9 de jan de 2016

Clube de Engenharia estranha o silêncio de organizações ambientais sobre a Vale

Mapa do ICMBio com proposta de expansão da proteção ambiental no
litoral do Espírito Santo/Bahia; lama da Samarco/BHP/Vale chegou ao
mar na região de Linhares
Uma das mais importantes áreas do litoral brasileiro, do ponto de vista científico e turístico, o santuário de Abrolhos tem a maior biodiversidade de corais do Atlântico.

Mancha no oceano que chegou à região sul da Bahia e já atingiu o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, local com maior biodiversidade de corais do Atlântico, está sendo monitorada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com a suspeita de que a lama da barragem de Mariana tenha atingido o município de Caravelas.

Marilene Ramos, presidente do Ibama e conselheira do Clube de Engenharia, e Cláudio Maretti, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em entrevista coletiva, informaram que a mancha, segundo especialistas, pode ser a lama de rejeitos de mineração da Samarco, concentrada na foz do Rio Doce.

A mancha vinha se espraiando no último mês para o sul do litoral do Espírito Santo, mas, nos últimos dois dias, devido às fortes chuvas na área, passou a se espalhar também na direção norte.

Onde estão os ambientalistas?

O Ibama já notificou a Samarco para realizar coletas e avaliar se a mancha vem do Rio Doce.

A coleta das primeiras amostras foi feita nesta quinta-feira, 7 de janeiro, com a previsão dos resultados saírem em dez dias.

O impacto ambiental causado pela mancha na biodiversidade da região será avaliado com muito cuidado e pode levar tempo para ser totalmente conhecido.

“O dano imediato é a redução da produtividade da vegetação marinha, fitoplanctons e corais, o que causa prejuízo para a vida marinha. É como se eu cobrisse a Mata Atlântica ou a Amazônia com uma fumaça que dificultasse a realização de fotossíntese”, explicou Maretti.

Os impactos serão sentidos a longo prazo e especialistas não descartam a possibilidade de extinção de corais.

O que chama atenção neste cenário de descaso e impunidade que marca a tragédia de Mariana é o silêncio de organizações ambientais estrangeiras, que não se manifestam acerca desse quadro de destruição.

Por que se calam? De repente, desapareceu a agilidade que demonstram nas ações jurídicas e manifestações nacionais e internacionais contra empreendimentos associados ao uso de tecnologia de ponta, infraestrutura ou logística, tão necessários ao desenvolvimento soberano do país.

Tão pródigas em manifestações contra a indústria nuclear, a construção de hidrelétricas com reservatórios e eclusas, eixos rodoferroviários e fluviais sumiram da mídia; quando muito a noticiam em seus sites. Por que o silêncio e o imobilismo? Não há nada a dizer sobre a maior tragédia ambiental do País?

No Viomundo
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FHC: o pior cabo eleitoral do país

Várias pesquisas mostraram que mais de 50% da população rejeitava candidatos indicados por FHC. O PSDB o escondeu, mas ele quer voltar a aparecer.


Com a autoridade de quem se tornou o pior cabo eleitoral do país, tamanha rejeição ao seu governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu dos bastidores para insuflar a onda do impeachment, ao lado do "afilhado", o senador Aécio Neves. Sob o lema "chegou a hora de nós termos orgulho do que fizemos e do que somos", FHC se arvora de "estadista" em busca do resgate da popularidade.

Com pompa e cirscunstância, concedidas pelo PIG — o Partido da Imprensa Golpista — FHC usa e abusa de termos como "democracia", "decência", "reconstrução da vida política" quando o assunto não passa do mais descarado golpismo. Em sua página do Facebook, ao expressar votos para 2016, ele desejou "coragem para fazermos as mudanças necessárias". Dias antes, havia bradado a "legitimidade" do impeachment na rede social.

Sua presença se fez notar, ao longo de 2015, passando a agenda do golpe. Em agosto, FHC afirmava nas manchetes dos principais jornais do país que a renúncia de Dilma seria "um gesto de grandeza". Em setembro, indicava a data: "não sabemos quem estará de pé em 3 meses".

No esforço de repaginar a própria imagem, uma dura realidade: a popularidade do ex-presidente continua péssima. Em junho de 2014, pesquisa do Datafolha apontava que 57% dos entrevistados não votariam em um candidato indicado por ele "de jeito nenhum". E mais: 43% dos eleitores de Aécio - desconhecido no período - diziam o mesmo.

Operação "abafa FHC"

Os 57% de rejeição a um nome apoiado por FHC, registrado em 2014, é exatamente o mesmo índice divulgado em março de 2001, em pesquisa CNI-IBOPE. Frente à impopularidade do grão-tucano, o então candidato José Serra não teve dúvidas: em 2002, estreou a operação "abafa FHC", repetida à risca por Geraldo Alckmin em 2006.

Questionado pela BBC-Brasil se subiria no palanque durantes as eleições de 2006, FHC procurou se esquivar. "Hoje em dia o palanque é eletrônico, o outro não tem muita importância", afirmou. Também disse que contribuiria caso lhe pedissem alguma participação ou declaração. Ninguém pediu, pelo contrário. Alckmin tinha de enfrentar o tema das privatizações e lidar com a inevitável discrepância entre os números positivos do Governo Lula e os negativos de FHC.

Dois anos depois, uma pesquisa do CNT/Sensus indicava as intenções de voto para a sucessão presidencial em 2010. Nela, FHC aparecia na intenção de voto espontânea com pífio 1%. Em maio de 2010, com Serra novamente na disputa, outra pesquisa CNT/Sensus reiterava o prejuízo: 55,4% dos entrevistados não votariam em candidato indicado pelo ex-presidente. Com o grão-tucano fora dos programas eleitorais, Serra tentava convencer o eleitorado de que seria o melhor candidato para dar continuidade às realizações do Governo Lula.

Na disputa de 2014, porém, FHC reagiu. Conseguiu encabeçar Aécio Neves — que não era unanimidade entre os tucanos — na disputa presidencial. A retribuição de Aécio pelo apadrinhamento se fez notar em menções públicas ao tucano, ora como "estadista", ora como responsável pela "estabilização econômica", ora como tutor nos bastidores da campanha. Ao perderem nas urnas, a parceria se desdobrou em uma nefasta aposta no terceiro turno eleitoral.

Durante a convenção do PSDB, em julho de 2015, FHC mencionou a baixa popularidade. "Popularidade se perde e ganha outra vez. O que eu nunca perdi foi a credibilidade", bradou. Diante da plumagem de golpista e do tudo ou nada a que se presta, resta a pergunta: qual credibilidade?

A desconfiança da população

Os problemas do FHC com a voz da maioria vêm de longe. Uma passagem pela série histórica do CNI-IBOPE, mais precisamente pelos dados relativos à confiança no Presidente, revela que o índice de desconfiança da população em relação ao tucano se manteve acima dos 50%, ao longo de todo o segundo mandato (1999-2002). Foram quatro anos de governo sob a desconfiança da maioria dos brasileiros, segundo as pesquisas.

Em março de 1999, 54% dos entrevistados afirmavam não confiar em FHC; em dezembro, o índice saltava para 67%. Em dezembro de 2000, 57% manifestavam desconfiança. Em 2001, ela passou de 52% em março para 64% em dezembro. No último mês de mandato de FHC, o índice chegava a 62%. Apenas a título de comparação, em dezembro de 2010, o grau de confiança da população no então presidente Lula batia os 81%. Apenas 14% dos entrevistados disseram não confiar no líder petista.

Aos 83 anos, FHC esbraveja catastrofismos econômicos, sem nenhuma menção, obviamente, ao fato de seu governo ter quebrado o país duas vezes — tema que será aprofundado neste espaço, em breve —, tampouco sobre os riscos que a turbulência política provoca na economia do país.

No artigo "Reinventando a história: o mito da estabilidade no governo FHC", publicado originalmente no blog de Renato Rabelo, Lécio Moraes desmonta o discurso da estabilidade econômica, apontando a quebra do país em 1999 e 2002, com direito a empréstimos do FMI, aumento estratosférico dos juros e o disparo da dívida pública líquida de 37% do PIB em 1994 para 60% em 2002.

Já a jornalista Maria Inês Nassif, em seu artigo "A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso I", trouxe à baila os números do início do segundo mandato de FHC. Em 1999, o país apresentava crescimento de 0,5% do PIB, inflação em 8,9%, investimento público federal em 1,4%, além da perda de 582 mil postos de trabalho e da subida recorde do preço da cesta básica.

Números que explicam, por exemplo, a falta de expectativa entre os entrevistados do Vox Populi, em outubro daquele ano, quando 54% disseram que não teriam chances de melhorar de vida — eles estavam corretos: em 2002, FHC entregaria a faixa presidencial e um país com 12,2% de desemprego.

O presidente que menos combateu a corrupção

Na mesma pesquisa Vox Populi, de 1999, 74% dos entrevistados consideravam que a impunidade estava aumentando e 83% que a corrupção crescia no país. Passados impunes o caso Sivam e o caso da Pasta Rosa (ambos em 1995), a compra da reeleição (1997), entre outros, as privatizações corriam de vento em popa. Uma verdadeira farra que seria destrinchada anos depois, em trabalhos como O Brasil Privatizado (2003) de Aloysio Biondi, que denunciou a perda de R$ 2,4 bilhões com a venda do patrimônio público; e A Privataria Tucana (2011) de Amaury Ribeiro Júnior.

É compreensível, portanto, que após quatro governos e duas décadas, o governo FHC seja lembrando pelo brasileiro como aquele que menos combateu a corrupção. Considerando os três últimos governos, o Instituto Vox Populi divulgou uma pesquisa sobre o tema no mês passado. Lula foi citado por 31% dos entrevistados como o presidente mais atuante no combate à corrupção; Dilma apareceu em segundo lugar, com 29%; e FHC em último, com 11%.

O papel de "vestal da ética", reiterado por FHC em suas aparições públicas, é espinhoso. Em setembro, no programa partidário do PSDB, que batia na tecla das "pedaladas fiscais" como pretexto para o impeachment, o ex-presidente aparecia em meio a Alckmin, Serra e Aécio, criticando o Governo Dilma e o PT que, segundo ele, "oferece o inferno da crise e do desemprego".

Nos meios de comunicação, ao comentar as denúncias de corrupção na Petrobras durante o seu governo, FHC vem caprichando nas palavras e tentando emplacar o discurso de "corrupção organizada" (leia-se PT) versus "conduta imprópria" - o termo utilizado por ele quando se trata de corrupção em seu governo.

Outro tema delicado: as doações de empresas ao Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC).

Inaugurado em 2002, com doações de banqueiros, empresários e empreiteiros, o iFHC contou em 2006 com uma generosa contribuição de meio milhão da SABESP, controlada pelos sucessivos governos tucanos em São Paulo. Um ano depois, a Folha estampava em suas páginas: "Sabesp deu R$ 500 mil para projeto de instituto de FHC", explicando que, por meio da Lei Rouanet, o iFHC contou com R$ 2 milhões em doações diversas, entre as quais, a da Sabesp.

Blindagem deslavada do PIG

Em junho de 2015, quando o presidente do Instituto Lula (IL), Paulo Okamotto, foi convocado a depor na CPI da Petrobras por conta da doação da Camargo Corrêa, investigada pela Lava Jato, vários blogs apontaram que a empreeiteira também havia doado dinheiro ao iFHC, sem que Sérgio Fausto, superintendente executivo do Instituto, tivesse sido convocado a depor na CPI.

A Rede Brasil Atual, inclusive, trouxe em 12 de junho, uma reportagem de Helena Sthephanowitz relatando a doação de R$ 1,7 milhão da empreiteira para o iFHC em 2011, em nome da VBC Energia S.A — pertencente à Camargo Corrêa desde 2009.

Em novembro, quando veio à tona a doação de quase R$ 1 milhão ao iFHC pela Odebrecht, FHC contou com bom espaço para comentar o caso; com direito, inclusive, à divulgação da nota do iFHC em vários meios de comunicação. Um tratamento muito distinto à crimanização destilada contra o Instituto Lula e o ex-presidente petista.

Na manhã de 7 de novembro, um meme criado pelo jornalista Chico Bicudo viralizou nas redes sociais. Bicudo levantava a diferença de tratamento entre duas chamadas, publicadas na mesma página de Política do Estadão, sobre as doações da Odebrechet: uma para o Instituto Lula e a outra para o iFHC.

Na manchete destinada a Lula, sob o título "Lula recebeu quase R$ 4 milhões da Odebrecht, diz PF", Bicudo apontava a imagem de um Lula agressivo na foto escolhida, citado no título como pessoa física e agente da ação (Lula recebe doação). Além da identificação do nome da empreiteira e a fonte creditada, a Polícia Federal.

Na manchete destinada a FHC: "Empreiteira doou R$ 975 mil a Instituto FHC, aponta laudo", o jornalista destacava a escolha da imagem de um FHC inofensivo, da empresa doadora sem nome definido no título e como agente da ação (empresa doou), além de FHC surgir como pessoa jurídica (Instituto FHC) e a utilização "aponta laudo", sem o crédito da fonte.

Blindagem maior, impossível.

Tatiana Carlotti
No Carta Maior
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Querem tomar o Brasileirinho da Globo

Chega de espanholização



O Conversa Afiada reproduz artigo de Comes Rímoli, extraído do R7:

A bilionária Turner, com seu Esporte Interativo, pressiona. E Globo tem de recuar. Para não perder o Campeonato Brasileiro, acabará com a ‘espanholização’. Chega de Corinthians e Flamengo todos os domingos na tevê…

Nada como o tempo para tudo ficar mais transparente. A aposentadoria do homem forte do futebol na Globo, Marcelo Campos Pinto, anunciada em um comunicado em novembro do ano passado, causou comoção. Ainda mais porque o próprio Roberto Irineu Marinho, presidente e dono da emissora, assinava a saída.

O anúncio do desligamento foi significativo. Em meio às denúncias de corrupção que desmantelou a enorme quadrilha que comandava a Fifa. Marcelo participou das negociações de transmissão de torneios envolvendo a Seleção Brasileiro e os principais clubes brasileiros.

Viajava de jatinho particular pela África do Sul, com Ricardo Teixeira, em 2010. Participou de vários encontros e comemorações com José Maria Marin. Foi condecorado por Marco Polo del Nero.

Nada foi provado contra ele. Mas a imagem da Globo ficou maculada com sua proximidade com esses dirigentes.

A cúpula da emissora também havia decidido mudar a sua postura de conchavos, alianças.

Foi Marcelo Campos Pinto e Ricardo Teixeira que articularam com Andrés Sanchez e Kléber Leite a implosão do Clube dos 13. Em 2011, a emissora estava para perder o monopólio sobre o futebol. Presente da Ditadura Militar. Andrés, representando o Corinthians, acabou com a negociação de transmissão em bloco. Arrastou o Flamengo. E os dois clubes passaram a ganhar muito mais que as demais equipes no Brasileiro. Ter mais jogos transmitidos, o que garantiu maior exposição, patrocinadores dispostos a pagar mais Desde 2011, os dois desfrutam dessa regalia.

Vale sempre mostrar o disparate que Marcelo Campos Pinto criou. O colega Mauro César Pereira, da ESPN Brasil, detalha. A porcentagem de quanto cada equipe receberá da Globo neste Brasileiro. E no de 2017 e 2018. Flamengo e Corinthians, 13,5%. São Paulo — 8,7% Palmeiras — 7,9%.Santos — 6,3%. Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Botafogo e Fluminense — 4,7% cada. Atlético-PR, Coritiba, Sport e Vitória — 2,8% cada. América-MG, Ponte Preta, Chapecoense, Figueirense e Santa Cruz — 2,0% cada.

Os valores já foram publicados centenas de vezes. Mas não custa relembrar. Flamengo e Corinthians, R$ 170 milhões. São Paulo — R$ 110 milhões. Palmeiras — R$ 100 milhões. Santos — R$ 80 milhões. Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Botafogo e Fluminense — R$ 60 milhões. Atlético-PR, Coritiba, Sport e Vitória — R$ 35 milhões.América-MG, Ponte Preta, Chapecoense, Figueirense e Santa Cruz — R$ 25 milhões.

Lembra Mauro a diferença entre o que os clubes recebem na Europa. Inglaterra — 2,2 vezes, Itália — 6,6 vezes, França — 6,4 vezes, Brasil — 6,8 vezes, Espanha — 10,4 vezes. Está claro que o modelo brasileiro se encaminhava para a tão falada espanholização.

Por conta desse favorecimento de Marcelo a Andrés com seu Corinthians e ao Flamengo, os presidentes dos outros clubes, finalmente, se revoltaram. E passaram a exigir uma equiparação de tratamento. O fim de privilégio. E dinheiro próximo dos clubes mais populares do Brasil.

Veio a rejeição a figura de Marcelo Campos Pinto. Ele passou a ser considerado aliado de corintianos e flamenguistas. Além disso, seu jeito político, gentil demais, não era mais compatível com a selvageria do mercado atual.

A Globo passou a ter concorrência de verdade. Chegaram ao Brasil dois bilionários rivais. O primeiro foi a Fox. A empresa trocou a Libertadores pelo disfarçado boicote que sofreu para entrar na Net e na Sky. O outro nome que faz os executivos globais tremerem atende por Turner. Esqueça o nome fantasia Esporte Interativo. São os bilhões da Turner que estão por trás desse canal esportivo que comprou a Champions League.

A Turner teve imensa dificuldade para entrar nas maiores operadoras do país. Torcedores perderam as primeiras rodadas da Champions. Fox Sports, ESPN e Sportv chegaram a sonhar em fim de contrato do Esporte Interativo com a UEFA. E o principal torneio de clubes europeus passar a ser dividido entre os concorrentes. Só que a Turner usou de sua truculência, do seu poder. E, já que a Net e a Sky, não ofereciam espaço para o EI, a saída foi mostrar as partidas nos canais Space e TNT. Cumpriu assim, à força, o compromisso com a UEFA de comprar e mostrar os jogos, com exclusividade para o Brasil, na tevê fechada.

A força da Turner estava exposta. O Esporte Interativo ficou com a Champions por US$ 130 milhões, R$ 523 milhões. Por três anos, só ela mostrará o melhor campeonato do mundo. E vale lembrar que além das bilionárias Fox e Globo, venceu a disputa com a Disney, dona da ESPN.

Ficou claro para os Marinho que a mera diplomacia, o charme, as alianças de Marcelo Campos Pinto não funcionavam mais. Daí a aposentadoria. Pedro Garcia assumiu seu posto. E João Pedro Paes se tornou o novo diretor de eventos esportivos. Marcos Mora deixou a emissora, também aposentado, após 43 anos de Globo.

Garcia e João Pedro são conhecidos na Globo por sua discrição, frieza e firmeza nas negociações com a CBF e com os clubes. E os dois perceberam que estão no meio de vários furacões. Precisaram ser domados à força.

O primeiro foi a Primeira Liga. Criada pelos clubes, revoltados, em ter de disputar os insignificantes estaduais. Sonhavam com jogos mais importantes entre Flamengo e Fluminense do Rio e os grandes do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Queriam total independência da CBF e da Globo. Organizariam o torneio. Teriam seus árbitros e tribunal próprio. Fariam um leilão livre pela transmissão dos jogos. E colocariam seus times principais. E jogadores sub 23 nos estaduais. Esse era o acordo.

A CBF titubeava. Acossado pelo FBI e Departamento de Justiça, Marco Polo não dava atenção. Pensava na própria sobrevivência. Foi por pressão da Globo que tudo foi revertido. A emissora cobrou os principais clubes pelo apoio financeiro que sempre deu, com seus eternos adiantamentos de cotas. Ficou claro que haveria guerra se os Estaduais fossem sabotados e o torneio fosse parar em outra emissora.

Os clubes recuaram de forma vergonhosa. Deram o controle do torneio à CBF. E venderam a transmissão do torneio por um preço irrelevante à Globo, R$ 5 milhões. A emissora alegou 'programação cheia' para pagar tão pouco. As equipes decidiram que vão colocar seus jogadores principais nos Estaduais. E deverão usar os sub-23 na Primeira Liga. O que fere de morte o torneio que iria revolucionar o futebol no país.

Com o fim da 'revolução', o ex-presidente do Atlético Mineiro e executivo principal da Primeira Liga, Alexandre Kalil, pediu demissão. Não aceitou os clubes repassarem o controle da Liga à CBF e à Globo.

A Globo deu outra demonstração de sua nova política agressiva. Fez o Flamengo declarara publicamente que colocará seus titulares no Campeonato Carioca, algo que o presidente Bandeira de Mello não queria. Ele havia feito um pacto com o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, de sabotar o torneio por causa do presidente da Federação Carioca, Rubens Lopes e seu protecionismo ao Vasco. Só que cobrado de maneira rígida pela Globo, podendo a emissora acionar até judicialmente o clube, houve o recuo. E em comunicado oficial.

Dois furacões domados. Agora há o nascimento de um terceiro. E mais sério. Outra vez o dinheiro da Turner, via Esporte Interativo. R$ 600 milhões, contrato de 2019 a 2024, distribuição seguindo o modelo da Liga Inglesa. Fim dos jogos às 22 horas. E fim de privilégio de Corinthians e Flamengo no número de jogos mostrados.

O grupo bilionário norte-americano que os jogos do Brasileiro na tevê fechada. A Globo nunca pagou muito pelos jogos mostrados a cabo. Cerca de 3% do que gasta na aberta. O privilégio sempre foi dos seus canais Sportv e o pay-per-view Premiere.

Houve uma reunião nesta semana no Rio. Representantes do Flamengo, São Paulo, Grêmio, Internacional, Santos, Fluminense, Coritiba, Atlético Paranaense e Bahia ouviram as propostas na quarta-feira.

Desde o fim do Clube dos 13, cada equipe pode negociar separadamente. O que poderia causar um caos. Com times pagos pela Globo enfrentando clubes 'da Turner'. Os confrontos não seriam mostrados na tevê fechada.

Mas a Globo não ficou de braços cruzados. Reagiu. Entrou em contato com os presidentes dos clubes e com a CBF. A pressão é enorme pelo recuo. Corinthians, Palmeiras, Vasco e Botafogo já estão apalavrados com a Globo para depois de 2018. O Flamengo dá mostras de ser o próximo a fazer valer sua proximidade de décadas com a emissora.

Só que a nova cúpula que comanda o futebol na Globo percebeu. Os clubes estão revoltados com os privilégios financeiros e em número de transmissão para Corinthians e Flamengo. E estudam uma reformulação no atual disparate. E também será aumentado o pagamento de jogos pela tevê fechada.

Antes da reunião com a Turner, em outubro, a Globo havia oferecido um bônus de R$ 20 milhões para a renovação antecipada. A negociação foi levada à frente por Marcelo Campos Pinto. Acabou em fracasso. O ex-executivo global era visto pelos clubes como aliado do Flamengo e Corinthians. No fim, sua estratégia para acabar com o Clube dos 13 se virou contra ele.

A verdade é uma só.

Com a saída de Campos Pinto, acaba a perspectiva de espanholização.

Corinthians e Flamengo não serão mais Real Madrid de Barcelona tropicais.

O privilégio de receber e aparecer mais acabará em 2018.

A Globo pode até continuar com seu monopólio.

Mas as gigantes Turner e Fox estão nos seus calcanhares.

Por isso terá de pagar cada vez mais.

E ser mais democrática nas transmissões.

Chega de Flamengo e Corinthians todos os domingos na tevê aberta.

Quem vence é o futebol deste país...

E no site 180 graus, com informações do Blog do Perrone:

Esporte Interativo oferece mais do que o dobro da rede Globo por Brasileirão

Valor global da proposta do Esporte Interativo é R$ 600 milhões para a TV Fechada, diz blog

A proposta do Esporte Interativo para um grupo entre sete e dez clubes pelos direitos de TV Fechada do Brasileiro a partir de 2019 é mais do que o dobro da feita pela Globo. Essa é a informação de dirigentes de times que negociaram com as duas emissoras. As ofertas são individuais, por isso, o percentual de vantagem oferecido varia, mas há sempre grande superioridade do EI.

O valor global da proposta do Esporte Interativo é R$ 600 milhões para a TV Fechada, como antecipara o blog do Perrone. O período seria por seis anos. E já houve negociações com um grupo composto por Grêmio, Internacional, Bahia, Santos, Fluminense, Coritiba e Atlético-PR. Flamengo e São Paulo também têm conversas com a emissora, embora de forma mais tímida.

Já a Globo procurou todos os clubes com o seu pacote que inclui TV Aberta, fechada e pay-per-view. Não ofereceu nenhum reajuste em relação ao que paga atualmente, que gira em torno de R$ 1,3 bilhão para tudo, excluídos times que não têm cotas fixas. A fatia do contrato para a TV Fechada, Sportv, é pequena neste bolo e portanto bastante inferior ao que ofereceu o Esporte Interativo.

Isso animou os clubes. Há um grupo que já tem a expectativa de assinar um contrato com o Esporte Interativo nos próximos meses. Outras equipes ainda aguardam com cautela, mas veem a concorrência como positiva.

Um dos fatores que agradou esses clubes é a divisão de receitas mais igualitária em relação a oferecia pela Globo. Os contratos são individuais, mas as diferenças de cotas entre os times não são grandes. Tanto que o grupo de sete equipes levantou a possibilidade de fazer uma divisão no modelo da Premier League, isto é, 50% de forma igual, 25% por posição no campeonato, e 25% por audiência.

Na avaliação de alguns dos sete clubes participantes, a discussão com o Esporte Interativo pode servir para quebrar o modelo da Globo de valorizar mais Corinthians e Flamengo com valores bem maiores. Também houve flexibilidade da emissora em relação à marcação de horários dos jogos, o que é imposto pela Globo.

Há, no entanto, ressalvas em relação à exposição do Esporte Interativo. Basicamente, a Globo oferece maior espaço para os patrocinadores, o que será levado em consideração. De qualquer maneira, as negociações ainda devem se desenrolar por mais tempo porque, como o contrato é para 2019, certos clubes terão de levar a questão ao Conselho Deliberativo. Mas há uma real ameaça a hegemonia global.



Neymar vai usar tornozeleira eletrônica!

Aqui, ele é um jênio! Era a salvação do Globope do Brasileirinho!

Não pronunciar Seu nome em vão !
Como se sabe, Neymar é um narciso que se nutre de expedientes mercadológicos vulgares.

Quando usou a fitinha 100% Jesus para esconder que o Fisco espanhol estava 100% atrás dele e do santo pai.

Em todas as fotos de comemoração do Barça, ele fica na frente de todos, a pular, como se fosse o único vencedor.

Quando erra um chute ou é desmarcado, cai no chão para simular um machucado, um imprevisto que justifique o erro.

Não engana ninguém.

Ou melhor, seus agentes enganam todo mundo.


Procuradoria da Espanha pede indiciamento de Neymar por corrupção e fraude

Santos, Barcelona e pai do atacante também são investigados

A justiça espanhola continua com marcação apertada para cima de Neymar. Nesta sexta-feira, a Procuradoria do Tribunal da Espanha, sediada em Madri, pediu o indiciamento do atacante brasileiro por “crime de corrupção entre particulares e fraude” envolvendo sua transferência do Santos para o Barcelona, em 2013. As informações são do jornal espanhol El Pais.

De acordo com a publicação, o procurador José Perals solicita ainda o indiciamento do pai do jogador, Neymar da Silva, e de quatro dirigentes envolvidos na transação: Josep Maria Bartomeu e Sandro Rosell, do Barcelona, e Odilio Rodrigues e Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, ex-presidentes do Santos. Os dois clubes também podem ser indiciados como pessoas jurídicas.

(...)

No CAf
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Celular da OAS faz strike na cúpula do PMDB


O vazamento das mensagens que estavam no celular do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, apreendido pela Polícia Federal na operação Lava Jato, atingiu com um strike os principais caciques do PMDB.

Até o momento, os diálogos de Leo Pinheiro apontam para relações poucos republicanas entre ele e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que foi descrito como um "despachante" dos interesses da empreiteira baiana no Congresso Nacional. O relatório da Polícia Federal aponta que Cunha é o político que mais aparece nas conversas com o executivo: fez 27 pedidos a Pinheiro, enquanto Pinheiro fez 26 pedidos a Cunha.

Num desses diálogo, Cunha revela a suposta participação do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e do seu braço direito, o ex-ministro Moreira Franco, no recebimento de recursos por parte da OAS. Pressionando Pinheiro por mais doações, Eduardo Cunha reclama que o empresário teria repassado "5 paus" para Temer e Moreira Franco, deixado de prestigiar "os amigos", que seriam ele próprio, o ministro Henrique Alves, e o primeiro-secretário do PMDB, Geddel Vieira Lima.

O ex-presidente da Câmara e atual ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, também atuou em favor da OAS no Tribunal de Contas da União e no Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte. Alves é acusado pela Procuradoria-Geral da República de fazer lobby para evitar o bloqueio de recursos para as obras da empreiteira na Arena das Dunas, em Natal, um dos estádios da Copa de 2014. Em decisão do mesmo ano, o TCU registra que não foram detectadas irregularidades passíveis de paralisação das obras.

Entre 2008 e 2014, o grupo de empresas OAS retirou R$ 197 milhões de seu patrimônio para dedicar a doações eleitorais. Um boa fatia deste montante foi destinado ao PMDB, cujos principais líderes são defensores da manutenção de doações privadas em campanhas eleitorais, proibida pelo Supremo Tribunal Federal.



Cunha atuava como 'despachante' da OAS no Congresso


Especialmente nos anos de 2013 e 2014, quando foi líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha atuou com uma espécie de "despachante" dos interesses da OAS no Congresso.

Relatório da Polícia Federal com todas as mensagens de celular trocadas entre o atual presidente da Câmara e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, mostra que nove medidas provisórias (MPs) foram negociadas diretamente nas conversas entre os dois ou mencionadas pelo grupo do empreiteiro. Segundo a PF, executivos da OAS buscavam aprovar emendas em MPs que beneficiassem os interesses da construtora. Em algumas dessas emendas, Cunha teve participação direta.

Ao mesmo tempo em que representava os interesses da OAS, Cunha fazia seus pedidos. Em 2013, ele chegou a pedir para Léo Pinheiro "mudar algum voto" na bancada do PMDB no contexto da eleição do líder do partido. "Se puder mudar algum voto", escreveu o deputado em mensagem de 2 de fevereiro de 2013. "Se precisar me aciona", respondeu o empreiteiro. "Obg abs", agradeceu o parlamentar. Cunha foi eleito no dia seguinte, com 46 votos. Seu adversário, o deputado Sandro Mabel, teve 32 votos. "Parabéns. Vitória de um guerreiro competente. Abs", elogiou Pinheiro ao parabenizar o novo líder do PMDB na Câmara.

Em 2014, Cunha atuou junto a Léo Pinheiro como arrecadador de recursos para a campanha de Henrique Alves (PMDB) ao governo do Rio Grande do Norte. Ele chegou a intermediar, por iniciativa própria, a doação de dinheiro de outra empreiteira, a Odebrecht, em nome da OAS, como mostram mensagens escritas dias antes do segundo turno das eleições de 2014. Os pedidos de recursos foram apresentados por Cunha a Léo Pinheiro nos dias 10, 13, 15, 17 e 21 de outubro de 2014. Alves perdeu a eleição. Hoje é ministro do Turismo.

As MPs mencionadas nos diálogos reproduzidos pela Polícia Federal são as de número 574, 575, 582, 584, 600 e 656, além do projeto de lei complementar 238/2013. A citação a outras três MPs não detalha os números correspondentes. Com exceção da MP 574, que não foi aprovada no prazo e, por isso, deixou de ter vigência, todas as outras viraram lei.

No 247
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Netflix entra firme e dá bye-bye à Globo

600 horas de produções originais e conteúdo brasileiro!


Netflix expande para 190 países. Maior investimento foi em licenças

A Netflix anunciou nesta quarta, 6, na CES, que seu serviço de vídeo online passará imediatamente dos atuais 60 para 190 países. A plataforma passa a existir em praticamente todos os países, exceto a China.

Este noticiário conversou com Neil Hunt, chief product officer da companhia. Segundo ele, o maior investimento para permitir esta oferta foi na ampliação das licenças de conteúdos de terceiros, para permitir a oferta global. Em seguida, veio o investimento em infraestrutura (ele não revela o total investido).

Hunt não vê problemas técnicos na expansão da rede, porque ela acontecerá gradualmente, à medida em que entrem os novos assinantes, e garante que a Netflix está preparada para a demanda. A empresa trabalhará junto aos ISPs locais para implantar sua CDN, mas isso acontecerá também na medida em que a demanda crescer, e possivelmente formando hubs de países próximos. Assim, uma CDN pode por exemplo atender seis ou sete países do Sudeste Asiático.

A "virada de chave" aconteceu no exato momento em que o CEO da empresa, Reed Hastings, fazia sua apresentação na CES. Ele contou que a Netflix tem hoje 2 mil empregados, sendo a metade engenheiros, e perto de 70 milhões de usuários. A empresa chega hoje a cerca de metade dos lares nos EUA. "O cabo levou 20 anos pra atingir esse número", lembra. Em 2015, a plataforma trafegou 52,5 bilhões de horas de conteúdo. Atualmente são assistidas 125 milhões de horas por dia na plataforma. A Netflix está presente em mais de mil modelos de dispositivos, e conta com serviço em 17 línguas.

Perguntado por por este noticiário, Hastings disse que não acha que será um problema lidar com as diferentes realidades de tantos países ao mesmo tempo no que diz respeito a direitos, regulamentação, cobrança e atendimento ao consumidor. "Quando começamos no Brasil, só aceitávamos cartão internacional. Fomos aprendendo como o país funciona, nos adaptando, aprimorando o serviço. Será assim nos demais países. O Brasil foi um grande aprendizado, que vamos agora repetir nos outros territórios", disse.

Uma fonte ligada à empresa disse que acompanham de perto a iniciativa da Ancine de regulamentar o VOD no país. "Fala-se nisso há pelo menos cinco anos, estamos acompanhando, mas não acho que vai acontecer nada no curto prazo. Coisas como cotas de produção nacional não fazem sentido numa plataforma de VOD, na minha opinião", disse a fonte.

Ted Sarandos (Netflix) e os atores Wagner Moura ("Narcos"), Krysten Ritter ("Jessica Jones") e Will Arnet ("Bojack Horseman" e "Arrested Development")
Ted Sarandos (Netflix) e os atores Wagner Moura ("Narcos"),
Krysten Ritter ("Jessica Jones") e Will Arnet ("Bojack Horseman"
e "Arrested Development")
Conteúdo

A empresa produzirá 600 horas de conteúdos originais em 2016. Além de "3%", já em produção, a Netflix deve ter outras séries brasileiras anunciadas este ano, disse a este noticiário Jonathan Friedlander, diretor de comunicação.

Na CES foram apresentados trailers inéditos de duas novas grandes produções. "The Crown" é ambientada nos anos 1950 e conta a história da rainha Elisabeth, da Inglaterra. Já "The Get Down" mostra o surgimento da cultura disco nos EUA na década de 70.

Os conteúdos originais serão oferecidos simultaneamente em todo o mundo. Já os conteúdos licenciados mantém ainda algumas regras de janelas e territórios diferentes para cada região. A empresa diz que se esforça agora para que todos os novos contratos de licenciamento prevejam a distribuição global.

Todas as novas produções serão gravadas e finalizadas em 4K, e este ano a Netflix começa a distribuir conteúdo com HDR, tecnologia que permite ainda mais resolução e definição de cores (e também consome mais banda). Também deve crescer a produção internacional. A empresa hoje tem coproduções em andamento em mais de dez países.

André Mermelstein, de Las Vegas, para a Teletime
No CAf
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No maior juro do mundo, uma oportunidade


Quando tinha 12 anos, o colombiano David Vélez, 34, fez seu primeiro negócio: com suas economias comprou uma vaca. Trabalhando com o pai, ele conseguiu mais dinheiro e comprou outros oito animais. Na revenda, ele fez o primeiro lucro da sua vida.

Esse engenheiro financeiro conta essa história para mostrar como sempre acreditou que não é legal ter chefe e que é possível ter lucro mesmo com vacas magras. Ele mora no Brasil desde 2008, onde também buscou uma oportunidade de negócio – oferecer um serviço de cartão de crédito no país campeão mundial de juros.

O que pode parecer desestimulante para um brasileiro, para Vélez foi uma chance de empreender. Enquanto bancos tradicionais brasileiros embolsam, em média, 415,32% de juros ao ano no cartão de crédito (alguns bancos chegam a 805,44%), a startup de Vélez — o Nubank — cobra menos da metade disso: cerca de 144,9% ao ano (ou 7,75% ao mês).

Se, em uma fatura de R$ 1.000, por exemplo, só é pago o mínimo de 15% permitido no crédito rotativo, o cartão do Nubank te cobrará uma dívida de R$ 1.313,24 ao todo, que pode ser paga em cerca de oito parcelas (com pagamento mínimo mensal de R$ 150). Mas, caso teu cartão de crédito seja de um banco tradicional, com juros médios de 415,32% ao ano, a dívida passa a ser de R$ 2.093,49 (que poderiam ser pagas em até 14 parcelas, com o mesmo pagamento mínimo mensal). Uma diferença de R$ 780,25.

Os bancos também cobram, além dos juros, os encargos financeiros, que incluem custos fiscais e operacionais.

“A questão dos juros altos no Brasil me deu a oportunidade de tentar resolver um problema. Isso é empreender”, afirma. Vale lembrar que a taxa média de juros cobrada no rotativo do cartão de crédito no Brasil é a mais alta na comparação com outros seis países da América Latina — Argentina, Chile, Colômbia, Peru, México e Venezuela —, segundo a Proteste. Nesses países a média varia de 62% a 24% ao ano. Aliás, o Brasil tem a maior taxa básica de juros do mundo descontada a inflação (6,55% ao ano), de acordo com estudo da consultoria MoneYou. Em segundo, vem a Rússia (2,78%).

Esse dado reforça a visão de Vélez de que o Brasil e a América Latina ainda precisam melhorar muito seu ambiente de negócios, já que as dificuldades podem sim criar oportunidades, mas também levam ao fechamento de várias empresas.

Vélez nasceu em Medelín e também elogia a atual situação da Colômbia, que neste ano deve crescer 3,4%, ante retração de 3% do Brasil, segundo projeções do FMI. Mas também lembra como foi duro seu país fortalecer suas instituições, situação que ele mesmo sofreu.

Ele se mudou com os pais e duas irmãs para San José, na Costa Rica, quando tinha oito anos. Medelín e grande parte da Colômbia no final da década de 1980 sofria com os vários atentados do narcoterrorismo. Apenas o Cartel de Medelín, liderado por Pablo Escobar, matou centenas de pessoas, incluindo juízes, promotores, testemunhas, jornalistas e civis.

“Eu e minha família nos salvamos por pouco de uma bomba. Explodiu 5 minutos depois que saímos de um shopping. Foi o momento de ir embora”.

O pai de Vélez é engenheiro e, sua mãe, psicóloga. Seu pai tinha 11 irmãos, cada um com sua própria empresa. “Eu ajudava meu pai em sua fábrica de botões, no controle de qualidade. Foi com minha família que aprendi a responsabilidade de empreender, de fazer por si mesmo”.

Para ajudar nessa meta, aos 18 anos ele foi estudar na Universidade de Stanford, na Califórnia. Depois de formado, trabalhou dois anos no Morgan Stanley até ser convidado a entrar no fundo de private equity (que investe em companhias médias ou pequenas já consolidadas) General Atlantic.

Então em 2008 ele se mudou para o Brasil (que já conhecia em viagens turísticas) para ajudar na abertura do escritório da General Atlantic aqui. Depois, fez um MBA em Stanford justamente com o objetivo de “arriscar tudo em um negócio”. E seu desejo foi justamente apostar na oportunidade gerada pelos altos juros brasileiros.

“Quando me mudei para cá, tive muita dificuldade para abrir uma conta em banco, e inclusive de conseguir uma linha telefônica. É uma burocracia impensável nos EUA e até em outros países da América Latina. Mas disso veio minha ideia central para criar o Nubank”, diz.

O Nubank é uma startup (empresa inicial de base tecnológica) que não possui agências físicas — tudo é realizado por meio da internet. Por conta disso, seus custos são menores. Os cartões da Nubank, com a bandeira Mastercard Internacional, têm juros baratos — mas não é só. Não há anuidade e tarifas.

A empresa de Veléz formalmente não é uma instituição bancária, é uma empresa de pagamentos. Ela faz uma parceria com dois bancos médios brasileiros para oferecer o crédito, que tem limites entre R$ 500 e R$ 20 mil. O colombiano não revela o nome dos bancos.

Apesar de Vélez não revelar se a empresa já atingiu o ponto de equilíbrio — quando receitas e despesas se equilibram e a companhia fica próxima do lucro — o Nubank recebeu aportes de investidores, como da Sequoia Capital, da Kaszek Ventures e do bilionário empreendedor Nicolas Berggruen, de US$ 14,3 milhões. Sinal de que o business é promissor, mesmo com tarifa zero e juros muito menores que demais bancos. Vélez não revela quantos clientes já possui, mas afirma ter uma lista de espera de 700 mil pessoas que solicitaram o cartão e aguardam análise de crédito.

Sua maior crítica ao sistema financeiro nacional é a falta de competição e a concentração bancária no Brasil. “O Brasil tem quatro, cinco bancos que concentram a maioria dos correntistas. No resto da América Latina há uma competição maior até porque os bancos estrangeiros atuam com mais facilidade nesses países”, afirma.

Para o professor Antonio Corrêa de Lacerda, do programa de estudos pós-graduados em Economia Política da PUC-SP, o Brasil tem anomalias, como a taxa básica de juros (Selic) muito alta, que pressiona empresas e consumidores. Mas, mesmo assim, os bancos têm lucros exagerados.

“Os juros ao crédito são muito altos no Brasil, primeiro porque o juro básico Selic é, em termos reais, o maior do mundo. Segundo, os spreads bancários também são muito elevados. Ambos proporcionam grandes lucros aos bancos”, diz.

O spread bancário é a diferença entre a remuneração que o banco paga ao aplicador e o quanto esse banco cobra para emprestar o mesmo dinheiro.

Considerando o lucro líquido dos quatro maiores bancos de capital aberto (Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander), o ganho no terceiro trimestre foi de cerca de R$ 14,5 bilhões, aproximadamente 5,4% maior do que em igual período do ano passado.

O ex-secretário de Finanças de São Paulo Amir Khair explica que os bancos, além de ganharem dinheiro com o spread, também têm ganhos com a compra e venda de títulos do governo federal. Para ele, isso só vai mudar com um grande debate público que permita mudanças na legislação e nas políticas econômicas.

A Abecs (associação das empresas de cartões de crédito) justifica os altos spreads com um conjunto de fatores que prejudicariam as instituições financeiras no Brasil: inadimplência, impostos diretos, margem bruta, depósitos compulsórios (obrigação de os bancos depositarem parte dos recursos captados dos clientes numa conta do Banco Central), margem líquida e custos com subsídios, encargos fiscais e o FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Há uma queixa das instituições financeiras de que esses itens são muito elevados no Brasil em comparação com outros países.

Quando questionado sobre os motivos de os bancos brasileiros manterem spreads altos mesmo com lucros elevados, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) não quis comentar. O Banco Central também não respondeu sobre a queixa das instituições financeiras e sobre a Selic.

Reinaldo Chaves, É jornalista especializado em economia que gosta de números e de Fiódor Dostoiévski. Ainda arranja tempo para estudar cozinha e estagiar em restaurantes em busca do velouté perfeito.
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"O modelo que fundamenta a social-democracia se esvaiu"

Diante da crise na Europa, a historiadora portuguesa só vê saída na democracia direta

"O problema aqui não é falta de consciência da situação, mas falta de organização"
A historiadora portuguesa Raquel Varela ocupou o centro das polêmicas em seu país após lançar no primeiro semestre um libelo contra a austeridade e a forma tradicional de se fazer política denominado Para Onde Vai Portugal. No livro e na entrevista a seguir, Varela descreve uma realidade que atravessa fronteiras: a destruição do Estado de Bem-Estar Social na Europa e o aumento brutal da desigualdade, uma marca do início do século XXI. “A diferença entre um rico e um pobre europeus em 1945 era de 1 para 12. Hoje é de 1 para 530.” O grande desafio, afirma, é reconectar os trabalhadores com a política e isso só seria possível por meio da adoção de uma democracia direta. “O modelo de eleições a cada quatro anos não é mais suficiente. Os cidadãos precisam ter poder de fato.”

Um dos aspectos interessantes de seu livro é a análise de que os atuais governos liberais, ou voltados ao mercado, na União Europeia mantêm um Estado mais inchado do que nunca. Poderia explicar?

O Estado controla a economia por meio da dívida pública. Vivemos um modelo no qual os trabalhadores pagam ao Estado, que por sua vez entrega o dinheiro ao setor privado por meio, entre outros, das Parcerias Público-Privadas. Por conta da intervenção da Troika, Portugal teve a sua maior no setor bancário, além de gerar uma desregulamentação do trabalho pela flexibilização da mão de obra. Tudo isso é articulado pelo Estado, sem ter como objetivo a manutenção do pacto social do pós-Guerra. O modelo que fundamenta a social-democracia se esvaiu. A tendência em Portugal e na Europa é de alta concentração da riqueza. Em 1945, a diferença entre um rico e um pobre, ou um trabalhador manual qualificado na Europa, era de 1 para 12. Em 1980, subiu de 1 para 82. E hoje é de 1 para 530. A União Europeia é uma corporação de acumulação de capitais. E a acumulação é incompatível com a manutenção de serviços públicos de qualidade, por causa da queda tendencial da taxa de lucro. Esse foco tem como consequência a destruição do Estado de Bem-Estar Social. O que vemos em Portugal em particular e em outros países é na verdade a ascensão de uma assistência social, com a educação e a saúde públicas focadas cada vez mais nos pobres e desempregados e não em toda a sociedade.

Os partidos na Europa ou em Portugal têm oferecido caminhos concretos de mudança para salvar o Estado de Bem-Estar Social gradualmente sucateado?

Em Portugal, não. Nem mesmo à esquerda, ao menos no que diz respeito aos partidos com maior representação. Dizem ser preciso acabar com a austeridade, mas não dizem como. Isso acontece porque os indivíduos, e os partidos, associam a melhora das condições de vida a partir dos anos 1990 à União Europeia, quando na verdade ela deveu-se, sobretudo, à redução dos preços dos bens de consumo a partir da entrada da China no mercado mundial. Essa facilitação do consumo abriu espaço para grandes endividamentos e a disparada dos preços dos imóveis. O projeto da União Europeia teve muito mais a ver com a “financeirização” do consumo dos trabalhadores do que com uma dádiva que nos foi dada. Isso não é posto em causa por nenhum partido com alguma influência de massas.

Quem ou quais seriam os potenciais agentes ou instituições viabilizadoras ou promotoras dessa mudança?

É importante lembrar que a sociedade não é dirigida por quem sabe e deve, e sim por quem se organiza politicamente. Mas com os partidos que temos não vamos a lado nenhum. Ou melhor, vamos: rumo ao declínio. Talvez seja preciso uma nova geração, diferente dessa que nasceu sob o pacto social europeu, para voltarmos a ter dirigentes que mereçam o nosso respeito e confiança. Os atuais olham para o pacto social do pós-Guerra, diretamente associado a uma social-democracia sem nada de novo a oferecer, como uma viúva vítima de violência doméstica no funeral do marido: ela chora, nem sabe por quê.

Seu livro ressalta a importância da criatividade, da cidadania e da organização coletiva. Como isso se aplicaria ao Brasil?

Os partidos políticos são fundamentais para um diálogo estratégico e um pensamento teórico. As classes dominantes estão muito mais bem organizadas do que os trabalhadores e temos de dar respostas a esses, mais fragmentados do que nunca, por meio da política. No caso do Brasil, o problema é outro. Os partidos com uma militância engajada, despojada, dedicada aos trabalhadores, são muito minoritários. E o PT transformou-se em um partido de gestão do Estado, do seu aparelho. Há uma fragilização e o grande desafio da política como um todo é buscar os desiludidos, os desmoralizado. Como os partidos vão fazer para as ideias emancipatórias voltarem a ter força social? É um desafio imenso, até porque é preciso construir pontes com os trabalhadores organizados.

E no caso da Europa?

O problema aqui não é falta de consciência da situação, mas falta de organização. Quem vive do trabalho está profundamente atomizado, disperso. A retomada dessa consciência se dará por meio da democracia direta, e não representativa. Não é só decidir quem vai decidir. É decidir de fato. Os cidadãos têm de encontrar mecanismos de decisão nos seus locais de trabalho, hospitais e escolas que frequentam. O modelo de eleições a cada quatro anos, ou delegados sindicais a cada dois anos, não é mais suficiente. O desafio do século XXI é fazer da democracia representativa uma democracia direta, na qual os indivíduos têm o poder real e não de forma meramente ilustrativa.

*Entrevista publicada originalmente na edição 879 de CartaCapital, com o título Todo poder, real, aos cidadãos

Alisson Avila
No CartaCapital
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O Atlas Linguístico do Brasil


As enormes diferenças nos modos de falar dos brasileiros das diferentes regiões acabam de ser estudadas e publicadas — depois de dez anos de pesquisas em todo o território nacional — na forma do Atlas Linguístico do Brasil. Liderado pelo Instituto de Letras da Universidade federal da Bahia, o trabalho incluiu professores e pesquisadores de várias Universidades de todos os Estados. O país foi dividido em 250 pontos de coleta de entrevistas e dados (o ponto 1 era o Oiapoque e o ponto 250, o Chuí) e isso permitiu a construção de riquíssimos mapas dos falares brasileiros.



O Atlas acaba com os preconceitos linguístico e mostra que não há um modo de falar “certo” ou “errado”. Os sotaques e marcas prosódicas de cada local ou região são sempre corretas, quando permitem a comunicação fluente entre os habitantes daquela comunidade. Prosódia é a parte da gramática que estuda a emissão dos sons da fala, como o acento e a entonação. É, em resumo, o estudo da acentuação que cada pessoa dá ao seu vocabulário.
Maneiras de dizer “erva-doce” no Paraná, a cada micro-região.
Um exemplo, bem estudado no Atlas, são as diferentes maneiras como os brasileiros pronunciam o som do “R”. Há pelo menos quatro, dependendo da posição da língua do emissor e da duração do movimento. O “R” retroflexo, é usado no Centro-Oeste, sul da Bahia e algumas cidades de São Paulo e Paraná; o “R tepe”, é aquele com certa vibração, caracterísico do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e da capital de São Paulo; o “R” carioca (que soa em dobro, como em “porrrrrta”): e o “R” gutural, mais suave, como se ouve em Belo Horizonte e algumas capitais do Norte e Nordeste.

O “S” também pode ser mais chiado (Rio, Florianópolis) ou menos chiado.

Esta foi a primeira tentativa de se descrever o Português falado no Brasil com dados coletados in loco em todo o território — antes haviam Atlas de alguns Estados ou regiões.

Antônio Barbosa Filho
No ValePensar
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Parar de fazer exercício físico pode atrapalhar combate contra demências


Os cientistas estão cada vez mais interessados em entender como a atividade e os exercício físicos mexem com o cérebro.

Os benefícios do movimento podem ir muito além de um melhor funcionamento muscular e cardiorrespiratório e têm até a capacidade de "rejuvenescer" o sistema nervoso central, protegendo-o e freando o progresso de doenças neurodegenerativas.

A razão alegada pelos pesquisadores para o benefício cognitivo — como na melhora da memória e da atenção — é o aumento de uma proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla pelo qual é conhecido, em inglês).

Ela funciona como um fator de crescimento, provavelmente estimulando o surgimento de novos neurônios e a formação de novas ligações entre eles (sinapses), característica batizada de neuroplasticidade.

"Era um dogma antigo o de que o cérebro se desenvolve até a adolescência ou começo da vida adulta e que dali em diante só iria 'morro abaixo', sem muito o que fazer", diz o neurologista e professor da Unicamp Li Li Min.

Reserva

De fato, a taxa de surgimento de novos neurônios despenca na vida adulta, mas o exercício é capaz de melhorá-la, atrasando o aparecimento de doenças.

Um dos conceitos biológicos que explica isso é o de "reserva funcional". Para exercer ou manter uma determinada função, um órgão ou sistema geralmente dispõe de mais recursos que o necessário. Faz sentido porque, no caso de uma crise, o organismo continua funcionando.

Com a deterioração provocada pela idade (com a taxa de perda de neurônios muito maior do que a de surgimento de novas células), a reserva funcional vai sendo consumida, até um limiar em que o prejuízo cognitivo se evidencia.

Terapeuticamente, o exercício físico poderia atuar de duas formas: criando a reserva funcional ao longo da vida e/ou retardando o desgaste dela durante o período de acometimento da doença.

A ciência ainda patina, entretanto, em definir qual exercício seria o melhor para tratar cada doença. Curiosamente, o exercício aeróbico (como andar em esteira ou em uma bicicleta ergométrica) nem sempre leva vantagem nas pesquisas sobre o tema.

Em uma tese de doutorado da USP, orientada pelo geriatra Wilson Jacob Filho, os pesquisadores viram que exercícios de musculação conseguem melhorar a memória de idosos. Outro trabalho, que comparou caminhada com técnicas de respiração viu que, em termos cognitivos, valia mais a pena respirar direito do que caminhar no parque três vezes por semana.

"O exercício também pode atuar sobre o sistema imunológico, o sono e a esquizofrenia, mas também não sabemos qual seria a intensidade (como a velocidade em uma corrida) e o volume (quilômetros percorridos) ideais para cada situação", diz o professor da Unifesp Marco Túlio de Mello.

'Dependência'

Segundo Mello, uma das características preponderantes do ganho funcional proporcionado pela atividade física é também uma das mais emblemáticas da musculação: com o cessamento das atividades, vão-se os benefícios.

"Um paciente com depressão moderada, ao praticar exercícios, pode ir para um quadro de depressão leve e até diminuir a dose de medicamento necessária", diz Mello. "No entanto, se a atividade for interrompida, a depressão volta a piorar."

Claro, se há atraso do aparecimento dos primeiros sintomas de demências é algo a comemorar. Alguns estudos, porém, dizem ainda não haver clareza de que as atividades sempre trazem benefícios.

Em 2015, uma meta-análise — estudo que congrega dados de vários outros para tirar uma conclusão mais robusta sobre um tema — disse não haver indícios de que adultos saudáveis sem demência tenham ganhos cognitivos com a prática de exercícios.

Em 2008, um estudo semelhante, organizado pela mesma instituição (a Rede Cochrane), disse que tais benefícios eram reais. O que se observa é a própria ciência refinando suas conclusões e tentando convergir para uma posição mais sólida.

É difícil prever como as prescrições de exercícios serão no futuro porque a maneira que cada cérebro se adapta para executar cada atividade é única — e podem existir pessoas que simplesmente não se beneficiem deles.

Por outro lado, por mais que os benefícios fisiológicos sejam discutíveis, a interação social e a saída da mesmice diária provocadas pela prática de uma atividade física, exercício ou esporte, na opinião dos especialistas, já são suficientes para convencer qualquer um a não ficar parado esperando a morte da bezerra (ou a sua própria).

Gabriel Alves
No fAlha
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Pesquisador estuda o cérebro de revoltados que foram xingar o neto de Dilma no hospital


O segundo neto de Dilma, Guilherme, nasceu nesta semana em Porto Alegre. Ela foi à maternidade visitar a criança e a mãe.

Ao deixar o hospital, o comboio que a levava passou por um protesto de três pessoas — se é que, tecnicamente, três fulanos segurando cartolinas podem ser definidos como protesto.

Eles empunhavam cartazes dizendo que o menino deveria ter nascido no SUS. Estavam enrolados em bandeiras do Brasil, no figurino básico dessa galera.

No Facebook, onde um grupo de interventores militares postou a foto em sua página, uma senhora chamou o menino de “mais um comunistinha”, seguida por outras pessoas com xingamentos mais pesados.

Que tipo de gente faz esse tipo de manifestação em porta de hospital? Chamar um recém nascido de comunistinha é normal? Não. E o problema vai além da burrice e do fanatismo político.

Cientistas estão tentando procurando uma cura para a deterioração do cérebro dos extremistas revoltados on line kataguiris e quejandos.

Uma resposta veio dos EUA. Um psiquiatra chamado Steven Schlozman, da Universidade de Harvard, chegou a uma série de conclusões curiosas sobre as mentes coxas em seu livro “As Autópsias Zumbis” (sem lançamento previsto no país, infelizmente).

O vírus zumbi rói o cérebro a partir da amídala. Os lobos frontais, responsáveis pela resolução de problemas, são destruídos, de modo que zumbis não podem tomar decisões complexas.

Uma deficiência no cerebelo explica por que eles não conseguem andar direito. “Basicamente, eles são como crocodilos bêbados, pois não são inteligentes, não sabem quem você é ou o que você é”, diz o professor.

O vírus tem vários componentes que destroem o tecido cerebral, um dos quais é o “prion”, uma proteína como a que causa a doença da vaca louca.

O matemático da Universidade de Ottawa Robert Smith? (que usa o ponto de interrogação para se distinguir do homônimo da banda The Cure) calculou que, se um zumbi for introduzido numa cidade de 500 mil pessoas, depois de cerca de sete dias todos os seres humanos seriam infectados.

“Os zumbis representam uma espécie de comentário sobre a modernidade”, diz Schlozman.

O trio que hostilizar um bebê, sua mãe e sua avó é uma evidência cabal de que o apocalipse zumbi começou no Brasil e você não pode ficar aí parado.

Kiko Nogueira
No DCM
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Ganho de Cunha é mais raro que loteria, diz Procuradoria


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi mais sortudo do que um ganhador da Mega Sena ao lucrar R$ 917 mil com papéis no mercado de capitais, apontou a Procuradoria Geral da República em documento protocolado no STF.

Ao mesmo tempo em que lucrava, os negócios geraram perdas a um fundo de pensão de servidores públicos do Rio. As transações suspeitas ocorreram entre abril de 2004 e fevereiro de 2005 e foram alvo de uma investigação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), vinculada ao Ministério da Fazenda, espécie de "xerife" do mercado.

Conforme revelado em setembro, a CVM concluiu que Cunha obteve "lucros indevidos" com papéis emitidos por fundos de investimento movimentados pela Prece, o fundo de pensão dos funcionários da Cedae, companhia de água do Rio.

A Prece operava na época em sete fundos de investimento por meio de diversas corretoras, entre as quais a Laeta, que tinha Cunha como um dos clientes, e o corretor Lúcio Bolonha Funaro.

No curso de um inquérito que tramita no STF sobre Cunha, derivado da Operação Lava Jato, a PGR teve acesso ao inquérito que investigou os lucros de Cunha. Agora, o documento mostra, com detalhes, as conclusões da CVM e as avaliações da Procuradoria.

Segundo a PGR, a apuração da CVM constatou que as taxas de sucesso de Cunha nas operações foram de 100% no mercado de dólares e de 98% em outro papel. Cunha teria atuado em 23 pregões.

A CVM apontou "indissociável indício de ocorrência de irregularidades" nas operações e a PGR afirmou que a taxa de sucesso do deputado e de Funaro "somente se tornava viável mediante a manipulação na distribuição dos negócios fechados, pela fraude verificada, com a conivência dos 'perdedores', ou seja, os fundos da Prece".

A Procuradoria fez as contas e apontou: "Para se ter uma ideia, a probabilidade de se obter uma taxa de sucesso de 98% ocorre em uma vez para cada 257 septilhões. Sabendo-se que a chance de ganhar a Mega Sena quando se faz a aposta mínima é de 1 em 50 milhões, verifica-se que a chance de uma taxa de sucesso de 98% é praticamente nula e decorre claramente de uma fraude".

Ao todo, as perdas da Prece somaram, entre 2003 e 2005, R$ 56 milhões em valores da época não atualizados.

Segundo a CVM e a PGR, o esquema ocorreu da seguinte forma: "após tomar conhecimento prévio do resultado" que as operações iriam gerar, "os operadores deixaram para os fundos todos os negócios com preços desfavoráveis", enquanto alguns clientes determinados das corretoras "realizaram compras e vendas do mesmo contrato futuro que, invariavelmente, resultavam em 'ajustes do dia' positivos".

"Em outras palavras", apontou a PGR, "todos os prejuízos ficavam para os fundos e todos os lucros para determinados clientes das corretoras, dentre eles Eduardo Cunha, Lúcio Funaro". Para a PGR, havia um esquema "preordenado e preparado dentro de cada uma das corretoras e distribuidoras intermediárias envolvidas".

A CVM apontou ainda que Cunha "estava inserido, de acordo com ele mesmo, dentro de um contexto político, na época, que o aproximava dos dirigentes da Cedae, inclusive".

Outro lado

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou à Comissão de Valores Mobiliários em sua defesa na apuração feita pelo órgão, segundo o documento produzido pela PGR (Procuradoria Geral da República), que seu excelente desempenho no mercado de capitais decorreu de operar "com convicção".

A reportagem não conseguiu localizar o presidente da Câmara na noite de sexta-feira (8).

O operador Lúcio Funaro afirmou, por e-mail enviado pela sua assessoria de imprensa, que o processo na CVM "está sob sigilo e a defesa será apresentada no tempo oportuno".

Aguirre Talento | Márcio Falcão | Rubens Valente
No fAlha
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O MPL é financiado pelo PSDB, pela CIA ou pelos dois?


O MPL não sabe nem quer saber se existe metrô, trem ou trólebus. Ignora por completo a existência do governo estadual e protesta exclusivamente contra o prefeito do PT, seja qual for o assunto. É o mesmo tipo de gente que fez uma "revolução" fascista na Ucrânia financiada pela CIA conduzida em pessoa por senadores de ultradireita dos EUA.

"Revolução" na Ucrânia: Tea Party na Praça Maidan

No Esquerda Caviar
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Protesto em SP: A polícia desce a porrada, mas não é a única responsável

O protesto contra o aumento nas tarifas de ônibus, metrô e trens, organizada pelo Movimento Passe Livre, nesta sexta (8), terminou — novamente — com a polícia tentando queimar o estoque de bombas de gás e de estilhaços e balas de borracha no centro de São Paulo.

A justificativa policial replicada em reportagens que tratam do assunto é a mesma de uma criança de seis anos que reclama do amiguinho após uma briga: foi ele quem começou.

Imagens que estão circulando na rede, contudo, mostram que os primeiros atos de violência contra pessoas partiram — novamente — dos próprios policiais.

A verdade é que não importa quem começou. A polícia tem que ser mais fria que o cidadão em um protesto. Se a sua missão for garantir a segurança de todos, ela deveria cumprir isso evitando o confronto. Engolindo sapos se for necessário. Afinal, polícia não é Exército. Polícia não está em guerra com ninguém. Ou pelo menos não deveria estar. E mesmo se estivesse, não deveria atacar sua própria gente.

Será que o poder público paulista é tão ruim, mas tão ruim, que não consegue atuar, de forma inteligente? Ou mesmo reagir de forma localizada, seletiva e não violenta a uma meia dúzia de celerados (sejam eles manifestantes ou mercenários infiltrados com a função de causar) que depredam patrimônio público e privado sem prejudicar o direito cidadão à manifestação em um espaço público e sem atacar os milhares de presentes em um protesto pacífico?

Convenhamos: não consegue ou não quer?

Porque essa situação sempre foi cômoda para justificar uma reação policial violenta, dissipar toda uma manifestação e gerar uma narrativa que criminaliza um movimento.

Jovens correm após policiais lançarem bombas durante ato contra o aumento do valor da tarifa (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
Jovens correm após policiais lançarem bombas durante ato contra o aumento do valor da tarifa
Foto: Marlene Bergamo/Folhapress
Policiais não são monstros alterados por radiação para serem insensíveis ao ser humano. Não é da natureza das pessoas que decidem vestir farda (por opção ou falta dela) tornarem-se violentas. Elas aprendem a agir assim. No cotidiano da instituição a que pertencem (e sua natureza mal resolvida), na formação profissional que tiveram, na exploração diária como trabalhadores e na internalização de sua principal missão: manter o status quo.

O problema não se resolve apenas com aulas de direitos humanos e sim com uma revisão sobre o papel e os métodos da polícia em nossa sociedade. Setores da polícia estão impregnados com a ideia de que nada acontecerá com eles caso não cumpram as regras. Outra parte sabe que a mesma sociedade — mesmo que tire selfies com eles — está pouco se lixando para eles e suas famílias, pagando salários ridículos e cobrando para que se sacrifiquem em nome do patrimônio alheio.

Como já disse aqui antes, conversei com um soldado da Polícia Militar que disse detestar atuar em manifestações. Fica nervoso com provocações de black blocs, mas acha pior ainda ter que ir para cima da “criançada'', como mesmo descreveu. Para ele, isso não faz sentido. Mas tem medo de reclamar.

Sei que a justificativa do “estou cumprindo ordens'' não cola desde o tribunal de Nuremberg, somos responsáveis pelos atos que cometemos. Mas, neste caso, a discussão do “estou sobrevivendo'' e do “ué, mas sempre me disseram que essa era a forma correta de agir'' se entrelaçam de forma complexa. Pois, para muito policial que discorda dessa situação, a saída pode ser sofrer sanções disciplinares ou pedir demissão.

Isso não nos impede de cobrar o avanço do debate sobre a desmilitarização da polícia dos administradores públicos e responsabilizá-los por cada ato de violência estatal oriundo dessa inação. O problema é que isso são palavras ao vento. Por exemplo, os policiais que foram executores dos 111 presos no massacre do Carandiru, em 1992, foram condenados pela Justiça. Mas nenhum político, responsável por essas forças policiais, foi ao banco dos réus. Afinal, são eles que mantêm a política de controle da população, valendo-se de uma massa de pessoas obrigada a aceitar ordens bizarras para não perder o emprego.

E também não nos impede de cobrar Fernando Haddad e Geraldo Alckmin por mais um aumento na tarifa de metrô, ônibus e trens, sem a devida discussão com a sociedade, em um momento de crise econômica que está sendo especialmente dolorosa aos mais pobres.

Não sei o que vai acontecer nas próximas semanas, se os ânimos vão se exaltar ainda mais. Mas seja o que for, a responsabilidade pelo que acontecer também será colocada na conta dos dois.

Leonardo Sakamoto
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Polícia Militar de SP: 9 passos para forjar uma evidência




Durante a ação policial no ato desta sexta-feira contra o aumento da tarifa em São Paulo, quatro estudantes foram revistados e interrogados pela Polícia Militar. Um PM colocou na mochila de um deles um material suspeito, tido como explosivo, que havia sido encontrado junto a um poste.

Um dos meninos, Matheus Machado Xavier, encontra-se agora na 78 DP.

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Qual é o futuro da Argentina após fim da era Kirchner?

Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da UFABC, discute proposta de liberalização da economia de Maurício Macri, empossado em dezembro de 2015 e o futuro da Argentina após o fim da era Kirchner (2003-2015)

Cristina Kirchner se despediu de multidão na icônica Praça de Maio em 10 de dezembro passado
Para o especialista em América Latina, na contramão de avanços sociais com Néstor e Cristina, o presidente Maurício Macri irá implementar um novo ciclo de liberalização econômica, levando o país à recessão.

"Macri irá atacar os avanços sociais da era Kirchner, pois foi eleito para mudar as regras do jogo em favor das classes mais favorecidas, ou seja, o grande empresariado argentino, os banqueiros e o agronegócio. Nesse sentido, uma série de medidas já foi anunciada, como a desvalorização do câmbio, que aumenta consideralvemente o custo de vida no país, prejudicando as classes populares", analisa.

Igor Fuser também discute os novos rumos da política externa argentina, que, com o novo direcionamento à direita, afetará integração latino-americana. "Com Macri, Argentina irá se afastar politicamente de Brasil, Uruguai e Unasul", afirma.

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública Opera Mundi com Igor Fuser: qual é o futuro da Argentina?



No segundo bloco, Igor Fuser responde a pergunta da jornalista Aline Boueri



No terceiro bloco, Igor Fuser responde as perguntas do público da UFABC, em São Bernardo do Campo



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