4 de jan de 2016

Barrigadas 2015




Em julho de 2015 o jornalista Carlos Sardenberg da Globo/CBN vira piada na internet após atribuir a crise da Grécia ao PT. Segundo o brilhante comentarista, em 2012, Dilma e Lula teriam convencido o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras a adotar o programa anti-austeridade que causou toda a confusão. (não apenas a crise precede o governo de Tsipras, como sua posição já era conhecida muito antes de 2012… é cada uma!)

Em julho de 2015 o jornalista Carlos Sardenberg da Globo/CBN vira piada na internet após atribuir a crise da Grécia ao PT. Segundo o brilhante comentarista, em 2012, Dilma e Lula teriam convencido o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras a adotar o programa anti-austeridade que causou toda a confusão. (não apenas a crise precede o governo de Tsipras, como sua posição já era conhecida muito antes de 2012… é cada uma!)






Em junho a Revista Época publicou mais uma de suas “bombas” de 2015. E até hoje estamos esperando: Marcelo Odebrecht não delatou. A República não caiu. A história das celas ficou na ficção.

Em junho a Revista Época publicou mais uma de suas “bombas” de 2015. E até hoje estamos esperando: Marcelo Odebrecht não delatou. A República não caiu. A história das celas ficou na ficção.



O ano está quase acabando… Mas não para o experiente Lauro Jardim, que consegue cavar uma nova barriga entre o natal e o ano novo. Será que ainda dá tempo para mais uma?

O ano está quase acabando… Mas não para o experiente Lauro Jardim, que consegue cavar uma nova barriga entre o natal e o ano novo. Será que ainda dá tempo para mais uma?



2015 não ficaria completo sem o “Podemos tirar, se achar melhor” da Reuters (reproduzido pelo Globo) que oferecia remover do texto a informação de que o pagamento de propinas havia começado no governo FHC.

2015 não ficaria completo sem o “Podemos tirar, se achar melhor” da Reuters (reproduzido pelo Globo) que oferecia remover do texto a informação de que o pagamento de propinas havia começado no governo FHC.



Em março de 2015 a Veja fazia matéria de capa exaltando Eduardo Cunha. Apesar dos “pequenos deslizes do passado”, para a Veja, há esperança em Cunha!

Em março de 2015 a Veja fazia matéria de capa exaltando Eduardo Cunha. Apesar dos “pequenos deslizes do passado”, para a Veja, há esperança em Cunha!



Merval confunde desejo com realidade e transforma profecia em barrigada: o voto de Fachin acabou sendo reprovado quase que por unanimidade.

Merval confunde desejo com realidade e transforma profecia em barrigada: o voto de Fachin acabou sendo reprovado quase que por unanimidade.



Em maio de 2015, Azevedo “aplaudia” Cunha.

Em maio de 2015, Azevedo “aplaudia” Cunha.



Folha inventa manchete: em nenhum momento a #CartaDoTemer fala de “mentir” ou “mentiras”.

Folha inventa manchete: em nenhum momento a #CartaDoTemer fala de “mentir” ou “mentiras”.



A revista Veja admite que inventou a matéria sobre a festa do sobrinho do Lula. Internautas sugeriram mudar o nome da coluna de “erramos” para “mentimos”.

A revista Veja admite que inventou a matéria sobre a festa do sobrinho do Lula. Internautas sugeriram mudar o nome da coluna de “erramos” para “mentimos”.



Na matemática peculiar da GloboNews parece que 4,7% é maior do que 5,7%.

Na matemática peculiar da GloboNews parece que 4,7% é maior do que 5,7%.

No Barrigas2015
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Em 13 anos, Globo, no fundo do poço, afunda e perde 41%, SBT, 22%; Record cresce 357%


Um gráfico produzido pela Record para uso interno traça um panorama da audiência das redes de TV na Grande São Paulo entre 1993 e 2015 (até domingo, 27/12). No quadro, montado com base nos números do Ibope (agora chamado Kantar Ibope), as emissoras aparecem da seguinte forma no período, considerando a programação diária, das 7h à 0h:

TV Globo — 23,5 pontos (1993) e 13,8 pontos (2015, até 27/12): 41% de queda;

SBT  — 8,0 pontos (1993) e 6,2 pontos (2015, até 27/12): queda de 22%;

TV Record — 1,5 ponto (1993) e 6,8 pontos (2015, até 27/12): 357% de crescimento;

TV Bandeirantes — 2,8 pontos (1993) e 2,3 pontos (2015, até 27/12);

TV Manchete — 1,5 ponto em 1993 e, já como RedeTV! 0,8 ponto em 2015.

A Record fecha o ano com metade da audiência da Globo, mas ostenta o porcentual de crescimento. Usa o calendário de 1993 como referência porque é o primeiro ano fechado da medição de audiência por people meter, aparelho que capta dados em tempo real — ainda que a mostra do painel fosse bem menor. Convém resgatar, no entanto, que em 1993, a Record ainda estava no fundo do poço que motivou sua troca de mãos três anos antes, das famílias Machado de Carvalho e Abravanel, para Edir Macedo. Da mesma forma, não se pode negar que 2015 foi um ano e tanto para a emissora, graças a Os Dez Mandamentos e à estratégia que favoreceu também o Jornal da Record, além da injeção de ânimo trazida por Xuxa.

Em tempo: 1 ponto de audiência na região valia 40 mil domicílios em 1993. Em 2015, 1 ponto valeu 67 mil lares.

Como tem feito ano a ano, a Kantar Ibope Media atualiza, a partir do 1º dia do ano, a representatividade do ponto de audiência nas 15 regiões em que mensura o público de TV, com base nas novas estimativas populacionais. A coluna antecipa aqui que, a partir de amanhã, 1 ponto na Grande São Paulo salta dos atuais 67 mil domicílios para 69.417; na Grande Rio, o ponto, hoje válido para 42.293 endereços, será ampliado para 43.346. E no Painel Nacional de TV (PNT), 1 ponto representará 240.886 lares (ante 233.400 em 2015).

O Ibope também anuncia a inclusão de seis municípios que passam a ser mensurados nas regiões metropolitanas de Fortaleza e Porto Alegre. E promete antecipar a entrega diária de alguns bancos de dados aos clientes.

O que a concorrência não faz? A Gfk, que chegou ao País para medir audiência, ainda não mostrou seus números, mas já mostrou como pode motivar uma empresa que até então gozava de monopólio absoluto no seu ramo.

Cristina Padiglione
No Estadão
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União irá gastar R$ 3,8 bi com pagamento de pensões a filhas de militares em 2016

Somente com o pagamento de pensões vitalícias a filhas de militares e servidores das Forças Armadas, o governo federal irá gastar cerca de R$ 3,8 bilhões em 2016, informou nesta segunda-feira o jornal O Globo citando dados do Ministério da Defesa enviados à Comissão do Orçamento. Ao total, 185.326 pessoas usufruem do benefício concedido por Marinha, Exército e Aeronáutica, o que corresponde a 27,7% do total de pensionistas e 36,25% do efetivo de militares.

O pagamento de pensão a filhas de militares foi extinto em 2000, mas só vale para servidores que entraram nas forças a partir daquela data. Quem já estava no quadro, tem o direito de pagar um adicional de 1,5% em sua contribuição previdenciária e assim manter o benefício. Com isso, estima-se que este regime se mantenha deficitário pelo menos até 2080, quando, segundo estimativa do governo, deve chegar a R$ 7,5 bilhões.

O benefício também foi pago para filhas de servidores públicos não casadas até dezembro de 1992.

No Sul21
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Argentina: El Gobierno oficializó la modificación de la Ley de Medios

Se publicó en el Boletín Oficial la creación del Ente Nacional de Comunicaciones (ENACOM), que disuelve a la Afsca y Aftic, y modifica artículos clave de la Ley de Medios — respecto de transferencias de licencias y cuotas de mercado — y la ley de telecomunicaciones. El decreto crea una comisión de reforma en el Ministerio de Comunicación para realizar aportes a la nueva ley que se debatirá en el Congreso. Mientras, el nuevo organismo queda en funciones con representación mayoritaria del Poder Ejecutivo para tomar decisiones.

El espíritu de la normativa decretada por el presidente Mauricio Macri sostiene la "necesidad de aprovechar los beneficios de la convergencia tecnológica" abriendo el juego a la competencia del mercado y justifica la "imperiosa" necesidad de modificar las leyes vigentes sin depender de "la cadencia habitual del trámite legislativo".

Según el artículo 2 del decreto, el ente tendrá las competencias y funciones que las leyes 26.522 (de medios) y 27.078 (Argentina Digital) asignaban a la Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (Afsca) y la Autoridad Federal de Tecnologías de la Información y las Comunicaciones (Aftic).

Se establece asimismo que el directorio del ente estará conformado por un presidente y 3 directores nombrados por el Poder Ejecutivo y otros 3 propuestos por la comisión bicameral de promoción y seguimiento de la comunicación audiovisual, que serán seleccionados uno por la mayoría, otro por la segunda minoría y otro por la tercera minoría parlamentaria. A diferencia del directorio creado a partir de la Ley de Medios, éste no cuenta con representación de los medios comunitarios, la academia ni lo pueblos originarios.

El decreto indica que el titular del Enacom y el directorio durará 4 años en el cargo — en coincdencia con el mandato presidencial, a diferencia de lo propuesto en la Ley de Medios — con posibilida de reelección, pero "podrán ser removidos por el Poder Ejecutivo en forma directa y sin expresión de causa".

Además, las decisiones que tome el organimo se realizarán con un quórum de 4 directores, incluyendo al presidente, y se votarán por mayoría siemple. De esta manera, los representantes del gobierno tendrán mayoría propia para sesionar y votar.

Entre los considerandos, se destaca la necesidad de crear un ente único para “no generar una dispersión de criterios en su aplicación, produciendo no sólo ineficiencias y distorsiones sino también inseguridad jurídica”.

Señala que la ley de medios “es una norma anticuada y distorsiva en numerosos aspectos” ya que “desconoce el rol de la digitalización en la multiplicación de espacios de contenidos, el papel de las sinergias en el desarrollo de modelos de negocios de la industria, la escala que se requiere para desarrollar servicios convergentes”.

“El actual marco regulatorio y de negocios de la industria argentina de medios y telecomunicaciones conduce a un deterioro creciente de la competitividad y capacidad de desarrollo del sector, lo cual se ha visto reflejado en el retraso en las inversiones en infraestructura de redes y la consecuente baja calidad de los servicios”, indica la norma.

Con el objetivo de “derribar la brecha digital”, entre los considerandos del decreto se establece la necesidad de “una rápida y eficaz acción de política pública que establezca urgentemente un sendero racional de desarrollo para el sector”.

En tanto, justifica la emisión del decreto en el hecho de que “la crítica situación del sector configura una situación excepcional que hace imposible seguir los trámites ordinarios previstos por la Constitución” y “esperar la cadencia habitual del trámite legislativo irrogaría un importante retraso”.

Entre las modificaciones a la ley de Medios, se establecen cambios en los artículos 25, 38, 40, 41, 45, 54 y 63.

Por ejemplo, se modifica el artículo 40 que actualmente establece que las licencias tienen una prórroga única de 10 años previa audiencia pública y se establece que, a partir de ahora, serán a 5 años de manera automática y luego a 10 años por concurso.

En el artículo 45, se establecen nuevas reglas para la cantidad de licencias: en el orden nacional, se lleva a 15 licencias de servicios de comunicación audiovisual cuando se trate de televisión abierta o radio; y en el orden provincial, se indica que no podrá exceder la cantidad de 4 licencias.

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O elo entre a Globo e Cunha na censura promovida pela TV Câmara

“É nóis, fera”
O traço mais pitoresco das tretas entre Eduardo Cunha e a Globo é o fato de ambos se conhecerem tão bem que qualquer coisa que um ou outro faça cai numa espécie de intimidade galhofeira trágica.

Uma matéria no Globo denunciou um caso de censura na TV Câmara. Houve corte de críticas ao presidente da Casa num programa chamado “Fatos e Opiniões” que retratou a sessão de 19 de novembro.

Naquele dia, Cunha foi alvo de discursos pesados de parlamentares como Jandira Feghali, Betinho Gomes e outros. Mara Gabrilli chegou a pedir, dramática, que ele abandonasse o cargo.

A TV Câmara editou o material, limou as pancadas em Cunha e colocou no ar uma versão adulterada com seis minutos a menos. Cláudio Lessa, diretor-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Câmara, deu a previsível resposta ridícula.

“Eles estavam batendo no Cunha, mas ele não se defendia”, disse. “Não houve o contraditório. Ele não respondia e não dava o contraponto. Corríamos o risco de ser injustos e tendenciosos naquela primeira edição”.

Lessa ainda alegou que Eduardo Cunha não teve influência. Então tá. Lessa, para quem não se lembra, é dono de um blog no estilo Revoltados On Line que foi notícia no ano passado pelo baixo nível das postagens.

O Globo foi ouvir o Cunha, que declarou “estranhar a preocupação com a TV Câmara” quando dá mais espaço a ataques de seus adversários. “As reportagens sobre o parlamentar, assim como todas as outras exibidas na TV Globo, zelam pelo equilíbrio e pela isenção jornalística”, devolveu o jornal.

Claro que ninguém acredita nisso, muito menos o sujeito que escreveu. No Twitter, Cunha ainda voltou ao ataque. “A Globo é uma concessão pública e deveria ter isenção nos seus telejornais, mas não tem. Aí vem o Globo e critica a TV Câmara. Piada pronta”, postou.

A ligação entre os dois é antiga e rendeu muitos frutos antes de azedar. Cunha, por exemplo, fez o diabo no Rio de Janeiro, impunemente, ao longo de décadas. Já escrevi sobre isso aqui.

Há, porém, mais um elo importante em comum: o pau mandado que coordenou o trabalho sujo na TV Câmara, chefe de Cláudio Bessa, é um ex diretor da emissora carioca, Laerte Rimoli. Ele não inventou esse modus operandi apenas depois de se aproximar de Eduardo Cunha.

Laerte Rimoli, diretor de Comunicação da Câmara
Laerte Rimoli, diretor de Comunicação da Câmara
Rimoli foi chefe do RJ TV em meados dos anos 90, quando o telejornal era apresentado por Cláudia Cruz, mulher de Cunha. Um deputado diz que Laerte é indicação de Cláudia ao marido.

Trabalhou nos ministérios das Comunicações (Pimenta da Veiga) e do Esporte e Turismo (Caio Carvalho) no governo FHC. Em 2006, fez a campanha de Geraldo Alckmin. Em 2014, assessorou Aécio Neves na disputa pelo Planalto.

Como Bessa, é um fanático antipetista de babar na gravata. Um cruzado contra a corrupção, apenas com um detalhe: sua ficha não é limpa. Entre julho e dezembro de 2002, foi acusado de emitir notas fiscais frias para a agência de Marcos Valério, operador dos mensalões do PSDB e do PT, por anúncios que nunca foram veiculados. O TCU o condenou a pagar 74,6 mil reais.

Quando Laerte foi contratado para a atual função, no começo de outubro, Jean Wyllys classificou o movimento de “tenebrosa transação”. Quem partiu em sua defesa foi um amigo de longa data, o repórter do Globo Jorge Bastos Moreno (o mesmo para quem Temer vazou sua carta). Rimoli, segundo Moreno, “é conhecido e respeitado pelos seus colegas de profissão”. “Não seja injusto, por favor”, tuitou para Wyllys.

Tudo em casa. Cunha cairá, mas enquanto se segura vai lembrar a Globo que, como naquela propaganda, eles têm tudo a ver.

Kiko Nogueira
No DCM
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Manual do perfeito midiota - Parte 4

Como se sabe, a condição de midiota assegura um “estar no mundo” menos sujeito a angústias, porque permite direcionar todas as culpas para o outro.

Esta série de reflexões tem o propósito de tornar mais confortável a escolha que você, seguidor fiel e crente da mídia tradicional, fez durante o ano de 2015.

Como se sabe, a condição de midiota assegura um “estar no mundo” menos sujeito a angústias, porque permite direcionar todas as culpas para o outro, mesmo que identificado como uma entidade subjetiva, um partido ou a designação genérica de “os políticos”.

Portanto, é essencial que você conheça os riscos de deixar brotar sua consciência social, aquela que nasce da percepção da alteridade — “natureza ou condição do que é outro, distinto”.

Não vamos complicar as coisas lembrando o que disse Michel Foucault sobre esse “processo de subjetivação”, bem lembrado por Giorgio Agamben na sua conhecida obra Homo sacer. Se você quiser arriscar uma olhadinha por trás dessa cortina, coloco um link no pé do texto e você vai direto à página 69.

Para resumir, o que se observa é que as classes médias urbanas, expostas à complexidade da vida contemporânea e pressionadas pela ideologia do consumo e do sucesso pessoal, tendem a emular os muito ricos, ou seja, a querer ser — por imitação — parte daqueles que compõem a elite.

A imprensa usa esse sentimento como plataforma para vender a ideia de que, para estar no topo da sociedade, você precisa se descolar dos outros, os “diferenciados” que ficam ao seu lado ou abaixo da sua faixa de renda.

É assim que a imprensa coopta os midiotas.

Para isso, trata de esconder alguns fatos.

Por exemplo, você viu na mídia hegemônica do Brasil, no Jornal Nacional, ou ouviu nos comentários do rádio, como os americanos muito ricos criaram um sistema para escapar do fisco e resguardar suas fortunas contra a crise que eles mesmos provocaram? Deixo também os links para duas reportagens especiais do New York Times sobre esse assunto.

Você também pode procurar os trabalhos da brasileira Grazielle David, especialista em orçamento público, que demonstra com números como os cidadãos mais ricos do Brasil sonegam anualmente mais de R$500 bilhões.

Você aderiu àquele abaixo-assinado que as mocinhas bonitinhas oferecem na frente da Fiesp, perto daquele pato inflado, contra a recriação da CPMF? Nunca se perguntou por que as entidades da indústria e do comércio, com ampla repercussão da mídia tradicional, vivem denunciando o aumento da carga tarifária e nunca — repito: NUNCA — se preocupam em contabilizar os bilhões sonegados?

Porque contam com a imprensa para convencer você a continuar pagando pelos realmente ricos.

Aí você passa a acreditar que o problema é que o governo gasta demais, principalmente com programas sociais — e vai para as ruas xingar e agredir quem, no fim das contas, defende os seus interesses.

Mas essa é a natureza do midiota: agir contra seus próprios interesses.

Está feliz assim? Então ignore estas provocações e que 2016 continue lhe proporcionando a cândida felicidade dos inocentes.


Para ver: Evasão fiscal – vídeo.

Luciano Martins Costa é jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros O mal-estar na globalização, Satie, As razões do lobo, Escrever com criatividade, O diabo na mídia e Histórias sem salvaguardas.

Leia também: Manual do perfeito midiota - Parte 1; Manual do perfeito midiota - Parte 2; Manual do perfeito midiota - Parte 3.
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Em 10 anos cresce a diferença entre o Brasil e os EUA que o PIG tenta esconder

No Brasil em 10 anos, redução da extrema pobreza foi de ao menos 63%

Análise do #Ipea com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014.


"No período 2004-2014, a distribuição de renda captada pela PNAD melhorou a cada ano: a média cresceu e a desigualdade diminuiu. A pobreza, medida por várias linhas, também caiu."



A desigualdade racha Nova York em duas

Apesar da recuperação econômica, o abismo social cresce na cidade. A população de sem-tetos cresceu 86% em 10 anos e chega a seu recorde, apesar de mais empregos

Mulher pede esmola na Quinta Avenida
O metrô de Nova York, essa gigantesca e envelhecida rede de trens que turistas e artistas transformaram em um fetiche, é o único lugar da cidade onde as fronteiras sociais se diluem. O subsolo tem algo de igualitário. Oito milhões de pessoas com pouca coisa em comum se misturam ali a cada dia e dividem o espaço com as mesmas ratazanas que acampam pelas estações. Ao sair para a superfície, cada um vai para o seu compartimento social: a seus bairros díspares, para servir bagels, vender ações ou tirar fotografias. Tudo a um ritmo frenético.

Só caminham lentamente aqueles que carregam maletas puídas e carrinhos de supermercado vazios: os sem-teto, desgarrados do sistema, alheios ao burburinho. Nova York sempre foi uma cidade de extremos, darwinista e um tanto tirana, mas agora está rachada em duas: o número de indigentes aumentou 86% nos últimos 10 anos. E não foi durante a fase mais difícil da Grande Depressão, nos anos trinta, que a cifra chegou a seu recorde histórico, mas sim entre 2014 e 2015, quando a cidade voltou à crista da onda, com mais empregos e um crescimento mais do que sólido.

Na última terça-feira, 57.838 pessoas dormiram nos abrigos públicos — quase metade delas eram crianças. Só mesmo na Grande Depressão se viu níveis parecidos, segundo a ONG Coalition for the Homeless (“Coalizão para os Sem-Teto”, em tradução literal).

Isso porque, paradoxalmente, para muitos nova-iorquinos a recente recuperação econômica é uma dor de cabeça. Em outubro de 2009, o aluguel de um apartamento de dois quartos custava em média 2.399 dólares por mês. No mesmo mês de 2015, o valor já chegava aos 4.058 dólares mensais, de acordo com o banco de dados imobiliários Rainmaker Insights.

Os preços do aluguel  dispararam com a recuperação, mas os salários dos trabalhadores melhoraram pouco.

Os salários não acompanharam. Se o faturamento dos negócios no Estado de Nova York subiu 61% entre 2001 e 2013, a renda dos trabalhadores cresceu metade disso e é insuficiente para cobrir a inflação, segundo o Instituto de Política Fiscal. Entre 2009 e 2012, a renda do 1% da população mais rica do Estado aumentou 32%, enquanto os 99% restantes mal viram seus salários subirem 1%.

Cleotildo Polanco anda em alguma parte dessa salada de estatísticas. Todos os dias, pega o metrô em seu bairro, Queens, para fazer faxina no aeroporto JFK das 22h às 6h. Ganha 10,10 dólares por hora (1.616 dólares por mês), que mal chegam para sobreviver, segundo conta. “Com menos do que isso não só não se pode pagar uma casa como também mal se pode alugar um quartinho”, reclama.

Um dos anúncios do portal Oportunidades de Moradia serve para avaliar esses 1.600 mensais. Quem quiser se candidatar a uma kitchinette no Bronx que custa 867 dólares por mês, construída em um programa voltado à população de “baixa renda”, é preciso comprovar um salário anual entre 31.098 e 36.300 dólares.

Polanco, de 62 anos, paga 650 dólares por um quarto em um apartamento que ele divide com outras pessoas. Acrescenta ainda 100 dólares por mês em despesas como seguro saúde, eletricidade, telefone... “Pedimos um aumento para chegarmos aos 15 dólares por hora, o que é uma demanda justa”, afirma.

A chamada “gentrificação” está expulsando as famílias de trabalhadores para cada vez mais longe.

Na Espanha, quando se aborda a questão da desigualdade social, costuma-se dizer que com mais crescimento e empregos o abismo diminuirá. Mas os Estados Unidos alteram esse conceito. A capital das finanças, da moda, da cultura e do turismo não é capaz de resolver esse bolsão de pobreza. “É preciso desvincular o auge da desigualdade com o crescimento e fortalecer o poder de negociação dos trabalhadores, senão teremos trabalhadores pobres”, destaca Héctor Figueroa, presidente do sindicato do setor de serviços SEIU 32BJ. A campanha pelos 15 dólares a hora ganhou força em cidades como Los Angeles e Nova York, e avança no setor público.

“A população da cidade continuará mais e mais rica, mas se chegarmos a um extremo, onde viverão aqueles que dirigem os táxis, que servem fast-food ou limpam os escritórios? Cada vez terão que se deslocar de mais longe, e chegará o momento em que vão procurar emprego em outra cidade”, adverte Sharon Zukin, professora de Sociologia da City University de Nova York, que estudou a gentrificação, fenômeno pelo qual os bairros desfavorecidos vão se renovando e atraindo habitantes mais abastados que acabam deslocando os moradores originais.

Para se candidatar a uma quitinete no Bronx sob um programa voltado à população de baixa renda, é preciso ganhar entre 31.000 e 36.000 dólares por ano.

É algo que também destaca Bruce Berger, professor de Ciências Políticas da Universidade de Fordham. “Por enquanto, o maior impacto da crescente desigualdade é que a classe média tende a desaparecer, e em algum ponto isso afetará a mão-de-obra. Será mais difícil contratar professores, policiais ou funcionários médios do setor privado, apesar de o mercado imobiliário nos bairros de periferia ainda não ser tão caro que não permita abrigar uma família de classe média”.

Bill de Blasio assumiu a Prefeitura há dois anos com a promessa de acabar com a “história de duas cidades”, parafraseando o romance de Charles Dickens. Foi o primeiro democrata a chegar ao posto depois de 20 anos, e prometeu construir ou preservar 200.000 imóveis a preços acessíveis. Está muito longe disso.

Polanco não planeja voltar para a República Dominicana, sua terra-natal, apesar da vida dura em Nova York. “Quero ficar aqui e lutar para ter condições e uma vida dignas”, afirma.

A cidade recebe levas de estudantes e profissionais que sonham em cavar um espaço nesta que não deixa de ser uma das cidades mais sedutoras do mundo. Os bônus dos bancos batem recordes e os teatros da Broadway continuam apinhados de turistas que também adoram tirar fotografias no metrô — essa rede de trens que os homens de Dickens dividem com os da Wall Street.

No El País
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Contrariando a Folha, de 100 metas de Haddad, apenas 5 falham


Reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda (04) afirma que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, concluirá o mandato sem cumprir promessas. Entretanto, de 100 metas elencadas pela gestão Haddad para os anos de 2013 a 2016, o jornal conseguiu detectar apenas cinco que não foram concluídas. Dessas cinco, duas dependem de parcerias a nível federal e estadual, um dos projetos foi travado pelo Tribunal de Contas e outra meta está em andamento para conclusão ainda este ano. Pelas contas, apenas uma das metas de responsabilidade exclusiva do município pode não ser cumprida, contra as demais 99.

O jornal aborda que a construção de creches é um dos compromissos mais cobrados nos extremos da cidade. Apesar de indicar que o andamento está "muito aquém da meta", o levantamento da Folha se esqueceu de informar que dos 243 Centros de Educação Infantil (CEI), 71 são parcerias com o Governo do Estado de São Paulo e 172 com o Ministério da Educação (MEC). Ainda assim, até agora, foram entregues 34 unidades e outras 57 estão em obras. 

Outro ponto levantado são as 55 mil unidades prometidas do programa Minha Casa, Minha Vida. A falta nesse plano habitacional é de responsabilidade do governo federal. Até o momento, foram concluídas 8.348 unidades, por entes privados com aporte de verba municipal.

Na área de mobilidade, o jornal admite que "houve avanços com a criação de 390 km de faixas exclusivas, mais que o dobro da meta, e ciclovias", mas ressaltou que outra alternativa — os corredores de ônibus — chegou até os 35 km dos 150 km prometidos. Entretanto, dessa vez, os atrasos foram provados pelo Tribunal de Contas, que travou as licitações solicitadas pela prefeitura.

A Folha também apontou que ainda não foram entregues os três hospitais do sistema municipal de saúde anunciados, ampliando para 750 o total de leitos da rede. Entretanto, pelo menos dois deles estão em obras e serão entregues. O terceiro também pode ser concluído antes do fim dessa gestão Haddad.

Por fim, dentro da área de Educação, a reportagem elencou que dos 20 CEUs prometidos, um foi entregue e outros oito ainda serão finalizados em 2016. Entretanto, 11 podem não conseguir atingir a meta. Em resposta à Folha, a assessoria da prefeitura afirmou que a falta de repasses de verba federal, o congelamento da tarifa de ônibus em 2013 e a suspensão por um ano do reajuste do IPTU prejudicaram a conclusão desses anúncios.

De todos os levantamentos do jornal, outras 95 metas do governo do prefeito Fernando Haddad não foram contestadas.

(Leia, abaixo, o Programa de Metas 2013-2016)


Patricia Faermann
No GGN
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As semelhanças entre Eduardo Cunha e um psicopata

O casal Cunha: sem limites
Um homem que:
  • É amoral;
  • Não tem limites;
  • Desconhece o que é empatia: caso veja alguém sangrar vai se preocupar em não sujar a roupa de sangue;
  • Mente compulsivamente;
  • Manipula tudo e todos.
  • Jamais demonstra arrependimento.
Este homem, sabemos bem, é Eduardo Cunha. Mas há um problema: acima está a descrição básica de um psicopata.

Foi uma amiga psiquiatra que me alertou para a extraordinária semelhança entre um psicopata e Eduardo Cunha.

Na verdade, ela foi adiante. “Ele é psicopata.”

Isso quer dizer o seguinte: são consideráveis as chances de a Câmara dos Deputados ser comandada por um psicopata.

Significa também que Janot e Teori prolongaram irresponsavelmente, quase que criminosamente o reinado deste psicopata num lugar de tanto poder como a Câmara. Permitiram a ele, acuado e enraivecido pelo que julgou traição do PT, atirar o Brasil numa crise política brutal ao aceitar um esdrúxulo pedido de impeachment.

Significa, igualmente, que a oposição — comandada por Aécio — elevou ao terceiro posto da República um homem sem condições mentais de dirigir sequer um carrinho de pipoca.

Nestes dias, Cunha mais uma vez mostrou as características básicas de um insano. Escreveu em sua conta no Twitter — repleta de erros grosseiros de português, típicos de um semianalfabeto — que não interfere na TV Câmara.

Isso depois de ter sido escancarado que críticas a ele feitas por outros deputados foram censuradas ali.

Ora, ora, ora.

O diretor da TV Câmara, Cláudio Lessa, é um pau mandado de Cunha. Lessa mantém um blog no qual chegou a sugerir que Dilma cometesse suicídio.

O diretor de comunicação da Câmara, Laerte Rímoli, é outro pau mandado. No Facebook, ele se dedica a insultar copiosamente Dilma e Lula, e a defender abjetamente seu patrão. Rímoli, assessor de imprensa de Aécio na campanha de 2014, chegou ao cúmulo de dizer que as contas secretas de Cunha não eram motivo para seu afastamento.

Rímoli é um elo que une Aécio e Cunha, convém não esquecer.

Com Lessa e Rímoli à frente da TV Câmara, Cunha ousa dizer que não interfere nela. Ele faz mais. Ele tomou a TV Câmara para si e seu sinistro projeto de poder.

Já seria terrível isso em si. Mas o pior é que Cunha sequestrou muito mais que a TV Câmara para si. Pegou a Câmara como um todo. Não fossem os suíços — o mérito de Moro e a PF é zero ou abaixo de zero em seu desmascaramento — Cunha poderia ter roubado o Brasil para ele.

É um traço típico de um psicopata.

Quando a louca cavalgada de Cunha chegar ao fim, o país terá que investigar de quem é a culpa pelo crime de lesa pátria que foi, primeiro, abrir-lhe as portas para o domínio total da Câmara, como fizeram Aécio e cúmplices.

Depois, cobrar de quem, diante de evidências terríveis, o deixou de mãos livres para continuar a fazer o que um psicopata encurralado faz.

Vistas as coisas hoje, é fácil entender o terror de delatores ao falar de Cunha. Eles contaram, olhos arregalados de pânico, as ameaças que receberam. Não apenas contra eles, mas contra sua família.

Eles sabiam do que Cunha, ou um psicopata, era capaz.

Janot e Teori, não.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ranking da Veja dá nota máxima para São Paulo e Paraná em “Educação” e “Segurança”


O estudo divulgado pela revista exalta os dois estados – governados pelos tucanos Geraldo Alckmin e Beto Richa respectivamente – que protagonizaram, em 2015, escândalos ligados à violência e à repressão contra professores e estudantes

Quais estados brasileiros oferecem as melhores condições para fazer negócios? Quem são os administradores públicos capazes de melhorar, de fato, as condições de vida da população? Esse é o questionamento sugerido pela revista Veja, no dia 31 de outubro, ao anunciar o “Ranking de Competitividade dos Estados”.

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O estudo divulgado pelo veículo compara as unidades da Federação em diferentes áreas e traz São Paulo e Paraná — governados pelos tucanos Geraldo Alckmin e Beto Richa respectivamente — no topo da lista. Os dois aparecem nos primeiros lugares em segmentos como Educação e Segurança Pública.

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A revista ressalta que o ranking funciona, para os eleitores, como “uma maneira de aferir a administração pública”. O que chama a atenção é a avaliação positiva de dois estados que protagonizaram, em 2015, escândalos ligados à violência e à repressão contra professores e estudantes.

Em abril, a polícia militar do Paraná deixou centenas de educadores feridos, que manifestavam contra o projeto de lei que alterava as regras do fundo de previdência dos servidores do estado. Em novembro, a PM de São Paulo foi flagrada em inúmeros atos de agressão a adolescentes que protestavam contra a chamada “reorganização escolar” proposta pelo governo, que previa o fechamento de quase cem escolas da rede pública de ensino. Os episódios causaram revolta em todo o país e geraram críticas aos gestores, agora elogiados pela Veja.


Professores, estudantes, Alckmin, Richa e PMs mandam lembranças.



PMs são obrigados a fazer rodízio de coletes em SP

Com prazo de validade vencido, coletes à prova de balas usados por policiais militares de São Paulo não foram repostos. Com isso, os agentes são obrigados a fazer um rodízio do equipamento de proteção para poderem trabalhar.

Só na região de Santo Amaro, na zona sul da capital, pelo menos mil unidades foram recolhidas no começo de dezembro, segundo a denúncia de um oficial ouvido pela Rádio Bandeirantes.

"A gente está sempre falando: [o prazo de validade do colete] está para vencer daqui a seis meses, dois meses. Foi indo, foi indo e aconteceu que venceu, e nós estamos fazendo um revezamento", conta o policial, que não quis se identificar.

Segundo o oficial, o problema é ainda mais grave, porque os coletes que estão sendo usados estavam guardados há cerca de um ano, após apresentarem defeito nas placas de proteção balística, que estavam "esfarelando".

"A gente está de colete , mas não sabe se protege ou não", afirma. "O cara sai do serviço, deixa lá e a gente assume, pega o colete suado. Tudo, por causa da falta de organização da polícia com seus materiais."

O problema com o número de equipamentos também significa que se for necessário colocar um efetivo maior na rua, por causa de alguma operação especial, não haverá coletes para todos os PMs.

Os policiais estão fazendo o rodízio desde o dia 12 de dezembro, mas não devem receber outros lotes com equipamentos de proteção em breve. Segundo a previsão passada aos policiais pelos comando da Polícia Militar, os novos coletes à prova de balas só devem chegar em fevereiro.

No Band
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Youssef nega propina a Randolfe e STF arquiva investigação contra senador

Randolfe
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki determinou o arquivamento da investigação contra o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) após o doleiro Alberto Youssef afirmar que não conhece o parlamentar.

O senador foi acusado pelo delator na Lava Jato Carlos Alexandre de Souza Rocha, que atuava como transportador de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef, de ter recebido propina.

Teori seguiu entendimento da PGR (Procuradoria-Geral da República), que havia opinado pelo arquivamento, depois de uma contradição entre o depoimento dos delatores.

Rocha disse aos investigadores da Operação Lava Jato que ouviu comentário do doleiro de que Randolfe recebeu R$ 200 mil de propina. PGR, porém, reinquiriu Youssef sobre o caso, e o doleiro negou ter tido esse diálogo.

A decisão de Teori pelo arquivamento é de 9 de dezembro do ano passado, antes mesmo de terem sido tornados públicos os depoimentos de Ceará e antes do recesso do Judiciário.

"Procurou-se obter esclarecimentos sobre a situação perante Alberto Youssef, que também celebrou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. O doleiro, que teria efetuado o repasse de valores ilícitos ao parlamentar e haveria sido a fonte da informação fornecida por Carlos Alexandre de Souza Rocha, negou ambos os fatos", escreveu a PGR.

Youssef declarou aos investigadores que nunca teve a conversa relatada e que nem conhece Randolfe.

"Nunca entregou dinheiro a Randolfe Rodrigues; que nunca falou sobre a entrega de valores a Randolfe Rodrigues para Ceará ou para qualquer outra pessoa", diz trecho de seu depoimento, transcrito na decisão de Teori.

"Os elementos indiciários colhidos até o momento não são suficientes para indicar de modo concreto e objetivo a materialidade e a autoria delitivas", escreveu o ministro Teori, em sua decisão.

Quando foi divulgado o depoimento de Ceará, o senador Randolfe declarou que "alguns porcos querem levar todos para o chiqueiro deles, mas eu estou fora dessa lama".

Ceará também citou pagamentos a outros políticos, como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que negam terem recebido dinheiro. Não há informações se foram abertos inquéritos para investigar esses fatos.

'Dano gravíssimo'

O senador Randolfe afirmou que, após a revelação do depoimento de Rocha no último dia 30, teve "o pior final de ano" de sua vida.

"Ele [Rocha] me causou um dano gravíssimo", declarou o senador, que disse avaliar processar o delator pelas acusações que lhe fez e levantou a hipótese de a citação a seu nome ter sido "plantada".

Randolfe, porém, não fez críticas à Operação Lava Jato. "Saio desse episódio com a convicção de apoiar mais ainda as investigações, mas que é necessário ter cuidado com as inverdades", disse. "Em vez de desqualificarem a operação, os citados deveriam se dedicar a provar sua inocência", afirmou.

O senador interrompeu seu recesso nesta semana para ir a Brasília obter informações da investigação e se pronunciar à imprensa.

Aguirre Talento
No fAlha
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A entrevista de FHC no Manhattan Connection (assista aos Melhores Momentos)


MANHATTAN CONNECTION - Um show de imbecilidades! Ao entrevistar o ex-Presidente FHC, Lucas Mendes, completamente gagá, inventou um "quiz" onde perguntaram ao FHC sobre as hemorróidas de Napoleão, sobre o segredo dele no jogo de pôquer, perguntas sem qualquer propósito ou sentido em um programa de entrevistas, coisas sem pé nem cabeça.

Depois o Mainardi, de peruca preta sobre costeletas brancas, entrou falando o que ele acha que vai acontecer em seus delírios venezianos, tudo meio histriônico: vão prender o Lula e extinguir o PT.

Como FHC se presta a ser entrevistado nesse circo de debilóides? Havia espaço para perguntas mais pertinentes mas os caras vem com "quiz" de três palpites para acertar. A propósito de que? FHC disse que não tinha nada a dizer sobre as hemorróidas de Napoleão, não era especialista.

Sobra como mais normal o Pedro Andrade com suas dicas de restaurante.

O programa precisa se definir se é sério ou se é cômico. Fica mal para a Globonews empinar um programa desses desde NY com tanta palhaçada.



André Araújo
No GGN
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Manual do perfeito midiota - Parte 3

A mídia tradicional, na qual você acredita religiosamente, não está a serviço da classe média tradicional, aquela casta que antigamente era chamada de burguesia.

O ano está terminando e você certamente está odiando não poder jantar naquele restaurante em Nova York onde um lugar à mesa não sai por menos de 300 dólares.

Você leu na imprensa brasileira que esse é o melhor programa para comemorar a passagem do ano. Mas não vai dar, não é? E a culpa, claro, é daqueles que fizeram disparar o dólar e elevaram os juros, de modo que, por mais que tenha ralado para cumprir as metas, o custo desse sonho é muito alto.

Isso faz com que você odeie ainda mais esses comunistas que afundaram o Brasil, não é mesmo? Porque você está convencido, pela leitura dos jornais e da maioria das revistas de informação, de que o Brasil afundou.

Mas não era essa mesma imprensa que pedia incessantemente, desde 2013, que os juros fossem elevados para melhorar o desempenho do mercado de ações e que o câmbio pudesse flutuar livremente ao sabor do mercado?

Você não recebia os boletins daquela corretora cuja economista-chefe pontificava quase diariamente no rádio, na TV e em colunas de jornais, exigindo a mudança do modelo econômico?

Ela anda meio sumida, e provavelmente vai estar naquele restaurante que você queria conhecer. Gastando o bônus que ganhou ao apostar contra o Brasil.

Irônico, não é?

Pois é assim que funciona: a mídia tradicional manipula seus sonhos de consumo e ao mesmo tempo faz você acreditar que, se eles ficam fora do seu alcance, a culpa não é sua. É do governo.

Parece meio esquizofrênico?

É pura esquizofrenia: ao mesmo tempo em que prega a precedência do interesse privado sobre a ideia de nação, a imprensa hegemônica vende o paraíso da individualidade, fazendo você acreditar que pertence a uma casta que merece tudo.

Você quer estar naquele bar que a revista Veja listou entre os melhores da cidade, mas detesta aglomerações?

É o mesmo mecanismo mental que faz você adorar a chegada de novidades ao mercado nacional, mas ao mesmo tempo odeia que outras pessoas tenham acesso a esses bens e serviços. Ninguém contou que isso só é possível porque o mercado nacional se ampliou, se diversificou e alcançou escala suficiente para oferecer essas novidades.

Agora que algumas turbulências complicam um pouco mais sua vida, a culpa é do Estado e de seu gestor, o governo.

Sinto muito, mas não dá para encarar essas contradições sem deslocar você da zona de conforto proporcionada pela condição de midiota.

A mídia tradicional, na qual você acredita religiosamente, não está a serviço da classe média tradicional, aquela casta que antigamente era chamada de burguesia. Ela usa a burguesia para atender aos interesses de uma minoria que fica um pouco acima no andaime social. Como sempre, o cidadão comum funciona como massa de manobra, porque o sistema da mídia o faz suspirar pelo andar de cima e desprezar seus próprios pares.

Parece pouco democrático? Na verdade, como lembra o crítico de mídia Jeff Cohen, a imprensa deveria atuar como o sistema nervoso de uma democracia. Quando ela é dominada por atores que não estão preocupados com essa questão essencial, a democracia deixa de funcionar.

O modelo mais escrachado dessa imprensa inimiga da democracia é o império do australiano Rupert Murdoch. Há vinte anos, os principais grupos de comunicação da América Latina denunciavam Murdoch como um aventureiro que ameaçava a liberdade de imprensa. Hoje, o modelo Murdoch é praticado por nove entre dez dos veículos de maior audiência em todo o continente.

Você é refém desse sistema.

Para preservar a condição de midiota, que defende sua cabecinha da angústia de pensar, convém desenvolver a síndrome de Estocolmo, ou seja, é preciso amar quem sequestrou a sua mente.

Por exemplo, se você assistiu aquela cena em que meia dúzia de insensatos interpela na rua o cantor Chico Buarque e sentiu um pouco de vergonha alheia, cuidado: sua consciência está traindo seus interesses.

Mas se você imagina que, se estivesse lá, teria aderido ao coro da grosseria, fique tranquilo: você está próximo de alcançar a condição do perfeito midiota.

Para ver: Outfoxed – documentário completo.

Luciano Martins Costa, Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”

Leia também: Manual do perfeito midiota - Parte 1; Manual do perfeito midiota - Parte 2; Manual do perfeito midiota - Parte 4
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A torcida por um 2016 melhor


2016 começa sob o signo da esperança — como todo ano, aliás. Há alguns fatos novos no ar, depois dos problemas enormes que o país enfrentou em 2015.

O primeiro é a vontade geral de que os problemas políticos sejam superados e a economia volte a se recuperar. Em cima dessa expectativa, há uma reavaliação ampla da atuação de vários personagens públicos.

A estabilização da economia tornou-se matéria de interesse nacional. Não adianta se apelar para esse jogo malicioso de dividir a estabilização entre governistas e oposicionistas. Em determinado momento, ganhou corpo a ideia de que a saída de Dilma Rousseff atendia mais ao interesse nacional.

Agora, a situação é outra. A bandeira do impeachment murchou e qualquer tentativa de prorrogar essa novela passa a ir contra o interesse nacional e a vestir a carapuça do golpismo.

Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Aécio Neves entram definitivamente para o duvidoso panteão dos personagens políticos nefastos, ao lado de Eduardo Cunha, daqueles que colocam interesses pessoais ou políticos, idiossincrasias e oportunismos acima do interesse nacional.

Perderam a capacidade de derrubar governos, mas mantem o poder de continuar atazanando o país.

* * *

O grande desafio será, agora, na esfera político-econômica. E está nas mãos do Ministro da Fazenda Nelson Barbosa.

Nelson tem mais realismo do que as excentricidades desenvolvimentistas de Guido Mantega ou a mentalidade de contador de Joaquim Levy. Sabe que o principal desafio econômico será interromper a queda da atividade econômica. Por outro lado, tem claro os limites fiscais.

Para reativar a economia, precisará de boa dose de imaginação para articular instrumentos legais que não impliquem em mais custos fiscais. Por outro lado, tem a necessidade de impor segurança ao mercado, sim. E segurança não consiste em adotar medidas heroicas pró-cíclicas. Medidas heroicas são para enganar o freguês e permitir a economistas de jornal jogar para a plateia. Segurança consiste em apresentar um plano factível, lógico, que acene com o equilíbrio fiscal no médio prazo. E equilíbrio fiscal significa recuperar as receitas fiscais através da melhoria da atividade econômica.

* * *

O grande desafio de Nelson será equilibrar-se ante as demandas dos movimentos sociais e sindicatos e as do mercado. Em geral, Ministro que entra tem a fase de carência, de pelo menos seis meses para mostrar a que veio.

Por conta da crise a agenda ficou mais estreita. Mas seria importante que as forças mais à esquerda entendessem as limitações da política econômica e desse um sinal verde para o Ministro.

A recuperação da economia não pode depender dos esforços únicos de um Ministro, mas de uma ação de governo, agitando todos os Ministérios em torno de metas claras e factíveis de crescimento.

É papel que cabe à Presidente da República.

Luís Nassif
No GGN
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Os acordos de leniência e a soberania do Brasil


O governo federal editou no dia 18.12.15, medida provisória visando acelerar acordos de leniência com empresas investigadas em casos de corrupção. O acordo de leniência possibilita que uma empresa envolvida em algum tipo de ilegalidade, se aceitar denunciar o esquema e auxiliar à polícia na investigação, poderá receber em troca benefícios como redução da pena, isenção de pagamento de multas e outros. O Projeto de Lei de Leniência, já foi aprovado no Senado (a MP tem conteúdo muito parecido) e já estava pronto para ser aprovado na Câmara, não fosse o início do recesso do Congresso Nacional.

A medida é importante para o processo de recuperação da economia, permitindo resgatar empresas impactadas pelas denúncias da Operação Lava Jato. Ela atende um dos temas da pauta do Pacote pelo Desenvolvimento que as centrais sindicais entregaram ao governo em 15 de dezembro, para a retomada do crescimento e a preservação/retomada dos empregos. Possivelmente, a maior vantagem da Medida Provisória anunciada será possibilitar a punição de agentes públicos e privados envolvidos em corrupção, mas sem paralisar a produção e provocar demissões. Não tem sentido punir justamente quem produz riqueza e nada tem a ver com falcatruas, como é o caso dos quase 90 mil empregados diretos da Petrobrás e todos os trabalhadores do setor de petróleo e gás no Brasil, que responde por 13% do PIB. A Medida irá, portanto, possibilitar o destravamento do setor de petróleo e gás, duramente afetado pela Operação Lava Jato.

Os membros da Operação (Ministério Público, Polícia Federal, etc.) em nenhum momento demonstraram a preocupação de preservar empresas e empregos, como se estes fossem assuntos de menor relevância. Desde o seu início a Operação Lava Jato adotou a postura de “estrito cumprimento da lei”, sem nenhuma preocupação com os empregos e a continuidade das empresas. Em qualquer país o agente público minimamente responsável tem que procurar punir os responsáveis pelas falcatruas, mas sempre procurando preservar os empregos e as empresas. Especialmente por se tratar da maior empresa da América Latina, e da maior companhia de petróleo do mundo (entre as de capital aberto). Estranhamente, aliás, o Ministério Público Federal, solicitou ajuda nas investigações à autoridades americanas, o que não é comum, dado o conflito de interesses e o conhecido fato de os EUA sediarem as principais concorrentes da Petrobrás. Imaginem se ocorresse o contrário?

Com os ataques à Empresa na esteira da Lava Jato, e considerando o peso que tem a Petrobrás no investimento brasileiro, a taxa de investimento no país (formação bruta de capital fixo) despencou, com provável queda de 15% em 2015. Tal desempenho foi puxado pela desaceleração da Petrobrás, e pela redução das atividades das empresas fornecedoras de serviços, as principais empreiteiras do país (são 29 investigadas na Operação Lava Jato). Não é pouca coisa. Estamos tratando simplesmente de uma das maiores empregadoras e da maior pagadora de salários do país, além de âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial. A perda de empregos qualificados no entorno da Petrobrás, que ocorreu ao longo deste ano, com a paralisação de parte das atividades, interessa fundamentalmente àqueles que querem mandar o Brasil de volta a uma condição subalterna e colonial.

A queda recorde do preço do petróleo, que bateu nos US$ 37 recentemente, deixou os que combatem diuturnamente qualquer projeto de soberania e desenvolvimento nacional (no qual a estatal ocupa papel estratégico), bastante eufóricos. As conhecidas falas se repetiram: “com as cotações atuais, não há mais interesse no pré-sal brasileiro”. “Petrobrás não tem cumprir a Lei de Partilha, mantendo 30% obrigatórios do investimento de todos os consórcios”, “não tem como ser a operadora única de todos os poços do pré-sal” “empresa está quebrada por causa da corrupção”; o custo de produção do pré-sal inviabiliza a exploração do pré-sal com o Barril nos preços atuais” e assim por diante.

Os problemas decorrentes da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras, como alguns supõem, e afetam igualmente todas as suas principais concorrentes. A queda do preço é resultado principalmente da decisão tomada pela Arábia Saudita, de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta do produto no mercado mundial, mesmo com a redução do nível de atividade. A queda de preços tem levado, inclusive, a uma onda de demissões nos Estados Unidos, no setor de petróleo.

Não há novidades neste debate. A Petrobrás é combatida desde a sua fundação, em 1953. O que está em jogo, desde sempre, é o controle nacional sobre os recursos naturais de uma forma geral, mas especialmente sobre o petróleo. A Petrobras sozinha foi responsável por mais de 10% de todo o investimento brasileiro neste ano e garante 92% do petróleo brasileiro disponível e 95% do gás são produzidos nos seus poços. Um dos argumentos recorrentes dos que defendem entregar o pré-sal é que aos atuais do petróleo, a extração do pré-sal ficaria comercialmente inviável. É mais uma enganação. Segundo a diretora da Petrobrás, Solange Guedes, em palestra ministrada em 2015 em Houston, para as multinacionais de petróleo, o custo de produção do pré-sal é de US$ 9. É um dos menores custos de produção no mundo, obtido graças à alta escala e produtividade típicas dos poços do pré-sal. [1]

Ao mesmo tempo que tem brasileiro, movido pela ignorância, destilando desprezo e ódio contra a empresa, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, procurando fazer parcerias e aprender com a Petrobrás sobre exploração de óleo e gás em águas profundas, na qual a empresa detém a mais sofisticada tecnologia. É que estas empresas sabem que, entre 2005 e 2014, os dois países que mais aumentaram a produção foram Estados Unidos e Brasil, com respectivamente, 15,65% e 11% de expansão. No caso dos EUA o que explica o aumento da produção é o óleo de xisto, que expandiu significativamente e que colocou em outro patamar, pelo menos por hora, a conjuntura da guerra do petróleo ao nível internacional.

O aumento da produção no Brasil se deve ao pré-sal, que superou recordes sucessivos desde 2014. A província do pré-sal apresenta um ritmo de expansão da produção que simplesmente é único na história mundial do petróleo, no que se refere ao prazo entre descoberta e disponibilização da produção. Uma produção superior a um milhão barris por dia foi alcançada apenas nove anos após a primeira descoberta de petróleo no pré-sal, em 2006, resultado espantoso, se considerarmos que para se atingir produção de óleo de 800 mil barris por dia no Brasil, antes do pré-sal, foram precisos 40 anos e a operação de 6.374 poços. A produção de petróleo fora do pré-sal está estagnada e só não é declinante porque a Petrobras tem desenvolvido programas de otimização dos poços do pós-sal. Ao contrário do pré-sal, onde entraram em produção pouco mais de 5% dos poços perfurados na plataforma continental, e a produção bate recorrentes recordes.

[1] O custo de extração de óleo da Petrobras no fim do terceiro trimestre de 2015 chegou a US$ 16,92 o barril, considerando o conjunto da produção. O custo representa uma queda de notáveis 46% na comparação com o custo de extração do mesmo intervalo de 2014, de US$ 31,37.

Jose Álvaro de Lima Cardoso, Economista e supervisor técnico do DIEESE em Santa Catarina.
No Desacato
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O rapaz da Folha descobriu o mal dos juros altos


O secretário de Redação da Folha, Vinicius Mota, publica hoje artigo — “Uma mãe para os ricos” — com o qual se candidata a Prêmio Nobel de Economia, publicando coisas até agora desconhecidas, como o fato de  que “o Tesouro Nacional está tomando dinheiro na praça com a promessa firme de pagar juros fabulosos, e por períodos longos, aos emprestadores”.

Uau! Vocês sabiam desta novidade? Não?  Fiquem sabendo, porque o rapaz descobriu uma mina de ouro:

“Que tal quase duas décadas com remuneração de 6% ao ano acima da inflação, já abatidos impostos e taxas? O patrimônio real vai triplicar. Quem emprestar R$ 1 milhão ao governo terá de volta, ao final do período, seu dinheiro corrigido pelo IPCA e mais R$ 100 mil por ano, em média.”

“Bora” aí, gente. Sei que ninguém tem R$ 1 milhão guardado, mas a gente pode fazer um “bolão”, quem sabe aí de vinte cotas de R$ 50 mil, porque a gente vai receber, cada um, R$ 5 mil de renda, além da inflação.

As análises simplórias da economia só se explicam pelos objetivos políticos que elas contém.

Com todo o respeito, não vejo razão para os argumentos de Mota não serem reproduzidos num jornal do PSTU.

“O Tesouro de Mamãe Rousseff fecha esse negócio da China, ou do Brasil, todos os dias. Não o faz por boniteza, mas por necessidade, derivada da voraz expansão estatal nos últimos seis anos.

Mamãe, entretanto, é apenas intermediária passageira nessa relação perpétua entre devedores e credores. Os empréstimos constituem obrigações intertemporais do mais amplo conjunto da população, que paga os impostos, com uma parcela menor e mais rica de poupadores.”

Não me recordo de que o rapaz tenha escrito “Papai FH”, ou “Vovô Sarney”, ou “Tio Itamar” ou ainda o “Primo Collor” terem feito isto, em escala muitíssimo maior.

Nem que o Brasil tivesse pago juros altos por uma “voraz expansão estatal” quando o Estado brasileiro estava sendo desmantelado, com privatizações a rodo, vendendo a Vale, as elétricas, a telefonia, os bancos públicos e parte importante das ações da Petrobras?

Mas, engraçado, quando isso ocorreu, a dívida pública do Brasil — aquela que Mota chama que “constituem obrigações intertemporais do mais amplo conjunto da população, que paga os impostos, com uma parcela menor e mais rica de poupadores” — cresceu de forma explosiva. Dobrou no período FHC, em relação ao PIB.

Culpe-se Dilma por não ter rompido esta situação, em que o capital exige do Estado que o remunere assim, à custa do povo, mas não porque ela não  tenha tentado e estejam aí boa parte das raízes do “fracasso econômico” que se lhe atribui.

Pois basta que Mota consulte o site de empresa em que trabalha, em 2012,  e na qual dá seus palpites econômicos:

Depois de ser, durante anos, o campeão dos juros reais entre as principais economias do mundo, o Brasil caiu agora para a quinta posição nesse ranking, com taxa de 1,8%. Os dados foram levantados pelo analista econômico da Cruzeiro do Sul Corretora / Apregoa.com, Jason Vieira.

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) que a Selic (taxa báxica de juros nominais) foi reduzida 0,5 ponto percentual, de 8% para 7,5%. A diferença entre 7,5% e 1,8% ocorre porque os juros reais descontam a inflação projetada para os próximos 12 meses.

O colunista da Folha, que sei ser atento leitor de Keynes, deveria entender que é a política de crise, na qual ele colabora na Folha, que dá amparo a esta chantagem do capital sobre o Estado, que venceu a queda de braço ensaiada por Dilma em seu primeiro mandato, forçando o rebaixamento dos juros.

Ele tem toda a razão em apontar que os juros são as tetas por onde o capital suga, como um vampiro, as receitas públicas e, com isso, torna ralo o sangue com que elas podem sustentar os serviços para a população e os investimentos públicos necessários ao desenvolvimento.

Mas quando culpa as tetas e não os dentes pelo vampirismo, perde toda a razão que pudesse ter e joga ao lado do rentismo, que não lhe merece uma condenação.

Porque, assim, vai se reunir ao coro dos que acham que o Estado gasta demais em subsídios aos pobres e à atividade econômica e “esquece”  das pressões que lhe fazem pagar quase metade do Orçamento em juros.

Mais ou menos igual à nossa oposição, que sacode os patos da Fiesp, mas que, no poder, tornou os juros um cisne resplandescente.

Ou será que o colunista acha que, caindo a “Mamãe Dilma”, quem  vai ao governo é o PSTU?

Fernando Brito
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Tribunal libera cinco repressores da ditadura na Argentina


No dia 23 de dezembro, o Tribunal Oral Federal da Argentina ordenou a soltura de Luis Lucero, Miguel Ochoa, Oscar "Miseria" López, Jorge Quinteros e Orlando Pérez, argumentando que venceram os prazos das prisões preventivas.
Detalhe: os acusados no inquérito Sbzona 14 II são 18 pessoas, dos quais alguns já gozavam de prisão domiciliar.
Com a decisão, ficam em liberdade o resto dos processados, exceção ao ex-chefe da Polícia Provincial, Luis Beraldini, já que ele havia escapado das autoridades e isso impediria a obtenção da liberdade.
Os réus que haviam sido condenados no primeiro julgamento contra os torturadores, continuam presos cumprindo suas penas. O tribunal informou que os liberados têm regras a seguir.
O que aconteceu na Subzona 14 II: as vítmas eram detidas por agentes militares e policiais que respondiam ao Comando da Subzona do Exército, e transferidas à Seccional 1 da Polícia Provincial, onde eram submetidas a interrogatórios mediante ameaças verbais, físicas e torturas. Ocorreu durente o período do terrorismo de Estado e da ditadura militar que se instalou em 1976 na Argentina. É a tragédia que mostra a página mais tétrica da Argentina.
Os réus são acusados de "crimes de privação ilegal da liberdade agravada, violência e ameaças por mediar, repetidamente, em concorrência com o delito de aplicação de tortura".
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Procurador candidato a ditador

Eles pensam que estão na Sierra Maestra e... taca-lhe pau!


O Procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima é aquele que foi horizontal no Banestado e decidiu ser “vertical” na Lava Jato, depois que o Ministro Teori cortou as asas da turma do ”não vem ao caso”.

“Não vem ao caso”, porque o pessoal não ousa chegar perto de tucano, porque, “não vem ao caso”…

Aecím, portanto, aquele do Miranda - “quem é essa pessoa? Aécio Neves” - não corre nenhum risco.

É mais fácil a Madre Superiora ir presa do que o Aecím.

O Procurador Lima supervisiona, em Curitiba, um grupo de doze investigadores coordenados pelo também Procurador Deltan Dallagnol, aquele que tem o wi-fi de Deus.

Por sua vez, o Dr Janot — que será desmoralizado pelo PSDB, como foi o Dr Moro — escalou treze procuradores na Procuradoria Geral da República para trabalhar na Lava Jato.

E o Aecím, nada!

Essa é a turma que está indignada com o acordo de leniência da Dilma.

Porque, além de prender o Lula, a tarefa deles é quebrar a Petrobras e a engenharia pesada do Brasil, uma das melhores do mundo.

(Nada seria mais conveniente ao “interesse nacional” americano.)

O Procurador Santos Lima concedeu suculenta entrevista ao PiG cheiroso, em que diz algumas barbaridades, que só ficam impunes porque na PGR do Dr Janot o De Grandis é um santinho:
— “Querem salvar (sic) essas empreiteiras? Então, que suas ações sejam desapropriadas (sic) e que os valores devidos aos acionistas sejam bloqueados (sic) para o ressarcimento completo do prejuízo que esses mesmos acionistas causaram, direta e dolosamente, ao patrimônio público. Depois, pouco a pouco (sic) essas ações podem ser democraticamente vendidas com retorno dos valores ao governo federal.”

— “a pretensão do Governo… é apenas e exclusivamente (sic) salvar o capital dos estimados financiadores das caríssimas campanhas eleitorais”.
Ou seja, a leniência da Dilma é para o Governo continuar a roubar!

Simples assim!

E sobre o mestre em “Mercado de Capitais”, de dar inveja ao Dr Carvalhosa?

O Dr Santos Lima quer desapropriar as ações.

É um Putin!

Fazer o que o Fidel fez quando entrou em Havana!

Sim, porque o Dr Santos Lima deve achar que a Vara de Guantánamo se transformou na Sierra Maestra!

Chega lá na Odebrecht e taca-lhe o pau: desapropria.

E depois que a empresa estiver morta, exangue, no chão, o "jênio" vai lá, pouco a pouco, e vende as ações na Bolsa !

Para “retornar os valores (inexistentes - PHA) ao Governo Federal”.

Um "jênio"!

Na verdade, não passa de um candidato ditador!

Paulo Henrique Amorim
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