11 de jan de 2016

Do ódio semeado à indiferença

O antipetismo cresce aquém do imaginado, e o PSDB não consegue se firmar como alternativa

Em junho de 2015, esta coluna tartou do tamanho que o ódio ao PT alcançou na sociedade brasileira. Baseava-se em pesquisa do Instituto Vox Populi realizada em maio, que mostrava que 12% da população adulta afirmava que "detestava" o PT, quando perguntada a respeito de seus sentimentos em relação ao partido.

A proporção era expressiva, pois um repúdio desse nível está além do que consideramos normal. Nossa cultura política desvaloriza o conjunto dos partidos e tende a tratar a todos como igualmente desmerecedores de crédito. Por isso o ódio específico ao PT sobressaía.

O Vox Populi voltou ao tema em nova pesquisa, concluída na segunda quinzena de dezembro. Desta feita, incluíndo uma pergunta análoga a respeito dos sentimentos quanto ao PSDB.

Comparando os resultados de maio e dezembro, vemos que o ódio ao PT teve uma pequena expansão:  os que o "detestam" foram de 12% a 16%. Um aumento tão exíguo que, considerando a margem de erro de 2,5 estimada para a pesquisa, sequer se poderia afirmar com segurança que tivesse acontecido.

Visto, no entanto, em conjunto com o acréscimo a proporção dos que "não gostam do PT, mas sem detestá-lo" (que foi de 19% a 21%), percebemos que, nesses oito meses, a aversão ao PT cresceu. A rejeição não aguda subiu 2 pontos percentuais e a intensa 4, o que fez com que a soma passasse de 31% para 37%.

A primeira reação ante esses números é de surpresa pela tenuidade. Se levarmos em conta o que aconteceu de maio a dezembro, é extraordinário que o antipetismo continue a mal ultrapassar um terço da população. De um lado, isso aponta para a solidez das identidades partidárias, sugerindo como resistem aos desgastes conjunturais. De outro, muito revelam a incapacidade do discurso oposicionista de conseguir convencer a maioria do País, apesar da militância cotidiana de todas as suas facções e, em especial, da "grande" imprensa.

Se lembrarmos que o antipetismo crônico na opinião pública nunca foi menor que 33%, vemos que o intenso desgaste a que o PT, suas lideranças e o governo Dilma Rousseff vêm sendo submetidos desde 2012 teve consequências pouco expressivas. O saldo de mais de quatro anos de esforço concentrado das oposições é parco.

Mas a comparação entra as duas pesquisas revela um dado preocupante para o PT. Se o antipetismo, a rigor, quase não cresce, diminui a proporção dos que simpatizam com o partido. A soma dos que se dizem "petistas" com os que "gostam, mas não se sentem petistas" caiu de 29% em maio para 21% em dezembro.

Claro que se ampliou a fatia dos que "não gostam nem desgostam" do PT, que foi de 35% para 38%. O que sugere que os 8 pontos percentuais que o partido perdeu em sua base se distribuíram: subiu o antipetismo e cresceu a indiferença.

Voltando à imagem clássica de um Brasil dividido em três pedaços iguais em sua relação com o PT, constata-se que o cenário mudou. Em cada dez pessoas, quase oito são hoje antipetistas ou indiferentes ao partido, enquanto os petistas tornaram-se dois. É uma mudança relevante.

E o PSDB? Na pesquisa de dezembro, foi feita pergunta idêntica à aplicada a respeito do PT, com as mesmas opções de resposta. A pesquisa de maio não tratou do assunto.

Consideraríamos "peessedebistas" os 14% que advêm da soma dos que assim se definem com os que "gostam, mas não se sentem" tucanos. No polo inverso, temos 6% que "detestam" o PSDB e outros 19% que "não gostam do PSDB, massem detestá-lo", que perfazem 25%. Restam 61%, os que "não gostam, nem desgostam" do PSDB.

Se a queda do PT fica aquém do que se poderia imaginar, vemos que o PSDB não se constituiu como alternativa. A indiferença é o que melhor caracteriza o modo como é visto pela maioria da opinião pública.

Pensando nos dois partidos, a pesquisa mostrou que 22% da população "detesta" um ou outro. O que não pode ser ignorado, pois haver quase uma em cada quatro pessoas que odeia um deles é preocupante.

A única coisa boa é que não se tem notícia de violências e arbitrariedadescometidos pelos que detestam o PSDB. Quanto aos antipetistas, encorajados pelas lideranças tucanas e acobertados pela "grande" imprensa, continuam a desfechar seus ataques e agressões contra aqueles que veem como inimigos.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Vídeo revela a origem do rompimento das barragens de lama da Samarco em Mariana


Quanto vale a Vale?
Responda após assistir o Buraco do Rato

No documentário, Buraco do Rato, é possível perceber a origem do rompimento das barragens da Samarco — empresa cujos donos verdadeiros são a mineradora Vale do Rio Doce e a multinacional BHP —, que provocou o maior desastre ambiental do Brasil. A lama devastou comunidades, destruiu rios e o meio ambiente e chegou ao oceano Atlântico.

A origem do vazamento da lama está, não em uma fissura da proteção da lagoa de lama e rejeitos, mas um pouco antes historicamente. De acordo com o documentário, percebe-se que o vazamento começou na promiscuidade entre grandes empresas, no caso a Vale do Rio Doce, e os aparelhos do Estado brasileiro. Quando uma empresa fica muito grande, muito poderosa, o Estado é tragado por ela.

O vídeo mostra uma empresa com métodos de guerra, associada a agentes do próprio Estado, como a Polícia, para deixar de cumprir as leis e atacar opositores e populações que foram prejudicadas com os projetos de mineração.

Algo inacreditável, mas o vídeo deixa evidente que há uma ligação entre o Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, e o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2005.

O vídeo mostra um histórico de acusações contra a Vale sem que ninguém nos últimos 20 anos tenha sido punido. Mas o vídeo não fala de outras relações da Vale do Rio Doce com o Estado brasileiro que são, mais ou tão graves. Uma é o financiamento de políticos pela Vale. E também não diz que a Vale do Rio Doce é a empresa com a maior dívida com a população do Brasil.

Há décadas, a fissura que gerou o vazamento da barragem começou com a submissão do Estado aos interesses de uma grande empresa.

Um modelo do capitalismo brasileiro, que se percebe ao ver o documentário, é a associação de duas regras contábil: não pagar impostos e financiar agentes públicos do Estado.

Só poderia resultar em um mar de lama.

Veja o documentário:

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Crescimento econômico de Brasil e China se estabiliza e zona do euro está estável, diz OCDE

As condições econômicas estão se estabilizando no Brasil e na China e a perspectiva é de crescimento estável na zona do euro, enquanto as economias dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha estão perdendo força, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira.

A OCDE informou que seu indicador econômico, que tem o objetivo de capturar os pontos de virada econômicos, mostrou sinais de estabilização tanto na China quanto no Brasil.

"Na Grã-Bretanha e nos EUA, o indicador aponta para enfraquecimento do crescimento, embora em níveis relativamente altos", disse a organização em um comunicado.

"Entre as principais economias emergentes, os índices da China e do Brasil confirmam sinais de estabilização, indicados na avaliação do mês passado", completou. "Na Rússia, o indicador prevê que o crescimento está perdendo ritmo enquanto o da Índia sinaliza crescimento em fortalecimento."

Em um índice onde 100 representa a média de longo prazo, a OCDE disse que a economia da zona do euro continuou em 100,6 em sua última revisão das condições, com a Itália e França em 100,9.

A leitura dos EUA caiu para 99,1 de 99,2, enquanto a da Grã-Bretanha foi a 99,1 de 99,3.

A China ficou em 98,4, acima dos 98,3 do relatório anterior. A leitura do Brasil subiu para 99,5 de 99,3, enquanto a da Rússia foi de 99,6 a 99,4.

No Reuters
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Xico Sá e as ilusões perdidas sobre o jornalismo

Que jornalismo é esse?
juro: : ñ vou brigar + c/ essa ideia d jornal ser fdp e só publicar dum lado.Dane-se.A escolha agora é essa. Aqui se despede o idiota q achou q jornal é feito p/ relatar minimante a realidade. aqui morre o ex repórter com essa crença. Talvez nunca tenha sido… Nunca foi, mas acreditei e fui repórter com essa crença.

Poucos textos retratam tão pungentemente o estado miserável do jornalismo brasileiro como este de Xico Sá, postado neste final de semana no Facebook.

Mais que uma simples postagem, é um manifesto, um desabafo, um grito de angústia e de impotência.

Desde que saiu da Folha, depois que o proibiram de escrever em sua coluna um texto de apoio a Dilma, Xico Sá se tornou um dos mais vigorosos críticos da imprensa.

Foi como se ele tivesse acordado, enfim, para uma realidade que já não era nova.

Muitas vezes você tem que se afastar do ambiente tóxico das redações das grandes empresas jornalísticas para poder enxergar o horror noticioso que se produz ali.

A frase mais tocante de Xico é aquela em que ele admite que sua visão idealista de jornalismo — relatar as coisas como ela são — não tenha sido mais que uma ilusão.

Ele como que se sentiu traído. O objeto de sua paixão, o jornalismo, subitamente lhe pareceu um monstro.

Sou da mesma geração de Xico. Assim como ele, me decepcionei profundamente com o jornalismo das corporações.

E me fiz a mesma pergunta já faz tempo: foi sempre essa coisa abjeta? Joguei fora tantos anos de minha vida para alimentar uma indústria interessada em saquear o Brasil e manipular os brasileiros?

A resposta é não.

O jornalismo brasileiro nem sempre foi indecente. Ao longo da história, havia duas forças que se contrapunham nos jornais e nas revistas. Surgia daí um atrito positivo do qual resultava um conteúdo rico, plural, complexo.

Uma força era a dos donos, conservadores. A outra era a dos chefes das redações, habitualmente progressistas.

Dois exemplos se destacam. A Folha nos tempos em que era dirigida por Claudio Abramo e a Veja quando editada por Mino Carta. Claudio e Mino funcionavam como contrapontos aos Frias e aos Civitas. Nestas condições, a Folha foi um grande jornal e a Veja uma grande revista.

O equilíbrio se perdeu quando Lula ascendeu ao poder. Os donos da mídia aparelharam seus veículos. Não havia mais lugar para Claudios Abramos ou Minos Cartas como diretores de redação.

O passo seguinte foi aparelhar também as colunas. Foram sendo afastados colunistas de esquerda. E se multiplicaram os colunistas que escrevem o que os patrões querem que seja publicado.

O primeiro caso notável foi o de Diogo Mainardi na Veja. Na mesma Veja, logo depois surgiu, no site, Reinaldo Azevedo.

Os espaços, na mídia toda, foram rapidamente ocupados por equivalentes de Mainardi e Azevedo. De Villa a Sardenberg, de Constantino a Augusto Nunes, de Setti a Noblat, foi uma enxurrada de colunistas patronais.

Perdeu-se o debate. Perdeu-se o equilíbrio. Perdeu-se a pluralidade.

No lugar disso tudo, emergiu o jornalismo ao qual Xico Sá se refere.

Mas Xico não deve se entregar a sentimentos depressivos. Se ele parar para refletir em sua carreira, vai ver que nunca escreveu coisas tão importantes quanto estas que tem publicado nas redes sociais sobre a mídia.

A posteridade, quando for examinar o papel da imprensa nestes tempos, vai ter uma preciosa fonte de informações em Xico Sá.

Paulo Nogueira
No DCM
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'Menino de ouro' de Miami é amigo de Aécio

No seu colunismo social para os amigos, a revista Época postou em seu site na semana passada: "De férias, Aécio passeia em Miami". A notinha apenas registrou que "o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, está curtindo férias até domingo, dia 10, em Miami. Nesta quinta-feira (7), ele se encontrou com Felipe Massa, corredor de Fórmula 1. Os dois não se conheciam. O jantar de aproximação ocorreu na casa do deputado Alexandre Baldy e foi registrado nas redes sociais pela cunhada de Massa, Anna Carolina Bassi". A revista da famiglia Marinho, que na sua sanha antipetista adora investigar os "amigos de Lula", nem se deu ao trabalho de pesquisar quem é o tal deputado Alexandre Baldy, que cedeu a sua casa em Miami para o encontro amigável do cambaleante tucano.
Bastaria consultar a sua rival na briga pelo troféu de revista do esgoto no Brasil. Em agosto de 2014, a coluna Radar, da Veja, trouxe uma matéria sobre a "bancada de Cachoeira". Num dos trechos, ela ironiza: "A CPI que tentou apurar as tentáculos do bicheiro Carlinhos Cachoeira entre os corredores do poder público, em 2012, não conseguiu sepultar o desejo por ascensão de todos os investigados. Parte deles hoje disputa uma vaguinha nas casas legislativas do país. Ex-secretário de Indústria e Comércio de Marconi Perillo, Alexandre Baldy era tratado por Cachoeira pela alcunha de 'menino de ouro' e agora mira Brasília: disputa uma cadeira de deputado federal".
Com o apoio do governador tucano de Goiás, o "menino de ouro" do mafioso Carlinhos Cachoeira foi eleito deputado federal. Agora, no recesso parlamentar, ele curte a sua mansão em Miami, o paraíso da elite nativa, reunindo seus amigos mais íntimos. Talvez tente esfriar a cabeça, já que as denúncias envolvendo o seu nome seguem em alta. Em meados de 2015, a Justiça bloqueou os seus bens sob a acusação de improbidade administrativa. O jornal goiano Diário da Manhã deu detalhes da sentença em reportagem publicada em 15 de junho. Vale conferir alguns trechos:

* * *

Justiça bloqueia R$ 622,9 milhões do deputado Baldy

Por Hélmiton Prateado e Daiana Petrof

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A juíza Suelenita Soares Correia, da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, decretou a indisponibilidade dos bens do deputado federal Alexandre Baldy (PSDB-GO), da Usina Panorama S/A e de outros citados em ação civil pública por ato de improbidade administrativa. A ação foi proposta pela promotora de Justiça Vilis Marra, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

A Usina Panorama é uma destilaria de álcool e fabrica açúcar em Itumbiara, e conta com incentivo fiscal através do programa Produzir. Em inquérito civil público, a promotora descobriu que a empresa requereu um privilégio de deixar de gerar 500 empregos e em contrapartida propunha veicular propaganda do programa Produzir nas embalagens de açúcar que produz.

O deputado Alexandre Baldy era secretário da Indústria e Comércio à época em que a Usina Panorama requereu a extensão do benefício e votou favoravelmente ao pedido no Conselho Deliberativo do Produzir. Junto com ele votaram outros gestores que integravam o Conselho Deliberativo: Reinaldo Fonseca, Luiz Lopes de Lima, Luiz Antônio Maronezi, Pedro Ferreira Arantes e Neuza Maêve – todos também acionados na ação do Ministério Público e também com os bens bloqueados.

A ação descreve a sucessão de fatos sobre o acordo entre a Usina Panorama e os gestores do Programa Produzir, em que até mesmo a advocacia setorial da SIC opinou de forma contrária à concessão do aumento do incentivo e que existia a “impossibilidade legal de substituição do parâmetro de geração de 500 ou mais empregos por publicidade do Produzir nas embalagens utilizadas pela empresa”.

Mesmo alertados pela Secretaria da Fazenda e pela advocacia setorial da SIC, os gestores do Conselho do Fomentar decidiram pela concessão de novo financiamento, da ordem de R$ 375 milhões, para a Usina Panorama. “Ressalta-se que não obstante a proibição de se alterar o fator de desconto e ainda o fato de que a Usina Panorama S/A costumava utilizar tal expediente rotineiramente, o que demonstra não ter interesse em cumprir o avençado com o Estado de Goiás, mas que somente usa o benefício, ou seja, a verba pública originária do Fomentar, sem o menor interesse em cumprir com as condições que foram estipuladas para o seu ingresso no programa”.

Na decisão a juíza frisou que a indisponibilidade dos bens é uma medida de cautela, que se demorada a decisão pode ser de difícil reparação e que exige uma providência de urgência. A análise inicial do fato descrito pela promotora, segundo a magistrada, com base na documentação juntada, dá “indícios da prática dos ilícitos capitulados” na lei de improbidade administrativa.

Indisponibilidade

O bloqueio dos bens dos agentes responsáveis pelo suposto ato de improbidade administrativa é medida necessária, segundo a magistrada, “uma vez que após cientificados acerca da existência dessa ação, poderão os requeridos, visando furtarem-se às responsabilidades correspondentes desfazerem-se de seu patrimônio”.

A juíza determinou que sejam oficiados os cartórios de registros de imóveis de Goiânia para bloqueio dos bens e que se proceda até ao bloqueio de ativos financeiros, via on-line, até o limite de R$ 622,974 milhões.

A Usina Panorama S/A enviou expediente à Redação expondo suas considerações sobre a ação do Ministério Público. Os advogados ainda não haviam sido informados oficialmente que a Justiça aceitara a ação de modo direto, sem ouvir as partes citadas na ação, e determinado a indisponibilidade dos bens.

A reportagem tentou ouvir o deputado federal Alexandre Baldy sobre a decisão judicial. No telefone 8111-xxxx ele não atendeu e também não retornou a ligação. Não foi possível deixar recado na secretária eletrônica.

Altamiro Borges
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Vaticano estuda milagre do desaparecimento da denúncia contra Aécio dos jornais


Um grupo de investigadores ligados à Cúria Romana está analisando um milagre acontecido recentemente em terras brasileiras. Os representantes do Vaticano estão estudando o desaparecimento misterioso de uma denúncia contra Aécio Neves das páginas dos jornais. Segundo delação do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Aécio teria recebido propina oriunda de recursos desviados da Petrobras e de Furnas.

A notícia foi divulgada em diversos veículos de comunicação do mundo, mas no Brasil ela acabou desaparecendo milagrosamente durante os festejos de fim de ano. Os investigadores do Vaticano estão avaliando se devem promover uma beatificação coletiva entre as empresas jornalísticas brasileiras ou se canonizam Aécio Neves logo de uma vez.

No Sensacionalista



O extrato de Aécio: mais de R$ 21 milhões em corrupção

extrato aecio

A delação feita no fim do ano passado, que denuncia a entrega de R$ 300 mil a um diretor da UTC para repasse a Aécio Neves foi só mais uma para a conta do senador. Muita gente esquece, mas a lista de acusações de Aécio vai longe. E se somássemos todos os valores que ele teria recebido por meio de práticas ilegais? Pois o Viomundo fez isso e a conta passou dos R$ 21 milhões. Se atualizados para novembro de 2015, usando o IPCA-IBGE, os valores chegariam a R$ 34,8 milhões.

Abaixo está a conta (que pode ser ainda maior):


Lista de Furnas (2002): R$ 5.500.000



Operação Lava Jato (2013): R$ 300.000

TOTAL: R$21.310.000,00

Pois Janot parece não ter feito as contas. Aécio segue pagando de bom moço no senado, posando na imprensa como um grande combatente da corrupção.

No MudaMais
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Solidariedade com Víctor Hugo Morales e com a Liberdade de Expressão na Argentina (+vídeo)




Se não tomarmos com seriedade essa guerra midiática, as maiorias da Nossa América ficaremos sem canais de comunicação.

Jornalista rioplatense Víctor Hugo Morales.
Foto: Tali Feld Gleiser
O portal Desacato se solidariza com Víctor Hugo Morales e os jornalistas argentinos/as censurados e demitidos sob as ordens da dupla Macri-Magnetto.

Apesar de que a direção de Rádio Continental não queria nem que ele se despedisse dos ouvintes, VHM conseguiu explicar o que tinha acontecido.

A demissão do veterano jornalista é a cereja do bolo do governo Macri, que se cansou de falar em pluralidade de vozes. Nunca houve maior concentração de meios nas mãos da direita transnacional como neste retorno da direita ao controle do poder nacional.

Tentaram na Venezuela nas eleições presidenciais, não conseguiram. Tentaram no Brasil, e quase conseguiram. Tentaram na Argentina e conseguiram estabelecer uma ‘ditadura democrática’, escolhida por uma parte da população.

Se as forças progressistas da Nossa América não aprenderem do que está acontecendo, virão por todos nossos países, e, os muitos ou poucos direitos conquistados nessa etapa para o nosso continente que começou com o governo de Hugo Chávez, será mais uma lembrança do que pode ser e não foi.

Tali Feld Gleiser e Raul Fitipaldi
No Desacato



#VHMCensurado: ahora es cuando más lo necesitamos [+ video]

antes de ser echado y censurado
El popular conductor Víctor Hugo Morales sobre quien cayó la persecución política del monopolio multimedios Clarín fue echado hoy de radio Continental donde dirigía el escuchado programa De Mañana.

Minutos antes del inicio de su espacio, el periodista anunció que lo sacaron de la emisora: "Trataré de buscar vías de comunicación alternativas. Esto sucede en una situación agobiante, asfixiante y terrible para la democracia y la libertad de expresión", denunció.

A través de Twitter, el periodista de origen uruguayo comunicó cómo lo despidieron e incluso circuló un vídeo de ese momento. La noticia la divulgaron también varios portales informativos digitales. El reportero deportivo, que se inclinó hacia la política y hacía su programa en radio Continental desde hace más de 30 años, explicó que estaba en la emisora antes del comienzo del espacio cuando se enteró del despido.

Señaló que se enteró "sólo por un golpe de fortuna", ya que fue para preparar una salida especial y allí supo que lo estaban esperando abajo con escribano y que querían hablar con él. "Lo que le quiero decir a la audiencia es que me echan de la radio", aseguró y pidió en el programa anterior extender su discurso hasta las 09:01 hora local, o sea tan solo un minuto del espacio para despedirse de la audiencia, pero taparon su voz con publicidad.

"El presidente Mauricio Macri, la máscara de Héctor Magnetto y del grupo Clarín, se ha hecho cargo del país. Esto ahora es así: si no te disciplinas en las empresas, que están atadas a la publicidad que maneja un sólo gobierno, no podés seguir", denunció por las redes sociales.

En ese sentido, Morales sostuvo que "la publicidad oficial ahora está manejada por Clarín, la alianza Cambiemos y el Poder Judicial y no hay medio que pueda sobrevivir sin ella".

Lo que viene — advirtió — "es un periodismo alineado a los intereses de este gobierno" y añadió: "Esta emisora tiene que cuidar sus intereses y la manera de hacerlo en esta nueva Argentina es no hacer enojar al Presidente".

Víctor Hugo Morales es un férreo crítico de la manipulación mediática y operaciones políticas por parte del Grupo Clarín que le declaró una guerra abierta e incluso logró mediante un juicio que le embargaran su sueldo.

El periodista difundió esta mañana en su cuenta de Twitter un video del momento en que las autoridades de la radio le comunican que su programa no continúa. En la grabación también puede verse cuando el analista político trata de comunicar que la radio lo despidió en el programa de Nelson Castro, conducido temporalmente por Paulino Rodrigues, pero sus palabras son tapadas con un espacio de tanda publicitaria.

"Aunque sea quiero despedirme, decirle a la gente que no voy a hacer el programa", se lo escucha decir con tristeza al periodista, quien mira desolado a la cabina del operador, atónito por lo que está sucediendo, se observa en el vídeo.



Norelys Morales
No IslaMía



¿Quién es Víctor Hugo Morales y qué hay detrás de su despido?

Casi 30 años de labor tenía Víctor Hugo Morales dentro de Radio Continental en Argentina.

Oriundo de Cardona, Uruguay el periodista de 67 años, Victor Hugo Morales es reconocido por ser el “relator deportivo por excelencia de habla hispana” pero a partir de hoy, se une a las voces que silencian los gobiernos de ultradercha en el mundo.

Morales que se ha radicado en Argentina, se convierte en el nuevo censurado durante la gestión del recién electo presidente Mauricio Macri, tras casi 30 años de labor en Radio Continental y cinco años de su programa “La Mañana”, que a partir de este 11 de enero dejará de difundirse.





Inicios de Víctor Hugo Morales

Radio Colonia, en su natal Uruguay, fue el primer espacio que conoció la potente voz de Víctor Hugo, quien a los 19 años empezó a labrar su camino como locutor y narrador, para ser nombrado Jefe de Deportes en 1969. De allí, pasaría a desempeñar similar labor en Radio Oriental de Montevideo hasta 1981, para aterrizar en la televisión en el Canal 4 Monte Carlo TV.

El considerarse un perseguido político de la dictadura cívico – militar uruguaya a mediados de los 80, su experiencia y desempeño en el periodismo deportivo, lo llevaron cruzar fronteras en Radio Argentina, para formar parte de Radio Continental en 1987, estación de la que formaba parte hasta hoy.

Un sin fin de programas de diferentes temáticas como cultural, entretenimiento, informativos y deportivos, su gran fuerte, ha conducido desde entonces.

En 2011, llegó hasta España y a través de la emisora SER, pudo participar en la transmisión de la final de la Copa del Rey entre Barcelona FC y Real Madrid, en la que el club merengue se llevó el lauro por la mínima en el estadio Mestalla de Valencia.

Padre del “Barrilete Cósmico” aquel gol de Diego Armando Maradona, que desató la euforia de Víctor Hugo Morales, durante su narración del partido entre Argentina – Inglaterra en el Mundial de México de 1986, marca el antecedente entre el periodista y el jugador, que compartieron experiencias, críticas y sonrisas en teleSUR en 2014, con el programa “De Zurda”, sobre la Copa del Mundo Brasil 2014.

El programa tuvo tanto éxito entre los amantes del balompié en Latinoamérica, que se lanzó una segunda temporada para la Copa América 2015, con la participación de Maradona.
teleSUR (archivo)

La Mañana

Desde 2007, entra al aire de Radio Continental el programa “La Mañana”, de corte informativo, en el que participaron importantes periodistas, entre ellos Cynthia García, recordada por destacar los logros del kirchnerismo en Argentina.

El periodismo crítico de “La Mañana” se evidenció durante el proceso electoral de 2015, en el que se elegía en la nación suramericana al nuevo presidente, tras diez años de gobiernos kirchneristas.

¿Qué molesta de Morales al Gobierno de Macri?

La salida del aire del programa de Víctor Hugo Morales en Radio Continental, no es un hecho casual.

El periodista ya había recibido una demanda en 2013, por parte del director ejecutivo del Grupo Clarín, Héctor Magnetto, quien exigía a Morales una indemnización de dos millones de pesos ( unos 144 mil 100 dólares) por daños y prejuicios, hecho que aquel momento el comunicador rechazó a tal punto que manifestó “que no se defendería”, porque desconocía la razón de la demanda, aunque intuyó que ésta podía deberse al caso Papel Prensa.

Papel Prensa, asociación a la que pertenece El Grupo Clarín, se refiere a las demandas contra los diarios que pertenecen los miembros de dicha sociedad, efectuada en 2010, por su presunta vinculación a crímenes de lesa humanidad durante la dictadura militar argentina.

Cabe recordar, que Morales se hizo eco de las denuncias contra el Grupo Clarín, sobre la “coacción mafiosa” de este medio, lo que trajo como consecuencia que la Corte Suprema de Justicia en Argentina, ordenara el allanamiento de la vivienda del periodista uruguayo, alegando que se trataba de un procedimiento vinculado a la transmisión ilegal de un partido de la Copa Intercontinental de 2000 desde Cablevisión.

En aquella oportunidad, Morales calificó de “golpe mafioso” el acto de la justicia argentina.

Con la llegada del actual mandatario, Mauricio Macri, se han llevado a cabo una serie de acciones contra diversas instituciones y contra de la libertad de expresión.

El allanamiento ordenado por Macri a la Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (Afsca), en diciembre de 2015, sirvió para que fueran confiscados los documentos sobre el Grupo Clarín que allí permanecían.

El hecho en ese entonces fue considerado por Morales como un “ataque mediático”, que dejaba ver una política de arremetidas contra los valores del Gobierno de los Kirchner y a favor de grupos económicos, como el caso del Grupo Clarín, señalado por el periodista, de ser el principal financista de la campaña del actual jefe de Estado argentino.

Por su parte, Laureano Ponce, corresponsal de teleSUR en inglés, señaló que la censura aplicada por el Gobierno de Macri al programa de Morales, se debe principalmente al cambio de propagandas por la provincia de Buenos Aires, “que están condicionadas a que la voz de Víctor Hugo saliera del aire”.

Ponce señaló que el otro objetivo de las políticas de Macri, “es acallar las voces críticas contra su Gobierno”, al tiempo que mencionó la cancelación del programa “6,7 y 8 transmitido por TV Pública.

"Me echan de la radio, no voy a poder hacer mi programa. Trataré de buscar vías de comunicación, esto está en el contexto de una situación agobiante, asfixiante y terrible para la democracia y la libertad de expresión en la República Argentina”, sentenció Morales.

“Las empresas están atadas a la necesidad de una pauta que maneja solamente un Gobierno, un Gobierno tripartito, la troica de Clarín, Cambiemos y una pata del Poder Judicial”, aseguró el comunicador uruguayo.

Agregó que “me echan porque esta empresa está atada a la necesidad de la pauta publicitaria y la maneja solamente un Gobierno”.

No teleSUR
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O rock pauleira (e zoeira) do Jota Quércia

O primeiro single da banda, “Eymael e seus Democratas Cristãos”, ganhou um clipe repleto de referências cômicas

Na capa do disco, o duo brinca com Galvão Bueno e Neymar
“Unindo o pop-funk-rock-suave do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e as políticas conservadoras e antipopulares da banda mineira Jota Quest, vem aí o Jota Quércia”. É assim que uma das bandas mais nonsense de Belo Horizonte se apresenta.

Entre filosofias como “algo de errado está acontecendo” e “não há o lugar atual, mas sempre o próximo”, os ex-integrantes da banda Cães do Cerrado, André “Gigopepo” Persechini (guitarra, vocal e bateria) e Paulo “Malibu” Souza (bateria, guitarra e vocal) se juntaram para fazer um rock ‘n’ roll com forte veia punk, politizado, com um senso de humor que surfa nas nuvens, e com influências que passam por Sonic Youth, Ramones, Macaco Bong, Ratões de Porão e The Clash.

O primeiro single da banda, “Eymael e seus Democratas Cristãos”, ganhou um clipe repleto de referências cômicas — misturando, com um sarcasmo afiado, cenas do político Eymael e da banheira do Gugu.

O primeiro disco do duo, “Nossa Relação é Estritamente Profissional” (Independente) segue a mesma linha, com destaque para canções como “Roda Viva” e “Luciano Huck Eu Te Amo”, dedicada ao apresentador de TV que “todos amamos odiar”, como a banda define a canção.



Lucas Simões
No O Tempo
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David Bowie — 8 de Janeiro de 1947 - 10 de Janeiro de 2016

No recente videoclipe para a canção Lazarus, realizado por Johan Renck, surgia de corpo magro e envelhecido, deitado numa cama de hospital, começando por cantar:
"look up here, i'm in heaven / "olhe aqui pra cima, eu estou no céu

I've got scars, that can't be seen / Eu tenho cicatrizes, que não podem ser vistas

I've got drama, can't be stolen / Eu tenho drama, não pode ser roubado

Everybody knows me now." / Todo mundo me conhece agora."
É natural que se façam agora alusões de que seria uma espécie de carta de despedida.

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O sistema político estadunidense não passa de uma plutocracia legislando e governando para si mesma

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Israel recua e desiste de indicar Dayan no Brasil


Funcionários da chancelaria israelense disseram à mídia local que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu desistiu da nomeação de Dany Dayan como embaixador em Brasília. Ele será designado embaixador em outro país.

A indicação de Dayan causou polêmica no Brasil por ter sido presidente do Conselho Yesha (entre 2007 e 2013), um órgão de colonos judeus em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, que foram ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Na última sexta-feira, um grupo de embaixadores aposentados do Itamaraty lançou um manifesto criticando a decisão de Netanyahu de indicar um embaixador no Brasil sem submetê-lo, antes, ao governo brasileiro.

Lembrando a memória do embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, “que salvou centenas de judeus do Holocausto”, eles dizem que a indicação é uma afronta: “Essa quebra da praxe diplomática parece proposital, numa tentativa de criar fato consumado, uma vez que o indicado, Dani Dayan, ocupou entre 2007 e 2013 a presidência do Conselho Yesha, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela comunidade internacional, e já se declarou contrário à criação do Estado Palestino, que conta com o apoio do governo brasileiro e que já foi reconhecido por mais de 70% dos países membros das Nações Unidas”, disseram.
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Petrolão: Cerveró põe FHC na roda

Mas, não vem ao caso!



Cerveró cita propina de US$ 100 milhões ‘ao Governo FHC’ na venda da Pérez Companc

Ex-diretor da Petrobrás diz que cada diretor da empresa petrolífera recebeu US$ 1 milhão como prêmio pela venda e suposto operador de ex-presidente argentino Carlos Menem, US$ 6 milhões

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou que a venda da empresa petrolífera Pérez Companc envolveu uma propina ao Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) de US$ 100 milhões. As informações constam de documento apreendido no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT/MS), ex-líder do governo no Senado.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que declarações ‘vagas como essa, que se referem genericamente a um período no qual eu era presidente e a um ex-presidente da Petrobrás já falecido (Francisco Gros), sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação’.

O papel apreendido é parte do resumo das informações que Cerveró prestou à Procuradoria-Geral da República antes de fechar seu acordo de delação premiada. O documento foi apreendido no dia 25 de novembro, quando Delcídio foi preso sob acusação de tramar contra a Operação Lava Jato. O senador, que continua detido em Brasília, temia a delação de Cerveró.

(...)



Ação de FHC na Argentina foi tida como negociata


A delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, pode ajudar a esclarecer um dos mais polêmicos negócios da Petrobras, fechado no apagar das luzes do governo FHC. Trata-se da compra do grupo argentino Pérez Companc por US$ 1,1 bilhão, numa operação que teria rendido propinas de US$ 100 milhões para o PSDB, segundo declarou Cerveró em sua delação obtida pelo jornal Valor Econômico (leia mais aqui).

Anunciada em julho de 2002, no segundo semestre do último ano do segundo mandato de FHC, a operação foi duramente criticada pelos analistas de mercado. Sabia-se, naquele momento, que a Argentina, mergulhada em profunda crise econômica, estava prestes a desvalorizar sua moeda e a dar o calote nos seus títulos externos – o que de fato aconteceu. Além disso, já havia sinais claros de intervenção excessiva no mercado de petróleo.

Na época, a Petrobras era presidida por Francisco Gros, um banqueiro já falecido que havia presidido o BNDES com discurso privatista e também havia comandado o banco de investimentos Morgan Stanley. "Não estamos comprando uma galinha morta, mas uma galinha poedeira de ovos de ouro", disse ele, sobre a operação em que a Petrobras também assumia dívidas de US$ 2,2 bilhões da empresa pertencente ao bilionário Gregório Pérez Companc.

O mercado, no entanto, reagiu de forma extremamente negativa. "A empresa vinha vendendo ao mercado a idéia de que iria reduzir seu risco, mas decidiu investir num país de risco muito superior ao brasileiro", disse Edmo Chagas, que era analista do banco suíço UBS Warburg.

"Foi uma grande negociata", disparou Fernando Leite Siqueira, que era presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, a Aepet. "Nosso próximo passo será contratar avaliações internas para calcular o tamanho dessa negociata, mas estimamos que a estatal tenha pago pelo menos US$ 300 milhões a mais".

O negócio era muito criticado em razão de dados objetivos. A Perez Companc era a empresa mais endividada do setor de petróleo em todo o mundo. Seu passivo representava 73% do patrimônio. Na Petrobras, a taxa, que era de 33%, passou para 42% depois da aquisição, enquanto a média mundial era de 25%.

Além disso, no primeiro trimestre de 2002, a empresa argentina havia registrado um prejuízo de US$ 309 milhões. Com isso, a companhia estava sendo pressionada pelos credores a reestruturar sua dívida no curto prazo de US$ 1,2 bilhão.

Era uma operação que parecia tão ruim que as ações da Petrobras desabaram e o valor da estatal encolheu em US$ 1,9 bilhão, mais do que o US$ 1,1 bilhão que estava sendo pago aos Pérez Companc. "Para a Petrobras, o negócio significou uma perda de 8% em seu valor", disse o analista Cleomar Parisi, que atuava no Unibanco.

Na época, apenas um profissional da área de petróleo elogiou a operação: o ex-genro de FHC, David Zylberstajn, que comandava a Agência Nacional do Petróleo. "Foi uma bela jogada da Petrobrás. Se ela não comprasse, outra compraria, e uma excelente oportunidade de negócio seria perdida", afirmou.

A delação de Cerveró, no entanto, realimenta a polêmica sobre o caso.


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O dinheiro limpo e o dinheiro sujo, segundo a Rede Globo


A A. Gutierrez repassou R$25,9 milhões à candidatura de Aécio, mas a Globo constrói uma narrativa mostrando que doações à Dilma, menores, é que são sujas.

A revista Época, de propriedade da Rede Globo, na edição semanal que começou a circular dia 09 de janeiro de 2016, avacalha com a reportagem “Dilma garantiu empréstimo camarada do BNDES para Andrade Gutierrez em Moçambique”.

O texto é entremeado com recursos capciosos e insinuantes, para conferir um aspecto de trama novelesca à suposta “notícia”. A narrativa do que seria um ato administrativo da CAMEX, que é o órgão federal que cuida do comércio exterior, tem pitadas detetivescas e policialescas. Com esta técnica, a revista quer induzir o leitor a digerir ao natural a conclusão de que este “novo escândalo descoberto” tem os seus bandidos, e é óbvio que os bandidos só poderiam ser a Dilma e o PT.

A leitura atenta da reportagem, entretanto, conduz à conclusão de que a revista Época comete fraude jornalística através da manipulação do fato. É fácil entender porque:

1. o governo de Moçambique apresentou ao governo do Brasil, pelas vias diplomáticas, razões plausíveis para o não atendimento da condição imposta pelo BNDES, de abertura de conta bancária garantidora em algum país com baixo risco de inadimplência, para poder receber o empréstimo de 320 milhões de dólares para a contratação da Construtora Andrade Gutierrez, que venceu a licitação internacional para a construção da barragem de Moamba Maior;

2. o governo de Moçambique deixou claro que, sem a flexibilização de parte do BNDES, o contrato da obra seria adjudicado com outra empresa de outro país que aceitasse as capacidades moçambicanas;

3. a CAMEX reuniu seus integrantes para analisar e deliberar sobre a situação. Ante a ameaça concreta com que se defrontava, de perder ou de manter um negócio de US$ 320 milhões no comércio africano de serviços, a decisão foi pela equalização das normas brasileiras às mesmas exigibilidades adotadas pelos países concorrentes;

4. em função disso, o BNDES foi autorizado a assinar o contrato de financiamento com o governo de Moçambique e o consórcio liderado pela Construtora Andrade Gutierrez para a realização daquela obra de infra-estrutura. Ponto final.

A revista Época poderia ter ficado neste ponto, mas avançou o sinal. Com linguajar sinistro, deu a entender que o entendimento jurídico entre os governos do Brasil e de Moçambique se entrelaça com a corrupção investigada pela Operação Lava Jato.

Com este viés, a reportagem associou as contribuições da Andrade Gutierrez para a campanha de reeleição da presidente Dilma com a corrupção na Petrobrás. A reportagem sugere que as contribuições legais da construtora [que estão na prestação oficial de contas da campanha Dilma no TSE], poderiam ser “propinas”: R$ 10 milhões em 29/08/2014 e, entre 23/09 e 22/10/2014, mais R$ 10 milhões, num total de R$ 20 milhões.

A revista da Rede Globo foi preguiçosa e irresponsável. Ou agiu por genuína má-fé. Ela bem que poderia, ao menos, ter analisado as contas da campanha de Aécio Neves também no site do TSE [aqui], na linha imediatamente abaixo daquela onde estão disponíveis as informações da presidente Dilma, de onde a Época extraiu os dados que alimentaram seus delírios para incriminar a campanha petista.

As contribuições da Andrade Gutierrez para o Aécio foram: R$ 2 milhões [em 01/08/2014]; R$ 4,2 mi [em 08/08]; R$ 2 mi [20/08]; R$ 4 mi [29/08]; R$ 9 mi [05/09]; R$ 1,1 mi [10/09]; R$ 300 mil [12/09]; R$ 800 mil [17/09]; R$ 200 mil [19/09]; R$ 100 mil [26/09]; R$ 1 mi [01/10]; R$ 700 mil [em 03/10]; e R$ 500 mil em 07/10/2014.

No total, a Andrade Gutierrez repassou R$ 25,9 milhões para a candidatura do Aécio; ou seja, R$ 5,9 milhões a mais que o valor repassado para a campanha da presidente Dilma.

Apesar dos dados oficiais, a Rede Globo constrói uma narrativa segundo a qual as doações de empresas para a campanha da Dilma têm origem suja, supostamente originárias da corrupção na Petrobrás; e, ao mesmo tempo, os repasses das mesmas empresas, feitos no mesmo período, saídas do mesmo caixa, e, ainda que em valores muito maiores para a campanha do Aécio, têm origem legal [sic]. Cândido assim!

O delírio da revista Época ganhou pernas nos demais veículos da família Marinho. O Jornal Nacional, também da Rede Globo, na edição de sábado empregou por preciosos minutos o mesmo viés tendencioso e parcial. O Jornal O Globo de domingo traz matéria sobre o assunto.



O objetivo desta “denúncia” não tem nada de nobre: recorta a realidade, seleciona fatos, lança suspeitas infundadas, desestabiliza a situação política e serve como um libelo para os interesses tucano-golpistas no TSE, teatro onde Gilmar Mendes se esbalda no julgamento revanchista das contas da campanha da Dilma.

Os critérios da família Marinho são curiosos. Para eles, dinheiro bom é o dinheiro da FIFA que sustenta o monopólio das transmissões de jogos de futebol; dinheiro limpo e honesto foi aquele conseguido com subserviência e cumplicidade na ditadura civil-militar para montar o império de comunicações; dinheiro bom é aquele das dívidas esquecidas e anuladas pelos governos amigos; é aquele dinheiro dos lucros obtidos com concessões vitalícias, ilegais e que nunca são licitadas e renovadas.

Jeferson Miola
No Carta Maior
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