há uma campanha oficial para facilitar demissões porque o governo sabe que estrategicamente somente com um desemprego maior ele poderá lograr uma forte recomposição dos lucros dos empresários". 

"Há um cenário de repressão que explica porque Macri governa por decreto. O homem que falava em concertação, diálogo e consenso, não para de baixar decretos. Demissões e repressão necessitam de um governo autoritário... Este é um governo das classes capitalistas de forma descarada. Os que hoje remarcam os preços são gerentes que estavam no setor privado e que hoje controlam a administração pública... É um governo da classe dominante de forma explícita e descarada". No cenário desenhado pelo economista Cláudio Katz, fica a pergunta: quanto tempo vai durar o reinado do mafioso Mauricio Macri? A conferir! 

Altamiro Borges
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O Muro de Belém


Jamais alguém poderia imaginar que mansões senhoriais de uma beleza luxuosa, como o hotel Jacir Palace, poderiam ser o prelúdio de uma das obras de engenharia mais aberrantes da humanidade: o muro da vergonha. Também eu não teria suposto que daria de cara com uma torre de vigilância. Não tinha nada nem ninguém que me prevenisse, ou um cartaz que falasse “Não apto para seres humanos sensíveis aos direitos humanos”.

De repente a avenida se transformou numa rua e ali apareceram os blocos de  concreto cinza, retangularmente deformes, desumanamente humanos, com forma de torre num extremo. À medida que me aproximava, o paredão me ameaçava sem se mexer do  lugar. Não me atrevi a chegar mais perto e me demorou um pátio com flores. Olhei de soslaio para o local onde estava o muro com a vã esperança de que já não estivesse mais ali. Mas continuava mais firme do que nunca, à espreita, me espiava covardemente para se defender dele próprio.
“Bem-vindo, Papa. Belém parece o gueto de Varsóvia. Precisamos que alguém fale de Justiça. Palestina Livre. Muro do Apartheid”.
Estava de pé exatamente no mesmo lugar do muro por onde fazia poucos dias o papa Francisco tinha rezado e apoiado a cabeça em silêncio. Segundo disseram os jornais, foi uma parada não programada.

Por primeira vez na minha vida, as lágrimas ficaram presas. O muro não dava pena, tristeza também não. Dava muita raiva, impotência exasperante.

Seguia sem ter nem uma alma na rua, mas na minha frente passavam contorneando a muralha meninas e meninos que percorriam quilômetros para ir à escola, camponeses cujas terras ficaram de um lado e a sua casa do outro, famílias divididas, trabalhadores que chegavam às quatro da manhã aos postos de controle para entrar ao serviço às oito, e até soldados israelenses apavorados por um inimigo que se refletia no seu espelho a cada manhã. com arame farpado, um trem desengonçado, caminho  à morte. “Arbeit macht frei”[1].

[1] O trabalho liberta, na entrada a Auschwitz.

*Do livro de próxima publicação “Uma Judia na Palestina”.

Fotos: Tali Feld Gleiser.

Tali Feld Gleiser
No Desacato
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Os “porcos socialistas” e os “burros antibolivarianos”: a notícia falsa da pasta de dentes do Chávez


A estupidez ideológica que vai tomando conta da imprensa brasileira, se é de chorar todo dia, tem hora em que é para rir.

O Portal Imprensa informa que o UOL e mais dois jornais eletrônicos publicaram “declarações” da Ministra da Saúde da Venezuela, que a falta de pasta de dentes nos mercados do país era culpa do fato de pessoas escovarem os dentes três vezes por dia era culpa de “dentistas mal-intencionados e do capitalismo selvagem que nos leva a um consumismo extremo”.

Como estes esquerdistas, sobretudo os venezuelanos, são “capazes de tudo”, não carece de confirmação.

Bem, o “raciocínio” é assim: é da Venezuela e do governo chavista, tem de ser verdade.

Só que não.

Era só uma palhaçada do site Un Mundo Triangular — uma gozação semelhante ao nosso Sensacionalista.

Pura e simplesmente copiaram a piada como “coisa séria”.

É o “Boimate” ideológico.

Afinal, os bolivarianos, além de comerem criancinhas, não devem escovar os dentes depois.

Ou só uma vez ao dia, no máximo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Alckmin tenta envolver o MDA na corrupção dos tucanos com a merenda escolar


O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou nota, nesta sexta-feira (29), em que esclarece não ter nenhum tipo de contrato com a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf). A cooperativa é investigada por suposto esquema de corrupção para compra de merenda escolar pelo governo de Geraldo Alckmim (PSDB).

Entre os principais investigados por envolvimento na “Máfia da Merenda” estão o ex-promotor público e atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e Luiz Roberto dos Santos, ex-assessor do secretário-chefe da Casa Civil da gestão tucana, Edson Aparecido.

“O Ministério do Desenvolvimento Agrário não possui nenhum contrato com a Coaf. A informação pode ser confirmada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi)”, diz a nota do ministério.

Em declaração feita na quinta-feira (28), Alckmin afirmou, de forma errônea, que as cooperativas citadas em suposta fraude da merenda teriam sido foram aprovadas pelo MDA.

Ainda segundo o ministério comandado pelo ministro Patrus Ananias, a emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) Jurídica à Coaf foi realizada pela Secretaria Estadual da Agricultura do Governo de São Paulo, no dia 25 de junho de 2014.

O ministério afirma que, a comprovação de emissão da DAP pelo governo de SP “torna enganosa qualquer eventual alusão à participação do Ministério do Desenvolvimento Agrário nesse processo”.

“As irregularidades denunciadas envolvem o Governo do Estado de São Paulo e prefeituras municipais. Referem-se a comercializações realizadas no âmbito do Programa de Alimentação Escolar, que adquire produtos da agricultura familiar conforme legislação específica”, diz a nota.

Entenda

Segundo o Ministério Público, a Secretaria de Educação do governo Alckmin repassou à cooperativa R$ 7,7 milhões em 2015 por contrato de aquisição de alimentos. O contrato, no entanto, teria sido fechado mediante pagamento de propina.

Em depoimento à Polícia Civil, três testemunhas ligadas à cooperativa confirmaram o pagamento de propina a agentes públicos, que chegava a 25% do valor dos contratos. Ao todo, sete pessoas da empresa tiveram a prisão decretada.

Uma das testemunhas presas na operação, o funcionário da Coaf Adriano Gilbertoni Mauro, teria intermediado o contrato da cooperativa com a secretaria do governo paulista.

Outra testemunha, o vice-presidente da Coaf, Carlos Alberto Santana da Silva, confirmou em depoimento o pagamento de propina de R$ 1,94 milhão para o contrato com o governo tucano em 2015.

A investigação aponta ainda que pelo menos 17 prefeituras do interior paulista também teriam participado do esquema de corrupção.
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Entrevista com Flávio Dino


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Um país que protege Cunha e persegue Lula é um país doente

Livre como uma borboleta: Cunha
A Lava Jato perdeu o pudor.

O nome Triplo X, referência sibilina ao mítico ‘Triplex do Lula’ é um acinte. Está claro que se trata de erradicar não a corrupção — mas de caçar Lula.

Fosse outro o propósito você não teria um ataque tão sistemático a Lula enquanto um homem como Eduardo Cunha borboleteia, livre para armar as delinquências em que é mestre.

Era mais honesto batizar a operação como Caça Lula.

Os suíços entregaram de bandeja documentos que comprovam corrupção em níveis pavorosos de Cunha. Ele mentiu, sonegou, inventou desculpas aberradoras e usou até a palavra ‘usufrutuário’ para tentar encobrir sua condição de dono de milhões na Suíça.

Não foi apenas isso.

Depoimentos de fontes variadas coincidiram em relatar ameaças de paus mandados de Cunha contra pessoas que pudessem dizer coisas comprometedoras contra ele.

Vídeos mostraram expressões aterrorizadas de delatores ameaçados por homens de Cunha. Parecia coisa de Máfia. Falaram até na família. Em filhos. Disseram que tinham o endereço para a retaliação.

Não foi um depoimento nesse gênero. Foram pelo menos três, dois de delatores e um de um deputado que era um problema para Cunha na Comissão de Ética que o julga.

Que mais queriam? Que um cadáver amanhecesse boiando num rio?

E as trocas de emails com empresas beneficiárias de medidas provisórias?

Com esse conjunto avassalador de evidências, Eduardo Cunha aí está, na presidência da Câmara, ainda no comando de um processo viciadíssimo que pode cassar 54 milhões de votos.

Cadê a Polícia Federal? Cadê Moro? Cadê uma operação realmente para valer para investigar as delinquências conhecidíssimas de Cunha.

Nada. Nada. Nada.

É uma bofetada moral inominável nos brasileiros. É a completa desmoralização da política.

Enquanto a vida é mansa para Cunha, para Lula é uma sucessão infindável de agressões.

Virou piada que até ser amigo de Lula se caracterize como algo capaz de incriminá-lo. Mas coloquemos o adjetivo certo: é uma piada repulsiva.

Um apartamento banal numa praia banal — a cidade plebeia do Guarujá — adquire ares de uma propriedade suntuosa que Lula jamais poderia comprar. É um tríplex, uma palavra feita para impressionar e ludibriar a distinta audiência.

Não interessa se quatro ou cinco palestras de Lula seriam suficientes para comprar o apartamento. Não interessa se ele tem documentos que comprovam que ele não comprou, afinal, o imóvel.

O que importa é enodoar a imagem de Lula. Caracterizá-lo como um corrupto, um ladrão, um monstro de nove dedos. O maior vilão da história do Brasil.

Alguém — PF, Moro, imprensa — deu um passo para saber se a residência de Eduardo Cunha é compatível com seus rendimentos de deputado? Alguém apurou se ele tem condições de bancar uma vida de fausto para a mulher, à base joias e extravagâncias como aulas de tênis no exterior?

Ninguém.

É um país doente aquele que protege Eduardo Cunha e investe selvagemente contra um homem que cometeu o pecado de colocar os excluídos na agenda nacional como nenhum outro desde Getúlio Vargas.

Estamos enfermos — e Moro e sua Lava Jato são sintomas eloquentes dessa nossa deformação moral.

Paulo Nogueira
No DCM
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Tucanos são famintos por merenda escolar — Parte 5


Máfia da merenda pode ter atingido 152 cidades em São Paulo

Três cooperativas de agricultura familiar formaram um cartel para definir vencedores em licitações de merenda escolar em até 152 municípios paulistas, de acordo com documento anexado aos autos da Operação Alba Branca a que a Folha teve acesso.

Planilha que estava em computador da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), de 2013, lista municípios e os contratos que cada um tem com as cooperativas, numa espécie de loteamento.

O documento mostra ainda o total da verba para merenda e o valor destinado especificamente à agricultura familiar, que, por lei, pode ser contratado sem licitação.

Além da Coaf, são citadas a Coagrosol (Cooperativa dos Agropecuaristas Solidários de Itápolis) e a Cocer (Cooperativa de Citricultores de Engenheiro Coelho). Em depoimento, o ex-presidente da Coaf Cássio Izique Chebabi, delator na operação, confirmou a combinação de preços.

À época, as cooperativas tinham contratos com 152 dos 645 municípios paulistas para fornecer itens da merenda. Esses municípios eram responsáveis por R$ 209,8 milhões (48%) do total para gastos com merenda de agricultura familiar, R$ 435 milhões.

Em depoimento, um ex-funcionário da cooperativa disse que o acordo foi desfeito na licitação de Barueri, o que teria ocasionado retaliações por parte da Coagrosol.

A Coaf foi escolhida em chamada pública após informar-se sobre a proposta da Coagrosol — que, pela planilha, deveria ser a vencedora. Desse modo, a cooperativa foi capaz de fraudar a licitação, disse Carlos Luciano Lopes.

A primeira proposta da Coaf foi de R$ 1,89 por unidade, enquanto a Coagrosol ofertou por R$ 1,25. Dirigentes da Coaf teriam, então, oferecido 30% sobre o valor total do contrato em propinas a operadores e a agentes públicos da prefeitura, segundo contou o ex-funcionário.

Ilegalmente, a Coaf mudou seu lance de R$ 1,89 para R$ 1,24, valor necessário para que ganhasse o contrato.

Outro lado

Representantes da Coagrosol e da Cocer negaram terem feito qualquer acerto com dirigentes da Coaf.

Ulysses Massayoshi Murakami, diretor-presidente da Coagrosol, disse que havia boatos sobre a Coaf pagar propinas, mas que sua cooperativa jamais integrou cartel. "Nós deixamos de ganhar por isso", afirmou. "Um dia, sempre, a casa cai", concluiu.

Tesoureiro da Cocer, José Francisco Vilela Mancini também negou o cartel. "Isso aí nunca existiu", afirmou.



Máfia da merenda escolar teve contrato em Taubaté. Você se surpreende?

A Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), investigada pelo Ministério Público sob suspeita de fraudar contratos para a compra de itens da merenda escolar de prefeituras e do governo estadual, firmou um contrato com a Prefeitura de Taubaté em 2013, no primeiro ano de mandato do prefeito Ortiz Junior (PSDB).

Pelo contrato, que foi firmado em setembro daquele ano, a cooperativa recebeu R$ 487.897,60.

O objeto do contrato era a aquisição de gêneros alimentícios, como mel, da agricultura familiar, para o atendimento ao PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). A vigência teria sido de quatro meses.

O contrato foi firmado depois de uma chamada pública, processo simplificado de compra aplicado ao PNAE.

Procurada ontem, a Prefeitura de Taubaté não informou quantas empresas apresentaram proposta à chamada, se identificou alguma falha no processo e se o serviço contratado foi entregue.

Apuração

Após a Operação Alba Branca, deflagrada na terça-feira da semana passada e que resultou na prisão de seis pessoas no Estado, a Polícia Civil informou que todas prefeituras que firmaram contratos com a Coaf terão a documentação investigada.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 16 prefeituras do Estado, nenhuma delas na RMVale. Agora, o número de municípios que são alvo da investigação já chega a 22.

“O próximo passo das investigações é aprofundar a análise dos contratos apreendidos para identificar quais agentes públicos favoreceram a contratação superfaturada”, disse o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Moraes.

“A investigação seguirá com o apoio do Ministério Público e Tribunal de Contas para que todos façam um pente-fino na aplicação dessa lei federal para ver se não há corrupção em outros locais”, concluiu.

De acordo com o promotor Leonardo Romanelli, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Ribeirão Preto, responsável pelo caso, por ora não foram colhidos documentos na RMVale.

“A investigação se estende pelos municípios onde há suspeitas de fraudes nos contratos — não basta que haja contrato entre a Coaf e um determinado município, tem que haver suspeita de fraude a respeito”.

O promotor disse que uma força-tarefa “está estudando o material apreendido, analisando tudo em conjunto com as declarações dos investigados e testemunhas ouvidas para definir os próximos passos”.

Políticos

O caso ganhou ainda mais repercussão após três investigados na operação citarem o pagamento de propina a políticos.

Entre os citados estão o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), que preside a Assembleia Legislativa, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, que foi exonerado do cargo, e o presidente estadual do PMDB, o deputado federal Baleia Rossi.

Os políticos negam a acusação — o valor da propina seria equivalente a 25% dos contratos.

Entenda o caso

Esquema

Segundo as investigações, a Coaf, que tem sede em Bebedouro (SP), montou um esquema para fraudar chamadas públicas, que analisam orçamentos de três cooperativas

Fraude

Representantes da Coaf teriam criado outras duas empresas, de fachada, para simular concorrência em compras de prefeituras e do Estado

Propina

Agentes ligados aos órgãos públicos contratantes recebiam propina, de até 25% do valor dos contratos

Superfaturamento

Os produtos da merenda escolar eram entregues na íntegra, porém com preço superfaturado para contemplar a propina. O superfaturamento chegava a 30%. Seis pessoas ligadas à Coaf foram presas e 22 prefeituras já são alvo da apuração.

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Investigação chega mais perto do tucano Beto Richa

O irmão e o primo do governador tucano do Paraná são citados no esquema de propina

Familiares de Richa teriam recebido dinheiro da Valor Construtora
Sob ameaça de instauração de uma CPI contra sua administração, o governador do Paraná, Beto Richa, passou os últimos dias cercado de aliados e advogados para montar uma estratégia que tente afastá-lo do escândalo na Secretaria de Educação.

As investigações sobre o esquema de pagamentos de propinas apontam que o montante desviado ultrapassa os 20 milhões de reais. Segundo reportagem publicada no site de CartaCapital, o esquema, afirmam testemunhas, abasteceu a campanha do governador e de seus aliados nas últimas eleições. Agora, os investigadores querem saber como o dinheiro foi movimentado.

Os primeiros detalhes das apurações revelam que o dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes, teria enviado recursos para contas no exterior.

As acusações partiram de ex-funcionárias das empresas de Lopes. O empresário seria o responsável por organizar a distribuição do dinheiro entre servidores da Educação e para as campanhas políticas. A propina era desviada de escolas projetadas, mas não construídas.

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Pepe é secretário de Infraestrutura do estado
Gazeta do Povo
O restante da quantia era enviado ilegalmente para fora do Brasil por meio de um doleiro, ainda não identificado. Sabe-se apenas que o homem de prenome Rui frequentemente levava dólares e euros à sede da construtora. O doleiro levaria as notas amarradas na perna e saía sempre portando uma mala. A identificação de Rui depende da degravação de um aparelho onde ficavam registradas as imagens da câmera de segurança no saguão da empresa.

Os investigadores esperam ainda identificar outros participantes do esquema na análise das imagens do circuito interno. Suspeita-se que o doleiro seria o facilitador das remessas de recursos para ao menos dois países, Moçambique e Estados Unidos. Durante o último ano, Lopes tinha interesse na abertura de uma filial no país africano, mas segundo as funcionárias, não houve sucesso na conquista de obras no exterior.

Uma subsidiária teria, porém, sido criada no nome de uma empregada doméstica em Moçambique e de outros laranjas e servido para lavar dinheiro. Outra via de ocultação de propina seria em Nova York. Uma das delatoras afirma que Lopes costumava viajar com grandes quantias para os EUA e não escondia de ninguém o fato de manter recursos fora do País.

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Antoun aparece em outros escândalos
do governo tucano
Estadão Conteúdo
As contas nos EUA, segundo uma testemunha, estariam registradas em nomes da esposa e do filho de Lopes. Os dois foram detidos por envolvimento no esquema. Gustavo Lopes cumpre prisão preventiva desde o fim do ano passado e a esposa de Eduardo, Patricia Baggio, foi presa na sexta-feira 15. A Justiça lhe concedeu prisão domiciliar por causa da amamentação de um filho de 4 meses.

A busca e apreensão na casa do empreiteiro poderá fornecer novas pistas. Diversos celulares, em posse de Lopes, eram usados para falar com integrantes da Assembleia Legislativa e intermediários de políticos. Os aparelhos não estavam em nome do empresário, mas de laranjas. A identificação dos destinatários das chamadas pode se tornar uma prova cabal de envolvimento dos parlamentares investigados.

Como em todo folhetim policial, a logística para o transporte de dinheiro envolvia um estratagema curioso. Quantias de até 800 mil reais eram sacadas na boca do caixa e levadas para a sede da construtora. Lá, a propina era separada em caixas de vinho e redistribuída no meio das garrafas como presente aos destinatários da propina.

Para esclarecer várias dúvidas da investigação será necessário despertar o interesse do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os autos que citam o nome de Richa e de Durval Amaral, ex-chefe da Casa Civil e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, estão em poder da PGR. Os trechos em que são citados o presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), e o deputado Plauto Miró (DEM) foram enviados para o procurador-geral do Paraná.

Sobre o envolvimento de Amaral, há outras perguntas sem respostas. Segundo as testemunhas, o empresário teria tentado, ainda antes do início da operação, firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com o estado e o TCE. A iniciativa permitiria à Valor concluir as obras em atraso. O relatório, a respeito da lisura do acordo, segundo a advogada das delatoras, teria ficado, curiosamente, a cargo do conselheiro acusado de participar do esquema.

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Alep
Para piorar a situação do governador, a investigação atinge o irmão e secretário de Infraestrutura, Pepe Richa, e um primo, o já famoso Abi Antoun, citado em outros escândalos da administração do tucano. Os dois teriam recebido propina do esquema.

Também causa embaraços ao governador um relógio da marca Rolex. Richa foi presenteado por Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria de Educação, com o mimo. Fanini seria o contato de Lopes, que possuía uma coleção de relógios da marca. A apuração quer saber se o ex-funcionário público ganhou o relógio do empresário e por qual motivo. Um Rolex pode valer até 500 mil reais.

Os ganhos do empresário permitiam excentricidades. Uma das coberturas em Curitiba pertencentes a Lopes estava avaliada em 4 milhões de reais, sem contar os carros importados e a Mercedes-Benz vermelha usada pelo filho.

Nos últimos dias apareceram novos nomes do tucanato envolvidos na fraude. Para os investigadores, os desvios teriam começado alguns anos antes sob o patrocínio de um expoente do PSDB paranaense, o deputado federal Valdir Rossoni. Segundo as delatoras, a Valor conquistou obras na cidade de Bituruna sem participar de uma concorrência e sem apresentar um acervo técnico, laudo que comprovaria sua experiência em tocar empreendimentos semelhantes.

Tatiane de Souza, uma das laranjas usadas por Lopes, contou que na empresa se ouvia que Rossoni era um político influente na cidade. Valdir é pai do ex-prefeito de Bituruna Rodrigo Rossoni, que chegou a ter o mandato cassado por abuso do poder econômico nas eleições. Procurado, o deputado não quis comentar as acusações.

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O deputado federal Valdir Rossoni também é investigado
Roberto Brzezinski Neto, defensor de Lopes e ex-advogado de políticos citados no esquema, entre eles o primo de Beto Richa, aconselhou o cliente a não aceitar um acordo de delação premiada. Brzezinski acredita que o Tribunal de Justiça do Paraná revogará a prisão do empresário e de seu filho, mulher e irmã, considerada foragida.

Parentes de Lopes estariam, no entanto, insatisfeitos com a estratégia do advogado. Para eles, Brzezinski atenderia aos interesses de outros investigados. Haveria a possibilidade de uma troca de defensor, o que abriria caminho para um acordo de delação. Procurado, Brzezinski também não atendeu aos pedidos de entrevista. Os promotores veem como certa a condenação do empresário.

Os investigadores reclamaram do inquérito inicialmente conduzido pela Polícia Civil do estado. Consideraram que a peça foi relatada antes do prazo. As operações com prisões só foram possíveis após a intervenção dos promotores e a avaliação é que tenha havido pressão por meio da Secretaria de Segurança, subordinada ao governo Richa. Agora, não se tem certeza se será possível realizar novas diligências eficazes.

A federalização do processo tornou-se a esperança para impedir qualquer interferência política. O fato de uma parte do dinheiro das escolas não construídas ter sido repassada pela União permitiria essa federalização. O empresário parece contar com a impunidade como aliada. Após a primeira operação que levou à cadeia suas laranjas na empresa, Lopes as visitou ainda no Instituto Médico Legal durante o exame de corpo de delito e vaticinou: “Não se preocupem. Isso não vai dar em nada. É só para dar uma resposta para a mídia”. Será?

*Reportagem publicada originalmente na edição 885 de CartaCapital, com o título "Mais perto de Richa"

Henrique Beirangê
No CartaCapital
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Gastar meio milhão nesta loja em um mês e meio? Será que a Folha consegue?


Vivemos no império do jornalismo de escândalos e da fofoca, onde qualquer um, por motivos sabe-se lá quais, pode dizer o que quiser, desde que seja sobra “a-empreiteira-ajudou-o-amigo-do-sócio-do-filho-do-Lula” e isso será publicado furiosamente como manchete.

Ontem — veja o post — foi “sei que era da família do Lula porque o porteiro me disse que era e o rapaz do outro apartamento também comentou”. Hoje é a incrível história do “material de construção” do sítio que seria usado por Lula, manchete da Folha.

A ex-dona (ex, não é mais, portanto) de uma modesta loja de materiais de construção, a Depósito Dias, que você vê aí na foto, diz que vendeu R$ 500 mil em material para a reforma do sítio. Como os pagamentos eram entre “R$ 75 mil a 90 mil por semana, em dinheiro vivo”, supõe-se que as vendas se deram em cerca de um mês e meio.

Não sei se o leitor já teve a experiência de construir um casa, eu já (toc,toc, toc) tive.

É impossível gastar este valor em uma loja de materiais básicos de construção como esta, neste prazo.

Qualquer empreiteiro de casinhas de veraneio sabe disso.

Quando você vai fazer uma obra de porte, compra “caminhão fechado” de areia, pedra, terra de emboço, telha. Não compra no retalhista e o atacadista entrega aonde for, porque o frete que lhe custa entregar na loja já está no preço. Não é como numa reforma de cozinha ou banheiro, em que você compra areia em sacos plásticos, por não ter como descarregar e estocar.

Não só isso: comprar aos retalhos atrasa a obra, sobretudo quando você tem muita mão-de-obra empregada: imagina todos os pedreiros e ajudantes parados porque a “moça da loja”  não entregou os dois metros cúbicos de areia do concreto de hoje…

Aquilo em que você poderia gastar uma fortuna destas numa obra não parece ser nem de longe a especialidade do “Depósito Dias”: ferragens hidráulicas de luxo, cerâmicas de primeiríssima, pisos de madeira, granitos, vidros blindex, luminárias, boilers, etc. No caso de um sítio, acrescente cabeamento elétrico, postes, manilhamento de drenagem, cantaria (pedras) para muros de arrimo e madeirame de telhado (vigas, caibros, ripas)… Nada, de novo, no escopo do Depósito Dias, a não ser os cabos elétricos, e talvez, porque a isto se  compra aos rolos e ocupam pouquíssimo espaço, vão na mala do carro.

Mas a dona da loja pode mostrar o que e quanto vendeu? Não, porque admite que o fez “sem registro fiscal”, isto é, sem nota. E o que teve nota foi “para várias empresas, mas para mim todas elas eram Odebrecht”. Ah, bom…

Não precisa de nota, não vem ao caso.

Como também não veio ao caso, para o repórter e para o jornal indagar o que foi comprado para se chegar a este valor astronômico.

Será que uma obra de reforma, tocada por duas das maiores empreiteiras do Brasil — Odebrecht, para a Folha e OAS, para a Veja — não tem um mestre de obras que faça a relação do material e alguém com um telefone para orçar, comprar e mandar entregar? Bom, faltou um quilo de pregos 17 x 27, 10 metros de tábua de pinho para a forma de uma viga, 20 sacos de cimento para não parar enquanto chegam os 200 da entrega semanal, apanha lá no Depósito Dias. Fora daí, qualquer um sabe que não é assim, quando se tem dinheiro — e vivo — para pagar compras. Aliás, os tais envelopes pardos com dinheiro para pagar pessoal são a forma que se faz em qualquer obra com pedreiros e ajudantes. Não é em cheque ou conta corrente porque a maioria nem tem isso. O amigo ou a amiga leitora já fez isso com qualquer profissional que faça um reparo ou uma obra em sua casa.

É evidente que isso não prova que a Odebrecht não pagou a obra, mas igualmente não prova que a pagou e, quando se acusa, é isso o que precisa ser feito: provar.

O ridículo, porém, é que a história não bate com a lógica.

Afinal, será que a Odebrecht chegou a ser uma das maiores construtoras do mundo, com filiais em dezenas de países, capaz de fazer estradas e barragens no meio de desertos e de selvas, comprando do Depósito Dias e sem ter uma subempreiteirazinha capaz de fazer quatro suítes e uma churrasqueira a seu pedido?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Homofobia em Balneário Camboriú — Jovem é agredido com pedradas


Por volta das 4h da manhã da quarta-feira, dia 13/01, o padeiro Paulo Sauter, 22 anos, foi a um posto de gasolina no bairro Nova Esperança, Balneário Camboriú, e ia para casa com cervejas na mão quando um outro jovem se aproximou e perguntou se ele poderia dar um cigarro. Os dois foram andando na mesma direção, sem se comunicar, até que Paulo disse tchau ao outro jovem, pois havia chegado na rua de sua casa.

Neste momento eles cruzaram com um outro jovem, que lançou uma pedra na nuca de Paulo, que caiu ao chão. As cervejas espatifadas se misturaram ao sangue que jorrava de Paulo na rua. O jovem se surpreendeu ao ver que o rapaz que o acompanha e o outro eram comparsas e começaram os dois a agredi-lo. Ele recebeu socos e pontapés de um enquanto outra pedra atingia a sua testa. Desesperado, ele sangrava muito e depois de mais uma pedrada no rosto o rapaz parou de bater nele e os dois saíram andando, calmamente, enquanto Paulo fugia embora do local de sua quase morte.

Em casa, ele ligou para a polícia e pediu ajuda. Seus pais o levaram ao pronto socorro onde ele recebeu suturas nos cortes na testa e na cabeça. Seus pais acompanharam o trabalho da polícia que após uma ronda na região não encontrou suspeitos. O troco da cerveja que estava escondido na cintura não foi levado mas o jovem perdeu sua carteira de motorista durante a confusão.

“Tente mais outras vezes meu amor, sua homofobia não vai atrasar o meu amor, sou forte sou guerreiro, não vai me derrubar”, desabafou Paulo em sua página no Facebook, depois de relatar o ataque com uma foto em que aparece com a cabeça enfaixada: “Essa aqui é a minha fadiga de ser quem eu mesmo sou, não posso andar na rua sem ser apedrejado por estranho até quase a morte, por apenas ser feliz por si mesmo, então agradeço a quem me agrediu, você não vai parar minha felicidade, não vai me regredir, vou seguir em frente com todos hematomas e roxos e todas cicatrizes, me orgulho delas, porque lutei pela minha vida enquanto tentava me matar e olha ai, estou vivo e não vai me derrubar”.

Apesar de não ter sido xingado, ele acredita que foi um caso de homofobia. “Por qual outro motivo seria?”, questionou. Gay assumido, ele revelou que depois do ataque não vai deixar de ser quem ele é mas que vai ficar mais atento.

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UJS lança documentário sobre ato em frente à revista Veja


A TV UJS está produzindo o documentário “3 dias que abalaram a mídia”, e vai contar, a partir de entrevistas e imagens, sobre o ato organizado pela entidade em frente a sede da Editora Abril, dois dias antes das eleições presidenciais de 2014.

Motivada pela criminosa capa da revista Veja, que acusava, sem provas, Lula e a presidenta Dilma, a militância da UJS recolheu o maior número possível de revistas das bancas e levou para rasgá-las na porta da Editora Abril. Um ato de repúdio que causou grande agito nas redes sociais naqueles dias. Mesmo dentro do campo progressista as opiniões se dividiram em relação a eficácia da ação.

Para Anderson Bahia, diretor de comunicação da UJS, “o ato na editora Abril foi uma iniciativa da UJS, mas que contou com o apoio da parte da sociedade que não tolera mais a manipulação do monopólio da mídia em prol de uma candidatura. E evidência também que a mídia está longe de ser a unanimidade que foi um dia e que permitiu, por exemplo, a vitória de Collor sobre Lula, em 1989, com a contribuição da edição da Globo no debate entre os dois”.

Em relação as opiniões contrárias a realização da ação, o dirigente coloca que a UJS sofreu um questionamento por conta do ato, “com o argumento de que seria criminalizado pela grande mídia e isso ajudaria a derrotar Dilma. Mas ao longo de todo 2015, que foi caracterizado pelo acirramento da luta política iniciado durante a eleição de 2014, essas mesmas pessoas ou organizações tiveram dificuldades de se posicionar. Ouvi em março, depois das primeiras passeatas que iniciaram a disputa das ruas, de que não havia mais nada a ser feito e que Dilma cairia. Então, o que estava colocado desde o ato na Veja não era o discernimento de ter que recuar num certo momento, mas sim clareza política e iniciativa para intervir diante do elevado acirramento que não se via desde o golpe de 1964. E para a UJS isso nunca faltou”.

Entre os entrevistados do documentário estão os jornalistas Altamiro Borges e Paulo Henrique Amorim, a presidenta da UNE, Carina Vitral, Renan Alencar, presidente da UJS e do deputado federal, Orlando Silva (PCdoB). O material ainda contará com muitas outras entrevistas.

A importância do documentário está em “lembrar das atitudes corajosas que a juventude se propõe, como combater o autoritarismo da mídia que tentou influenciar o resultado das eleições e encontrou pela frente a combativa União da Juventude Socialista” afirma Carinal Vitral.

O documentário “3 dias que abalaram a mídia”, tem previsão de lançamento para o mês de fevereiro.
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