27 de dez de 2016

Nicolelis conversa com Nassif

 Imperdível 


Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro responsável pela descoberta do sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por sinais cerebrais, é o entrevistado desta edição do Sala de visitas com Luis Nassif.

Ele recebeu nossa equipe na sede do Projeto Andar de Novo, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Durante a entrevista, que durou um pouco mais de 50 minutos, o pesquisador falou do projeto educacional que incentiva a produção científica de crianças na periferia de Natal, tocado pelo Instituto Internacional de Neurociências - Edmond e Lily Safra (IINN), avaliou o desenvolvimento no Brasil, elogiando o programa Ciências Sem Fronteiras e seu impacto na auto estima de estudantes brasileiros que encontrou em outros países, além da necessidade de uma política pública de descentralização da ciência e tecnologia no país, hoje concentrada na região Sudeste.

Num segundo momento, Nicolelis contou o início da sua carreira, nos Estados Unidos, abordou a dificuldade de desenvolver ciência no Brasil, e o importante papel do Estado na promoção de conhecimento, lembrando que o governo norte-americano investe cerca de 5% do Produto Interno Bruto anual em ciência.

O Neurocientista avaliou, ainda, a forma como a mídia nacional desvaloriza os avanços brasileiros, com destaque para a pífia cobertura do funcionamento do exoesqueleto em um paciente há dez anos paraplégico, durante a abertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. "O governo japonês nos chamou para repetir a nossa demonstração nas Olimpíadas de Tóquio, já criaram um comitê para ter uma demonstração de robótica nos mesmos termos que o nosso, com todo apoio da sociedade japonesa", rebateu.

O pesquisador enxerga com preocupação o desmonte recente da indústria nacional, decorrente da crise política, criticando fortemente a desvalorização da Petrobras, que deveria ter seus ativos protegidos, e não vendidos, como está ocorrendo por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Por fim, Nicolelis entrou na sua área de conhecimento, sobre o potencial intuitivo do cérebro humano, condição que jamais um computador será capaz de emular, porém ressaltou a preocupação do fenômeno de sincronização de pensamentos, por conta do uso cada vez mais constante da internet e redes sociais. Esse novo modelo de comunicação, rápido o suficiente para acompanhar o funcionamento cerebral, estaria trazendo prejuízos à capacidade de reflexão dos indivíduos, lembrando que, na obra "Understanding Media", dos anos 1960, o teórico da comunicação, Marshall Mcluhan, já alertava para isso.

“Ele previu que os grupamentos sociais iam começar a fragmentar a sociedade, porque os grupos de interesse iam começar a se auto referenciar no momento em que houvesse um meio de mídia capaz de ser rápido o suficiente para sincronizar as pessoas na ordem da magnitude de funcionamento do cérebro”.

O cientista indicou, também, que o imperialismo norte-americano continua atuante, agora em movimentos cibernéticos, com alcance sobre vidas e mentes sem precedentes na história da humanidade.

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