18 de jan de 2016

Víctor Hugo Morales: “Macri es presidente por El Clarín” (+ Video)

Victor Hugo fue despedido de la emisora Continental.
Foto Tomada de La Noticia 1.
El primer mes del Gobierno de Mauricio Macri ha venido marcado por el despido de reporteros, entre ellos del destacado periodista uruguayo Víctor Hugo Morales.

En una entrevista con Russia Today, Morales ha presentado su visión sobre la dependencia de las empresas periodísticas argentinas del Gobierno y ha explicado quién en realidad toma las decisiones en el país. Además, ha revelado el vínculo entre Macri y el grupo Clarín y ha indicado cómo terminará el país si se paga a los fondos buitre y se aplican políticas neoliberales.

“Tenemos un Gobierno que en un mes, llevándose por delante todos los valores de la república y la democracia, le ha entregado un profundo miedo a muchísima gente”, ha lamentado Morales al denunciar “la opacidad de la libertad de expresión hoy en día en Argentina”.

Según el periodista uruguayo, los dueños de las empresas periodísticas saben que con esa “actitud tan avasallante” y “tan agresiva” y con el poder enorme que da el manejo de la pauta publicitaria por parte de un solo Ejecutivo, “ubicarse en un lugar del espectro político que los ponga demasiado lejos del Gobierno les impide cualquier tipo de negociación”.

“Y las empresas, además, están conducidas por gente que tiene, desde el punto de vista ideológico, un acercamiento a los criterios neoliberales del Gobierno de Macri”, ha añadido el periodista.

“Si hay una voz demasiado disidente como la mía, confrontativa, conocida y con credibilidad para mucha gente, es mejor acallarla”, ha opinado Morales sobre los motivos de su despido.

Al referirse a las recientes declaraciones del presidente argentino en conferencia de prensa, el periodista ha calificado de “disparate” y “mamarracho” que Macri diga que el Gobierno no se mete con los periodistas cuando en realidad ya les han quitado el trabajo a varios de ellos.

El vínculo entre Macri y Clarín

Durante la entrevista, Morales ha abordado también el vínculo entre el actual presidente argentino y el grupo Clarín, al que ha calificado de “adulterador de la vida democrática”.

“Macri es un presidente por Clarín; Macri toda la vida ha sido Clarín, desde el fondo de su historia personal, desde que era presidente de Boca, vive de rodillas ante el grupo Clarín”, ha afirmado el periodista uruguayo, haciendo hincapié en que ha sido este grupo el que lo ha colocado como presidente.

“Siempre hizo las cosas muy bien: ha sido obediente, le ha entregado todo lo que este grupo quería, negocios fabulosos”.

“¿Conocen un país donde el medio de comunicación más importante sea socio del Estado en un Gobierno, sea vendedor del Estado? ¿Qué libertad tiene ese Gobierno para decirle que ‘no’ a quienes le ofrezcan cualquier tipo de negocio? Esta es la relación que hay entre Clarín y Macri”, ha denunciado el periodista.

Si hay una voz demasiado disidente como la mía, confrontativa, conocida y con credibilidad para mucha gente, es mejor acallarla

Asimismo, ha criticado al Gobierno actual de “haber puesto el Estado en manos de lo privado en la República Argentina”. Según el periodista, las empresas en Argentina ya no necesitan cabildeo en el Congreso para tomar decisiones, “porque las toman ellas”.

“El grado de cinismo es como un tsunami que nos envuelve”, ha lamentado Morales detallando que el Gobierno de Macri dijo “vamos a ir por más república” y “vamos a por más democracia” y lo que hace es lo contrario.

Por último, el periodista uruguayo ha hablado de la negociación del Gobierno con los fondos buitre. En su opinión, el pago a estos fondos, “toda la infamia que hay de aceptar de rodillas ante el poder económico internacional”, es la manera que tiene el Gobierno de “pintar” una situación económica buena para unos años y asegurarse la reelección, para “darse ocho años de un festín que normalmente termina con el drama que vivió América Latina y de forma especial Argentina hacia el año 2000″.


No Cuba Debate
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PNUD: Erradicação da pobreza garante desenvolvimento e inclusão social no Brasil

Em entrevista ao PNUD, especialistas apontam caminhos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Proteção social, das pessoas e do meio ambiente são condições vitais para esta conquista.

Crianças quilombolas.
Foto: Flickr/ Dasha Gaian (CC)
Reduzir pelo menos à metade, até 2030, a proporção de homens, mulheres e crianças que vivem na pobreza extrema, em todas as suas dimensões. Essa é uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 1: “Erradicação da Pobreza”. De acordo com as realidades nacionais, cada país deverá assumir o compromisso de cumprir a meta e colaborar com o desenvolvimento local. No Brasil, o tema faz parte da agenda de trabalho de diversos segmentos: governo, setor privado, academia e sociedade civil organizada.

Na última década, mais de 36 milhões de pessoas deixaram a pobreza crônica e multidimensional no Brasil, de acordo com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em 2005, aproximadamente 7% da população não tinha acesso adequado a saúde, educação, habitação e bens e serviços essenciais. Em 2014, esse número caiu para 1%.

“Conseguimos avançar no tema exatamente porque não tratamos a pobreza como fenômeno natural. O Estado tem um papel fundamental, não só aportando ações como a construção de um piso social, como é o caso do programa Bolsa Família, mas olhar a pobreza nas suas várias dimensões. Essa é uma agenda que estava em prática quando começamos a trabalhar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio com o PNUD Brasil e, agora, está colocada de forma evidente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, em entrevista exclusiva ao Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD).

Para erradicar a pobreza, o ODS 1 estabelece que a mobilização significativa de recursos a partir de uma variedade de fontes, incluindo a cooperação para o desenvolvimento, é essencial ao cumprimento das metas. Outro foco é a construção da resiliência dos pobres e daqueles em situação de vulnerabilidade, com acesso às novas tecnologias e serviços financeiros, incluindo microfinanças.

Erradicação da pobreza, crescimento econômico e sustentabilidade formam o tripé para a construção de um planeta mais sustentável nos próximos 15 anos, dentro da Agenda 2030. Para o cumprimento dos Objetivos Globais e a erradicação da pobreza, a participação de governos, setor privado, academia e sociedade civil é fundamental.

Na avaliação do professor-titular do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, Marcel Bursztyn, a pobreza está associada a desigualdades e, para alcançar um nível sustentável de desenvolvimento, é essencial trabalhar com esses dois conceitos de forma integrada.

“O Brasil inovou em proteção social associada à redução da pobreza, ao inserir um imenso contingente de pessoas na política de transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família. Foi seguido por vários países e, sem dúvida, promoveu-se uma formidável redução da pobreza extrema, ainda que não tenha sido reduzida a desigualdade. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável abrem uma oportunidade para integrar as três dimensões do desenvolvimento: proteger a economia, as pessoas e o ambiente de forma sinérgica”, avalia Marcel Bursztyn.

No setor privado, o desenvolvimento de projetos inclusivos, focados no empoderamento dos trabalhadores e das regiões afetadas pelas atividades das empresas, contribui para a erradicação da pobreza. Um exemplo é o desenvolvimento de cisternas de plástico, pela Braskem, para levar água aos habitantes do semiárido nordestino. Aproximadamente 5 milhões de habitantes possuem, agora, acesso à água de qualidade para o consumo.

“Além do investimento e geração de empregos diretos e indiretos, o fortalecimento do uso da mão de obra local colabora com o ODS da erradicação da pobreza. Com a oferta de soluções de produtos e serviços, apoiamos o desenvolvimento da sociedade, como foi o caso das cisternas no semiárido. Na área de investimento social, com o projeto Ser+ realizador, apoiamos a inclusão de mais de três mil catadores de recicláveis, apoiando a gestão e fomentando as melhorias das instalações das cooperativas, o que gerou o aumento da renda”, afirma o diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem, Jorge Soto.

Desafios para 2030

Com o início da Agenda 2030, o desafio será integrar os diferentes temas de desenvolvimento em uma agenda que unifique o crescimento econômico e a inclusão social com a sustentabilidade.

“Apesar de o Brasil ter reduzido a extrema pobreza, o país continua sendo um dos mais desiguais do mundo. Ainda há grandes diferenças entre a população pobre e a população rica. Superamos a fome como um problema endêmico no país, mas ainda temos públicos em situação de fome: comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhos e populações isoladas. E também aliar a agenda da pobreza com o aumento dos anos de escolaridade da população é o grande desafio dos próximos anos”, afirma a ministra Tereza Campello.

Na avaliação do representante do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas junto ao Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC), Rafael Osório, a erradicação da pobreza deve ser formulada de maneira integrada para o cumprimento dos ODS. “Para atingirmos as metas da Agenda 2030, é necessário pensarmos em uma estratégia nacional integrada, com planejamento que envolva todas as dimensões do desenvolvimento: a ambiental, a social e econômica”, avalia Osório.

No ONU BR
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Piketty tem razão: 1% mais rico ficou mais rico!

É a obra-prima do neolibelismo!



Agora, em Washington ele vai ter tempo de ler o Piketty... (Quem indicou o Levy para o Banco Mundial? O Governo brasileiro é que não foi...)

E quando a Urubóloga vai analisar a obra do Piketty?

A comunidade acadêmica mundial aguarda o veredito da Urubóloga para se pronunciar sobre a obra do economista francês.

(O amigo navegante mais curioso deve ir ao site do jornal Le Monde para ler um artigo do Piketty sobre a Índia, a nova China, e seus problemas.)

(Em tempo: será que os filhos do Roberto Marinho - eles não têm nome próprio - estão entre esses 62 felizardos?)

O que diz a Oxfam sobre essa grande obra do neolibelismo?

Riqueza de 1% da população supera a de 99% em 2015, mostra Oxfam

A riqueza acumulada por 1% da população mundial, os mais ricos, superou a dos 99% restantes em 2015, um ano mais cedo do que se previa, informou hoje (18) a organização não governamental (ONG) Oxfam, a dois dias do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

"O fosso entre a parcela dos mais ricos e o resto da população aumentou de forma dramática nos últimos 12 meses", diz relatório da ONG britânica intitulado Uma economia a serviço de 1%.

"No ano passado, a Oxfam estimava que isso fosse ocorrer em 2016. No entanto, aconteceu em 2015, um ano antes", destaca no texto.

Para mostrar o agravamento da desigualdade nos últimos anos, a organização estima que "62 pessoas têm tanto capital como a metade mais pobre da população mundial", quando, há cinco anos, era a riqueza de 388 pessoas que estava equiparada a essa metade.

A dois dias do Fórum Econômico Mundial de Davos, onde vão se encontrar os líderes políticos e representantes das empresas mais influentes do mundo, a Oxfam pede a ação dos países em relação a essa realidade.

"Não podemos continuar a deixar que milhões de pessoas tenham fome, quando os recursos para ajuda estão concentrados, no mais alto nível, em tão poucas pessoas", afirma Manon Aubry, diretora dos Assuntos de Justiça Fiscal e Desigualdades da Oxfam na França, citada pela agência de notícias France Presse (AFP).

Segundo a ONG, "desde o início do século 21 a metade mais pobre da humanidade se beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto a parcela de 1% dos mais ricos partilharam metade do mesmo aumento".

Para combater o crescimento dessas desigualdades, a Oxfam pede o fim da "era dos paraísos fiscais", acrescentando que nove em dez empresas que figuram entre "os sócios estratégicos" do Fórum Econômico Mundial de Davos "estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal".

"Devemos abordar os governos, as empresas e as elites econômicas presentes em Davos para que se empenhem a fim de acabar com esta era de paraísos fiscais, que alimenta as desigualdades globais", diz Winnie Byanyima, diretor-geral da Oxfam International, que estará em Davos.

No ano passado, vários economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam. A ONG defendeu o método utilizado no estudo de forma simples: o cálculo do patrimônio líquido, ou seja, os ativos menos a dívida.

A pequena localidade suíça de Davos vai acolher, a partir da próxima quarta-feira (20), líderes políticos e empresários para debater a 4ª Revolução Industrial.

Esta 46ª edição do fórum, que termina em 23 de janeiro, ocorre no momento em que o medo da ameaça terrorista e a falta de respostas coerentes para a crise de refugiados na Europa se juntam às dificuldades que a economia mundial encontra para voltar a crescer e à forte desaceleração das economias emergentes.

Segundo o presidente do fórum, Klaus Schwab, a "4ª revolução industrial refere-se à fusão das tecnologias", principalmente no mundo digital, que "tem efeitos muito importantes nos sistemas político, econômico e social".
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Janot pode pedir investigação contra tucano Beto Richa


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, analisa se pede ou não a abertura de investigação contra o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), em consequência das mais recentes descobertas da Operação Quadro Negro, capitaneada pelo Ministério Público (MP-PR). Um depoimento aponta que quase R$ 20 milhões foram desviados para a campanha do tucano em 2014. Ele nega.

Três pessoas investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mencionaram o nome de Richa. De acordo com uma delas, a assessora jurídica da construtora Valor, Úrsulla Andrea Ramos, a campanha de reeleição do governador e a de outros três candidatos a deputado estadual receberam recursos de dinheiro público, que deveria ter sido gasto em obras em escolas estaduais.

"Esse dinheiro não ficou comigo, esse dinheiro foi feito repasse pra campanha do governador Beto Richa e pra essas três campanhas. Foi o que ele (Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor) me disse", disse Úrsulla, em delação premiada ao MP-PR.

As campanhas mencionadas seriam a do filho do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Durval Amaral, Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa (Alep); o deputado estadual Tiago Amaral (PSB); e a de Plauto Miró (DEM).

Outro nome mencionado nos depoimentos prestado aos investigadores é o do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, irmão do governador. O irmão da vice-governadora Cida Borghetti, Juliano Borghetti — cunhado do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) —, é um dos 15 denunciados por envolvimento no esquema de fraudes.

Outro lado

O governador Beto Richa negou participação em qualquer irregularidade. "Até mesmo porque já é a minha décima campanha eleitoral e nunca aceitei qualquer tipo de doação que não tivesse uma origem lícita, muito menos desvio de recursos públicos. Não aceito essa afirmação”, disse, conforme a Gazeta do Povo.

Segundo escândalo

Outro escândalo recente de corrupção no governo Richa foram as propinas recebidas por funcionários da Receita Estadual. O auditor fiscal Luiz Antônio de Souza afirmou que o dinheiro era repassado para o ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual Márcio de Albuquerque Lima, apontado pela Justiça como líder da quadrilha — ele está preso.

Segundo o delator, o ex-inspetor entregava o dinheiro pessoalmente para o empresário Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa. O auditor fiscal relatou ainda que Antoun sabia que o dinheiro era de propina. O primo do tucano se entregou ao Gaeco.

Souza afirmou, ainda, que R$ 4,3 milhões do valor arrecadado em 2014 foram destinados para a campanha de reeleição do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

Em nota, o PSDB negou as declarações atribuídas a Luiz Antônio de Souza, e disse que Luiz Abi Antoun "nunca tratou de arrecadação para a campanha eleitoral", função que era do Comitê Financeiro.

No 247

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A trágica normalidade da América Latina e a desconfiança


Antes das ciências sociais a literatura latino-americana tenha sido a primeira a constatar o caráter trágico na América Latina e a normalidade e naturalidade que essa tragédia adquire entre nós. Nos importamos e nos impressionamos com as tragédias dos outros, não com as nossas. Aqui “tudo é normal”, registraram os escritores. Essa normalidade nos conduziu a três condições excepcionais no mundo e sequer as percebemos ou as tratamos com seriedade. A América Latina é a região mais desigual do mundo, a mais violenta do mundo e a que tem o nível mais baixo de confiabilidade interpessoal do mundo. Certamente, as três condições estão relacionadas entre si e a desigualdade é a raiz das outras duas.

Na história da humanidade, as diversas histórias singulares e significativas mostraram que os grandes empreendimentos, as grandes e pequenas lutas pela liberdade, a conquista da glória, formaram acontecimentos que sempre tinham por base relações de confiança, um sentimento de comunidade e de pertencimento fundado numa noção de igualdade. Foi assim entre os cidadãos de Atenas antiga, entre os hebreus que buscaram a terra prometida, entre o popolo romano antigo que conteve os abusos da nobreza, entre os colonos que libertaram os Estados Unidos, entre os citoyens que derrubaram a tirania, entre os camaradas e companheiros que fizeram revoluções, entre os soldados nos campos de batalha entre os trabalhadores modernos que lutaram e lutam pelos seus direitos. Formar uma vontade coletiva e uma organização que reúna os esforços de vários indivíduos isolados é condição para o êxito da luta seja ela econômica, política, ideológica, religiosa, nacional etc. Essa vontade coletiva só se forma se houver confiança interpessoal e nas lideranças.

Sem confiança não há construção comum de qualquer projeto de futuro. A confiança implica que os outros ou as instituições ajam de acordo com o que se espera delas: o governo deve governar com eficácia e produzir o bem comum, a polícia deve proteger o cidadão, o deputado deve representar os interesses dos representados de forma honesta, o partido deve defender causas justas e éticas; o motorista deve parar no sinal vermelho, os fabricantes devem produzir produtos de qualidade e que não prejudiquem o consumidor, o sistema de saúde deve atender os necessitados com zelo e perícia, o vizinho deve ser cordato e solícito, o colega de trabalho deve ser solidário e assim por diante. Sem essas relações de confiança a vida social se torna muito difícil.

Desigualdade e desconfiança na América Latina

O Instituto Latinobarometro, sediado em Santiago do Chile, vem promovendo uma inestimável pesquisa sobre a democracia na América Latina há 20 anos, completados em 2015. Dentre os vários itens pesquisados um é o da “confiança”, tanto na sua dimensão da relação dos indivíduos com as instituições políticas, sociais e privadas, quanto na dimensão das relações pessoais.

Pois bem. As pesquisas do Instituto Latinobarometro mostram que a América Latina não funciona com base em relações de confiança. A violação das leis e das normas, a puxada de tapete, a lei de Gerson, o jeitinho, a fraude social, os atestados falsos, a compra e venda de documentos, o engodo político, a demagogia e a falta de solidariedade, de compromisso e de responsabilidade social são condutas generalizadas na região.

Desconfiança e baixo nível de organização e de participação social são consequências diretas dessa situação. Esses comportamentos não são exceções. A ação visando o melhor proveito pessoal, em detrimento do coletivo ou dos outros é regra. Proveito pessoal, todos querem. Mas o que se trata aqui, segundo o estudo, é do proveito pessoal adicional, obtido pela fraude social.

As ciências sociais mostraram que na América Latina a democracia sempre foi um mal entendido, uma ideia fora do lugar, um sistema de privilégios, um instrumento de promoção da desigualdade e da violência das elites latino-americanas contra os mais pobres. A consequência foi essa violência social generalizada, o agravamento das desigualdades, essa trágica normalidade. O pior é que não há muitas esperanças. A situação parece regredir.

A média da confiança interpessoal nos 20 anos de pesquisa é de apenas 17%. Uruguai, Argentina e Panamá lideram o ranking com 22% de confiança entre as pessoas. O Brasil aparece em último lugar com apenas 7%. Quanto às instituições da democracia, os resultados de 2015 mostram que os governos aparecem com uma média de 33% de confiança; os Congressos com 37%; o Judiciário com 30% e os partidos com 20%.

Em 1995, quando a pesquisa começou a ser feita, os governos apareciam com 44%, os Congressos com 38%, o Judiciário com 37% e os partidos com 27%. A partir de 2010 passou-se a incluir o Estado como um item especívico, que aprecia com 42% e hoje aparece com 34%. Outro dado interessante se refere aos sindicatos: eles apareciam com 35% e hoje têm 29%. Mesmo as instituições mais confiáveis como Igreja, Forças Armadas, Imprensa etc., todas apresentam quedas nos índices de confiança que inspiram. As empresas privadas aparecem numa faixa intermediária entre essas instituições melhor avaliadas e as instituições da democracia.

Os números mostram que de cada 10 latino-americanos, 6 não confiam nas instituições da democracia. As alternativas politicas de direita, centro-liberal e esquerda não conseguiram produzir resultados expressivamente diferentes umas das outras, o que mostra que a região está mergulhada em grave crise de perspectivas em relação ao futuro. As diferentes alternativas parecem mover-se na lógica de produzirem resultados razoáveis quando ascendem ao poder para acabar em crise. Os novos ciclos de governos de alternativas que se alternam não são capazes de romper a trágica normalidade. O Uruguai é a única exceção, pois vem conseguindo aumentar os índices de confiança em todas as instituições da democracia com o passar dos anos.

O advento da Internet não conseguiu melhorar a confiança dos latino-americanos. A debilidade das redes sociais, das organizações da sociedade civil e dos valores de solidariedade e de comunidade resultam da disseminação da cultura de que apenas o esforço individual, mesmo que através da burla e da fraude social, é o caminho mais adequado para melhorar de vida. A profunda desigualdade da região gera violência e desconfiança. A conclusão do estudo indica que os níveis de confiança só crescerão com o avanço da democracia. A democracia só avançará se as desigualdades econômicas, sociais e de poder forem reduzidas. O desmantelamento das desigualdades requer luta solidária e empreendimentos sociais coletivos.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
No GGN
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Petróleo e religião na Arábia Saudita


O preço do petróleo continua caindo. Especialistas não excluem que o barril possa descer até US$ 20 ou a um valor ainda menor. Há uma restrição da demanda global e, em particular, um recuo das importações chinesas. No entanto, existe, obviamente, um excesso de produção de petróleo no mercado.

Uma das razões centrais da fartura da oferta é a política da Arabia Saudita, potência sunita, de manter um alto nível de produção nos seus poços. Para enfraquecer o Irã, potência petrolífera xiita, seu principal rival na região e no mundo muçulmano. Mas também para torpedear a concorrência dos produtores americanos de óleo de xisto. Tal política, viável no médio prazo, é facilitada pelos baixos custos de produção do petróleo saudita.

Ghawar, o maior campo de petróleo do planeta, de onde é bombeada 7% da produção mundial, ilustra o peso descomunal da Arábia Saudita no mercado.

Como assinala um colunista do "The Times" (somente para assinantes) o custo de produção em Ghawar é de US$ 5 e todos os poços do campo estão bombando. Mudanças em Ghawar e na produção saudita terão um forte impacto no mercado.

A estatal Saudi Aramco, a maior companhia de petróleo do mundo, controlando 15% das reservas mundiais e valendo possivelmente US$ 10 trilhões, terá uma fatia de seu capital ofertada nas bolsas ainda neste ano. Confrontada à queda do preço do petróleo, a Arábia Saudita também reforma sua economia.

Desde logo, a direção da companhia, deverá gerir as demandas contraditórias de seus acionistas privados, que buscam maiores dividendos, e de seu acionista principal, o governo saudita, que persegue objetivos políticos e estratégicos. Tal dilema, familiar aos que acompanham a gestão da Petrobras, poderá impactar a produção saudita e aumentar os preços do petróleo.

Outro fator que pode influenciar a evolução do mercado tem a ver com conjuntura social saudita e mais diretamente com a situação de Ghawar. Plantados na região majoritariamente xiita do leste do país, os poços de Ghawar estão rodeados por comunidades que entretêm uma relação conflituosa com Riad. Principalmente depois da execução, no começo deste mês, por ordem do governo saudita, do proeminente líder religioso xiita Nimr al-Nimr.

Há incidentes e protestos xiitas na região de Ghawar. Observadores mais pessimistas evocam a possibilidade de uma guerra civil no país.

Num artigo na revista "Forbes" intitulado "Quem não sabe Economia está condenado a repetir a História", Michael Lynch, um conhecido especialista da economia do petróleo, descarta as influências geopolíticas nesta e na precedente (em 1986) queda acentuada dos preços do petróleo.

Para ele, em 1986, como agora, tudo se resume à soma da atual recessão com a superprodução engendrada anteriormente pelos investimentos maciços na alta especulativa dos preços das commodities. No contexto atual, teria existido ainda a crença equivocada no crescimento contínuo da economia chinesa.

Resta que a desconsideração da História nunca ajudou o entendimento da Economia. Sobretudo no que concerne o Oriente Médio e o mercado de petróleo.

Luiz Felipe de Alencastro, Cientista político e historiador, professor emérito da Universidade de Paris-Sorbonne e professor da Escola de Economia de São Paulo - FGV. É membro da Academia Europaea.
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A manipulação nos preços do petróleo


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O que significa Kim Kataguiri na Folha

Agora na Folha: Kim Kataguiri
E então a Folha anuncia a contratação de Kim Kataguiri como colunista semanal de seu site.

Como se o site do grupo — UOL mais Folha — estivesse desguarnecido de antipetistas. Você tem Josias de Souza, por exemplo. Ou Leandro Mazzini, que noticiou há mais de um ano um novo câncer em Lula que, se fosse verdadeiro, já o teria matado faz tempo. (Era no pâncreas, o mais rapidamente letal dos cânceres. Previsivelmente, nada aconteceu com Mazzini em relação a seu emprego no UOL, e ele sequer se desculpou pela espetacular barrigada.)

Bem, Kataguiri vem se juntar à Folha. Ele é tão sem noção que afirmou que sua contratação é um esforço da Folha para parecer “mais idônea”.

É uma oportunidade para refletir sobre o nível da direita no Brasil.

Kataguiri está escrevendo também para o site HuffPost Brasil, do qual a Abril é um dos sócios.

Li o artigo de estreia dele no HP. Ali ele diz bobagens e mentiras que são a marca da direita brasileira, cujos propagandistas no passado eram gente da estatura intelectual de Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen.

Kataguiri diz que o pai de Lênin era um “poderoso funcionário” do czar.

Ora, ora, ora.

De onde ele tirou essa estupidez? O pai de Lênin era um simples diretor de universidade, e não mais que isso. Tivesse algum poder e ele não teria enfrentado a tragédia de ver o filho Alexandre, irmão mais velho de Lênin, ser executado pelo governo czarista. (Foi um episódio vital na trajetória de Lênin.)

Kataguiri e outros do gênero repetem constantemente outra falácia sobre Lênin, uma segundo a qual ele teria instruído seus seguidores a fazerem aquilo que acusam os inimigos de fazer.

Você pode achar Lênin um monstro moral, mas ele era um intelectual brilhante e jamais diria uma coisa tão rasa e idiota como aquela.

Este tipo de coisa é frequente entre os conservadores brasileiros: a falta de compromisso com os fatos, algo decorrente da pouca leitura que os marca.

No obituário que escreveu sobre Margaret Thatcher, Reinaldo Azevedo afirmou que ela morreu “pobre”.

Não sei qual é o conceito de pobreza de Azevedo, mas Thatcher tinha ao morrer, entre outros bens, uma casa na região mais cara de Londres, Mayfair, avaliada em 40 milhões de reais.

A imprensa brasileira vem abrigando direitistas desse quilate em seus quadros. Não surpreende que a mídia venha perdendo eleições há tanto tempo.

Como influenciar as pessoas com um nível tão baixo de propagandistas?

Kim Kataguiri na Folha é mais numa longa lista de nulidades.

Paulo Nogueira
No DCM
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MP apura licenciamento ilegal da Samarco no governo Aécio (+ vídeo)


O Ministério Público de Minas Gerais investiga uma possível irregularidade na liberação do governo estadual para a construção da barragem de Fundão pela Samarco, que rompeu em novembro.

De acordo com o órgão, a licença prévia para a obra em Mariana foi concedida, em 2007, no governo Aécio (PSDB) sem a apresentação do projeto executivo pela mineradora, que reúne todas as informações de uma intervenção deste porte.



“O Ministério Público, desde o início, analisou o licenciamento com a maior profundidade possível. Podemos apontar com grande exatidão que ele (licenciamento) foi decisivo para que ocorresse essa tragédia”, afirma o promotor Carlos Eduardo Ferreira, um dos responsáveis pelo caso, em entrevista ao Globo.

O rompimento da barragem deixou 17 mortos e dois desaparecidos, e contaminou o Rio Doce. Os resíduos podem ter até alcançado o litoral sul da Bahia e o Arquipélago de Abrolhos.

“O licenciamento todo é uma colcha de retalhos. Cheio de inconsistências, omissões e graves equívocos, que revelam uma ausência de política pública voltada à proteção da sociedade. Esse licenciamento foi obtido em tempo inacreditavelmente rápido”, ressalta o promotor (leia mais).
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Chargista da Zero Hora trocou FHC por Lula em charge sobre propina


Inacreditável.

Na última 6ª feira, dia 15/01, Zero Hora — jornal do grupo RBS, afiliada da Globo — publicou uma charge sobre os USD 100 milhões de propina ao governo Fernando Henrique Cardoso, mencionados por Nestor Cerveró.

O problema — o personagem da charge, de Marco Aurélio, é visivelmente uma referência a Lula, e não a FHC. Aliás, erro também na moeda — reais no lugar de dólares.

Agora circula imagem no Twitter com um pedido de desculpas de ZH a seus leitores, publicado na edição impressa de hoje — “O chargista (sic) Marco Aurélio trocou Fernando Henrique Cardoso por Lula na charge de sexta-feira. Zero Hora pede desculpas a seus leitores.”

No Blue Bus
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Nossa Senhora Aparecida não é negra; é branca.

Há uns tempos eu estava na Amazon e me deparei com um ebook interessante e esse ebook é a fonte que eu uso para fazer a afirmação contida no título. É claro que o ebook tem, dentro dele, as suas fontes.

Escrito por um historiador, de nome Waldon Volpiceli, o livro se propõe a mostrar como os ateus analisam diversas aparições de Maria ao longo da história, em todas as partes do mundo. Mas me aterei a apenas uma das várias aparições de Maria. Antes que alguém pergunte: “mas não seria Nossa Senhora?” Na verdade todas as Nossa Senhoras são Marias. São nomes dados às diferentes aparições da santa. Mas, voltando ao assunto, a aparição que me chamou mais a atenção no livro foi a de Nossa Senhora Aparecida, que, diga-se, não é bem uma aparição, já que a sua imagem e não a própria Maria apareceu. Mas uma afirmação do livro me chamou a atenção. Nossa Senhora Aparecida é branca, não negra. A afirmação está no ebook “Virgem Maria – Entre Ateus e Cristãos” http://www.amazon.com.br/dp/B019CWLAZK/. Para quem cresceu admirando a imagem negra de Nossa Senhora pode ser um choque.

Segundo o ebook quem descobriu o fato foi um professor da USP, Lourival Santos. Segundo o professor quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi tirada pelos pescadores em 1717 do rio Paraíba, no interior de São Paulo, ela estava um pouco amarronzada devido ao tempo que ficou embaixo d’água. O professor aceita a história da imagem achada pelos pescadores no rio Paraíba, no interior de São Paulo. A imagem, depois de achada, foi mantida em uma capelinha perto de um forno de carvão vegetal. Com o tempo a fuligem e a fumaça desse forno, bem como das velas deixadas pelos fiéis, se impregnaram na imagem tornando-a negra. A imagem ficou, por assim dizer, encardida com a fuligem que recebeu e que se impregnou na imagem. A maior prova da brancura de Nossa Senhora Aparecida ocorreu em 1978, segundo o ebook, quando um radical evangélico invadiu a Basílica de Nossa Senhora Aparecida e destruiu a imagem. Ao ser restaurada parte da fuligem saiu da imagem revelando sua brancura. A Igreja não pensou duas vezes: pintou — pasmem — a imagem com trinta preta para esconder tudo.

É isso aí. Quando você for visitar a Basílica de Nossa Senhora Aparecida vai venerar uma imagem pintada de preto. Resumindo, não houve milagre nenhum. Apenas um processo natural de enegrecimento. Para quem quiser saber mais sobre esse e outros fatos ligados à Virgem Maria, recomendo o ebook.

Rosineide Manzi
No Bule Voador
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Serra será candidato a Prefeito de SP

De que vive o 'Cerra'?


O Místico da Moóca, o 'Padim Pade Cerra' faz uma pirueta tão incrível quanto a modéstia do Farol de Alexandria.

Ele finge que ajuda o PSDB de São Paulo a achar um candidato para enfrentar — sem sucesso — o Fernando Haddad.

Ouve um, conversa com outro, em busca da união irremediavelmente comprometida com a decisão do Geraldinho Cantareira de revelar que o João Dória é seu candidato in pectore.

Os frequentadores do Fasano sabem que o candidato do 'Cerra' é o parceiro de todas as horas, o Andrea Matarazzo.

Mas, o Andrea Matarazzo é tão competitivo quanto o novo Corinthians.

(Desculpe, amigo navegante, se esse modesto post trata de questões provinciais, de São Paulo, mas é que o 'Cerra' merece...)

O minueto do 'Cerra' é o mesmo de sempre.

Ele não quer ninguém.

Ele quer a si próprio.

O candidato é ele.

E por que?

Porque o 'Cerra' vive disso.

De ser candidato.

É o neo-Janio.

Vive de ser candidato.

E, como é que fica a dívida de R$ 17 milhões, que ele pendurou nas costas do PSDB de São Paulo?

(Ele é um 'jênio': quebrou as finanças do partido e tomou uma surra do Haddad!)

Que se exploda o PSDB.

'Cerra' tem tanto apreço pelo PSDB quanto o Fernando Henrique.

Nenhum.

O partido é um tobogã para os dois.

Que, como se sabe, só desce.

O partido deles é o PiG.

(Em tempo: essa magnifica ilustração do blog Geopolítico tem um pequeno problema: o 'Cerra' não vai mais vender o pré-sal à Chevron, porque a Chevron, com o barril de petróleo a US$ 30, quebrou.)

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Datena abandona candidatura a prefeito de São Paulo


Não durou muito a aventura política do apresentador de rádio e TV José Luiz Datena. Pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PP nas eleições municipais deste ano, o jornalista da Rede Bandeirantes surpreendeu ao desistir da disputa na manhã desta segunda-feira (18).

Em seu programa na rádio Bradesco Esportes FM, que pertence ao grupo Bandeirantes, Datena anunciou que não disputará a eleição municipal de 2016 e deixará o PP, partido ao qual se filiou no ano passado.



Entre os motivos alegados para tomar a decisão citou uma denúncia contra o partido. "Não posso permanecer em um partido que tomou mais de R$ 300 milhões da Petrobras." 

O apresentador se referia a informações divulgadas neste domingo (17) com pesadas acusações contra o PP. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o esquema de corrupção sustentado pelo PP na Petrobras, que tinha como principais operadores o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, desviou R$ 357,9 milhões dos cofres da estatal, entre 2006 e 2014 —161 atos de corrupção em 34 contratos, 123 aditivos contratuais e quatro transações extrajudiciais.

"Desisti por causa das novas denúncias de corrupção ligando o partido a que me filiei com o objetivo de específico de me candidatar. Lembrei do que meus pais diziam: 'Dizem com quem andas e te direi quem és'", disse Datena depois do programa. O PP e seus integrantes já eram investigados pela operação Lava Jato antes do apresentador se filiar ao partido.

Outro motivo mencionado por Datena é a provável realização de eleições prévias dentro do PP para definir o nome do candidato a prefeito do partido. Segundo a jornalista Mônica Bérgamo, em sua coluna no jornal "Folha de S. Paulo", o jornalista teria de disputar com o ex-prefeito da capital Paulo Maluf a indicação. "Jamais disputaria uma prévia eleitoral com [Paulo] Maluf. Preferia uma disputa com o Marcola [um dos líderes do PCC]."

"Acreditei que seria possível ajudar a cidade, mas o cenário político só piora, com denúncias cada vez mais cabeludas. Ele [Maluf] é o candidato ideal para o momento de hoje", ironizou. Procurado, o atual deputado federal Paulo Maluf não quis comentar as declarações do jornalista.

O jornalista disse que comunicou as decisões de desistir da pré-candidatura e de se desfiliar ao deputado estadual Delegado Olim, seu amigo, cotado para ser o vice na chapa. Só faltava avisar o deputado federal Guilherme Mussi, presidente do diretório estadual do PP, com quem Datena deve conversar ainda nesta segunda.
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Cientista argelino radicado no Brasil, acusado de “terrorismo” pela Globo, se defende

O Cafezinho tem a honra de publicar, com exclusividade partilhada por apenas meia dúzia de sites independentes, uma entrevista com Adlène Hicheur, professor argelino radicado no Brasil, que reconstruía sua vida tranquilamente por aqui, até ser literalmente atacado pela Globo, via revista Época.

Quando você pensa que o banditismo midiático havia batido recorde na última edição da Época, cujo reportagem de capa tenta criminalizar o ex-marido da presidenta Dilma, descobrimos que há pouco a revista protagonizou uma brutalidade ainda mais injusta e bizarra.

Esperamos que as autoridades competentes e a sociedade civil consigam proteger Hicheur desses neocriminosos travestidos de editores de jornais e revistas. E que dêem a Hicheur um tratamento coerente com os principíos democráticos que regem a nossa Constituição.

O ministro da Educação, Aloísio Mercadante, deve um pedido de desculpas à Hicheur - a menos que o ministro queira entregar à Globo o direito de escolher quem pode dar aula nas universidades brasileiras.

Que ele possa trabalhar e contribuir para o conhecimento de nossos estudantes.

O Brasil não pode se dar ao luxo de dispensar cientistas do porte de Hicheur apenas porque a Globo tenta desesperadamente manter, a qualquer custo, o nível de venda de uma revista decadente.

Sugerimos também ao cientista o grupo de advogados e intelectuais reunidos na Frente Antifascista pelas Liberdades Antidemocráticas, formado justamente para lutar contra esse tipo de arbítrio, muitos deles chancelados ou mesmo protagonizados pela grande imprensa.

Os jornalistas que entrevistaram Hicher são conhecidos do editor do blog. São pessoas progressistas, humanistas e profissionais experientes. Pessoas de inteira confiança.

Hicheur ainda está assustado com a perseguição midiática agressiva e irresponsável à sua pessoa e por isso não quis divulgar uma foto com muita nitidez. Está tentando preservar sua imagem e evitar agressões verbais ou físicas.

* * *

“Ee estou sendo caçado pela mídia por um crime que não cometi”

Em uma entrevista exclusiva feita durante dois dias, enquanto jornalistas da grande mídia tentavam caçá-lo no Rio, o cientista argelino Adlène Hicheur, professor do Instituto de Física da UFRJ, revelou a sua história e contou como foi sua polêmica prisão e condenação na França, episódios criticados por físicos e defensores dos direitos humanos. Acusado de “formação de quadrilha” com terroristas, ele já não devia mais nada à Justiça francesa quando chegou no Brasil, onde reconstruía sua carreira, viajando sempre para a Europa para ver a família, que vive na França. Mas aqui, alvo de uma campanha midiática deslanchada pela revista Época, que seus colegas (inclusive europeus) afirmam ser difamatória, Hicheur decidiu que vai deixar o país.

Florência Costa & Shobhan Saxena *
Rio de Janeiro

Adlène Hicheur ainda consegue abrir um sorriso atrás da barba escura e bem desenhada que cobre suas bochechas afundadas. Com uma mochila verde pendurada em seu ombro esquerdo, ele caminha calmamente na sala e senta na beira do sofá.

Então, ele começa a falar, falar, falar. Ele adora falar. No meio de uma frase sobre islamofobia, ele desliza a mão para dentro da bolsa e saca dois livros. Um deles, em francês, é o clássico “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano. “As pessoas não podem esquecer a sua história. Eu li este livro quando estava na prisão e estou lendo de novo”, diz. “Nós precisamos conhecer as alternativas, outras formas de vida”, diz ele, tirando da bolsa outro livro, este em português: “Por uma outra Globalização”, do renomado geógrafo brasileiro Milton Santos. “Eu adoro suas ideias. Ele faz uma nova interpretação do mundo contemporâneo”, comenta, enquanto bebe chá branco em pleno calor carioca. “Eu gosto de chá. Não preciso de café. Já sou muito agitado”, conta. Ele coloca a mão dentro da mochila novamente e desta vez surgem mais dois livros sobre ecologia e desenvolvimento sustentável.

Hicheur, 39, não precisa de gatilho para começar uma conversa. Parece que dezenas de ideias borbulham na sua mente ao mesmo tempo. Ele salta, em questão de minutos, de física de partículas, para geopolítica, história da Argélia, repressão aos muçulmanos na Europa, álgebra, culinária, cinema. Há espaço até mesmo para Batman em sua conversa. As frases saem de sua boca em várias línguas: inglês, francês, português, de vez em quando com pitadas de árabe.

Ele faz uma pausa apenas para enxugar o suor de sua testa ou para ajustar os óculos que pousam em seu nariz. Então, a conversa amena começa a ganhar um tom mais sério: a sua atual situação. Ele se afunda no sofá e fica em silêncio — por alguns segundos. “Sinto que tem uma bola no meu estômago — sinto um vazio”, franzindo suas fartas sobrancelhas. “Eu decidi deixar o Brasil. Não sei ainda para onde vou e quando, mas vou embora”, contou.

Adlène Hicheur não está deixando o Brasil por sua própria vontade. O cientista, tido por todos que o conhecem como brilhante, e seus colegas dizem que ele está sendo empurrado porta afora. Hicheur foi taxado no Brasil como uma ameaça terrorista real devido às acusações do passado. Ele protege firmemente a sua privacidade, não deixando que se fotografe seu rosto, até para não sofrer agressões na rua.

Mas sua vida — e seu passado — não é nenhum segredo. Uma simples procura no google mostra que em 2009, enquanto trabalhava no famoso Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), que abriga um superacelerador de partículas, perto de Genebra, na Suíça, ele foi preso pela polícia francesa. A acusação foi de “formação de quadrilha” com um grupo terrorista” (Al Qaeda no Mahgreb). Ele passou 30 meses enjaulado. É também de conhecimento público que a polícia francesa acusou Hicheur devido a 35 emails e conversas virtuais em fóruns na internet com um interlocutor que usava pseudônimo e que alegadamente seria um integrante argelino da Al Qaeda. Durante o julgamento, não se conseguiu apresentar nenhuma prova ou indício de que ele teria tomado qualquer ação para concretizar seus comentários. Sua resposta às acusações é bem conhecida também: ele alega que as conversas online icluíam numerosos tópicos internacionais, que ele nunca planejou nenhum ataque terrorista com ninguém. Há até uma página na Wikipedia sobre Hicheur que compara seu caso com o de Lotfi Raissi, acusado de ser o principal mentor do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 nos EUA, mas depois foi libertado sem qualquer acusação.

Também não é segredo que após 949 dias na notória prisão de Fresnes, em Paris, Adlène Hicheur foi liberado em maio de 2012. Ele deixou o país um ano depois, com o caso encerrado. Desde então, já no Rio, ele procurava colocar sua vida nos trilhos novamente — como professor e pesquisador. Aqui ele estava feliz porque se sentia bem acolhido. Ele já havia se convencido de que conseguiria apagar a marca de terrorista que havia sido carimbada em seu rosto na Europa e que o assombrou de 2009, quando foi preso, a 2013, quando chegou aqui. “Fui capaz de ensinar física na UFRJ e me dediquei totalmente às minhas pesquisas, além de escrever artigos acadêmicos. Tudo caminhava muito bem. Isso era tudo o que eu queria na minha vida e aqui no Brasil eu encontrei espaço para fazer isso”, lembrou Hicheur.

Ele estava no lugar certo mas provavelmente no momento errado.

Reciclando o passado

No último dia 9, em meio à intensa disputa entre partidos políticos sobre a “necessidade” de o país adotar uma lei anti-terrorismo, Hicheur apareceu na capa da revista Época, com uma reportagem intitulada “Um terrorista no Brasil”. A matéria afirmava que havia “um segredo” na biografia do cientista, que estava sendo investigado pela Polícia Federal. Dizia ainda que ele havia recebido “uma bolsa do governo e que ensina em uma universidade pública”. A reportagem citou alguns emails que falavam em atentados terroristas, trocados entre ele e e um interlocutor chamado Phenix Shadow, que segundo o governo francês seria um membro da Al Qaeda. Mas Hicheur e seus colegas reagiram afirmando que a matéria remoeu detalhes velhos do caso já amplamente noticiados na mídia europeia há seis anos. A foto de um Hicheur barbeado foi estampada com um título em vermelho: “terrorista”. A reportagem parecia trazer a mensagem de que o Brasil está sob uma ameaça terrorista. “Não há segredo em meu currículo. Eu cheguei ao Brasil com um visto válido, convidado por um centro de pesquisas. Meu caso é muito conhecido, é passado. Eu sou cientista mas eles me carimbaram como terrorista ao reciclar de forma vergonhosa uma história velha”, protestou Hicheur, com um misto de tristeza e raiva.

Isso foi apenas o início de seu pesadelo brasileiro, com toda a grande mídia atrás dele. Sua foto, retirada do website do Ministério da Ciência e Tecnologia, ilustrou jornais e revistas, além de reportagens de televisão. Adlène Hicheur, um cientista que ainda trabalha, a partir do Brasil, em parceria com o CERN, foi apresentado como um perigo iminente ao Brasil. “Seu julgamento e condenação foram muito questionados. Os juízes sabiam disso, senão não o teriam liberado após três anos”, afirmou Patrick Baudouin, seu advogado, ao jornal Le Monde, na última quinta-feira. O Le Monde publicou uma matéria sobre o escândalo em torno de Hicheur a partir da reportagem da revista. Mas o próprio jornal francês, que fala de uma “máquina midiática-política”, coloca a palavra “terrorista” entre aspas. “Em todo o caso ele cumpriu sua sentença”, acrescentou Baudouin, que é também diretor da Federação Internacional dos Direitos Humanos.

Mas o estrago já tinha sido feito.

Fatos cruciais foram ignorados no bombardeio contra Hicheur, como o de que ele foi condenado no dia 5 de maio de 2012 e liberado apenas 10 dias depois. A longa detenção de Hicheur foi criticada por mais de 600 cientistas, incluindo o prêmio Nobel de Física Jack Steinberger, além de organizações de defesa dos Direitos Humanos na Europa.

Hicheur acredita que está sendo julgado novamente no Brasil, quando já cumpriu a pena, e por um crime que, segundo ele, nunca cometeu.

“Nem a mídia francesa mostrou uma hostilidade tão exacerbada contra mim”, disse o físico, que recusou-se a falar com os jornalistas que invadiram sua sala na UFRJ e bateram na porta de seu apartamento, na Tijuca. Os repórteres, após entrarem no prédio, que não tem porteiro, fizeram plantão no corredor de seu andar, até que um colega de Hicheur chamou a Polícia Federal para retirá-los de lá.

Quatro dias após ele ter se transformado em manchete no país, Hicheur concordou em nos dar uma entrevista para contar seu lado na história. “Sem gravadores escondidos e sem fotos”, foi a única condição que ele apresentou. Ele avisou que poderíamos perguntar qualquer coisa.

Vestindo túnica de algodão azul marinho de manga curta, calça preta e sandália marrom, e com um boné cobrindo a sua cabeça, Adlène Hicheur entra na sala da casa de um amigo, aperta as mãos dos jornalistas, e senta para ser entrevistado.

Hicheur conversa com a urgência de um homem que tem muito a dizer mas pouco tempo. Sua dicção é serena enquanto ele faz a conexão do que aconteceu com ele com o contexto político e social mais amplo.

Como um verdadeiro físico, ele explica sua história, como uma equação onde ciência, política, religião e cultura interajam uma com a outra.

Primeiro Julgamento

Hicheur nasceu em Setif, uma região montanhosa com florestas verdes e uma cidade com ruas arborizadas, no norte da Argélia, em 1976. Quando ele tinha um ano, sua família mudou-se para Isère, na França, levando ele, seus dois irmãos e três irmãs. Mesmo tendo nascido em uma família simples — seu pai era operário da construção civil —, ele ficou em primeiro lugar na turma de mestrado de Física Teórica na École Normale Supérieure, uma universidade da elite francesa. Ele fez o doutorado no Laboratório de Física de Partículas de Annecy-le-Vieux de (Lapp), após breve passagem pelo Stanford Linear Accelerator Center (Califórnia). Em seguida, foi para o Rutherford Appleton Laboratory, perto de Oxford, na Inglaterra, onde fez seu pós-doutorado. Depois, ele foi convidado a trabalhar no Departamento de Física de Altas Energias da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL), na Suíça, e trabalhou no experimento LHCb do CERN.

Como uma estrela ascendente do EPFL, Hicheur tinha tudo a seu favor quando de repente sua vida começou a se desintegrar. No início de 2009 foi diagnosticado com hernia de disco que o fazia sofrer com fortes ondas de dores na espinha e na perna direita. Ficou confinado na cama da casa dos pais, em Isère. Algumas vezes as dores eram tão insuportáveis que ele tinha que tomar injeções de morfina. Ele só conseguia se locomover com andador.

Mas o pior estava por vir.

No dia 8 de outubro de 2009, a casa dos Hicheurs foi invadida por homens encapuzados fortemente armados. Eram agentes da polícia e da inteligência francesa. Hicheur e seu irmão mais novo, Zitouni, um engenheiro mecânico, foram levados para a delegacia de polícia. Seus computadores e equipamentos eletrônicos foram confiscados. “Não sabíamos o que estava acontecendo. Minha mãe, que é diabética, desmaiou e a polícia não deixou que a socorrêssemos. Mesmo com dores terríveis eu fui levado para o carro da polícia”, lembrou Hicheur com amargura.

Zitouni foi liberado após poucos dias, mas Hicheur foi acusado de “formação de quadrilha” com um grupo terrorista e enviado para a prisão de Fresnes. Sua detenção passou a dominar as manchetes da mídia francesa e europeia.

‘O terrorista do Big bang’

Em 2009, o CERN estava sob holofotes da mídia global por suas colisões de altas energias no maior acelerador de partículas do planeta. O CERN inspirava livros de ficção e filmes com tramas recheadas de teorias conspiratórias. No início de outubro daquele ano, quando coincidentemente nós dois visitávamos o CERN em uma viagem de 10 dias pela Suíça, o entusiasmo em torno do experimento do “Big Bang” (que procurava descobrir a origem do universo), chegava ao ápice.

“Cientista do Big Bang acusado de ter ligações com o terror”, dizia uma manchete em um jornal australiano. Outros reproduziam chamadas semelhantes e aterrorizadoras. Naqueles dias, em conversas com cientistas no bandejão do CERN, nós percebemos que a notícia explosiva assustou muitos, mas não convenceu vários de seus colegas mais próximos. Hicheur, que desde sua prisão tem negado consistentemente sua ligação com grupos terroristas, diz que paga um preço alto por ser um muçulmano bem educado na França. “As pessoas aqui não entendem o que significa ser muçulmano na França nestes dias, o que significa ser um migrante argelino. Se você é um muçulmano com alto nível cultural e educacional e ascendeu na vida eles vão te derrubar. Eu fui apresentado como como um exemplo de terrorista bem-educado, ativo na internet e que se radicalizou. Eles queriam me punir por minhas opiniões políticas”, afirmou Hicheur. “Eles queriam apenas destruir a minha reputação. Eles queriam me desumanizar”, concluiu.

Ele não foi o único que interpretou a sua detenção desta forma. Jean-Pierre Lees, um físico do Lapp que trabalhou com Hicheur e fez campanha por sua libertação, disse em 2011 que os promotores “sabiam muito bem que ele não tinha feito nada sério”. Citado em um artigo da revista científica internacional “Nature”, Lees disse que Hicheur foi atingido porque ele é um muçulmano com alto nível de educação trabalhando em física.

Mas o que aconteceu depois, nas palavras de Hicheur, parecia ter sido inspirado em um romance de Franz Kafka. Quatro dias após a sua detenção na delegacia, o juiz que o investigava apresentou acusações contra ele, decretou a investigação formal e ordenou que ele fosse enviado para a prisão de Fresnes. Pela lei francesa, juízes lideram a investigação de crimes. A acusação contra Hicheur é uma das mais comuns em casos relacionados ao terrorismo na França. Apesar de não haver acusação concreta de nenhum ato de terror — planejado ou executado — contra Hicheur, sua detenção provisória em Fresnes durou quase três anos, com limitado acesso ao mundo exterior. Um grupo de apoio composto por cientistas divulgou uma declaração condenando o estilo “Guantanamo” de encarceramento no caso de Hicheur.

A polícia da Suíça, onde ele viveu e trabalhou até ser preso, o investigou e não conseguiu encontrar nenhuma evidência contra ele.

Os chefes de Hicheur na Suíça e no Brasil são só elogios a ele e rejeitam categoricamente que o físico seja culpado. Aurelio Bay, um cientista suíço que foi seu chefe no Grupo de Altas Energias do EPFL, em Lausanne, nos enviou um email ressaltando a sua crença na inocência de seu subordinado. “A Polícia Federal da Suíça averiguou tudo sobre a vida dele em Lausanne. Não encontraram nada. Eles acharam apenas papeis e contas velhas, copos sujos e discos rígidos que não tinham nada,” disse Bay. “Adlène deveria escrever um livro. O ataque é a melhor forma de defesa”, opiniou Bay.

Política do terrorismo

Em um dia chuvoso, mas quente, no Rio, Adlène Hicheur não esconde que sua mãe, de 68 anos e doente, domina a sua mente. “Você não imagina o que a minha mãe passou quando eu estava na prisão por causa de acusações falsas e o que ela está sentindo agora que estou sendo perseguido novamente no Brasil por algo que não fiz”, lamentou.

Hicheur está triste e desapontado, mas ele não caiu na tentação de mergulhar no sentimentalismo. O cenário do que aconteceu em 2009 e o que está acontecendo agora está claro em sua cabeça. De fora, a França parece um país de primeiro mundo com uma robusta democracia e respeito pelos direitos humanos. Mas uma pessoa que cresceu em bairros empobrecidos e com muitos imigrantes tem uma percepção diferente do que seja o Estado francês. Nesta parte da França invisível, direitos são violados frequentemente, conta Hicheur.

Ele acredita que foi alvo do governo de direita de Nicolas Sarkozy, por ser um cidadão francês de origem argelina e muçulmano. “Logo que eu fui levado para a delegacia, o ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, declarou que eles haviam ‘feito um grande avanço’. Eu o vi na delegacia. Este ministro foi condenado por racismo. Ele estava com tanta pressa que queria me condenar antes mesmo de me acusar formalmente”, lembra o cientista, citando o comentário racista de Hortefeux, amigo próximo de Sarkozy, contra um homem de origem argelina, em setembro de 2009. Em abril do ano seguinte este ministro foi multado em €750 por um tribunal francês devido a comentários racistas.

Em 2012, a popularidade de Sarkozy despencava. Assim, não foi coincidência, analisa Hicheur, que seu julgamento tivesse ocorrido apenas três semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais na qual Sarkozy encarou uma dura disputa e perdeu para Francois Hollande. “Meu julgamento acabou em apenas duas tardes, depois de me manter na prisão por 30 meses. Esta foi a forma de Sarkozy mostrar que havia capturado um perigoso terrorista”, disse Hicheur, que foi condenado a cinco anos de prisão em 5 de maio, apenas um dia antes do último turno do pleito presidencial. Logo após o veredito, seu advogado, Baudouin, classificou o julgamento de “escandaloso”.

Hicheur diz que a matéria da revista Época distorceu os fatos e ignorou detalhes cruciais que indicariam a sua inocência. Em 2009, antes de ser preso por visitar “websites de conversas subversivas islâmicas”, Hicheur estava seriamente doente, tomando medicação. “Durante aquele período eu passei seis meses entre hospitais, médicos, fisiologistas, reumatologistas e finalmente na casa de meus pais para me recobrar dos problemas nas costas e no nervo ciático”, conta Hicheur, que afirmou ter passado naquela época por um “período de turbulência”.

Hicheur diz que a revista quis apresentar os 35 e-mails e conversas online como algo novo. “Não há nada novo nisso”, afirma ele. Em seu julgamento a acusação apresentou isso como evidência de sua culpa, mas Hicheur afirma que este é o elemento mais fraco do caso. Em uma sala de bate-papo virtual lotada de participantes com pseudônimos, Hicheur expressava livremente suas visões políticas sobre tudo o que acontecia no mundo islâmico. Depois que a sala de bate-papo foi hackeada — acredita ele — por algum serviço de inteligência, Hicheur passou a trocar email com um interlocutor chamado “Phoenix Shadow”. Segundo ele, nenhum dos dois estava ciente da identidade real de ambos.

Durante os dois dias de julgamento em 2012, a acusação afirmou que “Phoenix shadow” era na verdade Mustapha Debchi, um alegado integrante da Al Qaeda do Mahgreb. Mas a acusação nunca conseguiu estabelecer a conexão entre o pseudônimo, o número de protocolo de internet de seu computador e Debchi, segundo Hicheur. “O nome Mustapha Debchi foi mencionado desde que eu fui preso sem nenhuma prova de minhas ligações com ele”, explicou. “Então, de repente, em setembro de 2011, eles anunciaram que o haviam capturado em fevereiro daquele ano, na Argélia, que o haviam interrogado e que a informação que constava do arquivo era de que tratava-se de ‘Phoenix Shadow’.

“Mas Debchi não foi levado ao tribunal e nem indiciado, mesmo estando no centro desta alegada associação comigo. Ou seja, a culpa nunca foi estabelecida”, detalha Hicheur. “Se ele foi preso em fevereiro, porque eles mantiveram esta informação secreta até setembro?”, questiona o cientista. Então, ele oferece a resposta: “Porque em outubro de 2011 eu completaria dois anos de detenção provisória e eles não poderiam de me manter preso por mais tempo”.

A maioria dos resultados das buscas na internet sobre Mustapha Debchi estão ligados ao julgamento de Adlène Hicheur. “Minha correspondência com ‘Phoenix Shadow’ foi toda em árabe, mas o que produziram no tribunal foram trechos daqui e dali, fora do contexto e distorcidos, todos traduzidos muito mal para o francês. Eles estavam desesperados para me levar a julgamento e mostrar que eu era culpado”, afirmou.

Hicheur deixou a prisão depois de ter decidido não recorrer do veredito. “Desafiar o verefito significava ficar na prisão por mais um ano, além do tempo do julgamento. Não há como conseguir justiça. Eu iria apodrecer na cadeia. Eu queria voltar a ensinar e a pesquisar. Então, quando eles me disseram que eu poderia voltar para casa, eu senti que poderia renascer. A prisão é o túmulo dos vivos, como diz uma poesia em árabe. Eu sobrevivi lá dentro por causa da minha educação e da minha maturidade”, contou.

Jogo mentais

Prisão nunca é um lugar prazeroso, mas algumas delas são notórias — historicamente — como Fresnes. Hoje, a guilhotina, que foi usada na França até 1977, está guardada em Fresnes, a maior casa de detenção da França. Durante a Segunda Guerra Mundial foi usada pela Gestapo. O lugar abrigou os que lutaram pela Frente de Liberação Nacional (Argélia), nos anos 50 e 60 , quando eles buscavam a independência da França. Foi no andar térreo da prisão que Hicheur passou 30 meses sem ver o céu aberto. Mas a quase falta de sol não era o maior problema. A polícia tentava quebrá-lo emocionalmente todos os dias, conta Hicheur. “Eles me diziam que eu nunca seria capaz de ensinar novamente e que eu seria obrigado a vender legumes nas ruas. Eles queriam me anular”, diz. “Mas eu estava determinado a resistir a este processo de desumanização”.

A sua determinação eram os livros que ele não apenas devorava para manter sua sanidade, mas apresentava a outros prisioneiros. Ele discutia os livros em uma espécie de Café Fisolófico na biblioteca da prisão, que podia frequentar uma vez por semana.

Hicheur herdou o amor pelos livros de seu pai, um operário da construção civil. Quando Hicheur e seu irmãos eram pequenos, o pai os levou ao canteiro de obra para mostrar como era uma vida dura. Se os meninos não estudassem íam acabar como ele, advertia. A educação era a salvação, repetia o pai. “Meu pai era um homem politicamente consciente. Apesar de ter sido um operário, ele sempre falava sobre livros, cultura e política com a gente”, lembrou. “E graças à minha educação, eu sobrevivi na prisão”, constatou.

O refúgio na prisão se dava através de livros dos mais variados: de física, cultura, espiritualidade e poesia árabe. Mesmo na loucura da cadeia, onde os prisioneiros brigavam uns com os outros por causa de um cigarro, ele manteve sua ligação com o mundo acadêmico. “Uma de minhas orientandas de doutorado me enviou um capítulo de sua tese para que eu corrigisse. Eu fiquei tão feliz em corrigir. Eu vi que poderia ainda me manter em dia com a física”, conta.

Em Fresnes ele fez amizades com outros detentos. Seu apelido entre os prisioneiros era “Google” porque era capaz de responder a todos os tipos de perguntas — de neutrinos à religião. “Eles queriam me ver fora dali”, conta Hicheur, entusiasmado, comparando sua condição com a do Batman no filme “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, onde Bruce Wayne é detido mesmo estando com um problema nas costas, mas escapa com o apoio dos outros presos. “Eu estava na mesma condição, na cadeia, com dor nas costas, mas contando com a torcida dos outros presos para sair”, riu.

Bruce Wayne escapou devido à sua força extraordinária, mas o que mantem o espírito de Hicheur positivo são sua crença e suas orações. Muçulmano praticante, ele adora falar sobre tradições islâmicas de ensino na matemática e química durante a Era Medieval. Seu interesse pela ciência e pelo conhecimento vem desta tradição. Ele manteve sua mente aberta na prisão interagindo com os outros detentos, ensinando o que podia e também aprendendo com eles. “Você deve se beneficiar da sabedoria de onde ela vier”, afirma, citando o profeta Maomé.

Estava chovendo enquanto Hicheur falava sem parar, respondendo as perguntas. Mas quando o sol começou a se por, ele se levantou: “Eu preciso rezar”, diz, tirando seu tapetinho de nylon. Vai para o escritório, desenrola o tapete no chão e faz suas orações.

O recomeço

Em maio de 2012, logo que ele saiu da prisão, Hicheur comprou um computador, instalou alguns programas e começou a fazer ciência de novo. Ele estava ávido para voltar a trabalhar. Logo ele voltou ao CERN como integrante do laboratório de Lausanne e até fez uma viagem ao Brasil para um curto período no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Mas em maio de 2013, um ano após a sua libertação da prisão, ele foi proibido de entrar na Suíça ( decisão válida até 2018) como resultado de uma ordem administrativa da polícia daquele país, apesar de a justiça suíça não ter encerrado o caso por falta de provas. Hicheur sugere que esta decisão foi tomada por pressão da França. “Eles queriam ter certeza de que eu não seria capaz de trabalhar como cientista nunca mais na minha vida. Eles sempre me falavam isso na cadeia”, lembra Hicheur, com olhar preocupado.

Mas mesmo com esta proibição e estando no Brasil, ele continuou colaborando com o CERN, o que faz até hoje. Ao saberem da campanha contra ele no Brasil, seus colegas europeus mais próximos reagiram revoltados. “Hicheur já pagou alto preço por sua correspondência online com alguém alegadamente da Al Qaeda. Hicheur nunca cometeu, direta ou indiretamente, qualquer ato terrorista ou criminoso. Ele cumpriu sua sentença e estava trabalhando pacificamente no Brasil”, afirma através de um email que nos enviou, a física suíça Monica Pepe Altarelli, do experimento LHCb do qual ele faz parte. Ela também é vice-porta-voz do CERN. “É admirável que o Brasil tenha oferecido ao professor Hicheur a possibilidade de retornar à sua carreira científica, beneficiando-se, assim, de suas elevadas qualidifcações como cientista e professor. O artigo publicado pela revista Época não está baseado em fatos e é inconsistente com a aberta tradição humanitária do Brasil”, afirma ela, com o respaldo de outros colegas que trabalharam de perto com ele, como os cientistas Pierlugi Campana, do Laboratori Nazionali dell’INFN de Frascati (Itália), e ex-porta voz do experimento LHCb, e o suíço John Ellis, professor de Física Teórica do King’s College, em Londres, integrante do CERN.

Com os portões do CERN fechados para Hicheur, ele começou a olhar além da Europa para procurar trabalho. Seus colegas o ajudaram e ele encontrou a oportunidade de renascer no Brasil, um país que ele sempre admirou por sua rica história, “pela política externa independente” e pela cultura de ativismo da sociedade civil. Depois de obter o visto do consulado brasileiro em Genebra, processo que demorou mais de 30 dias, devido a todo o processo de verificação de seu caso, ele desembarcou aqui em maio de 2013 e começou a trabalhar no CBPF. A partir de junho de 2014, passou a trabalhar na UFRJ.

Apesar de ter crescido na França, Hicheur manteve os laços com sua cidade, Setif, na Argélia, que sua família costumava visitar sempre. Acostumado com as montanhas, o calor tropical e as praias do Rio são um choque térmico, mas ele se adaptou. Depois de algumas semanas vivendo em um apartamento em Copacabana, Hicheur mudou-se para uma rua da Tijuca e começou a descobrir a cidade. “Eu adoro andar na Floresta da Tijuca. É tão bom ser parte da natureza” diz ele, que gosta também de montanhismo.

Devido à sua limitação no domínio do português, no início ele só pesquisava. Mas no segundo semestre de trabalho na UFRJ já havia começado a dar aulas, no nível da graduação, sobre sustentabilidade das energias renováveis e física experimental. Seus colegas da UFRJ aplaudem a contribuição que o professor Hicheur tem dado à ciência no Brasil e ao ensino. O professor do Instituto de Física, Leandro Salazar de Paula, a quem Hicheur é subordinado no grupo de pesquisa no qual trabalha, define: “Ele é um excelente pesquisador, simplesmente brilhante”. Segundo ele, se Adlène Hicheur deixar o país “será uma grande perda para o nosso programa de pesquisa”. O professor argelino atua em várias linhas de pesquisa. “Somos nove pesquisadores e estamos perdendo o mais atuante”, lamentou Leandro de Paula.

O Segundo Julgamento de Adlène Hicheur

Apesar de o contrato de Hicheur valer até junho, ele decidiu deixar o país, desapontado com tudo o que aconteceu e com a falta de apoio do governo. Sua paz no Brasil foi abalada em outubro do ano passado quando ele foi abordado por policiais à paisana em uma rua perto de sua casa. “Eu entrei em pânico. Você pode pensar que eu sou paranoico mas por causa da minha experiência terrível na França eu não sabia quem eram estes homens e o que eles queriam de mim”, conta. Eram da Polícia Federal. Eles queriam conversar com Hicheur sobre um indicente na Masjid e Nur, uma mesquita da Tijuca frequentada por ele.

Em janeiro de 2015, poucos dias após o ataque terrorista à sede da revista Charlie Hebdo, em Paris, uma equipe da CNN da Espanha foi à mesquita para fazer uma filmagem. Coincidentemente — ou não —, enquanto a equipe filmava, um homem que nunca frequentou o local apareceu diante das câmeras e tirou a sua camiseta para revelar uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico, impressa em uma outra camiseta que havia por debaixo. Isso, segundo a polícia contou para ele, fez com que se investigasse todos os frequentadores da mesquita, inclusive o próprio Hicheur. “Eu não estava nem no Brasil naquele dia. Estava na Europa passando férias com a minha família”, lembra. “Não há nada contra mim por parte da polícia brasileira”, assegura. De fato, Hicheur tem em mãos um certificado de antecedentes criminais datado de 14 de janeiro: “A Polícia Federal certifica, após pesquisa no sistema nacional de investigação criminal, que até a data de hoje (14 de janeiro) não há registro de antecedentes criminais em nome de Adlène Hicheur”, diz o atestado ao qual tivemos acesso.

Após a divulgação da reportagem da Época, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que uma pessoa “condenada por terrorismo” deveria ter sido impedida de entrar no país. O ministro sinalizou ainda que o governo iria averiguar seu status legal no país.

Os acadêmicos mais próximos de Hicheur criticaram esta declaração, mas isso fez com que Hicheur decidisse desistir da oportunidade que o Brasil havia oferecido a ele para reconstruir a sua vida. “Não me deixaram opção”, disse. Ele contou que está desapontado e sentindo-se traído. “Eu cheguei aqui legalmente. Vim para trabalhar e contribuí com a física aqui. Agora sou forçado a deixar o país”, lamentou. “O que fizeram com ele no Brasil é um linchamento inaceitável. Ele passou mais de um ano ocupando um escritório do lado do meu.

Conversei muito com ele sobre a prisão, sobre política no Oriente Médio e outros temas. Ele sempre criticou grupos terroristas, inclusive o Estado Islâmico. Aí uma revista semanal veio com uma matéria que prefiro nem usar adjetivo....e ele viu seu tremendo esforço para reconstruir sua vida científica desabar. A isso adiciona-se uma declaração de um ministro e ele passa a se sentir ameaçado. Ele não quer ser espancado e humilhado novamente. Ele entrou pela porta da frente e quer sair pela porta da frente”, disse Ronald Shellard, diretor do CBPF. “Ele é um muçulmano bastante fiel, com um senso muito agudo de honra, respeito e dignidade, completou. “Se o Adlène for embora, ou pior, for expulso, isso significará a derrota definitiva de tudo por que nossa geração lutou durante a ditadura militar, de todos os princípios de direitos humanos”, opinou Shellard. Sobre o caso francês, já encerrado, Shellard diz que pelo o que sabe “ele foi condenado por seus pensamentos que estão em um disco rígido. Isso me faz lembrar o livro ‘1984’, de George Orwell”, concluiu.

Ignacio Bediaga, chefe do grupo LHCb no CBPF, ex-chefe de Hicheur nesta instituição, antes de ele trabalhar na UFRJ, diz que o que aconteceu com o físico argelino foi um linchamento. “Adlène foi submetido a um linchamento pela revista Época e pela declaração do ministro. Adlène foi contratado pela UFRJ, ou seja, pelo governo brasileiro. Agora dizem que ele não é bem-vindo. Isso é preconceito porque ele é um cientista muçulmano”, criticou Bediaga.

Hicheur ainda não havia decidido seu destino até hoje, dia 18 de janeiro. Ele parou de lecionar na UFRJ porque o assédio da mídia não permitiria mais essa função. Mas ele continua a desempenhar suas tarefas de pesquisador, e tem dois artigos científicos para tocar. Mesmo sob este ataque, hoje ele está apresentando a análise de dados para um destes artigos, sobre uma partícula subatômica rara e pouco conhecida chamada “Bc”. Esta apresentação foi feita em vídeo conferência para 700 cientistas internacionais que participam de seu grupo de experimento e que vão corroborar o artigo assinado por ele.

“Estou sendo julgado no Brasil por algo que já me julgaram na França”, protestou Hicheur, afirmando tratar-se de um caso de islamofobia. “Meu caso deve ser visto dentro do contexto da França. Se você tirar o Islã da equação, não há problema. Eu sou apenas um caso entre muitas pessoas perseguidas por serem muçulmanas”, lamentou, acrecestando que não esperava que isso fosse acontecer no Brasil, um país que ele sempre admirou.

‘Eu estou a 10 mil quilômetros de Paris, mas ainda assim estou ao alcance deles. Eles estão me quebrando de novo. Onde posso ir?”, pergunta, refletindo sobre onde poderá tentar reconstituir sua vida mais uma vez.

Ele fica em silêncio por alguns minutos, parecendo pensativo. “Se você está vivendo bem, eles não aceitam. Eles haviam me avisado que eu não ía voltar a fazer ciência. O Brasil me deu este espaço. Pelo menos eu pude provar que consegui voltar à ciência”, diz Hicheurs, andando pela sala, com um sorriso melancólico no rosto.

* Florência Costa é jornalista freelancer, ex-correpondente na Rússia e na Índia e autora do livro “Os Indianos” (Editora Contexto)
Shobhan Saxena é jornalista indiano, baseado em São Paulo, e contribui para o website internacional “The Wire”, para o jornal “Times of India” e para a BBC em Hindi.
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