28 de jan de 2016

Carta Aberta à RBS (+ áudio)

A RBS concorda com a incitação à cusparada em Lula defendida pelo locutor da rádio do Grupo?

Nelson e  Eduardo Sirotsky, respectivamente presidente do Conselho de Administração  e CEO do Grupo RBS,
e o locutor Alexandre Fetter, locutor do “Pretinho Básico”
Desde que o desejo da maioria do povo brasileiro foi vitorioso nas eleições presidenciais, de 2014, e frustrou os interesses dos grandes grupos de comunicação do país, com a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff do PT, o Brasil vive um clima de hostilidade, de extremismo e de inúmeros ataques, por parte daqueles que até hoje estão inconformados com a derrota nas urnas contra agentes políticos e, especialmente, membros do Partido dos Trabalhadores. Infelizmente, essa onda de ódio é, em grande parte, promovida e alimentada pela imprensa brasileira.

Foi o que puderam constatar os milhões de gaúchos e gaúchas ouvintes da Rádio Atlântida FM, do Grupo RBS, nessa semana. Indignados, muitos me procuraram para que fossem tomadas providências e o caso fosse denunciado.

Em um dos programas de maior audiência dessa rádio do Grupo RBS, o locutor do “Pretinho Básico” incita os ouvintes a “cuspirem” na cara do ex-Presidente Lula. Entre as inconformidades do locutor estão, segundo ele mesmo, a possibilidade de que [eles, o povo] “vão votar no PT de novo” e o teor das últimas declarações do ex-presidente. “Ninguém cospe no Lula, velho? Que troço desesperador, isso é desesperador. Ninguém dá uma cuspida no Lula, um sujeito desses é digno de uma cusparada”. A incitação ao crime, cometido pelo locutor, está prevista no Código Penal.



Qual seria a reação da mídia se agentes políticos passassem a defender agressões a jornalistas em razão da manipulação diária promovida pelos meios de comunicação no país, da seletividade de sua cobertura ou da diferença de posições políticas? Certamente, denunciaria um ataque à liberdade de expressão. E por que razão, então, consente com a incitação de ataques de seus profissionais a políticos? Pretende, ao fim, que alguns atores políticos sejam espancados ou retirados à força da cena política como na época da ditadura?

Crimes ao microfone, como o cometido por esse locutor, respaldam, posteriormente, atitudes de violência na rua. Quem defende a doutrina do ódio contribui para a naturalização e o agravamento da violência praticada em nosso país. Ao permitir que tais palavras sejam proferidas em um de seus programas de rádio, o Grupo RBS fomenta a ideia de que vivemos em uma sociedade que valoriza a violência, a opressão e a vingança. Precisamos rejeitar esse pensamento.

Vivemos em um Estado de Direito, onde a liberdade de expressão de cada indivíduo é tão importante quanto a certeza de que a dignidade da pessoa humana será protegida. Negar isso é recusar que somos todos iguais, afastando outro preceito fundamental do Estado de Direito.

Esse discurso busca, na verdade, criminalizar a política e os agentes políticos, bem com, mais especificadamente, estigmatizar e discriminar não somente o ex-presidente Lula, seu partido e seus correligionários, mas todos brasileiros e brasileiras que, de alguma forma, estimam Lula e que têm ele e seu legado político como símbolos da tolerância, promoção da igualdade e da justiça social.

O discurso de ódio leva a sociedade para um único fim. Foi o que vimos na Segunda Guerra Mundial, originada, em grande parte, da incitação ao ódio a grupos específicos de pessoas, num discurso promovido pelo casamento entre líderes políticos intolerantes e os meios de comunicação.

Desde então a comunidade internacional e o sistema internacional de direitos humanos protegem a liberdade de expressão na mesma medida em que repudiam o discurso de ódio. Portanto, em episódios como esse da RBS, é inútil se esconder atrás da liberdade de expressão e invocá-la para justificar o cometimento de um crime.

A humanidade de forma geral tem um alto grau de condenabilidade do discurso de ódio. Chegamos aqui após sofrer suas piores consequências. Por isso, em nosso país, vivemos para a defesa da pluralidade e para construção de uma sociedade que promova a paz.

O que nos perguntamos, agora, é se:

Essa é a opinião da RBS?

A RBS concorda com incitação ao crime?

A RBS concorda e defende que o ex-Presidente Lula seja agredido?

A RBS aceita ser corresponsabilizada por qualquer agressão ao ex-Presidente Lula?

A RBS considera que o papel da imprensa é incitar ao crime e promover o discurso de ódio?

A RBS pretende tomar alguma providência frente a esse episódio de incitação ao crime?

À parte as diferenças ideológicas entre o Partido dos Trabalhadores e a defendida pelos grandes grupos de comunicação, entendemos que não é no campo da violência que as disputas entre o campo político e o midiático, ou entre modelos políticos para o país, serão resolvidas.

Paulo Pimenta é jornalista, deputado federal e Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
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Moro? Qual é o primeiro crime do Lula?

A OAS está no petrolão e no escambau a quatro: até debaixo da saia de tucano!​


O Sistema Moro — uma organização pré-criminosa — decidiu investigar o Triplo X do Lula, em combinação com o William Bonner no jornal nacional.

É uma Força Tarefa Multiplataforma!

Por que ele resolveu pular a cerca e entrar no quintal do Lula?

Porque, segundo ele e seu Vertical Procurador Santos Lima — que, no Banestado foi horizontalíssimo — é preciso detonar uma mega-lavagem de dinheiro instalada ali, no 13º andar.

Lula lavava com D. Marisa - essa era a suposição do Bonner (e, portanto, do Moro).

Mas, como diz um amigo navegante de nobre estirpe brizolista: você só lava o que rouba.

Portanto, tem que haver um crime que precede o crime de lavar.

Ninguém lava dinheiro limpo!

Nem o pai do Neymar!

E, aí, Dr Moro, qual foi o crime que o Lula cometeu para lavar o dinheiro?

Há sempre um crime antes do crime de lavar — menos na Vara do Moro!

Nem na Vara do Bonner!

O que o Lula e a D. Marisa lavaram ali, Dr Moro?

O que eles roubaram para lavar?

E outra coisa, pergunta o amigo: o que a lavagem do Lula no 13º andar tem a ver com a Petrobras?

Ah, dirá o Vertical Procurador: porque a OAS está no petrolão.

A OAS está no petrolão e no escambau a quatro!

Depois de ser a Obras do Amigo Sogro, a OAS se meteu pelo mundo afora, inclusive debaixo da saia dos tucanos!

Mas, lá o Dr Moro não penetra!

Não vem ao caso!

A OAS só interessa se for para ferrar o Lula!

Se é para meter todo mundo na roda, para pegar o Lula, que tal, Dr Moro, voltar ao Banestado e apurar quem abria as contas do Youssef!

O Youssef não está no petrolão?

Quem abriu as contas criminosas do Youssef no Banestado?

Não é tudo uma coisa só?

Será que quem abriu as contas do Youssef precisou lavar dinheiro e comprar uma cota no edifício Solaris?

Quem abria as contas do Youssef no Banestado?

O senhor sabe, Dr Moro?

Ou o senhor nunca passou pelo Banestado, não prestava muita atenção?

Como dizem o Bessinha e o Delfim: o Lula é a bala de prata do Moro.

Se errar, morre!

(Porque o Vertical Procurador não resiste a um Google...)

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Moro, um fracasso retumbante


Qual é o legado dele?

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Os dez mitos sobre o conflito palestino-israelense

Jeremy R. Hammond, analista político independente que foi galardoado com o prêmio Projeto Censurado ao melhor jornalismo investigativo, explica um por um os mitos sionistas que ouvimos todos os dias na propaganda israelense.

Mito 1: Judeus e árabes sempre estiveram em conflito na região

Embora os árabes eram a maioria antes da criação do estado de Israel na Palestina, houve sempre judeus na região. Os palestinos judeus, em maior parte, conviviam bem com seus vizinhos árabes. Isso começou a mudar com o surgimento do movimento sionista, porque os sionistas rejeitaran o direito dos palestinos à autodeterminação e queriam que a Palestina fosse deles para criar um "Estado judeu", em uma região onde os árabes eram maioria e possuíam a maior parte das terras.

Por exemplo, depois de uma série de conflitos em Yafa (Jaffa) em 1921, nos quais morreram 47 judeus e 48 árabes, os ocupantes britânicos realizaram uma investigação e concluiram que "não há nenhum antissemitismo no país, seja  racial ou religioso". De fato, os ataques contra as comunidades judaicas foram o resultado do medo dos árabes do declarado objetivo sionista de apreensão de território. Quando a violência irrompeu de novo em 1929, o relatório da Comissão Shaw, britânica, observou que "em menos de dez anos, os árabes realizaram três ataques graves contra os judeus. Nos 80 anos anteriores a esses ataques, não houve nenhum caso registrado de incidentes semelhantes". Representantes de todas as partes do conflito emergente testemunharam perante a comissão que, antes da Primeira Guerra Mundial, "judeus e árabes viviam juntos, se não de forma amigável, pelo menos com tolerância, uma qualidade que é quase desconhecida na Palestina atual." O problema é que "o povo árabe da Palestina está unido, agora, em sua demanda por um governo representativo", mas os sionistas e seus benfeitores britânicos negam a eles esse direito.

O relatório britânico Hope-Simpson de 1930 relatou, da forma semelhante, que os moradores das comunidades judaicas não-sionistas na Palestina tinha relações amistosas com seus vizinhos árabes. "É muito comum ver um árabe sentado na varanda de uma casa judaica", disse o relatório. "A situação é completamente diferente nas colônias sionistas."

Mito 2: As Nações Unidas criaram o Estado de Israel

A Organização das Nações Unidas foi envolvida quando o Mandato Britânico tentou lavar suas mãos da volátil situação que suas políticas ajudaram a criar e buscou se livrar do problema Palestina. Para isso, eles pediram que as Nações Unidas assumissem o problema.

Desta forma foi criada a Comissão Especial da ONU sobre a Palestina (UNSCOP) com a missão de analisar a questão e fornecer recomendações para resolver o conflito. A UNSCOP não tinha nenhum representante de qualquer país árabe e, ao final, publicou um relatório onde rejeitava explicitamente o direito dos palestinos à autodeterminação. Ao rejeitar a solução democrática do conflito, a UNSCOP propus que a Palestina fosse dividida em dois estados, um árabe e um judeu.

A Assembleia Geral da ONU apoiou a UNSCOP na Resolução 181. Muitas vezes se afirma que esta resolução "divididiu" a Palestina, o que forneceu um argumento legal aos líderes sionistas para a posterior declaração da criação do Estado de Israel, ou alguma variante destas reivindicações. Todas essas alegações são falsas!

A Resolução 181 apenas aprovou o relatório e as conclusões da UNSCOP enquanto recomendações. Não é preciso dizer que para que a Palestina fosse oficialmente dividida, esta recomendação deveria ter sido aceita por judeus e árabes, algo que não aconteceu.

Além disso, as resoluções da Assembléia Geral não são considerados juridicamente vinculativas (apenas as resoluções do Conselho de Segurança são). E, aliás, a ONU não tinha autoridade para tomar o território de um povo e entregar a outro, e qualquer resolução que estabelecesse essa divisão teria sido nula em qualquer caso.

Mito 3: Os árabes perderam uma oportunidade de ter seu próprio Estado em 1947

A recomendação da ONU de dividir a Palestina foi rejeitada pelos árabes. Hoje, muitos comentaristas dizem que essa rejeição foi uma "oportunidade" perdida pelos árabes de ter seu próprio estado. Mas, considerar aquilo como uma "oportunidade" para os árabes é evidentemente ridículo. O plano de partilha não foi de modo algum uma "oportunidade" para os árabes.

Em primeiro lugar, como já comentamos, os árabes eram a maioria na Palestina na época, enquanto os judeus constituíam cerca de um terço da população, e isso graças à imigração em massa da Europa (em 1922, o censo britânico mostrava que os judeus representavam apenas 11 % da população).

Além disso, as estatísticas de propriedade das terras de 1945 mostraram que os árabes possuíam mais terras do que os judeus em cada um dos distritos da Palestina, incluindo Jaffa, onde os árabes possuía 47 por cento da terra e judeus apenas 39 por cento (Yafa se gabava de ser o distrito com o maior percentual de terras pertencentes a judeus). Em outros distritos, os árabes possuiam uma parcela ainda maior da terra. O caso mais extremo era o de Ramallah, onde os árabes possuía 99 % da terra. Em toda a Palestina, os árabes possuíam 85 % da terra, enquanto os judeus eram proprietários apenas de um 7 %, uma situação que permaneceu inalterada até a criação do Estado de Israel.

Apesar destes fatos, a recomendação da partilha da ONU propôs a entrega de mais da metade do território palestino para os sionistas para a criação do seu "Estado judeu". Não era razoável esperar que os árabes aceptassem tamanha proposta injusta.

Alguns comentaristas políticos dizem hoje que a recusa dos árabes em aceitar que parte do seu território lhes fosse tirado, em base à negação explícita do direito de auto-determinação, representou uma "oportunidade perdida". Este julgamento demonstra uma ignorância espantosa das raízes do conflito ou falta de vontade de examinar honestamente a história.

Também é bom lembrar que o plano de partilha foi rejeitado por muitos líderes sionistas. Entre os que apoiaram a ideia, como foi o caso de David Ben-Gurion, o seu raciocínio era que se tratava de uma medida pragmática em direção ao seu objetivo, que era conquistar toda a Palestina para o "Estado judeu", o que poderia, eventualmente, ser alcançado, pela força das armas.

Quando pela primeira vez levantou a idéia de partição, Ben-Gurion escreveu que "depois que nos tornemos uma força poderosa, como resultado da criação do estado, vamos abolir partição e nos expandir para toda a Palestina". O Estado judeu "terá de preservar a ordem" (se os árabes não se submetem) "com metralhadoras, se necessário."

Mito 4: "Direito à existência" de Israel

O fato de que este termo é usado somente em relação a Israel é instrutivo quanto à sua legitimidade, como é uma exigência que se dirige aos palestinos, que são os que devem reconhecer o "direito à existência" de Israel, enquanto ninguém exige que Israel reconheça o "direito à existência" de um Estado palestino.

As nações não têm direitos. As pessoas têm. O marco adequado para o debate é o direito dos povos à autodeterminação. A partir deste ponto de vista, é evidente que não são os árabes que têm negado esse direito judeus, mas os judeus que negaram esse direito aos árabes. A terminologia israelense sobre "direito de existir" é constantemente empregada para esconder esse fato.

Como já dissemos, Israel não foi criada pela ONU, senão que foi fundada em 14 de maio de 1948, quando os sionistas unilateralmente e sem autoridade legal, declararam a existência de Israel, sem especificar as fronteiras do novo Estado. Em um instante, os sionistas declararam que os árabes já não eram os donos da sua própria terra; agora pertencia aos judeus. Em outro instante, os sionistas declararam que a maioria árabe da Palestina era agora cidadãos de segunda classe no novo "Estado judeu".

Não é necessário dizer que os árabes não aceitaram passivamente esses fatos no terreno. Os países árabes vizinhos declararam guerra ao regime sionista, com o objetivo de evitar esta injustiça tão grave contra a maioria dos habitantes da Palestina.

Deve-se ressaltar que os sionistas não tinham direito a maior parte das terras declaradas como parte de Israel. Esse direito era dos árabes. Portanto, esta guerra não foi, como se costuma dizer, um ato de agressão por parte dos Estados árabes contra Israel. Na verdade, os árabes interviram na defesa dos direitos da população árabe da Palestina, para impedir que os sionistas se apoderassem ilegal e injustamente das terras e privassem dos seus direitos à população árabe. O ato de agressão foi a declaração unilateral da criação de Israel pelos líderes sionistas e a violência exercida para impor esse objetivo, tanto antes como depois da declaração.

Durante a guerra que se seguiu, Israel implementou uma política de limpeza étnica. Cerca de 700 mil palestinos árabes foram expulsos ou fugiram de suas casas por medo de massacres, como o que tinha acontecido na aldeia de Deir Yassin, pouco antes da fundação do Estado de Israel. A estes palestinos não lhes foi permitido retornar aos seus lares e terras, apesar de seu "direito de retorno" ser reconhecido e codificada no direito internacional.

Os palestinos jamais aceitarão exigência de Israel e seu principal benfeitor, os Estados Unidos, de que reconheçam o "direito à existência" de Israel. Se o fizessem, isso significaria que Israel teria "direito" de roubar terras árabes, enquanto os palestinos não teriam nenhum direito a elas. Isso significaria, efetivamente, que Israel tinha o "direito" a realizar a limpeza étnica da Palestina, enquanto os árabes não tinham o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade em suas próprias casas e em suas terras.

O uso constante do termo "direito de existir" tem um propósito: esconder a realidade de que são os judeus que negaram aos árabes o seu direito à autodeterminação, e não vice-versa, e tentar legitimar os crimes israelenses contra os palestinos, tanto os do passado como os do presente.

Mito 5:  Os países árabes ameaçaram Israel com a aniquilação, em 1967 e 1973

A verdade é que foi Israel quem disparou o primeiro tiro na Guerra dos Seis Dias. Nas primeiras horas da manhã do 5 de junho de 1967, Israel lançou seus soldados para um ataque surpresa contra o Egito (na época, República Árabe Unida) e dizimou a força aérea egípcia, enquanto a maioria de seus aviões ainda estavam no chão.

É quase obrigatório que os comentaristas descrevam esse ataque como "preventivo". Mas para que tivesse sido "preventivo", deveria ter havido, por definição, uma ameaça iminente de agressão egípcia contra Israel. Mas não havia.

É comum afirmar que a retórica belicosa do presidente Nasser, o bloqueio do Estreito de Tiran, o movimento de tropas na Península do Sinai e a expulsão das forças de paz da ONU em seu lado da fronteira, constituíam em seu conjunto, esta ameaça iminente.

No entanto, os serviços de inteligência de os EUA e Israel avaliaram, naquele momento, que a probabilidade de que Nasser atacasse era realmente baixa. A CIA considerou que Israel tinha esmagadora superioridade militar e que, em caso de guerra, derrotaria as forças árabes no espaço de duas semanas; e, em uma semana, se Israel atacasse primeiro, que é o que realmente aconteceu.

Há que ter em mente que o Egito tinha sido vítima de uma agressão por parte de britânicos, franceses e israelenses na "Crise do Canal de Suez" em 1956, depois que o Egito nacionalizou o Canal de Suez. As três nações agressoras conspiraram para fazer a guerra contra o Egito que levou à ocupação israelense da Península do Sinai. Sob pressão dos EUA, Israel retirou-se do Sinai em 1957, mas o Egito não tinha esquecido da agressão.

Além disso, o Egito tinha formado uma aliança com a Síria e a Jordânia, um compromisso mútuo para ajudar uns aos outros em caso de guerra com Israel. Jordânia tinha criticado Nasser por não manter essa promessa após o ataque israelense à aldeia de Samu (na Cisjordânia) no ano anterior, e sua retórica era uma clara tentativa de recuperar sua posição no mundo árabe.

Nasser estava à defensiva e não tinha a menor intenção de lançar uma ofensiva contra Israel. Isto foi apontado por algumas personalidades israelenses. Abraham Sela, por exemplo, do Centro Shalem, observou: "A acumulação de forças egípcias no Sinai não era devido a um plano de ofensiva, e as instruções defensivas de Nasser assumiam explicitamente que Israel atacaria primeiro."

O primeiro-ministro israelense Menachem Begin reconheceu que "em junho de 1967, tivemos uma chance. A concentração de tropas egípcias nas proximidades do Sinai não provam que Nasser estava realmente prestes a nos atacar. Temos de ser honestos com nós mesmos. Nós decidimos atacá-lo ".

Issac Rabin, que também seria mais tarde primeiro-ministro de Israel, admitiu em 1968 que "Eu não acho que Nasser queria guerra. As duas divisões que ele mandou para o Sinai não eram suficientes para lançar uma guerra ofensiva. Ele sabia disso e nós sabíamos disso. "

Os israelenses também reconheceram que sua própria retórica, naquele momento, sobre a "ameaça" de "aniquilação" que representavam os estados árabes, era pura propaganda.

O Geral Chaim Herzog, comandante geral e primeiro governador militar da Cisjordânia ocupada após a guerra, admitiu que "não havia perigo de aniquilação, os quartéis gerais israelenses nunca acreditaram que havia esse perigo."

O Geral Ezer Weizman, disse algo semelhante: "Nunca houve qualquer perigo de extermínio. Essa hipótese nunca foi considerada em uma reunião formal".

O chefe de Estado-maior Haim Bar-Lev, admitiu: "Nós não estivemos ameaçados de genocídio na véspera da Guerra dos Seis Dias e nunca pensamos nessa possibilidade."

O ministro israelense da Habitação, Mordechai Bentov, também reconheceu que "toda a história do perigo de extermínio foi inventada e se exagerou a posteriori para justificar a anexação de novos territórios árabes".

Em 1973, no que os israelenses chamam de "Guerra do Yom Kippur", Egito e Síria lançaram uma ofensiva surpresa para recuperar o Sinai e as Colinas de Golã, respectivamente. Esta ação combinada é popularmente descrita em relatos contemporâneos como uma "invasão", ou um ato de "agressão" contra Israel.

No entanto, como já foi observado, após a guerra de junho de 1967, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 242, que pedia que Israel se retirasse dos territórios ocupados. Não é preciso dizer que Israel recusou-se a fazê-lo e continuou a violar o direito internacional de forma contínua desde então.

Durante a guerra de 1973, Egito e Síria "invadiram" seus próprios territórios, que estavam, então, ocupados ilegalmente por Israel. A idéia de que esta guerra foi um ato de agressão árabe pressupõe que a Península do Sinai, as Colinas de Golã, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza eram territórios israelenses. Isto é, obviamente, uma suposição grosseiramente falsa que demonstra a natureza absolutamente prejudicial e tendenciosa das análises hegemônicas quando se trata do conflito árabe-israelense.

Essa falsa narrativa se encaixa com o relato mais amplo, igualmente falacioso, de Israel como uma "vítima" da intransigência e agressão árabes. Esta narrativa, quase nem questionada no Ocidente, deturpa completamente os fatos.

Mito 6: Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU pede retirada israelense apenas parcial

A Resolução 242 foi adotada depois da guerra de junho de 1967 e pedia a "retirada das forças armadas israelenses de territórios ocupados no recente conflito." Embora a versão israelense goze de grande popularidade, não tem credibilidade.

A tese central deste argumento é que a ausência da palavra "os" antes "territórios ocupados", nesta cláusula, significa que não fazia referência a "todos os territórios ocupados". Basicamente, este argumento baseia-se na lógica ridícula que, uma vez que a palavra "os" foi omitida na cláusula, podemos entender que isso significa que se estava pensando em "alguns territórios ocupados".

Gramaticalmente, a ausência da palavra "os" não tem efeito sobre o significado desta cláusula, que fala de "territórios", no plural. Um teste decisivo é o seguinte: é um território que foi ocupado por Israel na guerra de 1967? Se a resposta for sim, então sob a lei internacional e da Resolução 242, Israel é obrigado a retirar-se desse território. Esses territórios incluem os Altos de Golã sírios, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

A versão francesa da resolução, tão autêntica quanto a inglesa, contém o artigo definido e uma maioria dos membros do Conselho de Segurança deixou claro durante as deliberações que a sua compreensão da resolução era que se exigia a retirada completa de Israel de todos os territórios ocupados.

Além disso, é impossível conciliar [a versão israelense] com o princípio de direito internacional citado no preâmbulo da resolução sobre "a inadmissibilidade da aquisição de territórios pela guerra." Dizer que a ONU pensava que Israel poderia manter alguns dos territórios ocupados durante a guerra seria ir contra esse princípio.

Poderiamos continuar abordando outras falácias lógicas associadas a este argumento frívolo, mas como é um absurdo à primeira vista, seria supérfluo.

Mito 7: A ação militar israelense contra os seus vizinhos só pretende defender Israel do terrorismo

Os fatos dizem o contrário. Tomemos, por exemplo, a devastadora guerra israelense contra o Líbano, em 1982. Como foi fartamente documentado pelo analista político Noam Chomsky em sua épica análise "The Fateful Triangle", esta ofensiva militar foi realizada sem nenhum pretexto.

Embora você possa ler relatos contemporâneos insistindo que esta guerra foi travada em resposta ao constante bombardeio no norte de Israel pela OLP, que estava então refugiada naquele país, o fato é que, apesar das provocações israelenses continuas, a OLP respeitou o cessar-fogo em vigor, com poucas exceções. Ademais, em cada um destes casos, foi Israel que desrespeitou o cessar-fogo primeiro.

Entre as provocações israelenses que ocorreram no início de 1982, temos os ataques e afundamentos de barcos de pesca libaneses e centenas de violações às águas territoriais libanesas. Israel também cometeu milhares de violações do espaço aéreo libanês, mas nunca conseguiu obter da OLP uma resposta que servisse como casus belli para a planejada invasão ao Líbano.

Em 9 de maio, Israel bombardeou o Líbano, o que provocou finalmente a resposta da OLP, que lançou foguetes e fogo de artilharia contra Israel.

Em seguida, um grupo terrorista liderado por Abu Nidal tentou assassinar o embaixador israelense em Londres, Shlomo Argov. Embora a mesma OLP havia estado em guerra com Abu Nidal, que tinha sido condenado à morte por um tribunal militar do Fatah em 1973, e apesar do fato de que Abu Nidal não tinha seu quartel geral no Líbano, Israel usou isso como uma desculpa para bombardear os campos de refugiados de Sabra e Shatila, matando 200 palestinos. A OLP respondeu atacando assentamentos no norte de Israel. Mas o Estado judeu não conseguiu obter o tipo de resposta de grande escala que estava esperando para usar como casus belli para a invasão planejada.

Como sugerido pelo estudioso israelense Yehoshua Porath, a decisão de Israel de invadir o Líbano, longe de ser uma resposta aos ataques da OLP, "veio do fato de que o cessar-fogo havia sido respeitado." Porath escreveu no jornal israelense Haaretz que "a esperança do governo é que a debilitada OLP, sem uma base logística e territorial, retorne ao terrorismo anterior. [...] Assim, a OLP perderia parte da legitimidade política que havia conquistado [...] e se eliminaria o perigo de que se desenvolvam, entre os palestinos, elementos que poderiam constituir um negociador legítimo de futuros acordos políticos".

Outro exemplo, desta vez tomado da Operação Chumbo Fundido, que aconteceu entre 27 de Dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009. Antes que Israel atacara a população sitiada e indefesa da Faixa de Gaza, Tel Aviv tinha chegado a um acordo de cessar-fogo com o governo de Gaza, o Hamás. Contrariamente ao que se acredita, foi Israel, e não o Hamás, que terminou o cessar-fogo.

Os meios de comunicação ocidentais disseram que a Operação Chumbo Fundido foi em resposta ao lançamento de "milhares" de foguetes do Hamás contra Israel, que teria violado, dessa forma, a trégua.

A verdade é que, desde o início do cessar-fogo em junho até o 04 de novembro, o Hamás não disparou nenhum foguete, apesar das inúmeras provocações israelenses, suas operações repressivas na Cisjordânia e os ataques de soldados israelenses contra os habitantes de Gaza na fronteira, que deixaram várias pessoas feridas e ao menos um morto.

Em 4 de novembro de 2008, a Israel violou novamente o cessar-fogo com o lançamento de ataques aéreos e uma incursão terrestre em Gaza que causou várias mortes. Hamás finalmente respondeu com disparos de foguetes, o que levou a contínuos ataques de ambas as partes. A trégua tinha acabado.

Apesar da evidente má-fé de Israel, o Hamás ofereceu renovar o cessar-fogo, já que o período de validade terminava oficialmente em dezembro. Israel rejeitou a oferta e lançou uma punição coletiva violenta contra o povo de Gaza.

Como relatado pelo Centro de Informações de Inteligência e Terrorismo de Israel, a trégua "trouxe um período de relativa calma à população do Negev ocidental", com 329 foguetes e ataques com morteiros, "a maioria deles durante o mês e meio depois 04 de novembro ", quando Israel já tinha de fato violado e terminado a trégua. Isso contrasta fortemente com as 2.278 ataques com foguetes e morteiros nos seis meses anteriores à trégua. Até 04 de novembro, o centro disse que "o Hamás tomou o cuidado de manter o cessar-fogo."

Se Israel quisesse reduzir a ameaça de ataques de militantes palestinos não deveria ter terminado o cessar-fogo, que teria significado uma redução drástica deste tipo de ataques, incluindo a eliminação de todos os realizados pelo Hamás. Mas, ao contrário, Israel recorreu à violência, o que, como era facilmente previsível, causou uma maior ameaça de ataques de represália em larga escala por grupos palestinos.

Além disso, embora Israel poderia dizer que os meios pacíficos tinham se esgotado e precisava usar a força militar para defender sua população civil, não foi claramente o que aconteceu. Em vez disso, Israel atacou deliberadamente civis em Gaza com ataques sistemáticos e ataques intencionalmente indiscriminados e desproporcionais em áreas residenciais, hospitais, escolas e outros locais onde havia população civil protegida pelo direito internacional.

Como observou Richard Goldstone, um respeitado jurista internacional que foi responsável pela investigação da Operação Chumbo Fundido da ONU, os meios pelos quais Israel realizou esta operação não foram consistentes com seus objetivos declarados, mas foram mais indicativos de um ato deliberado de castigo coletivo contra a população civil.

Mito 8: Deus deu essa terra para os judeus, por tanto os árabes são os ocupantes

Por mais que se debata sobre as evidências no terreno, nada vai convencer muitos judeus e cristãos sionistas que Israel pode ter feito algo errado, pois por trás de suas ações eles veem a mão de Deus e as suas políticas são, na verdade, de acordo a eles, a "vontade de Deus".  Acreditam que Deus deu a terra da Palestina, incluindo a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, ao povo judeu e, portanto, Israel tem um "direito" de tirá-la à força dos palestinos, que, em sua opinião, são os reais ocupantes ilegais do território.

É possivel simplesmente recorrer às páginas de seus próprios livros sagrados para mostrar a falácia dessa e crenças similares. Os cristãos sionistas gostam de citar passagens bíblicas como as seguintes para apoiar suas crenças sionistas:

Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre. Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você. (Gênesis, 13:14-17)

O Senhor apareceu a Isaque e disse: Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar. Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai, Abraão. (Gênesis 26:2-3).

Ao lado dele [...] estava o Senhor, que lhe disse: Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado. (Gênesis 28:13).

Mas sionistas cristãos esquecem convenientemente outras passagens que fornecem mais contexto para entender essa aliança, como as seguintes:

Obedeçam a todos os meus decretos e leis e pratiquem-nos, para que a terra para onde os estou levando para nela habitarem não os vomite.  (Levítico 20:22)

Mas, se vocês não me ouvirem e não colocarem em prática todos esses mandamen­tos, e desprezarem os meus decretos, rejeitarem as minhas ordenanças, deixarem de colocar em prática todos os meus mandamentos e forem infiéis à minha aliança, [...] Se apesar disso tudo vocês ainda não me ouvirem, mas continuarem a opor-se a mim,  então com furor me oporei a vocês, e eu mesmo os castigarei sete vezes mais por causa dos seus pecados. [...] Desolarei a terra ao ponto de ficarem perplexos os seus inimigos que vierem ocupá-la. Espa­lharei vocês entre as nações e empunharei a espada contra vocês. Sua terra ficará desolada, e as suas cidades, em ruínas. (Levítico 26:14-15, 27-28, 32-33).

Então o Senhor irritou-se sobremaneira contra Israel e os expulsou de sua presença, restando apenas a tribo de Judá. [...] Até que o Senhor tirou a Israel de diante da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas; assim foi Israel expulso da sua terra à Assíria até ao dia de hoje. (Reis II, 17 : 18, 23).

Depois de ter feito tudo isso, pensei que ela voltaria para mim, mas não vol­tou. E a sua irmã traidora, Judá, viu essas coi­sas. Viu [...] também que dei à infiel Israel uma certidão de divórcio e a mandei embora, por causa de todos os seus adultérios. Entretanto, a sua irmã Judá, a traidora, também se prostitu­iu, sem temor algum. (Jeremias 3:7-8).Sim, na Bíblia, o Senhor, o Deus de Abraão, de Isaac e Israel, disse aos hebreus que a terra pode ser seu ... se eles obedecessem seus mandamentos. No entanto, como a Bíblia conta a história, os hebreus não obedeceu e se rebelaram contra o Senhor geração após geração.

O que os sionistas judeus e cristãos omitem dos seus argumentos bíblicos em favor da ocupação israelense é que o Senhor também disse aos hebreus, incluindo a tribo de Judá (da qual descendem os "judeus"), que iria jogá-los fora da terra se quebrassem o pacto rebelando-se contra os seus mandamentos, que é precisamente o que acontece na Bíblia.

Assim, o argumento teológico para o sionismo não é apenas uma bobagem do ponto de vista laico, mas também é uma completa invenção a partir de uma perspectiva bíblica, o que representa uma rebeldia contra o Yahvé e sua Torá e contra os ensinamentos de Jesus, o Messias do Novo Testamento.

Mito 9: Os palestinos rejeitam a solução de dois Estados, porque eles querem destruir Israel

Em uma enorme concessão a Israel, os palestinos aceitaram há muito tempo uma solução de dois estados. Os representantes eleitos do povo palestino na OLP de Yasser Arafat reconheceram, desde os anos 70, o Estado de Israel e aceitaram uma solução de dois Estados. Apesar disso, a mídia ocidental continuou dizendo na década de 90 que a OLP rejeitou essa solução e em vez disso, queria varrer Israel do mapa.

Este padrão tem se repetido desde que o Hamás venceu as eleições palestinas em 2006. Embora a organização islâmica há anos aceitou a realidade do Estado de Israel e demonstrou a sua vontade de aceitar um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, junto o Estado de Israel, é praticamente obrigatório para grande mídia ocidental, ainda hoje, dizer que o Hamas rejeita a solução de dois Estados e, de fato, procura "destruir Israel".

No início de 2004, pouco antes de ser morto por Israel, o fundador do Hamás, xeque Ahmed Yassin, declarou que o Hamás aceitaria um Estado palestino ao lado de Israel. Desde então, o Hamás tem repetido uma e outra vez a sua vontade de aceitar uma solução de dois Estados.

No início de 2005, o Hamás divulgou um documento afirmando que seu objetivo era alcançar um estado palestino ao lado de Israel, com base nas fronteiras de 1967.

O líder exilado do bureau político do Hamas, Khaled Meshaal, escreveu no The Guardian de Londres, em janeiro de 2006, que o Hamás estava "pronto para alcançar uma paz justa." Ele escreveu que "nunca reconheceremos o direito de qualquer potência a roubar-nos nossa terra e negar nossos direitos nacionais. [...] Mas se você estão disposto a aceitar o princípio da trégua de longo prazo, estamos preparados para negociar os termos."

Durante a campanha eleitoral de 2006, o líder do Hamas em Gaza, Mahmoud al-Zahar disse que a organização islâmica estava disposta a "aceitar o estabelecimento de nosso estado independente na área ocupada em 1967″, um reconhecimento tácito do estado de Israel.

O primeiro-ministro eleito, o líder do Hamás, Ismail Haniyeh, disse em fevereiro de 2006 que o Hamas aceitava "o estabelecimento de um Estado palestino "dentro das "fronteiras de 1967″.

Em abril de 2008, o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter reuniu-se com líderes do Hamás e, em seguida disse que a organização islâmica "aceitaria um Estado palestino com as fronteiras de 1967″ e também "aceitaria o direito de Israel a viver em paz com seu vizinho. "O "objetivo final" do Hamás era "ver Israel com fronteiras atribuídas em 1967, ao lado de um Estado palestino."

Naquele mesmo mês, o líder do Hamás, Meshaal, disse: "Temos oferecido uma trégua se Israel se retirar para as fronteiras de 1967, uma trégua de dez anos, como prova de reconhecimento." E em 2009, disse que o Hamás "aceitou um Estado palestino nas fronteiras de 1967."

A mudança do Hamás, da rejeição total da existência do Estado de Israel a aceitar o consenso internacional de uma solução de dois Estados é em grande parte um reflexo da vontade do povo palestino. Uma pesquisa de opinião pública realizada em abril do ano passado, por exemplo, descobriu que três em cada quatro palestinos estavam dispostos a aceitar uma solução de dois Estados.

Mito 10: Estados Unidos é um mediador honesto e tem procurado a paz no Oriente Médio

Deixando de lado a retórica, os EUA sempre apoiaram as políticas de Israel, incluindo a ocupação ilegal e outras violações do direito internacional humanitário. Apoia as políticas criminais de Israel financeira, militar e diplomaticamente.

A administração Obama, por exemplo, já declarou publicamente que se opõe à política de assentamentos de Israel e tem "pressionado" ostensivamente Israel a congelar suas atividades de colonização. No entanto, logo depois Washington anunciou que não cortará a ajuda financeira e militar a Israel, ainda que desafie as leis internacionais e continue a construir assentamentos. Esta mensagem foi perfeitamente compreendida pelo governo de Netanyahu, que continua sua política de assentamentos.

Para citar outro exemplo simples, tanto a Câmara dos Deputados e do Senado dos EUA aprovaram resoluções declarando abertamente seu apoio à operação israelense Chumbo fundido, apesar do fluxo contínuo de informações atestando a prática de crimes de guerra por parte de Israel.

O dia em que o Senado dos EUA aprovou sua resolução "reafirmando o firme apoio dos EUA a Israel em sua batalha contra o Hamás" (8 de Janeiro de 2009), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha emitiu uma declaração exigindo que Israel permitisse o auxílio às vítimas do conflito, já que Israel tinha bloqueado todos os acessos aos palestinos feridos, o que constitui um crime de guerra sob a lei internacional.

No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, emitiu uma declaração na qual condenava Israel por atirar contra um comboio da ONU que transportava ajuda humanitária para Gaza causando a morte de dois funcionários da ONU, dois fatos que constituem crimes de guerra. O dia em que a Câmara dos Representantes aprovou sua própria versão da resolução, a ONU anunciou que teve que interromper seu trabalho humanitário em Gaza devido aos ataques israelenses que tinham sofrido os seus trabalhadores, comboios e instalações, incluindo clínicas e escolas.

O apoio financeiro de EUA a Israel supera os 3.000 milhões de dólares por ano. Quando Israel lançou sua ofensiva militar para punir a população civil indefesa de Gaza, seus pilotos de aeronaves tripulavam aviões de combate F-16 e helicópteros Apache vendidos pelos EUA, desde os quais jogavam bombas, também fabricadas pelos EUA, bem como munições equipadas com fósforo branco, o que é proibido pelo direito internacional.

O apoio diplomático dos EUA aos crimes de Israel tem sido expresso no uso de seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Quando Israel travou sua guerra devastadora contra a população civil e infra-estrutura do Líbano, no verão de 2006, os EUA vetaram uma ressolução de cessar-fogo.

Quando Israel lançou sua operação Chumbo Fundido, os EUA atrasaram a aprovação de uma resolução pedindo o fim da violência e, em seguida, uma vez que permitiram a votação, se abstiveram.

Quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou oficialmente as conclusões e recomendações da investigação dirigida por Richard Goldstone, sobre os crimes de guerra cometidos durante a Operação Chumbo Fundido, os EUA responderam anunciando a sua intenção de bloquear qualquer iniciativa que tivesse como objetivo a adoção dessas conclusões e recomendações do Conselho de Segurança. O Congresso dos EUA aprovou uma resolução rejeitando o relatório Goldstone porque denunciou a prática de crimes de guerra por parte de Israel.

Através de seu apoio, incondicional na prática, a Israel, os EUA têm impedido a adoção de medidas destinadas a aplicar uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino. O chamado "processo de paz" consistiu, por muitas décadas, a rejeição de EUA e Israel à autodeterminação do povo palestino e o bloqueio de qualquer estado palestino viável.

Sobre o autor:

Jeremy R. Hammond é um analista político independente, que foi galardoado com o prémio de melhor Project Censored jornalismo investigativo. É um dos fundadores da Foreign Policy Journal e autor Ron Paul vs Paul Krugman: vs austríaco A economia keynesiana em que a crise financeira ea rejeição da Palestina Autodeterminação: A luta pela Palestina e as raízes do conflito árabe-israelense. Atualmente, ele está preparando um outro livro sobre o papel dos EUA hoje no conflito israelo-palestino.

Tradução ao espanhol: Javier Villate mantém Dissent blog com artigos, resenhas e traduções sobre a Palestina, Israel e no Oriente Médio. Você pode segui-lo no Twitter como @ bouleusis

Tradução do espanhol: Natália Forcat

No Pravda.ru
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Mais uma vez a Europa é exemplo para o Brasil. Negativo

Trato dado a refugiados é uma das faces da crise humanitária,
social e econômica que abala o continente
Vamos reconhecer: o nosso país passa por um mau momento. Já a Europa está ameaçada por uma regressão estrutural de grande monta

No filme 1492 - A conquista do Paraíso, de Ridley Scott, já bem perto do final, diante de tantas notícias negativas (cidade destruída por tufão, conflito com os nativos, rebelião de aristocratas obrigado ao trabalho) a rainha Isabel de Castela (Sigourney Weaver) afirma a um exausto Cristóvão Colombo (Gérard Depardieu) que tem diante de si: "Your New World is a catastrophe" (O seu Novo Mundo é uma catástrofe). Ao que Colombo retruca com uma pergunta: "Is the Old one an achievement"? (Será o Velho um sucesso?). Estou citando de memória, mas o sentido é este mesmo.



Ressalvadas as proporções e ressalvados os séculos de distância, a situação permanece neste século 21, nas relações entre a mídia europeia, em grande parte, e o Brasil, o Novo Mundo que hoje, para aquela, é imperioso desconstruir.

Há uma renitente (e irritante) narrativa em curso de montagem, por todos os lados: o Brasil é um fracasso, o Brasil será sempre um fracasso, é necessário que o Brasil e os brasileiros saibam o seu lugar. Que não é nem nunca será no Pantheon dos povos e países bem sucedidos. O pregão repete: é um país infecto por moléstias altamente contagiosas, corrupto até a alma, enfrenta a pior crise econômica de sua história, o país que se auto-destrói cotidianamente, e assim por diante. E ponha diante nisto.

Vamos reconhecer: o nosso país passa por um mau momento. Difícil. Obtuso politicamente, ou agudo, se quiserem. Mas dá para ter a noção de que é um mau momento, tudo isto, mas apenas isto. Não sou eu quem diz. É gente que vai de Stiglitz a Bill Clinton. Vamos sair desta. Bom, o governo precisa acordar. Mas vai acordar. O instinto de sobrevivência acaba falando mais alto.

Já a Europa…

Vai mal. Muito mal. Os sinais de "recuperação econômica" são débeis, embora continue o pregão de que tudo vai bem. Mas não vai. O desemprego continua alto. A pobreza aumenta. A queda das importações chinesas ameaça. Os planos de austeridade pisam no duto que vai para a tenda de oxigênio, mais sufocando do que ajudando os pacientes.

Veja-se o caso dos refugiados. O caso está trazendo de volta os piores espectros que ainda assombram os armários, os porões e os sótãos europeus. O racismo está de volta, e galopante, agora disfarçado sob o codinome de "diferenças culturais".

A extrema-direita baba e navega, de vela solta. Mandatários exibem-se perante seus mandados, dizendo bobagens como "só vamos receber refugiados cristãos" (judeu, então, não tem vez?), caso da Eslovênia, República Tcheca, Polônia, Hungria.

Reunidos em Amsterdã os ministros do Interior da UE anunciam que prevêem a possibilidade de suspender o acordo de Schengen, que possibilita a livre circulação de pessoas entre os 26 países signatários, por dois anos. Seriam restabelecidos os controles nacionais aduaneiros e policiais.

Falam em fechar as fronteiras nos Bálcãs e, os mais radicais, em até expulsar a Grécia do acordo. Isto, além de ser um absurdo, sugere uma retaliação diante do fato de Atenas ter um governo de esquerda que ousou contrariar (é verdade que ficou na retórica) a sacrossanta "austeridade".

Para completar este quadro já complexo, o Parlamento Nacional da Dinamarca acaba de aprovar uma lei que autoriza a polícia a revistar refugiados e confiscar seus bens e valores que excedam a quantia de 10 mil coroas (um pouco menos de 1.500 dólares), para que paguem por sua manutenção. O argumento que mais se brande a favor desta temeridade é o de que isto os "igualaria" aos cidadãos do país, que têm de pagar pelos serviços sociais de que usufruem.

Mas debaixo deste argumento medra a suposta "igualdade" que consiste em tratar situações desiguais com o mesmo padrão, a mesma régua. Argumentam associações de defesa dos diretos humanos: o cidadão que foge de seu país por causa de uma guerra civil tende a levar tudo o que tem. E agora será duplamente punido: além de ser forçado a abandonar sua terra, vai perder quase tudo o que tem (de maneira um tanto hipócrita a lei isenta bens que tenham "valor afetivo", por exemplo, alianças de casamento).

Mais um agravante: o governo sueco anunciou nesta quinta-feira que vai deportar de 60 a 80 mil dos 160 mil refugiados que buscaram o país em 2015.

Se fosse um navio, diria que a Europa está entrando em águas perigosas, se avião, em zona de turbulência.

Depois de tantos males que as desavenças europeias (para não falar das conquistas) causaram ao mundo, a União Europeia deve der considerada como um patrimônio da humanidade, não apenas dos europeus. É verdade que ela foi estabelecida um tanto atabalhoadamente, criando uma união monetária artificial antes de uma união política efetiva, o que potenciou a crise de 2007/2008 e aprofundou a desigualdade.

Até na Alemanha a desigualdade aumenta: desde 2013 os 10% mais ricos detém 51% da riqueza nacional. Por pior que ela esteja, será ainda muito pior sem ela.

No seu mau momento, o Brasil está melhor do que em outros maus momentos: o desemprego aumentou, mas não é tão grande como já foi, e não faz muito. As reservas internacionais são grandes e estáveis. Não corremos (ainda, pelo menos) o risco de reeditarmos o que aconteceu durante o governo Dutra, que queimou em importações, muitas vezes de supérfluos, as reservas acumuladas durante a Segunda Guerra.

Não temos perspectiva de golpe militar à vista, embora permaneça a ameaça do golpe jurídico/congressual/midiático. A estigmatização do governo federal, da prefeitura de São Paulo, do PT e do ex-presidente Lula continuam sendo uma obsessão midiática e de várias instâncias de investigação e judiciárias que beira ao mesmo tempo o insano e o ridículo.

Já por aqui a Europa está ameaçada por uma regressão estrutural de grande monta.

Bom, houve gente que acordou, na Grécia, Espanha, Portugal… Vejamos. E torçamos. Mas dá vontade de glosar Fernando Pessoa: "Europa, hoje és nevoeiro"...

Flávio Aguiar, de Berlim
No RBA
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Sem acusação ou suspeita, imprensa torna Lula alvo da Lava Jato


"Nos últimos 40 anos, nenhum líder brasileiro teve a vida particular e partidária tão vasculhada quanto Lula, e jamais encontraram acusação válida contra ele", reagiu o Instituto Lula, sobre as recentes tentativas de envolvimento do ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

Para a entidade, que vem respondendo a todas as acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, "não será investigando um apartamento — que nem mesmo lhe pertence — que vão encontrar uma nódoa em sua vida". "Lula foi preso, sim, mas pela ditadura, porque lutava pela democracia no Brasil e pelos direitos dos trabalhadores", afirmou, em nota oficial.

O Instituto explica que o ex-presidente "nunca escondeu que sua família comprou, a prestações, uma cota da Bancoop, para ter um apartamento onde hoje é o edifício Solaris". "Isso foi declarado ao Fisco e é público desde 2006. Ou seja: pagou dinheiro, não recebeu dinheiro pelo imóvel", frisou.

O ex-presidente, contudo, para adquirir o apartamento, precisaria pagar a diferença entre o valor da cota e o valor do imóvel, seguindo as modificações e acréscimos ao projeto original. A família de Lula optou por não exercer esse direito. Dessa forma, desistiu da efetivação da aquisição do triplex. As informações foram amplamente divulgadas à época.

A nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta quarta-feira (27), tinha como foco investigar a lavagem de dinheiro da empreiteira OAS, por meio de negócios imobiliários para supostamente favorecer o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso desde abril de 2015. Entretanto, indiretamente, a fase também tentou influir possíveis relações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o esquema.

De todos os 15 mandados de busca e apreensão, 6 de prisão temporária e 2 de condução coercitiva, nenhum tinha relação com o ex-presidente Lula. O Jornal GGN mostrou, também, que nas mais de 60 páginas de indícios levantados pela Polícia Federal nessa etapa da Lava Jato, em nenhum momento o nome do ex-presidente é mencionado.

A única possível conexão estava inserida em um diagrama ilustrativo para elencar dúvidas quanto aos reais proprietários de imóveis, sobretudo aqueles cujos donos eram a Murray, empresa apontada como offshore para lavagem de dinheiro proveniente de corrupção da Petrobras, e outros três que estavam registrados em nome da empreiteira OAS, uma das empresas na mira da Operação. 

Um desses três apartamentos era o suposto triplex da família de Lula, que foi negociado com a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), em 2006, conforme explicou a nota do Instituto. O condomínio na praia de Astúrias, no Guarujá foi construído pela Cooperativa, que já foi presidida por Vaccari Neto, e que transferiu o empreendimento para a empreiteira OAS em 2009.

Mais de 50 páginas do documento da Polícia Federal que estimulou e trouxe sustentação para os pedidos de prisões e mandados de buscas e apreensões são dedicadas a outro apartamento: 163-B, de aquisição de Eliana Pinheiro de Freitas, representante da offshore Murray Holginds LLC. Os investigadores teriam indícios de que o imóvel foi resultado de lavagem de dinheiro da offshore, a título de propina pela OAS, em troca de benesses junto aos contratos da Petrobras.


Essas outras 50 páginas, contudo, não tiveram o mesmo destaque nas publicações dos jornais desta quarta e quinta-feira [confira, abaixo]. "Lula não ocultou patrimônio, não recebeu favores, não fez nada ilegal", concluiu a nota oficial da entidade.








Patricia Faermann
No GGN
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Geração Y vai ajudar a reeleger Haddad

O professor Adolpho Queiroz, do curso de Comunicação do Mackenzie, vai na contramão do que pensam muitos analistas políticos e acha que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, será reeleito. 

Segundo ele, autor do artigo "Dois Números, Uma Palavra e um Prognóstico", existe "uma tendência eleitoral desta corrente de jovens eleitores [a geração Y] favoráveis à reeleição do atual prefeito, por três símbolos sugeridos no título deste artigo: uma palavra (ciclovia) e dois números 50 (quilômetros de velocidade máxima nas marginais) e 500 (quilômetros de novos corredores de ônibus)".

Queiroz, que é pós-doutor em comunicação e presidente de honra da Politicom, Sociedade Brasileira de Pesquisadores e Profissionais de Comunicação e Marketing Político, diz ainda que "Haddad deixa seu exército 'Brancaleone' ao passo que se inicia o firmamento do ideal de políticas públicas importante para o século XXI, também ouvido por interlocutores com ideias similares e passa a ser reconhecido por sua ousadia".

A seguir, a íntegra de seu artigo:


Dois números, uma palavra e um prognóstico

O ano de 2016 tem, como somatória, 9, que é quase 10, como ensinava Duda Mendonça, parceiro de João Santana na trajetória para a construção de um marketing político eficiente e vencedor no Brasil no século XXI. Ambos são sucessores legítimos dos pioneiros do campo no país. O jornalista Quintino Bocayuva, redator do manifesto republicano publicado apenas em jornais e livretos no final do século XIX — a fim de ensinar a população a compreender os efeitos da transição de um regime monárquico para outro — era um dos republicanos no país.

Saiu de Club Republicano atrás do outro, explicando para plateias de 20, 30 e 50 pessoas o sentido daquele momento no país; depois dele, o multimídia Lourival Fontes que, instigado por Getúlio Vargas, foi aprender as técnicas da então moderna propaganda política com o jornalista mais famoso da Itália. Na época, Benito Mussolini.  De lá, trouxe ideias para o programa de rádio “A hora do Brasil’ ou as fotos estampadas em prédios públicos — como obrigação legal — mostrando Presidentes da República exibindo-se às suas respectivas faixas presidenciais em hospitais, bancos, escolas e gabinetes em dependências públicas. Saímos do jornalismo impresso, como herdeiro da comunicação política, para chegarmos ao rádio e à porta dos gabinetes públicos.
           
Os militares, que não deixaram saudades nos anos 60/80, deram ao então militar Octavio Costa poderes para a construção de uma máquina de propaganda. Entre a eficiência e a infantilidade — aos olhos de hoje — nos legaram um planejamento estratégico e eficaz das pesquisas de opinião pública para a comunicação política, em médio/longo prazo, além de figuras caricatas para a comunicação governamental com o personagem “Sugismundo”.

Este, em forma de desenho animado, ia, sempre à noite, para os canais da TV ensinar ao povo brasileiro com a frase “povo limpo é povo desenvolvido!”.  Avançamos do jornalismo impresso e de rádio à televisão. Mas, primórdios são primórdios.
           
A partir da televisão, a legislação brasileira concebeu o horário gratuito, antes ao modelo de Chaplin, quase mudo, informando apenas o nome, o partido e o cargo dos candidatos.  Tudo sem dar atenção aos programas de governo. Era o que tínhamos nos tempos do “nada a declarar” do então Ministro da Justiça Armando Falcão. Mas, a irrequieta televisão começou a promover e transmitir debates, pois os comícios já não chegavam a todos nas grandes metrópoles e no país, que saltava aos 100 milhões de habitantes.

Assim, o veículo imperou — ainda com seus encantos — sobre plateias e profissionais, que, para produzirem bons programas de propaganda política, investiram milhões em roteiros, produção, apresentação e edições que pudessem, em poucos minutos, sintetizar anos de governo, de obras concluídas e de projetos acalentados para o futuro.
           
Todavia, o fim do império televisivo se aproxima. As últimas eleições no país têm provocado alguns sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que as Universidades pesquisam e ensinam sobre propaganda política, profissionais dos, vários campos, juntam-se para profissionalizarem suas consultorias. Partidos e candidatos começam a perceber que a propaganda política, as pesquisas de opinião e as novas linguagens são desafios permanentes para projetos de poder.
           
Com isso, todos começaram a aprender e ensinar um pouco mais sobre como chegar às diversas cidades contida numa única cidade; aos diversos Estados contidos num País. Os nichos de mercado foram se espalhando pelo campo comercial e, agora, começam a serem visualizados com mais competência pelos estrategistas eleitorais. A propósito deste tema, sem ter acesso às pesquisas feitas pelos institutos credenciados, nem aos gabinetes, é que ouso polemizar sobre o futuro das eleições municipais de são Paulo em 2016. E retomo o título deste artigo.
           
Embora não me alinhe aos ideais políticos do Prefeito de São Paulo, Sr. Fernando Haddad, ouso informa-los de que ele será reeleito em 2016 ao cargo de máximo mandatário da cidade. Quem sabe, com isso, construirá uma alternativa de poder dentro do próprio partido que representa para o Estado e o país. Vamos aos números e fatos.
           
Fiz, recentemente com meus alunos de graduação e de lato sensu do Mackenzie, algumas enquetes eleitorais. Cerca de 600 pessoas foram ouvidos, em um universo onde prepondera o público jovem, entre 16/25 anos, que percorrem as redes de relacionamentos sociais dos meus jovens pesquisadores.

Neste universo, a maioria não lê jornais, não ouve programas de rádio e vê muito pouco televisão. É a geração Y, ligada o tempo todo na internet. Surge, então, o quarto elemento decisivo para a plataforma comunicacional do marketing político: a internet. Esta com suas variáveis, smartphones, tablets, facebook, twitter, Instagram, Snapchat e etc. Quem ganha, é a provável reeleição do prefeito Haddad.
           
Desse modo, consegui perceber uma tendência eleitoral desta corrente de jovens eleitores favoráveis à reeleição do atual prefeito, por três símbolos sugeridos no título deste artigo: uma palavra (ciclovia) e dois números 50 (quilômetros de velocidade máxima nas marginais) e 500 (quilômetros de novos corredores de ônibus).
           
Se lembrarmos que a história recente do país foi construída também sobre slogans, como fazer o Brasil avançar “50 anos em 5” (Juscelino); “ Brasil ame-o ou deixe-o” (ciclo militar) ou “Fome Zero”, mais recentemente, teremos as palavras de ordem do Prefeito de São Paulo fazendo eco. Conseguir adeptos e votos em uma geração tida como apartidária e descompromissada, mas que representa 20% do eleitorado paulistano, o que equivale a 1.800.000 votos aproximadamente, é algo significativo. Apesar da não unanimidade nestes números, cá entre nós, representam uma força considerável.
           
Cada pesquisa visualiza um determinado momento das percepções da sociedade sobre um tema. Mesmo desgastado (político e partido) o Prefeito, a meu juízo, vai construindo suas alianças eleitorais internas com competência e deve sair vencedor, já que o símbolo maior da sua proposta de governo está codificado e compreendido pela sociedade como um todo: “menos carros, mais ônibus/bicicletas = menos acidentes e mais saúde”. Certamente os poucos beneficiários das ciclovias devem estar entusiasmados contra as críticas dos taxistas e dos usuários individuais de automóveis, entre outros segmentos que se opõem a estas práticas. Os usuários de ônibus festejam uma ou duas horas diárias ganhas com transporte público mais rápido e eficiente.
           
Haddad deixa seu exército “Brancaleone” ao passo que se inicia o firmamento do ideal de políticas públicas importante para o século XXI, também ouvido por interlocutores com ideias similares. Ele passa a ser reconhecido por sua ousadia.
           
São Paulo, das tantas São Paulos que compõem uma vasta metrópole com milhões de pessoas, começa a se mexer rumo às eleições municipais de 2016. Sem propostas contundentes e claras, seus adversários tateiam em discursos do século XX, em que o passado construtivista e a religião engajada tinham voz. Haddad já está no XXI. Sem ter bola de cristal, mas atento ao que acontece no mundo digital, lanço minha “profecia’ ao debate público.

No Crônicas do Motta
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Cardozo, o maior mistério da era Dilma


A Lava Jato lança a Operação Triplex, visando o prédio do qual Lula adquiriu cotas de participação. No próprio nome, a operação já indica o alvo.

Em Quito, a presidente da República Dilma Rousseff reage, pela primeira vez admite os estragos que a Lava Jato tem imposto à economia e diz que o ônus da prova cabe à quem acusa. Obviamente estava se referindo às insinuações contra o suposto proprietário do apartamento triplex.

O ministro-chefe da Casa Civil Jacques Wagner reage contra o que taxa de perseguição a Lula.

Todas as reportagens baseados no Palácio exprimem a avaliação de que a operação visa Lula e, a partir dele, a desestabilização do governo.

A equipe da Lava Jato, mais um procurador exibicionista do Ministério Público Estadual de São Paulo, já trataram de preparar terreno, vazando todas as suspeitas para a imprensa.

E o inacreditável Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se exime de qualquer atitude, meramente garantindo que "Lula não está sendo investigado". Não é uma frase neutra: é um endosso total ao cerco que a Lava Jato impõe à maior figura do seu partido e, por tabela, ao seu governo. Ou Cardozo se pela de medo — seria interessante saber do quê. Ou atua deliberadamente contra seu próprio governo.

Algum dia Dilma Rousseff terá que esclarecer os motivos que a levaram a manter Cardozo durante tanto tempo em seu governo. Sua presença é uma ofensa a todos que se empenham em lutar pela manutenção das regras democráticas e contra o impeachment.

Decididamente, não é normal essa complacência de Dilma em relação a seu Ministro.

Luís Nassif
No GGN
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Documentário "Clandestinas", dirigido por Fádhia Salomão


Renata Corrêa roteirizou o excelente documentário Clandestinas, dirigido por Fádhia Salomão.

Ela respondeu a cinco perguntas do Viomundo sobre o aborto, neste momento em que o debate ganha força por conta de 3.448 casos de microcefalia e/ou malformações, sugestivos de infecção congênita em investigação.

Em Clandestinas, uma entrevistada foi orientada a mentir para um médico do SUS para conseguir tratamento depois de um aborto. Por suas pesquisas e outros relatos, é possível dizer que é a regra?

Eu não sei se é a regra, o meu universo de pesquisa é muito pequeno. Mas o que posso afirmar, com certeza, é que eu, como militante feminista, se tivesse uma amiga ou parente na situação de ter que recorrer ao SUS após as complicações de um aborto ilegal, recomendaria que sim, ela mentisse.

Infelizmente não sabemos quem será o médico que irá atendê-la. E infelizmente muitos médicos não aceitam que qualquer orientação filosófica, religiosa ou pessoal não é maior do que a autonomia da mulher. Jogam fora o juramento de Hipócrates e punem violentamente a mulher que abortou. Então, nesse contexto, acredito que é mais inteligente, para segurança da própria mulher, se utilizar desse artifício ao procurar uma emergência nesses casos.

Qual foi sua constatação mais importante ao fazer o documentário sobre o mundo do aborto clandestino?

Que o aborto clandestino não é o mesmo para todas as mulheres. Uma mulher de classe média irá ter a segurança de uma clínica, com anestesia, equipe de enfermagem, um médico. Será um aborto mais seguro, na medida do possível, onde ela será orientada no pós procedimento.

Claro que isso não livra essa mulher de sofrer violência obstétrica, psicológica ou mesmo sexual e física, dado o caráter ilegal. Se ela for violada, para quem reclama, se o procedimento é proibido?

Ainda assim a situação das mulheres negras, pobres e de periferia é muito mais dramática, sem dinheiro, sem apoio e muitas vezes, pressionadas por um meio conservador e religioso, elas vão tentar métodos nada ortodoxos que colocam suas vidas em risco, como tomar veneno, introduzir objetos pontiagudos na vagina, ou recorrer a profissionais que utilizam instrumentos rudimentares, em ambientes sem higiene e, claro, sem anestesia. E isso impacta na mortalidade e sequelas dessas mulheres.

Em artigo, a feminista Fátima Oliveira, que é médica, escreveu que está em vigor uma tabela nacional para aborto/microcefalia: aplicação de cloreto de potássio em clínica privada, R$ 2.000 + R$ 3.000 pelo aborto em si. Há uma segunda opção: pagar a aplicação do cloreto de potássio em serviço privado e realizar o aborto no SUS. E há o Cytotec, ainda nas mãos do narcotráfico no Brasil. Você tem alguma informação neste sentido?

Sim. Um aborto clandestino no Brasil custa em média R$ 3.500 reais. Pode chegar ao dobro disso, dependendo do profissional e da idade gestacional. Não ouvi muitos relatos com aplicação de cloreto de potássio, geralmente por aspiração/curetagem.

Isso, claro, faz um recorte de quem pode ou não pode fazer um aborto no Brasil. O cytotec é traficado nos mesmos lugares onde se vende cocaína e maconha e custa em média 200 reais o comprimido. Não é barato — para se efetuar o aborto se precisa de quatro comprimidos. Não é algo acessível.

“Não vamos dar vacina para 200 milhões de brasileiros. Mas para pessoas em ‘período fértil’. E vamos torcer para que mulheres antes de entrar no período fértil peguem zika para elas ficarem imunizadas pelo próprio mosquito. Aí não precisa da vacina”. Esta é uma declaração do atual ministro da Saúde, Marcelo Castro. Como você avaia?

Eu avalio que existe um despreparo enorme das esferas governamentais para lidar com a questão do aborto no Brasil.

Algo que deveria ser um direito universal, garantido pela saúde pública, se torna um tabu e a discussão segue permeada por questões morais, quando deveríamos debater os aspectos sociais e as evidências científicas em torno da prática. Em saúde pública não existe “torcer”, existe avaliar os dados e agir de acordo com a urgência e o impacto na população.

E, no entanto, o Brasil corre o risco de ter retrocessos ainda maiores na questão do aborto. Qual é o maior desafio atual e como enfrentar a onda conservadora?

Existem muitos desafios. O principal é combater a desinformação — e nesse caso é mesmo um desafio enorme pois Igrejas, parlamentares conservadores e organizações pró-vida possuem muito mais dinheiro e alcance do que qualquer organização pró-escolha.

Também é muito importante os movimentos sociais estarem atentos às manobras no Congresso, que diminuem direitos e criminalizam ainda mais as mulheres. Essas duas frentes são as mais importantes, na minha avaliação.

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O MP “garante” que não foi gravado o depoimento onde nem estava presente


O delator Fernando Moura, como se sabe, disse que não disse o que o Ministério Público disse que ele disse sobre o ex-ministro José Dirceu.

Seu advogado, Roberto Podval, requereu a gravação original, tal como fez antes o defensor de Marcelo Odebrecht, Nabor Bulhões, quando da omissão, na transcrição de declarações de Paulo Roberto Costa, de que o presidente da empreiteira jamais tratara com ele qualquer questão de propina.

E recebeu do juiz Sérgio Moro a negativa, desta vez sob a a alegação de que o Ministério Público informou que o depoimento de Moura não foi gravado, segundo ele foi informado pelo Ministério Público e, assim sendo, era impossível oferecer o original à defesa.

Vamos esquecer o fato absurdo de, no meio do festival de vídeos quase pornográficos exibidos pela Lava Jato falte um, tão importante e justamente o que está dando margem a controvérsias.

Vamos esquecer que os equipamentos de gravação são padrão em salas de interrogatório, ainda mais nestes casos onde o que vai ser dito pode botar uma pessoa na cadeia e tirar outra de lá, a que delata.

Vamos esquecer que nem sequer se informa a razão de não ter sido gravado — o equipamento quebrou, houve defeito técnico, o “rapaz” esqueceu de apertar a tecla “rec”.

Fica, então, uma única pergunta: como é que o Ministério Público diz que não foi gravado se não havia, como se pode notar no termo de declarações de Moura, nenhum procurador presente no depoimento que o MP diz que não foi gravado?

Estavam no depoimento e o assinam: a delegada federal Érika Marena, os advogados do declarante — Pedro Ivo Iokoi e Adriano Scalzaretto — o próprio declarante, por óbvio, e, servindo como testemunha, o agente  da PF Luiz Carlos Milhomem que serviu de escrivão ou, não o sendo, mais alguém que reduziu a termos o que era dito.

Não há menção alguma a nenhum integrante do Ministério Público aqui no depoimento oficial, devidamente vazado à época.

E ainda assim o MP garante que não foi gravado, mesmo não estando lá? Ou será que informa — e Moro não registra que a PF alega que não foi gravado, mesmo sendo praxe fazê-lo? Praxe e, aliás, orientação formal há 15 anos, desde que a Instrução Normativa 11/2001, em que se recomenda (item 95) o uso de “meios eletrônicos para registrar o ato, de acordo com a conveniência e importância dos fatos investigados.”

Não era, pois não, uma investigação “sem importância”, mas uma transação penal especialíssima, a da delação premiada.

Mas é assim, na Lava Jato, não tem gravação, nada tem de ser explicado, não encham o saco, o processo marcha para frente.

A passos de ganso, feito aquelas tropas que nem é bom lembrar o nome.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Feudalismo, tribalismo e imperialismo


"O árabe é um judeu a cavalo"

No que pesem os excelentes artigos que tenho recebido e que tentam explicar a situação no Oriente Médio, falta-lhes o fundamental.

O entendimento do espectro que nutre aquela região.

É impossível falar dos países árabes ou de língua árabe sem entender que todos eles são estados feudais, criados artificialmente pelos colonizadores.

Ao mesmo tempo, é impossível falar de Israel como nação quando sabemos que aquele estado não passa de uma sociedade tribal.

Nos países de língua árabe até hoje, prevalece o feudo.

De cidade, de estado, de país.

Em qualquer cidade ou aldeia, o poder está em mãos de senhores feudais, e não de prefeitos, deputados, presidentes ou monarcas.

Cada um desses senhores comanda um grupo armado, exageradamente armado, estando numa aldeia ou numa cidade.

O poder central é uma quimera e o Líbano é um excelente exemplo.

Toda aldeia, vila ou cidade tem seu dono.

O poder central finge que não vê e todos vivem sob o guarda chuva da pax armada até o próximo acerto de contas.

Tunísia, Líbia, Argélia, Marrocos, Síria e demais países de língua árabe, não fogem a essa regra.

Quanto a Israel, a questão é mais simples.

Não se trata de um estado judaico, mas de uma sociedade tribal.

Age como tal, se comporta como tal e o judaísmo serve como habeas corpus para as brutalidades contra os palestinos.

Claro que há judeus em Israel, mas quem governa são os sionistas.

Governam sem dó nem piedade.

E os judeus servem apenas como escudo.

O que é lamentável.

E os Estados Unidos, o que são?

Repetem os velhos colonialistas.

Dividir para governar.

Mas como toda repetição é uma farsa, já não enganam ninguém.

O Império mais breve que já desfilou pelo planeta, agoniza.

Como já diagnosticou o velho Mao, o tigre de papel, apesar dos dentes atômicos tem pés de barro e derretem a olhos vistos.

Há cerca de 25 anos, conversando com um ministro libanês, ele me disse na cidade de Beirute, durante um tiroteio entre soldados de Israel e do Líbano, uma frase que até hoje não consigo esquecer.

É uma briga entre irmãos, se não fossem os europeus, estaríamos todos vivendo em harmonia.

E completou:

— Afinal, o que é um árabe? É um judeu a cavalo...

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