7 de jan de 2016

Falta papel higiênico nas escolas mas sobra dinheiro para manter aviões: o mundo estranho de Alckmin

Inépcia sorridente: Alckmin
Pior do que o incompetente só o incompetente que se finge de gênio.

Os líderes do PSDB são mestres nisso.

Serra, por exemplo, não conseguiu lidar sequer com os pernilongos de São Paulo quando foi prefeito e se apresenta como um grande gestor.

Não salvou nem as árvores da cidade, apodrecidas e incapazes de enfrentar chuvas mais fortes sem cair. Também não viu, em sua miopia ululante, a importância da bicicleta para o futuro de São Paulo.

Um incompetente, em suma, e um daqueles com ares de gênio, o que é pior.

Alckmin faz companhia a ele.

Os alunos do Fernão Dias, uma das escolas ocupadas, contam que não havia sequer papel higiênico nos banheiros.

Compare.

Ao mesmo tempo que os alunos iam ao banheiro e podiam viver momentos de embaraço, jamais faltou dinheiro para manter a frota aérea do governo de São Paulo, os aviões e os helicópteros que tanto serviram à primeira dama Lu Alckmin.

Um administrador que cuida assim do orçamento só pode receber uma definição: incompetente.

No orçamento, você estabelece prioridades: onde gastar, onde cortar e por aí vai.

Um governador sob cuja gestão falta papel higiênico nas escolas mas sobram recursos para manter aviões e helicópteros é, numa palavra, incompetente.

Observadas as coisas sob esse ângulo, fica claro por que Alckmin foi incapaz de garantir água na torneira dos paulistas.

Por que ele haveria de ter êxito num desafio das proporções da crise hídrica se não colocou sequer papel higiênico nos banheiros escolares?

Os incompetentes dividem-se em dois grupos. O primeiro é o dos incompetentes honestos. Eles sabem que são ineptos e convivem com isso o melhor que podem. Causam o menor dano possível a si próprios e aos que os cercam.

O segundo grupo é o dos incompetentes que se fantasiam de filósofos. Enganam muita gente e podem causar calamidades.

Alckmin é um destes.

Paulo Nogueira
No DCM



http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/01/07/alckmin-ficou-menor-durante-201oo-presidente/

O sonho presidencial de Alckmin perdeu força em 2015


Em política há um ditado que costuma ser muito repetido quando a oportunidade bate à porta, que cavalo arreado só passa uma vez. Isso pode estar acontecendo com Geraldo Alckmin. E ele pode estar perdendo sua grande chance de ser eleito presidente da República em 2018.

Alckmin não é um político carismático e muito menos alguém com grande habilidade política para construir movimentos a seu favor. Por isso, seu poder costuma estar atrelado a ter a máquina .

Em 2008, por exemplo, Alckmin foi candidato a prefeito de São Paulo e nem foi para o segundo turno. Serra o fez terminar a campanha almoçando sozinho num Bom Prato.

Foi um fiasco.

Porque naquele momento ele não tinha o que oferecer aos seus aliados. E Kassab tinha além do apoio de Serra, os cargos da prefeitura.

Já em 2010, num acordo, ele foi candidato a governador e Serra a presidente. Aí deu tudo certo. E a eleição foi um passeio, como também em 2014.

Com a expressiva votação de Aécio na última disputa contra Dilma, tudo levava a crer que o mineiro seria o candidato inevitável do PSDB na próxima eleição. Mas Aécio tropeçou na vaidade e na ansiedade e só cometeu erros desde a derrota apertada.

Alckmin foi então se consolidando no percurso de 2015 como uma alternativa mais sóbria do partido. Não se atrelou de cara à tese do impeachment, ocupou espaços na direção nacional da sua sigla, alimentou boa relação com alguns petistas, como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e foi plantando pontes.

Mas no segundo semestre de 2015 foi se atrapalhando, talvez por conta da crise econômica que passou a atingir mais duramente o estado, e terminou o ano numa situação ainda menos favorável do que Aécio.

Alckmin passou por uma longa greve dos professores, tentou uma reforma na educação que fechava escolas e teve de recuar depois que estudantes ocuparam mais de 100 delas, cortou recursos para obras de mobilidade urbana na ordem de 1 bilhão, o que vai prejudicar em muito a vida de milhões de pessoas da grande São Paulo, e permanece tendo grandes dificuldades na gestão da segurança pública, que tem piorado sensivelmente. E como toda azeitona tem sua empadinha, teve que ler me vários veículos que sua esposa usa mais a aeronave do Estado que todos os seus secretários juntos.

Logo Alckmin, que, em 2006, foi duro com Lula dizendo que iria vender o avião que o então presidente havia comprado para substituir o sucatão e com aquele dinheiro construiria cinco hospitais.

Lu Alckmin usou aeronaves e jatos em 132 deslocamentos desde 2011. Todos os outros secretários juntos apenas em 76 vezes.

Parece ficar claro pela quantidade de vezes que o uso não deve ter apenas atendido ao interesse do Estado. E esse pecado de Alckmin de ser avarento com a coisa pública pode ser fatal.

Sua imagem sai bastante chamuscada deste episódio, a despeito da cobertura do caso ter sido tímida. Se fosse a dona Marisa…

De qualquer forma, esse é o tipo de caso que será lembrado sempre que o governador vier a falar de moralidade. E por isso, Aécio deve estar um tanto mais aliviado.

As eleições de 2018 ainda estão a léguas de distância. Numa conjuntura tumultuada como a atual, tudo pode acontecer até outubro daquele ano. Mas o governador do maior estado da federação nunca pode ser considerado carta fora do baralho. Mas é líquido e certo que este governador terminou 2015 menor do que entrou.

Não se trata de um privilégio dele. Mas no seu caso a perda parece ter sido maior do que a esperada.

Ainda dá tempo de reverter a situação, mas se não conseguir melhorar sua imagem, o governador pode vir a terminar o mandato sem perspectivas futuras. E esse é o tipo de coisa que na política costuma levar o telefone a tocar menos e até a almoços solitários. E Alckmin sabe bem como é isso.
Leia Mais ►

A política de vazamentos da Lava Jato


Ontem, a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) soltou uma nota curiosa. O mote da nota é o vazamento de informações visando comprometer o senador Randolfo Rodrigues (Rede-AP).
“No que se refere a denúncias sobre senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e um suposto recebimento de dinheiro ilícito, já foi esclarecido pela Procuradoria Geral da República que as informações colhidas não são suficientes para indicar a autoria de crimes”.
***

Na verdade, a nota é um protesto contra alguém (não se sabe quem) que atribuiu o vazamento aos procuradores da Lava Jato.
“É notório que a sociedade possui direito à informação e que a liberdade de imprensa é um pilar da democracia, bem como a verdade. No entanto a veiculação de fatos desabonadores sem a devida informação, que usam o Ministério Público Federal para atingir pessoas públicas, presta um desserviço à população no intuito de prejudicar o trabalho dos procuradores da República”.
***

Ou seja, a ANPR admite que os vazamentos (acompanhados de interpretações maliciosas) são práticas espúrias. Mas rejeita como espúria a interpretação de que procuradores vazam. Rejeitando, admite que essas práticas podem comprometer a imagem do MPF.

***

Conforme já explicitado em trabalho de 2004, sobre a Operação Mãos Limpas, a estratégia de Sérgio Moro é o vazamento amplo e diuturno de notícias, para controlar o noticiário. E, na outra ponta, parceria com editores sem discernimento, dispostos a aceitar qualquer fato manchetável.

Quando ambos — Operação e imprensa — compactuam do mesmo objetivo — adotar viés partidário — o jogo fica perfeito.

***

Tome-se o Estadão de hoje. As três manchetes principais são um primor de vazamentos maliciosos de informação.

A primeira tenta incriminar o Ministro-Chefe da Casa Civil Jacques Wagner quando governador da Bahia. A matéria menciona conversas entre Wagner e dirigentes da OAS. O primeiro tentaria liberar recursos em Brasília, os segundos liberariam apoio para a campanha. Segundo o próprio jornal, é material mantido sob sigilo em Brasília e em Curitiba.

Provavelmente o vazamento foi feito pelo rapaz do cafezinho.

***

O segundo vazamento diz que empreiteiro fez lobby com Cunha para Haddad. O lobby visava aprovar a rolagem de dívida de municípios. O relator do projeto era Eduardo Cunha e o homem que influenciava Eduardo Cunha era o presidente da OAS. Obviamente, sem a rolagem as capitais não teriam recursos para obras. E quem faz obras são empreiteiros.

Provavelmente o vazamento da conversa entre o presidente da OAS e Eduardo Cunha foi da faxineira do prédio da Lava Jato.

***

O terceiro é a tentativa de incriminar o ex-presidente do Banco do Brasil — e atual presidente da Petrobras — Aldemir Bendine, em operação de compra de debêntures da OAS.

A operação não saiu. Ou seja, não havia o mote do crime. Mas, segundo o jornal, a PGR (Procuradoria Geral da República) viu “indícios” de crime no fato de Bendine pedir para conversar pelo telefone fixo.

Provavelmente Bendine fez o pedido com receio de que o motorista do PGR pudesse vazar a conversa para a imprensa, com ilações só possíveis para um motorista de procurador, não para um procurador.

***

Pelo menos a manifestação da ANPR ajudará a conter o ativismo de alguns procuradores avulsos, em busca de notoriedade, abrindo representações a torto e a direito em cima de qualquer factoide.

Fica claro que, agindo como agiram, comprometeram a imagem do Ministério Público Federal.

Luís Nassif

***

Por Charlie

O que se passa é que o senador Randolfe é linha de frente dos interesses corporativos da ANPR e do MPF no Senado Federal. Desde que a tal delação vazou, muitos procuradores passaram a defender o senador publicamente, como Helio Telho e Monique Chequer. É comum isso, procurador defender publicamente político suspeito do que quer que seja...?

Portanto, a tal nota não é para repreeder "procuradore avulsos" que praticam vazamentos (mesmo porque vazamento é regra no MPF, não exceção), mas sim limpar a barra com o Senador amigão, para que não restem dúvidas que ele mantém o total apoio da ANPR e pode continuar a ser o cão de guarda da instituição no Senado, ainda que um procurador desafeto tenha feito o vazamento. 

Por LN

Seria conveniente que a ANPR instituísse um carimbo para os vazamentos: "a favor" e "contra".

No GGN



Cardozo manda investigar vazamentos de Leo Pinheiro


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou no início da noite desta quinta-feira, 7, a abertura imediata de um inquérito pela Polícia Federal, para investigar o vazamento à imprensa de mensagens do empresário Leo Pinheiro, da construtora OAS, que estão protegidas por sigilo legal.

"O ofício encaminhado à direção da Polícia Federal refere-se a mensagens de texto enviadas pelo empresário no período de agosto de 2012 a outubro de 2014 que foram publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo no dia de hoje", diz o ministério da Justiça, em nota à imprensa.

Grampo vazado ao Estado de S.Paulo revelou que mensagens de celular obtidas pelos investigadores mostram conversas entre o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, além do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. 

De acordo com as reportagens, o empreiteiro negociou com ministros da presidenta Dilma Rousseff apoio financeiro à campanha de reeleição presidencial, em 2014, e para a prefeitura de Salvador, em 2012.

Segundo o ministério, a investigação se refere a mensagens de texto trocadas pelo empresário entre agosto de 2012 e outubro de 2014, publicadas no jornal Estado de S. Paulo.

Conforme a reportagem, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, recebeu pedidos para intermediar interesses de Léo Pinheiro junto ao ministério dos Transportes.

Os vazamentos ilegais já municiam a oposição. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir investigação sobre o conteúdo da conversa entre Léo Pinheiro e o ministro Jaques Wagner. 

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou hoje (7) à Polícia Federal que investigue o vazamento da quebra do sigilo telefônico do ex-presidente da Construtora OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, mais conhecido como Léo Pinheiro.
As informações sobre a troca de mensagens entre Léo Pinheiro e membros do governo federal foram divulgadas pela imprensa nesta quinta-feira. De acordo com as reportagens, o empreiteiro negociou com ministros da presidenta Dilma Rousseff apoio financeiro à campanha de reeleição presidencial, em 2014, e para a prefeitura de Salvador, em 2012.
De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Justiça, Cardozo solicitou a abertura "imediata" de inquérito policial para investigar a divulgação de mensagens do empresário, "que, em princípio, estão protegidas por sigilo legal".
Segundo o ministério, a investigação se refere a mensagens de texto trocadas pelo empresário entre agosto de 2012 e outubro de 2014, publicadas no jornal Estado de S. Paulo.
Conforme a reportagem, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, recebeu pedidos para intermediar interesses de Léo Pinheiro junto ao ministério dos Transportes.

No 247
Leia Mais ►

Canetada inconstitucional de Aécio provoca demissão de quase 60 mil servidores em MG


O STF determinou que 59.412 servidores públicos, efetivados em 2007 pelo então governador Aécio Neves, fossem desligados a partir do último dia 4. Mas se um estádio de futebol lotado de funcionários públicos mineiros desaparece, a mídia tradicional não tem nada com isso

O Brasil tem 5.037 municípios com uma população de até 50 mil habitantes. Isso equivale a mais de 90% de um total de 5.561 municipalidades. Os números contrastam e revelam que uma parte significativa da população brasileira vive em cidades que, para os nossos padrões, são consideradas pequenas. Sua existência é quase inacreditável para um paulistano típico, nascido e criado em uma das maiores cidades do mundo, em meio a outros 10 milhões de pessoas.

Os números acima revelam. Porém, os jornais, não. Essa semana vivemos mais um capítulo do imbróglio mineiro da lei 100. O Supremo Tribunal Federal determinou que quase 59.412 servidores públicos, efetivados em uma canetada, em 2007, pelo então governador Aécio Neves, hoje senador e atual presidente de seu partido, o PSDB, fossem desligados [1]. O STF alega inconstitucionalidade no processo de admissão do funcionalismo público que, como se sabe, se faz exclusivamente por concurso público, de concorrência ampla em praticamente todos os seus setores e instâncias — federal, estadual e municipal [2]. O senhor Aécio parece que não entendeu.

Devido à carência da cobertura jornalística, os números de servidores efetivados em 2007 são incertos. Mas, já se fala em cerca de 76 mil. Descontando os aposentados e desligados por motivos diversos, o saldo da dispensa determinada pelo STF é de 60 mil. Como visto no primeiro parágrafo deste texto, se reuníssemos todos esses servidores em um mesmo lugar, teríamos mais uma cidade brasileira. Para deixar os nossos números mais interessantes, uma comparação bem popular: à exceção do Flamengo e Coritiba, no dia 17 de setembro, em Brasília, nenhum outro jogo do Brasileirão 2015 chegou à cifra dos 60 mil.

José Murilo de Carvalho, em seu Construção da ordem, demonstra como os bacharéis coimbrenses do século XIX, filhos da elite agrária brasileira, ao voltarem para o Brasil, encontram-se praticamente distantes de qualquer possibilidade de uma atuação profissional que garanta o mesmo “prestígio” político e econômico de seus pais, de sua tradicional família. E assim ingressam no serviço público — contribuindo, quiçá, para a compreensão do motivo de alguns de seus salários serem tão exorbitantes (mas isso é conversa para outro texto). Faz-se, então, a fama de um funcionalismo público, alvo de muitos comentários jocosos, que, a despeito da qualificação profissional, garante uma estabilidade econômica invejável por muitos. Debalde a constante instabilidade da política e economia tupiniquim, ter o salário garantido no final do mês é uma grande vantagem.

Nada mais do que normal que estes funcionários efetivados na canetada do senador mineiro adquiram dívidas — como a da casa própria — e planejem o seu futuro, as vezes o futuro de uma família em função do cargo concedido por uma autoridade política e administrativa como o próprio governador [3]. Com tal chancela, pensa-se, minimamente, que ele sabe o que está fazendo. Aliás, admite-o como uma figura extremamente preocupada com a máquina pública e com a qualidade dos serviços à medida em que procede de tal maneira. Para alguns, designados por eternos contratos, sempre renovados, isso soa como uma calma e fina canção mineira como a de Milton Nascimento.

Mas, não. Não foi muito difícil para o STF determinar a inconstitucionalidade da tal lei 100. E, agindo constitucionalmente, determina a sua revogação, bem como a devolução dos cargos indevidamente ocupados ao governo do estado de Minas Gerais, que, por sua vez, deve tomar providências para a sua ocupação através de concurso ou novas designações contratuais. É difícil discordar do STF. Mas, é difícil não se comover com as vidas que aí estão em jogo — vítimas da irresponsabilidade administrativa de uma pessoa. A mídia nacional, entretanto, parece não se preocupar muito.

A última segunda-feira, dia 04 de janeiro de 2016, foi o primeiro dia do oficial desligamento dos funcionários da lei 100 — a maioria alocados na educação pública estadual. Sendo eu juiz-forano, digo que saiu uma nota aquém do destaque merecido no principal diário da cidade, o Tribuna de Minas. Na Folha de São Paulo, nada. No periódico da família Frias um assunto como este perde fácil a disputa para notícias sobre o parlamento venezuelano e novos valores da passagem de ônibus em algumas capitais. Pelo lado da família Marinho as atenções estão para o crack chinês e o seu fortíssimo indício de que a crise econômica não é só no Brasil, exigindo de seu jornalismo novas estratégias políticas de abordagem do tema. Até mesmo no mencionado jornal da Zona da Mata mineira as informações quanto a um acidente na avenida JK, em Juiz de Fora, adquirem mais destaque por mais tempo — aliás, manifesto a minha solidariedade às vítimas.

Resumindo, se um estádio de futebol lotado em mais de 90% de sua capacidade com funcionalismo público mineiro desaparece, a grande mídia brasileira não tem nada com isso. Pode-se exterminar toda uma cidade que isso não é importante. É óbvia a responsabilidade do político tucano, com imagem recentemente abalada pelas declarações de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, funcionário de Alberto Youssef, na já familiar Lava-Jato. É igualmente óbvia a sua responsabilidade, enquanto gestor de uma unidade federativa, pelo destino de quase 60 mil pessoas efetivadas por uma canetada, bem como dos recursos públicos movimentados neste caso. A quem interessa a desinformação?

Em clima de denúncia política, ingerência na administração pública é algo praticamente irrelevante — a não ser que se possa associar a atividades relativas a bicicletas, como pedaladas e ciclovias. Além de responder às denúncias de corrupção feitas pelo mesmo delator que o PSDB outrora atribuía tanta autoridade, há que responder também por incompetência. Dizia Wanderley Guilherme dos Santos que se as instituições políticas falham, resta o caráter.

No caso mineiro, com a administração nas mãos de Aécio, as instituições falharam. Sobrou apenas seu caráter — o mesmo acusado por Ceará. Agora, questiono-me fundamentado nos preceitos mais éticos do jornalismo se o princípio de Wanderley não poderia ser transposto para os veículos de informação. Eles, com suas instituições, não falhariam ao não veicularem com a devida importância algo de tamanha relevância para o Brasil? E, se falharam, resta-nos o caráter destes jornalistas? Se, sim: que dó.

Faustino da Rocha Rodrigues é jornalista, professor e cientista social



Leia Mais ►

Aprendendo com os invasores

Apenas uma ironia: algumas manchetes falam por si mesmas.

escolas invadidas

Ela vem a propósito da primeira frase do editorial da Folha, ”Lições de um movimento”, de 07 de janeiro de 2016: “Algumas imagens falam por si mesmas”.

Em outra ironia, para usar termos caros ao jornal, caberia a manchete: “Folha recua e agora vê ganhos no movimento dos estudantes paulistas”.

Realmente, causa espécie o editorial em termos elogiosos ao movimento dos estudantes paulistas contra o fechamento de suas escolas, intentado pelo governo Alckmin sob o eufemismo de “reorganização”. Isso após a Folha, ao longo do tempo que durou as ocupações, tratar estudantes como invasores de suas próprias escolas.

“Os alunos expressaram comprometimento para com seu local de estudo. Aprenderam a se organizar e a ter voz ativa na sociedade; cresceram. Saem vitoriosos, e com eles a cultura democrática do país. A lição de política foi boa”.

Que os alunos deram uma lição de política ao governo Alckmin e a Folha também, não resta dúvidas. Cabe perguntar-se o que ambos aprenderam.

Vejamos.

“A reorganização intentada pelo governo estadual — num contexto em que, de 1998 a 2014, o sistema perdeu 2 milhões de alunos — faz sentido por razões econômicas e pedagógicas, embora a elas os estudantes não tenham dado atenção”.

Erro, os estudantes deram e muita atenção às questões econômicas e pedagógicas envolvidas, a vitória do movimento deu-se exatamente porque estavam e permaneceram atentos.

A razão econômica aparentemente alegada pela Folha, economia burra, diga-se de passagem, é óbvia. Fechar escolas diminui os gastos com educação. Tem o mesmo sentido de fechar hospitais e postos de saúde para diminuir os gastos com a saúde.

Tratam-se, ambos os casos, de absurdos. Mas absurdo que a Folha não evita cometer em seu alinhamento ao governo Alckmin.

Vejamos se conseguimos entender o motivo da perda de 2 milhões de alunos pela rede pública de ensino.

Devemos considerar o envelhecimento da população. É fato, mas não explica tudo.

Se interpretei corretamente os dados do IBGE, a população de jovens entre 5 e 19 anos na população do Estado de São Paulo decresceu entre 2000 e 2015 em 600 mil pessoas.

E os outros 1,4 milhões de alunos, abandonaram a escola pública por quê? A evasão escolar teria aumentado?  Ao contrário, diminuiu e muito. E mesmo que considerássemos válido para o Estado de São Paulo o índice brasileiro de evasão escolar – 7%, ainda assim, restaria um êxodo de mais de um milhão de alunos sem outra explicação que não seja, foram para a escola privada.

Parece ser uma explicação plausível e uma tragédia paulista. Uma parte da melhoria da condição financeira das famílias, nos anos do PT no poder federal, aqui em São Paulo, foi utilizada para transferir os filhos da escola pública para a escola privada em busca de melhor educação.

E ainda que estes números não sejam exatos, uma perda tão significativa de alunos deveria levar a uma preocupação do governador com a melhoria do ensino. Se não pela oportunidade trazida pela pela menor pressão de demanda, então, pela obrigação de recuperar a clientela perdida pelo descrédito da população na educação pública, se esse fosse o caso.

O que o governo propôs?

Fechar escolas. E a Folha diz que faz sentido econômico e pedagógico.

Qual sentido pedagógico, a Folha se escusa de nos apresentar. Gostaria que tentassem.

“É melhor o desempenho das escolas onde se concentram alunos de uma única faixa etária”.

Os estudos que comprovem essa afirmação a Folha não apresenta. Mas posso afirmar que há discordâncias em relação a isso, inclusive na própria Folha.

“Além de aumentar em 52% o número de instituições desse tipo, o plano governamental previa utilizar quase 3.000 salas de aula hoje ociosa”.

Gostaria que tentassem explicar como existem salas de aula ociosas e salas de aula superlotadas.  Não seria o caso de diminuir os números de alunos por salas de aula? Isso traria melhoria da qualidade de ensino. Menos alunos por sala de aula, mais disponibilidade de professor por aluno. Isso faz sentido pedagógico. Mas, a diminuição do número de alunos por sala de aula jamais foi proposta de Alckmin. E, aliás, como fazer isso e ao mesmo tempo fechar escolas?

A Folha tampouco explica.

Como não explica que melhoria a “reorganização” traria em relação às “deficiências do sistema” expostas pelo movimento dos alunos: ”no colégio Fernão Dias, por exemplo, viu-se um laboratório de química aparentemente há anos sem uso”.

Além disso, a Folha não parece se atentar de que terrenos de escolas são muito valorizados pela especulação imobiliária. Amplos e bem localizados. Já houve até quem tentasse vendê-los. E isso com os alunos ainda dentro dos prédios. Imagine-se com os alunos fora, seria muito mais fácil. Mas, a bem do governo Alckmin, diga-se que ele nunca ventilou que tivesse essa intenção.

E, no entanto, apesar de tudo aqui posto, por fim, cabe-me concordar com o editorial da Folha em pelo menos dois pontos: sua conclusão sobre movimento dos estudantes paulistas: “A lição de política foi boa. E sobre quais seriam as necessidades à partir daí: “O que falta? Tudo aquilo que protestos, por si sós, são incapazes de prover. Faltam recursos públicos e qualidade de ensino. Faltam aulas de química — e de economia também”.

Sim, como não concordar que faltam aulas de química – sendo eu um professor de química, sei disso muito bem. E como não concordar com a ironia involuntária contida na recomendação por aulas de economia.

Porém, faltam a quem, as tais aulas?

PS1: outras questões não discutidas pela Folha — a aparente incapacidade do governo Alckmin de lidar com a questão social sem transformá-la em questão de polícia. A truculência usual da polícia do Alckmin que não se detém nem diante de meninas. E a irresponsabilidade do chefe de gabinete do secretário da educação que, em um reunião à sorrelfa, em um domingo, planejava formar “batalhões de voluntários” para fazer “guerra” aos alunos. Há muito o que se aprender com isso tudo.

PS2: esta Oficina apoia a educação cidadã e o Movimento Golpe Nunca Mais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Cosertos Gerais e Poesia
Leia Mais ►

Marcia Tiburi: como conversar com um fascista?


Leia Mais ►

Receita aponta aumento injustificado de R$ 1,8 mi em bens da família Cunha


Um relatório da Receita Federal aponta indícios de aumento patrimonial incompatível com os rendimentos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sua mulher, Cláudia Cruz, e sua filha Danielle Dytz da Cunha.

Segundo o documento, os valores considerados como aumento patrimonial "a descoberto" de Cunha, Cláudia e Danielle totalizam R$ 1,8 milhão entre 2011 e 2014.

O levantamento usa o termo técnico "indício de variação patrimonial a descoberto", que é um crescimento incompatível com a renda. Não há, porém, detalhes sobre o que provocou esse acréscimo.

O salário bruto de deputado federal atualmente é de R$ 33,7 mil. Cunha e sua mulher também são sócios de empresas na área de comunicação.

A apuração da Receita está sendo feita a pedido da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato, já que Cunha e seus familiares são investigados no STF sob suspeita de terem mantido contas secretas no exterior abastecidas com recursos desviados da Petrobras.

O deputado nega e justifica que os recursos têm origem em negócios no exterior.

O relatório, ao qual a Folha teve acesso, está sob sigilo e foi finalizado em 29 de outubro. Foi feito pela Diaes (Divisão de Análises Especiais) da Receita Federal.

O fisco diz de forma genérica que a variação patrimonial de R$ 1,8 milhão tem relação com gastos de cartão de crédito. "Os montantes dos indícios apontados estão significativamente influenciados pelos gastos efetuados com cartão de crédito", afirma trecho do relatório.

O documento não diz se tais gastos são referentes a cartões abastecidos com alguma das quatro contas no exterior ligadas a Cunha e seus familiares, que tinham cerca de R$ 9,6 milhões.

Outra investigação da Receita também encontrou aumento patrimonial a descoberto de Cunha referente a 2010, no valor de cerca de R$ 50 mil, que com juros e multa alcançaria R$ 100 mil. O caso já está na fase de defesa do deputado.

Dois especialistas em direito tributário afirmam que essa descoberta não representa automaticamente sonegação fiscal, mas isso pode ser configurado a partir de investigação realizada por auditores.

Também segundo esses especialistas, altas faturas de cartão de crédito podem chamar atenção da Receita e provocar a situação descrita.

A investigação da Receita, caso comprove irregularidades, pode resultar na cobrança de impostos devidos e de multas, além de fundamentar investigações criminais.


Dados fiscais

A Receita enviou também à PGR as declarações de Imposto de Renda de Cunha e parentes. Em relação à filha Danielle, o órgão detectou aumento de sete vezes no patrimônio, em valores nominais.

De R$ 208 mil em 2010, a publicitária passou a ter R$ 1,5 milhão em 2014, segundo dados de sua declaração de IR. Uma transferência de R$ 800 mil feita por Cunha à filha em 2013 influenciou significativamente o aumento.

Nesse intervalo, ela declarou bens no valor de R$ 183 mil em 2011, R$ 537 mil em 2012 e R$ 1,2 milhão em 2013.

Em 2014, informou possuir dois veículos de cerca de R$ 100 mil e um apartamento no valor de R$ 1,2 milhão.

Além dos dados de Cunha, a Receita ainda analisa informações fiscais de empresas da família, como a C3 Produções artísticas e a Jesus.com.

Cunha já foi denunciado ao STF sob acusação de receber US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sonda da Petrobras. O deputado é alvo de um pedido da PGR de afastamento do comando da Câmara. Ele também responde a um processo de cassação na Câmara.

Outro lado

Cunha afirmou, por meio de sua assessoria, que não possui patrimônio "a descoberto" e que desconhece o relatório da Receita Federal. Ainda de acordo com a assessoria, Cunha disse que, se houver, o relatório deveria estar sob sigilo.

O deputado disse ainda que a doação de R$ 800 mil a Danielle é decorrente de empréstimos que tomou junto a instituições financeiras e dinheiro próprio repassados para a filha.

O advogado que acompanha Cunha junto à Receita, Leonardo Bueno, afirmou que há uma investigação sobre o período entre 2011 a 2014, mas que a defesa não foi comunicada sobre a conclusão e não pode comentar.

Em relação à acusação da Receita de patrimônio a descoberto em 2010, Bueno disse que há "inconsistências" na metodologia dos auditores e isso será contestado em sua defesa, mas que não há relação do procedimento com as contas no exterior.

A defesa da filha de Cunha informou que não iria se manifestar por não ter tido acesso ao relatório da Receita. A da mulher dele não se pronunciou.

Aguirre Talento | Márcio Falcão
No fAlha
Leia Mais ►

Deputado noveleiro retoma obsessão pelo PT e se dá mal

O deputado estadual gaúcho Jorge Pozzobom, do PSDB, ganhou uma certa notoriedade nas redes sociais ao escrever, num debate no twitter, a seguinte frase:

“Me processa. Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

Foi a admissão de algo que todos sabemos: Privataria, trensalão, mensalão tucano, lista de Furnas, Lava Jato… nenhum tucano preso.

O deputado tem uma certa obsessão pelo PT.

Em sua mensagem de fim-de-ano, por exemplo, escreveu: “Para finalizar, quero desejar um excelente 2016 a todos os petistas que estão presos, e são muitos, pois tornaram 2015 nosso esperançoso”.

Agora, no Facebook, o deputado deu seguimento à sua obsessão e misturou o papel fictício do ator Zé de Abreu numa novela à realidade.

Levou um toco, pois fez isso no mesmo dia em que um delator corroborou a denúncia de que o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, recebeu R$ 10 milhões de reais para enterrar uma CPI da Petrobras que havia sido aberta por insistência do próprio PSDB.

Ou seja, o líder da social democracia brasileira atuou como achacador barato. O que tu achas?

Captura de Tela 2016-01-07 às 13.41.51 Captura de Tela 2016-01-07 às 13.42.08 Captura de Tela 2016-01-07 às 13.42.24

No Viomundo
Leia Mais ►

FHC carrega um general golpista no peito

Florestan não o reconhecia mais...

Florestan lhe foi útil para subir na carreira (acadêmica). Depois...
A partir do twitter do Emir Sader, o Conversa Afiada reproduz artigo de Laurez Cerqueira:

Fernando Henrique carrega um general golpista dentro dele

No discurso de despedida de Fernando Henrique Cardoso, do Congresso Nacional, antes da posse para o exercício do seu primeiro mandato, estava no meio dos parlamentares, elegantemente vestido, sentado na cadeira de sempre, como um aluno disciplinado, já bastante debilitado pela doença hepática, segurando uma bengalinha, o Professor Florestan Fernandes, reeleito por São Paulo.

Fernando Henrique o viu no plenário. Pediu licença ao senador Humberto Lucena, que presidia a sessão, disse que quebraria o protocolo para cumprimentar uma pessoa.

Desceu os degraus do alto da Mesa, embrenhou-se entre os parlamentares que o assediavam calorosamente, postou-se frente ao mestre e o abraçou. Florestan desejou-lhe boa sorte e êxito no governo.

No final daquele momento, como que movido por um lampejo de confiança no ex-aluno, Florestan disse a Fernando Henrique: “Veja bem, Fernando: não crio gatos. Crio tigres”.

Disse isso sob forte emoção, certamente lembrando-se de que ele teria sido um dos professores mais influentes na formação acadêmica dele.

Foi num bar em São Paulo que Florestan conheceu Fernando Henrique, ainda rapazinho, em dúvida sobre que curso faria na universidade.

Florestan teve uma conversa impactante com ele, falou sobre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, sobre o curso de sociologia, e da importância de se formar sociólogos nas nossas universidades para ajudar nos estudos, nas pesquisas, sobretudo no desenvolvimento do pensamento e na interpretação do Brasil pelos próprios brasileiros.

Foi com base nessa conversa que Fernando Henrique decidiu fazer o exame para cursar sociologia na USP. Florestan foi professor dele, orientador no mestrado e no doutorado.

Ficaram tão amigos que Fernando Henrique mudou-se para a mesma rua que morava o mestre para conviver, frequentar a biblioteca e ouvi-lo mais. Florestan o tinha em alta consideração fraterna e intelectual.

Aquele momento da cerimônia de posse foi marcante para Florestan, mais marcante ainda a decepção com o rumo dado por Fernando Henrique ao governo, que apenas se somou a outras decepções políticas acumuladas ao longo da carreira do ex-aluno presidente. Mas nada disso abalou a relação pessoal e o respeito que tinham um pelo outro.

Em 1996, Fernando Henrique havia dado um golpe na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que estava sendo debatida na Câmara, sob a coordenação do então deputado Florestan Fernandes, com apoio do Fórum Nacional de Educação.

Numa articulação comandada pelo seu vice-presidente Marco Maciel, ele aprovou no Senado o projeto de lei do governo tornando regimentalmente prejudicado o projeto de LDB da Câmara, que acabou sendo arquivado.

Esse fato deixou Florestan indignado e decepcionado, por ter sido colocado por terra anos de debate e de construção democrática, com a participação da sociedade, de uma proposta de educação que provocaria uma transformação profunda no país.

Dias depois, numa conversa sobre o golpe da LDB, ele sentado, tirou os óculos de hastes e lentes grossas, colocou-os sobre a mesa, passou os dedos nas sobrancelhas de fios compridos, e disse, referindo-se a Fernando Henrique, com todo o cuidado que tinha no trato com as pessoas: “É… Fernando está ficando politicamente irreconhecível”.

O mundo girou e hoje Fernando Henrique rola ladeira abaixo numa decadência ética inimaginável. Lidera a tentativa de um golpe parlamentar contra a Presidenta Dilma e contra a ordem institucional da República, sem o menor constrangimento público, mesmo sabendo que ela é uma mulher íntegra, honesta, de conduta ética ilibada, e que contra ela não há nenhum indício de crime de responsabilidade.

A impressão que passa é que Fernando Henrique guarda um general golpista dentro dele. Tudo indica que é um general integrante da UDN, que andava incubado e agora aflorou.

Parece muito com o que tentou derrubar Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, ajudou a eleger Jânio Quadros e derrubou João Goulart.

Em matéria de falta de constrangimento público, de aridez interna, ele e Eduardo Cunha se parecem. Não sentem vergonha do que estão tramando. Aliás, estão juntos na empreitada do “golpe paraguaio” no Brasil.

O fato é que o golpe não vai acontecer, porque a sociedade está com a democracia e vai defender a ordem institucional vigente.

Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Cunha e Michel Temer entrarão para a história, mas pela porta dos fundos e farão parte da ala dos golpistas onde estão Carlos Lacerda, os generais Castelo Branco, Costa e Silva, Médice, Geisel, Figueiredo e outros políticos que não toleram a democracia.

Na ala da história onde está Florestan Fernandes, seguramente Fernando Henrique não estará.
Leia Mais ►

Por que os EUA é o melhor país do mundo?


Os dois minutos mais sinceros da televisão estadunidense

(Cena do primeiro episódio da série The Newsroom da HBO, ator Jeff Daniels, os dados citados são reais).

Como o complexo de vira-lata dos que nos mandam ir para Cuba sobrevive a essa pérola?

Leia Mais ►

“Não vai ter impeachment”: o vice decorativo admite que o golpe deu ruim. E agora?

“A sorrir eu pretendo levar a vida”
Numa velocidade relativamente estonteante para um homem de seu quilate, Michel Temer passou de autor de cartas constrangedoras a golpista fracassado.

Um deputado do PMDB, Osmar Terra, contou ao Estadão que ele, Temer, “trabalha com a ideia de que não vai ter impeachment. Pelo menos este ano ele acha que não vai”. Terra ainda falou que Temer “quer todo o PMDB unido para a eleição de 2018”.

O afastamento de Dilma teria “perdido relevância” depois da decisão do STF. Lúcio Vieira Lima, também da facção peemedebista pró golpe, fez uma conta: “Com esses embargos, a votação na Câmara deve ficar lá para maio ou junho deste ano. No segundo semestre, tem eleições municipais e depois, acabou o ano”.

Se alguém ainda achava que Temer era um grande articulador — e não faltaram colunistas descrevendo-o desta maneira — , é melhor repensar.

MT passou 2015 tentando se vender como alternativa diante de uma queda de Dilma. Conspirou à luz do dia, chegou a ser cortejado por parlamentares (Serra tentou emplacar um ministério), palestrou para empresários, recebeu cupinchas no Palácio do Jaburu, tentou cavar uma vaga como alguém capaz de “unir o Brasil”.

Seu suposto rompimento com o Planalto naquele mimimi antológico que ele mesmo vazou para um jornalista amigo dividiu o partido. Suas próprias pedaladas foram lembradas. Consolidou-se como comparsa de Eduardo Cunha. Comprou briga com Renan Calheiros. E ainda tem sobre a cabeça a Lava Jato.

Terminou dezembro bambeando e começa janeiro tentando juntar os cacos de seu papel de vice decorativo, lutando apenas para não perder o comando da legenda.

Em algum lugar do passado recente, Temer acreditou que poderia ser mais do que isso. A realidade acabou por demonstrar que, como dizia o pessoal de Tropa de Elite, nunca será.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

FHC e Sarney chamam Getúlio de “homem menor”


Nunca será demais agradecer a Fernando Henrique Cardoso pela decisão de registrar e publicar os atos cotidianos de seus dois mandatos no Planalto. 

Num país onde informações de primeira mão sobre o Poder real costumam ser mantidas num ambiente de segredo absoluto, os Diários da Presidência são uma oportunidade rara de leitura, aprendizado — e mesmo diversão, como você poderá ler a seguir.  

Não terminei o primeiro volume, ainda, mas já encontrei uma cena impagável, ao chegar à página 404 do calhamaço de 929 dedicado aos primeiros dois anos de FHC no Planalto, quando ele descreve um almoço com José Sarney, que havia sentado à mesma cadeira entre 1985-1990.  

Eles falam de vários assuntos, mas o personagem central de vários momentos da conversa é um terceiro presidente. Getúlio Vargas, vulto que exerce um conhecido magnetismo — positivo ou negativo — junto a seus sucessores, o que é natural, já que nenhum brasileiro que veio ao mundo após 1930 deixou de ter contato direto ou indireto com a obra de Vargas, seja na economia, seja na política e também na cultura.  

Em 1996, completando um ano na Presidência, Fernando Henrique recebe José Sarney, que deixara a presidência em 1990, para um almoço. "Muito bom", escreve referindo-se ao conteúdo da conversa.

Na parte inicial do encontro, os dois falam de uma questão eterna para todo presidente da República: como convencer o PMDB a ajudar o governo a aprovar medidas de seu interesse. (Não ocorria nada de novo. Naquele início de 1995, FHC queria ajuda do PMDB para aprovar reformas; também precisava de ajuda da bancada pemedebista para enfrentar uma denúncia de superfaturamento de 51% na licitação dos radares do SIVAM que havia chegado ao Tribunal de Contas da União. O debate sobre a emenda da reeleição estava começando, e o PMDB estava dividido a respeito, também. Sarney explica ao presidente que os dirigentes do partido vão "ganhar tempo" e simplesmente dizer que "primeiro é preciso que as bases opinem sobre as áreas que provocam algum atrito." Fechando essa parte do encontro, Fernando Henrique avalia: "Afinamos tudo sobre como conduzir o processo de votação").

Naquele dia, Sarney tinha levado a Fernando Henrique um exemplar de seu romance recém-lançado, O Dono do Mar. Mesmo admitindo que não leu o livro, o presidente elogia o empenho literário do ex: "Tenho sempre uma admiração pela persistência com que o Sarney vem mantendo esta paixão pela literatura. Não li o livro. Vou ler." Mais adiante: "Sarney tem a virtude de ser uma pessoa com convicção, fidelidade, se eu posso dizer assim, à literatura." Ainda: "Ele gosta mesmo. Não é uma coisa feita pró forma, nem é superficial nele."

Além de O Dono do Mar, Sarney levara um artigo publicado numa revista francesa, Commentaire, "publicação importante nas relações internacionais", novamente elogia Fernando Henrique Cardoso. (Fundada em 1978 por Raymond Aron, intelectual reconhecido do conservadorismo europeu, no editorial de apresentação a Commentaire se apresenta aos leitores como uma "revista intelectual. Ela não é destinada a divertir, não é destinada a confortar os pré-julgamentos nem alimentar as paixões. Ela quer iluminar a inteligência.")

A literatura seguiu na pauta da conversa por outra razão. Inédito por mais de cinco décadas, os dois volumes do Diário de Getúlio acabavam de chegar às livrarias, tornando-se obra de leitura obrigatória para os políticos brasileiros. A leitura não agradou os dois presidentes.  

"Ele (Sarney) está decepcionado com o diário e tem razão, eu também estou", escreve Fernando Henrique no encontro de 8 de janeiro de 1996.

O que incomoda Fernando Henrique é o foco do Diário de Vargas: Ele reclama da fala de horizontes intelectuais, de pensamentos profundos sobre o país. "Depois de algum tempo de leitura, é a pequena história, não se vê muito mais do que intriga, um ou outro entra e sai, não se vê o conteúdo das discussões, a visão de Getúlio sobre Brasil, nada disso deixa marca no livro." Como se, depois dessas palavras, tivesse ficado mais à vontade na conversa, Sarney admite: "Eu já estava até arrependido de tanto que eu tinha atacado o Getúlio e fazendo a revisão de meu juízo anterior, mas agora vejo que não, que Getúlio era um homem menor", disse Sarney.

"É verdade", repete Fernando Henrique, que prossegue: "A leitura não mostra um homem de grande descortino nem de empenho maior com problemas do país."

Apenas duas linhas depois, numa passagem significativa para quem acabara de se referir a um antecessor que não havia demonstrado "empenho maior com problemas do país", o próprio Fernando Henrique derrama-se em elogios ao momento em que o país se encontrava um ano depois de sua posse: "vivemos um raro momento em que, bem ou mal, as pessoas que estão controlando os grandes órgãos do Estado, a Presidência da República, o Senado, a Câmara, são pessoas que têm noção do país. Eu disse a Sarney: 'pois é, apesar de tudo os resultados do ano passado foram muito positivos.' Ele concordou."

Doze páginas adiante, nos parágrafos dedicados a 15 de janeiro, Sarney está longe. Fernando Henrique desenvolve estas reflexões sobre dois vultos da história francesa, Charles De Gaulle e François Mitterrand. Compara o papel de um e de outro, sem esconder a preferência por De Gaulle. Referindo-se a um antigo dirigente do PS que pouco a pouco abandonou as ideias clássicas dos partidos de esquerda, numa trajetória semelhante a que diversos observadores apontam no próprio FHC, ele acusa Mitterrand de ter dado "uma volta muito grande para o que hoje se chama neoliberalismo."

De repente, entre uma vírgula e outra, Mitterrand sai de cena e em seu lugar aparece Getúlio para ser comparado com De Gaulle. Apontando um ponto positivo na personalidade de De Gaulle, Fernando Henrique encaixa uma crítica repentina a Getúlio. De Gaulle, escreve, "tinha uma ideia de morte, de quem quer entrar para a imortalidade." Num raciocínio separado por uma vírgula, Fernando Henrique abandona Mitterrand e explica que a ideia de morte mostra que De Gaulle era "diferente do Getúlio. Que a morte, como eu vi nos diários do Getúlio, era para ele uma vingança pessoal: já que eu não posso ganhar, eu ganho morrendo. Se matou e ganhou."

Getúlio encerrou o seu Diário em 1942, ou doze anos antes de 1954, o ano em que deu o tiro no peito, evitou um golpe militar e impediu um retrocesso que faria a roda da História andar para trás. Muitos fatos ocorreram entre a última linha do Diário e a tragédia: ele foi deposto pelos generais que havia nomeado; os Aliados venceram a guerra; a CLT se consolidou; a Guerra Fria passou a definir as relações entre potências; a Petrobras foi fundada.

Em 1996, na página 416 de seu próprio diário, Fernando Henrique registrou uma versão pessoal para o suicídio. "No caso de Getúlio", escreve, "a visão (da morte) é a de um homem autoritário: ou aceitam o que estou fazendo ou então eu ganho nem que seja me matando."

O "homem menor", que cometeu suicídio por ser "autoritário", foi um personagem típico da história dos vencidos.  

Mesmo aliados históricos de Fernando Henrique tiveram outra visão sobre a tragédia, como o advogado José Gregori, que foi ministro da Justiça no segundo mandato de FHC. 

Em 1954, Gregori era um líder estudantil da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, um dos centras da mobilização pela deposição de Getúlio. Chegou a participar de comícios, no Rio de Janeiro, onde fez discursos pela saída do presidente, eleito em 1951.

Décadas depois, em seu próprio livro de memórias, Gregori reconhece que participou de uma "revolução errada", escreveu, referindo-se, com humildade, à aula de política prática recebida da massa de brasileiros pobres, trabalhadores, muitos deles pretos, que ocupou o centro das grandes cidades do país para manifestar indignação e fúria.

No livro "Pai dos pobres", o historiador norte-americano Robert M Levine recorda um elogio a Getúlio proferido pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, em discurso pronunciado no Rio de Janeiro, em novembro de 1936. Patrono da recuperação da economia de seu país, destruída pela crise de 1929, Roosevelt admitiu, publicamente, a contribuição de Getúlio para a construção do New Deal, a política econômica que privilegiava o emprego, os investimentos e protegia os sindicatos no esforço para vencer a depressão. Roosevelt atribuiu a Getúlio o mérito de ter sido "uma das pessoas que inventaram o New Deal."

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

Em bronze

O Millôr tinha uma tese sobre a construção de túneis na China. Dizia que 10 mil chineses começavam a cavar de um lado da montanha e 10 mil chineses começavam a cavar do outro lado. Quando se encontravam formavam um túnel. Se não se encontravam, formavam dois túneis. Seria um exemplo de erro que acaba bem.

Agora imagine o seguinte: a inauguração de uma estatua de bronze em tamanho natural do Carlos Drummond de Andrade na calçada de Copacabana. A estátua está coberta por um pano, que só será descerrado quando chegarem as autoridades, a imprensa etc. Chegam todos, e começa a solenidade. Discursos, música. E, finalmente, a descoberta da estátua, sob aplausos. Até que alguém diz:

— Mas esse não é o Drummond!

— Como que não?

— É o Manuel Bandeira!

Isto não aconteceu, claro, mas o poeta errado seria exemplo de um engano irremediável, um engano em bronze. E, citando outro poeta, o Mario Quintana, um erro em bronze é um erro eterno.

A História tem o mau hábito de perpetuar suas figuras em enganos, ou no mínimo em clichês reincidentes. Durante muito tempo, qualquer matéria sobre Albert Einstein que saía na imprensa vinha acompanhada daquela foto dele botando a língua. Para muita gente, Einstein não era o autor da teoria da relatividade, era aquele velhinho com a língua pra fora.

Figuras da nossa história política também foram reduzidas a categorizações fáceis, e imprecisas. Juscelino, segundo o clichê, foi o presidente que galvanizou o país com seu desenvolvimentismo alegre. Pouco se fala do seu papel na história da corrupção brasileira também.

Jânio Quadros foi um maluco, e pronto. Alguns nomes resistem à categorização rápida. Carlos Lacerda foi um exemplo de administrador moderno ou um golpista inveterado, ou as duas coisas? E a própria História não sabe o que dizer de Getúlio Vargas, que foi o nosso grande emancipador social ou um ditador filo-fascista irredimível, a escolher. Que Getúlio, afinal, ficou em bronze?

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Uma visita ao mundo

A vida verdadeira, com os gestos e os passos que empurram a história, está lá fora. Aqui é um canto de mundo, onde se amontoam cifrões, Bolsa, PIB, deficit, ajuste fiscal, câmbio, inflação, dólar, euro, tarifa, subvenção, taxa, lucro, ações, comissão, títulos, letras, renda, corrupção. O demais, se existe por teimosia, não interessa.

Com licença, vou ao mundo. Inquieto e, sei bem, para ver o que já vi vezes sem conta. Várias proximidades facilitam o começo pela Venezuela. Que é também o problema mais imediato e mais incandescente. Mas não é muito o que os países sul-americanos podem fazer para evitar o agravamento da situação venezuelana. O primeiro ao seu alcance, aliás, é não vir um deles a agravá-la por intromissão indevida, não importa para que lado.

O risco de deflagração da violência, inclusive armada, está altíssimo na Venezuela. Arrogantes como estão os vitoriosos eleitorais, que começaram por declarar guerra de extermínio ao adversário, até com prazo definido, e transtornados como estão os perdedores, estará na ordem natural das coisas um ato de desatino armado. Neste momento, o ódio obtuso dos líderes vencedores encontra, no outro lado, um líder que parece não perceber a situação do país. Quanto mais os descontroles. Ou então conhece como ninguém os venezuelanos.

O mais estranho é que, de todo o transmitido da Venezuela nesse período mais agudo, ninguém menciona as Forças Armadas. Não pelo próprio Maduro, mas por suas relações com os chefes cubanos, não se pode imaginar que o fator militar, e até de eventual defesa popular armada, estejam esquecidos.

A doutrina militar que os Estados Unidos fizeram aplicar na América Latina considera que confrontos internos, armados ou na iminência de sê-lo, constituem ameaça à segurança nacional, cabendo aos militares intervir e decidi-los. Explica-se: tais confrontos dão-se entre conservadores e reformistas. Hugo Chávez alterou a doutrina para a Venezuela, mas não se sabe se a nova linha perdura ou até quando perduraria. E esta pode ser a questão-chave. Coberta de silêncio, no entanto.

A situação na Venezuela é nova, mas obscura. Aos países latino-americanos justifica-se apenas defender o que seja o mais próximo do legítimo e conveniente para um futuro democrático.

Ou seja, aquilo que os grandes liderados pelos Estados Unidos não defendem, jamais, quando se trata de Arábia Saudita, como de outros aliados seus incursos em transgressões à ONU, a tratados e a princípios do direito internacional. E, em se tratando da Coreia do Norte e sua bomba de hidrogênio, nem é mais a defesa da correção que falta aos Estados Unidos. É a simples utilidade de tentar disfarçar.

Nos dois casos, a igualdade de motivo: a falta de autoridade moral. A ditadura saudita só se permite o primitivismo e as arbitrariedades do seu poder porque conta com apoio dos Estados Unidos, em qualquer circunstância. O seu petróleo vale mais do que todos os princípios de relações humanas ou entre nações. E o cinismo a tudo se sobrepõe: a imprensa e a TV americana tanto propagavam a aliança proveitosa do seu país com a Arábia Saudita, como noticiavam provir da Arábia Saudita o financiamento de Osama Bin Laden que os Estados Unidos combatiam, e que lhes tirara as duas torres novaiorquinas.

A estupidez humana explodiu mais uma vez, agora, na Coreia do Norte, sob a forma de bomba de hidrogênio. Os Estados Unidos deviam saudar seus imitadores comunistas. Porque condições morais para criticá-los, o maior poder armado do mundo não pode ter. Nem Inglaterra, França, Rússia, Israel, China, India, Paquistão, talvez mais.

O mundo é dos cínicos.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

La derecha venezolana elimina imágenes de Chávez y Bolívar del Parlamento

La imagen de Chávez retirada del Parlamento
“Sáquenme toda esa vaina de aquí”, fueron las palabras que el dirigente adeco y presidente de la Asamblea Nacional venezolana, Henry Ramos Allup utilizó al ordenar el retiro de los cuadros en los que se aprecia la imagen del Libertador Simón Bolívar, que estaban presentes en la sede del Palacio Legislativo.

En abril de 2002, al perpetrar el golpe de Estado en contra del Comandante Hugo Chávez, una de las primeras acciones que tomaron fue retirar el cuadro del Libertador y Padre de la Patria, Simón Bolívar, el cual fue descolgado y lanzado en un depósito del Palacio de Miraflores en Caracas.

Ahora, se escucha claramente cuando el dirigente adeco ordenó el retiro del cuadro del Padre de la Patria, de los espacio de la Asamblea Nacional, diciendo alborotado: “Ese Simón Bolívar falsificado también lo sacan de aquí, ese no es Simón Bolívar… una vaina loca, sáquenme toda esa vaina de aquí. Ese no es ningún Simón Bolívar… llévense toda esa vaina pa´ Miraflores, se lo dan al aseo”, expresó Ramos Allup.

La historia verdadera de nuestro pueblo es para ellos una “seudo historia”. En el pasado mes de octubre, al conmemorarse el Día de la Resistencia Indígena, a través de su cuenta en Twitter, Allup salió en defensa de Cristóbal Colon y de La Niña, La Pinta y La Santa María.

twitter

Al supervisar el retiro de cuadros de la Asamblea Nacional, el presidente del parlamento ordeno también el retiro de los cuadros y fotografías del comandante Hugo Chávez.

“Que se lo lleven para Sabaneta, el que quiera prenderle velas que se lo lleven para Sabaneta, que se lo lleven a las hijas, a las viudas, llévenselo a la viuda (…) esta vaina no es cementerio”, aseveró Allup.

Que el lector haga su reflexión y saque sus propias conclusiones.

bolivar

No Cuba Debate
Leia Mais ►