27 de jan de 2016

Essa sociedade é tão secreta que você nunca ouviu falar


Ou como encontrei a SSC

Não me lembro exatamente quando foi que aconteceu, mas foi em 2013, talvez no primeiro semestre. Ou no segundo. Mas o fato é que certo dia abri a página do facebook, como quem abre a geladeira pra pensar na vida, e fui rolando as notícias. Depois de muitas listas, gatos e bundas, algo me chamou a atenção. Era alguma coisa do Palmeiras, que na época tava mal das pernas. Como bom corneteiro que sou, resolvi soltar um belo gracejo na parte dos comentários, algo do tipo “Esse Ananias é o Beckham sem grife”. Mal sabia que aquilo mudaria minha vida.

Aquele comentário gerou repercussão. Em poucos minutos consegui mais de 450 likes, uns 30 comentários dizendo “kkkkk” ou variações e algumas dezenas de frases elogiosas. Claro, houve quem criticasse minha, modéstia parte, sagacidade em tal comparação mas esses eu preferi ignorar. Recebi também algumas solicitações de amizade, de pessoas aparentemente duvidosas. Recusei a maioria, mas cheguei a adicionar dois ou três e então fiquei, de certo modo, orgulhoso daquela pequena frase.

Poucas horas depois do comentário de destaque, recebi um e-mail, sem remetente e um tanto intrigante, o qual transcrevo aqui.
“Senhor,

Encontre-nos na padaria da esquina de sua casa, amanhã as 11 horas em ponto. Assunto de extrema urgência e de seu interesse.

Venha sozinho

Att.,

SSC.

P.S: sabemos onde você mora! “
Confesso que aquilo me deixou um tanto intimidado. O tom ameaçador e a falta de remetente eu conseguia entender. Podia ser alguém cobrando uma divida antiga, e se tem uma coisa que eu faço bem é enganar cobrador. Esses dias mesmo me veio um sujeito cobrar uma divida do carro. Ele me ameaçou bastante até, mas duas horas depois a gente foi tomar uma cerveja. Claro que ele pagou. E olha que não foi a primeira vez.

Também é normal saber onde as pessoas moram. O mundo inteiro sabe onde mora Barack Obama, e isso não traz qualquer ameaça a segurança dele. Ok, na verdade até traz, mas ele tá vivo há quase 8 anos no mesmo notório endereço.

O que intimidou mesmo foi o local escolhido. A padaria da esquina é sacanagem. Ninguém vai na padaria da esquina. O pão é duro, o café é amargo e até a coca-cola é ruim naquela espelunca. Dizem que ela foi construída em cima de um cemitério indígena. Pode ser, mas acho que é maledicência do povo. Aquele lugar não serve nem pra enterrar urubu, quanto mais índio. Fato é que, esses dias mesmo, encontrei o dono da padaria da esquina na padaria da rua de cima tomando um pingado.

Como não tinha remetente, não pude sugerir a mudança de local. Então, depois de uma bela noite de sono, voltei ao facebook pra conferir os louros de meu post de sucesso. Centenas de novos likes e comentários e algumas dezenas de novas solicitações de amizade. Embriagado de sucesso, parti para meu misterioso encontro.

Cheguei na padaria antes do combinado e ela obviamente estava vazia. Suspeito que aquela pocilga sirva pra lavar dinheiro. Sou meio caipira, e pra caipira qualquer comércio que, aparentemente, não dá certo e permanece aberto é lavagem de dinheiro.

O chapeiro surgiu do banheiro, meio que esfregando as mãos na calça, e me perguntou se eu estava perdido. Respondi que não e pedi uma água, para espanto do homem. Depois de 30 segundos em estado de choque sem razão aparente, ele me serviu a água num copo americano surpreendentemente limpo e eu me acomodei na unica mesa do local.

Dez minutos depois chegou um tipo esquisito, de 50 e poucos anos, vestindo terno cinza e chapéu. Parecia judeu. Ou maçom. No minimo era membro do Rotary ou do Lions. Existem pessoas que logo que você bate o olho sabe que fazem parte de alguma casta dessas, e aquele tiozão de chapéu e terno era um desses.

Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele e foi estranho. Quando menos percebi, ele estava sentado na minha mesa, me encarando de cima a baixo, o que me incomodou muito. Depois de algum tempo, ele se apresentou como o autor do e-mail misterioso e disse que poderia chama-lo Reverendo. Ok, cada um se dá o título que quiser, mas achei esquisito um cara se intitular reverendo. Eu dele ficaria com a alcunha de “o Apóstolo”,“vice-Deus” ou “ O Pica”, mas gosto é gosto.

Mas, mesmo sendo um respeitador do gosto alheio, perguntei o porque de reverendo, questionando também o plural usado no e-mail. Reverendo me explicou que ele não era “o Reverendo”, mas sim parte de uma entidade. Não entendi, mas fiz cara de inteligente. Acho que ele comprou a ideia, porque prosseguiu.

Reverendo então falou-me amenidades. Contou que a edição da Folha daquele dia já tinha esgotado na banca da rua paralela, o que é uma coisa atípica, concluí. Ele também me disse que cria dois Whippets, e os tinha deixado no petshop para um banho. Eu gosto de Whippets, mas não contei isso a ele. Depois ele falou da carga tributária, da má qualidade da padaria da esquina, do campeonato brasileiro de frescobol, técnicas de churrasco, política externa, história, matemática, poesia, e muita coisa que eu não lembro.

Passados quarenta minutos de conversa, eu já estava estafado daquilo. Claro que, como sujeito educado que sou, participei ativamente de tudo, mas cheguei ao meu limite. Então, sem meias palavras, perguntei o motivo daquele convite. O homem se assustou com a objetividade da pergunta.

Reverendo então se ajeitou na cadeira e revelou-me suas intenções. Segundo disse, eu fui aceito em uma sociedade secreta secular, a qual menos de 1% das pessoas eram aceitas. Pensei que era a Mensa, mas ele tinha cara de burro e eu nunca fiz um teste de QI na vida. Depois pensei nos escoteiros, mas ninguém vira escoteiro depois dos 30. Sem contar que o líder dos escoteiros não se intitularia reverendo.

Desisti de imaginar qual sociedade seria e perguntei. Ele não respondeu. Disse que precisava que eu o acompanhasse até uma das sedes antes de maiores detalhes. Eu não tinha nada pra fazer e fui com o homem, em seu carro, um Lada vermelho caindo aos pedaços. No caminho mais amenidades. O clima, o cinema italiano, filosofia alemã, enxadristas inesquecíveis e outros assuntos interessantíssimos.

Chegamos a um velho galpão, alto e aparentemente abandonado. Reverendo foi entrando, e ali eu comecei a ficar com medo. Mas como a gente tava longe pra cacete da minha casa, e eu com preguiça de pegar um ônibus, fui entrando ressabiado.

Dentro do galpão tive uma das maiores surpresas que da minha vida. Milhares de livros em uma estante interminável, que forrava todas as paredes, com mais de 6 metros de altura. No vão livre, dezenas de mesas grandes, com algumas centenas computadores, todos ocupados por pessoas aparentemente muito concentradas. Outros pesquisavam em livros grossos. Também pude contar uns 25 pequenos grupos de 4 pessoas, cada um fazendo um tipo de brainstorming.

Fiquei estasiado olhando tudo aquilo. Era realmente impressionante. Reverendo me puxou pelo braço e nós cruzamos todo aquele ambiente, adentrando numa pequena sala, toda em vidro, do outro lado do galpão.

Ficamos de dentro da sala observando aquelas pessoas trabalhando. Era muito estranho, porque sempre que os caras fazendo brainstorming ficavam felizes, um ia correndo pro computador e digitava algo, enquanto outro acompanhava no celular. Vinte minutos depois, Reverendo pediu que eu me sentasse, e começou a discorrer sobre a história daquela sociedade.

Ele me contou que aquela sociedade nascera junto com a escrita, por volta de 4.000 AC, na Suméria. Foi evoluindo, passando pelo Egito antigo, o Império Romano, quase se extinguiu na Idade Média, mas voltou com força na Renascença e , depois de Gutemberg, vem em franca expansão, vivendo nos dias de hoje sua glória.

Ainda não tinha entendido o que se fazia ali e Reverendo fazia cara de mistério. Mesmo assim indaguei-o a respeito das atividades daquela sociedade, que mais parecia ser uma empresa moderninha. Ele me disse que era uma filosofia, um modo de vida, e prosseguiu.

Revelou-me que eles estudavam todas as áreas do conhecimento humano. Das mais importantes, como a astronomia, até as mais inúteis, como o futevôlei.

Era a Sociedade Secular dos Comentadores, a SSC, um grupo de estudos que passa 24 horas do dia vendo noticias e pensando em comentários que lhes renda audiência. Segundo Reverendo, 95% de todos os comentários com mais de uma centena de likes feitos na internet, e quase a totalidade das cartas enviadas às redações de periódicos mundo afora partem da SSC. Parte dessa estatística se deve ao fato da politica agressiva de recrutamento deles.

Entendi o motivo de eu estar lá. Foi o maldito comentário. Não queria atrapalhar a epifania professoral de Reverendo, então continuei ouvindo.

Falou-me então das possibilidades que teria ali. Poderia ser comentarista famoso, conseguir tudo que o sucesso proporciona. Mulheres, automoveis, grandes festas. Não consegui compreender tal relação, mas ele falava convicto usando neologismos como monetização e palavras gringas como target, o que me deixou deveras confuso, mas aumentava a plausibilidade do discurso.

Citou exemplos de membros proeminentes da associação. Chico Lang, Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, José Luis Datena e, mais recentemente, aquele japonês que dava playstations no SBT e agora virou colunista da Folha, o Kim Kataguiri, dizendo que eu, como havia escrito tão distinto comentário, poderia facilmente entrar nesse rol de expoência.

Meu espanto foi tremendo. Consegui ainda ouvi-lo falar que hoje os jornais já não procuram mais seus colunistas em redações, blogs, universidades e muito menos no mercado editorial. Esse tempo já acabou. Os veículos consultam primeiro a SSC. E essa seria minha grande oportunidade.

Só conseguia agora pensar na vergonha. Que pensariam meus pais ? Então, não tive dúvidas. Corri o mais rápido que pude para longe daquele local, daquele homem, daquela gente e da triste perspectiva que haviam me proposto.

Sim, é muito gratificante professar gracejos, impropérios e opiniões duvidosas em meu circulo social. Mas tornar disso uma suposta profissão, fazer-me notável por comentários esdrúxulos, seria insuportável.

Voltei pra casa e desde então nunca comentei coisa pública alguma. E dou este aviso ao leitor deste texto. Antes de destilar sua sapiência no espaço de comentários, deste texto ou de outros, pense. Você quer ser como os membros (notórios ou não) desta sociedade?

Afinal, já dizia minha vó, “a palavra é de prata e o silêncio é de ouro”

Carlos Eduardo Machado
No Revista Grafia
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Nota oficial da Bancoop


A Bancoop, tendo em conta os recentes procedimentos relacionados a empreendimento imobiliário que esteve sob sua responsabilidade, vem prestar o seguinte esclarecimento:

Em decorrência de acordo judicial celebrado com o Ministério Público de São Paulo em 20 de maio de 2008 e homologado pelo Poder Judiciário (processo nº 583.00.2007.245877-1, 37ª. Vara Cível do Foro Central de São Paulo), a Bancoop procedeu a consulta aos cooperados de seus empreendimentos para deliberação sobre a continuidade das medidas das obras em construção. A consulta fez com que, por deliberação dos cooperados, alguns empreendimentos fossem transferidos para diferentes empresas construtoras ou condomínio de construções.

Esse foi o encaminhamento dado ao empreendimento Mar Cantábrico, localizado na cidade do Guarujá, no litoral paulista. Por deliberação coletiva dos respectivos cooperados, adotada em assembleia realizada em 27 de outubro de 2009 e confirmada pela adesão individual de cada cooperado, o empreendimento foi transferido à construtora OAS Empreendimentos. Esse acordo específico de transferência foi homologado pelo Poder Judiciário em 11 de novembro de 2009 (processo nº 1190/2009, do Setor de Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).

Assim, desde 2009 a Bancoop não tem qualquer relação com o empreendimento Mar Cantábrico, que, inclusive teve sua denominação alterada para Solaris.

Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo
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Ban Ki-moon: assentamentos israelenses são 'afronta' à comunidade internacional e ao povo palestino

Para secretário-geral da ONU, violência por parte de palestinos é resultado de 'frustração'; Netanyahu reagiu afirmando que comentários 'encorajam o terror'


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou Israel por continuar a construir assentamentos em territórios palestinos ocupados, dizendo que a iniciativa é uma “afronta ao povo palestino e à comunidade internacional”. As declarações foram feitas durante reunião do Conselho de Segurança da organização nesta terça-feira (27/01). Em resposta, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o chefe das Nações Unidas de “encorajar o terror”.

Ban também questionou o comprometimento de Israel em chegar a uma solução para dois Estados, alegando que a violência provocada por palestinos é resultado de “frustração”.

“A frustração palestina está crescendo sob o peso de meio século de ocupação e de paralização do processo de paz”, disse Ban. “Apenas medidas de segurança [na Cisjordânia] não irão acabar com a violência. Elas não conseguem tratar do profundo senso de alienação e desespero que incita alguns palestinos — especialmente jovens”, argumentou o secretário-geral.

Ban Ki-moon também condenou os recentes casos de esfaqueamentos de isralenses por parte de palestinos, mas disse ser “da natureza humana reagir à ocupação, que geralmente serve como uma incubadora potente para o ódio e o extremismo”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou o posicionamento de Ban, afirmando que seus comentários “encorajam o terror”. O premiê ainda acrescentou que a ONU perdeu “sua neutralidade e poder moral”.

“Não há justificativa para o terror. Aqueles palestinos que matam não querem construir um Estado, querem destruir um Estado e dizem isso abertamente”, disse Netanyahu em declaração oficial.

“Eles querem matar judeus por serem judeus e dizem isso abertamente. Eles não matam pela paz e não matam pelos direitos humanos”, concluiu ele.

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, afirmou durante a reunião do Conselho de Segurança da organização, cujo tema era o Oriente Médio, que Washington também se opõe à expansão dos assentamentos. "As medidas tomadas com o objetivo de avançar o programa de assentamentos israelense são fundamentalmente incompatíveis com a solução de dois Estados e levantam questionamentos legítimos sobre as intenções a longo prazo de Israel", declarou a diplomata.

Israel aprovou na última semana a construção de 153 casas em assentamentos judaicos na Cisjordânia, quebrando um período de dois anos sem a aprovação de construções em território palestino ocupado.


Nas últimas semanas, Netanyahu e seu governo de direita têm sido criticados por várias organizações e diplomatas internacionais pela crescente opressão contra palestinos. A União Europeia, a ministra de Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallström, e o embaixador dos EUA — principal aliado de Israel — no país, Dan Shapiro, fizeram declarações recentemente condenando as políticas do primeiro-ministro israelense em relação a palestinos, como a lentidão da Justiça nos casos de agressão de israelenses contra palestinos e a expansão dos assentamentos judaicos em território palestino, ilegais perante a lei internacional.

Israelenses e palestinos vivem uma nova onda de violência desde outubro do ano passado, com ataques a faca de palestinos contra israelenses, que por sua vez reagem matando os suspeitos das agressões. Mais de 155 palestinos, 28 israelenses, um americano e um eritreio morreram desde então.

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A principal fonte de corrupção no Brasil

Pessoas ingênuas e de boa fé acreditam que o núcleo da corrupção no Brasil está na Esplanada dos Ministérios ou nas estatais. É um equívoco. A verdadeira máquina de assalto aos cofres públicos em favor de apaniguados privados, especialmente do setor financeiro, encontra-se no Setor Bancário Sul do Plano Piloto, ou mais especificamente no Banco Central do Brasil. Ali, sob a cobertura de operações monetárias especiais só dominadas por “especialistas”, rouba-se à vontade longe de qualquer tipo de fiscalização da cidadania.

Não se trata de abstrações ou acusações infundadas. Manobras financeiras com os chamados “derivativos” representaram, no ano passado, doações ao setor financeiro da ordem de R$ 89,6 bilhões, conforme dados oficiais, sendo que a perda correspondente foi transferida pelo Banco Central ao Tesouro. Isso significa mais de 40 vezes tudo que se tem dito sobre as fraudes na Petrobrás por parte da quadrilha de diretores que se apossou da estatal e a saqueou durante anos a fio!

Generoso com os bandidos do setor financeiro, o Banco Central é excessivamente parcimonioso com os agentes produtivos da economia. Sobre estes recaem as taxas extorsivas de juros que em outros partes do mundo, se efetivadas, resultariam em cadeia. Para ancorar essas taxas extorsivas numa política monetária restritiva — quando menos dinheiro houver no mercado mais “natural” é o aumento da taxa de juros —, o Banco enxuga continuamente as disponibilidades de moeda, fechando o cerco ao setor real da economia.

Que a sociedade não se mobiliza para reagir à quadrilha monetarista não deve surpreender: a política monetária é camuflada em tecnicalidades e sempre justificada com pretextos obscuros. O absurdo é não ter havido reação efetiva no Congresso, seja de partidos da oposição seja da situação. É a prova mais cabal da pusilanimidade da maioria dos nossos parlamentares. Tolerar uma taxa básica de juros de 14,25%, sabendo que a inflação brasileira não tem origem na demanda, é se acumpliciar com os quadrilheiros monetários.

Os ingênuos talvez pensem que não há interesse próprio em jogo na política monetária. É um engodo. Rastreiem as carreiras dos ex-diretores da instituição depois que largaram seus cargos. Em geral, viraram altos funcionários de bancos, ganhado milhões de reais por ano. Isso é pagamento por serviços prestados e, mais do que isso, acesso a informação privilegiada porque eles largam os cargos mas mantem as relações no banco. Duvidam? Esperem pela próxima leva de ex-diretores, quando se cansarem de defender o “interesse público” diretamente no BC.

Os R$ 89,6 bilhões a que me referi, literalmente doados a apaniguados do setor financeiro, se referem a um derivativo que leva o elegante nome de “swap cambial”, mas que no fundo não passa de uma operação de aposta de cartas marcadas entre taxas de juros e taxa de câmbio. Como tanto taxa de juros como câmbio estão sob controle indireto do Banco Central, ele dá o prêmio a quem quiser, de acordo com os olhos do freguês. Essa farra no mercado financeiro brasileiro vem desde os tempos de Armínio Fraga, que a inventou, passando por Henrique Meirelles. Tutti bona gente!

Alguém pode perguntar: Não tem como parar isso? Afinal, R$ 89, 6 bilhões é muito dinheiro em qualquer parte do mundo. Aqui seriam mais de 896 prêmios de loteria de R$ 100 milhões cada, dados de graça para o mercado financeiro. Se acham pouco, considerem que, desde meados de 2014, o volume acumulado de doações em “swap” atingiu cerca de R$ 130 bilhões. Façam as contas e confiram: isso é resultado exclusivo de um jogo de cartas marcadas operado pelo Banco Central sob a máscara de sua “independência” operacional.

Há uns seis anos, no tempo do inefável Meirelles, tentei, junto com dois especialistas, paralisar esse assalto às contas públicas. Denunciamos formalmente o esquema na Polícia Federal e na Procuradoria da República no Rio. Não soube de qualquer consequência. Aparentemente não entenderam a operação e nada fizeram. Infelizmente, não é simples. Apelei para o então vice-presidente José Alencar, meu querido amigo. Ele também não entendeu e, como já estava doente, não forcei a mão. O remédio definitivo será incluir o tema na pauta da Aliança pelo Brasil, junto com as propostas de regeneração da economia.

J. Carlos de Assis, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.
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Os mitos da culpa palestina pela ocupação israelense


No início do século XX, Lorde Balfour, chanceler do Reino Unido, proclamava: “As grandes potências estão comprometidas com o sionismo. E o sionismo, seja ele correto ou errado, bom ou ruim, tem raízes em tradições de eras, em necessidades atuais, em esperanças futuras, de importância muito mais profunda do que os desejos e preconceitos dos 700 mil árabes que agora habitam a antiga terra”.

Esta declaração é parte dos argumentos pela limpeza étnica da população árabe da Palestina. Esta é a condição para um Estado judeu idealizado pelo limitado e elitista círculo que se adjudicava — e se adjudica — a representação de todos os judeus do planeta. Hoje, é disseminada e irresponsável a acusação, contra os que criticam as práticas do governo de Israel, de “antissemitismo”. Já os judeus críticos do projeto são taxados de “judeus que se odeiam”, mas há agressões ainda mais virulentas.

É simbólico e rasteiro o uso de uma tragédia humana, o Holocausto, para manter Israel como vítima global, enquanto a sua política “securitária” é correlata da insegurança e do genocídio dos palestinos. Mas os promotores desta política já estão treinados a descreditar esta palavra politizada.

De acordo com o Direito Internacional Humanitário, genocídio é a perseguição a um grupo específico por motivos políticos, de etnia, religião ou cultura, o seu massacre, a sua expulsão e a destruição sistemática da sua propriedade. Exatamente o que acontece na Palestina ocupada; algumas vezes, de forma mais “eficiente”, com recorrentes “operações militares” cujos métodos e resultados são denunciados pelos próprios soldados. Muitos deles, jovens fadados a servir a máquina da guerra ou ir para a prisão, e é isso o que muitos têm escolhido.

Judeus de várias nacionalidades manifestam rechaço contundente à apropriação da sua história, religião e cultura pelo sionismo virulento e pela liderança israelense. Em 2014, por exemplo, 327 sobreviventes do Holocausto ou seus descendentes, na International Jewish Anti-Zionist Network (Rede Judaica Internacional Antissionista), manifestaram-se contra o “contínuo massacre do povo palestino”, estarrecidos diante da 12ª ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza desde a criação do Estado de Israel, de acordo com o historiador Jean Pierre Filiu, ou a terceira em cinco anos. 1

Israelenses também denunciam o embrutecimento de uma sociedade altamente militarizada e uma extrema-direita sedenta de sangue, que reprime, persegue e bane organizações de oposição. Recentemente, foi o caso da Breaking the Silence, associação de veteranos que denuncia as práticas do Exército israelense na Palestina ocupada. Os ministros da Educação e da Defesa proibiram sua presença em escolas, faculdades ou eventos oficiais, acusada de ter objetivos “maléficos”.

Uma das suas denúncias foi sobre o emprego da Doutrina Dahiya durante as ofensivas militares. Trata-se do uso deliberado de “força desproporcional” para “dissuadir” a resistência. O nome nasceu da tática aplicada em 2006 contra o Líbano, quando o bairro homônimo de Beirute, tido como reduto do Hezbollah, foi devastado. Foi também o caso do bairro Shujai’ya, em Gaza, tido como reduto do Hamas, onde em julho de 2014 cerca de 70 pessoas morreram num só dia durante os ataques do Exército de Israel, o “exército mais moral do mundo”.

Falei com o Dr. Belal Dabour, médico do maior hospital de Gaza, al-Shifa, durante as ofensivas, e o desespero era tremendo. Dos 2.200 palestinos mortos em 51 dias de bombardeios, a maior parte era civil e quase 600 eram crianças. A população de Gaza é de 1,8 milhão de pessoas confinadas em um dos territórios mais densamente habitados do planeta, sob bloqueio completo desde 2007. Cerca de 1,2 milhão buscou ali refúgio de outros massacres.

Desafiando o “consenso internacional” — o estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a junho de 1967 (quando Israel ocupou os territórios palestinos e de outros vizinhos árabes) — o aparato da ocupação israelense buscou criar “fatos” que enterrariam de vez a “solução de dois Estados”, construindo colônias ilegais e o muro de separação — denominado “barreira de segurança” pela direita israelense. É o que denuncia o israelense-estadunidense Jeff Halper, num livro de 2015 sobre a assombrosa “matriz de controle” de Israel.

É desfaçatez que o senhor Alon Feuerwerker, em seu recente artigo na Folha de S.Paulo (“Quatro Premissas Erradas sobre Israel”, 24/01/2016), indague “qual o problema de existir uma minoria judaico-israelense na Palestina”. Como analista político que é, duvido que a pergunta resulte da desinformação sobre as condições da instalação acelerada dos 560 mil colonos israelenses em território ocupado palestino. Não estará ele com a cabeça enterrada na areia quando a construção das casas em condomínios fechados e verdadeiras cidades acontece apesar do repúdio internacional, inclusive do aliado EUA — embora de forma tímida e hipócrita, dada a sua responsabilidade no caso. Faltou a Feuerwerker alguma honestidade para com o leitor, o que seria facilmente corrigido com a contextualização dos documentos citados por ele e dos posicionamentos dos palestinos.

Os crimes de guerra da ocupação

A condenação internacional, ao contrário do que alega a propaganda israelense, não nasce da perseguição ou do “antissemitismo”, mas do Direito Internacional Humanitário. O espólio das terras palestinas acontece, por exemplo, através da decisão arbitrária de Israel de não reconhecer registros de propriedade do período do Mandato Britânico e das atuais desapropriações. Se se desse ao trabalho de conversar com um palestino entre os milhares engajados em movimentos sociais que buscam justiça, ou com a liderança palestina, o senhor Feuerwerker ouviria que conviver com “uma minoria judaico-israelense na Palestina” nunca foi o problema. Sempre houve judeus entre os palestinos, que não invadiram residências e se instalaram, com a proteção dos soldados e a anuência do governo da Potência Ocupante, como recentemente aconteceu em Hebron, mais uma vez.

Mas esta fala dos palestinos não serve à sua representação como “terroristas” que precisam ser contidos através da ocupação e da “punição coletiva” (pelo delito de resistência): a demolição de casas, o anúncio das “zonas fechadas” de controle militar, batidas noturnas, uso de munições letais para reprimir protestos, detenções arbitrárias e o encarceramento massivo por motivos políticos, etc. Aliás, a palavra “ocupação” também é banida; juristas simpáticos ao sionismo virulento esforçam-se constantemente por desconstruir esta realidade manipulando o direito internacional contra a condição palestina, em resistência diante do espólio violento que ocupa o seu cotidiano.

A catástrofe — Nakba, em árabe, que culminou em 1948, com a expulsão de 750 a 800 mil palestinos e a destruição de mais de 500 vilas — é, na verdade, contínua. Os palestinos continuam sendo expulsos das suas terras ou tendo suas casas demolidas através de diversas regulamentações do regime militar imposto por Israel — enquanto mais de 560 mil colonos israelenses são assentados em verdadeiros condomínios fechados ou cidades com a infraestrutura de que os palestinos não dispõem, estradas particulares, água abundante, serviços e movimentação privilegiada.

Em linguajar jurídico, isso traduz-se como “crime de guerra”. A transferência de população da Potência Ocupante para o território ocupado, concomitante à expulsão da população residente, é assim classificada pela Quarta Convenção de Genebra, que foi ratificada por Israel em 1952. Àquela altura, processar criminosos de guerra era do “interesse nacional”.

Algumas das regulamentações usadas para “controlar” os palestinos e “aplastar seu desejo de resistir” são heranças do Mandato Britânico, parte da mesma regulamentação que sionistas acusam de ter servido aos colonizadores britânicos para os reprimir. Afinal, o acordo era o de que a colonização seria conduzida pelos britânicos — daí a “dosagem” da migração mesmo assim massiva — mas milícias sionistas como a Irgun ou aHaganah, que se opunham ao controle, foram responsáveis por atos que, se perpetrados por árabes, seriam taxados de “terroristas”. Foram mais de 60 ataques ou explosões, como aquela contra o Hotel King David, onde estava sediada a administração britânica, em Jerusalém, em 1946. Mais de 90 pessoas morreram.

Massacres como o de Deir Yassin, perpetrado pela Irgun em 1948, e tantos outros, são fatos que a liderança israelense e seus simpatizantes buscam esconder embaixo do tapete. Mas historiadores como Shlomo Sand, Ilan Pappé e outros menos críticos, como Benny Morris, denunciam em diversas obras, aulas, entrevistas, artigos e outras manifestações o rastro de sangue palestino. Também o fazem jornalistas como Amira Hass e Gideon Levy, do diário Haaretz, que durante a ofensiva de 2014 teve de contratar guarda-costas, pois recebia ameaças dos seus leitores.

Na narrativa israelense oficial, entretanto, apenas a sua própria versão de outras — as suas — tragédias é permitida, para construir a impressão, como fez Feuerwerker, de que se trata de um conflito simétrico, com dois lados de igual responsabilidade pela continuidade da violência que vitima também israelenses. Se comprometidos com a paz, os sucessivos líderes sionistas teriam desocupado a Palestina e se engajado no infinito “processo de paz” que, monopolizado por seu maior aliado, os Estados Unidos, só fez enraizar a ocupação israelense, para o desespero ou a exasperação dos palestinos.

“Preocupações securitárias” — claro, com a “segurança” dos israelenses — dominaram as sucessivas negociações para ditar aos palestinos mais condições inaceitáveis como, por exemplo, a permanência de tropas israelenses no Vale do Jordão. Outro “impasse” foi apresentado como a recusa dos palestinos em reconhecer Israel como “Estado judeu” — enquanto Israel sequer pretende reconhecer o Estado da Palestina, uma promessa eleitoral de Netanyahu. Quase 20% da população de Israel é palestina, mas sua cidadania inferior é garantida por cerca de 50 leis racistas (a informação é da organização israelense de defesa dos direitos humanos B’Tselem).

Transferir a responsabilidade pela falta de avanço diplomático aos palestinos também é uma estratégia patente. Imagine alguém há décadas obrigado a dar um pedaço do seu corpo, na esperança de manter a alma. Ao negar-se a entregar também a alma, o inferno é o destino. E é isso o que a ocupação israelense oferece. Muitos israelenses já entenderam que a paz, assim como a justiça, não têm lugar no inferno. Mas enquanto a liderança for agraciada pela impunidade — e daí a importância do boicote que tem sim afetado o brio da elite política e os bolsos da elite econômica de Israel, já que a justiça tarda — a violência mantém-se.

1 Haaretz (23 de agosto de 2014) ‘Holocaust survivors condemn Israel for “Gaza Massacre”; call for boycott’ Haaretz, <http://www.haaretz.com/israel-news/1.612072> [20 de dezembro de 2015]

Moara Crivelente, Doutoranda em Política Internacional e Resolução dos Conflitos, cientista política, jornalista e membro do Cebrapaz, assessorando a presidência do Conselho Mundial da Paz

No O Mundo & a Resistência
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Holocausto progresivo de Israel a Palestina

Así quedaron las estructuras en la Franja de Gaza tras la operación Margen Protector que dejó miles de muertos por la arremetida de Israel en 2014 contra el pueblo palestino.
Foto: EFE
Desde que Israel se fundó como "Estado" el 14 de mayo de 1948, ganando más terreno con decenas de asentamientos, derivó una guerra sin cuartel, que ha dejado al menos 52 mil 320 muertos y miles de heridos, siendo Palestina la más perjudicada.

Cada 27 de enero desde 2006, es el Día Internacional de Conmemoración de las Víctimas del Holocausto que padecieron al menos seis millones de judíos, sin embargo, hay otros genocidios que no se recuerdan, como los casos del pueblo palestino, indígenas, afrodescendientes y sirios, que han sido asesinados en los siglos pasados y en la historia presente.

Israel, por ejemplo, que pasó de ser víctima a victimario; ha causado la muerte de miles de palestinos, producto de sus brutales ataques desde que fue constituido Estado en 1948.

Holocauto palestino

Cronología

Crisis

A más de seis décadas desde que inició esta guerra, la disputa por el control territorial no dista mucho de la chispa que encendió el primer cartucho de dinamita de los primeros combates a finales de 1947.

Fue el 1 de diciembre de aquel año, cuando el Alto Comité Árabe en Palestina decretó una huelga general, los árabes reclamaban por su territorio en un centro comercial judío de Jerusalén, donde realizaron quemas y saqueos en presencia de tropas inglesas que tenían bajo custodia el territorio, pero que no hicieron nada para evitarlo; disturbios similares se registraron en barrios judíos.

Esta acciones encendieron la mecha para la primera guerra entre israelíes y palestinos, en la que posteriormente también intervinieron otras naciones árabes de la región.

Entre abril y mayo de 1948

Los israelíes tomaron varias ciudades árabes, según el plan de partición de la ONU, pero el 10 de abril, se registró la primera matanza perpetrada por milicianos judíos contra 100 campesinos palestinos del pueblo de Deir Yasín, lo que obliga a que miles de civiles árabes huyeran de la región. Esta acción, que obligó a la respuesta de grupos palestinos, dejó al menos 385 muertos en aquel primer año de “convivencia territorial”.

1948-1967 → Pasaron los primeros años de vecindad y discordia dentro de un mismo territorio entre israelíes y palestinos, pero los episodios de violencia no fueron ajenos a ninguno de los dos bandos. De acuerdo con cifras de la ONU, entre 1948 y 1967, se registraron 25 mil 306 muertos en la región.

Caos (1967) → Con la Guerra de los Seis Días, que inició el 5 de junio, Israel ocupó militarmente Cisjordania y la franja de Gaza, los Altos del Golán de Siria y la península del Sinaí. Durante la ofensiva militar, aviones Mirage 3 del ejército israelí destruyeron más de 400 aviones árabes. En esos combates se reportan 776 israelíes muertos, 2 mil 563 heridos y 15 prisioneros. Por el lado árabe son al menos 24 mil muertos, 45 mil heridos y 6 mil prisioneros.

BBC
Lejos de resolver el problema árabe-israelí, la guerra de 1967 aumentó la tensión entre los países árabes y Occidente y según algunos analistas, sus efectos aún pueden sentirse en Israel, en los territorios ocupados palestinos, en el Medio Oriente y en Occidente en general.
1968 -1974 → En el terreno compartido entre ambas naciones se registran 540 decesos, muchos de ellos involucraron a civiles, la mayoría mujeres y niños palestinos.

1975 -1981 → El número de muertes registrados de manera oficial por organizaciones palestina y de la ONU fue de 170, aunque reportes de organizaciones defensoras de los derechos humanos hablan de más de 3 mil, no registradas oficialmente.

1982 → La cifra de muertos se disparó al registrarse 11 mil 275 fallecidos en la Guerra de Líbano, donde el ejército sionista al mando del entonces Ministro de Defensa, Ariel Sharon, lanzó la “Operación Paz para Galilea” el 6 de junio, donde el objetivo era acabar con la Organización para la Liberación de Palestina (OLP), concentrados en Beirut luego de ser expulsados de Jordania en 1970.

La Masacre de Sabra y Shatila

Miembros de milicias falangistas libanesas, aliadas de los israelíes, entraron en los campamentos de refugiados palestinos en las afueras de Beirut entre el 16 y 18 de septiembre de ese año y mataron a unas 800 personas y dejaron heridas a otras 3 mil, todos civiles palestinos y libaneses.

Durante este conflicto murieron 675 soldados israelíes, unos 9 mil 800 soldados sirios y milicianos palestinos.

Palestina Libre
Una mujer llora, arrodillada frente a los cuerpos de los asesinados, en la masacre de Sabra y Shatila
1983-1999 → La cifra de muertos palestinos e israelíes por ataques extremistas y bombardeos fue de 487.

2000-2010 → De acuerdo con fuentes palestinas el número de muertos, en su mayoría civiles, resultado de bombardeos y ataques terrestres y marítimos del ejército hebreo fue de 7 mil 342.

2014 → Durante la prolongada ocupación de Israel en Palestina más de mil 500 civiles murieron y mil 215 palestinos que quedaron desplazados debido a la demolición de viviendas por las autoridades israelíes.

En 2014 86% de los muertos en Gaza fueron civiles.
El dato → En 2014, más de 300 judíos sobrevivientes del Holocausto y algunos de sus descendientes condenaron el "genocidio" de Israel al pueblo palestino en Gaza.

Los israelíes se mostraron alarmados en su momento "por la colonización histórica de Palestina" y condenaron la "deshumanización racista de los palestinos en la sociedad israelí, que ha alcanzado su punto máximo".

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Autópsia da obra de Chatô


Quem sai do elevador no segundo andar do prédio da Avenida Getúlio Vargas, 291, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte, e vira à direita, a caminho da catraca que separa a redação do jornal Estado de Minas do resto do mundo, dá com um retrato, esgarçado pela passagem do tempo e pelo desmazelo, de Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o personagem a quem chamei de o Rei do Brasil na biografia que escrevi e foi transformada em filme com a direção de Guilherme Fontes.

Antes de morrer, Chatô fez o possível para evitar que seu império de comunicação ficasse nas mãos de sua família e fosse dilapidado pela falta de profissionalismo. Criou um condomínio e deu o poder aos funcionários de confiança. Porém, os anos passaram e hoje quem comada os Diários Associados é a família Teixeira da Costa.

O quinhão da família da histórica cidade de Santa Luzia veio de Geraldo Teixeira da Costa, o Gegê, que comandava o Estado de Minas à época de Chatô. Gegê morreu jovem ao ser baleado por seis tiros de cartucheira na porta de sua mansão. As balas foram disparadas pelo pai de uma adolescente de 15 anos que o comandante dos Associados em Minas havia seduzido. A adolescente trabalhava na casa dele como doméstica.

Álvaro Teixeira da Costa, o filho de Gegê, é o diretor-presidente dos Diários Associados. Dr. Álvaro, como gosta de ser chamado, é engenheiro de formação e foi durante muitos anos diretor industrial dos Associados. Com habilidade política conseguiu costurar com os outros condôminos e assumir o grupo em todo o país.

Quem manda de fato no grupo, porém, é o filho de Álvaro; Geraldo Teixeira da Costa Neto, o Zeca, como gosta de ser chamado. Zeca é um jornalista que nada fez de grandioso na profissão. Na alta sociedade de Belo Horizonte é conhecido por duas paixões que beiram o fanatismo: Aécio Neves e o Clube Atlético Mineiro.

Pai e filho ditam as regras de um grupo que flerta com a bancarrota e representam tudo que Chatô não queria. Os Associados se tornaram uma empresa familiar. A ruína acontece por vários motivos, que vão da crise mundial ao modelo de negócio. Mas é inegável que a gestão errônea contribui para a derrocada do grupo.

A disputa entre funcionários e patrões deu visibilidade às cicatrizes expostas dos Diários Associados. Aquele que um dia foi o maior império de comunicação do país enfrenta uma profunda crise econômica. O mês de janeiro está no fim e os trabalhadores da TV Alterosa (afiliada do SBT em Minas Gerais) e do jornal Estado de Minas ainda não receberam o décimo terceiro salário.

Fosse apenas o atraso do salário, talvez os funcionários tivessem suportado, fortes que são e habituados a levar pancadas. Mas somam-se ao débito vários atrasos nos repasses de FGTS, INSS, horas extras não pagas e um rosário de acintes à legislação trabalhista. O descaso foi tanto que os funcionários da Alterosa e Estado de Minas fizeram uma paralisação geral no dia 28 de dezembro do ano passado.

Diante da falta de proposta para o pagamento os jornalistas do Estado de Minas (principalmente os repórteres) cruzaram os braços no dias 14 e 15 de janeiro. Se não foi algo inédito é surpreendente.

Quem vê de fora talvez não compreenda o que representa jornalistas fazerem greve. Não é comum. As opções de trabalho são poucas, muitos não se veem como trabalhadores e se julgam parte de uma elite, apesar de seus contracheques mostrarem que estão longe disso. O que os jornalistas dos Associados fizeram é algo histórico para a atual geração. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, sabe-se de duas greves. Uma no início da década de 1990, dos trabalhadores da Rede Globo, e outra, em 1963, dos funcionários dos Diários Associados.

Os funcionários, aliás, não podem ser acusados de radicais. Seus representantes sindicais participaram de mais 40 audiências de mediação. A intransigência dos condôminos dos Associados se escora em uma ameaça de redução de 30% da folha pagamento do grupo, o que representará um imenso corte no número de funcionários e, é claro, serve como ameaça para intimidar os jornalistas a não seguirem com as paralisações.

Acompanho de perto os movimentos em Minas Gerais e, se escrevesse uma edição atualizada de “Chatô”, uma das cenas que poderia ilustrar bem a atual conjuntura teve como cenário a Avenida Assis Chateaubriand, uma das principais de Belo Horizonte, onde está a sede da TV Alterosa.

No dia 29 de dezembro, uma manifestação dos funcionários na porta da TV Alterosa, inteiramente pacífica, foi surpreendida pela chegada de mais de cem policiais militares do Batalhão de Choque. Segundo informação dos próprios militares, eles foram chamados por um funcionário da empresa, que ainda não foi identificado pelo comando dos Diários Associados.

Se chamar a polícia para bater em jornalistas ainda não é o fim, é algo muito próximo disso. Aos meus colegas de profissão desejo apenas que não esmoreçam.

Fernando Morais
No SJPMG


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O mundo irreal criado pelas manchetes


Há duas tendências se firmando na economia.

A primeira, a constatação do refluxo das tentativas de impeachment.

O grande trunfo de Dilma Rousseff é uma oposição extraordinariamente medíocre, que se move disputando espaço nas manchetes da mídia.

* * *

De repente, há espaço para a radicalização, e lá se vão os Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra, Carlos Sampaio, Mendonça Filho com a disposição dos jovens carbonários, disputando quem range mais os dentes. Aí Marina Silva percebe que o contraponto é acenar com o bom senso. E acena.

De repente, o impeachment reflui. Toca então esse brilho fugaz de nome Carlos Sampaio a entrar com o pedido de extinção do PT. Só isso! E FHC é ouvido para contrapor que a vitória deve ser nas urnas, não no tapetão. E a multidão de áulicos olha reverencialmente para esse conselheiro Acácio dos tempos modernos.

Aí Marina se dá conta de que poucos continuam falando do impeachment. Então o contraponto para ganhar manchetes é radicalizar novamente. E tome Marina, Cristóvão, Marta.

* * *

É inacreditável como o mundo politico e jornalístico despregou-se totalmente do mundo real. Parecem vaqueiros bêbados e armados em saloons do Velho Oeste, atirando em qualquer sombra que passe pela porta. É tão grande o vácuo de ideias, que a institucionalidade se rege, agora, pelas manchetes de jornais. E as alianças se consolidam pelo recurso à lisonja.

É o caso do prêmio de O Globo para as pessoas que fazem a diferença... para as Organizações Globo. A contemplada foi a futura presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia, cuja obra de maior repercussão em 2015 foi uma frase tão grandiloquente quanto inútil:  “O crime não vencerá a Justiça”, no voto que confirmou a decisão de Teori Zavaski, de manter presos o senador Delcídio do Amaral e o banqueiro André Esteves. Quando Teori concedeu o habeas corpus a Esteves, significa então que o crime venceu?

* * *

Esse jogo demagógico, a busca do aplauso fácil, da consagração em torno de frases fáceis, tornou-se uma constante que não perdoa sequer Ministros do Supremo. E o oportunismo dos jornais, de abrir espaço para qualquer asneira, praticamente matou os filtros que poderiam permitir um mínimo de racionalidade nas discussões políticas e econômicas.

O que tem de procuradores, delegados, dizendo o que os jornais querem, para fazer jus a uma manchete ou a uma premiação futura, e posar para a foto com os prêmios, que colocarão em suas salas de visitas, tornou a discussão institucional brasileira um pregão de feira livre, com donas de casa alvoroçadas disputando a xepa.

* * *

Do seu lado, a presidente só se pronuncia quando julga que alguma crítica ou decisão atinge sua augusta autoridade pessoal. Não se vê como poder institucional, como responsável pela condução do país.

País de provincianos, sem um mínimo de noção de bem público. Quando se compara com a qualidade dos homens públicos dos anos 50, dá um desânimo enorme.

* * *

A segunda tendência se firmando é que há espaço para que o governo Dilma apresente uma proposta minimamente viável de condução do país.

Nas próximas semanas se saberá se esse vácuo aberto pela oposição será preenchido com um mínimo de protagonismo do governo.

Luís Nassif
No GGN
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Venezuela – Alcides Castillo: “Lutaremos até vencer.”

Entrevista com o Jornalista Venezuela Alcides Castillo, coordenador general da Plataforma de Jornalistas e Comunicadores da Venezuela

Desacato – Que simboliza para o jornalismo libertário o assassinato do colega Ricardo Durán?

Alcides Castillo – Sem dúvida que é uma perda importante, mas, na Venezuela depois do triunfo do Comandante Hugo Chávez não se produziu agressão nem assassinato contra jornalista algum, independentemente de sua posição político-ideológica. Durante a chamada Quarta República houve agressões físicas contra jornalistas, demissões e julgamentos militares contra colegas. O que aconteceu com Ricardo Durán é um assassinato a mando de alguém, uma ação de sicários. Por isso nós solicitamos das autoridades esclarecer este caso, pois não se trata de um roubo ou assalto.

Em que situação se encontra o jornalismo bolivariano para dar resposta à nova onda de direita que atinge à Venezuela através do Parlamento Nacional e na Argentina a partir do Executivo presidido por Mauricio Macri?

Nossos meios atuam cada um de forma independente. Não tem articulação entre eles. Cada diretor ou chefe de meios é autônomo e o Ministério de Comunicação e Informação até hoje nada tem feito para solucionar a situação. Como Plataforma de Jornalistas elaboramos uma Política Comunicacional que levanta todas as falhas e problemas que tem nosso sistema de meios públicos.

Trata-se de comunicar a política do nosso Governo e deixar aquela prática burguesa de que o “tempo em televisão e rádio é ouro”, com o qual não deixam que um entrevistado explique a fundo os problemas que vive o país e suas soluções. Somos autocríticos e críticos, as máximas revolucionárias para poder avançar, do contrário, ficaremos estagnados. Depois da derrota eleitoral de 6 de dezembro passado se realizaram várias assembleias de jornalistas e comunicadores para fazer propostas sobre a Política Comunicacional, mas hoje o Ministro Luis José Marcano (Ministério de Comunicação e Informação) fala de novos encontros. É um caso de nunca acabar.

Você diria que a mão da SIP – Sociedade Interamericana de Imprensa – é aríete deste crescimento da direita neoconservadora e pró norte-americana?

A SIP é parte do problema, não todo o problema. Além deste organismo empresarial retrógrado e reacionário, está a mão do imperialismo ianque através da chamada “guerra psicológica” que utiliza seus meios como “Exército de Conquista” para alienar a sociedade, para manipular e esconder a verdade. Macri e o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Henry Ramos Allup, ou a chamada MUD, Mesa de Unidade Democrática na Venezuela, não são mais do que seus peões para derrocar governos progressistas.

São suficientes TeleSUR, Venezuelana de Televisão, YVKE Mundial e a Rede de Rádios, Canais e Imprensa Gráfica Comunitária para enfrentar os monopólios de Cisneros e seus associados repetidores?

Acredito que sim são necessários. O que falta é conteúdo revolucionário e sua articulação para que o povo tome consciência do seu papel histórico. Faz falta conteúdo, jornalismo de investigação e sua divulgação não só para o nosso país, senão para todo o mundo através das nossas embaixadas.

Quais são os pontos estratégicos mais importantes que traça a Plataforma de Jornalistas Independentes da Venezuela na atual conjuntura?

A educação e organização dos jornalistas, tanto profissionais como comunitários e populares, para avançar na organização do nosso povo. Na Venezuela tanto os jornalistas como suas organizações são respeitadas pela maioria. Por isso nosso empenho em resgatar as organizações gremiais e sindicais das mãos da direita. O Colégio Nacional de Jornalistas e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa são organizações chaves para a organização dos jornalistas e demais trabalhadores. Temos avançado bastante neste caminho do resgate de ambos os grêmios.

Qual é a possibilidade real de que a direita opositora e amplamente majoritária no Parlamento Nacional derrube com instrumentos constitucionais o governo do Presidente Nicolás Maduro?

As possibilidades são certas, pois o referendum é constitucional e legal, só que a direita não tem o povo, nem exército nem a polícia, mas, sim o apoio do imperialismo e a direita internacional. As manifestações de repúdio ao presidente fascista da Assembleia Nacional (Congresso) são uma demonstração de força do povo revolucionário organizado. Cada vez que tem sessão no parlamento os protestos crescem fora do recinto dos deputados. O roteiro da direita segue o seu curso, mas enfrentarão um povo que não quer marcha atrás.

As medidas econômicas tomadas dias atrás pelo Presidente terão eco positivo na sociedade venezuelana mais empobrecida?

Enquanto os anúncios não se concretizam nada será positivo. Com anúncios você não vai ao mercado, diz nosso povo. Sabemos que a “guerra econômica” tem feito um dano enorme ao processo, mas é preciso deixar os anúncios e passar à ação.

Sente você como jornalista comprometido a ausência física do Comandante Hugo Chávez Frías?

Com certeza, Chávez era um político e comunicador nato, mas, mais do que a constatação da sua ausência física, trata-se de continuar a luta por seu legado, seus ideais. Lênin faleceu 7 anos depois de dirigir e assumir através dos “sovietes”, e a revolução continuou até que chegou uma direção reformista ou, como se dizia na época, “revisionista”.

Colega Alcides Castillo, deixe-nos suas considerações finais, por favor.

O importante é desmontar a agressão do imperialismo ianque e a direita internacional, ou seja, o fascismo contra os povos do mundo que lutam pela sua liberdade. A Venezuela é uma nação que ama a liberdade, a independência e a soberania, e assim lutaremos até vencer. Somos herdeiros da resistência indígena, de homens como Simón Bolívar, Antonio José de Sucre, do Che e de nossos e nossas guerrilheiras que nos anos 60 pegaram o fuzil para libertar nossa pátria. Assim seguimos uma grande porção de venezuelanas e venezuelanos, prontos para seguir o caminho que traçaram nossos antepassados.

Raul Fitipaldi, de Florianópolis, e a colaboração de Tali Feld Gleiser, de Santo Domingo
No Desacato
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João Dória obteve R$ 950 mil da Apex, para exaltar FHC


Sob o comando de David Barioni, a Apex Brasil, agência do governo federal responsável pelo fomento à exportação, passou a dedicar mais recursos e atenção aos eventos promovidos pelo Grupo Dória, do empresário e pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Dória Júnior.

Ao longo de dez anos, entre 2005 e 2014, a Apex patrocinou seis eventos do Grupo Dória. Só no ano passado, quando Barioni assumiu a chefia do órgão, cinco iniciativas do empresário receberam apoio financeiro da agência. O suporte da Apex rendeu, em 2015, R$ 950,5 mil ao Grupo Dória.

Não houve investimento semelhante da agência nos anos anteriores. Em 2005, por exemplo, a Apex patrocinou um evento de Dória, ao custo de R$ 90 mil. Em 2006, a agência ajudou um outro ato, com R$ 100 mil. Depois, o Grupo Dória só voltou a receber recursos da Apex em 2013: R$ 628 mil. Em 2014, a Apex pagou R$ 338 mil ao grupo.

Mesmo em valores corrigidos o volume de recursos empregados em 2015 é substancialmente maior do que o gasto nos anos anteriores.

Em comparação com 2013, por exemplo, quando houve o maior investimento da agência em eventos do Grupo Dória antes da chegada de Barioni, os R$ 950,5 mil pagos no ano passado representam um crescimento de 25%, descontada a inflação.

O Grupo Dória promove encontros entre empresários no Brasil e no exterior. Sob Barioni, a Apex patrocinou um desses eventos, em Nova York, do qual participaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

A agência também aparece como apoiadora de fóruns, como o de Agronegócio, em setembro do ano passado. Alckmin também marcou presença e discursou contra a recriação da CPMF.

A Apex é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Dória, por sua vez, é um crítico do governo Dilma Rousseff.

Em entrevistas recentes, disse que a petista não tinha condições de recompor o país, que a corrupção se propaga como "uma metástase" e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um "sem vergonha, cara de pau".

O tucano diz ser amigo do atual presidente da Apex há mais de 20 anos. Como mostrou reportagem da Folha publicada no último domingo (24), ao longo do ano passado Dória fez pedidos de favores pessoais e ofereceu recepção luxuosa ao chefe da Apex em sua casa de veraneio em Campos do Jordão.

O evento ocorreu em julho. Além de Barioni, Dória ofereceu estadia em sua casa de veraneio para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, chefe do órgão ao qual a Apex é vinculada.
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Por que a desigualdade é muito pior que a corrupção

Isso tem que acabar: desigualdade social
É desanimador ver que, numa pesquisa, os brasileiros disseram que o maior problema nacional é a corrupção.

Só pode ser o resultado da intoxicação mental provocada pela mídia.

No mundo, a maior tragédia é a desigualdade. Isto já se tornou um consenso. Do Papa a líderes políticos que se reúnem em lugares como Davos, é unânime a opinião de que não existe nada mais premente para o futuro da humanidade do que reduzir a iniquidade.

E no Brasil, um país assolado por uma desigualdade abjeta há séculos, este não parece ser um problema grave.

Ora, ora, ora.

Quantas vezes você viu jornais e revistas fazerem uma campanha por uma sociedade mais igualitária?

Nunca.

Quantas vezes você vê denúncias de corrupção, todas, aliás, voltadas contra um lado só, e muitas delas sem nenhuma consistência?

Inúmeras.

Isso ocorre por uma conveniência mesquinha das famílias que controlam a imprensa. Elas são beneficiárias da desigualdade. Lucram com ela, e copiosamente. A família mais rica do Brasil é a Marinho.

Atacar a desigualdade significa extirpar privilégios dos barões da mídia e da classe que representam e defendem.

Portanto, nem uma palavra.

Focar na corrupção é desviar o foco da real tragédia brasileira.

Não que a corrupção seja desimportante. Mas é cínico não dizer que a corrupção, numa sociedade, é tanto maior quanto mais iníqua ela é.

Não à toa, os países menos corruptos do mundo, os escandinavos, são também os mais igualitários.

Não se tolera, ali, roubalheira. Apanhado, você vira um pária. Um sistema igualitário simplesmente não pode ser erguido com corrupção. O fundamento dele é a transparência, a integridade, a frugalidade — tudo, enfim, que se opõe à corrupção.

Quantos dias duraria no cargo, na Escandinávia, um político do naipe de Eduardo Cunha depois de pilhado em flagrante? Não dá para falar em dias, e sim em horas.

Que a mídia jamais tivesse combatido a desigualdade é compreensível.

O que realmente não dá para entender é que o PT tenha sido tão tíbio, em seus anos de poder, em catequizar os brasileiros sobre os horrores de uma sociedade injusta.

Compare com a pregação contínua do Papa Francisco. Já na escolha do nome Francisco o papa promoveu a ideia da igualdade. Francisco não perde uma chance de denunciar a desigualdade.

Tivesse o PT feito o mesmo, não teríamos hoje uma nação tão entorpecida em relação ao que Rousseau chamou de “extremos de opulência e miséria”.

Tantos bilhões investidos em publicidade em jornais e revistas, e nunca o governo fez uma campanha vigorosa contra a desigualdade.

Perdemos todos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Procurador admite: está atrás do Lula no Guarujá! — assista

"Operação Triplo X" — a PF escarnece do Lula!

Santos Lima diz o que o Moro ainda não disse!
Na GloboNews, o Procurador que fez o Janot de bobo disse com todas as letras que está atrás de TODOS os proprietários de apartamentos no prédio do Guarujá.



Por ocultação de patrimônio e lavagem deslavada de dinheiro.

A repórter do Globo pergunta: e o Lula?

— Todo mundo!, minha filha!

Todo mundo significa Lula!

Logo, o Ministério Público Federal se associa ao tucano Ministério Público de São Paulo na excelsa tarefa de prender o Lula antes da Santíssima Semana!

Ficou claro no depoimento da GloboNews que a investigação sobre o edifício Solaris — ou seja, sobre o Lula — é "muito mais ampla" que a Lava Jato.

Ou seja, a Lava Jato foi um aperitivo...

A Operação "Triplo X" se chama assim como uma forma despudorada de se referir ao triplex que não é do Lula!

Paulo Henrique Amorim
No CAf
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Tucanos são famintos por merenda escolar - parte 3

Braço direito de Alckmin e Capez acusados de propina


Cássio Chebabi, presidente da Coaf, cooperativa investigada na Operação Alba Branca, relatou que valor sobre contrato de R$ 13 milhões teria sido repassado para o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e para secretário de Logística e Transportes do governo Alckmin

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB) / Foto: Divulgação/Alesp
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB)
O executivo Cássio Chebabi, presidente da Coaf — cooperativa sob investigação por supostas fraudes na venda de produtos para merenda escolar — apontou aos investigadores da Operação Alba Branca os nomes do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e do secretário estadual de Logística e de Transportes Duarte Nogueira, como supostos beneficiários de uma propina de 10% sobre contratos da Secretaria de Estado da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Um contrato, disse Chebabi, no valor de R$ 13 milhões, teria sido assinado em 2015 para fornecimento de suco de laranja.

Ele cita em seu relato dois protagonistas da Alba Branca, missão conjunta do Ministério Público do Estado e da Polícia Civil deflagrada na terça-feira, 19, em Bebedouro, interior do Estado: o lobista Marcel Ferreira Júlio, filho do ex-deputado Leonel Júnior — cassado em 1976 pelo regime militar no ‘escândalo das calcinhas’ —, e o vendedor da Coaf César Augusto Lopes Bertholino.

“No final de 2014, Marcel, vendedor, intermediário ou lobista, ligado ao vendedor César informou que teriam como celebrar contrato com Governo do Estado de São Paulo para o que teria que ser paga comissão de 10% para certas autoridades, sendo elas: deputado estadual Fernando Capez e o deputado federal Duarte Nogueira Junior”, afirmou o presidente da Coaf, em depoimento na quinta-feira, 21.

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Chebabi teve prisão cautelar decretada pela Justiça de São Paulo, a pedido da Promotoria. Ao se apresentar para depor, acompanhado de dois advogados — Ralph Tortima Stettinger Filho e Fábio Izique Chebabi —, ele abriu mão de seu direito ao silencio, ‘obrigando-se a esclarecer toda a verdade dos fatos com o objetivo de celebração de acordo de colaboração premiada’.

Ele foi advertido que eventual pacto com a Promotoria ‘depende diretamente da confirmação de seu depoimento ‘por outros elementos de prova e da ratificação do mesmo em Juízo’.

Chebabi foi liberado logo após prestar o primeiro depoimento, no qual se apresentou como ‘agricultor’.

Ele apontou também dois nomes muito próximos a Capez, Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, e Jeter Rodrigues.

alba branca 13 mi

Cássio Chebabi relatou à Operação Alba Branca. “Receberam (Coaf) por tal contrato o valor aproximado de R$ 13 milhões do qual pagaram corretamente as ‘comissões’ de propina de 10%”, afirmou. “Quando a Coaf atrasava, devido a dificuldades financeiras, o pagamento da ‘comissão’ ao Governo do Estado, eram feitas retaliações e ameaças, desde barrar a entrega dos produtos no Centro de Distribuição da Pasta Estadual da Educação na cidade de Cajamar até a transmissão de mensagens por ‘wat’szap’ de um assessor do deputado Fernando Capez, identificado por César como Licá, o qual também seria cunhado daquele deputado.”

Chebabi disse que Duarte Nogueira tinha uma cota da propina “porque havia sido secretário da Agricultura do Governo de São Paulo”. “E cuja Pasta ainda permanece sob sua influência”. Capez, segundo o presidente da Coaf, recebia ‘porque mantinha relação de proximidade com Marcel’.

O secretário estadual dos Transportes, Duarte Nogueira
O secretário estadual dos Transportes, Duarte Nogueira
Chebabi contou como foi acertada a propina e eram feitos os repasses. Ele disse que Marcel e César explicaram que ele ‘deveria assinar pessoalmente 3 contratos de gaveta, ou particulares prevendo pagamento de comissão’. “Um no valor de 6% para os deputados e Secretaria de Educação, outro no valor de 1% para Jeter, este assessor parlamentar do deputado Fernando Capez, e o terceiro no valor de 3% para o lobista Marcel”, contou Chebabi.

O presidente da cooperativa disse que ’em troca do pagamento daquelas ‘comissões’ a Coaf assinaria 2 contratos com o Estado de São Paulo para o fornecimento de suco de laranja para a merenda escolar junto a Secretaria de Educação’.

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O executivo conta que esses contratos de “gaveta” foram assinados antes da contratação pelo governo do Estado, como condicionante para efetivação da venda. “Os contratos particulares foram assinados entre janeiro e fevereiro de 2015”, disse Chebabi, que declarou ter ficado com uma via do termo na sede da cooperativa, alvo de buscas no dia 19.

Esses contratos particulares, considerados provas do acerto, circularam ainda pelas contas de e-mail dos investigados da Alba Branca Marcel Ferreira Júlio e Cesar Bertholino.

O primeiro contrato da Coaf foi efetivado em “março ou abril”, para fornecimento de garrafas de 200 mililitros de suco de laranja, e o segundo em maio, para vasilhames de 1 litro do produto, relata o presidente da cooperativa.

“O contrato da ‘comissão’ de 6% César explicou que seria referente a contratação do escritório de advocacia ligado ao deputado Capez, ou seja, a justificativa do pagamento da ‘comissão’ seria a contratação daquele escritório de advocacia, camuflando pagamento de propina.”

O presidente revelou que o primeiro pagamento de “comissão”, da cota de 10% do contrato, alcançou pouco mais de R$ 100 mil. “O que se deu em meados de 2015, quando o Governo do Estado pagou a Cooperativa, quase ou um pouco mais de R$ 1 milhão, depositados na conta da Coaf junto ao Banco do Brasil.

Chebabi deu o caminho percorrido pelo dinheiro. Segundo ele, da conta da Coaf a propina seguiu para o Banco Bradesco e, desta conta, realizaram saque no valor de R$ 100 mil. O responsável era o vendedor Cesar e outro outro funcionário. “Marcel veio pessoalmente receber aquela parcela.”

Chebabi revelou também que emprestou um veículo Gol para um assessor de Capez, para uso da campanha de 2014 do tucano. Essa informação já havia sido dada à força-tarefa da Operação Alba Branca por outro investigado, Carlos Luciano Lopes.

“Para que a assessoria do deputado Fernando Capez, especificamente Jeter pudesse ajudar a COAF, “abrindo” outras prefeituras a Coaf emprestou um carro VW/GOL, cor branca, ano 2012 cujas placas não se recorda, para ser utilizado durante a campanha eleitoral de 2014.

alba capez carro

O presidente da Coaf afirmou que seu vendedor lhe contou que a cessão do veículo ocorreu “por pedido direto do deputado”. O carro ficou “durante 2 ou 3 meses” com a equipe de Capez e foi devolvido “em mal estado de conservação, ‘cheio de multas’, ao final do período eleitoral”. “Ou seja, se tratava uma ‘troca de favores’, previamente e para que pudesse então vir a ser assinado o contrato em 2015.”

Outro investigado, Carlos Luciano Lopes, também contou em seu depoimento na Alba Branca sobre uma nova chamada pública da Secretaria da Educação, segundo ele no valor de R$ 15 milhões, apenas alguns dias depois da primeira chamada.

Segundo Lopes, o deputado Fernando Capez teria ‘advertido’ o então secretário da Educação, Herman Voorwald, para que a nova chamada saísse em dez dias e que a Coaf ‘se sagrasse vencedora para oferecimento de suco de laranja em embalagem de 200 ml e de 1 litro para a rede pública de ensino da Grande São Paulo, sendo que por questões orçamentárias não foi adjudicado à cooperativa o objeto do contrato originado pela citada chamada pública.”

Com a palavra, a Secretaria da Educação do estado

“A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informa que, diferentemente do apurado pela reportagem, houve o período de um ano entre a primeira e a segunda chamadas públicas para compra de suco de laranja, e não 10 dias conforme informado pelo jornal.

A primeira ocorreu em setembro de 2013. A segunda, setembro de 2014.

A nova chamada contemplou o dobro de unidades a serem distribuídas na rede estadual, e com o preço, por unidade, 8,3% menor para unidades de 200 ml e de 1,61% menor para os sucos de 1 litro.

A empresa mencionada no depoimento que a reportagem teve acesso não foi a única vencedora. A Cooperativa dos Agropecuários Solidários de Itápolis – COAGROSSOL – também venceu o certame para distribuição do suco de laranja orgânica para escolas de todo estado. O contrato com essa empresa foi de cerca de R$ 3,6 milhões.

A Pasta segue a legislação do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE – criado pelo Governo Federal que institui a inserção, na alimentação escolar, de 30% de alimentos cultivados e produzidos por meio da agricultura familiar e se mantém à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público no que for necessário para dar sequência às investigações.”

Com a palavra, o deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo

O deputado Fernando Capez nega taxativamente envolvimento com organização criminosa que teria fraudado licitações para fornecimento de produtos destinados à merenda escolar em prefeituras e no âmbito da Secretaria da Educação do Estado. Desde que seu nome foi citado pelos primeiros investigados, o presidente da Assembleia Legislativa tem reiterado que ‘nunca ouviu falar’ da cooperativa Coaf e que jamais recebeu ‘comissões’ sobre contratos. Ele atribui a um ex-assessor, Jeter Rodrigues, e ao ex-deputado Leonel Júlio (do antigo MDB) as denúncias envolvendo seu nome. “Eu demitid esse Jeter porque ele usou meu nome para indicar um delegado de polícia para um cargo em São Paulo.”

O presidente da Assembleia Legislativa afirma que ‘tem certeza da inocência e da honestidade’ de Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, seu assessor na Casa e cabo eleitoral na região da Moóca. Sobre Jeter Rodrigues, o deputado Capez afirmou. “Esse Jeter é um bandido. Eu o demiti em dezembro quando soube que usou meu nome para indicar um delegado de polícia para um cargo em São Paulo.”

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt
No Estadão
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