12 de dez de 2016

Lula e sua família nunca tiveram a chave do triplex, diz testemunha de acusação


Reforma no triplex foi para um "cliente em potencial" da OAS, diz gerente da empresa, confirmando que ex-presidente não é nem jamais foi dono do imóvel





A engenheira da OAS Empreendimentos Mariuza Aparecida Marques depôs nesta segunda-feira em processo na 13ª Vara Justiça Federal, em Curitiba, por videoconferência. Ela é testemunha de acusação dos procuradores do Ministério Público Federal do Paraná contra Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de ser dono de um um apartamento triplex do qual jamais foi o proprietário oficial nem jamais fez uso. Atualmente, a OAS é a dona do imóvel.

Mariuza é quem tem a chave do apartamento em questão, o 164-A. Além dela, testemunhou que, quando o apartamento sofreu uma reforma, tinham cópias da chave também a construtora Talento (responsável pela reforma) e a área de incorporação da OAS.

Ao juiz Sérgio Moro, que está à frente do processo penal, ela disse que fez mais de 120 visitas ao imóvel, e em nenhuma delas jamais viu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a esposa de Lula, dona Marisa, ela disse que viu uma única vez, em agosto de 2014, confirmando visita reconhecida e documentada da mulher do ex-presidente, que visitou e não teve interesse em adquirir o apartamento.

Mariuza inspeciona o condomínio Solaris semanalmente até hoje, inclusive para evitar focos de dengue no apartamento. Ela supervisionou a reforma toda feita pela empresa Talento no apartamento. Disse que, até onde tinha sido informada, o trabalho estaria sendo feito para um "potencial cliente" da empresa, que seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois, tendo sido instada por Sérgio Moro a emitir sua opinião, disse acreditar que a reforma estava sendo feita para atender a dona Marisa, baseada no fato de que a esposa de Lula comentara que a reforma "estava ficando boa".

Já em outro momento do depoimento, a testemunha reiterou que foi lhe dito que Lula seria um "potencial cliente", caso viesse a se interessar pelo imóvel, e que a família do ex-presidente nunca recebeu a posse do imóvel.

A testemunha levada pelo MPF-PR confirmou que a família Lula nunca teve as chaves do apartamento 164-A. Confirmou também que Lula esteve uma única vez no prédio com Dona Marisa, e Dona Marisa esteve mais uma vez após essa visita, como já foi informado diversas vezes (http://lula.com.br/os-documentos-do-guaruja-desmontando-farsa-0). E que nem ele, nem sua família jamais usaram o apartamento. Mariuza também confirmou que recebeu móveis e eletrodomésticos para o apartamento, e que a compra desses objetos na empresa Kitchens foi feita pela OAS, e que todos eles seguem no apartamento, acumulando poeira.

"Era uma reforma para ver se o ex-presidente se interessava por apartamento", diz engenheiro de obra no triplex

Mais uma testemunha levada ao processo pelo MPF-PR contraria a tese acusatória e afirma que apartamento jamais foi de Lula ou sua família





O engenheiro da OAS Igor Pontes foi a segunda testemunha a ser ouvida nesta segunda-feira na 13ª Vara Federal em Curitiba, em processo em que o MPF-PR (MInistério Público Federal no Paraná) acusa Luiz Inácio Lula da Silva de ser o “dono oculto” de um apartamento triplex no Guarujá.

Pontes falou sobre a reforma feita no apartamento - que, originalmente, era de um empreendimento da Bancoop, a cooperativa dos bancários de São Paulo, mas foi adquirido pela OAS -, na qual prestou seus serviços. De acordo com ele, a obra feita pela OAS foi para tentar vender o apartamento para o ex-presidente Lula e sua família.

"O que foi dito é que seria feita uma reforma para melhorar a unidade. Já que era um prédio muito simples, (seria feita) uma melhoria para ver se o ex-presidente de repente se interessava em ficar com a unidade", afirmou Igor Pontes, somando-se às mais de dez testemunhas de acusação do MPF-PR que não confirmam a tese acusatória dos procuradores.

O depoimento confirma os fatos sempre expressos por Lula e derruba a versão dos procuradores, na medida em que reafirma que Lula não era proprietário do apartamento e que as duas visitas de Dona Marisa e a única visita de Lula ao imóvel foram para verificar o interesse da família em comprar o apartamento - o que acabou não ocorrendo.

A testemunha disse também que lhe foi solicitado pela primeira vez que atentasse ao apartamento do Guarujá em janeiro de 2014. Ele deveria fazer pequenas melhorias na unidade porque haveria uma visita do presidente do grupo OAS, Léo Pinheiro, e do ex-presidente Lula, e que foi solicitado que ele (Igor) estivesse presente. Tal visita teria ocorrido no começo de fevereiro de 2014.

Igor teria acompanhado essa visita apenas para responder qualquer pergunta ou questionamento técnico. Segundo o engenheiro, Lula e Dona Marisa visitaram o apartamento e se detiveram na vista, sem que lhe tivessem feito qualquer pergunta sobre o imóvel.

Perguntado pelo Ministério Público se o apartamento 164-A está à venda, Igor Pontes disse que, após tanta exposição da imprensa, acha difícil colocarem o apartamento à venda.

O funcionário da OAS também confirmou que o apartamento segue sendo da construtora e que nunca foi feito nenhum "Boletim de Vistoria", documento que fecha a venda de um imóvel.

Em nova discussão, Sérgio Moro grita com advogados de Lula

“Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo!”, gritou o juiz federal. Assista o vídeo.

O juiz federal Sérgio Moro e os advogados do ex-presidente Lula discutiram em uma audiência de testemunhas que ocorreu nesta segunda-feira (12). No momento mais tenso da discussão, o juiz levantou a voz e chegou a gritar com o o advogado Juarez Cirino dos Santos, um dos defensores do ex-presidente.

A divergência ocorreu por conta de uma pergunta feita pelo pelo procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho para a testemunha Mariuza Aparecida da Silva Marques, engenheira civil da OAS que trabalhou no tríplex que o Ministério Público Federal diz ter sido dado a Lula como um presente da empreiteira.

Galvão de Carvalho perguntou para Mariuza se Marisa Letícia, esposa do ex-presidente, foi tratada como possível compradora ou alguém cujo o imóvel já havia sido destinado. A defesa alegou que a pergunta já havia sido feita e que não poderia se feita de novo. Moro se irritou e pediu para a defesa não fazer novas intervenções.

— Você não pode cassar a palavra da defesa — respondeu Cirino.

— Posso, porque o senhor está sendo inconveniente — disse Moro.

Cirino diz que o procurador estava tentando induzir a resposta da testemunha. Foi nessa hora que Moro levantou a voz:

— Doutor, está sendo inconveniente. Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo!

— Eu? Mas, escuta, eu não respeito Vossa Excelência enquanto Vossa Excelência não me respeita enquanto defensor do acusado. Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência terá o respeito que é devido a Vossa Excelência. Mas se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, Vossa Excelência perde todo respeito.

— Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra.

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