2 de jan de 2016

Leandro Karnal — Provocações sobre ética

 Imperdível 



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Papa exorciza a 'Folha'; Dilma abençoa!


Em cerimônia no Vaticano na virada do ano, o papa Francisco novamente excomungou a chamada grande imprensa. Segundo relato de Philip Pullella, da Reuters, "os meios de comunicação precisam abrir mais espaço para histórias inspiradoras e positivas para contrabalançar a preponderância do mal, da violência e ódio no mundo, disse o papa nesta quinta-feira (31)... Em sua breve homília, Francisco disse que o ano encerrado foi marcado por muitas tragédias... Mas ele disse que também houve 'muitos grandes gestos de bondade' para ajudar os necessitados 'mesmo que eles não apareçam em programas noticiosos da televisão (porque) as coisas boas não fazem notícia'. Será que o papa tem acompanhado a mídia brasileira, hoje dominada por urubólogos da pior espécie?

Um dia após sua homília, a Folha de S.Paulo estampou na capa mais uma manchete terrorista: "Brasil pode perder até 2,2 milhões de vagas formais neste ano". A matéria se baseou nas previsões dos tais "analistas de mercado" — nome fictício dos porta-vozes dos abutres rentistas. Não se trata de notícia, de informação objetiva, mas de torcida — "pode", "tende", "tudo indica" e outras apostas. Na mesma edição, a famiglia Frias ainda publicou um editorial deprimente, intitulado "Poucas esperanças". Totalmente engajada na cavalgada golpista contra Dilma, a Folha faz profecias: "Pelo menos no que diz respeito à economia, o ano que ora começa carrega poucas esperanças de renovação. A crise de 2015, infelizmente, continuará presente em 2016". Haja urubólogos!

Essa visão pessimista e apocalíptica — na qual "as coisas boas não fazem notícia", conforme advertiu o papa Francisco —, não se dá por mera casualidade ou apenas por desejo de vender mais jornais ou obter maiores audiências. Ela tem objetivos políticos — desgastar o "lulopetismo" — e econômicos. O editorial da famiglia Frias é explícito. Ele lamenta a queda do ex-ministro Joaquim Levy, o homem do ajuste fiscal, que fez uma "inflexão, ainda que caótica, na política econômica", e critica as recentes sinalizações do novo ministro, Nelson Barbosa, no rumo do crescimento. "Dilma, com a sua notória incompetência política e administrativa, alimenta incertezas e não encampa as reformas necessárias". 

Leitor crítico ou midiota?

Na semana retrasada, o jornal dos Frias divulgou mais uma daquelas pesquisas feitas sob encomenda ao Datafolha para se autopromover. Segundo a enquete, "os leitores da Folha são mais críticos que a população como um todo em relação ao desempenho da presidente Dilma Rousseff. Enquanto 65% dos brasileiros desaprovam o governo da petista, 74% das pessoas que leem o jornal o classificam como ruim ou péssimo... A cobertura do jornal em relação ao governo Dilma é aprovada por 76%, seis pontos a mais que o apurado na pesquisa anterior, de setembro. Variou positivamente também, de 64% para 68%, o percentual de leitores que classificam a cobertura como 'crítica na medida certa'.

Como dizia o escritor Balzac, quem se jacta muito dos seus feitos é porque poucos feitos têm para se jactar. A pesquisa serve apenas para provar como os leitores da Folha são diariamente manipulados, tornando-se autênticos midiotas. O jornalista Perseu Abramo já ensinou que os modernos padrões de manipulação, mais refinados, não se restringem a mentir por motivação política e econômica. Estas técnicas realçam o que interessa aos donos da mídia — "Brasil pode perder até 2,2 milhões de vagas" — e omitem o que não interessa. Ou, citando novamente o papa Francisco, coisas boas não são notícia. 

Por estes crimes, a Folha bem que poderia ser excomungada pelo Papa. Mas há, porém, quem ainda dê credibilidade a estes veículos. Neste sábado (2), a presidenta Dilma Rousseff, maior vítima destas distorções na atualidade, publicou um artigo na Folha. Ou seja: preferiu abençoa-la. Lamentável!

* * *

Em tempo: Em novembro passado, um jagunço deste jornal, no auge do seu puxassaquismo, detonou o Ministério da Cultura por ele ter destinado uma merreca de recursos públicos para apoiar iniciativas de mídia livre, sem fins lucrativos. Para o "calunista", o governo estaria desperdiçando recursos com o que ele rotulou de "mídia engajada". A Folha, segundo a visão deste serviçal, seria a expressão do jornalismo livre, independente, neutro, perfeito! Ela é quem deveria continuar recebendo milhões em anúncios publicitários do governo federal e das estatais. Será que a presidenta Dilma acredita nesta balela? O papa Francisco, pelo jeito, não bota muita fé nesta badalada independência da mídia!

Altamiro Borges

Leia também: Aos Frias, com carinhoA polêmica em torno do artigo que Dilma escreveu para a Folha
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E mataram um menino kaigang... (1492 - A Conquista do Paraíso)

Artesanato Kaigang - Foto: Professora Maria Ester
O primeiro originário dessas terras a perceber que os homens brancos e barbudos que chegavam pelo mar, naquele distante 1492, não eram "flor que se cheirasse" foi  Hatuey, um jovem cacique da etnia Taíno, que vivia onde hoje está a República Dominicana, lugar onde desembarcou o grupo de Cristóvão Colombo. Bastaram alguns encontros para que ele percebesse que a cobiça e a violência eram tudo o que eles traziam. Foi então que decidiu dar combate aos espanhóis, mesmo em desvantagem no quesito armas. Percebeu aí que sozinho não poderia vencer e decidiu ir remando até a ilha próxima, onde hoje fica Cuba, para avisar aos demais povos da região sobre as atrocidades  que o grupo estava cometendo e preparar a resistência. Junto a um baú com ouro e joias, ele falou aos parentes: 

"Este é o Deus que os espanhóis adoram. Por isso eles lutam e matam, por isso eles nos perseguem e por isso é que temos de atirá-los ao mar. Nos dizem, esses tiranos, que adoram um deus de paz e igualdade, mas usurpam nossas terras e nos fazem de escravos. Eles falam de uma alma imortal e de recompensas e castigos eternos, mas roubam nossos pertences, seduzem nossas mulheres, violam nossas filhas. Incapazes de nos igualar em valor, esses covardes se cobrem com ferro que nossas armas não podem romper".

Hatuey liderou muitas batalhas, mas acabou sendo capturado. Sofreu horríveis torturas foi condenado a morrer na fogueira. Contam que um padre, de nome Olmedo, ainda tentou convertê-lo na hora final. E Hatuey encontrou forças para perguntar:

— Os espanhóis também vão para o céu dos cristãos? 
— Sim, claro - disse Olmedo.
— Então eu não quero o céu. Quero o inferno. Porque lá não estarão e lá não verei tão cruel gente. 

Nesse final do ano de 2015, um pequeno garoto da etnia Kaigang encontrou com Hatuey em alguma terra sem males, bem longe da presença de gente tão cruel. O menino indígena, de nome Vitor Pinto, e com apenas dois anos de idade, foi degolado no colo da mãe, enquanto mamava. Um homem acercou-se, fez um carinho no rosto de Vitor e quando ele ergue os olhinhos para ver quem lhe afagava, recebeu o golpe fata. Um faca, ou um estilete, ainda não se sabe, lhe rasgou a garganta. A mãe, em choque, correu em busca de ajuda enquanto o homem saiu tranquilo para longe dali.

Na temporada de férias, é bastante comum que famílias indígenas se movam até o litoral para melhor vender seus artesanatos. E foi o que fez a família de Vítor, saindo de Chapecó, no oeste de Santa Catarina, indo para Imbituba, no litoral. Lá, obviamente sem condições de pagar uma hospedagem, eles tiveram de improvisar e encontrar algum lugar razoavelmente seguro para dormir. O melhor espaço foi o da rodoviária, onde havia movimento e, por isso mesmo, segurança. Jamais poderiam supor que alguém, de maneira tão deliberada, pudesse fazer o que foi feito.

Três dias depois do assassinato foram divulgadas as imagens capturadas por algum dessas câmeras de rua e nelas se vê o rapaz se aproximando, normal, como se fosse conversar. Foi tudo muito rápido. A mulher estava sentada no chão, com o filho no colo. Ele chegou, abaixou-se, moveu a mão, primeiro no carinho, depois no golpe, e saiu. Tudo depois é perplexidade e dor. 




Um garotinho indígena degolado enquanto se alimentava. Uma cena de arrepiar. A mesma velha cena de mais de 500 anos, repetida e repetida, à exaustão. Desde a chegada dos espanhóis e portugueses às terras de Abya Yala, mais de 40 milhões de indígenas foram exterminados. Chamados primeiro de não humanos, depois de seres de segunda classe, infiéis, inúteis. Não é, portanto, sem razão, que alguém se ache no direito de fazer o que fez esse rapaz em Imbituba. Ato parecido foi feito em Brasília contra Galdino Pataxó, quando alguns rapazes ricos o queimaram enquanto dormia num banco em um abrigo de ônibus. 

É que ao longo de todos esses séculos foi sendo construída uma imagem negativa do indígena, justamente para que pudesse ser justificada a invasão e o roubo de suas terras e riquezas. Os índios são vistos como um atrapalho, uma lembrança desconfortável do massacre. Por isso que o melhor acaba sendo confiná-los em alguma "reserva" longe dos olhos das gentes. Mas, se eles decidem sair e dividir a vida no mundo branco, aí a coisa fica feia.

Assim que cada pessoa que siga disseminando essa ideia inventada de que índio é preguiçoso, é feio, é sujo, é ruim, é também cúmplice do assassinato de Vitor. Cada criatura que repete esses absurdos pelas redes sociais, nos encontros de família, na escola, nos bares e nas igrejas, armou a mão que degolou Vítor. E é responsável pela morte não só desse garotinho, mas de centenas de outros indígenas que tombam pelas mãos assassinas do latifúndio, da jagunçagem, do ódio. Esse mesmo ódio que escorre pela redes sociais contra o índio, o negro, as mulheres, os gays.   

No mundo capitalista, no qual tudo vira mercadoria, não há espaço para o indígena. E não é só porque ele é uma presença incômoda, lembrança indelével do primeiro crime - a invasão. Mas porque ele é também a recusa histórica desse sistema. Ele não faz da terra uma mercadoria, ele não explora os parentes em fábricas de coisas, nem inventa produtos inúteis para vender aos incautos.  O indígena pensa o território como espaço de vida e de espiritualidade. Reproduz suas cerâmicas, seus cestos, colares e bichinhos como resistência cultural e como única possibilidade de sobreviver no mundo que lhe foi imposto. E, se ocupa as ruas, as marquises e as rodoviárias é porque não têm outra escolha.

Então é assim, em Santa Catarina, nesse dia 30 de dezembro, um jovem se deu ao direito de degolar um menino Kaigang. Desde há anos a brava cacica dos Guarani do Morros dos Cavalos vem recebendo ameaças de morte por defender sua terra e sua gente, bem como os povos Xokleng e Kaigang vivem sendo escorraçados de outras praças e outras rodoviárias por autoridades competentes. Isso é coisa diária, sistemática, como também é sistemático o ataque dos meios de comunicação contra os povos originários. Essa máquina  ideológica do ódio e da opressão.

Agora, à família do menino Vítor resta a luta pela justiça. Um suspeito já foi preso e fala-se em "distúrbios psicológicos". Não se tem ainda a informação segura de quem é o assassino e o que o motivou. Mas, ainda que seja alguém "perturbado", isso não tira a responsabilidade daqueles que diuturnamente destilam ódio e preconceito contra os povos originários. 

O "mundo maravilhoso" da mercadoria insiste que não há lugar para o indígena no seu espaço. Mas, o que se vê é o movimento indígena brasileiro e latino-americano crescer a avançar na luta pelos seus direitos e pelos seu território. Isso não vai parar. Caem hoje os mártires, como naquele longínquo 1492 caiu Hatuey. Mas os que ficam não desistem, como não desistiram os Taínos, os Arawakes e todos os que caminhavam com o valente cacique. O pequeno Vítor, que sequer teve tempo de perceber que estava perdendo a vida, lá, na terra dos espíritos, será embalado por outros colos: Guyunusa, Guaicaipuru, Mani, Sepé.  Por aqui, vamos garantir a justiça. A grande marcha continua.

Vitor Kaigang, presente!

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes



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O melhor a fazer com a capa da Economist sobre o Brasil é ignorá-la

Em suma: ignore
Uma das maiores surpresas que tive ao me mudar para Londres como correspondente em 2009 foi a seguinte: lá, ninguém liga para a Economist.

A Economist, simplesmente, não é notícia entre os britânicos.

Assinei-a, no automático. Com o correr do tempo, ela ficava intocada em casa, no saco plástico em que chegara. Até que desisti da assinatura.

Ignorada na Inglaterra, ela é citada desvairadamente no Brasil, em boa parte por paroquialismo, e sobretudo quando o PT é atacado.

É o caso da última edição.

Li, a pedido de leitores, o texto. Primeiro, e acima de tudo: assim como não há motivos para sambar na avenida quando a Economist fala bem do Brasil, também não há por que tremer de medo quando acontece o oposto.

Nem a Economist elevou o país aos céus quando saudou a “nova potência” e nem atirará ao chão quando, como agora, fala da “queda”.

Quem vai fazer do Brasil um país melhor ou pior somos nós mesmos, o povo – e não revista nenhuma.

Segundo, a análise da Economist é superior ao que você vê na imprensa brasileira. Para começo de conversa, a revista admite o papel da crise internacional nas dificuldades do país, principalmente pela queda do valor das commodities, produtos de baixo valor agregado em que o Brasil é particularmente rico. (As commodities vão de minérios a frutas.)

A imprensa brasileira sempre distorceu as explicações sobre a crise ao atribuí-la, exclusivamente, a erros do governo.

Terceiro: é preciso considerar que a Economist é uma revista conservadora. Como tal, ela gostaria que o receituário thatcherista, ou neoliberal, fosse empregado no Brasil e no mundo.

É uma fórmula ótima para os muitos ricos, como mostrou a própria experiência britânica sob Thatcher, e péssima para o resto. Você corta direitos trabalhistas, baixa os impostos para os ricos, fecha os olhos para a evasão em paraísos fiscais, desregulamenta doidamente setores: tudo aquilo, enfim, que levou à crise mundial de 2008 e a uma abjeta concentração de renda.

Até os conservadores ingleses abandonaram o thatcherismo, e só por causa disso tiveram os votos que os puseram de novo no poder sob David Cameron.

Finalmente, para os mais crédulos na sabedoria infalível da Economist, um fato irretorquível. Uma revista que pretende salvar o mundo, com seu tom ridiculamente professoral, não conseguiu salvar sequer a si própria.

Ainda este ano, a editora inglesa Pearson se desfez dos 50% de ações que tinha da Economist. (Antes, a Pearson vendeu a um grupo japonês o jornal Financial Times.)

É como acontece no Brasil: a Globo não consegue resolver sequer o problema de sua novela das 9 e no entanto produz copiosamente editoriais dizendo como salvar o Brasil.

Em suma: desligue a Globo e ignore o resto da mídia que o Brasil melhora. Aproveite e faça o mesmo com a Economist.

Paulo Nogueira
No DCM
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Británicos desarrollan vacuna que podría detener el Alzheimer

La vacuna busca atacar los enredos del cerebro que producen la falla de la memoria.

La vacuna busca atacar directamente el progreso de la enfermedad y no solo sus síntomas
Un grupo de científicos británicos han desarrollando una vacuna que podría detener el progreso del Alzheimer, la primera que promete atacar los enredos del cerebro causantes de la pérdida de memoria.

El profesor Roy Jones del Instituto británico de Investigación para la Atención de las Personas Mayores (RICE por sus siglas en inglés), explica que esperan que este nuevo invento sea capaz de frenar la progresión de la enfermedad.

Hasta ahora solo existen tratamientos que se centran en mejorar en los síntomas, pero muy pocos en detener el avance de la enfermedad.

Por esta razón, los expertos han logrado crear una vacuna que ayuda a regular el equilibrio del tráfico de células nerviosas, “lo que puede explicar que las alteraciones en ella vayan asociadas con patologías neurodegenerativas”.

“Se trata de un estudio muy importante que abre el camino a una vacuna completamente diferente que se espera que sea mucho más eficaz”, explicó Jones.

No obstante, advirtió que aún es temprano para dar un resultado completo del efecto de la vacuna, pero indicó que se trata del comienzo.



Gotas de grasa en el cerebro serían la causa del Alzheimer


Un grupo de investigadores canadienses realizaron el descubrimiento, el cual conduciría al desarrollo de tratamientos eficaces contra esta enfermedad en el futuro.

Los científicos de la Universidad de Montreal de Canadá lograron un considerable avance cuando centraron sus esfuerzos en entender porqué las células madre del cerebro que normalmente ayudan a reparar daños cerebrales, no responden en la enfermedad de Alzheimer.

La razón es que encontraron gotas de grasa cerca de las células madre en el cerebro de las personas que sufren de este mal. Los especialistas determinaron que se trata de triglicéridos enriquecidos con ácidos grasos específicos.

Los autores de la investigación manifestaron que "estos ácidos grasos son producidos por el cerebro y se acumulan poco a poco conforme avanza el envejecimiento. Sin embargo, el proceso se acelera notablemente en presencia de genes que predisponen a la enfermedad de Alzheimer".

Los científicos consideran que las gotas de grasa no son una consecuencia sino más bien una causa o un acelerador de la enfermedad. Este notable avance abre la posibilidad de encontrar una cura o tratamiento que minimice la progresión del Alzheimer.

Por el momento los inhibidores contra trastornos metabólicos como la obesidad han demostrado que son capaces de bloquear la enzima que produce estos ácidos grasos y detener su acumulación.

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FHC, a servidão e a pseudointelectualidade


É bom desmascarar essas levianas declarações de FHC. Fernando Henrique Cardoso (FHC) não tem autoridade intelectual, nem moral, alguma para dizer que as classes de menor renda de nosso povo são mal informadas.

Elas só são mal informadas, na medida em que veem a TV comercial, a qual está, por inteiro, nas mãos de inimigos do País, controlada, há mais de 60 anos, pela oligarquia financeira angloamericana, cujo objetivo é empurrar o Brasil para o subdesenvolvimento e para o atraso tecnológico.

Na realidade, quem está não só mal informado, mas desinformado e intoxicado por lavagem cerebral, são os leitores da revista VEJA, os do jornal O GLOBO e demais veículos conhecidos por suas iniciais: GAFE (Globo, Abril, Folha e Estadão).

A intervenção estrangeira, dentro do Brasil, produziu, entre outros estragos, o de abaixar grandemente o nível da cultura e a qualidade dos que têm acesso à escolaridade, inclusive no nível dito superior.

Assim, a grande maioria dos brasileiros das classes de maior renda que buscam “informação” na mídia do GAFE, carecem de sistema imunológico, em seus intelectos, para não se deixarem intoxicar pela sistemática deformação dos fatos e pelas interpretações falaciosas desses fatos, que constituem a atividade profissional dos comunicadores a serviço da grande mídia.

Esses que imaginam ter boa instrução, são, pois, os pessimamente informados, que ignoram e teimam em ignorar até as mais visíveis perversidades cometidas contra o Brasil nos dois mandatos de FHC, ambos obtidos por meio de fraudes, golpes e corrupção. Nunca quiseram ler sequer o livro “O Brasil Privatizado”, de Aloysio Biondi, o melhor jornalista econômico que já tivemos.

Quanto mais se pesquisa, mais se encontram exemplos das degradantes medidas tomadas durante os mandatos de FHC, todas com o objetivo de promover a desnacionalização e a impotência econômica e tecnológica do Brasil.

FHC não é intelectual, coisíssima nenhuma.

É um desses indivíduos que os serviços, agências e fundações das potências imperiais angloamericanas, recrutam, dentro de seu programa de ”trabalho”: conspirar contra o País, impedir seu desenvolvimento e abalar até mesmo sua integridade, por meio de intervenção permanente.

O recrutamento de FHC — por fundações norte-americanas, ligadas à CIA, uma das 16 agências de “inteligência” dos EUA — está documentado em, entre outras publicações, o livro “E Quem Pagou a Conta”, de autoria da pesquisadora Frances Stonor Saunders, tradução editada pela Record. Para não quebrar a sequência, transmitirei, em mensagem separada um resumo dessa obra por Armindo Abreu e Sebastião Nery.

Bem, FHC foi recrutado por sua qualidade intelectual? Não.

Os que o recrutaram, trataram de construir sobre ele a falsa imagem de intelectual. Interessou-lhes mais haver FHC posado de marxista, na época de professor na USP, e ter sido aposentado prematuramente, em 1964, alegadamente por inclinação à esquerda.

Isso lhe proporcionou posar de exilado no Chile, onde lhe arranjaram colocação na CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) e pôde acumular os proventos desse emprego com os da aposentadoria, na realidade, um prêmio do regime militar.

FHC é filho e sobrinho de generais do Exército. Estes até participaram da campanha “O Petróleo É Nosso”, em 1952/53. Mais uma falsa credencial: além da de suposta esquerda, a de nacionalista. Ou seja, as antíteses das políticas de FHC.

Nada mais conveniente, pois, para a CIA que fomentar a carreira de alguém aparentemente insuspeito para cometer os crimes que cometeu contra a sociedade e contra o País.

A carreira de FHC foi, assim, turbinada por numerosos golpes e factoides, sob o a direção de serviços secretos e entidades da oligarquia financeira angloamericana. O lance inicial ocorreu, no final dos anos 60: a doação estimada em 800 mil dólares, concedida pela Fundação Ford ao CEBRAP, instituto criado por FHC em SP.

É fácil construir a carreira de alguém escalado para ser seu instrumento, já que a oligarquia financeira mundial tem decisiva influência sobre organismos internacionais, inclusive ONU, universidades e a grande mídia, em todas as partes do mundo.

Ademais, os golpes no Brasil não foram só os militares. A intervenção se faz sempre, através de corrupção da grossa, aquela que a grande mídia encobre.

O rarefeito valor intelectual de FHC contrasta com a imagem criada sobre ele, conforme o método de repetir mentiras até virarem “verdade”, como ensinou o psicólogo Edward Bernays, sobrinho de Freud.

Em meu livro “Globalização versus Desenvolvimento”, nas páginas finais, demonstrei em que consiste a obra principal atribuída à autoria de FHC (em co-autoria com o chileno Enzo Faletto, o enormemente divulgado (et pour cause) Dependência e Desenvolvimento na América Latina.

Trata-se de um livro mal escrito, com parágrafos longos e confusos, com frases mal encadeadas, cuja finalidade é afirmar que a dependência (econômica, financeira e tecnológica, entre outras) seria compatível com o desenvolvimento.

A história dos últimos 60 anos no Brasil demonstra exatamente o contrário disso.

Eis um trecho de meu livro, em que cito depoimentos de intelectuais de alto nível sobre a obra de FHC:

Como observou Celso Brant, o melhor julgamento sobre a obra sob comento foi o de João M. Cardoso de Mello, destacado professor da UNICAMP: “O livro é um malogro completo [...] Um livro de circunstâncias. Se você tirar da prateleira e for ler, aquilo não fica em pé”. Já o professor laureado da Universidade de Yale, Robert Packerman, considera que as únicas partes aproveitáveis do trabalho de Cardoso e Faletto são as que eles copiaram de André Gunder Frank.

Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização vs Desenvolvimento
No Blog do Adriano Benayon
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O enfrentamento entre o Brasil e Israel é sério?

Se o governo do Brasil não quer um colono judeu, então deve seguir o exemplo da Bolívia que desafiou Israel seriamente e mandou o embaixador israelense para casa para sempre. Do contrário, como sinal de solidariedade, é um gesto que não faz sentido.

Dani Dayan
Foto: Moti Milrod
O Brasil rejeitou Dani Dayan como embaixador israelense por causa do seu histórico como colono, na verdade, é um líder do movimento de colonos, e pelo fato de morar na Cisjordânia. Como Israel não vê diferença entre os judeus que moram na Cisjordânia e os judeus que moram noutras partes do país, enviaram-no, e Israel não quer aceitar a rejeição do governo brasileiro.

Tem outros países que ainda distinguem entre Israel com a Cisjordânia e sem ela. Israel só faz essa distinção quando envolve os palestinos. A questão é: Isto é um mero gesto por parte do Brasil ou o desafio do governo brasileiro a Israel é sério? A gente gostaria que fosse um desafio a Israel e o primeiro de muitos. Mas um desafio sério requererá de um compromisso responsável com a causa da justiça e a liberdade na Palestina, e isso não é fácil.

Como mencionado acima, Israel não vê nenhuma diferença entre os judeus que residem na Cisjordânia e os que moram noutras partes do país porque, de fato,  para Israel a Cisjordânia não existe. Todas as referências oficiais e estatais mencionam a região com o nome de “Judeia e Samaria”. Não tem nenhum tipo de mapa oficial; nem os textos escolares israelenses nem os mapas de informes do clima nem de trilhas mostram a Cisjordânia. Todos os informes do clima na TV são de Judeia e  Samária — nunca da Cisjordânia. A seção da policía israelense que serve na região (só cidades judaicas) se chama região de Judeia e Samaria. O comando militar que controla a região se chama comando de Judeia e Samaria, e assim por diante.

Israel apagou a Cisjordânia de fato e anexou a região faz muito tempo. Não o realizou formalmente porque isso exigiria dar direitos de cidadãos a uns três milhões de palestinos que moram lá. Nos Estados Unidos e a Europa ocidental ainda se faz referência a antigos mapas que mostram a Cisjordânia como um área separada do resto de Israel. Mas isso é uma ilusão. No mundo árabe e muçulmano dá para ver uma versão muito mais honesta da realidade. Todo Israel é considerado Palestina ocupada.

E na verdade, como a Cisjordânia pode ser menos ocupada do que o resto do país? Como os judeus de Tel Aviv podem ser menos colonos do que os que moram em Maaleh Adumim? Em qué se diferenciou a conquista de terras palestinas em 1948 da conquista de 1967? A destruição de Jaffa e a limpeza étnica que veio depois foi menos ocupação do que a de qualquer outra região da Cisjordânia? Se foi, foi pior. Em 1967, Israel não conseguiu executar a campanha de limpeza étnica igual que a de 1948. Se não, Hebron e Belém e Nablus e com certeza Jerusalén oriental toda teriam sido esvaziadas de palestinos. Mas não foi possível.

Porém, Ocidente e os governos alinhados ainda usam essa distinção arcaica entre colonos judeus de Tel Aviv e os colonos judeus de Kiriat Arba. Não faz sentido, como não faz o fato de etiquetar e boicotar somente os produtos das colônias judaicas da Cisjordânia e não etiquetar e boicotar os produtos das colônias judaicas da Galileia ou Jerusalém o ou deserto do Negueve, todas ilegais, construídas sobre terra palestina roubada.  E essa é exatamente a diferenciação entre um desafio sério a Israel e um mero e débil gesto.

Se o governo do Brasil não quer um colono judeu, então deve seguir o exemplo da Bolívia que desafiou Israel seriamente e mandou o embaixador israelense para casa definitivamente. Do contrário, como sinal de solidariedade, é um gesto que não faz sentido. O que significa quando os países que expressam solidariedade com a causa palestina continuam fazendo negócios com Israel? Estão dizendo que os palestinos fora de Gaza e a Cisjordânia não precisam de solidariedade? Os palestinos de outras partes da Palestina, sem falar nos que moram em campos de refugiados fora da Palestina, precisam ou merecem menos liberdade e justiça?

Aferrar-se à Cisjordânia virou o refúgio dos países que não querem fazer nada, mas sentem vergonha ou temor ou precisam acalmar de algum jeito seus eleitores. Então, em vez de dar um passo ousado e condenar e isolar Israel, condenam e isolam uma pequena parte de “Israel”.  Em vez de condenar todo o projeto sionista e considerá-lo uma ação ilegal de roubo de terras e acusar o governo israelense de genocídio e leis de apartheid, optam por gestos insignificantes.

Algumas pessoas podem argumentar que é um passo na direção certa. Mas não é, e se fosse, o tempo de pequenos passos na direção certa acabou faz muito. Agora é hora de ações sérias, de desafios sérios. Israel tem uma longa história de apoio e fornecimento de armas a ditadores e assassinos na América latina. É hora de que a América latina expulse Israel para sempre. Nenhum embaixador israelense deveria pôr o pé em nenhuma capital latinoamericana.

Miko Peled, ativista pró-palestino, judeu israelense, nascido e criado em Jerusalém, cujo pai era um jovem oficial do exército em 1948 e um importante general da IDF em 1967. Ou seja, Miko Peled nasceu e cresceu em uma família e em um ambiente de profundas raízes sionistas. Não obstante isso, as contradições da vida e seu sentimento humanista foram abrindo-lhe os olhos para a realidade que o circundava.

Tradução: Tali Feld Gleiser.




Artigo original: AHTribune.

No Desacato
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A polêmica em torno do artigo que Dilma escreveu para a Folha

Gosta de apanhar? Dilma
A primeira treta de 2016 já está no ar. No centro está um artigo que Dilma escreveu para a Folha a propósito do Ano Novo.

A questão é: Dilma apanhou tanto da Folha, e é assim que ela responde?

Para mim, trata-se de um modelo mental obsoleto. Dilma enxerga a mídia ao velho modo — jornais e revistas impressos, rádios e televisão.

A internet, nesta ótica, é uma coisa exótica e para poucos.

Os que defendem o artigo na Folha usam também, essencialmente, o mesmo modelo mental obsoleto.

Eles dizem que é uma maneira de Dilma se comunicar com analfabetos políticos, ou reacionários, ou, como muitos definem, “coxinhas”.

Não é um bom argumento.

Quantas pessoas leem a Folha? Destas, quantos lerão Dilma? E quantos se deixarão convencer por qualquer coisa que venha dela? Faça um exercício: leia os comentários no site sobre o texto. Do ponto de vista da simbologia, além de tudo, a mensagem não poderia ser pior: fraqueza e pusilanimidade diante do inimigo.

Dilma não se ajuda com o artigo na Folha. Ajuda, com certeza, a Folha, em seu marketing cínico de pluralidade.

É por esta mesma lógica que os dois governos do PT veem enfiando bilhões de reais, ano após ano, em empresas jornalísticas dedicadas a destruí-los.

Não é fácil para ninguém se libertar de velhos modelos mentais.

No PT, um raro exemplo de libertação veio de Lula. Em 2015, Lula passou a tratar a mídia como ela o trata. Ou quase, uma vez que Lula não é inescrupuloso como os donos das corporações jornalísticas.

Mas ele disse um claro basta depois de apanhar calado durante tanto tempo.

Deixou de dar entrevistas, por exemplo, aos jornais. A internet permite a ele dizer o que quer do modo que quer. Em seu Instituto Lula ele coloca suas opiniões com frequência.

Elas acabam repercutindo na mídia tradicional, nas redes sociais e nos sites progressistas.

Lula encontrou seu jeito, na Era Digital, de se comunicar. Descobriu que não tem que se ajoelhar e pedir espaço para jornais e revistas que o abominam.

Lula deu também entrevistas coletivas não a jornalistas da Folha, Globo, Veja — mas a blogueiros.

É um bom hábito que ele deveria manter em 2016.

Igualmente neste caso, a mídia tradicional acabou cobrindo, indiretamente, Lula.

Em sua reinvenção no trato da mídia, Lula deu outro grande passo. Deixou de ser passivo diante de calúnias e acusações sem fundamento. Passou a dar seu lado prontamente via instituto e, em muitos casos, acionou a Justiça.

Hoje, quem quiser acusar Lula das costumeiras barbaridades vai pensar duas vezes, ou três. Ainda que a Justiça seja de um modo geral favorável à mídia e desfavorável a Lula, ser processado dá trabalho e custa dinheiro.

Em situações normais, a relação entre figuras públicas e a imprensa segue outro caminho, mais cordial. Mas estamos brutalmente distantes de uma situação normal.

Lula se deu conta disso.

Dilma não.

Paulo Nogueira
No DCM

Leia também: Aos Frias, com carinho
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Atuação do Legislativo em 2015 foi considerada decepcionante, diz Diap

Segundo a organização, a crise política e a composição, considerada a mais conservadora desde o regime militar, afetaram diretamente a produção legislativa


Marcada por embates que levaram parlamentares a quebrarem urnas e até trocarem tapas e cabeçadas, a atuação do Legislativo em 2015 foi considerada decepcionante, tanto em quantidade quanto em qualidade, pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Segundo a organização, a crise política e a composição, considerada a mais conservadora desde o regime militar, afetaram diretamente a produção legislativa. Se, por um lado, a falta de apoio político dificultou a aprovação de medidas do ajuste fiscal, pautas de retrocessos de direitos humanos avançaram na Câmara, encabeçadas pela aliança entre as bancadas ruralista, armamentista e religiosa, apelidada de BBB (boi, bala e bíblia). O Senado, por sua vez, atuou como um freio a essas propostas, mas, por outro lado, foi palco da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS).

Ao contrário do que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prega, na avaliação de Antonio Augusto Queiroz, diretor de Documentação do Diap, há uma falsa impressão de aceleração do ritmo de votações. Ao fazer um balanço do ano na última semana, o peemedebista afirmou que 2015 “teve o maior número de deliberações da história da Câmara”. “Mas, na verdade, a produção legislativa foi menor do que no início de Legislaturas anteriores, além do ponto de vista da qualidade”, rebate Queiroz. Ele aponta o envolvimento do deputado em denúncias de corrupção e a discussão do impeachment da presidente Dilma Rousseff, aceito em dezembro, como fatores para esse cenário. “Por uma questão de sobrevivência, ele (Cunha) decidiu centrar na luta política e não mais na produção legislativa”, completa.

Para o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o esfacelamento na base contribuiu para dificultar a votação de matérias, principalmente as enviadas pelo Executivo. De acordo com ele, a fragilidade do governo deu espaço para o presidente da Câmara pautar propostas de interesse próprio. Couto acredita que, com a possível saída de Cunha — o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir sobre o afastamento em fevereiro —, pode haver um recuo nas pautas conservadoras, o que já vem ocorrendo. “Os temas controversos são associados ao principal patrocinador. Fica muito difícil de desvencilhar do conteúdo. Então o desgaste do patrocinador acaba se convertendo num desgaste das propostas”, afirma.

No Correio Braziliense
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Na Suécia, a Igreja paga imposto

A pastora Ulla Marie Gunner
Grandes coisas fez o Senhor pelos pastores do Brasil neste ano da graça de 2015, e por isso eles estão alegres. 

Pois assim disse a eles a Nossa Senhora da Perpétua Isenção Fiscal: vinde a mim, e eu vos aliviarei. E no quinto mês, Eduardo Cunha das Mercês e sua falange evangélica afastaram de vez das igrejas o demônio dos impostos que agora só atormenta os ímpios, aleluia. Desgraçados são os profanos suecos — ó homens de pouca fé! —, porque deles o tinhoso continuará a cobrar o seu quinhão.

“É claro que pagamos impostos”, diz a pastora sueca Ulla Marie Gunner, com a naturalidade com que um Malafaia pede o cartão de crédito de um fiel. 

“Jesus já disse: ‘dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus’”, recita instantaneamente a pastora na igreja evangélica Immanuelskyrkan (Igreja de Emanuel), no centro de Estocolmo.

Ainda que eu falasse a língua dos anjos, não conseguiria explicar a Ulla Marie como foi que Eduardo Cunha conseguiu abrir o mar regimental do Congresso para a travessia do seu “jabuti”: a emenda da isenção tributária às igrejas foi incluída — na surdina — na MP 668, que tratava originalmente do aumento de impostos sobre produtos importados. 

O milagre do imposto zero foi testemunhado por multidões paralisadas em um transe coletivo, conto à pastora. Ao som das harpas dos querubins, os pastores se regozijaram com a caridade dos congressistas e do povo, sempre de joelhos. Com Deus e Cunha no comando, revelo à incrédula religiosa sueca, foi criado no Brasil o 11º mandamento: “Nada se pagará”.

É uma graça que não alcança os homens de boa fé da Suécia.

Como qualquer pastor sueco, Ulla Marie Gunner paga impostos sobre o salário e qualquer tipo de benefícios que recebe da igreja — incluindo casa, carro e eventuais ajudas de custo. E como toda igreja sueca, a Immanuelskyrkan é taxada pelo Leão por qualquer renda que não seja empregada para fins estritamente cristãos. 

“E isso é o certo. A igreja deve ser parte da sociedade, e não uma entidade à parte, distanciada dos fiéis e da contribuição para o bem-estar coletivo”, diz a pastora.

Vou em busca de informações no Skatteverket, o Leão sueco, que afirma: só não há impostos sobre os imóveis ocupados pelos templos, e até o dinheiro das doações dos fiéis pode ser tributado—– caso seja utilizado em benefício dos pastores, e não dos crentes. 

“Se o pastor investir o dinheiro dos donativos em ações ou aplicações, terá que pagar impostos sobre os rendimentos, caso tais ganhos não sejam aplicados em atividades religiosas”, pontua Gunilla Landmark, analista fiscal do Skatteverket.

“Se o pastor ou a igreja comprarem uma fazenda, um hotel ou qualquer outro negócio com capital obtido através de doações de fiéis, também terão que pagar impostos. Se comprarem um imóvel ou um negócio no exterior, também pagarão impostos”, prossegue Gunilla.

O raciocínio sueco é o oposto do credo brasileiro: a Igreja, assim como também qualquer outra entidade sem fins lucrativos, paga impostos ao Estado.

“A premissa básica é a seguinte: todos, em uma sociedade, têm que pagar impostos e ser tratados de maneira igualitária. Tanto as igrejas, como os rebanhos”, resume a analista da autoridade fiscal sueca.

Não se pode controlar cada krona (coroa sueca, a moeda nacional), ela diz. Mas a autoridade fiscal detém, segundo Landmark, um eficiente sistema para verificar se as igrejas e os pastores estão fazendo o que devem.

“As igrejas devem comprovar que estão utilizando o dinheiro especificamente em obras de caridade e atividades afins”, diz Gunilla Landmark. “Se o dinheiro for empregado para fins religiosos, as igrejas podem ter certas deduções fiscais. Caso contrário, pagam impostos integrais”.

Na centenária Immanuelskyrkan, que congrega tradições batistas, calvinistas e metodistas, a pastora Ulla Marie confirma:

“Se servirmos café aos fiéis, ou ganharmos dinheiro de qualquer outra forma, temos que pagar impostos”.

Os tempos são outros: na Estocolmo dos anos 20, a hoje abastada Igreja de Emanuel era uma pobre congregação.

“Naquela época, muitos fiéis doavam porcos ou alimentos”, conta Ulla Marie. “Até a década de 60, nossa igreja vivia apenas dos donativos, e os pastores tinham que trabalhar o tempo todo para tentar obter doações dos fiéis”.

A partir dali, deu-se uma reviravolta — em vez de pedir dinheiro aos fiéis para suas atividades religiosas e de caridade, a Immanuelskyrkan resolveu entrar no mundo dos negócios.

“Várias congregações menores haviam se juntado a nós, ao longo dos anos, e todas tinham seus próprios bens. Aos poucos, fomos idealizando diferentes atividades, e hoje administramos um hotel, assim como diversos imóveis”, diz a pastora.  

Estamos a poucos passos do hotel da congregação, o Birger Jarl. É um quatro estrelas, com mais de 270 quartos, no centro nobre de Estocolmo.

O hotel
O hotel
Para Ulla, gerir este e outros negócios é uma maneira bem mais eficiente de obter recursos, a fim de beneficiar as obras sociais da igreja:

“Somos hoje uma igreja muito rica, até porque somos muito bons administradores. E pagamos impostos por isso.”

A igreja de Ulla também possui asilos de idosos, assim como acomodações para estudantes. A Immanuelskyrkan recebe ainda contribuições da Prefeitura para gerenciar parte de suas obras sociais.

“Mas pagamos impostos por isso”, frisa a pastora. “Como pastores, temos ainda a possibilidade de viver em apartamentos de nossa igreja. Mas também somos taxados por isso.”

Vamos comparar: no Brasil, a fonte de renda das igrejas inclui, além do dinheiro recebido diretamente dos fiéis, a venda de bens e serviços e os rendimentos com ações e aplicações. É uma arrecadação bilionária, que apenas em 2011 representou R$ 20,6 bilhões. Só em benefícios fiscais, as organizações religiosas brasileiras recebem cerca de R$ 4 bilhões anualmente. Também não há tributação sobre ajudas de custo, como moradia e transporte para os pastores.

Com o “jabuti” de Cunha, os profissionais da fé ficaram livres da cobrança de impostos sobre as “comissões” que ganham por recolher mais fiéis, e mais dízimos. Muitos pastores recebem um salário baixo, que é tributável – o grosso vem por fora, com as “comissões” que, a título de ajuda de custo, chegam aos 100 mil reais. Sob as bênçãos do Congresso, as igrejas evangélicas poderão ainda conseguir a anulação de autuações fiscais que passam de 300 milhões de reais.

Na Suécia, só Jesus salva os pastores. Assim como no Brasil, qualquer pessoa pode abrir uma igreja aqui. Mas o primeiro ato obrigatório é registrar a congregação no Kammarkollegiet: trata-se da mais antiga autoridade pública do país, criada, nos idos de 1539, quanto o rei Gustav Vasa decidiu estabelecer uma agência dedicada a lidar com a coleta de impostos no reino.

“Uma vez registrada, a igreja recebe um código fiscal, que é repassado automaticamente a todas as autoridades fiscais”, diz Stefan Berg, um dos gerentes do Kammarkollegiet.

Pergunto à pastora Ulla Marie se ela considera os impostos excessivos, em se tratando de igrejas.

“A Igreja deve assumir suas responsabilidades na sociedade em que atua. Como cristãos, não podemos nos distanciar de nossas obrigações sociais e dizer, ‘não temos nada a ver com isso’”, acentua a pastora.

Poderá o Cristo Redentor, diante de tal revelação terrena, fechar os braços e bater palmas sobre a Guanabara.

Até lá, fica reproduzida abaixo uma mensagem natalina especial para os delegados da Receita Federal.

São falas cristãs extraídas de um vídeo que circula na internet, e que pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/emersonbhmg/videos/817050975081568/   



Mensagem do Do Pastor Valdomiro – “O Trízimo”:

“No mês de dezembro, você não vai devolver só o de Deus, os 10%. Você vai dar 20% do seu, você vai ser fiel. Você vai tirar 30%, e vai falar assim, ‘Senhor, representando a Santíssima Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo”

Do Pastor RR Soares – “O Dízimo no Débito Automático”:

“Eu estou pedindo às pessoas que têm conta, que façam a opção de em vez de ir ao banco depositar, para descontar direto da conta. É mais fácil, vai dar menos trabalho para você. Porque o diabo consegue às vezes fazer com que nós esqueçamos deste compromisso”

De Marco Feliciano – “Dízimo em cheque, cartão de crédito ou jóias”:

“Seus filhos que acreditarem na oração deste profeta, e tiverem coragem de pegar dinheiro, cartão de crédito, jóias e ofertarem nesta noite (…) Ah, pastor, mas eu não sei o que fazer com o meu dinheiro! Esse problema não é seu. Esse problema é da igreja”

Do “Bispo” Edir Macedo, em reunião com seus pastores – “Como tomar dinheiro mais fácil”:

“Você nunca pode ter vergonha, timidez. Peça! Peça! Quem quiser dá. E se alguém não der, tem um montão que vai dar. Tem que ser no peito e na raça. Bota pra quebrar.”

Cláudia Wallin
No DCM
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Filme retrata garotinha ateia

Criança sofre intolerância religiosa
Uma menina diz na escola que não acredita na existência de Deus e a partir de então passa a sofrer intolerância religiosa, incluindo a chantagem emocional de sua mãe. Essa é a história do curta metragem irlandês “Rúbaí”[ver abaixo com tradução em português]

O filme ganhou recentemente o prêmio de Melhor Curta de um festival de Sardenha (Espanha).

Ele foi filmado em fevereiro de 2013 na aldeia irlandesa de Spiddal. Na época, Ní Fhoighil, a atriz que fez o papel de Rúbaí, tinha 7 anos. Ela foi escolhida para o filme após passar em um teste com 42 concorrentes.

A história foi escrita por Antoin Beag Ó Colla e filme foi dirigido por Ní Fhiannachta.

Fhiannachta não quis fazer um curta ateísta, mas, como disse em uma entrevista, mostrar o quanto um pensador independente desafia as tradições da sociedade. O que fica claro ao final do filme.



No Paulopes
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Globo encerra 2015 manipulando dados e jogando contra o Brasil


O sistema globo de comunicação encerra 2015 na incessante campanha contra a Petrobras e o Pré-sal e nesta quinta (31) os irmãos Marinho atacam, através de editorial, as razões que fizeram o governo federal aumentar o salário mínimo. A medida vai injetar 57 bilhões na economia do país em 2016 e melhorar a renda de 48 milhões de brasileiros.

De acordo com os Marinho, o argumento usado pelo governo federal para aumentar o salário mínimo é “tosco”. O que não surpreende no histórico do grupo de comunicação que, em 1962, também se posicionou contra a adoção do 13º salário.

Quem recupera essa informação é a comunidade do facebookPolítica no face II. “Segundo os donos da globo trata-se de “seríssimo problema” (o ajuste acima da inflação), o que prova que o grupo se mantém fiel à sua tradição contrária a qualquer política trabalhista”, diz o conteúdo da comunidade.

Pré-Sal e Manipulação de dados

O blog Tijolaço voltou a denunciar nesta quinta a manipulação grosseira divulgada em editorial publicado pelo jornal O Globo em que aumenta em 400% do valor o custo de extração do óleo no pré-sal. E usa esse argumento para classificar a principal jazida petrolífera brasileira de “patrimônio inútil”.

“O Globo diz, para justificar o fato de que, com o petróleo sendo cotado a US$ 37 o barril não seria econômico produzir no pré-sal a custos estimados entre US$ 40 e US$ 57. Aqui, com base nos dados então disponíveis, mostrou-se que o custo de extração no pré-sal era, na verdade de US$ 9 dólares o barril”, informou o jornalista Fernando Brito em texto publicado no Tijolaço.

Na última quarta (30) a Petrobras divulgou no site da empresa que a aplicação de novas tecnologias permitiu que a estatal tenha um custo de extração de petróleo no pré-sal em torno de US$ 8 por barril, contra a média das grandes petroleiras mundiais, de US$ 15 por barril.

A informação do blog também se refere aos dados divulgados pela Petrobras: “E ontem (dia 30), fica-se sabendo que nem isso (9 dólares o barril) mais é, por conta de novas tecnologias, redução dos preços em dólar de alguns insumos da indústria petroleira – que têm preço mundial e, portanto, acabam incorporando as perdas do preço do petróleo – e sobretudo, como havia sido apontado aqui, pelo conhecimento geológico que acelera o caro processo de perfuração de centenas de poços (de extração e de injeção)”.

Segundo a Petrobras, um dos fatores decisivos para a redução do custo é o tempo de perfuração de um poço no pré-sal, que no campo de Lula, em Santos, já atingiu tempo inferior a 30 dias, enquanto em 2010 eram necessários mais de 120 dias.

“Ou seja, o “errinho” de O Globo sobre a relação preço/custo do pré-sal é de “apenas” 400% — ou de 712%, se considerado o maior custo estimado pelos “especialistas” do jornal”, lembrou a matéria do Tijolaço.

“Mesmo não sendo este o custo total da exploração — há royalties e impostos que, afinal, são renda pública —, se você considerar que são mais de um milhão de barris retirados a cada dia do pré-sal, é possível ver o tamanho do golpe que querem dar com esta história de desdenhar o “patrimônio inútil”, denunciou o blog.

No Portal Vermelho, com informações do blog Tijolaço e Política no Face II
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Cid Gomes chama Temer de 'chefão do estilo achacador' e Cunha de 'morto-vivo' — assista

O ex-governador do Ceará acredita que 2016 será um ano melhor para o País, mas se preocupa coma seca no Estado

Cid diz não acreditar que a saída de Cunha do comando do parlamento se dará por seus pares, mas pela justiça
O ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Cid Gomes fez um balanço nesta quinta-feira (31) sobre a política e a economia em 2015. Para ele, o País deve começar a se recuperar no próximo ano e não poupou críticas ao vice-presidente Michel Temer, a quem chamou de “chefão” do estilo achacador, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que seria um “morto-vivo”' e “motivo de chacota”. As declarações foram feitas em entrevista ao Diário do Nordeste.



Segundo Cid, a crise política é resultado de “uma relação promíscua, podre, baseada no fisiologismo e na chantagem, no achaque” entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. O ex-governador ressaltou que a presidente Dilma Rousseff teve que se render a esse sistema, mas não é a primeira. “Dilma teve que se render a isso. Ela até tentou resistir no começo. O Lula fez, o Fernando Henrique (Cardoso) fez”, disse. 

Sobre o impeachment, Cid acredita que o movimento perdeu força quando a população se deu conta de quem assumiria no caso de afastamento da presidente. Ele entende que os brasileiros não estão satisfeitos com a Dilma, que ela “enganou”. Contudo, para o ex-ministro, o povo “já está vendo que pior que a Dilma é entregar para o vice dela, esse Michel Temer, que é o chefão desse estilo de política”, disse. 

E insistiu: “(Temer) é o presidente do PMDB. Então, é o chefe do estilo achacador que o PMDB é e serviu de inspiração para muitos outros partidos. Esse PR é a mesma coisa, só que menorzinho, mas é também um partido de achacadores”, acrescentou.

Sobre Eduardo Cunha, desafeto antigo dos Ferreira Gomes, Cid diz que ele não tem condições de ocupar a presidência da Câmara. “Para mim ele é um morto-vivo, é um zumbi que está ali. Ninguém acredita mais. Está servindo de chacota. Tudo o que ele fala é motivo de chacota”, reforçou. 

Para o ex-governador, a maior parte dos deputados está nas mãos de Cunha por três razões diferentes. “A maioria do nosso parlamento, infelizmente, é uma banda igual a ele. Tem o mesmo estilo desonesto, que se apropria, faz chantagem para pegar dinheiro, pegar propina”, afirmou. A acrescentou: “Outra banda recebeu dele dinheiro. Ele financiou muitos deputados nas eleições passadas”, acusou. Há ainda segundo ele, a oposição que, para dar seguimento ao processo de impeachment, o apoia. “Dentro dessa ideia, eles enxergam em Eduardo Cunha um aliado, dando para ele uma maioria na Câmara”, analisou.

Cid diz não acreditar que a saída de Cunha do comando do parlamento se dará por seus pares, mas pela justiça, de onde “deverá sair uma ação para afastá-los da presidência da Câmara, onde está notoriamente impedindo as investigações”, ressaltou. 

Ciro está trabalhando candidatura à presidência em 2018

Sobre a candidatura de seu irmão, o também ex-governador Ciro Gomes, à presidência da República, Cid destacou que já há um movimento neste sentido, mas ainda é cedo para definições. “Ele (Ciro) está andando, trabalhando, mas a decisão de candidatura só acontecerá em 2017, 2018”, disse. 

Cid também ressalta que o irmão tem as qualidades para ocupar a presidência. “Uma candidatura não se faz por uma vontade pessoal. É claro que tem que ter essa disposição. A pessoa tem que estar preparada, ter sido lapidada, forjada ao longo do tempo, conhecer os problemas do Brasil, conhecer o Brasil, e todos esse pré-requisitos o Ciro tem”, destaca.

Entretanto, a oficialização “vai depender do momento, vai depender do partido, de um ato de alianças”, afirma. Porque também acho que o Ciro não está mais na idade ir para uma anticandidatura como ele já foi no passado, só para marcar posição e denunciar os problemas”, completou. Antes disso, entretanto, o foco agora deve estar nas eleições municipais de 2016.

Quanto a uma possível disputa eleitoral envolvendo o próprio Cid, o ex-governador ressalta que “no horizonte de médio prazo, dois três anos, não está nos meus planos nenhuma candidatura”. Atualmente ele está atuando numa sociedade particular como empresários chineses na área de energia solar para a fabricação de painéis solares. “Será a primeira do Brasil e acho que a primeira da América Latina”, comemora. E ressalta: “É uma coisa que não tem nada a ver com o governo”. 

Ceará tem situação acima da média do País, mas seca preocupando

Apesar das dificuldades que o País vem enfrentando, Cid é otimista quanto ao Ceará. Segundo ele, “o Estado do Ceará tem conseguido manter um nível de investimento diferente da média do Brasil. Para ser objetivo, é o que tem proporcionalmente o maior investimento do Brasil”, disse. E acrescentou: “absolutamente, o Ceará, este ano, vai passar Minas Gerais. Ou seja, só investiram mais do que o Ceará neste ano de 2015 São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores estados do Brasil”, ressalta.

A ação do governo e a iniciativa privada deverão, para Cid, “assegurar que o Estado tenha um desempenho econômico melhor que a média do Brasil. Esse ano o país deve cair 3% do PIB. Eu estimo que o Ceará talvez empate ou vai ter uma queda menor”, defende. “No ano que vem eu creio que a gente possa retomar uma trajetória de crescimento do PIB, sempre acima da média nacional”, destacou.

O problema para o Estado, entretanto, é a possibilidade de continuidade da seca. “A perspectiva de um baixo índice pluviométrico para 2016 é, de fato, um grande problema”, admitiu. Cid destacou, entretanto, a transferência das águas do rio São Francisco, que devem amenizar o problema para “talvez metade da população do Estado”, disse. Mas, para o terço da população que vive no oeste do Ceará, que atinge municípios do Cariri até Sobral, a situação é preocupante. “Se não tiver chuva, pelo menos intensa em alguns momentos para ter recarga de açude, nós vamos ter problemas graves”, finalizou.
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Veto de Dilma na LDO evita “bondade do mal” no Bolsa-Família


A manchete do Estadão sobre os vetos apostos pela Presidente Dilma Rousseff contém uma destas “jaboticabas”, as coisas que só acontecem no Brasil.

É o que estabelecia a correção dos valores dos benefícios do Bolsa Família em algo próximo de 16%.

Muito bom, muito bem, seria digno de aplauso.

Mas, espere…. Não era lá no Congresso que queriam cortar o orçamento do Bolsa-Família para arranjar o tal superávit fiscal?

Não era o Estadão que, há pouco mais de um ano, chamava o programa de “Bolsa-Voto”?

A tática da maldade é disfarçar-se de bondade.

Como a dotação orçamentária para o Bolsa Família é fixa, o que acontece quando se aumenta o valor do benefício?

Sim, como o valor total é o mesmo, menos benefícios poderão ser pagos.

Logo, pessoas teriam  de ser desligadas do programa.

Mas o reajuste não seria correto? Seria, e seria também desastroso.

Encher-se-ia mais o prato de uns, com todo o merecimento, esvaziaria-se o de outro, sem a menor piedade.

O inimigo do bom, dizia minha santa avó, é o ótimo.

De “bem- intencionados”, dizia ela também, o inferno está lotado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Aos Frias, com carinho


O artigo da presidenta Dilma Rousseff com desejos de um feliz 2016 a todos brasileiros e brasileiras foi, primeiro, publicado na Folha de S.Paulo.

A mesma Folha que, há três meses, fez um editorial intitulado "Última chance", no qual exigia a saída dela, de forma desrespeitosa e degradante.

A mesma Folha da ficha falsa, da campanha eleitoral de 2010.

Sem falar no fato de que, até o Blog do Planalto ser autorizado a reproduzir o artigo, às 13h39 do dia 1º, somente os assinantes da Folha (em sua maioria, partidários do impeachment) puderam ler o texto — a tempo de ridicularizá-lo nas redes.

Tiveram a primeira manhã inteira de 2016 para isso.

Redes que Dilma poderia ter usado para, democrática e gratuitamente, publicar o texto para todos os brasileiros e brasileiras.

Sobretudo para aqueles que enfrentaram a Folha de S.Paulo, entre outras cidadelas do golpe, para mantê-la no cargo, em 2015.

Ou seja, a nossa querida presidenta não aprendeu nada.

Leandro Fortes
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Barroso desmente acusação de que omitiu norma em seu voto sobre impeachment

A formação da comissão de impeachment na Câmara dos Deputados não é uma eleição, conforme aponta o artigo 33 do Regimento Interno da Casa. Por isso, o Supremo Tribunal Federal não aplicou o artigo 188 do regimento, que trata especificamente de eleições — e de votação secreta. Com essa clareza, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, rebate e desmente as acusações de que omitiu um trecho do artigo quando a corte definiu o rito do impeachment.

Diversos sites, blogs e artigos replicaram a acusação de que Barroso teria omitido o trecho final do artigo 188, que permite votações secretas “para eleição do presidente e demais membros da Mesa Diretora, do presidente e vice-presidentes de Comissões Permanentes e Temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a Comissão Representativa do Congresso Nacional e dos 2 (dois) cidadãos que irão integrar o Conselho da República e nas demais eleições”. No entanto, em seu voto, ele nem sequer cita o artigo 188, que foi levado ao julgamento pelo ministro Teori Zavascki e considerado não aplicável pela maioria dos ministros.

Maioria do STF acompanhou entendimento de Barroso, de que artigo
188  não se aplica à formação da comissão do impeachment na Câmara.
Em texto publicado nesta sexta-feira (1º/1), em seu site pessoal, Barroso explica minuciosamente: “Quando eu estava votando, o ministro Teori pediu um aparte e leu uma passagem do artigo 188, III. Ele supôs que teria aplicação ao caso a parte inicial do dispositivo e a leu, parando ANTES do final, onde se encontrava a locução “nas demais eleições”. Enquanto raciocinava para responder a ele (já que o meu voto sequer mencionava o tal dispositivo), li de novo exatamente a mesma passagem que ele havia lido. Antes que eu concluísse o meu raciocínio, o ministro Teori fala: “V. Exa. tem razão”. Nessa hora, paro de responder a ele e volto para o meu voto. Simples assim”.

Em seu artigo, o ministro critica o uso de um vídeo de seu voto editado de forma truncada, que tem se espalhado pela internet. “Cortaram a parte inicial e final do argumento que eu desenvolvia para, assim, criar o engano nos que o assistiram de boa-fé. Aliás, uma das provas de que um argumento está correto é a necessidade de desconstruí-lo com uma falsidade. O vídeo truncado procura fazer crer que no meu voto suprimi a leitura da parte final do artigo 188, III do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, que fazia menção a ‘escrutínio secreto’ para as ‘demais eleições’”, acusa o ministro.

Barroso afirma ainda que ao determinar a aplicação das mesmíssimas regras do impeachment do ex-presidente (hoje senador) Fernando Collor ao procedimento em relação à presidente Dilma Rousseff, o “STF preservou a segurança jurídica e o Estado Democrático de Direito”. Assim, conclui, se o pedido for aprovado ou rejeitado no Congresso Nacional, "não há mais que se falar em golpe, pois as regras estão claras".

O trecho do voto sem edições pode ser visto no vídeo abaixo.

Clique aqui para ler o artigo publicado por Barroso.

Clique aqui para ler o voto de Barroso na íntegra.


Marcos de Vasconcelos
No Conjur
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