23 de jan de 2016

“Não paro de beber”: sertanejo universitário é problema de saúde pública




O álcool provavelmente estava presente quando a música nasceu (como mais alguém teria a ideia de fazer uma flauta usando um pedaço de osso? Só bebendo) e os laços seguem apertados.

Faz parte da cultura musical do Ocidente. O copo de uísque sobre o piano. A taça de vinho na mão do chanteur francês. A garrafa de cerveja na mesa do sambista. Na mesa do café da manhã do Zeca Pagodinho.

Mas não existe, nunca existiu, salvo alguma cepa suicida do punk ou do death metal, uma apologia tão direta à auto-destruição através do uso excessivo de álcool como no sertanejo universitário.

Tudo bem que seja necessário embotar os sentidos para sobreviver à perversidade de melodias pobres, instrumentos mal tocados, sotaques forçados e aquela bateria macabra.

Mas o que Gusttavo Lima, Tchê Garotos, Munhoz & Mariano e outros dos artistas mais executados nas rádios do país vêm fazendo é criminoso. O hit “Não Paro de Beber”, de Gusttavo Lima, é a descrição de um estado terminal de alcoolismo.
Eu vou morrer, eu vou morrer

Eu vou morrer mas eu não paro de beber

De porre, muito louco fui parar no hospital

O médico falou que eu tava muito mal

Disse que se eu continuasse a beber ia morrer

Aí eu decidi que eu ia parar


Que nunca mais uma gota de álcool ia tomar

No primeiro teste na balada

Quando eu vi o amarelinho com gelo

Eu não resisti, bebi

É mais forte que eu

Não consigo controlar

Nem tomando antibiótico eu consigo parar
Só no Youtube, esta faixa tem mais de 13 milhões de visualizações. O irônico é a faixa ser cantada por Gusttavo (ou, melhor, por Nivaldo, seu nome de batismo): a julgar pelas selfies que posta na academia, sua porcentagem de gordura corporal não ultrapassa um dígito e ele deve ter até tremeliques ao pensar nos carboidratos de uma garrafa de cerveja.

A do Nivaldo é a pior. Mas tem muito mais.

Em “Só vou beber mais hoje”, Humberto e Ronaldo alcançam o mérito duvidoso de subverter o lema dos Alcóolicos Anônimos. Dizem que vão beber “só por hoje”:
Tenho dois apelidos: pinguço e pé de cana

Casamento, batizado, formatura, aniversário,

E até chá de bebe, tô pronto pra beber

Mais eu sei que faz mal, decidi vou parar,

Só mais hoje e amanhã não dá, não dá, não dá
Pelo menos admitem que a bebida já está se tornando um problema. Munhoz & Mariano viram a oportunidade de expandir o mercado falando diretamente com  as jovens mulheres que abusam do álcool.
Ela pega seu carro, ela busca as amigas

Vai pra balada tomar pinga

E cai sentada no colo, deitada no chão

Pagando calcinha, perdendo a noção

E o copo? O copo ainda tá na mão!
Beber e dirigir, por que não? Se ela cai mas o copo está na mão, certamente poderá deixar cada uma das amigas que buscou em casa.

É abstêmio mas quer fazer parte da turma? Para o Thiago Matheus, não rola. A faixa “Moon Álcool” (um trocadilho atroz com “Moonwalker” de Michael Jackson)
Eu tava na balada bebendo água mineral

Mas meus amigos

Não acharam normal

Eles já botaram vodca pra eu tomar

E a partir daí eu quis zoar
Tchê Garotos, “É problema meu”:
E se eu bebo é problema meu

Se eu vivo na noite é problema meu

Se eu gosto de farra é problema meu

Não uso do teu dinheiro da minha vida cuido eu
O título de muitas delas poderia ser “Sou um dependente químico” sem qualquer risco de não casar com o conteúdo das letras. É a glorificação do alcoolismo terminal. Tudo piora se levarmos em conta que, na lista de músicas mais executadas nas rádios brasileiras feita pela consultoria Spybat, as sete primeiras posições são ocupadas por canções do gênero.

Em 2005, a USP fez seu segundo Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil: 19,2% dos jovens entre 17 e 24 anos são dependentes do álcool. Infelizmente, não houve outro levantamento depois deste.

Quase um quinto dos jovens na fase em que ainda não aprenderam a dosar as consequências do consumo de álcool são considerados dependentes. Portanto, fazem uso regular. E encontram nas canções tocadas à exaustão em rádios e baladas o estímulo que nem precisavam para continuar exagerando.

Fica pior. A cada 36 horas, um jovem morre por causa de transtornos relacionados ao abuso de álcool no Brasil segundo o portal Datasus. Fora 6 944 mortes em 2012, um aumento de 74% desde 1996.

Mas o que é um problema de saúde pública na visão de alguns pode ser um negócio lucrativo na visão de outros? Pode apostar.

Desde 1977, a Ambev é a principal patrocinadora da Festa de Peão de Barretos, maior festa sertaneja do país. Em 2013, assinou novo contrato para continuar patrocinando a festa até 2018.

Numa nota orgulhosa, a Ambev divulgou que “há mais de 30 anos a empresa investe na plataforma country, apoiando a realização de mais de 200 rodeios pelo país.”

Quem se apresenta em rodeios? Gusttavo Lima, Tchê Garotos, Munhoz & Mariano, a turma toda citada mais acima.

Não é preciso prestar muita atenção para perceber que desde o sucesso da campanha “Amigos” da cerveja Bavária (com Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo e Luciano), grande parte do material publicitário das cervejarias é povoado por este gênero musical.

É o mais espúrio dos conflitos de interesse. Uma empresa que comercializa uma droga legal patrocina artistas que fazem a apologia do uso excessivo desta droga.

Acho que chegamos a uma altura em que esperar bom senso dos artistas não basta. É preciso que a sociedade faça alguma coisa imediatamente.

Marcelo Zorzanelli
No DCM
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O ‘cinematográfico’ triplex de Lula é menor que a sala de Roberto Civita

As acusações são recicladas: o prédio em que Lula comprou uma conta de um apartamento
Vem cá.

Do que os caras não acusam Lula?

Virtualmente todos os dias os jornais publicam, espalhafatosamente, denúncias contra ele.

Contra ele e tudo que o cerca: família, amigos etc. Daqui a pouco vão incluir o cachorro de Lula nas acusações.

Alguns casos são como assombrações: aparecem, desaparecem por falta de sustentação e mais tarde ressurgem.

É o que acontece agora com o já famoso triplex do Guarujá. Quem publicou essa história primeiro foi o Globo. Segundo o jornal, Lula seria dono desse triplex.

A maldade já se iniciava com a palavra tríplex. Você é induzido a achar que se trata de um apartamento cinematográfico, tal como o de um Civita ou de um Marinho.

Mas a metragem é inferior a 300 metros quadrados, o que pode ser frustrante para quem tem em mente um tríplex hollywoodiano.

Ou mesmo para quem, como eu, tenha conhecido as salas de Roberto Civita e de Roberto Marinho, ambas com muito mais de 300 m2.

A primeira vez que fui à sala de RC atravessei uma barreira de secretárias (quatro) e seguranças (quatro).

Quando vi uma sala, fui entrando. Era um pouco maior do que a minha de diretor de redação da Exame.

Fui entrando, automaticamente. A secretária me avisou que aquela era a sala dela. A de RC era um duplex — este sim — de cinema.

A sala de Roberto Marinho parecia um campo de futebol, com vista para o Corcovado. Não me pergunte o que ele fazia com tanto espaço. Como cavalo era uma de suas paixões, ele poderia equitar ali, se quisesse.

Com sua morte, os três filhos ocuparam, com extremo conforto e incomparável beleza, a sala do pai.

As primeiras acusações sobre o alegado tríplex diziam que a construção dos apartamentos atrasara e Lula recebera sua unidade antes dos outros.

As fontes do Globo eram anônimos vizinhos e um funcionário também não citado. (Contra Lula transeuntes são fontes. Contra Aécio sequer um delator é levado em conta, mesmo que ele não consiga redução de pena nenhuma se falar uma mentira.)

Lula respondeu que tinha comprado uma cota, como um plebeu que adquire algo em prestações. Não que precisasse: com o dinheiro que ganhava para falar, bastariam três ou quatro palestras para quitar o negócio.

Lula disse também que havia uma cláusula de compra que ele não exercera.

Não negou, portanto, ser proprietário de uma cota do triplex.

Isso não impediu que, agora, ele seja acusado de ocultação de patrimônio. Um patrimônio publicamente declarado foi definido como oculto, o que mostra o vale tudo contra Lula.

Patrimônio oculto, você talvez pudesse dizer, foi o que a Abril fez ao vender 30% da editora aos sul-africanos da Naspers.

Nem a Caras e nem a Superinteressante entraram no negócio. Foi graças a elas que os Civitas puderam, em anos duros sob as vistas rígidas dos novos sócios, continuar a manter suas retiradas faustosas.

Eles sabiam?

Como diria a Folha, talvez sim, talvez não. Não podemos confirmar e nem desmentir.

É esta a lógica que vigora contra Lula.

Denúncias contra Lula são invariavelmente publicadas — mesmo que não possam ser confirmadas.

Desde Getúlio Vargas com o infame Mar de Lama inventado por Carlos Corvo Lacerda, nenhum político brasileiro era tão perseguido.

Enquanto isso, Eduardo Cunha — para ficar num só caso — teve as mãos livres durante quase 30 anos de carreira para promover seu gangsterismo político que transformou o Congresso numa casa de comércio indecente.

A imprensa jamais o importunou porque ele defendia os interesses dos barões, como a terceirização e a supressão de qualquer debate sobre a regulamentação da mídia.

Isso conta muito, ou tudo, sobre ela, a imprensa.

Paulo Nogueira
No DCM
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Seis grandes histórias que as grandes mídias corporativas não querem que você saiba

Denúncias, ecocídio, acordos comerciais ultra secretos e obscuros laços entre o Estado islâmico e aliados mais próximos do Ocidente… aqui estão alguns temas quentes que a grande mídia mal noticiou em 2015.


Você pode até ter ouvido falar sobre alguns deles, mas não tanto quanto você deveria. Aqui estão as notícias mais importantes do ano passado que escolhemos, todas praticamente ignoradas pela imprensa corporativa.

1. Qualquer tragédia que não é do Centro-Ocidental.


O derramamento de fúria, desespero e tristeza pela imprensa corporativa sobre os ataques em Paris, em 13 de novembro, foram destacados pela mídia em relação às vítimas ocidentais do terrorismo. Houve dois atentados suicidas no Líbano no dia antes dos acontecimentos em Paris, matando 37 e ferindo 180, mas eles não foram mencionados tanto como na cobertura sensacionalista da tragédia da França, nem foram mencionados nos minutos de silêncio e vigílias realizadas em todo o mundo Ocidental, como deveria.

A partir dos horrores da guerra civil sangrenta do Congo até a perseguição de Erdogan aos turcos curdos, desde o reinado do terror permanente da Boko Haram na Nigéria, Chade e Camarões até à situação dos refugiados sudaneses, a mídia parece escolher quais vidas humanas merecem nossa empatia e quais não são tão importantes.

2. Indonésia em chamas.


Como já relatado anteriormente, os incêndios florestais que causaram a devastação da Indonésia, para o povo do país e para a vida selvagem no ano passado, foram amplamente ignorados pela grande mídia até vários meses após o evento devastador ter começado. Os incêndios foram iniciados por madeireiros para limpar o caminho para as polêmicas plantações do óleo de palmeira e causou problemas de saúde para mais de um milhão de pessoas. O Banco Mundial estima que os incêndios destruíram 2,6 milhões de hectares (6,4 m de acres) de floresta entre Junho e Outubro, custando US$ 16.1 bilhões e causando a perda incalculável de vida para os animais em vias de extinção, que dependem das florestas para a sua sobrevivência. Aterrorizados orangotangos fugindo do desastre foram abusados ​​de forma doentia por alguns aldeões indonésios.

O ecocídio, que é um termo jurídico em criação para responsabilizar causadores de desastres que acarretam destruição ao ecossistema, nesta escala deveria ter sido uma das maiores histórias de 2015, mas com excepção do colunista Guardian e ativista ambiental George Monbiot (que atacou a indústria pela censura do evento), a tragédia foi amplamente ignorada para proteger os interesses corporativos.

3. Lei Marcial na França.


Os ataques terroristas em Paris foram usados como justificativa pelos governos francês, britânico e alemão para se juntar aos ataques militares na Síria. Eles também foram usados ​​como justificativa pelo governo francês para restringir severamente as liberdades dos franceses. Como já relatado, imediatamente após os terríveis acontecimentos de 13 de novembro, o governo francês começou a fechar sites de notícias alternativas. O presidente também declarou que a casa de alguém poderia ser pesquisada sem um mandado, os sites poderiam ser bloqueados sem aviso, e cidadãos poderiam ser colocados sob prisão domiciliar sem julgamento.

Ativistas esperando para marchar em Paris na Conferência do Clima do mês passado ficaram decepcionados ao saber que o estado de emergência da França também incluiu a proibição de protestos. Alguns políticos franceses estão forçando para instalar rastreadores GPS em veículos, re-escrever a Constituição para permitir a lei marcial, bloquear o wi-fi gratuito e o Tor, e combinar bases de dados estaduais, o que daria o acesso ao estado dos registros médicos pessoais dos cidadãos.

A Anistia Internacional, juntamente com muitos blogueiros franceses, expressaram preocupação de que o governo havia imposto a lei marcial em resposta ao ataque terrorista. Eles têm um ponto: não é uma restrição das liberdades em casa exatamente o que os extremistas querem? John Dalhuisen, diretor da Anistia Internacional da Europa e da Ásia Central, disse em novembro: “É um paradoxo suspender os direitos humanos, a fim de defendê-los.”

Muitos blogueiros concordaram e disseram que estavam com medo sobre a situação da França. Um deles escreveu: “Eu estou atualmente vivendo em Paris, a cidade onde alguns fanáticos mataram as pessoas porque elas foram ouvir música, assistir a um jogo de futebol, ou simplesmente desfrutar de cervejas em um bar. Eu estava morando no bairro onde aquele trágico evento aconteceu. Agora eu estou com medo. Eu não tenho medo de terroristas. Estou com medo do meu próprio país. Estou com medo porque diferente agora está começando a significar perigoso.”

O homem anônimo continua: “Parece que ser um ecologista é o suficiente para obter a prisão domiciliar. Antes dessa reforma de 20 de Novembro esta frase era reservada para as pessoas “cuja atividade é perigosa”, agora há sérios motivos para crer que o seu comportamento constitui uma ameaça”. Estamos quase no crime de pensamento. ”

Medidas de emergência na França foram relatadas pelos meios de comunicação, mas houve pouca análise ou debate sobre se são justificadas: o mito de que temos de negociar nossos liberdades para conseguir a segurança tornou-se uma parte normal da vida cotidiana.

4. A Verdade Sobre o Estado Islâmico.


Em 2015, True Activist relatou em um crescente corpo de evidências que sugerem fortemente que o Estado Islâmico:
    — Nunca existiria, se não fosse pela terrível manipulação do Pentágono para a invasão ilegal do Iraque em 2003.
    — É financiado e armado pelos aliados ocidentais, Turquia e Arábia Saudita.
    — Continua a crescer devido às vendas de petróleo para a Turquia.
    — Podem ter ligações com o governo britânico e Israel.
    — Pode ser parte de um mega plano geopolítico dos EUA e Grã-Bretanha para desestabilizar a região, usando a imprensa corporativa que mentir para o público, a fim para ganhar apoio popular para as guerras do petróleo mais intermináveis.
A grande mídia continua a vender a velha e cansativa narrativa que a coalizão ocidental está na Síria especificamente para combater o Estado Islãmico, se isso fosse verdade, seria lógico para esses países apoiar a Rússia na guerra contra a organização terrorista. No entanto, a cobertura de Vladimir Putin na imprensa corporativa continua a ser inteiramente negativa, apesar do fato de a Rússia tomar sozinha 40% da infra-estrutura do Estado islâmico em apenas uma semana. As revelações acima foram completamente censuradas pela imprensa corporativa, que é cada vez menos credível a cada dia.

5. O Parlamento britânico votou contra a democracia.


As palavras nesta imagem são tomadas a partir de um discurso real e muito preocupante do primeiro-ministro britânico David Cameron no ano passado: “Por muito tempo, temos sido uma sociedade tolerante passivamente, dizendo aos nossos cidadãos: contanto que você obedeça a lei, vamos deixá-lo sozinho.”
Uma citação real e muito preocupante veio do primeiro-ministro britânico David Cameron e tem levado muitos britânicos a se perguntar se a democracia ainda existe.

No mês passado, um político Inglês se levantou no Houses of Parliament e fez um discurso pedindo a reforma eleitoral. Seu pedido, apoiado por milhares de cidadãos, foi bloqueado. O Reino Unido tem um sistema arcaico de votação que é inadequado e totalmente antidemocrático: após o impopular primeiro-ministro David Cameron vencer a eleição em 2015, com apenas 36% dos votos, milhões de britânicos se sentiram enganados. A petição foi lançada para exigir a representação proporcional, em vez do conhecido sistema ‘first past the post’, o que beneficia os grandes partidos políticos mas nunca as alternativas. Em suma, a Grã-Bretanha não é a nação justa, democrática que finge ser. A notícia de que o pedido de Jonathan Reynold (vídeo aqui) para um sistema mais justo foi rejeitado deveria ter sido uma grande história no Reino Unido, mas os meios de comunicação britânicos mal cobriram.

6. A realidade das ultra secretas ofertas do Livre Comércio.

Protestos contra TTIP têm sido generalizados na Europa. 
Créditos: Global Justice Now, Flickr.
O TTIP (Acordo para a Parceria Trans-Atlântico) TISA, (Comércio de Contrato de Serviços) e TPP (Acordo de Parceria Trans-Pacífico) são acordos ultra secretos e altamente controversos que vão afetar a vida de todos os cidadãos do planeta, contudo nós aparentemente não temos o direito de decidir se queremos eles- ou mesmo de saber os detalhes exatos do projeto de legislação.

O TIPT, em particular, é de grande preocupação. Como já relatado, o negócio corre o risco de permitir as corporações processarem os governos que não fazem o que é dito, acabar com a privacidade on-line, fazer o procedimento padrão fracking http://www.sourcewatch.org/index.php/Fracking_regulations em 28 países, privatizar os sistemas de saúde europeus, forçar os alimentos geneticamente modificados sobre os cidadãos que não estão dispostos, tirar as nossas liberdades civis e assegurar que as corporações tenham controle sobre o Parlamento Europeu.

Julian Assange chama o TTIP “A coisa mais importante acontecendo na Europa neste momento”, razão pela qual o Wikileaks está levantando uma recompensa de € 100.000 (cem mil euros) por qualquer informação relativa ao negócio. O site diz do TTIP: “Resta segredo quase em sua totalidade, bem guardado pelos negociadores, e apenas as grandes corporações têm acesso especial aos seus termos. O TTIP cobre metade do PIB global e é um dos maiores acordos de seu tipo na história. O TTIP visa a criação de um bloco econômico global fora do âmbito da OMC, como parte de uma estratégia econômica geopolítica contra os países do BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.”

Considerando o impacto que todos estes três acordos comerciais terão sobre a democracia, os direitos humanos, a segurança alimentar e o ambiente, a sensibilização do público deve ser generalizada. É preocupante, um grande número de pessoas sabem quase nada sobre TTIP, TISA e TPP.

Longe de questionar o sigilo de tais acordos importantes ou incitar um debate público fundamental sobre se esses acordos são éticos e democráticos, a cobertura convencional tem censurado o que é negativo e geralmente fornecido uma visão parcial dos benefícios deste corporativo desse ‘assumir o controle’ do mundo. 1

Globo News demite jornalista por comentário independente.

Um dia antes de ser demitido da GloboNews, onde estava desde 1997, Sidney Rezende publicou um texto em seu perfil no Facebook e em seu blog pessoal fazendo duras críticas ao jornalismo praticado no Brasil.


Intitulado “Chega de notícias ruins”, o texto defende que notícias positivas também merecem espaço na mídia e lamenta: “Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e ‘soluções’ que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.”

Sem citar nomes, nem veículos, Rezende escreveu: “Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo”.


Como noticiou o colunista Flavio Ricco, no UOL, a demissão de Rezende foi anunciada na sexta-feira (13/11/15). “Relações profissionais podem ser interrompidas, sem que isso signifique que não possam ser retomadas mais adiante. A Globo só tem elogios à conduta profissional de Sidney, um jornalista completo”, informou a emissora em nota.

No texto que publicou no dia 12, o jornalista observou: “Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”.Rezende escreveu ainda: “O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.” 2

Fonte 1: Global Research.ca e True Activist Autora: Sophie McAdam
Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com
Fonte 2: Blog do Maurício Stycer.

No Dinâmica Global
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Jurista diz que conduta de promotor que acusa Lula revela falta de provas


O promotor de Justiça de São Paulo Cassio Conserino procurou a revista Veja para anunciar publicamente que já teria “indícios suficientes para denunciar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de lavagem de dinheiro em investigação sobre um apartamento triplex que tinha sido reservado pela construtora OAS para a família do ex-presidente”.

A avaliação do promotor do Ministério Público estadual foi informada pela revista “Veja” na sexta-feira (22) no site da publicação.

Na avaliação do doutor em Direito, também titulado na Alemanha, professor de Direito na Escola Superior do MP do DF e ex-conselheiro nacional do Ministério Público até o ano passado (2010-2015), Luiz Moreira, a conduta do promotor paulista revela o contrário do que ele diz.

Ou seja: ao procurar a imprensa para fazer essa “denúncia”, além de o promotor Cassio Conserino ter cometido uma infração funcional também teria deixado claro que não tem nada contra o ex-presidente. Estaria, pois, apenas em busca de holofotes. E, pior, em busca de constranger não só o MP-SP, mas, também, o Judiciário paulista.

O Blog entrevistou Moreira para entender a questão.

O que acha da iniciativa de um promotor paulista de procurar a revista Veja — notória por seu antipetismo — para afirmar que teria elementos para acusar o ex-presidente Lula de “lavagem de dinheiro”?

A sociedade brasileira investiu muito das suas expectativas no Ministério Público. Não é papel da instituição, portanto, vender revista, vender jornal. Se o promotor de Justiça tem algum elemento, ele deve se manifestar propondo a ação.

Essa entrevista que ele dá à Veja tem o único propósito de tumultuar o processo, desprestigiando o Ministério Público e causando uma pressão sobre o Judiciário. Ele, com isso, quer criar um fato para justificar sua conduta.

Esse senhor está colaborando para o desprestígio do Ministério Público e pressionando o Judiciário para compartilhar a opinião dele. Não cabe ao Ministério Público vender revista, não cabe ao Ministério Público alardear um feito antes sequer do oferecimento de eventual denúncia.

Esse tipo de conduta desse promotor vem sendo absolutamente rechaçada pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Vale informar, aliás, que esse é um tema pacificado no Conselho. Ou seja: comete infração disciplinar o membro do Ministério Público que, antes de oferecer uma denúncia, a compartilha com os meios de comunicação.

Esse entendimento do CNMP decorre de que esse tipo de conduta atrapalha o processo e, assim, é um desserviço ao Ministério Público e colabora para seu desprestígio. Sem falar que constrange o Judiciário.

A conduta desse promotor permite alguma representação contra ele?

Hoje, no Conselho Nacional do Ministério Público é absolutamente pacífico o entendimento segundo o qual a conduta desse promotor gera responsabilização administrativa. Isto é, ele vai responder administrativamente pela conduta despropositada que assumiu.

Ele atuou não como promotor de Justiça, mas como alguém que está disposto a vender revista.

E a quem caberia essa representação?

Ao ex-presidente Lula, que é o citado. Ele pode representar ao Ministério Público de São Paulo. Mas, também, a Corregedoria do MP-SP ou a do Conselho Nacional do Ministério Público, que pode agir “de ofício”.

Você diz que a condenação de atitudes como essa desse procurador já se tornou comum no Ministério Público. Por favor, explique melhor essa questão.

Sim, é um entendimento pacífico, ou seja, não há mais divergência no MP de que esse tipo de conduta é reprovável e punível disciplinarmente. O Conselho Nacional do Ministério Público tem reiteradas jurisprudências, tem tomado reiteradas decisões que entendem que um membro do MP só pode falar, só pode dar entrevista após a propositura de uma ação.

Promotor não pode se antecipar — como é o caso desse promotor que acusou o ex-presidente Lula — dando uma entrevista cujo único propósito é chamar holofotes para uma questão. Nesse caso, nem se sabe se ele proporá mesmo a ação. Pode ser que daqui a uma semana, um mês, ele chegue ao entendimento de que não há elementos para propor a ação.

Com essa atitude, o promotor em questão trouxe um dano à pessoa imputada — no caso, o ex-presidente Lula — e deslegitimou uma instituição tão importante para nós, sociedade, como é o Ministério Público.

Então, o que é que o Conselho Nacional do Ministério Público tem feito? Tem punido esse tipo de conduta por acreditar que, um, deslegitima a ação da instituição e, dois, cria atrito com o Poder Judiciário.

Pelo que deu a entender, independentemente de esse procurador levar ou não a ação adiante e de ter ou não elementos para tanto, ele cometeu uma infração ao ir à imprensa antes de apresentar a denúncia e, de qualquer forma, pode ser punido por isso por ação do prejudicado (Lula) ou das corregedorias do MP-SP ou do CNMP. É isso?

Exatamente. Esse é um tipo de conduta que o CNMP tem rechaçado desde a sua fundação. Ou seja, não é papel do Ministério Público alardear uma ação antes que seja proposta. Ele poderia propor a ação e, após a propositura da ação, torná-la pública, até para fins de aprendizado da sociedade.

Nesse caso, não. O único propósito desse promotor é tumultuar a questão. O que ele pretende com isso? Ele não é jornalista. Ele não é pago pelo Estado para produzir manchetes e criar clima político antes de revelar de que elementos dispõe e, com o ingresso da ação no Judiciário, mostrar que se trata de um caso sério.

Não dá para acreditar que esse promotor não saiba de tudo isso. Então, qual é a intenção dele?

Antes de propor a ação, ele cria uma “onda” na opinião pública. Então, o que é que o juiz que julgará eventual ação proposta pode fazer? Ao recusar uma ação sem elementos, porém tão alardeada, o juiz cria uma tensão entre o MP e o Judiciário.

O promotor Cassio Conserino não está preocupado com isso. Ele quer holofotes, quer aparecer subindo nos ombros de um ex-presidente da República, o que, por si só, torna impossível que ele não apareça na mídia.

Que tipo de elementos contra Lula esse promotor pode ter, já que ele acusa o ex-presidente de ter “lavado dinheiro” com a compra de um apartamento que sequer se concretizou?

Ele não tem é nada. O que ocorre no MP? Quando é que o promotor de Justiça dá entrevista? Ora, para não atrapalhar a ação ele aguarda, adota uma conduta estritamente técnica, apura o fato.

E por que ele tem cuidado? É porque ele não quer que vase nada para não estragar a propositura da ação. Então, ele guarda recato, propõe a ação e após essa propositura ele se manifesta publicamente.

O que é que a experiência tem demonstrado? É que, quando não há fatos, ocorre o que esse promotor fez: não faz a denúncia, mas ocupa a mídia para ter momentos de fama que suas investigações não proporcionariam por falta, justamente, de elementos.

Há que acreditar, portanto, que o Judiciário não embarcará nessa, certo?

Essa falta de cuidado que o promotor está revelando tem um significado muito importante, de que não há, de fato, elementos. E, não havendo elementos, a Justiça agirá de acordo. Se a denúncia fosse feita sem elementos, como se vê que seria, com ou sem constrangimento por parte do promotor em questão ela não seria recebida pelo Judiciário paulista. Por isso, é provável que nem venha a ser feita denúncia alguma.

É isso o que revela a atitude desse promotor.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Manual do perfeito midiota - 7

Nas entrelinhas da imprensa

Você assiste ao Jornal Nacional e se impressiona com as caras e bocas dos apresentadores quando falam da economia brasileira? Fica assombrado com as manchetes catastrofistas dos principais diários do País? Repete por aí o que dizem os comentaristas das emissoras de maior audiência? Acha realmente que o Brasil foi para o ralo, e que a causa é o modelo econômico que desperdiça recursos com programas sociais?

Esses são sintomas muito claros de midiotice, que impede de ver distorções entre a realidade e o retrato pintado pela mídia hegemônica.

Por exemplo, você entendeu o que significou a manutenção da taxa oficial de juro, quando todos os especialistas apostavam num novo aumento de 0,5 ponto porcentual?

Nem se pergunta o que os especialistas vão fazer com as apostas que deram errado?

Bem, o autêntico midiota realmente não se propõe esses questionamentos e absorve como verdadeiro tudo que encontra no chamado ecossistema da imprensa tradicional.

Mas, não seria o caso de fazer uma pequena reflexão? Por exemplo, se o Brasil realmente está no fundo do poço, por que você precisa esperar uma hora ou mais para conseguir uma mesa naquele restaurante?

Vou dar aqui uma lista de livros interessantes que ajudam a entender de que lado está a mídia tradicional: A Armadilha da Globalização, de Hans-Peter Martin e Harald Schumann, O Horror Econômico, de Viviane Forrester, A Economia da Desigualdade, de Thomas Piketti.

Christian Bale em cena do filme "A Grande Aposta". Foto: Reprodução/IMDb
Christian Bale em cena do filme “A Grande Aposta”. Foto: Reprodução/IMDb
O que você vai concluir dessas leituras: uma aliança tácita entre o poder econômico e a imprensa dá corpo e voz ao discurso da unanimidade contrária a qualquer tentativa de esclarecimento das muitas e profundas contradições do sistema financeiro mundial.

Se fica difícil ler até o fim um livro que ameaça tirar você dessa condição, vá ao cinema. Está em cartaz o filme A Grande Aposta, baseado no livro do ex-corretor de valores Michael Lewis, que escreve para a agência Bloomberg News. Ali está desenhada, de forma didática, a origem da crise que o Brasil enfrenta. Você vai entender como aconteceu a crise financeira de 2008 e de como ainda pagamos os prejuízos causados pela grande fraude de Wall Street.

Mark Spitznagel, que na ocasião ganhou um bilhão de dólares ao apostar  contra as especulações com a securitização de financiamentos imobiliários, vem anunciando uma nova quebra no mercado mundial de ações. Boletins de analistas americanos, como os da Newsmax Finance, alertam que grandes fundos de investimento estão com excesso de liquidez e que o sistema produziu uma gigantesca bolha, como a que explodiu em setembro de 2008.

Eles precisam encontrar ativos mais sólidos para aplicar seu dinheiro virtual. Não é difícil adivinhar quanto interesse teriam em governos favoráveis a uma massiva privatização de bens públicos, certo?

Quando você acha que vai ler isso na imprensa hegemônica ou ouvir um comentário daquele seu colunista tão apreciado?

O que isso tem a ver com o noticiário demonizando o governo, a política econômica brasileira e pregando a conveniência de entregar o País aos caprichos do mercado?

Você repete o discurso hegemônico da imprensa. Você é um midiota.

Então, por que ficar macaqueando que o Brasil foi à falência por culpa dos políticos se, no final, é você quem vai pagar a conta?

Para ler: “George Soros alerta para novo crash”, em Business Insider.

Luciano Martins Costa, Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”
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Violência contra Lula: promotor anuncia denúncia sem ouvir defesa

http://www.institutolula.org/violencia-contra-lula-promotor-anuncia-denuncia-sem-ouvir-defesa

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva examinam as medidas que serão tomadas diante da conduta irregular e arbitrária do promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo. O promotor violou a lei e até o bom senso ao anunciar, pela imprensa, que apresentará denúncia contra o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, antes mesmo de ouvi-los. E já antecipou que irá chamá-los a depor apenas para cumprir uma formalidade.

Ao contrário do que acusa o promotor — sem apresentar provas e sem ouvir o contraditório — o ex-presidente Lula e sua esposa jamais ocultaram que esta possui cota de um empreendimento em Guarujá, adquirida da extinta Bancoop e que foi declarada à Receita Federal.

O capital investido nesta cota pode ser restituído ao comprador ou usado como parte na aquisição de um imóvel no empreendimento. Nem Lula nem dona Marisa têm relação direta ou indireta com a transferência dos projetos da extinta Bancoop para empresas incorporadoras (que são várias, e não apenas a OAS).

Não há, portanto, crime de ocultação de patrimônio, muito menos de lavagem de dinheiro. Há apenas mais uma acusação leviana contra Lula e sua família.

A atitude do promotor é incompatível com o estado democrático de direito e com o procedimento imparcial que se espera de um defensor da lei, além de comprometer o prestígio e a dignidade da instituição Ministério Público.

Quanto à revista Veja, que utilizou a entrevista do promotor para mais uma vez ofender e difamar o ex-presidente Lula, será objeto de nova ação judicial por seus repetidos crimes.



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O caso PF-Estadão: o retrato da formação de quadrilha entre polícia e mídia


A manchete do Estadão de hoje, não foi desmentida apenas pela nota divulgada ontem à noite pelo Instituto Lula, que reproduzo ao final.

Foi desmentida pelo próprio documento que deu origem à sua publicação: as declarações de Lula ao delegado da Polícia Federal, cujas indagações a Lula nem precisariam ser feitas porque, sem qualquer elemento senão suposições, é impensável obter alguma informação neste tipo de depoimento.

A coisa chega ao absurdo — além dos citados pelo ex-presidente — de Lula ser indagado — vejam bem! — sobre um “documento” de um suposto lobista onde “há uma solicitação dos trabalhadores da indústria aeronáutica sueca para que o declarante (Lula) manifestasse seu apoio à contratação da SAAB (fabricante dos Gripen) junto à Presidenta Dilma Rousseff”.

Francamente, em que isso serve a uma investigação policial?

É tão “legítimo” imaginar — veja que maravilha, um delegado de polícia e uma redação de jornal que se contentam em imaginar — que a contratação do “filho do Lula” (porque é  só por isso que o negócio provoca interesse), dois anos depois, pela empresa deste fulano fosse o pagamento de propina — além do mais irrisória e desproporcional diante de um negócio de quase R$ 30 bilhões — fosse pagamento pelo “lobby” dos sindicatos suecos.

E tratar como “combinação” uma visita de um governador de Estado (Eduardo Campos) e do presidente de uma grande montadora (Clodomiro Belini, da Fiat) pedindo, que fosse, a prorrogação  de uma legislação (dos tempos de FHC, aliás) o que tem de ilegítimo.

Não tem, mas tem de ter.

A mente deformada da Polícia Federal e da mídia conservadora funciona assim: “já temos o criminoso, vamos encotrar o crime ou algo que possa se parecer com crime”.

É a lógica da ditadura, bem exposta pelo jurisconsulto Merval Pereira, ontem.

Que só não ofende aos fascistas e aos covardes, hoje sobrando neste país.

A nota do Instituto Lula:

Estadão distorce depoimento de Lula

Em sua desesperada campanha para envolver o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atos ilícitos que jamais foram cometidos, O Estado de S.Paulo voltou hoje (22) a manipular informações sobre a edição de medidas provisórias dirigidas ao desenvolvimento regional.

Lula jamais admitiu que tenha havido “compra de MPs” em seu governo ou que tenha tratado com lobistas sobre sua edição. O que ele chamou de “coisa de bandido” foi uma suposição levantada pelo delegado, que pediu a Lula para formular juízo sobre uma palavra “no sentido pejorativo”.

Isso fica bem claro na leitura do depoimento prestado por Lula ao delegado Marlon Cajado na condição de informante (nem como testemunha, nem como investigado) em 6 de janeiro deste ano, páginas 5 e 6:

(…) apresentado ao Documento 04, o qual trata de trecho encontrado em material computacional do escritório da Marcondes e Mautoni, que trata da MP 512/2010, afirmando que, “a MP foi combinada entre o pessoal da Fiat, o presidente Lula e o governador Eduardo Campos, e perguntado se a informação procede, o declarante [Lula] diz que “combinação”, nesse sentido pejorativo, é “coisa de bandido” e que não ocorreu, esclarecendo que se reuniu algumas vezes com o então governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, o qual levou Beline [Cledorvino Belini, presidente da Fiat América Latina e presidenta da Anfavea de 20 10 a 2013], não se recordando se ele estava na condição de representante da Fiat e/ou de presidente da Anfavea, e que foram esclarecidos os benefícios da construção da fábrica da Fiat em Pernambuco (…)

No mesmo depoimento, Lula esclareceu que as MPs 471/2009 e 512/2010 foram debatidas com governadores, líderes políticos, sindicais e empresariais dos Estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, para prorrogar e estender a novos projetos os incentivos fiscais estabelecidos desde 1997 e 1999 às indústrias automotivas e de autopeças nestas regiões.

Desde 1o de outubro de 2015, O Estado de S. Paulo vem tecendo uma rede de desinformação sobre estas MPs, sonegando ou falseando dados sistematicamente, em prejuízo de Lula, de seus familiares e dos leitores. A obsessão do jornal é vincular a edição das MPs (ou qualquer ato do ex-presidente Lula) a um suposto favorecimento a empresas e escritórios de lobby e consultoria.

Mesmo tendo sido informada que a empresa LFT, de Luiz Cláudio Lula da Silva, só foi contratada para prestar serviços à Marcondes e Mautoni em 2014, a reportagem do Estado omitiu deliberadamente este fato e associou o contrato à MP editada em 2009, cinco anos antes.

Exposta publicamente esta incongruência, o jornal tentou vincular o contrato à compra dos caças suecos Grippen, decidida pelo governo brasileiro em dezembro de 2013, quando Lula não era mais presidente da República.

As duas hipóteses foram negadas por Lula, por serem absurdas, como se pode conferir na íntegra do termo de depoimento do ex-presidente à Polícia Federal, que está ao final desse texto.

As notícias manipuladas do Estadão levaram o jornal a acreditar em seus próprios delírios, a ponto de afirmar que “o esquema (de compra de medidas provisórias), que resultou na Operação Zelotes, foi revelado numa série de reportagens do Estado em outubro”.

Só Que Não

A Operação Zelotes foi deflagrada em março de 2015, a partir de investigações iniciadas em 2013, que apontaram o favorecimento de grandes empresas (inclusive do setor de comunicação) em decisões do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf). Os desvios seriam da ordem de R$ 19 bilhões.

A partir da “série de reportagens” do Estadão, como num passe de mágica, a Operação Zelotes se transformou numa devassa em torno do contrato da LFT com a Marcondes e Mautoni, e o desvio de R$ 19 bilhões sumiu do noticiário. A manipulação de hoje no portal do Estadão é mais um nó nessa teia de intriga e desinformação.

Leia, abaixo, a íntegra do depoimento:

Fernando Brito
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Florianópolis, poluída por esgoto, dissimulação e ódio de nordestinos

O esgoto em Floripa
Florianópolis é uma das cidades mais bonitas do Brasil. Tem praias de mar gelado e bravio, outras de águas mansa, cachoeiras escondidas por montanhas, trilhas pela Mata Atlântica, onde na primavera florescem os guarapuvus, árvores símbolo. Tanta exuberância vira isca para os turistas. A capital de Santa Catarina recebe em média 1,5 milhão de pessoas no verão.

A alta procura favoreceu a vitória no prêmio Viagem e Turismo, da Editora Abril, como “a melhor cidade de praia do país”, divulgado no final do ano passado. E a fama não é apenas nacional. O Ministério do Turismo publicou que o município está entre os três destinos mais visitados por estrangeiros. O Norte da Ilha é reduto de argentinos e uruguaios. Na Lagoa da Conceição estão os europeus e norte-americanos, fisgados pela badalação e pelo surfe.

No Tripadvisor, Florianópolis aparece em 4° lugar nas buscas. A descrição no site internacional acentua a visão comum “É um destino cada vez mais procurado devido às suas praias perfeitas, os frutos do mar deliciosos e a combinação de uma cidade grande e moderna com fortificações coloniais”.

Mas o que os turistas não sabem, e as autoridades fingem não saber, é que Florianópolis é uma cidade poluída. Das 42 praias da Ilha, 30 estão contaminadas, ao menos em algum ponto.

A realidade oposta à publicidade tem provocado protestos. No dia 18, cerca de cem jovens argentinos caminharam pelas areias de Canasvieiras gritando “Vamos lutar pela nossa praia!”. Não foram ouvidos. Os outros hermanos estão cancelando as diárias desde que descobriram que a epidemia de virose pode ter relação com o esgoto jogado a céu aberto.

Em um extremo da praia fica o Riacho Beatriz, assoreado e alvo de ligações clandestinas; do outro, o Rio do Brás, contaminado pela Casan (Companhia Catarinense de Água e Saneamento), órgão responsável pelo tratamento dos dejetos, mas que por ineficiência os despeja no mar. No centro desse cenário de descaso estão os banhistas. Mascarados.

Segundo a coordenação da Unidade de Pronto Atendimento do Norte da Ilha, desde o dia 7 foram atendidas mais de mil pessoas com diarreia, dor abdominal, febre e vômito. A Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) informou que 70% dos infectados frequentaram praias do Norte da Ilha. Na contramão, a Prefeitura de Florianópolis divulgou que 80% dos casos de virose não têm relação com o mar. O motivo seria a má alimentação.

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Florianópolis, Tarcísio Schmidt culpou os nordestinos. Em entrevista à Rádio Gaúcha, disse que a poluição não é tão grave, que as pessoas exageram, e que o problema é o queijo coalho vendido pelos migrantes. “Eles vendem esses negócios. Vai saber se está limpo. Eu na praia só como picolé”, disse.

Porém, não é o cheiro do queijo que faz os turistas usarem máscaras em Canasvieiras. Essa foi a solução encontrado contra o fedor de esgoto.

Enquanto empresários e moradores do bairro protestam por saneamento, para que a qualidade da vida e dos negócios seja mantida, o secretário estadual de Turismo Filipe Mello afirma que essa é a melhor temporada dos últimos anos.

Ele disse que não há motivo para insatisfação, já que há outras praias além de Florianópolis. Esqueceu que uma a cada três de Santa Catarina, analisadas pela Fatma, também estão degradadas. Uma mancha escura no Rio Perequê, em Porto Belo, pode interditar as cidades da Costa Esmeralda- Bombinhas, Porto Belo e Itapema.

E nesse mar de sujeiras os principais envolvidos são órgãos vinculados ao governo. A Fatma é alvo de ações do Ministério Público Estadual por liberar a ampliação da estação de tratamento da Casan, em Canasvieiras, sem qualquer estudo de impacto ambiental. E ignorando o relatório entregue pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade).

As pesquisas dizem que o vazamento de esgoto não atinge apenas as praias, mas o Rio Papaquara, que deságua na Estação Carijós, uma das maiores reservas ambientais do Estado, cujos cursos d’água estão conectados com a principal bacia hidrográfica de Santa Catarina, a do Rio Ratones, que por conseqüência polui a Baía Norte, tão contaminada quanto a Baía Sul.

Nessas fazendas submersas crescem as maiores produções de ostras e berbigões do Brasil. Banhados por águas infectadas, os alimentos são importados, inclusive, para o Nordeste.

Isso era um rio
Isso era o Rio do Brás em Florianópolis

Aline Torres
No DCM

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Israel herido


El recrudecimiento de la ocupación israelí de Palestina a través de la represión al pueblo palestino y la embestida diplomática mundial solo muestra que las acciones en defensa de los derechos humanos del pueblo palestino: su autodeterminación, el derecho al retorno de los refugiados, el derecho a tener derecho a una vida en paz con justicia, etc. están teniendo su impacto en la psiquis sionista.

Además de, claro, cumplir con los preceptos de la doctrina colonialista sionista de poseer un Estado judío racista y supremacista, donde la población nativa, es decir, el pueblo palestino, debe ser expulsado, transferido, invisibilizado y anulado a como dé lugar. El año pasado se legalizaron las ejecuciones sumarias que ocurren desde siempre para combatir a los palestinos, niños o adolescentes en su mayoría que tiran piedras para defenderse de tanques y armas sofisticadas.

A los palestinos que viven en la Palestina del 48, lo que hoy se conoce como Israel, se los discrimina. Existen unas cincuenta leyes que confirman que son considerados ciudadanos de cuarta categoría. Ellas han sido “promulgadas desde 1948 y discriminan, directa o indirectamente, a los ciudadanos palestinos de Israel en todas las áreas de la vida” [1].

Una encuesta reciente llevada a cabo por la radio del ejército israelí se les preguntó a ciudadanos judíos si pensaban que los ciudadanos árabes (los israelíes en general no dicen que son palestinos) deberían tener derechos iguales, aunque no se describen cuáles son esos derechos. Ni un palestino israelí fue preguntado sobre si consideraban que ellos mismos deberían tener derechos iguales, o en su defecto, si los judíos deberían tenerlos. Y eso que son el veinte por ciento de la población. Las respuestas fueron 45 %: Los “árabes” no deberían tener los mismos derechos. 6 %: Depende. 6 %: No sabe. 43 %: Los “árabes” deberían tener los mismos derechos. Independientemente de los resultados de una encuesta de la que no se dijo cuál fue la metodología científica para entrevistar a 503 personas judías [2], la “única democracia” de Oriente Medio ¿no debería haber encuestado todo tipo de ciudadano? Si la idea era saber solo lo que la población judía opina sobre el tema, ¿no sería esencial saber también qué piensa el sector de la población sobre la cual se interroga? Esto no estimula de ninguna forma que la opinión pública, ya bastante parcializada, tenga algún contacto con el pensamiento de sus supuestos compatriotas. Son invisibles, por lo tanto, no piensan, ¿para qué los israelíes judíos tendrían que dedicarles su pensamiento?

Dentro de Israel no se reconoce la nacionalidad israelí. […] Los jueces han dictaminado que la ciudadanía y la nacionalidad en Israel deben considerarse categorías completamente distintas, como lo han sido desde la fundación de Israel en 1948. Todos los israelíes tienen la ciudadanía israelí pero nadie goza de la nacionalidad israelí. […] De manera perversa, la nacionalidad en Israel no se basa en una identidad cívica compartida como ocurre en la mayoría de los sitios, sino en la identidad étnica propia. Ello significa que para la inmensa mayoría de los ciudadanos israelíes su nacionalidad corresponde a una de dos categorías, o judíos o árabes [3]. Toda esta artimaña, para mantener el carácter de supremacía judía del Estado sionista.

Los habitantes palestinos de Jerusalén Oriental (anexada ilegalmente por Israel) tienen el estatus de “residentes permanentes”, mientras que casi cualquier judío del mundo obtiene ciudadanía automática si quiere instalarse allí. Aunque el año pasado madre e hijo judíos de piel negra fueron deportadas por el gobierno de Israel cuando iban a la boda de una familiar que vive en una ciudad en el Negev [4].

Recientemente, el ministro del Interior de Israel revocó la residencia en Jerusalén (para lo cual no tiene potestad) de cuatro palestinos, tres de ellos menores, que están a la espera de ser juzgados por la justicia israelí. La anulación de la residencia se da por “deslealtad al Estado de Israel”, según una ley de 1952. Nada sucede con los colonos transferidos a Cisjordania, lo que es ilegal según el derecho internacional, y que cometen actos de violencia contra palestinos.

Israel ha anulado más de 14.000 residencias de palestinos jerosolimitanos con el argumento de que nunca pidieron la residencia [5] .

Mientras más se defiende el pueblo palestino, más castigo colectivo, también ilegal según la ley internacional, aplica Israel: demoliciones de casas (los palestinos piden autorización para construir que no es dada y luego la municipalidad les destruye la casa por no tener el permiso), cimentación y demolición de casas de palestinos que supuestamente cometieron algún crimen, sitio a diversos barrios de Jerusalén, instalación de todavía más puestos de control en Jerusalén y Cisjordania, agudización del bloqueo a Gaza, que está pasando un invierno crudelísimo sin casi gas butano, en casas semiderruidas, por donde se cuelan el agua y el frío, además de no poder salir porque Egipto e Israel mantienen los pasos cerrados.

Las redes sociales también se han constituido en un ámbito donde combatir. En 2013, el gobierno israelí comenzó a reclutar a estudiantes israelíes con conocimiento en lenguas extranjeras para divulgar por internet mensajes proisraelíes. El presupuesto adjudicado fue de 780.000 dólares [6].

En 2015, 130 palestinos fueron arrestados por sus publicaciones en internet. Desde octubre del año pasado, hay una oficina en la unidad de seguridad cibernética de la policía israelí. Los ciudadanos israelíes que incitaron a actos de violencia contra palestinos no han sido procesados [7].

En el medio internacional, la reunión de hoy en Davos con el presidente de Argentina, Mauricio Macri, es un alivio para Netanyahu, que cree que todo el mundo le debe una pleitesía que, lentamente, se desvanece. Lo demuestra la reacción cada vez más violenta del primer ministro y su equipo, como cuando desconociendo al presidente Obama, se presentó el año pasado ante el Congreso de Estados Unidos para tratar de convencer a los congresistas de que no aprobaran el Tratado Nuclear con Irán, que terminó siendo aprobado, con el consecuente levantamiento de sanciones a uno de los grandes enemigo elegidos por Israel (junto con Hamás y Hezbollah).

En el frente mundial, Israel ha tenido problemas con Brasil, por el nombramiento del colono Dani Dayan como embajador sin anuencia del país sudamericano. En un acto de prepotencia habitual, Netanyahu ha declarado que Brasil quedará sin embajador. ¡Que así sea y no vuelva a haber ningún diplomático en Brasilia!

Por otro lado, el régimen sionista se ha enemistado con Suecia porque su canciller, Margot Wallstrom, ha pedido una “investigación profunda” de la matanza de palestinos por las fuerzas israelíes. Un portavoz del ministerio de Relaciones Exteriores de Israel ha dicho que la canciller “No es bienvenida en Israel; los otros funcionarios oficiales suecos no están incluidos y son bienvenidos”.

El BDS (Boicot, Desinversión y Sanciones a Israel) comenzó a atraer la atención del gobierno israelí que creó un nuevo ministerio para luchar contra las iniciativas que se multiplican en el mundo, con un presupuesto de 26 millones de dólares. Vale la pena leer el artículo “BDS en 2015: Siete formas en que nuestro movimiento marcó nuevos rumbos en contra del colonialismo y el apartheid israelíes” para comprobar por qué el BDS ya molesta a Israel.

En los últimos meses, no solo el pueblo palestino o la campaña BDS ha sido blanco de la ira sionista. Como una bestia acorralada, los activistas israelíes por los derechos humanos son las nuevas víctimas que se agregan a las ya mencionadas. El gobierno israelí aprobó un proyecto contra esas ONG o grupos, que podrían clasificarse como de izquierda (verdadera y minúscula en Israel), ya que la izquierda del partido laborista es socialdemócrata, igual que el PSOE o el Partido Socialista de Hollande.

En una propuesta de la racista ministra de Justicia Ayelet Shaked, las organizaciones de Derechos Humanos serán sometidas a una “exhaustiva revisión de sus donaciones extranjeras, entre ellas las europeas” y ” exigirá que cualquiera de ellas que reciba más del 50 % de su presupuesto de uno o más gobiernos extranjeros deban declararlo abiertamente y en todo momento en sus informes públicos, así como en cualquier exposición, declaración o petición ante cualquier organismo o funcionario israelí”. Según la organización israelí Shalom Ajshav (Paz Ahora) “las nuevas disposiciones eximirán de forma deliberada a las ONG de la derecha nacionalista” [8]. Además de ser un castigo a las organizaciones de DD. HH., esto también es una venganza contra la Unión Europea por el etiquetado de los productos provenientes de las colonias judías.

Cumpliendo con la propuesta de ley contra las ONG de DD. HH., tres activistas antiocupación (dos israelíes y uno palestino) fueron detenidos en la última semana. Hasta ayer jueves sus nombres estaban censurados por la justicia israelí: son ellos Ezra Nawi, Guy Butavia y Nasser Nawajah. Según Richard Silverstein, Nawi fue arrestado con las acusaciones falsas de cómplicidad de homicidio, conspiración de asesinato, uso de drogas, transmisión de información a agente extranjero, transporte de persona sin autorización para entrar en Israel. Nawi estuvo impedido de encontrarse con su abogado durante casi cuatro días. Pero debe salir libre en breve. Butavia y Nawajah fueron arrestados el martes a la noche. Butavia fue detenido para interrogación y debe ser liberado luego de acuerdo con informaciones de 972mag. En el video (subtitulado) se puede ver cómo Butavia sugiere que este caso fue fabricado por la organización fascista de ultraderecha Ad Kan, con la cual está trabajando la policía israelí, infiltrada entre las filas de la agrupación a la que pertenecen los activistas. Se supone que los dos israelíes aguardarán el juicio en libertad.



Ya, Nawajah la tendrá más difícil por ser palestino. El tribunal se declaró incompetente para asumir su caso y lo entregó a la justicia militar de Cisjordania, que es la justicia que juzga a los palestinos en la única democracia de Oriente Medio. Y quién sabe cuánto tiempo tendrá que comerse en una cárcel israelí.

El monstruo está malherido y por eso sus ataques serán cada vez más crueles y criminales, teniendo al pueblo palestino como primera víctima. Pero ya ninguna nacionalidad, origen étnico, religión, etc. estará a salvo de la ira creciente con la que está reaccionando.

Hasta que finalmente pare de respirar.

Free Palestine

[1] Leyes discriminatorias de Israel. http://palestinalibre.org/articulo.php?a=56629

[2] Encuesta: 46% de los israelíes judíos no piensan que los árabes deberían tener derechos iguales. http://972mag.com/poll-46-of-israeli-jews-dont-think-arabs-should-have-equal-rights/116100/

[3] Israel no reconocerá una nacionalidad israelí porque pretende mantener el carácter judío a toda costa. http://www.palestinalibre.org/articulo.php?a=47127

[4] Israel detiene y deporta dos judíos norteamericanos porque son negros. http://mondoweiss.net/2015/07/detains-american-because#sthash.gj3DEXjT.dpuf

[5] Israel revoca residencia en Jerusalén de cuatro palestinos. Por Charlotte Silver. https://electronicintifada.net/blogs/charlotte-silver/israel-revokes-jerusalem-residency-four-palestinians

[6] Israel recluta cientos de estudiantes para inundar Internet con propaganda. https://actualidad.rt.com/actualidad/view/102910-israel-estudiantes-inundar-internet-propaganda

[7] 130 palestinos arrestados por expresarse en las redes sociales. http://yebus.net/index.php/noticias/23-130-palestinos-arrestados-por-expresarse-en-las-redes-sociales

[8] Gobierno israelí aprueba proyecto contra ONG de DD. HH. http://losotrosjudios.com/2015/12/27/gobierno-israeli-aprueba-proyecto-contra-ong-de-dd-hh/

Tali Feld Gleiser
No Los otros judíos
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Um dia seremos todos suspeitos até prova em contrário

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2016/01/23/um-dia-seremos-todos-suspeitos-ate-prova-em-contrario/

Desde que a política virou um caso de polícia, multiplica-se todos os dias a quantidade de suspeitas e de suspeitos. Criou-se uma espécie de "Polícia Suspeitosa Nacional" (PSN), que atira primeiro na honra alheia para depois pedir documentos e começar a investigar. Ninguém mais parece livre disso.

Se alguém tiver uma bronca contra você, até o papagaio do teu vizinho pode ser arrolado como informante ou testemunha para investigar como o amigo anda tratando a sua mulher (ou vice-versa) e o que fazia de errado antes de conhecê-la enquanto matava aulas na adolescência.

Alguém me disse — é assim que a coisa funciona — que a PSN contratou nos últimos dias mais 17 colunistas sociais e meia dúzia de repórteres investigativos aposentados para reforçar a divisão de futricas e fofocas que, por sua vez, abastece o setor de suspeitas e vazamentos na base do "ouvi dizer".

Agora nem os tucanos escapam. Entre dezenas de políticos da base aliada, incluindo os ex-presidentes da República Collor e Lula, o incansável delator Nestor Cerveró acabou citando também o governo FHC entre os recebedores de pixulecos da Petrobras (no caso, 100 mil dólares). Até o nome de Aécio Neves, vejam vocês, já apareceu nas delações, mas entra e sai logo, desaparecendo do noticiário.

Esta semana, foi a vez do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, o tucano Fernando Capez, entrar na roda. Em lugar de sondas e navios da Petrobras, o caso envolve um esquema de propina em contratos superfaturados da merenda escolar fornecida por prefeituras e pelo governo estadual. Como todos os outros acusados, Capez ficou indignado e chamou a denúncia de "sórdida", desmentindo "com veemência a ligação de seu nome ao escândalo Alba Branca".

O problema é que se o teu nome aparecer numa lista da PSN, você pode se achar a pessoa mais honesta do mundo, mas vai ter que ficar o resto da vida se explicando. Vai ter que provar tim-tim-por-tim-tim que nunca fez nada de errado na vida. O ônus agora cabe a você, que será suspeito até prova em contrário.

Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco podem suspeitar que Obama é um agente de Moscou infiltrado na Casa Branca ou que Francisco comprou votos para se eleger papa.

Eles que desmintam depois.
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Promotor do MP-SP é denunciado por corrupção

Ele
O promotor Roberto Senise Lisboa é acusado de receber R$ 428 mil para tomar decisões favoráveis às Casas Bahia durante investigações sobre supostos crimes contra o consumidor. A denúncia foi oferecida pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa. O ex-diretor jurídico da empresa Alexandre Guarita e ao advogado Vladmir Oliveira da Silveira também foram denunciados.

A quebra de sigilo bancário mostra que o dinheiro saiu das contas da empresa, passou pelo advogado e chegou até o promotor. Entre 2009 e 2011, Senise era era promotor do Consumidor e é acusado de executar ações e alterações em multas que ajudaram a empresa.

Segundo a denúncia, o advogado Silveira emprestou sua conta bancária para receber o dinheiro das Casas Bahia como pagamentos de honorários advocatícios, a fim de esconder o verdadeiro motivo da ação. A partir daí, segundo Elias Rosa, o promotor tentou mudar o último TAC feito por ele e buscou mostrar uma postura mais dura contra a empresa. Ele propôs uma ação civil pública contra as Casas Bahia e pagamento de multa de mais de R$ 170 milhões, mas não adotou medidas que garantissem o pagamento.

Por meio de nota, as Casas Bahia informou que não vai comentar o caso porque não está envolvida nas investigações e Guarita não trabalha mais na empresa. O ex­diretor da empresa informou que vai esperar ser notificado para se pronunciar sobre a denúncia.
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E Marta conseguiu atacar a redução de mortes nas Marginais de SP

Marta e sua “cidade elétrica” na Jovem Pan
Duas coisas são certas na corrida pela prefeitura de São Paulo. 1) Marta Suplicy vai receber uma cobertura majestosa da mídia; 2) consequentemente, ela vai falar muita bobagem.

Uma amostra disso veio numa entrevista que ela concedeu nesta sexta à Jovem Pan, a rádio que fez a CBN parecer uma célula comunista..

Em sua sede de vingança contra o PT, Marta atacou Haddad num ponto simplesmente inatacável: a diminuição das mortes nas marginais de São Paulo depois da redução da velocidade máxima permitida.

Levantamento da CET diz que o número de acidentes com vítimas, num determinado período, caiu 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Também a lentidão, de acordo com o mesmo estudo, se reduziu. Os congestionamentos passaram de 124,4 quilômetros para 104,8 quilômetros, uma queda de 6%.

Quer dizer: menos sangue e menos engarrafamento nas Marginais.

Pois foi isso que Marta conseguiu (tentar) desqualificar.

Ora, ora, ora.

Marta alegou que São Paulo é uma “cidade elétrica”, e que não pode andar devagar. Faltou dizer: ainda que mais gente morra, temos que acelerar.

Engraçado é que Marta não contesta o estudo em si. Para tanto, ela teria que mergulhar nos números para achar eventuais incoerências na metodologia.

Não.

Ela optou pelo caminho mais fácil. Disse que outros fatores devem explicar a queda nos acidentes com vítimas.

Mas um momento: que fatores? Alguma pista?

Nenhuma.

Deus decidiu proteger os usuários das Marginais? O diabo estava de folga no período da avaliação?

Marta não disse nada. E nem lhe foi cobrada uma explicação, qualquer que fosse, para o que dissera.

Isso demonstra o que todos já sabíamos: os microfones da mídia estarão à sua disposição, e sem que haja questionamentos.

O que se quer dela é que bata em Haddad. Ponto.

De resto, a São Paulo “elétrica” parece indicar uma opção pelo automóvel em detrimento das bicicletas. Marta já andou falando em “ciclotintas”.

Com enorme atraso em relação a outras metrópoles abarrotadas de carros, São Paulo dá com dificuldade seus primeiros passos na Era das Bicicletas.

A chamada mobilidade urbana entrou, enfim, no dicionário paulistano. Já era uma expressão amplamente usada nas grandes cidades do mundo, mas prefeitos como Serra e Kassab a ignoraram solenemente.

Quando enfim São Paulo começa a andar de bicicleta, Marta fala em ciclotinta e numa cidade elétrica.

Quer dizer: o que ela está propondo é um retorno ao passado. E para viabilizar este retorno vale tudo — até apontar defeitos na redução das mortes nas marginais.

Paulo Nogueira
No DCM
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